outubro 2012


GP DA ÍNDIA: Primeiramente, uma reclamação. Corrida às sete e meia da manhã dá não. Não mesmo. Sete e meia da manhã do domingo é horário de toque de recolher, ninguém está em nenhum outro lugar do planeta que não na cama. Sinto muito, Rede Globo: dependendo de como andar o clima e a cotação do rublo, assistirei apenas ao VT da SporTV. E ponto final. O horário é altamente ingrato para um circuito tão interessante como Buddh, que tem suas pitadas de Mugello e Brno. No ano passado, todo mundo gostou da pista, razoavelmente veloz e cheia dos encantos hindus. Aquela reta que sobe e desce, sobe e desce, sobe e desce, é uma tremenda gozação de Hermann Tilke, sempre tão apegado a terrenos dos mais planos. O país não tem nada a ver com a antiga novela da Glória Perez (a atual também tem seus tons de bizarrice, diga-se) e as mulheres indianas infelizmente não se parecem com a Juliana Paes. Tudo é sujo, pobre e fodido – não, não tirei isso da minha mente preconceituosa, já conheci gente que foi pra lá e a opinião é sempre esta, sem tirar nem por. Quem gosta de lá é Sebastian Vettel, o Tião, que ganhou a corrida do ano passado sem maiores problemas e tem carro, talento e a bênção de Krishna para repetir o sucesso neste ano da graça. A torcida local terá até um cara para torcer, o folclórico Narain Karthikeyan, que certamente terminará em último, mas ao menos andará lento o suficiente para poder dar tchau às castas baixas da arquibancada.

KOBAYASHI: Vamos de tradução livre: “Serão minhas últimas quatro corridas nesta temporada e eu farei o meu melhor. Infelizmente, meus planos para o próximo ano não estão claros, mas é óbvio que eu farei o meu melhor“. Mais tradução livre: “E tentarei conseguir o meu sonho. Parece um muro tão alto, mas está é uma chance para eu conseguir ser ainda mais forte”. Mais um pouco: “Um dia, se eu precisar de ajuda de um patrocinador, continue me apoiando, pois isso me ajudará muito”. Não sei se foi exatamente isso que ele quis dizer, até porque seu inglês escrito é bastante exótico, mas ninguém precisa ser um Shakespeare para entender que Kamui Kobayashi tá preocupado. Nervoso. Nem deve conseguir fechar os olhos na cama. OK, talvez fechar os olhos não seja um problema para ele, mas o fato é que sua vaga na Sauber está ameaçada. Todo mundo quer correr na equipe suíça comandada por uma indiana e financiada com dinheiro mexicano. Num mundo onde a grana tá curta para você e para mim, é claro que Seu Peter e Dona Monisha irão leiloar seus dois carros bicromáticos. Nico Hülkenberg e Esteban Gutiérrez deverão ser os dois escolhidos. Mas se der zebra, não tem problema, pois há uma lista enorme de outros pilotos que já foram mencionados. O pobre Kobayashi ainda não é carta descartada, ao menos não oficialmente, mas o tom utilizado nas palavras acima, postadas ontem no Twitter, indica claramente que seu nome não está exatamente no topo da lista. E a chance dele voltar para o Japão para ter de trabalhar enrolando sushis de enguia com seu pai é bem maior do que gostaríamos.

GUTIÉRREZ: Falando emSauber, enão éque o tal de Sergio Pérez, novo wunderkind da Fórmula 1, pegou uma gripe daquelas e corre risco de não participar do GP da Índia? Nesta quinta-feira, Pérez cancelou todos os seus compromissos comerciais e teve de ficar no hotel tomando sopinha de mandioca e antitérmico. Não que o mexicano realmente fizesse questão de sorrir para fotografias, almoçar com algum diretor obeso da filial indiana da NEC e visitar o Taj Mahal ao lado da trupe de RP da Sauber, mas qualquer coisa é melhor do que acordar podre de tudo, febril e enfraquecido. Longe de casa, a coisa fica ainda pior. Se sua saúde não melhorar nas próximas horas, há boas possibilidades da Sauber escalar outro piloto para correr em seu lugar. Esteban Gutiérrez, tão mexicano quanto Pérez, já está de sobreaviso e lambe os beiços pensando na possibilidade de fazer sua grande estreia na Fórmula 1. O piloto de 21 anos foi campeão da GP3 em 2010 e disputou as duas últimas temporadas da GP2, mas não conseguiu os resultados esperados, isto é, o título. Se ele realmente debutar no GP da Índia, valerão aqui duas curiosidades. Primeira: Sergio Pérez só conseguirá fazer sua primeira temporada completa na Fórmula 1 no ano que vem, pois ele não só teria perdido a corrida deste próximo fim de semana como também perdeu o GP de Mônaco do ano passado após um acidente no treino oficial. Segunda: seria a primeira vez na história da Fórmula 1 em que um piloto teria nascido no mesmo ano de estreia de outro piloto do mesmo grid. Neste caso, Gutiérrez nasceu em 5 de agosto de 1991, mesmo mês de estreia de Michael Schumacher na categoria. Infelizmente, o tabu de nunca ter havido um piloto que nasceu depois da estreia de outro piloto do mesmo grid não terá sido quebrado por apenas vinte dias.

AUSTIN: Enquanto todo o paddock da Fórmula 1 se encontra em terras brâmanes, um punhadinho de pessoas meio que inaugurou o superlativo Circuito das Américas, aquele que sediará o GP dos Estados Unidos daqui para frente. No último domingo, foi realizado no autódromo texano a “Cerimônia da Primeira Volta”, um evento que reuniu dois carros de Fórmula 1 para dar umas voltinhas na nova pista de 5,515 quilômetros construída em Austin. Um dos carros era o Renault R30 pintado de preto e dourado e pilotado por Jérôme D’Ambrosio, o belga mais sonolento do planeta. Dambrrosiô foi para a pista, sentou o pé no acelerador, voltou aos pits e deu suas opiniões genéricas e dispensáveis sobre o trabalho feito no COTA. “Foi um grande dia, foi fantástico ir à pista para mostrar o R30, é um traçado muito prazeroso, blablabla, ZZZZZZZZZZZ”. O outro carro que deu as caras foi simplesmente o Lotus 79 pilotado por ninguém menos que Mario Andretti, um croata que virou referência em automobilismo americano. O ex-astro da Fórmula 1, da Indy e das 500 Milhas de Indianápolis deu algumas voltinhas com seu velho carro e fez elogios empolgados à pista. “A pista é sensacional!”, proclamou o velho Andretti. Depois, ainda deu algumas voltas com o Renault R30 e saiu do carro todo pilhado. Como é bom ver um dos maiores pilotos de todos os tempos – chupa quem discorda – dentro de um cockpit.

NOVATOS: Sabe aquela semana de testes destinada a pilotos das categorias de base? As seis equipes que não participaram dos testes em Silverstone e Magny-Cours terão três dias após o GP de Abu Dhabi para testar alguns mancebos no circuito de Yas Marina. Por enquanto, a lista de pilotos está bastante interessante. A Red Bull terá os dois pilotos mais promissores da World Series by Renault nesta temporada, António Félix da Costa e Robin Frijns. A McLaren testará o veteraníssimo Gary Paffett, dará uma nova chance a Oliver Turvey e colocará o imberbe Kevin Magnussen na pista. A Lotus terá três perfis bem distintos em seu carro: Nicolas Prost, Edoardo Mortara e Davide Valsecchi. A Sauber não quis inovar demais: levará seu pupilo Esteban Gutiérrez e também dará uma chance a Robin Frijns. A Toro Rosso não vai colocar ninguém do programa de pilotos da Red Bull. Ao invés disso, dará uma chance a dois veteranos da GP2, Luiz Razia e Johnny Cecotto Jr. Por fim, a Caterham colocará no asfalto dois de seus protegidos, Giedo van der Garde e Alexander Rossi. É legal ver que não haverá nenhuma aberração do tipo Rodolfo Gonzalez pilotando os carros. Nesta Fórmula 1 estúpida que limita tanto os testes, esta semana é esperadíssima por todos os pilotos das categorias de base. Muitas vezes, os poucos quilômetros feitos já garantem o ganha-pão da próxima temporada. Que a garotada aproveite sua oportunidade. Para alguns, poderá ser a única. Ou a última.

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Robin Frijns, o mais novo campeão da World Series by Renault e um dos grandes prospectos do automobilismo para o futuro. Mas o que será de 2013 para ele?

Oi, patota. Lembram-se deste blog? Pois é, ele ficou em coma durante um bom tempo, respirando por aparelhos e provavelmente continuará assim até o fim de novembro. Mas quando houver uma fresta de tempo disponível, lá estarei eu à frente de um PC construído em Guangdong escrevendo bobagens. Fecha parênteses.

Ontem, acabou a temporada da World Series by Renault, aquela que quase ninguém presta atenção. Três brigavam pelo título: dois medalhões da GP2, Jules Bianchi e Sam Bird, e um baita de um piloto holandês que ainda fará a terra dos moinhos muito feliz na Fórmula 1, Robin Frijns.

Rodada dupla em Barcelona, pista ruim de doer para ultrapassagens. Na segunda e última corrida, Bianchi e Frijns, nesta ordem, disputavam diretamente uma posição qualquer. O holandês tentou uma ultrapassagem na Repsol (curva com nome de empresa só pode ser coisa do demônio) num momento em que pouco espaço havia. Bianchi fechou a porta. Os dois carros se aproximaram e deram um beijo apaixonado. Jules levou a pior, saiu da pista e terminou esbarrando na barreira de pneus. Fim de prova. Fim de campeonato. Frijns seguiu em frente e cruzou a linha de chegada em sétimo, garantindo o título. Horas depois, pelo desastre com Bianchi, foi punido com o acréscimo de 25 segundos no tempo final, mas ainda ficou com o troféu do campeonato. Fim de prova. Fim de campeonato. Robin Frijns wins.

Depois do título, o roteiro de sempre. Equipes de Fórmula 1, Indy e GP2 abarrotando sua caixa de e-mails com convites ingênuos para um cafezinho. Jornalistas implorando por entrevistas. Pais de família oferecendo a mão da filha para casamento. Bajuladores brotando às dezenas, incluindo aqueles amigos-da-onça que nem mandavam um “feliz aniversário” antes do sucesso. Até mesmo uma ou outra empresa propondo algum tipo de acordo leonino de patrocínio. OK, nem sempre as coisas acontecem desta forma para um campeão da World Series by Renault – Mikhail Aleshin está aí para nos provar. Mas é bem provável que tudo isso ocorra com Frijns, um cara que parece ter a grana e o talento no lugar.

Hoje cedo, a Red Bull Racing anunciou que o piloto holandês participará da semana de testes de pilotos novatos que a Fórmula 1 sempre realiza em Abu Dhabi. Ele e o lusitano António Félix da Costa, outro tremendo bota, dividirão o lustroso RB8 entre os dias 6 e 8 de novembro. Frijns não é apoiado pela Red Bull, talvez nunca sequer tenha experimentado o energético, mas ganhou o direito de pilotar o carro de Fórmula 1 da marca por ter vencido o título da World Series by Renault. Ele também já tinha conseguido agendar um teste com a Sauber para esta mesma semana. Numa dessas, quem sabe ele não arranja um emprego bacana em algum lugar?

Quem sabe? Mas isso provavelmente não ocorrerá.

Há um mês, a GP2 Series realizou sua derradeira rodada dupla desta temporada no circuito cingapurenho de Marina Bay. Os veteranos Davide Valsecchi e Luiz Razia disputaram o título palmo a palmo. Ganhou o italiano, que já contabilizava cinco mil anos na categoria. Pouca gente deu bola. As equipes de Fórmula 1 podem até ter se aproximado do italiano, mas muito mais por causa da bolada que ele carrega na carteira do que pelo talento pulsante que ele provavelmente não tem. A verdade é que Valsecchi só aparecerá no GP da Austrália do ano que vem se for pra pagar a conta do bar para uma HRT da vida.

A mais provável solução para Frijns: seguir os passos de Valtteri Bottas, atual terceiro piloto da Williams

Olhe para as doze equipes da Fórmula 1. Quais tem bala na agulha para contratar quem quiser? Resposta difícil. A Ferrari sempre teve e sempre terá. Red Bull e Toro Rosso não estão nem um pouco preocupadas com isso. Pelo que foi oferecido a Lewis Hamilton, os caras da Mercedes também não devem estar com maiores problemas financeiros. A McLaren é a que parece ter um futuro mais incerto, mas nada que assuste ninguém neste instante. A bonança acaba aí. As demais, incluindo a sempre elogiada Lotus, não têm segurança financeira alguma. Algumas não sabem nem se sobreviverão à próxima primavera.

As quatro grandes já têm seus pilotos definidos. A Lotus, que também tem seus traços de grandeza, deverá continuar com Kimi Räikkönen e Romain Grosjean. Dali para baixo, somente os heroicos Timo Glock e Pedro de la Rosa têm contratos garantidos. Mesmo correndo de charrete, ambos continuarão recebendo salários e não precisarão passar o Natal implorando por emprego. E quanto ao resto, dureza. Neste momento, alguns parcos pedaços de carne de segunda estão sendo disputados por dezenas de cachorros.

Aí você olha para um cara como Robin Frijns. O holandês não precisa provar seu talento a mais ninguém: mesmo tendo apenas 21 anos de idade, já ganhou títulos na Fórmula BMW, na Fórmula Renault e agora na World Series by Renault. Para ele, não há muito mais o que fazer fora da Fórmula 1. A GP2 seria uma solução arriscada, que poderia colocar toda sua carreira em xeque com apenas uma temporada ruim. Não tem jeito. Como disse Ben Evans, comentarista da ESPN, “qualquer coisa que não seja uma vaga na Fórmula 1 no ano que vem seria considerada um ultraje”.

A frase é certamente bonita, mas como botar um cara como Robin Frijns numa Fórmula 1 onde pessoas como Nico Hülkenberg, Paul di Resta, Kamui Kobayashi, Bruno Senna, Heikki Kovalainen e Charles Pic conversam aqui e acolá em busca de um emprego? O que fazer quando nomes como Jérôme D’Ambrosio, Jaime Alguersuari, Sébastien Buemi e Adrian Sutil assediam as equipes médias e metem medo nos pilotos que estão em atividade nesta temporada? E o que dizer daqueles brações endinheirados que seduzem os departamentos financeiros de equipes médias e pequenas, como Davide Valsecchi, Max Chilton, Dani Clos, Giedo van der Garde e até o tal do Ma Qing Hua?

O decadente automobilismo europeu chegou a um ponto em que há pilotos em excesso, empregos em falta e as vagas que estão disponíveis também não conseguem encontrar candidatos ricos e competentes o suficiente. Veja, por exemplo, a enorme dificuldade que a GP2 e a GP3 tiveram para preencher seus grids nesta temporada. As equipes menores das duas categorias tiveram de recorrer a assombrações como Giancarlo Serenelli, Ricardo Teixeira, John Wartique e Jakub Klasterka para não morrer à míngua.

Em tempos remotos, Frijns já teria assinado um contrato para ser piloto de testes de alguma equipe grande da Fórmula 1. Não é a solução ideal, mas ainda é muito melhor fazer 10 mil quilômetros em testes solitários em vários circuitos europeus do que passar a maior parte do tempo fingindo estar pilotando em simuladores e esperar um ano inteiro apenas para fazer uns dois ou três dias de testes naquela coisa ridícula que é Yas Marina. Porém, a Fórmula 1 estupidamente acabou com os testes privados e virtualmente acabou com a utilidade do piloto de testes. Na melhor das hipóteses, ele só poderia matar o gostinho de pilotar um Fórmula 1 naquela mirrada horinha e meia da sexta-feira anterior aos GPs. Uma esmola.

Frijns e caterva poderão ficar sem lugar na Fórmula 1 graças a fantasmas como o chinês Ma Qing Hua

Com isso, Robin Frijns entra em uma espécie de limbo na carreira. Dificilmente conseguirá uma vaga de titular na Fórmula 1 e terá de optar entre uma temporada na ingrata GP2 ou um emprego de aspone em uma equipe como a Sauber. Qualquer outra escolha representaria um grande retrocesso para sua meteórica carreira. E ele obviamente não pode ficar parado. As vozes da sensatez dirão para ele seguir os passos de Valtteri Bottas: passar ao menos um ano andando pelo paddock com o fone de ouvido de uma equipe média e rezar para que abra uma vaga de titular em 2014.

A coisa fica até pior para o pessoal que está saindo da GP2. O campeão Valsecchi e o vice Razia não têm qualquer indicação de que arranjarão algo bom na Fórmula 1 em 2013. Quiçá, nem sequer uma vaga de terceiro piloto. E não poderão ficar mais uma temporada na categoria de base. No automobilismo de monopostos europeu, é Fórmula 1 ou casa. O negócio, neste momento, é sentar e rezar. Ou olhar para outros horizontes. Nessa altura, a Indy, a DTM e até mesmo a ALMS se tornam coisas bonitas.

A GP2 está apreensiva com isso. Se Valsecchi e Razia não conseguirem nada, a categoria sofrerá um grande golpe em sua já combalida credibilidade. Afinal, como é que ela se dá ao luxo de cobrar até 2,5 milhões de euros por uma vaga se não consegue sequer colocar seu campeão num carro de Fórmula 1 no ano seguinte? Mas não tem jeito. Se não há muitas vagas e se há gente disponível com muito mais talento do que Davide e Luiz (e certamente há), o que resta é torcer para que as coisas melhores no ano que vem tanto para a Fórmula 1 como para a própria GP2, que teve uma temporada abaixo da crítica em 2012.

Enquanto isso, a própria Fórmula 1 rói as unhas quando vê gente como Max Chilton e Ma Qing Hua ameaçando se juntar a Vettel, Alonso e companhia. O piloto inglês foi um dos destaques desta temporada da GP2, mas todo mundo sabe que ele não é de nada e só andou bem neste ano por correr por uma equipe cuja grande fonte de renda é o bolso do papai. No ano que vem, Max provavelmente subirá para a Fórmula 1 com a equipe Marussia, que já teria vendido um bom punhado de suas ações para a família Chilton. O patriarca Graheme Chilton é um dos diretores da AON, uma das maiores seguradoras do planeta e patrocinadora do Manchester United.

Quanto ao chinês, ele andou pilotando o carro da HRT em treinos livres de alguns GPs desta temporada. Aos 24 anos, Ma Qing Hua tem como grande conquista na carreira o relevantíssimo título no campeonato chinês de carros de turismo de 2011. Antes disso, ele fez corridas na Superleague Formula, na Fórmula 3 espanhola, na Fórmula 3000 italiana, na Fórmula 3 britânica e na Fórmula Renault norte-europeia. Sabe o que Qing Hua conseguiu em todas estas categorias? Dois pódios. Mas e daí? Ele é tão chinês como o atacante do Corinthians ou o celular da Motorola. E o mercado chinês dispensa maiores apresentações.

O caso é que rico ou não, chinês ou panamenho, campeão da GP2 ou do campeonato marciano de carros de turismo, tá todo mundo entalado no gargalo do automobilismo europeu. Para Robin Frijns, por enquanto, ser o campeão da World Series by Renault significa apenas receber ligações de pais desesperados querendo arranjar um bom marido pra filha.

RED BULL10 – Mais humilhante do que o fim de semana coreano, só batendo em aleijado. A equipe rubrotaurina só não conseguiu a ponta no primeiro treino livre, comandado por Lewis Hamilton. A liderança no segundo e no terceiro treino livre, a primeira posição nas três sessões da qualificação, a pole-position, a vitória, o segundo lugar e a volta mais rápida ficaram nas mãos de Sebastian Vettel ou Mark Webber. O RB8 de Adrian Newey achou em Yeongam um habitat ideal: pista cheia de trechos lentos, curvas desgraçadas e uma reta interminável. Deu tudo certo, até mesmo o salto daquele austríaco doidão em Roswell.

FERRARI9 – A Red Bull era a dona do melhor carro, tudo bem. Quem de certa forma surpreendeu foi a Ferrari, que superou a McLaren com folga neste fim de semana. Fernando Alonso e Felipe Massa tinham um carro para, ao menos, angariar uma das garrafas de champanhe do pódio. O espanhol obviamente foi o que se deu melhor, embora às custas de ordem de equipe, que obrigou Massa a ficar atrás de Alonso mesmo tendo um carro melhor. Coisas de Maranello. Mas os dois pilotos andaram muitíssimo bem e pegaram o terceiro e o quarto lugar sem maiores problemas. Tristeza maior para os ferraristas é ver a Red Bull dominando estas últimas corridas.

LOTUS7,5 – Se a Red Bull foi a melhor equipe e a Ferrari foi a segunda melhor, a medalha de bronze vai para a Lotus preta de guerra. Kimi Räikkönen e Romain Grosjean não brilharam nos treinos livres, mas conseguiram boas posições no grid de largada e terminaram bem no domingo. O finlandês pode não ter sido o mais agressivo dos moicanos, mas chegou em quinto e somou mais dez pontos para o portfólio. Grosjean escapou dos perigos, que não foram poucos, e finalizou em sétimo, marcando seis pontos bem úteis. E a primeira vitória da equipe, ninguém fala mais nisso?

FORCE INDIA6,5 – Teve corridas totalmente diferentes com seus dois pilotos. Nico Hülkenberg fez os indianos parecerem a quarta força do fim de semana coreano, mesmo com todos os inúmeros problemas financeiros que assolam o patrão Vijay Mallya. Andou bem no treino oficial e sentou a bota na corrida, com direito a ultrapassagem dupla sobre Lewis Hamilton e Romain Grosjean. Acabou o domingo na sexta posição. Paul di Resta, o escocês, não apareceu em momento algum e teve problemas tanto com os pneus macios como com os supermacios. Terminou mais perto do Quirguistão do que dos pontos. E acabou sendo superado novamente pelo colega na tabela de classificação de pilotos.

TORO ROSSO8,5 – Grande fim de semana. OK, para uma equipe que já chegou a vencer corrida, marcar seis pontos com os dois pilotos não é exatamente o resultado dos sonhos para ninguém. Devemos, contudo, nos lembrar da eterna falta de velocidade do STR7 que Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne são obrigados a dirigir neste ano. Os dois tiveram performances parecidíssimas: largaram no meio do bolo, ganharam posições e terminaram em oitavo e nono, isso tudo com estratégias diferentes. Que a jovem dupla, muito melhor do que a anterior, continue progredindo.

MCLAREN0 – Ah, deu dó da equipe prateada neste fim de semana. Só faltou pegar fogo nos boxes da McLaren nestes dias. Nem posso dizer que o carro estava tão ruim, pois Lewis Hamilton foi o mais veloz do primeiro treino livre. O que acontece é que os astros se alinharam de modo que tudo desse errado tanto para Hamilton como para Button. O sósia de Chris Martin foi mal pacas no treino oficial e sequer passou da primeira volta, pois foi engolido pelo kamizake Kamui Kobayashi. Lewis estava nas primeiras posições no começo, mas os espíritos ruins atacaram seu carro e ele foi perdendo posições até o fim da corrida. Só finalizou em décimo pela sorte da mais pura. De bom, apenas o calor que ele deu em Kimi Räikkönen pouco antes de um de seus pit-stops.

SAUBER2 – É uma equipe acostumada com altos e baixos. De uma semana para a outra, deixou de ser uma das principais forças da categoria para ser apenas mais uma equipe apagada e modorrenta. Kamui Kobayashi fez todo mundo se esquecer do pódio de Suzuka com uma lambança daquelas na primeira volta coreana, tirando da corrida os pobres Jenson Button e Nico Rosberg. Para compensar o mau resultado no treino oficial, Sergio Pérez tentou driblar os outros largando com pneus macios, mas acabou sendo driblado e ultrapassado por muita gente, finalizando fora dos pontos. Ao que parece, o C31 é um carro mais adequado para pistas extremas, pecando um pouco nos traçados intermediários de Hermann Tilke.

MERCEDES1 – A futura equipe de Lewis Hamilton terminou o domingo com as mãos no bolso novamente. Não levou nem um pontinho para casa como recordação. Não há muito o que recordar, para dizer a verdade. O W03 continuou ruim e Nico Rosberg e Michael Schumacher não fizeram muito mais do que colocá-lo na quinta fila do grid de largada. Esta foi a melhor parte do GP coreano, por incrível que pareça. Na prova, Rosberg abandonou logo cedo e Schumacher teve uma atuação apática como poucas, aparecendo mais como um sujeito velho e cansado que não conseguia conter os ataques de moleques com quinze anos a menos de vida. Trágico, trágico.

WILLIAMS3 – Pode ao menos se dar ao luxo de comemorar zero carros quebrados ou batidos, uma proeza para quem tem Pastor Maldonado e Bruno Senna como pilotos. Os dois não bateram, não rodaram, não tiraram os outros da pista, mas também não andaram nada. Largaram lá no meio do pelotão e por lá ficaram. Maldonado, o chavista, ainda tentou algo diferente, uma corrida com apenas um pit-stop. Não funcionou. Já o sobrinho ficou naquela toada conservadora de sempre. Foi o último colocado entre os pilotos das equipes que contam. À equipe, o consolo de todos os carros terem terminados com as quatro rodas.

CATERHAM3 – Tarefa mais difícil é a de dar notas às equipes nanicas, pois elas quase nunca trazer algo de novo para análise. Desta vez, Vitaly Petrov superou Heikki Kovalainen no grid de largada e nos resultados finais da corrida, embora Kova tenha sido o cara dominante da equipe verde durante a prova. Não incomodaram ninguém à sua frente e também não tiveram trabalho com os de trás.

MARUSSIA2,5 – Charles Pic é o único piloto do grid que já estourou o limite de oito motores permitidos por temporada – teve problemas e utilizou o nono em Yeongam, sendo punido com a perda de dez posições no grid, nada que altere muito sua vida. Timo Glock, que havia sido até mais lento do que Pic no treino oficial, teve mais uma daquelas típicas procissões lentas e terminou em 18º, uma posição à frente do companheiro francês.

HRT2 – O carro quebrou com Narain Karthikeyan no treino oficial e com Pedro de la Rosa na corrida – é melhor a pequena equipe ficar de olho no controle de qualidade de sua produção, pois os abandonos estão ocorrendo com uma frequência incômoda. No mais, os dois pilotos continuaram se arrastando nas últimas posições e não apareceram em momento algum. Ufa, acabou este negócio de ficar dando nota pra equipe sem esperança.

TRANSMISSÃOCOELHO DA PÁSCOA – Como mal prestei atenção nas palavras de narrador e comentaristas neste fim de semana, confio no que li por aí. Em 2004, Michael Schumacher obteve no Canadá sua centésima vitória na temporada. Para enaltecer o mérito do heptacampeão, o narrador brasileiro soltou um “ele tem uma plantação de coelhos”. Depois, na maior esportiva, riu e corrigiu a informação, pois coelho não se planta, oras bolas. Neste último fim de semana, de volta ao microfone, o narrador IMPRESSIONANTE nos proporcionou um belo flashback daquele momento único da história das transmissões brasileiras. Durante o treino de classificação, provavelmente baqueado pelo sono, nosso querido amigo disse que Fernando Alonso, ele próprio, tem uma “plantação de coelhos”. A mesma horta de coelhos de Schumacher! Incrível! Impressionante!

CORRIDAMELHOR DE TODAZZZZZZZ – A corrida foi tão boa, mas tão boa, que dormi após vinte voltas. Estava cansado pra caramba, havia tido uma semana infernal e tudo o que eu não queria era um GP chato que me privasse de algumas boas horas na cama. Sebastian Vettel largou na pole-position, liderou todas as voltas e ganhou, sem nenhum tropeço. Mark Webber também não teve problema algum para terminar em segundo e o mesmo vale para Fernando Alonso, terceiro colocado. Lá atrás, podemos destacar a bela briga entre Lewis Hamilton e Kimi Räikkönen, abortada pelo pit-stop do inglês, e a excepcional ultrapassagem feita por Nico Hülkenberg sobre o mesmo Hamilton e Romain Grosjean. São aqueles parcos e preciosos instantes que garantiram que o GP da Coréia não representasse duas horas jogadas no lixo. Ainda bem que esta foi a última prova desta temporada transmitida de madrugada para nós, brasileiros de Buenos Aires. Misturar uma pista proibitiva para ultrapassagens com um piloto dominante e um horário desfavorável só pode resultar em bastantzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.

SEBASTIAN VETTEL9,5 – O dez não veio por estúpidos 74 milésimos de segundo, que representam o que lhe faltou para tomar a pole-position de Mark Webber. No mais, o alemão foi estupendo novamente – infelicidade enorme para mim, fã de Fernando Alonso. Líder nos dois últimos treinos livres, o bicampeão só perdeu a ponta no grid por mero detalhe, já que havia sido o primeiro colocado também nas duas primeiras sessões da qualificação. Na corrida, compensou tudo ultrapassando Webber sem dificuldades na primeira curva e despachando o resto do povo. Sem problema algum, ganhou pela 25ª vez na vida. Verde chora. E reverencia.

MARK WEBBER8 – Atuação de funcionário público no domingo. Não tem o direito de reclamar do carro, pois Adrian Newey é o verdadeiro mestre dos magos dos circuitos tilkeanos. Sem ser brilhante em momento algum, o ponto alto do australiano foi a pole-position conseguida de maneira até meio fortuita no sábado. Apático, deixou Sebastian Vettel fugir na liderança logo na primeira curva. Tentou dar o troco, mas não tinha gás para isso. Depois disso, ficou naquela de deixar um olho para tentar enxergar o companheiro no binóculo e outro olho para espiar no retrovisor se havia algum carro vermelho se aproximando. Terminou em segundo, chorou e também foi obrigado a reverenciar o vencedor.

FERNANDO ALONSO7,5 – Um progresso para quem não havia sequer completado a primeira curva em Suzuka e uma injúria para quem era líder do campeonato até sábado. Longe de ter o melhor carro do fim de semana, Alonso fez o que pôde: não muito. Não andou estritamente mal nos treinos livres, mas quase ficou no Q1 da classificação no sábado. Partindo da quarta posição no grid, Fernando passou Lewis Hamilton na primeira curva e até sonhou em ameaçar a dupla da Red Bull no retão coreano. Sonhos não necessariamente condizem com a realidade e ele teve de se contentar em ficar em terceiro. Na segunda metade da corrida, começou a render bem menos que Felipe Massa e só conseguiu o pódio devido à famigerada ordem de equipe. Está agora seis pontos atrás de Sebastian Vettel no campeonato.

FELIPE MASSA8,5 – Está em ótima fase, o que me deixa bastante feliz. Pela segunda corrida consecutiva, o brasileiro demonstrou um nível de competitividade à altura de um piloto da Ferrari. Continua apanhando um pouco nos treinos, mas pelo menos assegurou um sexto lugar no grid, um avanço em relação a Suzuka. No domingo, foi um dos melhores pilotos na pista. Ultrapassou Kimi Räikkönen logo no começo, largou Sergio Pérez e Lewis Hamilton para trás quando estes não estavam em boa forma e só não tomou o pódio das mãos de Fernando Alonso porque, bem, vocês sabem o porquê. Mas andou bem pra caramba e, como prêmio, assegurou um lugar na Ferrari em 2013. Prêmio? Dadas as circunstâncias, Felipe pode se considerar um sortudo por ter um emprego remunerado na Fórmula 1 no ano que vem.

KIMI RÄIKKÖNEN7 – Aqueles papos de “maior rival de Alonso” e  “a primeira vitória está próxima” já viraram coisa de museu. O finlandês segue fazendo seu trabalho discreto de formiguinha, conseguindo pontos aqui e acolá e se acotovelando nas primeiras posições da tabela de pilotos. Na terra do PSY, Kimi mineiramente fez o quinto tempo no Q3 do treino oficial. Logo no começo da corrida, Felipe Massa o deixou para trás, mas o nórdico não se abateu. Envolveu-se numa excelente briga com Lewis Hamilton, embora só tenha conseguido assumir sua posição após o inglês entrar nos pits. Terminou em quinto – não dava para fazer muito mais que isso, mesmo.

NICO HÜLKENBERG8,5 – Outro bom destaque da corrida. Foi muito mais rápido do que o companheiro Paul di Resta durante todo o tempo, terminou a corrida numa excelente sexta posição, ultrapassou Di Resta no campeonato de pilotos e ainda foi para casa sorrindo por ter feito uma das melhores ultrapassagens do ano. Competente no treino oficial, conseguiu um bom lugar na quarta fila do grid. Passou Romain Grosjean na largada e só foi superado pelo franco-suíço após a segunda rodada de pit-stops. Sem esmorecer, aproveitou-se do duelo homicida entre Grosjean e Lewis Hamilton e ganhou as posições dos dois num único movimento, coisa legal de se ver. Mesmo não sendo o perfil mais emocionante do grid, certamente merece um lugar numa equipe melhor. Mas não no lugar do Kobayashi, por favor.

ROMAIN GROSJEAN6,5 – Esteve irreconhecível na Coréia: ficou atrás de Kimi Räikkönen no treino oficial e não se envolveu em estultice alguma na corrida. Muito estranho. Não brilhou nos treinamentos e ficou apenas em sétimo no grid, sempre prometendo a todos que seria um bom garoto nas primeiras curvas. Bem que o destino tentou complicar sua vida novamente, com algumas confusões acontecendo perto dele na primeira curva, duelos com os igualmente perigosos Pastor Maldonado e Lewis Hamilton e até um quase-acidente com Nico Hülkenberg nos pits. Felizmente para ele, nada conseguiu barrá-lo e a recompensa foi o sétimo lugar.

JEAN-ÉRIC VERGNE8 – Sua melhor corrida no ano até agora. Não se enganem: foi boa, mesmo. Os treinos livres indicavam que a vida de JEV seria a mesma lamúria dos demais fins de semana, mas tudo mudou da água para o vinho no sábado. No Q1, sabe-se lá como, ficou em sexto. No Q2, garantiu um razoável 16º lugar no grid. O domingo é que foi realmente bacana. O francês fez ultrapassagens em gente como Bruno Senna e Lewis Hamilton e ainda deixou o companheiro Daniel Ricciardo para trás, provando que é ele o cara para liderar a Toro Rosso nos dias de carro bom. Nesse momento, está três pontos a frente do australiano.

DANIEL RICCIARDO7,5 – Esteve tão bem quanto Jean-Éric Vergne, mas terminou atrás dele novamente. Tristeza para ele, que sempre fica atrás do francês no dia em que o carro colabora. No mais, o desempenho dos dois foi bastante semelhante durante todo o fim de semana. No Q2 da qualificação, Ricciardo até conseguiu superar Vergne, mas precisou trocar o câmbio e teve de largar em 21º. Sem grandes apuros, recuperou boas posições durante a corrida e esteve à frente do companheiro até as últimas voltas, quando foi superado por ter pneus mais lentos. Mesmo assim, não pode reclamar do nono lugar.

LEWIS HAMILTON1 – Quem imaginaria, após o primeiro lugar no primeiro treino livre, que Lewis Hamilton teria seu fim de semana mais difícil na temporada? Pois é, mas tudo começou a ficar bastante ruim a partir do sábado, quando ele não sobrou no Q1 da classificação por muito pouco. No Q3, conseguiu o terceiro lugar no grid e esboçou um sorriso, mas o domingo foi um desastre de proporções épicas. O inglês não largou bem e foi superado por Fernando Alonso logo de cara. Seu ritmo não esteve tão ruim até a volta 20, quando Felipe Massa surgiu das trevas e o superou. Depois disso, o carro da McLaren piorou demais e Hamilton só foi perdendo posições. No fim da corrida, após ter feito uma terceira parada meio que no desespero, ainda passeou fora da pista e levou junto um pedaço de grama sintética no sidepod. Marcou um ponto, mas praticamente deu adeus à disputa pelo título.

SERGIO PÉREZ2 – O dia estava tão ruim para a McLaren que nem mesmo ele, contratado de Woking para 2013, conseguiu andar bem. O carro da Sauber não parecia tão competitivo para esta pista, mas o mexicano ainda conseguiu superar Kamui Kobayashi na qualificação. Sendo um dos poucos a largar com pneus macios, Checo esperava fazer o de sempre: surpreender a todos, ganhar dezenas de posições e terminar com o sorrisão latino no pódio. Não deu. Ele chegou a estar lá na frente, mas começou a perder desempenho rapidamente e a tal estratégia maluca não funcionou desta vez. No fim da corrida, ainda tinha um carro bom e conseguiu ultrapassar Paul di Resta e Michael Schumacher, mas lhe faltou apenas um teco para roubar o ponto de Lewis Hamilton.

PAUL DI RESTA2,5 – Fim de semana ruim. Mesmo tendo um treino livre a mais à disposição, não conseguiu superar Nico Hülkenberg em momento algum. Não passou para o Q3 da classificação e culpou o tráfego pelo infortúnio. Apostou em pneus macios para o primeiro stint e foi penalizado pela decisão, perdendo desempenho logo no começo. Com os supermacios, também não melhorou muito. Poderia até ter feito um pontinho, já que Lewis Hamilton estava muito lento, mas a ultrapassagem de Sergio Pérez na volta 53 acabou com qualquer possibilidade.

MICHAEL SCHUMACHER1,5 – Pois é, a carreira do heptacampeão está chegando ao fim e de maneira melancólica. Na Coréia, Michael Schumacher teve um desempenho simplesmente indigno de alguém que frequentemente é comparado a nomes como Ayrton Senna e Juan Manuel Fangio. A culpa nem foi tanto dele, pois o carro da Mercedes está fraquinho, tadinho. Mas o alemão, que nem foi tão horrivelmente mal assim nos treinos, apanhou de vara da molecada durante a corrida. Discreto, ele ainda tinha alguma chance de marcar um pontinho, mas foi ultrapassado por três na segunda parte da corrida e terminou lá atrás.

PASTOR MALDONADO2 – Um pit-stop só? Péssima ideia, cara. Já faz algum tempo que Pastor Maldonado não apronta alguma. Deve ter levado uma bela dura dos capos da Williams. Na Coréia, ele nunca teve um carro bom e também não quis levar o que tinha na mão ao limite. Largou apenas em 15º e decidiu dar uma de Sergio Pérez, apostando em apenas uma parada nos boxes. A estratégia não funcionou e Maldonado ficou se arrastando com o carro durante várias voltas. Mesmo assim, ainda foi o melhor piloto da Williams no fim de semana.

BRUNO SENNA1 – E ele, com estratégia normalzinha e tudo, ainda conseguiu terminar atrás do companheiro Pastor Maldonado. O brasileiro teve mais um fim de semana medonho, mas dessa vez não bateu em nada ou ninguém, nem mesmo na largada. Foi mal nos treinos e não passou sequer pelo Q1 na qualificação. Na largada, partiu bem e chegou a ganhar algumas posições, mas não conseguiu segurá-las durante muito tempo. Foi o pior das equipes normais.

VITALY PETROV4 – Bom grande prêmio, um dos raros em que ele conseguiu superar Heikki Kovalainen tanto no grid de largada como na chegada. Mesmo sem ter feito um dos treinos livres (Giedo van der Garde entrou em seu lugar), o russo foi o melhor das equipes pequenas no treino oficial. Na corrida, Kovalainen chegou a ficar à sua frente na maioria das voltas, mas Vitaly recuperou a posição no finalzinho. Interessante atuação para quem corre sério risco de ficar de fora da Fórmula 1 no ano que vem.

HEIKKI KOVALAINEN3 – Teve um único rival neste fim de semana, o companheiro Vitaly Petrov, e perdeu. Andou na mesma tocada de sempre e não teve grandes dificuldades ou emoções no fim de semana coreano. Passou a maior parte da corrida na frente de Petrov, embora não tenha conseguido desafiar ninguém à sua frente. Nas últimas voltas, perdeu a posição para o russo e ficou em 17º.

TIMO GLOCK2,5 – Segundo o próprio, teve um fim de semana difícil. O carro da Marussia não avançou muito e o alemão não conseguiu desafiar os caras da Caterham. Ainda fez um tempo pior do que o de Charles Pic na qualificação, mas largou mais à frente porque o francês foi punido com a perda de posições no grid. Numa corrida apenas normal, não dava para esperar muito. Ficou em 18º.

CHARLES PIC3 – Nos quatro treinos em que tomou parte, inclusive o oficial, ficou em 21º. Teria largado à frente do companheiro Timo Glock se não tivesse tido de trocar o motor Cosworth, o que lhe rendeu a perda de dez posições no grid – ele teria de largar lá na Coréia do Norte, portanto. Na corrida, sem grandes ambições, deixou o indiano Narain Karthikeyan para trás e finalizou atrás de Glock. Nada de novo no front.

NARAIN KARTHIKEYAN3 – É sempre melhor ter um problema no treino oficial do que na corrida, não acha? O indiano não conseguiu fazer muita quilometragem na sexta-feira, pois teve de ceder o carro a Dani Clos. No sábado, seu carro quebrou logo no comecinho da qualificação e ele não completou nenhuma voltinha, mas ainda lhe permitiram a participação na corrida. Chegou a ganhar algumas posições na largada, mas retornou ao seu lugar de direito, o último, pouco tempo depois. Pelo menos, viu a bandeira quadriculada.

PEDRO DE LA ROSA2 – Primeira corrida sua em Yeongam. Fez o máximo de quilometragem possível na sexta-feira e se qualificou em 22º no sábado graças aos infortúnios de Narain Karthikeyan e Charles Pic. Logo na quinta volta da corrida, começou a ter problemas com o acelerador. O carro, que já não é aquela delícia de se dirigir, começou a se comportar de maneira cada vez pior e a equipe achou melhor retirá-lo da corrida. Nada que mude a cotação do milho, porém.

KAMUI KOBAYASHI0,5 – O herói de Suzuka não demorou mais do que uma semana para virar o vilão coreano, o que faz todo o sentido em se tratando do eterno conflito entre japas e coreanos. O carro da Sauber não colaborou em momento algum, assim como o próprio Kamui. No treino oficial, diz ter perdido meio segundo por ter pegado bandeiras amarelas. Com isso, largou no meio do bolo. Na corrida, não demorou mais do que uma volta para atropelar alguém, o McLaren de seu freguês Jenson Button. Koba conseguiu permanecer na corrida, mas ficou tão para trás e com o carro tão torto que preferiu se retirar voluntariamente na volta 16.

NICO ROSBERG1 – Tá numa maré de azar danada. Pelo segundo fim de semana consecutivo, não conseguiu andar mais do que alguns metros. A Mercedes não consegue preparar um bólido legal e a loira alemã não está contando com a sorte. Seus resultados nos treinos não foram tão deprimentes, mas abandonar por causa da barbeiragem de outrem novamente é de sair por aí matando todo mundo com um AK47. Dessa vez, quem bateu em seu carro foi o desesperado Kamui Kobayashi. Rosberg tentou seguir em frente, mas abandonou na segunda volta e foi pra casa tomar sorvete de framboesa e chorar para as amigas.

JENSON BUTTON0,5 – Outro que foi esquecido pela sorte em Yeongam. Como sempre, o algoz foi Kamui Kobayashi, o mesmo que o impediu de subir ao pódio em Suzuka. Jenson não foi brilhante nos treinos livres, mas também não contava com a não-classificação para o Q3 do treino oficial. Na largada, enquanto planejava uma prova de recuperação, foi atropelado sem dó nem piedade por Kobayashi. Com a suspensão destruída, teve de abandonar a corrida no ato.

Sim, existem pilotos coreanos

GP DA CORÉIA: Uma corrida estranha localizada num país esquisitíssimo. A Coréia do Sul pode não ter um ditador maluco com cara de bunda, mas compensa com a gastronomia local à base de matéria-prima canina, uma marca de carros pra lá de antipática e um gordinho que dança de maneira bizarra. O GP de Fórmula 1 foi anunciado com toda a pompa possível, pois faria parte de um complexo urbanístico que contaria com prédios suntuosos, avenidas largas e discos voadores. Pois bem, os prédios não foram construídos, as avenidas largas o Maluf não fez e o disco voador foi pra casa. Restou um autódromo, meio abandonado, coitado. Por questão contratual, ele só pode funcionar uma vez por ano, no fim de semana da categoria. Ou seja, entre o GP de 2011 e o deste ano, absolutamente nada aconteceu em Yeongam, circuito que nem é tão ruim assim. Mesmo que as latinhas de cerveja e as embalagens de cachorro-quente do ano passado não tenham sido recolhidas, não posso reclamar da pista, que é bem técnica e faz da vida do piloto um inferno, especialmente nas curvas finais. Não tem velocidade e nem paisagem, mas desde quando isso é necessário para a Fórmula 1? Espero que a edição deste ano seja boa. A de 2010, com todos os seus atrasos por causa da chuva, foi revoltante. A do ano passado, vencida por Sebastian Vettel em pista seca, foi mais ou menos, tanto que não me lembro de nada de extraordinário. Vettel também quase venceu em 2010 e virá com tudo para ganhar a corrida do próximo domingo. Tenho certeza que ele encontrará no pódio a rolha do seu Moët & Chandon de doze meses atrás.

MONISHA: Mulher no volante, perigo constante, dizia o bom garoto Ayrton Senna. Mesmo que minha namorada dirija bem melhor do que eu, concordo plenamente porque sou babaca e prepotente. A Fórmula 1, ambiente dos mais misóginos que existe, nunca tinha tido uma mulher com papel de relevância em seus sessenta anos de história. As poucas pilotas que apareceram sempre foram vistas com ceticismo e não foram poucos os que relacionaram o acidente de María de Villota (que está muito bem, graças a Deus) com seu alto índice de progesterona. Por isso, a notícia da efetivação de Monisha Kaltenborn no cargo máximo de chefe da equipe Sauber não deixou de ser bem interessante. O velho Peter Sauber, que mexe com automobilismo há boas décadas, anunciou que está pulando fora da direção-geral de sua equipe e que confiará no talento gerencial de Monisha, advogada de 41 anos que nasceu na Índia, se formou na Áustria, arranjou o sobrenome chique com o marido e descolou um trampo na Sauber em 2000. Obteve respeito, foi subindo de cargo aos poucos e até ganhou de presente de Herr Peter um terço das ações da equipe há algum tempo. Agora, a balzaquiana herdará todo o império carregando a responsabilidade de ser a primeira mulher mandachuva na história da Fórmula 1. Poucos se lembram de Cecilia Ekstrom, uma sueca que tentou sem sucesso abrir uma equipe em 1986, mas a memória não dá espaço para os que ficam no “quase”. Que nossa querida indiana faça um bom trabalho dirigindo a equipe. Espera aí, eu falei dirigindo?

KOBAYASHI: Quem não ficou feliz com o pódio de Kamui Kobayashi da Silva? O japonês, cuja história de filho de sushiman que queria desafiar Fernando Alonso, Sebastian Vettel e Lewis Hamilton no Olimpo da velocidade emocionou muitos de coração mole, conseguiu seu melhor resultado na Fórmula 1 no último fim de semana. Diante de mais de cem mil fãs, Kamui largou em terceiro e finalizou na mesma posição após conter os ataques brutais de Jenson Button, seu freguês desde 2009. Não gostaria de saber que algum de meus valorosos leitores não ficou feliz pelo excelente resultado do nipônico. Foda é saber que mesmo sendo produto de um dos países mais ricos do planeta, Kobayashi não tem garantia nenhuma de que permanecerá na Fórmula 1 na próxima temporada por não ter dinheiro. A própria Monisha Kaltenborn afirmou que não será apenas o pódio em Suzuka que fará o cara continuar na Sauber em 2013. É verdade. Tem um milhão de pilotos loucos para ocupar os carros suíços, alguns deles com os bolsos recheados com moeda sonante. Kamui não leva dinheiro algum, recebe salário e ainda está atrás do pagante Sergio Pérez no campeonato. Não representa o melhor dos negócios, portanto. Uma pena. A Fórmula 1, que sempre foi um negócio e dos bons, está virando um verdadeiro leilão, onde quem não tem milhões de dólares na conta-corrente não arranja vaga nem mesmo em estacionamento. Bem possível que ele perca seu assento para um Fabio Leimer da vida, o que seria lamentável. E onde estão as empresas japonesas? Paguei uma fortuna pelo PlayStation 3 no final do ano passado. E aí, Sony, que tal ajudar o filho do sushiman?

GROSJEAN: Aí o Bernie Ecclestone, que entende muito de visão, declarou ao jornal The Times que seria bom “tirar Romain Grosjean de outro GP e mandá-lo fazer alguns exames para nos certificarmos de que está tudo bem com sua visão periférica”. Foi a gota d’água. Grosjean, que já havia sido banido da corrida de Monza por causa do pandemônio causado por ele no GP da Bélgica, voltou a cagar na primeira curva de uma corrida e acabou com as chances de Mark Webber na etapa japonesa. O australiano, sempre sincero, afirmou após a corrida que “Grosjean precisava de novas férias”, sugerindo nova suspensão ao franco-suíço. Tá todo mundo puto da vida com ele. A própria Lotus já está cansada de tanto prejuízo, de tanto bico quebrado, de tanta gente das outras equipes ligando para reclamar. “Ele precisa encontrar o equilíbrio. E só ele pode fazer isso, ninguém mais”, afirmou o chefe Eric Boullier. O oportunista Jackie Stewart, que já tinha oferecido seus serviços de aconselhamento, shiatsu e massagem tântrica a Grosjean, refez a proposta. “Eu adoraria ajudar o Romain, porque ele tem um ótimo potencial”, disse o tricampeão. É muita gente falando, dando pitaco, se intrometendo. Mas isto é a Fórmula 1 e Romain Grosjean deverá se habituar a ler e ouvir coisas que não gosta. Para ele evitar tanta crítica e desaforo, que tal completar uma primeira volta sem estragar a corrida alheia? Se conseguir se comportar em dois fins de semana seguidos, ninguém mais balbuciará em seu nome com os punhos cerrados. Veja, ninguém mais fala no outrora maníaco Pastor Maldonado. Nem todos têm boa memória e visão periférica.

GANGNAM: Era uma vez um coreano gordinho e com cara de biscoito Trakinas que criou uma música ininteligível e uma dancinha pra lá de esquisita, inspirada nos movimentos de um cavaleiro. Esta música nunca deveria ter saído das fronteiras da península coreana, mas saiu. Os ocidentais a descobriram. Resultado: 432 milhões de visualizações em apenas três meses. Psy e seu “Gangnam Style” viraram um destes fenômenos bobos típicos da internet contemporânea. Pelo que entendi, a música meio que ridiculariza os caras que moram em Gangnam, uma espécie de Itaim Bibi de Seul, um bairro infestado de coxinhas idiotas. Se for isso, não deixa de ser engraçado que os mesmos coxinhas idiotas estejam ouvindo esta música à exaustão. Um ambiente cheio de coxinhas idiotas, como todos sabemos, é a Fórmula 1. Nestes dias anteriores ao GP da Coréia, vários pilotos e integrantes de equipes apareceram fazendo a dancinha cavalar. Os dois da Williams, Bruno Senna e Pastor Maldonado, tentaram alguns movimentos ao lado de algumas moças que trabalham na equipe. Outros que também apareceram dançando foram os alemães Nico Rosberg e Nico Hülkenberg. Alemão é desajeitado pra caralho nessas coisas, mas beleza, tudo é permitido em nome da arte. Deve ter tido mais gente fazendo gracinha, mas não corri atrás para ver. E para quem nunca ouviu falar do refrão “Oppa Gangnam Style!”, confira aqui.

RED BULL9,5 – Não levou o dez apenas pelo seu segundo piloto ter sido azarado na primeira curva – e só. O RB8 foi o melhor carro do fim de semana com sobras: liderou dois dos três treinos livres, pegou a primeira fila, venceu e ainda conseguiu a volta mais rápida. Sebastian Vettel fez o que quis durante todo o tempo e nunca foi ameaçado. Era para Mark Webber ter se unido ao alemão na festança do pódio, mas o australiano acabou sendo atingido por Romain Grosjean na primeira curva e caiu para as últimas posições. Mesmo assim, terminou em nono. Se a equipe continuar nesta balada, engole os dois títulos sem grandes problemas.

FERRARI7,5 – Felipe Massa provou que a equipe italiana tinha boas chances de ter conseguido um pódio com Fernando Alonso. Mas quem acabou bebendo champanhe foi o brasileiro, que fez sua melhor corrida desde há muito tempo, subiu para quarto na primeira volta, ganhou a segunda posição de Kamui Kobayashi nos pits e terminou atrás apenas de Sebastian Vettel. Quanto a Alonso, este até poderia ter feito algo de bom, mas não foi bem no treino oficial e ainda acabou batendo em Kimi Räikkönen na primeira volta, abandonando a corrida. As atualizações que os ferraristas trouxeram não fizeram lá tanta diferença, mas o asturiano também não ajudou muito.

SAUBER9 – Com um carro muito bom e dois doidões no volante, como não ser uma das atrações do fim de semana? Em sua melhor temporada como equipe independente, a Sauber voltou a obter mais um pódio, desta vez com Kamui Kobayashi. Em casa, o caricatural piloto mandou ver desde o treino qualificatório, quando conseguiu o terceiro lugar no grid. No domingo, andou em segundo na primeira parte da prova e segurou bem os ataques de Jenson Button no final. Sergio Pérez poderia ter obtido um resultado tão bom quanto, pois havia largado em quinto e estava muito rápido no começo da corrida. Jogou tudo fora quando errou bisonhamente no Hairpin, abandonando a prova. Dá para entender o porquê da equipe ser a mais badalada desta silly season?

MCLAREN6,5 – Em alguns quesitos, poderia ter peitado tranquilamente a Red Bull. Em outros, esteve mal pacas. Com Jenson Button, a equipe chegou a liderar o primeiro treino livre, o único momento em que os rubrotaurinos não estiveram na ponta. O treino classificatório foi infeliz, pois Button tinha de pagar a punição de troca de câmbio e acabou largando apenas em oitavo. Lewis Hamilton foi pior ainda e ficou apenas em nono, sem conseguir acertar o carro. Durante a prova, os dois pilotos tiveram altos e baixos, mas acabaram obtendo bons pontos. Button teve problemas no câmbio e Lewis teve um relacionamento difícil com seus pneus na primeira parte da prova. Os mecânicos trabalharam muitíssimo bem.

LOTUS5,5 – Absolutamente nada de novo. Muitas promessas, expectativas frustradas, Romain Grosjean superando Kimi Räikkönen no treino oficial, Grosjean fazendo merda no começo da corrida, Räikkönen mineiramente marcando pontos, enfim, o de sempre. O carro não andou nada nos treinos livres, mas deu uma boa melhorada no treino oficial. Na prova, com o franco-suíço se matando na primeira curva, sobrou para o ébrio finlandês fazer alguma coisa. Bem que Fernando Alonso, Lewis Hamilton e Sergio Pérez tentaram tirá-lo da disputa, mas o sempre persistente Räikkönen foi em frente apenas com o objetivo de beber champanhe geladinha no pódio. Não deu, mas beleza.

FORCE INDIA4,5 – Como se já não bastasse a crônica falta de dinheiro do patrão Vijay Mallya, que nem paga seus funcionários em dia, os dois pilotos ainda deram suas contribuições para aumentar o rombo indiano. Paul di Resta e Nico Hülkenberg bateram seus respectivos carros nos treinos livres e deram muita dor de cabeça para os mecânicos, que não puderam ir para o puteiro no sábado à noite porque tiveram de consertar as cacas. Os dois largaram do meio do pelotão, mas Hülkenberg se recuperou bem na corrida e terminou em uma interessante sétima posição. Di Resta não fez nada. E meus parabéns aos mecânicos, que conseguiram fazer pit-stops dos dois pilotos na mesma volta 16 sem tropeçar.

WILLIAMS4 – Não tem o mesmo carro veloz de outrora, mas não pode reclamar do oitavo lugar conseguido por Pastor Maldonado, seus primeiros pontos desde o GP da Espanha de 1745. Os dois pilotos tiveram dificuldades nos treinamentos, mas não bateram em nenhum deles, um milagre em Grove. Mesmo assim, Maldonado não passou para o Q2 e Bruno Senna ficou ainda mais atrás, atrapalhado por Jean-Éric Vergne que foi. Na corrida, Senna acabou com as esperanças de um fim de semana 100% limpo da Williams acertando Nico Rosberg na primeira curva. Caiu lá para trás e ficou longe dos pontos. Em compensação, o venezuelano chegou ao final e ainda em oitavo. Estava precisando muito deste resultado.

TORO ROSSO3,5 – Marcou um ponto, sim, mas muito mais graças ao seu piloto e às circunstâncias externas do que pela competência da equipe e do carro. Daniel Ricciardo voltou a ser o melhor piloto da equipe tanto nos treinos como na corrida. Os bons duelos com Jenson Button, Kamui Kobayashi e Michael Schumacher provaram que o australiano não foge da briga. Ponto suado e merecido. Jean-Éric Vergne só apareceu quando atrapalhou Bruno Senna no treino classificatório. Largou lá atrás e lá atrás permaneceu até o fim. O carro, que parecia estar melhorando, estagnou.

MERCEDES0 – Se bobear, até devem ter servido sushi podre na hora do almoço. Tudo deu errado. Tudo. Na sexta-feira, Michael Schumacher destruiu um carro e Nico Rosberg teve problemas no carro. No dia seguinte, nenhum dos dois andou bem no treino oficial e o alemão mais velho ainda perdeu mais dez posições no grid por conta de uma punição referente à Cingapura. No domingo, Rosberg abandonou na primeira volta e Schumacher ficou fora da zona de pontuação. Esta é a equipe que Lewis Hamilton escolheu, em detrimento da McLaren. Se deu mal.

CATERHAM3 – Analisar as equipes pequenas sempre é mais difícil, ainda mais uma que não deslancha e nem incomoda como a Caterham. Heikki Kovalainen voltou a ser o agente dominante aqui, chegando a andar em 11º no início da corrida. Terminou lá atrás, mas foi novamente o melhor dos humildes. Vitaly Petrov teve um fim de semana horrível, com direito a asa quebrada e HRT largando à frente. Pelo menos, sobreviveu a tudo e chegou ao fim. Não deixa de ser preocupante, aliás, o quanto a Marussia se aproximou.

MARUSSIA4 – Destaque especial para a equipe de mecânicos, que conseguiu fazer um dos pit-stops mais rápidos da corrida, com Timo Glock na volta 21. O alemão andou razoavelmente bem novamente, brigou com as Caterham, não teve dificuldades com o companheiro Charles Pic e finalizou em 16º. O companheiro Charles Pic não esteve tão bem como em fins de semana anteriores, mas também participou da corrida com alguma dignidade e só não terminou por causa de problemas no motor. Se continuar desta forma, a equipe terá tudo para se manter à frente da Caterham no final do campeonato.

HRT3 – Mais um fim de semana sem grandes coisas para contar. Trouxe um assoalho novo para esta etapa, mas Narain Karthikeyan fez o favor de danificá-lo numa rodada durante um treino livre. Tanto ele como Pedro de la Rosa fizeram mais ou menos o de sempre, mas o espanhol conseguiu superar a Marussia de Charles Pic e a Caterham de Vitaly Petrov, um feito e tanto. Na corrida, só De la Rosa conseguiu terminar. Acho legal que a HRT esteja fazendo um trabalho sério, tentando melhorar seu carro de qualquer forma. A balbúrdia de 2010 já virou passado.

TRANSMISSÃOIMPRESSIONADA – Quando liguei a televisão para ver o treino oficial e ouvi a voz do Sr. IMPRESSIONANTE, fiquei logo irritado. Não consigo gostar dele, já falei isso um milhão de vezes e não me importo em falar pela milionésima primeira vez. A voz de bobalhão, o sorriso de “Mr. Nice Guy”, a empolgação barata, sei lá. O outro narrador, com toda a sua arrogância e seu diletantismo, é muito mais divertido e imprevisível. Não há muito o que comentar, até porque deixei baixo o volume da TV para não acordar ninguém e pouco pude ouvir. Vi que a animação pelo resultado de Felipe Massa foi bem maior do que por Kamui Kobayashi, um tremendo sacrilégio. Além do mais, a transmissão brasileira não se furtou em cortar a cena do piloto japonês descendo do carro duas vezes. Isso aí: nem conseguimos ver se Kobayashi chorou, deu cambalhota, mandou beijinho e gritou “vocês vão ter que me engolir” para a câmera. Não vimos nada. Impressionante, né?

CORRIDAUMA BOA MADRUGADA – Uma corrida de madrugada só vale a pena se for muito boa. Esta foi excepcional. É evidente que o principal motivo para isso foi o pódio com Felipe Massa e Kamui Kobayashi. Com estes dois personagens, ninguém prestou atenção no vencedor Sebastian Vettel. O terceiro lugar de Kamui animou toda a japonesada nas arquibancadas, que gritava KAMUI, KAMUI enquanto o piloto ficava perdidão no pódio. A prova em si não foi a mais espetacular de todos os tempos, mas já representou um grande avanço em relação às edições anteriores do GP do Japão. Vettel à parte, o circo pegou fogo na pista. Teve engarrafamento na largada, com Fernando Alonso saindo da prova e deixando milhões de fãs de Vettel mais felizes. Teve um monte de disputas no meio do pelotão. Teve piloto errando feio, como Sergio Pérez. Teve Kimi Räikkönen batendo rodas com a galera na primeira curva. Teve Kobayashi segurando Jenson Button nas últimas voltas. Teve Pastor Maldonado e Daniel Ricciardo pontuando. Teve até Marussia fazendo pit-stop rápido. Como achar ruim? Suzuka, nós te amamos.

SEBASTIAN VETTEL10 – Alemãozinho filho da mãe, estraga-prazeres. Num pódio onde havia um brasileiro que não subia lá fazia quase dois anos e um japonês deslumbrado sendo aplaudido pelos seus torcedores nas arquibancadas, Sebastian Vettel era a figura menos importante da festa. Injusto, até certo ponto. O bicampeão está em grande fase e fez mais uma ótima corrida, vencendo pela terceira vez no ano. Mas foi uma daquelas vitórias com V maiúsculo: liderança no terceiro treino livre, no Q2 e no Q3 da classificação, pole-position, liderança de ponta a ponta na corrida e volta mais rápida. Um Grand Chelem com direito a cereja no topo. Um assombro. O alemãozinho simpático e de sorriso estranho está de volta na contenda pelo título.

FELIPE MASSA9,5 – Como é bom dar uma nota alta a Felipe Massa. Pela primeira vez desde o polêmico GP da Alemanha de 2010, o brasileiro fez uma corrida digna de quem merecia vencer. Não venceu, mas tudo bem. Foi mal pra caramba nos treinos, não conseguiu sequer entrar no Q3 da classificação, mas compensou seus pecados no domingo. Teve enorme sorte ao sobreviver aos acidentes da primeira curva e ainda foi esperto o suficiente para ganhar seis posições na primeira volta. Antes de seu primeiro pit-stop, acelerou fundo e ganhou tempo o suficiente para tomar a segunda posição de Kamui Kobayashi. Depois, manteve um ritmo bom o suficiente para terminar numa excepcional segunda posição. Só não leva dez porque chutou o champanhe no pódio. OK, brincadeira.

KAMUI KOBAYASHI10 – É uma nota emocional, sim. A corrida não foi tão brilhante assim, para dizer a verdade. E o próprio Kamui Kobayashi não é o grande piloto que gostaríamos – seu companheiro mexicano é bem melhor, reconhecemos. Mas não há como não torcer por ele, sujeito engraçado e da mais alta simpatia. Correndo em casa, com a gritaria de seus compatriotas nas arquibancadas, o japa encarnou o demônio no cockpit. Brilhou especialmente no treino qualificatório, onde conseguiu um lugar valiosíssimo na segunda fila. Na largada, ultrapassou Mark Webber e se livrou das confusões que aconteceram logo atrás. Perdeu o segundo lugar para Felipe Massa após seu primeiro pit-stop e foi muito pressionado por Jenson Button nas últimas voltas, deixando todo mundo de cabelo em pé. Mas como bom guerreiro que é, aguentou legal a pressão e garantiu o pódio, o primeiro na carreira. Kamui! Kamui!

JENSON BUTTON8,5 – Justiça seja feita: ele mandou muito bem. Líder no primeiro treino livre, Mr. Michibata não tinha muito o que fazer contra uma Red Bull imperial em Suzuka. Na qualificação, ainda conseguiu um terceiro tempo muito bom, mas a troca de câmbio o relegou à oitava posição. Sobreviveu à tumultuada largada e ainda subiu para sua terceira posição de direito. Fez seu primeiro pit-stop com certa antecedência e pagou o preço da decisão ficando atrás de Daniel Ricciardo durante um tempão. No final da corrida, mesmo com problemas de câmbio, tentou tomar o pódio de Kamui Kobayashi de todo jeito e não conseguiu, finalizando numa ainda boa quarta posição. Na certa, deve ter sido impedido pela patroa, que é meio argentina e meio japa.

LEWIS HAMILTON6 – Em seu primeiro GP após ter sido contratado pela Mercedes para 2013, o rapper teve um fim de semana apenas discreto na pista, algo até positivo em se tratando dele. Não foi mal nos dois primeiros treinos livres, mas se complicou com o acerto do MP4-27 na qualificação e ficou apenas com o nono lugar do grid. Na corrida, destacou-se mais na primeira parte, quando teve alguns pegas legais com Sergio Pérez. Foi derrotado na pista, mas ganhou a posição do mexicano no pit-stop. Dali para frente, apenas levou o carro até o fim, terminando em quinto. O chilique dado por causa do Twitter foi das coisas mais ridículas que eu já vi na Fórmula 1.

KIMI RÄIKKÖNEN6 – É um mistério da natureza. Passou sufoco durante todo o tempo, mas ainda conseguiu terminar em sexto e se manteve vivo da Silva na disputa pelo título. Andou mal em todos os treinos livres, rodou sozinho no Q3 da classificação e perdeu novamente para Romain Grosjean na disputa direta em posições no grid de largada. Falando em largada, o pobre Kimi foi tocado por Fernando Alonso na primeira curva e deu sorte de não ter perdido o bico. Na relargada, quase bateu rodas com Sergio Pérez na mesmíssima primeira curva e sobreviveu. Mais adiante, teve problemas novamente na primeira curva, desta vez com Lewis Hamilton. Também saiu incólume. Fez sua corrida digna e terminou em sexto. Não se mete em confusões nem quando quer.

NICO HÜLKENBERG7 – Teve um fim de semana pouco chamativo, mas muito produtivo. OK, obviamente não estou me referindo ao belo acidente sofrido no terceiro treino livre. O alemão da Force India derrotou novamente seu companheiro Paul di Resta, a começar pelo razoável décimo lugar no grid de largada, que virou 15º por causa de uma troca de câmbio. Beneficiou-se do acidente da primeira volta, subindo para uma boa oitava posição. Manteve um ritmo forte durante todo o tempo e acabou premiado com o sétimo lugar na corrida.

PASTOR MALDONADO6,5 – Olha só quem apareceu! Depois de duzentos anos, voltou a marcar pontos na Fórmula 1. E talvez justamente no seu fim de semana mais discreto na temporada. Teve dificuldades nos treinamentos e não conseguiu passar para o Q3 da qualificação, mas pode até ter se dado bem com isso, pois não se envolveu nas melecas que aconteceram à sua frente. Subiu para nono logo de cara e ainda ganhou uma posição a mais com o abandono de Sergio Pérez. Numa boa, manteve-se em oitavo até o fim. Se continuar assim, ganhará o respeito que merece.

MARK WEBBER6 – Deu um azar tremendo, pois estava na corrida para peitar Sebastian Vettel. Foi muito bem nos treinos livres e chegou a liderar o segundo deles. No grid de largada, ficou apenas dois décimos atrás de Vettel. Tudo desmoronou na primeira curva, quando o australiano, que já havia sido ultrapassado por Kamui Kobayashi, foi abalroado por Romain Grosjean e acabou tendo de ir aos boxes para reparar o carro danificado. Voltou à pista e ainda fez uma boa corrida de recuperação, mas terminou numa brochante nona posição. Tem motivos bons para mandar matar Grosjean.

DANIEL RICCIARDO7 – Teria sido esta sua melhor corrida na carreira até aqui? Não duvidaria disso. O australiano não fez nada de mais com seu carro merda nos treinos oficiais, mas se sobressaiu na corrida. Ganhou boas posições com os acidentes da largada e subiu para décimo na primeira volta. Na primeira rodada de pit-stops, segurou Kamui Kobayashi e Jenson Button com alguma destreza. No fim da corrida, pegou o último pontinho após conter os ataques de ninguém menos que o heptacampeão Michael Schumacher. Está provando ser mais piloto do que o companheiro Jean-Éric Vergne.

MICHAEL SCHUMACHER2 – Seu último GP em Suzuka não foi exatamente aquilo que todo mundo espera de um multicampeão. O fim de semana do quarentão já começou todo errado com a punição de dez posições a menos no grid por ter atropelado Jean-Éric Vergne em Cingapura. Na sexta-feira, para se complicar um pouco mais, bateu forte e destruiu o carro. No sábado, foi mal na qualificação e acabou largando apenas na última fila. Na corrida, remou, remou, remou e tudo o que conseguiu foi terminar a uma posição dos pontos. Que fim de carreira mequetrefe, não?

PAUL DI RESTA1,5 – Fim de semana podríssimo, ainda mais sabendo que seu companheiro ficou em sétimo. Começou mal já na sexta-feira, quando bateu na Spoon no segundo treino livre. Na qualificação, até que não foi mal: ficou em 11º. Poderia ter pontuado tranquilamente, mas um problema na embreagem ainda no comecinho lhe atrapalhou bastante a vida. Não conseguiu desenvolver velocidade e acabou terminando confortavelmente longe dos pontos.

JEAN-ÉRIC VERGNE2 – Discretíssimo. Só chamou atenção quando fez bobagem. No treino qualificatório, atrapalhou uma volta de Bruno Senna e acabou perdendo cinco posições no grid como punição. Nem fez tanta diferença assim, para ser honesto. Na corrida, ficou atrás de Heikki Kovalainen durante um tempão e perdeu bastante terreno. Depois que se livrou do piloto da Caterham, já estava longe demais das dez primeiras posições. Terminou no meião, como sempre.

BRUNO SENNA2 – Para não dizer que não fez nada de bom, ultrapassou Romain Grosjean de maneira legal na volta 41 e ainda marcou a quarta volta mais rápida. E só. No treino qualificatório, teve as dificuldades de sempre e ainda foi atrapalhado por Jean-Éric Vergne em uma volta rápida. Na largada, para compensar, tirou Nico Rosberg da corrida num acidente bobo na primeira curva. Considerado culpado, acabou tomando um drive-through para aprender a lição. Com isso, suas chances de pontos caíram para zero. E, de fato, ele não marcou ponto algum.

HEIKKI KOVALAINEN4,5 – Novamente, o mais competente do final do pelotão. Da mesma forma, dá para dizer que deu algum trabalho a gente com um carro mais veloz que o seu. Não disputou o primeiro treino livre porque teve de ceder o carro a Giedo van der Garde. No grid de largada, ficou num interessante 17º lugar. Com as confusões da largada, subiu para 11º e segurou Jean-Éric Vergne durante várias voltas. Sem ter um bólido competitivo, perdeu as posições de costume e terminou à frente apenas dos colegas de penúria.

TIMO GLOCK5 – Repetiu o ótimo trabalho de Cingapura. OK, ótimo parece exagerado, mas não podemos negar que o ex-campeão da GP2 mandou bem novamente. Embora tenha tido problemas para acertar o carro nos treinos livres, ficou em 18º no grid de largada. Na primeira volta, deixou os acidentados para trás e chegou a estar em 11º. Como era de se esperar, perdeu quase todas as posições possíveis, mas ainda conseguiu finalizar à frente de Vitaly Petrov. Muito bom. Deveria estar dirigindo um carro melhor.

VITALY PETROV1 – Quem não costuma prestar atenção na cauda do pelotão não imaginou o quão ruim foi o fim de semana do piloto russo. Na segunda sessão livre, teve um problema na asa traseira e escapou perigosamente na primeira curva. No Q1 da classificação, a surpresa negativa: ficou atrás dos dois carros da Marussia e do HRT de Pedro de la Rosa! Chato, hein? Na corrida, teve problemas com o KERS e o rádio do carro. Ignorou algumas bandeiras azuis e tomou um drive-through pela contravenção. Só não esteve pior por falta de espaço.

PEDRO DE LA ROSA4 – Como não destacar o sujeito que conseguiu superar uma Marussia e uma Caterham na classificação com o carro da HRT? Este é o veterano De La Rosa, que realmente vem fazendo um trabalho excepcional com a minúscula equipe espanhola neste ano. O 20º lugar no grid era realmente um sonho para todos, mas é óbvio que não daria para mantê-lo durante muito tempo. Mesmo assim, Pedro chegou a ameaçar brigar com Charles Pic e Vitaly Petrov durante a corrida. Não conseguiu, mas ao menos terminou.

ROMAIN GROSJEAN0 – É o cabaço da vez. Assim como Pastor Maldonado, é um cara muito rápido, mas seu cérebro não funciona na mesma velocidade de seu Lotus. Novamente, jogou no lixo aquela que poderia ter sido uma corrida ótima, provavelmente melhor do que a de Kimi Räikkönen. Embora não tenha sido brilhante nos treinos livres, conseguiu um lugar na segunda fila no grid de largada. Será que, dessa vez, ele faria tudo certo? Não. Logo na primeira curva, em um erro que o próprio descreveu como “imbecil”, atropelou Mark Webber e acabou caindo para o final do grid. Pela burrada, foi punido com um stop-and-go. Voltou para a pista e ficou se arrastando. Devido ao mau estado dos pneus, abandonou por conta própria. E o estado do cérebro?

CHARLES PIC2,5 – Teve seu primeiro, e talvez último, fim de semana em Suzuka. O desempenho foi aquela coisa de sempre, apenas aceitável para quem penitencia na Marussia. Destacou-se por ter conseguido superar uma Caterham, a de Vitaly Petrov, no treino oficial. Na corrida, fez o que pôde enquanto o carro funcionou bem. Quando o motor Cosworth começou a falhar, Pic perdeu ainda mais performance e foi obrigado a abandonar.

NARAIN KARTHIKEYAN2 – Quase ficou de fora da corrida porque teve inúmeras dificuldades no treino oficial. Tudo graças à perda do assoalho atualizado que a HRT havia levado para Suzuka. No terceiro treino livre, o indiano rodou e danificou a peça, sendo obrigado a utilizar a versão anterior. Como “quase” não existe, Narain conseguiu estar presente na corrida. Até chegou a disputar posições com pilotos teoricamente mais velozes, mas se viu obrigado a abandonar quando perceberam um problema em seu carro.

SERGIO PÉREZ5 – Pelo excelente desempenho apresentado no início da corrida, parecia que seria ele, e não Kamui Kobayashi, que subiria ao pódio no final da corrida. O novo contratado da McLaren iniciou o fim de semana meio que na maciota, sem se esforçar demais. No treino qualificatório, começou a mostrar performance e pegou um ótimo quinto lugar no grid. No domingo, foi prejudicado pelo acidente na largada e perdeu algumas posições. Irritado, decidiu acelerar o máximo para recuperar terreno. Travava pneus como ninguém, mas conseguiu uma boa ultrapassagem sobre Lewis Hamilton. Após o pit-stop, voltou atrás do inglês e ainda cometeu um erro crasso no Hairpin, saindo da pista e abandonando a prova. O que será que Martin Whitmarsh achou?

FERNANDO ALONSO1,5 – Sempre sortudo, o Lamuriador das Astúrias teve talvez seu pior fim de semana do ano em Suzuka. A Ferrari havia trazido algumas pequenas atualizações para o carro, mas elas parecem não ter funcionado tanto. No Q3 da classificação, sua melhor volta acabou abortada pela bandeira amarela causada por Kimi Räikkönen. Foi obrigado a largar na sexta posição. Na corrida, voltou a ter problemas com Räikkönen. Total culpa sua, diga-se. Na primeira curva, o ferrarista tentou colocar seu lado na parte de fora e ignorou a presença do soturno finlandês. Os dois se tocaram e o pneu Pirelli do carro vermelho foi para a vala. Alonso rodou sozinho e acabou ali, patético, no meio da brita. Fim de corrida. Fim do sonho do tricampeonato?

NICO ROSBERG0 – Fim de semana horrível. Na sexta-feira, teve problemas de motor. No sábado, fez apenas o 15º tempo no Q2 e só largou em 13ª por causa das punições. No domingo, foi acertado por trás por Bruno Senna e abandonou ainda na primeira curva. Coitado. Torço contra ele, mas aí já é demais. Que tenha melhor sorte na Coréia do Sul.

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