Um três e dois zeros, são estes os algarismos necessários para contabilizar o número de aparições do queixudo heptacampeão Michael Schumacher na Fórmula 1. Neste próximo Grande Prêmio da Bélgica, o alemão de avançados 43 anos fará seu GP de número 300 na categoria. Você pode ser chato e dizer que ele não largou em duas corridas, a da França em 1996 e a da Inglaterra em 1999. Mas eu prefiro utilizar a contagem do número de eventos nos quais ele esteve inscrito e entrou na pista. Deu 300.

Schumacher é certamente o piloto mais importante da Fórmula 1 desde 1994, ano em que Ayrton Senna morreu. De lá para cá, o piloto ganhou quase uma centena de corridas, marcou mais de sessenta poles e levou para casa sete troféus de campeão do mundo. Fez poucos amigos, vários inimigos e atraiu o desprezo de muitos espectadores da categoria, principalmente alguns fãs mais inconvenientes do próprio Senna. Algumas atitudes pouco louváveis que Michael tomou na carreira certamente fomentaram o ódio.

Eu, pouco patriota, sempre preferi Schumacher a Senna. Gostava da dominância que ele impunha ao resto dos pilotos, das estratégias impecáveis, do arrojo empregado apenas quando necessário, dos shows em pista molhada, do hino italiano que ele fazia questão de reger no pódio, do quanto ele irritava os demais. E não consigo achar que um cara que ganha sete títulos mundiais e noventa e tantas corridas não seja bom pacas. Ah, ele é, sim. Os sennistas podem mandar as pedradas.

O Top Cinq de hoje apresentará cinco corridas feitas por Schumacher em sua carreira. Mas não são cinco corridas quaisquer. Como sua carreira teve, até aqui, 300 GPs, achei razoável dividir este número por cinco e pegar uma prova de cada época. O primeiro GP, aquele com a Jordan, obviamente está aqui. Depois, fui somando 60 e chegando às corridas abaixo. Confira aí:

5- GP Nº 1 (GP DA BÉLGICA DE 1991)

A estreia de Michael Schumacher já é bem conhecida por todos. Não vou ficar entrando em detalhes já conhecidos daquele GP, como a beleza do Jordan 191 ou a surpresa que seu sétimo lugar no grid causou. Uso este espaço para contar detalhes que não são tão conhecidos acerca da estreia do cara.

Todos vocês sabem que Schumacher assumiu o lugar de Bertrand Gachot, preso por ter espirrado gás de pimenta na cara de um taxista folgado lá em Londres. O alemão foi chamado para fazer um teste no traçado South do autódromo de Silverstone e andou tão rápido em tão pouco tempo que Ian Philips e Trevor Foster, duas cabeças pensantes da Jordan, pediram para que ele aliviasse um pouco, pois o motor daquele carro seria utilizado em Spa-Francorchamps. Michael só foi confirmado como substituto de Gachot na quarta-feira anterior à corrida.

Schumacher foi uma escolha improvável, a bem da verdade. A Jordan tinha um terceiro piloto rápido e experiente, Stefan Johansson. A ala mais conservadora da equipe irlandesa queria ver o sueco pilotando o carro verde nº 32, mas os 237 mil dólares que a Mercedes depositou nos cofres falaram mais alto. Outros pilotos foram considerados para vaga, como Bernd Schneider (o lobby de Bernie Ecclestone para ele era muito grande, pois o velho asquenaze achava que este seria o piloto alemão do futuro) e até mesmo Keke Rosberg, que vinha paquerando a Fórmula 1 desde 1989.

Mas o alemão acabou sendo escolhido e um magnífico capítulo da história do automobilismo teve início naquele fim de semana nublado de Spa. O alemão não conhecia nada daquela pista belga. Umas voltas num carro de rua com o companheiro Andrea de Cesaris e outras de bicicleta o ajudaram a guardar na cabeça os lendários trechos daquele traçado traiçoeiro e velocíssimo.

Como Schumacher foi meio que chamado às pressas, a Jordan não havia sequer reservado um hotel para ele passar a noite com as prostitutas belgas. Então, ele e seu empresário Willy Weber tiveram de alugar um quartinho na periferia da cidade de Spa. Quartinho, na verdade, é um pleonasmo: tratava-se de um muquifo, um lugar que certamente guardava algum parentesco arquitetônico com Bangu I. A quem quiser saber, o custo da diária naquele inferninho era de exatos US$ 7,90.

A sexta-feira serviu apenas para Schumacher aprender um pouco o que é Fórmula 1. Nas primeiras passagens pela Eau Rouge, ele literalmente repousava o pé sobre o freio e também não se atrevia a usar a sexta marcha. Conforme ganhava experiência e confiança, passou a usar a sexta marcha e recorria cada vez mais ao acelerador. Na primeira qualificação, Michael tentou usar dois jogos de pneus especiais. O primeiro ficou inutilizado após a bandeira vermelha ter sido acionada devido ao acidente de Eric van de Poele. O segundo foi desperdiçado por uma barbeiragem de, acredite, Alain Prost, que freou forte demais à frente do alemão e atrapalhou sua volta rápida.

Mesmo assim, Schumacher fechou a sexta-feira na oitava posição. No sábado, com a pista limpa, ele baixou sua melhor volta em dois segundos e emplacou um excepcional sétimo lugar no grid, quatro posições à frente do companheiro De Cesaris. O italiano ficou simplesmente deprimido com a diferença entre os dois. “Eu sei que não pilotei bem, mas um segundo e meio de diferença? Isso é impossível!”, bradou um choroso Andrea.

A corrida acabou logo após a primeira passagem pela Raidillon. A embreagem foi para o saco. E aí dá para contar outra história. Schumacher havia largado com a peça estragada. No warm-up, o carro já vinha apresentando problemas. O alemão contou a Eddie Jordan que estava tendo dificuldades para mudar de marcha e que seria bom trocar a maldita embreagem. Eddie recusou, alegando que não tinha dinheiro para tamanho luxo. Graças ao pão-durismo do irlandês, a estreia de Schumacher durou menos do que ejaculação precoce.

4- GP Nº 61 (GP DA ALEMANHA DE 1995)

Verdade seja dita, Hockenheim nunca foi lá um circuito de grandes resultados para Michael Schumacher. OK, é estranho fazer tal observação sabendo que o queixudo ganhou cinco vezes por lá nas categorias menores e quatro vezes na Fórmula 1. Ainda assim, perto de lugares como Magny-Cours, Montreal e Spa-Francorchamps, fica claro que a vida do alemão no circuito da floresta nunca foi aquela que ele esperava.

Na versão antiga, então, os registros são ainda mais infelizes. Em seus dias de Fórmula 1, Schumacher só venceu naquele lendário traçado que emulava um oval uma única vez, na brilhante temporada de 1995. Michael pilotava um B195, talvez o melhor carro produzido pela Benetton. O problema é que ele ainda não era mais veloz do que o FW17 da Williams. Ambos usavam motor Renault, mas o chassi projetado por um tal de Adrian Newey fazia toda a diferença.

Schumacher começou mal o fim de semana de Hockenheim. Teve problemas com câmbio na sexta-feira e ficou atrás dos dois carros da Williams na primeira qualificação. No sábado, as circunstâncias lhe foram mais favoráveis e Schumacher baixou seu tempo em 1s1, assumindo a pole provisória. Ele só não contava com a espetacular volta de Damon Hill no final do treino, que baixou sua marca em apenas oito centésimos. Hill vinha sendo a grande atração dos sábados. E uma figura digna de dó nos domingos.

O filho de Graham Hill largou bem e manteve a liderança, mas só por uma única volta. No início da segunda volta, logo na primeira curva, seu Williams escorregou de traseira devido a um problema não identificado e encheu a barreira de pneus em alta velocidade. Fim de prova para um constrangido Hill, que desceu do carro e ainda teve de aturar a zoeira de uma miríade de alemães bêbados nas arquibancadas.

Schumacher herdou a liderança e só deixou de ocupá-la quando fez seu primeiro pit-stop. Ele ainda faria mais um, mas não chegou a perder a primeira posição. Ao fim de 45 voltas, ele recebeu a bandeirada de chegada quase seis segundos à frente de David Coulthard. A festa foi tão grande que os alemães invadiram a pista e um deles lhe entregou uma bandeira da Alemanha. Uma boa surpresa para você que achava que só os brasileiros faziam isso.

3- GP Nº 121 (GP DE SAN MARINO DE 1999)

A temporada de 1999 foi uma das mais difíceis da vida de Michael Schumacher. Não digo isso apenas por causa de seu acidente em Silverstone, até porque ele havia chegado ao circuito inglês tomando enorme sufoco do limitado companheiro Eddie Irvine. O alemão teve um ano razoavelmente azarado, um tanto quanto desastrado e os domingos felizes foram minoritários. O do GP de San Marino foi um deles.

A Ferrari não alimentava grandes expectativas para a prova de Imola, pois ela não vencia por lá desde 1983. Além disso, o F399 era um carro bem menos veloz do que o impecável McLaren MP4/14, projetado por (adivinhe) Adrian Newey. Se quisesse reverter aquele que poderia ser mais um domingo chocho para a nação ferrarista, Schumacher só poderia contar com os infortúnios dos pilotos da concorrência. Mika Häkkinen teve um ano tão errático quando infeliz e David Coulthard estava em uma de suas fases mais apagadas na carreira.

Nos treinos, o alemão fez aquilo que se esperava dele: sacramentou o terceiro lugar no grid, atrás dos dois pilotos da McLaren. Se nada acontecesse de errado lá no território prata, Häkkinen e Coulthard desfilariam rumo a uma dobradinha humilhante no país da Ferrari. Mas os deuses italianos sabem como estragar o dia da McLaren. Häkkinen disparou na ponta e liderou facilmente até a volta 17, quando errou de maneira amadora na entrada da reta dos boxes e arrebentou o seu belo carro no muro.

Coulthard assumiu a liderança e Schumacher veio logo atrás. Ambos tinham previsto uma estratégia de apenas um pit-stop. Mas por que não tentar algo diferente? Este foi o pensamento de Ross Brawn, um dos medalhões da Ferrari naqueles dias. Brawn decidiu fazer Schumacher parar uma vez mais. Seria colocado menos combustível em seu carro na primeira parada, Michael assumiria a liderança, aceleraria o máximo possível no segundo stint, faria o segundo pit-stop e retornaria na ponta.

Bom aluno, Schumacher cumpriu o que se esperava dele. Pisou o máximo que dava no acelerador e conseguiu tomar a liderança das mãos de Coulthard no segundo pit-stop. Venceu a corrida com apenas 4,2 segundos de vantagem. 90 mil enlouquecidos fãs avermelhados choraram o fim do jejum da Ferrari em Imola. Cinco anos após a morte de Ayrton Senna, as lágrimas que escorreram dos rostos nas arquibancadas tinham um fundo incomparavelmente mais alegre.

2- GP Nº 181 (GP DA MALÁSIA DE 2003)

Mas nem toda corrida deste Top Cinq teve um final feliz. Esta corrida aqui, na verdade, foi decepcionante pacas. Muitos ficaram felizes, pois parecia ser o início de uma nova era, em que Michael Schumacher não seria mais o piloto dominante. Após um GP da Austrália complicado, o alemão buscava se redimir em Sepang. Ele utilizava um F2002 do ano anterior, que parecia ser o suficiente numa Fórmula 1 onde apenas a Ferrari parecia ter alguma competência.

Mas a categoria havia mudado em 2003. McLaren, Williams e até mesmo a Renault azul-calcinha e amarelo chegaram chegando. Schumacher teria de ralar muito e ainda contar com a sorte para vencer aquela corrida malaia. No treino oficial, ele fez tudo certo e deixou todo mundo para trás. Todo mundo menos a Renault, devo ressaltar. O então surpreendente Fernando Alonso marcou sua primeira pole-position na Fórmula 1 e o companheiro Jarno Trulli veio de brinde na segunda posição.

Schumacher ficou nervoso por ter perdido a primeira fila. E Schumacher nervoso não é exatamente aquele que ganhou uma baciada de títulos. Ele decidiu desligar o cérebro e partir para o tudo ou nada. Resultou em nada, é claro. Logo naquela primeira curva torta, Michael atropelou o Renault do sempre aziago Jarno Trulli e mandou o italiano para escanteio. O bico de sua Ferrari foi para o espaço e Michael teve de entrar nos boxes para trocá-lo.

Como se não bastasse, a organização corretamente anunciou uma punição de passagem pelos pits, que Schumacher cumpriu na nona volta. E aí? O que fazer estando 1m20s atrás do líder e mais de 30s atrás do piloto imediatamente à frente? Talvez tentar se divertir um pouco.

Acostumado a largar na frente e ganhar, Schumacher teve um domingo diferente no parque. Ultrapassou vários adversários, parou, perdeu posições, voltou a ultrapassar os caras, parou de novo, voltou em sétimo, deixou Jenson Button comendo poeira na última volta e finalizou em sexto. Para quem bebia champanhe o tempo todo, um desagradável dia de abstinência. Outros viriam naquele ano.

1- GP Nº 241 (GP DO CANADÁ DE 2006)

Curiosamente, o primeiro colocado deste Top Cinq é talvez o mais GP sem-graça de toda esta lista. Michael Schumacher foi o vencedor? Não. Sua atuação na corrida foi memorável? Também não. A corrida, ao menos, foi divertida? Não sei, não consigo me lembrar. Se bem que o próprio fato dela ter sido esquecida facilmente já é um bom indicativo da diversão que ela deve ter proporcionado.

Aquela temporada foi a última de Schumacher na Ferrari. Ele já tinha tido um 2005 pra lá de irritante com o precário F2005 e não faria bem para ele passar mais um ano longe das vitórias. Para sua enorme alegria, a Ferrari não esculachou na construção do 248 F1. Quem achava que Fernando Alonso ganharia seu segundo título tranquilamente se enganou. Ele até levou o caneco, mas teve de roer muita unha para isso.

A grande fase de Alonso no campeonato ocorreu entre os GPs da Espanha e do Canadá, quando o espanhol emplacou quatro vitórias seguidas. A última foi a de Montreal, corrida em que Schumacher terminou em segundo. Como foi aquele 25 de junho de 2006 parar o alemão?

Schumacher passou a sexta-feira e o sábado reclamando da crônica falta de aderência de seu veículo vermelho no apertado circuito de Montreal. No treino classificatório, Michael não passou do quinto lugar, ficando atrás até mesmo dos italianos Giancarlo Fisichella e Jarno Trulli.

O domingo não foi muito melhor. Nem largar bem o alemão conseguiu: Schumacher fechou a primeira volta em sétimo, atrás até mesmo do decadente Juan Pablo Montoya e do então desastrado Nico Rosberg. O acidente entre estes dois na segunda volta fez Michael subir para quinto, mas não deu para ganhar muito mais posições num primeiro instante. Quem estava logo à sua frente era justamente Jarno Trulli, talvez o cara mais encardido para se ultrapassar que havia na Fórmula 1 dos últimos anos.

Schumacher passou uns anos atrás do italiano da Toyota. A pista só ficou livre para ele de novo quanto Trulli entrou nos boxes. Nessa altura, Michael assumiu a terceira posição. Ele permaneceu por lá após sua primeira parada, realizada muito depois da concorrência. Muita gente achava que Schumacher só faria um pit-stop, assumiria a ponta e deixaria todo mundo coçando a testa. Mas isso não aconteceu. Não havia combustível e pneus para isso. O piloto da Ferrari entrou nos boxes para seu segundo pit-stop na volta 57.

Tudo indicava que Schumacher terminaria na terceira posição, mas um erro de Kimi Räikkönen nas últimas voltas permitiu que o alemão assumisse a segunda posição. Para alguém que fechou o primeiro giro em sétimo, um resultado brilhante. Que não valia muita coisa quando o vencedor da corrida era Alonso, que parecia rumar para um bicampeonato facílimo.

Ainda bem que esta corrida de Montreal foi a última realmente fácil do espanhol. A partir da etapa seguinte, Schumacher voltaria à sua velha forma de sujeito que aterrorizava os outros pilotos.

FERRARI8 – O mérito da equipe é contar com um piloto como Fernando Alonso. Somente alguém da categoria do espanhol poderia fazer uma corrida tão sensacional, partindo da oitava posição rumo à vitória e à liderança no campeonato. Largou bem, ultrapassou, empregou uma ótima estratégia e ainda conseguiu se livrar das investidas de Sergio Pérez. Vale dizer também que o trabalho nos boxes, ao contrário do que vinha sendo a regra, foi muito bom. Mas as coisas boas acabam aí. O carro continua indecente nos treinos. E Felipe Massa dispensa comentários. A Autosprint pode ser até meio grosseira, mas não falta com a verdade.

SAUBER9,5 – Desconsiderando os dias de BMW Sauber, nunca a equipe suíça esteve tão perto da vitória. E olha que ela está presente na Fórmula 1 desde 1993. Neste último domingo, Sergio Pérez provou que o carro é bom, a equipe é competente e a peça que vai entre o banco e o volante é da melhor qualidade. O mexicano largou em nono, parou antes de todo mundo para colocar pneus para chuva e arrematou um monte de posições. Depois da bandeira vermelha, seu carro se comportou muitíssimo bem tanto com pneus intermediários como com pneus slick. Pérez só não venceu por um erro estúpido, mas ainda conseguiu assegurar o melhor resultado da história da Sauber. Kamui Kobayashi ficou atrás o tempo todo e ainda teve problemas no câmbio. Dessa vez, o japa ficou à margem dos holofotes.

MCLAREN8,5 – Tinha o melhor carro do fim de semana com sobras e poderia ter feito uma tranqüila dobradinha. Mas acabou sucumbindo às doideiras da corrida e foi obrigada a se satisfazer com apenas um terceiro lugar de Lewis Hamilton. Não fosse alguns problemas em dois pit-stops e uma sorte maior de Alonso e Pérez, o campeão de 2008 não teria dificuldades para ter se sagrado o vencedor. Jenson Button também poderia ter ganhado, mas bateu em Narain Karthikeyan e afastou-se das primeiras posições. Foi apenas um grande prêmio de exceção. Hamilton e Button ainda são os caras desta temporada.

RED BULL6 – Mesmo em uma corrida que favorecia os menos favorecidos, não aproveitou a chance para obter um resultado melhor. Sebastian Vettel largou atrás de Mark Webber novamente e desperdiçou um quarto lugar sossegado enquanto colocava uma volta no coitado do Narain Karthikeyan. Terminou fora da zona de pontuação, desobedeceu a uma ordem da equipe e ainda chamou o piloto indiano de idiota ou algo assim. Um estado de espírito bem diferente daquele do ano passado, onde só havia vitórias, sorrisos e bajulação. Webber, ao menos, herdou a quarta posição e ficou por lá. Colocou pneus para pista seca antes dos três primeiros colocados e tentou um último pulo do gato, mas não conseguiu nada.

LOTUS7 – Nestas duas primeiras corridas, cumpriu um ritual até certo ponto desagradável: felicidades com Romain Grosjean apenas no sábado e com Kimi Räikkönen apenas no domingo. O franco-suíço largou da sexta posição e ganhou posições na primeira curva, mas afobou-se e bateu em Michael Schumacher. Poucas voltas depois, rodou sozinho e abandonou. Kimi teve de largar em décimo por causa de uma troca de caixa de câmbio, mas fez uma corrida silenciosamente excepcional e finalizou em quinto. Vem se notabilizando pelo oportunismo nestes primeiros momentos. O carro ainda não teve seu real potencial explorado.

WILLIAMS6,5 – É outra equipe que parece ter um carro melhor do que o que os resultados sugerem. Pelo menos, o então desprezado Bruno Senna conseguiu fazer a corrida de sua vida até aqui e finalizou em um ótimo sexto lugar. Mesmo perdendo muito tempo no começo, o brasileiro ultrapassou bastante gente e aproveitou-se da boa estratégia e do ótimo comportamento do FW34 para levar os oito pontos. Pastor Maldonado cometeu suas burradas de sempre, mas também demonstrou velocidade e fez uma corrida de recuperação boa o suficiente para um décimo lugar. Um motor Renault envolto em fumaça na última volta não estava nos planos. Somente com a pontuação de Bruno Senna na Malásia, a Williams já superou o resultado do ano passado inteiro.

FORCE INDIA7 – Mesmo em uma corrida tão sui generis, é intrigante o fato da Force India ter sido a única equipe a ter marcado pontos com os dois carros. Assim como Lotus e Williams, o potencial do bólido indiano ainda não é muito claro, mas aparenta ser inferior ao do ano passado. Paul di Resta e Nico Hülkenberg tiveram dificuldades nos treinos e ficaram estagnados no meio do grid. Na corrida, sabe-se lá como, os dois avançaram várias posições e terminaram em sétimo e nono. A escuderia precisa de uma corrida normal para chegar a alguma conclusão mais certeira.

TORO ROSSO6,5 – Resultados diametralmente opostos. Jean-Eric Vergne foi um dos destaques da corrida e marcou seus primeiros pontos na Fórmula 1. Poderia ter ido até melhor, pois foi o único maluco a seguir com pneus intermediários até a bandeira vermelha. Se não houvesse a obrigação de relargar com pneus para chuva forte, o francês teria economizado uma parada e poderia até mesmo ter assumido a liderança da prova. Mas o oitavo lugar já está de bom tamanho. Daniel Ricciardo não apareceu em momento algum e terminou fora da zona de pontuação. E a equipe é aquilo lá mesmo: uma sólida competidora do meio do pelotão.

MERCEDES2,5 – Ser a última das que pontuaram é uma tremenda vergonha para uma equipe que se diz grande. Michael Schumacher fez exatamente a mesma coisa que na Austrália: foi muito bem no treino oficial e se deu mal na corrida por causa de forças externas. Dessa vez, Romain Grosjean foi o culpado. Já Nico Rosberg terminou fora da zona de pontuação pela segunda vez seguida. O W03 continua sendo um cruel algoz dos pneus, levando os dois pilotos à aguda perda de rendimento no final. Difícil enxergar um bom futuro se algumas coisas não forem mudadas.

CATERHAM4 – Conseguiu terminar a prova com os dois carros, algo inédito neste início de temporada. De forma até surpreendente, Vitaly Petrov foi o líder da equipe no fim de semana, tendo largado e terminado à frente. Não podemos nos esquecer da punição que Heikki Kovalainen sofreu por causa de uma irregularidade em Melbourne, mas o fato é que o finlandês não fez mais do que ultrapassar os carros da Marussia e da HRT. O desempenho continua o mesmo dos dois anos anteriores: muito melhor que o das demais nanicas e muito pior do que o das equipes estabelecidas. Tédio.

MARUSSIA4,5 – Por que a nota maior em relação à Caterham? Confesso que fiquei impressionado com Timo Glock conseguindo finalizar à frente de Heikki Kovalainen mesmo com um carro, no mínimo, um segundo mais lento. Também me chamou a atenção o estreante Charles Pic, que chegou a andar em oitavo durante alguns micronésimos. Ambos chegaram ao final e a equipe russa é a única das pequenas que conseguiu completar as duas corridas com os dois carros, algo notável para quem era a menos confiável das novatas em 2010. E o carro é bonito demais quando visto de frente.

HRT4,5 – Chorem, corneteiros. A HRT conseguiu largar com os dois carros. E terminou com os dois. Veio contra tudo e contra todos, superou o ceticismo deste que escreve, e conseguiu sobreviver ao sábado e ao domingo. Melhor ainda, Pedro de la Rosa e Narain Karthikeyan conseguiram andar na zona de pontuação durante alguns instantes no início da corrida, fato inédito para a combalida escuderia espanhola. O indiano apareceu quando seu carro foi judiado por Jenson Button e Sebastian Vettel. Em ambos os incidentes, não teve culpa, embora o alemãozinho chorão tenha esperneado. Que as coisas melhorem daqui para frente. HRT campeã em 2013, eu acredito.

TRANSMISSÃOZORRA TOTAL – Nada como uma transmissão de quase três horas para pegar um monte de pérolas e comentários bizarros numa tarrafada só. Nesta madrugada, provavelmente almejando homenagear o falecido humorista Chico Anysio, o narrador brasileiro abusou do humor. Tudo era humor. Piada. Sarro. Um verdadeiro comediante stand-up, só que sentado e de pijamas. Sacaneou o repórter em duas ocasiões, contou uma história absurda envolvendo Luciano Huck e Peter Sauber em uma festa e, no momento mais engraçado do show, afirmou que a Stock Car Brasil tem o nível de pilotos mais alto do planeta. Em seu quadro “Proteste Já”, reclamou de Romain Grosjean e disse que sua batata estava assando na Lotus. Um gênio na arte do rir. E os velhos clichês não foram deixados de lado: a velha história do Mauricio Gugelmin na chuva, a participação de Keke Rosberg e FeRRRRRRRRnando Alonso estiveram lá para agradar a platéia. Quem precisa de Pânico e CQC quando se tem Fórmula 1 de madrugada?

CORRIDAZORRA TOTAL – Cansei de falar nos dias anteriores: Sepang é uma grande pista. Talvez uma das melhores do calendário. Lamentaria profundamente se este circuito fosse retirado do calendário. A prova deste domingo serve como álibi desta opinião. Só é de mandar todo mundo pro quinto dos infernos esse negócio de iniciar a corrida às cinco da tarde do horário local, algo em torno das três da manhã aqui, inaceitável para os filhos de Deus que só têm o fim de semana para dormir um pouco mais. Pior ainda foi a interrupção de 51 minutos por causa da chuva. A FIA precisa regulamentar melhor esse negócio de corrida sob temporal, pois fãs e emissoras de TV não podem continuar torrando tempo por nada. Fora isso, a prova foi excelente, com várias brigas e disputas. Mas a perseguição de Sergio Pérez a Fernando Alonso foi algo especial, de entrar para a história da categoria. Valeu a pena esperar por quase uma hora e jogar fora uma noite de sono.

GP2NÃO TEVE ZORRA – Primeiro fim de semana duplo da GP2 em 2012. Extrapolando meu ínfimo lado pacheco, foi uma rodada legal pra caramba para os torcedores brasileiros. Quem poderia imaginar que o baiano Luiz Razia, em sua quarta temporada e pilotando por uma equipe apenas média, largaria da primeira fila e ganharia com tanta facilidade a etapa de sábado? Na segunda corrida, ele deu um show ao induzir adversários ao erro (Stefano Coletti) e ao fazer ultrapassagens fenomenais (Fabio Leimer) para conseguir terminar em quinto e sair da Malásia com a liderança do campeonato. O outro brasileiro, Felipe Nasr, também foi muitíssimo bem. Na primeira corrida, terminou em sexto e não tomou o quinto lugar de Coletti por pouco. Na segunda corrida, sobreviveu bem à pressão do mesmo Coletti no início da corrida (coitado do monegasco) e rumou a um excelente terceiro lugar. Não me lembro de um fim de semana tão positivo assim para os brasileiros. Que continue assim, pois. Destaque também para o inglês James Calado, que foi bem pra caramba na primeira corrida e venceu a segunda, para deleite da Lotus GP e desespero do companheiro Esteban Gutierrez, de quem se esperava mais. Grande fim de semana de uma categoria que, apesar da presença de muito piloto picareta, promete.

FERNANDO ALONSO10 – Quem poderia imaginar que este filho da mãe deste espanhol rabudo ganharia o GP da Malásia com um carro tão ruim? Mas ganhou e ainda assumiu a liderança do campeonato, para deleite dos ferraristas mais pessimistas. Nem ele deve ter acreditado no resultado final, ainda mais após ter partido da oitava posição. Mas largou muito bem e enfiou seu carro na quinta posição antes da bandeira vermelha. Na relargada, foi aos boxes e ganhou todas as posições à sua frente sem esforço. Dali para frente, teve de segurar um Sergio Pérez em estado de graça e conseguiu impedir as ameaças do mexicano. Cruzou a linha de chegada em primeiro e me deu mais um motivo para acreditar que é o melhor piloto do grid atualmente.

SERGIO PÉREZ10 – Como é bom ver um piloto ainda novato levando um carro apenas mediano a uma posição tão boa. Com o resultado de ontem, o jovem Pérez pode ter garantido até mesmo uma vaga na Ferrari no ano que vem. Já começou o fim de semana muito bem ao ir para o Q3 da classificação e deixar o companheiro Kamui Kobayashi lá para trás. No começo da corrida, foi muito mais esperto que o resto ao colocar pneus para chuva forte e voltar para a pista muito mais rápido que qualquer outro, assumindo a terceira posição antes da bandeira vermelha. Na relargada, ainda conseguiu subir para segundo após os pit-stops. A partir dali, deu show ao pressionar Alonso tanto com pneus intermediários como com pneus slick. Poderia ter vencido, mas errou no final e teve de se contentar com a segunda posição. Contentar? O mexicano dificilmente terá um fim de semana mais feliz do que este.

LEWIS HAMILTON8 – Em tese, fracassar ao tentar converter uma pole-position em vitória pela segunda vez consecutiva deveria ser uma boa razão para dar uma nota bem menor. Mas não vejo justiça em fazê-lo, considerando a loucura que foi esta corrida. Ele poderia ter vencido a corrida sem maiores problemas, mas foi bastante prejudicado no segundo pit-stop e acabou perdendo a liderança para Fernando Alonso. No último pit-stop, também perdeu um pouco mais tempo. E ainda não contava com o desempenho inacreditável de Alonso e Sergio Pérez. Apesar de tudo, o terceiro lugar não lhe caiu mal.

MARK WEBBER7,5 – Não apareceu muito, mas obteve um resultado bastante razoável. Bateu Sebastian Vettel pela segunda vez consecutiva em treinos oficiais e apareceu muito bem nas primeiras voltas, mas sua participação perdeu bastante brilho após a relargada. Tomou ultrapassagens de Vettel e Fernando Alonso, mas conseguiu fazer uma sobre Rosberg. No final da prova, foi o primeiro dos ponteiros a apostar em pneus pra pista seca, mas não conseguiu mudar muito sua fortuna. De qualquer jeito, foi o único piloto da Red Bull a ter algum motivo para ficar satisfeito.

KIMI RÄIKKÖNEN7 – Não foi mal, mas deu a impressão de ter obtido a quinta posição mais pelo acaso do que por demonstração de talento. Largou atrás de Romain Grosjean novamente, mas graças a uma penalização por troca de câmbio. No primeiro pit-stop, perdeu bastante tempo e várias posições. Conseguiu recuperá-las logo após a relargada, quando foi um dos primeiros a apostar em pneus intermediários. Na verdade, ele até abocanhou alguns carros a mais e estabilizou-se em quinto. Fez sua 975ª volta mais rápida na vida.

BRUNO SENNA9 – Brilhante atuação, talvez a melhor de um piloto brasileiro nos últimos anos. Seu resultado apenas mediano nos treinos e seu azarado início foram compensados por um espetacular desenrolar de corrida. Na primeira volta, largou mal de novo, bateu no companheiro de equipe e teve de ir aos boxes na primeira volta. As coisas começaram a melhorar na relargada, quando Bruno foi um dos primeiros a colocar pneus intermediários. Decisão acertadíssima e ele pôde ultrapassar muitos que estavam à sua frente. No final, ainda foi um dos primeiros a colocar pneus slick. Sexta posição altamente merecida. Lá de cima, o tio gostou.

PAUL DI RESTA6,5 – Obteve um ótimo resultado, mas não sei como. Parece padecer de certa falta de ritmo em treinos – problema compartilhado com o companheiro Nico Hülkenberg neste fim de semana. Na corrida, entretanto, as coisas melhoram. No início, o primo de Dario Franchitti foi tocado por trás por Pastor Maldonado e perdeu algumas posições. Após a bandeira vermelha, ele colocou pneus intermediários e se deu bem, ganhando algumas posições. Não fez muito mais coisa, mas salvou pontos importantes.

JEAN-ERIC VERGNE7,5 – Foi um doido ao tentar insistir em correr com pneus intermediários naquelas voltas diluvianas que precederam a bandeira vermelha, mas acabou premiado pela ousadia. Muito mal no treino oficial, o francês preferiu partir para uma estratégia arriscada para recuperar posições. Conseguiu e se garantiu na décima posição após a segunda rodada de paradas. Com a queda brusca de desempenho de Felipe Massa e Nico Rosberg, deu para subir para a oitava posição. Primeiros pontos na Fórmula 1.

NICO HÜLKENBERG5,5 – Não foi bem nos treinos e não brilhou na corrida, mas salvou seus primeiros pontos no ano. Conservador, adotou estratégias parecidas com a de Paul di Resta, esteve à frente dele durante o safety-car, mas não conseguiu superá-lo no final. Após o segundo pit-stop, ainda ficou atrás de Jean-Eric Vergne. Nono lugar honesto, mas discreto.

MICHAEL SCHUMACHER7 – Está muito azarado, caramba. Foi um dos grandes destaques do treino oficial ao assinalar a terceira posição no grid, mas foi atingido por Romain Grosjean nas primeiras curvas e caiu para o meio do pelotão. Sem apostar em estratégias muito diferenciadas e sem ter um carro excepcional em uma pista que secava gradativamente, não deu para se recuperar muito. Mesmo assim, herdou um pontinho na última volta e saiu na frente na lamentável briga interna da Mercedes.

SEBASTIAN VETTEL3 – Fim de semana horrível como não era visto havia muito tempo. Teve dificuldades para ir para o Q3 do treino oficial e levou de Mark Webber pelo segundo GP consecutivo. Na corrida, pareceu vir melhor e pulou para as primeiras posições. Após a bandeira vermelha, parou nos boxes e tentou ganhar posições na parada, mas não conseguiu. Com o DRS, conseguiu passar Rosberg, assumindo a quarta posição. Vinha para terminar nesta posição, mas cometeu um erro idiota e bateu no HRT de Narain Karthikeyan, arrebentando o pneu traseiro esquerdo. Na última volta, foi lhe pedido para que abandonasse a corrida, mas um problema de rádio impediu que a ordem fosse cumprida. Terminar a corrida fora dos pontos não é o que costuma fazer um bicampeão mundial feliz.

DANIEL RICCIARDO3 – Não teve um fim de semana fácil. No treino oficial, superou Vergne, mas não deve ter ficado muito feliz com o 15º lugar. Na corrida, perdeu tempo na primeira volta e caiu para 17º. Não conseguiu subir para as dez primeiras posições em momento algum, mesmo tendo sido o primeiro a apostar em pneus slick no final da corrida, o que lhe rendeu a volta mais rápida da prova por alguns momentos. Ter feito quatro pit-stops definitivamente não ajudou. O problema maior é ter saído da prova atrás de Jean-Eric Vergne no campeonato.

NICO ROSBERG2,5 – Vive uma fase terrível. Largou bem atrás de Michael Schumacher novamente, o que poderia denotar uma melhor adaptação ao W03 por parte do heptacampeão. Ganhou posições na largada e parecia vir rumo a uma boa corrida, mas o destino mudou de humor após a bandeira vermelha. Ao ser um dos primeiros a apostar nos pneus intermediários, Nico esperava ganhar algumas posições por ser mais esperto. Mas aconteceu o contrário devido ao rápido desgaste dos pneus e ele foi ultrapassado várias vezes. No fim das contas, foi obrigado a fazer uma parada a mais que os outros e terminou bem longe da pontuação.

JENSON BUTTON4 – Contrariando o senso comum, cometeu um erro primário e desperdiçou o que poderia ter sido uma bela corrida. Mas não foi de todo mal. Embora não tenha superado Lewis Hamilton na briga pela pole-position, assegurou uma confortável primeira fila. Nas primeiras voltas da corrida, esteve sempre muito próximo do companheiro e chegou a ameaçar sua liderança em alguns momentos. Logo após a bandeira vermelha, foi o primeiro a entrar nos boxes para colocar pneus intermediários e estava em posição boa para ganhar a corrida. Mas um toque besta em Narain Karthikeyan (sem a menor culpa do indiano) acabou quebrando seu bico e estragando sua corrida. Preso no meio do pelotão, Button ficou por lá mesmo.

FELIPE MASSA1 – Pois é… No treino classificatório, só não ficou no Q1 porque teve de apelar ao pneu mais macio para poder se garantir. Mesmo assim, largou apenas em 12º. No início da corrida, até esboçou uma reação e chegou a estar em uma sólida oitava posição, mas seu gravíssimo problema com o desgaste de pneus voltou a se manifestar e o brasileiro perdeu posições como se estivesse dirigindo um Ford T. Em seu pior momento, teve dificuldades para acompanhar a Caterham de Vitaly Petrov. Definitivamente, precisará de um milagre para conseguir reverter sua imagem.

VITALY PETROV6 – Não esteve mal, não. Em dois dos treinos livres, superou o companheiro Heikki Kovalainen. No treino oficial, aproveitou-se da punição imposta ao finlandês para largar em 19º. O domingo foi bem interessante. Embora tenha sido superado por Kovalainen nas primeiras voltas, foi perspicaz o suficiente para colocar pneus intermediários logo no recomeço da corrida e ganhou várias posições com isso. O ponto alto do dia foi ter andado tranquilamente à frente de Felipe Massa por várias voltas. Não terminou muito atrás da Ferrari, uma proeza para um piloto da Caterham.

TIMO GLOCK5 – Não apareceu em momento algum, mas foi um tremendo felizardo ao ter conseguido terminar à frente do Caterham de Heikki Kovalainen. Andou no patamar de sempre tanto nos treinos como na corrida, mas teve alguns duelos com pilotos de equipes melhores, como Felipe Massa e Jenson Button. Trabalho honesto.

HEIKKI KOVALAINEN3 – Já teve fins de semana bem mais interessantes na equipe de Tony Fernandes. Começou perdendo cinco posições no grid de largada por uma punição referente à corrida australiana e acabou obrigado a largar da última posição. A primeira volta, ao menos, foi excelente e ele conseguiu subir para 15º. Foi seu melhor momento, já que sua primeira parada o fez retornar à sua dura realidade. Durante um bom tempo, andou atrás dos dois pilotos da Marussia, algo negativo para um piloto como ele. Pelo menos, chegou ao fim pela primeira vez no ano.

PASTOR MALDONADO5,5 – Além de não ser o piloto mais inteligente do grid, ainda é um tremendo azarado. Dessa vez, seu desempenho no treino oficial não foi tão espetacular como na Austrália, mas ele ainda foi mais veloz que Bruno Senna. Largou muito bem e chegou a andar em quinto, mas acabou cometendo um erro bizarro ao errar a entrada dos boxes durante um dos pit-stops. No final da corrida, estava recuperando algumas posições e vinha para marcar seu primeiro ponto no ano, mas o motor quebrou na última volta. Pela segunda vez seguida, o venezuelano perde um bom resultado nos últimos instantes.

CHARLES PIC3,5 – Fez o trabalho dele e terminou mais uma corrida. Chegou a ocupar a improvável oitava posição na volta 15, mas sua atuação foi bem mais discreta que isso. Como menção positiva, andou à frente de Heikki Kovalainen durante algum tempo. Não fez besteiras e também não sofreu demais. O problema é repetir a falta de brilho de seus antecessores Lucas di Grassi e Jerome D’Ambrosio.

NARAIN KARTHIKEYAN4,5 – Não só largou e chegou ao fim como também chamou a atenção em alguns momentos pontuais na corrida. Um dos poucos pilotos a terem largado com pneus para pista molhada, o indiano não precisou parar nas primeiras voltas e chegou a ocupar a nona posição, fazendo a HRT andar entre os dez primeiros pela primeira vez em sua história. Na volta 16, foi atingido por Jenson Button, mas seguiu em frente sem problemas. No final da prova, voltou a ser acertado por outro piloto lá da frente, Sebastian Vettel. Mais uma vez, não teve culpa e foi dirigindo até o fim.

PEDRO DE LA ROSA4 – Também largou e terminou a prova. Diz ele que chegou a andar entre os dez primeiros por alguns instantes, mas não consegui checar esta informação em lugar algum. Não duvidaria, no entanto, já que ele também foi um dos poucos que largaram com pneus de chuva. Cometeu um pequeno erro na curva 9 em uma volta qualquer aí, mas não cometeu mais nada de absurdo.

KAMUI KOBAYASHI3,5 – Deve ter sido duro para o nipônico ver o companheiro de equipe quase ganhando a corrida enquanto ele ficava nos boxes lamuriando sobre os freios que pararam de funcionar. Mas a verdade é que ele, que derrotou Sergio Pérez nos três treinos livres, apanhou feio no treino oficial e por pouco não ficou no Q1. O domingo prometia e Kamui fez uma bela largada, pulando para oitavo. As coisas boas acabaram aí. Ele caiu para o meio do grid após seu pit-stop e não conseguiu recuperar muito após a relargada. Quando abandonou, estava fora da zona de pontuação.

ROMAIN GROSJEAN5 – Não que ele mereça as críticas abobalhadas que o narrador brasileiro fez durante a transmissão, mas um pouco mais de voltas completadas faria muito bem a ele, certamente. O franco-suíço andou bem novamente nos treinos e conseguiu a sexta posição no grid após a punição ao seu companheiro de equipe Kimi Räikkönen. Na largada, ganhou algumas posições e pulou para uma excelente terceira posição. De repente, um erro permitiu que Mark Webber o ultrapassasse e Michael Schumacher viesse logo atrás. Mas Romain não quis saber e tentou dividir uma curva com o alemão, o que resultou num toque e em ambos rodopiando. Mas a corrida só terminou para o piloto da Lotus.

Todas as pistas do Hermann Tilke são um completo desperdício de asfalto e neurônios. OK, não sou eu que está dizendo isso. Este é daqueles típicos predicados que brotam na preguiça do senso-comum e no preconceito. É que nem dizer que baiano é preguiçoso, carioca é malandro, paulista é coxinha, chinês é trambiqueiro e indiano limpa o orifício anal com o dedo. Tudo bem, os indianos realmente fazem isso, mas é errado achar que todas as pistas do arquiteto alemão são iguais. Pior, que são igualmente ruins.

Não são nem iguais e muito menos ruins. Eu admito que não gosto da padronização de infraestrutura e da pasteurização que são impostas aos novos circuitos, mas isso daí é mais responsabilidade da FIA e de Bernie Ecclestone do que propriamente de Tilke – será mesmo que ele acha mais legal e bonito criar um circuito afrescalhado em Shanghai do que no interior francês? O que não dá para dizer é que todos os traçados são iguais. Eles podem até compartilhar daquela cultura contemporânea de evitar curvas muito velozes, inclinações e outros desafios que tornavam as pistas antigas mais fascinantes. Mas o sujeito precisa ser cego, tapado e mal-intencionado ao mesmo tempo para não enxergar diferenças fundamentais entre uma e outra.

Sepang é uma destas pistas diferenciadas. Inaugurado em 1999, o autódromo construído nas cercanias da capital malaia Kuala Lumpur destaca-se pela enorme largura (entre 16 e 25 metros, o que permitiria uns quatro carros lado a lado sem maiores problemas) e pelas curvas cegas que mudam de tangência do nada. Se o piloto não estuda o traçado previamente, terá problemas para contorná-lo corretamente. Responda-me: quais pistas são tão largas quanto Sepang? E quantas têm estas curvas que enganam os mais desavisados? Admita: os malaios construíram um circuito com personalidade. E sofisticado.

Eu gosto de Sepang e lamentaria muito se saísse do calendário. Tenho bons argumentos para isso. Em treze edições, o circuito conseguiu proporcionar vários momentos que entraram para a história recente da Fórmula 1. O Top Cinq de hoje relembrará cinco destes momentos.

5- SCHUMACHER VS HÄKKINEN

O autódromo de Sepang estreou no calendário da Fórmula 1 em 1999. E numa posição privilegiada: os malaios sediariam a penúltima etapa da temporada. Com chances, portanto, de poder saudar um novo campeão do mundo. Ou bicampeão. Naquele ano de graça, sem Michael Schumacher, a disputa pelo título estava entre o campeão Mika Häkkinen, o gaiato Eddie Irvine e a zebra Heinz-Harald Frentzen. Este último, mesmo em temporada inspiradíssima, estava praticamente fora do páreo.

Mas a atração maior da corrida era exatamente Schumacher, que retornava às corridas após três meses com a perna estourada. Será que ele continuava o mesmo grande piloto de sempre? Após o treino oficial, todo mundo concluiu que a fratura fez é muito bem para o alemão: pole-position com quase um minuto de vantagem para Eddie Irvine. O tristonho Häkkinen, de tantos azares naquele ano, sairia apenas em quarto, largando atrás até mesmo de David Coulthard.

Se o sábado foi melancólico, o domingo foi humilhante. Schumacher largou apenas para desestabilizar Mika Häkkinen, que liderava o campeonato com apenas dois pontos de vantagem e era o único que poderia sair de Sepang como campeão antecipado. Michael foi sacana como só ele sabe fazer. Deixou Irvine passar logo no começo e também não dificultou muito para Coulthard, que fez a ultrapassagem no momento em que o então bicampeão cometeu um erro. Não havia problema. O negócio era atrapalhar Mika Häkkinen.

Não dá para afirmar que Schumacher fez uma corrida competitiva no sentido literal. Segundo um desolado Mika Häkkinen, o alemão simplesmente fez o que quis durante todas as 56 voltas. Alternava voltas muito lentas com voltas voadoras, desacelerava subitamente em curvas de baixa velocidade e conseguia a proeza de trancar o caminho na pista mais larga do calendário. Impotente, Häkkinen não conseguia tentar a ultrapassagem. E via Irvine abrir embora.

Corrida terminada, Irvine e Schumacher comemoravam a dobradinha. No pódio, Häkkinen pegou seu troféu e nem fez muita questão de jogar champanhe em ninguém. Foi uma das corridas mais curiosas da história da Fórmula 1 e certamente a mais dura para o finlandês, mas sua sorte mudou logo após a competição. Horas depois, a Ferrari se viu desclassificada por causa de uma irregularidade nos defletores laterais. Numa virada de mesa, os italianos recuperaram a dobradinha e seguiram para Suzuka ainda na peleja pelo título. Não deu. Häkkinen se sagrou bicampeão.

4- SCHUMACHER E RUBINHO NO MEIO DO PELOTÃO

Volta 2 do GP da Malásia de 2001. O motor Honda do BAR de Olivier Panis explodiu com vontade, vomitando labaredas de fogo e parafusos arrebentados. O carro do francês rodopiou graças ao óleo que escorreu nas próprias rodas traseiras e parou na caixa de brita da curva 6. A mancha de óleo ficou lá, esperando pelo próximo desavisado.

Na volta seguinte, os dois carros da Ferrari vieram bonitões na entrada da curva 6. O F2001 era um carro exemplar, que esbanjava velocidade, austeridade e vermelhidão. Mas ele não foi páreo para aquela poça sintética impregnada no asfalto daquela maldita curva. Ao passar por ela, o líder Michael Schumacher passou reto rumo à caixa de brita como um caminhão desgovernado. Todo mundo ficou assustado, achando que aquele problema de freios do GP da Inglaterra de 1999 havia se repetido. Felizmente, Michael conseguiu segurar o carro e não se esborrachou nos pneus, poupando suas pernas e seu avantajado queixo.

Quando todo mundo já se preparava para botar toda a culpa na conta do germânico, eis que Rubens Barrichello também aparece aparando meio alqueire de grama. Quando os dois primeiros colocados saem da pista da mesma forma, é porque há algo errado na pista. Todos percebem que o óleo somado aos primeiros pingos de chuva tornaram a curva 6 um verdadeiro desafio. Espera aí, pingos de chuva?

Sim, porque falamos da Malásia. Em questão de segundos, um temporal dos piores que eu já vi assolou todo o autódromo. Rubinho havia caído para terceiro e Schumacher despencou para sétimo, mas estas más posições passaram a não valer nada com a chegada da monção. Todo mundo foi para os boxes colocar pneus para ciclone. O piloto colocava os pneus achando que estava seguro, voltava para a pista e rodava duas curvas depois. A corrida virou uma loteria e o safety-car veio à pista. Naquela época, a bandeira vermelha não era acionada neste tipo de situação.

Barrichello e Schumacher caíram lá para o meio do pelotão, 10º e 11º. Após o safety-car, os dois tiveram de fazer corridas de recuperação. Mas isto não era um grande problema para quem pilotava o F2001. Em seis voltas, os dois ultrapassaram todos que estavam à sua frente e reassumiram as duas primeiras posições. Só que Schumacher também deixou Barrichello para trás e rumou a vitória, o que deixou Rubens bem irritado. Mas isso fica para outra história.

3- A PRIMEIRA FILA DA RENAULT

O GP da Malásia de 2003 foi a segunda corrida da história da Fórmula 1 com aquele sistema de treinos oficiais onde o piloto define sua posição no grid uma única volta. Naqueles dias, muita gente ainda acreditava no fator surpresa que este formato proporcionaria. Imaginava-se, por exemplo, o Schumacher errando sua volta rápida e o Ralph Firman dando sorte e conseguindo a pole-position por ter andado em condições melhores. Vigente por três anos, o esquema de uma única volta rápida não rendeu tantos momentos inesquecíveis assim. Mas proporcionou ao menos um na tal corrida malaia.

Antes do treino oficial, havia uma espécie de pré-classificação: os vinte pilotos vinham à pista e marcavam um tempo que definia a ordem de participações no treino oficial propriamente dito. Nesta sessão, o espanhol Fernando Alonso fez apenas o décimo tempo. Ele, que estreava na Renault, fazia seu segundo fim de semana numa equipe de verdade. Sua passagem pela Minardi em 2001 não foi lá de grande relevância. O companheiro Jarno Trulli foi o sétimo. Nada de muito chamativo, até aí.

No treino oficial, Alonso foi o décimo piloto a entrar na pista, portanto. Teria a tarefa de bater o melhor tempo de Olivier Panis, 1m38s094. A primeira parcial foi mediana: apenas 78 milésimos mais veloz que o francês da Toyota. A segunda foi bem melhor e Alonso conseguiu botar sete décimos em Panis. Na parcial final, 1m37s044, mais de um segundo mais rápido. Ainda assim, Flavio Briatore nem deu muita bola.

Até porque os pilotos teoricamente mais rápidos estavam por vir. Jenson Button, Heinz-Harald Frentzen e Nick Heidfeld vieram, mas não superaram o tempo de Alonso. O companheiro Jarno Trulli acelerou e ameaçou, mas ficou a apenas um décimo. David Coulthard fez sua volta e nada. Kimi Räikkonen, nada também. Nem Juan Pablo Montoya conseguiu. Todo mundo começou a ficar assustado. Mas ainda havia a Ferrari.

Só que nem os italianos chegaram lá. Rubens Barrichello ficou a meio segundo do tempo de Alonso. E Schumacher? Este quase ameaçou estragar a festa, mas fechou a volta em terceiro, logo atrás de Trulli. A Renault virou uma tremenda festa, com mecânicos se abraçando e pulando um sobre o outro. Aos 21 anos de idade e fazendo apenas sua segunda corrida pela equipe francesa, Fernando Alonso era o pole-position.

Infelizmente, o domingo não foi tão bom assim. Trulli se envolveu em um toque com Michael Schumacher na largada e caiu para o fim do pelotão. Alonso não conseguiu resistir a Räikkönen e a Barrichello e finalizou em terceiro. Ao menos, aquele GP da Malásia serviu para mostrar que a Renault existia. E que Fernando Alonso era, sim, um talento a ser observado.

2- SHOW VERSTAPPEN

Ele pode não ser o piloto mais consistente do planeta. Ele pode ser um tremendo causador de acidentes. Ele pode até ser bem escroto com a mulherada. Mas não dá para negar que Jos Verstappen era um sujeito capaz de proporcionar aos fãs da Fórmula 1 alguns dos momentos mais interessantes – e brilhantes – que um piloto do meio do pelotão conseguiria empreender. Foram poucas as vezes ue eu me impressionei mais com alguém do que com “The Boss” no GP da Malásia de 2001.

Não eram muitos os indicativos de que Verstappen faria algo de legal naquela corrida. Seu Arrows A22 era ruim de curva e péssimo de reta, muito graças à porcaria do motor Asiatech, que nada mais era que um Peugeot recondicionado. Então, a equipe decidiu apostar em duas soluções alternativas. A primeira era a adoção de um tanque de gasolina bem pequeno e mais leve que o normal. A segunda era a supressão de downforce nas pistas mais velozes. Tirava-se o máximo de asa traseira possível e os pilotos que se virassem para fazer curva.

Verstappen conseguia. Na Malásia, ele só obteve o 18º lugar no grid, uma tristeza. No warm-up, ele decidiu usar pouquíssima gasolina e menos asa ainda. Resultado: quinto tempo. O prognóstico parecia mais positivo para a corrida, que seria realizada quatro horas depois. Mas quão positivo?

Jos largou como um raio, ultrapassou uns caras aí e se aproximou da primeira curva lado a lado com Eddie Irvine. Sensato, tocou na lateral do Jaguar e o mandou ao diabo que o carregue. Pouco adiante, a Williams de Ralf Schumacher também estava do lado contrário. Para escapar do irmão do cara, Verstappen espertamente saiu por fora e depois fez uma espécie de X, indo para o lado de dentro da curva seguinte. Nessa manobra, ele ganhou mais um turbilhão de posições. No fim das contas, o holandês tinha subido para o sexto lugar!

Não demorou mais do que três voltas e a tempestade veio com tudo. Verstappen foi aos pits e colocou pneus de chuva, mas a pista estava totalmente inadequada para uma corrida de carros e ele chegou a rodar no último grampo, quase atingindo um carro da Ferrari. Mesmo assim, quando o safety-car voltou aos boxes, Jos estava na terceira posição.

Na relargada, Verstappen continuou dando show. Ultrapassou Heinz-Harald Frentzen e assumiu uma improvável segunda posição, deixando todo mundo impressionado. Andava rápido. Muito rápido. Quando Michael Schumacher tentou ultrapassá-lo, sofreu e tomou fechada de porta pra lá e pra cá. Passou, mas a duras penas. Na entrevista após a corrida, Michael reconheceu o esforço do ex-companheiro.

A corrida de Jos Verstappen realmente merece um post à parte, então eu deixo o vídeo explicar o resto. Mas antecipo que ele fez algumas pequenas maravilhas de pilotagem, como revidar uma ultrapassagem sobre o bicampeão Mika Häkkinen, impedir uma tentativa de Frentzen e segurar o Williams de Ralf Schumacher durante um tempo. Grande nome da corrida, o astro da Arrows só não pontuou porque teve de fazer uma parada a mais para reabastecer e terminou em sétimo, ainda assim uma excelente posição para quem saiu lá da rabiola do grid.

1- TEMPESTADE E CAOS

I can see it, I conceal it, I can see it coming, the beginning of the twist. Nos últimos anos, o site oficial da Fórmula 1 vem publicando vídeos com os melhores momentos das corridas embalados por músicas obscuras de bandas indie da Inglaterra. Pois bem, o clipe do GP da Malásia de 2009 foi acompanhado por uma das melhores músicas da banda The Futureheads, cujo refrão é esta frase aí. Certamente, um dos melhores vídeos editados pela FOM. E a letra diz tudo, assim como a foto aí em cima.

A previsão meteorológica para aquele GP, o segundo da temporada de 2009, era apocalíptica. Choveria ácido sulfúrico na sexta, mercúrio cromo no sábado e vinho italiano no domingo.  O céu estava exatamente do jeito que aparece aí na foto, um azul escuro implacável, definitivo e perturbador. O que fazer? Os pilotos de Fórmula 1 deveriam ir para a pista e rezar para que a pista não virasse um córrego turbulento ou para que não caísse granizo em formato de tijolo em suas cabeças.

As preces funcionaram e não choveu nem na sexta e nem no sábado. Jenson Button fez sua segunda pole-position na temporada e muita gente já acreditava que a cortina azulada dos últimos dias havia sido apenas um susto pregado pela Mãe Natureza. O domingo de manhã também não teve chuva e todos já respiravam aliviados. Ou não.

A corrida iniciou-se às 17h. Todo mundo que mora nos trópicos, como é mais ou menos o nosso caso, sabe que se há um horário bom para haver uma calamidade pluvial, era este. Os vinte intrépidos largaram. Pista seca, mas a cortina azul estava lá atrás. Cada vez mais ameaçadora.

Estava me divertindo à beça. Muitas brigas, equipes misturadas, ultrapassagens em praticamente todas as voltas, 2009 foi um grande ano. Lá pelos idos da volta 20, as primeiras gotas começaram a cair. Houve quem quisesse apostar em pneus para ciclone logo no início da chuva, mas esta não foi a melhor das decisões, não é, Kimi Räikkönen?

Aos poucos, a chuva aumentava e o pessoal começava a vir para os boxes. De repente, o mundo desabou de vez na volta 31. Uma verdadeira cachoeira despejava água abundante sobre as cabeças de todos que estavam em Sepang. A visibilidade era inexistente e praticamente todas as curvas começaram a alagar. Hamilton rodou. Vettel rodou. Heidfeld rodou. Buemi rodou. Fisichella rodou. Cara, sei lá, todo mundo rodou.

Diante de declarações como “it’s undrivable” e “the race is over”, a organização não poderia fazer nada além de interromper a corrida. Naquela altura, ninguém nem fazia ideia de quem estava em qual posição. Somente os computadores devidamente assessorados por no-breaks puderam afirmar que Jenson Button, Nick Heidfeld e Timo Glock formariam o pódio. E que pódio: Button demonstrava mais uma vez seu enorme talento em corridas estranhas, Heidfeld era o primeiro piloto a terminar entre os três primeiros dirigindo um carro com KERS e ainda não ganhou a corrida por pouco e Glock foi o grande piloto das últimas voltas da corrida ao ser o primeiro a apostar em pneus intermediários. Que corrida! Isto é Sepang, uma das tais pistas de merda do Hermann Tilke.

GP DA MALÁSIA: Sepang, segunda corrida no ano. A primeira, em Melbourne, foi legal demais da conta. A deste próximo de semana também deverá ser divertida. Inaugurado em 1999, o circuito malaio foi a primeira grande obra de Hermann Tilke para a Fórmula 1. Não seja preconceituoso por causa da ascendência genética: Sepang é uma jóia rara, cheia de traiçoeiras curvas cegas, mudanças bruscas de raio e retas interminavelmente largas. Não há nenhuma pista parecida com ela no calendário, talvez nem no mundo. Como bom acompanhamento, chuva torrencial. Neste ano, os meteorologistas decidiram erguer sua arca após perceber que a torneira natural ficaria aberta nos três dias. Se não houver bandeira vermelha ou pilotos covardes reclamando por terem de enfrentar um perigo absolutamente natural no automobilismo, este próximo tem tudo para ser um dos fins de semana mais legais da Fórmula 1 neste ano.

HAMILTON: David Coulthard está preocupado. Para o ex-piloto, a desanimada expressão de Lewis Hamilton após o GP da Austrália era a prova cabal de que ele havia sido derrubado por Jenson Button. Bobagem. Hamilton estava chateado porque terminou em terceiro uma corrida na qual poderia ter vencido facilmente após ter feito a pole-position. E a chateação fica maior se pensar que o companheiro de equipe foi o ganhador. Qual piloto ficaria feliz com um resultado assim? Para mim, tudo segue normal. Lewis ainda é o piloto mais veloz da McLaren e, ao meu ver, o melhor com alguma folga. Uma corrida ruim acontece com qualquer um. OK, não acontece com Button, mas a loteria meteorológica malaia existe para isso. Espero que Hamilton vença a próxima prova – seria sua primeira vitória em território malaio. Quando ao David, será que ele também desanimou desta forma quando Mika Häkkinen começou a surrá-lo?

MASSA: Este daqui é outro que está levando chibatadas da mídia. A revista Autosprint foi categórica: o antigo Felipe Massa morreu em agosto de 2009 e o atual Felipe Massa é simplesmente inútil para a Ferrari. O site ItaliaRacing debochou das declarações oficiais de apoio ao brasileiro por parte da equipe e ainda noticiou que seus leitores declararam quase que unanimemente que Massa está muito abaixo do que se espera de um ferrarista. Os italianos estão totalmente impacientes com ele, que fez uma corrida horrenda em Melbourne e parece não ter conseguido evoluir muito em relação às duas infelizes temporadas anteriores. O editorial da Autosprint praticamente implora por outro piloto no carro nº 6. Até mesmo o velho Jarno Trulli, sumariamente dispensado da Caterham no início do ano, foi cogitado. Por mais que eu não mergulhe nesta típica verborragia italiana, concordo que a Ferrari precisa de alguém que possa ao menos acompanhar Fernando Alonso. Se Felipe Massa não conseguir convencer nas próximas corridas, ficará difícil até mesmo garantir sua permanência até o final do campeonato. Ele terá de voltar a trabalhar de entregador de macarronada em Interlagos.

HERBERT: Ao que parece, aquele negócio de empregar um ex-piloto diferente a cada corrida para trabalhar ajudando os comissários de prova ficou para trás. Na Malásia, o inglês Johnny Herbert voltará a assumir a posição. Ele havia feito o mesmo na Austrália e em mais um bocado de corridas nos últimos dois anos, como o GP do Brasil de 2010. No início, eu achava que os pilotos locais teriam preferência. Como seria um baita desafio achar um piloto de Fórmula 1 coreano ou barenita, a solução foi chamar apenas pilotos campeões ou de gabarito. Como eles também não estavam aceitando o trampo de bom grado, foram de Johnny Herbert mesmo. Mas não tenho absolutamente nada contra ele. É um piloto muito bom que deveria ter sido vencedor de corridas e de títulos na Fórmula 1 se não fosse o nosso gênio às avessas Gregor Foitek. Fora das pistas, dizem que é a pura expressão da simpatia. E pelo visto, ainda gosta bastante de circular pelo paddock. Pensando bem, haveria alguém melhor do que Johnny para o cargo?

GP2: Começa neste fim de semana. Animado, eu? Bastante. Aconteça o que acontecer, a GP2 Series é a categoria de monopostos mais legal da Europa. As melhores disputas, os acidentes mais engraçados e as maiores possibilidades de aleatoriedades acontecem lá e não na World Series by Renault do Bruno Giacomelli. Mas não há como reconhecer que o nível de pilotos deste ano está risível, vergonhoso, patético, feio, sujo e pobre. Contrariando as recomendações dos médicos, a temporada 2012 reunirá medalhões obscuros como Julian Leal, Ricardo Teixeira e até mesmo um tal de Giancarlo Serenelli, um venezuelano trintão que corria numa espécie de Fórmula Renault andina até uns dias atrás. Lá na frente, são poucos os nomes que realmente empolgam, notadamente Esteban Gutierrez, Marcus Ericsson e Fabio Leimer. No meio deles, gente que já passou da hora de cair fora da categoria. Davide Valsecchi, Giedo van der Garde e Luiz Razia, é de vocês mesmos que estou falando. Entre os novatos, nada muito além de James Calado, Felipe Nasr, Rio Haryanto e Tom Dillmann. Mesmo assim, a corrida de Sepang será legal e valerá a pena. Aposto cegamente em Valsecchi ganhando a primeira corrida e Calado triunfando na segunda. Podem me cobrar em casa.

RED BULL9 – Quem precisa de KERS quando se tem um RB7 insuperável? Nesse momento, a única coisa que falta à equipe rubrotaurina é um segundo piloto. Mark Webber não fez nada novamente e nem pódio conseguiu. Por outro lado, Sebastian Vettel fez tudo direitinho e ganhou a corrida sem adversários. Nesse momento, as equipes adversárias vão precisar trabalhar muito pra conseguir uma aproximação.

MCLAREN8 – Em uma corrida atípica, é mais negócio confiar em Jenson Button do que em Lewis Hamilton. O campeão de 2009 salvou as honras de Woking ao finalizar em segundo após fazer uma corrida discreta e absolutamente eficiente. Hamilton, ao contrário, se meteu em brigas, teve problemas com os pneus e até punição de 20 segundos levou. Ainda assim, a equipe não tem motivos para reclamar. Só a infalível Red Bull está à sua frente.

RENAULT8,5 – Tirando a questão da briga com a Lotus do Fernandes, tudo corre bem lá pelos lados da equipe da Genii Capital. O carro é realmente bom e os pilotos conseguiram aparecer bem em Sepang, o que traz um pouco de conforto a quem apostava tudo em Robert Kubica. Nick Heidfeld reverteu o revés australiano e fez uma prova inspiradíssima, que o premiou com um pódio. Vitaly Petrov também vinha bem, mas saiu da pista no final, voou e aterrissou no fracasso. O sistema de largada da equipe é sensacional.

FERRARI6,5 – Ao contrário do que vinha acontecendo nos últimos tempos, Felipe Massa foi o maior motivo de orgulho dos italianos. O brasileiro fez uma corrida aguerrida e terminou em um bom quinto lugar. De ruim, apenas o trabalho dos mecânicos na sua primeira parada. Já Fernando Alonso teve um fim de semana daqueles e ficou apenas com o sexto lugar. O carro estava mais para Renault do que para McLaren ou Red Bull e os mecânicos já não são tão eficientes como outrora. Pelo visto, outro ano difícil vem por aí.

SAUBER7,5 – É a Renault do meio do grid: carro ajeitadinho, dupla eficiente, ótima aceitação por parte dos fãs. O sempre combativo Kamui Kobayashi se envolveu em boas brigas e cruzou a linha de chegada em um oitavo que se transformou em sétimo após a punição de Hamilton. Sergio Perez, por outro lado, não foi tão bem e abandonou tão cedo. Ainda assim, é uma das duplas mais empolgantes do grid. E o carro vem se mostrando o maior amigo dos pneus entre todos do grid.

MERCEDES3,5 – Definitivamente, não está em boa fase. Embora não tenha passado vergonha nos treinos, o desempenho na corrida foi bem pior do que o esperado. Nico Rosberg largou mal e ficou preso lá no meio da turma. Michael Schumacher só aparecia na transmissão sendo ultrapassado por Kamui Kobayashi. Ainda assim, o velho heptacampeão marcou dois pontos. Muito pouco para uma equipe que se supõe grande.

FORCE INDIA6 – Vem tendo mais alegrias com o novato Paul di Resta do que com o experiente Adrian Sutil. Em Sepang, o escocês andou melhor no treino oficial e sempre esteve muito à frente do alemão na corrida, desempenho este que resultou em mais um ponto nas tabelas. Sutil bateu na largada e prejudicou sua corrida a partir daí, mas se aproveitou do relativo baixo consumo de pneus do seu carro para fazer uma parada a menos. A equipe precisa melhorar um pouco nos treinos.

TORO ROSSO3 – A velha Toro Rosso de sempre. Embora o carro tenha andado muito bem na pré-temporada, ele simplesmente não disse a que veio até aqui. Sébastien Buemi andou melhor que Jaime Alguersuari, mas nenhum dos dois fez pontos. E como solta peças esse carro! Um pedaço do carro do Buemi caído no meio da pista chegou a interromper o Q2 do treino oficial.

LOTUS3,5 – Outra equipe que parece não sair da mesmice. Assim como em 2010, Heikki Kovalainen liderou a tropa verde em sua corrida caseira. O finlandês terminou, ao contrário de Jarno Trulli, vítima de mais um dos inúmeros problemas do T128. Falta confiabilidade. E também um pouco mais de velocidade.

VIRGIN2,5 – No treino oficial, seu piloto mais rápido foi apenas um segundo mais rápido do que a circense Hispania, o que não é um bom sinal para uma equipe que fez toda a pré-temporada. Na corrida, Jerôme d’Ambrosio abandonou com problemas eletrônicos. Apenas Timo Glock chegou ao final.

HISPANIA 3 – Todos ficaram surpresos com o fato da equipe espanhola ter se qualificado com os dois carros – e com tanta facilidade. Infelizmente, problemas estruturais fizeram com que os dois pilotos se retirassem voluntariamente da prova. Vitantonio Liuzzi parou o carro temendo uma quebra na asa traseira. E Narain Karthikeyan estacionou após perceber um anormal aumento de temperatura da água do radiador. O indiano, aliás, padeceu com os problemas do carro desde a sexta, quando o motor Cosworth fumou duas vezes nas duas sessões livres.

WILLIAMS0 – Não me lembro de um fim de semana tão ruim para a tradicional equipe de Frank Williams. Os dois pilotos apanharam da falta de velocidade e confiabilidade do FW33 desde os treinos de sexta e foram os últimos colocados entre as equipes estabelecidas no treino oficial de sábado. Na corrida, nenhum dos dois pilotos andou muito. Rubens Barrichello, com problemas hidráulicos. Pastor Maldonado, com o motor quebrado. Trágico, trágico.

TRANSMISSÃOPUTA BARBEIRAGEM, HEIN? – Por mais que os palavrões já não sejam mais um tabu na televisão aberta, é sempre engraçado ouvir um em uma transmissão ao vivo, ainda mais quando a referida transmissão é feita pela organizada e profissionalizada Rede Globo. Durante a briga entre Lewis Hamilton e Fernando Alonso, o convidado Bruno Senna soltou o comentário mais espontâneo que eu já vi em uma transmissão esportiva da emissora: “puta barbeiragem isso aí!”. Até mesmo o sempre irreverente Galvão Bueno deu risada. Mesmo sempre sendo crítico com relação ao piloto Bruno, o sujeito parece ser muito mais aberto e divertido que seu tio jamais foi. No mais, a transmissão foi apenas média. As câmeras perderam alguns momentos decisivos de maneira meio infantil. E a turma global cometeu alguns erros, mas não me lembro de nenhum muito expressivo. Aliás, a pronúncia dos nomes dos novatos está bem feia. Qual é a dificuldade em falar “Diwresta”, “Sêrrio Pêres” e “Dambrrôsiô”? “Dirrésta”, “Sérjo Péris” e “Dambrósio” não dá.

CORRIDASEPANG, EU TE AMO – Muita gente acha que Sepang é uma pista chata e tipicamente tilkeana. Calúnia! A corrida malaia não precisou da chuva, dos acidentes e do imponderável para ser divertida. As ultrapassagens aconteceram a rodo, muito mais pelo desgaste dos pneus do que pela dispensável asa móvel. E o KERS é ainda mais dispensável.  Quem se interessa apenas pelo vencedor deve ter bocejado com o domínio de Sebastian Vettel. Da segunda posição para trás, no entanto, o pau comeu solto. E os nomes que sempre costumam alegrar as corridas (Hamilton, Alonso, Petrov, Kobayashi) chamaram bastante a atenção. Para mim, que sou fã de Nick Heidfeld, só faltou a vitória.

SEBASTIAN VETTEL10 – Cirúrgico. Detém o melhor carro do grids nas mãos e também o mérito de fazer o melhor uso dele possível. Pole-position e vitória de ponta a ponta sem pestanejar. Se continuar nessa forma, poderá até mesmo repetir 1992 ou 2004.

JENSON BUTTON 9 – Ninguém sabe exatamente como, mas terminou em segundo. Especialista em poupar pneus e em aproveitar as oportunidades mais obscuras possíveis, o inglês fugiu dos problemas que seus adversários tiveram, não teve problemas nas paradas e conseguiu um excelente lugar no pódio. Se há qualquer adversidade, há sempre um Jenson Button sedento por perto.

NICK HEIDFELD9 – Esse é outro oportunista filho da puta que sabe como poucos aproveitar qualquer adversidade para ganhar algumas posições. O baixote alemão reverteu o péssimo fim de semana australiano marcando um bom sexto tempo no treino oficial e fazendo uma superlargada que lhe deu a segunda posição nas primeiras voltas. Depois, Nick até chegou a perder rendimento em alguns momentos, mas também conseguiu se dar bem com os infortúnios de Hamilton e Alonso. No fim, segurou bem a terceira posição contra um emergente Mark Webber. Calou a boca de muita gente que o considerava um merda.

MARK WEBBER4 – Se estivesse pilotando um Renault, poderíamos até ter dito que foi uma ótima corrida. Como, no entanto, seu carro era um impecável Red Bull RB6, o australiano só teve outro fim de semana terrível. Perdeu a primeira fila para Hamilton, fez mais uma de suas típicas largadas horríveis e teve novamente problemas de pneus, sendo obrigado a fazer suas paradas bem antes da concorrência. Só subiu para quarto porque pilota um foguete. Tá na hora de voltar a fazer uma corrida boa, né?

FELIPE MASSA8,5 – Dessa vez, deu gosto de ver. O brasileiro fez uma de suas melhores corridas nos últimos anos e poderia ter ido até melhor se a Ferrari não tivesse feito cagada no primeiro pit-stop. Felipe fez o sétimo tempo no treino oficial, ganhou duas boas posições na largada e sempre esteve competitivo. Teve como melhor momento uma boa ultrapassagem sobre Webber. Cruzou a linha de chegada com Alonso grudado em sua caixa de câmbio. É esse tipo de apresentação que lhe dará uma força extra.

FERNANDO ALONSO6 – Difícil fazer um julgamento. Quinto colocado no grid, o espanhol extraiu o máximo de seu 150th Italia no treino oficial. Na corrida, não largou bem e ficou preso atrás de outros concorrentes. Tentou atrasar um pouco sua primeira parada visando se dar bem com uma pretensa chuva iminente, mas nada aconteceu. Depois, teve problemas com pneus e também com sua asa móvel, que não estava funcionando. Em uma briga com Hamilton, a asa dianteira da Ferrari tocou a roda traseira direita da McLaren. Terminou em sexto, e a punição de 20 segundos não alterou seu resultado.

KAMUI KOBAYASHI8 – Tem todos os motivos do mundo para deixar a Malásia com um enorme sorriso na cara. Kamui andou bem nos treinos e esteve sempre competitivo na corrida, com destaque para seus divertidos duelos com Michael Schumacher. Foi muito feliz ao aproveitar o baixo consumo de pneus de seu Sauber para fazer uma parada a menos. A punição de Hamilton ainda lhe deu uma posição a mais de presente.

LEWIS HAMILTON5 – Assim como Alonso, corrida de difícil julgamento para mim. Seu melhor momento, sem dúvida, foi o ótimo segundo lugar no treino classificatório. Na corrida, ficou preso atrás de Heidfeld nas primeiras voltas e só conseguiu um pouco de pista livre após a primeira parada. Mesmo assim, foi um dos que mais tiveram problemas com pneus, como pôde ser visto na ultrapassagem que levou de Heidfeld. No final, acabou sendo tocado pela asa da Ferrari de Alonso. Por ter supostamente se defendido com muita volúpia, levou uma punição de 20 segundos e caiu de sétimo para oitavo. Saldo negativo e a nota média só pode ser explicada pelo treino oficial.

MICHAEL SCHUMACHER6 – Nessa nova fase de piloto coadjuvante, até que não fez uma má corrida. Embora tenha ficado no Q2 novamente, Michael fez uma boa largada e se colocou em oitavo nas primeiras voltas. Depois, se envolveu em brigas com gente do meio do pelotão, principalmente com Kobayashi. Nunca chamou muito a atenção, mas também não passou vergonha, visto que seu carro está longe de ser uma maravilha. E se deu bem melhor que seu companheiro.

PAUL DI RESTA7,5 – Ótima corrida. Bateu Sutil na classificação pela segunda vez seguida e sempre esteve muito à frente de seu experiente companheiro de equipe, que é sua referência maior nesse momento. Poderia ter terminado em nono, mas seus pneus acabaram no final e Schumacher tomou sua posição. Ainda assim, é o único estreante que tem motivos para sorrir.

ADRIAN SUTIL4 – Quem diria que o estreante Di Resta lhe daria tanta dor de cabeça? Batido pelo escocês tanto nos treinos como na corrida, o alemão já vê com binóculo os tempos em que não tinha problemas com companheiros de equipe. Na largada, se envolveu em um toque com Barrichello e teve de trocar o bico do Force India. Voltou à pista tentando uma arriscada estratégia de apenas duas paradas. Até conseguiu ganhar algumas posições, mas não foi o suficiente para marcar pontos.

NICO ROSBERG2,5 – Fez uma de suas piores corridas na Mercedes, se não a pior. Seu nono lugar no grid foi normal, mas a corrida foi inteiramente ruim, a começar pela péssima largada. Depois, não conseguiu recuperar posições e terminou atrás de um cara que havia trocado o bico na primeira volta. Dirigindo um Mercedes, foi muito pouco.

SÉBASTIEN BUEMI4 – Não foi tão mal nos treinos oficiais e até conseguiu empreender um ritmo bom no início da corrida. O que estragou tudo foi a punição por excesso de velocidade nos pits, problema originado pela falha do limitador de velocidade de seu Toro Rosso. Por isso, o resultado discreto.

JAIME ALGUERSUARI3 – Este daqui não pode sequer culpar limitador de velocidade, punição ou algo que o valha. O espanhol perdeu para seu companheiro durante todo o fim de semana e nunca conseguiu sequer sonhar com pontos. Na briga interna de sua equipe, está em desvantagem.

HEIKKI KOVALAINEN5 – Alguém entre as equipes nanicas tinha de terminar à frente, né? Como não poderia deixar de ser, este alguém foi Kovalainen, que sempre foi o ponteiro entre a turma do fundão. O ritmo de seu carro nem estava tão ruim, assim como o trabalho de sua equipe nos pit-stops. O problema é continuar na mesma situação do ano passado.

TIMO GLOCK4 – Teve um duelo bacana com Trulli durante boa parte da corrida. Fora isso, o mesmo desempenho de sempre.  Ao menos, levou seu infelicíssimo bólido ao final.

VITALY PETROV7 – Longe do brilhantismo apresentado em Melbourne, o russo não foi tão mal também. Desfrutando do excelente sistema de largada da Renault, ele ganhou três boas posições e fechou a primeira volta em quinto. Duas voltas depois, Vitaly saiu da pista e perdeu algumas posições. Após isso, restou andar lá entre sétimo e oitavo esperando por algum problema dos adversários à frente. Mas quem teve problemas foi ele mesmo, que escapou da pista no finalzinho e bateu em um absurdo calombo que fez seu Renault levantar voo e cair com tudo no meio do pista. Destaque para o volante, que escapou na sua mão na hora da queda.

VITANTONIO LIUZZI6,5 – Fim de semana bastante positivo para o líder da equipe lanterninha. Para quem estava morrendo de medo de não passar pela barreira dos 107%, ficar a apenas meio segundo de D’Ambrosio representou um lucro enorme. Largou pensando apenas em terminar. Quase conseguiu, mas como a asa traseira estava vibrando demais, a equipe preferiu pedir para ele abandonar a apenas algumas voltas do fim.

JERÔME D’AMBROSIO3 – Um piloto em sua posição não tem muito o que fazer. Largou na esperada 22ª posição e, na corrida, só passeou à frente dos concorrentes da Hispania. Abandonou com problemas eletrônicos.

JARNO TRULLI3 – Só apareceu um pouco no duelo com Glock. No mais, perdeu para Kovalainen no treino oficial e nunca esteve em posição de superá-lo na corrida. Dessa vez, o abandono não se deu pelos problemas hidráulicos que lhe deixaram com muita dor de cabeça em 2010. A embreagem não estava funcionando.

SERGIO PÉREZ3,5 – Dessa vez, o mexicano não foi tão bem e também não foi ajudado pela sorte. Nos treinos oficiais, levou uma surra do companheiro Kobayashi. Na corrida, andou lá no meio do pelotão até acertar um pedaço do carro de Buemi, que pegou no assoalho e acionou o sistema anti-incêndio. Com isso, houve uma pane elétrica e a corrida foi para o saco. Curioso, né?

RUBENS BARRICHELLO1 – Pelo tanto de problemas, lembra o Rubens de 2008. Seu FW33 não funcionou no treino oficial e ele quase ficou de fora do Q2. Na corrida, bateu com Sutil na largada e teve de trocar um pneu estourado. Depois, andou em último até abandonar com problemas hidráulicos. Fico pensando se, no caso do carro continuar assim, não seria um momento de repensar a continuidade da carreira. Para quem já dirigiu os dois piores carros já feitos pela Honda, penar mais um ano com a Williams não acrescentará nada à sua vida.

NARAIN KARTHIKEYAN2,5 – Deve se considerar um felizardo por ter conseguido superar o limite de 107% em mais de um segundo, o que lhe permitiu participar de sua primeira corrida desde 2005. Mas o motor começou a esquentar demais e a equipe pediu para ele abandonar após apenas algumas voltas.

PASTOR MALDONADO1 – Triste início de carreira. No treino oficial, acompanhando a péssima fase de sua equipe, ficou no Q1. Na corrida, andou apenas algumas voltas. O motor Cosworth falhou miseravelmente.