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FERRARI (Enzo Maeda) – 9 – Já fazia doze GPs que a mais tradicional equipe não vencia uma corrida, mas hoje tanto ela como seu piloto favorito resolveram colaborar. Fernando Alonso começou bem com o terceiro lugar no treino de classificação e na corrida mostrou superioridade ao vencer sossegadamente. Felipe Massa sofreu com os pneus duros e não passou do sexto lugar. Dessa vez, não houve falha nos boxes ou jogo de equipe para nenhum dos pilotos.

LOTUS (Enzo Maeda) – 8 – Kimi Räikkönen voltou aos seus melhores dias, começou e terminou na segunda posição, apesar da possibilidade de ter vencido caso tivesse largado melhor. Ainda assim, o resultado está de bom tamanho, ainda mais com a batida com Sergio Pérez que milagrosamente não afetou em nada seu desempenho. Já Romain Grosjean ficou apagado e terminou somente na nona colocação, sendo responsável pela equipe não passar da terceira colocação no campeonato de construtores. Continua com bom atributo na conservação dos pneus.

MERCEDES (Enzo Maeda) – 6,5 – O carro realmente está rápido, mas teve altos e baixos: o pole-position Lewis Hamilton quase ficou de fora fora do pódio, não por falta de esforço – pelo contrário, o britânico também conseguiu extrair e brigar muito com o bólido –, mas pelo alto consumo de borracha. Nico Rosberg, pela segunda vez, teve problemas e foi obrigado a abandonar, lembrando o velho Michael Schumacher no início do ano passado, quando estava com uma urucubaca danada.

RED BULL (Enzo Maeda) – 5 – Decaiu muito em relação às etapas anteriores, a começar pelos treinos: nona colocação para Sebastian Vettel e a desqualificação de Mark Webber por nível de gasosa abaixo do regulamento, falha que acontece pela segunda vez na equipe. Na corrida, algumas coisas melhoraram: a espetacular atuação do alemão quase rendeu um improvável pódio. Por outro lado, Webber só teve decepções: sua falta de neurônios na hora de ultrapassar Jean-Éric Vergne fez o oponente rodar e danificar a sua roda, que se soltou de uma forma patética e perigosa, fazendo Felipe Massa e Nico Hülkenberg usarem seus reflexos para desviarem. Além do carro nº2 ficar à deriva, rendeu multa à equipe e punição de perda de cinco posições ao piloto australiano.

MCLAREN (Enzo Maeda) – 6 – Não foi tão mal quanto nas etapas anteriores, mas ainda assim está muito abaixo das equipes de ponta. Pelo menos em termos de estratégia, deu um banho ao fazer seus carros pararem somente duas vezes e premiou Jenson Button, que sempre se destaca nessas condições, com a quinta colocação. Pena que a jogada só deu certo com um carro, pois Sergio Pérez ainda não se entendeu com a equipe. Melhor carro em se tratando de consumo de pneus, seus pilotos também colaboram bastante.

TORO ROSSO (Enzo Maeda) – 7,5 – Parece que está em constante evolução. O australiano Daniel Ricciardo fez uma corrida sólida, dando todo o seu suor. A turma de Faenza poderia ter pontuado com os dois pilotos, mas Jean-Éric Vergne foi abalroado justamente por um carro pertencente à sua matriz. Espero que não haja desentendimento entre as rubrotaurinas.

FORCE INDIA (Enzo Maeda) – 6,5 – Desta vez, corrigiu a maior idiotice já vista em acertar os parafusos das rodas de seus automóveis. Assim, quatro pontos foram acrescentados à sua conta. Só não conseguiu mais porque o novato Esteban Gutiérrez lançou uma voadora na traseira de Adrian Sutil.

SAUBER (Enzo Maeda) – 4 – O único pontinho veio com o esforço de Nico Hülkenberg, que optou pela estratégia de iniciar a prova com compostos mais firmes. Mas o carro não se comportou bem e o alemão só viu seu desempenho decair, da liderança por algumas voltas até a última posição na zona de pontuação. O outro, citado logo acima, foi o desastre do dia e como mérito, perderá posições no próximo GP.

WILLIAMS (Verde)2 – Nessa corrida, só não ficou atrás das duas eternas nanicas. O negócio não vai bem e os dois pilotos, Pastor Maldonado e Valtteri Bottas, ficaram a léguas de distância da zona de pontuação. Ambos foram mal em todos os treinos e não se recuperaram durante a corrida. O venezuelano teve momentos difíceis com os pneus duros e inviáveis com os macios, terminando a corrida atrás de Bottas. Esse daqui, pelo menos, foi o estreante que conseguiu a melhor posição. Mas como levar isso a sério se Esteban Gutiérrez voltou a ser uma besta e os outros novatos andam em carroças ainda mais vagarosas?

MARUSSIA (Verde)3 – Tinha um carro claramente melhor que o da Caterham, mas não esteve isenta de problemas. Max Chilton teve um motor bichado na sexta-feira e os dois pilotos, tanto o filho do chefe quanto o queridinho da Ferrari, tiveram dores de cabeça com os pneus durante todo o fim de semana. Pelo menos, ambos chegaram ao fim da corrida, com Jules Bianchi sempre muito à frente de Chilton. Já falei que os pit-stops da equipe são horríveis?

CATERHAM (Verde)2,5 – Mais um fim de semana ruim, mas quer saber de uma coisa? Ela mereceu. No primeiro treino livre de sexta-feira, a equipe preferiu deixar o bom Charles Pic a pé e entregar seu carro ao chinês Qing Hua Ma, um dos indivíduos menos preparados para pilotar um carro de Fórmula 1 que eu já vi. Pic voltou ao carro e andou bem, até. Embora tenha ficado na última fila, recuperou-se bem durante a prova e chegou a ficar um bom tempo à frente de Jules Bianchi. Giedo van der Garde não fez muito mais do que andar em último durante todo o tempo. Chega a ser inacreditável o quão escrota a Caterham ficou nessa temporada.

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TRANSMISSÃOMATEMÁTICA – Terminando essa volta, estaremos na metade da prova, falou o locutor oficial. O GP da China costuma ter 56 voltas. Uma pessoa desavisada que sabe fazer algumas contas suporia que a volta em questão era a 28ª, certo? Errado. Nosso querido locutor, que estava de volta ao microfone após ausentar-se na etapa malaia, estava se referindo ao giro nº 23. Isso significa, em termos práticos, que 23 x 2 = 56. Isso até faz algum sentido se você ainda está na segunda série. O resto da transmissão, sinceramente, não teve momentos realmente brilhantes. Destaco apenas a recorrente piadinha do “Mark Webber ter parado por pane seca porque foi o Sebastian Vettel que colocou gasolina no seu carro”. Na primeira vez em que escuta, você ri. Na segunda, você apenas sorri. Na terceira, você boceja. A partir da quarta, você manda sua televisão tomar no rabo. Eu não fiz isso, não costumo conversar com minha televisão, mas imagino que alguns tenham feito isso. Ou eu é que imagino que todos sejam chatos e mal humorados. É, pode ser.

CORRIDAGRAZIE, PIRELLI – Uma das novas unanimidades da Fórmula 1 é a automática condenação aos pneus de borracha escolar feitos pela Pirelli nesse ano. Todo mundo, de Martin Whitmarsh a Anacleto Reinaldo, reclamou que os compostos mais macios são incapazes de aguentar um passeio na esquina sem soltar pedaços para todos os cantos. Graças a isso, os pilotos são obrigados a fazer tantos pit-stops quanto em uma corrida em Le Mans e obviamente não podem sair por aí acelerando o quanto querem. Eu vou contra a maré. Acho sensacional que os pilotos, já agraciados com carros inquebráveis e áreas de escape do tamanho de campos de golfe, tenham de enfrentar ao menos uma adversidade. No passado, os caras corriam sem capacete, sem cinto de segurança, andando no maior cuidado para não estourar um motor ou ficar sem combustível e nem por isso eles não botavam para quebrar. A verdade é que Fórmula 1 não é uma corrida de dragster. Além de velocidade, a estratégia e o imponderável são importantes. O GP da China foi a típica corrida em que ninguém sabia certamente o que aconteceria até o fim. Fernando Alonso tinha um carro muito bom e estava com o capeta no corpo, mas até mesmo ele poderia ter sido vítima dos pneus. Ultrapassagens, acidentes e bobagens aconteceram em número suficiente. Não achei ruim, não – melhor do que os desfiles de moda de Michael Schumacher no início da década passada. Creio que muitos não gostaram porque o vencedor foi o odiado Alonso. Mas para os que fizeram cara feia pelo fato dos pneus não permitirem maior agressividade, fico com a declaração de Kimi Räikkönen: “eu não entendo o porquê das pessoas estarem reclamando. O negócio não está tão diferente do ano passado – pelo menos para nós, pilotos. Eu acho que os pneus são muito bons na classificação e possuem boa aderência. Você só deve cuidar deles um pouco mais durante a corrida”. Se Kimi falou, e ele nunca fala, então está falado.

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P.S.: Hoje, eu não escrevo sozinho. Tenho a companhia do leitor Enzo Maeda, que mandou as notas dos dez primeiros colocados e me poupou um puta tempo. Agradecimentos ao Enzo. Mando um cheque de 250 mil cruzados novos para qual endereço?

P.S.2: Querem contribuir nas próximas etapas? Basta mandar seus pitacos para leandro_kojima@yahoo.com.br

P.S.3: Imperdoável. O Marcelo Druck me mandou um texto excepcional sobre sua visita ao circuito de Yeongam há alguns meses e eu, idiota, ainda não o postei. Também sairá.

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FERNANDO ALONSO (Enzo Maeda) – 10 – Voltou a mostrar porque é o melhor piloto em atividade. Com um carro no máximo em igualdade de condições com os melhores, que por sinal apresentaram equilíbrio nesta corrida, andou o máximo que podia com ambos os pneus. Fez ultrapassagens no braço, destaque para as sobre Lewis Hamilton, Sebastian Vettel e os dois pilotos da McLaren e no final administrou com folga a vantagem. Detesto sua personalidade, assim como suas atitudes, mas fez por merecer essa vitória e praticamente aniquilou o seu erro na prova anterior – já está na cola dos líderes na tabela do campeonato.

KIMI RÄIKKÖNEN (Enzo Maeda) – 8 – Fez também uma corrida muito interessante, mas sua atuação ficou um pouco apagada diante da excepcional corrida de Fernando Alonso. Excelente segundo no grid de largada, pôs tudo a perder com a má largada, caindo para quarta colocação logo de cara – se isso não acontecesse, poderia ter segurado Alonso e até vencido a prova. Também se precipitou na tentativa de ultrapassagem sobre Sergio Pérez por fora e, por sorte, ninguém se prejudicou. Do outro lado da moeda, também teve um ritmo constante e forte, segurando Lewis Hamilton no final, com um carro já se acabando na borracha.

LEWIS HAMILTON (Enzo Maeda) – 7,5 – Esperava-se um pouco mais do pole-position, pois aparentava ter o carro mais rápido (embora não necessariamente o melhor), mas o consumo de pneus não correu às mil maravilhas. Sofreu algumas ultrapassagens, como as da dupla da Ferrari, de Kimi Räikkönen nos boxes e, com mais uma volta, já com os pneus padecendo, também tomaria uma do veloz Sebastian Vettel. Passou legal por Jenson Button e por mais alguns carros que estavam à frente antes de suas paradas. Sua regularidade o fez se aproximar dos líderes.

SEBASTIAN VETTEL (Enzo Maeda) – 9 – Desta vez estava claro que não tinha o melhor carro, tanto é que não foi nenhum destaque nos treinos e amargurou a nona colocação no grid. Mas foi mostrando ao longo da corrida por que é tricampeão: ao largar com os compostos médios, foi realizando ultrapassagens, seja na pista, seja no momento dos boxes de outros carros. No final, usando pneus macios e com carro leve, descontou dez segundos em três voltas e na última curva encostou de vez no britânico, mas foi uma pena ter freado tarde e tracionado mal na última curva, onde poderia ter conquistado o pódio.

JENSON BUTTON (Enzo Maeda) – 9 – Longe de dispor do melhor carro, sua pilotagem técnica e inteligente (estilo “professor” Alain Prost) o fez poupar uma parada extra nos boxes e ainda lhe permitiu tempos quase iguais ao da concorrência. Não apareceu muito em ultrapassagens, tomando umas inclusive. Mas fez uma corrida ascendente e suas esperanças de dias melhores voltaram, sendo visível a evolução da McLaren frente a outras corridas, que foram um fiasco perante sua tradição.

FELIPE MASSA (Enzo Maeda) – 5  – Teve muita oscilação de desempenho, de forma descendente: liderança no treino de sexta, quinta colocação no grid e no início da corrida, com boa largada, estava no mesmo ritmo que Fernando Alonso e pressionando-o até a parada nos boxes, quando estava com pneus macios. A Ferrari teve a preferência pelo espanhol somente na primeira parada, fazendo-o parar uma volta depois, o que o levou a perder duas posições para Lewis Hamilton e Kimi Räikkönen devido ao desgaste dos compostos. Até aí, tudo bem. Mas após o retorno, com os compostos duros, além de perder muito tempo nas ultrapassagens, não se adaptou nessas condições. Isso é provado com a crescente vantagem de Alonso, que provavelmente com o mesmo carro, venceu a corrida. Outras paradas foram adiantadas para o brasileiro não ficar preso atrás de carros mais lentos, como de Paul di Resta e Nico Hülkenberg e foi seu tempo nos boxes o mais rápido de todos. Assim, é impossível atribuir culpa alguma à Scuderia.

DANIEL RICCIARDO (Enzo Maeda) – 8,5 – Fantástico nos treinos e na corrida. Largou bem, segurou alguns carros mais rápidos como os de Lewis Hamilton e Jenson Button e no final foi se aproximando perigosamente de Massa com pneus na casca. Com um carro no máximo mediano, ficou à frente de muitos carros superiores ao seu, como os de Romain Grosjean e Sergio Pérez. Fazia tempo que não pontuava, sendo que quando acontece, vem de baciada, ao contrário de seu companheiro francês Jean-Éric Vergne.

PAUL DI RESTA (Enzo Maeda) – 7 – Não foi um grande destaque, pois seu companheiro Sutil, zicado por batida causada por Gutierrez, estava à sua frente quando foi abalroado. Tomou ultrapassagem também do mesmo no início, mas compensou sua corrida como sendo uma pedra no sapato de Felipe Massa por muitas voltas, mesmo este tendo carro muito mais rápido. No final, com as paradas, acabou se contentando com o oitavo lugar.

ROMAIN GROSJEAN (Enzo Maeda) – 3,5 – Outro que teve uma diferença abissal de desempenho em relação ao companheiro desde a classificação, onde ficou na sexta colocação contra a segunda do Kimi Räikkönen. Na corrida, permaneceu sempre no pelotão intermediário, e se não fosse algumas ultrapassagens depois da metade da corrida em carros inferiores como o Sauber de Nico Hülkenberg e o McLaren de Sergio Perez, teria ficado de fora dos pontos enquanto seu companheiro fica em segundo. Parece que seu comportamento mais civilizado na corrida o fez ficar mais lento em relação ao ano passado.

NICO HÜLKENBERG (Enzo Maeda) – 8 – Com um carro no máximo mediano, conseguiu a façanha de liderar por algumas voltas, ajudado pela opção de largar com pneus mais rígidos, postergando sua primeira parada. Porém, com o passar das voltas, tomou algumas esperadas ultrapassagens e no final, sendo obrigado a usar pneus macios, acabou decaindo para a posição de lascar um pontinho. Mas, analisando o carro, inferior ao do ano passado e também seu companheiro trapalhão, fez corrida muito boa.

SERGIO PÉREZ (Verde)2,5 – Está perdidinho da Silva. Na sexta-feira, escapou da pista duas vezes. No sábado, apanhou do carro novamente e ficou apenas em 12º no grid. No domingo, nada deu certo. Tentou a mesma estratégia de dois pit-stops de Jenson Button, mas tudo o que conseguiu foi um carro lento que só servia para incomodar os pilotos que vinham atrás. Em determinado momento, Kimi Räikkönen lhe deu uma bela estampada na traseira. “O que diabos esse chicano lazarento está fazendo?”, indagou o lacônico finlandês. Nada. Sergio não fez nada. O fim de semana inteiro.

JEAN-ÉRIC VERGNE (Verde)3,5 – Não que ele tenha tido um fim de semana horroroso, mas a avaliação se torna bem cruel quando se compara sua atuação com a do colega Daniel Ricciardo. Largando oito posições atrás do companheiro, JEV não tinha muito o que fazer durante a corrida. Ainda foi bastante prejudicado quando Mark Webber atropelou seu carro, danificando o assoalho. Mesmo assim, terminou à frente dos dois caras da Williams.

VALTTERI BOTTAS (Verde)4 – No descalabro em que todos os pilotos estreantes dessa temporada se encontram, até que o finlandês da Williams conseguiu ter um razoável GP chinês. OK, ele largou lá atrás e terminou longe dos pontos, mas fez o que tinha de fazer. Escapou do Q1 na qualificação, não cometeu erros e conseguiu ultrapassar Pastor Maldonado nas últimas voltas. Jules Bianchi à parte, vem sendo o mais interessante dos novatos até aqui.

PASTOR MALDONADO (Verde)2,5 – De bom, apenas o fato de ter terminado sua primeira corrida na temporada. Durante os treinos, só pedreira. 14º no grid de largada, sem um carro ultraveloz e sem aquele ímpeto assassino característico de seus dois primeiros anos, o ex-chavista esteve sumido na corrida. Sofreu com os pneus durante todo o tempo e ainda foi ultrapassado por Valtteri Bottas no final da prova.

JULES BIANCHI (Verde)5 – Já deixou de ser uma surpresa. Em Shanghai, foi durante todo o tempo o mais veloz dos pilotos das equipes pequenas. Meteu oito décimos no companheiro Max Chilton no treino classificatório e se não fosse por um erro na volta mais rápida, poderia ter ficado mais perto da Sauber de Esteban Gutiérrez. Na corrida, penou com os pneus e passou um tempão atrás da Caterham de Charles Pic. Recuperou-se no final, mas teve de cuidar dos pneus, que se desgastaram rapidamente. Dia difícil, mas o resultado foi bom.

CHARLES PIC (Verde)4 – Teve uma sexta-feira pouco movimentada: entregou o carro ao lamentável Qing Hua Ma no primeiro treino livre e teve um problema hidráulico no segundo. Sem tanta quilometragem, ficou atrás até mesmo de Max Chilton no grid de largada. Até que o domingo foi aceitável. Largou bem e ultrapassou Jules Bianchi logo no começo. Poderia ter terminado à frente do compatriota, mas foi superado no último pit-stop.

MAX CHILTON (Verde)3 – Num fim de semana no qual a Caterham parecia não ter chance alguma contra a Marussia, o inglês tinha obrigação de ter andado ao menos na rabeira do companheiro Jules Bianchi. Pois isso não aconteceu. Na sexta-feira, praticamente não pilotou no segundo treino devido a um problema de motor. No sábado, graças ao carro, escapou da última fila. No domingo, foi superado por Charles Pic, mas ainda permaneceu à frente de Giedo van der Garde

GIEDO VAN DER GARDE (Verde)2,5 – Lanterninha desse início de temporada, o holandês sofreu com os pneus durante todo o tempo. Na sexta-feira, sambou para lá e para cá com o precário carro da Caterham e ainda teve problemas com o KERS. Só não ficou em último no grid porque Mark Webber foi penalizado. No domingo, fez uma ótima largada e só. Sempre pagando pecados com os pneus, não conseguiu sequer ameaçar Max Chilton.

NICO ROSBERG (Verde)4 – O vencedor do GP da China do ano passado foi feliz apenas no primeiro treino livre, onde foi o mais rápido. No terceiro treino livre de sábado, andou pouco devido a um problema hidráulico. No treino oficial, poderia ter conseguido um lugar na primeira fila ao lado do companheiro Lewis Hamilton, mas errou na volta rápida e ficou apenas em quarto. A corrida foi uma lástima. Nico largou mal, teve muitos problemas de pneus e a suspensão foi para o saco logo após o segundo pit-stop. O resultado foi o abandono, o segundo em três corridas.

MARK WEBBER (Verde)1 – Parece que o novo corte de cabelo só lhe trouxe problemas. Pelo visto, o australiano segue imerso em seu inferno astral. A Red Bull cometeu um erro primário no Q2 da classificação, deixando o carro nº 2 sem gasolina o suficiente para conseguir sequer retornar aos boxes. Penalizado, Webber foi obrigado a largar dos boxes. A corrida, que já não prometia muito, acabou na volta 15 após uma bobagem espúria do piloto australiano, que atropelou o carro de Jean-Éric Vergne na volta anterior. Com o bólido em frangalhos, só lhe restou a retirada compulsória.

ADRIAN SUTIL (Verde)2,5 – A partir do Q2 da classificação, tudo começou a dar errado para o piloto alemão. Sempre entre os dez primeiros nos treinos livres, Adrian só conseguiu um mirrado 13º lugar no grid. A corrida foi marcada por dois incidentes ainda nas primeiras voltas. Na primeira delas, Sutil e o companheiro Paul di Resta se tocaram e quase fizeram o chefe Vijay Mallya enfartar. Cinco giros depois, seu carro foi atropelado pelo Sauber de Esteban Gutiérrez. Com a asa traseira estourada, não deu para continuar.

ESTEBAN GUTIÉRREZ (Verde)0 – E o garoto que costumava tirar seus rivais da pista nos tempos da GP2 está de volta! Não sei qual será a melhor atuação de um estreante nesse ano, mas posso dizer que a de Esteban Gutiérrez na China é uma boa candidata à pior. O mexicano nunca conseguiu se encontrar, ficou sempre lá atrás nas tabelas e ainda teve um vazamento de óleo em um dos treinos livres. Sua corrida acabou na quinta volta após o moleque atropelar a traseira do carro de Adrian Sutil. Um erro crasso típico de alguém que ainda está com a cabeça nas categorias de base.

 

GP DA CHINA: A China é um país que todo mundo gosta. Os tibetanos e uigures gostam tanto que estão brigando pela independência há pelo menos quatro décadas. Os empresários e comerciantes dos outros países também acham o máximo quando uma família chinesa aparece, abre uma lojinha operada por semiescravos, pratica dumping e quebra toda a concorrência. Muitos fabricantes de bens de consumo também dão pulos de alegria quando são obrigados a competir contra empresas que produzem quinquilharias baratíssimas às custas de mão-de-obra escrava. Os governos brilham os olhos quando descobrem que sua dívida externa galopante pertence aos chineses, como é o caso da empolgadíssima Grécia. Não é à toa que um país extremamente popular como esse seja alvo de um esporte igualmente popular como a Fórmula 1, comandada pelo altruísta Bernie Ecclestone. Realizado desde 2004, o GP da China é uma das corridas mais admiradas pelos fãs do esporte. O circuito de Shanghai é conhecido pela sua extrema criatividade, com suas retas e curvelas de segunda marcha. Destaque para o cenário, muito bonito, ainda mais quando uma névoa cinza resultante da poluição irrompe o autódromo. O sucesso do evento pode ser percebido pelos enormes clarões em várias de suas arquibancadas. Afinal de contas, os chineses gostam e entendem muito de automobilismo – como não se esquecer do sujeito que, em 2004, afirmou que a Ferrari pintava seus carros de vermelho para dar sorte? Para nós, latino-americanos que moramos do outro lado do globo, o GP da China não poderia acontecer num horário melhor, quatro da madrugada. Por isso que essa etapa sempre registra os maiores níveis de audiência televisiva do ano. Por todos esses motivos, confesso a vocês que estou muito ansioso pela corrida. Só que não.

GRIPE: Como se não bastasse o sujeito ter de sair da confortável Europa para desembarcar em uma cidade inchada, poluída, confusa e estranha, ele ainda terá de se preocupar com a possibilidade de contrair o vírus H7N9, responsável pela versão mais mortal da gripe aviária. Nesses últimos quinze dias, um surto da doença, que muitos imaginavam só ser causada por outras variedades de vírus, tem assombrado os chineses e o mundo. Até agora, 38 casos da gripe aviária assassina foram registrados na China, sendo que dez dos desafortunados contaminados acabaram passando dessa para melhor. A última morte registrada até aqui ocorreu, veja só, em Shanghai: um velhinho de 74 anos não resistiu aos sintomas e faleceu ontem num hospital da cidade. Não é a primeira vez que a Fórmula 1 tem essa sorte de entrar num país afetado por alguma epidemia mortífera. Em 2003, os pilotos disputaram o GP da Malásia enquanto o vírus H5N1 tocava o terror no sudeste asiático. Em 2009, o GP da Espanha foi realizado durante os dias em que o país registrava os primeiros casos da famosa gripe suína na Europa. Qual é a explicação? Pode ser que a cara bonita de Bernie Ecclestone traga uma energia tão negativa que a natureza reage causando tragédias nos países que recebem o baixinho asquenaze. Ou pode ser que o mundo simplesmente esteja acabando.

RED BULL: Antes do GP de San Marino de 1989, os dois pilotos da McLaren, Ayrton Senna e Alain Prost, combinaram que o sujeito que completasse a primeira curva na frente não seria ultrapassado pelo outro até o final. Acordo de cavalheiros, sem qualquer formalidade. Na primeira largada, tudo bem, Senna manteve a liderança, Prost ficou logo atrás e tudo seguiu na maior normalidade até o acidente de Gerhard Berger, que anulou a corrida. Na segunda largada, Prost largou melhor e ultrapassou Senna nos primeiros metros. O brasileiro não se conformou e deu o troco logo na Tosa, apenas alguns segundos depois. A atitude de Ayrton foi uma clara quebra do acordo feito entre os dois horas antes. Prost ficou furioso com seu comportamento e os dois colegas se transformaram em inimigos mortais. Vinte e três anos depois, situação análoga se passa na Red Bull Racing. Mark Webber e Sebastian Vettel, líderes do GP da Malásia, são ordenados a tirarem o pé do acelerador nas últimas voltas. O australiano obedece, mas o alemão ignora e ultrapassa o colega, roubando-lhe a vitória. Enfurecido, o sempre falastrão Webber abriu o berreiro: disse que repensaria algumas coisas na sua vida, que a relação entre os dois pilotos voltou a ficar estremecida e que discutirá com a equipe sobre o que pode ser feito. No fim das contas, ele não mandou nenhuma carta-bomba a Vettel, não abandonou a equipe e sua única novidade foi um novo corte de cabelo. Já Vettel demonstrou que não está nem aí: disse que faria de novo se pudesse e ainda justificou que a ultrapassagem se tratava de uma pequena vingança contra um cara que não havia colaborado com ele em outros momentos. Teremos guerra. Lá na península coreana e também em Milton Keynes.

ALONSO: As pessoas não só o odeiam, mas também amam odiá-lo. E dá para entender o porquê. No melhor estilo Alain Prost, o Desbocado das Astúrias faz muitos rirem e outros tantos rangerem seus dentes de fúria com declarações que beiram o absurdo. Desconfio que ele faça tudo isso de propósito, pois sempre dá para capitalizar com a imagem de vilão da Fórmula 1. Quando um jornalista lhe perguntou sobre o que achava da polêmica envolvendo os dois pilotos da Red Bull, Fernando Alonso respondeu que “você é jornalista e, portanto, não vai à redação para pintar as paredes porque não é um pintor. Todos temos nossas funções e precisamos respeitá-las o tempo todo”. Falou isso obviamente porque é o primeiro piloto de uma equipe que faz de tudo e mais um pouco para o primeiro piloto. Mas o melhor foi quando lhe perguntaram sobre o quanto o bom desempenho de Felipe Massa o incomodava. “Estou muito estressado. Não durmo desde a Austrália, só venho comendo arroz branco e meu cabelo está caindo. Um tremendo drama”, ironizou o Humorista das Astúrias. Depois, falou o de sempre: não toma meio segundo de ninguém, os treinos classificatórios das duas primeiras corridas foi uma bagunça e certamente voltará a derrotar todo mundo. Eu gosto de gente que irrita. Gosto de gente que fala coisas absurdas, que choca. Sem elas, o mundo não teria a menor graça. Se vocês soubessem o que falei quando me apresentei no meu primeiro dia de aula da faculdade, esse blog perderia a maioria das suas leitoras.

MA: Se Qing Hua fosse bom, ele certamente se chamaria Qing Hua Bom, e não Qing Hua Ma. Gostou da piada? Que bom que não. O piloto chinês, cujo único título na vida foi o do campeonato chinês de carros de turismo 1600cc, fez sua estreia como piloto-reserva da Caterham no primeiro treino livre do GP da China. Deu vinte voltas, teve um pequeno problema eletrônico no final da sessão e obteve o tempo de 1m43s545. O que isso significa? Que ele ficou a 6s8 do tempo de Nico Rosberg e a 1s5 do penúltimo colocado, seu colega Giedo van der Garde. A situação é indefensável. Ma não é um completo novato: já fez quatro sessões de sexta-feira com o carro da HRT, está competindo na GP2 e já participou de corridas na A1GP e na Fórmula 3. Ainda que sua carreira tenha tido várias idas e vindas e os testes na HRT não contem muito, não dá para dizer que seja o caso de um piloto cuja incapacidade possa ser resolvida com mais experiência. Qing Hua Ma é o típico cara que jamais chegaria perto de um bólido de corrida se não tivesse a grana que tem, um Ricardo Teixeira de olhos puxados, um Giancarlo Serenelli que come gafanhoto frito. Na GP2, ele tomou a vaga do ótimo Alexander Rossi unicamente por causa da carteira. Em tempos mais sadios, a Fórmula 1 jamais daria bola a alguém como ele. Mas como não vivemos tempos sadios e a categoria ruma à falência, é bem possível que Qing Hua Ma seja efetivado qualquer dia desses.

Nesta onda de aposentadorias que assola o automobilismo de ponta, quem parece estar com pé e meio no asilo é Ralf Schumacher. Ralf Schumacher, lembra-se dele? O irmão mais jovem, mais gorducho, mais antipático e muito melhor casado de Michael Schumacher. Aquele que correu pela Williams durante um bom tempo, ganhou seis corridas e não deve ter juntado mais do que meia dúzia de fãs. Aquele que todo mundo aqui no Brasil jurava ser, como dizem os portugueses, um “paneleiro”. Aquele que era gordo, branquelo e estranho quando criança. Aquele, aquele mesmo.

O Schumacher que funciona pela metade fez sua última corrida na atual temporada da DTM no fim de outubro, em Hockenheim. Terminou em nono e levou os dois últimos pontinhos de sua vida para casa. No campeonato, ele ficou apenas em 17º. Entre seus companheiros de Mercedes, ele superou apenas a graciosa Susie Wolff e o novato Roberto Mehri. Ralf está no DTM desde 2008. Em 52 corridas, ele conseguiu dois pódios e 46 pontos, uma verdadeira miséria.

Ralf Schumacher é um dos pilotos mais controversos dos últimos vinte anos. Não por ter feito coisas pouco louváveis, como seu irmão mais velho, mas por simplesmente suscitar altas discussões sobre seu real talento. Os defensores alegam que o alemão teve algumas ótimas temporadas na Fórmula 1 e ganhou mais corridas do que muito piloto celebrado por aí. Além disso, seus resultados nas categorias de base são muito bons, como o título na Fórmula Nippon em 1996. É verdade. Os detratores, grupo no qual sou sócio de carteirinha, dizem que ele é chato, feio, bobo, desastrado, irregular e só conseguiu seus resultados por causa de carros muito bons. Quando a coisa ameaçava ficar feia, Ralf arregava.

Para provar meu ponto de vista, que sempre está certo, escrevo um Top Cinq contando cinco grandes momentos de Ralf Schumacher na Fórmula 1. Foi uma lista difícil de fazer, esta daqui, pois Ralf teve vários pequenos incidentes em sua carreira. Coloquei aqui os mais chamativos, aqueles que fizeram seus fãs colocar as mãos na testa e se perguntar o porquê de torcer por tamanha capivara. OK, nem todos aqui foram sua culpa, mas eu nunca perderia uma oportunidade de apontar o dedo e gritar “só podia ser o Ralf”.

5- GP DA ARGENTINA DE 1997

 

Terceira corrida da temporada de 1997, Ralf Schumacher era um dos pilotos mais observados por todos por várias razões. A mais óbvia delas era seu parentesco com Michael Schumacher, que tomou uísque com Eddie Jordan alguns meses antes para garantir que o irlandês contratasse seu irmão menor para ser companheiro de Giancarlo Fisichella. Além disso, pilotando o carro da Jordan, Ralf era talvez o estreante com melhores condições de brilhar. Por isso, ele era uma das boas atrações daquele início de temporada.

Ralf não fez muito nas duas primeiras corridas, largando no meio do bolo e abandonando com problemas. A terceira corrida foi realizada em Buenos Aires, capital mundial do alfajor e daquela presidenta irresponsável do cacete. Melhor adaptado ao seu carro amarelado, Schumacher apareceu bem nos treinamentos e conseguiu um ótimo sexto lugar no grid a despeito de uma rodada na qualificação. O companheiro Fisichella largaria três posições atrás.

A largada foi um grande rebuceteio. O pequeno Schumacher largou mal pra caramba, perdeu algumas posições e quase se viu envolvido no toque entre seu irmão Michael e Rubens Barrichello. Para escapar, Ralf jogou o carro para a direita sem olhar no retrovisor e acertou em cheio o pobre do David Coulthard, que ficou sem a roda e teve de abandonar. O alemão seguiu em frente sem qualquer problema.

Ralf teve um início de corrida competente, até. Fez boas ultrapassagens sobre Damon Hill e Johnny Herbert, embora tenha tomado o troco desse último. Com os pit-stops e os abandonos, ele foi ganhando posições. Na volta 25, o irmãozinho já era o terceiro colocado. Logo à sua frente, o companheiro Fisichella. Naquela altura, Ralf estava mais rápido e tinha condições de tentar a ultrapassagem.

Pois foi nesse momento que a anta cometeu seu primeiro de muitos erros na carreira. Ralf tentou uma ultrapassagem completamente improvável, Fisichella corretamente fechou a porta, o alemão não aliviou e o resultado foi o toque. O carro do italiano rodou e ficou atolado na brita. Ralf seguiu em frente, sobreviveu a uma prova cheia de abandonos e terminou no pódio, seu primeiro na Fórmula 1.

Mas o clima esquentou na Jordan, obviamente. Os dois jovens pilotos, cujos santos não haviam batido logo que se conheceram, romperam relações definitivamente após o ocorrido. Fisichella, com toda a razão, ficou ensandecido. “Todo mundo viu o que aconteceu. Ralf me pediu desculpas e admitiu o erro. Fiquei puto, mas já conversamos e vamos discutir mais em Silverstone na próxima terça-feira”. Nós te entendemos, Giancarlo. Outros pilotos te entenderiam posteriormente.

4- GP DE LUXEMBURGO DE 1997

 

Quem nunca teve problemas com os irmãos? Somente os filhos únicos, que monopolizam as atenções do papai e da mamãe, não sabem o que é isso. De fato, irmãos podem ser uma merda quando pegam suas coisas sem pedir, comem sua comida, tomam a televisão para eles, enchem o saco ou te impedem de conquistar um título de Fórmula 1. O heptacampeão Michael Schumacher poderia ter sido octacampeão se Ralf Schumacher não estivesse em seu caminho. E sabe o que é pior? Nem foi culpa do garoto. Mas é sempre mais fácil ralhar com quem é sangue do seu sangue.

No GP de Luxemburgo, ironicamente realizado na pista alemã de Nürburgring, Ralf Schumacher estava cheio das boas expectativas. Correndo em casa, ele queria deixar uma impressão positiva à torcida local e sabia que tinha carro para isso. Nos treinos livres e no treino oficial, tudo correu dentro dos conformes e Ralf logrou o oitavo lugar no grid. Um bom resultado em termos absolutos, mas uma grande decepção em comparação ao companheiro Giancarlo Fisichella, que largaria da quarta posição.

1997 foi um ano pródigo em largadas complicadas e as coisas não poderiam ter sido diferentes em Nürburgring. Os dois pilotos da Jordan começaram a corrida luxemburguesa de maneiras opostas: enquanto Fisichella demorava a tracionar e largava pessimamente, Ralf avançava como um jato e engolia Gerhard Berger e Michael Schumacher logo nos primeiros metros com a tranquilidade de um monge. Mas o espetáculo ficou reservado para a primeira curva.

Ralf chegou ao S da Castrol ensanduichado entre Fisichella e Michael Schumacher. No início da tomada da curva, o italiano tentou meter seu carro pela zebra do lado direito com a intenção de ultrapassar os dois alemães de uma vez só. Foi uma ideia tão idiota quanto a do próprio Ralf na Argentina, pois não havia espaço algum para isso. Fisico acabou ficando sem espaço e atropelou o carro do companheiro, que rodou e acertou em cheio a Ferrari do irmão. Os dois Schumachers foram para a caixa de brita e Ralf acabou ficando por lá. Michael abandonou poucas voltas depois, com a suspensão em frangalhos.

A culpa não foi de Ralf Schumacher, é claro. O próprio Michael, após a corrida, se preocupou em defendê-lo: “Não acho que haja alguém para culpar, pois não foi um acidente deliberado”. Até aí, tudo bem. No entanto, já li em mais de um lugar que o clima entre os dois não ficou tão bom assim após o acidente, ainda mais quando se sabe que o ferrarista perdeu o título para Jacques Villeneuve por três pontos. Os dois teriam ficado um bom tempo sem se falar por causa disso, pois Michael ainda acreditava que se aquele pirralho não estivesse ao seu lado, daria para ser campeão. Pobre Ralf: está errado até mesmo quando não está.

3- GP DOS ESTADOS UNIDOS DE 2002

 

Esse daqui é um dos meus momentos favoritos na década passada. A Williams tinha um carro muito bom, um motor BMW melhor ainda, patrocinadores fortes e moral. Faltava apenas uma dupla de pilotos sensata, algo impossível quando você tem Ralf Schumacher e Juan Pablo Montoya à disposição. Embora este Top Cinq seja uma homenagem às melhores corridas de Ralf, é bom falar algumas pequenas coisas bonitas sobre o colombiano Montoya, uma besta adiposa que provavelmente só andava muito rápido por não ter massa cinzenta em boa quantidade dentro da caixa craniana. Eram esses dois aí os responsáveis pela condução do FW26.

A penúltima corrida da temporada de 2002 foi o GP dos Estados Unidos, realizado numa das melhores pistas que já existiram na Fórmula 1, o misto de Indianápolis. A combinação entre uma velocíssima curva inclinada e um misto quase tão travado como o de Mônaco foi das melhores coisas que já inventaram para a categoria. Mesmo tendo sido palco de apenas oito GPs, Indianápolis tem várias boas histórias para contar sobre a categoria europeia.

Na edição de 2002, a Williams não estava com grandes ambições. Seus dois pilotos não poderiam almejar nada mais do que vitórias nas duas últimas corridas e um improvável vice-campeonato, que estava nas mãos de Rubens Barrichello. Como Montoya e Ralf se odiavam e ambos estavam separados por dois estúpidos pontos no campeonato, um não cederia um mísero centímetro para o outro ao lado.

Foi um fim de semana tenso, aquele. Ralf foi o mais rápido nos dois treinos livres, mas Montoya acabou se saindo melhor no treino oficial. No grid, o colombiano ficou em quarto e o alemão ficou logo atrás, com um tempo dois décimos mais baixo. No warm-up realizado algumas horas antes da largada, os dois foram mal, mas Montoya ainda ficou cinco posições à frente.

Largada. Montoya não largou mal, mas Ralf se saiu melhor e ganhou a quarta posição na primeira curva. O colombiano, sempre nervoso, não desistiu e comboiou o companheiro durante toda a primeira volta. Na curva do oval, Juan Pablo grudou na traseira de Schumacher, que fechou o lado direito e obrigou o latino a seguir pela esquerda no retão dos boxes. Os dois avançaram lado a lado rumo à primeira curva. O que será que aconteceria?

Montoya tentou fazer a ultrapassagem por fora na primeira curva, mas Ralf não quis permitir tal ousadia, freando o mais tarde possível. A traseira de seu Williams nº 5 escorregou e o alemão acabou rodopiando. Sobrou para quem? Sim, é isso mesmo: Juan Pablo Montoya de la Serna foi o contemplado. Os dois acabaram se chocando e escapando pela grama. Montoya seguiu em frente intacto, mas o carro de Ralf perdeu a asa traseira e o alemão teve de ir para os pits colocar uma peça nova.

A Williams adorou, só que não. Enquanto Patrick Head arrancava os poucos cabelos que lhe haviam sobrado, os mecânicos corriam para lá e para cá como baratas tontas, sem saber se deveriam se preparar para consertar algum dos carros ou simplesmente dar cabeçadas na parede. Ralf entrou nos boxes, colocou a tranqueira da asa nova, voltou para a pista e terminou numa desonrosa 16ª posição. Essa não foi a última vez que Ralf Schumacher teve um GP dos Estados Unidos difícil. É o sonho americano.

2- GP DO JAPÃO DE 2003

(1:43)

Apesar do nome, Ralf Schumacher era um cara que não fazia nada pela metade. Quando andava bem, não tinha pra ninguém. Mas quando as coisas davam errado, não havia feitiço que desse jeito. Tinha fim de semana que começava mal já na abertura dos portões do autódromo na sexta-feira e terminava mal na saída do autódromo na noite de domingo. Um bom exemplo disso foi o GP do Japão de 2003, etapa derradeira daquele ano.

Naquele GP nipônico, a única coisa que Ralf Schumacher poderia fazer de relevante seria ajudar a Williams a ser campeã de construtores. O piloto não tinha mais chance alguma de ser campeão, mas a equipe estava apenas dois pontos atrás da líder Ferrari. As possibilidades eram boas, mas Ralf e Montoya precisariam acertar o passo e pedir aos deuses que todas as pragas possíveis assolassem os boxes ferraristas.

O carro da Williams estava bom em Suzuka e Ralf conseguiu liderar dois treinos livres. Na primeira sessão classificatória, que definia a ordem de entrada na pista no treino de definição do grid de largada, o cabra foi o segundo mais rápido. Portanto, ele seria o penúltimo a fazer sua volta rápida no treino principal e poderia pegar uma pista mais limpa e mais veloz. Isso, obviamente, se não chovesse. Mas choveu.

Choveu forte e na pior hora possível, quando faltavam apenas alguns poucos pilotos marcarem suas voltas rápidas, entre eles Ralf. Quando chegou sua vez, a água caiu ainda mais forte e o cara escapou do traçado, arruinando por completo sua volta e sendo obrigado a largar da última fila. Aí ficou difícil. Ele só conseguiria fazer algo de bom se fosse Ayrton Senna, mas este não era o caso.

O domingo foi um dia bem difícil para ele. Na largada, Ralf partiu bem e até ganhou algumas boas posições, mas caiu lá para trás novamente após rodar sozinho na chicane na segunda volta. Persistente, ele remou, remou, remou… e errou novamente! Na nona volta, ele atropelou a Sauber de Heinz-Harald Frentzen na chicane. Frentzen abandonou logo depois, mas Ralf seguiu em frente. Um dia, ele aprende a fazer essa chicane direito.

Um dia, mas não aquele. Ao retornar de seu terceiro pit-stop, Ralf voltou atrás dos carros de Cristiano da Matta e Michael Schumacher. Com um carro muito mais veloz, o piloto da Williams começou a atacar seu irmão com voracidade. Michael, por sua vez, pressionava Da Matta pensando em não deixar o título ir embora de forma alguma. Na volta 41, quase que a corrida acabou para os três naquela maldita chicane.

Schumacher quis frear mais tarde do que deveria e acabou perdendo o ponto de freada. Para não bater em Cristiano, ele jogou o carro para a esquerda e desabou o pé sobre o pedal do freio. Nisso, o pobre Ralf Schumacher tentou ir pela direita, percebeu que era tarde demais, esterçou para a esquerda, perdeu o controle, tocou a asa dianteira na roda da Ferrari e passou reto na chicane como um tiro. Nada aconteceu no carro de Michael Schumacher, que seguiu até o fim e ganhou seu sexto título mundial, mas seu irmão caçula teve de ir para os pits colocar um bico novo. Dessa vez, Ralf não conseguiu estragar a festa, mas faltou pouco.

1- GP DA CHINA DE 2004

(4:25)

Aqui, não se trata de um acidente absurdo ou coisa do tipo, mas de um bom exemplo da personalidade difícil do filho mais novo de Rolf e Elizabeth Schumacher. No geral, quando alguma coisa fora de seu controle dá errado, você tem duas soluções principais: mandar todo mundo tomar naquele lugar ou respirar fundo e seguir em frente. No GP da China, o agradável Ralf Schumacher escolheu a primeira opção sem pestanejar.

Ralf desembarcou em solo chinês meio zureta, reflexo daquele acidente medonho sofrido em Indianápolis alguns meses antes. Inspirado, liderou um dos treinos livres e não comprometeu nos demais. No treino de classificação, foi bem e ficou em quinto, cinco posições à frente do companheiro Juan Pablo Montoya. Será que a pancada no cocuruto e nas costas fez bem a ele?

A princípio, sim. Embora não tenha largado bem, Ralf conseguiu fazer um bom início de corrida, ganhou posições e até liderou uma voltinha. Após o segundo pit-stop, o alemão retornou na sétima posição e tinha David Coulthard em seu encalço. O escocês, que vinha numa temporada horrível, não freou direito e acertou a traseira da Williams com vontade. Um dos pneus do carro de Ralf foi pro beleléu e ele teve de ir aos pits para colocar um novo.

No curto caminho para os boxes, o carro cambaleava tanto que Ralf parecia estar totalmente embriagado. Na hora de fazer aquela curvinha apertada à esquerda, o carro até rodopiou, mas o alemão conseguiu voltar ao caminho normal. Ao se aproximar dos pits da Williams, uma grande e desagradável surpresa.

A equipe já estava preparada, mas não para ele. Juan Pablo Montoya estava chegando para fazer seu pit-stop na volta seguinte. Os mecânicos imaginavam que como a corrida de Ralf Schumacher havia sido prejudicada pelo acidente com o Coulthard, o negócio era investir tudo no colombiano. Então, eles simplesmente largaram o piloto alemão no canto enquanto esperavam pela chegada de Montoya. Após o trabalho com JP ser feito, aí, sim, o foco voltaria a ser o problema de Ralf.

E ele ficou lá parado nos boxes enquanto a corrida prosseguia a mil. Após o pit-stop de Montoya ser feito, os mecânicos correram para tentar fazer alguma coisa por Ralf Schumacher, que já tinha perdido duas voltas. A Williams acreditava que, embora fosse difícil, dava para voltar para a pista, tentar ficar na pista até o fim e rezar pelo abandono de alguns caras à frente.

Mas o irritado Ralf não quis saber. Contrariando a vontade da equipe, ele simplesmente desceu do carro, entrou nos boxes e ficou de biquinho. Para ele, não compensava voltar à pista para ficar andando lá atrás. Nesse caso, estou totalmente de acordo com a Williams: a corrida só termina quando acaba e tudo é possível, até mesmo a zona de pontos. Ralf poderia ter sido um pouco mais profissional e respeitoso com os mecânicos, que estavam desesperados e sem saber o que fazer para tentar fazê-lo voltar à pista perdendo o mínimo de tempo possível.

O abandono proposital de Ralf Schumacher gerou um clima ruim na Williams, que até cogitou a possibilidade de demiti-lo no ato. Mas nada aconteceu e o alemão ainda fez as duas últimas corridas de 2004 pela equipe inglesa antes de bandear para a Toyota. Desnecessário dizer que ninguém por lá sentiu falta dele. Desnecessário dizer que ninguém na Fórmula 1 sente falta dele.

MERCEDES9 – Veja só. Há apenas alguns dias, vazou uma informação de que alguns acionistas da Daimler estavam muito insatisfeitos com o desempenho da equipe e queriam tirá-la da Fórmula 1 para economizar um pouco. De repente, Nico Rosberg e Michael Schumacher voam nos treinos, abocanham a primeira fila e ganham a primeira corrida desta nova era da Mercedes. Nico, que obteve seu primeiro sucesso na Fórmula 1, liderou quase que de ponta a ponta e não teve problemas com desgaste de pneus. A escuderia só não leva dez porque seu mecânico não conseguiu colocar corretamente uma roda no carro de Schumacher, que acabou abandonando a prova. Graças a isso, não houve dobradinha. Mas Stuttgart foi dormir feliz.

MCLAREN9 – Ainda é a equipe do ano até aqui. Lewis Hamilton poderia ter vencido se não tivesse tido de trocar a caixa de câmbio ainda antes da sexta-feira. Mesmo assim, andou o mais rápido que podia e terminou em terceiro. Jenson Button, sempre sortudo e sempre muito eficiente, largou em quinto e terminou em segundo. Com exceção do próprio Rosberg, todos os que largaram à frente do Sr. Michibata se deram mal – é um verdadeiro iluminado. O carro continua exemplar e somente um problema no terceiro pit-stop de Button conta negativamente para a equipe de Woking.

RED BULL6,5 – Precisará melhorar um bocado se quiser ao menos retornar ao patamar de 2009. Sebastian Vettel e Mark Webber utilizaram escapamentos e estratégias diferentes durante o fim de semana, mas os resultados foram parecidos: um terminou em quarto e o outro em quinto, tendo perdido um pódio certo nas últimas voltas. Webber andou constantemente mais rápido que Vettel, mas pode não ter se dado bem por causa da parada a mais e também graças aos seus instintos de piloto de avião. Vettel apostou em duas paradas para se recuperar do péssimo primeiro lugar do sábado e passou perto do segundo lugar. O RB8 definitivamente não é o melhor carro. Quiçá, nem o segundo melhor.

LOTUS7 – Na sexta-feira, estava usando um carro da HRT. No sábado, percebeu a cagada, arrendou dois carros da Mercedes e os pintou de preto e dourado. Qual outra explicação seria mais razoável para o desempenho tão diferente de um dia para outro. Kimi Räikkönen pôs fim a uma desagradável tendência de largar atrás do companheiro Romain Grosjean e fez um ótimo quarto tempo no treino oficial. Na corrida, o finlandês vinha andando em segundo até seu pneu virar fóssil e todo mundo passar tranquilamente pelo seu Lotus. O outro carro, de Grosjean, se comportou melhor e chegou em sexto, dando ao cara seus primeiros pontos na Fórmula 1. O carro é muito bom, mas que tal um fim de semana sem encrencas?

WILLIAMS7,5 – Ainda bem que a sombra de 2011 ficou para trás. O FW34 é um carro muito bonito e ainda é muito constante. Faltou, sim, ser mais ligeiro no treino oficial, porque monopolizar a sétima fila nunca é algo animador. Mas Pastor Maldonado e Bruno Senna se recuperaram aproveitando da regularidade do bólido para fazer duas paradas sem perder tanto terreno. Os dois subiram um bocado de posições e marcaram pontos. Nem me lembro qual foi a última vez que dois Williams terminaram na zona de pontuação. A propósito, já falei que o carro é muito bonito?

FERRARI2,5 – Nossa Senhora das Astúrias… Ninguém esperava bulhufas de Felipe Massa, que simplesmente perdeu qualquer traço da competitividade que ele tinha até 2009. O problema é ver Fernando Alonso, até então líder do campeonato, sofrendo no treino classificatório e na corrida. Ele até tentou as estripulias de sempre, mas não conseguiu recuperar posições mesmo tendo pneus bons por mais tempo e ficou apenas em nono. Massa fez sua não-corrida de sempre e terminou o dia como o único piloto das equipes normais a não ter marcado pontos ainda. O que a Ferrari está esperando para tomar uma atitude?

SAUBER3,5 – Com essa montoeira de pit-stop, eu costumo me perder na hora de analisar as estratégias dos pilotos. Mas fica claro que a Sauber complicou a vida de seus dois pilotos sabe-se lá como. Não que Kamui Kobayashi e sua largada deprimente tenham ajudado, mas sair de Shanghai tendo marcado apenas um ponto com o japonês é muito pouco. O novo astro Sergio Pérez até largou melhor, mas teve problemas com os pneus e com o tráfego e terminou fora dos pontos. Os dois ainda protagonizaram o momento mais arrepiante da prova, com Pérez fechando Kobayashi a trezentos e tantos por hora na grande reta. Depois do céu malaio, Shanghai foi uma verdadeira estadia no purgatório.

FORCE INDIA2,5 – Sabe de uma coisa? Eu achava que Paul di Resta e Nico Hülkenberg formavam uma dupla muito promissora, mas o que vi até aqui foi uma equipe conservadora e até meio chata de se ver. O burocrático Di Resta, que não entusiasma nem os britânicos, foi o melhor neste fim de semana, mas não marcou pontos. Hülkenberg, a meu ver mais promissor, foi ainda pior e mal conseguiu andar entre os quinze primeiros. Fica claro, também, que o carro não é aquela maravilha. Não é feio, mas briga com a Toro Rosso pelo posto de pior bólido das equipes normais.

TORO ROSSO2 – Esta é outra que parece ter errado a mão no carro. Daniel Ricciardo e Jean-Eric Vergne são dois pilotos interessantes, mas nenhum deles conseguiu fazer o STR7 andar na China. Ricciardo ainda andou melhor no treino, mas Vergne deu um banho na corrida, com direito a ter marcado a segunda melhor volta da prova. No fim, tudo isso significou o 16º e o 17º lugares na classificação final.

CATERHAM3 – Segue na sua vida medíocre de sempre. Na verdade, o resultado final não foi muito diferente do de Sepang. Heikki Kovalainen e Vitaly Petrov continuaram naquela de andar muito à frente de HRT e Marussia e muito atrás do resto. Petrov voltou a terminar à frente, mas unicamente porque não teve os problemas do companheiro de equipe. Kovalainen até vinha fazendo um papel bacana, andando no meio do pelotão durante alguns instantes, mas o carro teve todos os problemas de pneus do planeta e restou a ele ficar atrás até mesmo da HRT. Isso mesmo, dos dois carros da HRT!

MARUSSIA4 – Confesso que a Marussia vem me agradando mais que a Caterham neste início de temporada. Dentro de suas enormes limitações, a equipe russa vem fazendo aquilo que se espera dela: quase nada, isto é, andar à frente da HRT sem problemas e incomodar a Caterham vez ou outra. Na corrida, isso chegou a acontecer, mas não por muito tempo. De qualquer jeito, Timo Glock e Charles Pic não tiveram grandes pepinos e terminaram em 19º e 20º. Não foi o resultado dos sonhos, é claro, mas foi o melhor que deu para entregar.

HRT4 – Não consigo pensar em outra nota. Avanço houve, pois nem mesmo o dalit Narain Karthikeyan sofreu para se qualificar. Os problemas patéticos que afetaram os F112 nas duas primeiras corridas não retornaram e tanto Narain como Pedro de la Rosa tiveram um fim de semana sem sobressaltos. As novidades aerodinâmicas apareceram, mas fizeram alguma diferença a olho nu? No mais, os dois largaram, não incomodaram ninguém e terminaram. É a HRT calando a boca de quem achava que ela nem participaria das provas pelo terceiro ano seguido.

TRANSMISSÃOAVIÕES DO FORRÓ – O melhor momento da transmissão brasileira foi no sábado, definitivamente. Após um infográfico deixar claro aos espectadores o que era exatamente aquela solução aerodinâmica da Mercedes que havia deixado toda a Fórmula 1 de cabelo em pé, o locutor não titubeou em louvar aquilo que havia feito “um avião voar para trás”. É isso mesmo: Ross Brawn gastou horas e mais horas bolando um negócio simples porém muito engenhoso para a asa traseira para chegar um e dizer que ele fazia o avião voar para trás! A aerodinâmica global agradece. No domingo, sem a companhia do ex-piloto brasileiro, a dupla narrou sem grandes sobressaltos – afinal, isso é coisa do Mark Webber. Talvez a vitória de Keke Rosberg, a primeira desde 1985, tenha emocionado muita gente. E não, não vai batê, não vai batê, não vai batê: nem sempre Lewis Hamilton e Felipe Massa juntos resultam em merda.

CORRIDAUM LUXO – Apesar da pista de Shanghai continuar sendo uma porcaria sonolenta, as corridas que acontecem por lá estão sendo muito divertidas e sou obrigado a dar o braço a torcer. Mesmo que o resultado tenha me irritado profundamente (Rosberg, Vettel e Button andando bem; Schumacher, Kobayashi, Grosjean e Maldonado só nos apuros), não vou dizer que deixei de gostar da prova. Ultrapassagens aconteceram, fechadas aconteceram, disputas roda a roda aconteceram, decolagens aconteceram e a vitória da Mercedes, uma equipe que respeito pra caramba, aconteceu também, embora com o piloto errado. Não dá para reclamar da Fórmula 1 neste início de temporada, convenhamos. O problema é que a diversão vai minguar a partir das próximas etapas, a começar pelo Grande Prêmio de semana que vem, que será realizado em Granada e terá as participações de Timo Glock, Olivier Beretta e Miguel Angel Guerra.

NICO ROSBERG10 – Fez em Shanghai a corrida de sua vida. Não digo isso apenas pela vitória, a primeira de sua já longa carreira na Fórmula 1, mas pela atuação em si, impecável. Sempre veloz em todos os treinos, o filho de Keke Rosberg aproveitou de seu bom retrospecto na China para sentar a bota no treino oficial e marcar sua primeira pole-position na vida. No domingo, contrariou todas as expectativas e venceu com folga. Largou bem, não teve os sérios problemas de consumo de pneus que o prejudicaram nas duas primeiras corridas e pôde até mesmo fazer uma parada a menos. Disse que as últimas trinta voltas pareciam tão longas como as 24 Horas de Le Mans. Não gosto dele, mas mereceu o triunfo.

JENSON BUTTON9,5 – Um desgraçado do caramba. Não há como torcer contra. Isso é, bem que eu tentei no sábado, quando o piloto da McLaren não conseguiu nada além da quinta posição do grid, resultado da punição do companheiro Lewis Hamilton. Mas a sorte deste cara é tamanha que praticamente todos à sua frente se deram mal e ele se encontrou na segunda posição após a primeira rodada de pit-stops. Parecia estar vindo rumo à vitória, pois faria uma parada a mais e teria pneus bons durante mais tempo, mas Nico Rosberg manteve-se surpreendentemente bem na liderança. Ainda perdeu seis segundos no último pit-stop, mas conseguiu segurar o segundo lugar, tremendo de um lucro para uma corrida que complicou a vida de tantos.

LEWIS HAMILTON8 – O rei do terceiro lugar até aqui. Lewis começou o fim de semana já em desvantagem, já que ele perderia cinco posições no grid por ter de trocar a caixa de câmbio. Mesmo assim, não desistiu e foi à batalha. Liderou dois treinos livres, tentou tomar a pole-position de Nico Rosberg no Q3 e não conseguiu, tendo de largar apenas da sétima posição. Partiu bem, fez ultrapassagens e aproveitou bem a estratégia de três paradas. Nas últimas voltas, deixou Sebastian Vettel para trás para obter o terceiro posto pela terceira vez seguida. Com esta fileira de resultados, assumiu a liderança do campeonato de maneira até surpreendente.

MARK WEBBER8 – Neste fim de semana, foi o único a ter utilizado o novo escapamento que a Red Bull tinha preparado para esta corrida. A escolha foi certeira e ele conseguiu ser, em média, três décimos mais veloz que o companheiro Sebastian Vettel. Foi o único de sua equipe a ir para o Q3 e acabou obtendo o sexto lugar no grid, superando Vettel pelo terceiro fim de semana seguido. Apostou em fazer suas três paradas antes do resto dos pilotos e parece ter se dado bem com isso. Chamou a atenção pelo lado positivo (uma bela disputa roda a roda com Kimi Räikkönen) e pelo negativo (que vôo foi aquele?). No fim, terminou uma razoável quarta posição. Não é um aluno genial, mas vem fazendo bem suas lições de casa.

SEBASTIAN VETTEL5 – Ao contrário de Mark Webber, escolheu utilizar o escapamento antigo e parece ter tido problemas com isto. Não andou tão bem nos treinos livres e sequer passou para o Q3, situação inaceitável para alguém em sua posição. Na corrida, apostou em uma estratégia de apenas duas paradas e dois stints longuíssimos com os pneus médios. Parecia ter se dado muito bem até o final da corrida, quando chegou a ocupar a segunda posição. Mas a péssima situação dos pneus cobrou a fatura e ele acabou caindo para o quinto lugar.

ROMAIN GROSJEAN7,5 – Finalmente fez seus primeiros pontos na Fórmula 1. Menos espetacular do que em Melbourne e Sepang, o suíço só conseguiu andar forte pela primeira vez no treino de classificação, quando ficou em décimo. No dia seguinte, foi um dos que apostaram na estratégia de duas paradas para economizar tempo nos pits. Por incrível que pareça, não teve problemas sérios de desgaste de pneus e pôde se meter em boas disputas no final da corrida com os dois pilotos da Williams. Sexto lugar muito bem-vindo.

BRUNO SENNA7,5 – É, sem dúvida, uma agradabilíssima surpresa deste início de campeonato. Não foi tão genial como em Sepang, mas também apareceu muitíssimo bem na China. Mal nos treinos, o brasileiro decidiu apostar em apenas dois pit-stops e acabou subindo um monte de posições entre as voltas 30 e 40. Não conseguiu segurar o sexto lugar dos ataques de Romain Grosjean, mas ainda conseguiu ótimos seis pontos e, neste momento, está numa surpreendente nona posição no campeonato.

PASTOR MALDONADO6,5 – Superou Bruno Senna por meio cabelo de diferença no treino oficial e dividiu a sétima fila com ele. Na primeira volta, perdeu algumas posições e teve dificuldades para se recuperar, não conseguindo mais ficar à frente do companheiro. Mesmo assim, também foi beneficiado pela estratégia de apenas duas paradas e conseguiu subir para a oitava posição, obtendo, assim, seu melhor resultado na carreira até agora.

FERNANDO ALONSO3 – Voltou à realidade de abóbora após a estonteante vitória de Sepang. Na verdade, sua realidade foi até pior do que o esperado. Sofreu para ficar à frente do decadente Felipe Massa no treino oficial e não ficou de fora do Q3 por pouco. Na corrida, apostou em uma estratégia de três paradas achando que ultrapassaria todo mundo facilmente, mas nada disso aconteceu. Quanto tentou ultrapassar Pastor Maldonado por fora, escapou e quase acertou Sergio Pérez ao voltar para pista. Terminou preso atrás do venezuelano e não conseguiu nada além de dois pontos.

KAMUI KOBAYASHI6 – Uma tremenda decepção se considerarmos o inacreditável terceiro lugar no grid. Andou sempre entre os dez primeiros em todos os treinos livres e foi a grande sensação da sessão oficial do sábado. Infelizmente, o domingo foi arruinado por uma péssima largada. A estratégia de três paradas não ajudou muito e ele não ficou de fora dos pontos por pouco. Só pegou o último pontinho porque arriscou o pescoço numa manobra suicida contra o companheiro Pérez na grande reta. Fez a volta mais rápida da prova.

SERGIO PÉREZ4,5 – Fim de semana frustrante para alguém que quase havia vencido a corrida anterior. Chegou a ser o mais veloz do Q1 da classificação, mas só conseguiu o oitavo tempo, cinco posições atrás do companheiro Kobayashi. No domingo, foi relativamente melhor que o japonês, mas não pontuou. Fez uma largada digna e apostou no velho baixo consumo de pneus do carro da Sauber, sendo um dos últimos a fazer seu primeiro pit-stop. Mesmo assim, não conseguiu melhorar muito e foi visto travando pneus e se embolando para segurar carros mais rápidos. Tentou fechar Kamui Kobayashi na grande reta, mas não conseguiu segurar a décima posição e ficou de fora dos pontos.

PAUL DI RESTA4 – Num dia em que Nico Rosberg deu show, alguém tinha de fazer o papel de mosca-morta do grid. Pode-se dizer que o escocês é bastante apto para esta função. No treino oficial, não fez mais do que superar o companheiro Nico Hülkenberg, outro que preza pelo conservadorismo. O dia seguinte foi apenas correto e Di Resta empreendeu sua estratégia de duas paradas enquanto esperava ganhar algumas posições e até mesmo um ou outro ponto. Não deu certo e ele ficou apenas em 12º.

FELIPE MASSA1,5 – Está numa fase simplesmente negra. Ter dito que o 13º lugar foi um passo para frente definitivamente não pegou bem, ainda mais em se tratando de um piloto da Ferrari. O pior é que ele tem alguma razão. Fez talvez seu melhor treino oficial da temporada ao conseguir ficar a poucos décimos do companheiro Fernando Alonso no Q2, embora não tenha conseguido ir ao Q3. Na corrida, foi o único de sua equipe a apostar em duas paradas e até conseguiu liderar uma volta inteira, mas foi ultrapassado com facilidade por todos que estavam atrás. Por outro lado, a dificuldade para ele conseguir sequer tentar passar Paul Di Resta foi constrangedora. A Autosprint classificou o piloto como “desperdício de gasolina”. Como contestar?

KIMI RÄIKKÖNEN5 – Parece destinado a ser um dos mais rápidos e mais problemáticos pilotos desta temporada. Não conseguiu andar bem de jeito nenhum na sexta-feira, mas a Lotus acertou o carro no sábado e deu para Kimi fazer um excelente quarto tempo. Ainda insatisfeito, ele partiu para a corrida e manteve-se em quarto nas primeiras voltas. Chamou a atenção quando tentou ultrapassar Mark Webber e tomou um belo troco. Fez apenas duas paradas e vinha rumo a um bom segundo lugar, mas alguma maldição afetou seu carro na volta 48, quando ele começou a ser ultrapassado facilmente por quase todo mundo. Até Felipe Massa o deixou para trás, veja só.

NICO HÜLKENBERG3 – Conseguiu ser ainda mais discreto que o companheiro Paul di Resta e passou muito longe dos pontos. Não foi bem no treino oficial e arruinou de vez seu fim de semana quando bateu em alguém na primeira volta e danificou a asa dianteira, perdendo bastante desempenho nas primeiras voltas e tendo de trocar o bico na primeira parada. Parou mais uma vez e nunca conseguiu sair lá do meio do pelotão.

JEAN-ERIC VERGNE4 – Foi mal pra caramba no treino oficial e sequer passou para o Q2, mas salvou o fim de semana com um domingo razoável. Escolheu largar dos pits para trocar algumas peças de seu Toro Rosso e parecia estar condenado devido à desvantagem, mas preferiu ir à luta e se recuperou bastante. Chegou a andar à frente de Hülkenberg e conseguiu terminar à frente do companheiro Daniel Ricciardo, que largou normalmente. Fez a segunda melhor volta da corrida. Se tivesse largado numa posição boa, poderia ter feito bons pontos.

DANIEL RICCIARDO3 – Ficou devendo, especialmente na corrida. No treino oficial, bateu o companheiro Jean-Eric Vergne por pouco, mas também sofreu com a falta de velocidade do STR7. Na corrida, teve problemas na largada e perdeu posições. Recuperou-se, mas ficou bem atrás dos seus adversários diretos e só terminou à frente dos pilotos das equipes nanicas. Não estava no roteiro finalizar atrás do companheiro que largou dos boxes.

VITALY PETROV 3,5 – Terminou a segunda consecutiva à frente de Heikki Kovalainen, mas o resultado não fez jus ao real desempenho da dupla da Caterham. Largou atrás do finlandês e chegou a ter problemas com Timo Glock durante a prova, mas não enfrentou grandes desastres e conseguiu ser o melhor das equipes pequenas.

TIMO GLOCK4 – Não faz uma má temporada, considerando que sua equipe é uma droga. Não tem muito o que fazer no treino oficial, ficando atrás das duas Caterham e à frente do companheiro de equipe. No domingo, chegou a aparecer bem em alguns momentos e deu algum trabalho a Vitaly Petrov, mas teve vários problemas com os pneus e também chegou a ser ameaçado por Charles Pic durante algum tempo. No fim, chegou ao fim no patamar de sempre.

CHARLES PIC3,5 – Também fez o arroz-com-feijão de sempre, não tendo problemas para terminar a corrida. Terminou o Q1 à frente da HRT, ganhou uma posição com a escolha de Jean-Eric Vergne em largar dos pits e fez sua corridinha de sempre. Chegou a dar alguma dor de cabeça ao companheiro Timo Glock enquanto teve pneus em melhores condições, mas acabou terminando atrás.

PEDRO DE LA ROSA4 – Difícil analisar. O carro aparenta ter melhorado, o que não significa lá muito. O quarentão espanhol não teve problema para se qualificar e também não teve grandes dificuldades na corrida, tendo chegado a ocupar a 18ª posição durante uma volta. Com apenas um abandono, não deu para terminar numa posição melhor.

NARAIN KARTHIKEYAN3 – Mesmo dentro da HRT, é possível perceber uma grande disparidade entre os dois pilotos. Embora também não tenha tido problemas para se qualificar, andou claramente atrás de De La Rosa durante todo o tempo. Não atrapalhou ninguém na corrida e cruzou a linha de chegada, mas duas voltas atrás.

HEIKKI KOVALAINEN5 – Apesar do péssimo resultado, foi o melhor piloto das equipes miseráveis com sobras. Saiu em 18º, ganhou algumas posições na largada e chegou a ocupar a 11ª posição durante alguns momentos. Fez a 13ª volta mais rápida da corrida e parecia vir bem para terminar em 18º, mas um problema nos pneus o fez perder muito tempo, obrigando-o a fazer uma parada extra. Só isso explicaria o fato dos dois HRT terem terminado à sua frente.

MICHAEL SCHUMACHER9 – Anda numa ótima fase em termos de pilotagem e numa péssima fase em termos de sorte, aquela que sempre esteve presente em sua carreira. Liderou um treino livre, andou bem nos outros e esteve sempre no páreo na disputa pela pole-position. Graças à punição a Hamilton, conseguiu um lugar na primeira fila pela primeira vez desde 2006. Largou razoavelmente bem e manteve-se em segundo nas primeiras voltas, embora bastante atrás de Nico Rosberg. Ao fazer o primeiro pit-stop previsto, um mecânico de pouca destreza não conseguiu colocar o pneu dianteiro direito corretamente e Michael não conseguiu andar mais do que alguns metros antes de abandonar.

CHINA: Era uma vez uma enorme civilização incrustada à borda do Extremo Oriente. Os primeiros registros desta magnífica civilização, de pequeno e sonoro nome China, datam de 2100 a.C., o que a confere uma idade ligeiramente avançada. Esta tal de China foi governada por dezenas de dinastias boas (Tang) e desastrosas (Yuan), teve seu território drasticamente alterado várias vezes e, acima de tudo, entregou à humanidade inúmeras inovações e filosofias válidas até hoje. De repente, tudo mudou. Após um século XX desastroso que culminou com absurdos como a Revolução Cultural e o Grande Salto para a Frente, a China deixou para trás o dinamismo que sempre acompanhou sua história. Virou um país hermético, cinzento, antipático, truculento, estranho. Sua pujança econômica veio às custas de moeda artificialmente desvalorizada, desrespeito a patentes e, acima de tudo, um regime trabalhista de semi-escravidão. Seu povo não tem acesso à informação livre, desconhece conceitos como “democracia” e embriaga-se comprando apartamentos de gesso em cidades-fantasma e roupas de grifes europeias que terceirizam tudo em fábricas poeirentas próximas a Xangai. Em suma, um lugar diferente de tudo que existe. Que sediará o próximo GP. Desculpem pelo simplismo da descrição, até porque é impossível descrever a China em duas dezenas de linhas. Só gostaria de compartilhar o que penso do único país que realmente me arrepia a espinha. Pelo lado negativo.

GP DA CHINA: Em 2010, 155 mil pessoas foram ao autódromo de Shanghai ver ao menos um dos três dias do GP da China, pouco mais de 55% do número registrado em 2005. As arquibancadas comportam um total de 200 mil pessoas simultaneamente. Para este ano, a arquibancada mais barata está custando algo em torno dos 314 reais, preço que já representa grande redução se comparado com as cifras de três anos atrás. Considere, por fim, que o PIB per capita anual chinês é de 8,4 mil dólares e a distribuição de renda no país ainda é bisonha. Estes números servem bem para ilustrar o porquê da China não conseguir grande audiência em seu lustroso grande prêmio. Mas podemos apontar outras razões. O traçado, um negócio de 5,4 quilômetros no formato do caractere chinês “shang”, é meio chato, mas muita gente ocidental gosta por causa daquela curva em formato de caracol, que é realmente divertida. Além disso, a Fórmula 1 ainda é uma coisa meio assombrosa para os chineses, que achavam que a Ferrari era vermelha para dar sorte até pouco tempo atrás. Enfim, se chover, será uma das melhores provas do ano. Se ficar seco, será uma a mais ou a menos.

ALIENAÇÃO: Problema moral? Imagine, nenhum, veja minha cara de preocupação. Foi mais ou menos assim a reação dos cinco pilotos escolhidos a dedo para a entrevista coletiva m Shanghai quando o jornalista Steve Dawson lhes perguntou se havia algum problema moral em correr no Bahrein na semana que vem. Silêncio. Fernando Alonso estava postando no Twitter, Sergio Pérez estava no celular falando amenidades com alguém da cúpula ferrarista, Vitaly Petrov estava bêbado de vodka, Bruno Senna estava fazendo a barba e Narain Karthikeyan é bobo mesmo. Lá fora da salinha de imprensa, as reações não eram muito diferentes. O bicampeão Sebastian Vettel se irritou com as perguntas de alguns jornalistas sobre o assunto e deixou a gentileza lá na Malásia: “Mais perguntas sobre o Bahrein… Há várias pessoas no paddock, pergunte a elas!”. Na verdade, não havia tantas pessoas assim, pois todos são incapazes de se preocupar com problemas que não lhes dizem respeito. O único que deu alguma opinião mais contundente sobre o assunto foi Kimi Räikkönen. Brincadeira! Sempre bastante articulado, Mark Webber afirmou basicamente que os pilotos são humanos, possuem moral e pensam como as demais pessoas. Para ele, as pessoas deveriam viver de forma justa e correta. Porém, não dava para tomar nenhuma atitude porque ele era piloto contratado de uma equipe que tem a obrigação de disputar a corrida. Ponto para Webber, que ao menos tem culhões para confirmar que os contratos da Fórmula 1 são mais importantes que qualquer outra coisa.

HAMILTON: Mas chega de falar de política, geopolítica e geografia. Existe um GP neste fim de semana, afinal. Com ou sem liberdade para pesquisar no Google sobre a história do Massacre da Praça da Paz Celestial, a corrida será realizada normalmente porque é assim que são as coisas. O fim de semana, que ainda nem começou, será de enorme labor para Lewis Carl Davidson Hamilton, autor de duas inúteis poles-positions. Inúteis porque nenhuma delas foi convertida em troféu de vitória e 25 pontos, o que é bem chato para alguém que pilota o melhor carro deste princípio de temporada. Para dificultar um pouquinho mais as coisas, Lewis perderá automaticamente cinco posições no grid de largada desta etapa chinesa. A McLaren andou detectando algum problema grave de câmbio, que pode ser desde uma arruela quebrada até o sumiço da manopla de caranguejo. Vai precisar trocar tudo, em suma, e isso é punido com perda de cinco posições no grid e castigo sem TV no quarto. Coitado do Hamilton, que parece ser incapaz de ter dois dias bons consecutivos.

SUSIE: Ah, o amor é lindo. Era uma vez uma mocinha inglesa bonita, simpática e sorridente. Ela achava que levava jeito para correr de carro e tentou engrenar uma carreira no automobilismo. Fez um pódio aqui e acolá na Fórmula Renault e, sabe-se lá como, conseguiu arranjar um Mercedes Classe C para disputar a mesma DTM de Bernd Schneider, Tom Kristensen e Paul di Resta. Em 61 corridas, marcou pontos em apenas duas. Mesmo assim, conquistou o coração de seu príncipe encantado, o investidor austríaco Toto Wolff, um dos sócios da Williams. Os dois se casaram e a mocinha acabou adotando o sobrenome do marido, Wolff. Nesta semana, por incrível coincidência do destino, a própria Williams anunciou que a princesinha seria contratada para fazer trabalhos de desenvolvimento em simuladores e em testes aerodinâmicos. Foi assim que a limitadinha Susie Wolff, antigamente conhecida como Susie Stoddart, conseguiu achar um lugar na Fórmula 1. O amor é lindo. E também opera milagres.