Notas


AUTO-PRIX-F1-BRN-GRAFFITI

RED BULL9 – Tinha um carro bacana, um piloto bacana e outro nem tão bacana assim. Sebastian Vettel compensou a discrição dos treinos com uma atuação segura, austera e humilhante na corrida. Enquanto todos sambavam sobre pneus de borracha escolar, o tricampeão desfilava como se os problemas com os compostos da Pirelli não existissem. Mas ao passo que ele celebrava uma vitória fácil com suquinho no pódio, o companheiro Mark Webber se ferrava com as mesmas dores de cabeça dos mortais. Apesar da boa estratégia de sua equipe e de ter sido agraciado com o pit-stop mais rápido da prova (total de 21s0), o australiano não se deu bem com os pneus e finalizou apenas em sétimo. E ele ainda reclama…

LOTUS9 – A prova maior de que um carro que consome pouco pneu chega a ser mais importante do que um bólido veloz na Fórmula 1 de hoje em dia. Apesar de ter liderado um treino livre, o E21 estava muito longe de qualquer tipo de brilhantismo, tanto que Kimi Räikkönen e Romain Grosjean se deram mal na sessão classificatória. Os dois compensaram com uma corrida excelente, mesmo que as estratégias de ambos tenham sido totalmente opostas. Kimi, com dois pit-stops, terminou em segundo. Romain, tendo parado três vezes, chegou logo atrás. Seus dois carros andaram com muito menos dificuldades que os demais.

FORCE INDIA8,5 – Houve um momento, mais precisamente após o treino classificatório, que muita gente passou a acreditar que a equipe indiana era uma das candidatas a vitória, tão bons haviam sido os resultados na sexta-feira e no sábado. Sempre entre os dez primeiros, Paul di Resta e Adrian Sutil conseguiram a quinta e a sexta posições no grid. Nada mal. No domingo, porém, apenas um ficou mais ou menos feliz. O escocês esteve sempre nas primeiras posições, liderou algumas voltas e só não terminou no pódio por pouco. Sutil, que vira e mexe está metido em alguma enrascada, bateu com Felipe Massa na primeira volta e arruinou suas chances aí. Nesse momento, a Force India parece ter um carro pior apenas que os de Red Bull, Ferrari, Lotus e Mercedes.

MERCEDES7 – Nos treinos, é a equipe que manda no negócio.  Pelo segundo GP consecutivo, um de seus pilotos largou na pole-position. Dessa vez, o privilegiado foi Nico Rosberg, que foi melhor que Lewis Hamilton em quase todas as sessões. Curiosamente, a sorte se inverteu no domingo. Hamilton, que teve de largar em nono por causa de uma troca de câmbio, superou seus problemas com os pneus médios e ainda terminou em sexto meio que por acaso. Nico andou devagar e perdeu posições como uma mocinha indefesa – a cara dele, em seu início de carreira. Mais uma vez, o ritmo de corrida foi o ponto fraco da Mercedes. Quando as coisas irão mudar?

MCLAREN3,5 – A McLaren de 2013 é isso aí. O MP4-28 é realmente uma desgraça e somente um milagre poderá salvar a situação da equipe nesse ano. No Bahrein, mais uma vez, os carros cromados não ofereceram ameaça a ninguém. Sergio Pérez e Jenson Button, no entanto, chamaram a atenção do mundo com um duelo foda pra cacete durante várias voltas, com direito a toque de rodas e bico esbarrado. Pérez se deu melhor e ainda terminou em sexto. Button, com os pneus em estado de petição, ficou apenas em décimo. E reclamou. Pelo visto, é mais uma equipe que vai ter de lidar com piti de piloto, como se os outros problemas já não bastassem.

FERRARI4 – Tinha um carro quase tão bom quanto o da Red Bull. O que lhe faltou foi um domingo sem problemas. Fernando Alonso e Felipe Massa lideraram um treino livre cada e monopolizaram a segunda fila do grid, nada mal. Os dois, com histórico altamente positivo no Bahrein, esperam muito do GP. Mas quase nada deu certo para eles na corrida. Alonso teve um prosaico problema no DRS, foi obrigado a ir aos boxes duas vezes e arruinou suas chances de vitória. Pelo menos, marcou uns pontinhos. Felipe Massa passou por um perrengue ainda pior: teve dois pneus traseiros direitos estourados e não conseguiu sequer pontuar.

WILLIAMS3,5 – A impressão que dá é que Pastor Maldonado e Valtteri Bottas tiraram o máximo do carro. O venezuelano finalizou a corrida a apenas uma posição da zona de pontos, o que parecia uma impossibilidade até uns dias atrás. Bottas teve seu melhor momento no treino classificatório, onde conseguiu se qualificar à frente do próprio Maldonado e de Jean-Éric Vergne. Aparentemente, o FW35 teve menos problemas de pneus que os concorrentes. Se ele fosse veloz, a equipe certamente poderia ter sonhado com coisa melhor.

SAUBER2 – Teve um fim de semana até mais negativo do que o da Williams. O carro pode até ser razoavelmente bonito, mas é um amontoado de estrume quando tem de entregar resultados. Nico Hülkenberg até se esforçou para conseguir extrair alguma coisa dele, mas o máximo que conseguiu foi um 12º lugar. O estreante Esteban Gutiérrez anda numa fase infernal: obteve resultados inacreditavelmente ruins nos treinos e passou quase que a corrida toda atrás da Caterham de Charles Pic. A Sauber está preocupada com o garoto. E com a equipe inteira.

TORO ROSSO2 – Esteve tão competitiva quanto Sauber e Williams. Embora não tenha passado vexame nos treinos – Daniel Ricciardo, em fase razoavelmente inspirada, marcou o 13º tempo na classificação -, apanhou dos pneus na corrida. Ricciardo se arrastou como uma tartaruga velha e terminou apenas dez segundos à frente da Caterham de Charles Pic. Jean-Éric Vergne se envolveu num acidente na primeira volta e ficou com o carro tão danificado que preferiu encostar nos boxes pouco depois. Se tivesse ficado na pista, também não conseguiria muita coisa.

CATERHAM5 – A presença de Heikki Kovalainen no primeiro treino de sexta-feira parece ter ajudado bastante a equipe verde, que teve um montão de dificuldades nos três primeiros GPs. O carro melhorou e Charles Pic conseguiu vencer o compatriota Jules Bianchi pela primeira vez no ano. Pic largou em um razoável 18º lugar e andou muito bem na prova, ficando quase sempre à frente de Esteban Gutiérrez e terminando perto da Toro Rosso de Daniel Ricciardo. Giedo van der Garde não é um cara de quem podemos esperar muito, mas seu desempenho em Sakhir foi bastante prejudicado pelo acidente na largada.

MARUSSIA2,5 – Tomou um caminho diferente do da Caterham e se deu mal com isso. Ao invés de buscar desenvolver o carro no primeiro treino livre de sexta, a Marussia decidiu deixar o confiável Jules Bianchi de lado para colocar o caricato Rodolfo Gonzalez em seu lugar. Resultado: a equipe acabou não desenvolvendo porcaria nenhuma e ficou para trás no restante do fim de semana. Até mesmo Bianchi teve dificuldades, ficando atrás de Charles Pic e pouco à frente de Max Chilton e Giedo van der Garde. Na corrida, tanto ele quanto Chilton tiveram lá suas dificuldades, mas ao menos chegaram ao fim, ainda que isso não signifique muito num GP com apenas um abandono.

Riot police officers stand near an anti-Formula One graffiti during an anti-government protest in the village of Diraz

TRANSMISSÃOPGA – Numa fase mais comedida, o locutor oficial das corridas de Fórmula 1 no Brasil ainda comete seus pequenos deslizes. Graças à idade avançada e ao calor mortificante do Bahrein, não dá para exigir que o cérebro funcione perfeitamente durante todo o tempo. No treino classificatório, o cara voltou a 1991 e enxergou Mika Häkkinen no carro da Lotus. É bom que alguém informe a ele que Häkkinen não corre mais na Fórmula 1, a Lotus dele era branca e não preta, o finlandês que corre atualmente é o Kimi Räikkönen e o piloto que ele viu sequer era o Räikkönen, mas o Romain Grosjean. Enfim, não se salva nada aí. Mas a grande novidade é a venda da Force India ao golfista Vijay Amritraj, anunciada pelo digno locutor a poucos instantes da largada. Curiosamente, o antigo dono também se chamava Vijay. É a Fórmula 1 atraindo gente de outros esportes, como o próprio Amritraj, Sébastien Grosjean e até mesmo o ex-flamenguista Petkovic (http://www.youtube.com/watch?v=48P32JZMThQ).

CORRIDAFÓRMULA PNEUS – E o litígio entre Fórmula 1 e Pirelli continua. Em Sakhir, somente Kimi Räikkönen e Paul di Resta conseguiram fazer dois pit-stops. A maioria dos pilotos parou três vezes e alguns pilotos tiveram de realizar uma quarta troca, tamanha era a dificuldade para fazer os compostos durarem mais do que um punhado de voltas. Muita gente está achando um saco, pois isso impede os pilotos de acelerarem mais, transformando todos em bundões que só se preocupam em conservar ao máximo seus redondinhos. Eu, sinceramente, gosto. Para mim, automobilismo é ação, imprevisibilidade, movimentação, dinâmica. Acho uma merda quando as posições se definem logo após a primeira curva. O GP do Bahrein só foi razoavelmente divertido por causa dessa dificuldade. Fosse como nos tempos dos pneus duríssimos da Bridgestone, não seria somente Sebastian Vettel que teria uma corrida monótona. Na verdade, a monotonia se impregnaria em todos nós.

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Bahrain F1 protest

SEBASTIAN VETTEL9,5 – Parecia que estava que em outra categoria, tamanha era a vantagem em relação aos concorrentes. Não foi tão bem nos treinos e ficou atrás de Nico Rosberg no grid de largada, mas mostrou o porquê de ser o maior astro do grid atual ao fazer uma corrida absolutamente avassaladora. Recuperou facilmente a posição perdida para Fernando Alonso na primeira volta e também não teve nenhum trabalho para roubar a liderança de Rosberg na terceira volta. Depois disso, auf wiedersehen pra galera.

KIMI RÄIKKÖNEN9 – Mineiro como sempre, comendo quieto pelas beiradas. Em Sakhir, assim como nas demais etapas, não tinha de forma alguma o melhor carro, mas soube pegar os limões e fazer uma boa caipirinha. Nos treinos, liderou um dos treinos livres e só. Largando apenas em oitavo, apostou numa estratégia agressiva que, combinada com o baixo consumo de pneus proporcionado pelo E21, funcionou muitíssimo bem. Sobreviveu 15 voltas com pneus macios e fez dois longos stints com os duros, realizando um pit-stop a menos que o resto do pessoal. O destino o premiou com um ótimo segundo lugar. Mas dessa vez, não teve álcool no pódio. Sigh.

ROMAIN GROSJEAN8,5 – Como é bom ver Romain Grosjean, sempre meio doido, fazendo uma corrida competitiva e sem erros. O franco-suíço, muito apático nas três primeiras etapas, superou o desempenho apenas morno nos treinos para realizar uma de suas melhores atuações na carreira. Embora tenha utilizado uma estratégia totalmente diferente da de Kimi Räikkönen, com três pit-stops e pneus duros nos dois primeiros stints, Romain conseguiu andar bem durante todo o tempo graças à capacidade de conservação de pneus de seu carro e foi ganhando posições numa boa. No final da corrida, com pneus macios, passou como um foguete por Paul di Resta e assegurou seu primeiro pódio no ano.

PAUL DI RESTA9,5 – Uma das sensações do fim de semana, andou bem durante todo o tempo e só não conseguiu seu primeiro pódio na Fórmula 1 por mero detalhe. Ficou entre os dez primeiros em todos os treinos, inclusive o classificatório, obtendo um quinto lugar no grid graças ao seu pé pesado, ao carro e às punições que ferraram com as vidas de Lewis Hamilton e Mark Webber. No domingo, chegou a andar algumas voltas na liderança e esteve durante quase todo o tempo entre os quatro primeiros. Vinha confortavelmente em terceiro, mas acabou sendo engolido pelo surpreendente Romain Grosjean na volta 52. Em suma, fez uma puta jogada, driblou todo mundo e chutou a bola na trave.

LEWIS HAMILTON6,5 – Em se tratando se estado de espírito, da mesma forma que Paul di Resta chutou na trave, Lewis Hamilton fez um joguinho burocrático e ainda conseguiu ganhar de 1×0. Passou por dificuldades nos treinos e até teve de trocar a caixa de câmbio, o que o obrigou a largar em nono. Apostando numa estratégia conservadora de três pit-stops, também não deu para brilhar muito no domingo. Pelo menos, travou um duelo bacana com Mark Webber no final e venceu. E sei lá como, terminou à frente de gente que foi melhor.

SERGIO PÉREZ8 – Foi o showman da corrida, um alívio para quem precisava tanto de uma atuação mais chamativa. Não esteve entre os dez primeiros em nenhum dos treinos, um pecado dos maiores para um piloto da McLaren, mas compensou com uma atuação de arrepiar os cabelos na corrida. Logo na largada, abocanhou várias posições. Depois, passou um tempão atormentando o companheiro Jenson Button. Ultrapassou, foi ultrapassado e até meteu um toque de leve no carro do colega. O campeão de 2009 ficou bastante #chatiado com a postura do chicano, mas só ele. Todo mundo gostou. Ótimo sexto lugar.

MARK WEBBER4,5 – Depois do vexame no GP da China, fez uma típica corrida de funcionário público no Bahrein. Embora não tenha ido propriamente mal nos treinos, teve sua posição no grid prejudicada devido à punição pelo acidente tosco com Jean-Éric Vergne na corrida anterior. Sua atuação no domingo não foi lá aquela maravilha pintada de ouro. Ganhou algumas boas posições na primeira rodada de pit-stops e teve problemas com os pneus duros no segundo stint. No fim da corrida, vinha numa razoável quinta posição, mas perdeu duas posições na última volta. Que ducentésimo GP aborrecido, não?

FERNANDO ALONSO5 – Era, possivelmente, o único cara com alguma chance de superar Sebastian Vettel na corrida, já que possuía, segundo ele próprio, “o melhor Ferrari dos últimos quatro anos”. Nos treinos, andou muitíssimo bem, liderou um treino livre e pegou um bom terceiro lugar no grid. Tudo, contudo, foi para o ralo quando a maldita asa traseira, aquele trocinho do demônio que não deve custar mais do que uns dez paus no mercado paralelo, falhou e o Jangadeiro das Astúrias teve de ir aos boxes duas vezes para que os mecânicos desse um jeito no bagulho na base da porrada. Sem poder usar o DRS, as chances do cara se resumiram a brigar por uns pontinhos. E ele conseguiu quatro. Melhor do que nada, né?

NICO ROSBERG3 – Dá para dizer algo de bom sobre um piloto que larga na pole-position e, sem problemas aparentes, termina em nono, atrás de um monte de gente fodida? Não, é claro. A loirinha germânica andou muito bem nos treinos e marcou a segunda pole-position seguida para a Mercedes. Tinha a obrigação de, pelo menos, ter subido ao pódio. Ao invés disso, perdeu terreno logo no começo da corrida e foi ultrapassado de maneira até covarde pelos demais pilotos. Estava tão embananado com os pneus que foi obrigado a fazer um quarto pit-stop, o que arruinou definitivamente qualquer chance de um bom resultado. Só não pegou nota menor pelo que fez na sexta e no sábado.

JENSON BUTTON4,5 – Não teve exatamente uma atuação estritamente ruim, mas também não chamou a atenção de ninguém e terminou o domingo com apenas um pontinho. Sempre sofrendo com o baixo desempenho do carro da McLaren, Jenson conseguiu apenas um décimo lugar no grid e por mais que tenha tentado coisa melhor, repetiu o mesmo resultado na corrida. Embora tenha largado bem, feito algumas ultrapassagens e tal, teve problemas com o espevitado Sergio Pérez e com uma estratégia meio porca.

PASTOR MALDONADO4 – Quando você fica razoavelmente satisfeito com um 11º lugar, é porque sua vida anda uma merda. Apanhando do carro, o venezuelano foi tão mal nos treinos que não conseguiu sequer passar para o Q2 da classificação, largando na nona fila. No domingo, até que não fez um trabalho ruim: mesmo parando três vezes como a maioria dos rivais, ganhou algumas posições e terminou à frente de gente com um carro melhor que o seu. Mas ponto que é bom, nada.

NICO HÜLKENBERG3 – Outro que apanhou feio do carro. Nas sessões livres e na classificação, pouco fez. Largou apenas em 14º e terminou apenas duas posições à frente. Com a mesma estratégia de três pit-stops da concorrência, não dava para sonhar com um pulo do gato. E os pneus também não colaboraram. O fato é que, nesse início de temporada, a vida não poderia estar sendo mais difícil para o jovem alemão.

ADRIAN SUTIL4 – Pelo desempenho nos treinos, tinha chances de ter ido tão bem quanto o companheiro Paul di Resta. Mas a sorte não está do lado do alemão, que comprometeu sua corrida na primeira volta pela segunda vez consecutiva. Sexto colocado no grid, Sutil foi tocado por Felipe Massa e teve de ir para os boxes na segunda volta por causa de um pneu furado. Pelo menos, a partir daí, ele se divertiu bastante. Mesmo tendo de fazer um stint longuíssimo com o segundo jogo de pneus duros, o cidadão ganhou várias posições e terminou numa posição até que razoável para quem estava totalmente sem chances.

VALTTERI BOTTAS5 – Teve alguns brilharecos bem sutis, como o 12º lugar no primeiro treino livre, o fato de ter largado duas posições à frente de Pastor Maldonado e o quarto posto na volta 11 da corrida. Só assim mesmo para encontrar razões para elogiar o finlandês com cara de biscoito, vítima da ruindade do carro da Williams. Mas a verdade é que Valtteri fez seu trabalho novamente. Largou e chegou ao fim sem danificar o carro, coisa que o colega nem sempre consegue fazer.

FELIPE MASSA3,5 – Muito azarado, o aniversariante de hoje. Muito mesmo. O brasileiro, que já venceu esse GP em 2007, tinha um carro legal para essa corrida e chegou a liderar o primeiro treino livre. Na classificação, ficou num razoável quarto lugar, logo ao lado de Fernando Alonso. A felicidade acabou aí. Logo na largada, Felipe partiu mal e perdeu posições para os dois carros da Force India. Na ânsia de recuperar posições, tocou em Adrian Sutil e danificou uma asa. Sua estratégia de fazer um primeiro stint mais longo com compostos duros também foi para o ralo quando ele fez seu pit-stop na volta dez. Depois, ainda teve dois pneus furados, ambos na mesma parte do carro! Depois de tanta merda, não dava mesmo para ter terminado em posição melhor.

DANIEL RICCIARDO3 – Apareceu razoavelmente bem nos treinos, com destaque para o 13º lugar no grid. Na corrida, a Toro Rosso preferiu substituir o STR8 por um Chevette e o resultado foi um desempenho ridículo do australiano. Mesmo tendo feito a corrida inteira, a volta mais rápida de Ricciardo foi simplesmente a 21ª pior do grid, melhor apenas do que a de seu companheiro Jean-Éric Vergne, que abandonou logo no começo. O cara teve inúmeros problemas com os pneus e com os freios e até deu sorte de não ter sido superado pelos cacarecos da Caterham e da Marussia.

CHARLES PIC6,5 – Depois de três fins de semana dominados por Jules Bianchi, o francês da equipe verde finalmente mostrou a que veio. Num GP em que os carros da Caterham renderam mais do que os da Marussia, Pic não deu chances ao rival Bianchi e aos seus demais concorrentes diretos. Beneficiado também pela punição de Esteban Gutiérrez, Charles largou numa ótima 18ª posição. Na corrida, ele conseguiu manter o mexicano atrás durante quase todo o tempo e ainda terminou a apenas dez segundos de Daniel Ricciardo. Excelente.

ESTEBAN GUTIÉRREZ0 – Quatro corridas, duas notas zero consecutivas. Vai bem, o novato mexicano.  Que seu fim de semana já estava arruinado por causa da punição relativa ao estúpido acidente de Shanghai, todo mundo já sabia. O que ninguém imaginava é que seu desempenho seria tão horrível durante treinos e corrida. Nas sessões livres, Gutiérrez foi tão mal que chegou a terminar uma delas com o pior tempo. No treino classificatório, só superou os carros das equipes nanicas e ainda teve de largar em último devido à punição. Na corrida, não conseguiu sequer superar o Caterham de Charles Pic. Vai muito bem, o Esteban.

JULES BIANCHI3 – Dessa vez, não deu para manter o pique dos três GPs anteriores. É bom que se diga que as condições não lhe foram favoráveis. No primeiro treino livre, Bianchi teve de conceder seu lugar ao venezuelano Rodolfo Gonzalez. Com menos tempo de pista, não deu para compensar muito e o francês teve uma classificação razoavelmente fraca, ficando pouco à frente dos roda-presa Giedo van der Garde e Max Chilton. Na corrida, Jules parou quatro vezes nos boxes e não fez muito mais além de levar o carro até a bandeirada.

MAX CHILTON2 – Aproximou-se um pouco de Jules Bianchi nesse último fim de semana, mais por queda de desempenho do francês do que por uma melhora milagrosa do filhinho de papai britânico. Sem grandes novidades nos treinos, Chilton só escapou da última posição no grid por causa da punição de Esteban Gutiérrez. Pelo menos, ficou à frente do rival direto Giedo van der Garde por causa dos problemas do holandês. E chegou ao fim novamente.

GIEDO VAN DER GARDE2,5 – Se tivesse tido mais sorte, poderia ter finalizado à frente de Max Chilton. Ficou sem participar do primeiro treino livre para dar lugar a Heikki Kovalainen, que voltou para dar uma força à Caterham. Deu-se relativamente bem no treino oficial ao escapar da última fila, mas perdeu tudo com o acidente com Jean-Éric Vergne na largada. Com o bico estourado, não teve como fazer muita coisa a não ser se arrastar até a linha de chegada.

JEAN-ÉRIC VERGNE2,5 – Foi o único piloto a abandonar, vítima de problemas resultantes do acidente com Giedo van der Garde na primeira volta. O francês, que havia feito um trabalho razoável com o lamentável carro da Toro Rosso nos treinos livres, largou em 16º e foi colocado para fora ainda na primeira volta por Valtteri Bottas. O pobre Van der Garde não conseguiu desviar e chapuletou o bólido de Jean-Éric, que ficou com um pneu furado e um assoalho quebrado. Ele tentou reparar o carro nos boxes e chegou a dar algumas voltas lentas, mas preferiu abandonar e ir pra casa mais cedo.

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FERRARI (Enzo Maeda) – 9 – Já fazia doze GPs que a mais tradicional equipe não vencia uma corrida, mas hoje tanto ela como seu piloto favorito resolveram colaborar. Fernando Alonso começou bem com o terceiro lugar no treino de classificação e na corrida mostrou superioridade ao vencer sossegadamente. Felipe Massa sofreu com os pneus duros e não passou do sexto lugar. Dessa vez, não houve falha nos boxes ou jogo de equipe para nenhum dos pilotos.

LOTUS (Enzo Maeda) – 8 – Kimi Räikkönen voltou aos seus melhores dias, começou e terminou na segunda posição, apesar da possibilidade de ter vencido caso tivesse largado melhor. Ainda assim, o resultado está de bom tamanho, ainda mais com a batida com Sergio Pérez que milagrosamente não afetou em nada seu desempenho. Já Romain Grosjean ficou apagado e terminou somente na nona colocação, sendo responsável pela equipe não passar da terceira colocação no campeonato de construtores. Continua com bom atributo na conservação dos pneus.

MERCEDES (Enzo Maeda) – 6,5 – O carro realmente está rápido, mas teve altos e baixos: o pole-position Lewis Hamilton quase ficou de fora fora do pódio, não por falta de esforço – pelo contrário, o britânico também conseguiu extrair e brigar muito com o bólido –, mas pelo alto consumo de borracha. Nico Rosberg, pela segunda vez, teve problemas e foi obrigado a abandonar, lembrando o velho Michael Schumacher no início do ano passado, quando estava com uma urucubaca danada.

RED BULL (Enzo Maeda) – 5 – Decaiu muito em relação às etapas anteriores, a começar pelos treinos: nona colocação para Sebastian Vettel e a desqualificação de Mark Webber por nível de gasosa abaixo do regulamento, falha que acontece pela segunda vez na equipe. Na corrida, algumas coisas melhoraram: a espetacular atuação do alemão quase rendeu um improvável pódio. Por outro lado, Webber só teve decepções: sua falta de neurônios na hora de ultrapassar Jean-Éric Vergne fez o oponente rodar e danificar a sua roda, que se soltou de uma forma patética e perigosa, fazendo Felipe Massa e Nico Hülkenberg usarem seus reflexos para desviarem. Além do carro nº2 ficar à deriva, rendeu multa à equipe e punição de perda de cinco posições ao piloto australiano.

MCLAREN (Enzo Maeda) – 6 – Não foi tão mal quanto nas etapas anteriores, mas ainda assim está muito abaixo das equipes de ponta. Pelo menos em termos de estratégia, deu um banho ao fazer seus carros pararem somente duas vezes e premiou Jenson Button, que sempre se destaca nessas condições, com a quinta colocação. Pena que a jogada só deu certo com um carro, pois Sergio Pérez ainda não se entendeu com a equipe. Melhor carro em se tratando de consumo de pneus, seus pilotos também colaboram bastante.

TORO ROSSO (Enzo Maeda) – 7,5 – Parece que está em constante evolução. O australiano Daniel Ricciardo fez uma corrida sólida, dando todo o seu suor. A turma de Faenza poderia ter pontuado com os dois pilotos, mas Jean-Éric Vergne foi abalroado justamente por um carro pertencente à sua matriz. Espero que não haja desentendimento entre as rubrotaurinas.

FORCE INDIA (Enzo Maeda) – 6,5 – Desta vez, corrigiu a maior idiotice já vista em acertar os parafusos das rodas de seus automóveis. Assim, quatro pontos foram acrescentados à sua conta. Só não conseguiu mais porque o novato Esteban Gutiérrez lançou uma voadora na traseira de Adrian Sutil.

SAUBER (Enzo Maeda) – 4 – O único pontinho veio com o esforço de Nico Hülkenberg, que optou pela estratégia de iniciar a prova com compostos mais firmes. Mas o carro não se comportou bem e o alemão só viu seu desempenho decair, da liderança por algumas voltas até a última posição na zona de pontuação. O outro, citado logo acima, foi o desastre do dia e como mérito, perderá posições no próximo GP.

WILLIAMS (Verde)2 – Nessa corrida, só não ficou atrás das duas eternas nanicas. O negócio não vai bem e os dois pilotos, Pastor Maldonado e Valtteri Bottas, ficaram a léguas de distância da zona de pontuação. Ambos foram mal em todos os treinos e não se recuperaram durante a corrida. O venezuelano teve momentos difíceis com os pneus duros e inviáveis com os macios, terminando a corrida atrás de Bottas. Esse daqui, pelo menos, foi o estreante que conseguiu a melhor posição. Mas como levar isso a sério se Esteban Gutiérrez voltou a ser uma besta e os outros novatos andam em carroças ainda mais vagarosas?

MARUSSIA (Verde)3 – Tinha um carro claramente melhor que o da Caterham, mas não esteve isenta de problemas. Max Chilton teve um motor bichado na sexta-feira e os dois pilotos, tanto o filho do chefe quanto o queridinho da Ferrari, tiveram dores de cabeça com os pneus durante todo o fim de semana. Pelo menos, ambos chegaram ao fim da corrida, com Jules Bianchi sempre muito à frente de Chilton. Já falei que os pit-stops da equipe são horríveis?

CATERHAM (Verde)2,5 – Mais um fim de semana ruim, mas quer saber de uma coisa? Ela mereceu. No primeiro treino livre de sexta-feira, a equipe preferiu deixar o bom Charles Pic a pé e entregar seu carro ao chinês Qing Hua Ma, um dos indivíduos menos preparados para pilotar um carro de Fórmula 1 que eu já vi. Pic voltou ao carro e andou bem, até. Embora tenha ficado na última fila, recuperou-se bem durante a prova e chegou a ficar um bom tempo à frente de Jules Bianchi. Giedo van der Garde não fez muito mais do que andar em último durante todo o tempo. Chega a ser inacreditável o quão escrota a Caterham ficou nessa temporada.

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TRANSMISSÃOMATEMÁTICA – Terminando essa volta, estaremos na metade da prova, falou o locutor oficial. O GP da China costuma ter 56 voltas. Uma pessoa desavisada que sabe fazer algumas contas suporia que a volta em questão era a 28ª, certo? Errado. Nosso querido locutor, que estava de volta ao microfone após ausentar-se na etapa malaia, estava se referindo ao giro nº 23. Isso significa, em termos práticos, que 23 x 2 = 56. Isso até faz algum sentido se você ainda está na segunda série. O resto da transmissão, sinceramente, não teve momentos realmente brilhantes. Destaco apenas a recorrente piadinha do “Mark Webber ter parado por pane seca porque foi o Sebastian Vettel que colocou gasolina no seu carro”. Na primeira vez em que escuta, você ri. Na segunda, você apenas sorri. Na terceira, você boceja. A partir da quarta, você manda sua televisão tomar no rabo. Eu não fiz isso, não costumo conversar com minha televisão, mas imagino que alguns tenham feito isso. Ou eu é que imagino que todos sejam chatos e mal humorados. É, pode ser.

CORRIDAGRAZIE, PIRELLI – Uma das novas unanimidades da Fórmula 1 é a automática condenação aos pneus de borracha escolar feitos pela Pirelli nesse ano. Todo mundo, de Martin Whitmarsh a Anacleto Reinaldo, reclamou que os compostos mais macios são incapazes de aguentar um passeio na esquina sem soltar pedaços para todos os cantos. Graças a isso, os pilotos são obrigados a fazer tantos pit-stops quanto em uma corrida em Le Mans e obviamente não podem sair por aí acelerando o quanto querem. Eu vou contra a maré. Acho sensacional que os pilotos, já agraciados com carros inquebráveis e áreas de escape do tamanho de campos de golfe, tenham de enfrentar ao menos uma adversidade. No passado, os caras corriam sem capacete, sem cinto de segurança, andando no maior cuidado para não estourar um motor ou ficar sem combustível e nem por isso eles não botavam para quebrar. A verdade é que Fórmula 1 não é uma corrida de dragster. Além de velocidade, a estratégia e o imponderável são importantes. O GP da China foi a típica corrida em que ninguém sabia certamente o que aconteceria até o fim. Fernando Alonso tinha um carro muito bom e estava com o capeta no corpo, mas até mesmo ele poderia ter sido vítima dos pneus. Ultrapassagens, acidentes e bobagens aconteceram em número suficiente. Não achei ruim, não – melhor do que os desfiles de moda de Michael Schumacher no início da década passada. Creio que muitos não gostaram porque o vencedor foi o odiado Alonso. Mas para os que fizeram cara feia pelo fato dos pneus não permitirem maior agressividade, fico com a declaração de Kimi Räikkönen: “eu não entendo o porquê das pessoas estarem reclamando. O negócio não está tão diferente do ano passado – pelo menos para nós, pilotos. Eu acho que os pneus são muito bons na classificação e possuem boa aderência. Você só deve cuidar deles um pouco mais durante a corrida”. Se Kimi falou, e ele nunca fala, então está falado.

P.S.: Hoje, eu não escrevo sozinho. Tenho a companhia do leitor Enzo Maeda, que mandou as notas dos dez primeiros colocados e me poupou um puta tempo. Agradecimentos ao Enzo. Mando um cheque de 250 mil cruzados novos para qual endereço?

P.S.2: Querem contribuir nas próximas etapas? Basta mandar seus pitacos para leandro_kojima@yahoo.com.br

P.S.3: Imperdoável. O Marcelo Druck me mandou um texto excepcional sobre sua visita ao circuito de Yeongam há alguns meses e eu, idiota, ainda não o postei. Também sairá.

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FERNANDO ALONSO (Enzo Maeda) – 10 – Voltou a mostrar porque é o melhor piloto em atividade. Com um carro no máximo em igualdade de condições com os melhores, que por sinal apresentaram equilíbrio nesta corrida, andou o máximo que podia com ambos os pneus. Fez ultrapassagens no braço, destaque para as sobre Lewis Hamilton, Sebastian Vettel e os dois pilotos da McLaren e no final administrou com folga a vantagem. Detesto sua personalidade, assim como suas atitudes, mas fez por merecer essa vitória e praticamente aniquilou o seu erro na prova anterior – já está na cola dos líderes na tabela do campeonato.

KIMI RÄIKKÖNEN (Enzo Maeda) – 8 – Fez também uma corrida muito interessante, mas sua atuação ficou um pouco apagada diante da excepcional corrida de Fernando Alonso. Excelente segundo no grid de largada, pôs tudo a perder com a má largada, caindo para quarta colocação logo de cara – se isso não acontecesse, poderia ter segurado Alonso e até vencido a prova. Também se precipitou na tentativa de ultrapassagem sobre Sergio Pérez por fora e, por sorte, ninguém se prejudicou. Do outro lado da moeda, também teve um ritmo constante e forte, segurando Lewis Hamilton no final, com um carro já se acabando na borracha.

LEWIS HAMILTON (Enzo Maeda) – 7,5 – Esperava-se um pouco mais do pole-position, pois aparentava ter o carro mais rápido (embora não necessariamente o melhor), mas o consumo de pneus não correu às mil maravilhas. Sofreu algumas ultrapassagens, como as da dupla da Ferrari, de Kimi Räikkönen nos boxes e, com mais uma volta, já com os pneus padecendo, também tomaria uma do veloz Sebastian Vettel. Passou legal por Jenson Button e por mais alguns carros que estavam à frente antes de suas paradas. Sua regularidade o fez se aproximar dos líderes.

SEBASTIAN VETTEL (Enzo Maeda) – 9 – Desta vez estava claro que não tinha o melhor carro, tanto é que não foi nenhum destaque nos treinos e amargurou a nona colocação no grid. Mas foi mostrando ao longo da corrida por que é tricampeão: ao largar com os compostos médios, foi realizando ultrapassagens, seja na pista, seja no momento dos boxes de outros carros. No final, usando pneus macios e com carro leve, descontou dez segundos em três voltas e na última curva encostou de vez no britânico, mas foi uma pena ter freado tarde e tracionado mal na última curva, onde poderia ter conquistado o pódio.

JENSON BUTTON (Enzo Maeda) – 9 – Longe de dispor do melhor carro, sua pilotagem técnica e inteligente (estilo “professor” Alain Prost) o fez poupar uma parada extra nos boxes e ainda lhe permitiu tempos quase iguais ao da concorrência. Não apareceu muito em ultrapassagens, tomando umas inclusive. Mas fez uma corrida ascendente e suas esperanças de dias melhores voltaram, sendo visível a evolução da McLaren frente a outras corridas, que foram um fiasco perante sua tradição.

FELIPE MASSA (Enzo Maeda) – 5  – Teve muita oscilação de desempenho, de forma descendente: liderança no treino de sexta, quinta colocação no grid e no início da corrida, com boa largada, estava no mesmo ritmo que Fernando Alonso e pressionando-o até a parada nos boxes, quando estava com pneus macios. A Ferrari teve a preferência pelo espanhol somente na primeira parada, fazendo-o parar uma volta depois, o que o levou a perder duas posições para Lewis Hamilton e Kimi Räikkönen devido ao desgaste dos compostos. Até aí, tudo bem. Mas após o retorno, com os compostos duros, além de perder muito tempo nas ultrapassagens, não se adaptou nessas condições. Isso é provado com a crescente vantagem de Alonso, que provavelmente com o mesmo carro, venceu a corrida. Outras paradas foram adiantadas para o brasileiro não ficar preso atrás de carros mais lentos, como de Paul di Resta e Nico Hülkenberg e foi seu tempo nos boxes o mais rápido de todos. Assim, é impossível atribuir culpa alguma à Scuderia.

DANIEL RICCIARDO (Enzo Maeda) – 8,5 – Fantástico nos treinos e na corrida. Largou bem, segurou alguns carros mais rápidos como os de Lewis Hamilton e Jenson Button e no final foi se aproximando perigosamente de Massa com pneus na casca. Com um carro no máximo mediano, ficou à frente de muitos carros superiores ao seu, como os de Romain Grosjean e Sergio Pérez. Fazia tempo que não pontuava, sendo que quando acontece, vem de baciada, ao contrário de seu companheiro francês Jean-Éric Vergne.

PAUL DI RESTA (Enzo Maeda) – 7 – Não foi um grande destaque, pois seu companheiro Sutil, zicado por batida causada por Gutierrez, estava à sua frente quando foi abalroado. Tomou ultrapassagem também do mesmo no início, mas compensou sua corrida como sendo uma pedra no sapato de Felipe Massa por muitas voltas, mesmo este tendo carro muito mais rápido. No final, com as paradas, acabou se contentando com o oitavo lugar.

ROMAIN GROSJEAN (Enzo Maeda) – 3,5 – Outro que teve uma diferença abissal de desempenho em relação ao companheiro desde a classificação, onde ficou na sexta colocação contra a segunda do Kimi Räikkönen. Na corrida, permaneceu sempre no pelotão intermediário, e se não fosse algumas ultrapassagens depois da metade da corrida em carros inferiores como o Sauber de Nico Hülkenberg e o McLaren de Sergio Perez, teria ficado de fora dos pontos enquanto seu companheiro fica em segundo. Parece que seu comportamento mais civilizado na corrida o fez ficar mais lento em relação ao ano passado.

NICO HÜLKENBERG (Enzo Maeda) – 8 – Com um carro no máximo mediano, conseguiu a façanha de liderar por algumas voltas, ajudado pela opção de largar com pneus mais rígidos, postergando sua primeira parada. Porém, com o passar das voltas, tomou algumas esperadas ultrapassagens e no final, sendo obrigado a usar pneus macios, acabou decaindo para a posição de lascar um pontinho. Mas, analisando o carro, inferior ao do ano passado e também seu companheiro trapalhão, fez corrida muito boa.

SERGIO PÉREZ (Verde)2,5 – Está perdidinho da Silva. Na sexta-feira, escapou da pista duas vezes. No sábado, apanhou do carro novamente e ficou apenas em 12º no grid. No domingo, nada deu certo. Tentou a mesma estratégia de dois pit-stops de Jenson Button, mas tudo o que conseguiu foi um carro lento que só servia para incomodar os pilotos que vinham atrás. Em determinado momento, Kimi Räikkönen lhe deu uma bela estampada na traseira. “O que diabos esse chicano lazarento está fazendo?”, indagou o lacônico finlandês. Nada. Sergio não fez nada. O fim de semana inteiro.

JEAN-ÉRIC VERGNE (Verde)3,5 – Não que ele tenha tido um fim de semana horroroso, mas a avaliação se torna bem cruel quando se compara sua atuação com a do colega Daniel Ricciardo. Largando oito posições atrás do companheiro, JEV não tinha muito o que fazer durante a corrida. Ainda foi bastante prejudicado quando Mark Webber atropelou seu carro, danificando o assoalho. Mesmo assim, terminou à frente dos dois caras da Williams.

VALTTERI BOTTAS (Verde)4 – No descalabro em que todos os pilotos estreantes dessa temporada se encontram, até que o finlandês da Williams conseguiu ter um razoável GP chinês. OK, ele largou lá atrás e terminou longe dos pontos, mas fez o que tinha de fazer. Escapou do Q1 na qualificação, não cometeu erros e conseguiu ultrapassar Pastor Maldonado nas últimas voltas. Jules Bianchi à parte, vem sendo o mais interessante dos novatos até aqui.

PASTOR MALDONADO (Verde)2,5 – De bom, apenas o fato de ter terminado sua primeira corrida na temporada. Durante os treinos, só pedreira. 14º no grid de largada, sem um carro ultraveloz e sem aquele ímpeto assassino característico de seus dois primeiros anos, o ex-chavista esteve sumido na corrida. Sofreu com os pneus durante todo o tempo e ainda foi ultrapassado por Valtteri Bottas no final da prova.

JULES BIANCHI (Verde)5 – Já deixou de ser uma surpresa. Em Shanghai, foi durante todo o tempo o mais veloz dos pilotos das equipes pequenas. Meteu oito décimos no companheiro Max Chilton no treino classificatório e se não fosse por um erro na volta mais rápida, poderia ter ficado mais perto da Sauber de Esteban Gutiérrez. Na corrida, penou com os pneus e passou um tempão atrás da Caterham de Charles Pic. Recuperou-se no final, mas teve de cuidar dos pneus, que se desgastaram rapidamente. Dia difícil, mas o resultado foi bom.

CHARLES PIC (Verde)4 – Teve uma sexta-feira pouco movimentada: entregou o carro ao lamentável Qing Hua Ma no primeiro treino livre e teve um problema hidráulico no segundo. Sem tanta quilometragem, ficou atrás até mesmo de Max Chilton no grid de largada. Até que o domingo foi aceitável. Largou bem e ultrapassou Jules Bianchi logo no começo. Poderia ter terminado à frente do compatriota, mas foi superado no último pit-stop.

MAX CHILTON (Verde)3 – Num fim de semana no qual a Caterham parecia não ter chance alguma contra a Marussia, o inglês tinha obrigação de ter andado ao menos na rabeira do companheiro Jules Bianchi. Pois isso não aconteceu. Na sexta-feira, praticamente não pilotou no segundo treino devido a um problema de motor. No sábado, graças ao carro, escapou da última fila. No domingo, foi superado por Charles Pic, mas ainda permaneceu à frente de Giedo van der Garde

GIEDO VAN DER GARDE (Verde)2,5 – Lanterninha desse início de temporada, o holandês sofreu com os pneus durante todo o tempo. Na sexta-feira, sambou para lá e para cá com o precário carro da Caterham e ainda teve problemas com o KERS. Só não ficou em último no grid porque Mark Webber foi penalizado. No domingo, fez uma ótima largada e só. Sempre pagando pecados com os pneus, não conseguiu sequer ameaçar Max Chilton.

NICO ROSBERG (Verde)4 – O vencedor do GP da China do ano passado foi feliz apenas no primeiro treino livre, onde foi o mais rápido. No terceiro treino livre de sábado, andou pouco devido a um problema hidráulico. No treino oficial, poderia ter conseguido um lugar na primeira fila ao lado do companheiro Lewis Hamilton, mas errou na volta rápida e ficou apenas em quarto. A corrida foi uma lástima. Nico largou mal, teve muitos problemas de pneus e a suspensão foi para o saco logo após o segundo pit-stop. O resultado foi o abandono, o segundo em três corridas.

MARK WEBBER (Verde)1 – Parece que o novo corte de cabelo só lhe trouxe problemas. Pelo visto, o australiano segue imerso em seu inferno astral. A Red Bull cometeu um erro primário no Q2 da classificação, deixando o carro nº 2 sem gasolina o suficiente para conseguir sequer retornar aos boxes. Penalizado, Webber foi obrigado a largar dos boxes. A corrida, que já não prometia muito, acabou na volta 15 após uma bobagem espúria do piloto australiano, que atropelou o carro de Jean-Éric Vergne na volta anterior. Com o bólido em frangalhos, só lhe restou a retirada compulsória.

ADRIAN SUTIL (Verde)2,5 – A partir do Q2 da classificação, tudo começou a dar errado para o piloto alemão. Sempre entre os dez primeiros nos treinos livres, Adrian só conseguiu um mirrado 13º lugar no grid. A corrida foi marcada por dois incidentes ainda nas primeiras voltas. Na primeira delas, Sutil e o companheiro Paul di Resta se tocaram e quase fizeram o chefe Vijay Mallya enfartar. Cinco giros depois, seu carro foi atropelado pelo Sauber de Esteban Gutiérrez. Com a asa traseira estourada, não deu para continuar.

ESTEBAN GUTIÉRREZ (Verde)0 – E o garoto que costumava tirar seus rivais da pista nos tempos da GP2 está de volta! Não sei qual será a melhor atuação de um estreante nesse ano, mas posso dizer que a de Esteban Gutiérrez na China é uma boa candidata à pior. O mexicano nunca conseguiu se encontrar, ficou sempre lá atrás nas tabelas e ainda teve um vazamento de óleo em um dos treinos livres. Sua corrida acabou na quinta volta após o moleque atropelar a traseira do carro de Adrian Sutil. Um erro crasso típico de alguém que ainda está com a cabeça nas categorias de base.

Coala Lumpur?

Coala Lumpur?

RED BULL9,5 – O desempenho na pista foi ótimo: liderança em dois treinos livres, pole-position fácil, pit-stops velocíssimos e dobradinha. Sebastian Vettel ganhou a corrida, Mark Webber chegou em segundo e todos os rubrotaurinos tinham a obrigação de estar felizes com um GP perfeito. Mas não estavam. Na verdade, o clima pesou no melhor estilo GP de San Marino de 1989. Após a última rodada de pit-stops, a equipe pediu pelo amor de Deus para que Webber e Vettel, então nessa ordem, mantivessem as posições até o fim, procedimento normal para qualquer equipe nessa situação. Mark obedeceu, mas o companheiro alemão preferiu quebrar o protocolo e partiu para o ataque, tomando para si a liderança e a vitória. Minha opinião sobre o assunto não é nem um pouco unânime, mas já está cristalizada. Ordens de equipes não deveriam existir, mas já que existem, que os dois pilotos cumpram seus papeis.

MERCEDES9 – O que eu escrevi para a Red Bull vale para a Mercedes. Na pista, o fim de semana foi ótimo. A equipe prateada conseguiu encontrar o caminho das pedras e o W04 esteve muito melhor em Sepang do que em Melbourne. Lewis Hamilton e Nico Rosberg sempre estiveram entre os primeiros nos treinos e só perderam para a Red Bull durante a corrida. O fim de semana só não foi perfeito por causa da palavra mágica “negativo”, proferida por Ross Brawn a um Rosberg curioso que queria saber se poderia atacar seu colega afrodescendente. Fiquei com tremenda pena do filho do Keke, um bom cidadão que paga todos os seus impostos e já contabiliza três temporadas de bons serviços prestados à Mercedes. Imagino que o cara deve estar se sentindo um lixo nesse momento, como se alguém criticasse seu penteado loiro. Pelo menos, ele cumpriu a ordem à risca. Ganhou tapinhas nas costas, garantiu o emprego e assegurou sua posição de segundo piloto. Duro, mas é melhor isso do que uma equipe pequena ou o desemprego.

FERRARI5,5 – Chega a ser curioso que numa corrida onde duas equipes de ponta se envolvem em polêmicas com ordens de equipe, a Ferrari, que é especialista no assunto, termine o GP na tranquilidade. É bom dizer que Felipe Massa só correu com mais liberdade porque Fernando Alonso abandonou ainda na segunda volta. O espanhol, sempre bocudo e totalmente incapaz de assumir seus erros, vaticinou que a equipe é a culpada, pois o obrigou a permanecer na pista com o bico quebrado quando não havia nenhuma condição para isso. Seria interessante se ele se lembrasse que quem bateu em Sebastian Vettel não foi a equipe… Massa, que conseguiu uma ótima segunda posição no grid, teve uma corrida difícil e terminou em quinto. O mais importante: não culpou ninguém pelo resultado decepcionante.

LOTUS4 – A equipe que venceu o GP da Austrália apareceu em Sepang meio tristinha, pálida, deprimida. Não que o carro fosse de todo mal – Kimi Räikkönen não liderou um dos treinos livres à toa. O caso é que todos nós queríamos vê-la brigando pela vitória com Red Bull e Mercedes, e isso não aconteceu. Kimi e Romain Grosjean tiveram problemas no Q2 da classificação, quando começou a chover, e nenhum deles conseguiu lá aquela posição genial do grid. O franco-suíço ainda apareceu melhor na corrida, tendo andado à frente do campeão de 2007 durante quase todo o tempo. Os dois terminaram em sexto e sétimo, respectivamente. Garanto que Kimi preferia ter encostado o carro na garagem e assistido o restante da corrida na companhia de uma garrafa gelada de Coca-Cola e um Magnum trufado.

SAUBER4 – A vida não tá fácil pra ninguém, especialmente pra equipe suíça. O C32, embora bonito, ainda não rende aquilo que todos estavam esperando. Além de não ser muito rápido, o bólido tritura seus pneus de forma assustadora. Nico Hülkenberg e Esteban Gutiérrez ficaram entalados no meio do pelotão durante todo o tempo, mas o alemão ainda conseguiu se recuperar razoavelmente bem no início do GP e terminou na oitava posição após alguns bons duelos. O mexicano só levou o carro ao fim, sem conseguir sequer ficar à frente de Valtteri Bottas.

MCLAREN2 – A vida não tá fácil pra ninguém, está muito difícil para a Sauber e quase insuportável para a outrora dominante McLaren. O GP da Austrália foi tão negativo que a escuderia teve de trazer, às pressas, algumas atualizações para o MP4-28 não passar vergonha também em Sepang. Os resultados melhoraram um pouquinho só, para ser bem franco. Jenson Button ainda conseguiu extrair o máximo do carro ao obter o sétimo lugar no grid e andar em quinto durante algum tempo no domingo. Infelizmente, um mecânico infeliz não conseguiu colocar uma das rodas corretamente, o que comprometeu definitivamente a corrida do piloto inglês. Sergio Pérez ficou no meio do bolo durante um bom tempo, conseguindo marcar dois humildes pontinhos. Tá foda, McLaren, tá foda.

TORO ROSSO3 – Não ficou livre de problemas, mas ainda conseguiu um pontinho, sempre com o oportunista Jean-Éric Vergne. O francês repetiu a mesma toada de 2012: largou bem atrás do companheiro Daniel Ricciardo, mas se deu melhor na corrida. O mérito é ainda maior se pensarmos que sua participação quase acabou após uma colisão com Charles Pic nos boxes, fruto da desastrada atuação do mecânico que cuida do pirulito. Ricciardo não fez muita coisa até abandonar com o escapamento quebrado.

WILLIAMS1,5 – A vida não tá fácil pra ninguém, está muito difícil para a Sauber, quase insuportável para a McLaren e simplesmente inviável para a Williams. O carro é tão ruim que o estreante Valtteri Bottas chegou a ficar um treino livre atrás do igualmente estreante Jules Bianchi, da Marussia. O finlandês ficou para trás no Q1 da classificação, mas compensou com uma corrida razoável e terminou a uma posição dos pontos. Pastor Maldonado fez o de sempre: errou um bocado e abandonou a corrida, dessa vez por problemas no KERS.

MARUSSIA6 – Mas nem todo mundo está tão ferrado assim. A Marussia, por exemplo, vive uma fase rósea, considerando seus padrões não muito altos. Jules Bianchi voltou a brilhar e novamente liderou a turma das equipes nanicas, sempre andando muito mais rápido que seus três rivais diretos. Vez por outra, ameaçava algum piloto das equipes médias. O francês não brilhou na GP2 e não conseguiu o título da World Series by Renault, mas parece ter se encontrado na Fórmula 1. Max Chilton tinha a obrigação de terminar à frente de Giedo van der Garde. Não terminou. O que o dinheiro não faz…

CATERHAM3 – Difícil avaliar. Os dois pilotos tiveram seus pequenos problemas durante a corrida – Charles Pic teve um bico quebrado após o acidente com Jean-Éric Vergne nos pits e Giedo van der Garde sofreu com um furo de pneu nas primeiras voltas. Os dois não conseguiram andar no mesmo ritmo de Jules Bianchi, mas também não tiveram muita dificuldade para superar a Marussia de Max Chilton. Andaram falando que a equipe só terá atualizações no Bahrein. Enquanto isso, o negócio é carregar a lanterninha.

FORCE INDIA0 – A equipe gasta centenas de milhões de dólares na contratação dos melhores profissionais disponíveis do mercado, no desenvolvimento dos monopostos mais sofisticados do planeta e na produção de milhares de pecinhas complexas e importantes, mas não sabe desenvolver um cubo de roda que preste. Paul di Resta e Adrian Sutil tinham bons carros e totais chances de marcar pontos, principalmente o piloto alemão. Mas ambos não terminaram a corrida porque o retardado responsável pela criação de pecinhas miseráveis estava cagando e fez um cubo de roda com o formato do rabo dele. O resultado foi uma série de pit-stops fracassados no último GP da Malásia: absolutamente nenhuma das paradas deu certo. E graças a isso, a chance de um ótimo resultado foi para o ralo.

Coala?

Coala?

TRANSMISSÃOBOA NOITE – Não tenho muito o que comentar a respeito da transmissão oficial por uma razão muito nobre: decidi dormir. Acho inaceitável desperdiçar uma madrugada de sábado para domingo onde eu poderia estar dormindo, transando, bebendo, roubando ou matando com uma corrida idiota. Preferi acompanhar o VT que sempre é exibido num canal pago por aí. Fiquei moderadamente satisfeito com o que eu vi. Senti saudade do histrionismo do narrador oficial, que estava cobrindo um outro esporte, mas a equipe do canal pago é bem competente. E um dos convidados foi o baiano Luiz Razia, ausência desagradável do grid da Fórmula 1 nesse ano. É isso aí: corrida de madrugada, nunca mais.

CORRIDACHUVA, CADÊ VOCÊ? – Sim, ela faz falta. Nos dias hidrofóbicos de hoje, nos quais qualquer cusparada no chão é motivo de desespero por parte de Charles Whiting, talvez não muito. Ainda assim, uma das grandes graças do GP malaio é a tradicional tempestade meio amazônica e meio monsônica que torna a prova um verdadeiro baile de aleijados. Infelizmente, a água desabou apenas entre as corridas de GP2 e Fórmula 1, sendo que os pilotos da categoria maior puderam largar tranquilamente com pneus intermediários. Em pista seca, a prova foi sonolenta até a parte final, quando as equipes Red Bull e Mercedes se viram obrigadas a resolver as picuinhas entre seus pilotos. Os rubrotaurinos impediram que o pau comesse, mas Sebastian Vettel ignorou as ordens e ganhou a corrida. Na Mercedes, o obediente Nico Rosberg não ultrapassou Lewis Hamilton após a ordem austera de Ross Brawn. Sendo bem honesto, foram esses probleminhas domésticos que salvaram a graça da prova.

GP2COMEÇÔÔÔ! – Calma que ainda vou dar um jeito de postar um especial sobre a temporada 2013 da GP2, que promete uma barbaridade. O nível dos pilotos melhorou drasticamente em relação ao ano passado e a disputa pelo título deverá envolver uns cinco ou seis nomes. Dois veteranos ganharam as corridas malaias. No sábado, o vencedor foi Fabio Leimer, que andou muito durante todo o tempo e fez uma ultrapassagem covarde sobre o pole-position Stefano Coletti. No dia seguinte, o monegasco Coletti largou espantosamente bem e saiu da sexta para a primeira posição num piscar de olhos. Ele venceu e foi acompanhado no pódio por Felipe Nasr e Mitch Evans. Aliás, fique de olho nos dois. O brasiliense Nasr, pilotando pela competente Carlin, é um dos bons candidatos ao título. Na Malásia, ele conseguiu somar 24 pontos e ocupa atualmente a terceira posição do campeonato, atrás apenas de Coletti e Leimer. Já o neozelandês Evans, campeão da GP3 no ano passado, foi o melhor dos estreantes com folga e somou logo de cara 11 pontos, deixando o seu companheiro, o veterano Johnny Cecotto Jr., mordendo o lábio de raiva. É uma pena que Mitch ainda não tenha o dinheiro para toda a temporada. Esperamos que os maoris consigam juntar alguma grana para apoiá-lo.

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SEBASTIAN VETTEL9 – Foi ele o melhor do fim de semana malaio? Um cara que lidera um dos treinos livres, marca a pole-position com quase um segundo de vantagem e vence a corrida deve obrigatoriamente estar na lista dos pilotos de destaque do GP da Malásia. Mas a crise interna que ele deflagrou após desrespeitar uma ordem de equipe na parte final não mereceu aplausos. O alemão liderou as primeiras voltas, mas perdeu a ponta para o companheiro Mark Webber já no primeiro pit-stop. Ele só conseguiu se recuperar no último stint, enquanto voava com pneus duros. Se tivesse ouvido as ordens de sua equipe, teria chegado em segundo e (quase) todos estariam felizes. Mas preferiu ganhar apenas para si. Como culpar um piloto de corridas por ele ter feito seu trabalho? Simples: basta considerar que ele também é funcionário de uma empresa e precisa cumprir ordens.

MARK WEBBER8,5 – O outro personagem da guerra civil rubrotaurina. É verdade que seu desempenho nos treinos realmente não justificava nenhum grande tratamento por parte da Red Bull. Mas lhe dou a razão na briguinha contra Sebastian Vettel. O australiano liderou 32 voltas graças a uma estratégia espertinha no início da corrida e estava merecendo mais do que qualquer um a glória. Sua própria equipe sabia disso, tanto que pediu para que seus dois pupilos levantassem o pé após o último pit-stop. Um obedeceu. O outro, não. E o resultado foi aquela cara de limão azedo de Mark Webber no pódio. Certamente, ele já deve ter cadastrado seu currículo na Catho.

LEWIS HAMILTON8,5 – Saudade é um negócio que dói. E que eventualmente nos leva a fazer algumas cagadas. Na sétima volta do GP malaio, Lewis Hamilton entrou nos boxes para trocar seus pneus intermediários por compostos para pista seca. Manobrou, virou à direita e entrou no espaço… da McLaren, a equipe que o abrigou durante dezessete anos. Ao perceber a burrada, seguiu de volta ao pitlane e, enfim, encontrou os mecânicos de sua nova casa, a Mercedes.  Todo mundo riu, até mesmo o Ron Dennis, que não ri de nada. No mais, o desempenho do piloto inglês tanto nos treinos como na corrida foi bem melhor do que em Melbourne. Pena foi a ordem de equipe que impediu o duelo com o companheiro Nico Rosberg no final da corrida. Lewis, pelo visto, também gosta dessas coisas.

NICO ROSBERG8 – Sua pilotagem anda em boa fase, mas o que dizer da autoestima? Nico andou sempre entre os dez primeiros nos treinos e até chegou a liderar o Q2 da qualificação. Largou apenas em sexto, mas tinha cancha para ter feito mais. Na corrida, a loira alemã ganhou algumas posições ainda no início e permaneceu a maior parte do tempo andando em quarto e paquerando o pódio do colega Lewis Hamilton. No final da corrida, tinha mais carro que Hamilton e queria ultrapassar, mas o patrão Ross Brawn foi categórico: “negativo!”. O cidadão teve de abaixar as orelhas e levar o carro até o fim, com o rabo entre as pernas. Coitado. Para quem está na Mercedes desde 2010, um tratamento digno de quem só usa elevador de serviço.

FELIPE MASSA6,5 – Seu grande momento, sem sombra de dúvida, foi o segundo lugar no treino classificatório, melhor posição desde o já distante GP do Bahrein de 2010. Um bom sinal de que o Felipe Massa pré-mola está de volta. É uma pena que sua corrida tenha sido tão discreta. O brasileiro largou mal e perdeu um bocado de tempo após o primeiro pit-stop por causa dos pneus médios em pista molhada. No segundo pit-stop, ganhou as posições de Nico Hülkenberg e Romain Grosjean. Terminou em quinto, resultado apenas OK para alguém que chegou a sonhar com o pã-pã-pã global.

ROMAIN GROSJEAN7 – Em sua nova fase, um pouco mais comportada, Romain Grosjean superou Kimi Räikkönen e obteve o melhor resultado da Lotus no GP da Malásia. O franco-suíço não brilhou nos treinamentos, sua especialidade no ano passado, mas compensou com um bom desempenho no domingo. Ganhou boas posições nas primeiras voltas e passou boa parte do tempo atormentando Felipe Massa, que estava mais lento. Posteriormente, o brasileiro sumiu na frente, mas Romain ainda conseguiu permanecer imediatamente atrás, sem ser incomodado por mais ninguém. Não brilhou, mas fez o dever de casa.

KIMI RÄIKKÖNEN4,5 – Depois de vencer em Melbourne, o finlandês asperger pouco fez em Sepang. E o que fez não é lá muito digno de elogios. Kimi até sentou a bota nos treinos, com destaque para o primeiro lugar na segunda sessão livre, mas as coisas começaram a desandar já na qualificação, com uma punição de três posições por ter bloqueado Nico Rosberg. E os maus ventos não acabaram aí. Na largada, bateu em alguém e danificou o bico de seu carro. No decorrer da prova, teve trabalho com Nico Hülkenberg e quase se chocou com o alemão nos boxes. Não superou Romain Grosjean e teve de se contentar com o sétimo lugar.

NICO HÜLKENBERG6,5 – Fez sua primeira corrida do ano na Malásia. E não foi mal. A Sauber realmente errou a mão no C32 e o bichinho acabou se mostrando mais lento e incompetente que o esperado, algo provado pelos maus resultados de Hülkenberg e Esteban Gutierrez nos treinos. Na corrida, o alemão se recuperou bem com uma boa largada e a sacada de ficar mais tempo com os intermediários nas primeiras voltas, o que lhe possibilitou ganhar mais posições. Durante a corrida, chamou a atenção pelo duelo com Kimi Räikkönen, que foi estendido até o espaço do pitlane. Não venceu a parada, mas terminou num bom oitavo lugar.

SERGIO PÉREZ5 – Fez seus primeiros pontos desde há muito tempo, e também os dois primeiros pontos na McLaren. Mas não foi um grande fim de semana, longe disso. É verdade que sua equipe trouxe atualizações emergenciais que melhoraram o desempenho do MP4-28 em relação à Austrália, mas o mexicano ainda penou bastante nos treinos, conseguindo apenas um mirrado décimo lugar no grid. Na corrida, teve bons duelos no meio do pelotão e conseguiu ficar sempre na zona de pontuação. Poderia ter ido melhor, se não tivesse feito um pit-stop extra nas últimas voltas. De qualquer jeito, pontuar nunca é uma coisa ruim.

JEAN-ÉRIC VERGNE5 – Caso curioso: não costuma fazer corridas exuberantes, mas sempre está marcando um pontinho ou outro. Fica até difícil para eu explicar como ele conseguiu o décimo lugar em Sepang. No treino oficial, perdeu tempo atrás de um retardatário no Q1 e ficou apenas em 17º. Na corrida, só apareceu quando bateu com Charles Pic nos boxes, incidente ocasionado graças ao imprudente mecânico da Toro Rosso que permitiu que JEV voltasse ao pitlane quando havia gente no meio do caminho. Andou razoavelmente bem na segunda parte da corrida e superou alguns pilotos que haviam largado à sua frente.

VALTTERI BOTTAS4 – Está apanhando da falta de experiência e da ruindade do carro, mas chegou ao fim de mais uma corrida e é o único piloto da Williams que não vem dando prejuízos. O finlandês nunca tinha pisado na Malásia e isso explica em parte o triste 18º lugar no grid. Na corrida, apesar da má largada, não fez feio e chegou a ocupar a décima posição. Terminou a 1s5 da zona de pontuação. Devagar e sempre, vai aprendendo.

ESTEBAN GUTIÉRREZ3,5 – Por ter largado mais à frente, por ter um conhecimento melhor de Sepang e por pilotar um carro melhor, não deveria ter finalizado atrás de Valtteri Bottas. Mas finalizou, o que não ajudou em nada na sua imagem. Sofreu nos treinos e pouco apareceu durante a corrida. Poderia até ter feito um pontinho, mas seus pneus estavam muito desgastados e o piloto mexicano teve de fazer um pit-stop extra nas últimas voltas.

JULES BIANCHI8 – Continua arrepiando no modesto carro rubro-negro da Marussia. Bater os carros da Caterham já não é mais nenhum desafio para o francês, que desafiou gente com bólidos teoricamente melhores em Sepang. Num dos treinos livres, superou o Williams de Pastor Maldonado. Durante a corrida, Jules ficou um bom tempo à frente de nomes como o próprio Maldonado, Valtteri Bottas e Jean-Éric Vergne. Terminou numa excelente 13ª posição. Tudo indica que será ele o cara a marcar o primeiro ponto da história da Marussia.

CHARLES PIC4,5 – Coitado dele. Quando tudo indicava que seria ele o melhor piloto das equipes nanicas, eis que surge o compatriota Jules Bianchi chutando bundas para lá e para cá. E a sorte também não está do seu lado. Logo no início da corrida, Pic foi atingido com tudo por Jean-Éric Vergne dentro dos boxes. Estourou um bico e perdeu um tempão com o conserto. Diante disso, não deixa de ser notável que ele ainda tenha conseguido terminar à frente do companheiro Giedo van der Garde e de Max Chilton. Não o subestimem.

GIEDO VAN DER GARDE3 – É, definitivamente, o segundo piloto da Caterham, ainda que seja o que mais injete dinheiro na equipe. Não teve muito o que fazer durante os treinos, ainda que ficar atrás do companheiro Charles Pic em três das quatro sessões não seja o melhor dos cartões de visita. Na corrida, fora um pequeno furo de pneu nas primeiras voltas, nada de espetacular lhe aconteceu.

MAX CHILTON2 – Enquanto o companheiro Jules Bianchi cutucou gente das equipes médias, o filhinho de papai britânico não conseguiu sequer incomodar os pilotos da Caterham. Último colocado nos três treinos livres, Chilton só conseguiu superar Giedo van der Garde no treino oficial. No domingo, perdeu tempo logos nos primeiros metros, não conseguiu se recuperar e terminou a prova duas voltas atrás. É uma pena que seu dinheiro faça tanta falta para a Marussia.

JENSON BUTTON7 – Mesmo que não tenha terminado o GP da Malásia, foi um dos destaques do fim de semana. O carro da McLaren já não era mais aquela vergonha da Austrália, mas também não estava nenhuma maravilha. Jenson sofreu um pouco nos treinos, nem tanto quanto o companheiro Sergio Pérez, e ainda abocanhou um sétimo lugar no grid. Fez ótima largada e andou quase que todo o tempo na quinta posição, mantendo vivo o sonho do pódio. Mas o sonho virou pó na volta 35, quando seus mecânicos não parafusaram direito a roda dianteira esquerda no carro e Jenson acabou perdendo um baita tempão. Nas últimas voltas, já fora da zona de pontos e com problemas na suspensão, preferiu abandonar a prova.

DANIEL RICCIARDO3 – Nos três treinos livres, ficou atrás de Jean-Éric Vergne. No treino classificatório, deixou o companheiro francês para trás pela primeira vez. Sua má sorte parecia estar mudando, mas o australiano voltou a ter dificuldades no domingo. Escapou na curva 3 antes mesmo da largada e andou em 11º durante a maior parte do tempo unicamente para abandonar a prova nas últimas voltas devido a problemas no escapamento.

PASTOR MALDONADO2 – Não tem carro, não tem cabeça e também não tem sorte. Resultado: novo abandono. O venezuelano ainda foi mais rápido que o companheiro Valtteri Bottas nos treinos, mas não fez absolutamente nada na corrida. Também escapou na curva 3 antes da largada, danificou a asa dianteira após outra escapada na curva 11 e abandonou a prova devido a problemas com o KERS. Enquanto esteve na pista, sequer sonhou com os pontos.

ADRIAN SUTIL7,5 – Um dos destaques desse início de temporada. Rápido desde os treinos, o piloto alemão não merecia ter saído da Malásia sem nenhum ponto. Liderou o Q1 da classificação e só não conseguiu posição melhor no grid porque a pista ficou molhada no Q3. Antes do primeiro pit-stop, estava entre os dez primeiros e provavelmente terminaria a prova numa boa posição. Contudo, para sua enorme infelicidade, a Force India havia desenvolvido um parafuso de roda completamente porco que simplesmente inviabilizou os trabalhos de troca de pneus de seus dois pilotos. Prejudicado, Sutil perdeu muitíssimo tempo nos dois pit-stops e teve de abandonar a corrida compulsoriamente.

PAUL DI RESTA5,5 – Também poderia ter feito um bom fim de semana e também se ferrou por causa do maldito parafuso de roda da Force India. Não foi tão bem como Adrian Sutil nos treinos e só conseguiu o 15º lugar no grid, mas recuperou-se bem nas primeiras voltas e certamente marcaria alguns pontos. Os dois pit-stops desastrosos acabaram enterrando qualquer chance e Di Resta foi obrigado a abandonar.

FERNANDO ALONSO3 – A nota baixa pode ser explicada por duas razões. Em primeiro lugar, ficar atrás do companheiro Felipe Massa, segundo piloto de jus e de facto, nunca é bom. Em segundo lugar, a desastrosa primeira volta. Alonso até largou bem e passou Massa logo nos primeiros metros, mas danificou a asa dianteira de seu carro na roda traseira do Red Bull de Sebastian Vettel logo em seguida. Fernando queria ir para os boxes, mas a equipe recomendou que ele permanecesse na pista até quando desse. Decisão burra: a asa traseira explodiu logo no início da segunda volta e o espanhol acabou parando na caixa de brita. Péssimo resultado para alguém que está desesperado com esse negócio de terceiro título mundial.

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LOTUS8,5 – A equipe favorita de todos não tinha o melhor carro, mas deu um baile em estratégia para Red Bull nenhuma botar defeito. Os belos carros rubro-negros não deram aquele salto de competitividade que todos esperavam e o próprio Kimi Räikkönen, vencedor da corrida, foi o primeiro a admitir que a escuderia não tem todo esse gás para continuar na frente por muito mais tempo. Então, que aproveite enquanto os ventos sopram a favor. Kimi não esteve entre os favoritos em momento algum, inclusive no treino oficial, mas virou o jogo com uma boa estratégia de dois pit-stops. Como resultado, venceu pela segunda vez em Melbourne. Romain Grosjean foi coadjuvante durante todo o tempo e reclamou bastante do carro. Que, ao menos, chegou inteiro ao fim.

FERRARI3 – O que foi aquilo que fizeram com Felipe Massa? Na mais branda das hipóteses, que é a que eu gostaria de acreditar, Rob Smedley e asseclas cometeram um erro primário de julgamento e deixaram o brasileiro ficar na pista por mais tempo do que deveria antes de seu segundo pit-stop. Na pior das hipóteses, que é a mais provável, a Scuderia fez o que fez apenas para colocar Fernando Alonso à frente. Felipe, graças ao absurdo, acabou perdendo também uma posição para Sebastian Vettel. Muito legal a Ferrari, de histórico esportivo impecável, só que não. Pelo menos, o resultado final não foi tão ruim. Alonso terminou em segundo e Massa ficou em quarto. O Angustiado das Astúrias, aliás, andou reclamando bastante de seu bólido, que seria ruim como beterraba podre. Palavras, diria Shakespeare…

RED BULL7 – Para quem não é torcedor de carteirinha da trupe dos energéticos e sonha com uma Fórmula 1 mais democrática, o fracasso dos rubrotaurinos na corrida foi um grande alívio. Sebastian Vettel mandou e desmandou nos treinos e fez a pole-position, mas não ganhou porque seu carro gastou pneu demais e também devido aos golpes estratégicos de Kimi Räikkönen e Fernando Alonso. Pelo menos, bebeu champanhe ao lado deles. Mark Webber fez o de sempre: cumpriu tabela nos treinos, largou mal pra caramba e terminou lá atrás devido a um monte de problemas, principalmente na centralina eletrônica e no KERS.

MERCEDES6 – Fim de semana de aprendizado. Para Lewis Hamilton, que ainda precisa se aclimatar melhor, e para a equipe técnica, que ainda funde a cachola tentando resolver os problemas de confiabilidade do carro. Ruim, ele não é. Ainda que não seja uma Brastemp, o W04 deve se garantir ao menos entre os quatro melhores bólidos do ano. Hamilton errou um monte nos treinos, mas largou em terceiro e suou a camisa para terminar em quinto, mesmo com os problemas nos pneus. Nico Rosberg não se abalou com a presença do inglês e foi bem, ainda que não tenha terminado a corrida por causa de um problema elétrico. Fique atento na dupla em Sepang.

FORCE INDIA7,5 – Foi, basicamente, a quinta melhor equipe do GP da Austrália, atrás apenas de Red Bull, Ferrari, Lotus e Mercedes. Os indianos, sempre afundados em problemas financeiros, parecem ter acertado a mão e construíram um carro que foi capaz de ficar sempre entre os dez primeiros em Melbourne. Adrian Sutil foi um dos bons destaques: andou bem nos treinos e compensou uma posição meia-boca no grid de largada com uma ótima estratégia de dois pit-stops. Terminou em sétimo, logo à frente do companheiro Paul di Resta, que teve atuação apenas morna. O escocês reclamou que não ficou em sétimo apenas por causa de ordens de equipe. Que tal caprichar um pouco mais na estratégia da próxima, Paul?

MCLAREN1,5 – Jenson Button já vinha advertindo desde a pré-temporada: o carro é podre, muita coisa precisa ser modificada, é melhor começar com o bólido de 1979 e por aí vai. O inglês, sempre muito educado e cordial, tinha razão. O MP4-28 é um troço de qualidade duvidosa que precisa urgentemente de atualizações. Button, de excelente histórico em Melbourne, teve um fim de semana discretíssimo e conseguiu levar apenas dois pontos para casa. Pior ainda foi o desempenho de Sergio Pérez, às raias do vexame. Em sua primeira corrida na casa de Woking, o mexicano ficou sempre no pelotão intermediário e terminou fora da zona de pontos. Enfim, tudo deu errado para a McLaren. Até mesmo a centralina eletrônica que ela vende à Red Bull falhou com Mark Webber…

TORO ROSSO3,5 – Entra ano, sai ano, fulana melhora, beltrana piora e a Toro Rosso está sempre na mesma. O STR8 é uma evolução apenas milimétrica em relação ao STR7 do ano passado. Jean-Éric Vergne e Daniel Ricciardo permaneceram no meio do pelotão durante todo o tempo e devem muitos agradecimentos aos desastres pessoais da Williams e de Esteban Gutiérrez. O francês ainda se deu um pouco melhor: largou à frente de Ricciardo e terminou a corrida tendo feito a segunda volta mais rápida da prova. O australiano abandonou com o escapamento quebrado.

SAUBER2,5 – Uma célula de gasolina perfurada foi a causa que impediu Nico Hülkenberg de participar do GP da Austrália. O piloto alemão, que fazia sua estreia na equipe suíça, largaria da 11ª posição, mas acabou sendo limado por “razões de segurança”. Seu companheiro, o novato Esteban Gutiérrez, foi o representante solitário da bandeira helvética na corrida. Não fez nada de mais e terminou apenas em 13º, o melhor resultado de um estreante na prova. O carro parece ser apenas mediano. Não é nenhum desastre da engenharia, mas também não fará a Sauber subir muitos patamares.

WILLIAMS1 – O que foi aquilo? A equipe que já venceu nove campeonatos de construtores teve, talvez, seu pior início de temporada desde que Frank Williams e Patrick Head estabeleceram uma sociedade. Pastor Maldonado e o novato Valtteri Bottas passaram a maior parte do tempo nas últimas posições, em muitos casos à frente apenas das paupérrimas Caterham e Marussia. O venezuelano sobrou no Q1 da qualificação e abandonou após rodar sozinho na curva 1. Bottas fez seu trabalho com alguma dignidade e chegou ao fim. Os dois não pareciam exatamente contentes com o FW35.

MARUSSIA6,5 – Seria esta a décima equipe da temporada 2013? Se depender dos resultados da pré-temporada e do GP da Austrália, a resposta é afirmativa. A equipe liderada por Nikolai Fomenko parece ter dado um notável salto de qualidade com seu bonito MR02. Podemos creditar parte do sucesso ao estreante Jules Bianchi, que foi um dos destaques da etapa de Melbourne. Protegido da Ferrari, Bianchi foi quase sempre o melhor piloto das equipes nanicas e terminou a prova em 15º. É uma pena que o outro carro seja ocupado por um bração como Max Chilton, que passou a maior parte do tempo trocando farpas com a sofredora dupla da Caterham. Mas o pai é um dos sócios, fazer o quê?

CATERHAM1 – É engraçado, mas parece que quanto mais experiência a equipe ganha, mais incompetente ela fica. Até aqui, foram pouquíssimas as vezes em que seus carros esverdeados superaram os rivais da Marussia. Em Melbourne, Charles Pic e Giedo van der Garde passaram a maior parte do tempo na lanterninha. Pic ainda conseguiu dar algum combate a Max Chilton, mas sua vida esteve longe de ser fácil. Van der Garde ficou em último durante quase todo o tempo. No Q1 da classificação, cada um dos pilotos arrebentou o bico no muro, para desespero do departamento financeiro da escuderia. Se nada mudar, até mesmo o futuro da Caterham poderá ficar ameaçado.

equidna

CORRIDARINGUE DE COMADRES – Corrida na Austrália, para mim, tem de ter lágrimas, suor e muito sangue. Geralmente, é a prova que tem mais acidentes, bizarrices e confusões. Via de regra, quando o GP é ruim, o restante da temporada acaba sendo uma tremenda chatice. Por isso, fiquei com um grande ponto de interrogação na cabeça. Não sei dizer se gostei da corrida. Ela teve um vencedor diferente, o tal do Kimi Räikkönen, boas disputas na pista e uma verdadeira guerra de estratégias nos boxes. Mas faltou aquele algo mais que nos faz pensar “puxa, essa vai ficar para a história”. Ao menos para mim, o Grande Prêmio da Austrália de 2013 não ficará na minha memória por muito mais tempo. No fundo, o que eu queria ter visto após tanto tempo de espera era um daqueles acidentes colossais típicos de Melbourne. Sim, sou um carniceiro.

TRANSMISSÃOPARA QUE ESTUDAR? – O ponto alto da transmissão oficial brasileira, sem dúvida alguma, foi a citação a Antoine Lavoisier, um daqueles caras que a gente ouvia falar à exaustão nas aulas de química do ensino médio. O comentarista, que completou o ensino médio já faz algum tempo, quis ilustrar uma de suas explicações com a referência ao químico. “Porque, parafraseando Lavoisier, nada se cria, tudo se repete”. Repete? “Não. Nada se cria, tudo se copia”. Também não é isso. Depois de alguns segundos confusos, alguém certamente apita no ponto algo como “caceta, é ‘nada se cria, tudo se TRANSFORMA’, porra!”. Mas compreendo a confusão, pois eu também não dava a mínima para as aulas de química. Da mesma forma, o narrador também deve ter matado algumas aulas. Ao perceber que ventava demais no circuito de Melbourne, ele tentou recorrer aos seus conhecimentos matemáticos e meteorológicos para explicar aos telespectadores o quão furioso estava o clima: “a velocidade do vento é de seis metros por segundo. Isso daí você multiplica por 60 e depois multiplica por 60 para saber qual é a velocidade em quilômetros por hora”. Então o vento era de 21.600km/h? Agora eu entendo o porquê de terem interrompido o treino oficial. Entendo também que jornalistas escolhem ser jornalistas pela dificuldade incorrigível com as ciências exatas.

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