abril 2013


AUTO-PRIX-F1-BRN-GRAFFITI

RED BULL9 – Tinha um carro bacana, um piloto bacana e outro nem tão bacana assim. Sebastian Vettel compensou a discrição dos treinos com uma atuação segura, austera e humilhante na corrida. Enquanto todos sambavam sobre pneus de borracha escolar, o tricampeão desfilava como se os problemas com os compostos da Pirelli não existissem. Mas ao passo que ele celebrava uma vitória fácil com suquinho no pódio, o companheiro Mark Webber se ferrava com as mesmas dores de cabeça dos mortais. Apesar da boa estratégia de sua equipe e de ter sido agraciado com o pit-stop mais rápido da prova (total de 21s0), o australiano não se deu bem com os pneus e finalizou apenas em sétimo. E ele ainda reclama…

LOTUS9 – A prova maior de que um carro que consome pouco pneu chega a ser mais importante do que um bólido veloz na Fórmula 1 de hoje em dia. Apesar de ter liderado um treino livre, o E21 estava muito longe de qualquer tipo de brilhantismo, tanto que Kimi Räikkönen e Romain Grosjean se deram mal na sessão classificatória. Os dois compensaram com uma corrida excelente, mesmo que as estratégias de ambos tenham sido totalmente opostas. Kimi, com dois pit-stops, terminou em segundo. Romain, tendo parado três vezes, chegou logo atrás. Seus dois carros andaram com muito menos dificuldades que os demais.

FORCE INDIA8,5 – Houve um momento, mais precisamente após o treino classificatório, que muita gente passou a acreditar que a equipe indiana era uma das candidatas a vitória, tão bons haviam sido os resultados na sexta-feira e no sábado. Sempre entre os dez primeiros, Paul di Resta e Adrian Sutil conseguiram a quinta e a sexta posições no grid. Nada mal. No domingo, porém, apenas um ficou mais ou menos feliz. O escocês esteve sempre nas primeiras posições, liderou algumas voltas e só não terminou no pódio por pouco. Sutil, que vira e mexe está metido em alguma enrascada, bateu com Felipe Massa na primeira volta e arruinou suas chances aí. Nesse momento, a Force India parece ter um carro pior apenas que os de Red Bull, Ferrari, Lotus e Mercedes.

MERCEDES7 – Nos treinos, é a equipe que manda no negócio.  Pelo segundo GP consecutivo, um de seus pilotos largou na pole-position. Dessa vez, o privilegiado foi Nico Rosberg, que foi melhor que Lewis Hamilton em quase todas as sessões. Curiosamente, a sorte se inverteu no domingo. Hamilton, que teve de largar em nono por causa de uma troca de câmbio, superou seus problemas com os pneus médios e ainda terminou em sexto meio que por acaso. Nico andou devagar e perdeu posições como uma mocinha indefesa – a cara dele, em seu início de carreira. Mais uma vez, o ritmo de corrida foi o ponto fraco da Mercedes. Quando as coisas irão mudar?

MCLAREN3,5 – A McLaren de 2013 é isso aí. O MP4-28 é realmente uma desgraça e somente um milagre poderá salvar a situação da equipe nesse ano. No Bahrein, mais uma vez, os carros cromados não ofereceram ameaça a ninguém. Sergio Pérez e Jenson Button, no entanto, chamaram a atenção do mundo com um duelo foda pra cacete durante várias voltas, com direito a toque de rodas e bico esbarrado. Pérez se deu melhor e ainda terminou em sexto. Button, com os pneus em estado de petição, ficou apenas em décimo. E reclamou. Pelo visto, é mais uma equipe que vai ter de lidar com piti de piloto, como se os outros problemas já não bastassem.

FERRARI4 – Tinha um carro quase tão bom quanto o da Red Bull. O que lhe faltou foi um domingo sem problemas. Fernando Alonso e Felipe Massa lideraram um treino livre cada e monopolizaram a segunda fila do grid, nada mal. Os dois, com histórico altamente positivo no Bahrein, esperam muito do GP. Mas quase nada deu certo para eles na corrida. Alonso teve um prosaico problema no DRS, foi obrigado a ir aos boxes duas vezes e arruinou suas chances de vitória. Pelo menos, marcou uns pontinhos. Felipe Massa passou por um perrengue ainda pior: teve dois pneus traseiros direitos estourados e não conseguiu sequer pontuar.

WILLIAMS3,5 – A impressão que dá é que Pastor Maldonado e Valtteri Bottas tiraram o máximo do carro. O venezuelano finalizou a corrida a apenas uma posição da zona de pontos, o que parecia uma impossibilidade até uns dias atrás. Bottas teve seu melhor momento no treino classificatório, onde conseguiu se qualificar à frente do próprio Maldonado e de Jean-Éric Vergne. Aparentemente, o FW35 teve menos problemas de pneus que os concorrentes. Se ele fosse veloz, a equipe certamente poderia ter sonhado com coisa melhor.

SAUBER2 – Teve um fim de semana até mais negativo do que o da Williams. O carro pode até ser razoavelmente bonito, mas é um amontoado de estrume quando tem de entregar resultados. Nico Hülkenberg até se esforçou para conseguir extrair alguma coisa dele, mas o máximo que conseguiu foi um 12º lugar. O estreante Esteban Gutiérrez anda numa fase infernal: obteve resultados inacreditavelmente ruins nos treinos e passou quase que a corrida toda atrás da Caterham de Charles Pic. A Sauber está preocupada com o garoto. E com a equipe inteira.

TORO ROSSO2 – Esteve tão competitiva quanto Sauber e Williams. Embora não tenha passado vexame nos treinos – Daniel Ricciardo, em fase razoavelmente inspirada, marcou o 13º tempo na classificação -, apanhou dos pneus na corrida. Ricciardo se arrastou como uma tartaruga velha e terminou apenas dez segundos à frente da Caterham de Charles Pic. Jean-Éric Vergne se envolveu num acidente na primeira volta e ficou com o carro tão danificado que preferiu encostar nos boxes pouco depois. Se tivesse ficado na pista, também não conseguiria muita coisa.

CATERHAM5 – A presença de Heikki Kovalainen no primeiro treino de sexta-feira parece ter ajudado bastante a equipe verde, que teve um montão de dificuldades nos três primeiros GPs. O carro melhorou e Charles Pic conseguiu vencer o compatriota Jules Bianchi pela primeira vez no ano. Pic largou em um razoável 18º lugar e andou muito bem na prova, ficando quase sempre à frente de Esteban Gutiérrez e terminando perto da Toro Rosso de Daniel Ricciardo. Giedo van der Garde não é um cara de quem podemos esperar muito, mas seu desempenho em Sakhir foi bastante prejudicado pelo acidente na largada.

MARUSSIA2,5 – Tomou um caminho diferente do da Caterham e se deu mal com isso. Ao invés de buscar desenvolver o carro no primeiro treino livre de sexta, a Marussia decidiu deixar o confiável Jules Bianchi de lado para colocar o caricato Rodolfo Gonzalez em seu lugar. Resultado: a equipe acabou não desenvolvendo porcaria nenhuma e ficou para trás no restante do fim de semana. Até mesmo Bianchi teve dificuldades, ficando atrás de Charles Pic e pouco à frente de Max Chilton e Giedo van der Garde. Na corrida, tanto ele quanto Chilton tiveram lá suas dificuldades, mas ao menos chegaram ao fim, ainda que isso não signifique muito num GP com apenas um abandono.

Riot police officers stand near an anti-Formula One graffiti during an anti-government protest in the village of Diraz

TRANSMISSÃOPGA – Numa fase mais comedida, o locutor oficial das corridas de Fórmula 1 no Brasil ainda comete seus pequenos deslizes. Graças à idade avançada e ao calor mortificante do Bahrein, não dá para exigir que o cérebro funcione perfeitamente durante todo o tempo. No treino classificatório, o cara voltou a 1991 e enxergou Mika Häkkinen no carro da Lotus. É bom que alguém informe a ele que Häkkinen não corre mais na Fórmula 1, a Lotus dele era branca e não preta, o finlandês que corre atualmente é o Kimi Räikkönen e o piloto que ele viu sequer era o Räikkönen, mas o Romain Grosjean. Enfim, não se salva nada aí. Mas a grande novidade é a venda da Force India ao golfista Vijay Amritraj, anunciada pelo digno locutor a poucos instantes da largada. Curiosamente, o antigo dono também se chamava Vijay. É a Fórmula 1 atraindo gente de outros esportes, como o próprio Amritraj, Sébastien Grosjean e até mesmo o ex-flamenguista Petkovic (http://www.youtube.com/watch?v=48P32JZMThQ).

CORRIDAFÓRMULA PNEUS – E o litígio entre Fórmula 1 e Pirelli continua. Em Sakhir, somente Kimi Räikkönen e Paul di Resta conseguiram fazer dois pit-stops. A maioria dos pilotos parou três vezes e alguns pilotos tiveram de realizar uma quarta troca, tamanha era a dificuldade para fazer os compostos durarem mais do que um punhado de voltas. Muita gente está achando um saco, pois isso impede os pilotos de acelerarem mais, transformando todos em bundões que só se preocupam em conservar ao máximo seus redondinhos. Eu, sinceramente, gosto. Para mim, automobilismo é ação, imprevisibilidade, movimentação, dinâmica. Acho uma merda quando as posições se definem logo após a primeira curva. O GP do Bahrein só foi razoavelmente divertido por causa dessa dificuldade. Fosse como nos tempos dos pneus duríssimos da Bridgestone, não seria somente Sebastian Vettel que teria uma corrida monótona. Na verdade, a monotonia se impregnaria em todos nós.

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Bahrain F1 protest

SEBASTIAN VETTEL9,5 – Parecia que estava que em outra categoria, tamanha era a vantagem em relação aos concorrentes. Não foi tão bem nos treinos e ficou atrás de Nico Rosberg no grid de largada, mas mostrou o porquê de ser o maior astro do grid atual ao fazer uma corrida absolutamente avassaladora. Recuperou facilmente a posição perdida para Fernando Alonso na primeira volta e também não teve nenhum trabalho para roubar a liderança de Rosberg na terceira volta. Depois disso, auf wiedersehen pra galera.

KIMI RÄIKKÖNEN9 – Mineiro como sempre, comendo quieto pelas beiradas. Em Sakhir, assim como nas demais etapas, não tinha de forma alguma o melhor carro, mas soube pegar os limões e fazer uma boa caipirinha. Nos treinos, liderou um dos treinos livres e só. Largando apenas em oitavo, apostou numa estratégia agressiva que, combinada com o baixo consumo de pneus proporcionado pelo E21, funcionou muitíssimo bem. Sobreviveu 15 voltas com pneus macios e fez dois longos stints com os duros, realizando um pit-stop a menos que o resto do pessoal. O destino o premiou com um ótimo segundo lugar. Mas dessa vez, não teve álcool no pódio. Sigh.

ROMAIN GROSJEAN8,5 – Como é bom ver Romain Grosjean, sempre meio doido, fazendo uma corrida competitiva e sem erros. O franco-suíço, muito apático nas três primeiras etapas, superou o desempenho apenas morno nos treinos para realizar uma de suas melhores atuações na carreira. Embora tenha utilizado uma estratégia totalmente diferente da de Kimi Räikkönen, com três pit-stops e pneus duros nos dois primeiros stints, Romain conseguiu andar bem durante todo o tempo graças à capacidade de conservação de pneus de seu carro e foi ganhando posições numa boa. No final da corrida, com pneus macios, passou como um foguete por Paul di Resta e assegurou seu primeiro pódio no ano.

PAUL DI RESTA9,5 – Uma das sensações do fim de semana, andou bem durante todo o tempo e só não conseguiu seu primeiro pódio na Fórmula 1 por mero detalhe. Ficou entre os dez primeiros em todos os treinos, inclusive o classificatório, obtendo um quinto lugar no grid graças ao seu pé pesado, ao carro e às punições que ferraram com as vidas de Lewis Hamilton e Mark Webber. No domingo, chegou a andar algumas voltas na liderança e esteve durante quase todo o tempo entre os quatro primeiros. Vinha confortavelmente em terceiro, mas acabou sendo engolido pelo surpreendente Romain Grosjean na volta 52. Em suma, fez uma puta jogada, driblou todo mundo e chutou a bola na trave.

LEWIS HAMILTON6,5 – Em se tratando se estado de espírito, da mesma forma que Paul di Resta chutou na trave, Lewis Hamilton fez um joguinho burocrático e ainda conseguiu ganhar de 1×0. Passou por dificuldades nos treinos e até teve de trocar a caixa de câmbio, o que o obrigou a largar em nono. Apostando numa estratégia conservadora de três pit-stops, também não deu para brilhar muito no domingo. Pelo menos, travou um duelo bacana com Mark Webber no final e venceu. E sei lá como, terminou à frente de gente que foi melhor.

SERGIO PÉREZ8 – Foi o showman da corrida, um alívio para quem precisava tanto de uma atuação mais chamativa. Não esteve entre os dez primeiros em nenhum dos treinos, um pecado dos maiores para um piloto da McLaren, mas compensou com uma atuação de arrepiar os cabelos na corrida. Logo na largada, abocanhou várias posições. Depois, passou um tempão atormentando o companheiro Jenson Button. Ultrapassou, foi ultrapassado e até meteu um toque de leve no carro do colega. O campeão de 2009 ficou bastante #chatiado com a postura do chicano, mas só ele. Todo mundo gostou. Ótimo sexto lugar.

MARK WEBBER4,5 – Depois do vexame no GP da China, fez uma típica corrida de funcionário público no Bahrein. Embora não tenha ido propriamente mal nos treinos, teve sua posição no grid prejudicada devido à punição pelo acidente tosco com Jean-Éric Vergne na corrida anterior. Sua atuação no domingo não foi lá aquela maravilha pintada de ouro. Ganhou algumas boas posições na primeira rodada de pit-stops e teve problemas com os pneus duros no segundo stint. No fim da corrida, vinha numa razoável quinta posição, mas perdeu duas posições na última volta. Que ducentésimo GP aborrecido, não?

FERNANDO ALONSO5 – Era, possivelmente, o único cara com alguma chance de superar Sebastian Vettel na corrida, já que possuía, segundo ele próprio, “o melhor Ferrari dos últimos quatro anos”. Nos treinos, andou muitíssimo bem, liderou um treino livre e pegou um bom terceiro lugar no grid. Tudo, contudo, foi para o ralo quando a maldita asa traseira, aquele trocinho do demônio que não deve custar mais do que uns dez paus no mercado paralelo, falhou e o Jangadeiro das Astúrias teve de ir aos boxes duas vezes para que os mecânicos desse um jeito no bagulho na base da porrada. Sem poder usar o DRS, as chances do cara se resumiram a brigar por uns pontinhos. E ele conseguiu quatro. Melhor do que nada, né?

NICO ROSBERG3 – Dá para dizer algo de bom sobre um piloto que larga na pole-position e, sem problemas aparentes, termina em nono, atrás de um monte de gente fodida? Não, é claro. A loirinha germânica andou muito bem nos treinos e marcou a segunda pole-position seguida para a Mercedes. Tinha a obrigação de, pelo menos, ter subido ao pódio. Ao invés disso, perdeu terreno logo no começo da corrida e foi ultrapassado de maneira até covarde pelos demais pilotos. Estava tão embananado com os pneus que foi obrigado a fazer um quarto pit-stop, o que arruinou definitivamente qualquer chance de um bom resultado. Só não pegou nota menor pelo que fez na sexta e no sábado.

JENSON BUTTON4,5 – Não teve exatamente uma atuação estritamente ruim, mas também não chamou a atenção de ninguém e terminou o domingo com apenas um pontinho. Sempre sofrendo com o baixo desempenho do carro da McLaren, Jenson conseguiu apenas um décimo lugar no grid e por mais que tenha tentado coisa melhor, repetiu o mesmo resultado na corrida. Embora tenha largado bem, feito algumas ultrapassagens e tal, teve problemas com o espevitado Sergio Pérez e com uma estratégia meio porca.

PASTOR MALDONADO4 – Quando você fica razoavelmente satisfeito com um 11º lugar, é porque sua vida anda uma merda. Apanhando do carro, o venezuelano foi tão mal nos treinos que não conseguiu sequer passar para o Q2 da classificação, largando na nona fila. No domingo, até que não fez um trabalho ruim: mesmo parando três vezes como a maioria dos rivais, ganhou algumas posições e terminou à frente de gente com um carro melhor que o seu. Mas ponto que é bom, nada.

NICO HÜLKENBERG3 – Outro que apanhou feio do carro. Nas sessões livres e na classificação, pouco fez. Largou apenas em 14º e terminou apenas duas posições à frente. Com a mesma estratégia de três pit-stops da concorrência, não dava para sonhar com um pulo do gato. E os pneus também não colaboraram. O fato é que, nesse início de temporada, a vida não poderia estar sendo mais difícil para o jovem alemão.

ADRIAN SUTIL4 – Pelo desempenho nos treinos, tinha chances de ter ido tão bem quanto o companheiro Paul di Resta. Mas a sorte não está do lado do alemão, que comprometeu sua corrida na primeira volta pela segunda vez consecutiva. Sexto colocado no grid, Sutil foi tocado por Felipe Massa e teve de ir para os boxes na segunda volta por causa de um pneu furado. Pelo menos, a partir daí, ele se divertiu bastante. Mesmo tendo de fazer um stint longuíssimo com o segundo jogo de pneus duros, o cidadão ganhou várias posições e terminou numa posição até que razoável para quem estava totalmente sem chances.

VALTTERI BOTTAS5 – Teve alguns brilharecos bem sutis, como o 12º lugar no primeiro treino livre, o fato de ter largado duas posições à frente de Pastor Maldonado e o quarto posto na volta 11 da corrida. Só assim mesmo para encontrar razões para elogiar o finlandês com cara de biscoito, vítima da ruindade do carro da Williams. Mas a verdade é que Valtteri fez seu trabalho novamente. Largou e chegou ao fim sem danificar o carro, coisa que o colega nem sempre consegue fazer.

FELIPE MASSA3,5 – Muito azarado, o aniversariante de hoje. Muito mesmo. O brasileiro, que já venceu esse GP em 2007, tinha um carro legal para essa corrida e chegou a liderar o primeiro treino livre. Na classificação, ficou num razoável quarto lugar, logo ao lado de Fernando Alonso. A felicidade acabou aí. Logo na largada, Felipe partiu mal e perdeu posições para os dois carros da Force India. Na ânsia de recuperar posições, tocou em Adrian Sutil e danificou uma asa. Sua estratégia de fazer um primeiro stint mais longo com compostos duros também foi para o ralo quando ele fez seu pit-stop na volta dez. Depois, ainda teve dois pneus furados, ambos na mesma parte do carro! Depois de tanta merda, não dava mesmo para ter terminado em posição melhor.

DANIEL RICCIARDO3 – Apareceu razoavelmente bem nos treinos, com destaque para o 13º lugar no grid. Na corrida, a Toro Rosso preferiu substituir o STR8 por um Chevette e o resultado foi um desempenho ridículo do australiano. Mesmo tendo feito a corrida inteira, a volta mais rápida de Ricciardo foi simplesmente a 21ª pior do grid, melhor apenas do que a de seu companheiro Jean-Éric Vergne, que abandonou logo no começo. O cara teve inúmeros problemas com os pneus e com os freios e até deu sorte de não ter sido superado pelos cacarecos da Caterham e da Marussia.

CHARLES PIC6,5 – Depois de três fins de semana dominados por Jules Bianchi, o francês da equipe verde finalmente mostrou a que veio. Num GP em que os carros da Caterham renderam mais do que os da Marussia, Pic não deu chances ao rival Bianchi e aos seus demais concorrentes diretos. Beneficiado também pela punição de Esteban Gutiérrez, Charles largou numa ótima 18ª posição. Na corrida, ele conseguiu manter o mexicano atrás durante quase todo o tempo e ainda terminou a apenas dez segundos de Daniel Ricciardo. Excelente.

ESTEBAN GUTIÉRREZ0 – Quatro corridas, duas notas zero consecutivas. Vai bem, o novato mexicano.  Que seu fim de semana já estava arruinado por causa da punição relativa ao estúpido acidente de Shanghai, todo mundo já sabia. O que ninguém imaginava é que seu desempenho seria tão horrível durante treinos e corrida. Nas sessões livres, Gutiérrez foi tão mal que chegou a terminar uma delas com o pior tempo. No treino classificatório, só superou os carros das equipes nanicas e ainda teve de largar em último devido à punição. Na corrida, não conseguiu sequer superar o Caterham de Charles Pic. Vai muito bem, o Esteban.

JULES BIANCHI3 – Dessa vez, não deu para manter o pique dos três GPs anteriores. É bom que se diga que as condições não lhe foram favoráveis. No primeiro treino livre, Bianchi teve de conceder seu lugar ao venezuelano Rodolfo Gonzalez. Com menos tempo de pista, não deu para compensar muito e o francês teve uma classificação razoavelmente fraca, ficando pouco à frente dos roda-presa Giedo van der Garde e Max Chilton. Na corrida, Jules parou quatro vezes nos boxes e não fez muito mais além de levar o carro até a bandeirada.

MAX CHILTON2 – Aproximou-se um pouco de Jules Bianchi nesse último fim de semana, mais por queda de desempenho do francês do que por uma melhora milagrosa do filhinho de papai britânico. Sem grandes novidades nos treinos, Chilton só escapou da última posição no grid por causa da punição de Esteban Gutiérrez. Pelo menos, ficou à frente do rival direto Giedo van der Garde por causa dos problemas do holandês. E chegou ao fim novamente.

GIEDO VAN DER GARDE2,5 – Se tivesse tido mais sorte, poderia ter finalizado à frente de Max Chilton. Ficou sem participar do primeiro treino livre para dar lugar a Heikki Kovalainen, que voltou para dar uma força à Caterham. Deu-se relativamente bem no treino oficial ao escapar da última fila, mas perdeu tudo com o acidente com Jean-Éric Vergne na largada. Com o bico estourado, não teve como fazer muita coisa a não ser se arrastar até a linha de chegada.

JEAN-ÉRIC VERGNE2,5 – Foi o único piloto a abandonar, vítima de problemas resultantes do acidente com Giedo van der Garde na primeira volta. O francês, que havia feito um trabalho razoável com o lamentável carro da Toro Rosso nos treinos livres, largou em 16º e foi colocado para fora ainda na primeira volta por Valtteri Bottas. O pobre Van der Garde não conseguiu desviar e chapuletou o bólido de Jean-Éric, que ficou com um pneu furado e um assoalho quebrado. Ele tentou reparar o carro nos boxes e chegou a dar algumas voltas lentas, mas preferiu abandonar e ir pra casa mais cedo.

 

GP DO BAHREIN: Salam! Nesse ano que está voando como Mark Webber em Valência, a quarta etapa já está aí. O explosivo GP do Bahrein é um daqueles eventos que eu duvido que exista alguém que realmente goste. Vejamos. Os fãs acham a pista de Sakhir, de traçado e cenário monótonos, um saco. Os pilotos não devem gostar muito de ficar duas horas dentro de um carro a uma temperatura que ultrapassa a casa dos 60°C num país quente e seco pra burro. Kimi Räikkönen, quando vai ao pódio, não bebe champanhe francês, mas um suco melado, esquisito, nem um pouco alcóolico e provavelmente quente. Os barenitas estão cagando e andando para o GP. Os europeus jamais deixariam seus confortáveis países para assistir a uma corrida idiota em um país alienígena. Os xeiques que aparecem para tirar fotos ao lado de um carro da Ferrari e de Bernie Ecclestone estão mais preocupados em massagear seus imensos egos do que em acompanhar um monte de carros esquisitos correndo rumo a lugar nenhum. Desconfio que nem o próprio Ecclestone, britânico fleumático como é, goste de ir a um lugar exótico cheio de magnatas ridículos. Mas nada disso importa diante dos petrodólares que correm rumo ao bolso de Uncle Bernie. Vai ter corrida no Bahrein e acabou. Sinceramente, não acho a pista de Sakhir em si tão desastrosa. Ela me lembra, meio que de longe, um kartódromo: retas, curvas apertadinhas e uma ou outra curva mais veloz. O problema é aquela imensidão de areia ao redor do autódromo. Sou do tipo que acredita que não existe circuito bom sem pano de fundo bonito. Spa-Francorchamps, com suas árvores, é um lugar bonito. Sakhir, com aquela opulência besta encravada no meio de dunas que se perdem de vista, não é.

BOMBAS: Salam! Tão tradicional quanto Jim Nabors cantando Back Home Again in Indiana na Indy 500 ou a presença do Príncipe Albert no pódio do GP de Mônaco é a ocorrência de bombardeios e ataques nos arredores do circuito de Sakhir dias antes do GP do Bahrein. Bem possível que Bernie Ecclestone descobrirá alguma forma de capitalizar sobre isso, vendendo granadas e fuzis com a logomarca da Fórmula 1 em barraquinhas autorizadas. Pelo terceiro ano seguido, a realização da corrida é ameaçada por movimentos revoltosos que acusam Bernie Ecclestone e a FIA de legitimarem o governo do rei Hamad bin Isa Al Khalifa, detestado pela majoritária população xiita que se considera marginalizada e injustiçada frente à minoria sunita. Os capos do automobilismo respondem com indiferença. Jean Todt já disse que não há problemas em realizar uma corrida no Bahrein e a Fórmula 1 não deve se envolver com política. O sempre engraçadinho Ecclestone ironizou a postura dos jornalistas, dizendo que “não recebeu nenhuma reclamação de gente preocupada com o credenciamento da etapa desse ano”. Portanto, apesar da súplica dos parlamentares britânicos, da pressão de grupos de direitos humanos e da ameaça do gordinho metido a poderoso Anonymous, vai haver GP e que se foda quem achar ruim. Nos dois anos anteriores, eu vociferei contra a realização da corrida. Nesse ano, adoto uma postura mais passiva. E crítica contra os revolucionários de cadeira de internet. Todos nós silenciamos sobre a situação do Bahrein logo após o término da corrida. Portanto, seria hipocrisia manifestar qualquer tipo de insatisfação agora. Outra coisa: acho, sinceramente, que os rebeldes barenitas deveriam apertar um pouco o cerco contra a Fórmula 1. Não quero que ninguém saia machucado, obviamente, mas um pequeno susto, uma bombinha perdida no portão, um maluco que invada a pista com faixas, alguma coisa mais incisiva. Se eles querem se livrar do rei e dos europeus mofinos, que apertem a ofensiva.

KOVALAINEN: Falando em bomba, o finlandês Heikki Kovalainen foi escalado como piloto-reserva do Caterham CT03 a partir dessa próxima etapa. Kovalainen, lembra-se dele? Estreou na Fórmula 1 pela Renault em 2007, correu na McLaren nos dois anos seguintes e na própria Lotus/Caterham nas três temporadas passadas. Nesse ano, estava desempregado, assistindo às corridas pela televisão enquanto comia pipoca, tomava cerveja e constituía barriga. Ao contrário de outros colegas enxotados nos últimos dois anos, Heikki decidiu que não correria de nada se não encontrasse lugar na Fórmula 1. Após a repentina saída de Luiz Razia da Marussia, o finlandês iniciou contatos com a diretoria e chegou até a moldar um banco na sede da equipe, mas acabou perdendo a vaga para Jules Bianchi na prorrogação. Agora, ele é resgatado pela Caterham para tentar dar uma força à escuderia verde, que vem passando por uma fase negra nos últimos tempos. Seus dois pilotos, os inexperientes Charles Pic e Giedo van der Garde, estão sofrendo para fazer o CT03 andar e, se nada acontecer, é bem possível que a Marussia assuma a desejada décima posição no campeonato de construtores. O retorno de Heikki Kovalainen significou a saída do chinês Qing Hua Ma, aquele que participou de um dos treinos livres do GP da China. Sem talento algum, Ma só justificava sua presença pelos muitos iuans injetados na poupança caterhamniana. Mas só dinheiro não resolve. Bem vindo de volta, Heikki!

FORCE INDIA: Pegou mal. Muito mal. A ponto de Bob Fernley, o diretor da equipe, ter convocado os dois pilotos para um amigável arranca-rabo que colocasse os pingos nos is. Na primeira volta do GP da China, os dois companheiros de Force India, Adrian Sutil e Paul di Resta, se engalfinharam e quase causaram um problemão que resultaria no abandono imediato de ambos. Ambos conseguiram seguir em frente e tiveram destinos diferentes: Sutil foi assassinado por Esteban Gutierrez ainda na quinta volta e Di Resta finalizou em oitavo. O clima entre os dois, de qualquer jeito, não ficou bom. Isso é, ficou ainda pior, já que os dois não estavam se bicando desde Melbourne, onde houve a ordem de equipe que impediu o escocês de ultrapassar o alemão. Os chefões da Force India obviamente não engoliram o ocorrido em Shanghai e convidaram Adrian e Paul para uma conversa a portas fechadas: ambos reveriam o vídeo do incidente, trocariam argumentações, xingamentos e ofensas e enfim um aperto de mão falso e a promessa de que nada disso se repetiria nos próximos séculos. No fim das contas, quem ficou com a culpa maior foi Sutil, que não teria dado espaço suficiente a Di Resta. Coitado do alemão, sempre se metendo em encrencas na China. Não sei como serão as coisas a partir daqui. Adrian é uma figura meio temperamental e Paul é dos caras mais chatos que o paddock já viu. Pelo visto, será mais uma dessas guerras campais entre companheiros de equipe.

SALO: O outro Mika foi convidado para ser o piloto-comissário desse próximo GP do Bahrein. Você pergunta: e daí? Esse negócio de ex-pilotos velhos e barrigudos que palpitam sobre quem vai pra forca ou pra cadeira elétrica já não chama a atenção de mais ninguém. Eu até concordaria com os senhores: e daí? Mas não farei isso. Mika Salo foi talvez o mais controverso de todos os pilotos que passaram pelo cargo desde sua instituição, em 2010. No ano passado, o finlandês foi convidado para ser o comissário do GP da Europa. Notabilizou-se por atribuir uma polêmica punição a Bruno Senna, que se envolveu num acidente bobo com Kamui Kobayashi durante a corrida. Muitos consideraram que o real culpado foi o japonês – eu particularmente discordo, mas tudo bem – e que Senna só foi responsabilizado porque Salo queria chamuscar sua imagem dentro da Williams. O objetivo final do ex-piloto seria abrir uma vaga para seu protegido, o então piloto de testes Valtteri Bottas. Muita gente aqui no Brasil considerou a atitude de Mika uma verdadeira cachorrada nacionalista e imoral. Eu nem dei bola: torcia por Salo durante sua passagem pela Fórmula 1, nunca torci por Bruno Senna e queria ver Valtteri Bottas em seu lugar. Dessa vez, Bottas é o titular da Williams e Senna está fazendo sua vida no WEC. Que os outros pilotos evitem arranjar confusões com Valtteri – é bem possível que atraia a ira de gente razoavelmente poderosa.

china

FERRARI (Enzo Maeda) – 9 – Já fazia doze GPs que a mais tradicional equipe não vencia uma corrida, mas hoje tanto ela como seu piloto favorito resolveram colaborar. Fernando Alonso começou bem com o terceiro lugar no treino de classificação e na corrida mostrou superioridade ao vencer sossegadamente. Felipe Massa sofreu com os pneus duros e não passou do sexto lugar. Dessa vez, não houve falha nos boxes ou jogo de equipe para nenhum dos pilotos.

LOTUS (Enzo Maeda) – 8 – Kimi Räikkönen voltou aos seus melhores dias, começou e terminou na segunda posição, apesar da possibilidade de ter vencido caso tivesse largado melhor. Ainda assim, o resultado está de bom tamanho, ainda mais com a batida com Sergio Pérez que milagrosamente não afetou em nada seu desempenho. Já Romain Grosjean ficou apagado e terminou somente na nona colocação, sendo responsável pela equipe não passar da terceira colocação no campeonato de construtores. Continua com bom atributo na conservação dos pneus.

MERCEDES (Enzo Maeda) – 6,5 – O carro realmente está rápido, mas teve altos e baixos: o pole-position Lewis Hamilton quase ficou de fora fora do pódio, não por falta de esforço – pelo contrário, o britânico também conseguiu extrair e brigar muito com o bólido –, mas pelo alto consumo de borracha. Nico Rosberg, pela segunda vez, teve problemas e foi obrigado a abandonar, lembrando o velho Michael Schumacher no início do ano passado, quando estava com uma urucubaca danada.

RED BULL (Enzo Maeda) – 5 – Decaiu muito em relação às etapas anteriores, a começar pelos treinos: nona colocação para Sebastian Vettel e a desqualificação de Mark Webber por nível de gasosa abaixo do regulamento, falha que acontece pela segunda vez na equipe. Na corrida, algumas coisas melhoraram: a espetacular atuação do alemão quase rendeu um improvável pódio. Por outro lado, Webber só teve decepções: sua falta de neurônios na hora de ultrapassar Jean-Éric Vergne fez o oponente rodar e danificar a sua roda, que se soltou de uma forma patética e perigosa, fazendo Felipe Massa e Nico Hülkenberg usarem seus reflexos para desviarem. Além do carro nº2 ficar à deriva, rendeu multa à equipe e punição de perda de cinco posições ao piloto australiano.

MCLAREN (Enzo Maeda) – 6 – Não foi tão mal quanto nas etapas anteriores, mas ainda assim está muito abaixo das equipes de ponta. Pelo menos em termos de estratégia, deu um banho ao fazer seus carros pararem somente duas vezes e premiou Jenson Button, que sempre se destaca nessas condições, com a quinta colocação. Pena que a jogada só deu certo com um carro, pois Sergio Pérez ainda não se entendeu com a equipe. Melhor carro em se tratando de consumo de pneus, seus pilotos também colaboram bastante.

TORO ROSSO (Enzo Maeda) – 7,5 – Parece que está em constante evolução. O australiano Daniel Ricciardo fez uma corrida sólida, dando todo o seu suor. A turma de Faenza poderia ter pontuado com os dois pilotos, mas Jean-Éric Vergne foi abalroado justamente por um carro pertencente à sua matriz. Espero que não haja desentendimento entre as rubrotaurinas.

FORCE INDIA (Enzo Maeda) – 6,5 – Desta vez, corrigiu a maior idiotice já vista em acertar os parafusos das rodas de seus automóveis. Assim, quatro pontos foram acrescentados à sua conta. Só não conseguiu mais porque o novato Esteban Gutiérrez lançou uma voadora na traseira de Adrian Sutil.

SAUBER (Enzo Maeda) – 4 – O único pontinho veio com o esforço de Nico Hülkenberg, que optou pela estratégia de iniciar a prova com compostos mais firmes. Mas o carro não se comportou bem e o alemão só viu seu desempenho decair, da liderança por algumas voltas até a última posição na zona de pontuação. O outro, citado logo acima, foi o desastre do dia e como mérito, perderá posições no próximo GP.

WILLIAMS (Verde)2 – Nessa corrida, só não ficou atrás das duas eternas nanicas. O negócio não vai bem e os dois pilotos, Pastor Maldonado e Valtteri Bottas, ficaram a léguas de distância da zona de pontuação. Ambos foram mal em todos os treinos e não se recuperaram durante a corrida. O venezuelano teve momentos difíceis com os pneus duros e inviáveis com os macios, terminando a corrida atrás de Bottas. Esse daqui, pelo menos, foi o estreante que conseguiu a melhor posição. Mas como levar isso a sério se Esteban Gutiérrez voltou a ser uma besta e os outros novatos andam em carroças ainda mais vagarosas?

MARUSSIA (Verde)3 – Tinha um carro claramente melhor que o da Caterham, mas não esteve isenta de problemas. Max Chilton teve um motor bichado na sexta-feira e os dois pilotos, tanto o filho do chefe quanto o queridinho da Ferrari, tiveram dores de cabeça com os pneus durante todo o fim de semana. Pelo menos, ambos chegaram ao fim da corrida, com Jules Bianchi sempre muito à frente de Chilton. Já falei que os pit-stops da equipe são horríveis?

CATERHAM (Verde)2,5 – Mais um fim de semana ruim, mas quer saber de uma coisa? Ela mereceu. No primeiro treino livre de sexta-feira, a equipe preferiu deixar o bom Charles Pic a pé e entregar seu carro ao chinês Qing Hua Ma, um dos indivíduos menos preparados para pilotar um carro de Fórmula 1 que eu já vi. Pic voltou ao carro e andou bem, até. Embora tenha ficado na última fila, recuperou-se bem durante a prova e chegou a ficar um bom tempo à frente de Jules Bianchi. Giedo van der Garde não fez muito mais do que andar em último durante todo o tempo. Chega a ser inacreditável o quão escrota a Caterham ficou nessa temporada.

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TRANSMISSÃOMATEMÁTICA – Terminando essa volta, estaremos na metade da prova, falou o locutor oficial. O GP da China costuma ter 56 voltas. Uma pessoa desavisada que sabe fazer algumas contas suporia que a volta em questão era a 28ª, certo? Errado. Nosso querido locutor, que estava de volta ao microfone após ausentar-se na etapa malaia, estava se referindo ao giro nº 23. Isso significa, em termos práticos, que 23 x 2 = 56. Isso até faz algum sentido se você ainda está na segunda série. O resto da transmissão, sinceramente, não teve momentos realmente brilhantes. Destaco apenas a recorrente piadinha do “Mark Webber ter parado por pane seca porque foi o Sebastian Vettel que colocou gasolina no seu carro”. Na primeira vez em que escuta, você ri. Na segunda, você apenas sorri. Na terceira, você boceja. A partir da quarta, você manda sua televisão tomar no rabo. Eu não fiz isso, não costumo conversar com minha televisão, mas imagino que alguns tenham feito isso. Ou eu é que imagino que todos sejam chatos e mal humorados. É, pode ser.

CORRIDAGRAZIE, PIRELLI – Uma das novas unanimidades da Fórmula 1 é a automática condenação aos pneus de borracha escolar feitos pela Pirelli nesse ano. Todo mundo, de Martin Whitmarsh a Anacleto Reinaldo, reclamou que os compostos mais macios são incapazes de aguentar um passeio na esquina sem soltar pedaços para todos os cantos. Graças a isso, os pilotos são obrigados a fazer tantos pit-stops quanto em uma corrida em Le Mans e obviamente não podem sair por aí acelerando o quanto querem. Eu vou contra a maré. Acho sensacional que os pilotos, já agraciados com carros inquebráveis e áreas de escape do tamanho de campos de golfe, tenham de enfrentar ao menos uma adversidade. No passado, os caras corriam sem capacete, sem cinto de segurança, andando no maior cuidado para não estourar um motor ou ficar sem combustível e nem por isso eles não botavam para quebrar. A verdade é que Fórmula 1 não é uma corrida de dragster. Além de velocidade, a estratégia e o imponderável são importantes. O GP da China foi a típica corrida em que ninguém sabia certamente o que aconteceria até o fim. Fernando Alonso tinha um carro muito bom e estava com o capeta no corpo, mas até mesmo ele poderia ter sido vítima dos pneus. Ultrapassagens, acidentes e bobagens aconteceram em número suficiente. Não achei ruim, não – melhor do que os desfiles de moda de Michael Schumacher no início da década passada. Creio que muitos não gostaram porque o vencedor foi o odiado Alonso. Mas para os que fizeram cara feia pelo fato dos pneus não permitirem maior agressividade, fico com a declaração de Kimi Räikkönen: “eu não entendo o porquê das pessoas estarem reclamando. O negócio não está tão diferente do ano passado – pelo menos para nós, pilotos. Eu acho que os pneus são muito bons na classificação e possuem boa aderência. Você só deve cuidar deles um pouco mais durante a corrida”. Se Kimi falou, e ele nunca fala, então está falado.

P.S.: Hoje, eu não escrevo sozinho. Tenho a companhia do leitor Enzo Maeda, que mandou as notas dos dez primeiros colocados e me poupou um puta tempo. Agradecimentos ao Enzo. Mando um cheque de 250 mil cruzados novos para qual endereço?

P.S.2: Querem contribuir nas próximas etapas? Basta mandar seus pitacos para leandro_kojima@yahoo.com.br

P.S.3: Imperdoável. O Marcelo Druck me mandou um texto excepcional sobre sua visita ao circuito de Yeongam há alguns meses e eu, idiota, ainda não o postei. Também sairá.

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FERNANDO ALONSO (Enzo Maeda) – 10 – Voltou a mostrar porque é o melhor piloto em atividade. Com um carro no máximo em igualdade de condições com os melhores, que por sinal apresentaram equilíbrio nesta corrida, andou o máximo que podia com ambos os pneus. Fez ultrapassagens no braço, destaque para as sobre Lewis Hamilton, Sebastian Vettel e os dois pilotos da McLaren e no final administrou com folga a vantagem. Detesto sua personalidade, assim como suas atitudes, mas fez por merecer essa vitória e praticamente aniquilou o seu erro na prova anterior – já está na cola dos líderes na tabela do campeonato.

KIMI RÄIKKÖNEN (Enzo Maeda) – 8 – Fez também uma corrida muito interessante, mas sua atuação ficou um pouco apagada diante da excepcional corrida de Fernando Alonso. Excelente segundo no grid de largada, pôs tudo a perder com a má largada, caindo para quarta colocação logo de cara – se isso não acontecesse, poderia ter segurado Alonso e até vencido a prova. Também se precipitou na tentativa de ultrapassagem sobre Sergio Pérez por fora e, por sorte, ninguém se prejudicou. Do outro lado da moeda, também teve um ritmo constante e forte, segurando Lewis Hamilton no final, com um carro já se acabando na borracha.

LEWIS HAMILTON (Enzo Maeda) – 7,5 – Esperava-se um pouco mais do pole-position, pois aparentava ter o carro mais rápido (embora não necessariamente o melhor), mas o consumo de pneus não correu às mil maravilhas. Sofreu algumas ultrapassagens, como as da dupla da Ferrari, de Kimi Räikkönen nos boxes e, com mais uma volta, já com os pneus padecendo, também tomaria uma do veloz Sebastian Vettel. Passou legal por Jenson Button e por mais alguns carros que estavam à frente antes de suas paradas. Sua regularidade o fez se aproximar dos líderes.

SEBASTIAN VETTEL (Enzo Maeda) – 9 – Desta vez estava claro que não tinha o melhor carro, tanto é que não foi nenhum destaque nos treinos e amargurou a nona colocação no grid. Mas foi mostrando ao longo da corrida por que é tricampeão: ao largar com os compostos médios, foi realizando ultrapassagens, seja na pista, seja no momento dos boxes de outros carros. No final, usando pneus macios e com carro leve, descontou dez segundos em três voltas e na última curva encostou de vez no britânico, mas foi uma pena ter freado tarde e tracionado mal na última curva, onde poderia ter conquistado o pódio.

JENSON BUTTON (Enzo Maeda) – 9 – Longe de dispor do melhor carro, sua pilotagem técnica e inteligente (estilo “professor” Alain Prost) o fez poupar uma parada extra nos boxes e ainda lhe permitiu tempos quase iguais ao da concorrência. Não apareceu muito em ultrapassagens, tomando umas inclusive. Mas fez uma corrida ascendente e suas esperanças de dias melhores voltaram, sendo visível a evolução da McLaren frente a outras corridas, que foram um fiasco perante sua tradição.

FELIPE MASSA (Enzo Maeda) – 5  – Teve muita oscilação de desempenho, de forma descendente: liderança no treino de sexta, quinta colocação no grid e no início da corrida, com boa largada, estava no mesmo ritmo que Fernando Alonso e pressionando-o até a parada nos boxes, quando estava com pneus macios. A Ferrari teve a preferência pelo espanhol somente na primeira parada, fazendo-o parar uma volta depois, o que o levou a perder duas posições para Lewis Hamilton e Kimi Räikkönen devido ao desgaste dos compostos. Até aí, tudo bem. Mas após o retorno, com os compostos duros, além de perder muito tempo nas ultrapassagens, não se adaptou nessas condições. Isso é provado com a crescente vantagem de Alonso, que provavelmente com o mesmo carro, venceu a corrida. Outras paradas foram adiantadas para o brasileiro não ficar preso atrás de carros mais lentos, como de Paul di Resta e Nico Hülkenberg e foi seu tempo nos boxes o mais rápido de todos. Assim, é impossível atribuir culpa alguma à Scuderia.

DANIEL RICCIARDO (Enzo Maeda) – 8,5 – Fantástico nos treinos e na corrida. Largou bem, segurou alguns carros mais rápidos como os de Lewis Hamilton e Jenson Button e no final foi se aproximando perigosamente de Massa com pneus na casca. Com um carro no máximo mediano, ficou à frente de muitos carros superiores ao seu, como os de Romain Grosjean e Sergio Pérez. Fazia tempo que não pontuava, sendo que quando acontece, vem de baciada, ao contrário de seu companheiro francês Jean-Éric Vergne.

PAUL DI RESTA (Enzo Maeda) – 7 – Não foi um grande destaque, pois seu companheiro Sutil, zicado por batida causada por Gutierrez, estava à sua frente quando foi abalroado. Tomou ultrapassagem também do mesmo no início, mas compensou sua corrida como sendo uma pedra no sapato de Felipe Massa por muitas voltas, mesmo este tendo carro muito mais rápido. No final, com as paradas, acabou se contentando com o oitavo lugar.

ROMAIN GROSJEAN (Enzo Maeda) – 3,5 – Outro que teve uma diferença abissal de desempenho em relação ao companheiro desde a classificação, onde ficou na sexta colocação contra a segunda do Kimi Räikkönen. Na corrida, permaneceu sempre no pelotão intermediário, e se não fosse algumas ultrapassagens depois da metade da corrida em carros inferiores como o Sauber de Nico Hülkenberg e o McLaren de Sergio Perez, teria ficado de fora dos pontos enquanto seu companheiro fica em segundo. Parece que seu comportamento mais civilizado na corrida o fez ficar mais lento em relação ao ano passado.

NICO HÜLKENBERG (Enzo Maeda) – 8 – Com um carro no máximo mediano, conseguiu a façanha de liderar por algumas voltas, ajudado pela opção de largar com pneus mais rígidos, postergando sua primeira parada. Porém, com o passar das voltas, tomou algumas esperadas ultrapassagens e no final, sendo obrigado a usar pneus macios, acabou decaindo para a posição de lascar um pontinho. Mas, analisando o carro, inferior ao do ano passado e também seu companheiro trapalhão, fez corrida muito boa.

SERGIO PÉREZ (Verde)2,5 – Está perdidinho da Silva. Na sexta-feira, escapou da pista duas vezes. No sábado, apanhou do carro novamente e ficou apenas em 12º no grid. No domingo, nada deu certo. Tentou a mesma estratégia de dois pit-stops de Jenson Button, mas tudo o que conseguiu foi um carro lento que só servia para incomodar os pilotos que vinham atrás. Em determinado momento, Kimi Räikkönen lhe deu uma bela estampada na traseira. “O que diabos esse chicano lazarento está fazendo?”, indagou o lacônico finlandês. Nada. Sergio não fez nada. O fim de semana inteiro.

JEAN-ÉRIC VERGNE (Verde)3,5 – Não que ele tenha tido um fim de semana horroroso, mas a avaliação se torna bem cruel quando se compara sua atuação com a do colega Daniel Ricciardo. Largando oito posições atrás do companheiro, JEV não tinha muito o que fazer durante a corrida. Ainda foi bastante prejudicado quando Mark Webber atropelou seu carro, danificando o assoalho. Mesmo assim, terminou à frente dos dois caras da Williams.

VALTTERI BOTTAS (Verde)4 – No descalabro em que todos os pilotos estreantes dessa temporada se encontram, até que o finlandês da Williams conseguiu ter um razoável GP chinês. OK, ele largou lá atrás e terminou longe dos pontos, mas fez o que tinha de fazer. Escapou do Q1 na qualificação, não cometeu erros e conseguiu ultrapassar Pastor Maldonado nas últimas voltas. Jules Bianchi à parte, vem sendo o mais interessante dos novatos até aqui.

PASTOR MALDONADO (Verde)2,5 – De bom, apenas o fato de ter terminado sua primeira corrida na temporada. Durante os treinos, só pedreira. 14º no grid de largada, sem um carro ultraveloz e sem aquele ímpeto assassino característico de seus dois primeiros anos, o ex-chavista esteve sumido na corrida. Sofreu com os pneus durante todo o tempo e ainda foi ultrapassado por Valtteri Bottas no final da prova.

JULES BIANCHI (Verde)5 – Já deixou de ser uma surpresa. Em Shanghai, foi durante todo o tempo o mais veloz dos pilotos das equipes pequenas. Meteu oito décimos no companheiro Max Chilton no treino classificatório e se não fosse por um erro na volta mais rápida, poderia ter ficado mais perto da Sauber de Esteban Gutiérrez. Na corrida, penou com os pneus e passou um tempão atrás da Caterham de Charles Pic. Recuperou-se no final, mas teve de cuidar dos pneus, que se desgastaram rapidamente. Dia difícil, mas o resultado foi bom.

CHARLES PIC (Verde)4 – Teve uma sexta-feira pouco movimentada: entregou o carro ao lamentável Qing Hua Ma no primeiro treino livre e teve um problema hidráulico no segundo. Sem tanta quilometragem, ficou atrás até mesmo de Max Chilton no grid de largada. Até que o domingo foi aceitável. Largou bem e ultrapassou Jules Bianchi logo no começo. Poderia ter terminado à frente do compatriota, mas foi superado no último pit-stop.

MAX CHILTON (Verde)3 – Num fim de semana no qual a Caterham parecia não ter chance alguma contra a Marussia, o inglês tinha obrigação de ter andado ao menos na rabeira do companheiro Jules Bianchi. Pois isso não aconteceu. Na sexta-feira, praticamente não pilotou no segundo treino devido a um problema de motor. No sábado, graças ao carro, escapou da última fila. No domingo, foi superado por Charles Pic, mas ainda permaneceu à frente de Giedo van der Garde

GIEDO VAN DER GARDE (Verde)2,5 – Lanterninha desse início de temporada, o holandês sofreu com os pneus durante todo o tempo. Na sexta-feira, sambou para lá e para cá com o precário carro da Caterham e ainda teve problemas com o KERS. Só não ficou em último no grid porque Mark Webber foi penalizado. No domingo, fez uma ótima largada e só. Sempre pagando pecados com os pneus, não conseguiu sequer ameaçar Max Chilton.

NICO ROSBERG (Verde)4 – O vencedor do GP da China do ano passado foi feliz apenas no primeiro treino livre, onde foi o mais rápido. No terceiro treino livre de sábado, andou pouco devido a um problema hidráulico. No treino oficial, poderia ter conseguido um lugar na primeira fila ao lado do companheiro Lewis Hamilton, mas errou na volta rápida e ficou apenas em quarto. A corrida foi uma lástima. Nico largou mal, teve muitos problemas de pneus e a suspensão foi para o saco logo após o segundo pit-stop. O resultado foi o abandono, o segundo em três corridas.

MARK WEBBER (Verde)1 – Parece que o novo corte de cabelo só lhe trouxe problemas. Pelo visto, o australiano segue imerso em seu inferno astral. A Red Bull cometeu um erro primário no Q2 da classificação, deixando o carro nº 2 sem gasolina o suficiente para conseguir sequer retornar aos boxes. Penalizado, Webber foi obrigado a largar dos boxes. A corrida, que já não prometia muito, acabou na volta 15 após uma bobagem espúria do piloto australiano, que atropelou o carro de Jean-Éric Vergne na volta anterior. Com o bólido em frangalhos, só lhe restou a retirada compulsória.

ADRIAN SUTIL (Verde)2,5 – A partir do Q2 da classificação, tudo começou a dar errado para o piloto alemão. Sempre entre os dez primeiros nos treinos livres, Adrian só conseguiu um mirrado 13º lugar no grid. A corrida foi marcada por dois incidentes ainda nas primeiras voltas. Na primeira delas, Sutil e o companheiro Paul di Resta se tocaram e quase fizeram o chefe Vijay Mallya enfartar. Cinco giros depois, seu carro foi atropelado pelo Sauber de Esteban Gutiérrez. Com a asa traseira estourada, não deu para continuar.

ESTEBAN GUTIÉRREZ (Verde)0 – E o garoto que costumava tirar seus rivais da pista nos tempos da GP2 está de volta! Não sei qual será a melhor atuação de um estreante nesse ano, mas posso dizer que a de Esteban Gutiérrez na China é uma boa candidata à pior. O mexicano nunca conseguiu se encontrar, ficou sempre lá atrás nas tabelas e ainda teve um vazamento de óleo em um dos treinos livres. Sua corrida acabou na quinta volta após o moleque atropelar a traseira do carro de Adrian Sutil. Um erro crasso típico de alguém que ainda está com a cabeça nas categorias de base.

 

GP DA CHINA: A China é um país que todo mundo gosta. Os tibetanos e uigures gostam tanto que estão brigando pela independência há pelo menos quatro décadas. Os empresários e comerciantes dos outros países também acham o máximo quando uma família chinesa aparece, abre uma lojinha operada por semiescravos, pratica dumping e quebra toda a concorrência. Muitos fabricantes de bens de consumo também dão pulos de alegria quando são obrigados a competir contra empresas que produzem quinquilharias baratíssimas às custas de mão-de-obra escrava. Os governos brilham os olhos quando descobrem que sua dívida externa galopante pertence aos chineses, como é o caso da empolgadíssima Grécia. Não é à toa que um país extremamente popular como esse seja alvo de um esporte igualmente popular como a Fórmula 1, comandada pelo altruísta Bernie Ecclestone. Realizado desde 2004, o GP da China é uma das corridas mais admiradas pelos fãs do esporte. O circuito de Shanghai é conhecido pela sua extrema criatividade, com suas retas e curvelas de segunda marcha. Destaque para o cenário, muito bonito, ainda mais quando uma névoa cinza resultante da poluição irrompe o autódromo. O sucesso do evento pode ser percebido pelos enormes clarões em várias de suas arquibancadas. Afinal de contas, os chineses gostam e entendem muito de automobilismo – como não se esquecer do sujeito que, em 2004, afirmou que a Ferrari pintava seus carros de vermelho para dar sorte? Para nós, latino-americanos que moramos do outro lado do globo, o GP da China não poderia acontecer num horário melhor, quatro da madrugada. Por isso que essa etapa sempre registra os maiores níveis de audiência televisiva do ano. Por todos esses motivos, confesso a vocês que estou muito ansioso pela corrida. Só que não.

GRIPE: Como se não bastasse o sujeito ter de sair da confortável Europa para desembarcar em uma cidade inchada, poluída, confusa e estranha, ele ainda terá de se preocupar com a possibilidade de contrair o vírus H7N9, responsável pela versão mais mortal da gripe aviária. Nesses últimos quinze dias, um surto da doença, que muitos imaginavam só ser causada por outras variedades de vírus, tem assombrado os chineses e o mundo. Até agora, 38 casos da gripe aviária assassina foram registrados na China, sendo que dez dos desafortunados contaminados acabaram passando dessa para melhor. A última morte registrada até aqui ocorreu, veja só, em Shanghai: um velhinho de 74 anos não resistiu aos sintomas e faleceu ontem num hospital da cidade. Não é a primeira vez que a Fórmula 1 tem essa sorte de entrar num país afetado por alguma epidemia mortífera. Em 2003, os pilotos disputaram o GP da Malásia enquanto o vírus H5N1 tocava o terror no sudeste asiático. Em 2009, o GP da Espanha foi realizado durante os dias em que o país registrava os primeiros casos da famosa gripe suína na Europa. Qual é a explicação? Pode ser que a cara bonita de Bernie Ecclestone traga uma energia tão negativa que a natureza reage causando tragédias nos países que recebem o baixinho asquenaze. Ou pode ser que o mundo simplesmente esteja acabando.

RED BULL: Antes do GP de San Marino de 1989, os dois pilotos da McLaren, Ayrton Senna e Alain Prost, combinaram que o sujeito que completasse a primeira curva na frente não seria ultrapassado pelo outro até o final. Acordo de cavalheiros, sem qualquer formalidade. Na primeira largada, tudo bem, Senna manteve a liderança, Prost ficou logo atrás e tudo seguiu na maior normalidade até o acidente de Gerhard Berger, que anulou a corrida. Na segunda largada, Prost largou melhor e ultrapassou Senna nos primeiros metros. O brasileiro não se conformou e deu o troco logo na Tosa, apenas alguns segundos depois. A atitude de Ayrton foi uma clara quebra do acordo feito entre os dois horas antes. Prost ficou furioso com seu comportamento e os dois colegas se transformaram em inimigos mortais. Vinte e três anos depois, situação análoga se passa na Red Bull Racing. Mark Webber e Sebastian Vettel, líderes do GP da Malásia, são ordenados a tirarem o pé do acelerador nas últimas voltas. O australiano obedece, mas o alemão ignora e ultrapassa o colega, roubando-lhe a vitória. Enfurecido, o sempre falastrão Webber abriu o berreiro: disse que repensaria algumas coisas na sua vida, que a relação entre os dois pilotos voltou a ficar estremecida e que discutirá com a equipe sobre o que pode ser feito. No fim das contas, ele não mandou nenhuma carta-bomba a Vettel, não abandonou a equipe e sua única novidade foi um novo corte de cabelo. Já Vettel demonstrou que não está nem aí: disse que faria de novo se pudesse e ainda justificou que a ultrapassagem se tratava de uma pequena vingança contra um cara que não havia colaborado com ele em outros momentos. Teremos guerra. Lá na península coreana e também em Milton Keynes.

ALONSO: As pessoas não só o odeiam, mas também amam odiá-lo. E dá para entender o porquê. No melhor estilo Alain Prost, o Desbocado das Astúrias faz muitos rirem e outros tantos rangerem seus dentes de fúria com declarações que beiram o absurdo. Desconfio que ele faça tudo isso de propósito, pois sempre dá para capitalizar com a imagem de vilão da Fórmula 1. Quando um jornalista lhe perguntou sobre o que achava da polêmica envolvendo os dois pilotos da Red Bull, Fernando Alonso respondeu que “você é jornalista e, portanto, não vai à redação para pintar as paredes porque não é um pintor. Todos temos nossas funções e precisamos respeitá-las o tempo todo”. Falou isso obviamente porque é o primeiro piloto de uma equipe que faz de tudo e mais um pouco para o primeiro piloto. Mas o melhor foi quando lhe perguntaram sobre o quanto o bom desempenho de Felipe Massa o incomodava. “Estou muito estressado. Não durmo desde a Austrália, só venho comendo arroz branco e meu cabelo está caindo. Um tremendo drama”, ironizou o Humorista das Astúrias. Depois, falou o de sempre: não toma meio segundo de ninguém, os treinos classificatórios das duas primeiras corridas foi uma bagunça e certamente voltará a derrotar todo mundo. Eu gosto de gente que irrita. Gosto de gente que fala coisas absurdas, que choca. Sem elas, o mundo não teria a menor graça. Se vocês soubessem o que falei quando me apresentei no meu primeiro dia de aula da faculdade, esse blog perderia a maioria das suas leitoras.

MA: Se Qing Hua fosse bom, ele certamente se chamaria Qing Hua Bom, e não Qing Hua Ma. Gostou da piada? Que bom que não. O piloto chinês, cujo único título na vida foi o do campeonato chinês de carros de turismo 1600cc, fez sua estreia como piloto-reserva da Caterham no primeiro treino livre do GP da China. Deu vinte voltas, teve um pequeno problema eletrônico no final da sessão e obteve o tempo de 1m43s545. O que isso significa? Que ele ficou a 6s8 do tempo de Nico Rosberg e a 1s5 do penúltimo colocado, seu colega Giedo van der Garde. A situação é indefensável. Ma não é um completo novato: já fez quatro sessões de sexta-feira com o carro da HRT, está competindo na GP2 e já participou de corridas na A1GP e na Fórmula 3. Ainda que sua carreira tenha tido várias idas e vindas e os testes na HRT não contem muito, não dá para dizer que seja o caso de um piloto cuja incapacidade possa ser resolvida com mais experiência. Qing Hua Ma é o típico cara que jamais chegaria perto de um bólido de corrida se não tivesse a grana que tem, um Ricardo Teixeira de olhos puxados, um Giancarlo Serenelli que come gafanhoto frito. Na GP2, ele tomou a vaga do ótimo Alexander Rossi unicamente por causa da carteira. Em tempos mais sadios, a Fórmula 1 jamais daria bola a alguém como ele. Mas como não vivemos tempos sadios e a categoria ruma à falência, é bem possível que Qing Hua Ma seja efetivado qualquer dia desses.

Coala Lumpur?

Coala Lumpur?

RED BULL9,5 – O desempenho na pista foi ótimo: liderança em dois treinos livres, pole-position fácil, pit-stops velocíssimos e dobradinha. Sebastian Vettel ganhou a corrida, Mark Webber chegou em segundo e todos os rubrotaurinos tinham a obrigação de estar felizes com um GP perfeito. Mas não estavam. Na verdade, o clima pesou no melhor estilo GP de San Marino de 1989. Após a última rodada de pit-stops, a equipe pediu pelo amor de Deus para que Webber e Vettel, então nessa ordem, mantivessem as posições até o fim, procedimento normal para qualquer equipe nessa situação. Mark obedeceu, mas o companheiro alemão preferiu quebrar o protocolo e partiu para o ataque, tomando para si a liderança e a vitória. Minha opinião sobre o assunto não é nem um pouco unânime, mas já está cristalizada. Ordens de equipes não deveriam existir, mas já que existem, que os dois pilotos cumpram seus papeis.

MERCEDES9 – O que eu escrevi para a Red Bull vale para a Mercedes. Na pista, o fim de semana foi ótimo. A equipe prateada conseguiu encontrar o caminho das pedras e o W04 esteve muito melhor em Sepang do que em Melbourne. Lewis Hamilton e Nico Rosberg sempre estiveram entre os primeiros nos treinos e só perderam para a Red Bull durante a corrida. O fim de semana só não foi perfeito por causa da palavra mágica “negativo”, proferida por Ross Brawn a um Rosberg curioso que queria saber se poderia atacar seu colega afrodescendente. Fiquei com tremenda pena do filho do Keke, um bom cidadão que paga todos os seus impostos e já contabiliza três temporadas de bons serviços prestados à Mercedes. Imagino que o cara deve estar se sentindo um lixo nesse momento, como se alguém criticasse seu penteado loiro. Pelo menos, ele cumpriu a ordem à risca. Ganhou tapinhas nas costas, garantiu o emprego e assegurou sua posição de segundo piloto. Duro, mas é melhor isso do que uma equipe pequena ou o desemprego.

FERRARI5,5 – Chega a ser curioso que numa corrida onde duas equipes de ponta se envolvem em polêmicas com ordens de equipe, a Ferrari, que é especialista no assunto, termine o GP na tranquilidade. É bom dizer que Felipe Massa só correu com mais liberdade porque Fernando Alonso abandonou ainda na segunda volta. O espanhol, sempre bocudo e totalmente incapaz de assumir seus erros, vaticinou que a equipe é a culpada, pois o obrigou a permanecer na pista com o bico quebrado quando não havia nenhuma condição para isso. Seria interessante se ele se lembrasse que quem bateu em Sebastian Vettel não foi a equipe… Massa, que conseguiu uma ótima segunda posição no grid, teve uma corrida difícil e terminou em quinto. O mais importante: não culpou ninguém pelo resultado decepcionante.

LOTUS4 – A equipe que venceu o GP da Austrália apareceu em Sepang meio tristinha, pálida, deprimida. Não que o carro fosse de todo mal – Kimi Räikkönen não liderou um dos treinos livres à toa. O caso é que todos nós queríamos vê-la brigando pela vitória com Red Bull e Mercedes, e isso não aconteceu. Kimi e Romain Grosjean tiveram problemas no Q2 da classificação, quando começou a chover, e nenhum deles conseguiu lá aquela posição genial do grid. O franco-suíço ainda apareceu melhor na corrida, tendo andado à frente do campeão de 2007 durante quase todo o tempo. Os dois terminaram em sexto e sétimo, respectivamente. Garanto que Kimi preferia ter encostado o carro na garagem e assistido o restante da corrida na companhia de uma garrafa gelada de Coca-Cola e um Magnum trufado.

SAUBER4 – A vida não tá fácil pra ninguém, especialmente pra equipe suíça. O C32, embora bonito, ainda não rende aquilo que todos estavam esperando. Além de não ser muito rápido, o bólido tritura seus pneus de forma assustadora. Nico Hülkenberg e Esteban Gutiérrez ficaram entalados no meio do pelotão durante todo o tempo, mas o alemão ainda conseguiu se recuperar razoavelmente bem no início do GP e terminou na oitava posição após alguns bons duelos. O mexicano só levou o carro ao fim, sem conseguir sequer ficar à frente de Valtteri Bottas.

MCLAREN2 – A vida não tá fácil pra ninguém, está muito difícil para a Sauber e quase insuportável para a outrora dominante McLaren. O GP da Austrália foi tão negativo que a escuderia teve de trazer, às pressas, algumas atualizações para o MP4-28 não passar vergonha também em Sepang. Os resultados melhoraram um pouquinho só, para ser bem franco. Jenson Button ainda conseguiu extrair o máximo do carro ao obter o sétimo lugar no grid e andar em quinto durante algum tempo no domingo. Infelizmente, um mecânico infeliz não conseguiu colocar uma das rodas corretamente, o que comprometeu definitivamente a corrida do piloto inglês. Sergio Pérez ficou no meio do bolo durante um bom tempo, conseguindo marcar dois humildes pontinhos. Tá foda, McLaren, tá foda.

TORO ROSSO3 – Não ficou livre de problemas, mas ainda conseguiu um pontinho, sempre com o oportunista Jean-Éric Vergne. O francês repetiu a mesma toada de 2012: largou bem atrás do companheiro Daniel Ricciardo, mas se deu melhor na corrida. O mérito é ainda maior se pensarmos que sua participação quase acabou após uma colisão com Charles Pic nos boxes, fruto da desastrada atuação do mecânico que cuida do pirulito. Ricciardo não fez muita coisa até abandonar com o escapamento quebrado.

WILLIAMS1,5 – A vida não tá fácil pra ninguém, está muito difícil para a Sauber, quase insuportável para a McLaren e simplesmente inviável para a Williams. O carro é tão ruim que o estreante Valtteri Bottas chegou a ficar um treino livre atrás do igualmente estreante Jules Bianchi, da Marussia. O finlandês ficou para trás no Q1 da classificação, mas compensou com uma corrida razoável e terminou a uma posição dos pontos. Pastor Maldonado fez o de sempre: errou um bocado e abandonou a corrida, dessa vez por problemas no KERS.

MARUSSIA6 – Mas nem todo mundo está tão ferrado assim. A Marussia, por exemplo, vive uma fase rósea, considerando seus padrões não muito altos. Jules Bianchi voltou a brilhar e novamente liderou a turma das equipes nanicas, sempre andando muito mais rápido que seus três rivais diretos. Vez por outra, ameaçava algum piloto das equipes médias. O francês não brilhou na GP2 e não conseguiu o título da World Series by Renault, mas parece ter se encontrado na Fórmula 1. Max Chilton tinha a obrigação de terminar à frente de Giedo van der Garde. Não terminou. O que o dinheiro não faz…

CATERHAM3 – Difícil avaliar. Os dois pilotos tiveram seus pequenos problemas durante a corrida – Charles Pic teve um bico quebrado após o acidente com Jean-Éric Vergne nos pits e Giedo van der Garde sofreu com um furo de pneu nas primeiras voltas. Os dois não conseguiram andar no mesmo ritmo de Jules Bianchi, mas também não tiveram muita dificuldade para superar a Marussia de Max Chilton. Andaram falando que a equipe só terá atualizações no Bahrein. Enquanto isso, o negócio é carregar a lanterninha.

FORCE INDIA0 – A equipe gasta centenas de milhões de dólares na contratação dos melhores profissionais disponíveis do mercado, no desenvolvimento dos monopostos mais sofisticados do planeta e na produção de milhares de pecinhas complexas e importantes, mas não sabe desenvolver um cubo de roda que preste. Paul di Resta e Adrian Sutil tinham bons carros e totais chances de marcar pontos, principalmente o piloto alemão. Mas ambos não terminaram a corrida porque o retardado responsável pela criação de pecinhas miseráveis estava cagando e fez um cubo de roda com o formato do rabo dele. O resultado foi uma série de pit-stops fracassados no último GP da Malásia: absolutamente nenhuma das paradas deu certo. E graças a isso, a chance de um ótimo resultado foi para o ralo.

Coala?

Coala?

TRANSMISSÃOBOA NOITE – Não tenho muito o que comentar a respeito da transmissão oficial por uma razão muito nobre: decidi dormir. Acho inaceitável desperdiçar uma madrugada de sábado para domingo onde eu poderia estar dormindo, transando, bebendo, roubando ou matando com uma corrida idiota. Preferi acompanhar o VT que sempre é exibido num canal pago por aí. Fiquei moderadamente satisfeito com o que eu vi. Senti saudade do histrionismo do narrador oficial, que estava cobrindo um outro esporte, mas a equipe do canal pago é bem competente. E um dos convidados foi o baiano Luiz Razia, ausência desagradável do grid da Fórmula 1 nesse ano. É isso aí: corrida de madrugada, nunca mais.

CORRIDACHUVA, CADÊ VOCÊ? – Sim, ela faz falta. Nos dias hidrofóbicos de hoje, nos quais qualquer cusparada no chão é motivo de desespero por parte de Charles Whiting, talvez não muito. Ainda assim, uma das grandes graças do GP malaio é a tradicional tempestade meio amazônica e meio monsônica que torna a prova um verdadeiro baile de aleijados. Infelizmente, a água desabou apenas entre as corridas de GP2 e Fórmula 1, sendo que os pilotos da categoria maior puderam largar tranquilamente com pneus intermediários. Em pista seca, a prova foi sonolenta até a parte final, quando as equipes Red Bull e Mercedes se viram obrigadas a resolver as picuinhas entre seus pilotos. Os rubrotaurinos impediram que o pau comesse, mas Sebastian Vettel ignorou as ordens e ganhou a corrida. Na Mercedes, o obediente Nico Rosberg não ultrapassou Lewis Hamilton após a ordem austera de Ross Brawn. Sendo bem honesto, foram esses probleminhas domésticos que salvaram a graça da prova.

GP2COMEÇÔÔÔ! – Calma que ainda vou dar um jeito de postar um especial sobre a temporada 2013 da GP2, que promete uma barbaridade. O nível dos pilotos melhorou drasticamente em relação ao ano passado e a disputa pelo título deverá envolver uns cinco ou seis nomes. Dois veteranos ganharam as corridas malaias. No sábado, o vencedor foi Fabio Leimer, que andou muito durante todo o tempo e fez uma ultrapassagem covarde sobre o pole-position Stefano Coletti. No dia seguinte, o monegasco Coletti largou espantosamente bem e saiu da sexta para a primeira posição num piscar de olhos. Ele venceu e foi acompanhado no pódio por Felipe Nasr e Mitch Evans. Aliás, fique de olho nos dois. O brasiliense Nasr, pilotando pela competente Carlin, é um dos bons candidatos ao título. Na Malásia, ele conseguiu somar 24 pontos e ocupa atualmente a terceira posição do campeonato, atrás apenas de Coletti e Leimer. Já o neozelandês Evans, campeão da GP3 no ano passado, foi o melhor dos estreantes com folga e somou logo de cara 11 pontos, deixando o seu companheiro, o veterano Johnny Cecotto Jr., mordendo o lábio de raiva. É uma pena que Mitch ainda não tenha o dinheiro para toda a temporada. Esperamos que os maoris consigam juntar alguma grana para apoiá-lo.

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