Fernando Alonso e o choro incontido no pódio do GP da Europa. Estaria o esporte preenchendo uma lacuna na felicidade do povo espanhol?

Eurocopa. Assisti ao jogo da final, entre a antipática Espanha e a barulhenta Itália. Foi difícil escolher para quem torcer. Acabei escolhendo a Itália por maior afinidade genética e étnica, vide Mario Balotelli. Para mim, um jogo humilhante e frustrante. Os italianos mal conseguiram avançar ao campo espanhol, deixaram passar umas bolas patéticas da armada hispânica e acabaram tomando quatro gols. Se bem conheço o comportamento italiano, os jogadores devem estar chorando até agora.

Mas o jogo foi histórico para os vencedores, os espanhóis. A seleção que conta com nomes como Iniesta, Fàbregas, Busquets, Juan Alba, Casillas, Fernando Alonso e Nelsinho Piquet ganhou o terceiro título da história do país na Eurocopa. Como desmerecer? Não entendo porcaria alguma de futebol, mas fiquei maravilhado especialmente com a precisão e a velocidade dos passes, que desconcertavam os pobres italianos azulados.

Os espanhóis ficaram malucos de felicidade, é óbvio. Assim como, há uma semana, pularam de alegria quando Fernando Alonso venceu o GP da Europa em casa e chorou copiosamente no pódio. Assim como costumam celebrar quando Rafael Nadal, o atual número 2 no ranking da ATP, vence uma partida de tênis. Assim como aplaudem Jorge Lorenzo, campeão da MotoGP em 2010 e atual líder do campeonato, quando este vence uma corrida. Dios es español.

Seja no futebol, no esporte a motor, no tênis ou no campeonato mundial de arremesso de abacates patrocinado pela Red Bull, a Espanha comanda quando se trata de competição esportiva. De algum tempo para cá, o país começou a vencer em praticamente todos os esportes importantes do planeta. Vai lá entender o motivo. É fato que o esporte espanhol ganhou um fôlego novo após as Olimpíadas de Barcelona. É fato também que dois dos clubes de futebol mais poderosos do planeta estão lá. Da mesma forma, suas empresas costumam despejar uma cachoeira de euros em seus esportistas e times. É, deve ser tudo isso. O que importa é que deu certo e o hino espanhol, que não tem letra desde o fim do governo Franco, está sendo tocado nos alto-falantes da vida por aí.

Nunca fui muito fã da Espanha. Questão de gosto. Mas é impossível não se solidarizar minimamente com o povo hispânico neste momento de débâcle econômico. Hoje, a o governo espanhol anunciou que 100 mil pessoas saíram do desemprego em junho. Um número incrível, mas que não ajuda muito quando sabemos que o país é o que mais tem desempregados na União Européia, com 4,6 milhões de pessoas economicamente ativas que não estão fazendo rigorosamente nada, a exemplo do ex-piloto Andy Soucek.

A comemoração da seleção espanhola, campeã da Eurocopa.

A dívida pública espanhola, que despencou durante dez anos, explodiu desde 2008 e hoje ultrapassa 70% do PIB nacional. A arrecadação dos impostos de renda e patrimônio, que chegou à casa dos 100 bilhões de euros em 2008, não alcançará sequer a metade disso neste ano. Em junho, a capacidade de solvência dos bancos privados espanhóis e do próprio governo estava tão baixa que o Banco Central Europeu e o FMI tiveram de injetar 100 bilhões de euros para evitar que o sistema bancário da Espanha quebrasse. A inflação ao menos está controlada, mas do que isso adianta se ninguém tem dinheiro para comprar?

Sobrou para o automobilismo, é claro. Você se lembra daquele monte de pilotos espanhóis que apareceram ao mundo até alguns anos atrás? A maioria deles está em casa, lendo a sessão de empregos do jornal, ou deu a sorte enorme de encontrar emprego em qualquer outra coisa. Na Fórmula 1, só Fernando Alonso está sorrindo à toa. A HRT vive na corda bamba, Pedro de la Rosa vai na garupa, Jaime Alguersuari faz bicos aqui e acolá, Dani Clos tomou um pé na bunda da filha do Hristo Stoichkov e está sem padrinho e até mesmo o Santander, cuja avaliação de risco foi rebaixada em dois pontos pela Standard & Poor’s em abril, já teve dias mais sossegados.

A dureza espanhola tem sua face mais visível nas suas duas corridas, o GP da Espanha e o GP da Europa. Tanto os organizadores da etapa de Barcelona como os de Valência estão quebrados e foram obrigados a se unir para que não morressem à míngua. A partir do ano que vem, as duas pistas se revezarão na realização do GP da Espanha. Num ano, os fãs se aborrecerão em Barcelona. No outro, dormirão à sombra do porto de Valência. Tudo para conter custos e minimizar prejuízos.

A etapa de Valência, realizada na semana passada, não escondeu de ninguém suas enormes dificuldades. A organização disponibilizou apenas 45 mil ingressos para a corrida deste ano. Em 2008, primeiro ano do GP valenciano, foram vendidos 100 mil ingressos. Quatro anos depois, nem sequer os parcos 45 mil ingressos foram esgotados: no domingo, ainda havia sete mil deles mofando nas bilheterias. O problema nem é relacionado à histórica chatice das corridas do circuito portuário. Ninguém tem dinheiro, mesmo.

Por isso que o resultado final foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Mesmo havendo apenas 38 mil testemunhas, a maior parte delas vindo do estrangeiro, a festa nas arquibancadas após Fernando Alonso ter cruzado a linha de chegada à frente do resto foi legal demais da conta. Depois, no pódio, enquanto escutava o hino nacional de seu país destroçado, a emoção não pôde ser contida. O mesmo Alonso que desembestou a gritar após ganhar seu primeiro título mundial no chuvoso GP do Brasil de 2005 desabou em lágrimas no pódio valenciano. Quem viu, aplaudiu.

Alonso vencendo em Valência.

Sei lá eu o que ele estava pensando na hora. Tanto poderia ser a grave situação de sua pátria como uma vaga lembrança de seu chinchila que morreu em 1988. Para não perder o fio da meada desse texto, dou um pouco de crédito à primeira possibilidade. Alonso deve ter percebido ali, enquanto escutava emotivamente aquele arquivo MIDI entoando los yunques y las ruedas, que sua vitória não era apenas mais um triunfo em sua carreira. Naquele exato instante, mesmo com tanta gente desempregada e tantas complicações, o espanhol poderia sentir orgulho de seu país. Demos certo em algo.

O esporte tem dessas coisas. Às vezes, quando tudo parece estar dando errado, um esportista ou um time pode se aproximar, ganhar alguma coisa de importante e aplacar um pouco o sofrimento de um bocado de gente. Eu sempre critiquei pra caramba esta postura de nego que acompanha o esporte pra se esquecer dos problemas, como se estivesse entornando uma garrafa de cachaça da bobônica. Baita insensibilidade a minha. Às vezes, qualquer coisa, por mais banal ou despropositada que seja, serve para diminuir um pouco o sofrimento e a falta de esperança generalizada.

Nós sabemos mais ou menos o que é isso. Do mesmo jeito que a seleção espanhola está tendo sua melhor fase justamente no pior momento de sua história econômica, o escrete brasiliano ganhou algumas de suas cinco Copas em períodos altamente conturbados. Em 1970, Pelé, Rivellino, Tostão e companhia venceram a primeira Copa colorida da história enquanto noventa milhões em ação celebravam o auge do “milagre econômico” ao mesmo tempo em que choravam seus filhos barbudos e subversivos nas dependências da Oban.

Vinte e quatro anos depois, a seleção comandada por Bebeto, que havia virado pai, e Romário, que havia recuperado seu pai, se sagrou a primeira tetracampeã mundial nos Estados Unidos. Quem não teve a oportunidade de ver esta Copa ao vivo deve se arrepender de não ter nascido antes. No Brasil, o título foi um sopro de felicidade no meio de uma época em que todos ainda lamentavam o passamento de Ayrton Senna, temiam a chegada de mais um plano econômico e se viam obrigados a escolher entre um sociólogo e um sindicalista para liderar a barca. Dias conturbados. Ainda bem que sempre há uma bola, um campo e alguns peladeiros para acalmar os ânimos.

Em 2002, as coisas estavam mais tranquilas. Havia regime democrático e moeda estável. Ou não? O sociólogo ganhou a peleja acima e teve um governo com um bocado de acertos e outro bocado de erros. Ele estava no fim de seu mandato. Quem iria substituí-lo? Muita gente estava com medo do sindicalista acima, que liderava as pesquisas e tinha uns amigos meio comunas. O Risco Lula afastou um monte de capitais externos e o resultado foi um dólar que bateu na casa dos quatro reais. No meio desta cerração, um revigorado Ronaldo de cabelo bizarro celebrava com seus colegas o quinto título mundial.

Ayrton Senna, que foi o único grande motivo de felicidade do brasileiro no final dos anos 80 e início dos anos 90

Mas futebol nenhum causou a comoção de Ayrton Senna. Este cara aqui, além de um puta piloto, deu a sorte de ser o maior ídolo brasileiro justamente na época em que o país mais procurava um ídolo. Enquanto Ayrton ganhava suas corridas, o Brasil afundava em inflação acachapante, moratória, planos econômicos criados por economistas campineiros com merda na cabeça, overnight, SUNAB, imperadores maranhenses, caçadores de marajás, Elba, Chevette Junior, lambada, mullet e cabelos volumosos. Os dez anos de Senna na Fórmula 1 foram a verdadeira década perdida para quem não respirava automobilismo.

Impossível não estabelecer um paralelo entre Alonso hoje em dia e Senna em, sei lá, 1988. Na verdade, as coisas eram sempre um pouco mais dramáticas aqui. O Brasil era uma coisa ainda mais subdesenvolvida naqueles dias, abarrotado de gente totalmente empobrecida e iletrada. Tentemos nos colocar no lugar dos desafortunados da época. Deve ser uma desgraça você ter de trabalhar feito um filho da puta para ganhar uns bilhões de cruzeiros que não valerão meia pataca no final do mês. Deve ser triste você ir ao supermercado para comprar carne e ver que não há mais porra alguma no estoque. Deve ser uma merda inominável ser casado com uma mulher com o cabelo da Cindy Lauper.

Você, obviamente, quer que tudo isso mude, só que simplesmente não sabe como. Confiar em político não dá. Sair do país também está difícil. Quem vai querer emitir visto pra brasileiro cucaracha? Não queria ter nascido aqui, você pensa. Pois é, a depressão está te consumindo. Sua auto-estima foi para o brejo.

De repente, surge um brasileiro orelhudo, magrelo e com o mesmo sobrenome que o seu lá na Fórmula 1. Veni, vidi, vici. Muito rapidamente, ele chega à Fórmula 1, marca pontos, ganha corridas, leva para casa três títulos mundiais. Nas glórias, desfila com a bandeira brasileira. O mundo percebe que alguém tem, ou aparenta ter, orgulho de ter nascido no Brasil. Milhões de pessoas aqui olham para a imagem da flâmula tremulante associada a um legítimo vencedor e passam a pensar que o país onde deram o azar de nascer não é tão ordinário assim. Surge uma esperança no fim do túnel. Ayrton Senna passa a ser o único motivo de orgulho de uma nação de 150 milhões de pessoas entre o fim dos anos 80 e o início dos anos 90.

Como contestar isso? Eu e mais muita gente assumimos, do alto de nosso elitismo orgulhoso de quem nunca viveu aquela época, não gostar de toda essa teatralidade com ares de épico, esse roteiro maniqueísta que só serviria para exaltar um sujeito coxinha. Não me furto em torcer o nariz para o fanatismo tacanho e cego que circunda o nome de Ayrton Senna. Posso até estar certo, e acho que realmente estou. Mas o que significa “estar certo” diante de uma situação onde falamos de auto-estima, desespero e esperança? O racional não simplesmente cabe nestas horas, devo admitir.

O fato é que todos precisamos de um motivo para sorrir nos piores momentos, qualquer que ele seja. Sorte de quem pode contar com um Fernando Alonso ou um Ayrton Senna.

FERRARI9 – Quando você vê um piloto chegando em primeiro e o outro em 16º, fica quase impossível avaliar se o F2012 e a equipe italiana são bons de verdade. Ninguém nega que o desempenho no treino oficial, com Fernando Alonso e Felipe Massa largando em 11º e 13º, foi uma tristeza só. No domingo, os dois tiveram sortes diferentes: Alonso fez uma das melhores corridas de sua vida e venceu na frente de 38 mil fãs. Felipe Massa se deu mal com os pneus novamente e ainda tomou uma paulada daquelas de Kamui Kobayashi. É bom destacar o excelente trabalho de boxes que a equipe fez, em especial o 2s9 que permitiu que Alonso ganhasse boas posições ainda na primeira parte da prova.

LOTUS8 – É incrível o que uma merda de alternador pode fazer com um ser humano. Eu já fiquei parado no meio de uma estradinha sem acostamento por causa desta porcaria. Romain Grosjean teve prejuízos um pouco mais desagradáveis: abandonou na volta 40 quando estava em segundo e perdeu talvez sua melhor chance de vitória até aqui. Uma pena, já que ele vinha fazendo um fim de semana impecável. Quem herdou a segunda posição foi exatamente Kimi Räikkönen, que segue nessa de não ir tão bem nos treinos oficiais, aparecer pouco nas primeiras voltas e ganhar posições no final. O carro estava muito bom e, não se enganem, a vitória virá logo.

MERCEDES7,5 – O resultado do domingo pouco refletiu o sábado meia-boca que a equipe de três pontas teve. Michael Schumacher obteve seu primeiro pódio desde 2006 após um final de corrida espetacular, no qual ultrapassou vários carros e ainda se aproveitou das maldonadices alheias. Foi um pódio que o próprio piloto disse não acreditar que viria, pois o fim de semana vinha sendo bem discreto até então. Menos surpreendente, Nico Rosberg largou em sexto e terminou na mesma posição após se enrolar um pouco com os pneus. A grande sacada da Mercedes, que sempre se complica com os compostos, foi deixar seus dois pilotos em ótimas condições na última volta. Funcionou legal.

RED BULL5,5 – Para este fim de semana, trouxe uma modificação nos sidepods que teria aumentado drasticamente a pressão aerodinâmica na parte traseira. Graças à novidade, Sebastian Vettel conseguiu uma pole sossegada no treino classificatório de sábado. No dia seguinte, liderou com autoridade até a volta 33, quando a mesma porcaria de alternador que fodeu com Romain Grosjean acabou com sua festa. Quem teve de compensar o dia foi Mark Webber, que largou numa indecorosa 19ª posição e conseguiu o quarto lugar nas últimas voltas. Alternador à parte, a equipe ainda é a melhor da Fórmula 1, ao menos nesta fase intermediária do campeonato.

FORCE INDIA9 – Vem se recuperando de maneira notável e foi premiada com 16 pontos somente na etapa valenciana. Os dois pilotos andaram muitíssimo bem nos treinos livres e se classificaram em oitavo e décimo no grid. No domingo, Nico Hülkenberg e Paul di Resta adotaram estratégias diferentes e até meio estrambólicas, como a tática de uma única parada no caso do escocês. Ambos se deram bem e foram vistos andando lá na frente no final da corrida, com Hülkenberg quase pegando seu primeiro pódio. Infelizmente, os pneus dos dois carros apodreceram nas últimas voltas, mas tanto Paul como Nico terminaram muito bem.

MCLAREN2,5 – Um dos pilotos é uma anta e o outro apagou desde as brumas chinesas. Os mecânicos parecem sofrer de esclerose múltipla e o carro, sem aquele degrau medonho, definitivamente perdeu aquela vantagem confortável das primeiras etapas. Em Valência, a equipe de Woking foi para casa com apenas quatro pontos no bolso e uma baita enxaqueca. Jenson Button foi mal de novo e só marcou pontos no final porque foi um dos poucos que não se envolveram em besteiras. Infelizmente, isso não aconteceu com Lewis Hamilton. Ele fez seu trabalho direito, largou na segunda fila e estava em segundo até poucas voltas para o fim. Pastor Maldonado, sempre ele, acabou com sua corrida e seu dia. Antes disso, no segundo pit-stop, um mecânico também fez alguma burrada e atrasou um pouco mais a vida do piloto inglês. Tudo errado.

SAUBER5 – Seus dois pilotos faziam corridas tão opostas que era improvável apontar um destino em comum para eles no fim da corrida. Kamui Kobayashi mandou bem pacas nos treinos, obteve o sétimo lugar no grid de largada e ainda ganhou algumas boas posições no início da corrida. Enquanto isso, Sergio Pérez se complicou no treino oficial e ficou travado no meio do pelotão da merda nas primeiras voltas. Conforme o tempo passava, a fortuna dos dois pilotos se invertia. O japa bateu nos dois pilotos brasileiros, perdeu o bico na primeira porrada e o rumo na segunda. Já Pérez fez a lição de casa direito e conseguiu salvar a honra suíça com dois pontos. O trabalho de pits foi um dos pontos negativos dos sauberianos.

WILLIAMS4 – Você olha para aquele belo carro azul escuro e pensa que ele está sendo subaproveitado por causa de seus pilotos. O venezuelano é rápido e esquizofrênico. O sobrinho apenas faz seu trabalho honesto, e às vezes nem isso. Pastor Maldonado andou muito bem nos treinos e tinha totais chances de chegar ao pódio, mas atirou tudo pela janela ao surrar a lateral da McLaren de Lewis Hamilton numa manobra digna de um buscapé aceso. Bruno também se envolveu em um acidente com Kamui Kobayashi e foi punido por isso. Na minha irrelevante opinião, merecidamente. Marcou um ponto, mas na mais pura cagada. Nesse horário, Frank Williams até suspira de saudade pelos doentios Juan Pablo Montoya e Ralf Schumacher.

TORO ROSSO0,5 – Nunca antes na história deste touro vermelho ele esteve em uma fase tão apagada. Nesta altura, a equipe azulada parece estar mais próxima das agruras da Caterham do que das concorrentes estabelecidas. Daniel Ricciardo e Jean-Eric Vergne foram superados por Heikki Kovalainen no treino classificatório e deixaram o sempre agradável Helmut Marko com apenas um olho aberto de reprovação. Na corrida, as coisas não melhoram. Ricciardo não fez nada e Vergne ainda causou um acidente babaca com Kovalainen, o que resultou em um pneu furado e uma merecida multa. A Red Bull já anunciou que o francês, que ganha 400 mil euros por ano, arcará sozinho com os 25 mil euros da multa. Coitado.

CATERHAM7 – Será que ela, após dois anos e meio, finalmente chegou lá? Pelo segundo grande prêmio consecutivo, a equipe verde conseguiu deixar ao menos um Toro Rosso para trás. Neste fim de semana valenciano, foi até melhor: Heikki Kovalainen deixou os dois carros da equipe italiana para trás e ainda enrabou Mark Webber, da poderosa Red Bull Racing. Só que o carma de 2010 se repetiu para ele: um carro rubrotaurino voltou a lhe atingir durante a prova. Dessa vez, Heikki conseguiu seguir em frente e chegou ao final. Menos espetacular, Vitaly Petrov também foi bem e até andou em décimo. Finalizou em 13º, seu melhor resultado até aqui. Numa corrida tão amalucada quanto esta, já dá para apontar a Caterham como uma possível pontuadora.

MARUSSIA2 – Assim como a Caterham, a Marussia também está mudando. Só que para pior. Sem Timo Glock, que comeu dobradinha e foi internado com um nó no estômago, a equipe russa teve de depender unicamente dos esforços do novato Charles Pic. Ele ficou atrás dos dois carros da HRT no treino oficial e ainda foi prejudicado pelo trabalho porco dos mecânicos da Marussia, talvez os piores da categoria. Pelo menos, chegou ao fim e à frente de Felipe Massa. Se muitas coisas não mudarem, não seria de todo descabido pensar que o time soviético poderá ser rebaixado para o honroso papel de lanterninha da Fórmula 1.

HRT5 – Esta daqui também não é nem um pouco genial em se tratando de estratégias de corrida e trabalho nos pit-stops, mas ao menos vem melhorando a cavalgadas. Na sexta-feira, Pedro de la Rosa estampou uma barreira de pneus com força e deu o maior trabalho aos mecânicos, que tiveram de se matar para consertá-lo a tempo para o sábado. Na qualificação, De la Rosa e Narain Karthikeyan deixaram Charles Pic para trás e escaparam da última fila. Os dois terminaram a corrida sem grandes dores de cabeça, embora o indiano tenha sido punido por ser ligeiro demais nos boxes – e só lá.

TRANSMISSÃOAS MALDADES – A transmissão brasileira, que anda iniciando com vinte minutos de antecedência e incomodando aqueles que preferiam assistir às novas técnicas de cultivo de jenipapo, acertou em cheio ao mostrar trechos da corrida de GP2 antes da largada. Pronto: Luiz Razia se transformou no mais novo ídolo instantâneo do automobilismo brasileiro, mas tudo bem. Uma corrida como a desse domingo teve vários momentos de destaque, mas minha memória falha me impede de lembrar deles. A revolta do narrador sobre o acidente entre Bruno Senna e Kamui Kobayashi foi particularmente interessante. É incrível como um cara pode se tornar o maior energúmeno do planeta se bater em um sujeito nascido por aqui. O mais engraçado é que o nacionalismo tacanho extrapola fronteiras. Na Finlândia, há um ex-piloto que faz o trabalho de lobbista de seus compatriotas na Fórmula 1. Por desejar ver Bruno Senna empalado, frito, assado ou morto para abrir uma vaga na Williams para seu protegido, ele angariou a antipatia de um Brasil inteiro. O narrador aqui não deixou barato: “Não há Mika Salo no mundo que me faça acreditar que o acidente foi culpa do Bruno. Vou fazer uma maldade: o reserva da Williams é finlandês e o Mika Salo também é finlandês. Pronto, fiz a maldade”. Não, não foi maldade. Foi apenas uma constatação certeira. Nacionalismo besta versus nacionalista besta. Quem perde somos nós, é claro.

CORRIDAQUEM DIRIA, VALÊNCIA – Alguém poderia imaginar que uma das pistas mais odiadas do calendário atual poderia render uma das corridas mais emocionantes da temporada? Estamos falando da Fórmula 1 2012, onde qualquer bizarrice pode acontecer. Após as divertidíssimas corridas da GP2, todo mundo imaginou que haveria uma chance ínfima de diversão para a prova principal. Mas ninguém esperava tanto. Até antes do acidente entre Jean-Eric Vergne e Heikki Kovalainen, que trouxe o safety-car à pista, o GP da Europa vinha morno como chuveiro vagabundo em dia frio. De repente, os dois líderes, Sebastian Vettel e Romain Grosjean, abandonaram com o alternador alternado e tudo ficou mais legal. Diante de uma torcida alucinada, Fernando Alonso assumiu a ponta e de lá não saiu mais. Atrás dele, as brigas foram inúmeras e intensas. Nomes como Pastor Maldonado e Kamui Kobayashi serviram para deixar as coisas ainda mais picantes. E o pódio foi o máximo. Em suma, somente uma pessoa de caráter duvidoso e inteligência limitada não pôde ver graça neste que foi um dos melhores GPs dos últimos anos.

GP2BORA BAHÊA – No ano passado, Luiz Razia era só mais um participante discreto e sem futuro que servia apenas para encher linguiça na GP2. Neste ano, algum espírito maligno se apoderou de seu corpo e fez do piloto baiano um sério candidato ao título. Em Valência, ele começou mal e só fez o 11º lugar no grid de largada. Numa pista de rua sem grandes possibilidades de ultrapassagem, o fim de semana parecia acabado logo de cara, mas ainda bem que as coisas mudaram logo no sábado. O pole-position James Calado vinha para uma vitória fácil, mas foi prejudicado pela infinita sequência de interrupções com safety-car e acabou ficando para trás. Ganhou Esteban Gutiérrez, que precisou atropelar Giedo van der Garde e foder com Fabio Leimer para se dar bem. Enquanto isso, Razia ganhava posições e terminava em terceiro. No domingo, o piloto de Barreiras passou um monte de gente nas três últimas voltas e saiu da sexta para a primeira posição meio que do nada. Com o resultado, Luiz ficou a apenas um ponto do líder Davide Valsecchi. Nunca um piloto brasileiro esteve tão próximo do título da GP2, essa é a verdade.

GP3OS MAIS PROFISSIONAIS – Por incrível que pareça, a criançadinha da GP3 demonstrou mais profissionalismo e sensatez do que os adolescentes da GP2, que fizeram bobagem atrás de bobagem em Valência. Na corrida de sábado, m verdadeiro sonífero, os pilotos foram econômicos em barbeiragens e as emoções praticamente inexistiram. Quem venceu foi o neozelandês Mitch Evans, que largou na pole e liderou de ponta a ponta. É bom ficar de olho no cara, que fez 18 anos no fim de semana. A corrida de domingo foi um pouquinho mais movimentada. A vitória ficou com o suíço Patrick Niederhauser, mas o destaque fica para a bela briga pelo terceiro lugar, que envolveu uns duzentos pilotos. O cipriota (!!) Tio Ellinas levou a melhor, mas ele foi desclassificado por ter batido no carro de Kevin Ceccon. Com isso, perdeu o troféu do pódio e voltou para Chipre chifrado. O grid de 24 carros não animou ninguém. A GP3 não seduz já faz um bom tempo.

FERNANDO ALONSO10 – Qualquer elogio para este cara é pouco. El Fodón das Astúrias. O melhor piloto do grid atualmente. O cara. A corrida inteligente, agressiva e esperta que fez em Valência, um circuito onde seu retrospecto era risível, foi digna de um desses grandes campeões que todos idolatramos. O mais incrível de tudo é que Fernando havia largado lá da 11ª posição, pois não tinha conseguido sequer vaga no Q3 da classificação. Mas sendo o grande piloto que é, conseguiu superar as adversidades e fez uma de suas melhores corridas na vida. Largou bem, fez ultrapassagens a rodo, foi beneficiado por um trabalho de boxes excepcional da Ferrari e ainda contou com a sorte quando Sebastian Vettel e Romain Grosjean abandonaram. Vitória excepcional, comemoração fantástica, choro tocante. Para mim, e graças a ele, foi uma das melhores corridas que já vi na vida.

KIMI RÄIKKÖNEN8,5 – Fez uma excelente corrida, mas não chamou tanto a atenção como seus outros dois colegas de pódio e ainda saiu insatisfeito, pois achava que poderia ter vencido. Não há como discordar, já que seu carro era realmente muito bom. O ébrio finlandês voltou a largar atrás de Romain Grosjean e também se viu preso atrás de carros mais lentos, como o de Pastor Maldonado, no início da corrida. No fim da corrida, tinha pneus em ótimo estado e conseguiu ultrapassar Lewis Hamilton, assumindo a segunda posição. Em termos de mérito, não merecia tanto este resultado como seu companheiro. Mas o esporte é assim mesmo. Estar na hora certa, às vezes, vale mais a pena que o simples esforço.

MICHAEL SCHUMACHER9 – Foram necessários dois anos e meio e 46 corridas de espera até que este dia chegasse. Após um início de ano tenebroso, repleto de azares, o heptacampeão mundial finalmente obteve um resultado à altura de seu talento. É verdade que o desenrolar foi meio fortuito e o próprio piloto não esperava obter um resultado tão genial, mas ele veio. Michael andou bem nos treinos livres, mas empacou no Q2 da classificação e saiu apenas em 12º. No início da corrida, chegou a ser tocado por outro piloto e se viu preso no meio do pelotão. O que o salvou foi a estratégia de largar com pneus médios e utilizar os macios lá na frente. Nas últimas voltas, tinha um carro bom o suficiente para pular de 11º para terceiro em apenas 16 voltas. Dessa vez, a sorte colaborou e Schumacher pode celebrar seu primeiro pódio desde o GP da China de 2006.

MARK WEBBER8 – Não deixou de fazer uma corrida muito boa, embora a posição no grid de largada tenha sido horrível. Devemos, neste caso, responsabilizar a porcaria da asa móvel, que ficou travada durante o Q1 da classificação. Para tentar contornar o desastre do sábado, o australiano decidiu largar com pneus médios e ver no que dava. Durante a corrida, recuperou-se bastante e andou sempre próximo de Michael Schumacher, que utilizava tática semelhante. No final da corrida, também tinha pneus em ótimo estado e conseguiu ganhar uma baciada de posições, finalizando na quarta posição. Assumiu uma inesperada vice-liderança do campeonato e parece estar recuperando, pelas beiradas, parte do ânimo de 2010.

NICO HÜLKENBERG8,5 – Melhor corrida no ano e melhor resultado na vida. O campeão da GP2 em 2009 vinha devendo um resultado destes, especialmente após as sucessivas boas atuações de Paul di Resta. Em Valência, Nico andou surpreendentemente bem nos dois treinos livres em que participou e qualificou-se numa ótima oitava posição. Deu trabalho para Fernando Alonso nas dez primeiras voltas e apostou numa interessante estratégia de dois stints com pneus médios. No final da corrida, após ter herdado várias posições, chegou a sonhar em ocupar a terceira posição por instantes, mas foi ultrapassado por Schumacher e Webber por não ter mais pneus. Mesmo assim, não tem do que reclamar.

NICO ROSBERG7,5 – Ninguém viu, mas diz a lenda que ele participou da corrida, terminou numa boa sexta posição e ainda fez a melhor volta da prova. O alemão obteve uma interessante sexta posição no grid e prometia uma corrida competitiva, mas ameaçou colocar tudo a perder numa péssima largada. Ele imaginava poder fazer apenas uma parada, mas se viu obrigado a parar pela segunda vez para colocar pneus macios. Não foi uma estratégia ruim assim, já que ele pulou de 11º para sexto nas duas últimas voltas da prova. Mesmo assim, foi, sem a menor sombra dúvida, o mais discreto entre os seis primeiros colocados.

PAUL DI RESTA7,5 – Assim como o companheiro de equipe, também esteve competitivo durante os três dias de grande prêmio, embora não tenha sido tão chamativo. No grid, foi o último colocado do Q3 e largou de uma razoável décima posição. Para o domingo, decidiu apostar em uma ensandecida estratégia de apenas uma parada, com um primeiro stint de mais de 20 voltas com pneus macios, uma doideira só. Deu certo em partes, já que ele perdeu algum tempo antes do pit-stop. No fim da corrida, assim como Nico Hülkenberg, tinha pneus em boas condições até as voltas finais, quando foi ultrapassado por alguns pilotos. Ainda assim, terminou em sétimo e somou mais seis pontos.

JENSON BUTTON4,5 – Sua má fase é um mistério. Nos treinos livres, andou bem mais próximo de Lewis Hamilton do que vinha acontecendo nas corridas anteriores e até ponteou a terceira sessão. Tinha bons prognósticos para o treino classificatório, mas só obteve um discreto nono lugar no grid. Para piorar tudo, largou muito mal e caiu para 13º. Foi o primeiro piloto a fazer seu pit-stop e ficou com pneus médios entre a volta 10 e a bandeirada. Graças a isso, conseguiu ganhar algumas boas posições do nada nas últimas voltas e foi o único piloto da McLaren a pontuar.

SERGIO PÉREZ5,5 – Corrida discreta, mas muito mais eficiente do que a do companheiro de equipe. Voltou a andar mal no treino oficial e só conseguiu a 15ª posição no grid. No domingo, optou por uma estratégia esquisita, como é a regra na Sauber: largar com pneus médios e dar o mínimo de voltas possível para depois fazer dois stints com pneus macios. Não foi a melhor das decisões, mas ele ao menos conseguiu chegar ao fim e marcar dois pontos, coisa que Kamui Kobayashi não fez.

BRUNO SENNA3 – É aquele caso que você não entende muito bem como é que o piloto conseguiu marcar algum ponto. O único grande momento de Bruno Senna no fim de semana foi o quinto lugar no segundo treino livre. Na qualificação, tomou quase sete décimos de Pastor Maldonado no Q2 e teve de largar em 14º. Com uma estratégia de apenas um pit-stop, poderia ter se dado muitíssimo bem, mas causou um acidente estúpido e perigoso com Kamui Kobayashi na volta 20, o que resultou em um pneu traseiro furado e uma posterior punição aplicada pelo comissário Mika Salo, seu nêmesis. Depois disso, o brasileiro apenas tentou se aproveitar dos pneus médios para tentar ganhar algumas posições no finalzinho. Terminou em 11º, mas herdou uma posição a mais com a desclassificação de Pastor Maldonado. Um resultado até bom para um fim de semana magérrimo.

DANIEL RICCIARDO3 – Não consegue marcar pontos nem mesmo em uma corrida onde tudo vira de ponta-cabeça em questão de segundos. Mal nos treinos, o australiano da Toro Rosso apostou tudo em um segundo stint bem longo. Em determinado momento, quando o safety-car estava na pista, chegou a ocupar a quarta posição. Prejudicado pela entrada do carro de segurança, acabou perdendo um monte de posições no segundo pit-stop. Com isso, a chance de pontos evaporou. Fase muito ruim.

PASTOR MALDONADO3,5 – É um especialista em jogar pontos no lixo e estragar corridas perfeitas. Nesse caso, nem adianta muito ser o piloto veloz que é. E olha que ele caprichou aqui: líder no primeiro treino livre de sexta-feira e piloto mais rápido do Q1 da classificação. No Q3, chegou perto da pole-position, mas teve de se contentar com a ainda ótima terceira posição. O domingo foi bem típico de um cara desequilibrado como o venezuelano. Logo na largada, quase se pegou com os dois pilotos da Lotus. Nas voltas seguintes, se complicou com os pneus e foi ultrapassado facilmente por alguns adversários. Só se recuperou no final da corrida, quando tinha pneus em bom estado e era mais rápido que Lewis Hamilton. Só que o cara, cabeçudo como ele só, tentou uma ultrapassagem arriscadíssima sobre Lewis numa curva estreita. Resultado: toque, bico arrebentado e uma bela corrida evaporada. Pastor ainda cruzou em décimo, mas tomou vinte segundos de punição e ficou chupando o dedo. Como seu torcedor, digo o seguinte: bem feito!

VITALY PETROV5 – Não foi mal, mas fez tanto pit-stop nesta corrida que nem deveria precisar parar mais nas corridas restantes deste ano. Uma das quatro paradas foi feita para troca de bico e somente a última delas serviu para o russo colocar pneus médios. Se formos considerar o desempenho individual de Petrov, não há muito o que reclamar. Não foi para o Q2 por pouco e fez uma corrida honesta, sem se envolver em problemas maiores. Em determinado momento, chegou a andar em décimo. É justo que se ressalte, no entanto, que ele só terminou à frente de Heikki Kovalainen por causa da encrenca que o finlandês se envolveu.

HEIKKI KOVALAINEN5,5 – Foi bem pra caramba no sábado, quando conseguiu uma milagrosa 16ª posição no grid. Poderá contar aos netos que deixou nada menos que três carros Red Bull (Webber, Ricciardo e Vergne) para trás na classificação. Na corrida, deu o maior trabalho a Jean-Eric Vergne, mas este lhe deu ainda mais trabalho ao bater na asa dianteira de seu Caterham e estragar sua corrida. Heikki voltou lá no fim do pelotão, mas aproveitou-se dos azares alheios e terminou em 14º. Com o bico inteiro, felizmente.

CHARLES PIC4 – Nunca vou entender a Marussia, que comete erros babacas no pit-stop e ainda faz seu bom piloto francês andar apenas 11 voltas com um set de pneus médios. Charles Pic anda sofrendo pra caramba com a lerdeza ainda pior do que o normal de sua Marussia e voltou a largar atrás dos dois carros da HRT. Na corrida, pelo menos chegou ao fim e ainda deixou as duas diligências espanhóis para trás correndo na casa do adversário. E, olha só, finalizou à frente de uma Ferrari!

FELIPE MASSA1,5 – Fernando Alonso anda bem e é sortudo, Felipe Massa anda mal e é azarado. Esta frase aí é mais do que o suficiente para explicar como um vence a corrida e o outro chega em 16º. O paulista não foi bem nos treinos, mas Alonso também não foi e muita gente passou a enxergar isso como uma positiva aproximação entre os dois. Na classificação, ficou em 13º, a apenas duas posições do espanhol. A corrida começou muitíssimo bem, com uma ótima largada e uma sequência de ataques a Paul di Resta. De repente, a Ferrari perdeu bastante desempenho e Massa se distanciou de Alonso. Como se não bastasse, quando já não tinha chances de pelejar pelas primeiras posições, tomou uma pancada dolorosa de Kamui Kobayashi e teve de ir aos pits trocar o pneu furado. Pelo menos, não morreu e nem cruzou com um gato preto ou uma mola perdida no meio do caminho.

PEDRO DE LA ROSA4,5 – Equipe pequena é uma merda, mesmo. O espanhol quarentão tinha boas chances de ter terminado a corrida à frente de Charles Pic (e, quem sabe, até mesmo à frente de Felipe Massa), mas algum energúmeno na HRT decidiu fazê-lo andar com um único set de pneus macios durante 29 intermináveis voltas. Assim não dá, né? O chato é que Pedro fez um trabalho muito bom, tendo largado novamente à frente da Marussia de Charles Pic e se esforçado ao máximo para fazer os pneus funcionarem. Mas não dá para fazer milagres, mesmo em casa. A propósito, que pancada dolorida aquela da sexta-feira, hein?

NARAIN KARTHIKEYAN3,5 – O indiano estava bem rápido neste fim de semana. Tão rápido que deixou Charles Pic para trás no treino oficial, escapando da última fila. Tão rápido que até punição por excesso de velocidade nos pits ele tomou. Seu Narain, rapidez não é tudo, ainda mais quando não se tem um carro veloz. Exatamente por isso, ele só tentou levar o carro até o fim sem problemas. Fez seu serviço.

LEWIS HAMILTON8 – Esse cara, definitivamente, nunca terá tranquilidade em sua carreira na Fórmula 1. Neste fim de semana, ele trabalhou direito, não fez bobagens e seu único crime foi não ter cedido espaço ao perigoso Pastor Maldonado nas últimas voltas. Chega a ser, sei lá, meio revoltante. No treino classificatório, Lewis obteve uma boa primeira fila ao lado de Sebastian Vettel. Partiu bem e manteve a segunda posição, mas tomou uma boa ultrapassagem de Romain Grosjean ainda no começo e teve de parar nos pits para colocar pneus médios. Após o safety-car e o abandono de Vettel, voltou à segunda posição e parecia destinado a terminar por lá. Só que ele não contava com o desgaste de pneus, que possibilitou a ultrapassagem de Kimi Räikkönen e as investidas de Maldonado, uma das quais resultou no acidente. Com isso, Hamilton ficou bem longe da liderança do campeonato. Sem culpa no cartório, diga-se de passagem.

ROMAIN GROSJEAN9 – Se Fernando Alonso não existisse, eu diria que o franco-suíço foi o piloto mais impressionante da corrida. Sua evolução é notável. Fica provado que quando ele sobrevive aos primeiros metros, é capaz de fazer maravilhas com a Lotus. Neste domingo, quase que isso não aconteceu: ele chegou a se bicar com Kimi Räikkönen nos primeiros metros e poderia ter causado um belo e custoso acidente doméstico. Nas primeiras voltas, Romain atacou Lewis Hamilton e chegou a ultrapassá-lo na volta 10. Após o safety-car retornar aos boxes, ele ganhou a posição de Sebastian Vettel e perdeu uma para Fernando Alonso, mantendo-se em segundo. Infelizmente, a merda do alternador quebrou e a corrida acabou para ele na volta 40.

SEBASTIAN VETTEL9,5 – Se os deuses da velocidade não fossem asturianos, a vitória neste GP da Europa seria a 23ª da carreira do bicampeão alemão. Sua pole-position, com três décimos de vantagem sobre o segundo numa pista onde todo mundo estava andando embolado, foi humilhante. A largada foi limpa e tranquila, assim como o decorrer da corrida. Antes do safety-car, ele já tinha aberto quase 20s para Romain Grosjean. Vettel entrou nos boxes, fez sua parada e voltou para a pista pronto para prosseguir com o desfile até a bandeirada. Mas o alternador não deixou. E Vettel, sempre cirúrgico, teve de deixar o caminho livre para a vitória de Alonso.

KAMUI KOBAYASHI4 – Se dependesse somente da velocidade mostrada em pista, mereceria uma nota até acima de oito. Como a Fórmula 1 também envolve variáveis como cérebro, prudência e até mesmo sorte, fui obrigado a rebaixar a avaliação. O japa mandou bem no treino oficial e obteve um ótimo sétimo lugar no grid. Na largada da corrida, foi melhor ainda e subiu para quarto. Mas as coisas começaram a dar errado a partir do primeiro pit-stop, quando um mecânico teve problema com uma das rodas e perdeu um bocado de tempo. Kobayashi voltou à pista no meio do pelotão e teve de remar para tentar recuperar posições. Em uma dessas brigas, bateu em alta velocidade com Bruno Senna e teve de ir aos boxes fazer reparos. Não demorou muito e ele se envolveu em outro acidente, dessa vez com Felipe Massa. Dessa vez, os danos foram extensos e Kamui teve de abandonar. Pô, cara, se não gosta de brasileiro, é só não chegar perto!

JEAN ERIC-VERGNE1 – Treinos horrorosos, corrida pior ainda. O francês definitivamente não se dá bem com esse negócio de andar o mais rápido possível contra o cronômetro. No treino oficial, apanhou de uma Caterham novamente e não perdeu para Vitaly Petrov por pouco. Na corrida, irritado com aqueles carros esverdeados, perpetrou um acidente bobo com Heikki Kovalainen e destruiu um dos pneus traseiros de seu carro, causando o safety-car que mudaria a vida de muita gente. Esta foi a única coisa de bom que o francês fez durante o fim de semana.

TIMO GLOCKS/N – É injusto dar uma nota a alguém que não teve sequer condições físicas de participar do treino oficial e da corrida. Diagnosticado com uma infecção estomacal, o alemão só participou dos três treinos livres e terminou dois deles em último, mostrando que não tinha condições sequer de jogar peteca. Arregou no treino oficial e preferiu nem dar as caras no autódromo no domingo. Diante da assombrosa possibilidade de caganeira no cockpit, fez bem.

GP DA EUROPA: Deixa eu dizer uma coisa que não consigo entender nas mentes obscuras das pessoas por aí. Todo mundo elogia Long Beach, o circuito praieiro, guerreiro e californiano que realiza corridas de Fórmula Indy desde os anos 80. Aí vem o Hermann Tilke e cria um circuito parecido, com algumas curvas de alta velocidade, um miolo absurdamente travado e muros altos. E o povo, o mesmo povo que se delicia com Long Beach, reclama e diz que a pista valenciana é a maior bosta que o arquiteto alemão criou na vida e na morte. Para mim, é o mesmo raciocínio de quem diz não gostar do sertanejo universitário atual porque acha que Leandro e Leonardo e suas músicas choradas são melhores. Valência, o Michel Teló dos circuitos atuais, é injustiçado porque surgiu na época errada. O engraçado é que em 2008, primeiro ano de existência da pista espanhola, muita gente elogiou o traçado, incluindo aí Felipe Massa. Mas nada como um amontoado de corridas ruins para mudar a cabeça de todos, ainda que Spa-Francorchamps e Suzuka estejam entregando provas tão enfadonhas quanto. A situação financeira da Espanha também não ajuda. Neste ano, os organizadores disponibilizaram apenas 45 mil ingressos para a corrida, 20 mil a menos que no ano passado e 55 mil a menos que em 2008. Mesmo assim, apenas 38 mil foram adquiridos, a maior parte deles por estrangeiros em melhor saúde monetária. Sem contar com a simpatia dos fãs e a grana ilimitada do governo, Valência só voltará a aparecer no calendário revezando o GP da Espanha com o circuito de Barcelona. Isso se as coisas não piorarem ainda mais.

ALONSO: Uma das coisas que mais me impressionam em Fernando Alonso é a capacidade de comentar assuntos espinhosos com a maior naturalidade do planeta, extrapolando qualquer limite imaginável de cara-de-pau. Eu, que torço por ele desde 2001, não ligo para isso. Vejo nele uma mistura de Michael Schumacher com Alain Prost que consegue ser ainda mais descarada. Durante a coletiva de pilotos nesta sexta, o asturiano fez alguns comentários sobre como a Ferrari funciona. “Qualquer que seja o meu companheiro, não haverá problemas e nós trabalharemos com ele da mesma forma que fazemos hoje com Felipe”, afirmou acreditando piamente que um GP da Alemanha de 2010 acontece todo dia com todo piloto. Sobre Massa, ele fez outro comentário que transita entre o amigável e o desdenhoso: “ele não é um mau piloto, embora, olhando por fora, até possa parecer”. Puxa, como ele é legal. Um elogio destes me faria sair de casa com uma sacola na cabeça. Por fim, de maneira sutil, Alonso explicou qual é a sua real influência na hora da Ferrari escolher um segundo piloto: “no passado, isso não acontecia. Aqui na Ferrari, acontece. Eu apareço na Itália toda semana e me encontro com Stefano Domenicali de vez em quando. Nós falamos sobre o futuro da Fórmula 1, o desenvolvimento dos carros e o futuro dos meus companheiros de equipe”. É isso aí. Alonso manda e tem juízo quem obedece.

OITO: Jenson Button, Fernando Alonso, Nico Rosberg, Sebastian Vettel, Pastor Maldonado, Mark Webber e Lewis Hamilton. Falta mais alguém? Difícil dizer. Nunca antes na história desta Fórmula 1 houve uma temporada que teve sete vencedores diferentes nas sete primeiras corridas. Valência, neste próximo domingo, será a oitava corrida. É improvável que o recorde seja ampliado, pois não há mais ninguém que tem condições claras de vitória. Michael Schumacher já ganhou umas noventa vezes, mas anda tão azarado que é melhor apostar que uma horda de alienígenas bárbaros e assassinos invadirá a pista no caso dele estar liderando a última volta. Romain Grosjean poderia ser uma boa aposta, mas ninguém garante que ele esteja apto a sobreviver à quarta volta da corrida. Kimi Räikkönen é diletante e sossegado demais para isso. Sergio Pérez passou perto da vitória na Malásia, mas precisaria de um novo fim de semana genial e a permissão da Sauber para ganhar sua primeira corrida. Kamui Kobayashi vencendo seria o sonho de todos, mas isso infelizmente não acontecerá tão cedo. E Felipe Massa, infelizmente, não tem mais condições para ganhar alguma coisa. Aposto na vitória de Alonso, que se dá bem porque é mais esperto e cuzão que os demais.

TORO ROSSO: Ela não me surpreende mais. Na verdade, fiquei apenas assustado pelo clima ter azedado mais cedo do que eu imaginava. Nesses últimos dias, o caolho Helmut Marko não moderou a língua e destilou a primeira flecha contra o novato Jean-Eric Vergne: “ele é muito selvagem. Não há nada de errado em ser agressivo, mas a agressividade dele precisa ser controlada”. Marko é isso aí, um sujeito de visão pouco apurada que acha que pilotos bons são apenas aqueles que ganham com um Toro Rosso. Como Vergne não passou nem perto disso, a crítica mordaz dá as caras. É verdade que o francês anda precisando apertar um pouco mais o pedal do acelerador nos treinos oficiais, mas é igualmente verdadeira a incômoda lerdeza do STR7. E os dois pontos a mais que Jean-Eric possui a mais que Daniel Ricciardo também não são fictícios. Mas o ambiente definitivamente pesou. O próprio Ricciardo já andou alfinetando o companheiro, dizendo que ele “anda bem em corridas porque tem pneus novos para gastar, já que ele não os usa nos treinos”, ironia referente ao fato de Vergne sempre sobrar no Q1. A guerra entre os dois moleques está a um pavio de ser iniciada, para deleite sádico do pouco visionário Helmut Marko.

COSWORTH: Fico triste a cada ocasião em que um resquício do passado fica definitivamente para trás. Algumas coisas deveriam ser proibidas de decaírem. A Williams era uma delas. A Cosworth, inglória fornecedora de motores da Marussia e da HRT, é outra. Nesta semana, representantes de duas prováveis fornecedoras de motores a partir de 2014 demonstraram ceticismo acerca da permanência da fábrica fundada por Mike Costin e Keith Duckworth na Fórmula 1 a médio prazo. Um diretor da Renault, que poderá fornecer motores para até seis equipes em 2013, afirmou que “a Cosworth está acabada, pois não consegue fazer mais nada hoje em dia”. Como discordar? Outra voz pessimista foi a de Craig Pollock, o sujeito sempre honesto e idôneo que lidera o projeto PURE, provável quarta fornecedora de motores a partir de 2014: “a Cosworth não possui capital tecnológico para permanecer na Fórmula 1. Ela é um dinossauro que poderá ser extinto em breve”. Difícil apontar qualquer tipo de maldade pura nas declarações acima. Infelizmente, a Fórmula 1 não é uma coisa sustentável para ateliês mantidos unicamente pela paixão e pela tradição. Os dias de Jackie Stewart ganhando títulos a rodo com um DFV barato, confiável e veloz viraram lenda. O negócio é tomar um antiácido e tentar sorrir com a chegada da empresa de Blergh Pollock.

Spa-Francorchamps, a pista que deverá aparecer apenas uma vez a cada dois anos. Bill Clinton diria que é a economia, estúpido

O bicho pegou. Perder Imola não foi tão absurdo, pois a pista foi devidamente mutilada após as tragédias de 1994. Perder Magny-Cours também não, embora a ausência da França no calendário seja sempre lamentável. Ter de alternar entre Hockenheim e Nürburgring também não deprimiu ninguém, já que nenhuma das duas pistas tem o charme de outrora. Como diz a sua avó, a gente só se preocupa quando a água bate na bunda. Pois a melhor água mineral do planeta, a da Bélgica, acabou de chegar lá.

Aparentemente, a Fórmula 1 encontrou uma saída para Spa-Francorchamps, o melhor circuito do calendário com alguma folga. Há algum tempo, o circuito belga vem dando enormes prejuízos e registrando quedas dramáticas no número de espectadores. Em 2011, os organizadores contabilizaram perdas de mais de 5,5 milhões de euros. Em 2010, foram três milhões de euros no lixo. Em 2008, 3,8 milhões de euros. Em termos de pagantes, apenas 45 mil pessoas compareceram a Spa-Francorchamps em 2011, 5% a menos que o já baixo número de 2010. Para reverter os prejuízos, a corrida precisaria atrair ao menos 65 mil pessoas em 2012. Este número não é alcançado há cerca de dez anos. Sentiu a tragédia?

Pois o resignado governo belga aceitou promover um rodízio de sua bela corrida com qualquer outra na Europa. Até mesmo Enna-Pergusa serve. Nos últimos dias, alguns jornais franceses anunciaram aquilo que todos nós já tínhamos ouvido falar há algum tempo: a partir de 2013, Spa-Francorchamps passaria a se alternar com o circuito francês de Paul Ricard no calendário da Fórmula 1. Em um ano, todo mundo iria para a Bélgica, No outro, para a França. Fácil.

É isso aí que você leu: vamos ficar sem Spa-Francorchamps ano sim, ano não. Não que Paul Ricard seja a maior das tragédias esportivas. Eu só não aprecio aquele monte de áreas de escape pintadas com a palheta de Mondrian e acho que o relevo é plano demais. Mas ainda é um circuito que passa de ano e com nota bem maior do que Magny-Cours, por exemplo. Além disso, a França é um país espetacular. Ainda vou atravessar o país parando de vinícola em vinícola, vocês vão ver. Por fim, nada mais legal do que um circuito fundado por um cara excêntrico que ficou milionário fazendo uma bebida alcóolica à base de anis.

Mas nada disso compensa a ausência bienal de Spa-Francorchamps, localizada na igualmente espetacular Bélgica. É verdade que a pista não anda tendo lá grandes corridas. É verdade que o traçado é bem menos desafiador do que aquele triângulo que vigorava até os anos 70. Só que Spa é o que ainda nos resta entre os circuitos velozes, desafiadores, seletivos e de cenário deslumbrante da história do esporte. É um dos pouquíssimos focos de resistência da tradição e nostalgia do automobilismo. Um pouco de memória e caldo de galinha não fazem mal. Na verdade, caldo de galinha tem glutamato monossódico e isso é cancerígeno.

Nesta semana, saíram também algumas notas sobre os apuros financeiros das etapas espanholas. O circuito de rua de Valência está ameaçado a partir do momento em que a comunidade anunciou querer rever os valores que são pagos a Bernie Ecclestone para a realização da corrida. A cada ano, 26,8 milhões de dólares saem do caixa de Valência direto para o bolso do pequeno asquenaze. Fora isso, cerca de 14 milhões de dólares são despendidos em custos operacionais. A Espanha está praticamente falida. Estes valores são irreais.

Outra pista que corre risco na Fórmula 1 e também na MotoGP, Barcelona

Nesta semana, a turma de Barcelona também pôs em xeque o fluxo de euros que está sendo gasto para o financiamento da festança.  O ministro da Economia da Catalunha, Andreu Mas-Colell, considerou que não teria problemas em rever se valia a pena continuar torrando dinheiro para a realização das corridas de MotoGP e Fórmula 1. Em 2010, Barcelona gastou 3,8 milhões de dólares com a categoria de Bernie Ecclestone. No ano passado, estas cifras subiram para quase cinco milhões de dólares.  Muita grana para um país cuja variação do PIB é uma das piores do planeta.

Recentemente, Valência propôs a solução da alternância com Barcelona: o GP da Espanha seria mantido e as duas regiões economizariam uma grana bruta, pois só realizariam uma corrida a cada dois anos. Os catalães recusaram, orgulhosos como sempre foram. Pois é bom eles começarem a repensar. A Fórmula 1 tem duas corridas espanholas no calendário, sendo atualmente o único país a contar com o privilégio. A MotoGP, promovida pelo espanhol Carmelo Ezpeleta, abusa de nossa boa vontade: nada menos que quatro das dezoito rodadas do calendário são realizadas no país ibérico, Jerez, Barcelona, Valência e Aragón.

Até alguns anos atrás, a Espanha parecia ser o novo polo do esporte a motor na Europa. A Alonsomania e a sempre poderosa participação no motociclismo pareciam projetar o país a um patamar de elite nas competições motorizadas. Na verdade, o país como um todo parecia estar experimentando um momento de euforia e autoestima, a começar pela gastronomia molecular de Ferran Adrià, que muitos diziam estar superando a tradicional culinária francesa. Mas toda esta felicidade acabou tão logo o país começou a ruir, a partir do fim de 2007.

Perdida entre uma dívida externa que ultrapassa os 65% do PIB, um setor imobiliário em frangalhos após o estouro da bolha especulativa há quatro anos e uma assustadora taxa de desemprego que chegou aos 22% em dezembro, a Espanha é uma das bocas de porco da União Europeia. Para tentar cobrir um pouco do buraco, o país segue emitindo mais dívida a juros altíssimos. A Standard & Pool, uma das agências de rating mais importantes do planeta, aplicou nota AA- aos títulos espanhois. E ainda uma observação negativa: a situação pode piorar.

Bernie Ecclestone, como todo judeu, entende de dinheiro. Entende de economia. Os grandes economistas da humanidade eram judeus, de Adam Smith a Milton Friedman. Bernie poderia estar aí no meio se seu trabalho não fosse levar a Fórmula 1 aos xeiques e aos chineses.  Em novembro, ele foi categórico ao falar do futuro de sua categoria na Europa. “Ela (o continente) acabou. Nos próximos anos, os europeus deverão ter apenas umas cinco corridas”, sentenciou Bernie.

Ecclestone pode ser detestável, mas é um sujeito bastante inteligente. É errado dizer também que ele prefere conviver com barbudos que usam burca e espancam suas treze mulheres ou homenzinhos de olhos puxados que comem escorpião frito com dois palitos. Na verdade, os ingleses não costumam ser muito simpáticos com povos muito distantes. Se Bernie pudesse, passaria sua vida em Mônaco e em Côte d’Azur. Mas ele sabe que o dinheiro não está mais na Europa, e sim com os bárbaros asiáticos. Então, sinto muito, que o pedantismo europeu vá para a casa do cacete, é o que o baixote pensa.

Exatamente por isso, a Fórmula 1 procura incessantemente novas pistas. Neste ano, teremos o tal Circuito das Américas em pleno Texas. No ano que vem, será a vez de Nova Jersey ter seu circuito de sua. Em 2014, a Rússia terá sua primeira corrida de Fórmula 1, que será sediada no circuito de Sochi. Bernie Ecclestone está disposto a usufruir dos abundantes dólares que jorram da economia russa, que enriquece com o extrativismo e esbanja ostentação por meio dos oligarcas. Por outro lado, os EUA nunca deixaram de ser um objetivo de vida da categoria.

OK, e o que você acha da decadência europeia? Eu não só acho uma desgraça como também acho preocupante. Vejo com péssimos olhos este movimento geopolítico. Nossas vidas, e também as dos ilustres do automobilismo, seriam drasticamente afetadas. Para melhor? Ao que me parece, não.

Antes que você apareça aqui com tropas americanas tentando destruir meu bunker e meu reich particular, dê-me ao menos uma chance de explicar. Em primeiro lugar, se você fica feliz com o fato dos EUA, da Europa e do Japão estarem mergulhados em uma crise sistêmica, deverá saber que a humanidade nunca deixa de ter um país dominante ou, no máximo, uma oligarquia de países dominantes. E não me arriscaria a dizer que um país fora deste eixo contemporâneo necessariamente exerça um tipo de comando mais interessante para todos. Se você não liga para isso e sonha com a possibilidade do Nepal mandar no mundo, OK. Agora, se você acha que sua vida permaneceria igual se um país completamente diferente comandasse, sinto dizer, você é tolo.

Gostemos ou não, sejamos nós de direita, esquerda, centro ou do PSD, comamos com garfo, com hashis ou com os pés, devemos admitir que nós vivemos um tipo específico de civilização, pautado em valores ocidentais e judaico-cristãos. O Japão entra na conta, já que assimilou boa parte destes valores desde o fim da Segunda Guerra Mundial. É bom? É ruim? É indiferente? Vai de cada um. Eu acho que a vida contemporânea ocidental está cheia de imbecilidades, exageros e injustiças, mas simplesmente não conseguiria viver em uma tribo amazônica, em uma aldeia no meio do Himalaia ou na Coréia do Norte. Independente de a execução ser correta ou não, nossa civilização tem leis e ideias que permitiram a criação da democracia, da liberdade de expressão, do direito e daqueles conceitos preconizados na Revolução Francesa, como a igualdade e a fraternidade. Temos um ambiente onde o sujeito pode contestar os pais, ficar com alguém do mesmo sexo, consumir o que quiser, xingar os políticos e não dar satisfação a ninguém. Sim, sou um liberal clássico.

Yas Marina, em Abu Dhabi. Não seria este o padrão de automobilismo que os novos "líderes globais" seguiriam?

A Fórmula 1 surgiu neste contexto. Muita gente de esquerda repudia o automobilismo por considera-lo caro, inútil, perigoso, poluidor e injusto, já que ele premia quem pilota o veículo mais rápido. Mesmo sendo um reacionário fascista e diabólico, não deixo de concordar com alguns postulados acima. Mas o fato é que eu e todos os leitores gostamos do negócio. Aprendemos a assistir à Fórmula 1 que corre em Spa-Francorchamps e fuma Marlboro. Do mesmo jeito que nós gostamos de coisas desnecessárias, como chocolate, cerveja pale ale, séries americanas e Street Fighter. Não precisamos de nada destas coisas de consumo de massa, podemos viver perfeitamente bem sem elas. Ainda assim, gostamos e consumimos. Foi a tal civilização ocidental que todos cuspimos em cima que proporcionou estes caprichos a nós.

Pois tudo isso pode acabar, ou ao menos sofrer uma transformação deveras assustadora, se os hegemônicos atuais caírem. Não gosto muito disso. Não sei quanto a vocês, mas me apego a coisas antigas, a tradições. Antes que você pense que meu maior sonho é o retorno da Inquisição, digo que valorizo uma boa corrida antiga, uma marca legal (só eu me entristeci com a falência da Kodak?), um costume de infância, o antigo programa Sílvio Santos ou o fato das pessoas irem ao parque fazer um piquenique. Se tudo isso mudar, para onde o mundo iria? E, sim, uma mudança geopolítica afeta diretamente nossos costumes.

Onde a Fórmula 1 entra nisso? Você, que vive reclamando das pistas tilkeanas no meio do deserto, sabe muito bem. Os asiáticos, que são aqueles que deverão tomar as rédeas do globo nesta década, não têm o mesmo envolvimento emocional com o automobilismo que os ocidentais possuem. Com exceção do Japão (lembre-se: o Japão entra na minha turma dos “ocidentais”), os demais países do grande continente não possuem know-how, material humano ou mesmo disposição para o tipo de automobilismo que nós gostamos. Não duvido que esta situação possa ser revertida, até porque eles têm o dinheiro. O problema é que estes países podem acabar desenvolvendo um tipo de corrida que nós não gostamos. E este tipo de corrida poderia dominar o cenário automobilístico internacional.

Um chinês nunca teve a chance de ver uma corrida em Österreichring. Um paquistanês nunca viu um grid com mais de 24 carros. Um jordaniano não sabe o que é um carro de seis rodas ou um carro asa. Um bengali não imagina que havia equipes de Fórmula 1 que eram compostas por sete pessoas. Um vietnamita acha que toda pista de corrida deve ter áreas de escape de cinquenta hectares. Este pessoal construirá um automobilismo apenas com os seus valores. E este automobilismo terá grandes chances de ser mais chato, mais elitista, mais caro e mais instável do que o que nós conhecemos.

Por isso que fico preocupado com o sumiço dos palcos europeus do calendário da Fórmula 1, do mesmo modo que olho com apreensão para cada notícia ruim que sai da Europa ou dos EUA. Eu reconheço que europeus, americanos e japoneses fizeram um monte de cagadas, algumas delas homéricas e várias até criminosas. Reconheço que estes países pagam pelas suas decisões erradas. Mas ainda valorizo o mundo onde eu nasci, cresci e vivo. Não gostaria de perder elementos da minha vida por causa de uma transição geopolítica. E o automobilismo certamente é um destes elementos.

Pronto, agora vocês podem invadir meu bunker.

PS: Antes que algum engraçadinho venha fazer alguma interpretação obtusa e caluniosa, não tenho absolutamente nada contra asiáticos e demais povos. Sou descendente de asiáticos, aliás. Respeito suas culturas, acho a China pré-1949 uma das coisas mais belas da humanidade, mas não gostaria de vê-las comandando o planeta.

RED BULL9,5 – É chato não poder dar dez a uma equipe que tem um primeiro piloto top de linha, um carro impecável e uma turma de mecânicos e engenheiros dignos da NASA porque seu segundo piloto é um crocodile dundee incapaz de terminar em segundo. Fazer o quê? Sebastian Vettel ganhou mais uma, a sexta do ano, e Mark Webber terminou em terceiro após não conseguir superar Fernando Alonso, mesmo contando com o bom trabalho da equipe nos pits.

FERRARI7,5 – Nesse fim de semana, a equipe contava com o segundo melhor carro do grid e tinha ótimos prognósticos. Infelizmente, nem tudo foi perfeito: o trabalho dos mecânicos no segundo pit-stop de Felipe Massa foi terrível e o brasileiro acabou perdendo cinco segundos. Ainda assim, ele terminou em quinto. Fernando Alonso foi o segundo após boa briga com Mark Webber. Para os atuais padrões da equipe, um bom fim de semana.

MCLAREN6 – O MP4/26 vem despertando preocupações nos pilotos Lewis Hamilton e Jenson Button. Mesmo com Lewis largando na terceira posição, a equipe nunca conseguiu passar perto do pódio e acabou obtendo apenas o quarto e o sexto lugares. A vitória canadense, pelo visto, só aconteceu pelo imponderável.

MERCEDES5,5 – Apagada como na maioria das vezes, a equipe das três pontas não consegue se sobressair em um fim de semana normalzinho e perfeitinho. Nico Rosberg, aniversariante, fez aquela corrida chatinha de sempre e Michael Schumacher se divertiu um pouco mais após destruir o bico de seu carro em um toque com Petrov e cair para o fim do grid.

TORO ROSSO6,5 – Trouxe alterações aerodinâmicas em Valência, mas o que salvou o fim de semana da equipe foi a atuação de Jaime Alguersuari, que saiu da 18ª posição para a oitava após fazer uma parada a menos na prova. Sébastien Buemi fez o de sempre. Os dois pilotos estão com os mesmos oito pontos no campeonato e a briga pela sobrevivência na equipe seguirá encardida até o fim do ano.

FORCE INDIA6 – Poderia ter marcado pontos com os dois carros, mas teve alguns pequenos contratempos que atrapalharam tudo. Na sexta-feira, Nico Hülkenberg bateu o carro de Paul di Resta e atrasou os trabalhos dos indianos com o segundo carro. Na corrida, Adrian Sutil andou bem e marcou dois pontos. Di Resta até tentou, mas teve problemas com a estratégia e ficou de fora dos pontos. Aos poucos, a ordem se reestabelece.

RENAULT3,5 – Aparentava ter um carro bem melhor nos treinos do que na corrida, o que parecia provado pelo segundo lugar de Vitaly Petrov em um dos treinos livres. Na classificação, apenas Nick Heidfeld passou para o Q3. Na corrida, os dois pilotos não conseguiram ganhar posições e apenas um pontinho foi feito pelo alemão. Sem grana, a equipe parece ter estacionado no desenvolvimento do carro.

SAUBER2 – Nem mesmo a ótima capacidade do C30 em poupar pneus ajudou Kamui Kobayashi e Sergio Pérez, que terminaram a corrida sem pontuar. Os dois largaram lá no meio do bolo e, sem a ajuda dos abandonos e de pontos de ultrapassagem, ficaram por lá mesmo. Pior corrida do ano para os suíços até aqui.

WILLIAMS2,5 – Rubens Barrichello até obteve um resultado razoável ao terminar em 12º, considerando que o carro de Frank Williams aparenta ser o pior entre as equipes normais. Pastor Maldonado, por outro lado, teve outro fim de semana ruim, com direito a um problema de câmbio no Q2 da classificação. É outra equipe que precisa urgentemente de dinheiro para melhorar.

LOTUS3,5 – Não fez nada de muito diferente daquilo que vem fazendo neste ano. Tanto Heikki Kovalainen como Jarno Trulli ficaram à frente da Virgin e da Hispania com facilidade, e só. Eles ainda chegaram a brigar um pouco com Pastor Maldonado, mas a Williams ainda está furos à frente. Sem abandonos, ficou lá entre o 19º e 20º mesmo.

VIRGIN3 – Com Glock, a equipe parecia até um pouco mais próxima da Lotus. Com D’Ambrosio, ela parecia tão patética quanto a Hispania. O caso é que ambos os carros terminaram e o alemão ganhou um monte de posições na largada, mas acabou perdendo terreno conforme a corrida passava.

HISPANIA2 – Em casa, como sempre, não deu pra fazer porcaria nenhuma. Os dois pilotos, Vitantonio Liuzzi e Narain Karthikeyan, reclamaram um bocado do carro. Sem abandonos, ambos ficaram relegados à 23ª e à 24ª posições. Pelo menos, chegaram ao fim mais uma vez.

CORRIDABOM PARA VALÊNCIA – De verdade, ninguém liga a TV esperando ver aquela corrida sensacional e inesquecível. Eu mesmo estava tão ansioso que só me lembrei que haveria uma corrida no sábado de manhã! Por isso, a vontade de ver a prova (e de escrever sobre ela) estava lá no chão. Pelo menos, até me surpreendi positivamente: já tivemos corridas muito piores de Fórmula 1 no circuito de Valência, que gosto muito. Sebastian Vettel venceu liderando quase todas as voltas e Fernando Alonso acabou deixando Mark Webber para trás. Mais atrás, as brigas eram mais intensas, mas nada que chamasse muito a atenção. Enfim, corrida boa para os padrões valencianos e chatíssima para o que temos visto neste ano.

TRANSMISSÃOFSSST! – Como não prestei atenção em boa parte da corrida, não tenho lá grandes lembranças. Achei engraçado o “FSST” que o narrador global soltou quando quis descrever a largada fulminante de Felipe Massa. Suas onomatopeias relacionadas a pilotos brasileiros viraram atração à parte neste ano. Destaco também a explicação dada em conjunto com o piloto-comentarista sobre o que significa “engazopar”. E termino com uma das melhores frases ditas até aqui: “estamos na volta 43. Depois dela, a 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11…. opa, aí é 51”. 51 é o que esses caras bebem antes das transmissões. Fsst!

GP2O RENASCIMENTO PARA ALGUNS – Amanhã, escrevo texto sobre um dos camaradas que correm na GP2. Hoje, falo apenas das duas corridas. Na primeira, venceu o franco-suíço Romain Grosjean, que herdou a vitória após o pole Charles Pic não conseguir largar e o primeiro líder Giedo van der Garde ser punido por ultrapassar em bandeira amarela. Van der Garde, posteriormente, se meteu em uma briga encarniçada com Davide Valsecchi e se deu bem, terminando em segundo. Na corrida de domingo, o mexicano Esteban Gutierrez afastou o azar que o acompanhava e venceu sua primeira corrida na categoria. Em segundo, outro que vinha devendo um bom resultado, o baiano Luiz Razia. Gutierrez é o único piloto da ART Grand Prix a ter vencido uma corrida neste ano. E o seu companheiro? Fez um corridão de recuperação no domingo, mas não pontuou. Será o assunto amanhã.

SEBASTIAN VETTEL10 – Não há muito mais o que dizer. Pole-position com direito a recorde de pista. Liderança em todas as voltas menos uma, aquela em que Massa liderou enquanto os outros paravam. Volta mais rápida. Seis vitórias em oito. Entreguem o título para ele e recomecemos o ano do zero.

FERNANDO ALONSO 9 – Você pode achar o espanhol um cara chato, marrento, mascarado e baixote, mas não pode negar que trata-se de um grande piloto. Pulou para terceiro na largada, fez uma boa ultrapassagem sobre Webber após a primeira rodada de pit-stops e conseguiu usufruir do bom trabalho dos mecânicos da Ferrari para recuperar a segunda posição do mesmo Webber na última rodada de pit-stops. Ótimo segundo lugar.

MARK WEBBER7,5 – Diz ele que foi sua melhor corrida no ano. Difícil concordar com ele. O australiano até fez seu trabalho no treino classificatório, colocando seu carro na segunda posição do grid. Na largada, quase foi ultrapassado por Massa. Durante a corrida, levou uma ultrapassagem de Alonso após a primeira parada, recuperou a segunda posição na segunda parada e perdeu na terceira. Lembrando que seu carro é um Red Bull, terceiro lugar magro.

LEWIS HAMILTON7 – Sem um carro que pudesse peitar Red Bull e Ferrari, não apareceu. Ainda foi bem no sábado ao obter a terceira posição no grid. No dia seguinte, largou mal e teve enormes dificuldades com os pneus, sendo sempre o primeiro a realizar suas três trocas entre os pilotos de ponta. Quarto lugar apenas morno, mas que representa enorme avanço após as bobagens das duas últimas corridas.

FELIPE MASSA7,5 – Trabalho bastante digno em uma pista bastante apreciada por ele. Fez um razoável quinto lugar no treino classificatório e chamou a atenção de todos na largada, quando passou Hamilton e Alonso logo nos primeiros metros e quase engoliu Webber na primeira curva. Temendo um toque com o australiano, tirou o pé e acabou perdendo uma posição para o companheiro espanhol. Depois, perdeu um pouco de rendimento e ainda sofreu com os costumeiros problemas ferraristas no seu segundo pit-stop, o que lhe custou cinco segundos. Ainda assim, resultado honesto.

JENSON BUTTON 6,5 – Rei na última corrida, Jenson foi apenas mais um súdito na Espanha. Fez apenas o sexto tempo no sábado e, como de costume, manteve-se cauteloso durante a maior parte da corrida. O destaque maior vai para a boa ultrapassagem sobre Rosberg no início da corrida. Mesmo assim, não conseguiu se aproximar de Felipe Massa para uma briga real. Até certo ponto de maneira surpreendente, é o vice-líder.

NICO ROSBERG6 – Em um fim de semana sem grandes reviravoltas, o andrógino da Mercedes restringiu-se a fazer o arroz-e-feijão de sempre. Largou da sétima posição, passou Button na primeira curva e sustentou-se à frente até ser ultrapassado pelo inglês cinco voltas depois. Após isso, só correu para chegar em sétimo.

JAIME ALGUERSUARI 7,5 – Assim como costuma acontecer com Button e Heidfeld, é difícil avaliar um sujeito que vai muitíssimo melhor na corrida do que na classificação. Teve problemas nos treinos livres e sobrou no Q1 do treino classificatório. Apostou em uma arriscada estratégia de apenas duas paradas e se deu muitíssimo bem na prova, ganhando posições a rodo. Terminou em um excelente oitavo lugar que o igualou ao seu companheiro de equipe na tabela do campeonato. Se não é gênio, pelo menos se esforça bastante.

ADRIAN SUTIL6,5 -A passos consideráveis, o alemão vem recuperando terreno em relação ao companheiro Di Resta. Sempre competitivo nos treinos, salvou-se por pouco no Q3 da classificação e optou por não participar da última sessão para economizar um jogo de pneus. Na corrida, passou Heidfeld na largada e esteve sempre entre os dez primeiros. Terminou colado em Alguersuari, mas não passou do nono lugar. Ainda assim, bom resultado.

NICK HEIDFELD5 – Caso raro de fim de semana melhor no sábado do que no domingo. No treino oficial, superou o companheiro de equipe e foi o único da Renault a ir para o Q3. Na corrida, largou mal, perdeu uma posição para Adrian Sutil e andou a maior parte do tempo em décimo. Chamou a atenção apenas em uma boa ultrapassagem sobre Pérez, mas não conseguiu mais do que um único ponto no final.

SERGIO PÉREZ4,5 – Resultado bom para alguém que não conseguiu correr em Montreal e que chegou a sofrer de tonturas na sexta-feira. Largou em 16º, apostou em uma estratégia de apenas uma parada e ganhou algumas posições na corrida, embora tenha sofrido com problemas nos pneus. Faltou apenas mais uma posição para marcar um pontinho.

RUBENS BARRICHELLO4 – Sem poder contar com abandonos, acabou ficando lá no meio da turma sem qualquer bom horizonte. Largou em 13º e terminou em 12º após uma corrida sem grandes emoções.

SÉBASTIEN BUEMI4,5 – Até tinha chances de fazer mais do que seu companheiro, mas não deu muita sorte. Largou da 17ª posição, ganhou três posições na primeira volta e chegou a sonhar com pontos. No entanto, sua estratégia de três paradas não lhe deu qualquer diferencial que o permitisse dar o pulo do gato. Fim de semana inútil, que só serviu para aumentar a moral de seu companheiro.

PAUL DI RESTA5 – Começou prejudicado seu fim de semana, já que o reserva Nico Hülkenberg danificou seu carro em um acidente na sexta-feira. No sábado, ainda foi razoavelmente bem e fez o 12º lugar no grid. Na corrida, apesar de ter feito algumas ultrapassagens, teve problemas com a estratégia e acabou ficando de fora dos pontos.

VITALY PETROV2,5 – Fez sua pior corrida desde há muito tempo. Seu único bom momento foi ter ficado em segundo em um dos treinos livres. No treino classificatório, sobrou no Q2 pela primeira vez no ano. Na corrida, largou pessimamente mal e não conseguiu se recuperar em momento algum. De quebra, ainda foi tocado pela Mercedes de Schumacher e acabou passando por sobre o bico do carro do alemão.

KAMUI KOBAYASHI3 – Nem ele conseguiu chamar a atenção. No treino oficial, fez o 14º tempo. Na corrida, confiando na boa capacidade de poupar pneus do seu Sauber, decidiu apostar em apenas duas paradas para ver no que dava. Como teve de poupar pneus, não conseguiu manter um bom ritmo e acabou terminando lá atrás. Deve ter sido, talvez, sua corrida mais fraca na Fórmula 1.

MICHAEL SCHUMACHER2 – Sem maiores problemas, provavelmente terminaria em oitavo. Em termos de ritmo, ele está cada vez mais próximo do companheiro Nico Rosberg. Falta-lhe, no entanto, a tocada mais conservadora que vem ajudando o alemão mais jovem. Após fazer sua primeira parada, Michael acabou tocando o Renault de Petrov e teve de voltar aos pits para colocar um bico novo. Com isso, caiu para a 22ª posição e só lhe restou passar carros mais lentos para terminar em um insignificante 17º lugar.

PASTOR MALDONADO 1,5 – Fora a turma das nanicas, é o piloto que mais se ferra no grid. Mesmo sendo um especialista em pistas de rua, o venezuelano não fez nada em Valência. Saiu da 15ª posição do grid, teve problemas de câmbio no Q2, largou mal na corrida e passou boa parte do tempo misturado entre Lotus, Virgin e Hispania. No fim, ficou à frente deles, o que não deixa de ser obrigação. Foi o único piloto das equipes antigas a ser ultrapassado por Schumacher. Precisa urgentemente de sorte – e de velocidade.

HEIKKI KOVALAINEN4 – Na segunda divisão da categoria, como ocorre na maioria das vezes, foi o que se deu melhor. Mesmo parando três vezes, conseguiu ficar à frente dos adversários diretos e se sentiu satisfeito com sua corrida e com o carro esverdeado. Resultado bom para alguém que foi atropelado por Mark Webber na edição do ano passado.

JARNO TRULLI3,5 – Apesar de deprimido, ainda faz um trabalho honesto. Apesar de raramente bater Kovalainen, também nunca ficou muito atrás do companheiro nórdico. Na corrida, chegou a ficar à frente de Maldonado durante algumas voltas. No fim, terminou em sua posição típica: atrás do companheiro e à frente de Virgin e Hispania.

TIMO GLOCK4,5 – Até me arrisco a dizer que fez mais do que o carro permitia, sendo o piloto que mais me chamou a atenção lá no fundão. No treino oficial, mesmo dirigindo um mobilete avermelhado, ficou a apenas três décimos do Lotus de Trulli. Na corrida, fez uma excelente largada e chegou a andar em 18º. Depois, acabou sendo deixado para trás pela Lotus, mas ainda ficou à frente do companheiro. Para alguém em sua situação, bom fim de semana.

JERÔME D’AMBROSIO2,5 – Mal no treino oficial, ficou a mais de um segundo de Timo Glock e chegou a ficar atrás de uma Hispania. Na corrida, conseguiu se recuperar e deixou Liuzzi para trás. Ainda assim, só se arrastou até a bandeirada e não fez nada de mais.

VITANTONIO LIUZZI 4 – Sujeito esforçado. No sábado, chegou a largar à frente de D’Ambrosio. No domingo, fez uma boa largada e chegou a ultrapassar o Williams de Maldonado. Depois, sucumbiu à ruindade de seu carro. Pelo menos, surrou seu colega de equipe.

NARAIN KARTHIKEYAN2 – Além de ter sido o primeiro piloto de seu país a correr na Fórmula 1, é o primeiro piloto da história da categoria a cruzar a linha de chegada em 24º. O duvidoso privilégio foi obtido após ficar a mais de um segundo do penúltimo colocado no treino oficial e não conseguir um mínimo de desempenho durante a corrida.