Boa tarde a todos. Bom dia e boa noite aos dois ou três leitores que se encontram em um fuso horário diferente.

Em outubro do ano passado, o leitor Marcelo Druck me enviou um relato bastante interessante sobre sua viagem à Coréia do Sul, aquela cheia de prédios altos e gente de cabelo colorido. Fã de Fórmula 1, Marcelo aproveitou a ocasião para assistir ao GP da Coréia, realizado no dia 14 de outubro de 2012. A corrida em si foi uma merda, creio que eu mesmo devo ter dormido depois da segunda ou terceira volta, mas isso não importa. O intrépido viajante esteve lá em Yeongam naquele dia e suas impressões sobre o GP estão no relato postado abaixo. Para quem nunca esteve numa corrida internacional de Fórmula 1, o que é o meu caso e certamente é o de 97,8% dos meus leitores, é uma leitura imperdível.

A propósito, a melhor parte de sua viagem ao noroeste asiático certamente não foi a corridinha de Fórmula 1. Em abril deste ano, o portal G1 apresentou as histórias de alguns brasileiros doidos que contrariaram as opiniões ortodoxas de amigos e parentes e decidiram conhecer a Coréia do Norte, conhecida como o país mais fechado do planeta. Marcelo foi um destes. Na reportagem, você poderá ler algumas de suas impressões sobre a misteriosa nação norte-coreana. Detalhe para a foto com o militar, impressionado com a presença de um sujeito branco, bigodudo e orgulhosamente trajado com a camiseta do Grêmio.

(Só eu fiquei gratuitamente incomodado com o outro brasileiro, que fazia questão de tirar foto com cara de tonto com os norte-coreanos?)

Inspirador. Meu sonho de conhecer o Cazaquistão se tornou um pouco menos inalcançável depois disso.

Eu deveria ter postado esse texto ainda no ano passado. Não o fiz por inúmeras razões, a maior parte delas relacionada à absoluta falta de tempo. Hoje, tomei vergonha na cara. Peço desculpas novamente ao Druck pela demora. E ainda conclamo aos leitores para que enviem suas histórias. Já assistiu a uma corrida em outro país? Teve algum contato interessante com o mundo do automobilismo? Já foi piloto, chefe de equipe ou dono judeu de alguma categoria internacional? Mande seu relato. Prometo que não demorarei onze meses para postar.

Chega de parlatório. Vamos ao texto.

 

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Antes de mais nada, este é um relato sobre pilantragem.

In you we trust

In you we trust

Os coreanos são um povo muito organizado e honesto, ao menos para o olhar leigo. O país parece funcionar como um relógio suíço. O grande exemplo disso (e que diferença para quem vem de São Paulo!) é o transporte público. Lá eles primeiramente esperam os outros passageiros saírem e só depois entram no vagão do metrô, sem desespero nem empurra-empurra. Também é impressionante ver que os ônibus e estações do metrô não costumam ter catracas e as pessoas pagam mesmo assim.

Não houve pilantragem em nenhum transporte público. Usei meu T-Money, o Bilhete Único deles com nome de rapper ruim, em todos meus deslocamentos.

Quando comprei meu ingresso para assistir à corrida em Yeongam, não sabia que a Coréia do Sul era assim. Faltavam alguns meses para as minhas férias e eu não acreditava que nenhum povo pudesse ser tão organizado. Acabei por escolher o ingresso mais barato, só para ir na corrida mesmo.

O autódromo de Yeongam fica nos arredores de Mokpo, uma aprazível cidade na costa sudoeste do país. Pelo que havia lido, diziam que era um cu de mundo, mas foi fácil chegar lá de trem-bala. O preço era bem justo, cada passagem custava uns R$ 80 para uma distância maior que o trajeto São Paulo – Rio de Janeiro, mas a viagem só durou umas três horas. Também havia ônibus gratuitos da estação para o autódromo.

"Se tu quiser mostrar essa bizarrice". Sem problemas, até porque bizarro mesmo seria uma foto dessas com o Psy

“Se tu quiser mostrar essa bizarrice…”. Sem problemas, até porque bizarro mesmo seria uma foto dessas com o Psy

Como comprei meu ingresso pela internet, deveria retirá-lo perto da entrada da reta dos boxes. Fiquei espantado ao ver que o funcionário era um tiozão inglês com cara de pilantra. Como faltavam cerca de duas horas da corrida, fiquei por ali para dar uma olhada nas lojas das equipes antes de ir para meu lugar. Esperava ter qualquer produto das equipes pequenas e a única coisa que me interessou foi uma jaqueta da Force India. Mas tudo era muito caro e deixei pra lá.

Vi que dava pra subir para a arquibancada livremente, sem ninguém pra me revistar ou pedir meu ingresso. A princípio, eu queria apenas tirar umas fotos, ver os boxes, a preparação dos carros, o desfile dos pilotos. Imaginei que mais cedo ou mais tarde ia aparecer alguém pra conferir o ingresso de todo mundo. Não era possível que fosse tão fácil assim ver a corrida num lugar dez vezes mais caro do que o que eu paguei.

Patota

Patota

Resolvi brincar com a sorte, até porque precisava muito ir ao banheiro. Aproveitei que ainda faltava uma hora pra começar a corrida, tempo de sobra para ir ao meu lugar de direito caso me barrassem agora. Que nada, entrei tranquilamente e até dei um olá (“anneyong hasiminika” em coreano, só pra você imaginar como é o negócio) para uns policiais.

A largada é impressionante. Todo o barulho, a expectativa, o cheiro de gasolina, o Romain Grosjean pronto pra fazer alguma merda. É um negócio até meio assustador, mas todo fã de automobilismo precisa ver isso antes de morrer, ou acabarem com o motor a combustão, o que seria muito pior do que morrer.

Começa a brincadeira

Começa a brincadeira

Sobre a corrida, nem tenho muito para falar. Até porque, além de não acontecer muita coisa, da reta dos boxes não dava pra ver nenhuma outra parte do circuito. Só pelos telões que colocaram em cima do paddock. Torci para dar algo errado, algum carro pegar fogo ou algo parecido, mas os pit-stops também foram divertidos.

Depois da corrida, até deu pra ficar relativamente perto do pódio. Mas aí eu já estava mais preocupado em voltar logo pra estação e estava com medo de ter gastado toda a sorte do dia fazendo o penetra. Precisava voltar pra Seoul.

homemdoano

Cansei.

Rali é uma merda. Um saco. Não sei de onde tirei esse negócio de correr sozinho em estradas sinuosas cheias de pedras, poças e poeira. É divertido para quem está do lado de fora, me assistindo, me vendo tomar no rabo enquanto tento conduzir um Citroën na lama a mais de 180km/h. É porque esse pessoal não tem de viajar para a Bulgária, a Jordânia e outros brejos. É porque esse pessoal não tem de pagar a conta do funileiro após uma capotagem no meio do mato. Não, chega, um sonho de uma noite de verão é apenas um sonho de uma noite de verão.

NASCAR também é uma merda. Um porre. Não sei de onde tirei esse negócio de correr em círculos feito um obeso retardado contra 917 carros pilotados por outros obesos retardados. É divertido para quem está lá na arquibancada, enchendo a enorme pança de root beer e cachorro quente enquanto me vê arriscando o pescoço a mais de 300km/h. Os Estados Unidos não são para mim. Os americanos bebem mal e qualquer pessoa com um verbete na Wikipedia vira celebridade por lá. Não quero mais saber disso.

E agora? O que faço? Estou entediado pra cacete e o meu estoque de vodka está no fim. Pelo menos, quando fico sóbrio, dá para ter alguma boa ideia. Hum…

Que tal ligar para alguém lá na Fórmula 1? Deixe-me ver na lista telefônica o que tem aqui. Ferrari, não. McLaren, nunca mais. Red Bull, hum, acho que não há vagas por lá. Mercedes, Force India, Sauber… Que tal a Williams? Eles estão meio desesperados, precisam de um nome mais forte, acho que vão gostar de mim. Mas não gosto de fazer ligações. Odeio. Vou mandar um e-mail. É isso aí. Se for o caso, eles me retornam.

Alô? Sim, é ele. Sim, quero conversar. Para o ano que vem. Um café? Claro. Colombiano, por favor. Se tiver como colocar umas gotinhas de uísque, melhor ainda. Semana que vem? Beleza. A gente se fala. Mandem-me um mapa para chegar a Grove.

E aí, tudo bom? Bonito aqui, hein? Gostei das instalações. Onde está o museu? Quero ver o carro do Keke Rosberg. Nossa, que maravilha. Aqui é o escritório? Ótimo. Então, eu queria ver quais são seus planos para o próximo ano. Eu poderia correr para vocês e atrair uns patrocinadores. Gostaram da ideia? Legal. Podemos continuar nos falando nos próximos dias. Quero, sim, voltar para a Fórmula 1. Podem contar comigo. Vocês sabem onde fica o banheiro? Tem algum pub aqui perto? Excelente. Até mais.

Alô? Sim, é ele. Quem está falando? É da Lotus Renault? Como vocês sabem que eu estou falando com a Williams? Ah, entendi. Como é? Repete a proposta para mim, por favor. Olha só… Caramba. Deixe-me pensar um pouco. Preciso de alguns dias. Eu mesmo retorno. Obrigado.

Alô! Sou eu. Seguinte: recebi uma contraproposta. Da Lotus Renault. Não, não sei quem é que contou a eles sobre nossas conversas. Eles me ofereceram isso, isso e aquilo. O que vocês acham? Ah, é? Não, não tem nada acertado ainda. Eu liguei para vocês para ver o que vocês poderiam fazer. Hum… Ah… Então… Seguinte, a gente segue conversando. Vamos marcar de tomar um uísque qualquer dia desses. Beleza? Até mais.

Alô! Sou eu. Vamos assinar. A Williams não tem nada, aquilo está uma verdadeira bagunça. Onde podemos conversar? Beleza. Não sei chegar a Enstone, mas dou um jeito. Por favor, não falem nada para a mídia ainda. Odeio jornalistas. Outra coisa: não mudem a pintura preta e dourada, ela é muito foda. Até mais!

Muito boa tarde a todos. Sim, é isso mesmo: serei piloto da Lotus no ano que vem. Estou feliz de voltar para a Fórmula 1, acho que o carro será competitivo, brigaremos pelo título e etc. Cara, até tinha me esquecido de como é chato ficar papagaiando frases prontas e clichês para um amontoado de jornalistas inconvenientes. Espero que essa coletiva acabe logo. Onde será que fica a mesa de salgadinhos?

Feliz Natal. Feliz Ano Novo.

Estou gostando da Lotus. A fábrica é bacana. O cafezinho da cantina é ótimo. Os mecânicos bebem pra caralho e falam muita merda. O carro é bonito. Todo mundo gosta de mim aqui. Não tem Ron Dennis me obrigando a andar com camisas passadas ou aquela italianada linguaruda e irritante. Mal posso esperar para o primeiro teste.

Como faz calor nessa porra de Espanha. Pelo menos, os caras bebem sangria da boa. Vamos ao trabalho. Pô, esse carro é rápido. Bem rápido. Gostei. Pena que essa pintura preta esquenta pra cacete. Os mecânicos estão fodidos. Mas o carro é legal, sim. Estou gostando da Lotus. A equipe dos meus sonhos existe.

O que aconteceu, pessoal? Como assim o carro está com problemas no chassi? Como assim a equipe não vai mais participar dos testes dessa semana? Puta que o pariu! O que diabos eu vim fazer nesta desgraça de país quente e falido, então? Vá se foder, eu vou embora. Onde tem um bar aqui perto?

Yeah! Melhor volta da semana! Yeah! Esse carro, quando não quebra sozinho, é rápido pra cacete. Espera só até começar a temporada. Vamos botar pra foder!

Como odeio avião. Como odeio ficar sentado nessa birosca durante 24 horas. Pelo menos, o uísque não está tão ruim como da outra vez. Chegamos. A Austrália é legal pra cacete. Difícil admitir, mas senti falta disso aqui. Vamos lá. Porra, não esperava largar tão atrás. Espero que amanhã seja melhor. Nossa, que confusão nessa largada. Como tá difícil ficar andando com esses pneus fodidos aqui. Maldonado bateu? Caralho! É, sétimo lugar, fazer o quê?

Essa Malásia é um inferno do cão. Olha lá aquelas nuvens… Melhor descolar um guarda-chuva. Merda de quinta marcha que não entra. O que está acontecendo? Não acredito. Pessoal, o câmbio já era. Vou ter de largar lá do meio do pelotão. Chuva? Bora colocar uns intermediários. Deu certo! Que tédio. Acabou. Ainda bem. Onde tem cerveja gelada nessa fornalha?

País esquisito. Gente estranha. O que eles bebem aqui na China? Carro lento. Melhorou. Melhorou pra caramba! Vamos celebrar o quarto lugar no grid com escorpião frito em algum boteco por aí. Vamos que vamos. Webber desgraçado. Opa, espera aí? O que tá acontecendo com meu carro? Macumba? Até o Felipe Massa me ultrapassou! Vou aos boxes ver o que diabos está acontecendo. Que droga. Não tenho dois dias bons seguidos. Vou beber um pouco pra relaxar.

Puta idiotice inventar uma corrida no meio do deserto, ainda mais uma corrida sem champanhe. Olha só, o carro tá bom pra caramba. Mais um sábado de merda. Esse calor não acaba, não? Tchau, galera! Toma essa, Hamilton! Tá muito fácil, tá muito fácil. Será que eu ultrapasso o Vettel? Cheguei. Putz, ele fechou a porta. Vai dar não. Segundo lugar tá bom. Essa porcaria de suco de romã de novo?

Chupa todo mundo! Tá vendo como eu ainda consigo andar rápido? Não tenho medo do… Qual é o nome dele, mesmo? Ah, é verdade, Romain Grosjean… Conheço essa pista de Barcelona aqui tão bem quanto uma garrafa de Johnnie Walker. Três pit-stops, é isso mesmo. Sou muito espertão, ninguém mais vai fazer isso. Espera aí? Quando é que o Alonso e o Maldonado vão parar? Diacho… Será que consigo passar o Fernando? Vai dar? Não. Pelo menos, dessa vez, tem champanhe me esperando no pódio.

Odeio vir a Mônaco. Essa gente não vai parar de ficar tirando fotografia, não? Será que aquele bar ao lado do Cassino está aberto? Hum, tive uma ideia. Pronto. Esse capacete homenageando o James Hunt ficou legal à beça. Vou usar nesse fim de semana. Que carro ruim. QUE CARRO RUIM! Esse pessoal atrás de mim se ferrou. Porra, Pérez viado! Nossa, que corrida escrota. Foi mal, Hunt.

O que tem pra fazer aqui no Canadá? Só tem indiano andando na rua. Que sono. Não melhoraram esse carro, não? Como o Grosjean fez isso? O sobrenome dele é Grosjean, né? Sábado lixo. Já sei: vou fazer um único pit-stop amanhã. Droga, não deu certo. Parabéns, Romain! Sobrou um pouco de champanhe na sua garrafa?

Isso aqui parece Mônaco após a guerra. Não tem nenhum boteco por aqui? Finalmente deram um jeito no carro, hein? Ô circuito ingrato. Por que essas lesmas não saem da minha frente? Toma essa, Maldonado! Quantos abandonos… Tchau, Hamilton! Estou em segundo? Quem é esse velho queixudo que está no pódio? O que é essa água saindo do olho do Alonso?

De volta à Inglaterra. Como eu gosto daqui, dos pubs, das cervejas pretas, dos uísques… Maldito KERS que não funciona. Droga de largada. Como a pista ficou estranha após as mudanças. Esse tal velho queixudo do último pódio não é tão difícil assim de ultrapassar. Como eu faço para me livrar desse Felipe Massa? Não deu. Bora pro pub.

O bom da Alemanha é que os caras bebem cerveja numas canecas gigantescas. A propósito, já falei que acho esse circuito tão sem graça como cerveja sem álcool? Que chuva chata. Esses treinos foram uma desgraça. Tô gostando da corrida. Chupa, Paul di Resta. Ninguém me segura com os pneus macios! Bom quarto lugar. Opa, espera aí, fiquei em terceiro? Como assim? O que fizeram com o Vettel? Cadê meu champanhe?

Quanto finlandês aqui na Hungria. O carro está legalzão. Fiquei atrás do… Qual é mesmo o nome dele? Obrigado. Fiquei atrás do Romain Grosjean de novo? Vamos mudar a estratégia? Esse pit-stop que não chega logo. Puxa, valeu a pena. Tchau, Grosjean! Será que vou ganhar dessa vez? Não deu. Pelo menos, a garrafa de champanhe do segundo colocado é do mesmo tamanho da do primeiro.

Adoro Spa. Ganho aqui todo ano. Não tem erro. Bem que o carro poderia colaborar um pouco. Um salve pra quem acha que eu não ando bem no sábado. Os caras tão malucos. Sobrou alguém nessa corrida? Ih, olha lá o velho queixudo. Será que eu consigo ultrapassá-lo na Eau Rouge? Vou tentar no três. Um. Dois. Três. Eita. É, foi fácil. Fácil demais. O que aconteceu com o carro? O que acontece com o carro? Como eu terminei no pódio? Sou foda demais.

Por que essa italianada está me olhando torto? O vinho daqui me dá diarreia. Esse carro não anda nada nas retas. Que aborrecimento. Ufa, não bati na largada. Esse velho queixudo está no meu caminho de novo? Está virando meu freguês. Quem esse mexicano pensa que é? Puxa vida… Turbinaram o carro dele? Que tédio. Acabou? Nem percebi.

Quem inventou esse negócio de correr à noite? Cidade bonita. Onde tem um bar legal para ir após a prova? Pô, esse carro também não anda em pista lenta? Pista horrorosa. Tô ferrado. Não vai dar pra fazer nada nessa corrida. Esses carros prateados estão me atrapalhando. Só quero marcar uns pontos e ir pro bar. Como é que eu terminei em sexto?

Tenho medo de terremotos. Gosto de saquê. Vejo pornô japonês enquanto a Jenni está dormindo. Tá tudo errado nesse carro. Putz, rodei. O que vou fazer na corrida? Bateram em mim! Alonso se fodeu. Esse mexicano bicha quase me tirou da pista. Pô, Hamilton, até você? Ninguém vai me deixar em paz? Me deixaram em paz. Cheguei ao fim inteiro. Cheguei ao fim inteiro?

Oppa Gangnam Style. Não tem boteco nenhum aqui perto. Autódromo esquisito. Por que não vejo cachorros correndo na rua? Até que enfim melhoraram essa bosta desse carro. Como vou conseguir derrotar a Ferrari? Felipe sacana. Hamilton… Hamilton… Hamilton… Hamilton! Já não era sem tempo. Estou com sono. Isso que dá correr de madrugada.

Quanta criança pobre. Quanta favela. Não tem boteco nenhum aqui perto. Autódromo esquisito. Por que tem tanto cachorro e vaca correndo na rua? Traçado bacana. Não dá pra brigar com as três equipes de ponta. Sono. Largada. Sono. Felipe Massa. Sono. Felipe Massa. Sono. Felipe Massa. Sono. Acabou. Vou sair do autódromo por outro caminho pra não encontrar o Massa na minha frente.

Mais uma corrida no deserto. Que porre. Nem vai ter champanhe no pódio de novo. Foda-se se vou subir ao pódio ou não. Puxa, o carro está bom. Uau, que largada. Só tem o pulha do Hamilton na minha frente. Será que vou ganhar? E essa McLaren lenta aí na minha frente? Caramba, sou o líder! O que esse engenheiro mala está me enchendo o saco no rádio? Me deixa em paz, eu sei o que estou fazendo! Tô rápido como um foguete. Que merda de safety-car. Esse engenheiro falando bosta de novo? Sim, sim, sim, eu já estou conservando os pneus o tempo todo, você não precisa me lembrar disso a cada dez segundos! Ganhei! GANHEI, CARALHO! CHUPA TODO MUNDO. Não tem champanhe? Ah, que bosta, nem queria ter vencido.

EUA de novo? Nunca achei que voltaria para cá de novo. Bando de texano tosco. Gostei da pista. Gostei do carro. Preciso agradecer ao meu companheiro (qual é o nome dele mesmo?) pela posição no grid. Que primeira volta de merda. Esse Hülkenberg está me aborrecendo os bagos. Droga de pneus. Corrida chatinha. Quero férias!

Ufa, tá acabando. Caipirinha! Que trânsito dos demônios! Povo barulhento. Tempo horrível. Não tô acertando uma volta nesses treinos. Vai ser foda. Olha aquela nuvem! Que loucura. Que medo. Pit-stop já? Em que posição eu estou? Vai chover? Vai parar de chover? Tô perdido. O carro não faz curva direito. Tá vendo? Diabos. Hum…Tem um caminho por ali. Onde será que vai dar? Quem sabe eu não acabo parando num camarote cheio de bebida e mulher gostosa? Caramba… Opa! Não tem saída? Que merda é essa? O que eu faço? Pra onde eu vou? Vou ter de voltar. Sou um tapado, mesmo. Deveria parar de beber escondido antes das corridas. É por ali, né? Que vergonha. Que bagunça. Olha o velho queixudo de novo! Muito fácil passar por ele. Acabou? Acabou? Ufa. Alguém me explica como se faz para sair do autódromo?

Cansei. Que temporada, cara. Vou descansar. Como é que é? Convite pra festinha da Fórmula 1 na Turquia? Quem é que vai? Ah… Não, não vou não. Open bar de uísque não compensa a presença daquele monte de gente mala. Vou fazer um videozinho engraçadinho desejando Boas Festas pra todo mundo. Saatanan Mulkku! Acabou o ano. Hora de bebemorar. Foda-se o resto. Foda-se. Foda-se.

kimiraikkonen

Se tivesse alguma capacidade de se expressar, essas seriam as palavras de Kimi Räikkönen, indubitavelmente o homem do ano na Fórmula 1.

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MCLAREN9,5 – Um final de campeonato espetacular para uma equipe que, convenhamos, se esforçou para perder o título. Se pararmos para pensar alguns milissegundos, concluímos que era ela, e não Red Bull ou Ferrari, que teve o melhor carro da temporada durante mais tempo. Graças ao trabalho conjunto entre pilotos, mecânicos, engenheiros e o acaso, os saltimbancos de Woking ficaram bem longe do título. Mesmo assim, o fim de semana de Interlagos foi ótimo. Lewis Hamilton e Jenson Button foram sempre os dois cabras mais velozes, monopolizaram a primeira fila e, Nico Hülkenberg à parte, poderiam ter feito uma bela dobradinha. Hamilton acabou tocado por Hülkenberg e saiu da prova, mas Button salvou as honras mclarenescas. Incógnita em 2013.

FERRARI8,5 – Se não fosse pela real importância dessa corrida, eu diria que a Ferrari tinha todos os motivos do mundo para deixar Interlagos extremamente satisfeita. O carro, embora não muito veloz nos treinos, correspondeu razoavelmente bem na corrida, os mecânicos trabalharam direito, Felipe Massa foi de grande ajuda e Fernando Alonso fez tudo certinho e redondinho para terminar na melhor posição possível. O que faltou foi apenas o sonhadíssimo título de pilotos, conquistado novamente pela Red Bull. Mas é isso aí, não dá para conseguir tudo o que se deseja. Alonso e Massa, já acostumado com ordens de equipe, foram boas engrenagens do colosso ferrarista no Brasil. Agora, é voltar para Maranello e se embebedar com vinho tinto ao som das lamúrias de Luca di Montezemolo.

RED BULL9 – Os parabéns a quem merece. Meus parabéns a Sebastian Vettel, candidato a lenda do esporte mundial, tricampeão mundial, dono de números simplesmente incompatíveis com um moleque de apenas 25 anos de idade e cara de bobo. Meus parabéns a Adrian Newey, que embolsou mais um caneco. Meus parabéns à equipe de engenharia, que construiu um carro forte o suficiente para aguentar pancadas dos sobrinhos que aparecem na vida. Meus parabéns aos mecânicos, que fizeram com Vettel o pit-stop mais rápido da corrida na décima volta. Meus parabéns à Red Bull, que somou mais uma conquista para seu grande currículo. E meus pêsames a Mark Webber, que está aquém disso tudo.

FORCE INDIA8,5 – Talvez sua melhor corrida do ano, embora minha memória não me permita lembrar-me das outras. O cara que liderou a turba indiana foi Nico Hülkenberg, de malas prontas para a Sauber. O alemão provou que é especialista em Interlagos e fez miséria tanto no treino oficial como na corrida, onde liderou muitas voltas e se portou como grande favorito a vitória até cometer um erro besta e bater em Lewis Hamilton no S do Senna. Mesmo assim, terminou em quinto. Paul di Resta, mesmo andando mais atrás, também não foi mal e poderia ter marcado pontos, mas se acidentou no finalzinho da prova. Sem tantos incidentes, dava para ter levado uns bons pontos para casa.

MERCEDES3 – Os anjos do automobilismo decidiram que o único piloto da equipe alemã que marcaria pontos seria o aposentado Michael Schumacher, que encerrou sua razoavelmente produtiva carreira de 21 anos nesse GP do Brasil. Mesmo apanhando de um carro apenas mediano, largando do meio do pelotão e tendo problemas com um furo de pneu, Schumacher se recuperou bem, escapou das confusões e terminou em sétimo. O outro piloto, o poste Nico Rosberg, não fez nada de mais a não ser passar por cima de um destroço, estourar um pneu e dar mais trabalho aos seus mecânicos. Melhor sorte em 2013.

TORO ROSSO4,5 – Na loteria do GP do Brasil, a equipe italiana conseguiu marcar quatro ótimos pontos, ainda que eles não tivessem servido para nada no campeonato de construtores. Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne sofreram como sempre nos treinamentos, mas o clima imprevisível deu aos dois a chance de andar entre os dez primeiros. Ricciardo fez cinco pit-stops e acabou terminando entre os últimos. Mais afortunado, Vergne completou a prova na oitava posição e finalizou a temporada à frente do companheiro na tabela de pontuação. Os mecânicos, coitados, trabalharam mal na maioria dos pit-stops.

SAUBER3,5 – Já teve fins de semana bem melhores. Na cidade de São Paulo, os suíços praticamente só ficaram à frente da Toro Rosso entre as equipes que contam. Kamui Kobayashi e Sergio Pérez tiveram as dificuldades de sempre no treino oficial e largaram lá no meio do bolo. O mexicano abandonou logo, vítima das peripécias de Bruno Senna. Kobayashi seguiu em frente e aproveitou-se do bom ritmo de corrida de seu carro para andar na frente durante algum tempo, mas não conseguiu ficar por lá até o fim, rodou no finalzinho e terminou apenas em nono. Fim de semana sonolento.

LOTUS2,5 – Não me lembro se isso já aconteceu por aqui, mas Kimi Räikkönen levou nota dez e Romain Grosjean tomou um redondo zero no mesmo GP. Logo, a Lotus ganha um cinco, certo? Errado. A equipe não se acertou em Interlagos e teve dificuldades durante os três dias. Kimi teve problemas de motor no terceiro treino livre, andou pouco, não conseguiu acertar o carro e só largou em oitavo por obra divina. Na corrida, tirando o magnífico passeio pelo anel externo, não fez mais nada e terminou sambando na décima posição. Grosjean, estúpido, poderia ter ido bem melhor que o companheiro, mas bateu no treino oficial e na corrida. Mais uma vez, a Lotus não consegue fechar seu bom pacote.

CATERHAM8,5 – Dar oito e meio para uma equipe que pôs um carro em 11º e outro em 14º é estranho, mas estes resultados, em que se pese serem irrelevantes à primeira vista, garantiram no último instante a valiosíssima décima posição para a escuderia verde no campeonato de construtores, o que significou alguns bons milhões de dólares a mais no cofre. Tudo graças a Vitaly Petrov, que teve um desempenho muito bom durante o fim de semana, claramente melhor que o do experiente Heikki Kovalainen. O finlandês, aliás, está pilotando como um funcionário público à beira da aposentadoria. É isso mesmo?

MARUSSIA3 – A Marussia não fez muito menos que a Caterham em Interlagos, mas a nota baixa se deve às consequências de Charles Pic ter perdido a 11ª posição para Vitaly Petrov nas últimas voltas. Graças a isso, a equipe russa perdeu a décima posição no campeonato de equipes e, portanto, deixou de ganhar 25 milhões de dólares a mais. Triste, mas também não dá para dizer que ela merecia mais do que a Caterham de Petrov. Pic e Timo Glock chegaram a andar atrás da HRT em um dos treinos livres e só ocupou posições melhores durante a corrida por causa das inúmeras alternativas. Que a equipe consiga disputar posições de verdade no ano que vem.

HRT2 – É triste comentar sobre o GP do Brasil da HRT sabendo que ela não estará mais na Fórmula 1 em 2013. Essa última corrida foi bastante melancólica para seus mecânicos, que encheram a cara e arranjaram altas confusões dentro do avião de volta para a Europa. Pelo menos, o trabalho derradeiro foi feito de maneira profissional, coisa que não aconteceu nos casos da Forti-Corse, da Arrows e da Onyx, por exemplo. Pedro de la Rosa e Narain Karthikeyan largaram e terminaram a corrida sem se envolver em problemas. O espanhol foi atingido por trás por Romain Grosjean no treino oficial, mas deu sorte em não sofrer nenhum acidente mais perigoso. E assim terminou a história da HRT, que fez três temporadas completas e não fez muito mais do que preencher a última fila dos grids da vida.

WILLIAMS3,5 – É complicado quando você tem um carro bom e dois jumentos no volante. Nossa, peguei pesado. Mas é isso aí: Pastor Maldonado e Bruno Senna jamais deveriam ter abandonado a corrida tão cedo, ainda mais pilotando o eficiente FW34. Os dois andaram direitinho no treino oficial, mas nenhum deles conseguiu boas posições no grid: Maldonado foi punido por não ter se pesado e o sobrinho é meio lento, mesmo. Na corrida, um bateu em Sebastian Vettel logo na primeira volta e o outro bateu sozinho na segunda volta. Graças aos sul-americanos, a Williams não conseguiu chegar nem perto de Sauber e Force India no campeonato de construtores de 2012.

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TRANSMISSÃORUBINHO PRA PRESIDENTE – Analisar transmissão de GP do Brasil é um grande desafio porque é a única vez no ano que a emissora oficial nos bombardeia exaustivamente com horas de reportagens manjadas sobre o atendimento prestado pela equipe de socorro de Interlagos e matérias oportunistas sobre frivolidades da Fórmula 1. Neste ano, a transmissão oficial foi enriquecida com a presença de Rubens Barrichello, piloto da Indy e fanfarrão profissional. Rubinho pegou um microfone e fez uns frilas de repórter de grid, conversando com gente como Jenson Button na maior cara de pau. Depois, tentou falar com Michael Schumacher, mas chegou atrasado demais porque a vida é assim com Barrichello. No mais, sua participação foi bastante interessante, muito mais do que a do outro ex-piloto de Fórmula 1 que faz parte das transmissões desde 2004. Se não continuar correndo no futuro, bem que Rubinho poderia arranjar um emprego de David Coulthard da transmissão brazuca. Que foi uma merda, diga-se. Como ela não conseguiu mostrar um único replay decente dos acidentes de Romain Grosjean, Pastor Maldonado e Paul di Resta? Deixaram a operação de imagens a cargo de macacos, só pode ser. Por isso que todo mundo acha que o Brasil é comandado por símios.

CORRIDASALVE INTERLAGOS – O GP do Brasil de 2012 foi um desses que a gente guarda com carinho no HD, para ver, rever e mostrar aos netos num domingo chuvoso à tarde. Poucas decisões de título foram tão tensas como essa. Nos últimos anos, lembro-me apenas de 2003 e 2008, também inesquecíveis. A chuva à moda de Donington Park, que dava as caras de forma totalmente aleatória, serviu para deixar os pilotos ensandecidos. Alguns, como os desastrados Pastor Maldonado e Romain Grosjean, não sobreviveram a algumas voltas. Outros, como o emergente Nico Hülkenberg, aproveitaram a ocasião para mostrar seus dotes, liderar várias voltas e provar a todos que merece um lugar nas equipes de ponta. E a briga pelo título, obviamente, foi espetacular. Quase que Sebastian Senna deixou o tricampeonato escapar pelas mãos na primeira volta devido ao toque de Bruno Sobrinho. Fernando Prost fez a lição de casa, mas não levou porque o rival alemão ainda se recuperou de maneira formidável. Vettel e Alonso são dois caras fora-de-série e a Fórmula 1 deve agradecer por tê-los competindo juntos. Outros dois que merecem menção positiva são o vencedor Jenson Button e o espetacular Lewis Hamilton, praticamente um “campeão moral” de 2012 e outro fora-de-série. E como não mencionar Kimi Räikkönen? Depois da patuscada de Interlagos, ganhou o coração e a torcida deste blog. Que a diversão desta temporada se repita em 2013.

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JENSON BUTTON9 – Uma vitória discreta, quase banal diante dos acontecimentos de Interlagos. Jenson foi, definitivamente, um coadjuvante num dia de nervosa decisão de título mundial. Mas foi ele, Jenson, que sobreviveu a tudo e venceu pela primeira vez um GP do Brasil. Nos treinos, embora tenha largado da segunda posição, o britânico nunca foi considerado um favorito ao sucesso. Na primeira curva, chegou a ser ultrapassado por Felipe Massa, mas recuperou logo em seguida. Virou candidato à vitória quando decidiu permanecer na pista com pneus slicks nas primeiras voltas, estratégia genial. Depois, ultrapassado por Lewis Hamilton e Nico Hülkenberg, parecia conformado com o terceiro lugar, mas o acidente entre os dois abriu espaço para sua liderança. Sem maiores tropeços, Button fechou o ano no degrau mais alto do pódio, morrendo de rir. No ano que vem, terá uma McLaren somente para ele.

FERNANDO ALONSO8 – Fazer o que dava, ele fez. A corrida foi louca do jeito que ele queria? Sim, foi. O que faltou, então? Absolutamente nada. Simplesmente não deu. Sebastian Vettel soube maximizar as condições favoráveis de maneira melhor, deu a volta por cima em mais de uma ocasião negativa e ganhou mais um título merecido. Resta a Alonso erguer a cabeça e seguir em frente. Nos treinos, o carro da Ferrari realmente não estava nas melhores condições, tanto que o espanhol não conseguiu nada além de um sétimo lugar no grid. Na corrida, Alonso escapou de todas as confusões e chegou a acreditar que seria campeão do mundo após o problema de Vettel na primeira volta, mas o alemão se recuperou de maneira fantástica. O acidente entre Lewis Hamilton e Nico Hülkenberg lhe arranjou um lugar no pódio, assim como o benevolente Felipe Massa, mas o segundo lugar não foi o suficiente para o tricampeonato.

FELIPE MASSA8,5 – O único ponto negativo foi o choro no pódio, algo que soou para este escrevente como a admissão de que “nos dias de hoje, um terceiro lugar é como uma vitória para mim”. O resto foi muito bom: Felipe voltou a ser mais efetivo que Fernando Alonso. Teve dificuldades nos treinos livres, mas se superou na qualificação e largou duas posições à frente do bicampeão espanhol. Na primeira curva, foi tão bem que chegou a estar em segundo lugar, atrás apenas de Lewis Hamilton. Com as nuances da corrida, ficou lá atrás durante algum tempo, mas se recuperou e reassumiu a segunda posição na volta 58. As famigeradas ordens de equipe ferraristas o obrigaram a cair para terceiro, mas o resultado estava muito longe de ser ruim para alguém que mal marcava pontos no início do ano.

MARK WEBBER7 – Embora tenha sido o melhor piloto da Red Bull no resultado final, não teve brilho algum. Ficou em terceiro nos três treinos livres e no treino oficial, sem muitas chances de sonhar com coisa melhor. Na corrida, passou por algumas boas dificuldades. Perdeu um monte de posições logo no início, quase bateu com Sebastian Vettel numa disputa com Kamui Kobayashi, rodou sozinho na Junção e só assumiu a quarta posição no final da corrida. Ninguém prestou atenção, principalmente o pessoal da festiva Red Bull.

NICO HÜLKENBERG9,5 – A atração da corrida. Uma pena que o resultado final não tenha feito jus à emoção proporcionada pelo alemão, que liderou 30 voltas deste GP do Brasil. O cara já vinha bem desde o treino oficial, quando ficou entre os sete primeiros nas três fases e conseguiu um ótimo sexto lugar no grid. Nas primeiras voltas, foi espertão e não colocou pneus intermediários acreditando que a chuvinha passaria rapidamente. Acertou na mosca e foi agraciado com a segunda posição. Muito veloz, ainda conseguiu tomar a liderança das mãos de Jenson Button e por lá ficou durante um tempão. Infelizmente, um erro no Laranjinha, o acidente com Lewis Hamilton no S do Senna e a punição que lhe aplicaram pelo ocorrido acabaram com as chances de vitória, mas Nico ainda finalizou a prova em quinto. Um dos melhores pilotos da temporada, sem dúvida.

SEBASTIAN VETTEL9,5 – Ele não liderou nenhum dos três treinos de sexta-feira. Não conseguiu nada melhor que um quarto lugar no grid. Não largou bem. Não teve sorte quando foi tocado por Bruno Senna ainda na primeira volta. Não teve sossego com as inúmeras mudanças meteorológicas. Mesmo assim, o bravo alemão não desistiu em momento algum. Muito conservador, procurou não se meter em confusões e não ofereceu resistência a ultrapassagens de gente como Felipe Massa e Kamui Kobayashi. Só apertava um pouco o ritmo quando caía para trás e tinha de recuperar posições. No fim das contas, a recompensa final. Sebastian Vettel, tricampeão mundial de Fórmula 1. Mas que sufoco, hein?

MICHAEL SCHUMACHER7 – Até que a segunda despedida não foi tão ruim assim. O heptacampeão de 43 anos fechou o último capítulo de sua carreira com uma corrida dura e difícil, mas muito melhor do que as anteriores. Sem grandes expectativas, Schumi apenas cumpriu tabela nos treinos e teve de largar lá do meio do pelotão, na sétima fila. Um pneu furado, o milésimo nesta temporada, quase acabou com as chances de um bom resultado, mas as circunstâncias foram tão bizarras que o cara, mesmo após quatro pit-stops, ainda ganhou um monte de posições e terminou na sétima posição. Fico triste por dar-lhe uma nota que, apesar do número místico, não condiz com a grandeza de sua carreira.

JEAN-ÉRIC VERGNE6 – Um bom resultado de um cara que teve mais a reclamar do que a celebrar nesta temporada de estreia. Nunca andou bem em treinos e não foi em Interlagos que as coisas ficaram diferentes, ainda que tenha escapado do Q1 novamente. Durante a corrida, teve alguns probleminhas bem desagradáveis. A estratégia de adiar ao máximo o pit-stop só serviu para enganá-lo, pois o quinto lugar virou 15º após a primeira parada. Após o safety-car, o destruidor dos sonhos das equipes pequenas voltou a estragar a corrida de um coitado. Se a vítima de Valência foi Heikki Kovalainen, a de Interlagos foi Timo Glock, que foi acertado por trás e perdeu a chance de sonhar com pontos. No fim, apesar dos pesares, deu pro francês pontuar.

KAMUI KOBAYASHI5,5 – A Fórmula 1 certamente ficará mais pobre se o folclórico japa não encontrar outro emprego que não o de sushiman na bodega do pai. O fim de semana de Interlagos, nesse sentido, não deve ter ajudado muito. Kamui teve as mesmas dificuldades do companheiro Sergio Pérez no treino oficial e largou apenas em 14º. Na corrida, teve altos e baixos. Os momentos ruins foram os quase-acidentes com os multicampeões nazistas Michael Schumacher e Sebastian Vettel. Os bons foram as ultrapassagens sobre o próprio Vettel e Fernando Alonso. Se não fosse a rodada no final do dia, poderia ter terminado em oitavo. Com quatro ou dois pontos a mais, precisará quebrar mais cofrinhos para continuar correndo.

KIMI RÄIKKÖNEN10 – Fórmula 1 não é só ser campeão, beber champanhe e comer uma grid girl. Ao menos para mim, muito mais importante do que vencer é fazer toda a plateia rir e aplaudir. Depois das tortadas na cara e da florzinha que esguicha água, a desajeitada saída: é assim que funciona um bom espetáculo. Entendi neste GP do Brasil o porquê de Kimi Räikkönen ser o cara mais popular da categoria atualmente. Durante um momento de chuva, o finlandês passou reto pela Junção e tentou, todo espertão, encontrar um atalho pela antiga pista do anel externo. O resultado? Relembre aqui. Esse cara é um mito e não pode ganhar nota menor. Só espero que tenha encontrado o caminho de volta para a Finlândia.

VITALY PETROV8 – A corrida foi tão legal que até o Petrov andou bem. Normalmente, um 11º é um resultado profundamente lamentado por qualquer equipe normal, mas a modesta Caterham não é normal. Graças a esta singela posição, os esverdeados ultrapassaram a Marussia no campeonato de construtores e garantiram uma bocada 25 milhões de dólares maior no rateio da grana das transmissões televisivas destinada às equipes. E verdade seja dita, o russo fez um trabalho muito bom neste final de temporada. No Brasil, deixou Heikki Kovalainen para trás tanto nos treinos como na corrida, onde largou bem, chegou a andar em sétimo e garantiu a posição redentora após ultrapassar Charles Pic nas últimas voltinhas. Será que o soviético fica na Fórmula 1 no próximo ano?

CHARLES PIC6,5 – Eu juro por qualquer coisa que esse cara deixou Vitaly Petrov ultrapassá-lo de propósito nas últimas voltas. Afinal de contas, quem saiu ganhando com isso foi a Caterham, que garantiu a décima posição no campeonato de construtores e que, ironicamente, será sua equipe em 2013. Portanto, nada como dar uma sapecada na corrida para ajudar os futuros patrões. Dito isso, a corrida do francês foi boa novamente. Embora o resultado no treino oficial não tenha sido genial, o desempenho na corrida foi forte o suficiente para ter se mantido à frente de carros mais rápidos. Para mim, sem dúvida nenhuma, Pic foi o estreante do ano.

DANIEL RICCIARDO2,5 – Não adianta: este cara realmente foi mais rápido que Jean-Éric Vergne tanto em treinos como em corridas nesta temporada, mas nunca conseguiu o mesmo nível de resultados quando a sorte favorecia sua equipe. Em Interlagos, o pobre Ricciardo voltou a superar o francês na qualificação, mas teve uma corrida muitíssimo mais problemática. Largou bem e apareceu nas primeiras voltas, mas não contava com o assombroso número de cinco pit-stops, que lhe permitiu andar com os quatro tipos de pneus disponíveis durante um fim de semana (prime, option, intermediário e de chuva forte). Terminou lá atrás, é claro.

HEIKKI KOVALAINEN2,5 – Em Interlagos, esteve com cara, cheiro e gosto de aposentadoria precoce. Para a Caterham ter colocado Giedo van der Garde em seu lugar no primeiro treino livre, é porque o finlandês já está com pé e meio para fora da escuderia. Desanimado, não conseguiu bater Vitaly Petrov em nenhum dos treinamentos de que tomou parte, inclusive o oficial. Durante a corrida, andou entre os dez primeiros durante algum tempo e até sonhou com um bom resultado, mas os cinco pit-stops não lhe foram de grande ajuda. Que tristeza…

NICO ROSBERG1 – Foi talvez o piloto menos produtivo de todo o grid de Cingapura para cá: mesmo pilotando para uma das equipes mais ricas do mundial, não conseguiu marcar um único ponto sequer nas últimas seis etapas da temporada. No Brasil, o alemão teve mais um fim de semana ordinário. Teve até mais dificuldades do que o aposentado Michael Schumacher em alguns treinos livres e pegou apenas um décimo lugar insosso no grid. Na corrida, só apareceu quando deu o azar de estourar um pneu traseiro (sina da Mercedes em 2012) na Descida do Lago, sendo obrigado a fazer um pit-stop extra. Sem ajuda da sorte e sem um carro bom, terminou o ano na seca.

TIMO GLOCK4 – Era ele o cara para assegurar o décimo lugar à Marussia no campeonato de construtores. Mas, infelizmente, não deu. Agradeçam a Jean-Éric Vergne, que não gosta das equipes pequenas e atropelou o pobre piloto alemão enquanto este estava andando em 11º. Se tudo tivesse dado certo, Glock poderia ter marcado o primeiro ponto da história de uma das três escuderias nanicas dos últimos anos. Foi o único momento de brilho do algoz de Felipe Massa em 2008: nos treinos e nos demais momentos, Timo ficou sempre na mesma situação lamentável de sempre.

PEDRO DE LA ROSA3 – O GP do Brasil foi, muito provavelmente, sua última corrida na Fórmula 1. Afinal de contas, quem irá querer um limitado piloto espanhol de 41 anos que teve uma carreira bastante irregular na categoria? Mas, puxa vida, não dá para negar que a motivação ainda permanece grande. Em um dos treinos livres, Pedro até conseguiu superar os dois carros na Marussia. Seu treino oficial foi bastante atrapalhado por mais uma barbeiragem de Romain Grosjean, mas o carro ainda permaneceu inteiro. Na corrida, De La Rosa parou quatro vezes, chegou a andar em nono e finalizou em 17º. Dias depois, estava desempregado. Mesmo não sendo fã, fico triste por ele.

NARAIN KARTHIKEYAN2,5 – Sua carreira na Fórmula 1 também parece estar próxima do fim. Em Interlagos, o indiano não passou da última posição em todos os treinos e só não fechou o grid porque o companheiro Pedro de la Rosa foi prejudicado na qualificação. Durante a corrida, Narain teve as mesmas dificuldades do espanhol, fez quatro pit-stops e cruzou a linha de chegada sem maiores problemas.

PAUL DI RESTA4,5 – Pelos bons resultados nos treinos de sexta-feira, o escocês até deu alguns indícios de que poderia bater o companheiro Nico Hülkenberg no restante do fim de semana, mas isso não aconteceu. Enquanto o alemão brilhou lá nas primeiras posições, restou a Di Resta brigar pelas migalhas. O décimo lugar no grid e a ótima largada foram descompensados pela errônea estratégia de colocar pneus intermediários nas primeiras voltas. Ainda assim, o piloto da Force India manteve-se sempre fustigando os pontos. Quando bateu forte na Curva do Café, estava andando entre os dez primeiros. Terá de pilotar de forma um pouco mais agressiva se quiser crescer na Fórmula 1.

LEWIS HAMILTON9 – Perdeu uma grande chance de vitória por fatores externos pela segunda vez em três corridas. Desta vez, a culpa foi de Nico Hülkenberg, que se descontrolou no S do Senna e acertou o futuro piloto da Mercedes sem cerimônia. Triste fim para Hamilton, que poderia, sim, ter sido campeão se tivesse tido mais sorte. O conjunto carro + piloto estava quase perfeito em Interlagos: liderança em dois treinos livres, no treino oficial e durante treze voltas da corrida. É verdade que Jenson Button e principalmente Hülkenberg lhe deram muito trabalho, mas Lewis certamente era um forte candidato à vitória. Uma pena que sua carreira na McLaren tenha terminado desta forma, mas assim é a vida.

PASTOR MALDONADO1 – Dizem que correu em Interlagos, mas não acredito muito nisso. Foi um fim de semana inútil e caracterizado por ocorrências de acidente e punição, bem típico do venezuelano. Seu ótimo desempenho no treino oficial, quando conseguiu o sexto tempo no Q2 e no Q3, foi totalmente comprometido por uma punição de perda de dez posições no grid por não ter parado para pesagem obrigatória – que coisa, não? Largando lá atrás, Pastor decidiu sentar o pé no acelerador para tentar se recuperar rapidamente. Lógico que não funcionou: na segunda volta, o carro rodou na entrada da Reta Oposta e se esborrachou nos pneus. A TV nem se deu ao trabalho de mostrar um replay.

ROMAIN GROSJEAN0 – Tudo o que ele não precisava era de um fim de semana como este. O sempre desastrado franco-suíço voltou a se comportar como uma ameba e acabou prejudicando não só a si mesmo como também a outrem. No treino oficial, tendo boas chances de conseguir um lugar legal no grid, atropelou a traseira de Pedro de la Rosa na reta dos boxes e quase causou um acidente perigosíssimo. Não foi punido sei lá o porquê. Na corrida, o tonto não demorou mais do que cinco voltas para bater forte após escorregar na Junção. É um cara tão bizarro que está ameaçado de desemprego mesmo após ter terminado o ano em oitavo.

BRUNO SENNA2 – Dou o braço a torcer: ele andou muito bem nos treinos. No Q1 da qualificação, surpreendeu a todos fazendo o segundo tempo. Poderia ter obtido um lugar melhor que o 11º no grid, mas perdoa-se pelo fato desse negócio de treino oficial não ser sua especialidade. O que matou sua nota foi a absurda barbeiragem que quase acabou com o sonho do título de Sebastian Vettel logo na primeira volta. Ignorando o tal do pedal do freio, Bruno enterrou seu Williams no carro de Vettel na Descida do Lago e quase tirou o alemão da prova. Sebastian permaneceu, mas o sobrinho ficou por ali, matutando sobre o desemprego e demais questões macroeconômicas.

SERGIO PÉREZ1 – Fim de temporada lixo. Em Interlagos, não esteve rápido e nem sortudo – o que será que Martin Whitmarsh está pensando nestas horas? Foi mal nos treinos livres e apenas mediano na qualificação, embora ainda tenha conseguido posição melhor que Kamui Kobayashi no grid. A corrida acabou na primeira volta após Pérez se envolver na meleca da Descida do Lago. Não teve culpa nenhuma, mas não era bem desta forma que ele queria se despedir da Sauber.

MCLAREN9 – Ah, McLaren… Se ela fizesse tudo direito em dois fins de semana consecutivos, Lewis Hamilton e Jenson Button teriam levado este título com a antecedência de um Fluminense. Mas como as coisas nem sempre saem da maneira que a gente gostaria, a equipe acabou vivendo de brilharecos durante o ano. Hamilton foi o grande vencedor do GP americano após deixar para trás Mark Webber e Sebastian Vettel na pista. É realmente uma pena que o cara esteja indo para a Mercedes meia-boca. Button teve problemas no acelerador no treino oficial e uma má largada, mas recuperou-se e ficou em quinto. O pit-stop de Hamilton também foi o mais rápido do fim de semana. Alternando altos e baixos, a McLaren termina o ano como coadjuvante de luxo da Fórmula 1.

RED BULL7 – Bem que já poderia ter fechado o campeonato em Austin, não é? Mas não fechou. Aliás, pode-se dizer que ela se esforçou bastante para ajudar o rival Fernando Alonso. Sebastian Vettel dominou os treinamentos e tinha tudo para vencer, mas o carro não correspondeu e ele foi ultrapassado de maneira fácil por Lewis Hamilton, terminando em segundo. Mark Webber, coitado, nem chegou ao fim: teve problemas no alternador e abandonou a prova ainda no começo. Se o RB8 tivesse funcionado a contento para os dois, Vettel teria vencido, Webber teria tirado Alonso do pódio, Milton Keynes estaria em festa e Maranello decretaria luto oficial de um mês.

FERRARI0 – Tudo bem, seu primeiro piloto está disputando o título. Tudo bem, o segundo piloto é o Felipe Massa. Tudo bem, a Ferrari não costuma ser muito ortodoxa com esse negócio de jogo de equipe. Mas sabotar o carro do cara, arranjar uma punição para ele e mandar ele lá para o meio do grid só para presentear o Patrão das Astúrias é um pouco demais para meu gosto. Feio. Para mim, até mais feio do que fazer o segundo piloto entregar a liderança para o primeiro. A Fórmula 1 perdeu mais alguns pontos no quesito “espírito esportivo” neste último fim de semana. Eu daria nota um para os ferraristas, mas como o pit-stop de Fernando Alonso foi horrível, me vi obrigado a meter um zerão para os mafiosos.

LOTUS6,5 – Fim de semana morno para os aurirrubros. Depois de ter finalmente vencido uma corrida nesta temporada, a Lotus não conseguiu preparar dois carros tão velozes para o circuito americano. Mesmo assim, Kimi Räikkönen e Romain Grosjean fizeram bons tempos no treino oficial, embora o franco-suíço tenha sido punido por trocar o câmbio. Na corrida, olha só, os dois carros chegaram ao fim e marcando pontos. Sempre à frente, Kimi andou direitinho e terminou em sexto. Grosjean rodou, tomou um monte de ultrapassagens no início da prova e se recuperou de maneira notável após o pit-stop. Equipe extremamente competente e simpática.

FORCE INDIA5,5 – Seus pilotos normalmente têm problemas de desgaste de pneus durante as corridas e o GP estadunidense não foi uma exceção. Nico Hülkenberg foi muito mais rápido que Paul di Resta novamente, mas ambos tiveram momentos de apagão nas quase duas horas de prova graças aos compostos Pirelli. O alemão ainda se deu bem por ter largado lá na frente e terminou em oitavo. Di Resta teve de fazer uma parada extra por causa de uma rodada e não fez a menor falta.

WILLIAMS6,5 – Não achei que viveria para ver isso, mas os dois pilotos da equipe marcaram pontos pela segunda corrida consecutiva. É até emocionante ter presenciado tal feito. Pastor Maldonado e Bruno Senna terminaram respectivamente em nono e décimo após terem tido atuações seguras e consistentes. O venezuelano foi o único que participou do Q3, mas até mesmo o sobrinho andou bem no treino oficial e acabou herdando o décimo lugar no grid. Na prova, Bruno chegou a ser dono da volta mais rápida durante algum tempo e Pastor quase ultrapassou Nico Hülkenberg, mas a dupla teve de se contentar com o total de três pontos. De qualquer jeito, está bom demais. Só falta melhorar o trabalho nos boxes, muito picareta neste fim de semana.

SAUBER3 – Muito discreta, não conseguiu por fogo na taverna nem mesmo com os peraltas Sergio Pérez e Kamui Kobayashi. O carro branco e preto não foi páreo sequer para Williams ou Force India no fim de semana e tanto Pérez quanto Kobayashi tiveram de largar lá do meio do bolo. Sempre mais rápido, o mexicano até paquerou os pontos, mas terminou batendo na trave. Kobayashi, tadinho, não conseguiu sair da piscina da mediocridade em momento algum. Com doze pontos a menos que a Mercedes, a Sauber quer roubar dos alemães a quinta posição no campeonato. Do jeito que a equipe de Michael Schumacher e Nico Rosberg está, nem duvidaria, mas é bom o C31 funcionar bem em Interlagos.

TORO ROSSO3,5 – Para os baixos padrões da equipe, Jean-Éric Vergne apareceu bem no treino classificatório e Daniel Ricciardo teve um início de corrida excelente em Austin. Porém, nenhum deles marcou pontos, evidenciando a persistente falta de velocidade do STR7. Vergne ainda teve um problema de suspensão e foi obrigado a abandonar a prova. Em resumo, nada de novo no front.

MERCEDES0 – Para mim, é caso de mandar todo mundo embora, interromper as atividades e só reabrir a quitanda lá pelo Quinto Reich, com um staff renovado. O carro tá muito ruim, os dois pilotos não marcam pontos há um tempão, nada dá certo e até mesmo o pobrezinho do Adolf Hitler se matou. Nico Rosberg largou lá no fundão e terminou lá atrás. Michael Schumacher largou lá na frente e, bem, terminou lá atrás também. Os dois sofreram demais com os pneus e Michael até teve de fazer um pit-stop extra. Zero pontos. Nota zero.

CATERHAM2,5 – Tomou um sustão no treino oficial quando viu os dois carros da Marussia ocupando a décima fila no grid de largada. Será que a Caterham deixaria de ser a melhor das nanicas? Não desta vez. Vitaly Petrov foi o cara que ditou o ritmo dos esverdeados: foi o melhor tanto no treino oficial como na corrida. Heikki Kovalainen largou atrás do russo e também terminou atrás, embora tenha superado a Marussia durante a prova. O desespero na escuderia é grande por causa dessa briga pelo 10º lugar no campeonato de construtores.

MARUSSIA5 – Parece estar numa situação bem melhor que a Caterham. O carro melhorou pra caramba, Timo Glock recuperou parte de seu ânimo, Charles Pic está provando seu talento, Max Chilton está chegando com um carreirão de grana e o melhor de tudo é a décima posição no campeonato de construtores. Em Austin, os dois pilotos largaram à frente da dupla da Caterham, fato inédito desde que ambas entraram na Fórmula 1. Glock e Pic acabaram superados durante a prova, mas a impressão deixada foi ótima. Que continue crescendo.

HRT2 – Está quase que literalmente falida. O dinheiro acabou de vez, as instalações estão quase todas vazias, a maior parte dos funcionários já foi mandada embora e as últimas corridas do ano são mero cumprimento de formalidade. Pelo menos, o provável fim ainda está sendo mais digno do que o da Forti-Corse, da Arrows ou da Super Aguri. Pedro de la Rosa e Narain Karthikeyan estão fazendo seu trabalho corretamente, sem excessos. Ambos largaram e chegaram ao fim da corrida, algo que não acontecia desde Monza. Fico realmente triste com sua situação. Que um milagre aconteça e ela continue na Fórmula 1 em 2013.

TRANSMISSÃONO CAPRICHO? – Vocês sabem, a última semana esportiva foi marcada pela sublime, magnânima, grandiloquente, excepcional, brilhante, auspiciosa, grandiosa, perfeita, inigualável, avassaladora, maravilhosa retorno do Palmeiras à segunda divisão do Campeonato Brasileiro, onde fará partidas memoráveis contra Chapecoense, Oeste e principalmente ASA de Arapiraca, no clássico do Coaracy Fonseca. Exatamente por isso, o GP dos EUA ficou em segundo plano. Absolutamente justificável. A emissora que normalmente faz as transmissões da Fórmula 1 preferiu mostrar o futebol e a corrida em Austin acabou reservada para seu canal esportivo da TV paga. Como não estava com vontade de assistir a um “VT ao vivo”, sintonizei no tal “Canal Campeão”. Não fiquei chateado. O narrador é gente boa, tem um sotaque engraçado e deixou a transmissão mais leve, embora tenha cometido alguns erros. O comentarista fala muita groselha, mas também aguentou bem o tranco. Eu não fiquei acompanhando o VT ao vivo, mas ouvi dizer que o narrador titular estava puto da vida por ter de fingir emoção por algo que havia acontecido algumas horas antes. Muito capricho dele, minha opinião.

CORRIDASONHO AMERICANO – Todos gostaram de Austin, até mesmo o amigo Matt LeBlanc e o ex-presidenciável Rick Perry. A pista é bonita e tem curvas sacanas, as arquibancadas estavam lotadas, todo mundo elogiou, nunca vi um trabalho de Hermann Tilke tão próximo da unanimidade. Pois o COTA mereceu. E a corrida, embora não espetacular, foi muito boa, de altíssimo nível. Lewis Hamilton e Sebastian Vettel duelaram durante toda a prova, um sempre perseguindo o rabo do outro. No fim, deu o inglês, que teve de superar os dois Red Bull para vencer novamente nos States – lembrando que ele venceu o último GP de Indianápolis, em 2007. No meio do pelotão, as brigas também foram divertidas. Faltou talvez um acidente para ornamentar a corrida, mas tudo bem. O primeiro GP dos EUA no Texas foi um sucesso. God bless it!

LEWIS HAMILTON9,5 – O cara está invicto nos Estados Unidos: duas corridas, duas vitórias. A deste último domingo veio de forma inesperada, até. Lewis mandou muito bem no primeiro e no terceiro treino livre, mas parecia não ter cancha para ameaçar Sebastian Vettel, o rei da sexta e do sábado. No treino oficial, ainda saiu no lucro conseguindo um lugar na primeira fila. Perdeu uma posição logo na largada, para o dundee Mark Webber. Depois disso, as coisas melhoraram muito. Lewis não demorou muito para deixar Webber para trás, perseguiu Sebastian Vettel durante um bom tempo e conseguiu roubar a liderança na volta 42. Não disparou, mas seguiu na frente até a bandeirada de chegada. Este é o Lewis Hamilton que a gente gosta de ver.

SEBASTIAN VETTEL9,5 – O cara, que chega a Interlagos como favorito, foi brilhante. Só lhe faltou a vitória. Desde a sexta-feira, Sebastian foi muito mais rápido do que qualquer outro na Fórmula 1: liderou os três treinos livres e as três sessões da qualificação, garantindo mais uma pole-position na temporada. Na corrida, largou bem e abriu razoável vantagem logo nas primeiras voltas. Então, o que faltou? Consistência aos pneus Pirelli, que parecem não ter funcionado tão bem em seu carro como no de Lewis Hamilton. Vettel batalhou, brigou e até reagiu em alguns momentos, mas não conseguiu conter a ultrapassagem do piloto da McLaren e perdeu a liderança pela primeira vez no fim de semana. Terminou em segundo e adiou a decisão do título para o GP do Brasil. Dificilmente não será campeão.

FERNANDO ALONSO7,5 – Olha, se não fosse pela cara-de-pau da Ferrari em infringir uma regra de maneira proposital para beneficiar seu pupilo… O asturiano não tinha carro para brigar por nada em Austin e se realmente tivesse largado da oitava posição, teria sido ultrapassado por uma caravana de carros antes da primeira curva devido à sujeira do lado par do grid. Mas os ferraristas deram um jeitinho, retiraram o lacre da caixa de câmbio de Felipe Massa, cavaram uma punição de perda de cinco posições no grid para o brasileiro e entregaram a sétima posição de presente a Alonso, que pôde largar na linha limpa da pista. E Fernando fez sua parte. Largou muitíssimo bem, subiu para a quarta posição logo na primeira curva, herdou o terceiro lugar com o abandono de Mark Webber e não foi ameaçado de verdade por ninguém. Com o resultado, empurrou a decisão do título para Interlagos. Que seja tricampeão. E sem as ajudas esdrúxulas da Ferrari.

FELIPE MASSA8,5 – Fez uma ótima corrida e tinha grandes chances de terminar à frente de Fernando Alonso, mas é óbvio que a Ferrari não deixou… O brasileiro andou razoavelmente bem nos treinos livres (três sextos lugares, coisa do demônio) e arranjou uma boa sexta posição no grid. Mas como Alonso acabou ficando duas posições abaixo, a brilhante Ferrari decidiu sabotar o câmbio de Massa e arranjou uma punição para o brasileiro, que teve de largar em 11º. Esportividade pra quê, né? Mesmo assim, Felipe não se abateu e pilotou como em poucas ocasiões. Largou bem, ganhou várias posições durante a prova, teve um bom ritmo durante todo o tempo e finalizou em quarto andando mais rápido que o próprio Alonso. Uma pena que Massa não tenha espaço para mostrar o que pode fazer.

JENSON BUTTON7 – Passou por boas, mas conseguiu finalizar bem o GP dos EUA. Tinha carro para disputar as cinco primeiras posições tranquilamente, mas um problema no acelerador durante o Q2 o fez largar em 12º, no lado sujo da pista. Quando as luzes vermelhas se apagaram, Jenson perdeu ainda mais posições e terminou a primeira volta em 15º. O que o salvou da pasmaceira foi a estratégia de largar com pneus duros. Graças a isso, ele pôde atrasar ao máximo seu pit-stop e ganhar várias posições no interregno. Ao parar na volta 35, Button conseguiu voltar em sétimo e ainda ultrapassou mais dois caras nos giros seguintes, terminando na quinta posição.

KIMI RÄIKKÖNEN6,5 – Fim de semana OK para ele, longe de qualquer brilhantismo. Faltou um pouco de velocidade em seu Lotus, como foi provado no desempenho abaixo da média nos três treinos livres. Na qualificação, foi o quinto mais rápido e ganhou uma posição a mais no grid com a punição de Romain Grosjean. Na primeira volta, largou mal e ainda teve um toque com Nico Hülkenberg, mas seguiu adiante. Daí para frente, Kimi teve algumas boas disputas, chegou a andar em segundo durante a rodada de pit-stops e só não finalizou em quarto porque os pneus não deixaram. É o verdadeiro Senhor Consistência.

ROMAIN GROSJEAN6 – Seu desempenho mudava da água para o vinho a cada instante, mas o resultado final não foi ruim. Muito mal nos treinos livres, Romain conseguiu um milagroso quarto lugar no grid, mas a troca de câmbio após a terceira sessão o fez largar em oitavo. Com os pneus macios, estava como uma tartaruga na pista, atrapalhando a todos, e até rodou sozinho na sétima volta. Aí a Lotus decidiu antecipar a troca de pneus e Grosjean voltou à pista com pneus duros. A partir daí, seu único trabalho foi não tostar os pneus e aproveitar o bom desempenho do seu carro. Ele ganhou posições aos montes e terminou a apenas seis segundos de Kimi Räikkönen.

NICO HÜLKENBERG6,5 – Mais uma boa corrida do futuro piloto da Sauber. Competitivo desde os treinos livres, o alemão superou novamente o companheiro Paul di Resta na qualificação e amealhou um ótimo sexto lugar no grid. Nas primeiras voltas, com pneus macios, andou em quinto durante um bom tempo. O pit-stop que colocou compostos duros em seu carro não trouxe resultados positivos e Nico teve de ralar bastante para conseguir andar entre os dez primeiros. Nas últimas voltas, sofreu grande pressão dos dois carros da Williams. Contra tudo e contra todos, o oitavo lugar.

PASTOR MALDONADO6 – Está numa nova fase, menos esquentada. Em Austin, pela primeira vez na Fórmula 1, conseguiu pontuar pelo segundo fim de semana consecutivo. O seu carro, que estava bem veloz em Abu Dhabi, não encontrou tanta velocidade em solo americano e Maldonado só conseguiu andar bem de verdade no terceiro treino livre, quando ficou em terceiro. Na sessão oficial, conseguiu um lugar na quinta fila, nada de muito impressionante. Saiu muito mal na largada e passou a maior parte do tempo andando fora da zona de pontuação. No final da corrida, com pneus duros, tinha um bom desempenho e chegou a ameaçar Nico Hülkenberg, mas não passou do nono lugar. De qualquer jeito, um avanço para quem vivia batendo até há pouco tempo.

BRUNO SENNA6 – Será que a participação nos três treinos livres fez diferença? Não acredito nisso, pois o sobrinho já vem andando melhor em treinamentos há algum tempo. Nos EUA, ele esteve sempre veloz e não passou para o Q3 por causa de um erro besta em sua volta rápida, mas ainda conseguiu um ótimo décimo lugar no grid. Na corrida, teve um desempenho até mais constante do que o de Pastor Maldonado, chegou a ser o dono da volta mais rápida durante algum tempo e não cometeu erros. Assim como o venezuelano, também está aprendendo. E marcou mais um pontinho. Resta ver se essa evolução será o suficiente para convencer a Williams a ficar com ele em 2013.

SERGIO PÉREZ3 – Sem ter um carro bom nas mãos e sem apostar em uma estratégia diferenciada, foi apenas mais um na corrida. O novo contratado da McLaren, que não tem uma atuação realmente digna de sua futura equipe há um bom tempo, não passou vergonha nos treinos livres, mas sofreu como um porco à beira do abate na classificação e ficou apenas em 15º no grid de largada. Largou bem e até andou entre os dez primeiros durante um tempo, mas o fato de utilizar a mesma estratégia dos demais e um problema nos pneus o impediram de ir além do 11º lugar.

DANIEL RICCIARDO5,5 – Foi muito melhor do que Jean-Éric Vergne novamente – o que se passa com o francês? Longe de ser brilhante, o australiano levou seu Toro Rosso a posições melhores do que a média nos treinos livres, mas foi o infelizardo do sábado ao fazer companhia às equipes pequenas na clausura do Q1. Boa mesmo foi a prova. Ricciardo largou muito bem e sentou o pé no acelerador nas primeiras voltas, ultrapassando vários pilotos com carros mais velozes nas primeiras voltas. Ao fazer seu pit-stop, estava em quinto. Infelizmente, não tinha carro para ter marcado pontos. Uma boa atuação que chamou a atenção de poucos.

NICO ROSBERG1 – Esse daí só está cumprindo tabela esperando pelas férias. Nos três treinos livres, ficou entre os dez primeiros e alimentou suas esperanças para uma boa corrida. Mas a felicidade acabou aí. No treino oficial, deu tudo errado: quase ficou no Q1 e não passou da última posição do Q2, ficando apenas com o 17º lugar no grid. Para o domingo, foi um dos únicos que apostaram num primeiro stint com pneus duros. Mesmo atrasando ao máximo seu pit-stop, não conseguiu ficar entre os dez primeiros. Está há cinco GPs sem marcar pontos, algo que não ocorre desde 2008.

KAMUI KOBAYASHI2 – Triste situação. O GP dos EUA foi, provavelmente, sua penúltima corrida na Fórmula 1. E ela não foi boa, longe disso. Nos dois treinos de sexta-feira, ficou entre os dez primeiros, mas não conseguiu mais nada nos dias seguintes. Foi mal na qualificação e garantiu apenas o 16º posto no grid. Na corrida, antecipou seu pit-stop e ficou umas trezentas voltas com pneus duros. Nunca esteve perto da zona de pontuação.

PAUL DI RESTA3 – Mais um fim de semana discreto e improdutivo. Ficou atrás de Nico Hülkenberg nos três treinos livres e na qualificação, sendo o único da Force India a não passar para o Q3. Mandou bem na largada, onde ganhou quatro posições, e passou todo o primeiro stint andando entre os dez primeiros. A situação piorou quando Paul teve de usar compostos duros. Em determinado momento, o escocês rodou e danificou seus pneus, sendo obrigado a fazer uma segunda parada extra. Aí, as chances de pontos evaporaram de vez.

MICHAEL SCHUMACHER1 – Parece aquele jogador que foi campeão de Copa do Mundo, mas não soube parar na hora certa e terminou a carreira disputando a terceira divisão do Campeonato Paulista. O heptacampeão teve mais um fim de semana completamente dispensável para seu currículo. De positivo, só o surpreendente quarto lugar no grid de largada. A corrida foi exaustiva e deprimente. Michael largou mal e foi perdendo posições volta após volta. O negócio estava tão feio que o alemão foi o único piloto da pista que precisou fazer duas trocas obrigatórias de pneus, já que tanto os compostos médios como os duros não ofereciam nenhuma aderência. Foi o último colocado das equipes normais. Esta é a vida no XV de Piracicaba.

VITALY PETROV4 – O tovarich da Caterham teve um fim de semana muito melhor do que o do desanimado companheiro Heikki Kovalainen, o que representa uma grande vitória moral. O resultado no treino oficial foi bastante curioso: embora tenha superado Kovalainen, Vitaly ficou atrás dos dois carros da Marussia, situação inédita. Na corrida, o russo largou bem e ponteou a turma do fundão durante todo o tempo. Embora não seja um gênio, também não merece o desemprego.

HEIKKI KOVALAINEN2,5 – Está de mal da vida, deprimido, praticamente desempregado e é óbvio que tal estado de espírito se refletiu nos resultados na pista. Quem é que imaginaria que o finlandês, que deu muito trabalho aos caras da Toro Rosso na metade do ano, estaria apanhando de Vitaly Petrov e dos dois carros da Marussia no treino oficial? Na corrida, Heikki não fez muito mais do que superar os marússicos, mas ainda finalizou atrás do colega soviético. Pelo tom de suas palavras, está à beira da aposentadoria.

TIMO GLOCK4,5 – Curiosamente, o alemão é o único piloto do grid que já disputou uma categoria americana de monopostos: correu na falida ChampCar em 2005. Sete anos depois, ele retornou aos States para tentar ao menos impedir que a Caterham superasse a Marussia no mundial de construtores. O trabalho foi relativamente bom. No treino oficial, Glock surpreendeu a todos sendo o melhor das equipes nanicas no grid de largada. A corrida não foi tão magnífica assim, embora Timo tenha tido uma boa batalha com Heikki Kovalainen. Pelo menos, chegou ao fim e a Marussia continua na décima posição entre as equipes.

CHARLES PIC4 – Também foi razoavelmente bem. No primeiro treino de sexta-feira, foi o melhor dos pilotos das equipes pequenas. No sábado, embora tenha sido superado por Timo Glock, ainda conseguiu se qualificar à frente dos dois carros da Caterham, novidade neste ano. A corrida ficou prejudicada devido a um toque na primeira volta que danificou sua asa dianteira. Mesmo assim, o competente francês seguiu até o fim.

PEDRO DE LA ROSA3 – Está naufragando junto à sua equipe, que deverá fechar as portas logo após o GP do Brasil. Nos EUA, mesmo pilotando um carro todo remendado com fita crepe, o veterano espanhol manteve a dignidade. Foi penúltimo colocado nos três treinos livres, no grid de largada, na corrida e até mesmo na lista de voltas mais rápidas. Pelo menos, chegou ao fim. Fica até difícil dar uma nota.

NARAIN KARTHIKEYAN2,5 – O que dizer de alguém que ficou em último em todos os treinos livres, a classificação e a corrida? A título de curiosidade, Narain foi um dos poucos pilotos do grid a ter feito parte de sua carreira na América: fez algumas corridas marotas na NASCAR Truck Series em 2010 e até foi eleito o “Piloto Mais Popular” da categoria. Em Austin, o indiano não fez nada de novo. Ainda assim, também completou a corrida. Que deverá ser sua penúltima na Fórmula 1.

MARK WEBBER5 – Justiça seja feita: ele tinha lugar garantido no pódio. Tudo bem, o pódio é uma obrigação para quem pilota o RB8, mas sair dos Estados Unidos não tendo marcado ponto nenhum é bastante desagradável. O australiano não foi genial em momento nenhum nos treinos livres e sequer conseguiu um lugar na primeira fila, mas tentou dar a volta por cima largando bem e roubando a segunda posição de Lewis Hamilton na primeira curva. Três voltas depois, Hamilton recuperou o segundo lugar e Webber parecia contente com o terceiro posto. Infelizmente, o alternador de seu carro virou pó e o australiano teve de abandonar a corrida na volta 16. Chega a Interlagos morrendo de medo de terminar o ano em sexto.

JEAN-ÉRIC VERGNE3,5 – Teve como maior feito o fato de ter sido o único piloto da Toro Rosso a ter passado para o Q2 do treino oficial, ficando num razoável 14º lugar no grid. Largou mal devido ao fato de ter partido da linha suja da pista, andou no meio do pelotão durante todo o tempo e abandonou a prova com a suspensão arrebentada. No entanto, não foi o pior de seus fins de semana na temporada – o que é um mau sinal.

GP DO BRASIL: E a Fórmula 1 desembarca na terra da salsa, do merengue, dos bandidos bigodudos e dos macacos dançando Carnaval. Ah, os estereótipos sobre o Brasil são muito engraçados. Bem que o país poderia realmente ser apenas um agrupado de gente festiva sambando para lá e para cá no meio de araras e simpáticos ladrões de joias, mas o que temos aqui são traficantes mal-encarados, muitos impostos e trânsito interminável. O Grande Prêmio do Brasil é uma das atrações da temporada de Fórmula 1 pelos mais variados motivos. A pista é boa, seletiva, técnica, realiza corridas de verdade e atrai verdadeiros fãs de automobilismo. Uma pena é o acesso ao autódromo, uma merda para quem não tem o mapa de São Paulo armazenado num lóbulo cerebral. Os gringos adoram o país porque há caipirinha, churrasco e putaria para todos os gostos. E se a metrópole paulistana der no saco, basta pegar uma ponte aérea rumo ao Rio de Janeiro ou a qualquer grande cidade costeira do Nordeste. Os fãs da velocidade acham a pista uma joia rara, o melhor palco para uma decisão de título mundial. São Pedro, pelo visto, também gosta pra caramba de Interlagos. Espero que ele tenha muita vontade de despejar água abundante neste fim de semana. As corridas com chuva em Interlagos são das melhores do mundo: 2003 e 2008 advogam a favor desta frase. Por outro lado, quando a pista fica seca, a coisa toda esfria. Ainda assim, é melhor decidir um título num GP brochado em Interlagos do que sob as luzes daquele hotel ridículo de Abu Dhabi.

TRICAMPEÃO: Para quem você vai torcer neste fim de semana? Há duas boas opções. Um é alemão e tem sorriso de cavalo. O outro é espanhol e tem sobrancelha de taturana. Um bebe Red Bull, o outro Itaipava. Um anda de Renault 19, o outro de Fiat Spazio. Um tem um companheiro gigante e linguarudo, o outro tem um companheiro baixinho e língua-presa. Um aponta o dedo, o outro grita. Um é admirado pelos espectadores, o outro é o queridinho dos jornalistas. Um desempregou Sébastien Bourdais, o outro fez Giancarlo Fisichella parecer um coitado. Um tem o apoio do brilhante Adrian Newey, o outro é mimado por Stefano Domenicali. Um fez miséria em Abu Dhabi, o outro em Valência. Um tem 273 pontos, o outro tem 260. Um é excelente piloto, o outro também. Os dois desembarcaram no Aeroporto Internacional de Guarulhos bicampeões do mundo. Apenas um deles pegará o avião de volta para a Europa tricampeão do mundo, como Senna, Piquet, Lauda, Stewart e Brabham. Sebastian Vettel e Fernando Alonso são os dois grandes nomes deste fim de semana. Certamente, o GP do Brasil do próximo domingo será inesquecível. Minha torcida? Alonso, sempre. Meu palpite? Vettel, infelizmente.

SCHUMACHER: Háseis anos, Michael Schumacher veio ao Brasil para disputar sua última corrida de Fórmula 1. Aos 37 anos, rico e no auge da forma, o heptacampeão estava disputando mais um título na categoria contra Fernando Alonso, ainda imberbe. Infelizmente, não ganhou e voltou para a casa com a medalha de prata no peito. Ficou de pantufas durante um tempo, arriscou o pescoço em corridas de moto e percebeu que estava de saco cheio da aposentadoria. Em 2010, voltou ao certame máximo do automobilismo pela Mercedes cheia da grana e comandada pelo seu velho amigo Ross Brawn. Parecia um casamento fadado ao sucesso, mas os resultados não vieram e Michael só veio a conseguir um pódio neste ano. Andar no meio do pelotão, assistindo aos pilotos de ponta de binóculo, não tinha a menor graça. Ele decidiu parar de novo. Neste fim de semana, Schumacher, 43, retorna a Interlagos para se despedir da Fórmula 1 pela segunda vez. Assim como em 2006, sinto uma ponta de incômodo sincero. Coisas de temporalidade. O cara estreou na categoria há 21 anos, numa época em que Fernando Alonso tinha 11 anos e Sebastian Vettel era apenas um moleque chorão de tenros  quatro anos de idade. Atravessou a década de 90 com bastante sucesso e foi figura onipresente durante a década passada. Um patrimônio. Para mim, sua aposentadoria é como se aquela antiga padaria que estava lá na vizinhança desde a infância fechasse as portas. É a última porta dos velhos tempos se fechando. Que Michael Schumacher seja homenageado como merece. E que Kimi Räikkönen não vá cagar durante a homenagem.

MÉDIAS: Enquanto Ferrari e Red Bull dispendem suor, neurônios e graxa tentando derrotar os inimigos, as equipes do meio da carreata estão com a cabeça em outros assuntos. Dinheiro é, obviamente, um deles. O outro, que depende diretamente do dinheiro, é a contratação de pilotos em 2013. Neste próximo fim de semana, Sauber e Force India confirmarão suas duplas para a próxima temporada. Na equipe suíça, não haverá muita surpresa. Na verdade, não haverá surpresa alguma, já que o linguarudo do Sergio Pérez deu com a língua nos dentes e afirmou hoje a jornalistas que “Nico Hülkenberg terá um companheiro muito forte em Esteban Gutiérrez”. É isso aí, amigos: a dupla da Sauber será composta pelo alemão Hülkenberg, atualmente na Force India, e pelo mexicano Gutiérrez, que correu na GP2 nos últimos dois anos. Isso significa que Kamui Kobayashi, o japonês que todo mundo aprendeu a gostar nos últimos anos, está momentaneamente desempregado. Infelizmente, é pouco provável que ele siga na Fórmula 1 em  2013, pois seu cofrinho mal dá para comprar uma vaga como faxineiro na HRT. Já na Force India, a surpresa será ligeiramente maior. Derrotando favoritos como Bruno Senna, Jules Bianchi e Adrian Sutil, a zebra espanhola Jaime Alguersuari deverá ser anunciada como companheiro de Paul di Resta na próxima temporada. Esta informação surgiu no Twitter e logo caiu na boca do povo. Não duvido da possibilidade. Alguersuari já vinha negociando com várias equipes fazia algum tempo e parecia muito seguro sobre suas chances em 2013. Num primeiro instante, todos nós pensamos que ele estava sendo apenas o Jaime fanfarrão de sempre. Mas não é que a coisa é séria, mesmo?

VIOLÊNCIA: São Paulo anda numa paranoia danada nestes últimos tempos. Policiais militares sendo executados, transeuntes inocentes levando balas no meio da testa, órgãos de segurança em polvorosa, famílias assustadas, este é o panorama do estado-locomotiva nestes últimos meses. Os caras da Fórmula 1 chegaram à capital paulista muito bem avisados sobre o que andava acontecendo por aqui. O mais preocupado de todos é Jenson Button, piloto da McLaren. Em 2010, o britânico foi vítima de uma tentativa de assalto enquanto voltava para o hotel logo após o treino classificatório do GP do Brasil. Ele só escapou porque o motorista de seu carro foi bastante ninja e conseguiu se livrar dos assaltantes.  Neste ano, Button já anunciou que a sempre cautelosa McLaren providenciou carros blindados e escolta policial a seus integrantes. Portanto, a inglesada está teoricamente protegida dos crimes e contravenções que caracterizam a dinâmica de uma cidade grande e problemática como Sampa. Você pode dizer que Button, Hamilton, Whitmarsh e companhia limitada são umas bichas exageradas que andam na rua de Rolex no braço e depois reclamam do país após serem roubados. Os caras da McLaren podem até ser bichas exageradas, mas não são eles que moram num país onde você é obrigado a colocar cercas elétricas no muro ou ficar trancado em casa depois das sete da noite.