Os cinquentões devem lembrar-se bem daquele clipe esquisito e poligonal que apresentava um vendedor de eletrodomésticos quadradão cantarolando uma ode a um canal de televisão todo moderninho e musical onde se mostravam artistas amalucados que conseguiam “dinheiro por nada e mulheres de graça”. Em 1985, a banda inglesa Dire Straits fez em “Money for Nothing” uma homenagem não intencionada à Music Television, ou simplesmente MTV, talvez o maior acontecimento televisivo para a juventude no século XX.

A MTV surgiu nos Estados Unidos em 1981 com a ousada proposta de bombardear a juventude americana com muita música pop. Milhões de cabaços e nem tão cabaços assim se sentavam à frente de seus televisores de tubo apenas para passar horas vendo clipes de seus artistas favoritos, além de entrevistas, shows, noticiários musicais e tudo o que fosse relacionado com o mundo artístico. A linguagem jovial, as vinhetas lisérgicas e o ritmo frenético revolucionaram a forma com que a televisão dialogava com o carinha ali do outro lado da tela. Pela primeira vez na história, um veículo de comunicação em massa abria espaço para todos os sonhos, desejos, clamores e filosofias do jovem contemporâneo. Exagero? Não. A MTV realmente foi um marco na sociedade do final do século passado.

No Brasil, a “eme-te-vê” iniciou suas operações em outubro de 1990. Apesar da espera, pouca gente conseguiu acompanhar sua gênese. A emissora só podia ser sintonizada em frequência UHF e pouquíssimas pessoas no país possuíam a antena que captavam esse tipo de sinal. A própria galera da MTV (a primeira geração de VJs incluía gente como Zeca Camargo e Astrid Fontenelle) ensinava aos seus amigos o “truque do cabide”: o cidadão arranjava um cabide de arame, entortava uma extremidade de modo a formar uma antena falsa e encaixava a outra extremidade na entrada UHF da televisão. Era um troço prosaico, mas funcionava mais ou menos. Não demorou muito e as vendas de antenas UHF dispararam no Brasil. Todo mundo queria sua MTV.

A programação dispensa maiores comentários. Se quiser mais informações sobre a MTV no Brasil nesses últimos vinte anos, basta correr ao Google que você certamente encontrará um amontoado de coisas contando sua história. História essa que, de alguma forma, acabou à meia-noite do último dia 27. Após quase 23 anos de pura doideira, a MTV encerrou suas atividades no Brasil como emissora pertencente ao Grupo Abril. Desde o dia 27, ela está sendo operada apenas na TV paga e administrada diretamente pela Viacom, a verdadeira dona da marca. O que mudou na prática? Bem, é como se uma equipe de Fórmula 1 fechasse as portas e voltasse algum tempo depois com o mesmo nome, mas com dono, sede, logomarca, pilotos e funcionários diferentes. Para você, a Lotus é a Lotus?

Analogias à parte, o que a MTV tem a ver com o Bandeira Verde ou com as corridas? Em tese, nada a ver comigo, até porque sempre fui pobre e passei grande parte da minha vida sem dinheiro para comprar uma antena UHF ou assinar um pacote de TV paga. Mas a Music Television, até mesmo ela, já deixou seu rastro no automobilismo, seja por meio de patrocínio ou por algum projeto mais doido. O Top Cinq de hoje apresentará cinco histórias do envolvimento da rede de TV mais acelerada da história com o esporte a motor.

5- BRAD ADAMS

bradadams

Este blog nunca havia citado e provavelmente nunca mais citará a Pirelli World Challenge, uma categoria que eu sequer sabia que existia até há pouco tempo. Criada em 1985, a Pirelli World Challenge é um dos vários campeonatos de carros de turismo sancionados pela SCCA, uma das principais promotoras de eventos automobilísticos nos Estados Unidos. Pode parecer uma bostinha irrelevante para nós, mas não é. As corridas da World Challenge são realizadas como preliminares de certames de relevância internacional, como a Indy e a ALMS. Vários pilotos reputados na América do Norte costumam dar as caras por lá, como os americanos Johnny O’Connell e Patrick Long e o brasileiro Pierre Kleinubing, muito mais conhecido nos States do que aqui.

Outra prova de que a Pirelli World Challenge não é tão inútil assim é a presença de patrocinadores de peso. Além do apoio oficial da fornecedora italiana de pneus, iniciado em 2011, grandes empresas do ramo automobilístico como a Motul, a Acura, a Kia e a Nissan despejam dinheiro e recursos técnicos em suas corridas. Vez por outra, os carrões trazem até mesmo anúncios do mundo do showbiz. O Corvette de Tomy Drissi, por exemplo, já desfilou ornamentado com adesivos de lançamentos do cinema como “Os Estagiários” e “O Reino Escondido”. Outro carro que chama bastante a atenção é o de Brad Adams.

Nascido no estado sulista da Louisiana, Brad Adams é um executivo do ramo de prestação de serviços a empresas petrolíferas que disputa corridas nas horas vagas – não duvido que ele faça isso exatamente para torrar mais gasolina e lucrar mais com isso indiretamente. Piloto regular da Pirelli World Challenge, Adams finalizou as temporadas de 2011 e 2012 entre os dez primeiros na subcategoria GTS. Não é do tipo que passa vergonha, portanto. Mas o que se destaca mais em Brad é o layout de seu carro.

O Ford Mustang de Adams se distingue dos demais carros pela assombrosa pintura verde-limão. É como se alguém tivesse despejado um balde de tinta radioativa sobre o carrão. Como se não bastasse, o Mustang ainda é enfeitado (ou enfeado) com uma infinidade de minúsculos adesivos. O que mais chama a atenção é o do Yo! MTV Raps, um antigo programa voltado para o hip-hop que a emissora transmitiu por vários anos, ajudando a difundir o gênero dentro e fora dos EUA. Até onde eu sei, nos dias atuais, o programa só estava sendo transmitido justamente na recém-finada filial brasileira. Por que Adams carrega em seu carro o logotipo de um antigo programa da MTV? Sei lá, yo!

 

4- OMEGALAND

jeromepolicand

Você acha que uma emissora de TV moderna, descolada e ambiciosa como a MTV só se interessaria em patrocinar coisas grandes no automobilismo, certo? Errado. Em 1993, a Fórmula 3000 Internacional passava por uma crise financeira sem precedentes. Apesar de ter conseguido atrair quase trinta pilotos para a primeira corrida, as escuderias estavam quase todas falidas e os rumores diziam que apenas duas delas tinham condições de completar a temporada, que só teria minguadas nove corridas naquele ano. Para conseguir fechar o orçamento, os chefes de equipe tinham de lutar contra os outros chefes de equipe, a crise econômica e o azar. Cavar um patrocínio sem precisar recorrer a pilotos endinheirados era uma proeza.

Naquele ano, uma das equipes novatas na temporada era a britânica Omegaland, de propriedade de Roger Orgee. A Omegaland havia vencido o campeonato britânico de Fórmula 2 em 1992 com o francês Yvan Müller e decidiu disputar a Fórmula 3000 Internacional no ano seguinte com Müller e o compatriota Jérôme Policand. Apesar das boas intenções, o dinheiro era escasso. Como as exigências financeiras da Fórmula 3000 Internacional eram muito maiores do que as da Fórmula 2, a equipe de Roger Orgee só teve condições de arranjar dois chassis Reynard do ano anterior para seu ano de estreia.

Orgee podia não ser um cara rico, mas ao menos aparentava ser um grande negociador. No fim de março, ele anunciou que os problemas financeiros estavam resolvidos. Em 1993, os modestos carros brancos da Omegaland seriam patrocinados por ninguém menos que a filial europeia da MTV, naquela altura bombando com o grunge nos Estados Unidos e o britpop na Inglaterra. A MTV garantiu boa parte do milhão de dólares necessário para disputar a temporada completa e, em troca, estampou seu logotipo na cobertura do motor e nos macacões de pilotos e mecânicos, além de aparecer como intrusa no nome oficial da equipe. Surgia, assim, a MTV Omegaland.

Por que a MTV europeia resolveu patrocinar uma equipe mixuruca da Fórmula 3000? Não sei responder. A emissora jamais sonhou em transmitir uma corrida do que quer que fosse, ainda mais de uma categoria de base. Será que Roger Orgee era amigo de alguém lá de dentro? Ou os caras da TV queriam promovê-la a qualquer custo, apelando inclusive para o esporte a motor?

Vai lá saber. O que eu sei é que a parceria trouxe poucos resultados. Em termos de visibilidade, imagino que o resultado tenha sido deprimente, já que não mais do que uma dúzia de caraminguás é capaz de se lembrar que havia um carro da MTV na Fórmula 3000 em 1993. Do ponto de vista esportivo, se você acha que o terceiro lugar de Jérome Policand em Enna-Pergusa e o quinto de Yvan Müller em Nogaro são feitos bons o suficiente, então recomendo que vá tentar dialogar com os inquietos executivos da MTV, que cortaram o patrocínio no ano seguinte sem o menor remorso.

 

3- SIMTEK S951

simtek1995

Essa história você conhece. A Simtek, uma das equipes de histórico mais sombrio na história da Fórmula 1, galgou fama não só por ter assassinado um de seus pilotos (Roland Ratzenberger) e ferido outro (Andrea Montermini) mas também por ter portado em seus carros uma das pinturas mais extravagantes de todos os tempos. A combinação entre roxo e preto dava ao seus bólidos uma aparência estranha, pesada, gótica, até mesmo meio macabra, mas muito bonita. E a cereja do bolo era o logotipo de MTV.

Calma que falo mais sobre o início da parceria entre MTV e Simtek lá embaixo. Nesse momento, tratarei apenas do segundo carro construído pela escuderia de Nick Wirth, o S951. Em 1995, tudo o que a Simtek queria era uma temporada tranquila. Após as tragédias do ano anterior e as dificuldades passadas com um carro terrível, a escuderia almejava dar a volta por cima com um novo chassi e uma dupla de pilotos renovada. O holandês Jos Verstappen foi emprestado pela Benetton e faria companhia a Domenico Schiattarella, que havia estreado no final da temporada. Ambos foram contemplados com um bólido de linhas modernas, que se destacava por ter algumas pequenas soluções aerodinâmicas espertinhas como os escapamentos direcionados para o difusor traseiro. O câmbio e o motor seriam os mesmos que a Benetton havia utilizado na temporada anterior. Depois de ter passado todo o ano de 1994 tentando fugir da última fila, parecia que finalmente a Simtek daria o salto esperado.

O principal patrocinador da escuderia continuaria sendo a filial europeia da MTV, a mesma que apoiou a Omegaland em 1993. Porém, devido aos resultados muito ruins do ano anterior, a emissora só aceitou manter o apoio desde que pudesse reduzir seu envolvimento. Não tem problema, respondeu a Simtek. Como a equipe havia conseguido parceria com outras empresas, a escuderia acabaria dando um jeito. Afinal, ninguém aqui nasceu quadrado.

Verstappen e Schiattarella até tiveram um desempenho razoável nas corridas que disputaram. O holandês largou em 14º na Argentina e estava andando em sexto quando teve de abandonar, vítima de câmbio quebrado. Em compensação, Domenico conseguiu levar o carrinho roxo à nona posição na mesma prova. Nas outras corridas, a situação não foi muito diferente, com Verstappen largando muito à frente de Schiattarella e ao menos um dos carros, quando não os dois, parando no meio da pista com o câmbio estourado. Pelo visto, a Benetton deve ter lhes vendido suas transmissões mais bichadas, aquelas que ficavam abandonadas no cantinho mais escuro do almoxarifado.

O dinheiro acabou logo após cinco etapas. Ainda no fim de semana do GP de Mônaco, Nick Wirth afirmou que somente um milagre vindo dos céus faria a Simtek competir na corrida seguinte, no Canadá. O empresário se reuniu com todos os seus parceiros, a começar pela própria MTV, e pediu mais envolvimento a todos eles, mas não recebeu nenhuma resposta positiva. Sem bufunfa, só restou a ele fechar as portas. A Simtek acabou ali. A MTV ainda chegou a conversar com outras equipes e quase se associou à Jordan em 1996, mas tudo ficou no quase.

 

2- SIMTEK S941

simtek1994

Você acabou de ver como foi o divórcio, mas não sabe como se deu o matrimônio. Em julho de 1993, o engenheiro Nick Wirth anunciou que levaria sua empresa, a Simtek Research, para a Fórmula 1 em 1994. Os primeiros desenhos vazados pela mídia europeia apresentavam um carro bastante ambicioso, cuja grande inovação era um sistema de suspensões de braços solitários e pontos de apoio altos que permitiam um fluxo de ar mais limpo nas laterais. Apesar de seu primeiro carro de Fórmula 1 ter sido justamente o Andrea Moda S921, dava para confiar na inteligência e na engenhosidade de Wirth.

Arranjar um motor Ford HB e um câmbio Xtrac não foi um problema. Dureza mesmo foi encontrar quem aceitasse financiar a maluquice. O ex-tricampeão Jack Brabham concordou em injetar algum trocado nos cofres da equipe e em troca exigiu que um dos carros fosse concedido ao filhote David Brabham. A empresa alemã SMS Motorsport se tornou acionista da escuderia ao comprar 15% de suas ações. Parcerias boas, mas não o suficiente. A Simtek atravessou a pré-temporada de 1994 correndo atrás de um bom patrocínio.

O esforço valeu a pena. Pouco antes da primeira corrida da temporada, o GP do Brasil, a Simtek anunciou que a filial europeia da MTV seria a patrocinadora principal da equipe em 1994. O logotipo exótico da MTV combinava bastante com a pintura roxa e preta do soturno S941, formando uma combinação quase mal-assombrada – não é à toa que o bizarro Zé do Caixão, em visita ao paddock de Interlagos, elegeu o carrinho da Simtek o seu favorito.

Apesar de a MTV ter recebido o direito de estampar sua logomarca na cobertura do motor e nos macacões dos pilotos e de compor o nome oficial da escuderia, formando a “MTV Simtek Ford”, a emissora não contribuía com dinheiro. O acordo de patrocínio era, na verdade, do tipo triangular. Caso a Simtek descolasse outros patrocinadores, estes teriam o direito de veicular comerciais nos intervalos da programação da MTV europeia podendo pagar diretamente à própria Simtek um valor bastante reduzido. Sendo assim, a Russell Athletic exporia seus produtos na TV, a Simtek embolsaria as verdinhas e a MTV apareceria para todo mundo lá na Fórmula 1.

Além da grana, a Simtek também teria algum espaço nos noticiários e até mesmo na programação cultural da rede. Consta que David Brabham e Roland Ratzenberger chegaram a participar de um talk show no qual o entrevistador mal sabia o que era um carro de corrida. Ossos do ofício.

O apoio da MTV não deu muita sorte à Simtek em 1994. O logotipo da empresa, sempre associado a momentos festivos e descolados, ganhou a fama de pé-frio na Fórmula 1 por ter ornamentado o carro que matou Roland Ratzenberger em Imola e quase fez o mesmo com Andrea Montermini em Barcelona e David Brabham em testes em Silverstone. A equipe conseguiu pouquíssimos resultados de relevo naquele ano e só pôde comemorar o fato de ter derrotado com folga a outra estreante da temporada, a Pacific. Como se vê, a turma da MTV europeia não se deu bem com esse negócio de automobilismo.

 

1- RACE TO FAME

vodafoneracetofame

Engana-se quem acha que o envolvimento da MTV com o automobilismo se resumiu a alguns adesivos grudados em carros de corrida em que ninguém presta atenção. Em 2011, a filial indiana da emissora realizou em conjunto com a operadora telefônica Vodafone uma das promoções mais legais que eu já vi em se tratando de Fórmula 1.

Vocês sabem que a Fórmula 1 realiza corridas na Índia desde 2011. Vocês também sabem que pouquíssimos indianos podem se dar ao luxo de assistir a uma corrida da categoria pessoalmente – 30% da população do país se encontra abaixo da linha da pobreza e o preço mínimo de 42 euros é simplesmente inviável para quem não é das castas elevadas. Pensando nisso, a MTV indiana e a Vodafone decidiram premiar doze fãs do automobilismo no país com a possibilidade de poderem conhecer os pilotos da McLaren daquele ano, Lewis Hamilton e Jenson Button. Dois desses fãs teriam o direito de assistir ao primeiro GP da Índia nos boxes da equipe inglesa. Nada mal.

Como esses doze fãs seriam escolhidos? Ordens de Brahma? Não. Quem quisesse ganhar o direito de conhecer a Fórmula 1 por dentro teria de provar que gostava mais das corridas de carro do que qualquer outra pessoa nos país. O “Vodafone Race to Fame – Life in the Fast Lane with MTV” era um concurso que buscava os maiores fanáticos por Fórmula 1 de toda a Índia. Os candidatos se inscreviam pela internet e os escolhidos eram convidados para disputar uma eliminatória de kart em seis grandes cidades do país: Nova Delhi, Mumbai, Goa, Chennai, Jaipur e Hyderabad. Os melhores colocados eram efetivamente convocados para participar do concurso, composto por várias provas de resistência, coragem e desempenho. E que provas!

Suportar calor violento por vários minutos vestindo um macacão de piloto. Pular de bungee jump o máximo de vezes que o corpo aguentar. Trocar os quatro pneus de um carro de Fórmula 1 em menos de nove segundos. Essas são algumas das coisas que os indianos teriam de fazer para ganhar a competição, sempre transmitida pela MTV. Você seria fanático o suficiente para fazer tudo isso unicamente pelo prêmio de poder andar junto aos carrancudos caras da McLaren por um fim de semana?

Após dois meses de promoção, doze caras foram escolhidos para conhecer Button e Hamilton e os privilegiados Imran Sidi e Suhail Ahmed ganharam credenciais para acompanhar os três dias do GP indiano ao lado da McLaren. Os dois puderam celebrar o segundo lugar de Jenson e lamentar o sétimo posto de Hamilton ao lado dos mecânicos. Para quem, até alguns meses antes, nunca sequer imaginava poder chegar tão perto de um carro de uma categoria tão esnobe e elitista, tudo aquilo foi um verdadeiro sonho.

Você é o inquisidor, o carrasco do dia. Depois de escolher os melhores pilotos da temporada, o leitor pôde calibrar seu dedo e apontá-lo na fuça daqueles que, definitivamente, não fizeram um bom trabalho em 2011. O último post deste ano, que não foi lá aquelas coisas, trata dos piores pilotos da temporada de Fórmula 1 do ano prestes a findar. Os cinco piores.

Pelo que percebi, criar uma lista sobre os piores foi bem mais tranquilo e interessante do que uma sobre os melhores, já que os que realmente se destacaram pelo lado positivo não foram muitos e, Vettel, Button e Alonso à parte, não foi fácil encontrar mais dois pilotos dignos de um Top Cinq dos bons. No caso dos piores, não houve tanto trabalho assim. A verdade é que bastante gente fez por merecer uma menção aqui.

Minha lista? Não consigo pensar em nada logo de cara. Talvez após uns copos de vinho. Os três primeiros colocados deste Top Cinq certamente apareceriam nela, no entanto. Enfim, prefiro apenas seguir a opinião do Brasil varonil.

Por fim, a metodologia é a mesma do Top Cinq dos melhores. Foi atribuída uma pontuação para cada posição: dez para o primeiro, oito para o segundo, seis para o terceiro, quatro para o quarto e dois para o quinto. Quem fez mais pontos lidera a lista. Simples.

Feliz ano novo para os senhores. Que o mundo acabe em 2012.

10- TIMO GLOCK (38 pontos)

9- KARUN CHANDHOK (40 pontos)

8- NICK HEIDFELD (52 pontos)

7- VITANTONIO LIUZZI (60 pontos)

6- LEWIS HAMILTON (60 pontos)

5- JERÔME D’AMBROSIO (68 pontos)

Coitado. Aconteceu justamente o que eu previa no início do ano. O insípido Jerôme D’Ambrosio acabou dando as caras no Top Cinq mais amargo da estação. O belga de 26 anos foi contratado para ocupar o lugar mais ingrato da temporada, o de segundo piloto da Marussia Virgin. Pilotando um carro deprimente e sem grandes perspectivas de melhora, D’Ambrosio tinha a obrigação de ao menos dar algum espetáculo para chamar a atenção de alguma equipe melhor, como a HRT ou a Eurobrun. Só que esse tipo de coisa não é típico dele.

A ausência de pecados como o orgulho e a soberba foi justamente o grande pecado de D’Ambrosio neste ano. Ele foi aquele típico funcionário certinho que chegava na hora certa, fazia seu trabalho sem excessos, saía na hora certa e nem dava as caras no happy hour. Esta rotina pode ser adequada quando você é um bancário ou um funcionário público, mas nunca para um piloto de Fórmula 1, que precisa ser mais pirotécnico do que o Macarrão pulando do caminhão em Interlagos. Jerôme abusou da discrição e isto foi absolutamente fatal para sua carreira.

O chato da história é que seu trabalho em 2011 foi bastante aceitável. Ele abandonou apenas três das dezenove corridas, nenhuma por erro. Seu único grande acidente ocorreu em um dos treinos livres do GP da Índia, resultando na destruição total da traseira de seu MVR02. De qualquer jeito, Jerôme obteve os dois melhores resultados da Virgin neste ano, 14º na Austrália e no Canadá. O que não pegou bem foi ter largado várias vezes atrás de um ou até mesmo dos dois carros da HRT, como aconteceu no Canadá e na Hungria. Falando em Hungria, que pit-stop foi aquele, meu Deus? Rodar dentro dos pits está longe de ser a maneira mais estilosa de conduzir seu bólido à troca de pneus.

No ano que vem, Jerôme D’Ambrosio dará lugar a Charles Pic, que muito provavelmente fará um papel igual e será igualmente defenestrado no final da temporada. É o matadouro de carreiras da Virgin.

Se a Fórmula 1 fosse um prostíbulo, D’Ambrosio seria uma garota de programa de vintão. Sem carisma e faz o serviço meia-boca.“ – Fernando Bezerra

Não aqueceu, nem arrefeceu. Aliás, pergunto-me se existiu na pista.” – Speeder

4- NARAIN KARTHIKEYAN (78 pontos)

Num belo dia, um certo indiano que estava fazendo algumas aparições esporádicas na NASCAR Camping World Truck Series postou no Twitter, com certo ar de galhofa, que havia assinado com a HRT para correr na Fórmula 1 em 2011 e que a equipe anunciaria a contratação no dia seguinte. Ninguém levou a sério, a princípio. Como assim, Narain Karthikeyan retornando à categoria após seis longos anos? Que história é essa?

Pois é, ele não estava lançando mão do mais fino humor indiano. A HRT realmente o contratou para a temporada 2011. Ou melhor, para o máximo de corridas possível na temporada. Não foram os olhos cor-de-mel, o semblante safado ou o currículo que motivaram a vinda de Karthikeyan. A equipe espanhola estava muito interessada nas rúpias da Tata, o enorme conglomerado indiano que apoia o piloto. Que não foi bem, é claro.

Narain não fez testes com o carro de 2011 na pré-temporada e chegou basicamente cru em Melbourne. Não conseguiu se classificar para a corrida de lá, como era esperado, mas logrou a participação nas demais etapas em que foi inscrito. Em Mônaco, Karthikeyan largou à frente do companheiro Vitantonio Liuzzi porque nenhum dos dois fez tempo e a numeração do indiano era maior, só isso. Na Turquia, deixou Liuzzi para trás na corrida porque fez uma parada a menos. De resto, fidelizou-se à última posição. Em Valência, teve o duvidoso privilégio de ser o único piloto da história a completar uma corrida em 24º. Pelo bem ou pelo mal, deixou seu complicado nome nos anais da categoria.

Depois que a Red Bull propôs um empréstimo de Daniel Ricciardo à HRT, Narain Karthikeyan teve de ceder seu lugar e foi rebaixado ao inútil cargo de terceiro piloto da mirrada equipe. Ele voltou à competição no inédito GP da Índia e, diante das honoráveis forças hindus, conseguiu deixar Ricciardo para trás na corrida. Mesmo assim, sua presença neste Top Cinq era a maior barbada do ano.

O que ele tem de feio tem de péssimo piloto.“ – Anderson Nascimento

Nem queria colocar nenhum dos pilotos mais fracos nesse Top 5, mas esse cidadão conseguiu a proeza de ser um dos piores dos piores.“ – Felipe Andrade

3- JARNO TRULLI (168 pontos)

Este italiano de Pescara é aquele que liderou mais de 35 voltas de sua 14ª corrida na Fórmula 1 a bordo de um Prost-Mugen. É aquele que colocou um problemático Jordan-Mugen na primeira fila de algumas corridas em 2000. É aquele que venceu em Mônaco segurando um desesperado Jenson Button. É aquele que fez quatro poles em sua extensa carreira. É aquele que já foi considerado o sucessor de Alberto Ascari. É aquele que deixou o kartismo com a reputação de melhor piloto do mundo. É aquele que, após catorze anos de carreira e mais de 250 grandes prêmios, foi eleito o terceiro pior piloto de 2011.

Não que ser piloto da Lotus, que se chamará Caterham na próxima temporada, seja lá a mais gloriosa das tarefas, mas bem que Jarno Trulli poderia ter se empenhado um pouco mais. Pelo segundo ano consecutivo, ele não ofereceu qualquer dificuldade ao companheiro Heikki Kovalainen. Em treinos, o italiano só conseguiu superar o finlandês em duas míseras ocasiões, Montreal e Monza. Nas corridas, terminou apenas três vezes à frente de Kovalainen. Em várias ocasiões, enquanto Heikki peitava a galera do meio do pelotão, Trulli se embananava com os carros da Virgin e da HRT.

Durante boa parte do ano, Jarno Trulli argumentou que não estava se dando bem com a direção hidráulica da equipe. Para ele, a direção não permitia que ele sentisse corretamente o carro e desfavorecia seu estilo de pilotagem, mais técnico. A equipe ouviu as inúmeras chorumelas, fez as mudanças que ele pediu e os resultados seguiram os mesmos. O problema é que Trulli, 37, não parece mais ter saco para aturar um carro tão fraco e posições tão ruins. Ao mesmo tempo, ele não quer deixar a Fórmula 1. Só que ele precisa mostrar mais do que um corriqueiro mau humor, fluência em cinco línguas e bom gosto para vinhos.

Se Trulli sobreviver ao assédio de outros pilotos à sua vaga, ele terá de aproveitá-la para, ao menos, fechar sua carreira de maneira digna. O sucessor de Alberto Ascari está mais para sucessor de Michele Alboreto nos tempos de Minardi. Ah, Itália!

Correu esse ano com a vontade de uma criança que acorda de manhã pra ir pra escola.“ – Brunny Calejon

APOSENTADORIA não é uma palavra tão feia assim.“ – Marabo Toquinho

2- MARK WEBBER (298 pontos)

Esta segunda posição poderia ser definida por apenas três palavras: onze a um. Este é o placar de vitórias dos pilotos da Red Bull Racing. O onze, é claro, pertence a Sebastian Vettel, que ganhou o título com louvor, estrelinha na testa e beijinho da professora. Seu companheiro, o australiano Mark Webber, venceu apenas uma prova. Uma. Pilotando um RB7, maravilha da engenharia concebida pelo mago Adrian Newey. Dependendo de um duvidoso problema de câmbio de Vettel em Interlagos.

Dizer que Mark Webber não foi bem é ser bastante gentil com ele. O australiano simplesmente desperdiçou o melhor carro de sua vida e fez uma temporada parecida com a de Riccardo Patrese em 1992. Sendo o segundo piloto da melhor equipe do ano com sobras, sua obrigação era ter sido vice-campeão sem maiores problemas. Terminou em terceiro, doze pontos atrás de Jenson Button e apenas um à frente de Fernando Alonso, que foi superado apenas na última corrida. Fora a vitória com gosto de presente de Natal no Brasil, ele obteve dois segundos e sete terceiros lugares. Abandono, apenas um: batida na Parabolica de Monza após se chocar com Felipe Massa na disputa por uma mísera sexta posição. O resto da temporada foi uma profusão de resultados medíocres para os padrões rubrotaurinos.

Tenho de ser justo com Webber e dizer que uma das ultrapassagens mais bonitas do ano foi executada por ele sobre Fernando Alonso em plena Eau Rouge: mais um pouco e Stefan Bellof teria companhia. Além disso, ele não deixou de marcar três poles. Estes foram os pontos altos. Os baixos foram bem mais frequentes e aconteceram especialmente na corrida. Webber acostumou-se a largar muito mal na maior parte das corridas da temporada, perdeu duelos contra carros mais lentos e jogou no lixo provas nas quais a equipe lhe deu todo o apoio, como Nürbugring e Abu Dhabi. Seu início de temporada, em especial, foi somente deplorável.

Em 2012, Webber seguirá na equipe graças ao sempre presente suporte de Christian Horner e Dietrich Mateschitz, os homens fortes da Red Bull. Como ninguém da cúpula deu muito crédito a Sébastien Buemi ou Jaime Alguersuari, a equipe taurina achou que seria negócio permanecer com Mark por mais um ano. Mas já sabe: se repetir 2011, vai dar lugar a qualquer outro e não haverá nenhum Christian Horner para consolá-lo.

Se Vettel foi Mrs. Mansell, Webber foi Mrs. Patrese. Pilotando um RB7, tão digno quanto as Williams de Adrian Newey, o australiano nos presentou com um ano repleto de largadas lamentáveis, dois segundos lugares e uma única vitória (dada pela RBR em Interlagos). Pelo carro que teve e o desempenho de teve, merece o topo.“ – Thiago Medeiros

Não foi nem sombra do Vettel esse ano e só ganhou no Brasil por causa do câmbio bipolar do alemão. Só não fica mais a frente no meu ranking porque ele é um Canberra Milk Kid.“ – Vitor Fazio

1- FELIPE MASSA (326 pontos)

No ano passado, Felipe Massa foi o segundo colocado no Top Cinq de piores pilotos da temporada, perdendo apenas para o indefensável Vitantonio Liuzzi. Muita gente não gostou da decisão e alguns inocentes acreditaram que, veja só, eu não o deixei em primeiro lugar por puro patriotismo. Neste ano, para escapar covardemente das críticas, deixei a lista na mão dos respeitáveis leitores. Que não perdoaram e emplacaram o paulista de língua presa na primeira posição deste indesejável ranking.

Pelo segundo ano seguido, Massa foi impiedosamente derrotado por Fernando Alonso das Astúrias, aquele que não tem pena nem de velha perneta. Enquanto Alonso quase derrotou Mark Webber no campeonato, obteve uma vitória, nove pódios e 257 pontos, Felipe não pegou um podiozinho sequer e ficou isolado na sexta posição do campeonato, absolutamente distante dos cinco primeiros e bastante à frente dos demais por simplesmente pilotar um carro deveras melhor.

O “seis”, aliás, foi o número cativo de Felipe Massa neste ano. Virou até piada. Duvida? Ele não só terminou o ano em sexto como também pilotou o carro nº 6, obteve seis quintos lugares, largou seis vezes na sexta posição e terminou quinze treinos livres nesta tão amada posição. Na China, ele abusou: ficou em sexto nos três treinos livres, no Q2 e Q3 da classificação e na corrida. Os chineses gostam do número seis porque ele traz boa fortuna. É, deve ser isso.

Mas o que incomodou mais não foram exatamente os resultados, e sim a passividade. Enquanto Fernando Alonso se esforçava ao máximo para fazer uma ultrapassagem ou conquistar uma posição a mais no grid de largada, Felipe Massa parece ter deixado de lado o arrojo que sempre o caracterizou e se transformou em um sujeito insuportavelmente conformista. Ele até teve alguns bons momentos, como os zerinhos em Interlagos, as duas voltas mais rápidas, a briguinha com Hamilton em Cingapura e as atuações agressivas em Nürburgring e em Sepang. Mas o resto do ano foi medíocre, para dizer o mínimo. O fundo do poço foi em Spa-Francorchamps: Massa perdeu todas as disputas em que se envolveu de maneira humilhante. Eita, mola má.

Enquanto o Alonso disputava a Eau Rouge com Webber, Felipe duelava com Buemi, Kobayashi… para, quem sabe, chegar em sexto. “ – Gabriel Milaré

Desde 1981 um piloto da Ferrari não disputava toda uma temporada sem ir ao pódio, algo que Alonso conseguiu por 10 vezes. Triste.“ – Alexandre

Depois de alguns dias fora, volto à normalidade com o site. Espero que 2012 seja um ano mais normal para mim e o Bandeira Verde, que esteve bastante irregular especialmente no segundo semestre. Devo dizer que 2011 foi um dos anos mais problemáticos da minha vida. Odeio anos ímpares e sinto que o mesmo ocorre com muita gente. Enfim, chega de conversa besta.

Eu não quero terminar o ano sem fazer o Top Cinq dos cinco piores pilotos do ano que prometi a vocês há um bom tempo. Como os contratempos surgiam aos montes, ficou difícil promovê-lo. Pois ele sairá amanhã. E com a sua ajuda, como não poderia deixar de ser.

É fácil: basta apontar, em ordem, os cinco piores pilotos da temporada 2011 da Fórmula 1 na sua opinião. Por favor, se não for de muito incômodo, escrevam suas razões. Quero ilustrar os cinco infelizes com opiniões do povão. Mas se não quiser escrever também, tudo bem.

Valem pilotos substitutos? Sim, valem, embora seja meio complicado julgar Pedro de la Rosa pela sua solitária corrida canadense.

Valem quatro ou seis pilotos? Peço aos senhores a cooperação com a matemática. São cinco pilotos.

Postem suas listas até amanhã à tarde.

Minha lista? Não vou postá-la para não enviesar a resposta de vocês.

Há quase duas semanas, sem muito tempo para escrever um tópico, decidi deixar vocês escolherem o Top Cinq da sexta-feira passada. Infelizmente, tive uns bons contratempos por aí, mas resolvi tudo. Por isso, o Top Cinq será postado em uma terça. Hoje, falo sobre os cinco melhores pilotos da temporada 2011 da Fórmula 1. Eles foram escolhidos por vocês. Semana que vem, serão os cinco piores. E vocês escolherão, novamente. No próximo post, falo sobre isso. Esta, sim, será uma lista divertida.

Porque a dos pilotos melhores é previsível pra burro. Tão previsível que, segundo meus critérios devidamente aprovados pelo matemático Oswald de Souza, os cinco pilotos escolhidos pelos leitores são exatamente os mesmos da minha lista, sem mudar ordem ou qualquer outra coisa. De duas, uma: ou nós somos conectados por uma força sinérgica que controla o universo ou quem foi bem se destacou demais em relação ao resto. Como não acredito em bobagens transcendentais, concluo que quem foi bem realmente foi muito bem e chamou a minha e a sua atenção.

Para fazer a lista, peguei a lista que cada um fez e atribuí uma determinada pontuação para cada posição. O primeiro leva dez pontos, o segundo leva oito, o terceiro leva seis, o quarto leva quatro e o quinto leva dois. Joguei tudo para o Excel, somei e…

O resultado está aí embaixo. Posso antecipar que:

10- DANIEL RICCIARDO (20 PONTOS)

9- NICO ROSBERG (28 PONTOS)

8- SERGIO PÉREZ (42 PONTOS)

7- JAIME ALGUERSUARI (54 PONTOS)

6- PAUL DI RESTA (64 PONTOS)

Os cinco, portanto, são:

5- HEIKKI KOVALAINEN (66 PONTOS)

Em 2009, Heikki Kovalainen era o maior desperdício de vaga na Fórmula 1. Segundo piloto da McLaren, o finlandês de Suomussalmi não obteve um podiozinho sequer e fez talvez a pior temporada de um piloto McLaren desde há muito tempo. Quase caiu fora da Fórmula 1 a pontapés. A mão benigna e frutífera de Tony Fernandes o salvou do ostracismo. Hoje, Kovalainen é um dos pilotos mais interessantes fora do mundo das equipes grandes.

Neste ano, Kova fez sua segunda temporada pela Lotus. Dentro das enormes limitações de sua equipe ecológica, ele fez uma grande temporada, talvez até melhor do que a de 2010. É verdade que seu carro evoluiu um pouco, muito pouco, mas era notável a diferença entre o nórdico e o companheiro Jarno Trulli, a apatia em pessoa. Em treinos, 16×2 para Heikki, uma monstruosidade.  Em corridas, a diferença a favor dele foi um pouco mais apertada, 8×3 nas que os dois companheiros terminaram. Os números comprovam a superioridade do cabeçudo. Mas só isso não é o suficiente para comprová-la.

Em certos momentos, Kovalainen andou melhor até do que seu carro permitia. Na China, terminou à frente de Pérez. Na Espanha, ele largou à frente dos dois Force India e de um Williams. Na Inglaterra, deixou os dois Toro Rosso para trás no treino oficial. Na Bélgica, largou à frente de Di Resta e finalizou à frente de Barrichello. Em Cingapura, deixou Petrov para trás no domingo. Na Índia, voltou a ficar à frente de Barrichello. Em Interlagos, ficou à frente de Bruno Senna. Relembro da mesma forma suas eventuais idas ao Q2 da classificação e as ótimas largadas que o deixavam à frente de vários carros melhores.

Este é o verdadeiro Heikki Kovalainen, aquele que barbarizou na GP2 e na segunda metade de 2007. Que a Caterham capriche no carro do ano que vem.

4- ADRIAN SUTIL (116 PONTOS)

Em 2011, Adrian Sutil tinha todos os motivos do planeta para entrar na mais profunda depressão. Estava entrando em seu quinto ano em uma equipe que nunca fará melhor do que já faz, precisava urgentemente de convites calorosos e pomposos das equipes maiores, já não podia mais contar para os outros que era uma jovem promessa da Fórmula 1 e ainda andou trocando sopapos com um colarinho-branco poderoso da Renault em uma festinha por aí. Um inferno de ano. Igreja Universal para ele, já!

Mas se o ano fora das pistas foi desagradável, o alemão não tem do que reclamar enquanto pilotou. Isto é, ele tem todas as razões do planeta para choramingar o fato do celebrado Paul di Resta receber todos os afagos do paddock mesmo marcando bem menos pontos. Embora Di Resta realmente tenha deixado uma impressão positiva, é errado negar que Sutil tenha feito uma ótima temporada. Foram 42 pontos e dois sextos lugares em Interlagos e Nürburgring como melhores resultados.

A dificuldade maior de Adrian Sutil neste ano foram os treinos oficiais. Tanto é que a melhor posição de grid da Force India foi o sexto posto de Di Resta em Silverstone. Ainda assim, Adrian acabou superando o companheiro no último treino do ano, em Interlagos: 10×9 para o alemão. Vale considerar que ele começou o ano bem chororô, bastante apático nos sábados e marginalmente melhor nos domingos. Considera-se também que os treinos oficiais eram exatamente o ponto forte de Paul di Resta e temos o número apertado. Mas o saldo ainda favorece Sutil.

Seu péssimo início de ano começou a ser revertido em Mônaco, onde ele obteve um ótimo sétimo lugar após arriscar na estratégia. As estratégias diferenciadas, aliás, marcaram várias de suas boas atuações, como em Nürburgring e Spa. Em outras ocasiões, como em Hungaroring e em Abu Dhabi, ele não se deu tão bem assim, mas tudo bem. A etapa de Interlagos, na qual brigou bastante com Nico Rosberg e saiu-se vencedor, foi uma das melhores de sua vida. Seria uma merda se ele ficasse de fora da Fórmula 1 no ano que vem. É para ele que desejo o segundo carro da Williams.

3- FERNANDO ALONSO (210 PONTOS)

Se definir quem foram os melhores pilotos da quarta posição para trás não é uma tarefa das mais fáceis, as três primeiras posições me pareceram bastante claras. O fato dos três melhores pilotos do ano aqui terem sido também os três primeiros do campeonato não é algo suficiente por si mesmo: o trio realmente se destacou do resto. Falo, primeiramente, daquele piloto que faz do seu torcedor um ser desprezível e indigno de ser chamado para festinhas e rodadas de pôquer.

Fernando Alonso é foda. Você pode torcer o nariz para seu absurdo histórico de polêmicas, sua sobrancelha ou sua cara-de-pau. Você pode argumentar que ele não vale uma peseta amassada. Você pode compará-lo ao Generalíssimo Franco de alguma forma. O que você não pode fazer é dizer que ele é ruim ou que sua temporada de 2011 foi uma merda – sua raiva se transmutaria em injustiça. Neste ano, Alonso pilotou uma 150th Italia apenas al dente, muito distante de algo digno dos beijos mafiosos. Mesmo assim, pilotou como nunca (“a melhor temporada que já fiz na minha vida”, dito pelo próprio), obteve resultados excelentes para a manca Ferrari e até ganhou uma corrida. Sim, ele foi el gañador em Silverstone. Tudo bem que a vitória só aconteceu porque algum abençoado arruinou o domingo de Sebastian Vettel lá nos pits. Mas a sorte surge para quem merece. Se Alonso ganhou, é porque mereceu. Não há muito o que deliberar sobre isso.

Só de ter sido o único vencedor que não vestisse prateado ou rubrotaurino, ele já merece um lugar aqui. Mas o ano de 2011 para Alonso não foi só isso. Ele obteve também nove pódios e uma única primeira fila no Canadá. Sim, Fernando não teve chance alguma nos treinos oficiais e não fez nenhuma pole-position, ocorrência vista apenas em 2001, com a péssima Minardi, e em 2008, com a Renault meia-boca. Só que falar em sábados quando há um Sebastian Vettel pilotando um RB7 é covardia, é cruel.

Alonso teve vários momentos de brilho neste ano. Suas largadas, por exemplo, foram excepcionais. Em Barcelona e em Monza, ele saiu da quarta posição para a ponta logo na primeira curva. Os duelos também foram muito divertidos, como a briga com Webber em Spa-Francorchamps e a belíssima ultrapassagem por fora sobre Button em Interlagos. Em outras corridas, como em Istambul, Alonso fez tudo e mais um pouco para andar na frente de carros mais velozes. Houve outros, mas não vou me lembrar de todos. Bonitas corridas, Fernandinho.

2- JENSON BUTTON (368 PONTOS)

Segundo alguns, este britânico com cara de sonso foi o melhor piloto da temporada 2011. São aqueles que não se restringem às obviedades de uma fria tabela de pontos. De fato, Jenson Alexander Lyons Button fez 122 pontos a menos que o campeão mundial. Mas quem disse que seu McLaren MP4-26 era carro para vice-campeonato? A verdade é que Button, 31 anos, 208 largadas, 12 vitórias e um título mundial, fez sua melhor temporada na vida em 2011.

Ninguém acreditava que Jenson seria capaz de fazer uma temporada tão boa na McLaren. Não que seu talento não existisse ou a equipe prateada não fosse capaz de construir um carro bom, nada disso. O que pegava é a presença de Lewis Hamilton, que fez da McLaren seu feudo particular. No ano passado, Button teve lá seus bons momentos, mas não conseguiu ameaçar a prima-donna que derrubou Fernando Alonso em 2007. Neste ano, as coisas mudaram dramaticamente. Enquanto Hamilton se embananava em problemas pessoais e acidentes bobos, Button utilizava-se de sua esperteza de raposa para vencer três corridas, Canadá, Hungria e Japão e terminar o ano como vice-campeão.

As três vitórias foram bem a cara de Button, aliás. Em Montreal, ele se recuperou de um toque com Hamilton (com quem mais poderia ser?) no início para ultrapassar todos que estavam à sua frente e herdar a liderança de Vettel na última volta da agitada prova. Em Hungaroring, teve de passar Vettel e Hamilton e economizar uma parada para tomar o caneco. Em Suzuka, também driblou o alemão nos pits. Fora isso, ele também foi brilhante em Sepang, Barcelona, Spa-Francorchamps (de 13º para o pódio, incrível), Monza, Cingapura e Buddh. Nestas corridas, ele sempre pôde contar com a estratégia, com o baixíssimo consumo de pneus proporcionado pelo seu estilo de pilotagem e pela sorte.

Para mim, o mais legal foi ter deixado Hamilton para trás no campeonato. 43 pontos separaram Jenson de Lewis, que acabou ficando em quinto e sequer conseguiu entrar na lista dos dez melhores deste sítio. Nos treinos oficiais, Hamilton fez 12×7 em Button. Nas corridas em que terminaram juntos, um curioso empate: 7×7. Mas Button leva vantagem por não ter abandonado duas corridas por acidentes, como seu companheiro, e por ter obtido resultados bem melhores nas corridas em que ficou na frente de Hamilton. Excellent!

1- SEBASTIAN VETTEL (448 PONTOS)

Quase todo mundo acha que Sebastian Vettel foi o piloto do ano. Alguns ainda quiseram ser legais com Jenson Button, mas é impossível ignorar o feito deste alemão que, caramba, tem apenas 24 anos de idade. Nesta idade, tem camarada que mora com a mãe (meu caso), tem outros que andam de carro 1.0 (meu caso) e tem até alguns que nunca conseguiram juntar um milhão na carteira (deixa pra lá…).

Os números de Sebastian Vettel neste ano são assustadores. Onze vitórias em dezenove corridas (58%). Quinze poles-positions (79%). 738 voltas lideradas em um total de 1.132 (65%). Dezessete treinos livres na liderança em um total de 57 (30%). Um grand chelem em Buddh e um hat trick em Valência. A quantia que mais me impressionou, contudo, foi a de voltas mais rápidas: apenas três. Tudo bem, Ayrton Senna também nunca foi um gênio neste quesito.

Foi um ano completo. Vettel ganhou em pistas velozes (Barcelona, Istambul, Spa-Francorchamps, Monza), médias (Sepang, Yeongam, Buddh) e de rua (Melbourne, Mônaco, Valência, Cingapura). Em termos de poles, ele só não largou na ponta em Barcelona, em Silverstone, em Nürburgring e em Yeongam. Nürburgring foi sua pior corrida, aliás: terceiro lugar no grid, quarto na corrida. Em Abu Dhabi, ele rodou na primeira volta devido a um pneu furado. Não fosse isso e, provavelmente, ele teria vencido mais uma. Fora isso, somente pódios, sorrisos e dedos em riste.

Alguém poderia argumentar que Sebastian Vettel somente fez aquilo que seu carro, o extraordinário RB7, permite. Embora eu realmente ache que o piloto tem uma parcela mínima de responsabilidade no desempenho de um carro, esta parcela mínima representa a diferença entre um avassalador título mundial e um envergonhado terceiro lugar na tabela final, obtido às custas de uma vitória facilitada na última corrida do campeonato. Nos treinos oficiais, Mark Webber só ficou à frente de Vettel em três ocasiões, as três em que fez a pole-position. Nas corridas em que ambos terminaram, o australiano só terminou duas à frente de Vettel, Nürburgring e Interlagos, onde ele costuma andar bem. No restante da temporada, só choro. Sebastian não deu chances ao companheiro e a nenhum outro piloto. 2011 foi dele.

Bom dia, orangotangos. Tempo nublado e seco aqui, ótimo para viajar. Odeio pegar estrada com chuva forte. Minha maior homenagem ao Alain Prost é ser um completo cagão dentro de um carro sob chuva forte.

Viajar? Pois é, viajo daqui a pouco para Lins, que fica muito longe daqui. Por isso, não vai ter Top Cinq hoje. Ao invés disso, abro um espaço para vocês fazerem o Top Cinq da semana que vem para mim.

É fácil. Quero saber apenas quais foram os CINCO MELHORES PILOTOS DA FÓRMULA 1 NESTE ANO. Se quiserem, postem suas opiniões.

Só uma coisa: sejam criativos, isto é, não me apareçam com uma réplica da tabela do campeonato. Impossível que Mark Webber, por exemplo, esteja na lista da maioria das pessoas.

É isso, criançada. Hasta.

Minha lista? Sem dar maiores detalhes, Vettel, Button, Alonso, Sutil e Kovalainen.

MARK WEBBER9 – A vitória foi chocha, sim, mas nós temos de ser justos com ele. O australiano esteve rápido desde a sexta-feira, chegou a liderar o primeiro treino livre e nunca ficou muito atrás de Vettel enquanto esteve em segundo. A partir do momento em que o problema do câmbio do alemão se intensificou, Mark chegou de vez e ganhou de presente de Natal a liderança. Depois, só desfilou rumo à sua primeira e única vitória no ano. Um bom fim de ano para alguém que fez uma de suas piores temporadas na carreira.

SEBASTIAN VETTEL9 –Domingo não foi seu dia. A pole-position, 15ª nesta temporada histórica, foi sua e com louvores. A liderança também foi sua durante a primeira parte da prova. No entanto, ainda na parte inicial, o câmbio começou a falhar. Um problema esquisito, que o obrigava a trocar de marcha mais rapidamente e que fazia o RB7 despejar óleo do câmbio pela pista. Não deu para manter a liderança, mas Sebastian ainda permaneceu na pista e chegou a ser dono da volta mais rápida. Terminou em segundo, mas não parecia tão insatisfeito. Perder uma faz parte, mesmo para ele.

JENSON BUTTON8 – Vice-campeão mundial com sobras e com méritos. A corrida foi boa, estritamente boa, nada além de boa. O ponto alto foi ter batido Lewis Hamilton desde o treino oficial. No domingo, teve problemas com os pneus e tomou um passão por fora de Fernando Alonso na Ferradura, coisa linda de se ver. Mais à frente, as coisas se inverteram e Button assumiu a terceira posição de Alonso sem problemas.

FERNANDO ALONSO7,5 – Se não é ele, quem é que vai fazer a Ferrari disputar posição no pódio? Na sexta-feira, teve problemas com o motor. No sábado, não conseguiu pegar nada além do quinto lugar no grid. O domingo é que foi melhorzinho. Alonso deixou Hamilton para trás na largada e, não muito depois, fez uma das ultrapassagens mais bonitas da temporada, por fora sobre Button na Ferradura. No final da prova, padecendo com pneus duros, tomou o troco de Button e acabou ficando em quarto. Para o carro que tinha, foi bom.

FELIPE MASSA6 – Seis. Este é o número que esteve presente na temporada 2011 de Felipe Massa quase que constantemente. Pelo menos em Interlagos, ele repetiu seu melhor resultado: um quinto lugar… No treino oficial, foi o brasileiro que menos se destacou tendo feito apenas o sétimo tempo. Na corrida, apostou em uma arriscada estratégia de duas paradas que não alterou o destino. Os destaques vão para o bom duelo com Hamilton durante algumas voltas e os zerinhos que ele fez no final da corrida. Zerinho. Zero. De zero para seis é só um rabisco para cima, não?

ADRIAN SUTIL8,5 – Mais uma boa corrida, uma de suas melhores em 2011. Aproveitou-se do excelente desempenho da Force India neste final de temporada para colocar o carro no Q3. Na corrida, esteve sempre entre os dez primeiros e chamou muito a atenção na sua briga com Nico Rosberg pelo sexto lugar. Na primeira tentativa de ultrapassagem, tomou o troco ainda no S do Senna. Na volta seguinte, finalmente completou a ultrapassagem. Se ele ficar desempregado, será a maior injustiça da próxima temporada.

NICO ROSBERG6,5 – Mais uma corrida eficiente e tediosa. O melhor momento, se é que dá para falar assim, foi ter batido Massa no treino oficial. No dia seguinte, largou mal e perdeu terreno para o mesmo Massa muito rapidamente. Meio sumido na transmissão, só voltou a aparecer quando devolveu uma tentativa de ultrapassagem sobre Sutil (de maneira bonita, diga-se) e tomou a ultrapassagem definitiva na volta seguinte. O melhor de ter terminado em sétimo foi ter permanecido à frente de Schumacher na classificação final pela segunda vez.

PAUL DI RESTA 7 – Boa corrida, outra. Não passou para o Q3 como fez seu companheiro de equipe, mas ficou bem perto. Largou, fez sua corridinha tranquila e parou apenas duas vezes. A partir da segunda metade, começou a ter problemas no câmbio, mas conseguiu levar o carro até o final e marcou quatro pontos. Terminou o ano como o estreante que mais pontuou.

KAMUI KOBAYASHI6,5 – Penou pra cacete na sexta e no sábado, mas conseguiu se recuperar e fez sua melhor corrida no segundo semestre. Desta vez, conseguiu largar à frente do companheiro Pérez, mas por muito pouco. Para a prova, apostou em uma estratégia de duas paradas. Largou bem, não perdeu tempo e não teve problemas nos pit-stops. No fim, se viu na nona posição. Um bom final de campeonato, certamente.

VITALY PETROV4 – Nem sei como é que ele pegou o último ponto da temporada. Não que o carro tenha colaborado muito, mas o russo já teve performances melhores neste ano. Na classificação, levou uma surra assustadora de Bruno Senna e ficou em 15º enquanto via o companheiro avançando ao Q3. Na corrida, perdeu muito tempo atrás dos carros da Toro Rosso e também ao ter de fazer um pit-stop a mais que os adversários mais próximos. Continuo sem saber como é que ele terminou em décimo.

JAIME ALGUERSUARI4 – Se ferrou na largada, quando perdeu um monte de posições e ficou preso atrás de pilotos que haviam largado atrás. Com isso, não conseguiu pontuar. Tivesse feito o trabalho direito na primeira volta e poderia ter sido o salvador da Toro Rosso em Interlagos. Mesmo assim, ficou à frente de Buemi no sábado e no domingo. Na briga por uma vaga na equipe no ano que vem, está na vantagem.

SÉBASTIEN BUEMI3,5 – Também não fez nada que o elevasse à condição de gênio. Na sexta-feira, teve de dar lugar a Jean-Eric Vergne. Quando teve seu carro de volta, ficou uma sessão livre inteira parado nos boxes por problemas. No sábado, largou atrás de Alguersuari. Na corrida, até conseguiu deixar o espanhol para trás na largada, mas as coisas se inverteram na última rodada de pit-stops. Não teve a melhor das temporadas e pode ter feito sua última corrida na Fórmula 1.

SERGIO PÉREZ3 – Fez um ano de estreia bastante razoável, mas sua prova de estreia em Interlagos não foi tão boa assim. Dá para culpar os outros, no entanto. Em um dos treinos livres, teve problemas. No sábado, a equipe decidiu acertar o carro para o tempo chuvoso. Não choveu. Por isso, o mexicano largou lá atrás e não se recuperou na corrida mesmo tendo parado duas vezes. Bom piloto, merece uma temporada melhor.

RUBENS BARRICHELLO3,5 – Teria sido sua 322ª largada na Fórmula 1 a derradeira? Para ser honesto, fico um pouco assustado com isso. Rubens Barrichello é piloto de Fórmula 1 ininterruptamente desde que eu tinha quatro anos de idade. Hoje, tenho 23. De verdade, fico até meio chocado com isso. Enfim, ob-la-di, ob-la-da. Se a corrida de Interlagos foi uma despedida, bem que ela poderia ter sido melhor. O sábado foi excelente com o suado 12º lugar obtido no Q2. Infelizmente, sua péssima largada arruinou o sonho dos pontos. Restou apenas chegar ao fim. Falo a verdade? Torço muito pela sua permanência na Fórmula 1. Mas acho que não vai dar mais. E nem adianta forçar a barra em uma equipe ainda pior que a Williams. Barrichello não merece isso.

MICHAEL SCHUMACHER2 – Viveu situação parecidíssima com a etapa brasileira de 2006. Assim como naquele ano, teve de largar da décima posição (naquele caso, por problema; neste, por opção da equipe). No domingo, partiu para uma tentativa de recuperação e até conseguiu passar Di Resta. No entanto, quando chegou em Bruno Senna, acabou se enroscando com o sobrinho e teve um pneu furado, assim como em 2006. Caiu para último e só lhe restou recuperar as posições dos carros de merda até o fim. Que 2012 seja melhor do que isso.

HEIKKI KOVALAINEN6,5 – Terminar à frente de um carro melhor tornou-se uma constante de Heikki Kovalainen nesta parte final da temporada. Desta vez, e mais uma vez, ele ficou à frente de Bruno Senna, que teve de parar quatro vezes e padecia de problemas no câmbio. Mas não dá para justificar a boa etapa do finlandês apenas por isso. No treino oficial, ponteou os pilotos das equipes nanicas. Largou bem e deixou um Sauber e um Toro Rosso para trás. Depois, fez sua corrida eficiente e fechou o ano em alta. OK. Só espero que sua terceira temporada na Lotus não seja apenas um “2011 melhorado“, pois este ano já foi um “2010 melhorado”.

BRUNO SENNA4 – Puxa vida, hein? O sábado do brasileiro foi talvez o melhor dia de Bruno Senna na Fórmula 1, talvez melhor até mesmo do que a classificação na Bélgica. Não só passou para o Q3 como também deu uma surra inesquecível em Petrov na frente da torcida. O domingo, por outro lado, foi negro. Logo no começo, em uma disputa com Schumacher, não facilitou a vida do alemão e os dois se acharam. Com isso, Senna teve de ir aos pits para trocar o bico. Mais tarde, foi punido e teve de ir aos pits mais uma vez. Para piorar, assim como aconteceu com seu tio há vinte anos, o câmbio começou a falhar no final. Sua corrida foi para o saco, é claro.

JARNO TRULLI3 – Não conseguiu sequer deixar um Bruno Senna com problemas de câmbio e quatro paradas para trás. Não que isso seja lá sua obrigação, mas Heikki conseguiu e isso conta pontos positivos a seu favor. No mais, largou atrás do companheiro e terminou atrás. Enfim, nada de novo. Não sei o que ele ainda espera da Fórmula 1.

JERÔME D’AMBROSIO3,5 – Desse daqui, deu pena. Fez seu trabalho honesto de sempre, mas terminou o domingo desempregado, já que Charles Pic foi anunciado como seu substituto horas depois. Maneira ruim de recompensar sua atuação competente em Interlagos. No dia anterior, embora batido pelos dois HRT no treino oficial, conseguiu deixar Timo Glock para trás. Na corrida, foi o único piloto da equipe a chegar ao final. Pelo visto, sua carreira na Fórmula 1 também chegou ao final.

DANIEL RICCIARDO4 – Corrida normal para um piloto da HRT. O sábado certamente foi melhor que o domingo, já que tanto ele como Vitantonio Liuzzi bateram os dois carros da Virgin, embora o australiano ainda tenha ficado atrás do companheiro. Na prova, contudo, somente ele terminou. Teve problemas de pneus, o que o impediu de ficar à frente de D’Ambrosio, mas ainda conseguiu chegar ao fim. Deve ter sido sua última corrida com um carro tão ruim.

VITANTONIO LIUZZI4 – Teve seu ponto alto no ano ao ficar à frente de três carros na classificação por puro mérito. Na corrida, infelizmente, pôs tudo a perder com uma má largada. Pelo menos, vinha andando à frente de Ricciardo até ter um problema no alternador. Impossível saber o que será de sua carreira no ano que vem.

LEWIS HAMILTON3 – Triste fim de uma temporada conturbada. Vindo de uma bela vitória em Abu Dhabi, Hamilton esperava fechar o ano com chave de ouro na pista onde foi campeão há três anos. Fracassou. No treino oficial, não conseguiu superar Button e obteve apenas o quarto lugar no grid. Na largada, saiu mal e perdeu uma posição para Massa. Tentou se recuperar e até chegou a brigar com Felipe Massa, mas o câmbio de seu carro quebrou e deixou o ex-Scherzinger a pé. Como ponto positivo, o capacete que homenageia Ayrton Senna e que será leiloado pra ajudar umas criancinhas carentes por aí.

PASTOR MALDONADO2,5 – Terminou 2011 sendo, provavelmente, o piloto da Williams com os piores resultados em um ano na história da equipe. Nem Zanardi em 1999 ou Nakajima em 2009 tiveram tantas dificuldades. Pudera. No treino oficial, ficou no Q1 com as três equipes porcas. Na corrida, até conseguiu se recuperar, mas rodou após ter ultrapassado Senna e deu adeus prematuro à prova. Nem sabe se irá continuar na Fórmula 1 no ano que vem, perdido nos problemas de contrato da PDVSA com a Williams.

TIMO GLOCK0 – Deus do céu, hein? O pior é que seu péssimo fim de semana nem foi culpa dele. Seu carro esteve muito ruim o tempo todo. No sábado, ele ficou atrás de D’Ambrosio e dos dois HRT no treino oficial. Ou seja, ficou em último no grid. Na corrida, logo após sair de seu pit-stop, o pneu traseiro esquerdo deu tchau ao seu carro e voou para longe. Por pouco, não atravessou a mureta dos pits e invadiu a pista. Glock ficou irritadíssimo e estava totalmente certo. É um cara que nunca vai ter um GP do Brasil tranquilo, pelo visto.

O tempo é escasso como água na Mauritânia, mas ainda consigo falar sobre os assuntos mais relevantes. E os menos também. Não vou largar isto aqui às varejeiras e às bolas de feno.

PIQUENIQUE

Chora, Jerôme!  Enquanto Mark Webber comemorava sua solitária e até certo ponto ilusória vitória e os mecânicos empacotavam tudo para voltar à Europa, a desnecessária Marussia Virgin decidiu que o epílogo do Grande Prêmio do Brasil era o melhor momento para anunciar o companheiro de Timo Glock no ano que vem. Que não será Jerôme D’Ambrosio.

Charles Pic, 21 anos. Será ele o novo segundo piloto da Marussia em 2012. O que dá para falar sobre ele? Não muito, infelizmente. Pic segue a mesma linha de seus antecessores, D’Ambrosio e Lucas di Grassi: é um piloto bom, discreto, de currículo correto e sem grandes apelos midiáticos ou comerciais. O que mais?

Assim como a esmagadora maioria de seus antigos colegas da GP2, Pic é rico. Muito rico. Mais rico que o Riquinho. Tão rico que sua família consegue custear também a carreira de seu irmão mais novo, Arthur, na World Series by Renault. Père Pic é dono de uma enorme empresa de transportes que atua em mais de quinze países, a Groupe Charles Andre. Por causa disso, o pequeno e descabelado Charles nunca precisou ralar muito para virar piloto. Poderia se preocupar apenas com seus carrinhos, suas aulas de esgrima e hipismo. Não sei se ele fazia esgrima ou hipismo, mas tudo bem. Todo rico gosta dessas merdas.

Além de grana, Charles Pic tem ótimos contatos. Quem o introduziu ao mundo do automobilismo foi seu padrinho, o ex-piloto Eric Bernard. Queira eu ter um padrinho que foi piloto de Fórmula 1 nos anos 90. Em 2002, Bernard lhe deu um kart de presente e Pic pôde iniciar sua profícua carreira no automobilismo. Hoje em dia, ele é assessorado por um ex-companheiro de Bernard na Ligier, o boa-praça Olivier Panis. Mas não dá para dizer que Le Petit Charles é apenas mais um playboy que se mete a correr de carro porque tem os amigos certos. Porque além de grana e contatos, ele também tem bastante talento.

Nosso jovem francês cresceu, amadureceu, nunca conheceu um barbeiro e subiu para os monopostos. Assim como Felipe Massa é dono do sexto lugar, Charles Pic parece gostar de um terceiro lugar nas tabelas. Na Fórmula Campus, terminou em terceiro em 2006. Na Fórmula Renault, terminou em terceiro em 2007. Na World Series by Renault, terminou em terceiro em  2009. Na GP2, ficou a um único ponto do terceiro lugar neste ano. Pela lógica, deverá terminar a próxima temporada da Fórmula 1 em terceiro. A matemática nunca falha.

Pic é o único estreante confirmado até aqui. Algo que me interessa bastante é o fato de ser, até agora, o único piloto francês assegurado para a próxima temporada. Você, leitor muito bem-informado deste sítio, sabe que a França está mandando ver no automobilismo de base. Romain Grosjean levou o título da GP2, Jean-Eric Vergne quase fez o mesmo na World Series e Jules Bianchi é o atual queridinho da Ferrari. Em termos de preferência popular, Charles Pic fica atrás de toda esta patota aí. Mas driblou todos eles e salvou seu lugar na Fórmula 1. Por enquanto, a torcida francesa vai para ele.

Como Pic pilotará pela pior equipe do campeonato, que só termina em último e sequer sabe parafusar direito uma roda, não podemos esperar muito dele em 2012. É verdade que a Marussia conseguiu se livrar de Nick Wirth e seu utópico sonho de projetar um carro sem túnel de vento e arranjou um acordo técnico com a McLaren, mas somente isso não será suficiente para transformá-la em uma equipe campeã do mundo. Falta mudar muita coisa. Para começo de conversa, eu mandaria aquele Richard Branson ir pastar. Em seu lugar, colocaria algum mafioso uzbeque no lugar. O dinheiro e a fanfarronice continuariam os mesmos, mas estou absolutamente certo de que somente a ausência daquele inglês metido a Peter Pan fará os carros serem um segundo mais rápidos, no mínimo.

Mais alguma coisa? No ano passado, Pic passou por uma situação bem desagradável em Istambul. Desagradável é um eufemismo, na verdade. Escrevi sobre isso aqui.

GELADEIRA

Mas ninguém está ligando para Charles Pic ou coisas do gênero. O povo quer saber mesmo é de Kimi Räikkönen. Pois ele voltou. Vai correr na Renault no ano que vem. E no outro. Ah, desculpe, chamei a Lotus de Renault? Sou meio burro e demoro um pouco para me acostumar com estas mudanças. Não é todo dia que equipe A rouba o nome de equipe B.

Acabou hoje uma das principais novelas desta silly season. O retorno de Räikkönen, na verdade, é conveniente para todos. A equipe terá um piloto de ponta que poderá recolocá-la no caminho das vitórias e ainda atrair as atenções. Por sua vez, o finlandês reencontrará uma motivação para sua vida. Nos últimos dois anos, Kimi fez algumas corridas no Mundial de Rali pela equipe júnior da Citroën e pela sua própria equipe, a Ice 1. Achou divertido no início, mas começou a se aborrecer com os vários acidentes, as dificuldades e as viagens a lugares inóspitos. Fora isso, ele também participou de uma corrida da NASCAR Truck Series em Charlotte. Também não deve ter gostado muito, pois não voltou mais para lá.

Kimi deve ter concluído que por mais que a Fórmula 1 seja um saco, não há lugar mais adequado para ele do que lá. Mesmo que todo mundo implique com seu laconismo, sua vida etílica ou seu descompromisso com as coisas mundanas. Imagino também que o fato da Fórmula 1 ter reunido um heptacampeão, dois bicampeões e dois campeões deve tê-lo motivado a voltar para provar que, sim, ele também pertence ao convescote. Também imagino que o dinheiro deve estar lhe fazendo falta. Räikkönen passou todo o ano de 2010 sendo pago pela Ferrari para não fazer nada na Fórmula 1. Neste ano, a fonte acabou. É hora de voltar ao batente para garantir o leite da criançada.

Antes de assinar com a Renault (dane-se, será chamada assim até quando eu quiser), Räikkönen conversou durante um bom tempo com a Williams. Frank Williams estava arquitetando a contratação do finlandês como uma forma de atrair investidores do Catar, manobra semelhante à feita por ele mesmo há trinta anos, quando convenceu um punhado de árabes a investir em sua equipe. Pois as conversas com a turma do Catar não avançou e a vinda de Kimi também acabou azedando. Hoje, a Williams pensa em um finlandês um pouco menos famoso, Valtteri Bottas. Motivos financeiros.

Na Renault, Kimi Räikkönen terá de trabalhar muito se quiser andar lá com a turma da frente. Neste ano, a equipe preta e dourada passou por maus bocados e só marcou 73 pontos. A Force India, que ninguém levava a sério até pouco tempo atrás, ficou apenas quatro pontos atrás. O R31, que pretendia homenagear as antigas Lotus patrocinadas pela John Player Special, não foi desenvolvido a partir da segunda metade da temporada. Com isso, ficou para trás e passou a levar porrada de Toro Rosso e Sauber, uma tristeza. E nem bonito o carro era. Aquelas asas avermelhadas comprometeram qualquer tentativa de se fazer uma pintura preta bonita.

No ano que vem, imagino que Kimi terá sua temporada mais difícil desde que Peter Sauber decidiu apostar no branquelo que havia assustado a Fórmula Renault britânica. A não ser que o R32 seja um milagre da engenharia, imagino que ele não terá muitas chances de passar para o Q3 das classificações e terá de se contentar com aqueles pontos magros da oitava posição para baixo. Ou seja, ele fará o mesmo papel de Michael Schumacher, só que um pouco piorado.

Teria o volátil Kimi Räikkönen humor para esse tipo de desafio? Para alguém que simplesmente desistiu de disputar um rali na Austrália por não ter a menor vontade de pegar um avião até lá, é meio difícil responder algo com certeza. Mas a Fórmula 1 é um outro planeta e as exigências são infinitamente superiores. E o finlandês sabe disso mais do que qualquer um. Se ele assinou com a Renault, é porque deve ter aceitado todos os desafios e os potenciais aborrecimentos que poderiam acontecer com ele nos próximos dois anos.

Ou ele estava bêbado quando assinou. O que também não é improvável.

BURAJIRU

Como eu não vou conseguir dar notas para a corrida deste fim de semana, prefiro fazer um apanhado geral sobre tudo o que aconteceu. O Grande Prêmio do Brasil, última etapa da temporada 2011, foi vencido pelo australiano Mark Webber, segundo piloto da Red Bull. Ele venceu após o pole-position e líder Sebastian Vettel ter começado a apresentar problemas de vazamento de óleo do câmbio. Solidarizo-me com Vettel. Meu Corsa também está apresentando vazamento de óleo do câmbio e está cada vez mais difícil engatar as marchas daquela porra. Nunca perdi uma vitória em Interlagos por causa disso, mas nunca se sabe quando isso pode acontecer.

Foi uma corrida chata. As provas em Interlagos têm sido assim desde 2009, aliás. Aquela coisa de definir o título mundial na última curva aconteceu somente uma vez e, não, não voltará a se repetir. Neste ano, ficamos todos esperando pela tempestade. Ela caiu – na Zona Norte, no Centro, na Zona Oeste, na Zona Leste e aqui em Campinas. Por pouco, fiquei sem sinal para ver a corrida. A Zona Sul sobreviveu sequinha nos três dias de treinamentos, mesmo com todas as precisas observações meteorológicas do narrador oficial, que diz que a chuva vem da represa. E sem chuva, não dá. Temos, no máximo, uma corrida mediana, facilmente esquecível.

Vettel finalizou em segundo. Mau resultado para alguém que ganhou onze corridas só neste ano, mas um alívio que compensou a rodada na primeira volta na corrida de Abu Dhabi. Jenson Button pegou o último lugar do pódio e garantiu o vice-campeonato. Logo atrás, Fernando Alonso, que protagonizou, ao meu ver, a melhor cena da corrida, uma ultrapassagem por fora sobre Button no Laranjinha. Por mais que sua Ferrari estivesse em melhores condições, qualquer um que executa esse tipo de manobra naquele ponto merece respeito.

Massa? Finalizou em quinto. Ficaria em sexto, mas Lewis Hamilton teve um problema de sei-lá-o-quê e acabou alijado da disputa. O brasileiro não fez uma má corrida, mas não teve cacife para pleitear algo melhor. Os demais brasilianos tiveram uma corrida laboriosa até demais. Rubens Barrichello fez um ótimo 12º tempo na classificação, mas largou primorosamente mal e comprometeu qualquer chance de pontos. Esta foi, provavelmente, sua última corrida, uma pena. Bruno Senna foi a sensação do treino oficial, mas acabou com suas chances de pontos ao bater com Michael Schumacher na freada do S do Senna. Foi considerado culpado e teve de pagar uma punição.

O melhor brasileiro no domingo foi Nelson Piquet, é claro. O tricampeão do mundo foi a grande atração do fim de semana ao dar quatro voltas com o Brabham BT49C que lhe proporcionou seu primeiro título mundial em 1981. Felizmente, o público correspondeu aplaudindo o cara de pé. Piquet merece toda e qualquer homenagem.

Em entrevista à TV, a boa filha boa Julia Piquet afirmou que Nelsão prometeu durante toda a semana que levantaria a bandeira do Vasco da Gama, que está disputando o título do Campeonato Brasileiro com o Corinthians e o perderá infalivelmente no próximo fim de semana. Pois não é que ele fez mesmo? Após as primeiras voltas, Piquet sacou do bolso uma pequena bandeira do Vasco e a exibiu para todos. Mesmo em território paulista, todo mundo achou o máximo. E a manifestação deu resultado. O Vasco conseguiu vencer seu jogo contra o Fluminense no último minuto da partida, o que tirou o título antecipado do Corinthians na bacia das almas. Não foi o Hamilton que ganhou uma camisa do Vasco no ano em que ele obteve o título na última curva?

Ao descer do carro, lá veio a saltitante repórter da emissora oficial. “Piquet, chegou a se emocionar? Deu vontade de chorar?”. A resposta só comprovou que, mesmo próximo dos 60 anos de idade, Nelson continua sendo um dos sujeitos mais afiados que o automobilismo mundial já conheceu:

“Não. Tem que chorar de coisa ruim. De coisa boa, tem de rir”. Gênio.

Tem corrida neste fim de semana. Em Interlagos. É o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1. Quadragésima edição. Derradeira etapa do campeonato de 2011. Tédio. Sono.

Às voltas com mil problemas financeiros e acadêmicos, confesso que estou dando de ombros ao grande prêmio. Vou assistir, é claro. Mas o ânimo não é o mesmo de outras edições, como a de 2008. Pelo visto, o sentimento é compartilhado por muitos. Ainda há ingressos disponíveis na bilheteria e nada indica que eles serão comprados por uma horda de hunos retardatários. É um panorama meio diferente do visto em anos anteriores, quando os ingressos se esgotaram muito antes da realização do evento.

Podemos enumerar várias razões. À Fórmula 1 e aos promotores das últimas provas, Sebastian Vettel lhes fez o grandessíssimo favor de resolver o campeonato lá em Suzuka e transformar as etapas remanescentes em amistosos da Seleção Brasileira contra Nicarágua. O fato de nenhum brasileiro estar em grande fase também contribui. Felipe Massa não se desprende do sexto lugar, Rubens Barrichello faz uma infeliz temporada com a caquética Williams e Bruno Senna padece na escuridão da Renault. Por fim, convenhamos, Fórmula 1 é tão anos 80 quanto Menina Veneno. As atenções do populacho estão com o MMA, esporte de honra e técnica para alguns e rinha de galo pós-moderna para outros.

Mas não nos desesperemos ainda. Ainda. A Fórmula 1 no Brasil tem destes altos e baixos, mesmo. O automobilismo não tem uma base fiel de fãs por aqui como tem na Inglaterra, por exemplo. Sua audiência sempre dependeu das vitórias de um ou do marketing de outro. Não tendo nada disso, não tem gente nas arquibancadas, equação simplíssima. Quanto aos outros fatores, como o domínio do Vettel, eles acontecem de vez em quando e não podem ser controlados. O Top Cinq de hoje relembra cinco edições mais recentes do Grande Prêmio do Brasil que foram simplesmente desinteressantes para a torcida, para a Fórmula 1 ou para ambos.

5- 1990

Naqueles dias finais do mês de março de 1990, quem é que realmente estava pensando em Fórmula 1 no Brasil? No dia 16 daquele fatídico mês, a destrambelhada ministra da Fazenda Zélia Cardoso de Mello anunciou o plano mais absurdo que a história econômica brasileira presenciou.

Perdida no meio de explicações que nem mesmo o economista mais experiente conseguiria destrinchar, ela anunciou uma série de medidas que visavam controlar a hiperinflação que derretia a renda dos brasileiros e os obrigava a estocar bens e a aplicar seus parcos valores no famigerado overnight. A mais espúria das medidas, sem dúvida, era o congelamento das poupanças, das contas-corrente e dos depósitos de overnight. Resumindo muito porcamente, as pessoas só poderiam retirar o equivalente a US$ 1.500 de suas contas. O restante ficava preso durante 18 meses. Imagine o que é você não poder ter acesso ao dinheiro que é seu. Desnecessário dizer que esta estupidez estraçalhou a economia e a vida de muita gente.

Naqueles dias, a grana era escassa para todos. Mesmo assim, cem mil pessoas se dispuseram a pagar entre 500 e 8 mil cruzados novos para acompanhar ao menos um dos três dias do evento, que retornava à Interlagos após dez anos de hiato e uma enorme reforma promovida pela prefeita Luiza Erundina.  O circuito melhorou drasticamente em infraestrutura, mas perdeu boa parte do antigo e louvado traçado. Mas não era o retorno de Interlagos ao calendário que motivou a vinda de tanta gente. Uma única pessoa fazia o sujeito gastar seu parco dinheiro nos caríssimos ingressos: Ayrton Senna.

Senna vivia um inferno astral naqueles dias. Perdeu o título de 1989 para uma tramoia de Alain Prost, foi espinafrado por Jean-Marie Balestre, quase ficou sem a superlicença e ainda tomou um fora da Xuxa. A vitória em Phoenix revigorou os ânimos do então candidato ao bicampeonato. Mesmo assim, a fase ainda não era boa. E a torcida brasileira, que só podia contar com as alegrias da Fórmula 1, havia sentido o baque ao seu lado. Para piorar, o ex-nazista Balestre ainda aproveitou para ironizar a precária situação financeira daquela torcida que o acusava de ter ajudado Prost na cara dura no ano anterior. Ao perceber a fúria daquele povo que o vaiava e até atirava alguns tomates, Jean-Marie mandou uns beijos e ainda proferiu a seguinte pérola: “Na Córsega, eles jogam bombas ao invés de tomates. E, de qualquer forma, os brasileiros nem têm dinheiro para comprar tomates”.

4- 1992

O fator Senna realmente foi o fiel da balança do sucesso do Grande Prêmio do Brasil na primeira metade dos anos 90. Em 1992, a economia brasileira ainda continuava atolada na hiperinflação e a estabilidade política também estava com os dias contados. Quase dois meses depois do GP do Brasil, Pedro Collor, o irmão do então presidente Fernando Collor, concedeu uma entrevista à Veja revelando um portentoso esquema de corrupção orquestrado pelo presidente e seu ex-tesoureiro de campanha Paulo César Farias. Ou seja, o Brasil estava na merda e somente Ayrton Senna poderia trazer alguma felicidade à população.

Mas naquele ano, nem ele poderia. A Williams trabalhou duro e entregou a Nigel Mansell e Riccardo Patrese o FW14B, um dos melhores veículos automotores criados pelo homem. No início da temporada, Senna não tinha armas muito boas contra a esquadra de Frank Williams. O MP4/6 era excelente, mas apenas para a temporada de 1991. E o MP4/7A era simplesmente fracote perto dos belíssimos e ultratecnológicos FW14B, descritos pelo próprio brasileiro como “carros de outro planeta”.

Nas duas primeiras etapas do campeonato, a McLaren levou surras vergonhosas da Williams. Em Hermanos Rodriguez, Senna bateu forte em um dos treinos e não quebrou as pernas por pouco. Imagine se algo tivesse acontecido com ele. Interlagos, que sediava a corrida seguinte, ficaria vazia. Se bem que, mesmo com Senna e suas duas pernas em bom estado, não mais do que 26 mil pessoas estiveram presentes no domingo da corrida, número absurdamente inferior ao dos dois anos anteriores (38 mil em 1991, 47 mil em 1990). Mesmo com as pequenas reformas feitas pelas prefeitura, muitos brasileiros e estrangeiros ainda se lembravam do choque do Plano Collor em 1990 e do dilúvio que atingiu São Paulo na semana do GP de 1991. Nada menos que 16 mil ingressos ficaram encalhados nas bilheterias.

Tudo estava ruim, inclusive para os pilotos brasileiros. Roberto Moreno, coitado, tentou pré-classificar o carro de brinquedo da Andrea Moda e não conseguiu. Ayrton Senna, Mauricio Gugelmin e Christian Fittipaldi largaram, mas nenhum terminou a corrida. Quem queria ver Senna vencer se deu mal. Muita gente foi embora mais cedo. Enfim, cenário melancólico do GP do país do então tricampeão mundial.

3- 1995

Se 1992 teve lá seus ares de depressão, o que dizer do primeiro Grande Prêmio do Brasil pós-Senna? Sem seu grande ídolo, o que o povo poderia fazer em Interlagos? No máximo, dar todo o apoio aos três representantes brasileiros que poderiam tentar manter a bandeira verde, amarela e azul lá no topo do pódio. Mas não dava para esperar muito. Rubens Barrichello pilotava um Jordan-Peugeot apenas médio. Roberto Moreno e Pedro Paulo Diniz apenas faziam número no cacareco da Forti Corse, talvez a grande atração para os pachecos. Afinal de contas, era uma equipe com capital brasileiro, tinha as cores da bandeira e a mídia dava o mesmo apoio mambembe dos tempos da Copersucar.

Senna fez falta. O paddock, os torcedores, os pilotos, todo mundo sentia que uma corrida de Fórmula 1 no Brasil sem ele era uma coisa bastante esquisita, como se não houvesse mais qualquer razão para ela continuar acontecendo. As homenagens foram inúmeras. Cinco dias antes da corrida, cerca de duas mil pessoas, incluindo aí pilotos e mecânicos de várias equipes, fizeram um mutirão para visitar o túmulo de Ayrton no Cemitério do Morumbi. Pouco antes da largada, um paraquedista pulou exibindo a mensagem “Senna, saudades de você…”.

Entre os pilotos, ninguém parecia mais abatido e deprê do que Rubens Barrichello. Alçado ao status de maior representante brasileiro no grid, ele decidiu homenagear seu ilustre amigo pintando aquela parte habitualmente vermelha de seu capacete com as cores do casco de Senna. Infelizmente, Barrichello não o homenageou pelo seu desempenho. Tendo sérias dificuldades para frear com o pé esquerdo, ele largou em 16º e abandonou com problemas no câmbio. Desacostumado com a nova posição dos pedais, Rubens esquecia o pé esquerdo no freio enquanto acelerava na reta. Com isso, perdia muita velocidade na reta. Ele repetiu a cagada nas etapas seguintes e só percebeu algo errado lá pelos idos de Mônaco e Canadá.

Até houve um aumento no número total de pagantes em relação ao ano anterior (60 mil contra 40 mil em 1994), mas isso pode ser explicado pela inédita estabilidade na moeda, que aumentou bastante os padrões de consumo. Quanto à prova, ela foi chata e só ganhou alguma emoção cinco horas e meia após a bandeirada, quando Michael Schumacher e David Coulthard foram desclassificados porque a gasolina Elf que ambos utilizaram nos treinos não era a mesma apresentada antes do início da temporada. Os dois recuperaram seus resultados alguns dias depois após suas equipes recorrerem. É. Senna fez falta.

2- 1998

Não consigo vislumbrar ano pior do que o de 1998 para quem quisesse torcer por pilotos brasileiros. Você pode até falar que este ano está ruim, mas nenhum dos três pilotos atuais está em uma equipe propriamente ruim: Massa é ferrarista, Barrichello corre por uma equipe tradicional e a Renault de Bruno Senna também não é ruim. Pior é ter de escolher entre o mesmo Barrichello com a pior Stewart de todas, Pedro Paulo Diniz com uma Arrows ridícula e Ricardo Rosset tentando permanecer na pista com os restos de um Tyrrell.

É evidente que o cenário desolador dos brasileiros foi refletido na vendagem dos ingressos. Enquanto 65 mil ingressos haviam sido vendidos em 1997, apenas 50 mil foram comercializados em 1998. Não que a situação do ano anterior fosse muito melhor, com Rubinho em uma equipe novata e Pedro Paulo em uma equipe reestruturada. Mas a incógnita é sempre melhor do que a certeza. E a certeza de 1998 é que os brazucas não pelejariam por nada melhor que o 13º lugar. Dali para frente, território cativo de McLaren, Ferrari, Williams, Benetton, Jordan e Sauber.

E mesmo para quem não ligava para torcidas patrióticas as coisas não eram tão atraentes assim. Poucas pessoas estavam empolgadas pelo início da temporada. A FIA havia implantado uma série de exigências que tornaram a categoria definitivamente pior em 1998: carros mais estreitos, pistas mais estreitas e o pior, o advento dos pneus sulcados. Estas medidas visavam tornar a pilotagem mais complicada e aumentar as ultrapassagens. Pois só o primeiro objetivo foi obtido. Com isso, os muitos que ficaram maravilhados com a excelente temporada de 1997 estavam simplesmente aborrecidos com a “nova” Fórmula 1.

Meio à contragosto, todo mundo acompanhou tudo. A McLaren dominou os treinos e, mesmo deixando de usar um sistema de freios independentes devido aos protestos da Ferrari, ganhou a corrida com tranquilidade. Barrichello largou em 13º e abandonou. Rosset e Diniz dividiram a última fila e… abandonaram também. Foi um evento tão aborrecido que até eu me incomodei de ter de escrever sobre ele.

1- 2004

2004 foi outro ano bem chato. Chatíssimo. Michael Schumacher ganhou seu sétimo título mundial com extrema antecedência lá na região das Ardenhas, na Bélgica. De Monza para frente, somente corridas inúteis que serviriam para completar a tabela. A última etapa, tadinha, seria a mais marginalizada de todas. O pessoal do paddock nem estava mais com a cabeça na temporada. O peru de Natal e o IPVA eram assuntos mais relevantes.

Pois a última prova daquele ano aconteceu justamente no Brasil Varonil. Seria a primeira vez em mais de trinta anos que isso aconteceria. Até então, nós sediávamos uma das primeiras corridas do campeonato, se não a primeira. Se não estou enganado, a mudança foi feita para evitar as torrenciais águas de março, ou abril, que fecham o verão. Mudança besta, é claro, pois quem conhece Sampa sabe que a chuva não tem frescuras e cai quando quer. Mesmo em novembro, a corrida continuou sendo cortejada por nuvens e precipitações. De canivetes, às vezes.

Para os estrangeiros, foi um saco ter de sair lá dos confins da Ásia em direção à América do Sul cheia de malária, canibais e jacarés andando nas ruas. Verdade seja dita, boa parte dos xenos não suporta o Brasil. Na verdade, eles até gostam das praias, do churrasco, da caipirinha e dos clichês de costume, mas São Paulo é um lugar detestável para eles. Os torcedores brasileiros sempre estão presentes, no entanto. Em 2004, 70 mil se reuniram para ver a corrida. Neste Top Cinq, é o único caso em que o interesse nacional foi bem maior que o interesse dos de fora.

Afinal, Rubens Barrichello pilotava a Ferrari F2004, um dos melhores carros de todos os tempos, e monopolizava todas as atenções da equipe mafiosa naquele fim de semana chuvoso. Para quem não gosta dele, havia ainda o emergente Felipe Massa na Sauber e o defenestrado Ricardo Zonta na Toyota. Rubinho não decepcionou no sábado e marcou uma celebrada pole-position, mas foi deixado para trás por Juan Pablo Montoya e Kimi Räikkönen e consolou-se com seu primeiro pódio em Interlagos. Massa, ao menos, liderou suas duas primeiras voltas na vida, a seis e a sete.

Vale registrar que foi a última vitória na Williams na Fórmula 1. Sete anos. Puxa, mas faz tempo, hein?

MCLAREN9 – Sem Sebastian Vettel para atrapalhar, a McLaren se deu ao luxo de fazer sua festa particular no Golfo Pérsico. Sua dupla de pilotos, a mais balanceada do grid, sempre aproveita qualquer boa oportunidade que surja. Em Abu Dhabi, Lewis Hamilton foi constantemente um dos personagens principais desde o primeiro treino e ganhou a corrida após o abandono de Vettel na primeira volta. Menos brilhante, Jenson Button ainda conseguiu pegar o pódio após o pit-stop de Webber na última volta. Para ser a melhor equipe do grid, só lhe falta um carro que derrube o império rubrotaurino.

FERRARI8 – Neste fim de semana, a maior demonstração de rapidez foi vista no conserto do carro de Fernando Alonso, que bateu em um dos treinos livres de sexta. O espanhol também não perdeu tempo, deixou Button para trás na primeira volta e rumou a um bom segundo lugar. Felipe Massa até teve alguns momentos de arrojo, mas não passou do quinto lugar. Por incrível que pareça, quem parece estar se dando melhor com o 150TH é Jules Bianchi, o marrentinho metido a estrelinha que está andando bem nos testes de novatos em Abu Dhabi.

RED BULL1 – Venhamos e convenhamos que, RB7 à parte, tudo deu errado para a equipe campeã nos Emirados Árabes Unidos. Sebastian Vettel, pole-position, bateu sozinho na sexta-feira. Mark Webber, quarto colocado, perdeu sua melhor chance de ser o salvador da pátria rubrotaurina no ano. Os mecânicos, sempre eficientes, se complicaram no primeiro pit-stop do australiano. E aquele maldito pneu traseiro direito do carro nº 1, tadinho, explodiu ainda na segunda volta da corrida. Não, não tem como dar nota maior.

MERCEDES5,5 – Corrida até mais apagada que o normal. Nico Rosberg e Michael Schumacher terminaram naquelas posições que lhes pertencem, atrás das três grandes equipes e à frente do resto. Nico se deu melhor, mas não muito. Michael também não teve grandes problemas, mas Adrian Sutil chegou a dar um pouco de trabalho em alguns poucos instantes. Há algo mais a ser comentado? Acho que não.

FORCE INDIA 7,5 – Neste exato momento, é a quinta melhor equipe do grid e parece não ter adversários. Tanto Adrian Sutil como Paul di Resta conseguiram passar para o Q3 da classificação e, mesmo com estratégias diferentes, terminaram nos pontos. Sutil ainda chegou a andar à frente de Schumacher por algum tempo, mas teve de se contentar com o oitavo posto, resultado longe de ser ruim para alguém que poderá ficar a pé no ano que vem. Com este bom fim de semana, a Force India abriu 15 pontos de vantagem para a Sauber e está a 15 da Renault. Vai que acontece um milagre em Sampa…

SAUBER5,5 – Diante da falta de evolução do C30, não fez uma má corrida, não. Kamui Kobayashi, que não está em boa fase, até marcou um pontinho. Quem merecia ter ido melhor, no entanto, é Sergio Pérez, que só não pontuou porque teve de trocar o bico na primeira volta e foi parar lá no fim do pelotão. Mesmo assim, a vida está dificílima, a Force India se isolou na sexta posição do campeonato e a Toro Rosso está apenas um ponto atrás dos suíços.

WILLIAMS3 – Sorte sua que seus dois pilotos são bons, porque o restante… Tanto Rubens Barrichello como Pastor Maldonado tiveram de trocar seus motores nos dias de treinos e o brasileiro ainda teve um problema de vazamento de óleo que o fez largar na última fila. Como Maldonado havia sido punido pela troca de motor, ele largou na última posição, o que coroou um dos piores sábados da história da equipe de Frank Williams. O domingo foi bem melhor e tanto Rubens quanto Pastor fizeram boas corridas de recuperação. Na verdade, não faltou muito para pontuar. Por isso que a Williams não deveria trocar o talento pelo dinheiro. Se ficar sem pilotos bons, a equipe morrerá de vez.

RENAULT1,5 – Para ela, o ano já acabou. O carro já não está sendo desenvolvido há algum tempo e os pilotos são tratados como meros patrocinadores que podem desfilar com seus bólidos pretos durante alguns fins de semana. Em Abu Dhabi, Vitaly Petrov e Bruno Senna não conseguiram passar para o Q3 da classificação. Na corrida, o russo teve problemas com o DRS e o sobrinho não conseguiu fazer o KERS funcionar. A mudança de estratégia que a Renault fez com este último também não surtiu efeito. Enfim, mais um fim de semana jogado no lixo. Triste final da Renault como equipe de Fórmula 1.

TORO ROSSO2,5 – Não compensou o mau fim de semana da Red Bull. Sébastien Buemi e Jaime Alguersuari ficaram no meio da tabela no treino oficial e não conseguiram pontos. Buemi até tinha boas chances, mas abandonou com problemas no sistema hidráulico, azarado como só ele. Alguersuari terminou, mas não andou bem e a equipe ainda não ajudou muito errando em um dos seus pit-stops. Mesmo assim, tem boas chances de deixar a Sauber para trás na classificação final em Interlagos.

LOTUS4 – Tudo como de costume. Heikki Kovalainen continuou deixando Jarno Trulli para trás e até sonhou em andar misturado no meio do pelotão. Os dois terminaram e não tiveram maiores problemas. Algo mais para falar? Não.

VIRGIN3 – Também não apresentou nenhuma novidade. Timo Glock sofreu para andar à frente de Daniel Ricciardo, mas conseguiu terminar a corrida. Por outro lado, Jerôme D’Ambrosio abandonou com problemas nos freios e, enquanto esteve na pista, teve muitas dificuldades com os pilotos da HRT. Nos próximos dias, os virginianos deverão anunciar a demissão do belga e a contratação de Charles Pic.

HRT2,5 – De volta à Fórmula 1, Vitantonio Liuzzi perdeu novamente para Daniel Ricciardo, mas foi o único piloto da equipe espanhola a chegar ao final. O australiano, diga-se, foi bem novamente, deixou D’Ambrosio para trás e deu o maior trabalho para Timo Glock. É um ótimo piloto e precisa de uma equipe melhor no ano que vem. Infelizmente, o alternador de seu carro quebrou.

TRANSMISSÃOIMPRESSÕES DE ABU DHABI – A emissora que transmite Fórmula 1 para o Brasil não escalou seu narrador principal para o GP de Abu Dhabi. Bom para ele, que foi enviado a Los Angeles para narrar umas rinhas de galo por aí. No seu lugar, aquele sujeito IMPRESSIONANTE, que se empolga com jogo da Bulgária, salada sem tempero, cerveja sem álcool e aula de Biologia. Previsível, pouco carismático e corporativo, é aquele tipinho que deve repassar todas as correntes que recebe no e-mail, que anda de Honda Fit cinza e que leva uma camiseta de time de futebol para o chefe. Como nada no fim de semana automobilístico foi exatamente marcante para mim, até mesmo por ter dormido na parte final da corrida, lembro-me apenas dos muitos, milhares, trocentos elogios tecidos por ele ao autódromo. Porque a pista é bonita, o hotel é impressionante e o pôr-do-sol é mais impressionante ainda. Como não me recordo de mais nada, ficam apenas os meus comentários sobre o quanto seu comportamento conformista, sua voz de bobo gratuito e sua cara de cidadão que vai ao bar tomar água gaseificada desagradam a este blogueiro que sempre enxerga o copo vazio.

CORRIDAVALEU, VETTEL – Não, não foi a corrida mais legal que eu já vi. Não que eu esperasse por algo diferente, uma vez que Yas Marina está muito longe de ser um circuito brilhante. Mas certamente poderia ter sido pior. Não fosse o maldito furo no pneu traseiro direito e Sebastian Vettel teria vencido pela ducentésima vez neste ano, quebrando algum recorde obscuro e atabalhoando calculadoras e tabelas. Felizmente, Sebá rodopiou delicadamente e abandonou a corrida ainda no comecinho. Lewis Hamilton ganhou sem grandes problemas, Fernando Alonso foi o segundo sem grandes problemas e nem Jenson Button teve lá tanto trabalho. Houve algumas brigas envolvendo os pares Button/Webber, Massa/Webber e Di Resta/Buemi, mas nada que merecerá muitas observações posteriores no Youtube. Para muitos, a graça da corrida de Abu Dhabi é o ocaso, o hotel todo azulado e a pujança. Pois bem, faço meus comentários. Ocaso é um negócio que vale a pena ser visto do alto de uma montanha ou de um prédio. O hotel azulado é de um tremendo mau gosto, tão cafona quanto a costeleta do Emerson Fittipaldi. E pujança, pra mim, é nome de doença de cachorro. Dito isso, a corrida passou de ano e só. E não é um diamante ou uma Ferrari que mudará a cabeça do professor aqui.

GP2QUIETÃO E DILMÃO – Olha só a GP2 aqui! Neste fim de semana, a melhor categoria do mundo realizou uma etapa extracampeonato como preliminar da Fórmula 1 no pseudocircuito de Yas Marina. Foi bacana porque as corridas da GP2 são sempre legais de se assistir. As equipes puderam testar alguns pilotos e, ao mesmo tempo, embolsaram algum pondo-os para correr. E a molecada que veio diretamente da GP3 pôde disputar um prêmio meio mixuruca dado aos dois melhores pilotos que estão neste grupo. A primeira corrida, que me fez acordar às cinco da manhã, foi vencida pelo suíço Fabio Leimer. Ele ganhou de ponta a ponta e não deu espaço a Luiz Razia e Jolyon Palmer, filho do médico. Não foi lá aquela corrida boa pra cacete, mas deu para se divertir um pouco com as traquinagens de gente ávida pelo sucesso como Nigel Melker e James Calado. A propósito, nosso querido britânico mudo foi a grande atração da corrida do dia seguinte. Oitavo colocado na primeira corrida, James largou na pole-position no domingo e não deu chances a Marcus Ericsson e Tom Dillmann, que soa quase como Dilmão. Com a vitória, Calado embolsou os 15 mil euros de premiação da Pirelli. Dillmann, segundo melhor calouro, levou 10 mil. E a temporada 2011 da GP2 silencia aqui.

É tudo a mesma merda feita de gesso e petróleo

LEWIS HAMILTON9,5 – Mesmo em má fase e carente, o inglês ainda mostra que é um dos grandes do grid. Desde o início, provou ser o grande adversário de Sebastian Vettel em Abu Dhabi. Liderou dois treinos livres, as duas primeiras fases do treino oficial e perdeu a pole-position por pouco. Na largada, manteve-se em segundo e ganhou de presente a primeira posição após o infortúnio de Vettel. Depois, ninguém mais conseguiu alcançar o ex-Nicole Scherzinger. Vencendo de maneira brilhante, conseguiu reverter o azar de 2009, quando teve um problema no motor enquanto liderava.

FERNANDO ALONSO8,5 – Segundo lugar suado, batalhado e sortudo. Seu carro não era páreo para os da Red Bull e McLaren, mas o espanhol não é bobo e compensa esta deficiência com uma astúcia de raposa. Embora tenha feito apenas o quinto tempo, Fernando largou muito bem e se viu em segundo após a rodada de Vettel. Durante a prova, não conseguiu ameaçar Hamilton e também não foi ameaçado por Button. Além disso, perdeu um pouco de tempo em uma de suas paradas. Mesmo assim, excelente segundo lugar.

JENSON BUTTON7 – Dessa vez, não encontrou coelho em sua cartola. Liderou o primeiro treino livre, mas não conseguiu mais nada. Largou em terceiro, meteu-se em um duelo encarniçado com Alonso na primeira volta, perdeu e não conseguiu sonhar com uma posição melhor no pódio. Ainda teve problemas com o KERS e sofreu para manter Mark Webber atrás, tanto é que os dois protagonizaram a briga mais bonita da corrida. Mesmo assim, ainda ficou em terceiro e conquistou pontos importantíssimos para o vice-campeonato.

MARK WEBBER5 – Assim não dá. Sem Sebastian Vettel na pista e pilotando o melhor carro da temporada, o mínimo que deveria ter obtido é a vitória. Mesmo com o vento a favor, não conseguiu nem o pódio. Em momentos distintos, viu-se obrigado a duelar com Massa e Button e perdeu as duas disputas. De quebra, não foi auxiliado pela sorte, pois o primeiro pit-stop foi muito ruim e o fez cair de quarto para quinto. E a estratégia de três paradas, com a última ocorrendo na última volta, foi patética. Como patético está sendo o piloto australiano neste ano.

FELIPE MASSA6 – Quinto lugar pela milésima vez neste ano, o paulista não trouxe novidade alguma nesta sua insípida temporada. Na classificação, não fez nada além do costumeiro sexto lugar. Na corrida, permaneceu em quinto durante a maior parte do tempo. Pôde sonhar com o quarto lugar quando Webber teve problemas em seu primeiro pit-stop, mas uma rodada na volta 49 enterrou seus planos. Pelo menos, a briga com Webber na volta 30 foi boa e terminou a favor de Massa. Nada que compense este domingo discreto, no entanto.

NICO ROSBERG6,5 – Outra competente encheção de linguiça do piloto teutônico. Sem se destacar muito nos treinos, ele só chamou a atenção quando devolveu uma ultrapassagem do companheiro Schumacher ainda na primeira volta. Da segunda volta em diante, as coisas não mudaram nada: os carros mais rápidos continuaram tranquilamente à sua frente e os demais permaneceram atrás. Ao menos, não foi ruim terminar a dois segundos da Ferrari de Massa.

MICHAEL SCHUMACHER5,5 – Dessa vez, o heptacampeão foi ainda mais discreto que Rosberg e reduziu drasticamente suas chances de terminar o ano à frente do companheiro. Mediano nos treinos, ele até chegou a ultrapassar o outro Mercedes na primeira curva, mas tomou o troco alguns segundos depois. Não conseguiu ameaçar Rosberg novamente, mas também não teve muitos problemas para ficar à frente dos demais, embora tenha ficado atrás de Adrian Sutil por algumas voltas. Ou seja, só fez um monótono passeio dominical.

ADRIAN SUTIL7 – Mais uma boa corrida de um cara que, definitivamente, não merece estar na situação complicada que está. Sempre entre os dez primeiros nos treinos, o alemão tentou apostar em uma estratégia de apenas uma parada na corrida, mas foi obrigado a mudar para duas. Ainda assim, esteve sempre nos pontos e chegou a andar à frente de Schumacher durante um bom tempo. Infelizmente para ele, o heptacampeão recuperou sua posição na última parada, mas o oitavo lugar não deixou de ter sido um ótimo resultado para Sutil.

PAUL DI RESTA6 – Se a sexta posição pertence a Felipe Massa, a nona é território cativo de Paul di Resta. O escocês foi nono nos três treinos livres e na corrida, além de ter feito a nona melhor volta. No treino classificatório, ele largou em décimo graças àquela sacanagem de não treinar no Q3. No caso dele, valeu a pena, pois ele pôde completar a corrida tendo feito apenas uma parada. O abandono de Sébastien Buemi, que chegou a ultrapassá-lo no início da corrida, facilitou bastante as coisas.

KAMUI KOBAYASHI5,5 – Depois de muito tempo, voltou a pontuar na Fórmula 1. Tudo bem, foi apenas um ponto, mas é melhor do que nada. Como sempre, foi mal no treino oficial e largou cinco posições atrás de Sergio Pérez. Na corrida, deu a volta por cima e ganhou um monte de posições logo na primeira volta. Kamui sofreu com os pneus médios nas primeiras voltas, mas pôde utilizar bons pneus macios a partir da quinta volta e conseguiu fazer uma boa corrida de recuperação. Mas não dá para ficar apostando sempre em estratégias abiloladas para tentar reverter uma má posição no grid.

SERGIO PÉREZ6 – O ponto da Sauber deveria ter sido dele e não de Kobayashi. No treino oficial, andou bem novamente e conseguiu o 11º lugar. Na corrida, bateu em Adrian Sutil logo no começo e teve de ir aos pits para trocar o bico. Posteriormente, teve problemas com os pneus médios e perdeu tempo. No final, ainda ficou sem o KERS. Mesmo assim, ficou a uma posição de pontuar. Injusto, definitivamente.

RUBENS BARRICHELLO7 – Mesmo à beira da aposentadoria, o cara é esforçado e determinado. Rubens tinha tudo para iniciar o domingo desanimado, especialmente após a troca de motor na sexta-feira e o problema de vazamento de óleo no sábado, que o impediu de marcar um tempo no Q1 da classificação. Mas ele preferiu deixar a depressão de lado e fez uma de suas melhores corridas nos últimos tempos. Largou bem, ganhou posições e aproveitou-se do fato de ter utilizado os pneus médios logo no começo, deixando os macios para o final. Terminou em 12º, a duas posições da pontuação. Fez a 11ª melhor volta da corrida. Excelente atuação, mas insuficiente para resolver sua vida após Interlagos.

VITALY PETROV3 – Fim de semana absolutamente esquecível. Com um carro ruim, Petrov não conseguiu sair do meio do pelotão durante todo o fim de semana. No treino classificatório, ficou em 12º. Na corrida, ficou sem o DRS e não conseguiu disputar posições. Ficou atrás de uma Williams, algo péssimo nos dias atuais. Lamentável fim de temporada.

PASTOR MALDONADO4 – Bem menos brilhante que Barrichello, também fez uma boa corrida, apesar dos pesares. No sábado, foi punido com a perda de dez posições no grid por ter utilizado um nono motor. No domingo, fez das suas, atrapalhou algumas gentes e tomou punição por ignorar as pobres bandeiras azuis. Ainda assim, deixou para trás pilotos com bólidos melhores. Não ganha nota maior por solidariedade minha com as bandeiras azuis.

JAIME ALGUERSUARI2,5 – Seu único mérito foi ter terminado uma corrida que o azarado companheiro Buemi abandonou. Perdeu para o suíço no treino oficial e não conseguiu superá-lo no início da corrida. Para piorar, sua equipe ainda lhe tomou algum tempo no primeiro pit-stop. Mesmo sem o problema, não acredito que ele teria marcado pontos. Se tivesse, não teria merecido.

BRUNO SENNA2,5 – Não foi tão pior que o companheiro Petrov, o que não é animador se considerarmos que o russo foi mal. Sonolento nos treinos, o sobrinho largou em uma convencional 14ª posição. Então, a Renault decidiu mudar tudo e o mandou fazer seu primeiro pit-stop logo no fim da primeira volta. A mudança de estratégia lhe deixou com pneus macios para o resto da prova, mas o carro não colaborou, o KERS também não deu as caras e o próprio piloto cavou uma punição após ignorar as bandeiras azuis. Somando tudo isso, dá para entender o porquê de ter sido o pior dos pilotos das equipes normais.

HEIKKI KOVALAINEN6,5 – Este é outro que foi capturado pela maldição dos números. Na sexta e no sábado, foi 18º nos três treinos livres e ainda marcou o 18º tempo no Q1. Na corrida, largou em 17º graças à punição de Maldonado, terminou em 17º e ainda fez a 17ª melhor volta da corrida. Ainda assim, não dá para dizer que ele foi mal. Kova fez uma boa prova e andou em 13º durante um bom tempo. Só perdeu tempo no final por ter utilizado pneus médios, mas o domingo não deixou de ter sido ruim.

JARNO TRULLI3,5 – Levou outra surra de Kovalainen. Nos treinos, não houve nada de novo e ele ficou sempre atrás do companheiro. Na corrida, enquanto Heikki brigava com a turma do meio do pelotão, Trulli batia cartão lá no final, perdendo algum tempo com os carros da HRT. Espero que os boatos que apontam uma quebra de contrato no fim deste ano sejam verdadeiros.

TIMO GLOCK4 – Nenhuma novidade. Largou atrás das Lotus, ficou apenas um décimo à frente do HRT de Daniel Ricciardo e fez mais uma corrida autista, sem disputar seriamente com ninguém. Teve mais dificuldades no final, quando foi obrigado a utilizar os pneus médios.

VITANTONIO LIUZZI2,5 – Foi o único de sua equipe a terminar a prova, o que representa sua única vantagem neste fim de semana de retorno à categoria. No treino classificatório, fez o último tempo e só fugiu da última fila graças aos dramas da Williams. Na corrida, destacou-se por mais uma boa largada, mas foi perdendo todas as posições com o passar das voltas. Não está oferecendo resistência a Daniel Ricciardo.

DANIEL RICCIARDO5,5 – Já é o melhor piloto de sua equipe com sobras. No treino oficial, deixou Liuzzi e D’Ambrosio para trás de uma só vez. Poderia ter ganho várias posições na largada, mas cometeu um erro e acabou ficando para trás. Mesmo assim, manteve um ótimo ritmo e chegou a ameaçar Glock durante algumas voltas. Infelizmente, o alternador falhou e seu carro parou. Mau sinal para mim. Meu mecânico disse que o alternador do meu Corsa também está prestes a quebrar.

SÉBASTIEN BUEMI6 – Faltou-lhe sorte novamente. O sistema hidráulico de seu carro apresentou vazamento no pior fim de semana possível, aquele em que o suíço conseguiu render bem mais que o colega Alguersuari. No treino oficial, Buemi foi apenas razoável, mas o espanhol foi bem pior. Na corrida, ele chamou a atenção com uma bela disputa com Paul di Resta pelo nono lugar. Após algumas voltas, conseguiu a ultrapassagem e começou a sonhar em tomar as posições de Sutil e Schumacher. Infelizmente, o abandono não tardou a acontecer.

JERÔME D’AMBROSIO1,5 – Se a demissão logo após uma temporada soa injusta, também é certo dizer que D’Ambrosio não está fazendo muito para merecer uma renovação de contrato. No Q1 da classificação, voltou a largar atrás do HRT de Ricciardo. Na corrida, andou por algum tempo em último até abandonar com problemas nos freios. Ninguém notou. Como sempre.

SEBASTIAN VETTEL4 – Que coisa, hein? O atual bicampeão mundial não sabia o que era abandonar logo na primeira volta desde o GP da Inglaterra de 2008, quando rodou logo na curva 14. Dessa vez, o abandono não foi culpa sua. Longe disso, até. Logo na terceira curva, o carro rodopiou após um furo no pneu traseiro direito. Sebastian até conseguiu voltar para os pits, mas a suspensão estava totalmente danificada e o fim de semana acabou exatamente ali. O mais curioso é que este foi o segundo incidente dele no fim de semana: na sexta-feira, ele bateu sozinho na primeira curva em um dos treinos livres. Para compensar, ele fez mais uma pole-position impecável, a 14ª na temporada. Fim de semana tão estranho que é até difícil atribuir-lhe uma nota. Como eu considero o conjunto carro-piloto, não dá para perdoar muito.