LOTUS9 – Até que enfim, hein? Depois de 17 corridas esperando sentada, a equipe preta e dourada finalmente obteve sua primeira vitória na Fórmula 1 – é até engraçado falar em “primeira vitória da Lotus”, uma marca que cansou de ganhar nos dias de Colin Chapman. Mas é isso aí, amigos, ela conseguiu. Pois se querem saber, nem foi o fim de semana mais competitivo da Lotus nesta temporada. O que acontece é que Kimi Räikkönen combinou sorte danada com talento danado e o resultado danado só poderia ter sido aquele, o lugar mais alto no pódio. É uma pena que Romain Grosjean, envolvido em tudo quanto é tipo de coisa, não finalizou a corrida. Agora, é hora de pensar em 2013. Isto se, obviamente, a grana não escassear de vez.

FERRARI8 – Não dá para negar que os ferraristas se esforçam. Em Abu Dhabi, a equipe trouxe algumas atualizações, cogumelos e cascas de tartaruga para tentar ajudar Fernando Alonso na disputa pelo título. E só para ele, diga-se de passagem: Felipe Massa teve de correr com um velho Fiat 500 pintado de vermelho. Mas tudo bem, o resultado final não foi tão desastroso. Fernando das Astúrias fez uma boa corrida, ultrapassou Mark Webber e herdou as posições de alguns desafortunados à sua frente, terminando em segundo. Massa sobreviveu a Webber e terminou em sexto mesmo reclamando do carro. Os mecânicos estiveram impecáveis no trabalho de boxes.

RED BULL5 – Ela está de brincadeira com a gente. Que negócio foi aquele de deixar Sebastian Vettel na seca na volta de retorno aos boxes no treino oficial? Isso daí é erro de equipes como Andrea Moda, HRT ou McLaren, jamais deveria ser cometido em um carro que está brigando pelo título de pilotos. Graças a isso, Sebastian Vettel teve de largar da última fila. Para felicidade de todos, o cara fez uma corrida de presidente da República, ultrapassando todo mundo e se colocando na disputa direta pela vitória. Mesmo parando duas vezes, terminou em terceiro e minimizou a perda de vantagem para Fernando Alonso. Mark Webber foi o bobo da corte do GP: bateu em todo mundo e terminou com o carro estropiado. Não ajudou em nada o companheiro.

MCLAREN7 – Para quem tinha o melhor carro do fim de semana, ter de se contentar com um quarto lugar de Jenson Button é de um dissabor impressionante. Lewis Hamilton, que liderou até mesmo lista de receptor de órgãos, liderava de ponta a ponta e vinha tranquilamente para a vitória, mas teve problemas de pressão de gasolina e abandonou a prova, numa situação muito parecida com a de 2009. Quem teve de salvar o dia foi Button, que nem andou tão mal assim. O problema é que sua posição no grid não ajudava e Jenson não é o cara que taca fogo no mundo em situações adversas. É por essas e outras que a equipe, mesmo tendo um carro muito bom, está longe do título deste ano.

WILLIAMS7 – Aleluia! Os dois pilotos marcaram pontos, situação tão improvável quanto o cometa Halley. A dinâmica das coisas nem foi tão diferente assim dos outros fins de semana: Pastor Maldonado muito mais rápido que Bruno Senna nos treinos, o brasileiro andando até melhor que o venezuelano na corrida e os dois se envolvendo em acidentes. Por incrível que pareça, nenhum deles teve culpa alguma no cartório: Maldonado foi atingido por Mark Webber e Bruno foi atropelado por Nico Hülkenberg na primeira curva. Entretanto, o carro da Williams estava veloz como um coelho e resistente como uma tartaruga neste fim de semana. Graças a tudo isso, os pontos. Só falta melhorar nos pit-stops.

SAUBER6 – Marcou pontos com Kamui Kobayashi novamente. O fim de semana foi uma espécie de repeteco dos últimos GPs para a equipe suíça: dificuldades nos treinos, Sergio Pérez andando bem mais rápido no treino oficial, uma estratégia doidona para o piloto mexicano, o japonês subindo posições sem grande estardalhaço, Pérez abandonando a corrida após um erro idiota e Kamui terminando numa posição razoável. Enfim, não houve grandes novidades para a Sauber. Seria bom se o novo contratado da McLaren parasse de fazer besteiras. Quanto a Kobayashi, que arranje grana para seguir na Fórmula 1 no ano que vem.

FORCE INDIA4,5 – Tinha um carro melhor que a Sauber, por exemplo. Devido a isso, ter terminado o fim de semana com apenas dois pontos não foi a melhor das situações. Pelo menos, um dos carros chegou ao fim, coisa que não parecia ser possível após Nico Hülkenberg se destrambelhar e quase atropelar o companheiro Paul di Resta na primeira curva. Hülkenberg abandonou, mas Di Resta seguiu em frente, fez três pit-stops, recuperou-se bem e finalizou em nono.

TORO ROSSO3,5 – Marcou um ponto, sim, mas muito graças ao abandono de vários carros mais velozes. Não fosse por isso, Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne teriam terminado na rabiola das equipes médias. Os dois não andaram bem nos treinos livres, largaram lá atrás e não melhoraram muito na corrida em termos de performance. Ricciardo assustou a Red Bull principal quando fez um movimento estranho durante o primeiro safety-car e quase fechou involuntariamente o caminho de Sebastian Vettel. Vergne, ao contrário, abriu passagem a Vettel tranquilamente, mas teve sua corrida prejudicada com a antecipação de seu primeiro pit-stop. Sem chances de alcançar a Williams, está apenas contando as horas para o fim do campeonato.

MERCEDES0,5 – Sem marcar pontos desde Cingapura, está numa fase nigérrima. Carro lento, pilotos azarados, furos no pneu, acidentes fortes, clima ruim, a Mercedes precisa do que mais? Nico Rosberg ainda andou melhorzinho nos treinos e largou em sétimo, mas furou o pneu num toque com Romain Grosjean e depois se arrebentou num forte acidente com Narain Karthikeyan. Michael Schumacher largou no meio do pelotão e até vinha numa corrida para marcar pontos, mas também teve um furo de pneu e foi obrigado a fazer um segundo pit-stop. Com isso, terminou fora da zona de pontuação. Está sob efeito de macumba muito forte, a equipe germânica.

CATERHAM2,5 – Está com ainda menos brilho do que na metade da temporada, quando chegava a brigar com a Toro Rosso. Heikki Kovalainen andou bem mais rápido que Vitaly Petrov, mas ambos chegaram a ter problemas com os carros da Marussia, que se aproximaram bastante. Mesmo assim, Heikki conseguiu levar o carro até o fim e ficou numa boa 14ª posição, ainda insuficiente para garantir à Caterham o 10º lugar no campeonato. Petrov largou atrás de Charles Pic e terminou atrás de Timo Glock. Pelo menos, foi a única equipe pequena a conseguir fazer seus dois carros chegarem ao fim.

MARUSSIA3,5 – Esta, ultimamente, anda empolgando até mais que a Caterham. Embora às vezes tenha problemas com a HRT, a equipe vermelha e preta conseguiu se aproximar bastante da rival verde em Abu Dhabi. Charles Pic andou muitíssimo bem no treino classificatório, mas não terminou a corrida devido a um motor Cosworth bichado. Timo Glock não foi bem no treino oficial, mas fez uma superlargada e conseguiu segurar os ataques de Sergio Pérez no final da corrida.

HRT2 – Dizem as más línguas que não tem nem peças sobressalentes para terminar o campeonato. O esforçado Narain Karthikeyan bem que tenta permanecer na pista, mas o carro não colaborou e um problema hidráulico acabou ocasionando um acidente perigosíssimo com Nico Rosberg. Nada pior para uma equipe que nem deve ter aerofólios guardados no almoxarifado, se é que ela tem um almoxarifado. Pedro de la Rosa, aos trancos e barrancos, largou e chegou ao fim da corrida. Que encontre um comprador logo.

TRANSMISSÃOELE VOLTOU – Já estava até ficando com medo. A narração brasileira não poderia ficar sem ELE, o único cara que consegue botar Derek Warwick num carro da Red Bull. ELE, que quando vê um acidente envolvendo Pastor Maldonado e Romain Grosjean, respira por um ou dois segundos se preparando para proferir a próxima frase bombástica sacaneando suas participações na Fórmula 1. ELE, que acha que Nico Hülkenberg não é um piloto pronto e muito menos um grande piloto. ELE, que dispara contra os jornalistas que já sabem que Bruno Senna não continuará na categoria em 2013. ELE, que sempre repara na Gabi Maldonado. ELE, que deixa seus dois colegas de bancada amedrontados pela possibilidade sempre iminente de tomar uma patada. ELE, que sempre deixa os acidentes mais dramáticos do que eles são. Vocês me perdoem, mas uma corrida sem ELE perde muito da graça. Abu Dhabi teve graça. Isso, sim, é impressionante.

CORRIDAQUEM TE VIU, QUEM TE VÊ, ABU – A corrida de 2009 foi uma merda com cara de velório. A de 2010 foi tensa pra caramba. A de 2011 foi um amistoso Brasil x Ilhas Canárias. Eu nunca achei que Abu Dhabi e seu portentoso, glorioso e seboso autódromo-hotel conseguiriam proporcionar aos fãs da velocidade um GP tão legal, tão divertido, tão cheio de vilões, mocinhos e histórias. Nem mesmo as áreas de escape latifundiárias impediram a ocorrência de dois grandes acidentes, aquele que mandou Nico Rosberg para o muro e aquele que envolveu um monte de gente e tirou Mark Webber e Romain Grosjean da corrida. Sebastian Vettel foi um espetáculo à parte: mesmo largando da última posição, ultrapassou um por um como se estivesse pilotando no modo fácil do Grand Prix 3, terminou no pódio e poderia muito bem ter vencido. Fernando Alonso também fez uma corrida boa, mas não tanto quanto Vettel. E o vencedor Kimi Räikkönen, aquele que sabe o que faz, deixou todo mundo feliz. Foi uma corrida de Fórmula 1 completa, destas que podem fazer alguém começar a gostar de automobilismo. Num ano louco como este, as melhores provas desta temporada ocorreram nos piores circuitos, vai entender…

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KIMI RÄIKKÖNEN9,5 – Finlandês desgraçado. Na outra semana, vaticinei aqui que a Lotus não ganharia uma corrida neste ano. Jamais. Never. Pois Kimi Räikkönen, o Cacacheiro de Gelo, precisou de apenas um fim de semana para calar meus dedos. Não que seu desempenho nos treinos tivesse sido espetacular, longe disso. O finlandês foi apenas correto nos dois primeiros dias de atividades e até surpreendeu ao lograr o quinto lugar no grid. A vitória começou a ser construída na largada, quando ele pulou para a segunda posição após excelente saída. A liderança veio após o problema do desafortunado Lewis Hamilton, mas não há como negar o excelente ritmo que Kimi impôs durante todo o tempo. Não foi realmente ameaçado em momento algum, nem mesmo quando Fernando Alonso se aproximou. Venceu pela primeira vez desde o GP da Bélgica de 2009 e encheu a barriga de champanhe.

FERNANDO ALONSO8,5 – Em tese, conquistou um ótimo resultado numa pista que nunca lhe trouxe momentos felizes. No entanto, estava visivelmente chateado no pódio, incomodado com a felicidade ébria de um e com o grandessíssimo sorriso rubrotaurino do outro. De fato, Alonso tinha motivos para não ter gostado do domingo, pois sabia que sua grande chance de retomar a liderança do campeonato havia evaporado. Razoável nos treinamentos, o asturiano decepcionou muito no Q3 da classificação e garantiu apenas o sexto lugar no grid. Largou bem, fez uma boa ultrapassagem sobre Mark Webber e andou em quarto nas primeiras voltas. Depois, ainda ganhou as posições de Pastor Maldonado e Lewis Hamilton. Não venceu a corrida porque Kimi Räikkönen estava impossível e ainda borrou-se de medo da recuperação fantástica de Sebastian Vettel. Segundo lugar suado – e amargo.

SEBASTIAN VETTEL10 – Que me perdoem os fãs de Kimi Räikkönen, mas o homem do domingo se chama Sebastian Vettel da Silva. Ele liderou seu primeiro treino livre na Fórmula 1,  ganhou corrida de Toro Rosso e já era bicampeão do mundo aos 24 anos, mas ainda lhe faltava algo: largar lá de trás e terminar lá na frente. Pois ele, Vettel, conseguiu. OK, alguém poderia argumentar que qualquer um consegue tendo um Red Bull RB8 e KERS, mas não é qualquer um que faz a corrida que o alemão sorridente fez naquele domingo. Ele não foi mal nos treinos, embora tenha decepcionado um pouco ao não conseguir lugar na primeira fila. O negócio pegou quando o carro ficou sem combustível no retorno aos pits, o que lhe obrigou a largar lá no fim do pelotão como punição. Destemido, Sebastian não desanimou e passou quase todo mundo sem problemas. Mesmo tendo feito dois pit-stops, um adiantado por um bico quebrado e outro feito por temor de problemas nos pneus, ele conseguiu subir de último para terceiro. E poderia ter vencido a corrida. Se tivesse ganhado, eu não teria ficado surpreso. O cara é um monstro.

JENSON BUTTON7,5 – Boa corrida. Não excepcional, mas competente o suficiente para permitir uma aproximação do companheiro Lewis Hamilton no campeonato. Muito veloz nos treinos livres, Button teve seu pior momento na qualificação, quando ficou apenas em quinto no grid. Não largou bem, mas recuperou-se, ultrapassou Pastor Maldonado e herdou a posição de Hamilton. No final da corrida, estava em terceiro, mas teve a inglória missão de segurar um fulminante Sebastian Vettel. Com carro e pneus inferiores, não deu. Mas o quarto lugar foi um resultado bastante interessante.

PASTOR MALDONADO7 – Fez sua melhor corrida desde Valência, mas o resultado final acabou sendo inferior ao que era previsto. A Williams acertou a mão em Abu Dhabi e o venezuelano tinha um carro muito bom, como todo mundo viu nos treinos. Na qualificação, surpreendeu a todos cavando um lugar na segunda fila. Esteve em terceiro nas primeiras voltas, mas o carro começou a apresentar alto desgaste de pneus e problemas no KERS. Com isso, Pastor não conseguiu segurar vários pilotos que vinham atrás e ainda foi atingido por Mark Webber, que tentou ultrapassá-lo por fora. Mesmo assim, sobreviveu, não teve outros problemas, não matou ninguém e finalizou em quinto, marcando bons dez pontos.

KAMUI KOBAYASHI6,5 – Prestes a ficar desempregado, o japa voltou a caprichar e fez uma corrida muito legal. Não leva nota maior porque foi mal pra caramba nos treinos, mas o que vale são os pontos, não é? Kamui quase ficou no Q1 da qualificação e só conseguiu um mísero 15º lugar no grid. A depressão mudou logo na primeira volta, quando ele conseguiu subir para oitavo após sobreviver ao típico caos dos primeiros metros. Mesmo com problemas no KERS, o piloto da Sauber conseguiu manter um bom desempenho durante a prova, andou entre os dez primeiros durante quase todo o tempo e finalizou em sexto.

FELIPE MASSA6 – Numa corrida com tantas alternativas, tanta gente se destacando pelo lado positivo e pelo negativo, Felipe Massa foi um que não encheu os olhos de ninguém, embora tenha terminado numa posição razoável. Só apareceu mesmo em um único momento, na disputa com Mark Webber. Os dois quase se tocaram, o australiano escapou pela chicane, retornou sem olhar para o retrovisor e acabou assustando o pai de Felipinho, que rodou e tostou os pneus. Fora isso, não há muito para dizer. Seu carro não tinha as atualizações que a Ferrari havia preparado para Abu Dhabi e também não se comportou maravilhosamente bem durante o fim de semana. Massa largou em oitavo e finalizou em sétimo. Fez a lição de casa sem exceder.

BRUNO SENNA7 – Justiça seja feita, o cara fez uma corrida persistente e pra lá de competente. OK, seu carro era bom e tal, mas são poucos aqueles que levam um empurrão daqueles na largada, caem para último, se recuperam e terminam em oitavo. Discreto nos treinos como sempre, Bruno largou em 14º e foi miseravelmente acertado por Nico Hülkenberg na primeira curva. Deu sorte, não deixou o carro morrer e seguiu em frente. Também foi favorecido pelo destino quando Sebastian Vettel bateu na sua roda traseira, que permaneceu inteira. Beneficiado pelas muitas mudanças e também pelo seu próprio desempenho, levou quatro pontos para casa. Resta saber se isso lhe ajudará a conseguir um emprego.

PAUL DI RESTA6 – Corrida estranha, mas premiada com dois pontos no final. O sóbrio escocês não foi bem novamente nos treinos e ficou duas posições atrás de Nico Hülkenberg no grid. Na largada, foi acertado pelo próprio companheiro e teve de ir aos boxes para colocar borracha redonda nova. As duas entradas do safety-car permitiram que Di Resta se recuperasse e voltasse à briga. Ele ainda fez mais duas paradas e a última o permitiu a andar forte nas voltas derradeiras. Terminou grudado em Bruno Senna.

DANIEL RICCIARDO5 – Terminou entre os dez primeiros pela sexta vez na temporada, uma proeza em se tratando de um piloto da Toro Rosso. Nos treinos, os aborrecimentos de sempre. O fim de semana começou a ficar bom logo na primeira volta do GP, quando o australiano conseguiu ganhar boas posições após as confusões da primeira curva. Durante o primeiro safety-car, assustou a toda a nação rubrotaurina quando fez um movimento estranho e quase acabou com a participação de Sebastian Vettel. Andou bem enquanto teve pneus macios, no início e no fim da corrida. Seu décimo lugar veio na piedade, com Michael Schumacher fungando no pescoço.

MICHAEL SCHUMACHER1 – Fim de carreira sombrio para o heptacampeão. O que dizer de alguém que fica em 14º em dois treinos livres, no Q1 e no Q2 da qualificação? No Q3, melhorou e, veja só, até conseguiu um 13º lugar no grid. E além de lento, o cara está azarado como nunca. Escapou das carambolas da primeira curva, que sempre costumam envolvê-lo, e andou entre os dez primeiros durante um bom tempo, mas teve um furo de pneu e foi obrigado a parar nos boxes para trocá-lo. Com isso, acabou ficando a uma posição dos pontos. Terá mais dois fins de semana para tentar fazer alguma coisa. Ou seja, perda de tempo.

JEAN-ÉRIC VERGNE2,5 – Sem novidades. Enquanto o companheiro Daniel Ricciardo celebrou o solitário pontinho, o francês terminou na seca novamente. Não mostrou grandes coisas nos treinos, ficou no Q1 da qualificação e largou apenas em 17º. No início do GP, ganhou boas posições, mas fez um pit-stop logo nas primeiras voltas para aproveitar o período de bandeira amarela. Daí para frente, apareceu muito pouco. No fim da corrida, ficou sem pneus e não teve como sonhar com pontos.

HEIKKI KOVALAINEN4,5 – O 13º lugar até parece sugerir que o finlandês teve uma ótima corrida, mas não foi o caso. A Caterham já não ameaça mais a Toro Rosso e Kovalainen sofreu muito para ficar a menos de um segundo de Jean-Éric Vergne no treino oficial. O GP foi bom por causa das inúmeras encrencas que estragaram a vida de muita gente. Poderia ter sido melhor se não fosse um problema no KERS. Por pouco, não ajudou a Caterham a ultrapassar a Marussia no campeonato.

TIMO GLOCK5,5 – Este, sim, fez uma corrida interessante. Só isso mesmo para compensar o mau desempenho no treino oficial, onde ele ficou duas posições atrás do companheiro Charles Pic. O alemão mandou muito bem na largada, quando passou toda a galera das equipes nanicas e subiu para 14º. De forma competente, conseguiu segurar a Caterham de Vitaly Petrov durante todo o tempo. No fim da corrida, fez talvez seu maior milagre desde que entrou na equipe: conteve os ataques de Sergio Pérez e finalizou à sua frente. Disse e repito: é bom piloto e merece lugar bem melhor na Fórmula 1.

SERGIO PÉREZ3,5 – Tinha tudo para ter obtido um grande resultado nesta corrida, mas fez uma cagada daquelas e acabou o dia chorando atrás de Timo Glock. Foi bem melhor que Kamui Kobayashi no treino oficial e obteve uma razoável 11ª posição no grid, o máximo que o carro da Sauber parecia capaz de fazer. No GP, foi um dos últimos a fazer seu primeiro pit-stop e parecia vir rumo ao pódio, mas causou um acidente bizarríssimo na volta 38. Graças a ele, Romain Grosjean e Mark Webber abandonaram a prova. Pela besteira, o mexicano foi punido e despencou para o fim do pelotão. Aí, não havia estratégia extravagante que ajudasse.

VITALY PETROV2 – Desta vez, foi claramente batido por Heikki Kovalainen, coisa que não vinha acontecendo nos outros fins de semana. Foram dias em que poucas coisas deram certo. Logo na sexta-feira, quase não andou porque seu carro teve problemas nas mãos de Giedo van der Garde no primeiro treino. Na qualificação, foi batido pela Marussia de Charles Pic e terminou o dia com a imagem arranhada. Durante a corrida, ficou quase todo o tempo atrás da outra Marussia, de Timo Glock. Fim de semana fraquinho de alguém que não parece estar tão confiante a respeito de uma quarta temporada na Fórmula 1.

PEDRO DE LA ROSA3 – Coitado. A HRT está quase falida, procurando desesperadamente um comprador. Aquela sensação de avanço que a gente tinha com a equipe já era. Desta vez, o veterano espanhol quase não largou por causa de, creia, um fio do cobertor elétrico que ficou embaraçado e não permitiu que o carro largasse com os demais carros. Durante as primeiras voltas, após largar dos pits, De la Rosa teve de se virar com pneus gelados. Mesmo assim, andou numa boa e finalizou a corrida.

CHARLES PIC5 – Vai ganhar um post quando este blog voltar à normalidade. É um cabra bom demais, o melhor companheiro de Timo Glock desde Jarno Trulli. No treino oficial, deixou para trás o colega alemão e também a Caterham de Vitaly Petrov. Chegou a sair da pista na primeira volta, o que lhe custou algumas posições, mas não perdeu a competitividade e tentou ultrapassar Petrov em várias ocasiões. Não conseguiu porque seu carro não tem KERS, veja só. No final da corrida, o precário motor Cosworth quebrou e não deu pra fazer mais nada.

ROMAIN GROSJEAN3,5 – Teoricamente, todo acidente que acontece na Fórmula 1 é culpa dele ou de Pastor Maldonado, mas o GP de Abu Dhabi foi tão sui generis que o franco-suíço não teve culpa alguma nos três incidentes em que esteve envolvido. Após largar em nono, Romain foi tocado por Nico Rosberg na primeira volta e teve de ir aos pits colocar um pneu novo. Na volta 16, durante a disputa renhida com Sebastian Vettel, o alemão chegou a ultrapassá-lo com as quatro rodas fora da pista, manobra proibida. Só não rolou punição a Vettel porque ele devolveu a posição logo depois. Por fim, o acidente besta causado por Sergio Pérez tirou Grosjean da prova na volta 38. Dessa vez, a Lotus não pode reclamar do seu pupilo.

MARK WEBBER0 – Bom, vamos lá. Não fez nada de novo nos treinos e só assegurou lugar na primeira fila porque o companheiro Sebastian Vettel foi punido ainda no sábado. Na primeira volta, o australiano repetiu as péssimas largadas do ano passado e perdeu um turbilhão de posições antes da primeira curva. Logo depois, não aguentou a pressão de Fernando Alonso e foi ultrapassado, o que deve ter deixado a Red Bull muito feliz. Mais adiante, causou acidentes idiotas com Pastor Maldonado e Felipe Massa, complicando a vida de ambos. A cereja do bolo foi o acidente com Sergio Pérez, Paul di Resta e Romain Grosjean na fatídica volta 38. Enfim, não preciso dizer mais nada, né?

LEWIS HAMILTON10 – Foi o primeiro colocado em dois treinos livres, nas três partes do treino classificatório e liderou todas as voltas da corrida enquanto esteve na pista. O problema é que ele já não estava mais lá no 19º giro, quando a bomba de gasolina falhou e deixou o britânico na mão. Uma tremenda injustiça, é óbvio. Hamilton foi o dominador do fim de semana e merecia a vitória mais do que qualquer outro no grid. Não é a primeira vez que problemas deste tipo o afetam nesta temporada. Pensando bem, sua enorme insatisfação com a McLaren até faz algum sentido. Como compensação, a nota máxima deste blog.

NARAIN KARTHIKEYAN1 – O fim de semana durou pouco e não foi bom para ele. Nos dois treinos livres que fez, ficou em último. No treino oficial, para variar, voltou a ficar em último. Só não largou em último graças à punição de Sebastian Vettel. A corrida acabou de maneira perigosa na volta oito: seu carro começou a ter problemas hidráulicos e ficou ainda mais lento do que o normal. Nico Rosberg, que vinha logo atrás, não conseguiu desviar e atropelou o pobre indiano da HRT. Um acidente feio, que não resultou em mortos e feridos por pouco.

NICO ROSBERG1,5 – Pela terceira vez em quatro corridas, abandonou logo no começo. Está mais azarado até mesmo do que seu companheiro Michael Schumacher. No entanto, nem dá para criticar seu desempenho, bastante interessante para o nível de carro que ele tem. O que posso comentar é a barbeiragem da primeira volta, que estragou não sou sua corrida como a de Romain Grosjean. Relegado às últimas posições, Nico tentou iniciar uma prova de recuperação. O sonho acabou no acidente da oitava volta, no qual ele voou sobre o carro de Narain Karthikeyan e acabou na barreira de pneus. Deu sorte de não sair ferido, mas também só deu sorte nisso.

NICO HÜLKENBERG3 – Prometia uma boa corrida, provavelmente melhor que a de Paul di Resta, mas pôs tudo a perder numa barbeiragem besta na primeira curva. Tentou dividir posição com o próprio companheiro e tudo o que conseguiu foi levar uma penca de gente para fora da pista. O toque em Bruno Senna foi forte, mas só o seu carro ficou danificado. Abandono infeliz para alguém que acabou de ser contratado pela Sauber – haveria uma maldição dos pilotos que trocam de equipe?

Não existe piloto nos Emirados Árabes Unidos, só areia!

GP DE ABU DHABI: O GP preferido dos coxinhas. Você sabe o que é um coxinha. Você certamente conhece algum. Em Campinas, quase todos são coxinhas. É aquele sujeito bem-sucedido aos 25 anos de idade. Esta descrição seria definitiva para alguns, mas vou me aprofundar um pouco. O coxinha é aquele cara que nasceu numa família de classe média de uma cidade grande, estudou em escola particular durante toda a vida, sempre foi o babaca metido a popular, entrou numa “facul” apenas para conseguir um diploma que o permita ficar rico e para beber Itaipava com mais um monte de futuros coxinhas, se formou, arranjou um emprego numa multinacional, começou a ganhar seis mil reais aos 24 anos, bajula o chefe, troca de celular a cada seis meses, sempre está com o último iPad, viaja para Miami, vive postando suas vitórias pessoais no Facebook, anda de EcoSport vermelho e nunca deixou de ser um completo imbecil. Num belo dia, o chefe deste desperdício de gente descolou duas entradas para o camarote do GP de Abu Dhabi. Foi a redenção do coxinha, que tirou trocentas fotos de toda a viagem e postou uma por uma no Facebook, para júbilo de seus 748 amigos falsos. Ficou naquele hotelzão envidraçado do autódromo, tomou vinho, comeu casquinha de siri, fez piadinhas do Felipe Massa para seu chefe rir e não deve ter visto umas dez voltas. É por ter total certeza de que as coisas são exatamente assim em Abu Dhabi que eu não tenho a menor vontade de assistir a uma corrida in loco em Yas Marina. Alguns podem achar que é inveja. Juro que só consigo ter inveja de gente como Paulo Francis. Nutrir alguma vontade de ser um boçal de classe média metido a rico é falta de caráter.

HÜLKENBERG: Se a Fórmula 1 ainda guarda algum resquício de justiça, é porque um piloto que foi campeão da GP2, da A1GP, da Fórmula 3 Euroseries, da Fórmula BMW ADAC, da Copa do Mundo e do The Voice não teve dificuldades para garantir sua vaga para a temporada de 2013. Nico Hülkenberg, 25, assinou contrato com a Sauber e será o substituto do mexicano Sergio Pérez na equipe suíça. O anúncio da contratação não surpreendeu ninguém porque a mídia suíça, que deve ser precisa como os relógios da região, já vinha comentando a respeito disso faz algum tempo. Curioso é ver que o jovem piloto alemão fará sua terceira temporada na Fórmula 1 pela terceira equipe diferente, uma vez que ele é piloto da Force India neste ano e já havia dado o ar da graça na Williams em 2010. O sempre atento Humberto Corradi acredita espertamente que Hülkenberg estará fazendo apenas um estágio muito bem remunerado lá na Sauber. Há uma segunda intenção por trás deste casamento. Em 2014, a Ferrari terá um carro livre. Talvez dois, dependendo dos humores sempre instáveis de Fernando Alonso. A Sauber usa motores Ferrari. Faça as contas. Pois é. Por fim, gostaria apenas de terminar com a declaração do seu atual companheiro Paul di Resta sobre a mudança: “não vejo a mudança como uma evolução”. Não que esta seja uma inverdade, mas há um traço de amargor no meio desta declaração, ainda mais quando sabemos que o escocês foi especulado em todas as equipes grandes possíveis para terminar procurando pelo caminho das Índias.

TORO ROSSO: No mesmo dia do anúncio de Nico Hülkenberg na Sauber, a Toro Rosso anunciou sua dupla de pilotos para a próxima temporada. Não houve surpresa. Os moleques Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne foram confirmados para mais um ano na equipe rubrotaurina. A justiça foi feita novamente. Muita gente precipitada, maldosa ou simplesmente ignorante vem criticando os dois pilotos, em especial o estreante Vergne. Vamos com muita calma aí. Poucos sabem, mas Jean-Éric é talvez o melhor piloto que a Red Bull já teve nas categorias de base. Melhor que Sebastian Vettel, eu diria. Foi campeão da Fórmula 3 britânica com 13 vitórias e vice-campeão das ultracompetitivas Fórmula Renault Eurocup e World Series by Renault. Nos testes que fez com a Fórmula 1 em 2010 e 2011, mandou muitíssimo bem. Sua temporada realmente não tem sido grandes coisas, principalmente por causa do péssimo desempenho em treinos classificatórios e por alguns acidentes toscos durante a corrida, mas é bom dizer que o STR7 também é uma lástima de carro. Um ano a mais fará bem a Vergne, assim como fará muito bem ao ótimo Ricciardo. O australiano também tem títulos nas categorias de base, embora sem o mesmo brilho que o colega francófono. Neste ano, vem fazendo corridas melhores que o companheiro, mas não costuma ser o cara mais sortudo do grid. Não sei dizer se os dois irão para a Red Bull um dia. A Toro Rosso existe exatamente para isso: formar um futuro Sebastian Vettel. Se o cara for tipo um Mark Webber da vida, já não é o suficiente, é melhor ficar com o original mesmo. Eu torço para que ao menos um deles dê certo, com preferência para Ricciardo, um cara que me impressionou bastante nos dias da Fórmula 3 britânica. E é bom que se diga: os dois são muito melhores do que a dupla anterior, Sébastien Buemi e Jaime Alguersuari.

AREIA: Correr no Oriente Médio dá nisso. Fico imaginando uma corrida de 1971 ou 1987 sendo cancelada por causa de… areia! Como assim? Vocês sabem bem, o circuito de Yas Marina é localizado no meio do deserto. Nesse tipo de lugar, tempestade não é de água, mas sim de areia. Muita areia. Quando o ar está calmo, não há nenhum problema. O negócio fica foda mesmo quando um choque de massas de ar de temperaturas diferentes provoca fortes rajadas de vento na região. E este vento carrega toneladas de areia mundo afora. Um amigo meu que foi para o Egito comentou que o negócio é realmente complicado e até dolorido, pois aquela areia fina raspando na pele em alta velocidade dói pra caramba. Nesta última segunda-feira, a região de Abu Dhabi foi atingida por uma fortíssima tempestade de vento. A visibilidade era nula e alguns danos foram causados na cidade, como a queda de algumas das poucas árvores que tiveram a infelicidade de nascer nas margens do Golfo Pérsico. Se a tempestade de areia continuasse, a realização do GP de Abu Dhabi certamente estaria sob ameaça, pois ninguém merece correr com areia na cara. A tempestade acabou ainda no início da semana, mas novas rajadas ainda não estão descartadas para esta próxima sexta-feira. Seria extremamente bizarro se alguma sessão fosse cancelada por causa disso. Se não me engano, houve um GP do Bahrein que também teve problemas com excesso de areia na pista, trazida por alguma tempestade manhosa. Sabe de uma coisa? Em Enna-Pergusa, esse tipo de coisa não acontece. Pode ter sapo e cobra vagando pelo paddock, mas tempestade de areia não tem espaço na Sicília.

TÍTULO: Há três pilotos na contenda pelo título desta temporada 2012, o Sorriso, o Sobrancelha e o Pinga. Sorriso tem 240 pontos e cinco vitórias. Sobrancelha tem 227 e três vitórias. Pinga, coitado, não tem nada além de 173 pontos, uma garrafa de destilado na mão e uma esperança remotíssima de se sagrar campeão. Sorriso é aquele cara sorridente, simpático e engraçado que pilota o carro azul, bebe energético e aponta o dedo indicador quando vence. Todo mundo gosta dele. Um verdadeiro Mr. Nice Guy. Por isso, sua liderança vem sendo tão celebrada. Seu maior adversário, assim como em 2010, é Sobrancelha, um cara de sobrancelha grande, sotaque forte, espírito de liderança, semblante seguro e cinismo latente. Devido ao amplo retrospecto de maracutaias, mutretas e cambalachos em que seu nome asturiano esteve envolvido, são poucos os que se simpatizam com Sobrancelha. Seu carro não é exatamente o melhor, embora seja talvez o mais desejado por todos. Pinga é o outsider da história. É branquelo, de aparência gelada, expressão inexistente e leve tendência ao alcoolismo. Pilota um reluzente carro preto e dourado e atrai a simpatia de muitos por supostamente agir como alguém desligado das coisas mundanas, das idiotices do planeta. Eu não consigo tirar da cabeça que Pinga é o maior marqueteiro de todos, mas não tem problema. Sorriso, Sobrancelha e Pinga são os três caras que disputarão a taça. Na verdade, somente Sorriso e Sobrancelha têm chances relevantes. Na verdade, somente Sorriso tem carro para ser campeão neste momento. Abu Dhabi e Interlagos são dois circuitos ótimos para ele. Austin também deverá ser.  E será assim, com um grande sorriso na cara, que Sebastian Vettel deverá ser o campeão de 2012.

BONUS STAGE: Não tem Top Cinq nesta sexta. Preguiça minha? Não. Estou atolado de coisas até o fim do mês. A sessão acabou para sempre ? Não. Eu estou escrevendo um Top Cinq há duas semanas, mas não consigo concluí-lo. Se as coisas ficarem mais fáceis na semana que vem, tentarei postá-lo. Mais uma vez, mil perdões. O ano tá difícil mesmo. Mas não vou deixar este site às moscas.

GP DA ÍNDIA: Primeiramente, uma reclamação. Corrida às sete e meia da manhã dá não. Não mesmo. Sete e meia da manhã do domingo é horário de toque de recolher, ninguém está em nenhum outro lugar do planeta que não na cama. Sinto muito, Rede Globo: dependendo de como andar o clima e a cotação do rublo, assistirei apenas ao VT da SporTV. E ponto final. O horário é altamente ingrato para um circuito tão interessante como Buddh, que tem suas pitadas de Mugello e Brno. No ano passado, todo mundo gostou da pista, razoavelmente veloz e cheia dos encantos hindus. Aquela reta que sobe e desce, sobe e desce, sobe e desce, é uma tremenda gozação de Hermann Tilke, sempre tão apegado a terrenos dos mais planos. O país não tem nada a ver com a antiga novela da Glória Perez (a atual também tem seus tons de bizarrice, diga-se) e as mulheres indianas infelizmente não se parecem com a Juliana Paes. Tudo é sujo, pobre e fodido – não, não tirei isso da minha mente preconceituosa, já conheci gente que foi pra lá e a opinião é sempre esta, sem tirar nem por. Quem gosta de lá é Sebastian Vettel, o Tião, que ganhou a corrida do ano passado sem maiores problemas e tem carro, talento e a bênção de Krishna para repetir o sucesso neste ano da graça. A torcida local terá até um cara para torcer, o folclórico Narain Karthikeyan, que certamente terminará em último, mas ao menos andará lento o suficiente para poder dar tchau às castas baixas da arquibancada.

KOBAYASHI: Vamos de tradução livre: “Serão minhas últimas quatro corridas nesta temporada e eu farei o meu melhor. Infelizmente, meus planos para o próximo ano não estão claros, mas é óbvio que eu farei o meu melhor“. Mais tradução livre: “E tentarei conseguir o meu sonho. Parece um muro tão alto, mas está é uma chance para eu conseguir ser ainda mais forte”. Mais um pouco: “Um dia, se eu precisar de ajuda de um patrocinador, continue me apoiando, pois isso me ajudará muito”. Não sei se foi exatamente isso que ele quis dizer, até porque seu inglês escrito é bastante exótico, mas ninguém precisa ser um Shakespeare para entender que Kamui Kobayashi tá preocupado. Nervoso. Nem deve conseguir fechar os olhos na cama. OK, talvez fechar os olhos não seja um problema para ele, mas o fato é que sua vaga na Sauber está ameaçada. Todo mundo quer correr na equipe suíça comandada por uma indiana e financiada com dinheiro mexicano. Num mundo onde a grana tá curta para você e para mim, é claro que Seu Peter e Dona Monisha irão leiloar seus dois carros bicromáticos. Nico Hülkenberg e Esteban Gutiérrez deverão ser os dois escolhidos. Mas se der zebra, não tem problema, pois há uma lista enorme de outros pilotos que já foram mencionados. O pobre Kobayashi ainda não é carta descartada, ao menos não oficialmente, mas o tom utilizado nas palavras acima, postadas ontem no Twitter, indica claramente que seu nome não está exatamente no topo da lista. E a chance dele voltar para o Japão para ter de trabalhar enrolando sushis de enguia com seu pai é bem maior do que gostaríamos.

GUTIÉRREZ: Falando emSauber, enão éque o tal de Sergio Pérez, novo wunderkind da Fórmula 1, pegou uma gripe daquelas e corre risco de não participar do GP da Índia? Nesta quinta-feira, Pérez cancelou todos os seus compromissos comerciais e teve de ficar no hotel tomando sopinha de mandioca e antitérmico. Não que o mexicano realmente fizesse questão de sorrir para fotografias, almoçar com algum diretor obeso da filial indiana da NEC e visitar o Taj Mahal ao lado da trupe de RP da Sauber, mas qualquer coisa é melhor do que acordar podre de tudo, febril e enfraquecido. Longe de casa, a coisa fica ainda pior. Se sua saúde não melhorar nas próximas horas, há boas possibilidades da Sauber escalar outro piloto para correr em seu lugar. Esteban Gutiérrez, tão mexicano quanto Pérez, já está de sobreaviso e lambe os beiços pensando na possibilidade de fazer sua grande estreia na Fórmula 1. O piloto de 21 anos foi campeão da GP3 em 2010 e disputou as duas últimas temporadas da GP2, mas não conseguiu os resultados esperados, isto é, o título. Se ele realmente debutar no GP da Índia, valerão aqui duas curiosidades. Primeira: Sergio Pérez só conseguirá fazer sua primeira temporada completa na Fórmula 1 no ano que vem, pois ele não só teria perdido a corrida deste próximo fim de semana como também perdeu o GP de Mônaco do ano passado após um acidente no treino oficial. Segunda: seria a primeira vez na história da Fórmula 1 em que um piloto teria nascido no mesmo ano de estreia de outro piloto do mesmo grid. Neste caso, Gutiérrez nasceu em 5 de agosto de 1991, mesmo mês de estreia de Michael Schumacher na categoria. Infelizmente, o tabu de nunca ter havido um piloto que nasceu depois da estreia de outro piloto do mesmo grid não terá sido quebrado por apenas vinte dias.

AUSTIN: Enquanto todo o paddock da Fórmula 1 se encontra em terras brâmanes, um punhadinho de pessoas meio que inaugurou o superlativo Circuito das Américas, aquele que sediará o GP dos Estados Unidos daqui para frente. No último domingo, foi realizado no autódromo texano a “Cerimônia da Primeira Volta”, um evento que reuniu dois carros de Fórmula 1 para dar umas voltinhas na nova pista de 5,515 quilômetros construída em Austin. Um dos carros era o Renault R30 pintado de preto e dourado e pilotado por Jérôme D’Ambrosio, o belga mais sonolento do planeta. Dambrrosiô foi para a pista, sentou o pé no acelerador, voltou aos pits e deu suas opiniões genéricas e dispensáveis sobre o trabalho feito no COTA. “Foi um grande dia, foi fantástico ir à pista para mostrar o R30, é um traçado muito prazeroso, blablabla, ZZZZZZZZZZZ”. O outro carro que deu as caras foi simplesmente o Lotus 79 pilotado por ninguém menos que Mario Andretti, um croata que virou referência em automobilismo americano. O ex-astro da Fórmula 1, da Indy e das 500 Milhas de Indianápolis deu algumas voltinhas com seu velho carro e fez elogios empolgados à pista. “A pista é sensacional!”, proclamou o velho Andretti. Depois, ainda deu algumas voltas com o Renault R30 e saiu do carro todo pilhado. Como é bom ver um dos maiores pilotos de todos os tempos – chupa quem discorda – dentro de um cockpit.

NOVATOS: Sabe aquela semana de testes destinada a pilotos das categorias de base? As seis equipes que não participaram dos testes em Silverstone e Magny-Cours terão três dias após o GP de Abu Dhabi para testar alguns mancebos no circuito de Yas Marina. Por enquanto, a lista de pilotos está bastante interessante. A Red Bull terá os dois pilotos mais promissores da World Series by Renault nesta temporada, António Félix da Costa e Robin Frijns. A McLaren testará o veteraníssimo Gary Paffett, dará uma nova chance a Oliver Turvey e colocará o imberbe Kevin Magnussen na pista. A Lotus terá três perfis bem distintos em seu carro: Nicolas Prost, Edoardo Mortara e Davide Valsecchi. A Sauber não quis inovar demais: levará seu pupilo Esteban Gutiérrez e também dará uma chance a Robin Frijns. A Toro Rosso não vai colocar ninguém do programa de pilotos da Red Bull. Ao invés disso, dará uma chance a dois veteranos da GP2, Luiz Razia e Johnny Cecotto Jr. Por fim, a Caterham colocará no asfalto dois de seus protegidos, Giedo van der Garde e Alexander Rossi. É legal ver que não haverá nenhuma aberração do tipo Rodolfo Gonzalez pilotando os carros. Nesta Fórmula 1 estúpida que limita tanto os testes, esta semana é esperadíssima por todos os pilotos das categorias de base. Muitas vezes, os poucos quilômetros feitos já garantem o ganha-pão da próxima temporada. Que a garotada aproveite sua oportunidade. Para alguns, poderá ser a única. Ou a última.

MCLAREN9 – Sem Sebastian Vettel para atrapalhar, a McLaren se deu ao luxo de fazer sua festa particular no Golfo Pérsico. Sua dupla de pilotos, a mais balanceada do grid, sempre aproveita qualquer boa oportunidade que surja. Em Abu Dhabi, Lewis Hamilton foi constantemente um dos personagens principais desde o primeiro treino e ganhou a corrida após o abandono de Vettel na primeira volta. Menos brilhante, Jenson Button ainda conseguiu pegar o pódio após o pit-stop de Webber na última volta. Para ser a melhor equipe do grid, só lhe falta um carro que derrube o império rubrotaurino.

FERRARI8 – Neste fim de semana, a maior demonstração de rapidez foi vista no conserto do carro de Fernando Alonso, que bateu em um dos treinos livres de sexta. O espanhol também não perdeu tempo, deixou Button para trás na primeira volta e rumou a um bom segundo lugar. Felipe Massa até teve alguns momentos de arrojo, mas não passou do quinto lugar. Por incrível que pareça, quem parece estar se dando melhor com o 150TH é Jules Bianchi, o marrentinho metido a estrelinha que está andando bem nos testes de novatos em Abu Dhabi.

RED BULL1 – Venhamos e convenhamos que, RB7 à parte, tudo deu errado para a equipe campeã nos Emirados Árabes Unidos. Sebastian Vettel, pole-position, bateu sozinho na sexta-feira. Mark Webber, quarto colocado, perdeu sua melhor chance de ser o salvador da pátria rubrotaurina no ano. Os mecânicos, sempre eficientes, se complicaram no primeiro pit-stop do australiano. E aquele maldito pneu traseiro direito do carro nº 1, tadinho, explodiu ainda na segunda volta da corrida. Não, não tem como dar nota maior.

MERCEDES5,5 – Corrida até mais apagada que o normal. Nico Rosberg e Michael Schumacher terminaram naquelas posições que lhes pertencem, atrás das três grandes equipes e à frente do resto. Nico se deu melhor, mas não muito. Michael também não teve grandes problemas, mas Adrian Sutil chegou a dar um pouco de trabalho em alguns poucos instantes. Há algo mais a ser comentado? Acho que não.

FORCE INDIA 7,5 – Neste exato momento, é a quinta melhor equipe do grid e parece não ter adversários. Tanto Adrian Sutil como Paul di Resta conseguiram passar para o Q3 da classificação e, mesmo com estratégias diferentes, terminaram nos pontos. Sutil ainda chegou a andar à frente de Schumacher por algum tempo, mas teve de se contentar com o oitavo posto, resultado longe de ser ruim para alguém que poderá ficar a pé no ano que vem. Com este bom fim de semana, a Force India abriu 15 pontos de vantagem para a Sauber e está a 15 da Renault. Vai que acontece um milagre em Sampa…

SAUBER5,5 – Diante da falta de evolução do C30, não fez uma má corrida, não. Kamui Kobayashi, que não está em boa fase, até marcou um pontinho. Quem merecia ter ido melhor, no entanto, é Sergio Pérez, que só não pontuou porque teve de trocar o bico na primeira volta e foi parar lá no fim do pelotão. Mesmo assim, a vida está dificílima, a Force India se isolou na sexta posição do campeonato e a Toro Rosso está apenas um ponto atrás dos suíços.

WILLIAMS3 – Sorte sua que seus dois pilotos são bons, porque o restante… Tanto Rubens Barrichello como Pastor Maldonado tiveram de trocar seus motores nos dias de treinos e o brasileiro ainda teve um problema de vazamento de óleo que o fez largar na última fila. Como Maldonado havia sido punido pela troca de motor, ele largou na última posição, o que coroou um dos piores sábados da história da equipe de Frank Williams. O domingo foi bem melhor e tanto Rubens quanto Pastor fizeram boas corridas de recuperação. Na verdade, não faltou muito para pontuar. Por isso que a Williams não deveria trocar o talento pelo dinheiro. Se ficar sem pilotos bons, a equipe morrerá de vez.

RENAULT1,5 – Para ela, o ano já acabou. O carro já não está sendo desenvolvido há algum tempo e os pilotos são tratados como meros patrocinadores que podem desfilar com seus bólidos pretos durante alguns fins de semana. Em Abu Dhabi, Vitaly Petrov e Bruno Senna não conseguiram passar para o Q3 da classificação. Na corrida, o russo teve problemas com o DRS e o sobrinho não conseguiu fazer o KERS funcionar. A mudança de estratégia que a Renault fez com este último também não surtiu efeito. Enfim, mais um fim de semana jogado no lixo. Triste final da Renault como equipe de Fórmula 1.

TORO ROSSO2,5 – Não compensou o mau fim de semana da Red Bull. Sébastien Buemi e Jaime Alguersuari ficaram no meio da tabela no treino oficial e não conseguiram pontos. Buemi até tinha boas chances, mas abandonou com problemas no sistema hidráulico, azarado como só ele. Alguersuari terminou, mas não andou bem e a equipe ainda não ajudou muito errando em um dos seus pit-stops. Mesmo assim, tem boas chances de deixar a Sauber para trás na classificação final em Interlagos.

LOTUS4 – Tudo como de costume. Heikki Kovalainen continuou deixando Jarno Trulli para trás e até sonhou em andar misturado no meio do pelotão. Os dois terminaram e não tiveram maiores problemas. Algo mais para falar? Não.

VIRGIN3 – Também não apresentou nenhuma novidade. Timo Glock sofreu para andar à frente de Daniel Ricciardo, mas conseguiu terminar a corrida. Por outro lado, Jerôme D’Ambrosio abandonou com problemas nos freios e, enquanto esteve na pista, teve muitas dificuldades com os pilotos da HRT. Nos próximos dias, os virginianos deverão anunciar a demissão do belga e a contratação de Charles Pic.

HRT2,5 – De volta à Fórmula 1, Vitantonio Liuzzi perdeu novamente para Daniel Ricciardo, mas foi o único piloto da equipe espanhola a chegar ao final. O australiano, diga-se, foi bem novamente, deixou D’Ambrosio para trás e deu o maior trabalho para Timo Glock. É um ótimo piloto e precisa de uma equipe melhor no ano que vem. Infelizmente, o alternador de seu carro quebrou.

TRANSMISSÃOIMPRESSÕES DE ABU DHABI – A emissora que transmite Fórmula 1 para o Brasil não escalou seu narrador principal para o GP de Abu Dhabi. Bom para ele, que foi enviado a Los Angeles para narrar umas rinhas de galo por aí. No seu lugar, aquele sujeito IMPRESSIONANTE, que se empolga com jogo da Bulgária, salada sem tempero, cerveja sem álcool e aula de Biologia. Previsível, pouco carismático e corporativo, é aquele tipinho que deve repassar todas as correntes que recebe no e-mail, que anda de Honda Fit cinza e que leva uma camiseta de time de futebol para o chefe. Como nada no fim de semana automobilístico foi exatamente marcante para mim, até mesmo por ter dormido na parte final da corrida, lembro-me apenas dos muitos, milhares, trocentos elogios tecidos por ele ao autódromo. Porque a pista é bonita, o hotel é impressionante e o pôr-do-sol é mais impressionante ainda. Como não me recordo de mais nada, ficam apenas os meus comentários sobre o quanto seu comportamento conformista, sua voz de bobo gratuito e sua cara de cidadão que vai ao bar tomar água gaseificada desagradam a este blogueiro que sempre enxerga o copo vazio.

CORRIDAVALEU, VETTEL – Não, não foi a corrida mais legal que eu já vi. Não que eu esperasse por algo diferente, uma vez que Yas Marina está muito longe de ser um circuito brilhante. Mas certamente poderia ter sido pior. Não fosse o maldito furo no pneu traseiro direito e Sebastian Vettel teria vencido pela ducentésima vez neste ano, quebrando algum recorde obscuro e atabalhoando calculadoras e tabelas. Felizmente, Sebá rodopiou delicadamente e abandonou a corrida ainda no comecinho. Lewis Hamilton ganhou sem grandes problemas, Fernando Alonso foi o segundo sem grandes problemas e nem Jenson Button teve lá tanto trabalho. Houve algumas brigas envolvendo os pares Button/Webber, Massa/Webber e Di Resta/Buemi, mas nada que merecerá muitas observações posteriores no Youtube. Para muitos, a graça da corrida de Abu Dhabi é o ocaso, o hotel todo azulado e a pujança. Pois bem, faço meus comentários. Ocaso é um negócio que vale a pena ser visto do alto de uma montanha ou de um prédio. O hotel azulado é de um tremendo mau gosto, tão cafona quanto a costeleta do Emerson Fittipaldi. E pujança, pra mim, é nome de doença de cachorro. Dito isso, a corrida passou de ano e só. E não é um diamante ou uma Ferrari que mudará a cabeça do professor aqui.

GP2QUIETÃO E DILMÃO – Olha só a GP2 aqui! Neste fim de semana, a melhor categoria do mundo realizou uma etapa extracampeonato como preliminar da Fórmula 1 no pseudocircuito de Yas Marina. Foi bacana porque as corridas da GP2 são sempre legais de se assistir. As equipes puderam testar alguns pilotos e, ao mesmo tempo, embolsaram algum pondo-os para correr. E a molecada que veio diretamente da GP3 pôde disputar um prêmio meio mixuruca dado aos dois melhores pilotos que estão neste grupo. A primeira corrida, que me fez acordar às cinco da manhã, foi vencida pelo suíço Fabio Leimer. Ele ganhou de ponta a ponta e não deu espaço a Luiz Razia e Jolyon Palmer, filho do médico. Não foi lá aquela corrida boa pra cacete, mas deu para se divertir um pouco com as traquinagens de gente ávida pelo sucesso como Nigel Melker e James Calado. A propósito, nosso querido britânico mudo foi a grande atração da corrida do dia seguinte. Oitavo colocado na primeira corrida, James largou na pole-position no domingo e não deu chances a Marcus Ericsson e Tom Dillmann, que soa quase como Dilmão. Com a vitória, Calado embolsou os 15 mil euros de premiação da Pirelli. Dillmann, segundo melhor calouro, levou 10 mil. E a temporada 2011 da GP2 silencia aqui.

É tudo a mesma merda feita de gesso e petróleo

LEWIS HAMILTON9,5 – Mesmo em má fase e carente, o inglês ainda mostra que é um dos grandes do grid. Desde o início, provou ser o grande adversário de Sebastian Vettel em Abu Dhabi. Liderou dois treinos livres, as duas primeiras fases do treino oficial e perdeu a pole-position por pouco. Na largada, manteve-se em segundo e ganhou de presente a primeira posição após o infortúnio de Vettel. Depois, ninguém mais conseguiu alcançar o ex-Nicole Scherzinger. Vencendo de maneira brilhante, conseguiu reverter o azar de 2009, quando teve um problema no motor enquanto liderava.

FERNANDO ALONSO8,5 – Segundo lugar suado, batalhado e sortudo. Seu carro não era páreo para os da Red Bull e McLaren, mas o espanhol não é bobo e compensa esta deficiência com uma astúcia de raposa. Embora tenha feito apenas o quinto tempo, Fernando largou muito bem e se viu em segundo após a rodada de Vettel. Durante a prova, não conseguiu ameaçar Hamilton e também não foi ameaçado por Button. Além disso, perdeu um pouco de tempo em uma de suas paradas. Mesmo assim, excelente segundo lugar.

JENSON BUTTON7 – Dessa vez, não encontrou coelho em sua cartola. Liderou o primeiro treino livre, mas não conseguiu mais nada. Largou em terceiro, meteu-se em um duelo encarniçado com Alonso na primeira volta, perdeu e não conseguiu sonhar com uma posição melhor no pódio. Ainda teve problemas com o KERS e sofreu para manter Mark Webber atrás, tanto é que os dois protagonizaram a briga mais bonita da corrida. Mesmo assim, ainda ficou em terceiro e conquistou pontos importantíssimos para o vice-campeonato.

MARK WEBBER5 – Assim não dá. Sem Sebastian Vettel na pista e pilotando o melhor carro da temporada, o mínimo que deveria ter obtido é a vitória. Mesmo com o vento a favor, não conseguiu nem o pódio. Em momentos distintos, viu-se obrigado a duelar com Massa e Button e perdeu as duas disputas. De quebra, não foi auxiliado pela sorte, pois o primeiro pit-stop foi muito ruim e o fez cair de quarto para quinto. E a estratégia de três paradas, com a última ocorrendo na última volta, foi patética. Como patético está sendo o piloto australiano neste ano.

FELIPE MASSA6 – Quinto lugar pela milésima vez neste ano, o paulista não trouxe novidade alguma nesta sua insípida temporada. Na classificação, não fez nada além do costumeiro sexto lugar. Na corrida, permaneceu em quinto durante a maior parte do tempo. Pôde sonhar com o quarto lugar quando Webber teve problemas em seu primeiro pit-stop, mas uma rodada na volta 49 enterrou seus planos. Pelo menos, a briga com Webber na volta 30 foi boa e terminou a favor de Massa. Nada que compense este domingo discreto, no entanto.

NICO ROSBERG6,5 – Outra competente encheção de linguiça do piloto teutônico. Sem se destacar muito nos treinos, ele só chamou a atenção quando devolveu uma ultrapassagem do companheiro Schumacher ainda na primeira volta. Da segunda volta em diante, as coisas não mudaram nada: os carros mais rápidos continuaram tranquilamente à sua frente e os demais permaneceram atrás. Ao menos, não foi ruim terminar a dois segundos da Ferrari de Massa.

MICHAEL SCHUMACHER5,5 – Dessa vez, o heptacampeão foi ainda mais discreto que Rosberg e reduziu drasticamente suas chances de terminar o ano à frente do companheiro. Mediano nos treinos, ele até chegou a ultrapassar o outro Mercedes na primeira curva, mas tomou o troco alguns segundos depois. Não conseguiu ameaçar Rosberg novamente, mas também não teve muitos problemas para ficar à frente dos demais, embora tenha ficado atrás de Adrian Sutil por algumas voltas. Ou seja, só fez um monótono passeio dominical.

ADRIAN SUTIL7 – Mais uma boa corrida de um cara que, definitivamente, não merece estar na situação complicada que está. Sempre entre os dez primeiros nos treinos, o alemão tentou apostar em uma estratégia de apenas uma parada na corrida, mas foi obrigado a mudar para duas. Ainda assim, esteve sempre nos pontos e chegou a andar à frente de Schumacher durante um bom tempo. Infelizmente para ele, o heptacampeão recuperou sua posição na última parada, mas o oitavo lugar não deixou de ter sido um ótimo resultado para Sutil.

PAUL DI RESTA6 – Se a sexta posição pertence a Felipe Massa, a nona é território cativo de Paul di Resta. O escocês foi nono nos três treinos livres e na corrida, além de ter feito a nona melhor volta. No treino classificatório, ele largou em décimo graças àquela sacanagem de não treinar no Q3. No caso dele, valeu a pena, pois ele pôde completar a corrida tendo feito apenas uma parada. O abandono de Sébastien Buemi, que chegou a ultrapassá-lo no início da corrida, facilitou bastante as coisas.

KAMUI KOBAYASHI5,5 – Depois de muito tempo, voltou a pontuar na Fórmula 1. Tudo bem, foi apenas um ponto, mas é melhor do que nada. Como sempre, foi mal no treino oficial e largou cinco posições atrás de Sergio Pérez. Na corrida, deu a volta por cima e ganhou um monte de posições logo na primeira volta. Kamui sofreu com os pneus médios nas primeiras voltas, mas pôde utilizar bons pneus macios a partir da quinta volta e conseguiu fazer uma boa corrida de recuperação. Mas não dá para ficar apostando sempre em estratégias abiloladas para tentar reverter uma má posição no grid.

SERGIO PÉREZ6 – O ponto da Sauber deveria ter sido dele e não de Kobayashi. No treino oficial, andou bem novamente e conseguiu o 11º lugar. Na corrida, bateu em Adrian Sutil logo no começo e teve de ir aos pits para trocar o bico. Posteriormente, teve problemas com os pneus médios e perdeu tempo. No final, ainda ficou sem o KERS. Mesmo assim, ficou a uma posição de pontuar. Injusto, definitivamente.

RUBENS BARRICHELLO7 – Mesmo à beira da aposentadoria, o cara é esforçado e determinado. Rubens tinha tudo para iniciar o domingo desanimado, especialmente após a troca de motor na sexta-feira e o problema de vazamento de óleo no sábado, que o impediu de marcar um tempo no Q1 da classificação. Mas ele preferiu deixar a depressão de lado e fez uma de suas melhores corridas nos últimos tempos. Largou bem, ganhou posições e aproveitou-se do fato de ter utilizado os pneus médios logo no começo, deixando os macios para o final. Terminou em 12º, a duas posições da pontuação. Fez a 11ª melhor volta da corrida. Excelente atuação, mas insuficiente para resolver sua vida após Interlagos.

VITALY PETROV3 – Fim de semana absolutamente esquecível. Com um carro ruim, Petrov não conseguiu sair do meio do pelotão durante todo o fim de semana. No treino classificatório, ficou em 12º. Na corrida, ficou sem o DRS e não conseguiu disputar posições. Ficou atrás de uma Williams, algo péssimo nos dias atuais. Lamentável fim de temporada.

PASTOR MALDONADO4 – Bem menos brilhante que Barrichello, também fez uma boa corrida, apesar dos pesares. No sábado, foi punido com a perda de dez posições no grid por ter utilizado um nono motor. No domingo, fez das suas, atrapalhou algumas gentes e tomou punição por ignorar as pobres bandeiras azuis. Ainda assim, deixou para trás pilotos com bólidos melhores. Não ganha nota maior por solidariedade minha com as bandeiras azuis.

JAIME ALGUERSUARI2,5 – Seu único mérito foi ter terminado uma corrida que o azarado companheiro Buemi abandonou. Perdeu para o suíço no treino oficial e não conseguiu superá-lo no início da corrida. Para piorar, sua equipe ainda lhe tomou algum tempo no primeiro pit-stop. Mesmo sem o problema, não acredito que ele teria marcado pontos. Se tivesse, não teria merecido.

BRUNO SENNA2,5 – Não foi tão pior que o companheiro Petrov, o que não é animador se considerarmos que o russo foi mal. Sonolento nos treinos, o sobrinho largou em uma convencional 14ª posição. Então, a Renault decidiu mudar tudo e o mandou fazer seu primeiro pit-stop logo no fim da primeira volta. A mudança de estratégia lhe deixou com pneus macios para o resto da prova, mas o carro não colaborou, o KERS também não deu as caras e o próprio piloto cavou uma punição após ignorar as bandeiras azuis. Somando tudo isso, dá para entender o porquê de ter sido o pior dos pilotos das equipes normais.

HEIKKI KOVALAINEN6,5 – Este é outro que foi capturado pela maldição dos números. Na sexta e no sábado, foi 18º nos três treinos livres e ainda marcou o 18º tempo no Q1. Na corrida, largou em 17º graças à punição de Maldonado, terminou em 17º e ainda fez a 17ª melhor volta da corrida. Ainda assim, não dá para dizer que ele foi mal. Kova fez uma boa prova e andou em 13º durante um bom tempo. Só perdeu tempo no final por ter utilizado pneus médios, mas o domingo não deixou de ter sido ruim.

JARNO TRULLI3,5 – Levou outra surra de Kovalainen. Nos treinos, não houve nada de novo e ele ficou sempre atrás do companheiro. Na corrida, enquanto Heikki brigava com a turma do meio do pelotão, Trulli batia cartão lá no final, perdendo algum tempo com os carros da HRT. Espero que os boatos que apontam uma quebra de contrato no fim deste ano sejam verdadeiros.

TIMO GLOCK4 – Nenhuma novidade. Largou atrás das Lotus, ficou apenas um décimo à frente do HRT de Daniel Ricciardo e fez mais uma corrida autista, sem disputar seriamente com ninguém. Teve mais dificuldades no final, quando foi obrigado a utilizar os pneus médios.

VITANTONIO LIUZZI2,5 – Foi o único de sua equipe a terminar a prova, o que representa sua única vantagem neste fim de semana de retorno à categoria. No treino classificatório, fez o último tempo e só fugiu da última fila graças aos dramas da Williams. Na corrida, destacou-se por mais uma boa largada, mas foi perdendo todas as posições com o passar das voltas. Não está oferecendo resistência a Daniel Ricciardo.

DANIEL RICCIARDO5,5 – Já é o melhor piloto de sua equipe com sobras. No treino oficial, deixou Liuzzi e D’Ambrosio para trás de uma só vez. Poderia ter ganho várias posições na largada, mas cometeu um erro e acabou ficando para trás. Mesmo assim, manteve um ótimo ritmo e chegou a ameaçar Glock durante algumas voltas. Infelizmente, o alternador falhou e seu carro parou. Mau sinal para mim. Meu mecânico disse que o alternador do meu Corsa também está prestes a quebrar.

SÉBASTIEN BUEMI6 – Faltou-lhe sorte novamente. O sistema hidráulico de seu carro apresentou vazamento no pior fim de semana possível, aquele em que o suíço conseguiu render bem mais que o colega Alguersuari. No treino oficial, Buemi foi apenas razoável, mas o espanhol foi bem pior. Na corrida, ele chamou a atenção com uma bela disputa com Paul di Resta pelo nono lugar. Após algumas voltas, conseguiu a ultrapassagem e começou a sonhar em tomar as posições de Sutil e Schumacher. Infelizmente, o abandono não tardou a acontecer.

JERÔME D’AMBROSIO1,5 – Se a demissão logo após uma temporada soa injusta, também é certo dizer que D’Ambrosio não está fazendo muito para merecer uma renovação de contrato. No Q1 da classificação, voltou a largar atrás do HRT de Ricciardo. Na corrida, andou por algum tempo em último até abandonar com problemas nos freios. Ninguém notou. Como sempre.

SEBASTIAN VETTEL4 – Que coisa, hein? O atual bicampeão mundial não sabia o que era abandonar logo na primeira volta desde o GP da Inglaterra de 2008, quando rodou logo na curva 14. Dessa vez, o abandono não foi culpa sua. Longe disso, até. Logo na terceira curva, o carro rodopiou após um furo no pneu traseiro direito. Sebastian até conseguiu voltar para os pits, mas a suspensão estava totalmente danificada e o fim de semana acabou exatamente ali. O mais curioso é que este foi o segundo incidente dele no fim de semana: na sexta-feira, ele bateu sozinho na primeira curva em um dos treinos livres. Para compensar, ele fez mais uma pole-position impecável, a 14ª na temporada. Fim de semana tão estranho que é até difícil atribuir-lhe uma nota. Como eu considero o conjunto carro-piloto, não dá para perdoar muito.

Porque não dá para beber nada naquela porra de região

GP DE ABU DHABI: A pista não é grandes coisas e também não é o pior desastre de todos, mas é absolutamente secundária em Yas Marina. O que importa, é claro, é o que se passa fora do asfalto. Eu nunca fui aos Emirados Árabes Unidos e não tenho a menor vontade de ir para lá também, mas imagino que deve ser um lugar insuportável de tão artificial. Hotéis com torneiras de ouro, ilhas em formato de coqueiro, pistas de esqui, shoppings portentosos, burcas de grife e areia. As pessoas que habitam este eldorado movido a óleo refinado devem ser igualmente imbecis: aqueles xeiques obesos e barbudos que fumam compulsivamente, andam de Ferrari e fingem saber inglês porque cursaram Economia na London School of Business. Não, não tenho inveja de nada disso. Para mim, aquela região continua sendo tão primitiva, autoritária, estéril e dependente unicamente do aumento de preços do petróleo como nunca deixou de ser. Ou seja, são todos idiotas. E seu Grande Prêmio de Abu Dhabi simboliza tudo o que há de ruim na Fórmula 1 como um espetáculo comercial e na riqueza como um fim em si mesmo. Enfim, detesto. E nem me venham com esta de “mas se você recebesse um convite para ver uma corrida lá, aceitaria no ato”. Pegaria o convite, venderia para algum otário deslumbrado, ignorante e absurdamente consumista (existem muitos) por um preço altíssimo e utilizaria a grana para passar uns dias na Europa.

MERCEDES: A equipe de Stuttgart fechou hoje sua dupla para 2012 e, provavelmente, para 2013. Os pilotos serão Ayrton Senna e Jimmie Johnson, com Alex Yoong trabalhando como piloto de testes. Mentira. Nada irá mudar no futuro, assim como nada mudou do ano passado para este. Michael Schumacher, que andou ganhando uns títulos por aí, já tinha contrato assinado com a Mercedes para o próximo ano, mas o confiável e nem um pouco escandaloso noticiário alemão Sport Bild afirmou que ele deverá correr também em 2013. Mesmo que a fonte seja uma droga, em se tratando de Schumacher, nada é impossível. Aos 42 anos, ele continua animado e disposto a erguer mais uma equipe ao estrelato. Seu companheiro, o discreto Nico Rosberg, anunciou hoje a renovação de seu contrato por vários anos. A equipe confia em Nico, que nunca ganhou uma corrida e nem tem lá um portfólio de grandes atuações, e acredita que ele será campeão um dia. Eu não acho. Rosberg filho é, na melhor das hipóteses, um Elio de Angelis contemporâneo, piloto conservador de imagem sofisticada. Eu quase nunca acerto meus palpites, mas penso que a primeira vitória desta nova Mercedes deverá ocorrer numa corrida mais inspirada de Schumacher.

LOTUS: Encerrou-se ontem a guerra judicial mais besta dos últimos tempos. Lotus e Lotus confirmaram que um acordo foi feito e aquela disputa pelo uso da famosa marca criada por Colin Chapman há um bom tempo foi finalmente encerrada. No fim das contas, a Lotus deixará de ser Lotus a partir do ano que vem, quando será apenas Caterham, um nome simpático e de relevância no automobilismo britânico. A outra Lotus assumiu o direito de ser Lotus por meio da Renault, que deixará de existir como equipe definitivamente em 2012. Logo, só vai existir uma Lotus. É bom porque situações como aquela vista na GP2, na qual cada Lotus tinha sua equipe e pintava seu carro de verde e amarelo, não vão ocorrer mais. É bom porque cada equipe terá identidade própria – e uma equipe Caterham não deixa de ser charmosa. É ruim porque provavelmente não teremos um carro preto e um verde no ano que vem. É ruim porque o nome Lotus ficou bastante desgastado nesta polêmica. No fim, se colocarmos tudo na balança, você vê que sua vida não mudou em nada.

NOVATOS: Como a corrida de Abu Dhabi será chata e inútil, vamos cavar outros assuntos. Entre os dias 15 e 17 de novembro, a pista emiratense de Yas Marina promoverá a única oportunidade que jovens doidos para pilotar um carro de Fórmula 1 terão no ano. Estas sessões são interessantes para todos. As equipes não aproveitam muito em termos técnicos e esportivos, mas as maiores podem testar talentos visando o futuro e as menores embolsam uma boa grana com pilotos milionários. Os pilotos obviamente aproveitam a chance de dirigir um carro de Fórmula 1, o que nunca é ruim. Quem acompanha o esporte terá a oportunidade de conhecer o pessoal que poderá aparecer nas manchetes nos próximos anos. Por fim, Bernie Ecclestone e o pessoal de Abu Dhabi devem embolsar bastante de alguma forma. Os perfis dos testadores são ecléticos. Gary Paffett, 30, é o tiozão, possui carreira sólida no DTM e nem deve mais pensar em ser piloto titular de Fórmula 1. Sam Bird, Jules Bianchi, Jean-Eric Vergne, Esteban Gutierrez, Valtteri Bottas, Mirko Bortolotti, Kevin Korjus, Robert Wickens e Alexander Rossi são apostas sérias para os próximos anos. Luiz Razia, Oliver Turvey e Jan Charouz já estão há algum tempo no automobilismo de base e não querem perder o bonde. Max Chilton, ao que me parece, é o pior da turma. Achei legal. No ano passado, avacalharam demais com gente como Vladimir Arabadzhiev e Rodolfo Gonzalez.

GP2: Corrida extracampeonato. Há quanto tempo não vejo algo do tipo em uma categoria top. A Fórmula 3 sempre realiza as famosas provas de Macau e Zandvoort, mas iniciativas do gênero não ocorrem dali para cima. Neste ano, o presidente da GP2 Bruno Michel decidiu promover algo diferente e legal. Sua categoria terá uma rodada dupla em Abu Dhabi que não valerá pontos, mas sim dinheiro. Todos os pilotos que vieram da GP3 estarão concorrendo a uma singela porém fácil premiação concedida pela Pirelli. O piloto da GP3 que tiver conseguido mais pontos embolsará quinze mil euros. O segundo melhor receberá dez mil euros. Parece pouco, mas consideremos algumas coisas. No grid de 26 carros, haverá apenas seis pilotos que fizeram a temporada da GP3 neste ano, James Calado, Tom Dillmann, Rio Haryanto, Nigel Melker, Simon Trummer e Antônio Félix da Costa. Ser o melhor deles, portanto, não é a coisa mais difícil do mundo. Além disso, quinze mil euros não é pouco para um garoto de 20 anos que paga muito para correr. Por fim, você mesmo dispensaria este dinheiro?