setembro 2010


Como já dizia a propaganda, os nossos japoneses são melhores que os outros. Quando pensamos neles, vêm imediatamente às nossas mentes engenheiros ou agricultores, como o plantador de tomates do filme Ilha das Flores, o senhor Suzuki. E é de um Suzuki que vou falar hoje. Não, não me refiro aos consagrados Aguri ou Toshio e também não vou falar dos carros da montadora homônima. O Suzuki em questão, apesar da fisionomia típica da Terra do Sol Nascente, é tão brasileiro quanto uma arara ou um barraco no morro. Ele corre de Fórmula 3 na terra de seus antepassados e corre muito bem. Este é Rafael Suzuki.

Nascido em São Paulo em agosto de 1987, Rafael é o único representante brasileiro na Fórmula 3 japonesa. Até este momento, ele é o vice-líder da competição, com três vitórias, uma pole-position, nove pódios e 78 pontos. Faltando apenas a rodada dupla de Autopolis, a ser realizada nos dias 16 e 17 de outubro, Suzuki não tem mais como reduzir a diferença de 59 pontos entre ele e o líder Yuji Kunimoto. Mas não há muito do que reclamar. Kunimoto está em seu segundo ano na categoria e aparenta ser um dos pilotos mais promissores de seu país. Suzuki, por outro lado, faz seu ano de estréia e entrou como segundo piloto de sua equipe, a Tom’s. O primeiro piloto, por sinal, é exatamente o experiente Kunimoto.

Suzuki tem nove pontos de vantagem para Yuhi Sekiguchi, que já tem experiência prévia na GP2 Asia Series. É uma vantagem muito boa, considerando que estão em disputa 24 pontos (o sistema de pontos premia os seis primeiros com 10-7-5-3-2-1 e tanto o pole-position como o dono da volta mais rápida marcam um ponto cada) e Sekiguchi não venceu nenhuma corrida ainda. O nipo-brasileiro, por outro lado, está em ótima fase: quebrou uma sequência de dez vitórias de Kunimoto ao vencer as últimas três consecutivas, duas em Okayama e uma em Sugo.

A vice-liderança no campeonato japonês de Fórmula 3 é, até aqui, o ápice de uma carreira que começou nos karts em 1998. Aos nove anos, Rafael Suzuki estreou no Campeonato Paulista e, logo de cara, ganhou um título. Até 2007, ele conquistou mais dois títulos paulistas, um título sul-brasileiro, um vice-campeonato brasileiro, um vice-campeonato nas 500 Milhas de Kart e o título, bem como o polpudo prêmio, da Seletiva Petrobras de 2007. Neste mesmo ano, ele fez sua estréia nos monopostos. Na Fórmula São Paulo, Rafael participou de duas corridas e conseguiu uma pole-position e quatro pontos. Ele também fez seis corridas pela Cesário Fórmula na Fórmula 3 sul-americana e conseguiu apenas quinze pontos. Ainda assim, nada mal para um primeiro ano.

No entanto, com a grana recebida do prêmio da Seletiva Petrobras, Suzuki quis dar um salto mais alto e foi lá para o Extremo Oriente disputar a Fórmula 3 asiática, categoria não tão conhecida por nós mas bastante valorizada lá na região. Contra uma curiosa maioria de adversários europeus mais experientes, Suzuki conseguiu uma vitória, quatro poles-positions e o terceiro lugar no campeonato, a apenas oito pontos do vice Matt Howson. Findado o campeonato asiático, cujo calendário contemplava o fim de 2007 e o início de 2008, Suzuki rumou à Alemanha para fazer a temporada 2008 da Fórmula 3 local pela Performance Racing.

Visando apenas aprender, Rafael conseguiu fazer boas apresentações e chegou a fazer uma pole-position em Hockenheim, além de liderar a sessão coletiva de testes em Valência. No fim das contas, Suzuki terminou o ano em sétimo, com 55 pontos e dois pódios. Para 2009, Suzuki renovou com a Performance, que seria a equipe oficial da Volkswagen na categoria. Havia muitas esperanças de vitórias e, quem sabe, o título.

Infelizmente, o ano foi bastante complicado e Suzuki, tendo de romper com a Performance, chegou a correr por três equipes diferentes. Ele repetiu a pole-positon em Hockenheim, mas um outro piloto queimou a largada, tomando ilegalmente a ponta, e outro fez o favor de bater no carro do brasileiro, impedindo-o de vencer. Em um ano abaixo do esperado, Suzuki conseguiu quatro pódios e 65 pontos, apenas dez mais que o ano anterior. Definitivamente, era hora de mudar de ares.

E assim ele foi para o Japão, decisão acertadíssima. Agora, é esperar pra ver o que vai acontecer em 2011. Eu gostaria de vê-lo de volta à Europa, mas imagino a dificuldade enorme para conseguir patrocinadores para tal. De qualquer jeito, o cara merece voar mais alto. O último descendente de japoneses a ter conseguido chegar a patamares mais altos na Europa foi Norio Matsubara, que fez uma prova na Fórmula 3000 em 1994. Rafael Suzuki tem tudo para provar que, sim, os nossos japoneses são melhores.

RAFAEL SUZUKI

Nascido em 13 de agosto de 1987 em São Paulo

Terceiro colocado no campeonato asiático de Fórmula 3 em 2007/2008

Vice-líder no atual campeonato japonês de Fórmula 3

Site: http://www.rafaelsuzuki.y2s.com.br/formula3/home/

Twitter: http://twitter.com/RafaelSuzuki

Patrocinadores: SVLabs, empresa especializada em Verificação e Validação de Softwares em áreas industriais, financeiras, comerciais e de telecomunicações.

http://www.svlabs.com.br/

O Felipe Massa de hoje, burocrático e esquecido

A Ferrari, equipe italiana conhecida pelos seus fãs animalescos e por seus métodos pouco ortodoxos, dispõe de dois pilotos. Um deles estreou em 2006. O outro, em 2010. Passadas quinze etapas, o que estreou neste ano tem 191 pontos, quatro vitórias, duas pole-positions, a vice-liderança do campeonato e o respeito e a admiração de todos. O que estreou em 2006 tem 128 pontos, nenhuma vitória, nenhuma pole-position, uma apagada sexta posição no campeonato e um certo desdém por parte de todos. É evidente que há algo de podre no reino ferrarista.

Aos pouco afeitos com fatos históricos, Felipe Massa é o tal piloto que estreou em 2006 e Fernando Alonso é o que estreou em 2010. Enquanto Alonso, aquele que venceu as duas últimas corridas, reacendeu suas chances de título e trouxe consigo a atenção de todos na Ferrari, Massa, que só obteve até aqui quatro pódios, é aquele sujeito meio deixado de lado e um tanto quanto apático que faz talvez sua pior temporada desde que entrou para a panelinha italiana. No início do ano, muitos, incluindo eu, acreditavam que o espanhol realmente tomaria, ou ao menos tentaria tomar, o controle da equipe para si. Muitos, incluindo eu, acreditavam que Alonso, mais cedo ou mais tarde, andaria na frente de Massa com certa tranqüilidade. Mas poucos imaginavam que isso ocorreria tão cedo e de forma tão clara.

Nesta temporada 2010, temos dois pilotos completamente diferentes pilotando o carro vermelho patrocinado maciçamente pelo Santander. Fernando Alonso, até aqui, é uma das atrações do ano. Fez corridas excepcionais, boas, regulares e péssimas. Ultrapassou, bateu, tocou rodas com adversários, saiu da pista, teve problemas, fez uma pole-position inesquecível em Monza, arriscou uma estratégia soberba em Mônaco e saiu do fundo do grid para as primeiras posições em mais de uma ocasião. Enfim, deu o que falar. Felipe Massa, por outro lado, só atuou de maneira realmente proeminente no Bahrein e em Hockenheim, as duas únicas corridas em que ele teve chance de vencer. Na pista alemã, ele liderava até o famigerado Felipe, Fernando is faster than you e deu no que deu. A partir desse momento, ficou claro o que Massa realmente significava na Ferrari de Alonso. Mas não é só isso.

A impressão que eu tenho é a de uma falta de confiança da Ferrari para com Massa misturada a um esgotamento geral do piloto dentro da equipe. Pode soar como uma constatação óbvia, mas o fato é que muitos, e isso inclui aí uma boa gama de midiáticos, preferem dizer que Felipe é simplesmente um picareta, um oportunista que conseguiu fazer um 2008 bom porque tudo estava ao seu favor e perdeu porque, além de tudo, não tem a sorte inerente aos campeões. Pura inverdade maldosa. Felipe Massa é um piloto de ponta cuja evolução entre 2002 e 2008 só não foi visível para Stevie Wonder e um título não deixaria de ser merecido.

Sou honesto, no entanto. Massa está longe de ser meu piloto preferido e deixo bem claro que Fernando Alonso, por outro lado, é um piloto excepcional, raríssimo de ser encontrado por aí e que pode ser colocado em um nível acima não só de Massa mas também do restante do grid. O brasileiro ainda apresenta algumas deficiências técnicas, como a dificuldade para ganhar várias posições saindo de trás (uma boa exceção é Inglaterra/2007) e a notória falta de habilidade na chuva, como pôde ser visto nas corridas inglesas de 2002 e 2008. Não que eu ache estas deficiências um enorme pecado, já que os grandes Alain Prost, Nelson Piquet e Mika Hakkinen não se davam bem com la pioggia e outros grandes como Emerson Fittipaldi também não tinham lá grande facilidade para ganhar muitas posições. O fato é que Alonso é um piloto completo, sem ter um único grande ponto fraco, e a equipe sabe disso. Ainda assim, por que Massa foi intimidado com tanta facilidade?

Falemos da falta de confiança. Felipe Massa entrou na Ferrari em 2006 como segundão de Michael Schumacher, algo incontestável por todos. Inteligentemente, o brasileiro investiu na equipe italiana pensando na aposentadoria do alemão. Sendo assim, ele poderia galgar um posto de primeiro piloto. Seu primeiro ano na equipe começou claudicante, mas terminou muitíssimo bem, com duas vitórias e o terceiro lugar no campeonato. No ano seguinte, a equipe recebeu Kimi Raikkonen, um gênio como piloto e um poste como ser humano. Sem a menor disposição do finlandês para montar a equipe do seu jeito ou para fazer política, restou à Ferrari investir no lado mais afável de Massa. Kimi, em um brilhante sprint final, venceu de maneira surpreendente o campeonato de 2007. Naquele ano, Massa terminou na quarta posição no campeonato e trabalhou para o título de seu companheiro, como pôde ser visto no GP brasileiro.

O Felipe Massa aguerrido de outrora

Ficava claro onde estava a real vantagem de Massa. Tecnicamente inferior a Schumacher, Raikkonen e Alonso, algo que está longe de ser um demérito preocupante, Felipe preocupou-se em desenvolver um relacionamento excelente como a Ferrari, mostrando sempre disposição em trabalhar com a equipe, uma boa curva de aprendizado, agressividade na pista, Inteligência dentro e fora dela e, acima de tudo, confiabilidade e credibilidade. Em 2008, com Kimi Raikkonen fazendo um ano abaixo do esperado, restou à Ferrari confiar em Massa. E ele fez o máximo que pôde, vencendo corridas e levando a briga pelo título até os últimos instantes. Felipe perdeu porque errou feio na Malásia, mas perdeu também porque uma mangueira safada destruiu sua corrida em Cingapura, o motor lhe deixou na mão quando ele liderava na Hungria e Timo Glock teve aquele problema com os pneus no Brasil. O saldo, portanto, estava positivo para ele. A Ferrari sabia que tinha ali alguém que poderia brigar pelo título no caso do primeiro piloto não conseguir fazê-lo. É a questão da confiabilidade.

Tendo um poste como companheiro de equipe, Massa conseguiu um espaço maior dentro da Ferrari, e muitos começaram a acreditar que ele realmente poderia ser o líder da equipe. Mas Fernando Alonso não é um poste. Muito pelo contrário. Se há alguém que segue os preceitos do príncipe maquiavélico, este alguém é o espanhol.

Muito parecido com Michael Schumacher e Ayrton Senna neste sentido, Fernando é um sujeito centralizador, ególatra e esperto. Sabe fazer uma equipe inteira trabalhar ao seu redor e, se necessário, pisa na cabeça de seus companheiros de equipe. Foi assim na Renault e deu certo, por que não seria assim na Ferrari, uma equipe que também faz de tudo e mais um pouco para vencer? Ao mesmo tempo, a equipe idolatra o piloto Fernando Alonso, um dos mais completos, como apontado acima. Logo, se Massa e sua capacidade de relacionamento com a equipe conseguiram achar um lugar na sombra na Ferrari de Raikkonen, todos sabiam que na Ferrari de Alonso, um expert de relacionamento, não haveria esse espaço. Havia ainda o Santander, principal patrocinador da equipe e, caham… espanhol. Mas não dá pra dizer que o banco tem grande influência, já que ela não seria nada se Alonso não fosse o que é.

Para piorar as coisas, o espanhol começou vencendo no Bahrein. Naquele fim de semana, já começava a ficar nítida a diferença técnica entre ambos. E conforme o tempo passou, a Ferrari percebeu que tudo aquilo que Massa tinha de bom, a confiabilidade e a afabilidade para com os propósitos da equipe, podia ser encontrado em mais abundância em Alonso, que além de tudo era um piloto naturalmente melhor. E o resultado foi aquele visto em Hockenheim. Fernando não ganhou só a corrida, mas também a confiança total da equipe. Se eu tiver de fazer uma aposta a partir do que penso, prevejo um revival Michael Schumacher – Rubens Barrichello para os próximos anos. E o mais bizarro: com ou sem Massa. Alonso conseguiu o que queria.

Por fim, o esgotamento de Massa. Como disse lá em cima, Felipe é um piloto que melhorou muito entre 2002 e 2008. Aprendeu a parar de fazer bobagens, passou a andar com sensatez e começou a obter excelentes resultados a granel. Se não é o piloto dos sonhos de ninguém, ao menos tinha cacife para peitar todo mundo e levar um título para casa. De 2009 para cá, no entanto, a Ferrari sucumbiu ao surgimento de novas concorrentes, como a Red Bull, e o próprio Massa abraçou o conservadorismo de uma maneira que aquele ímpeto visto nos tempos de Sauber pôde ser considerado como extinto. E o acidente de Hungaroring foi uma influência grande? Isso só o próprio piloto pode dizer, mas creio que não. O apagão de Massa se deu porque ele percebeu que Alonso tomaria o controle de tudo, como realmente aconteceu, e não haveria o mesmo ânimo de ser um piloto da Ferrari. Em termos de carro, Felipe Massa deve seguir na Ferrari sem pensar duas vezes. Em termos de motivação pessoal, creio que já é hora de buscar uma nova equipe. Se Massa seguir do jeito que está, destroçado pelo “Aloncentrismo” e por sua própria falta de ânimo, toda aquela confiabilidade e afabilidade que ele despertou para com a mídia, os torcedores e a Fórmula 1 desandará e se desfará como uma macarronada que passou do ponto.

Não tenho inspiração e muito menos tempo, já que as obrigações econômicas (?) me chamam. Mas como também não vou deixar vocês sem nada, posto algo do meu acervo.

Vou rianovizar. Coloco uma foto de um dos meus carros obscuros preferidos. Não, não me refiro ao Lola-Menard vermelho de Nelson Piquet, mas sim ao Lola-Buick do francês Stéphan Gregoire.

Gregoire, francês de 24 anos que havia feito uma carreira meio discreta na Fórmula 3 francesa, concluiu que não daria certo no automobilismo europeu e migrou para os Estados Unidos para correr na Indy em 1993. O interessante da história é que o piloto levou junto com ele a equipe de Fórmula 3 pela qual correu no ano anterior, a Formula Project. Tradicional escuderia francesa nas categorias de base, a Formula Project arranjou um Lola de 1992 e um potentíssimo mas quebrador motor Buick para competir nas 500 Milhas de Indianápolis. O patrocínio já estava garantido: o antiático Maalox, muito conhecido na França. O que mais chamava a atenção, no entanto, eram as cores da equipe: vermelho, azul, amarelo, preto e verde. Desde os tempos da Fórmula 3, a Formula Project colocava para correr verdadeiras caixas de lápis de cor ambulantes.

E lá foi Gregoire com seu carro colorido, muito colorido. Gosto de carros assim. Tudo bem que, nos dias atuais, eles remeteriam às detestáveis bandas de menininhas e garotos afeminados. Porém, dependendo da pintura, até que o resultado acaba sendo interessante. No caso do carro da Formula Project, ficou bem legal, colorido sem ser muito brega.

E o desempenho foi bom. Sem maiores dificuldades, Gregoire conseguiu o 15º lugar no grid e andou direitinho na corrida, terminando em 19º e ganhando o título de melhor estreante da corrida. O melhor de tudo, no entanto, foi ter liderado uma voltinha, momento em que todos os pilotos à sua frente foram para os pits.

Para infelicidade de Stéphan Gregoire, esta foi sua melhor corrida nos Estados Unidos. E para infelicidade minha, a pintura colorida da Formula Project nunca mais foi vista nas pistas americanas.

FERRARI9 – Com Fernando Alonso, deu tudo certo e o espanhol conseguiu fazer um fim de semana impecável. Com Felipe Massa, o câmbio não funcionou no treino oficial e o brasileiro não conseguiu sair do pelotão da mediocridade. De qualquer jeito, a equipe volta a brigar pelo título de pilotos e apenas onze pontos separam Alonso de Webber. Começo a achar que aqueles sete pontos a mais da polêmica ordem de equipe de Hockenheim poderão fazer a diferença.

RED BULL8,5 – Em um desses dias muito raros, a equipe conseguiu ter uma corrida sem dores de cabeça e, veja só, até conseguiu colocar dois carros no pódio. Faltou vencer, mas daí já é pedir muito. E olha que ela até tinha o melhor carro, mas Vettel colocou tudo a perder com o erro no treino oficial. Webber, no entanto, fez a lição de casa e ainda é líder. Esqueça o alemão, Christian Horner.

MCLAREN6,5 – A equipe parou de crescer nas últimas etapas e a Ferrari parece ter o segundo melhor carro neste momento. Lewis Hamilton também não ajuda ao abandonar, pela segunda vez, devido a um acidente causado por ele mesmo. Ao menos, sempre há um Jenson Button para levar uns pontos para casa. Mas os ingleses precisam melhorar.

MERCEDES7 – Mais um fim de semana com Nico Rosberg andando muito bem sem chamar muito a atenção. Mais um fim de semana com Michael Schumacher andando mal e se envolvendo em tudo quanto é tipo de confusão. A equipe não tem nada mais a almejar neste ano a não ser fazer exatamente isso. Injustiça minha com Rosberg, que está perto de tomar a 6ª posição de Massa no campeonato.

WILLIAMS7,5 – Marcou pontos com os dois pilotos novamente, e dessa vez Rubens Barrichello terminou em um ótimo sexto lugar. Nico Hülkenberg também não andou mal, mas poderia ter conseguido mais pontos se não tivesse aprontado várias. Mas sir Frank Williams não tem muito do que reclamar.

RENAULT5,5 – Já que Vitaly Petrov não ajuda, o negócio é esperar por uma boa aparição de Robert Kubica. Mas a sorte também não ajuda e o polonês teve de fazer uma parada a mais devido a problemas de freios. Ainda assim, terminou em sétimo. Assim como a Mercedes, é outra equipe que tem dificuldades para peitar os grandes e também não é peitada pelas equipes menores.

FORCE INDIA4 – Vitantonio Liuzzi estragou seu carro no muro cingapurenho na segunda volta e só aumentou a irritação da equipe para com ele. Ao menos, havia ainda Adrian Sutil, mas este também teve várias dificuldades na corrida e ficou preso por um bom tempo atrás do Virgin de Glock. O carro não estava tão bem, como visto no treino oficial. No fim, marcar pontos foi bom.

TORO ROSSO3 – Tanto Jaime Alguersuari quanto Sebastien Buemi poderiam ter marcado pontos, mas ambos tiveram vários problemas. O espanhol largou dos boxes devido a um problema de refrigeração e o suíço teve de tudo em seu carro. É uma equipe sem muito futuro e eu realmente espero que seja vendida à turma do Jacques Villeneuve e da Durango.

VIRGIN6 – Apresentando um novo pacote aerodinâmico, o carro deu um notável salto de qualidade e os dois pilotos conseguiram largar à frente de, ao menos, um dos pilotos da Lotus. Timo Glock chegou a andar em 10º e manteve um bom ritmo durante boa parte da corrida. Porém, Lucas di Grassi foi o único a levar o carro até o fim. Gostei de ver.

LOTUS2,5 – Tony Fernandes pode aparecer lá no escritório da Cosworth e justificar muito bem o motivo da rescisão de contrato para 2011. O carro de Heikki Kovalainen foi vítima de um perigoso incêndio no final da corrida, e o finlandês teve de exibir seus dotes como bombeiro para conter as chamas. Jarno Trulli também teve vários problemas, a Virgin se aproximou perigosamente e até mesmo a Proton está exigindo que a equipe não se chame mais Lotus no ano que vem. Dias difíceis para a equipe verde.

SAUBER2 – Voltou a ter aquelas apresentações medíocres e desastradas do início do ano. Nick Heidfeld, reestreando pela equipe, bateu em Liuzzi na largada e foi tirado da pista por Schumacher mais à frente. Kamui Kobayashi foi tocado por Buemi na largada, tirou Schumacher da pista e acabou batendo sozinho na volta 32. E muitos cifrões voaram da carteira de Peter Sauber.

HISPANIA0,5 –Uma puta de uma balburdia, esta equipe. Inventaram uma gastroenterite para sacar Sakon Yamamoto e colocar Christian Klien e alguns patrocinadores austríacos no lugar. E ele não foi mal, batendo Bruno Senna com tranqüilidade no treino oficial e na corrida. Mas não adiantou nada, já que os dois não terminaram a corrida.

TRANSMISSÃOBONS ALUNOS – Não sei se era meu sono ou se o fato de ter perdido o treino oficial me fez ignorar algum ocorrido, mas o caso é que o trio global não falou nada digno de “500 de Esparta” ou “em décimo, o Petkovic”. Galvão Bueno se empolgou um pouco além da conta com o circuito e seus pretensos pontos de ultrapassagem, mas dou um desconto. Afinal, pensando bem, a pista não é tão ruim assim e a corrida foi boa. Destaco apenas a insistência do limitado Lito Cavalcanti em dizer, na transmissão da SporTV, que Felipe Massa estava ameaçado na Ferrari e Adrian Sutil poderia ser seu substituto. Bullshit, como diria o britânico.

CORRIDADIVERSÃO NOTURNA – Eu, como 9 em cada 10, esperava ver uma corrida de merda. Sabe como é, as corridas de Spa-Francorchamps e Monza não foram tão legais quanto prometiam e uma pista de rua não ajuda. Mas me surpreendi. A prova foi boa, bem melhor do que as dos circuitos mais badalados. Mesmo que Fernando Alonso tenha vencido de ponta a ponta, fiquei satisfeito em ver sua performance dominadora e fiquei feliz também ao ver como Sebastian Vettel tentou ao máximo tomar a liderança que provavelmente seria sua se não tivesse ocorrido o erro no Q3 da classificação. Mais atrás, as brigas e ultrapassagens aconteciam a rodo  e pilotos como Timo Glock e Robert Kubica chamavam bastante a atenção. Acidentes também aconteceram, como o tumulto causado por Kamui Kobayashi e que envolveu Bruno Senna. No fim, tudo aquilo que uma corrida boa costuma ter teve em Cingapura.

FERNANDO ALONSO10 – Fim de semana impecável, com direito a pole-position, vitória de ponta a ponta e volta mais rápida. E tudo isso sem ter, teoricamente, o melhor carro do grid. Segurou um impetuoso Sebastian Vettel na largada e nas últimas voltas e conseguiu pular para a vice-liderança do campeonato. Não me arrependo em dizer que é o melhor cabra do grid nos dias atuais.

SEBASTIAN VETTEL 8 – Entregou a pole-position de bandeja a Alonso após cometer um erro crasso no Q3 do treino oficial. Porém, conseguiu andar direitinho na corrida. Tentou, sem sucesso, tomar a ponta de Alonso na largada e nas últimas voltas e terminou em segundo. Apesar de ter feito outro fim de semana abaixo do esperado, não tem lá muitos motivos para reclamar.

MARK WEBBER8,5 – Um sujeito inteligente, sortudo e agressivo que conseguiu fazer outra corrida de campeão, superando adversidades para fazer resultados que o mantivessem líder da competição. Não foi bem no treino oficial e, sem chances de vencer na pista, preferiu arriscar uma parada logo no começo da corrida. A estratégia deu certo e ele conseguiu pular para a terceira posição. Ainda sobreviveu a um toque de Hamilton após o segundo safety-car.

JENSON BUTTON 7,5 – Nunca se envolve em confusões ou polêmicas e a história se repetiu em Cingapura. Largou em quarto e em quarto se manteve durante quase todas as voltas. É em ocasiões como essa que ele se dá melhor que seu companheiro de equipe.

NICO ROSBERG7,5 – Outro que não se envolve em nada de muito absurdo. Saindo da sétima posição no grid, ganhou a posição de Barrichello na largada e subiu para quinto após o abandono de Hamilton. Mais um bom resultado de alguém que está próximo de subir para a sexta posição no campeonato.

RUBENS BARRICHELLO7 – No treino oficial, um excelente sexto lugar e muitas expectativas para a corrida, que acabou não sendo tão boa assim. Uma largada ruim e duas posições perdidas acabaram prejudicando sua participação. O abandono de Hamilton e o furo no pneu de Kubica o ajudaram voltar à sexta posição. Ainda assim, bom resultado.

ROBERT KUBICA7,5 – Um fim de semana que vinha sendo normal terminou de maneira interessante. Após ocupar a sexta posição por um bom tempo, a sorte voltou a lhe trair e um furo de pneu lhe jogou para a 13ª posição. Com pneus novos, o polonês fez uma série de ultrapassagens na parte final da prova e terminou em sétimo. Ainda assim, seria melhor ter feito uma corrida chata com um bom resultado final.

FELIPE MASSA2 – Já era. Depois desse fim de semana, a chance de título foi para as cucuias de vez. O chato é que a culpa nem foi sua. No treino oficial, um problema no câmbio encerrou sua participação no Q1 e ele teve de largar em último. Na corrida, fez sua troca de pneus na primeira volta e esperou que, com isso, pudesse se dar bem e ganhar algumas posições. Por isso, ficar preso atrás de Glock, Sutil e Hülkenberg acabou com qualquer boa chance. Só ficou em oitavo devido às punições dos dois últimos alemães.

ADRIAN SUTIL5,5 – Mal no treino oficial, acabou ganhando algumas posições durante a corrida que o levaram a terminar em oitavo. Ainda assim, tomou uma punição por ter cortado a primeira curva e perdeu uma posição. Poderia ter ido melhor também se não tivesse ficado tanto tempo atrás de Glock. Fim de semana complicado.

NICO HÜLKENBERG5 – Marcar pontos foi bastante razoável, mesmo que nem sua sorte e nem ele mesmo o ajudaram. Após ter perdido cinco posições no grid por troca de câmbio, se envolveu em boas brigas e conseguiu terminar em nono, que virou décimo após os comissários não aceitarem seu enorme talento como cortador de chicanes. O toque em Petrov também denotou uma indesejável ansiedade.

VITALY PETROV3 – Uma de suas piores atuações no ano. Bateu no treino classificatório pela milésima vez, largou lá atrás e não fez nada a não ser tomar ultrapassagem com direito a toque de Hülkenberg e tomar também a ultrapassagem mais fácil de todas que Kubica fez no final da prova. Bateu na trave e, de fato, não mereceu pontuar.

JAIME ALGUERSUARI – 4 – Disse ter feito a corrida mais chata de sua vida. Não diria mais chata, mas certamente uma das mais frustrantes. Destaque no treino oficial, acabou tendo tudo perdido quando seu carro apresentou um problema de refrigeração a poucos minutos da largada. Saindo do fundão do grid, só restava fazer algumas ultrapassagens e ver no que dava. Fez três e não terminou tão mal.

MICHAEL SCHUMACHER2 – E ninguém mais respeita o velho. Poderia até ter marcado alguns pontinhos, mas seus dois acidentes com os dois carros da Sauber colocaram tudo a perder. No primeiro, foi jogado aos pneus por Kobayashi, mas conseguiu voltar. No segundo, deve ter pensando em dar o troco, mas acabou o fazendo contra o outro Sauber, de Heidfeld. Mais um fim de semana jogado no lixo.

SEBASTIEN BUEMI3 – Poderia até ter marcado um pontinho, mas não o fez porque é muito azarado. Mais lento do que Alguersuari no treino oficial, o helvético tentou se recuperar na corrida, mas bateu em Kobayashi na largada e teve problemas durante o percurso, sendo obrigado a fazer três paradas. No fim das contas, saiu zerado como de costume.

LUCAS DI GRASSI5,5 – Se dá por feliz por ter sido o único piloto das equipes novatas a cruzar a linha de chegada. Com um Virgin apresentando várias atualizações, esteve um pouco mais próximo do ritmo dos outros pilotos. Sua performance vem melhorando notavelmente.

HEIKKI KOVALAINEN4 – Ganhou umas boas posições na largada e chegou a andar à frente de Schumacher durante um tempo. Porém, o motor Cosworth o traiu no final da corrida e o finlandês chamou a atenção por estacionar seu carro incendiário na reta dos boxes, pegar um extintor de incêndio e mandar espuma na traseira do Lotus. Se a carreira de piloto não engrenar, dá pra ganhar a vida como bombeiro.

TIMO GLOCK6,5 – Fez sua atuação mais expressiva neste ano. Largou em um bom 18º lugar e, ao escolher não parar durante o safety-car, subiu para a décima posição e por lá ficou durante várias voltas, segurando vários carros mais rápidos e imprimindo um ritmo impressionante para seu combalido Virgin. Depois desta boa aparição, o carro piorou e o alemão se arrastou até abandonar com problemas hidráulicos.

NICK HEIDFELD3,5 – Retorno difícil à Fórmula 1. Apesar de não ter andado tão mal nos treinos, ficou quatro posições atrás de Kobayashi no grid. Na largada, virou um verdadeiro recheio de sanduíche indiano ao ser tocado por Sutil e tocar em Liuzzi. Depois, só se arrastou no final do grid até se tirado da prova por Schumacher.

LEWIS HAMILTON2 – Duas corridas seguidas, dois acidentes causados por ele e zero pontos. Com patacoadas como estas, o sujeito se afasta cada vez mais do segundo título. Largou em terceiro e por lá ficou até o segundo safety-car, quando acabou ficando atrás de Webber. Na relargada, tentou ultrapassar o australiano por fora, tocou na roda dianteira direita do Red Bull com sua roda traseira, destruiu a suspensão de sua McLaren e foi obrigado a abandonar. Triste.

CHRISTIAN KLIEN5 – Nada mal para alguém que não fazia uma corrida de Fórmula 1 desde 2006 e que só havia feito alguns quilômetros com a precária diligência espanhola. Colocou 1s2 sobre Senna na classificação, largou bem e andou o tempo todo à frente de seu companheiro brasileiro. Infelizmente, um problema hidráulico acabou com sua corrida. De qualquer jeito, um bom retorno.

KAMUI KOBAYASHI – 4 – Como já havia acontecido em algumas ocasiões dessa temporada, foi bem nos treinos e acabou no muro durante a corrida. Largou em um bom 10º lugar e manteve-se sempre próximo nos pontos. No entanto, aprontou das suas ao jogar Schumacher nos pneus e, não muito tempo depois, bateu em uma das curvas do difícil circuito citadino, causando um pequeno salseiro e mais prejuízos para a Sauber.

BRUNO SENNA1 – Eu até nem queira utilizar esse tipo de terminologia, mas admito que o brasileiro levou uma surra homérica de seu companheiro. Largou atrás dele e atrás dele ficou até bater no carro destroçado de Kobayashi na volta 32.

JARNO TRULLI 1,5 – Talvez seu pior fim de semana no ano até aqui. Foi mais rápido apenas que os carros da Hispania no treino oficial, teve um pneu furado no começo da corrida e, não muito tempo depois, abandonou com os rotineiros problemas hidráulicos.

VITANTONIO LIUZZI1,5 – Segue barranco abaixo, e o precipício parece não ter fim. Largou apenas em 16º, foi tocado por Heidfeld na primeira volta e bateu sozinho na segunda. Tem conserto?

Nessa semana, a Codemasters fez a festa de muitos fãs de Fórmula 1 ao lançar o F1 2010, talvez o jogo relacionado à categoria mais aguardado de todos os tempos. Depois de muitos anos sem jogos oficiais de Fórmula 1 e muito trabalho de desenvolvimento da empresa inglesa, todos poderão se passar por Lewis Hamilton ou Karun Chandhok em seu Playstation 3, XBox 360 ou computador. E o jogo é sensacional. Mesclando simulador com arcade, ele simula com perfeição detalhes como a dirigibilidade de uma carroça como a Hispania, as mudanças climáticas e até mesmo o relacionamento do piloto com sua equipe e com a imprensa.

Tudo isso é muito bom, muito bonito, muito legal, mas será que paramos para pensar como foi que conseguimos chegar ao nível de perfeição do F1 2010? Até chegar a ele, os fanáticos por Fórmula 1 puderam pilotar seus carrinhos virtuais em muitos outros jogos desde o jurássico Atari. Alguns marcaram época e representam influência até os dias atuais. Não vou comentar sobre medalhões que eu infelizmente nunca joguei, como Virtua Racing ou Super Monaco GP, e nem sobre jogos mais recentes, como o rFactor. Falo apenas do que conheço. Alguns são quase desconhecidos, mas valem a pena ser relembrados.

5- HUMAN GRAND PRIX IV

Até o advento dos jogos em 3D, o Super Nintendo era o videogame ideal para quem gostava de reproduzir as emoções da Fórmula 1. Mesmo que não suportasse o jogo mais célebre de seu período, o Super Monaco GP, o console da Nintendo oferecia uma razoável gama de títulos. Eram jogos muito bons, e alguns deles tinham pequenos detalhes que não existem nem nos jogos mais modernos. Um deles era o Human Grand Prix IV, o último jogo da série Human Grand Prix, lançado em 1995.

Apesar da Human Entertainment estar longe de ser a empresa de games mais badalada de seu período, a série Human Grand Prix era muito bacana porque detinha os direitos oficiais da FOCA. Logo, pistas, equipes e pilotos eram os mesmos da realidade. Esta quarta versão é pioneira em reproduzir quatro temporadas completas, entre 1992 e 1995. Além disso, tudo é customizável. Se você quiser ver Hideki Noda na Ferrari, Michael Schumacher na Pacific e Thierry Boutsen na Forti-Corse, vá em frente.

No mais, os gráficos e a jogabilidade são adequados para sua época: você controla o carro com a câmera posicionada imediatamente atrás dele, como acontecia em todos os jogos de corrida de seu tempo. Havia, porém, alguns detalhes engraçadinhos, como a aparição de patrocinadores em carros, algo muito difícil de se reproduzir em um jogo 16 bits, e de algumas das famosas características de certas pistas que só aumentavam o charme do jogo, como as pontes que atravessam a pista de Montreal. Não é um jogo sensacional, mas vale a pena perder um tempinho com ele.

4- F1 CIRCUS

Este foi o primeiro jogo de Fórmula 1 com o qual eu tive qualquer contato. Foi lançado também para o Super Nintendo no já distante ano de 1992, apesar de ser baseado na temporada anterior. À primeira vista, você olha e acha o troço um tanto quanto ordinário, até porque ninguém se deu ao trabalho de sequer traduzir o jogo para o inglês. Portanto, enfrente o kanji e tente se localizar em um jogo voltado para a patota japonesa.

E não se assuste, pois o jogo é divertido. Para começar, você vai ter de ralar com o setup do seu bólido. O jogo permite a você fazer acertos na asa, na suspensão, nos pneus e onde mais você quiser. É óbvio que o sistema de acertos não passa nem perto da sofisticação de um jogo atual, mas não dá para exigir muito. Você também poderá escolher um dos 34 pilotos daquela temporada. Porém, como a Nichibutsu, fabricante do jogo, não tinha os direitos oficiais da FOCA, restou aos programadores utilizar nomes parecidos com o real. Não se incomode em correr na “Blabham”, por exemplo. Para nosso alívio, as cores são as mesmas. E, no fundo, esse negócio de nomes nem faz diferença, já que quase tudo está em japonês.

Jogar F1 Circus é algo um tanto quanto complicado, já que a câmera é aérea e o carro, na verdade, não sai do lugar: é a pista que se move e você basicamente controla o posicionamento do bólido nela. Não é algo fácil, mas dá pra se acostumar com um pouco de treino. Você deve tomar cuidado também para não bater ou para não desgastar os freios, a suspensão ou a transmissão. Há uma tabelinha com o status dos componentes do carro, algo utilizado por muito tempo em jogos mais sofisticados. O vídeo acima é do Super F1 Circus, uma pequena atualização do F1 Circus.

3-GRAND PRIX 2

Foi o primeiro jogo de Fórmula 1 em que eu mergulhei de cabeça, lá pelos idos de 1999. Eu tinha um humilde 486 que o fazia rodar a cerca de 10 frames por segundo, uma lentidão hispaniesca comparada aos 60 frames por segundo feitos pelo F1 2010. Ainda assim, me divertia por horas na frente da tela. O GP2, como também era chamado, foi por muito tempo o jogo de Fórmula 1 de maior sucesso em todo o mundo. Até mesmo pilotos como Jacques Villeneuve e Ricardo Zonta o utilizavam como simulador para as corridas. Também, pudera.

Totalmente em 3D, o jogo representou um enorme avanço em busca da perfeição. Lançado em 1996, ele era a continuação do igualmente célebre F1 Grand Prix e reproduzia a temporada de 1994. Moderno, ele permitia a você fazer dezenas de modificações no seu carro (dava para modificar a altura de uma asa minunciosamente, por exemplo), reproduzia acidentes de maneira notável para a época e permitia escolher um nível de dificuldade que podia ocupar um bom tempo seu.

Eram 17 pistas, 14 equipes e 28 pilotos. No entanto, o mais legal do GP2 é que ele foi o pioneiro em permitir ao jogador instalar pistas e trocar temporadas inteiras, os chamados carsets. Logo, se você quisesse, poderia competir na temporada 2002 da Fórmula 1 ou na temporada 1996 da Indy em pistas como Talladega, Oschersleben ou Sugo. Uma comunidade imensa na internet produzia vários pacotes de modificação, o que só ampliou o sucesso do jogo.

2- F1 WORLD GRAND PRIX

No meu tempo, quando se falava em jogos de corrida, ninguém dava bola para o pobre do Nintendo 64. Todos só tinham olhos para o Playstation, aquele original. Muitos críticos diziam que o formato de cartucho do 64 era muito caro e criava limitações na hora de desenvolver um jogo mais pesado. Não por acaso, o console da Nintendo não teve muitos jogos, e os de corrida foram ainda mais esparsos. No entanto, ele teve um jogo de Fórmula 1 que, ao meu ver, batia facilmente qualquer jogo do concorrente da Sony, o F1 World Grand Prix.

Lançado no segundo semestre de 1998, o título surpreendeu a todos e é considerado, por vários, um dos melhores jogos já lançados para o console. Ele reproduz a temporada 1997, aquela do Schumacher batendo no Villeneuve, com uma riqueza de detalhes que me faz perguntar como os programadores conseguiram colocar um jogo tão bom dentro de um cartucho limitado. Os gráficos eram muito bons para o período, a jogabilidade era excelente e todos os pilotos e equipes da temporada estavam lá, com exceção da estelinha canadense, que se recusou a ceder suas imagens para o jogo. Em seu lugar, Driver Williams. Bah.

O jogo tinha alguns extras bem interessantes. Um deles era uma pista havaiana que tinha de ser desbloqueada. O outro, talvez o maior chamariz do jogo, era o modo Challenge: você passa por situações que, de fato, aconteceram na temporada 1997 e deve se safar delas. Assim, em uma tarefa, você é Giancarlo Fisichella em Hockenheim, tem um pneu estourado, deve levar o carro para os pits, voltar e recuperar posições. Em outra, você é Ukyo Katayama e deve levar seu carro sem freios até o final em Spa-Francorchamps. E assim por diante. Um clássico.

1- GRAND PRIX LEGENDS

Call of Duty é o caramba. ISSO é jogo de homem. E me arrisco a dizer que é o jogo de corrida com melhor custo/benefício de todos os tempos. Ninguém conseguiu fazer, até hoje, um simulador tão leve e ao mesmo tempo tão detalhado e perfeito.

Grand Prix Legends foi lançado para PC meio que à surdina em 1998 com a interessante proposta de reproduzir as emoções da Fórmula 1 de exatos 31 anos antes, a célebre temporada de 1967. Você poderia dirigir aqueles belíssimos charutinhos da Lotus ou da Ferrari por circuitos como o antigo Spa-Francorchamps, Nürburgring Nordschleife e Mosport. Sem dúvida, uma experiência legal. Mas muito, muito difícil.

Como dito, o jogo foi feito para homens. Se você quiser tentar jogar com o teclado, vá em frente. Em um primeiro instante, não conseguirá sequer fazer a primeira curva. Com o tempo, conseguirá completar uma volta em Monza. Mais tempo e você até conseguirá terminar uma corrida em Rouen. Apenas pessoas muito perseverantes conseguem jogar dispensando um bom volante. Para os domingueiros, ele é absolutamente indispensável.

Mas não fiquemos só falando da extrema dificuldade. Os gráficos, de uma leveza incrível e de uma beleza marcante, permanecem atuais até hoje. O nível de detalhamento dos carros é notável: você sente a diferença entre dirigir um Brabham e um Eagle e até mesmo os sons dos motores são diferentes. A gama de acertos é milimétrica e qualquer detalhe representa a diferença entre a vitória e a derrota. E os acidentes são ótimos. Tirando o fato do carro só perder as rodas, o realismo é extremo. Ninguém conseguiu fazer um sistema de capotagens como os programadores de GPL. Para um jogo cult, ignorado pela grande turma de consumidores, nada mais justo do que o primeiro lugar.

Belíssima skyline diurna do Cingapura

MARINA BAY: Voto na Marina, a melhor dos três candidatos majoritários à presidência. Quanto ao circuito, é a realização do sonho daqueles jogadores infantilizados de Need for Speed Underground que queriam ver um carro de Fórmula 1 passando pelas ruas de uma grande metrópole à noite. A skyline, de fato, é sensacional, uma das melhores do mundo. O circuito é meia-boca, me lembra um pouco o odiado Detroit. Enfim, é a expressão da Fórmula 1 contemporânea: uma embalagem bonitinha e um presente apenas razoável, tendendo ao ordinário. Sou um entre os oito que preferem Valência.

HEIDFELD: E os deuses cingapurianos, muito mais justos e eficientes que os demais, atenderam ao meu pedido e trouxeram o alemão baixinho e barbudo de volta à Fórmula 1. Perdoe-me, De La Rosa, mas o retorno de Heidfeld só tem a acrescer no grid desta temporada. O maior problema é seu instrumento de trabalho. O carro da Sauber não é genial e o espanhol ainda acabou gastando todos os oito motores previstos no regulamento. Nick vai ter de optar entre largar lá no fim do grid com um motor novinho em folha ou andar com um motor de dentista em um carro que… provavelmente irá largar no fim do grid também.

D’AMBROSIO: Nada a ver com Alessandra Ambrósio ou com aquele doce feito com leite, ovos e açúcar que tem um nome muito parecido. Jerôme D’Ambrosio, belga que ficou conhecido na GP2 por ser muito rápido e muito azarado, andará pela primeira vez como um piloto oficial de uma equipe, nesse caso a Virgin. Ele irá dirigir o carro de Lucas di Grassi nos treinos livres de sexta-feira. Não é a oportunidade que todos costumam pedir a Deus, mas para alguém que não tem dinheiro e nem sorte, nada melhor do que isso.

BRIATORE: Um nome que dá arrepios é o de Flavio Briatore. Arrepios negativos, é evidente. Algum irresponsável midiático lançou um boato de que o ex-chefe de Schumacher e Alonso na Benetton e na Renault poderia estar voltando à Fórmula 1 como substituto do irregular Stefano Domenicali na Ferrari. Como eu não gosto de equipes que usam cavalos voadores como logomarca, tinha ficado feliz pela possibilidade de ver a Ferrari sendo novamente dominada por mafiosos italianos safados e irracionais. Mas Briatore rechaçou a idéia e disse que prefere curtir a grana e o filhinho que vem aí. Está certo, mas não acredito nele.

CHUVA: E se chover à noite, como a meteorologia está dizendo, o que a gente faz? É a dúvida que tira o sono dos convivas da Fórmula 1. Há motivos para tanto. Correr em uma noite chuvosa é uma merda, ainda mais em um circuito de rua traiçoeiro como esse. A falta de visibilidade seria um perigo e uma corrida como essa mandaria metade do grid direto ao ferro-velho e, possivelmente, ao hospital. Mas nós, fãs carniceiros que somos, esperamos que os pilotos calem a boca e corram. Afinal, como um bom Coliseu, gostamos de ver um punhado de imbecis se estropiando por pura diversão.

Ontem, a organização da minha querida GP2 Series anunciou a lista das 13 equipes que participarão das próximas três temporadas dos campeonatos europeu e asiático da categoria. Permanecem a ART, a Rapax, a Addax, a iSport, a Racing Engineering, a Supernova, a Arden, a DAMS, a Coloni, a Ocean e a Trident e sai a DPR, pobrezinha. Além delas, entrarão também a tradicional Carlin e a novata Air Asia, equipe malaia pertencente a Tony Fernandes, o mesmo da Lotus na Fórmula 1. Em primeiro lugar, bateu certo incômodo. 26 carros é pouco para uma categoria de base tão importante. Não vejo um porquê da categoria não expandir seu grid para 28 ou 30 carros, nada muito absurdo. Mas tudo bem, eu sempre reclamo do tamanho dos grids e sigo assim até o dia em que alguém crie uma categoria com uns 100 carros. Ainda assim, vou perguntar algo como “por que não 110?”.

A segunda nota que me chamou a atenção foi a criação da equipe Team Air Asia. Como dito acima, o criador da idéia é Tony Fernandes, empresário malaio dos mais endinheirados. No final do ano passado, Fernandes liderou um consórcio que envolvia inúmeras empresas públicas e privadas de seu país na criação da Lotus Racing, equipe de Fórmula 1 que visava trazer de volta o lendário nome da equipe de Colin Chapman ao mesmo tempo em que sonha ser a primeira equipe totalmente asiática da história da categoria. Em um primeiro momento, houve um misto de riso, descrença e escárnio. Muitos até se sentiram ofendidos pelo fato do nome Lotus ser utilizado em uma empreitada que soava absolutamente arrivista e até caricatural. Lá vem mais um asiático maluco e perdulário!

Passado um ano, uma agradável surpresa. O tal do Fernandes é um sujeito ambicioso, compromissado e sério. A equipe ainda não tem um carro competitivo, mas busca juntar todos os ingredientes para isso. Tem o experiente Mike Gascoyne como chefe de equipe e os calejados Jarno Trulli e Heikki Kovalainen como pilotos. A belíssima pintura, verde com alguns detalhes em amarelo, remete à Lotus dos anos 60. Para 2011, a equipe trará da Renault um pacote que inclui motor e câmbio. Além disso, o nome oficial da equipe será modificado: sai o Lotus Racing e entra o Team Lotus F1, que é exatamente o nome da equipe original. Além disso, a equipe tem seu braço na World Series by Renault, a Junior Lotus, e terá um na GP2 com a Team Air Asia. Em suma, os caras querem dominar o planeta. Ou, ao menos, o automobilismo.

Heikki Kovalainen, representante da Lotus Racing

O projeto de Tony Fernandes é bom e o pessoal da Lotus Cars, a empresa de carros comandada pela família Chapman, o louva e o considera como extensão oficial da antiga equipe de Fórmula 1. Mas as coisas estão um pouco confusas para o amante de automobilismo. Ontem mesmo, a ART Grand Prix, uma das potências da GP2, anunciou que teria o apoio oficial da Lotus Cars em 2011 para as equipes da GP2 e da GP3. E todos ficaram com um enorme ponto de interrogação na cabeça. Duas equipes Lotus?

Expliquemos as coisas desde o começo. A Lotus Cars é uma pequena empresa de carros artesanais criada por Colin Chapman. Com a morte de Chapman, a companhia passou pelas mãos da GM e de uma holding luxemburguesa até ser adquirida definitivamente pela Proton, uma montadora estatal malaia, em 1996. Desde então, quem manda no negócio é a turma malaia, ainda que a sede da empresa esteja localizada na pequena vila de Hethel. Tony Fernandes tem tanto a ver com a Lotus Cars e a Proton quanto eu, você ou a Mulher Pêra: absolutamente nada.

Tony Fernandes é um Eike Batista malaio, sem a aparência de playboy e a Luma de Oliveira no currículo. Com apenas 46 anos, conseguiu juntar uma fortuna de 230 milhões de dólares ao criar o Tune Group, conglomerado de empresas aéreas, de finanças, de turismo e do entretenimento. Uma destas empresas é a Air Asia, companhia aérea de baixo custo. A idéia da equipe surgiu quando um representante da Litespeed, equipe inglesa da Fórmula 3 que havia tentado, sem sucesso, se inscrever para a temporada 2010 da Fórmula 1, foi à Malásia para conversar com Tony Fernandes sobre a criação de uma parceria para uma equipe de Fórmula 1 no caso de uma das 13 já confirmadas não puder competir. Fernandes, empresário de trânsito entre os grandões de seu país, gostou da idéia e recorreu a outros empresários e ao governo. Todos acharam tudo muito lindo e fofo e, muito rapidamente, sentaram e definiram as coisas. Só repetindo: Tony Fernandes e a Lotus Cars não tem nada a ver.

No início do segundo semestre de 2009, a BMW Sauber anunciou que cairia fora. A FIA não tardou muito em anunciar a tal equipe malaia como sua substituta. Formada pela união entre um conluio de empresários e burocratas do governo da Malásia, seu nome seria Lotus Racing devido à participação bastante oportuna da Proton, que é justamente a empresa dona da Lotus Cars. Tony Fernandes seria o chefe da equipe.  Nasce, assim, a união entre Tony Fernandes e a Lotus.

A César o que é de César. A Lotus Racing, equipe de Tony Fernandes, é uma coisa completamente distinta da Lotus Cars. Esta faz parte do grupo que criou a escuderia e emprestou seu valoroso nome ao projeto, e só. A equipe de Fórmula 1 não responde à montadora e ambos os lados podem agir do jeito que quiserem com relação ao automobilismo. Dito isso, vamos identificar quem é quem.

Takuma Sato, representante da Lotus Cars

A Lotus Racing de Tony Fernandes aparece na Fórmula 1 e na World Series by Renault. Na World Series, ela comprou o espólio da também malaia Mofaz Racing e criou a Junior Lotus Racing, equipe que utiliza a mesma pintura da Fórmula 1 e emprega Nelson Panciatici e Daniil Move. O objetivo de Fernandes é óbvio: revelar novos talentos para sua equipe de Fórmula 1. Se bem que com Panciatici e Move, sei não…

Com esse mesmo objetivo, Fernandes criou a Team Air Asia, que é exatamente uma das duas equipes novatas da GP2 em 2011. E o apoio da Lotus à ART Grand Prix? Aí entra a turma da Lotus Cars, que apenas empresta seu nome e algum apoio técnico e financeiro às suas parceiras no automobilismo. Isso ocorre na KV, equipe da Indy que utiliza as cores da empresa no carro de Takuma Sato, e acontecerá agora na ART, que também pintará o carro de verde e amarelo. Nem a ART e nem a KV tem qualquer vínculo com a Lotus Racing, a Junior Lotus Racing ou a Team Air Asia. Alguns boatos na Europa ventilavam a possibilidade da Air Asia ser apenas uma filial camuflada da ART Grand Prix, o que é uma besteira total.

No fim, nada disso importa. O importante é que o nome Lotus está de volta, com suas cores e sua disposição para o automobilismo. Os falsos puristas podem até chiar que esta não é a verdadeira Lotus, e ela não é mesmo. Mas e daí? Viva a Lotus Car! Viva a Lotus Racing! Viva a Lotus! E viva a confusão!

Jerôme D'Ambrosio, um dos nomes da vez na Fórmula 1

Texto não muito longo. Aliás, alerto: esta semana não vai ser a mais movimentada. Coisas pra fazer a granel. Em um período no qual as notícias são poucas e não muito animadoras, falo de alguns personagens que andaram chamando a atenção de toda a patota da Fórmula 1 em tempos recentes.

Começo pelo fim, ou melhor, pelo menos badalado de todos. E o seu nome é Jerôme D’Ambrosio. Guardem esse nome, pois ele tem boas chances de correr na Fórmula 1 em 2011. Jerôme é belga e tem 25 anos. No seu currículo, constam um título obtido de maneira indiscutível na Fórmula Master em 2007 e três temporadas apenas razoáveis na GP2 entre 2008 e 2010. Não o culpemos, no entanto. D’Ambrosio é um piloto rápido, muito sensato e pouco propenso a erros. Nestes últimos três anos, sofreu com o pouco confiável carro da DAMS. Ainda assim, superou seus companheiros de equipes em todos estes anos. Nos dois primeiros anos, bateu Kamui Kobayashi com folga, e o japonês está aí, fazendo um bocado de gente babar na Fórmula 1.

D’Ambrosio (aprendam, infantes: JERROM DAMBRROSIÔ) aparecerá em quatro dos últimos cinco fins de semana da atual temporada de Fórmula 1 como piloto de testes da Virgin. Andará na sexta-feira nos circuitos de Marina Bay, Suzuka, South Jeolla e Abu Dhabi. A chance de brilhar é remotíssima, mas não deixa de ser boa para alguém que não tem patrocinadores grandes e que é obrigado a abraçar qualquer oportunidade dada pelos homens da Fórmula 1. Se o belga convencer nestas quatro oportunidades e se carregar consigo uma renca de patrocinadores, há uma boa chance da Virgin efetivá-lo para correr ao lado de Timo Glock em 2011. Lucas di Grassi, portanto, termina chupando o dedo.

Kimi Raikkonen: será que volta?

Lucas é um dos quatro brasileiros e um dos cinco estreantes desta temporada. Na comparação direta com seu companheiro Timo Glock, não está tão mal. Apesar de ter largado apenas duas vezes à frente do alemão, Di Grassi terminou apenas uma corrida a menos que Glock (sete a oito) e conseguiu o melhor resultado da Virgin até aqui, um 14º lugar em Sepang. Longe de ser um retrospecto genial, o caso é que o brasileiro merece, no mínimo, uma segunda oportunidade. Uma oportunidade realmente decente. Mas tudo parece nebuloso para ele. Sem dinheiro, restará a ele esperar que algo aconteça. Mas as coisas na Fórmula 1 não acontecem do nada.

Não muito distante da realidade de Di Grassi, Bruno Senna é outro brasileiro que padece no paraíso. Primeiro piloto da simpática porém lamentável Hispania, ele vem sofrendo com um carro que simplesmente é o mesmo da etapa barenita e com uma equipe completamente bagunçada e que remete aos bons tempos das nanicas da pré-classificação oitentista. Até aqui, ele terminou apenas cinco corridas. Já teve tudo quanto é tipo de problema, passou até pelo sufoco de não conseguir ligar o carro para a sessão de sexta-feira da etapa de Monza e chegou a dar seu lugar a Sakon Yamamoto na etapa de Silverstone. E ao contrário do que se imagina, Bruno não é o típico piloto-pagante. Apoiado apenas pelo Embratel e pelo Banco Cruzeiro do Sul (propriedade da família do candidato a vice-presidente Índio da Costa), não há dinheiro o suficiente em sua conta-corrente. Dinheiro esse que, por sinal, a Hispania precisa muito. Bruno Senna sabe que, dificilmente, seu futuro seguirá o mesmo rumo do de sua equipe. Assim como Di Grassi, restará a ele buscar um jardim mais fértil.

Mas não é só a dupla de brasileiros que padece. Pedro de la Rosa, o vovô espanhol, é outro que perde seus cabelos grisalhos buscando uma vaga para 2011. Dispensado pela Sauber, de la Rosa sabe que não tem muito mais a fazer. Está com quase 40 anos de idade e nunca demonstrou qualquer lapso de genialidade. Na atual temporada, fez menos de 1/3 dos pontos de seu companheiro Kamui Kobayashi. Como Pedro também não tem dinheiro, não há como comprar uma vaguinha por aí. Restará a ele esperar que alguém apareça desejando sua experiência. A Hispania já acenou com uma possibilidade. Mas será que é um bom negócio para alguém em sua situação?

Romain Grosjean, a ave fênix

Por outro lado, a vida é bem rósea para alguns. E o possível retorno de Kimi Raikkonen à Fórmula 1 é o principal assunto do momento. Piloto do WRC nesta temporada, Kimi recebe o segundo maior salário da Fórmula 1 devido à enorme rescisão paga pela Ferrari por sua dispensa no ano passado. Na atual temporada do WRC, o desempenho do ex-campeão vem sendo bastante razoável, mas o que mais chama a atenção é o número de acidentes sofridos na temporada de estréia. A mídia, sempre oportunista, não perde tempo para criticá-lo, ignorando que faz parte da adaptação. E a mesma mídia ventila a possibilidade de Kimi estar querendo voltar à Fórmula 1 devido ao fim da mamata ferrarista. Sem dinheiro, ele teria de abandonar a diversão e voltar ao batente. Raikkonen já teria consultado a Renault visando a vaga de companheiro de Robert Kubica em 2011. Quanto a Vitaly Petrov, este migraria por livre e espontânea vontade alheia à Lotus, que irá receber motores Renault. A conferir, a conferir, a conferir.

Outro que está nos ares é Pastor Maldonado, o venezuelano que ganhou o título da GP2 neste ano. Novo herói nacional, o jovem piloto chegou a ser convidado a fazer um discurso para um número enorme de pessoas em um estádio de seu país. No meio da multidão, o caudilho Hugo Chavez, que financia a carreira do pupilo por meio de suas empresas estatais, como é o caso da petrolífera PDVSA. Maldonado, que chegou até a aparecer nas Trending Topics mundiais do Twitter quando obteve uma de suas seis vitórias neste ano, está negociando com algumas equipes médias. Além de experiente e muito rápido, ele carrega muito dinheiro. É, sem dúvida, um dos pilotos mais valiosos que estão de fora nos dias atuais.

Por fim, uma humilde menção da Romain Grosjean, o suíço-francês primo do Sideshow Bob. Após fazer algumas corridas deploráveis pela Renault no final do ano passado, muitos davam sua carreira como acabada. Restaria a ele voltar a trabalhar no banco, pois. E não é que Grosjean deu a volta por cima e tentou correr no máximo de categorias possível visando um retorno à Fórmula 1? O mais legal é que ele andou bem em todas as categorias pelas quais passou nesse ano. Romain começou no FIA GT, venceu duas corridas e chegou a liderar a competição. Depois, pulou para a AutoGP, fez apenas três corridas e inacreditavelmente assumiu a liderança do campeonato tendo feito quatro corridas a menos que a concorrência. Por fim, foi chamado para correr na GP2 pela DAMS. Em um carro fraco, mostrou agressividade e conseguiu um pódio. Renascido das cinzas, foi chamado pela Pirelli para substituir Nick Heidfeld nos testes em Mugello. E seu nome volta a ser cogitado pelos chefes da categoria. E Romain pode, assim, dar risada de quem colocou sua capacidade em cheque no ano passado.

E estes são os personagens mais proeminentes da silly season 2010 – 2011. Silly season é um negócio sempre chato, cheio de sangue, suor e lágrimas. Todos dão seu sangue e suor para continuar competindo, mas alguns sempre terminam em lágrimas.

Já ouviu o aforismo acima? Ele é o tema do Top Cinq de hoje. Na terça-feira, a equipe suíça Sauber anunciou a substituição do interminável Pedro de La Rosa pelo barbudo Nick Heidfeld. Insatisfeita com o desempenho do piloto catalão, que havia marcado apenas seis pontos até aqui, Peter Sauber o mandou para casa mais cedo e trouxe Heidfeld, que estava fazendo um bico testando pneus Pirelli, para fazer as últimas corridas da temporada no carro nº 22.

Esta não será a primeira passagem de Nick pela equipe. Na verdade verdadeira, será a terceira. A primeira aconteceu entre 2001 e 2003, quando a equipe era toda azulada e Heidfeld não passava de um moleque discreto porém promissor. Depois de passagens pela Jordan e pela Williams, ele retornou à sua casa em 2006, quando ela foi comprada pela BMW e seus carros foram pintados de branco. Foram quatro anos, alguns pódios, ótimas atuações e nenhuma vitória. No final do ano passado, a BMW anunciou sua saída da Fórmula 1 e Nick Heidfeld teria de encontrar outra turma. Paquerou a Mercedes e a Renault, mas não teve sucesso e passou o ano como vaso de flores da equipe de três pontas, urubuzando a vaga de Michael Schumacher. E, agora, ele está de volta.

É evidente que não é a primeira vez que um piloto retorna a uma equipe com o rabo entre as pernas. Falo de cinco histórias. Há muitos exemplos e tive de fazer uma bela triagem para decidir quem entraria aqui. Estes passaram pelo árduo crivo verdeano:

5- MARIO ANDRETTI E FERRARI (1971 – 1972, 1982)

Andretti em 1971

Se há um piloto que eu não vi correr mas que admiro absurdamente, este é Mario Andretti. O ítalo-croata-americano pode ter vencido a Indy 500 apenas uma vez, a Fórmula 1 apenas uma vez, a Indy apenas uma vez, a Daytona 500 apenas uma vez e pode ter chegado apenas em segundo nas 24 Horas de Le Mans. Mas vem cá… não está bom demais? Por isso que o considero um dos pilotos mais versáteis de todos os tempos.

E a versatilidade de Andretti é uma boa explicação pelo fato dele não ter feito uma carreira tão sólida ou vitoriosa na Fórmula 1. O cara levava uma vida absolutamente estafante, fazendo corridas concomitantes na Fórmula 1, na Indy e no Mundial de Marcas. O mais legal é que, embora os títulos não viessem a rodo, seu desempenho era muito bom em todas estas categorias. O fascínio de Andretti pelo esporte a motor europeu era grande e seu sangue italiano corria forte pelas veias. Em 1970, ele realizou o sonho de muitos de seu país natal: assinou um contrato para correr com a Ferrari no Mundial de Marcas. No ano seguinte, o contrato se estendeu à equipe de Fórmula 1.

E não é que Andretti conseguiu fazer a Ferrari vencer logo em sua primeira corrida pela equipe na Fórmula 1? No GP da África do Sul de 1971, o italiano largou em quarto, foi combativo durante toda a prova e herdou a vitória de Denny Hulme faltando poucas voltas para o fim. Uma festa! Infelizmente, nas demais corridas, ele não conseguiu sequer um pódio. Cansado das más performances, ele preferiu concentrar-se apenas no Mundial de Protótipos e no USAC, abandonando a Fórmula 1 após o GP dos EUA de 1972.

Mas o carinho da Ferrari por ele não havia acabado e, dez anos depois, a equipe o convidou para fazer as duas últimas corridas da temporada. Vale lembrar que 1982 foi um ano cruel para a Ferrari, que viu Gilles Villeneuve morrer e Didier Pironi se arrebentar todo. Mario, quarentão, já aposentado da Fórmula 1 e estabelecido como piloto da Indy, aceitou e foi correr em Monza, diante dos loucos torcedores italianos. E, para delírio geral, fez a pole-position. Infelizmente, a vitória não veio. Não tem problema: onze anos depois, Mario Andretti mostrava que estrear na Ferrari era com ele mesmo.

4- ALAIN PROST E MCLAREN (1980, 1984 – 1989, 1996)

Prost em 1989

Em 1980, um francês baixinho e narigudo estreava na Fórmula 1 pela McLaren. O tal francês havia sido a sensação da Fórmula 3 européia no ano anterior e muitas equipes estavam interessadas nele, mas o sujeito preferiu assinar com a equipe de Teddy Mayer. Na época, a McLaren não era a melhor equipe do grid e estrear por lá significava poder desenvolver-se sem tanta pressão e assédio da mídia. E o tal francês não decepcionou: marcou cinco pontos em quatro etapas e conseguiu um bom contrato com a Renault para o ano seguinte.

Em 1984, cansado de bater na trave com a equipe francesa, o tal piloto narigudo retorna à McLaren. A equipe inglesa havia sofrido mudanças profundas (novos sócios, nova equipe técnica e um motor Porsche) e prometia muito. De fato, a parceria deu tão certo que o francês se consagrou como um dos maiores pilotos da história. Entre 1984 e 1989, ele obteve três títulos mundiais e venceu 30 corridas, um recorde até então para um duo piloto-equipe. Sua saída só foi motivada devido à chegada de Ayrton Senna, que fez as atenções da equipe se dividirem. O então tricampeão se considerava insultado e desrespeitado e cascou fora.

Após passar pela Ferrari e pela Williams, ganhar mais um título e se aposentar no fim de 1993, a mesma McLaren se reaproxima dele. Os tempos já não são tão frutíferos e a equipe precisa urgentemente de um piloto de ponta para se reerguer. Em 1994, o já aposentado piloto trabalha como consultor. No ano seguinte, faz alguns testes em Silverstone. No início de 1996, com Mika Hakkinen se recuperando de seu acidente em Adelaide, a McLaren escala seu ilustre funcionário para ser o possível substituto. Mas Hakkinen se recupera e a substituição se mostra desnecessária. Ao mesmo tempo, a Tom Walkinshaw surge e oferece o comando da Ligier ao ex-piloto francês. E, desta maneira, Alain Prost abandona a McLaren pela última vez.

3- GERHARD BERGER, FERRARI (1987 – 1989, 1993 – 1995) E BENETTON (1986, 1996 – 1997)

Berger na Ferrari em 1994

Um dos pilotos mais simpáticos do grid nos anos 80 e 90, Gerhard Berger é o único da lista que já teve duas passagens por mais de uma equipe. Piloto velocíssimo e um tanto quanto irregular, o austríaco era uma das atrações da Fórmula 1 em seu tempo. Se faltaram resultados, sobraram cordialidades e amizades. Sua personalidade lhe ajudou a manter uma boa relação com todas as equipes pelas quais passou e duas delas até aceitaram readmiti-lo.

Poucos se lembram disso, mas Berger já teve duas passagens pela Benetton. Em 1986, ele ainda era apenas um piloto jovem e promissor e a equipe estava apenas começando. O pacote não era tão eficiente em pistas lentas, mas voava em pistas velozes. Berger passou muito perto da vitória em Österreichring, o circuito de seu país, mas ela veio mesmo em Hermanos Rodriguez, penúltima etapa do campeonato. Após esta ótima temporada, a Ferrari se mostrou interessada em seus serviços e o contratou em novembro. Falo da Ferrari depois.

Sua segunda passagem pela Benetton aconteceu em 1996, quando ele tinha acabado de sair… da Ferrari. Berger, já velho e muito experiente, pegaria o carro que tinha acabado de ser campeão com Michael Schumacher. Infelizmente, a equipe não conseguiu manter a mesma forma. Hockenheim foi uma pista onde ele teve os melhores momentos: liderou boa parte da corrida de 1996 até o motor quebrar; no ano seguinte, fez uma pole-position histórica e venceu a corrida de ponta a ponta. Não foi uma grande passagem, mas todos ficaram com saudades.

Na Ferrari, Berger teve altos e baixos. Em 1987, sofreu com um carro insuficiente no início do ano. Mas a equipe deu a volta por cima e o austríaco conseguiu vencer as duas últimas etapas. Em 1988, assistiu impotente ao domínio da McLaren. Restou a ele vencer a única corrida que não foi engolida pela equipe de Ron Dennis, realizada justamente em Monza, casa da Ferrari.  Em 1989, sofreu o pior acidente da sua vida em Imola e abandonou outras doze corridas. Só terminou três, venceu uma delas e chegou em segundo nas outras duas. Não foi ruim, mas poderia ter sido melhor.

Seu retorno à Ferrari ocorreu em 1993 e foi até mais irregular que o primeiro. 1993 foi desastroso e apenas um pódio foi obtido. 1994 foi bem melhor, Berger venceu uma em Hockenheim e fez a pole-position em Estoril. 1995 foi mais ou menos e o máximo que foi obtido foi uma pole-position na pista molhada de Spa-Francorchamps, além de seis terceiros lugares. Apesar de todas estas tormentas, as passagens de Gerhard Berger pela Benetton e pela Ferrari foram memoráveis. Tanto para ele como para as equipes.

2- PIERLUIGI MARTINI E MINARDI (1985, 1988 – 1991, 1993 – 1995)

Martini em 1985

Uma história de fidelidade entre uma equipe pequena e um piloto não deixa de ser muito legal. A Minardi, uma das equipes mais simpáticas e obstinadas que já existiu, foi conhecida por muito tempo por abrigar o baixinho Pierluigi Martini, um desses pilotos que nós temos certeza de que conseguiria fazer muito mais se tivesse corrido em uma equipe de ponta.

A história de Pierluigi Martini na Minardi começa lá nos anos 70, quando seu tio Giancarlo competiu pela equipe Everest, um projeto do seu xará Giancarlo Minardi, na Fórmula 2 e em campeonatos menos relevantes. Em 1985, as boas recomendações do tio ajudaram a colocar Pierluigi, o campeão da Fórmula 3 européia em 1983, na Minardi, que estava estreando na Fórmula 1. A primeira temporada foi muito ruim, o carro era péssimo e o piloto cometeu vários erros. Era melhor para a Minardi investir em alguém mais experiente, e era melhor para Martini ficar lá na Fórmula 3000 um pouco para esfriar a cabeça.

Após seu ótimo desempenho na Fórmula 3000, a Minardi quis trazer Martini de volta à Fórmula 1 para correr no lugar do medíocre Adrian Campos. E logo em sua primeira corrida pela equipe, Martini conseguiu fazer o primeiro ponto de sua história. Não tinha como deixar ir um cara desses ir embora. E Pierluigi permaneceu na equipe até o fim de 1991. Nesse período, marcou 12 pontos, liderou a única volta da história da equipe (40ª volta do GP de Portugal de 1989) e conseguiu uma sensacional primeira fila no GP dos EUA de 1990. Martini sabia que era um puta piloto. Para 1992, achou melhor ir para a Dallara, que parecia ter mais potencial.

Mas a idéia deu errado e, em 1993, Martini se viu sem carro para iniciar o campeonato. Para sua sorte, Fabrizio Barbazza não tinha dinheiro para fazer um ano completo e acabou deixando a Fórmula 1 antes do GP da Inglaterra. Em seu lugar, veio Pierluigi Martini. E não é que tudo isso aconteceu na Minardi? Martini ficou por lá até o fim do ano e correu também em 1994 e em 1995. Os tempos eram outros e, mais pobre, a Minardi não conseguia fazer carros sequer razoáveis. Pierluigi ainda fez muito ao marcar quatro pontos em 1994, mas não começou bem o ano de 1995 e acabou saindo após o GP da Alemanha. Se sua vida na Minardi terminava ali, não havia motivo para prosseguir na Fórmula 1.

1- PIERCARLO GHINZANI E OSELLA (1981, 1983 – 1985, 1986, 1989)

Ghinzani em 1984

Moda nesta seção é colocar em primeiro lugar um cara que nunca foi primeiro lugar nem em fila de posto de saúde. Mas este merece o primeiro lugar de hoje e muito. Não me lembro de um piloto que teve quatro passagens em uma equipe. Isso mesmo, quatro! E este é Piercarlo Ghinzani, piloto italiano que passou o sufoco de ter de correr pela miserável Osella em quatro ocasiões. Se Minardi é Martini, Osella é Ghinzani.

A estréia de Ghinzani na Osella aconteceu no GP da Bélgica de 1981. Naquela ocasião, Enzo Osella precisava substituir Miguel Angel Guerra, lesionado. Inicialmente, tentou Giorgio Francia, mas este teve problemas com sua superlicença e não pôde correr. Restou a Enzo optar por Ghinzani, um piloto experiente da Fórmula 2 e do Mundial de Protótipos. O carro não prestava e Piercarlo só conseguiu largar em uma das duas corridas que fez pela equipe.

Em 1983, ele foi chamado para fazer uma temporada completa pela equipe italiana. A Osella começaria o ano com motores Ford, mas mudaria no meio da temporada para os Alfa Romeo. O que não mudou foi a falta absoluta de resultados: oito não-qualificações, seis abandonos e apenas uma corrida, a da Áustria, terminada. A situação melhorou um pouco em 1984, e Ghinzani até marcou dois pontos em Dallas, um milagre. Em 1985, Enzo Osella até admitiu que Piercarlo Ghinzani só estava na equipe porque não havia ninguém disposto a pagar para correr lá. Tudo indicava que a carreira dele estacionaria lá, mas eis que a Toleman o convida para fazer as últimas corridas da temporada pela equipe. A diferença entre os carros é gritante, mas mesmo assim Ghinzani não consegue fazer nada e é obrigado a retornar à Osella em 1986.

Por incrível que pareça, o carro ainda é o mesmo de 1984. Os resultados, porém, remetem a 1983 e Ghinzani só termina uma corrida, novamente a da Áustria. Em 1987 e 1988, o italiano deu um salto de qualidade ao competir na decadente Ligier e na Zakspeed. Sem resultados, velho e sem um grande patrocinador, restava a Piercarlo Ghinzani retornar à Osella pela terceira vez, em 1989. Por incrível que pareça, o Osella FA1M89 daquele ano não era um carro tão ruim. O triste da situação é que havia outros 38 adversários e ele foi obrigado a passar pela temida pré-classificação. Ainda assim, ele conseguiu largar em três corridas e não terminou nenhuma delas. Seu último fim de semana na Fórmula 1, em Adelaide, até foi comovente. Após conseguir se classificar para a corrida, Ghinzani fez uma enorme festa nos boxes da Osella. Infelizmente, sua corrida acabou após um perigoso acidente com Nelson Piquet na pista encharcada. Só podia ter terminado assim a passagem dele pela combalida equipe carcamana.

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