novembro 2012


MCLAREN9 – Ah, McLaren… Se ela fizesse tudo direito em dois fins de semana consecutivos, Lewis Hamilton e Jenson Button teriam levado este título com a antecedência de um Fluminense. Mas como as coisas nem sempre saem da maneira que a gente gostaria, a equipe acabou vivendo de brilharecos durante o ano. Hamilton foi o grande vencedor do GP americano após deixar para trás Mark Webber e Sebastian Vettel na pista. É realmente uma pena que o cara esteja indo para a Mercedes meia-boca. Button teve problemas no acelerador no treino oficial e uma má largada, mas recuperou-se e ficou em quinto. O pit-stop de Hamilton também foi o mais rápido do fim de semana. Alternando altos e baixos, a McLaren termina o ano como coadjuvante de luxo da Fórmula 1.

RED BULL7 – Bem que já poderia ter fechado o campeonato em Austin, não é? Mas não fechou. Aliás, pode-se dizer que ela se esforçou bastante para ajudar o rival Fernando Alonso. Sebastian Vettel dominou os treinamentos e tinha tudo para vencer, mas o carro não correspondeu e ele foi ultrapassado de maneira fácil por Lewis Hamilton, terminando em segundo. Mark Webber, coitado, nem chegou ao fim: teve problemas no alternador e abandonou a prova ainda no começo. Se o RB8 tivesse funcionado a contento para os dois, Vettel teria vencido, Webber teria tirado Alonso do pódio, Milton Keynes estaria em festa e Maranello decretaria luto oficial de um mês.

FERRARI0 – Tudo bem, seu primeiro piloto está disputando o título. Tudo bem, o segundo piloto é o Felipe Massa. Tudo bem, a Ferrari não costuma ser muito ortodoxa com esse negócio de jogo de equipe. Mas sabotar o carro do cara, arranjar uma punição para ele e mandar ele lá para o meio do grid só para presentear o Patrão das Astúrias é um pouco demais para meu gosto. Feio. Para mim, até mais feio do que fazer o segundo piloto entregar a liderança para o primeiro. A Fórmula 1 perdeu mais alguns pontos no quesito “espírito esportivo” neste último fim de semana. Eu daria nota um para os ferraristas, mas como o pit-stop de Fernando Alonso foi horrível, me vi obrigado a meter um zerão para os mafiosos.

LOTUS6,5 – Fim de semana morno para os aurirrubros. Depois de ter finalmente vencido uma corrida nesta temporada, a Lotus não conseguiu preparar dois carros tão velozes para o circuito americano. Mesmo assim, Kimi Räikkönen e Romain Grosjean fizeram bons tempos no treino oficial, embora o franco-suíço tenha sido punido por trocar o câmbio. Na corrida, olha só, os dois carros chegaram ao fim e marcando pontos. Sempre à frente, Kimi andou direitinho e terminou em sexto. Grosjean rodou, tomou um monte de ultrapassagens no início da prova e se recuperou de maneira notável após o pit-stop. Equipe extremamente competente e simpática.

FORCE INDIA5,5 – Seus pilotos normalmente têm problemas de desgaste de pneus durante as corridas e o GP estadunidense não foi uma exceção. Nico Hülkenberg foi muito mais rápido que Paul di Resta novamente, mas ambos tiveram momentos de apagão nas quase duas horas de prova graças aos compostos Pirelli. O alemão ainda se deu bem por ter largado lá na frente e terminou em oitavo. Di Resta teve de fazer uma parada extra por causa de uma rodada e não fez a menor falta.

WILLIAMS6,5 – Não achei que viveria para ver isso, mas os dois pilotos da equipe marcaram pontos pela segunda corrida consecutiva. É até emocionante ter presenciado tal feito. Pastor Maldonado e Bruno Senna terminaram respectivamente em nono e décimo após terem tido atuações seguras e consistentes. O venezuelano foi o único que participou do Q3, mas até mesmo o sobrinho andou bem no treino oficial e acabou herdando o décimo lugar no grid. Na prova, Bruno chegou a ser dono da volta mais rápida durante algum tempo e Pastor quase ultrapassou Nico Hülkenberg, mas a dupla teve de se contentar com o total de três pontos. De qualquer jeito, está bom demais. Só falta melhorar o trabalho nos boxes, muito picareta neste fim de semana.

SAUBER3 – Muito discreta, não conseguiu por fogo na taverna nem mesmo com os peraltas Sergio Pérez e Kamui Kobayashi. O carro branco e preto não foi páreo sequer para Williams ou Force India no fim de semana e tanto Pérez quanto Kobayashi tiveram de largar lá do meio do bolo. Sempre mais rápido, o mexicano até paquerou os pontos, mas terminou batendo na trave. Kobayashi, tadinho, não conseguiu sair da piscina da mediocridade em momento algum. Com doze pontos a menos que a Mercedes, a Sauber quer roubar dos alemães a quinta posição no campeonato. Do jeito que a equipe de Michael Schumacher e Nico Rosberg está, nem duvidaria, mas é bom o C31 funcionar bem em Interlagos.

TORO ROSSO3,5 – Para os baixos padrões da equipe, Jean-Éric Vergne apareceu bem no treino classificatório e Daniel Ricciardo teve um início de corrida excelente em Austin. Porém, nenhum deles marcou pontos, evidenciando a persistente falta de velocidade do STR7. Vergne ainda teve um problema de suspensão e foi obrigado a abandonar a prova. Em resumo, nada de novo no front.

MERCEDES0 – Para mim, é caso de mandar todo mundo embora, interromper as atividades e só reabrir a quitanda lá pelo Quinto Reich, com um staff renovado. O carro tá muito ruim, os dois pilotos não marcam pontos há um tempão, nada dá certo e até mesmo o pobrezinho do Adolf Hitler se matou. Nico Rosberg largou lá no fundão e terminou lá atrás. Michael Schumacher largou lá na frente e, bem, terminou lá atrás também. Os dois sofreram demais com os pneus e Michael até teve de fazer um pit-stop extra. Zero pontos. Nota zero.

CATERHAM2,5 – Tomou um sustão no treino oficial quando viu os dois carros da Marussia ocupando a décima fila no grid de largada. Será que a Caterham deixaria de ser a melhor das nanicas? Não desta vez. Vitaly Petrov foi o cara que ditou o ritmo dos esverdeados: foi o melhor tanto no treino oficial como na corrida. Heikki Kovalainen largou atrás do russo e também terminou atrás, embora tenha superado a Marussia durante a prova. O desespero na escuderia é grande por causa dessa briga pelo 10º lugar no campeonato de construtores.

MARUSSIA5 – Parece estar numa situação bem melhor que a Caterham. O carro melhorou pra caramba, Timo Glock recuperou parte de seu ânimo, Charles Pic está provando seu talento, Max Chilton está chegando com um carreirão de grana e o melhor de tudo é a décima posição no campeonato de construtores. Em Austin, os dois pilotos largaram à frente da dupla da Caterham, fato inédito desde que ambas entraram na Fórmula 1. Glock e Pic acabaram superados durante a prova, mas a impressão deixada foi ótima. Que continue crescendo.

HRT2 – Está quase que literalmente falida. O dinheiro acabou de vez, as instalações estão quase todas vazias, a maior parte dos funcionários já foi mandada embora e as últimas corridas do ano são mero cumprimento de formalidade. Pelo menos, o provável fim ainda está sendo mais digno do que o da Forti-Corse, da Arrows ou da Super Aguri. Pedro de la Rosa e Narain Karthikeyan estão fazendo seu trabalho corretamente, sem excessos. Ambos largaram e chegaram ao fim da corrida, algo que não acontecia desde Monza. Fico realmente triste com sua situação. Que um milagre aconteça e ela continue na Fórmula 1 em 2013.

TRANSMISSÃONO CAPRICHO? – Vocês sabem, a última semana esportiva foi marcada pela sublime, magnânima, grandiloquente, excepcional, brilhante, auspiciosa, grandiosa, perfeita, inigualável, avassaladora, maravilhosa retorno do Palmeiras à segunda divisão do Campeonato Brasileiro, onde fará partidas memoráveis contra Chapecoense, Oeste e principalmente ASA de Arapiraca, no clássico do Coaracy Fonseca. Exatamente por isso, o GP dos EUA ficou em segundo plano. Absolutamente justificável. A emissora que normalmente faz as transmissões da Fórmula 1 preferiu mostrar o futebol e a corrida em Austin acabou reservada para seu canal esportivo da TV paga. Como não estava com vontade de assistir a um “VT ao vivo”, sintonizei no tal “Canal Campeão”. Não fiquei chateado. O narrador é gente boa, tem um sotaque engraçado e deixou a transmissão mais leve, embora tenha cometido alguns erros. O comentarista fala muita groselha, mas também aguentou bem o tranco. Eu não fiquei acompanhando o VT ao vivo, mas ouvi dizer que o narrador titular estava puto da vida por ter de fingir emoção por algo que havia acontecido algumas horas antes. Muito capricho dele, minha opinião.

CORRIDASONHO AMERICANO – Todos gostaram de Austin, até mesmo o amigo Matt LeBlanc e o ex-presidenciável Rick Perry. A pista é bonita e tem curvas sacanas, as arquibancadas estavam lotadas, todo mundo elogiou, nunca vi um trabalho de Hermann Tilke tão próximo da unanimidade. Pois o COTA mereceu. E a corrida, embora não espetacular, foi muito boa, de altíssimo nível. Lewis Hamilton e Sebastian Vettel duelaram durante toda a prova, um sempre perseguindo o rabo do outro. No fim, deu o inglês, que teve de superar os dois Red Bull para vencer novamente nos States – lembrando que ele venceu o último GP de Indianápolis, em 2007. No meio do pelotão, as brigas também foram divertidas. Faltou talvez um acidente para ornamentar a corrida, mas tudo bem. O primeiro GP dos EUA no Texas foi um sucesso. God bless it!

LEWIS HAMILTON9,5 – O cara está invicto nos Estados Unidos: duas corridas, duas vitórias. A deste último domingo veio de forma inesperada, até. Lewis mandou muito bem no primeiro e no terceiro treino livre, mas parecia não ter cancha para ameaçar Sebastian Vettel, o rei da sexta e do sábado. No treino oficial, ainda saiu no lucro conseguindo um lugar na primeira fila. Perdeu uma posição logo na largada, para o dundee Mark Webber. Depois disso, as coisas melhoraram muito. Lewis não demorou muito para deixar Webber para trás, perseguiu Sebastian Vettel durante um bom tempo e conseguiu roubar a liderança na volta 42. Não disparou, mas seguiu na frente até a bandeirada de chegada. Este é o Lewis Hamilton que a gente gosta de ver.

SEBASTIAN VETTEL9,5 – O cara, que chega a Interlagos como favorito, foi brilhante. Só lhe faltou a vitória. Desde a sexta-feira, Sebastian foi muito mais rápido do que qualquer outro na Fórmula 1: liderou os três treinos livres e as três sessões da qualificação, garantindo mais uma pole-position na temporada. Na corrida, largou bem e abriu razoável vantagem logo nas primeiras voltas. Então, o que faltou? Consistência aos pneus Pirelli, que parecem não ter funcionado tão bem em seu carro como no de Lewis Hamilton. Vettel batalhou, brigou e até reagiu em alguns momentos, mas não conseguiu conter a ultrapassagem do piloto da McLaren e perdeu a liderança pela primeira vez no fim de semana. Terminou em segundo e adiou a decisão do título para o GP do Brasil. Dificilmente não será campeão.

FERNANDO ALONSO7,5 – Olha, se não fosse pela cara-de-pau da Ferrari em infringir uma regra de maneira proposital para beneficiar seu pupilo… O asturiano não tinha carro para brigar por nada em Austin e se realmente tivesse largado da oitava posição, teria sido ultrapassado por uma caravana de carros antes da primeira curva devido à sujeira do lado par do grid. Mas os ferraristas deram um jeitinho, retiraram o lacre da caixa de câmbio de Felipe Massa, cavaram uma punição de perda de cinco posições no grid para o brasileiro e entregaram a sétima posição de presente a Alonso, que pôde largar na linha limpa da pista. E Fernando fez sua parte. Largou muitíssimo bem, subiu para a quarta posição logo na primeira curva, herdou o terceiro lugar com o abandono de Mark Webber e não foi ameaçado de verdade por ninguém. Com o resultado, empurrou a decisão do título para Interlagos. Que seja tricampeão. E sem as ajudas esdrúxulas da Ferrari.

FELIPE MASSA8,5 – Fez uma ótima corrida e tinha grandes chances de terminar à frente de Fernando Alonso, mas é óbvio que a Ferrari não deixou… O brasileiro andou razoavelmente bem nos treinos livres (três sextos lugares, coisa do demônio) e arranjou uma boa sexta posição no grid. Mas como Alonso acabou ficando duas posições abaixo, a brilhante Ferrari decidiu sabotar o câmbio de Massa e arranjou uma punição para o brasileiro, que teve de largar em 11º. Esportividade pra quê, né? Mesmo assim, Felipe não se abateu e pilotou como em poucas ocasiões. Largou bem, ganhou várias posições durante a prova, teve um bom ritmo durante todo o tempo e finalizou em quarto andando mais rápido que o próprio Alonso. Uma pena que Massa não tenha espaço para mostrar o que pode fazer.

JENSON BUTTON7 – Passou por boas, mas conseguiu finalizar bem o GP dos EUA. Tinha carro para disputar as cinco primeiras posições tranquilamente, mas um problema no acelerador durante o Q2 o fez largar em 12º, no lado sujo da pista. Quando as luzes vermelhas se apagaram, Jenson perdeu ainda mais posições e terminou a primeira volta em 15º. O que o salvou da pasmaceira foi a estratégia de largar com pneus duros. Graças a isso, ele pôde atrasar ao máximo seu pit-stop e ganhar várias posições no interregno. Ao parar na volta 35, Button conseguiu voltar em sétimo e ainda ultrapassou mais dois caras nos giros seguintes, terminando na quinta posição.

KIMI RÄIKKÖNEN6,5 – Fim de semana OK para ele, longe de qualquer brilhantismo. Faltou um pouco de velocidade em seu Lotus, como foi provado no desempenho abaixo da média nos três treinos livres. Na qualificação, foi o quinto mais rápido e ganhou uma posição a mais no grid com a punição de Romain Grosjean. Na primeira volta, largou mal e ainda teve um toque com Nico Hülkenberg, mas seguiu adiante. Daí para frente, Kimi teve algumas boas disputas, chegou a andar em segundo durante a rodada de pit-stops e só não finalizou em quarto porque os pneus não deixaram. É o verdadeiro Senhor Consistência.

ROMAIN GROSJEAN6 – Seu desempenho mudava da água para o vinho a cada instante, mas o resultado final não foi ruim. Muito mal nos treinos livres, Romain conseguiu um milagroso quarto lugar no grid, mas a troca de câmbio após a terceira sessão o fez largar em oitavo. Com os pneus macios, estava como uma tartaruga na pista, atrapalhando a todos, e até rodou sozinho na sétima volta. Aí a Lotus decidiu antecipar a troca de pneus e Grosjean voltou à pista com pneus duros. A partir daí, seu único trabalho foi não tostar os pneus e aproveitar o bom desempenho do seu carro. Ele ganhou posições aos montes e terminou a apenas seis segundos de Kimi Räikkönen.

NICO HÜLKENBERG6,5 – Mais uma boa corrida do futuro piloto da Sauber. Competitivo desde os treinos livres, o alemão superou novamente o companheiro Paul di Resta na qualificação e amealhou um ótimo sexto lugar no grid. Nas primeiras voltas, com pneus macios, andou em quinto durante um bom tempo. O pit-stop que colocou compostos duros em seu carro não trouxe resultados positivos e Nico teve de ralar bastante para conseguir andar entre os dez primeiros. Nas últimas voltas, sofreu grande pressão dos dois carros da Williams. Contra tudo e contra todos, o oitavo lugar.

PASTOR MALDONADO6 – Está numa nova fase, menos esquentada. Em Austin, pela primeira vez na Fórmula 1, conseguiu pontuar pelo segundo fim de semana consecutivo. O seu carro, que estava bem veloz em Abu Dhabi, não encontrou tanta velocidade em solo americano e Maldonado só conseguiu andar bem de verdade no terceiro treino livre, quando ficou em terceiro. Na sessão oficial, conseguiu um lugar na quinta fila, nada de muito impressionante. Saiu muito mal na largada e passou a maior parte do tempo andando fora da zona de pontuação. No final da corrida, com pneus duros, tinha um bom desempenho e chegou a ameaçar Nico Hülkenberg, mas não passou do nono lugar. De qualquer jeito, um avanço para quem vivia batendo até há pouco tempo.

BRUNO SENNA6 – Será que a participação nos três treinos livres fez diferença? Não acredito nisso, pois o sobrinho já vem andando melhor em treinamentos há algum tempo. Nos EUA, ele esteve sempre veloz e não passou para o Q3 por causa de um erro besta em sua volta rápida, mas ainda conseguiu um ótimo décimo lugar no grid. Na corrida, teve um desempenho até mais constante do que o de Pastor Maldonado, chegou a ser o dono da volta mais rápida durante algum tempo e não cometeu erros. Assim como o venezuelano, também está aprendendo. E marcou mais um pontinho. Resta ver se essa evolução será o suficiente para convencer a Williams a ficar com ele em 2013.

SERGIO PÉREZ3 – Sem ter um carro bom nas mãos e sem apostar em uma estratégia diferenciada, foi apenas mais um na corrida. O novo contratado da McLaren, que não tem uma atuação realmente digna de sua futura equipe há um bom tempo, não passou vergonha nos treinos livres, mas sofreu como um porco à beira do abate na classificação e ficou apenas em 15º no grid de largada. Largou bem e até andou entre os dez primeiros durante um tempo, mas o fato de utilizar a mesma estratégia dos demais e um problema nos pneus o impediram de ir além do 11º lugar.

DANIEL RICCIARDO5,5 – Foi muito melhor do que Jean-Éric Vergne novamente – o que se passa com o francês? Longe de ser brilhante, o australiano levou seu Toro Rosso a posições melhores do que a média nos treinos livres, mas foi o infelizardo do sábado ao fazer companhia às equipes pequenas na clausura do Q1. Boa mesmo foi a prova. Ricciardo largou muito bem e sentou o pé no acelerador nas primeiras voltas, ultrapassando vários pilotos com carros mais velozes nas primeiras voltas. Ao fazer seu pit-stop, estava em quinto. Infelizmente, não tinha carro para ter marcado pontos. Uma boa atuação que chamou a atenção de poucos.

NICO ROSBERG1 – Esse daí só está cumprindo tabela esperando pelas férias. Nos três treinos livres, ficou entre os dez primeiros e alimentou suas esperanças para uma boa corrida. Mas a felicidade acabou aí. No treino oficial, deu tudo errado: quase ficou no Q1 e não passou da última posição do Q2, ficando apenas com o 17º lugar no grid. Para o domingo, foi um dos únicos que apostaram num primeiro stint com pneus duros. Mesmo atrasando ao máximo seu pit-stop, não conseguiu ficar entre os dez primeiros. Está há cinco GPs sem marcar pontos, algo que não ocorre desde 2008.

KAMUI KOBAYASHI2 – Triste situação. O GP dos EUA foi, provavelmente, sua penúltima corrida na Fórmula 1. E ela não foi boa, longe disso. Nos dois treinos de sexta-feira, ficou entre os dez primeiros, mas não conseguiu mais nada nos dias seguintes. Foi mal na qualificação e garantiu apenas o 16º posto no grid. Na corrida, antecipou seu pit-stop e ficou umas trezentas voltas com pneus duros. Nunca esteve perto da zona de pontuação.

PAUL DI RESTA3 – Mais um fim de semana discreto e improdutivo. Ficou atrás de Nico Hülkenberg nos três treinos livres e na qualificação, sendo o único da Force India a não passar para o Q3. Mandou bem na largada, onde ganhou quatro posições, e passou todo o primeiro stint andando entre os dez primeiros. A situação piorou quando Paul teve de usar compostos duros. Em determinado momento, o escocês rodou e danificou seus pneus, sendo obrigado a fazer uma segunda parada extra. Aí, as chances de pontos evaporaram de vez.

MICHAEL SCHUMACHER1 – Parece aquele jogador que foi campeão de Copa do Mundo, mas não soube parar na hora certa e terminou a carreira disputando a terceira divisão do Campeonato Paulista. O heptacampeão teve mais um fim de semana completamente dispensável para seu currículo. De positivo, só o surpreendente quarto lugar no grid de largada. A corrida foi exaustiva e deprimente. Michael largou mal e foi perdendo posições volta após volta. O negócio estava tão feio que o alemão foi o único piloto da pista que precisou fazer duas trocas obrigatórias de pneus, já que tanto os compostos médios como os duros não ofereciam nenhuma aderência. Foi o último colocado das equipes normais. Esta é a vida no XV de Piracicaba.

VITALY PETROV4 – O tovarich da Caterham teve um fim de semana muito melhor do que o do desanimado companheiro Heikki Kovalainen, o que representa uma grande vitória moral. O resultado no treino oficial foi bastante curioso: embora tenha superado Kovalainen, Vitaly ficou atrás dos dois carros da Marussia, situação inédita. Na corrida, o russo largou bem e ponteou a turma do fundão durante todo o tempo. Embora não seja um gênio, também não merece o desemprego.

HEIKKI KOVALAINEN2,5 – Está de mal da vida, deprimido, praticamente desempregado e é óbvio que tal estado de espírito se refletiu nos resultados na pista. Quem é que imaginaria que o finlandês, que deu muito trabalho aos caras da Toro Rosso na metade do ano, estaria apanhando de Vitaly Petrov e dos dois carros da Marussia no treino oficial? Na corrida, Heikki não fez muito mais do que superar os marússicos, mas ainda finalizou atrás do colega soviético. Pelo tom de suas palavras, está à beira da aposentadoria.

TIMO GLOCK4,5 – Curiosamente, o alemão é o único piloto do grid que já disputou uma categoria americana de monopostos: correu na falida ChampCar em 2005. Sete anos depois, ele retornou aos States para tentar ao menos impedir que a Caterham superasse a Marussia no mundial de construtores. O trabalho foi relativamente bom. No treino oficial, Glock surpreendeu a todos sendo o melhor das equipes nanicas no grid de largada. A corrida não foi tão magnífica assim, embora Timo tenha tido uma boa batalha com Heikki Kovalainen. Pelo menos, chegou ao fim e a Marussia continua na décima posição entre as equipes.

CHARLES PIC4 – Também foi razoavelmente bem. No primeiro treino de sexta-feira, foi o melhor dos pilotos das equipes pequenas. No sábado, embora tenha sido superado por Timo Glock, ainda conseguiu se qualificar à frente dos dois carros da Caterham, novidade neste ano. A corrida ficou prejudicada devido a um toque na primeira volta que danificou sua asa dianteira. Mesmo assim, o competente francês seguiu até o fim.

PEDRO DE LA ROSA3 – Está naufragando junto à sua equipe, que deverá fechar as portas logo após o GP do Brasil. Nos EUA, mesmo pilotando um carro todo remendado com fita crepe, o veterano espanhol manteve a dignidade. Foi penúltimo colocado nos três treinos livres, no grid de largada, na corrida e até mesmo na lista de voltas mais rápidas. Pelo menos, chegou ao fim. Fica até difícil dar uma nota.

NARAIN KARTHIKEYAN2,5 – O que dizer de alguém que ficou em último em todos os treinos livres, a classificação e a corrida? A título de curiosidade, Narain foi um dos poucos pilotos do grid a ter feito parte de sua carreira na América: fez algumas corridas marotas na NASCAR Truck Series em 2010 e até foi eleito o “Piloto Mais Popular” da categoria. Em Austin, o indiano não fez nada de novo. Ainda assim, também completou a corrida. Que deverá ser sua penúltima na Fórmula 1.

MARK WEBBER5 – Justiça seja feita: ele tinha lugar garantido no pódio. Tudo bem, o pódio é uma obrigação para quem pilota o RB8, mas sair dos Estados Unidos não tendo marcado ponto nenhum é bastante desagradável. O australiano não foi genial em momento nenhum nos treinos livres e sequer conseguiu um lugar na primeira fila, mas tentou dar a volta por cima largando bem e roubando a segunda posição de Lewis Hamilton na primeira curva. Três voltas depois, Hamilton recuperou o segundo lugar e Webber parecia contente com o terceiro posto. Infelizmente, o alternador de seu carro virou pó e o australiano teve de abandonar a corrida na volta 16. Chega a Interlagos morrendo de medo de terminar o ano em sexto.

JEAN-ÉRIC VERGNE3,5 – Teve como maior feito o fato de ter sido o único piloto da Toro Rosso a ter passado para o Q2 do treino oficial, ficando num razoável 14º lugar no grid. Largou mal devido ao fato de ter partido da linha suja da pista, andou no meio do pelotão durante todo o tempo e abandonou a prova com a suspensão arrebentada. No entanto, não foi o pior de seus fins de semana na temporada – o que é um mau sinal.

GP DO BRASIL: E a Fórmula 1 desembarca na terra da salsa, do merengue, dos bandidos bigodudos e dos macacos dançando Carnaval. Ah, os estereótipos sobre o Brasil são muito engraçados. Bem que o país poderia realmente ser apenas um agrupado de gente festiva sambando para lá e para cá no meio de araras e simpáticos ladrões de joias, mas o que temos aqui são traficantes mal-encarados, muitos impostos e trânsito interminável. O Grande Prêmio do Brasil é uma das atrações da temporada de Fórmula 1 pelos mais variados motivos. A pista é boa, seletiva, técnica, realiza corridas de verdade e atrai verdadeiros fãs de automobilismo. Uma pena é o acesso ao autódromo, uma merda para quem não tem o mapa de São Paulo armazenado num lóbulo cerebral. Os gringos adoram o país porque há caipirinha, churrasco e putaria para todos os gostos. E se a metrópole paulistana der no saco, basta pegar uma ponte aérea rumo ao Rio de Janeiro ou a qualquer grande cidade costeira do Nordeste. Os fãs da velocidade acham a pista uma joia rara, o melhor palco para uma decisão de título mundial. São Pedro, pelo visto, também gosta pra caramba de Interlagos. Espero que ele tenha muita vontade de despejar água abundante neste fim de semana. As corridas com chuva em Interlagos são das melhores do mundo: 2003 e 2008 advogam a favor desta frase. Por outro lado, quando a pista fica seca, a coisa toda esfria. Ainda assim, é melhor decidir um título num GP brochado em Interlagos do que sob as luzes daquele hotel ridículo de Abu Dhabi.

TRICAMPEÃO: Para quem você vai torcer neste fim de semana? Há duas boas opções. Um é alemão e tem sorriso de cavalo. O outro é espanhol e tem sobrancelha de taturana. Um bebe Red Bull, o outro Itaipava. Um anda de Renault 19, o outro de Fiat Spazio. Um tem um companheiro gigante e linguarudo, o outro tem um companheiro baixinho e língua-presa. Um aponta o dedo, o outro grita. Um é admirado pelos espectadores, o outro é o queridinho dos jornalistas. Um desempregou Sébastien Bourdais, o outro fez Giancarlo Fisichella parecer um coitado. Um tem o apoio do brilhante Adrian Newey, o outro é mimado por Stefano Domenicali. Um fez miséria em Abu Dhabi, o outro em Valência. Um tem 273 pontos, o outro tem 260. Um é excelente piloto, o outro também. Os dois desembarcaram no Aeroporto Internacional de Guarulhos bicampeões do mundo. Apenas um deles pegará o avião de volta para a Europa tricampeão do mundo, como Senna, Piquet, Lauda, Stewart e Brabham. Sebastian Vettel e Fernando Alonso são os dois grandes nomes deste fim de semana. Certamente, o GP do Brasil do próximo domingo será inesquecível. Minha torcida? Alonso, sempre. Meu palpite? Vettel, infelizmente.

SCHUMACHER: Háseis anos, Michael Schumacher veio ao Brasil para disputar sua última corrida de Fórmula 1. Aos 37 anos, rico e no auge da forma, o heptacampeão estava disputando mais um título na categoria contra Fernando Alonso, ainda imberbe. Infelizmente, não ganhou e voltou para a casa com a medalha de prata no peito. Ficou de pantufas durante um tempo, arriscou o pescoço em corridas de moto e percebeu que estava de saco cheio da aposentadoria. Em 2010, voltou ao certame máximo do automobilismo pela Mercedes cheia da grana e comandada pelo seu velho amigo Ross Brawn. Parecia um casamento fadado ao sucesso, mas os resultados não vieram e Michael só veio a conseguir um pódio neste ano. Andar no meio do pelotão, assistindo aos pilotos de ponta de binóculo, não tinha a menor graça. Ele decidiu parar de novo. Neste fim de semana, Schumacher, 43, retorna a Interlagos para se despedir da Fórmula 1 pela segunda vez. Assim como em 2006, sinto uma ponta de incômodo sincero. Coisas de temporalidade. O cara estreou na categoria há 21 anos, numa época em que Fernando Alonso tinha 11 anos e Sebastian Vettel era apenas um moleque chorão de tenros  quatro anos de idade. Atravessou a década de 90 com bastante sucesso e foi figura onipresente durante a década passada. Um patrimônio. Para mim, sua aposentadoria é como se aquela antiga padaria que estava lá na vizinhança desde a infância fechasse as portas. É a última porta dos velhos tempos se fechando. Que Michael Schumacher seja homenageado como merece. E que Kimi Räikkönen não vá cagar durante a homenagem.

MÉDIAS: Enquanto Ferrari e Red Bull dispendem suor, neurônios e graxa tentando derrotar os inimigos, as equipes do meio da carreata estão com a cabeça em outros assuntos. Dinheiro é, obviamente, um deles. O outro, que depende diretamente do dinheiro, é a contratação de pilotos em 2013. Neste próximo fim de semana, Sauber e Force India confirmarão suas duplas para a próxima temporada. Na equipe suíça, não haverá muita surpresa. Na verdade, não haverá surpresa alguma, já que o linguarudo do Sergio Pérez deu com a língua nos dentes e afirmou hoje a jornalistas que “Nico Hülkenberg terá um companheiro muito forte em Esteban Gutiérrez”. É isso aí, amigos: a dupla da Sauber será composta pelo alemão Hülkenberg, atualmente na Force India, e pelo mexicano Gutiérrez, que correu na GP2 nos últimos dois anos. Isso significa que Kamui Kobayashi, o japonês que todo mundo aprendeu a gostar nos últimos anos, está momentaneamente desempregado. Infelizmente, é pouco provável que ele siga na Fórmula 1 em  2013, pois seu cofrinho mal dá para comprar uma vaga como faxineiro na HRT. Já na Force India, a surpresa será ligeiramente maior. Derrotando favoritos como Bruno Senna, Jules Bianchi e Adrian Sutil, a zebra espanhola Jaime Alguersuari deverá ser anunciada como companheiro de Paul di Resta na próxima temporada. Esta informação surgiu no Twitter e logo caiu na boca do povo. Não duvido da possibilidade. Alguersuari já vinha negociando com várias equipes fazia algum tempo e parecia muito seguro sobre suas chances em 2013. Num primeiro instante, todos nós pensamos que ele estava sendo apenas o Jaime fanfarrão de sempre. Mas não é que a coisa é séria, mesmo?

VIOLÊNCIA: São Paulo anda numa paranoia danada nestes últimos tempos. Policiais militares sendo executados, transeuntes inocentes levando balas no meio da testa, órgãos de segurança em polvorosa, famílias assustadas, este é o panorama do estado-locomotiva nestes últimos meses. Os caras da Fórmula 1 chegaram à capital paulista muito bem avisados sobre o que andava acontecendo por aqui. O mais preocupado de todos é Jenson Button, piloto da McLaren. Em 2010, o britânico foi vítima de uma tentativa de assalto enquanto voltava para o hotel logo após o treino classificatório do GP do Brasil. Ele só escapou porque o motorista de seu carro foi bastante ninja e conseguiu se livrar dos assaltantes.  Neste ano, Button já anunciou que a sempre cautelosa McLaren providenciou carros blindados e escolta policial a seus integrantes. Portanto, a inglesada está teoricamente protegida dos crimes e contravenções que caracterizam a dinâmica de uma cidade grande e problemática como Sampa. Você pode dizer que Button, Hamilton, Whitmarsh e companhia limitada são umas bichas exageradas que andam na rua de Rolex no braço e depois reclamam do país após serem roubados. Os caras da McLaren podem até ser bichas exageradas, mas não são eles que moram num país onde você é obrigado a colocar cercas elétricas no muro ou ficar trancado em casa depois das sete da noite.

Vocês não sabiam disso? Pois é…

 

GP DOS EUA: God bless America! Depois de cinco anos, a Fórmula 1 retorna à terra do Mickey Mouse e do Lee-Harvey Oswald em grande estilo. Os 24 pilotos da categoria mais coxinha do planeta estrearão mais tarde o novíssimo Circuit of the Americas, carinhosamente chamado de COTA pelos mais íntimos. A pista tem 5,5 quilômetros de extensão, embora aparente ter uns 16 se você olhar bem para o traçado, e um monte de curvinhas copiadas de outras pistas. Uma pessoa criativa consegue encontrar A1-Ring, Hermanos Rodriguez, Silverstone, Yas Marina, Istambul, Hockenheim, o que quiser aí nesta salada mista. Parece ser um circuito legal, mas só saberemos a partir do momento em que os carros entrarem na pista. “The bullshit stops when the flag drops”, afinal. O COTA é a milésima tentativa da Fórmula 1 emplacar nos Estados Unidos, país que não dá muita bola para as coisas que acontecem lá fora de seus domínios. Se bem que, convenhamos, não dá para conquistar a galera yankee correndo em pistas de rua como Dallas ou Detroit. Falta também um ídolo de verdade, um cara tipo Jeff Gordon ou uma mocinha ranheta como Danica Patrick. Falta também servir cachorro-quente e cerveja aguada nas arquibancadas. Faltam três caças voando por cima de todos quinze minutos antes da largada. Falta a Kelly Clarkson subir num palco e cantar Star Spangled Banner ao lado de antigos veteranos de guerra. Falta o Jay Leno pegar o microfone para pedir aos senhores que liguem a porra de seus motores. Se não tiver nada disso, não adianta: a coisa não anda, ainda mais num estado como o Texas. Afinal de contas, quem é que está interessado em ver um escocês de sotaque estranho como David Coulthard entrevistando um punhado de europeus mofinos no pódio?

HRT: Equipe de Fórmula 1 à venda. 2010/2010. Segundo dono. Sem equipamentos de série. Trocamos por moto ou terreno em Pirituba. É foda a situação da HRT, a escuderia mais despossuída e frágil do grid. Nesta semana, a mídia espanhola divulgou que o parco dinheiro que fazia tudo funcionar acabou e o grupo que comanda a bagaça, a firma de investimentos Thesan Capital, decidiu passar a encrenca para frente. Se ninguém oferecer os 40 milhões de euros até o dia 2 de dezembro, a HRT morrerá e irá para o purgatório das equipes nanicas fazer companhia a Coloni, Forti-Corse, Eurobrun e Spirit. As coisas estão tão complicadas que 32 funcionários já foram demitidos, as peças sobressalentes já teriam se esgotado, Narain Karthikeyan e Pedro de la Rosa estariam correndo com partes desgastadas e o desenvolvimento da carroça de 2013 estaria parado. Surgiram até boatos de que a equipe não disputaria as duas últimas corridas do ano, mas a prova de Austin parece garantida até aqui. Embora gostaria de acreditar que tudo isso aí é mentira de jornalista safado e cuzão, não parece ser o caso. A Espanha está falida, mergulhada em recessão, todo mundo está desempregado e torrar dezenas de milhões de euros num troço que mal faz cócegas à Marussia soa até desrespeitoso para os espanhóis. É o novo mundo, um pouco mais sombrio do que o normal. A HRT se junta à Force India e à Lotus na turma das ameaçadas. A Fórmula 1, se seguir com o modelo de negócios atual, caminha rumo à falência, admitamos.

KUBICA: Robert Kubica, lembra-se dele? Para mim, parece até que o polonês correu na Fórmula 1 há uns dez anos. Fora do certame desde o início de 2011, quando sofreu um pavoroso acidente num rali na Itália, Kubica ainda deseja retornar em alto nível aos monopostos. O problema é que, passados quase dois anos desde o acidente, ele ainda está longe de ter alcançado um nível satisfatório de recuperação que o permita competir em carros mais potentes. O piloto até andou participando de alguns ralis na Europa, venceu algum deles, mas Fórmula 1 é um negócio bem mais cruel para quem não é um superatleta com todos os ossos no lugar. Nesta semana, em entrevista à Reuters, Kubica afirmou que continua em reabilitação e que ainda tem algumas limitações, com destaque para uma grande limitação no movimento do braço direito, órgão mais afetado pelo acidente de 2011. O que isso significa? Impossível dizer. Pode ser que seu braço simplesmente não esteja bom para um braço de ferro ou para carregar sacos de cimento. Mas pode ser também que o cara mal consiga segurar um copo de água. Por enquanto, tudo permanece incerto no reino da Cracóvia. Mas isso não me impede de dedilhar uma aposta. Vamos aos fatos. Kubica não disputa corridas oficiais há dois anos. Ele completará 29 anos de idade no ano que vem. Seu braço ainda está longe da normalidade. O piloto parece fazer de tudo para escondê-lo. Dizem que ele não está mais mantendo contato com sua última equipe de Fórmula 1, a atual Lotus. Os boatos sobre um teste com a Ferrari arrefeceram. A Ferrari tem um monte de boas opções sobre a mesa. Não há muitas vagas na categoria. O número de pilotos pagantes está crescendo. Quer saber? Robert, procure outra coisa pra fazer. A Fórmula 1 acabou para você.

WEBBER: Mark Webber é o sindicalista da Fórmula 1. O cara que sobe ao púlpito, pega o microfone e vocifera contra as grandes corporações, os bancos e as idiossincrasias idiotas da categoria. Dia desses, alguém sentou com o piloto australiano e lhe fez algumas perguntas do tipo “o que você acha disso ou daquilo?”. O resultado foi ótimo. Webber, um cara inteligente e sem rédeas em sua língua, disse tudo o que pensava sobre os rituais pós-corrida dos últimos tempos. Mark, o que você acha da presença de um monte de celebridades e aspones no pódio? “Eu fico puto da vida. O pódio é um momento de celebração dos pilotos. Não é pra ter nenhum caraminguá metido lá no meio pra conseguir seus quinze minutos de fama”. Mark, o que você acha das bandeiras eletrônicas? “Você precisa de bandeiras de verdade. As eletrônicas são uma merda. Você precisa de bandeiras de verdade tremulando com o vento”. Mark, o que você acha das entrevistas no pódio? “Mais ou menos”. Mark, o que você acha da proibição dos palavrões nas entrevistas do pódio? “Você tá todo pilhado, acabou de ter uma puta corrida legal, então é normal que, às vezes, você não use a linguagem mais apropriada, mas não temos de ficar encanados com isso. Desse jeito, será mais uma coisa pra gente ficar prestando atenção no fim de semana”. Não sou fã do piloto Webber, mas a pessoa Webber parece ser um cara muito legal para tomar uma cerveja e tacar fogo em alguns carros. Bota pra foder nesta velharada moralista pau no cu, Mark!

ANDRETTI: A melhor coisa da Fórmula 1 nesta temporada seria se Mario Andretti, campeão de 1978, pudesse participar do primeiro treino livre do GP de Austin. Mais um absurdo da minha mente doentia? Não. O ítalo-americano-croata de 72 anos realmente conversou com a Lotus sobre a possibilidade de fazer a primeira sessão junto aos pilotos atuais como se ainda fosse um deles. Seria muito foda se isso acontecesse, mas não acontecerá. Uma pena. Há alguns dias, Andretti foi convidado para pilotar o Lotus que lhe deu o título de 1978 e também um Lotus do ano passado. Infelizmente, um problema de motor o impediu de andar neste último. É por isso que Mario está agendando outro dia para poder pilotar um carro moderno e sugeriu que este dia fosse hoje mesmo. De quebra, ele sugeriu à Fórmula 1 que voltasse aquela possibilidade das equipes colocarem um terceiro carro na pista nos treinos livres e que este carro fosse ocupado por pessoas do país. Dessa maneira, daria até para ele andar um pouquinho em Austin sem prejudicar o trabalho de Kimi Räikkönen ou Romain Grosjean. Andrettão está certo. Seria bom pra caralho se este terceiro carro fosse colocado na pista. Os pilotos de fora da categoria teriam mais oportunidades para andar, as equipes poderiam fazer uma grana extra e o público ficaria mais motivado para assistir aos treinos livres. Hoje, eu pararia tudo para ver Mario Andretti pilotando um carro moderno ao lado dos outros. Como isso não acontecerá, foda-se, tenho mais o que fazer. Abre o olho, Fórmula 1.

LOTUS9 – Até que enfim, hein? Depois de 17 corridas esperando sentada, a equipe preta e dourada finalmente obteve sua primeira vitória na Fórmula 1 – é até engraçado falar em “primeira vitória da Lotus”, uma marca que cansou de ganhar nos dias de Colin Chapman. Mas é isso aí, amigos, ela conseguiu. Pois se querem saber, nem foi o fim de semana mais competitivo da Lotus nesta temporada. O que acontece é que Kimi Räikkönen combinou sorte danada com talento danado e o resultado danado só poderia ter sido aquele, o lugar mais alto no pódio. É uma pena que Romain Grosjean, envolvido em tudo quanto é tipo de coisa, não finalizou a corrida. Agora, é hora de pensar em 2013. Isto se, obviamente, a grana não escassear de vez.

FERRARI8 – Não dá para negar que os ferraristas se esforçam. Em Abu Dhabi, a equipe trouxe algumas atualizações, cogumelos e cascas de tartaruga para tentar ajudar Fernando Alonso na disputa pelo título. E só para ele, diga-se de passagem: Felipe Massa teve de correr com um velho Fiat 500 pintado de vermelho. Mas tudo bem, o resultado final não foi tão desastroso. Fernando das Astúrias fez uma boa corrida, ultrapassou Mark Webber e herdou as posições de alguns desafortunados à sua frente, terminando em segundo. Massa sobreviveu a Webber e terminou em sexto mesmo reclamando do carro. Os mecânicos estiveram impecáveis no trabalho de boxes.

RED BULL5 – Ela está de brincadeira com a gente. Que negócio foi aquele de deixar Sebastian Vettel na seca na volta de retorno aos boxes no treino oficial? Isso daí é erro de equipes como Andrea Moda, HRT ou McLaren, jamais deveria ser cometido em um carro que está brigando pelo título de pilotos. Graças a isso, Sebastian Vettel teve de largar da última fila. Para felicidade de todos, o cara fez uma corrida de presidente da República, ultrapassando todo mundo e se colocando na disputa direta pela vitória. Mesmo parando duas vezes, terminou em terceiro e minimizou a perda de vantagem para Fernando Alonso. Mark Webber foi o bobo da corte do GP: bateu em todo mundo e terminou com o carro estropiado. Não ajudou em nada o companheiro.

MCLAREN7 – Para quem tinha o melhor carro do fim de semana, ter de se contentar com um quarto lugar de Jenson Button é de um dissabor impressionante. Lewis Hamilton, que liderou até mesmo lista de receptor de órgãos, liderava de ponta a ponta e vinha tranquilamente para a vitória, mas teve problemas de pressão de gasolina e abandonou a prova, numa situação muito parecida com a de 2009. Quem teve de salvar o dia foi Button, que nem andou tão mal assim. O problema é que sua posição no grid não ajudava e Jenson não é o cara que taca fogo no mundo em situações adversas. É por essas e outras que a equipe, mesmo tendo um carro muito bom, está longe do título deste ano.

WILLIAMS7 – Aleluia! Os dois pilotos marcaram pontos, situação tão improvável quanto o cometa Halley. A dinâmica das coisas nem foi tão diferente assim dos outros fins de semana: Pastor Maldonado muito mais rápido que Bruno Senna nos treinos, o brasileiro andando até melhor que o venezuelano na corrida e os dois se envolvendo em acidentes. Por incrível que pareça, nenhum deles teve culpa alguma no cartório: Maldonado foi atingido por Mark Webber e Bruno foi atropelado por Nico Hülkenberg na primeira curva. Entretanto, o carro da Williams estava veloz como um coelho e resistente como uma tartaruga neste fim de semana. Graças a tudo isso, os pontos. Só falta melhorar nos pit-stops.

SAUBER6 – Marcou pontos com Kamui Kobayashi novamente. O fim de semana foi uma espécie de repeteco dos últimos GPs para a equipe suíça: dificuldades nos treinos, Sergio Pérez andando bem mais rápido no treino oficial, uma estratégia doidona para o piloto mexicano, o japonês subindo posições sem grande estardalhaço, Pérez abandonando a corrida após um erro idiota e Kamui terminando numa posição razoável. Enfim, não houve grandes novidades para a Sauber. Seria bom se o novo contratado da McLaren parasse de fazer besteiras. Quanto a Kobayashi, que arranje grana para seguir na Fórmula 1 no ano que vem.

FORCE INDIA4,5 – Tinha um carro melhor que a Sauber, por exemplo. Devido a isso, ter terminado o fim de semana com apenas dois pontos não foi a melhor das situações. Pelo menos, um dos carros chegou ao fim, coisa que não parecia ser possível após Nico Hülkenberg se destrambelhar e quase atropelar o companheiro Paul di Resta na primeira curva. Hülkenberg abandonou, mas Di Resta seguiu em frente, fez três pit-stops, recuperou-se bem e finalizou em nono.

TORO ROSSO3,5 – Marcou um ponto, sim, mas muito graças ao abandono de vários carros mais velozes. Não fosse por isso, Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne teriam terminado na rabiola das equipes médias. Os dois não andaram bem nos treinos livres, largaram lá atrás e não melhoraram muito na corrida em termos de performance. Ricciardo assustou a Red Bull principal quando fez um movimento estranho durante o primeiro safety-car e quase fechou involuntariamente o caminho de Sebastian Vettel. Vergne, ao contrário, abriu passagem a Vettel tranquilamente, mas teve sua corrida prejudicada com a antecipação de seu primeiro pit-stop. Sem chances de alcançar a Williams, está apenas contando as horas para o fim do campeonato.

MERCEDES0,5 – Sem marcar pontos desde Cingapura, está numa fase nigérrima. Carro lento, pilotos azarados, furos no pneu, acidentes fortes, clima ruim, a Mercedes precisa do que mais? Nico Rosberg ainda andou melhorzinho nos treinos e largou em sétimo, mas furou o pneu num toque com Romain Grosjean e depois se arrebentou num forte acidente com Narain Karthikeyan. Michael Schumacher largou no meio do pelotão e até vinha numa corrida para marcar pontos, mas também teve um furo de pneu e foi obrigado a fazer um segundo pit-stop. Com isso, terminou fora da zona de pontuação. Está sob efeito de macumba muito forte, a equipe germânica.

CATERHAM2,5 – Está com ainda menos brilho do que na metade da temporada, quando chegava a brigar com a Toro Rosso. Heikki Kovalainen andou bem mais rápido que Vitaly Petrov, mas ambos chegaram a ter problemas com os carros da Marussia, que se aproximaram bastante. Mesmo assim, Heikki conseguiu levar o carro até o fim e ficou numa boa 14ª posição, ainda insuficiente para garantir à Caterham o 10º lugar no campeonato. Petrov largou atrás de Charles Pic e terminou atrás de Timo Glock. Pelo menos, foi a única equipe pequena a conseguir fazer seus dois carros chegarem ao fim.

MARUSSIA3,5 – Esta, ultimamente, anda empolgando até mais que a Caterham. Embora às vezes tenha problemas com a HRT, a equipe vermelha e preta conseguiu se aproximar bastante da rival verde em Abu Dhabi. Charles Pic andou muitíssimo bem no treino classificatório, mas não terminou a corrida devido a um motor Cosworth bichado. Timo Glock não foi bem no treino oficial, mas fez uma superlargada e conseguiu segurar os ataques de Sergio Pérez no final da corrida.

HRT2 – Dizem as más línguas que não tem nem peças sobressalentes para terminar o campeonato. O esforçado Narain Karthikeyan bem que tenta permanecer na pista, mas o carro não colaborou e um problema hidráulico acabou ocasionando um acidente perigosíssimo com Nico Rosberg. Nada pior para uma equipe que nem deve ter aerofólios guardados no almoxarifado, se é que ela tem um almoxarifado. Pedro de la Rosa, aos trancos e barrancos, largou e chegou ao fim da corrida. Que encontre um comprador logo.

TRANSMISSÃOELE VOLTOU – Já estava até ficando com medo. A narração brasileira não poderia ficar sem ELE, o único cara que consegue botar Derek Warwick num carro da Red Bull. ELE, que quando vê um acidente envolvendo Pastor Maldonado e Romain Grosjean, respira por um ou dois segundos se preparando para proferir a próxima frase bombástica sacaneando suas participações na Fórmula 1. ELE, que acha que Nico Hülkenberg não é um piloto pronto e muito menos um grande piloto. ELE, que dispara contra os jornalistas que já sabem que Bruno Senna não continuará na categoria em 2013. ELE, que sempre repara na Gabi Maldonado. ELE, que deixa seus dois colegas de bancada amedrontados pela possibilidade sempre iminente de tomar uma patada. ELE, que sempre deixa os acidentes mais dramáticos do que eles são. Vocês me perdoem, mas uma corrida sem ELE perde muito da graça. Abu Dhabi teve graça. Isso, sim, é impressionante.

CORRIDAQUEM TE VIU, QUEM TE VÊ, ABU – A corrida de 2009 foi uma merda com cara de velório. A de 2010 foi tensa pra caramba. A de 2011 foi um amistoso Brasil x Ilhas Canárias. Eu nunca achei que Abu Dhabi e seu portentoso, glorioso e seboso autódromo-hotel conseguiriam proporcionar aos fãs da velocidade um GP tão legal, tão divertido, tão cheio de vilões, mocinhos e histórias. Nem mesmo as áreas de escape latifundiárias impediram a ocorrência de dois grandes acidentes, aquele que mandou Nico Rosberg para o muro e aquele que envolveu um monte de gente e tirou Mark Webber e Romain Grosjean da corrida. Sebastian Vettel foi um espetáculo à parte: mesmo largando da última posição, ultrapassou um por um como se estivesse pilotando no modo fácil do Grand Prix 3, terminou no pódio e poderia muito bem ter vencido. Fernando Alonso também fez uma corrida boa, mas não tanto quanto Vettel. E o vencedor Kimi Räikkönen, aquele que sabe o que faz, deixou todo mundo feliz. Foi uma corrida de Fórmula 1 completa, destas que podem fazer alguém começar a gostar de automobilismo. Num ano louco como este, as melhores provas desta temporada ocorreram nos piores circuitos, vai entender…

KIMI RÄIKKÖNEN9,5 – Finlandês desgraçado. Na outra semana, vaticinei aqui que a Lotus não ganharia uma corrida neste ano. Jamais. Never. Pois Kimi Räikkönen, o Cacacheiro de Gelo, precisou de apenas um fim de semana para calar meus dedos. Não que seu desempenho nos treinos tivesse sido espetacular, longe disso. O finlandês foi apenas correto nos dois primeiros dias de atividades e até surpreendeu ao lograr o quinto lugar no grid. A vitória começou a ser construída na largada, quando ele pulou para a segunda posição após excelente saída. A liderança veio após o problema do desafortunado Lewis Hamilton, mas não há como negar o excelente ritmo que Kimi impôs durante todo o tempo. Não foi realmente ameaçado em momento algum, nem mesmo quando Fernando Alonso se aproximou. Venceu pela primeira vez desde o GP da Bélgica de 2009 e encheu a barriga de champanhe.

FERNANDO ALONSO8,5 – Em tese, conquistou um ótimo resultado numa pista que nunca lhe trouxe momentos felizes. No entanto, estava visivelmente chateado no pódio, incomodado com a felicidade ébria de um e com o grandessíssimo sorriso rubrotaurino do outro. De fato, Alonso tinha motivos para não ter gostado do domingo, pois sabia que sua grande chance de retomar a liderança do campeonato havia evaporado. Razoável nos treinamentos, o asturiano decepcionou muito no Q3 da classificação e garantiu apenas o sexto lugar no grid. Largou bem, fez uma boa ultrapassagem sobre Mark Webber e andou em quarto nas primeiras voltas. Depois, ainda ganhou as posições de Pastor Maldonado e Lewis Hamilton. Não venceu a corrida porque Kimi Räikkönen estava impossível e ainda borrou-se de medo da recuperação fantástica de Sebastian Vettel. Segundo lugar suado – e amargo.

SEBASTIAN VETTEL10 – Que me perdoem os fãs de Kimi Räikkönen, mas o homem do domingo se chama Sebastian Vettel da Silva. Ele liderou seu primeiro treino livre na Fórmula 1,  ganhou corrida de Toro Rosso e já era bicampeão do mundo aos 24 anos, mas ainda lhe faltava algo: largar lá de trás e terminar lá na frente. Pois ele, Vettel, conseguiu. OK, alguém poderia argumentar que qualquer um consegue tendo um Red Bull RB8 e KERS, mas não é qualquer um que faz a corrida que o alemão sorridente fez naquele domingo. Ele não foi mal nos treinos, embora tenha decepcionado um pouco ao não conseguir lugar na primeira fila. O negócio pegou quando o carro ficou sem combustível no retorno aos pits, o que lhe obrigou a largar lá no fim do pelotão como punição. Destemido, Sebastian não desanimou e passou quase todo mundo sem problemas. Mesmo tendo feito dois pit-stops, um adiantado por um bico quebrado e outro feito por temor de problemas nos pneus, ele conseguiu subir de último para terceiro. E poderia ter vencido a corrida. Se tivesse ganhado, eu não teria ficado surpreso. O cara é um monstro.

JENSON BUTTON7,5 – Boa corrida. Não excepcional, mas competente o suficiente para permitir uma aproximação do companheiro Lewis Hamilton no campeonato. Muito veloz nos treinos livres, Button teve seu pior momento na qualificação, quando ficou apenas em quinto no grid. Não largou bem, mas recuperou-se, ultrapassou Pastor Maldonado e herdou a posição de Hamilton. No final da corrida, estava em terceiro, mas teve a inglória missão de segurar um fulminante Sebastian Vettel. Com carro e pneus inferiores, não deu. Mas o quarto lugar foi um resultado bastante interessante.

PASTOR MALDONADO7 – Fez sua melhor corrida desde Valência, mas o resultado final acabou sendo inferior ao que era previsto. A Williams acertou a mão em Abu Dhabi e o venezuelano tinha um carro muito bom, como todo mundo viu nos treinos. Na qualificação, surpreendeu a todos cavando um lugar na segunda fila. Esteve em terceiro nas primeiras voltas, mas o carro começou a apresentar alto desgaste de pneus e problemas no KERS. Com isso, Pastor não conseguiu segurar vários pilotos que vinham atrás e ainda foi atingido por Mark Webber, que tentou ultrapassá-lo por fora. Mesmo assim, sobreviveu, não teve outros problemas, não matou ninguém e finalizou em quinto, marcando bons dez pontos.

KAMUI KOBAYASHI6,5 – Prestes a ficar desempregado, o japa voltou a caprichar e fez uma corrida muito legal. Não leva nota maior porque foi mal pra caramba nos treinos, mas o que vale são os pontos, não é? Kamui quase ficou no Q1 da qualificação e só conseguiu um mísero 15º lugar no grid. A depressão mudou logo na primeira volta, quando ele conseguiu subir para oitavo após sobreviver ao típico caos dos primeiros metros. Mesmo com problemas no KERS, o piloto da Sauber conseguiu manter um bom desempenho durante a prova, andou entre os dez primeiros durante quase todo o tempo e finalizou em sexto.

FELIPE MASSA6 – Numa corrida com tantas alternativas, tanta gente se destacando pelo lado positivo e pelo negativo, Felipe Massa foi um que não encheu os olhos de ninguém, embora tenha terminado numa posição razoável. Só apareceu mesmo em um único momento, na disputa com Mark Webber. Os dois quase se tocaram, o australiano escapou pela chicane, retornou sem olhar para o retrovisor e acabou assustando o pai de Felipinho, que rodou e tostou os pneus. Fora isso, não há muito para dizer. Seu carro não tinha as atualizações que a Ferrari havia preparado para Abu Dhabi e também não se comportou maravilhosamente bem durante o fim de semana. Massa largou em oitavo e finalizou em sétimo. Fez a lição de casa sem exceder.

BRUNO SENNA7 – Justiça seja feita, o cara fez uma corrida persistente e pra lá de competente. OK, seu carro era bom e tal, mas são poucos aqueles que levam um empurrão daqueles na largada, caem para último, se recuperam e terminam em oitavo. Discreto nos treinos como sempre, Bruno largou em 14º e foi miseravelmente acertado por Nico Hülkenberg na primeira curva. Deu sorte, não deixou o carro morrer e seguiu em frente. Também foi favorecido pelo destino quando Sebastian Vettel bateu na sua roda traseira, que permaneceu inteira. Beneficiado pelas muitas mudanças e também pelo seu próprio desempenho, levou quatro pontos para casa. Resta saber se isso lhe ajudará a conseguir um emprego.

PAUL DI RESTA6 – Corrida estranha, mas premiada com dois pontos no final. O sóbrio escocês não foi bem novamente nos treinos e ficou duas posições atrás de Nico Hülkenberg no grid. Na largada, foi acertado pelo próprio companheiro e teve de ir aos boxes para colocar borracha redonda nova. As duas entradas do safety-car permitiram que Di Resta se recuperasse e voltasse à briga. Ele ainda fez mais duas paradas e a última o permitiu a andar forte nas voltas derradeiras. Terminou grudado em Bruno Senna.

DANIEL RICCIARDO5 – Terminou entre os dez primeiros pela sexta vez na temporada, uma proeza em se tratando de um piloto da Toro Rosso. Nos treinos, os aborrecimentos de sempre. O fim de semana começou a ficar bom logo na primeira volta do GP, quando o australiano conseguiu ganhar boas posições após as confusões da primeira curva. Durante o primeiro safety-car, assustou a toda a nação rubrotaurina quando fez um movimento estranho e quase acabou com a participação de Sebastian Vettel. Andou bem enquanto teve pneus macios, no início e no fim da corrida. Seu décimo lugar veio na piedade, com Michael Schumacher fungando no pescoço.

MICHAEL SCHUMACHER1 – Fim de carreira sombrio para o heptacampeão. O que dizer de alguém que fica em 14º em dois treinos livres, no Q1 e no Q2 da qualificação? No Q3, melhorou e, veja só, até conseguiu um 13º lugar no grid. E além de lento, o cara está azarado como nunca. Escapou das carambolas da primeira curva, que sempre costumam envolvê-lo, e andou entre os dez primeiros durante um bom tempo, mas teve um furo de pneu e foi obrigado a parar nos boxes para trocá-lo. Com isso, acabou ficando a uma posição dos pontos. Terá mais dois fins de semana para tentar fazer alguma coisa. Ou seja, perda de tempo.

JEAN-ÉRIC VERGNE2,5 – Sem novidades. Enquanto o companheiro Daniel Ricciardo celebrou o solitário pontinho, o francês terminou na seca novamente. Não mostrou grandes coisas nos treinos, ficou no Q1 da qualificação e largou apenas em 17º. No início do GP, ganhou boas posições, mas fez um pit-stop logo nas primeiras voltas para aproveitar o período de bandeira amarela. Daí para frente, apareceu muito pouco. No fim da corrida, ficou sem pneus e não teve como sonhar com pontos.

HEIKKI KOVALAINEN4,5 – O 13º lugar até parece sugerir que o finlandês teve uma ótima corrida, mas não foi o caso. A Caterham já não ameaça mais a Toro Rosso e Kovalainen sofreu muito para ficar a menos de um segundo de Jean-Éric Vergne no treino oficial. O GP foi bom por causa das inúmeras encrencas que estragaram a vida de muita gente. Poderia ter sido melhor se não fosse um problema no KERS. Por pouco, não ajudou a Caterham a ultrapassar a Marussia no campeonato.

TIMO GLOCK5,5 – Este, sim, fez uma corrida interessante. Só isso mesmo para compensar o mau desempenho no treino oficial, onde ele ficou duas posições atrás do companheiro Charles Pic. O alemão mandou muito bem na largada, quando passou toda a galera das equipes nanicas e subiu para 14º. De forma competente, conseguiu segurar a Caterham de Vitaly Petrov durante todo o tempo. No fim da corrida, fez talvez seu maior milagre desde que entrou na equipe: conteve os ataques de Sergio Pérez e finalizou à sua frente. Disse e repito: é bom piloto e merece lugar bem melhor na Fórmula 1.

SERGIO PÉREZ3,5 – Tinha tudo para ter obtido um grande resultado nesta corrida, mas fez uma cagada daquelas e acabou o dia chorando atrás de Timo Glock. Foi bem melhor que Kamui Kobayashi no treino oficial e obteve uma razoável 11ª posição no grid, o máximo que o carro da Sauber parecia capaz de fazer. No GP, foi um dos últimos a fazer seu primeiro pit-stop e parecia vir rumo ao pódio, mas causou um acidente bizarríssimo na volta 38. Graças a ele, Romain Grosjean e Mark Webber abandonaram a prova. Pela besteira, o mexicano foi punido e despencou para o fim do pelotão. Aí, não havia estratégia extravagante que ajudasse.

VITALY PETROV2 – Desta vez, foi claramente batido por Heikki Kovalainen, coisa que não vinha acontecendo nos outros fins de semana. Foram dias em que poucas coisas deram certo. Logo na sexta-feira, quase não andou porque seu carro teve problemas nas mãos de Giedo van der Garde no primeiro treino. Na qualificação, foi batido pela Marussia de Charles Pic e terminou o dia com a imagem arranhada. Durante a corrida, ficou quase todo o tempo atrás da outra Marussia, de Timo Glock. Fim de semana fraquinho de alguém que não parece estar tão confiante a respeito de uma quarta temporada na Fórmula 1.

PEDRO DE LA ROSA3 – Coitado. A HRT está quase falida, procurando desesperadamente um comprador. Aquela sensação de avanço que a gente tinha com a equipe já era. Desta vez, o veterano espanhol quase não largou por causa de, creia, um fio do cobertor elétrico que ficou embaraçado e não permitiu que o carro largasse com os demais carros. Durante as primeiras voltas, após largar dos pits, De la Rosa teve de se virar com pneus gelados. Mesmo assim, andou numa boa e finalizou a corrida.

CHARLES PIC5 – Vai ganhar um post quando este blog voltar à normalidade. É um cabra bom demais, o melhor companheiro de Timo Glock desde Jarno Trulli. No treino oficial, deixou para trás o colega alemão e também a Caterham de Vitaly Petrov. Chegou a sair da pista na primeira volta, o que lhe custou algumas posições, mas não perdeu a competitividade e tentou ultrapassar Petrov em várias ocasiões. Não conseguiu porque seu carro não tem KERS, veja só. No final da corrida, o precário motor Cosworth quebrou e não deu pra fazer mais nada.

ROMAIN GROSJEAN3,5 – Teoricamente, todo acidente que acontece na Fórmula 1 é culpa dele ou de Pastor Maldonado, mas o GP de Abu Dhabi foi tão sui generis que o franco-suíço não teve culpa alguma nos três incidentes em que esteve envolvido. Após largar em nono, Romain foi tocado por Nico Rosberg na primeira volta e teve de ir aos pits colocar um pneu novo. Na volta 16, durante a disputa renhida com Sebastian Vettel, o alemão chegou a ultrapassá-lo com as quatro rodas fora da pista, manobra proibida. Só não rolou punição a Vettel porque ele devolveu a posição logo depois. Por fim, o acidente besta causado por Sergio Pérez tirou Grosjean da prova na volta 38. Dessa vez, a Lotus não pode reclamar do seu pupilo.

MARK WEBBER0 – Bom, vamos lá. Não fez nada de novo nos treinos e só assegurou lugar na primeira fila porque o companheiro Sebastian Vettel foi punido ainda no sábado. Na primeira volta, o australiano repetiu as péssimas largadas do ano passado e perdeu um turbilhão de posições antes da primeira curva. Logo depois, não aguentou a pressão de Fernando Alonso e foi ultrapassado, o que deve ter deixado a Red Bull muito feliz. Mais adiante, causou acidentes idiotas com Pastor Maldonado e Felipe Massa, complicando a vida de ambos. A cereja do bolo foi o acidente com Sergio Pérez, Paul di Resta e Romain Grosjean na fatídica volta 38. Enfim, não preciso dizer mais nada, né?

LEWIS HAMILTON10 – Foi o primeiro colocado em dois treinos livres, nas três partes do treino classificatório e liderou todas as voltas da corrida enquanto esteve na pista. O problema é que ele já não estava mais lá no 19º giro, quando a bomba de gasolina falhou e deixou o britânico na mão. Uma tremenda injustiça, é óbvio. Hamilton foi o dominador do fim de semana e merecia a vitória mais do que qualquer outro no grid. Não é a primeira vez que problemas deste tipo o afetam nesta temporada. Pensando bem, sua enorme insatisfação com a McLaren até faz algum sentido. Como compensação, a nota máxima deste blog.

NARAIN KARTHIKEYAN1 – O fim de semana durou pouco e não foi bom para ele. Nos dois treinos livres que fez, ficou em último. No treino oficial, para variar, voltou a ficar em último. Só não largou em último graças à punição de Sebastian Vettel. A corrida acabou de maneira perigosa na volta oito: seu carro começou a ter problemas hidráulicos e ficou ainda mais lento do que o normal. Nico Rosberg, que vinha logo atrás, não conseguiu desviar e atropelou o pobre indiano da HRT. Um acidente feio, que não resultou em mortos e feridos por pouco.

NICO ROSBERG1,5 – Pela terceira vez em quatro corridas, abandonou logo no começo. Está mais azarado até mesmo do que seu companheiro Michael Schumacher. No entanto, nem dá para criticar seu desempenho, bastante interessante para o nível de carro que ele tem. O que posso comentar é a barbeiragem da primeira volta, que estragou não sou sua corrida como a de Romain Grosjean. Relegado às últimas posições, Nico tentou iniciar uma prova de recuperação. O sonho acabou no acidente da oitava volta, no qual ele voou sobre o carro de Narain Karthikeyan e acabou na barreira de pneus. Deu sorte de não sair ferido, mas também só deu sorte nisso.

NICO HÜLKENBERG3 – Prometia uma boa corrida, provavelmente melhor que a de Paul di Resta, mas pôs tudo a perder numa barbeiragem besta na primeira curva. Tentou dividir posição com o próprio companheiro e tudo o que conseguiu foi levar uma penca de gente para fora da pista. O toque em Bruno Senna foi forte, mas só o seu carro ficou danificado. Abandono infeliz para alguém que acabou de ser contratado pela Sauber – haveria uma maldição dos pilotos que trocam de equipe?

Não existe piloto nos Emirados Árabes Unidos, só areia!

GP DE ABU DHABI: O GP preferido dos coxinhas. Você sabe o que é um coxinha. Você certamente conhece algum. Em Campinas, quase todos são coxinhas. É aquele sujeito bem-sucedido aos 25 anos de idade. Esta descrição seria definitiva para alguns, mas vou me aprofundar um pouco. O coxinha é aquele cara que nasceu numa família de classe média de uma cidade grande, estudou em escola particular durante toda a vida, sempre foi o babaca metido a popular, entrou numa “facul” apenas para conseguir um diploma que o permita ficar rico e para beber Itaipava com mais um monte de futuros coxinhas, se formou, arranjou um emprego numa multinacional, começou a ganhar seis mil reais aos 24 anos, bajula o chefe, troca de celular a cada seis meses, sempre está com o último iPad, viaja para Miami, vive postando suas vitórias pessoais no Facebook, anda de EcoSport vermelho e nunca deixou de ser um completo imbecil. Num belo dia, o chefe deste desperdício de gente descolou duas entradas para o camarote do GP de Abu Dhabi. Foi a redenção do coxinha, que tirou trocentas fotos de toda a viagem e postou uma por uma no Facebook, para júbilo de seus 748 amigos falsos. Ficou naquele hotelzão envidraçado do autódromo, tomou vinho, comeu casquinha de siri, fez piadinhas do Felipe Massa para seu chefe rir e não deve ter visto umas dez voltas. É por ter total certeza de que as coisas são exatamente assim em Abu Dhabi que eu não tenho a menor vontade de assistir a uma corrida in loco em Yas Marina. Alguns podem achar que é inveja. Juro que só consigo ter inveja de gente como Paulo Francis. Nutrir alguma vontade de ser um boçal de classe média metido a rico é falta de caráter.

HÜLKENBERG: Se a Fórmula 1 ainda guarda algum resquício de justiça, é porque um piloto que foi campeão da GP2, da A1GP, da Fórmula 3 Euroseries, da Fórmula BMW ADAC, da Copa do Mundo e do The Voice não teve dificuldades para garantir sua vaga para a temporada de 2013. Nico Hülkenberg, 25, assinou contrato com a Sauber e será o substituto do mexicano Sergio Pérez na equipe suíça. O anúncio da contratação não surpreendeu ninguém porque a mídia suíça, que deve ser precisa como os relógios da região, já vinha comentando a respeito disso faz algum tempo. Curioso é ver que o jovem piloto alemão fará sua terceira temporada na Fórmula 1 pela terceira equipe diferente, uma vez que ele é piloto da Force India neste ano e já havia dado o ar da graça na Williams em 2010. O sempre atento Humberto Corradi acredita espertamente que Hülkenberg estará fazendo apenas um estágio muito bem remunerado lá na Sauber. Há uma segunda intenção por trás deste casamento. Em 2014, a Ferrari terá um carro livre. Talvez dois, dependendo dos humores sempre instáveis de Fernando Alonso. A Sauber usa motores Ferrari. Faça as contas. Pois é. Por fim, gostaria apenas de terminar com a declaração do seu atual companheiro Paul di Resta sobre a mudança: “não vejo a mudança como uma evolução”. Não que esta seja uma inverdade, mas há um traço de amargor no meio desta declaração, ainda mais quando sabemos que o escocês foi especulado em todas as equipes grandes possíveis para terminar procurando pelo caminho das Índias.

TORO ROSSO: No mesmo dia do anúncio de Nico Hülkenberg na Sauber, a Toro Rosso anunciou sua dupla de pilotos para a próxima temporada. Não houve surpresa. Os moleques Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne foram confirmados para mais um ano na equipe rubrotaurina. A justiça foi feita novamente. Muita gente precipitada, maldosa ou simplesmente ignorante vem criticando os dois pilotos, em especial o estreante Vergne. Vamos com muita calma aí. Poucos sabem, mas Jean-Éric é talvez o melhor piloto que a Red Bull já teve nas categorias de base. Melhor que Sebastian Vettel, eu diria. Foi campeão da Fórmula 3 britânica com 13 vitórias e vice-campeão das ultracompetitivas Fórmula Renault Eurocup e World Series by Renault. Nos testes que fez com a Fórmula 1 em 2010 e 2011, mandou muitíssimo bem. Sua temporada realmente não tem sido grandes coisas, principalmente por causa do péssimo desempenho em treinos classificatórios e por alguns acidentes toscos durante a corrida, mas é bom dizer que o STR7 também é uma lástima de carro. Um ano a mais fará bem a Vergne, assim como fará muito bem ao ótimo Ricciardo. O australiano também tem títulos nas categorias de base, embora sem o mesmo brilho que o colega francófono. Neste ano, vem fazendo corridas melhores que o companheiro, mas não costuma ser o cara mais sortudo do grid. Não sei dizer se os dois irão para a Red Bull um dia. A Toro Rosso existe exatamente para isso: formar um futuro Sebastian Vettel. Se o cara for tipo um Mark Webber da vida, já não é o suficiente, é melhor ficar com o original mesmo. Eu torço para que ao menos um deles dê certo, com preferência para Ricciardo, um cara que me impressionou bastante nos dias da Fórmula 3 britânica. E é bom que se diga: os dois são muito melhores do que a dupla anterior, Sébastien Buemi e Jaime Alguersuari.

AREIA: Correr no Oriente Médio dá nisso. Fico imaginando uma corrida de 1971 ou 1987 sendo cancelada por causa de… areia! Como assim? Vocês sabem bem, o circuito de Yas Marina é localizado no meio do deserto. Nesse tipo de lugar, tempestade não é de água, mas sim de areia. Muita areia. Quando o ar está calmo, não há nenhum problema. O negócio fica foda mesmo quando um choque de massas de ar de temperaturas diferentes provoca fortes rajadas de vento na região. E este vento carrega toneladas de areia mundo afora. Um amigo meu que foi para o Egito comentou que o negócio é realmente complicado e até dolorido, pois aquela areia fina raspando na pele em alta velocidade dói pra caramba. Nesta última segunda-feira, a região de Abu Dhabi foi atingida por uma fortíssima tempestade de vento. A visibilidade era nula e alguns danos foram causados na cidade, como a queda de algumas das poucas árvores que tiveram a infelicidade de nascer nas margens do Golfo Pérsico. Se a tempestade de areia continuasse, a realização do GP de Abu Dhabi certamente estaria sob ameaça, pois ninguém merece correr com areia na cara. A tempestade acabou ainda no início da semana, mas novas rajadas ainda não estão descartadas para esta próxima sexta-feira. Seria extremamente bizarro se alguma sessão fosse cancelada por causa disso. Se não me engano, houve um GP do Bahrein que também teve problemas com excesso de areia na pista, trazida por alguma tempestade manhosa. Sabe de uma coisa? Em Enna-Pergusa, esse tipo de coisa não acontece. Pode ter sapo e cobra vagando pelo paddock, mas tempestade de areia não tem espaço na Sicília.

TÍTULO: Há três pilotos na contenda pelo título desta temporada 2012, o Sorriso, o Sobrancelha e o Pinga. Sorriso tem 240 pontos e cinco vitórias. Sobrancelha tem 227 e três vitórias. Pinga, coitado, não tem nada além de 173 pontos, uma garrafa de destilado na mão e uma esperança remotíssima de se sagrar campeão. Sorriso é aquele cara sorridente, simpático e engraçado que pilota o carro azul, bebe energético e aponta o dedo indicador quando vence. Todo mundo gosta dele. Um verdadeiro Mr. Nice Guy. Por isso, sua liderança vem sendo tão celebrada. Seu maior adversário, assim como em 2010, é Sobrancelha, um cara de sobrancelha grande, sotaque forte, espírito de liderança, semblante seguro e cinismo latente. Devido ao amplo retrospecto de maracutaias, mutretas e cambalachos em que seu nome asturiano esteve envolvido, são poucos os que se simpatizam com Sobrancelha. Seu carro não é exatamente o melhor, embora seja talvez o mais desejado por todos. Pinga é o outsider da história. É branquelo, de aparência gelada, expressão inexistente e leve tendência ao alcoolismo. Pilota um reluzente carro preto e dourado e atrai a simpatia de muitos por supostamente agir como alguém desligado das coisas mundanas, das idiotices do planeta. Eu não consigo tirar da cabeça que Pinga é o maior marqueteiro de todos, mas não tem problema. Sorriso, Sobrancelha e Pinga são os três caras que disputarão a taça. Na verdade, somente Sorriso e Sobrancelha têm chances relevantes. Na verdade, somente Sorriso tem carro para ser campeão neste momento. Abu Dhabi e Interlagos são dois circuitos ótimos para ele. Austin também deverá ser.  E será assim, com um grande sorriso na cara, que Sebastian Vettel deverá ser o campeão de 2012.

BONUS STAGE: Não tem Top Cinq nesta sexta. Preguiça minha? Não. Estou atolado de coisas até o fim do mês. A sessão acabou para sempre ? Não. Eu estou escrevendo um Top Cinq há duas semanas, mas não consigo concluí-lo. Se as coisas ficarem mais fáceis na semana que vem, tentarei postá-lo. Mais uma vez, mil perdões. O ano tá difícil mesmo. Mas não vou deixar este site às moscas.

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