maio 2011


GP DA ESPANHA: Não conheço um que goste de assistir. Os pilotos, no geral, não reclamam, até porque a pista tem curvas relativamente velozes. No entanto, a ação é absolutamente reduzida. Em 1999, dizem que houve apenas uma única manobra de ultrapassagem em toda a corrida. As duas melhores corridas da história desta pista foram exatamente as duas primeiras edições, em 1991 e em 1992. Quem gosta mesmo desta pista são os engenheiros, que dispõem de um circuito que testa absolutamente todos os quesitos de um carro, do motor à suspensão. Não por acaso, a maioria dos testes de pré-temporada acontecem por lá. Mas elogiar uma pista por ser boa para testes é que nem elogiar um campo de futebol porque a Seleção Brasileira faz seus treinamentos por lá.

ALONSO: Hoje de manhã, a Scuderia Ferrari anunciou aos mortais que o asturiano Fernando Alonso seguirá na equipe até o fim de 2016. Depois, férias eternas em Cartagena e Gibraltar. Vidão, hein? O fato é que os italianos querem reviver os bons tempos do início da década passada mantendo um contrato de longa duração com um bicampeão e dando a ele todas as regalias possíveis, como um companheiro de equipe dócil e o direito de repetir a macarronada do domingo. E Alonso, que não é bobo e nem nasceu ontem, agradece. Se bem que seu contrato com a McLaren também era longo e deu no que deu.

ULTRAPASSAGENS: Na Austrália, não deu certo. Nas três pistas tilkeanas seguintes, funcionou que é uma beleza. Até agora, não consigo concluir se o pacote KERS + asa traseira móvel + pneus Pirelli realmente é eficiente de maneira geral. Sepang, Shanghai e Istambul favorecem bastante a dinâmica oferecida pelas novas medidas. Barcelona, por outro lado, não é bem assim, embora a reta dos boxes seja um lugar adequado para o acionamento da asa móvel. Normalmente, não se ultrapassa por lá nem com arma na cabeça. Vamos ver se o pacote faz milagres.

SCHUMACHER: Sua atuação em Istambul gerou enorme vergonha alheia. Depois da prova, ele comentou com alguém que não estava feliz com seu desempenho naquele dia e a mídia inglesa amplificou a insatisfação com manchetes enormes dizendo que ele não estava se divertindo em seu retorno à Fórmula 1. Mesmo desmentindo a possibilidade de parar neste ano, muita gente está cética com relação à sua continuidade na próxima temporada. Para gente como Johnny Herbert, seria uma surpresa se Michael continuasse na categoria andando em um carro que não o permita vencer e levando surra do companheiro de equipe. Também acho, mas há um contrato a ser cumprido até 2012 e Schumi é homem de palavra.

EUROCENTRISMO: Não sei quanto a vocês, mas é um alívio para mim voltar a ver corridas na Europa. Nada contra a Turquia, a Malásia e a Austrália e tudo contra a China, mas a Europa é o continente da civilização, da cultura ocidental, da política, da filosofia e das coisas legais. O queijo gruyère, o vinho, o Blur, o azeite, o liberalismo, o Mr. Bean, o circuito de Enna-Pergusa, as ninfas do Berlusconi e a Christiane F. só poderiam ter saído de lá. Por isso, este pequeno ode ao continente ao qual a Fórmula 1 pertence por excelência.

Aos 17 anos e 7 meses, Kevin Ceccon será o piloto mais jovem a correr na GP2 europeia

Falemos de GP2, pois. Depois de ficar sem o italiano Davide Rigon, que quebrou a tíbia e o perônio de uma perna após um choque infeliz com Julián Leal em Istambul, a Scuderia Coloni anunciou o compatriota Kevin Ceccon como seu substituto para as etapas de Barcelona e Mônaco. Aos 17 anos, sete meses e 27 dias, Ceccon será o piloto mais jovem da história a largar em uma corrida europeia da categoria. Ele, que já passou pela Fórmula 3 Open europeia e pela Fórmula 3 italiana, está em seu terceiro ano completo nos monopostos.

Peraí. Foi exatamente o que eu li? Não, é isso mesmo. Ceccon estreará na GP2 Series com 17 anos e alguma coisa. No Brasil, ele não precisaria votar, não poderia ir preso, não poderia sair do país sem autorização de papai ou mamãe e nem poderia dirigir um Clio 1.0 de 75cv pelas ruas esburacadas do país. Mesmo assim, lá estará o garoto pilotando um Dallara-Renault de 600cv de potência no razoavelmente veloz traçado de Barcelona. Há algo de errado ou o problema é a minha implicância costumeira?

Gostaria de crer que sou eu o chato da história, mas talvez não seja o caso. A GP2 é o último estágio pelo qual um piloto deve passar antes de chegar à Fórmula 1. Os pilotos que chegam lá, além de carregarem mundos de dinheiro em suas carteiras e contas-corrente, tiveram de competir – e vencer – em várias categorias menores. Na GP2, o cara dirige um carro extremamente potente e instável, começa a lidar com os holofotes implacáveis da mídia e dos torcedores, acompanha o paddock da Fórmula 1 e sofre enorme pressão por todos. Não é lugar para crianças, portanto.

E Ceccon, até aqui, não provou ser algo além de um infante rápido. Até 2008, quando tinha 15 anos, ele era um kartista de sucesso e poderia ter ficado um pouco mais nestes carrinhos, algo que não faria mal para sua carreira. Aliás, muito pelo contrário: o tricampeão Ayrton Senna sempre enalteceu o kart como a principal escola para alguém que quer se tornar um astro de Fórmula 1. Ayrton, que sabia das coisas, tinha razão. Olhando para seu sobrinho Bruno, um bom piloto com algumas deficiências claras na pilotagem, percebemos o quanto a ausência de uma carreira extensiva no kart é prejudicial. Garanto que Kevin Ceccon faria melhor se tivesse continuado no kart por mais uns dois anos.

Em 2009, Kevin fez sua estreia na Fórmula 3 Open europeia, a antiga Fórmula 3 espanhola. Não sei quem é o conselheiro deste cidadão, mas é evidente que ele usa drogas muito pesadas. Tirar um moleque que sequer havia completado 16 anos para disputar uma Fórmula 3 de baixo nível e correr o risco de empastelar sua carreira com um possível mau resultado em um carro completamente diferente do kart é uma das atitudes mais estúpidas do planeta. Para um italiano, há muitos outros caminhos nacionais melhores para alguém que quer subir do kart para os Fórmula. Fórmula Abarth e Fórmula Renault existem para quê?

Kevin Ceccon no kart, há apenas três anos

Correndo contra colegas mais velhos e experientes, Ceccon só poderia permanecer lá no meio do grid, mesmo. Em seu primeiro ano na F3 Open, ele terminou em 12º e obteve como melhor resultado um quarto lugar em Donington Park. Ele fez também seis corridas na Fórmula 3 italiana e ficou em 14º, com um sétimo lugar em Adria como melhor resultado. O problema já começa aí: ele pode ter sido o melhor kartista da história da humanidade, mas emplacar um 12º e um 14º em duas Fórmula 3 não faz bem para o currículo. Pesa. Os olheiros, espertos como só eles, ficam atentos a esse tipo de coisa.

Em 2010, Ceccon se manteve na Fórmula 3 Open e terminou em um bom quarto lugar no resultado final, com uma boa vitória na penúltima corrida, em Barcelona. Ficou atrás de Marco Barba (piloto do fundão na World Series By Renault), Callum MacLeod e David Fumanelli. Nada muito abonador, convenhamos. E o mais chato é que dá pra perceber que Kevin parece ser um piloto com algum talento. Não é muito comum ver alguém com 17 anos vencendo uma prova de Fórmula 3. Se ele não tivesse pulado etapas na carreira, teria tido muito mais chances de construir um currículo legal na Fórmula 3.

Para alguém como Kevin, não seria absurdo apostar em uma Fórmula 3 mais forte ou na GP3 em 2011. Mas seu conselheiro, provavelmente atordoado pelos efeitos massivos do óxi, sugeriu a ele que competisse na AutoGP. Eu entorto a cara e fico pensando: por que razão? A AutoGP é um desses campeonatos que só recebem expurgos de outras categorias e que não acrescentam muito à carreira de um piloto. Os únicos grandes atrativos são o prêmio de cem mil dólares oferecido ao vencedor de cada corrida e o teste na GP2 oferecido ao campeão e ao melhor piloto com menos de 21 anos. No meio de tantos pilotos muito mais experientes até mesmo entre os com menos de 21 anos, será que Ceccon conseguirá?

E quando menos se espera, a Coloni o anuncia como substituto de Rigon na GP2. Vale lembrar que Ceccon havia feito alguns testes pela mesma Coloni e pela DPR em Abu Dhabi nos primeiros testes de pré-temporada da categoria em novembro. Como eram testes que servem apenas para enriquecer as equipes, que cobram caro pelo prazer de pilotar por um ou dois dias, ninguém acreditava que Ceccon estivesse realmente pensando em correr na categoria. Empiricamente, eu imaginava que ele era só mais um piloto jovem que queria conhecer o carro da GP2 por diversão. Errado, eu estava.

Kimi Räikkönen é o exemplo que todo defensor dos "prodígios inexperientes" usa. Mas não seria ele um caso excepcional?

E ele só tem 17 anos. Eu ainda acho um pouco absurdo ver um sujeito chega tão cedo à GP2 em apenas três anos, pulando etapas importantes e agindo apenas pela pressa. Ele pode ter todo o talento que for, mas existem algumas qualidades, como a calma, o jogo de cintura e a sensatez, que só são obtidas com a experiência. Duvido que um cara que não é sequer maior de idade segundo os parâmetros brasileiros tenha lá alguma destas qualidades previamente desenvolvida.

A história pode até esfregar na minha cara alguns casos excepcionais, mas é isso mesmo que eles são: excepcionais. Kimi Räikkönen, campeão de Fórmula 1 em 2007, subiu à categoria maior após ter feito apenas duas temporadas de Fórmula Renault. Na época, a FIA não quis conceder a superlicença ao finlandês, alegando que ele teria de fazer ao menos uma boa temporada de Fórmula 3 para obtê-la. E ela não estava errada, já que um piloto de Fórmula Renault teoricamente não tem as competências mínimas necessárias para a Fórmula 1. Após muita choradeira de Peter Sauber, a FIA liberou o finlandês para correr em quatro corridas. Se fracassasse, voltaria para a creche.

Para surpresa de todos, Räikkönen era bem talentoso e conseguiu aprender rapidamente a manejar um carro de Fórmula 1. Só que, por outro lado, eu sempre estranhei alguns fatos que me parecem associados a uma ascensão muito rápida. No início de carreira, Kimi tinha alguns problemas com pressão, erros crassos e muitas quebras. Além disso, sua personalidade extremamente fechada e avessa aos meandros da Fórmula 1 sugeriam que ele nunca conseguiu se acostumar ao ambiente cruel do automobilismo. Tivesse tido uma ascensão normal, com passagens pela Fórmula 3 e Fórmula 3000, e talvez ele se sentisse um pouco menos deslocado e incomodado. Impressão minha, mas é impressão.

Eu não sou exatamente favorável a esse negócio de pular etapas para chegar ao topo o mais cedo possível. Hoje em dia, existe uma paranoia generalizada no sentido de criar astros cada vez mais jovens. No automobilismo, o sujeito obrigatoriamente deve chegar à Fórmula 1 com menos de 25 anos. Passou disso, é velho, não serve mais. Mal comparando, é que nem a candidata a modelo que é eliminada porque tem dois centímetros a mais no quadril. Por isso, quanto mais cedo chegar lá, melhor. Algo insensato – e sem grande utilidade prática.

Tarso Marques, que sofreu na Fórmula 3000 em 1994 devido à falta de maturidade

Não sou contra um jovem piloto estrear com 16 ou 17 anos nos monopostos. Na verdade, é uma idade bastante aceitável. Com 20 ou 21, ele chega à GP2. Se ele for bom, aos 23 ou 24 estará na Fórmula 1 e será feliz (ou não). Se demorar um pouco mais, não há problema. Na verdade, acho esse negócio de idade algo meio superestimado nos dias atuais. Damon Hill estreou na Fórmula 1 com 31 anos e ganhou seu título com 36 anos. Hoje em dia, o cara que estreia com 28 anos é um ancião. Passou dos trinta, então, não há jeito. Teu negócio é jogar carteado com seus colegas na pracinha da igreja. Não deveria ser assim.

Aos 17, 18 anos, o sujeito se vê completamente perdido, sem saber o que fazer. Um bom exemplo é o de Tarso Marques, o curitibano que entrou na Fórmula 3000 aos 18 anos recém-completados. Seu primeiro ano, 1994, foi terrível. Tarso não conseguia se dar bem com sua equipe, a inglesa Vortex. De um lado, ele reclamava que a equipe era amadora e praticamente não o permitia testar. Do outro, a equipe o acusava de ser irresponsável, de se atrasar demais, de perder um teste na Inglaterra por esquecimento e de perder o warm-up da corrida de Barcelona por não conseguir encontrar o autódromo. Ao mesmo tempo, Marques sofria com a falta de dinheiro, as dificuldades linguísticas e a solidão. Em um certo dia, ele chegou a ser visto chorando copiosamente na mesa de um restaurante. Não dá para apontar o dedo para ele. Na mesma idade, a maioria de nós faria o mesmo – ou até pior.

O automobilismo, assim como qualquer esporte de alto nível, é um negócio que requer uma série de qualidades e competências que um moleque de 17 anos raramente tem. Conhecimento técnico básico, desenvoltura, malícia, fluência em pelo menos dois idiomas, sangue frio, paciência, capacidade de improviso e desapego, por exemplo. Sem dominar tudo isso, um Kevin Ceccon da vida corre o risco de não aguentar o tranco e sucumbir aos leões, o que representaria um triste desperdício de talento.

Nunca fui muito a favor dessa precocização de crianças e adolescentes hoje em dia. Vejo aberrações como Neymar e Miley Cyrus, crianças que são ricas, celebradas e influentes demais para suas idades e seus níveis comportamentais e culturais, com medo do que será o futuro. Aos 22 anos, me considero um espermatozoide, alguém incapaz de decidir qual rabanete é o menos podre em um varejão. E acredito que sou, ainda assim, ligeiramente mais maduro que a média. Largar o mundo na mão das crianças não o tornará um lugar melhor, ao contrário do que Drummond certa vez sugeriu. Muito pelo contrário: tendências e grandes decisões serão realizadas por pessoas perdidas e superficiais que não tiveram um amadurecimento normal e completo.

No fundo, eu só disse tudo isso porque temo ver o Ceccon sendo batido pelo companheiro Michael Herck.

Meus leitores gostam da Austrália. Depois de começar o ano no belíssimo circuito de Phillip Island, seguimos em direção à região nordeste da ilha maior, mais precisamente ao estado de Queensland, e tiramos alguns dias de folga na ensolarada e belíssima cidade de Gold Coast. Mas as atrações de lá não se restringem às praias e às mulheres. O distrito de Surfers Paradise sedia um dos circuitos de rua mais legais do planeta. Hoje, falo do Surfers Paradise International Raceway.

Surfers Paradise, o verdadeiro paraíso dos surfistas, sediou corridas da Indy entre 1991 e 2008. Após o rompimento do contrato com os organizadores americanos, a pista citadina recebeu uma mísera rodada da A1GP antes da falência desta. Hoje em dia, sua maior atração é a etapa especial da V8 Supercar, que atrai pilotos de todo o mundo. A pista, repleta de chicanes, esquinas e retas falsas, percorre as ruas da belíssima orla distrital, decorada com um impressionante conjunto de arranha-céus. Fica a dúvida: por que tantos prédios altos para um lugar que só possui 18.500 habitantes?

A verdade é que a história do circuito de Surfers Paradise acompanhou, em seu início, a gênese do processo de internacionalização da Indy. No fim dos anos 80, com o sucesso de Emerson Fittipaldi e a participação cada vez maior de pilotos, equipes, equipamentos e engenheiros estrangeiros na categoria, a maioria dos donos de equipes passou a acreditar que levar a Indy para fora da América do Norte poderia trazer bons dividendos à categoria. A CART, panelinha dos chefes de equipe da categoria, pretendia realizar umas duas ou três corridas fora do continente. Em oposição a ela, havia alguns donos de equipe mais conservadores (A. J. Foyt era o maior expoente desse grupo) e Tony George, promotor das 500 Milhas de Indianápolis e defensor ferrenho de uma Indy all-american.

No fim de 1990, a CART ganhou a primeira batalha nesta disputa geográfica e anunciou a realização de uma corrida na Austrália em 17 de março de 1991, a primeira fora do continente desde os anos 60, quando os carrinhos da USAC corriam até mesmo na Itália e na Argentina. E o local escolhido foi exatamente Surfers Paradise, lugar bonito, quente e cheio de gente praieira e solteira. Mas tão logo houve o anúncio, surgiu também um problemão político.

Como a Austrália já sediava uma corrida de Fórmula 1 nas ruas de Adelaide, a FISA ficou irritadíssima com a petulância da CART em promover uma corrida concorrente. Na semana anterior à corrida, o presidente Jean-Marie Balestre ameaçou banir do automobilismo todo mundo que se envolvesse com a corrida. Para ele, a CART deveria ser subordinada à Federação Internacional do Esporte Automobilístico e pagar alguns dividendos a ela e a Bernie Ecclestone, fiel escudeiro de Balestre. Os americanos, é claro, cagaram e andaram para a ameaça. E houve a corrida, vencida de maneira surpreendente por John Andretti.

A verdade é que a CART teve de enfrentar muita gente para realizar esta corrida australiana. A Confederação Australiana de Automobilismo (CAMS), subordinada à FISA, havia se recusado a sancionar a prova. O conselho municipal de Gold Coast também não estava muito a fim de gastar dinheiro com uma corrida totalmente yankee.  E mesmo dentro do paddock da Indy, havia gente contra: além dos donos de equipe mais xenófobos, Tony George torcia o nariz para Surfers Paradise. Não por acaso, ele se tornou um dos bons amigos de Bernie Ecclestone com o passar do tempo.

Para infelicidade de toda essa gente, a corrida de Surfers Paradise se mostrou um verdadeiro sucesso e sempre conseguiu atrair muitos espectadores. Entre 1991 e 1997, ela foi realizada entre os meses de março e abril. Como tática para derrotar aqueles americanos cretinos e caipiras, os civilizados e evoluídos europeus da Fórmula 1 decidiram realizar a nova corrida de Melbourne, cidade que substituiria Adelaide no Grande Prêmio da Austrália, na mesma época do ano da corrida da Indy, de modo a dividir atenções e a mostrar toda sua pretensa superioridade. A partir de 1998, os americanos simplesmente transferiram a corrida de Surfers Paradise para a segunda metade de outubro. E nada mudou.

A prova de Surfers Paradise sempre chamou a atenção pelos fatos imponderáveis. Em 1994, após uma série de atrasos causados pela chuva e por acidentes, a corrida acabou se estendendo até o início da noite e teve de ser prematuramente encerrada devido à ausência de iluminação! Em 2002, a chuva e um acidente envolvendo um monte de carros fizeram com que a corrida tivesse apenas oito voltas sob bandeira verde e o vencedor acabou sendo Mario Dominguez, zebra da pequena Herdez Competition. No ano seguinte, a chuva voltou a dar as caras, mais acidentes aconteceram e o vencedor foi Ryan Hunter-Reay, outra zebra naquela época.

Infelizmente, a partir de 2004, a corrida de Surfers Paradise passou a acompanhar a decadência geral da ChampCar, com uma queda drástica no número de espectadores. Quando a Indy Racing League e a ChampCar se fundiram, no início de 2008, a corrida australiana foi alocada no novo calendário como uma etapa extracampeonato. Vencida por Ryan Briscoe, a Nikon Indy 300 daquele ano foi legal, mas acabou não retornando ao calendário em 2009. E acabou aí a história do romance entre Surfers Paradise e os monopostos americanos.

Em compensação, o outro romance de Surfers com a V8 Supercar vai muito bem, obrigado. A pista sedia corridas do campeonato de turismo mais importante do país desde 1994, sendo que elas costumavam ocorrer antes das provas da Indy em suas primeiras edições. Desde 2002, a prova de Surfers Paradise conta pontos para a V8 Supercar. Nos últimos anos, ela vinha sendo realizada em um interessante formato: duas corridas de 300 quilômetros cada. A partir de 2010, a organização determinou que cada carro deveria ter ao menos um copiloto de reputação internacional. E a corrida acabou atraindo nomes como Helio Castroneves, Jacques Villeneuve, Andy Priaulx, Scott Dixon, Will Power, Tiago Monteiro e Mika Salo.

TRAÇADO E ETC.


Péssimo jogador de simuladores de corrida que sou, fico muito feliz quando consigo completar uma volta em um circuito misto no antigo Indycar Racing 2. Até hoje, só não consegui tamanha proeza em uma única pista: Surfers Paradise. O motivo? As velocidades nas retas são tão altas, as freadas são tão bruscas e o muro está sempre tão próximo que eu me arriscaria a dizer que é talvez o circuito mais propenso a batidas no muro entre todos no mainstream do automobilismo mundial.

A versão de Surfers Paradise utilizada pela Indy tem 4,498 quilômetros de extensão e 20 curvas, quase todas feitas em primeira ou segunda marcha. O asfalto, como costuma acontecer em pistas de rua, é bastante ondulado e irregular. E a largura é quase inexistente. Mesmo nas retas, mal caberiam dois carros lado a lado. Uma ultrapassagem requer bastante coragem, uma boa dose de oportunismo e um certo conformismo com a alta probabilidade de haver uma colisão. E não adianta: por mais retas que haja, é necessário ajustar o carro pensando nas chicanes e nas curvas lentas. Qualquer descontrole é fatal.

O formato do circuito, algo próximo de uma espingarda ou um pedaço de tripa, denota que há trechos de aceleração e curvas lentas que basicamente “devolvem” o carro no sentido oposto ao que ele vinha antes. Eu contei ao menos cinco trechos em que é possível acelerar mais, com destaque para a Gold Coast Highway, o local de largada. O fato do circuito não ser exatamente sinuoso, apesar de estar localizado no meio da área urbana, faz com que as médias de velocidade sejam relativamente altas para um circuito de rua. Em 2007, Will Power fez a volta recorde a 179,812 km/h de média.

Conheça o traçado:

GOLD COAST HIGHWAY: É o local onde os carros largam ou entram nos pits. Não é exatamente uma reta, mas uma curva de raio bem longo feita à direita na qual não é necessário virar muito e se pode acelerar até o limite. É, provavelmente, o único trecho no qual é possível utilizar a marcha máxima.

ESSES: Oficialmente, não há nome para esse trecho, então vai esse apelido aí. É um ziguezague composto por três curvas no sentido esquerda – direita – esquerda. Como a zebra é baixa, o piloto consegue passar por cima das três curvas sem problemas e ainda reacelerar antes da terceira. Não é um trecho particularmente perigoso, mas o problema maior é não conseguir frear para a primeira curva e acertar a traseira de alguém, algo relativamente comum.

PRIMEIRA CHICANE: Os caras de Surfers Paradise complicaram a minha vida ao não dar nome aos trechos, mas vamos lá. Trata-se de uma chicane que pode ser completada como uma curva à esquerda. O piloto chega freando em linha reta, vira à esquerda, corrige a trajetória e segue reto. A zebra é um pouco mais alta aqui, mas nada que mude muita coisa. E a velocidade aqui é ligeiramente mais alta que nos primeiros esses.

ESQUINA COM A VIEW AVENUE: É a primeira curva de verdade deste circuito. Lenta, é feita em segunda marcha à esquerda em um ângulo próximo dos noventa graus. Um carro pouco balanceado tende a travar os pneus ou a escapar de traseira.

ESQUINA DA VIEW AVENUE COM A ESPLANADE: Curva parecida com a anterior, com a diferença de ser um pouco mais larga e veloz.

ESPLANADE: É o trecho mais próximo de uma reta que há no circuito. Leve subida seguida de leve descida, algo quase imperceptível.

CHICANE DA ESPLANADE: Esta tem mais cara de chicane do que as anteriores, que são esses. O piloto vira à esquerda, reacelera, pula a pequena zebra e vira à direita, reacelerando para o outro trecho de alta. Um dos poucos trechos, talvez o único, com área de escape coberta com grama.

MAIN BEACH PARADE: Não é bem uma reta e também não é uma curva de raio longo. Na verdade, ela mais se parece com uma chicane de raio longo, se é que isso existe.

ESSES DA MAIN BEACH PARADE: Um dos trechos mais legais do circuito. São nada menos que quatro curvas formando um ziguezague no sentido direita – esquerda – direita – esquerda. O mais legal é que o piloto tem um trabalho diferente para cada curva. Na primeira, ele pode passar reto. Na segunda, ele vira levemente para a esquerda. Na terceira, ele desacelera mais um pouco, sobe na zebra e vira à direita. Na quarta, ele reacelera e vira à esquerda. Uma zonzeira só.

ESQUINA DA MAIN BEACH PARADE COM A BREAKER STREET: Mais uma curva feita à esquerda em baixa velocidade em um ângulo de noventa graus.

CHICANE ENTRE A BREAKER STREET E A HILL PARADE: Não é bem uma chicane, mas uma sequência de curvas que quase configura uma chicane. O piloto freia na primeira curva, feita à esquerda em 90° e esterça bruscamente. Depois, reacelera um pouco e dá de cara com a segunda curva, feita à direita em 90°. Ele esterça o volante e começa a reacelerar.

ÚLTIMA CURVA: É um negócio bem complexo, para falar a verdade. É como se ela fosse a união de uma chicane com uma curva em formato de gota. O piloto freia bruscamente, vira à direita e depois vai virando progressivamente à esquerda, passando por sobre a zebra e reacelerando até entrar na Gold Coast Highway. É provavelmente a curva mais veloz do circuito e um dos trechos mais curiosos que eu já vi em todo o automobilismo.

Teria sido Elio de Angelis o último gentleman da Fórmula 1? Em um esporte no qual se destacam atualmente sujeitos obcecados, intelectualmente inexpressivos e sofisticados como um arame farpado, a existência de um sujeito que se destacava pelo sangue azul que corria por suas veias e pelo talento alternado entre volante, partitura, embreagem e clave de sol chega a ser notável. Há 25 anos, perecia o último homem em um ambiente de símios enlouquecidos.

Elio De Angelis nasceu em Roma no dia 26 de março de 1958. O pai, Giulio, era empreiteiro e piloto de lanchas offshore nas horas vagas. O dinheiro jorrava entre os De Angelis, mas ao contrário do que costuma acontecer nas patéticas famílias abastadas dos novos tempos, ele foi utilizado de modo a conciliar alta cultura e prazer a todos. O primogênito era bom jogando tênis, descendo ladeiras congeladas em duas módicas pranchas de esqui (campeão italiano aos treze anos) ou tocando piano. Dedilhando as teclas brancas e pretas do instrumento, Elio conseguia maravilhar tanto os ouvidos acostumados apenas ao ronco dos motores de seus colegas de profissão como os mais versados no conhecimento musical. Na famosa greve sul-africana de 1982, ele entreteve os demais pilotos no saguão do Hotel Sunnyside com melodias de Bach, Gershwin e… Beatles!

O que mais me impressiona em De Angelis é sua mentalidade carpe diem, típica de alguém que sabia que não devia nada a ninguém e que poderia desfrutar de todo o prazer que o dinheiro poderia comprar. Suas atividades não eram executadas com sangue, suor e lágrimas, mas apenas com todo o amor e desprendimento. Definitivamente, um inimigo dos workaholic e um exemplo para os bon vivant. Tomemos o automobilismo.

Elio ganhou um bocado de corridas no kartismo, na Fórmula 3 e na Fórmula 2. Don Nichols, chefão da Shadow, ficou particularmente impressionado com uma vitória do giovane bambino ricco, que carregava consigo seus amigos em um jatinho próprio, no GP de Mônaco de Fórmula 3 em 1978, embora esta vitória tenha sido obtida após um polêmico choque com o Chevron de Patrick Gaillard. O início na Fórmula 1 foi meteórico: três competentes pontos em seu primeiro ano e um convite do mito Colin Chapman para dirigir seu enfadonho Lotus 81 no ano seguinte.

Logo em sua segunda corrida pela equipe, o Grande Prêmio do Brasil de 1980, Elio surpreendeu a todos ao concluir na segunda posição. Aos 21 anos, 10 meses e um dia, o romano se tornava o piloto mais jovem a ter obtido um pódio na história da categoria – o recorde foi batido por Ralf Schumacher dezessete anos depois. No fim da temporada, um sétimo lugar foi sua posição final. Em 1981, as coisas não melhoraram muito, De Angelis marcou 14 pontos e terminou o ano em oitavo.

De Angelis era visivelmente bom, mas qual era o seu problema? Como dito acima, ao contrário dos demais pilotos, sujeitos completamente desesperados pelo sucesso, o italiano não encarava a Fórmula 1 com o mesmo apetite. Para ele, correr era tão importante quanto apreciar uma sonata de Beethoven, um bom vinho tinto da Calábria ou uma noite com alguns amigos e muitas mulheres. Por isso, não valeria o risco queimar neurônios discutindo acertos com engenheiros ou tentando uma ultrapassagem perigosa em uma curva improvável. Tudo ocorreria naturalmente – se, é claro, ele estivesse extraindo algum prazer disso.

No paddock, il príncipe nero, como era conhecido por todos, conquistou amizades fáceis e sinceras. Nos tempos de Fórmula 3, seus melhores amigos eram Nelson Piquet e Piercarlo Ghinzani, que iriam reencontrá-lo posteriormente na Fórmula 1. Na categoria maior, De Angelis se destacava pelo senso de humor mais britânico do que italiano, pela amabilidade e pelo refino nos modos, e muitos o comparavam a François Cevert nesse sentido.

Muitos poderiam pensar que De Angelis era um típico playboy, mas este definitivamente não era o caso. Ao subir para a Fórmula 1, Elio trocou os confortáveis voos do jatinho particular da família pelos voos comerciais, e raramente na primeira classe. Não era comum, da mesma maneira, vê-lo gastando dinheiro com extravagâncias – Nigel Roebuck, um dos jornalistas mais famosos da Inglaterra, conta que Elio queria muito comprar um Rolex, e certamente tinha dinheiro para isso, mas ponderou muito antes de fazê-lo. Quando finalmente comprou o Rolex, ele deu a Roebuck seu antigo relógio, um valiosíssimo Baume et Mercier de ouro. Ter um monte de relógios valiosos não significava muito para Elio de Angelis. O que significaria o consumismo tapado para alguém que usava o dinheiro para ser feliz?

Termino esta descrição sobre sua personalidade com uma declaração, feita pelo próprio e traduzida livremente por mim: “Sabe o que é que me frustraria mais? Ser considerado apenas um milionário que usurpa o dinheiro do pai, e não um piloto profissional. No automobilismo, o patrimônio da sua família pode até te ajudar muito no começo, mas conforme você avança, é necessário mostrar qualidade. E é por isso que já devolvi ao meu pai tudo o que ele me emprestou no começo da minha carreira”.

15 de agosto de 1982, Österreichring, Estíria, Áustria.

26 pilotos estavam reunidos para largar na 13ª etapa da fatídica temporada de 1982 da Fórmula 1. Os carros turbo, como não poderia deixar de ser, ocupavam as primeiras posições na grelha. Nelson Piquet, com o Brabham-BMW, obteve o inacreditável tempo de 1m27s612 a uma velocidade média de mais de 244 km/h, recorde histórico até então. Ao seu lado, o companheiro Riccardo Patrese. Na segunda fila, o Renault de Alain Prost e o Ferrari de Patrick Tambay. O primeiro carro aspirado era o Williams-Ford de Keke Rosberg, que sairia da sexta posição. Elio de Angelis largaria logo atrás.

Naquele ano, a Brabham introduziu o revolucionário sistema de reabastecimento, o que permitia que seus carros largassem com bem menos combustível que os adversários. No circuito de Österreichring, visando neutralizar essa vantagem da Brabham, Renault e Ferrari decidiram aumentar a pressão do turbo dos seus motores. O calor, naqueles dias, era intenso. Pneus e motores sofreriam durante as quase duas horas de corrida. Residia aí a esperança da turma dos aspirados.

Todos largaram e as duas Brabham mantiveram a ponta. Alguns pilotos estavam sofrendo com problemas com os pneus no início e começaram a perder terreno, como foram os casos de Piquet, que perdeu a ponta para Patrese na segunda volta, e Rosberg, que perdeu uma posição para De Angelis na largada.

Patrese e Piquet, separados por não mais do que três segundos, abriram quase 20 segundos para o Renault de Prost. Na volta 17, Piquet foi para os pits e fez seu reabastecimento, perdendo 23 segundos (outros tempos…) e voltando na quarta posição. Enquanto isso, Patrese voa, abre mais de 34 segundos para Prost e entra nos boxes para reabastecer e trocar os pneus na volta 24. A Brabham fez um trabalho excepcional para a época e devolveu o italiano à ação após 13 segundos, tempo o suficiente para fazer com que ele não perdesse a liderança. Enquanto isso, De Angelis já era o terceiro. Na primeira volta, passou Rosberg na largada e subiu para sexto. Na segunda, ganhou a posição de Tambay, que teve problemas nos pneus e parou nos pits. Na 16ª, subiu para quarto após Arnoux abandonar com o motor quebrado. O pit-stop de Piquet o projetou à terceira posição. Quem imaginaria que um Lotus aspirado chegaria ao pódio? Mas não acabou por aí.

Na volta 28, o motor BMW do Brabham de Patrese estourou e o italiano saiu da pista na primeira chicane, abandonando a corrida. Prost assumiu a liderança, com De Angelis em segundo, Piquet em terceiro e Rosberg em quarto. Quatro voltas depois, foi a vez de Piquet abandonar com problemas elétricos. Prost, De Angelis e Rosberg passaram a dominar a corrida.

Após assumir a liderança, Prost manteve uma enorme vantagem de trinta segundos para De Angelis e nada parecia ameaçá-lo. Os pneus da Lotus estão em estado de miséria, o motor Ford tinha problemas de ignição e Keke Rosberg, cujo Williams estava rendendo muito mais no final da corrida, se aproximava rapidamente. De repente, na volta 48, o motor Renault de Prost quebra e o francês abandona a corrida. E Elio de Angelis, pilotando um carro com motor aspirado, assume a liderança. Só que Rosberg se aproxima rapidamente.

De um lado, De Angelis preocupado com o estado de seu carro. Do outro, Rosberg tendo consciência da precariedade do Lotus e acelerando tudo e mais um pouco. Na última volta, Elio erra uma marcha e perde cerca de um segundo. Keke se aproxima rapidamente, mas sua tática prevê que ele não deverá atacar antes da última curva, uma descida em altíssima velocidade na qual o carro que estiver colado atrás terá todas as chances de pegar o vácuo e ultrapassar antes da linha de chegada. Rosberg contava com isso para vencer.

Na metade do circuito, Rosberg já estava colado na traseira de De Angelis. O italiano começou a dificultar seu trabalho, deixando apenas o lado de fora para o sueco naturalizado finlandês. Na última curva, a Jochen Rindt, Rosberg já está procurando um lugar para passar De Angelis. O piloto da Lotus tira o pé, e Keke é obrigado a mudar de traçado, se posicionando por dentro. E os dois entram na reta dos boxes lado a lado. Quem vencerá?

Milagrosamente, Elio de Angelis sobreviveu aos ataques e cruzou a linha de chegada à frente. A cronometragem manual registrou 125 milésimos de diferença entre o primeiro e o segundo, mas os computadores revelaram que a diferença foi ainda menor: míseros 50 milésimos, cerca de 1/6 do tempo de duração de uma piscadela. Dessa forma, De Angelis conquistou sua primeira vitória na Fórmula 1.

Infelizmente, esta foi uma de suas duas únicas vitórias na categoria, sendo a outra obtida no GP de San Marino de 1985 após a desclassificação de Alain Prost. A tranquilidade de De Angelis, vista por outro prisma, representava uma certa falta de ambição: dizem que ele nunca foi de se esforçar muito na hora de obter um resultado melhor. Tivesse feito isso e De Angelis, talentosíssimo como era, não seria lembrado apenas como o último gentleman, mas talvez como o último campeão da bota.

Que Deus o tenha, Elio.

Não sei se é o alinhamento dos astros, mas o caso é que tá todo mundo nervoso nesses últimos dias. Na NASCAR Sprint Cup, dois dos garotos-problema da categoria voltaram a arranjar confusão. Na etapa de Darlington, realizada neste último fim de semana, Kyle Busch e Kevin Harvick disputavam a oitava posição quando Busch acabou tocando em Harvick, que perdeu o controle e foi direto ao muro. Faltavam poucos quilômetros para o fim e os dois retornaram. A zebra Regan Smith ganhou a prova, mas todos estavam de olho para ver o que ia acontecer com os dois problemáticos.

Muito puto, Harvick começou a perseguir Busch como um gato ávido por degustar um rato. Em uma das cenas mais cômicas do automobilismo contemporâneo, o carro 29 ficou seguindo o 18 por alguns minutos. Quando Busch parou atrás do carro de Harvick dentro dos pits, Kevin desceu doido para bater em seu adversário e correu em direção ao Toyota de Kyle. Ao perceber o inimigo chegando, Busch simplesmente acelerou e empurrou o Impala de Harvick no muro. Depois disso, os mecânicos dos dois pilotos começaram a protagonizar aquele típico vale-tudo nascariano. Um espetáculo, como de costume na categoria.

Na mais civilizada e cosmopolita Fórmula 1, houve incidente semelhante no fim de semana do GP da China. O alemão Adrian Sutil, piloto da Force India, se engalfinhou em uma festa com Eric Lux, diretor executivo do Grupo Genii, que controla a equipe Renault. Não foi divulgado o motivo do imbróglio, mas testemunhas garantem que Lux saiu do recinto com o pescoço sangrando. E há quem diga que Lewis Hamilton, amigo colorido de Sutil, também estava envolvido. Em comunicado oficial, Sutil se desculpou pelo ocorrido. Muito fácil, depois de quase arrebentar a jugular do sujeito.

Brigas são absolutamente comuns em qualquer âmbito de nossas vidas, ainda mais no meio esportivo. Eu sou péssimo em briga, não consigo dar porrada em um velho com Alzheimer. A maior parte dos pilotos também não se destaca muito nisso. Mas há muitas histórias, algumas delas devidamente captadas por câmeras de TV. Conto cinco delas, cada uma de uma categoria diferente. É um Top Cinq difícil, já que há muitas brigas que foram até melhores.

5- OLIVIER PANIS VS VINCENZO SOSPIRI

(2:39)

Citar Olivier Panis nesse ranking é curioso, já que o francês sempre foi conhecido na Fórmula 1 pela sua boa-pracice e pela tranquilidade. Dizem, por exemplo, que foi o único companheiro de equipe de Jacques Villeneuve que se deu bem com o canadense. Já Vincenzo Sospiri, embora não tão conhecido no mainstream, não parece ter a mesma boa fama. Em 1991, como retardatário de uma corrida de Fórmula 3000 Internacional, ele deliberadamente se chocou com o companheiro Damon Hill em duas oportunidades, invejoso pelo fato do inglês estar subindo ao pódio.

Em 1993, ambos estavam nessa mesma Fórmula 3000. Panis chegou à última etapa, em Nogaro, como o líder do campeonato, com apenas um ponto a mais do que o português Pedro Lamy. O francês fez o segundo tempo na classificação, atrás do companheiro Franck Lagorce, e largou apenas para obter uma pontuação mínima que lhe garantisse o título. Mas ele não contava com o italiano Sospiri, que largara em quinto e causou um acidente com Olivier na primeira volta, tirando os dois da prova. Como Lamy já estava entre os seis primeiros, o título já estava em suas mãos lusas.

Panis desceu do carro enlouquecido. Ao chegar aos pits, a primeira coisa que ele quis fazer foi dar um pulo aos boxes da Mythos, equipe de Sospiri, visando meter umas porradas na fuça do italiano folgado. Os mecânicos da DAMS, equipe do francês, tiveram de segurá-lo, porque ia sair pancadaria feia. No outro lado do ringue, Sospiri estava lá, pronto para revidar. Cada piloto estava sendo contido pelos seus mecânicos. Uma balbúrdia.

A situação só não ficou preta de verdade porque, faltando três voltas para o fim, Pedro Lamy entrou nos pits com a suspensão quebrada. Fim de prova para o português, que não conseguia marcar os pontos que lhe dariam o título. E Panis acabou se consagrando como o campeão da Fórmula 3000 em 1993. Que alívio, hein, monsieur Olivier?

4- NICOLAS MINASSIAN VS MICHAEL BENTWOOD

(2:03)

O francês de origem armena Nicolas Minassian é um dos maiores babacas que eu já vi no automobilismo mundial. Do tipo nervosinho, Nicolas já arranjou briga com muita gente em sua carreira. Na Fórmula 3000, já trocou desaforos com Soheil Ayari em 1998 e meteu um murro na cara de um mecânico de sua equipe na etapa de San Marino de 2003. Na CART, ele também brigou com Christian Fittipaldi em um acidente no início de 2001. Mas o pior foi o ocorrido na Fórmula 3 britânica em 1997.

Minassian pilotava um Dallara-Renault da equipe Promatecme e era um dos favoritos ao título. Em Thruxton, terceira etapa do campeonato, ele largou na pole-position e vinha liderando até a última volta. O problema é que Jonny Kane, inglês que viria a ser o campeão daquele ano, estava colado na sua traseira e a ultrapassagem parecia ser iminente. Na derradeira volta, apareceu o retardatário Michael Bentwood, que abriu espaço por um lado da pista. Só que Minassian tentou ir pelo lado do retardatário por alguma razão obscura, os dois se tocaram e o francês perdeu a vitória para Kane em uma das últimas curvas.

Ensandecido, Minassian perseguiu Bentwood na volta de desaceleração, parou seu Dallara em frente ao carro do inglês, desceu, pegou algumas pedras na caixa de brita e começou a atirar na cabeça do pobre retardatário! Como ele estava de capacete, nada aconteceu. Depois, Minassian foi até o cockpit do gaiato e lhe deu umas bolachas, mas o capacete tornou essa atitude igualmente inútil.

Os dois foram chamados pela organização e tiveram uma conversa de botequim de quase duas horas. Pelo espetáculo, Minassian foi desclassificado e impedido de participar das duas etapas seguintes, em Brands Hatch e em Croft. Essa punição foi preponderante para a derrota de Nicolas Minassian em 1997.

3- NELSON PIQUET VS ELISEO SALAZAR

Essa briga aqui é conhecidíssima por todos. Por isso, vou comentar alguns detalhes que não são muito conhecidos por todos.

Diz Eliseo Salazar que Nelson Piquet foi seu grande ídolo antes de entrar na Fórmula 1. Em 1979, Salazar viajou para a Inglaterra para tentar arranjar emprego. Ele havia vencido o campeonato argentino de Fórmula Ford 1600 no ano anterior e queria correr na Fórmula 3. Então, ele foi assistir à etapa de Thruxton. Após a corrida, meio perdidão, Eliseo começou a pedir carona na frente do autódromo. Não demora muito e para um Alfa Romeo vermelho. É Nelson Piquet, então piloto da Brabham. Segundo o chileno, “foi como ver Deus, Alá e Buda ao mesmo tempo”.

Nelsão deu carona até Londres, levou Salazar para comer um lanche no McDonald’s local e ainda arranjou um hotel baratinho para ele passar a noite. No dia seguinte, o brasileiro lhe apresentou Ron Tauranac, dono da Ralt e um dos chefes de equipe mais conceituados naquele momento. No ano seguinte, ele correu no extinto campeonato inglês de Fórmula 1 e venceu uma corrida em Silverstone. Este bom resultado lhe garantiu um lugar na fraca March em 1981. Tudo graças a Piquet, de certa forma.

Salazar nunca conseguiu fazer nada em sua curta passagem a não ser irritar seu ídolo. Pouquíssimos se lembram disso, mas o episódio de Hockenheim não foi a primeira vez que Piquet foi atrapalhado pelo chileno. Em Zandvoort, o brasileiro perdeu cinco segundos porque não conseguia ultrapassar Salazar, também retardatário. Em outra corrida, Piquet havia sido bloqueado da mesma maneira.

Em Hockenheim, deu aquela merda que você já deve saber. Salazar deu o lado de fora para Piquet passar, mas não conseguiu frear seu ATS e bateu no Brabham do brasileiro na chicane. O chileno jura que a culpa não foi só dele, mas não sei de onde ele tirou isso. De qualquer jeito, os dois esqueceram o ocorrido e, hoje em dia, são bons amigos.

2- PAUL TRACY VS RAPA

Paul Tracy é outra besta de capacete. O gorducho canadense, campeão da ChampCar em 2003, era capaz de intercalar atuações espetaculares e acidentes bisonhos descaradamente. E muita gente já se revoltou, sem qualquer injustiça, com ele em algum momento da vida. Em 2006, seu espírito animalesco chegou ao fundo do poço e o cara conseguiu arranjar briga com dois pilotos em duas corridas consecutivas. Um gênio às avessas.

Em San Jose, Tracy escapou da pista em uma curva qualquer, deu um 180° meia-boca e simplesmente voltou para o traçado com tudo, sem olhar para o retrovisor e tomar cuidado com quem vinha atrás. Para seu azar, o compatriota Alex Tagliani passava pela curva naquele momento e, sem qualquer possibilidade de desvio, atingiu com tudo a traseira do Forsythe de Paul Tracy. Fim de prova para os dois.

Tagliani ficou compreensivelmente doido da vida. Nos boxes, ele encontrou Tracy e falou um monte no ouvido do canadiano adiposo. A princípio, Paul deixou pra lá e simplesmente empurrou “Tags”, que estava com as mãos em seu colarinho. Mas Tracy também se irritou pelo tanto que ouviu, partiu para cima de Tagliani e o resultado foi um quebra-pau daqueles. Ninguém perdeu dentes e sangue, os dois foram multados e Tracy ainda perdeu sete pontos, além de ficar três corridas sob observação dos comissários.

Mas não precisou nem de uma para voltar a fazer merda. Em Denver, duas semanas depois, Tracy tentou uma ultrapassagem absolutamente imbecil sobre Sebastien Bourdais na última volta, os dois bateram e saíram da corrida, deixando o caminho livre para a vitória de A. J. Allmendinger. O francês desceu do carro, esperneou um monte para Tracy e o empurrou. Tracy o chamou de volta para trocar uns socos, mas Bourdais o deixou falando sozinho. E o canadense perdeu mais três pontos e pagou uma multa de 25 mil dólares. Bourdais, Tagliani e Andrew Ranger pediram para que a torcida de Montreal, local onde seria realizado a etapa seguinte, vaiasse Tracy. E ele mereceu.

1- CALE YARBOROUGH VS IRMÃOS ALLISSON

Imagine você, piloto top da NASCAR Winston Cup, brigando a sei lá quantos quilômetros por hora pela vitória nas 500 Milhas de Daytona, uma das corridas maias importantes do planeta. É a última volta e seu adversário está logo ao lado, esperando um vacilo seu. De repente, vocês se tocam, ambos ficam irritadíssimos e um começa a empurrar o outro. Aí vocês terminam batendo e um terceiro, que não tinha nada a ver com a história, ganha de presente a corrida. Cale Yarborough e Donnie Allison sabem bem o que é isso.

Para entender a briga, é necessário voltar ao início da corrida. O irmão de Donnie, Bobby Allison, havia se envolvido em um toque com Yarborough no início da corrida e Cale acabou perdendo duas voltas. Mas ele, que foi tricampeão da NASCAR por três anos seguidos, fez uma de suas corridas memoráveis e conseguiu ascender para a segunda posição. Quem liderava era Donnie Alisson. Na última volta, os dois estavam separados por um fio de cabelo.

Cale tentou a ultrapassagem na reta oposta, mas Donnie fechou a porta. Irritado com a petulância da família Allison, Yarborough acabou pisando um pouco na grama, perdeu o controle e não se importou em jogar o carro para cima do adversário, que também se descontrolou. E durante toda a reta, cada um passou a utilizar o carro do outro para tentar recuperar o controle, sem ceder um milímetro. E é evidente que isso não deu certo: os dois carros acabaram indo direto para o muro na curva três. Richard Petty acabou herdando a vitória.

Enquanto Petty comemorava, Donnie Allison e Cale Yarborough desciam dos seus carros para discutir e trocar acusações. Vendo que o negócio estava se transformando em uma briga, Bobby Allison parou seu carro e correu para defender seu irmão, distribuindo umas bordoadas em Cale. Este, por sua vez, arremessou seu capacete no nariz de Bobby e a Terceira Guerra Mundial começou ali. Enquanto os telespectadores se divertiam à beça, o pessoal da NASCAR se juntava para evitar o conflito entre Yarborough e os irmão Allison. No fim, não aconteceu nada a ninguém e há quem diga que este foi um dos eventos que deu à categoria a fama que ela possui hoje, de categoria popular e repleta de espetáculo.

Bom dia, bonobos. Depois de meses de angustiante espera, o Calendário do Verde retorna à ativa, para felicidade geral desta grande bola de água, montanhas e samambaias conhecida como planeta. Vocês conhecem o esquema: assim como no ano passado, vinte e duas pistas serão apresentadas durante o ano. Se necessário, faço como a Indy Racing League no seu início e termino lá no começo do ano que vem. Enfim, ele está de volta. E o desafio será grande pra mim: vou falar de pistas detestadas (não engulo Jacarepaguá e acho Anderstorp bem chatinha) e desprezadas por minha pessoa. E o primeiro autódromo estava injustamente posicionada neste segundo grupo: o australiano Phillip Island Grand Prix Circuit, ou simplesmente Phillip Island.

No geral, acho os circuitos australianos muito legais. As pistas urbanas de Melbourne, Surfers Paradise e Adelaide sempre foram muito legais, assim como a lendária Bathurst, que abriu o Calendário do ano passado. Por outro lado, eu nunca me interessei por Phillip Island. Talvez por constar nos calendários do Mundial de Motovelocidade e da V8 Supercar, duas categorias que eu não acompanho com muito afinco, eu nunca sequer vi uma única volta lá. Mas a democracia pede que eu comente sobre ela. Faço-o, pois.

Phillip Island é, sem exageros, um dos mais belos circuitos do planeta. Ele é localizado na costa sul da ilha homônima, entre a Back Beach Road e o oceano. Não por acaso, de um lado, os pilotos podem vislumbrar o belíssimo mar australiano. Do outro, descampados verdejantes de tirar o fôlego. Nobel para quem teve a brilhante ideia de construir um circuito nessa região. Bem que Bernie Ecclestone poderia se inspirar em Phillip Island na hora de construir um circuito visualmente agradável.

A história do circuito de Phillip Island se confunde com a história do automobilismo australiano. Em 1928, alguns malucos, sempre eles, decidiram realizar uma corrida com carros equipados com motores de até dois litros de capacidade cúbica em um circuito de rua. Por alguma razão obscura, os tais malucos ignoraram os 7,6 milhões de quilômetros quadrados que formam a ilha maior da Austrália e decidiram realizar a corrida em uma bela e pacata ilhota localizada a apenas 140 quilômetros de Melbourne – a ilha Phillip, em bom português, que ganhou este nome em homenagem ao primeiro governador da história do estado de New South Wales, Arthur Phillip.

A tal corrida, considerada por alguns especialistas como o primeiro Grande Prêmio da Austrália da história, foi realizada em um circuito de rua de 16 quilômetros com formato retangular, reuniu 17 participantes e teve como vencedor o honorável Arthur Waite, que morreu com quase 100 anos de idade em 1991. O sucesso desta primeira prova permitiu que outras edições fossem realizadas no tal circuito de rua até 1935. Em 1936, não houve o Grande Prêmio e, a partir de 1937, ele passou a ser realizado em outros circuitos australianos. E a história de Phillip Island teria morrido aí… até o início dos anos 50.

Em 1951, um grupo de seis empresários que moravam na ilha decidiu recriar a corrida de Phillip Island. Para isso, o grupo decidiu formar uma comissão, de nome Phillip Island Auto Racing Club (PIARC), cujo objetivo era o de “erguer o primeiro circuito de caráter internacional da Austrália”. Tão logo a comissão foi constituída, no início de 1952, os trabalhos foram iniciados: um terreno localizado a apenas dois quilômetros do antigo traçado foi adquirido e uma multidão de operários trabalhou incansavelmente por cinco anos. Em dezembro de 1956, o autódromo de Phillip Island finalmente foi inaugurado.

Bonito, moderno, veloz e técnico, Phillip Island sediou inúmeras corridas desde seus primeiros dias. Em 1960, foi realizado por lá a primeira corrida de longa duração da história da Austrália, a Armstrong 500. A prova foi vencida pela dupla Frank Coad e John Roxburgh, que dirigiram seu Vauxhall Cresta por oito horas e quinze minutos. Infelizmente, dois anos depois, o autódromo foi sumariamente fechado. Os danos causados à pista pela Armstrong 500 de 1962 haviam sido imensos e a organização não tinha dinheiro para consertá-los.

Quem acaba salvando a história da pista de Phillip Island é o empresário e piloto amador Len Lukey, que compra o circuito a um precinho baixo e o reforma por completo, reabrindo-o em 1966. A partir daí, a pista passa a ser ostensivamente utilizada para corridas de carros-esporte. Mais uma vez, as corridas são memoráveis e os pilotos se divertem pra caramba. E mais uma vez, os danos causados à infraestrutura são tamanhos que os organizadores são obrigados a fechá-la no fim dos anos 70.

Em 1985, o circuito troca de mãos novamente: uma tal de Placetac Pty LTD acabou assumindo o controle com as mesmas promessas de modernizá-lo e torná-lo um circuito de uso internacional. A princípio, a descrença foi grande, até porque a Placetac demorou um tempão para iniciar as tais reformas. Mas eis que, em 1988, todos ficam surpresos quando a FIM anuncia que o circuito de Phillip Island constaria no calendário do Mundial de Motovelocidade no ano seguinte!

Finalmente, a ilhota passaria a fazer parte do cenário esportivo mundial. A princípio, Phillip Island só sediou o Grande Prêmio de Motovelocidade em 1989 e 1990, perdendo o privilégio para Eastern Creek a partir de 1991. No entanto, a FIM demonstrou ter um mínimo de sensatez e devolveu a corrida à pista insular em 1997. Desde então, Phillip Island tem presença garantida no calendário da categoria. Ao mesmo tempo, outros campeonatos relevantes acabaram adotando a pista, como a V8 Supercar e a Superbike.

Em 2004, a pista foi vendida para o grupo Linox, que veio com o projeto de transformar o circuito em um gigantesco polo de entretenimento. O trabalho foi ambicioso e bem-feito, e Phillip Island ganhou um kartódromo, um campo de golfe, um hotel cinco estrelas e espaços para a realização de eventos. Mas ao contrário de boa parte dos luxuosíssimos circuitos contemporâneos de Bernie Ecclestone, há ainda uma alma automobilística em Phillip Island.

TRAÇADO E ETC.


Não conhecia o traçado de Phillip Island, confesso. Escrever esse artigo, portanto, foi quase como fazer um trabalho de faculdade. E eu não sabia o que estava perdendo, uma vez que Phillip Island é uma pista excelente, que possui tudo o que eu gosto: curvas velozes, ausência de curvas lentas, mudanças de relevo e um cenário deslumbrante. No Calendário do ano passado, certamente há coisas muito piores do que Phillip Island.

Em um primeiro momento, enxerguei Thruxton, Mugello, Tarumã e Istambul neste traçado que preza pela velocidade pura. Para se ter uma idéia, a volta recorde da MotoGP foi feita por Casey Stoner em 2008 e teve velocidade média de 180,598 km/h. Em Silverstone, pista conhecida por ser extremamente veloz, o recorde da mesma MotoGP tem velocidade média de 172,309 km/h. Ao contrário de Silverstone, Phillip Island tem pouquíssimos trechos lentos. Chicanes e cotovelos muito apertados não aparecem por aqui.

Observando o traçado, você percebe que predominam as curvas de raio longo e alta velocidade. Há basicamente duas retas, a dos boxes e a posterior à Southern Loop, que tem menor extensão e é seguida por uma virada veloz. São estes os dois melhores locais para se ultrapassar, já que a pista não é tão larga e os outros trechos somente parecem existir para explorar a velocidade pura dos veículos. Eu recomendaria um acerto veloz em retas, mas não completamente desprovido de downforce, já que há curvas de baixa velocidade nas quais é fácil sair de traseira. Freios e suspensão não me parecem ser grandes problemas.

Conheça os trechos:

GARDNER STRAIGHT: É a reta dos boxes, cujo nome homenageia o astro das motos Wayne Gardner. Inicia-se como uma subida, chega ao pico na linha de chegada e termina em uma descida. Como não poderia deixar de ser, é o ponto mais veloz da pista: um carro da V8 Supercar, por exemplo, chega a 270 km/h.

DOOHAN CORNER: Seguindo a série de homenagens, esta veloz curva de raio longo e ângulo próximo aos 90º homenageia o pentacampeão das 500cc Michael Doohan. O carro nem precisa reduzir muito para completá-la, mas não adianta escapar muito de frente ou de traseira: a chance de errar, nesses casos, existe e não é pequena.

SOUTHERN LOOP: É algo próximo ao Bacião de Cascavel: uma curva à esquerda de 180°, raio relativamente longo e ligeiro formato de gota. O piloto desacelera e esterça com vontade à esquerda, controlando o carro para que ele não saia do traçado. Após o “apex”, ele reacelera e deixa o trecho para trás.

3: Esta perna de alta velocidade e raio longo é feita à esquerda sem grandes dificuldades. O piloto vem de uma reta e sequer precisa tirar o pé para completá-la. Do lado direito, o mar e a Bass Strait, um estreito que separa a ilha da Tasmânia ao estado de Victoria.

HONDA CORNER: Essa daqui não homenageia ninguém, puro patrocínio mesmo. É uma das curvas mais lentas do circuito, só perdendo para a curva 10. O piloto, que sai de um trecho veloz, deve frear bruscamente e reduzir para segunda marcha para completar esta curva irregular de 180° e raio curto.

SIBERIA: Curva de 180° e raio médio feita à esquerda em subida. O piloto sobe esterçando levemente para a direita para depois esterçar para a esquerda. A partir do meio da curva, ele reacelera e segue em frente.

7 e 8: Estes dois trechos não podem ser exatamente chamados de curvas, apesar de obrigarem o piloto a esterçar ligeiramente. Seria mais adequado considera-las como um trecho levemente sinuoso de alta velocidade. A curva 8 é feita em subida.

9: Trecho bastante parecido com a curva 8 de Istambul. Trata-se de uma curva de raio longo feita à esquerda em alta velocidade. A vista é cega em sua maior parte, trecho no qual é mais prudente dosar o acelerador. A partir do momento em que a descida é visível, o piloto reacelera com tudo.

10: Um dos trechos mais traiçoeiros do circuito. Trata-se de um cotovelo de raio curto feito à direita. O piloto completa a descida oriunda da curva 9 e imediatamente freia e vira com tudo à direita. Aqui, é o único trecho onde freios e suspensão são bastante exigidos. E se o carro não estiver balanceado, a chance de erro é enorme.

11: Outro curvão de raio longo feito à esquerda. No entanto, é impossível sair acelerando com tudo. Como o traçado muda de convergência, é necessário dosar o acelerador antes de sair enfiando o pé na jaca.

12: E o circuito termina aqui, nesta curva de raio grande feita à esquerda. Há uma leve inclinação, que permite que o piloto não precise tirar o pé do acelerador.

Sem grandes manchetes ou enorme vontade de explorar algum assunto esquecido, exercito meu lado ficcional. Depois de imaginar como seriam as abastadas porém medíocres vidas de Bernie Ecclestone e Danica Patrick, o próximo alvo das maledicências será um piloto não tão antigo de Fórmula 1. Presente na categoria entre 1994 e 2002, o finlandês Mika Salo destacava-se por ser um James Hunt nórdico, completamente chapado e politicamente incorreto.

Hoje, apresento um dia de sua vida nos tempos de Fórmula 3 britânica, mais precisamente no fim de 1990.

Everyone has been burned before, everybody knows the pain.

O aparelho de som tocava The Charlatans na maior altura. As músicas do então emergente movimento madchester soavam bela trilha sonora para o cenário de decadência juvenil que assolava aquele frio e úmido casebre localizado em um bairro de baixo nível do borough londrino de Croydon. Lá fora, o céu acinzentado e infeliz de sempre. Garoava um pouco. O calor humano, definitivamente, era maior lá dentro.

Uma república de estudantes de universidade pública parecia um convento franciscano perto daquela típica habitação inglesa. Tênis para lá, meias para cá, revistas pornô sobre a geladeira, seringas espalhadas pelo chão, garrafas de cerveja Guinness dividindo espaço com uma lata de feijão e um pote de aspirinas, papel higiênico grudado no teto e televisão ligada em um daqueles documentários altamente entediantes da BBC. Os protagonistas do caos adolescente eram quatro sujeitos que, definitivamente, não são exemplos de moral e boa conduta.

Momb’ndoki era um senegalês de 27 anos que havia chegado à Inglaterra três ou quatro anos antes dentro de um contêiner sul-africano. Seu inglês era miserável, assim como sua vida londrina: uma rotina de pequenos biscates, futebol na TV, mulheres e vontade nula de pensar em coisas sérias. Na casa, ele era chamado de “the big one” e prefiro não comentar o motivo.

Linda era uma irlandesa de 19 anos que havia acabado de fugir de casa. Sua família, dona de uma rede de lavanderias em Dublin, era endinheirada e sofisticada, mas a princesinha detestava o luxo e a hipocrisia pseudoaristocrática que a rondava. Foi para a Inglaterra, fez 14 tatuagens, pintou o cabelo de azul e decidiu que queria ser roqueira. Trabalhava servindo bebida e fazendo cover de Cindy Lauper, sua inspiração, no Grant’s, um pub que fica logo ali. Tinha uma namorada, mas estava quase no fim do relacionamento.

Álvaro era um colombiano de 31 anos que vivia como traficante de quinta categoria nos subúrbio londrino. Esperto, sempre conseguia escapar da polícia e detinha nada menos que 21 identidades de 14 países. Naqueles dias, ele circulava por Londres como um brasileiro chamado Ayrton. Álvaro recebia drogas fresquinhas da América do Sul e revendia para a multidão de viciados que assolava a capital inglesa, além de fornecer algum para seus convivas de casa. Que, aliás, eram os únicos que sabiam que ele se chamava Álvaro. Isso se este realmente fosse seu nome.

O quarto habitante era exatamente Mika Juhani Salo, um finlandês de 23 anos que sonhava em seguir os passos de Keke Rosberg e se tornar um piloto de Fórmula 1. Ao contrário de seus colegas de casa, Mika era o único que parecia ter algum futuro na vida. Por outro lado, honrando seu sangue finês, era o que mais bebia, o que mais cheirava e o que mais injetava de longe. Seus companheiros até estranhavam, já que ele era boa-pinta e não ganhava nada vivendo na merda com um monte de escória. Um Diário de um Adolescente finlandês, por assim dizer.

Os quatro estavam basicamente desmaiados. Mika estava praticamente morto no chão, com um perdigoto de vômito no canto da boca, uma prostituta inerte ao seu lado, três garrafas vazias de vodka barata e um pouco de pó espalhado pelo chão. De repente, toca o despertador, barulhento como o cão. Eram onze da manhã. Salo dá um pulo, olha para os lados assustado e percebe que, não, a polícia não havia arrombado a porta. Levanta-se, boceja, limpa o vômito da boca, coça o saco, desliga o aparelho de som e começa seu dia.

Mika Salo estranha toda aquela bagunça. Ele não se lembra de muita coisa. Por que toda aquela gente caída, todas aquelas garrafas e seringas estavam espalhadas no chão? Ele abre a geladeira, só há alguns ovos em estado de petição e uma torta de rim de três semanas atrás. Senta na privada, que fica ao lado do fogão, engole tudo rapidamente e dá uma cheiradinha rápida para começar bem a manhã. Aos poucos, todo mundo vai acordando.

Momb’ndoki se aproxima.

– Hey, big one, why this mess on the floor? Did we party last night?

– Hai, Mika, duntyu rimembah? Wiwa celebreytin da invitaytion yu riceevat from Tyrel.

É isso mesmo. Todo mundo estava festejando o convite que Mika Salo havia recebido de Ken Tyrrell para testar um carro de Fórmula 1 após o fim da temporada da Fórmula 3 britânica, categoria na qual ele participava com enorme sucesso e aparecia como um dos destaques. A memória aparecia aos poucos. Mika e amigos se entupiram de sexo, drogas e rock’n roll durante toda a madrugada. Em algum momento, ele deve ter apagado.

O problema é que sua precária condição não poderia estar tão aparente. Mika teria de participar de um teste coletivo da Fórmula 3 britânica lá em Brands Hatch com sua equipe, a Alan Docking Racing. Um representante da Tyrrell estaria presente neste teste para analisar o estilo de pilotagem do jovem finlandês. Pegaria muito mal para Salo, portanto, esfregar na cara do sujeito da Fórmula 1 que ele não passava de um adolescente bêbado e viciado.

Após seu frugal breakfast, Salo foi ao banheiro, se limpou, penteou o cabelo e até escovou os dentes. Depois, pegou uma roupa nova que seus pais haviam mandado por correio algumas semanas antes e foi à luta. No seu guarda-roupa, três pôsteres: um de James Hunt, outro de Jim Morrison e o terceiro de Charles Manson. Enquanto os pilotos contemporâneos se orgulham de ter ídolos “exemplares”, Mika admirava os mais pirados, aqueles marginalizados por vovós e carolas em geral.

Antes de entrar em seu Ford Escort, Mika cheira mais um pouco e vira meia garrafa de vodka: diz ele que não consegue pilotar sem estar sob efeito de álcool. Quando ele começa a sair da garagem, Momb’ndoki vem atrás e grita:

– Mika, yuah fugettin yohellmadut!

– WHAT?!

Momb’ndoki, o melhor amigo do finlandês, era foda. Seu inglês era realmente triste. Mais devagar, ele repete, traduzindo para o português, “você está se esquecendo do seu capacete, cara”. Mais atrás, Linda e Álvaro se aproximam e desejam boa sorte. O colombiano ainda enfia uns pacotinhos com cocaína no bolso do macacão do piloto para o caso de alguma necessidade. E Salo segue em direção a Brands, que não era tão longe dali. Em altíssima velocidade, é claro.

No meio do caminho, um guarda o para. Salo dá risada.

– E aí, Paul, como vai a vida?

– Na paz, Mika. E você, tá indo com pressa pra onde? Tá parindo um filho?

– Hahaha! Tenho teste lá em Brands Hatch agora. Vai me prender? Hahahaha.

– Deveria, viu. Se meu chefe visse isso, nós dois estávamos completamente fodidos, hahahaha.

– Hahahahaha.

– Mas preciso te falar uma coisa, Mika. É coisa séria.

– Porra, o que foi, Paul?

– Tô saindo mais cedo hoje e vão colocar um outro cara no meu lugar daqui a pouco. Pelo que eu sei, o sujeito é meio barra-pesada, não é do tipo que vai deixar você dirigir bêbado e drogado por aí. Evita passar por aqui mais tarde, então.

– Beleza. Valeu pelo aviso, Paul.

E Mika segue a viagem a mil em direção a Brands.

Ao chegar lá, ele avista seu xará Mika Hakkinen saindo do carro. Salo desce do carro, corre em direção a Hakkinen, enfia um tapa em sua cabeça e sai correndo aos risos. Os ingleses, ávidos por fofocas e rivalidades bestas, adoram. Hakkinen é visto como o sujeito correto e dedicado, cujos únicos defeitos são beber muito, algo obrigatório para um finlandês da gema, e ser meio enfadonho. Salo é seu antagonista mal-educado, cachaceiro, babaca, politicamente incorreto e bem mais divertido. Um Ayrton Senna vs Nelson Piquet em Helsinki.

Salo chega aos boxes da sua equipe e encontra o tal representante da Tyrrell. Conversa com ele por alguns minutos e até consegue passar a impressão de ser um piloto batalhador e consciente. Após a conversa, Mika entra em um banheiro e, nervoso, cheira um pouco do pó redentor do Álvaro.  Sentindo-se eufórico, ele volta aos boxes e entra no seu Ralt-Honda patrocinado pelos cigarros Colt. Ironicamente, ele odiava fumar Colt e preferia a Marlboro, que patrocinava seu rival Hakkinen.

Naquele ano, apesar do alto nível dos concorrentes, só a disputa entre os dois Mika importava. E Salo deu show, fazendo o melhor tempo do dia e deixando Hakkinen quase sete décimos atrás. Quando ambos estavam voltando para os pits, Salo ainda mostrou o dedo do meio para seu colega, em ato de enorme educação e respeito. Desceu do carro, foi felicitado pelos seus mecânicos, recebeu um thumbs up do funcionário da Tyrrell e passou pelo banheiro para cheirar mais um pouco. Ao retornar do banheiro, Salo conversou com o cara da Tyrrell e este disse que gostou do que viu, reportaria o resultado a Ken Tyrrell e o teste com o carro de Fórmula 1 seria confirmado em breve. Haveria até mesmo a possibilidade de correr como titular em 1991, o que deixou Salo bem animado.

Depois disso, Mika e seus mecânicos foram ao pub mais próximo e encheram a cara para comemorar. Salo, como sempre, foi o que mais bebeu e ainda pagou a conta de todo mundo com o dinheiro que recebia dos pais e dos cigarros que ele tanto odiava. Depois, pegou seu Escort e saiu com tudo em direção à sua casa.

Só que, bêbado e pouco inteligente, ele passou pelo caminho de sempre. E lá estava o tal policial turrão. Sem perceber, ele parou o carro para bater um papo.

– E aí, Paul, como vai a vida?

– Paul? Meu nome é Charles Morrison. E, a propósito, o senhor não me parece muito bem.

– Charles… Morrison… que legal, é tipo o Charles Manson e o Jim Morrison em um cara só! Hahaha!

– O senhor está completamente embriagado. Saia do carro.

Sem oferecer qualquer resistência e rindo tranquilamente, Mika saiu, fico com as mãos ao alto e até vomitou um pouco no capô do Escort. O sério Charles Morrison levou o finlandês à delegacia. Segundo a lei inglesa, o motorista completamente chapado é condenado a seis meses de prisão, multa de cinco mil libras e perda da carteira de motorista. Por intermédio do amigo Paul, Salo deu um jeito e se safou da cadeia. Mas a multa e a perda da carteira foram incontornáveis.

O cenário automobilístico inglês ficou chocado com a notícia do que aconteceu com Mika Salo. A Alan Docking Racing quase o demitiu, mas preferiu apenas repreendê-lo. E a chance de testar com a Tyrrell, obviamente, foi para o saco. No fim do ano, a Colt retirou seu patrocínio. E Mika “Renton” Salo quase teve de voltar para Helsinki com o rabo entre as pernas.

A partir daí, Salo teve de mudar o rumo da sua vida. Foi para o Japão, se divertiu com as prostitutas locais, ganhou algum dinheiro e não obteve nenhum grande resultado. No fim de 1994, a Lotus o salvou do ostracismo. E começava aí a carreira de um dos sujeitos mais subestimados dos anos 90.

E o Momb’ndoki ainda não aprendeu inglês direito.

P.S.: Os personagens podem ser verdadeiros, mas a história é totalmente ficcional e nada tem a ver com a realidade. Portanto, se por acaso você, Mika, estiver lendo isso aqui no Google Translator, não se sinta ofendido e nem me processe. Não tenho grana e nem tenho algo contra você!

Stefano Coletti: ao lado de Sam Bird, é pra quem vou torcer nesse ano na GP2

Todo ano, a história é a mesma. O sujeito, que não acompanha a categoria com assiduidade, olha para a lista de inscritos e entorta os músculos da cara. Ele checa piloto por piloto. Entre os vinte e seis, uns cinco ou seis devem ser familiares, mas não muito. Um deles já passou pela Fórmula 1. Este daí ele pensa que conhece bem. Passou vergonha pilotando um carro da Renault. O outro é apadrinhado da Ferrari, certo? Mas ele é mesmo francês? E esse sobrenome italiano? O brasileiro é aquele tal baiano, né? Mas por que ele tá com um número tão grande? Deve ser meia-boca, estilo Massa ou Barrichello.

Desde 2005, eu leio opiniões negativas sobre a qualidade dos grid da GP2. Segundo muitos, a cada ano que passa, o nível dos pilotos só piora. Para essa gente, o primeiro ano da categoria foi o melhor. Afinal, tivemos Rosberg, Kovalainen, Speed, Lopez, Premat, Lapierre, Bruni, Nelsinho, Carroll, Pantano, Viso e por aí vai. Só gente conhecida. Hoje em dia, quem lá do meio merece a Fórmula 1? Grosjean é mico. Bianchi? Bird? Van Der Garde? Coletti? Quem diabos são eles?

No início desse ano, as reações não foram muito diferentes do que vi nos últimos anos. Muita gente reclamou porque o grid da World Series está quase tão bom quanto o da GP2, os custos da categoria maior estão muito altos e o talento está sendo paulatinamente substituído pelo dinheiro.  Enfim, as bobagens de sempre. O grid da GP2 está ótimo. Os dois últimos anos tiveram bons pilotos, mas a temporada tem talvez o grid mais competitivo desde os tempos da Fórmula 3000.

Só que ninguém entende isso por um único motivo: as trevas da ignorância. O sujeito se presta a emitir uma opinião furada qualquer sobre algo que não entende e não busca fazer uma mínima pesquisa para dar algum fundamento às suas críticas. O cara nunca ouviu falar em tal piloto. Logo, o piloto deve ser uma besta. O raciocínio é tão elementar. Pra que acessar o Google ou a Wikipedia e perder um ou dois minutos para conhecer um piloto novo se eu posso construir um julgamento instantâneo?

Sam Bird, o Kamui Kobayashi da GP2

Como sou muito altruísta, vou poupar todo mundo deste doloroso trabalho. Faço um resumo bem curto dos principais feitos de cada um dos pilotos que foram inscritos para a etapa turca da GP2 europeia. Por ordem numérica:

1- FABIO LEIMER (RAPAX) – Suíço. Campeão da Fórmula Masters em 2009. Estreou na GP2 em 2010. Uma vitória e uma volta mais rápida.

2- JULIAN LEAL (RAPAX) – Colombiano naturalizado italiano. Nono colocado na AutoGP em 2010. Estreou na GP2 em 2011. Único feito até aqui: quebrar a perna do Davide Rigon.

3- CHARLES PIC (ADDAX) – Francês. Terceiro colocado na World Series em 2009, na Fórmula Renault europeia em 2007 e na Fórmula Campus em 2006. Estreou na GP2 em 2010. Uma vitória e uma pole-position.

4- GIEDO VAN DER GARDE (ADDAX) – Holandês. Campeão da World Series em 2008. Estreou na GP2 em 2009. Três vitórias e uma volta mais rápida.

5- JULES BIANCHI (ART) – Francês. Campeão da Fórmula 3 europeia em 2009 e da Fórmula Renault francesa em 2007. Vencedor da Fórmula 3 Masters em 2008. Estreou na GP2 em 2010. Três poles-positions.

6- ESTEBAN GUTIERREZ (ART) – Mexicano. Campeão da GP3 em 2010 e da Fórmula BMW europeia em 2008. Estreou na GP2 em 2011. Quase capotou em Istambul.

7- DANI CLOS (RACING ENGINEERING) – Espanhol. Campeão da Fórmula Renault italiana em 2006. Estreou na GP2 em 2009. Uma vitória, uma pole-position, uma volta mais rápida.

8- CHRISTIAN VIETORIS (RACING ENGINEERING) – Alemão. Campeão da Fórmula BMW ADAC em 2006. Vice-campeão da Fórmula 3 europeia em 2009. Estreou na GP2 em 2010. Uma vitória.

9- SAM BIRD (ISPORT) – Inglês. Vice-campeão da Fórmula BMW britânica em 2005, terceiro colocado na Fórmula Renault britânica em 2006. Estreou na GP2 em 2010. Uma vitória.

10- MARCUS ERICSSON (ISPORT) – Sueco. Campeão da Fórmula 3 japonesa em 2009 e da Fórmula BMW britânica em 2007. Estreou na GP2 em 2010. Uma vitória.

11- ROMAIN GROSJEAN (DAMS) – Suíço naturalizado francês. Bicampeão da GP2 Asia em 2007/2008 e em 2011, campeão da AutoGP em 2010, da Fórmula 3 europeia em 2007 e da Fórmula Renault francesa em 2005. Piloto da Renault em algumas corridas de Fórmula 1 em 2009. Estreou na GP2 em 2008. Cinco vitórias, cinco poles-positions, sete voltas mais rápidas.

12- PAL VARHAUG (DAMS) – Norueguês. Campeão da Fórmula Renault italiana em 2008. Estreou na GP2 em 2011.

14- JOSEF KRAL (ARDEN) – Checo. Vice-campeão da Fórmula BMW britânica em 2007, terceiro colocado na Fórmula Masters em 2009. Estreou na GP2 em 2010. Um quinto lugar como melhor resultado. Estudante de economia nas horas vagas.

15- JOLYON PALMER (ARDEN) – Inglês. Vice-campeão da Fórmula 2 em 2010, terceiro colocado na Fórmula Palmer Audi em 2008. Estreou na GP2 em 2011. Filho do ex-piloto Jonathan Palmer.

16- FAIRUZ FAUZY (SUPERNOVA) – Malaio. Vice-campeão da World Series em 2009. Ex-piloto de testes da Lotus e atual piloto de testes da Renault. Estreou na GP2 em 2005. Um quinto lugar como melhor resultado.

17- LUCA FILIPPI (SUPERNOVA) – Italiano. Campeão da Fórmula 3000 italiana em 2005. Estreou na GP2 em 2006. Duas vitórias, duas poles-positions, duas voltas mais rápidas.

18- MICHAEL HERCK (COLONI) – Romeno naturalizado monegasco. Campeão do campeonato de inverno da Fórmula Renault italiana em 2004 e da Fórmula 1.6 espanhola em 2004. Estreou na GP2 em 2008. Um pódio, uma volta mais rápida. É filho adotado de um dentista bem conceituado.

19- DAVIDE RIGON (COLONI) – Italiano. Bicampeão da Superleague Formula (2008 e 2010). Campeão da Euro 3000 em 2007 e da Fórmula Azzurra em 2005. Estreou na GP2 em 2009. Um quinto lugar como melhor resultado.

20- RODOLFO GONZALEZ (TRIDENT) – Venezuelano. Campeão da Fórmula 3 britânica National Class em 2006. Estreou na GP2 em 2009. Um quarto lugar como melhor resultado.

21- STEFANO COLETTI (TRIDENT) – Monegasco. Quarto colocado na GP2 Asia em 2011 e na Fórmula Renault europeia em 2007. Estreou na GP2 em 2009. Uma vitória.

22- KEVIN MIROCHA (OCEAN) – Alemão. Sexto colocado na Fórmula 3 alemã em 2008. Estreou na GP2 em 2011.

23- JOHNNY CECOTTO JR. (OCEAN) – Venezuelano. Terceiro colocado na Fórmula 3 alemã em 2008. Estreou na GP2 em 2009. Um quarto lugar como melhor resultado. Filho do ex-piloto e ex-motociclista Johnny Cecotto.

24- MAX CHILTON (CARLIN) – Inglês. Quarto colocado na Fórmula 3 britânica em 2009. Estreou na GP2 em 2010. Um quinto lugar como melhor resultado.

25- MIKHAIL ALESHIN (CARLIN) – Russo. Campeão da World Series em 2010. Estreou na GP2 em 2007. Um sexton lugar como melhor resultado.

26- LUIZ RAZIA (AIR ASIA) – Brasileiro. Campeão da Fórmula 3 sul-americana em 2006. Estreou na GP2 em 2009. Uma vitória.

27- DAVIDE VALSECCHI (AIR ASIA) – Italiano. Campeão da GP2 Asia em 2009/2010. Estreou na GP2 em 2008. Duas vitórias, uma pole-position, uma volta mais rápida.

Romain Grosjean, o bicho-papão da categoria

Você viu? Dezesseis dos vinte e seis pilotos já ganharam ao menos um título na vida, por mais irrelevante que ele seja. São 27 títulos, quase um caneco para cada. O mais bambambã aí, de longe, é o franco-suíço Romain Grosjean, que já ganhou cinco títulos na vida e ruma como o favorito para vencer a GP2 europeia neste ano. Atrás dele, o italiano Davide Rigon tem quatro títulos no currículo, com destaque para o bicampeonato na competitivíssima Superleague Formula. Grosjean e Rigon são dois pilotos que já deveriam estar na Fórmula 1. Mas o mundo não é justo, a grama nem sempre será verde e os dois estão pagando seus pecados na GP2.

É visível que os caras que estão na GP2, de um modo geral, já rolaram muita pedra e já venceram muita gente antes de chegar lá. Além disso, são sortudos o suficiente para dispor dos quase dois milhões de euros necessários para comprar uma vaga nessa temporada. Alguns deles, como Bianchi e Grosjean, nem são tão ricos assim, mas dispõem da ajuda de grandes equipes de Fórmula 1 (Ferrari e Renault, respectivamente) para arranjar bons carros na GP2. Dizer que todos que estão lá são playboys vagabundos que só chegaram a esse patamar com o dinheiro do papai é algo ridículo, descabido e até maldoso.

Dos que estão aí, eu considero pilotos minimamente aptos para a Fórmula 1 o Leimer, o Pic, o Van Der Garde, o Bianchi, o Gutierrez, o Clos, o Vietoris, o Bird, o Ericsson, o Grosjean, o Filippi, o Rigon, o Aleshin, o Razia e o Valsecchi. Logo abaixo deles, podem evoluir muito com um pouco mais de experiência o Kral, o Palmer, o Herck, o Coletti, o Mirocha e o Cecotto Jr. Apenas o Leal, o Varhaug, o Fauzy, o Gonzalez e o Chilton me parecem estar defasados, mas isso acontece nas melhores famílias.

Johnny Cecotto Jr: o filho do homem também deve ser lembrado

Nas duas corridas de Istambul, pude confirmar minhas ideias. Os pilotos dirigiam como gente grande, realizando belas disputas e excelentes ultrapassagens. Os erros, ao contrário do que costuma ocorrer nas demais categorias de base, não foram tão frequentes. E quando há a chance de acompanhar com mais atenção a atuação e a técnica individuais, ver uma corrida da GP2 se torna algo ainda mais divertido. Depois do que vi no fim de semana otomano, virei fã do Stefano Coletti, o monegasco que está acelerando muito desde a temporada asiática. Até aqui, ele fez vários milagres com o carro da Trident, equipe que conseguiu melhorar um pouco com a chegada do experiente engenheiro sueco Nick Wasyliw.

E o pessoal continua achando que o nível da GP2 está baixo. Já que você pensa assim, recomendo pesquisar a respeito dos grids de antigas temporadas da Fórmula 3000 ou da Fórmula 2, categorias que antecederam a GP2. Garanto uma coisa: com o alto número de vagas na Fórmula 1 em tempos remotos e nas próprias categorias de base, qualquer um conseguia entrar. Literalmente: se o cara havia terminado um campeonato de Fórmula 3 em 13º e tinha um pouco de dinheiro, encontrava vaga com facilidade. Hoje em dia, com o excesso de pilotos disponíveis no mercado e a falta de vagas nas categorias top, os donos de equipe se dão ao luxo de escolher quem paga mais – e quem anda mais.

Quero ver, daqui a sete ou oito anos, essa molecada desprezada atualmente vencendo corridas na Fórmula 1 e angariando legiões de fãs. Enquanto isso, a GP2 segue “com o nível mais baixo de pilotos desde sua estreia”. Até o fim dos tempos.

RED BULL10 – O que há de negativo para falar sobrea equipe? A calvície precoce do Christian Horner, o sorriso do Sebastian Vettel ou a habilidade do Mark Webber para conduzir bicicletas? O caso é que a equipe levou mais uma dobradinha para casa: Sebastian Vettel fez o de sempre e Mark Webber tomou a segunda posição de Alonso no final. O carro é bom e o alemão faz o que quer. Enfim, tudo literalmente azul.

FERRARI 6 – Vou te falar uma coisa: quando não caga na entrada, caga na saída. A escuderia não faz um carro bom para os treinamentos, mas também não anda fazendo um trabalho decente na corrida, que é o momento no qual o carro melhora. Felipe Massa perdeu tempo em três de suas quatro paradas e se deu mal. Fernando Alonso também teve problemas nos pits e só andou lá na frente porque o cara é bota. De quebra, o chefe Stefano Domenicali indiretamente atribuiu a culpa do resultado de Massa ao próprio piloto. Ridícula, a Ferrari comandada por italianos.

MCLAREN7 – É outra que, em menor quantidade, também cometeu suas besteiras. A estratégia de apenas três paradas não funcionou com Jenson Button e o britânico terminou apenas em sexto. Lewis Hamilton fez lá suas próprias bobagens, mas foi prejudicado em um de seus pit-stops. Além disso, as disputas renhidas entre os dois pilotos no início da corrida devem ter deixado Martin Whitmarsh e amigos de cabelo em pé. Fim de semana meia-boca.

MERCEDES7,5 – Pelo visto, foi a equipe que mais avançou de Shanghai para cá. Nico Rosberg e Michael Schumacher andaram bem na sexta-feira, mas apenas o primeiro teve um fim de semana satisfatório. Enquanto Rosberg largava em terceiro e andava lá na frente, Schumacher só levava ultrapassagem de gente com carro pior. As coisas estão ficando negras para ele. Quanto à Mercedes, o de sempre, embora o carro realmente tenha melhorado.

RENAULT7 – Algo me diz que o clima na equipe só tende a piorar daqui para frente. Nick Heidfeld e Vitaly Petrov, que estão se engalfinhando com incômoda frequência, se acharam no meio do caminho em duas ocasiões. Ambos marcaram pontos, mas Heidfeld estava bem incomodado com o russo, que esteve mais agressivo que a média.

TORO ROSSO7,5 – Por alguma razão, o STR6 se comportou muito bem com a estratégia de três paradas, ao contrário do que aconteceu com as demais equipes. Sébastien Buemi foi um dos melhores pilotos da corrida, fez ultrapassagens e chegou a andar em sétimo. Infelizmente, Jaime Alguersuari não conseguiu acompanhar o companheiro suíço. Bom fim de semana.

SAUBER6 – O sistema de combustível do C30 ferrou a vida de Kamui Kobayashi no treino oficial, o que o deixou lá atrás. Só que o japonês, que corre com sangue nos olhos, fez uma belíssima corrida de recuperação e marcou um ponto. Quem não foi bem foi o companheiro Sérgio Perez, que não estava rápido e se envolveu em um acidente com Maldonado na primeira volta. A Sauber tem a dupla mais explosiva do grid – para o bem e para o mal.

FORCE INDIA3,5 – Como vem sendo o padrão nesta temporada, apareceu em Istambul como uma típica equipe entediante do meio do grid. Nem Adrian Sutil e nem Paul di Resta puderam andar lá entre os dez primeiros, e o escocês ainda foi o único piloto a largar e abandonar a corrida.

WILLIAMS2,5 – Rubens Barrichello e Pastor Maldonado fizeram milagre no treino oficial ao largarem, respectivamente, em 11º e em 14º. Só que ambos só perderam posições durante a corrida. O brasileiro ainda teve problemas com KERS. E o venezuelano não fez nada, como sempre. Uma tristeza.

LOTUS4 – Silenciosamente, a equipe avança e se aproxima de concorrentes mais experientes. Heikki Kovalainen e Jarno Trulli nunca foram ameaçados pelas suas duas rivais mais próximas e ambos chegaram a ganhar posições de equipes mais fortes no início da corrida. Os dois terminaram, com Trulli à frente de Kovalainen.

VIRGIN1,5 – Quem salvou o fim de semana da equipe foi o novato Jerôme D’Ambrosio, que bateu Timo Glock no treino oficial e terminou a corrida. O alemão foi muito mal no treino e sequer largou, vítima de problemas no câmbio. E a equipe é ruim demais, caramba.

HISPANIA4,5 -No treino oficial, Vitantonio Liuzzi conseguiu a proeza de deixar o Virgin de Glock para trás. Na corrida, tanto o italiano como Narain Karthikeyan conseguiram chegar ao final sem problemas. Pelo orçamento e cronograma apertados que os espanhóis possuem, o trabalho realizado vem sendo bem mais digno que o da Virgin.

TRANSMISSÃOTIN, TIN, TIN! – Onomatopeias são figuras de linguagem das mais estranhas que existem. O ato de reproduzir um determinado som não-humano é sempre minimamente bizarro e pode ficar ainda pior se feito em plena transmissão esportiva por um narrador experiente com voz consagrada. E o negócio piora ainda mais se o tal narrador está imitando a onomatopeia de outra pessoa. Pois foi isso que Galvão Bueno fez quando quis imitar Rubens Barrichello descrevendo o ruído que o seu FW33 fazia quando o piloto passava pela curva oito. “Eu vou tentar fazer aqui o ruído do Rubinho fazendo como é que ele fazia a curva oito ontem: ‘eu jogava para zebra e o carro fazia TIN TIN TIN TIN TIN’ e a cabeça puxava para o lado e o carro ia para o outro e vinha outra zebra e TIN TIN TIN TIN’”. Surreal. Galvão fazendo imitações é uma das coisas mais engraçadas que existem.

CORRIDADIVERSÃO PURA – Istambul é um circuito dos mais legais do planeta, talvez a obra-prima do subestimadíssimo arquiteto Hermann Tilke. A pista é larga e veloz o suficiente para proporcionar muitas ultrapassagens, e foi exatamente isso que aconteceu. As brigas foram intensas do início ao fim e houve até mesmo três carros dividindo a mesma curva (Schumacher, Alguersuari e Massa entrando juntos na curva 14). Alguns pilotos, como Kobayashi e Buemi, saíram lá de trás e ganharam posições com estratégias arriscadas e muitas ultrapassagens. E o vencedor deu um show de pilotagem. Enfim, foi tudo muito legal. Só que eu dormi da metade para o final. Isso que dá ficar em camarote de show cujo interesse seu é nulo até quatro da matina.

GP2EXCELENTE INÍCIO – Ah, a GP2, minha categoria de monopostos preferida atualmente. As quatro corridas da GP2 Asia foram um lixo e eu não estava muito esperançoso sobre esta primeira etapa em Istambul. Felizmente, meu pessimismo estava equivocado e tivemos duas excelentes corridas no território turco. Na primeira, Romain Grosjean fez o que quis e venceu de ponta a ponta, seguido por um arrojado Sam Bird e por Jules Bianchi. O destaque maior fica para o acidente de Fabio Leimer, que catapultou por sobre o carro de Max Chilton e deu umas piruetas até cair na área de escape. Na segunda corrida, o monegasco Stefano Coletti fez outra ótima apresentação e venceu a corrida. Destaque para outro acidente, entre Davide Rigon e Julian Leal, que deixou o italiano com fraturas em uma perna. O baiano Luiz Razia marcou alguns pontos, mas não deverá ter um ano fácil. O saldo começou positivo.

SEBASTIAN VETTEL10 – Mais um nocaute, e os concorrentes choram. O alemão começou mal o fim de semana, estourando o carro no primeiro treino de sexta e ficando de fora no segundo. O mau momento, no entanto, acabou aí. No sábado, pole-position fácil. Na corrida, mais um domínio clínico, assustador e humilhante sobre a concorrência. Não dá mais. Salvo uma mudança na posição dos astros, é caso para entregar o caneco e mandá-lo para casa.

MARK WEBBER8 – Fez corrida condizente com sua posição de segundo piloto da melhor equipe da Fórmula 1 atualmente. Obteve o segundo tempo no treino oficial, largou clamorosamente mal e teve carro para ultrapassar Rosberg no início e Alonso no final, embora tenha levado uma ultrapassagem do espanhol na volta 28. O segundo lugar é bom, mas é forte a impressão de que o carro número dois está sendo subutilizado.

FERNANDO ALONSO9,5 – Fez sua melhor corrida desde há muito tempo, e provavelmente sua melhor corrida neste circuito. Apesar de ter largado em um discreto quinto lugar, o asturiano se aproveitou do bom desempenho do 150th Italia em corrida para largar bem, ganhar a posição de Rosberg no início e se manter à frente de Webber durante boa parte da prova. No fim, ficou sem pneus e perdeu o segundo lugar para o australiano. Ainda assim, ótimo domingo.

LEWIS HAMILTON6,5 – Não teve um fim de semana fácil. No treino oficial, não ficou feliz em ter de largar em quarto. Na primeira volta da corrida, errou uma curva e perdeu duas posições. Depois, perdeu algum tempo na briga doméstica contra Button. No terceiro pit-stop, a equipe se complicou com um dos pneus e o inglês acabou perdendo muito tempo. Ao menos, seu ritmo estava bom no fim da corrida. Diante disso, o quarto lugar é um resultado positivo.

NICO ROSBERG7,5 – Parecia ter um carro muito bom na sexta-feira, quando foi um dos destaques. No sábado, marcou um ótimo terceiro lugar e parecia ser o melhor piloto fora da panelinha da Red Bull. A corrida, no entanto, não correspondeu às expectativas. Apesar de ter largado bem, Rosberg não teve carro para se manter à frente de adversários em melhores condições e perdeu posições no decorrer da corrida. Teve um bom duelo com Felipe Massa, mas acabou derrotado na disputa. No fim, o quinto lugar foi decepcionante para alguém com prognósticos tão bons.

JENSON BUTTON6 – Apesar de ter sido o único piloto, além de Vettel, a ter conseguido liderar ao menos uma volta na corrida, Jenson esteve longe de ter tido um bom fim de semana. Seu melhor momento foi ter liderado o segundo treino de sexta-feira. No sábado, fez apenas o sexto tempo na classificação. Na corrida, chamou a atenção na primeira parte por ter protagonizado um belo duelo com seu companheiro Hamilton. Apostou em uma estratégia de três paradas e se deu mal, perdendo desempenho em vários momentos. Magro sexto lugar.

NICK HEIDFELD6 – Nem sei se mereceu terminar em sétimo. Ficou atrás de Petrov durante quase todo o fim de semana, só terminando à sua frente por ter um carro mais rápido no final da corrida. No treino oficial, insistiu na estúpida estratégia de fazer sua volta rápida apenas no final, o que quase o deixou de fora do Q3. Na corrida, quase bateu com Petrov na primeira volta e foi empurrado para fora pelo russo algum tempo depois, o que o deixou puto com o russo. Depois disso, só ficou na sua e amealhou mais alguns bons pontos.

VITALY PETROV7 – Ao contrário do apático companheiro, o russo brilhou bem mais sem, no entanto, conseguir um resultado melhor. Sempre agressivo, conseguiu um interessante sétimo lugar no grid em uma pista na qual ele anda bem desde os tempos de GP2. Na corrida, se meteu em encrencas com o companheiro Heidfeld e com Michael Schumacher. Mesmo assim, sempre esteve rápido e levou mais três pontos para casa. Avança a passos largos na Fórmula 1.

SÉBASTIEN BUEMI8,5 – Estou gostando de ver. Apesar de não ter ido bem no treino oficial, Buemi se superou e fez talvez uma das grandes atuações do fim de semana. Apostou em uma estratégia de três paradas e foi o que se deu melhor com isso. Além disso, esteve combativo e fez algumas boas ultrapassagens durante a prova. No fim, perdeu o sétimo lugar porque seu carro começou a apresentar trepidações. Ainda assim, fez mais uma corrida que poderá salvá-lo na Toro Rosso. E, quem sabe, projetá-lo à Red Bull.

KAMUI KOBAYASHI8,5 – Esse cara é um doido de pedra. E as adversidades só servem para tentar complicar um pouco sua vida, algo que nem sempre ocorre. No treino oficial, teve um problema de sistema de combustível no Q1 e acabou tendo de largar lá atrás. Na corrida, ao contrário da maioria dos oponentes, escolheu a estratégia de três paradas e partiu para o tudo o nada. Fez um monte de ultrapassagens, sendo a melhor uma suicida sobre Schumacher na curva 12. Pontinho milagroso e merecido para o verdadeiro showman da Fórmula 1 atual.

FELIPE MASSA5,5 – Difícil julgar, já que alternou momentos ótimos, ultrapassagens, erros e azares. Desistiu de fazer tempo no Q3 porque havia errado em sua única tentativa e preferiu poupar pneus. Na corrida, esteve combativo e conseguiu fazer algumas boas ultrapassagens, com destaque para aquelas sobre os dois pilotos da Mercedes. Teve problemas em três dos seus quatro pit-stops, especialmente na terceira parada, quando um mecânico se complicou com o pneu traseiro direito. E o paulistano ainda escapou na curva 8 na parte final. Até acho que merecia ter marcado pontos, mas não aconteceu. De bom, o fato do Felipe Massa de hoje estar mais parecido com o de 2008 do que com o de 2010.

MICHAEL SCHUMACHER2,5 – É, tá feio o negócio para o heptacampeão.  Além de apanhar impiedosamente do companheiro, ele já não desperta respeito em mais ninguém e ainda é azarado pra caramba. No treino oficial, ficou cinco posições atrás de Rosberg. Na corrida, bateu com Petrov logo no começo e teve de trocar um bico. Apesar de ter ultrapassado pilotos com carros bem piores, sofreu bastante e até foi ultrapassado por carros inferiores ao Mercedes. Ele disse que cumprirá o contrato até o fim de 2012. Sei não…

ADRIAN SUTIL4 – Dessa vez, se deu melhor que o companheiro Di Resta, o que não significa muito. Bateu o escocês no treino oficial e até apareceu bem no início da corrida, mas as limitações de seu VJM04 e da estratégia de três paradas não permitiram lá grandes feitos. Pelo menos, disse ter se divertido na parte final. No fundo, isso é o que importa.

SERGIO PÉREZ2,5 – É um Kobayashi sem grife e sem muita sorte, o que não é algo tão grave. E não teve um bom fim de semana. Mal no treino oficial, o mexicano acabou com suas chances em um toque com Maldonado na primeira volta, o que o obrigou a trocar o bico de seu Sauber. A estratégia de três paradas permitiu que ele ganhasse algumas posições, mas o deixou lento em alguns momentos fundamentais. No fim, não dava pra esperar por pontos, mesmo.

RUBENS BARRICHELLO4,5 – No Q2 do treino oficial, fez uma volta excelente e quase foi para o grupo dos dez mais rápidos. Na corrida, conseguiu uma bela ultrapassagem sobre Schumacher no começo. Estes foram os melhores momentos de mais um fim de semana problemático, no qual o carro não teve um bom ritmo na corrida e o KERS não funcionou direito. E Rubens é outro velhinho que também está começando a pensar em aposentadoria.

JAIME ALGUERSUARI 3 – Mesmo fazendo as mesmas quatro paradas que a maioria do grid, não conseguiu acompanhar o ritmo do companheiro, que fez apenas três e andou com pneus ruins por mais tempo. Esse déficit para Buemi pôde ser visto desde o treino oficial e não mudou durante a corrida. E o espanhol deixou de marcar pontos em mais uma corrida. Se continuar assim, não vai durar muito tempo em sua equipe.

PASTOR MALDONADO2 – Está pagando os pecados pelos absurdos de seu mecenas, o ditador Hugo Chavez. Na sexta-feira, bateu em um dos treinos. No sábado, teve seu melhor momento ao fazer um razoável 14º lugar. Na corrida, bateu em Pérez na primeira volta e nunca conseguiu sequer sonhar com pontos. Terminou em último entre os pilotos das equipes estabelecidas. Se bem que, do jeito que está, é difícil ver a Williams como uma equipe estabelecida a longo prazo.

JARNO TRULLI4,5 – Nessa fase da carreira, seu único objetivo é bater o companheiro de equipe. Em Istambul, apesar de ter largado atrás, conseguiu. Poderia até ter ido melhor, mas teve problemas com pneus e decidiu suprimir um de seus quatro pit-stops. O que, talvez, nem deve ter mudado muita coisa.

HEIKKI KOVALAINEN5 – Terminou atrás, mas fez um trabalho ligeiramente melhor que seu companheiro. No treino oficial, conseguiu um bom 18º lugar no grid. Na corrida, fez uma boa largada e teve algumas boas disputas lá atrás. Um problema hidráulico fez com que ele perdesse uma posição para Trulli no final. O curso do planeta não mudou por causa disso.

JERÔME D’AMBROSIO 6 – E não é que o belga está fazendo seu trabalho direitinho? No treino oficial, meteu cinco décimos em seu experiente companheiro e só largou em 23º porque havia sido punido. Na corrida, foi o único que apostou na estratégia de duas paradas e conseguiu se manter à frente da Hispania com facilidade. Na minha modesta opinião, o grande destaque do final do grid até aqui.

NARAIN KARTHIKEYAN4 – Um sujeito desses não tem muito com o que sonhar. No treino oficial, foi o mais lento entre todos que puderam marcar um tempo. Na corrida, apostou em uma estratégia de três paradas e se deu bem, deixando o companheiro Liuzzi para trás. Não errou e não fez nada de absurdo. Enfim, fez o dever de casa.

VITANTONIO LIUZZI4 – Também não tem muito com o que sonhar e reclamar. Foi bem no treino oficial, deixando o Virgin de Glock para trás. Na corrida, apostou em quatro paradas e, ainda assim, conseguiu ter problemas com os pneus dianteiros. A nota é esta pelo treino ter compensado a corrida.

PAUL DI RESTA3,5 – Foi o único piloto a abandonar durante a corrida, com um problema na roda. Até o momento do abandono, vinha fazendo uma corrida discreta, mas nunca esteve muito atrás do companheiro Sutil. Foi seu primeiro abandono da temporada até aqui, saldo satisfatório.

TIMO GLOCK0 – Está em seu pior momento na carreira. No treino oficial, conseguiu perder para o companheiro D’Ambrosio e para um Hispania. E nem participou da corrida, vítima de um problema no câmbio. Se não arranjar um lugar melhor no ano que vem, não consigo vê-lo sequer seguindo na Fórmula 1.

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