Fernando Alonso e o choro incontido no pódio do GP da Europa. Estaria o esporte preenchendo uma lacuna na felicidade do povo espanhol?

Eurocopa. Assisti ao jogo da final, entre a antipática Espanha e a barulhenta Itália. Foi difícil escolher para quem torcer. Acabei escolhendo a Itália por maior afinidade genética e étnica, vide Mario Balotelli. Para mim, um jogo humilhante e frustrante. Os italianos mal conseguiram avançar ao campo espanhol, deixaram passar umas bolas patéticas da armada hispânica e acabaram tomando quatro gols. Se bem conheço o comportamento italiano, os jogadores devem estar chorando até agora.

Mas o jogo foi histórico para os vencedores, os espanhóis. A seleção que conta com nomes como Iniesta, Fàbregas, Busquets, Juan Alba, Casillas, Fernando Alonso e Nelsinho Piquet ganhou o terceiro título da história do país na Eurocopa. Como desmerecer? Não entendo porcaria alguma de futebol, mas fiquei maravilhado especialmente com a precisão e a velocidade dos passes, que desconcertavam os pobres italianos azulados.

Os espanhóis ficaram malucos de felicidade, é óbvio. Assim como, há uma semana, pularam de alegria quando Fernando Alonso venceu o GP da Europa em casa e chorou copiosamente no pódio. Assim como costumam celebrar quando Rafael Nadal, o atual número 2 no ranking da ATP, vence uma partida de tênis. Assim como aplaudem Jorge Lorenzo, campeão da MotoGP em 2010 e atual líder do campeonato, quando este vence uma corrida. Dios es español.

Seja no futebol, no esporte a motor, no tênis ou no campeonato mundial de arremesso de abacates patrocinado pela Red Bull, a Espanha comanda quando se trata de competição esportiva. De algum tempo para cá, o país começou a vencer em praticamente todos os esportes importantes do planeta. Vai lá entender o motivo. É fato que o esporte espanhol ganhou um fôlego novo após as Olimpíadas de Barcelona. É fato também que dois dos clubes de futebol mais poderosos do planeta estão lá. Da mesma forma, suas empresas costumam despejar uma cachoeira de euros em seus esportistas e times. É, deve ser tudo isso. O que importa é que deu certo e o hino espanhol, que não tem letra desde o fim do governo Franco, está sendo tocado nos alto-falantes da vida por aí.

Nunca fui muito fã da Espanha. Questão de gosto. Mas é impossível não se solidarizar minimamente com o povo hispânico neste momento de débâcle econômico. Hoje, a o governo espanhol anunciou que 100 mil pessoas saíram do desemprego em junho. Um número incrível, mas que não ajuda muito quando sabemos que o país é o que mais tem desempregados na União Européia, com 4,6 milhões de pessoas economicamente ativas que não estão fazendo rigorosamente nada, a exemplo do ex-piloto Andy Soucek.

A comemoração da seleção espanhola, campeã da Eurocopa.

A dívida pública espanhola, que despencou durante dez anos, explodiu desde 2008 e hoje ultrapassa 70% do PIB nacional. A arrecadação dos impostos de renda e patrimônio, que chegou à casa dos 100 bilhões de euros em 2008, não alcançará sequer a metade disso neste ano. Em junho, a capacidade de solvência dos bancos privados espanhóis e do próprio governo estava tão baixa que o Banco Central Europeu e o FMI tiveram de injetar 100 bilhões de euros para evitar que o sistema bancário da Espanha quebrasse. A inflação ao menos está controlada, mas do que isso adianta se ninguém tem dinheiro para comprar?

Sobrou para o automobilismo, é claro. Você se lembra daquele monte de pilotos espanhóis que apareceram ao mundo até alguns anos atrás? A maioria deles está em casa, lendo a sessão de empregos do jornal, ou deu a sorte enorme de encontrar emprego em qualquer outra coisa. Na Fórmula 1, só Fernando Alonso está sorrindo à toa. A HRT vive na corda bamba, Pedro de la Rosa vai na garupa, Jaime Alguersuari faz bicos aqui e acolá, Dani Clos tomou um pé na bunda da filha do Hristo Stoichkov e está sem padrinho e até mesmo o Santander, cuja avaliação de risco foi rebaixada em dois pontos pela Standard & Poor’s em abril, já teve dias mais sossegados.

A dureza espanhola tem sua face mais visível nas suas duas corridas, o GP da Espanha e o GP da Europa. Tanto os organizadores da etapa de Barcelona como os de Valência estão quebrados e foram obrigados a se unir para que não morressem à míngua. A partir do ano que vem, as duas pistas se revezarão na realização do GP da Espanha. Num ano, os fãs se aborrecerão em Barcelona. No outro, dormirão à sombra do porto de Valência. Tudo para conter custos e minimizar prejuízos.

A etapa de Valência, realizada na semana passada, não escondeu de ninguém suas enormes dificuldades. A organização disponibilizou apenas 45 mil ingressos para a corrida deste ano. Em 2008, primeiro ano do GP valenciano, foram vendidos 100 mil ingressos. Quatro anos depois, nem sequer os parcos 45 mil ingressos foram esgotados: no domingo, ainda havia sete mil deles mofando nas bilheterias. O problema nem é relacionado à histórica chatice das corridas do circuito portuário. Ninguém tem dinheiro, mesmo.

Por isso que o resultado final foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Mesmo havendo apenas 38 mil testemunhas, a maior parte delas vindo do estrangeiro, a festa nas arquibancadas após Fernando Alonso ter cruzado a linha de chegada à frente do resto foi legal demais da conta. Depois, no pódio, enquanto escutava o hino nacional de seu país destroçado, a emoção não pôde ser contida. O mesmo Alonso que desembestou a gritar após ganhar seu primeiro título mundial no chuvoso GP do Brasil de 2005 desabou em lágrimas no pódio valenciano. Quem viu, aplaudiu.

Alonso vencendo em Valência.

Sei lá eu o que ele estava pensando na hora. Tanto poderia ser a grave situação de sua pátria como uma vaga lembrança de seu chinchila que morreu em 1988. Para não perder o fio da meada desse texto, dou um pouco de crédito à primeira possibilidade. Alonso deve ter percebido ali, enquanto escutava emotivamente aquele arquivo MIDI entoando los yunques y las ruedas, que sua vitória não era apenas mais um triunfo em sua carreira. Naquele exato instante, mesmo com tanta gente desempregada e tantas complicações, o espanhol poderia sentir orgulho de seu país. Demos certo em algo.

O esporte tem dessas coisas. Às vezes, quando tudo parece estar dando errado, um esportista ou um time pode se aproximar, ganhar alguma coisa de importante e aplacar um pouco o sofrimento de um bocado de gente. Eu sempre critiquei pra caramba esta postura de nego que acompanha o esporte pra se esquecer dos problemas, como se estivesse entornando uma garrafa de cachaça da bobônica. Baita insensibilidade a minha. Às vezes, qualquer coisa, por mais banal ou despropositada que seja, serve para diminuir um pouco o sofrimento e a falta de esperança generalizada.

Nós sabemos mais ou menos o que é isso. Do mesmo jeito que a seleção espanhola está tendo sua melhor fase justamente no pior momento de sua história econômica, o escrete brasiliano ganhou algumas de suas cinco Copas em períodos altamente conturbados. Em 1970, Pelé, Rivellino, Tostão e companhia venceram a primeira Copa colorida da história enquanto noventa milhões em ação celebravam o auge do “milagre econômico” ao mesmo tempo em que choravam seus filhos barbudos e subversivos nas dependências da Oban.

Vinte e quatro anos depois, a seleção comandada por Bebeto, que havia virado pai, e Romário, que havia recuperado seu pai, se sagrou a primeira tetracampeã mundial nos Estados Unidos. Quem não teve a oportunidade de ver esta Copa ao vivo deve se arrepender de não ter nascido antes. No Brasil, o título foi um sopro de felicidade no meio de uma época em que todos ainda lamentavam o passamento de Ayrton Senna, temiam a chegada de mais um plano econômico e se viam obrigados a escolher entre um sociólogo e um sindicalista para liderar a barca. Dias conturbados. Ainda bem que sempre há uma bola, um campo e alguns peladeiros para acalmar os ânimos.

Em 2002, as coisas estavam mais tranquilas. Havia regime democrático e moeda estável. Ou não? O sociólogo ganhou a peleja acima e teve um governo com um bocado de acertos e outro bocado de erros. Ele estava no fim de seu mandato. Quem iria substituí-lo? Muita gente estava com medo do sindicalista acima, que liderava as pesquisas e tinha uns amigos meio comunas. O Risco Lula afastou um monte de capitais externos e o resultado foi um dólar que bateu na casa dos quatro reais. No meio desta cerração, um revigorado Ronaldo de cabelo bizarro celebrava com seus colegas o quinto título mundial.

Ayrton Senna, que foi o único grande motivo de felicidade do brasileiro no final dos anos 80 e início dos anos 90

Mas futebol nenhum causou a comoção de Ayrton Senna. Este cara aqui, além de um puta piloto, deu a sorte de ser o maior ídolo brasileiro justamente na época em que o país mais procurava um ídolo. Enquanto Ayrton ganhava suas corridas, o Brasil afundava em inflação acachapante, moratória, planos econômicos criados por economistas campineiros com merda na cabeça, overnight, SUNAB, imperadores maranhenses, caçadores de marajás, Elba, Chevette Junior, lambada, mullet e cabelos volumosos. Os dez anos de Senna na Fórmula 1 foram a verdadeira década perdida para quem não respirava automobilismo.

Impossível não estabelecer um paralelo entre Alonso hoje em dia e Senna em, sei lá, 1988. Na verdade, as coisas eram sempre um pouco mais dramáticas aqui. O Brasil era uma coisa ainda mais subdesenvolvida naqueles dias, abarrotado de gente totalmente empobrecida e iletrada. Tentemos nos colocar no lugar dos desafortunados da época. Deve ser uma desgraça você ter de trabalhar feito um filho da puta para ganhar uns bilhões de cruzeiros que não valerão meia pataca no final do mês. Deve ser triste você ir ao supermercado para comprar carne e ver que não há mais porra alguma no estoque. Deve ser uma merda inominável ser casado com uma mulher com o cabelo da Cindy Lauper.

Você, obviamente, quer que tudo isso mude, só que simplesmente não sabe como. Confiar em político não dá. Sair do país também está difícil. Quem vai querer emitir visto pra brasileiro cucaracha? Não queria ter nascido aqui, você pensa. Pois é, a depressão está te consumindo. Sua auto-estima foi para o brejo.

De repente, surge um brasileiro orelhudo, magrelo e com o mesmo sobrenome que o seu lá na Fórmula 1. Veni, vidi, vici. Muito rapidamente, ele chega à Fórmula 1, marca pontos, ganha corridas, leva para casa três títulos mundiais. Nas glórias, desfila com a bandeira brasileira. O mundo percebe que alguém tem, ou aparenta ter, orgulho de ter nascido no Brasil. Milhões de pessoas aqui olham para a imagem da flâmula tremulante associada a um legítimo vencedor e passam a pensar que o país onde deram o azar de nascer não é tão ordinário assim. Surge uma esperança no fim do túnel. Ayrton Senna passa a ser o único motivo de orgulho de uma nação de 150 milhões de pessoas entre o fim dos anos 80 e o início dos anos 90.

Como contestar isso? Eu e mais muita gente assumimos, do alto de nosso elitismo orgulhoso de quem nunca viveu aquela época, não gostar de toda essa teatralidade com ares de épico, esse roteiro maniqueísta que só serviria para exaltar um sujeito coxinha. Não me furto em torcer o nariz para o fanatismo tacanho e cego que circunda o nome de Ayrton Senna. Posso até estar certo, e acho que realmente estou. Mas o que significa “estar certo” diante de uma situação onde falamos de auto-estima, desespero e esperança? O racional não simplesmente cabe nestas horas, devo admitir.

O fato é que todos precisamos de um motivo para sorrir nos piores momentos, qualquer que ele seja. Sorte de quem pode contar com um Fernando Alonso ou um Ayrton Senna.

GP DA ESPANHA: Depois de quatro corridas nos confins da humanidade, a Fórmula 1 retorna ao seu berço. Sim, porque a Europa é a Pasárgada do automobilismo, o lugar onde ainda há fãs de verdade, pilotos de verdade e pessoas realmente interessadas no esporte. Não há muito dinheiro por lá, reconheço. A Espanha, em especial, está afundada no desemprego e no caos social. Mais da metade dos jovens, como era o caso de Jaime Alguersuari até um tempinho atrás, sofre com o desemprego. Não serão muitos os que terão dinheiro para assistir à corrida de domingo. Talvez falte um pouco de ânimo, também. Espanhol papudo nenhum terá vontade de torrar valiosos euros para ver Fernando Alonso levando surra de vara de pilotos com carros melhores que o seu. E eles não são poucos, sabemos disso. Também não são multidões os que acham a corrida de Barcelona divertida. Pista estreita, curvas rápidas e curtas demais para carros com tanto downforce, desnível suave, uma chatice que só lá. Por isso que o GP da Espanha, até o dia em que Fernando Alonso apareceu ao mundo, era um dos que menos atraíam espectadores. Se o Cara-de-Pau das Astúrias largasse as corridas e virasse mágico, a Fórmula 1 na Ibéria falida simplesmente acabaria.

REVEZAMENTO: Sou totalmente disléxico com esta porra de palavra. Não foi apenas uma vez que eu digitei um “revesamento”. Até hoje, paro e penso se escrevi corretamente. É que nem paralisar. Em espanhol, é com “z”. Por isso, me embanano. Com “z” ou “s”, revezamento é exatamente o que passará a ocorrer com a Fórmula 1 na Espanha a partir do ano que vem. Sem dinheiro e com dois enormes pepinos deficitários nas mãos, os promotores das etapas de Barcelona e Valência decidiram alternar suas corridas a partir do ano que vem. A categoria passará a ter apenas um GP da Espanha, que será realizado em Barcelona em um ano, em Valência no ano seguinte e assim sucessivamente. Não vejo ninguém lamentando profundamente pela medida. Eu gosto de Valência, mas não a ponto de chorar durante um mês pela sua ausência. Chato, apenas, é o fato da Europa perder mais uma corrida. Bom pro Bernie Ecclestone, que poderá arranjar espaço para alguma corrida em algum país ainda mais micado que a Espanha.

HRT: A equipe mais grunge da Fórmula 1 está cheia de novidades. Novidades boas. Neste próximo fim de semana, o carro do velho Pedro de la Rosa estreará uma série de atualizações que inclui asa dianteira e traseira novas e um assoalho totalmente modificado. Uma boa surpresa para os céticos que acham que os espanhóis não têm dinheiro nem para pagar a conta de água. Mas não acaba aí. Há alguns dias, foi inaugurada a nova e sofisticada sede hispânica no complexo esportivo da Caja Mágica. Teve até visita do presidente e do vice-presidente da FIA, Jean Todt e Carlos Gracia respectivamente. Os ventos da mudança estão soprando tão forte que até mesmo um nomezinho novo deverá ser adotado. Porque HRT remete à Hispania, que tinha tudo a ver com o antigo dono, José Ramón Carabante. Um nome feio e sem sentido algum. Agora, Luis Pérez-Sala e companhia querem uma nova denominação a ser utilizada no futuro. Nessa onda revival que assolou o automobilismo, que tal Onyx Grand Prix? Conto com o bom senso de todos.

SCHUMACHER: O heptacampeão está furioso. Não com Rubens Barrichello, que continua falando suas bobagens às paredes. Seu grande motivo de incômodo neste início de temporada é o pneu Pirelli. Em entrevista à CNN, Michael afirmou que o desgaste de pneus italianos impede que os pilotos ou os carros sejam exigidos até o limite e que não dá para exigir demais dos compostos, pois não se chega a lugar algum. Ele ainda afirmou que pilotar com os Pirelli está sendo como “dirigir sobre ovos crus”, uma versão gastronômica do “dirigir sobre uma pista ensaboada”. A equipe Mercedes, por intermédio de Nick Fry, deu razão ao seu piloto. Como discordar? Schumacher, que já ganhou quase cem corridas na vida, sabe das coisas mais do que qualquer um ali no paddock. Se o pneu é ruim, ele é ruim e ponto final. Mas um pouco de ponderação também não mata criancinha africana nenhuma. A Pirelli realmente fez pneus que degradam facilmente porque era isso que FIA e Bernie Ecclestone queriam. Estes, por sua vez, argumentam que foi exatamente isso que o povo pediu. A Bridgestone costumava fazer compostos duríssimos, que permitiam que os pilotos andassem a mil o tempo todo e as corridas ficassem chatas de doer. Pneus frágeis tornam as corridas mais movimentadas, o que não é ruim. Todos nós sabemos, além de tudo, que os carros prateados da Mercedes gastam mais borracha que a média. Mas isso daí é culpa do Ross Brawn, que sequer foi à Espanha porque está com caganeira. Se Michael e Nico Rosberg não tivessem problemas com desgaste, nenhum deles estaria reclamando da Pirelli. Pilotos são assim mesmo, só se incomodam com algo quando a água encosta na bunda.

GP3: Começa neste fim de semana uma das categorias mais inúteis do planeta. A GP3 não tem mais história que a Fórmula 3, não é mais barata que a Fórmula 2 e também não é mais eficiente para mandar jovens talentos à GP2 do que a World Series by Renault ou até mesmo a AutoGP. Sua única vantagem é tão somente acompanhar o paddock da Fórmula 1 e da GP2, o que em muitos casos nem é tão vantajoso assim, pois as limitações de calendário e horários acabam sendo terríveis. Vinte e seis pilotos tentarão as vitórias nas duas corridas realizadas em Barcelona. Poucos aí no meio valem a pena. Entre os pilotos de maior talento, temos Mitch Evans, Conor Daly, Antônio Félix da Costa, Kevin Ceccon, Tio Ellinas, William Buller e só. Há um brasileiro, Fabiano Machado, que não foi bem nos testes de pré-temporada e brigará no máximo por alguns pontinhos. Por isso que o melhor a se fazer é acompanhar Vicky Piria e Carmen Jordá. Não andam nada, mas quem está interessado nelas pilotando?

GP DA EUROPA: Muito antes dos burocratas do Velho Continente se unirem em algo chamado União Europeia, a Fórmula 1 já reservava um espaço para uma corrida disputada em um circuito europeu aleatório qualquer que pudesse substituir uma eventual prova cancelada. Esta corrida já foi disputada em Brands Hatch, Jerez, Donington Park e Nürburgring antes de ganhar uma sede definitiva, a cidade portuária de Valência. Muita gente não gosta deste circuito, por ser travado, feio e criado pelo mal-amado Hermann Tilke. Eu gosto, por lembrar Long Beach lá de longe. Além do mais, convenhamos, uma região portuária de uma velha cidade europeia é sempre muito mais simpática do que aquelas cidades de mentira do Oriente Médio.

DIFUSOR SOPRADO: Taí um negócio que já ganhou inúmeras denominações: difusor aquecido, difusor soprado, ignição tardia e por aí vai. Pelo que minha limitada compreensão captou, trata-se de um sistema que espirra um pouco de gasolina para o motor de modo a mantê-lo acelerado no momento em que o piloto tira o pé do acelerador. Este sistema permitia que o motor funcionasse a quase 90% quando o acelerador é “desligado” – é um punta-taco eletrônico, por assim dizer. Bacana, assim como boa parte das inovações sutis dos últimos anos. Mas a FIA, sempre ela, pisa em cima da meritocracia e anuncia o fim do tal difusor para Silverstone. Houve, no entanto, quem quis adiantar o banimento para Valência. E a distinta Federação, desta maneira, segue matando o pouco que resta de criatividade e ousadia na outrora gloriosa Fórmula 1.

BUTTON: É o cara, ainda mais depois de vencer de maneira primorosa o Grande Prêmio do Canadá. Recentemente, o jornal Marca até andou sugerindo que a Ferrari poderia colocá-lo no lugar de Felipe Massa em 2012 – algo veementemente rechaçado pelos italianos hoje mesmo. De qualquer maneira, Jenson é um cara que consegue ser uma quase unanimidade: é veloz, inteligente, simpático, tem cara de artista e uma namorada fora de série. No Censo, que terá resultados publicados semana que vem, ele foi um dos mais citados. É o cara.

SILLY SEASON: Para quem escreve sobre Fórmula 1, a silly season é um dos períodos mais aguardados. Afinal, é aquela época na qual podemos divergir sobre quem vai para aonde, podendo apostar nas possibilidades mais esdrúxulas e torcer por fulano ali, sicrano acolá e beltrano na puta que o pariu. Mas até agora, muito pouco foi falado sobre o ano que vem. Não há boatos, não há equipe querendo entrar, não há piloto com medo do desemprego, não há mafioso russo querendo comprar equipe pequena, não há gente devendo até as calças, não há nada além de silêncio e bolas de feno voando. Lembre-se: estamos entrando em julho. Já está mais do que na hora da boataria começar.

PIETSCH: Sem grandes assuntos, comento sobre a notícia mais importante dos últimos tempos: o alemão Paul Pietsch, o piloto de Fórmula 1 mais antigo entre os que ainda vivem, completou 100 anos hoje, sendo o primeiro ex-piloto a fazê-lo. Curiosamente, Pietsch já foi citado por cima em um post meu, quando falei sobre o circuito de Nordschleife. O cara é tão antigo que seu primeiro Grand Prix foi o da Alemanha em 1932! Naquela corrida, disputada no mesmo Nordschleife, Pietsch abandonou ainda na primeira volta, com o radiador de seu Bugatti furado. Correram contra ele gente como Tazio Nuvolari, Rudolf Caracciola, Louis Chiron e René Dreyfus. E, em pleno 2011, Pietsch está aí, lúcido e saudável. Pode parecer bizarro falar isso, mas que venham mais anos para Paul Pietsch!

BANDEIRA VERDE: Normalmente, eu só comento sobre cinco assuntos aleatórios. No entanto, uso esse espaço para dizer que esta semana está uma correria dos infernos para mim e que não teremos post na quarta-feira. Farei, sim, a continuação do Censo, dessa vez com outra pergunta. Não me deixem só. Ainda.

RED BULL9 – E a equipe das latinhas venceu mais uma, a quarta em cinco corridas. Tudo funciona direito por lá, com exceção de seu segundo piloto. Mark Webber fez a pole-position, mas largou mal e não obteve sequer o pódio. Sebastian Vettel, por outro lado, adiantou suas duas primeiras paradas e roubou a ponta de Fernando Alonso. Depois, só desfilou e ainda impediu a ultrapassagem de Hamilton. Além do carro ser muito bom, os mecânicos estão fazendo um ótimo trabalho nos pits. Ganharia um dez se não fosse o Webber.

MCLAREN9 – Esta daqui só precisa do carro, porque tem uma dupla melhor que a da Red Bull (um salve a quem acha Vettel melhor que Hamilton). Lewis fez uma corrida tão boa quanto a de Vettel e quase tomou a vitória. E Jenson Button largou mal, caiu para décimo e conseguiu a proeza de chegar ao pódio. A equipe trabalha com uma eficiência impressionante. E a considero mais legal do que a pretensiosa “RBR”.

FERRARI5 – Não vocifero com a mesma fúria de Galvão Bueno, mas não deixo de concordar com ele. A Ferrari, outrora rainha das estratégias e do trabalho nos pits, está deixando a desejar nessas duas áreas e está se ferrando vigorosamente com isso. No mais, o 150TH é muito ruim com pneus desgastados e também não é grande coisa com pneus novos. Só mesmo um Fernando Alonso consegue salvar as honras ferraristas, fazendo uma volta excepcional no treino oficial e uma baita duma largada. Felipe Massa só se deu mal.

MERCEDES6 – Fez aquela típica corrida da equipe de três pontas, muito distante das três maiores e tranquilamente à frente das demais. Michael Schumacher mostrou garra e ganhou quatro posições, terminando em sexto. Nico Rosberg, o superestimado, terminou na mesma posição em que largou. O trabalho de pits é um dos melhores, mas a cena mais prosaica foi o mecânico perguntando a Rosberg se o rádio estava funcionando por meio de uma placa. Algo raro na Fórmula 1 clínica dos dias de hoje.

RENAULT6,5 – Um carro não pode pegar fogo daquele jeito, definitivamente. O incêndio quase acabou com o fim de semana de Nick Heidfeld, mas sua condução inteligente e arrojada (muito mais inteligente que arrojada) acabou o premiando com um oitavo lugar. Vitaly Petrov, ao contrário, terminou bem atrás de sua posição de largada. Parece faltar uma certa constância na equipe, aquela impressão de que tudo deu certo para todos desde o início. E, não, o Kubica não faria muito diferente.

SAUBER7,5 – Marcou pontos com os dois carros pela primeira vez nesse ano. Sergio Pérez e Kamui Kobayashi brilharam lá no meio do pelotão, sendo que o último acabou prejudicado com um pneu furado na primeira volta. Como o C30 é muito bom no trato com os pneus, os dois não tiveram enormes problemas de aderência no final. Bom momento.

FORCE INDIA3,5 – Foi a primeira equipe a, declaradamente, sacrificar o treino oficial para salvar um jogo de pneus para cada um dos seus pilotos. A princípio, a estratégia parecia ótima. No entanto, nenhum dos dois pilotos conseguiu marcar pontos. Pelo menos, Paul di Resta terminou à frente de Adrian Sutil novamente.

TORO ROSSO4 – Não fez muito mais do que o esperado. Sébastien Buemi ficou à frente de Jaime Alguersuari durante todo o tempo, como vem sendo o costume nesse ano. Buemi chegou a andar entre os dez, mas não teve bala no cartucho para terminar nos pontos. E Alguersuari, bah… Quanto à equipe, a irritante ausência de brilho de sempre.

WILLIAMS1 – Quando o buraco parece ter chegado a um limite, a equipe parece conseguir se superar ainda mais. Rubens Barrichello sofreu com os crônicos problemas no câmbio e chegou a largar atrás das duas Lotus. Pastor Maldonado, por outro lado, foi muito bem no treino oficial e largou entre os dez primeiros. Ainda assim, nenhum dos dois fez algo de relevante na corrida. O fato de ambos os pilotos terem terminado pode ser considerado positivo.

LOTUS7 – Do jeito que as coisas vão, tem boas chances de superar a Williams em breve. No treino oficial, Heikki Kovalainen e Jarno Trulli conseguiram o 15º e o 18º tempo, respectivamente. Na corrida, ambos chegaram a andar entre os dez primeiros. Kovalainen bateu, mas Trulli acabou terminando. A equipe já não pode mais ser considerada uma nanica.

VIRGIN2 – Não há muito o que dizer. Timo Glock e Jerôme D’Ambrosio terminaram, mas nenhum deles saiu de Barcelona com enormes sorrisos na cara. D’Ambrosio largou atrás dos dois carros da Hispania e os dois virginianos chegaram a ficar atrás de Liuzzi durante um bom tempo.

HISPANIA3,5 – Em casa, a equipe chegou a passar apuros na sexta-feira, quando seus carros chegaram a ficar a mais de 107% dos melhores tempos. No sábado, Vitantonio Liuzzi e Narain Karthikeyan se superaram e largaram à frente de um Virgin. Na corrida, Liuzzi largou muitíssimo bem e chegou a ficar à frente de Barrichello. Infelizmente, só o indiano terminou. Mas em se tratando de um carro que parecia estar mais difícil de guiar do que nunca, um fim de semana razoável para a equipe.

CORRIDAO TABU DA ULTRAPASSAGEM – O GP da Espanha estava sendo esperado por todo mundo exatamente pelo duríssimo teste a que os pneus Pirelli e a asa móvel seriam submetidos. Como se sabe, era quase impossível ultrapassar em Barcelona e as novas medidas só haviam funcionado em pistas onde essa impossibilidade não existe. E para decepção de todos, as ultrapassagens a rodo não aconteceram. É evidente que elas foram bem mais numerosas do que em todos os outros anos juntos, mas nada comparado ao que foi visto na China e na Turquia. No mais, a corrida foi bem interessante e muitos pilotos chamaram a atenção: Vettel, Hamilton, Button, Alonso, Schumacher, Heidfeld, Pérez, Kovalainen, Trulli, Liuzzi… Uma corrida boa é aquela em que muita gente consegue atuar bem. E os resultados, como sempre acontece na Catalunha, refletem a situação real das equipes nesse ano.

TRANSMISSÃOÔ, TELEVISÃO! – Galvão Bueno estava com o capeta no corpo ontem. E o mais curioso é que ele não estava errado em nenhuma das três situações abaixo. Quando a TV espanhola perdeu a ultrapassagem de Button sobre Alonso, Galvão exclamou um “ô, televisãããão!” que me fez rir por um tempo. Depois, deu aquelas explicações de sempre sobre a responsabilidade da FOM. Em um segundo momento, quando a Ferrari aprontou mais uma das suas na parada de Felipe Massa, Galvão falou cobras e lagartos da equipe italiana, apontando que ela é incompetente e que tem toda a semana para praticar pit-stops. Depois, no final da corrida, ele ainda cortou a repórter Mariana Becker, que tentou fazer um comentário qualquer na última volta. O corte foi brusco, mas justificado, considerando o fato de ser a última volta. Por fim, a participação dos filhos do narrador na transmissão foi minimamente dispensável. E a atuação dos cameramen foi realmente terrível, uma das piores dos últimos anos. Perder o acidente do Kovalainen foi o cúmulo.

GP2DEJÁ VU – Na primeira corrida catalã do ano passado, os mecânicos da Addax fizeram uma porcaria de trabalho no pit-stop e tiraram a vitória de um de seus pilotos. Quem venceu foi o francês Charles Pic. Na primeira corrida catalã deste ano, os mecânicos da Addax fizeram uma porcaria de trabalho no pit-stop e tiraram a vitória de um de seus pilotos. Quem venceu foi o francês Charles Pic. Na segunda corrida catalã do ano passado, venceu o suíço Fabio Leimer. Na segunda corrida catalã deste ano, venceu o suíço Fabio Leimer. Incrível, não? De quebra, destaque negativo para os dois pilotos da ART. Jules Bianchi perdeu a pole-position porque ultrapassou em bandeira amarela e foi desclassificado. Na segunda corrida, causou um estúpido acidente com Giedo van der Garde na largada e saiu machucado. Esteban Gutierrez largou lá atrás e conseguiu a proeza de bater em Michael Herck nas duas corridas do fim de semana. Além disso, Bianchi e Gutierrez quase bateram um no outro na primeira corrida. Eles têm bons currículos e tal, mas se comportam como duas bestas. E, honestamente, o Bianchi não é muito mais do que isso.

Qualquer pretexto para se colocar uma foto da Hispania é um bom pretexto

SEBASTIAN VETTEL9,5 – Só pra dar um pouco de emoção à vida, o alemão teve algumas de dificuldades. Na sexta-feira, perdeu constantemente para Mark Webber nos treinos livres. No sábado, ficou dois décimos atrás na briga pela pole. No domingo, sucumbiu à excepcional largada de Fernando Alonso. Mas nada isso foi páreo para impedir sua quarta vitória. Dessa vez, o segredo foi antecipar suas duas primeiras paradas, o que o permitiu ter caminho livre para deixar os adversários para trás após suas paradas. E segurar Lewis Hamilton no final foi fundamental. Vitória construída, talvez a melhor do ano até aqui. Yabadabadoo!

LEWIS HAMILTON9,5 – Grande corrida. Largou em um terceiro lugar absolutamente esperado para seu carro, mas também deu o que falar na corrida. Tentou fazer uma parada a menos, mas não conseguiu. No entanto, tinha pneus em relativo bom estado no final e conseguiu ameaçar a vitória de Vettel. Não conseguiu vencer, mas não deixou de ser um dos astros da corrida.

JENSON BUTTON8,5 – De onde ele veio? Fez o quinto tempo no treino oficial, largou pessimamente mal e fechou a primeira volta em décimo. Depois, apostou em uma estratégia de apenas três paradas e conseguiu se dar bem, poupando tempo e galgando posições. Destacou-se por ter ultrapassado Alonso e Webber em uma única volta, tendo pneus em melhor estado. No fim, terminou em terceiro lugar. É o rei desse tipo de atuação misteriosa.

MARK WEBBER5,5 – Muito bem em todos os treinos, fez sua primeira pole-position no ano, mas seu bom fim de semana acabou aí. Largou mal, perdeu duas posições na primeira curva e nunca mais conseguiu brigar pela vitória. Passou boa parte da corrida engalfinhado com Fernando Alonso, com direito a confusão nos pits. Terminou fora do pódio e jogou mais uma boa oportunidade no lixo.

FERNANDO ALONSO9,5 – Se tivesse vencido a corrida, ganharia um onze. Fernando iniciou sua série de milagres ao fazer uma volta incrível no Q3 da classificação, tomando o quarto lugar de Button. Largou muitíssimo bem e tomou a liderança na primeira volta, ficando por lá durante as primeiras voltas. Depois, sucumbiu ao mau trabalho da Ferrari nos pits e perdeu a ponta para Vettel. Com pneus duros, seu carro passou a se comportar mal e até mesmo o pódio se tornou impossível. Ainda assim, não há como não ter admirado seu início de corrida.

MICHAEL SCHUMACHER8 – Trabalho digníssimo na corrida. No treino oficial, sequer marcou volta no Q3 e ficou em décimo. Seu bom resultado começou com a costumeira ótima largada, que lhe deu quatro posições. Depois, andou com prudência e conseguiu se manter à frente de Rosberg durante todo o tempo, mesmo tendo de poupar pneus para manter a estratégia de três paradas. Melhor resultado do ano até aqui.

NICO ROSBERG6,5 – O que mais me irrita nele é sua extrema previsibilidade. Ele largou em sétimo e terminou em sétimo, sem ameaçar Schumacher a qualquer momento. Alegou ter problemas no rádio e na asa traseira, o que é compreensível, mas não ajuda a melhorar sua imagem de piloto pouco criativo e improvisador. Numa prova com tantos destaques, não há muito o que falar dele.

NICK HEIDFELD8,5 – É outro especialista em recuperações fulminantes e misteriosas. No último treino livre, seu carro virou uma fogueira de São João e impediu que ele participasse do treino oficial, sendo obrigado a largar em último. A partir daí, só alegria. Largou com pneus duros, conseguiu atrasar sua primeira parada, fez uma troca de pneus a menos e utilizou seus bons pneus macios para passar um por um na parte final. Conseguiu terminar em oitavo, a poucos metros das duas Mercedes.

SERGIO PÉREZ8 – Fez seus primeiros pontos do ano em uma corrida competentíssima. Foi melhor que Kobayashi no treino oficial, adiantou sua primeira parada e fez dois stints longuíssimos durante a prova. No fim, tinha pneus macios em bom estado e estava competitivo no final, tendo terminado à frente do badalado companheiro japonês. E o Galvão deveria falar menos merda sobre ele.

KAMUI KOBAYASHI7 – Largou atrás do companheiro e ainda foi tocado na primeira volta, tendo de parar nos pits para trocar um pneu furado. Depois, assim como o companheiro, insistiu em períodos longos com seus jogos de pneus e conseguiu fazer apenas três paradas. Ficou atrás de Pérez, mas fez uma competente corrida de recuperação e marcou o último ponto.

VITALY PETROV6 – Fez um bom início de corrida, mas só se complicou depois. Bom sexto colocado no treino oficial, o russo largou bem e chegou a andar em quarto no começo. Seu maior problema foi ter escolhido andar com pneus macios logo no começo. No fim, teve de se arrastar com pneus duros e acabou terminando fora dos pontos.

PAUL DI RESTA5,5 – Não foi mal, mas esteve longe de brilhar como nas etapas anteriores. Sua equipe decidiu sacrificar o treino oficial para poupar um jogo de pneus, mas o escocês ainda conseguiu superar com folga seu companheiro Adrian Sutil no Q2. Na corrida, Paul largou bem e conseguiu manter um ritmo aceitável. Assim como Petrov, errou ao deixar os pneus duros para o final. Mas terminou à frente de Sutil novamente.

ADRIAN SUTIL4 – Vive um inferno astral na vida, tendo de responder a um processo criminal por agressão e ainda levando surra do companheiro novato. Largou atrás dele e sempre andou bem atrás durante toda a prova, só se aproximando no final por ter pneus em condições bem melhores. E os pontos ficaram nos sonhos, é claro.

SÉBASTIEN BUEMI5 – Corrida honesta, o que não necessariamente põe mesa. Sébastien andou bem no treino oficial e fez uma ótima largada, chegando a fechar a primeira volta em nono. Depois, só se aproximou dos pontos quando pilotos mais à frente faziam suas paradas. Perdeu tempo com a estratégia equivocada de deixar os pneus duros para o final. Ainda assim, ficou bem à frente de Alguersuari mais uma vez.

PASTOR MALDONADO5 – É até estranho dizer isso para um piloto da Williams, mas fez uma corrida boa, até. Destaque do treino oficial, conseguiu colocar um carro de sua equipe pela primeira vez no Q3 neste ano e saiu em um bom nono lugar. Foi seu último bom momento. Na corrida, largou mal, fez quatro paradas e teve de usar pneus duros após as duas últimas. Por isso, a grande perda de posições. Só que a fase da Williams é tão ruim que este 15º é simplesmente a melhor posição obtida pela equipe até aqui.

JAIME ALGUERSUARI3 – Nos dias de hoje, não vejo algo bom em um piloto que termina atrás de um Williams dirigindo um Toro Rosso. Jaime ficou bem atrás do companheiro Buemi no treino oficial e ainda optou pela pior estratégia possível na corrida, a de quatro paradas com colocação de pneus duros nas duas últimas. Por isso, a má posição.

RUBENS BARRICHELLO1 – Sofreu com os recorrentes problemas de câmbio  durante os treinos e acabou conseguindo a proeza de ficar atrás das duas Lotus no treino oficial. Na corrida, chegou a perder uma posição para um Hispania na largada, parou quatro vezes e nunca esteve sequer entre os quinze primeiros. Uma de suas piores corridas na vida. Para alguém que já largou mais de 300 vezes, algo bem ruim.

JARNO TRULLI7 – Não me lembro de corrida tão boa do piloto italiano na Lotus. No treino oficial, fez um bom 18º tempo, à frente do Williams de Barrichello. Na corrida, largou muitíssimo bem e chegou a ocupar a oitava posição durante a primeira rodada de paradas. Depois, esteve sempre misturado com o meio do pelotão. Terminou atrás somente porque seu carro ainda é bem fraco. Mas os avanços são inegáveis.

TIMO GLOCK3 – Dessa vez, teve um fim de semana um pouco melhor. Largou à frente de D’Ambrosio e terminou à sua frente. Ainda assim, andou atrás do Hispania de Liuzzi durante um bom tempo. Depois da depressão, a resignação, um sentimento perigosíssimo para um jovem piloto de Fórmula 1.

JERÔME D’AMBROSIO3 – Fez a lição de casa, mas nada além disso. No treino oficial, conseguiu ficar atrás dos dois carros da Hispania. Na corrida, ficou à frente de Karthikeyan e teve de se virar com pneus ruins no final. Pelo menos, terminou.

NARAIN KARTHIKEYAN4 – Honestamente, acho que vem fazendo um trabalho acima das minhas expectativas, que não eram muitas. Nos treinos livres, chegou a ficar à frente de Liuzzi. No treino oficial, ficou a apenas um décimo dele. Na corrida, largou mal, mas foi o único piloto da Hispania a conseguir levar o inguiável F111 até a bandeirada.

FELIPE MASSA2,5 – Estranhamente, foi o piloto que mais sofreu com os pneus nesta corrida. No final, pouco antes de abandonar com o câmbio quebrado, chegou a rodar após uma freada. Foi a cereja do bolo de um fim de semana discreto, marcado pelo oitavo lugar no grid e por um início sem brilho. De quebra, a estratégia de quatro paradas e o uso dos pneus macios no início se mostraram ineficientes.

HEIKKI KOVALAINEN6,5 – O finlandês foi a grande atração do início do treino oficial, já que conseguiu superar a dupla da Force India e um Williams. Na corrida, largou muitíssimo bem e chegou a andar nos pontos em algumas poucas voltas. Depois, na parte final, começou a ter problemas com pneus, escapou na curva 4 e bateu. É seu segundo acidente neste circuito.

VITANTONIO LIUZZI5 – Apareceu bem no começo, quando largou muitíssimo bem e andou durante um bom tempo à frente dos dois carros da Virgin. Depois, começou a ter problemas de câmbio e foi o primeiro piloto a abandonar. Levando em conta a desgraça do comportamento de seu carro, fez um bom fim de semana. Vem mostrando bem mais talento aqui do que na Force India.

GP DA ESPANHA: Não conheço um que goste de assistir. Os pilotos, no geral, não reclamam, até porque a pista tem curvas relativamente velozes. No entanto, a ação é absolutamente reduzida. Em 1999, dizem que houve apenas uma única manobra de ultrapassagem em toda a corrida. As duas melhores corridas da história desta pista foram exatamente as duas primeiras edições, em 1991 e em 1992. Quem gosta mesmo desta pista são os engenheiros, que dispõem de um circuito que testa absolutamente todos os quesitos de um carro, do motor à suspensão. Não por acaso, a maioria dos testes de pré-temporada acontecem por lá. Mas elogiar uma pista por ser boa para testes é que nem elogiar um campo de futebol porque a Seleção Brasileira faz seus treinamentos por lá.

ALONSO: Hoje de manhã, a Scuderia Ferrari anunciou aos mortais que o asturiano Fernando Alonso seguirá na equipe até o fim de 2016. Depois, férias eternas em Cartagena e Gibraltar. Vidão, hein? O fato é que os italianos querem reviver os bons tempos do início da década passada mantendo um contrato de longa duração com um bicampeão e dando a ele todas as regalias possíveis, como um companheiro de equipe dócil e o direito de repetir a macarronada do domingo. E Alonso, que não é bobo e nem nasceu ontem, agradece. Se bem que seu contrato com a McLaren também era longo e deu no que deu.

ULTRAPASSAGENS: Na Austrália, não deu certo. Nas três pistas tilkeanas seguintes, funcionou que é uma beleza. Até agora, não consigo concluir se o pacote KERS + asa traseira móvel + pneus Pirelli realmente é eficiente de maneira geral. Sepang, Shanghai e Istambul favorecem bastante a dinâmica oferecida pelas novas medidas. Barcelona, por outro lado, não é bem assim, embora a reta dos boxes seja um lugar adequado para o acionamento da asa móvel. Normalmente, não se ultrapassa por lá nem com arma na cabeça. Vamos ver se o pacote faz milagres.

SCHUMACHER: Sua atuação em Istambul gerou enorme vergonha alheia. Depois da prova, ele comentou com alguém que não estava feliz com seu desempenho naquele dia e a mídia inglesa amplificou a insatisfação com manchetes enormes dizendo que ele não estava se divertindo em seu retorno à Fórmula 1. Mesmo desmentindo a possibilidade de parar neste ano, muita gente está cética com relação à sua continuidade na próxima temporada. Para gente como Johnny Herbert, seria uma surpresa se Michael continuasse na categoria andando em um carro que não o permita vencer e levando surra do companheiro de equipe. Também acho, mas há um contrato a ser cumprido até 2012 e Schumi é homem de palavra.

EUROCENTRISMO: Não sei quanto a vocês, mas é um alívio para mim voltar a ver corridas na Europa. Nada contra a Turquia, a Malásia e a Austrália e tudo contra a China, mas a Europa é o continente da civilização, da cultura ocidental, da política, da filosofia e das coisas legais. O queijo gruyère, o vinho, o Blur, o azeite, o liberalismo, o Mr. Bean, o circuito de Enna-Pergusa, as ninfas do Berlusconi e a Christiane F. só poderiam ter saído de lá. Por isso, este pequeno ode ao continente ao qual a Fórmula 1 pertence por excelência.

Sinto-me um pouco incomodado por não ter escrito uma única linha a respeito da tragédia japonesa, um hediondo pacote que incluiu um terremoto de nove graus na escala Richter, um tsunami e uma crise nuclear. O Japão, país de alguns dos meus ancestrais, está na lama, detonado. Não sou fã de sua cultura ou de sua mentalidade hermética, mas não há como não se solidarizar com seu povo, conhecido pela seriedade e pelo trabalho digno e honesto.

É evidente que o país, cujo PIB é de 4,3 trilhões de dólares, tem todas as condições humanas, econômicas e tecnológicas para ser reconstruído sem deixar qualquer rastro de um pandemônio. Mas isso tomará muito tempo e uma montanha de ienes e aço. Pelos próximos anos, o Japão conviverá com as consequências diretas das tragédias sucessivas. E é evidente que o automobilismo, um esporte inútil, será deixado de lado.

Normalmente, quando acontece algo excepcional e negativo, o esporte como um todo é sumariamente interrompido. Como há questões muito mais críticas a serem resolvidas, ficar jogando bola ou pilotando em alta velocidade se torna um luxo absolutamente dispensável e dispendioso. Falo hoje de cinco eventos externos que, definitivamente, afetaram o automobilismo de alguma maneira.

5- GUERRA DO GOLFO (1991)

Em meados de 1990, os malucos do Iraque acusaram o Kuwait, paisinho localizado lá na Península Arábica, de roubar seu petróleo por meio de alguns supostos sistemas obscuros de perfuração. O Kuwait apoiou o Iraque em sua guerra contra o Irã nos anos 80 e a relação entre os dois países não era tão ruim, mas desandou após os iraquianos chafurdarem na crise econômica e de produção de petróleo. Como o Kuwait, por outro lado, estava mergulhado no “ouro negro”, o falecido Saddam Hussein teve a brilhante ideia de invadir o vizinho em agosto de 1990 e anexá-lo ao seu país. A acusação era apenas uma desculpa esfarrapada, portanto.

Essa invasão pegou mal pra caramba e o ocidente imediatamente aplicou sanções econômicas no Iraque, que não arredou pé. Então, liderados pelos Estados Unidos, 34 países mandaram tropas que acabaram libertando o Kuwait de Saddam após uns pirotécnicos e devastadores bombardeios sobre o Iraque. E o ditador sunita acabou recolhendo-se à sua mediocridade.

E o automobilismo, o que tem a ver com isso? Tudo. Para começar, os carros são movidos à gasolina, derivada do petróleo, e uma guerra que envolve dois dos maiores produtores do insumo no mundo basicamente eleva os preços a patamares inacreditáveis. Nos dias da Guerra do Golfo, o barril chegou a 147 dólares. Essa alta nos preços representou ameaça real a muitas categorias, que não saberiam se conseguiriam completar o grid com uma alta nos preços da gasolina. A Fórmula 3000, por exemplo, temeu ser uma das mais atingidas. Felizmente, apesar dos custos terem subido, nenhuma categoria foi seriamente afetada.

Afetados foram, estes, sim, os pilotos. A Guerra do Golfo simplesmente desestabilizou a economia mundial e muitos investimentos foram cortados. Alguns pilotos brasileiros, como Osvaldo Negri Jr. e Thomas Erdos, perderam patrocinadores naquela época e tiveram problemas com o prosseguimento de suas carreiras nos monopostos. Um bocado de boas carreiras acabou indo para o saco naquele início de década.

4- GRIPE SUÍNA (2009)

Esta daqui aconteceu há pouco tempo. A tal da gripe, que nada tinha a ver com os pobres porquinhos, surgiu no México no início daquele ano. Em questão de semanas, ela já tinha se alastrado para todo o mundo, causando pânico generalizado. Seria ela uma reedição de pandemias célebres, como a peste negra e a gripe espanhola? Felizmente, ao contrário destes dois casos, a gripe suína aconteceu em um período de medicina avançada. A doença foi contida após muito sufoco e mais de 14 mil mortes. Em agosto de 2010, a Organização Mundial da Saúde declarou oficialmente o fim da pandemia.

Em tempos de globalização, ansiedade e Twitter, qualquer coisa se torna um assunto de extrema relevância. A doença, cujos sintomas se assemelhavam demais aos de uma gripe forte, era assunto em todos os lugares e as pessoas até passaram a introduzir novos hábitos em suas vidas, como o de passar álcool nas mãos. Hipocondríacos e pessoas mais medrosas apelavam para as máscaras ou simplesmente não saíam de casa. No meu caso, fiquei sem aulas na universidade por quase um mês. E um colega meu de trabalho, que trabalhava na minha sala, pegou a doença. Dei sorte de ter saído incólume.

A gripe que fez muita gente equivocada parar de comer torresmo impediu a realização da última etapa da temporada 2008 – 2009 da extinta A1GP, realizada no México. Um mês antes de sua realização, a organização decidiu cancelar a etapa alegando defender a segurança dos pilotos, embora más línguas digam que este foi apenas um pretexto para encobrir os sérios problemas financeiros que impediriam a realização da prova.

Com relação à Fórmula 1, a gripe virou assunto mundial ainda no começo da temporada. O primeiro país europeu a confirmar um caso em seu território foi a Espanha, que receberia uma corrida no dia 10 de maio. O circuito de Montmeló é localizado a poucos quilômetros de Barcelona, que era a região com o maior número de suspeitas. Portanto, durante algum tempo, a realização da corrida estava sob clima de incerteza. Não eram muitos os que queriam dar as caras na Península Ibérica. Mas Bernie Ecclestone não quis saber, confirmou a corrida e fez todo mundo ir para a Espanha morrendo de medo. Felizmente, ninguém ficou doente.

3- TERREMOTO DE KOBE (1995)

Localizado em uma desafortunada região onde três placas tectônicas se encontram, o Japão é um país que registra três terremotos por dia. A esmagadora maioria deles passa despercebida pela população, mas alguns fazem história. O de sexta-feira passada supera com folga um dos maiores terremotos já registrados no país, o que atingiu a cidade de Kobe em janeiro de 1995.

Os tremores, que duraram por volta de 20 segundos, em que se pese terem sido fortes, foram bem menos violentos que os deste ano, não ultrapassando os 7,2 graus na escala Richter. A destruição, no entanto, foi imensurável. Pontes inteiras viraram como se fossem de brinquedo. Prédios e avenidas se transformaram em pó. Kobe virou um amontoado de entulho. E mais de seis mil pessoas faleceram. O prejuízo total foi de dez trilhões de ienes, nada menos que 2,5% de todo o PIB do país naquele ano! Em dólares, isso daí dá mais de cem bilhões de dólares. Sim, o estrago foi absurdo.

O Japão demorou dois anos para se recuperar totalmente. E o esporte a motor, é claro, sofreu consequências diretas. Para começar, a fábrica da Dunlop responsável pelos pneus de competição foi completamente destruída, o que afetou o fornecimento dos compostos para várias categorias. No Mundial de Motovelocidade, a equipe oficial da Yamaha nas 500cc foi a mais afetada e ficou longe das vitórias no início da temporada exatamente por não dispor de pneus Dunlop novos.

Os pilotos japoneses também se deram mal. No início de 1995, Hideki Noda tinha boas chances de ser piloto oficial da Simtek. O terremoto fez com que Noda perdesse seu patrocínio, o que acabou até mesmo sacramentando o fim da Simtek alguns meses depois. Já Taki Inoue conseguiu fazer toda a temporada de 1995, mas perdeu seu patrocinador no começo de 1996, o que o privou de correr na Minardi. O GP do Pacífico, marcado para o início do ano, foi adiado para o fim da temporada. E a Fórmula 3000 local perdeu pilotos e patrocinadores e teve um ano bem capenga.

2- GUERRA DAS MALVINAS (1982)

No início dos anos 80, houve uma espécie de boom de pilotos argentinos indo para a Europa. Uma possível explicação é o sucesso de Carlos Reutemann, um dos melhores pilotos da Fórmula 1 em sua época. Eu até me arriscaria a dizer que, naqueles dias, nuestros hermanos mandavam mais gente para a Europa do que o Brasil. Mas o que aconteceu?

Tudo começou quando a fanfarrona junta militar que governava a Argentina desde 1976 decidiu invadir as Ilhas Malvinas, território britânico desde o século 19, no dia 14 de junho de 1982. Os argentinos nunca aceitaram muito bem o fato das Malvinas não serem suas, já que eles julgavam que ela originalmente pertencia à região da Tierra del Fuego. No início dos anos 80, uma onda de protestos contra os desmandos ditatoriais assolou o país. A junta militar, visando abafar as atenções dadas à revolta, decidiu arranjar uma pequena confusão.

Por 74 dias, os milicos argentinos mandaram no pacato arquipélago, empurrando goela abaixo à população o peso argentino, a língua espanhola e até mesmo a circulação pela direita. Os ingleses não gostaram nada disso e mandaram sua marinha e sua aeronáutica para a América do Sul. Apesar de não ter havido uma guerra declarada, os dois lados se enfrentaram no ar e no mar e os argentinos levaram a pior. As Islas Malvinas voltaram a ser Falkland Islands e o churrasco foi trocado pela torta de rim.

A estúpida guerra destruiu a economia argentina. Como os bancos decidiram congelar as poupanças, ninguém tinha dinheiro para mais nada. E os argentinos que corriam na Europa ficaram chupando o dedo. Toda a turma que corria lá fora, incluindo Enrique Mansilla, o maior adversário de Ayrton Senna na Fórmula Ford, foi obrigada a voltar. E o que poderia ter sido uma geração de ouro do automobilismo argentino acabou sendo apenas um devaneio.

1- SEGUNDA GUERRA MUNDIAL (1939 – 1945)

O primeiro lugar é óbvio. A Segunda Guerra Mundial, que dispensa lá grandes apresentações, foi inegavelmente o maior evento ocorrido desde que o automóvel foi inventado. Um conflito em que Estados Unidos, França, Inglaterra e União Soviética se encontram de um lado e Itália, Alemanha e Japão se unem do outro, com a grande maioria dos países se alinhando em um desses lados, só poderia ter bagunçado toda a ordem econômica, política, social e cultural da humanidade.

Até o fim dos anos 30, o automobilismo estava en vogue na Europa. O fürher Adolf Hitler se vangloriava de ter os melhores engenheiros e a melhor indústria automobilística do mundo, uma vez que os carros da Mercedes e da Auto Union dominavam os Grand Prix da época. As corridas eram levadas a sério, embora não fizessem circular dinheiro como hoje em dia. Pilotos como Bernd Rosemeyer, Tazio Nuvolari e Achille Varzi eram tratados como astros. Mas tudo isso foi interrompido quando a Polônia foi invadida pela Alemanha em setembro de 1939.

As corridas deixaram de ser realizadas, as fábricas de carros e peças começaram a produzir armas, aviões e navios, as pistas foram fechadas, destruídas ou convertidas em qualquer espaço que pudesse ser utilizado na guerra e muitos dos pilotos e mecânicos simplesmente foram parar nos fronts de batalha. As histórias são inúmeras e há livros dedicados para isso. O jornalista inglês Joe Saward é o autor de The Grand Prix Saboteurs, livro que conta a história de três astros das pistas (dois deles eram Willie Grover e Robert Benoist) que trabalharam para o serviço secreto britânico na França ocupada pelos nazistas.

Essa pesquisa é imensa e daria um bom livro, então não dá pra contar maiores detalhes. Do pouco que sei, o tradicionalíssimo circuito inglês de Brooklands, um dos mais antigos do mundo, foi convertido em uma fábrica de produção de jatos. Monza fechou as portas e Donington virou depósito militar, Por outro lado, o circuito de Silverstone surgiu a partir de uma base aérea utilizada pelos militares ingleses. Com relação às montadoras, a Auto Union, a BMW, a Mercedes, a Alfa Romeo, a Ford, a Fiat e outras empresas começaram a produzir armas, motores de aviões, carros militares e outras traquitanas bélicas. E vários pilotos perderam a vida nos confrontos. Que o mundo acabe antes de haver uma Terceira Guerra Mundial.