FERRARI8 – O mérito da equipe é contar com um piloto como Fernando Alonso. Somente alguém da categoria do espanhol poderia fazer uma corrida tão sensacional, partindo da oitava posição rumo à vitória e à liderança no campeonato. Largou bem, ultrapassou, empregou uma ótima estratégia e ainda conseguiu se livrar das investidas de Sergio Pérez. Vale dizer também que o trabalho nos boxes, ao contrário do que vinha sendo a regra, foi muito bom. Mas as coisas boas acabam aí. O carro continua indecente nos treinos. E Felipe Massa dispensa comentários. A Autosprint pode ser até meio grosseira, mas não falta com a verdade.

SAUBER9,5 – Desconsiderando os dias de BMW Sauber, nunca a equipe suíça esteve tão perto da vitória. E olha que ela está presente na Fórmula 1 desde 1993. Neste último domingo, Sergio Pérez provou que o carro é bom, a equipe é competente e a peça que vai entre o banco e o volante é da melhor qualidade. O mexicano largou em nono, parou antes de todo mundo para colocar pneus para chuva e arrematou um monte de posições. Depois da bandeira vermelha, seu carro se comportou muitíssimo bem tanto com pneus intermediários como com pneus slick. Pérez só não venceu por um erro estúpido, mas ainda conseguiu assegurar o melhor resultado da história da Sauber. Kamui Kobayashi ficou atrás o tempo todo e ainda teve problemas no câmbio. Dessa vez, o japa ficou à margem dos holofotes.

MCLAREN8,5 – Tinha o melhor carro do fim de semana com sobras e poderia ter feito uma tranqüila dobradinha. Mas acabou sucumbindo às doideiras da corrida e foi obrigada a se satisfazer com apenas um terceiro lugar de Lewis Hamilton. Não fosse alguns problemas em dois pit-stops e uma sorte maior de Alonso e Pérez, o campeão de 2008 não teria dificuldades para ter se sagrado o vencedor. Jenson Button também poderia ter ganhado, mas bateu em Narain Karthikeyan e afastou-se das primeiras posições. Foi apenas um grande prêmio de exceção. Hamilton e Button ainda são os caras desta temporada.

RED BULL6 – Mesmo em uma corrida que favorecia os menos favorecidos, não aproveitou a chance para obter um resultado melhor. Sebastian Vettel largou atrás de Mark Webber novamente e desperdiçou um quarto lugar sossegado enquanto colocava uma volta no coitado do Narain Karthikeyan. Terminou fora da zona de pontuação, desobedeceu a uma ordem da equipe e ainda chamou o piloto indiano de idiota ou algo assim. Um estado de espírito bem diferente daquele do ano passado, onde só havia vitórias, sorrisos e bajulação. Webber, ao menos, herdou a quarta posição e ficou por lá. Colocou pneus para pista seca antes dos três primeiros colocados e tentou um último pulo do gato, mas não conseguiu nada.

LOTUS7 – Nestas duas primeiras corridas, cumpriu um ritual até certo ponto desagradável: felicidades com Romain Grosjean apenas no sábado e com Kimi Räikkönen apenas no domingo. O franco-suíço largou da sexta posição e ganhou posições na primeira curva, mas afobou-se e bateu em Michael Schumacher. Poucas voltas depois, rodou sozinho e abandonou. Kimi teve de largar em décimo por causa de uma troca de caixa de câmbio, mas fez uma corrida silenciosamente excepcional e finalizou em quinto. Vem se notabilizando pelo oportunismo nestes primeiros momentos. O carro ainda não teve seu real potencial explorado.

WILLIAMS6,5 – É outra equipe que parece ter um carro melhor do que o que os resultados sugerem. Pelo menos, o então desprezado Bruno Senna conseguiu fazer a corrida de sua vida até aqui e finalizou em um ótimo sexto lugar. Mesmo perdendo muito tempo no começo, o brasileiro ultrapassou bastante gente e aproveitou-se da boa estratégia e do ótimo comportamento do FW34 para levar os oito pontos. Pastor Maldonado cometeu suas burradas de sempre, mas também demonstrou velocidade e fez uma corrida de recuperação boa o suficiente para um décimo lugar. Um motor Renault envolto em fumaça na última volta não estava nos planos. Somente com a pontuação de Bruno Senna na Malásia, a Williams já superou o resultado do ano passado inteiro.

FORCE INDIA7 – Mesmo em uma corrida tão sui generis, é intrigante o fato da Force India ter sido a única equipe a ter marcado pontos com os dois carros. Assim como Lotus e Williams, o potencial do bólido indiano ainda não é muito claro, mas aparenta ser inferior ao do ano passado. Paul di Resta e Nico Hülkenberg tiveram dificuldades nos treinos e ficaram estagnados no meio do grid. Na corrida, sabe-se lá como, os dois avançaram várias posições e terminaram em sétimo e nono. A escuderia precisa de uma corrida normal para chegar a alguma conclusão mais certeira.

TORO ROSSO6,5 – Resultados diametralmente opostos. Jean-Eric Vergne foi um dos destaques da corrida e marcou seus primeiros pontos na Fórmula 1. Poderia ter ido até melhor, pois foi o único maluco a seguir com pneus intermediários até a bandeira vermelha. Se não houvesse a obrigação de relargar com pneus para chuva forte, o francês teria economizado uma parada e poderia até mesmo ter assumido a liderança da prova. Mas o oitavo lugar já está de bom tamanho. Daniel Ricciardo não apareceu em momento algum e terminou fora da zona de pontuação. E a equipe é aquilo lá mesmo: uma sólida competidora do meio do pelotão.

MERCEDES2,5 – Ser a última das que pontuaram é uma tremenda vergonha para uma equipe que se diz grande. Michael Schumacher fez exatamente a mesma coisa que na Austrália: foi muito bem no treino oficial e se deu mal na corrida por causa de forças externas. Dessa vez, Romain Grosjean foi o culpado. Já Nico Rosberg terminou fora da zona de pontuação pela segunda vez seguida. O W03 continua sendo um cruel algoz dos pneus, levando os dois pilotos à aguda perda de rendimento no final. Difícil enxergar um bom futuro se algumas coisas não forem mudadas.

CATERHAM4 – Conseguiu terminar a prova com os dois carros, algo inédito neste início de temporada. De forma até surpreendente, Vitaly Petrov foi o líder da equipe no fim de semana, tendo largado e terminado à frente. Não podemos nos esquecer da punição que Heikki Kovalainen sofreu por causa de uma irregularidade em Melbourne, mas o fato é que o finlandês não fez mais do que ultrapassar os carros da Marussia e da HRT. O desempenho continua o mesmo dos dois anos anteriores: muito melhor que o das demais nanicas e muito pior do que o das equipes estabelecidas. Tédio.

MARUSSIA4,5 – Por que a nota maior em relação à Caterham? Confesso que fiquei impressionado com Timo Glock conseguindo finalizar à frente de Heikki Kovalainen mesmo com um carro, no mínimo, um segundo mais lento. Também me chamou a atenção o estreante Charles Pic, que chegou a andar em oitavo durante alguns micronésimos. Ambos chegaram ao final e a equipe russa é a única das pequenas que conseguiu completar as duas corridas com os dois carros, algo notável para quem era a menos confiável das novatas em 2010. E o carro é bonito demais quando visto de frente.

HRT4,5 – Chorem, corneteiros. A HRT conseguiu largar com os dois carros. E terminou com os dois. Veio contra tudo e contra todos, superou o ceticismo deste que escreve, e conseguiu sobreviver ao sábado e ao domingo. Melhor ainda, Pedro de la Rosa e Narain Karthikeyan conseguiram andar na zona de pontuação durante alguns instantes no início da corrida, fato inédito para a combalida escuderia espanhola. O indiano apareceu quando seu carro foi judiado por Jenson Button e Sebastian Vettel. Em ambos os incidentes, não teve culpa, embora o alemãozinho chorão tenha esperneado. Que as coisas melhorem daqui para frente. HRT campeã em 2013, eu acredito.

TRANSMISSÃOZORRA TOTAL – Nada como uma transmissão de quase três horas para pegar um monte de pérolas e comentários bizarros numa tarrafada só. Nesta madrugada, provavelmente almejando homenagear o falecido humorista Chico Anysio, o narrador brasileiro abusou do humor. Tudo era humor. Piada. Sarro. Um verdadeiro comediante stand-up, só que sentado e de pijamas. Sacaneou o repórter em duas ocasiões, contou uma história absurda envolvendo Luciano Huck e Peter Sauber em uma festa e, no momento mais engraçado do show, afirmou que a Stock Car Brasil tem o nível de pilotos mais alto do planeta. Em seu quadro “Proteste Já”, reclamou de Romain Grosjean e disse que sua batata estava assando na Lotus. Um gênio na arte do rir. E os velhos clichês não foram deixados de lado: a velha história do Mauricio Gugelmin na chuva, a participação de Keke Rosberg e FeRRRRRRRRnando Alonso estiveram lá para agradar a platéia. Quem precisa de Pânico e CQC quando se tem Fórmula 1 de madrugada?

CORRIDAZORRA TOTAL – Cansei de falar nos dias anteriores: Sepang é uma grande pista. Talvez uma das melhores do calendário. Lamentaria profundamente se este circuito fosse retirado do calendário. A prova deste domingo serve como álibi desta opinião. Só é de mandar todo mundo pro quinto dos infernos esse negócio de iniciar a corrida às cinco da tarde do horário local, algo em torno das três da manhã aqui, inaceitável para os filhos de Deus que só têm o fim de semana para dormir um pouco mais. Pior ainda foi a interrupção de 51 minutos por causa da chuva. A FIA precisa regulamentar melhor esse negócio de corrida sob temporal, pois fãs e emissoras de TV não podem continuar torrando tempo por nada. Fora isso, a prova foi excelente, com várias brigas e disputas. Mas a perseguição de Sergio Pérez a Fernando Alonso foi algo especial, de entrar para a história da categoria. Valeu a pena esperar por quase uma hora e jogar fora uma noite de sono.

GP2NÃO TEVE ZORRA – Primeiro fim de semana duplo da GP2 em 2012. Extrapolando meu ínfimo lado pacheco, foi uma rodada legal pra caramba para os torcedores brasileiros. Quem poderia imaginar que o baiano Luiz Razia, em sua quarta temporada e pilotando por uma equipe apenas média, largaria da primeira fila e ganharia com tanta facilidade a etapa de sábado? Na segunda corrida, ele deu um show ao induzir adversários ao erro (Stefano Coletti) e ao fazer ultrapassagens fenomenais (Fabio Leimer) para conseguir terminar em quinto e sair da Malásia com a liderança do campeonato. O outro brasileiro, Felipe Nasr, também foi muitíssimo bem. Na primeira corrida, terminou em sexto e não tomou o quinto lugar de Coletti por pouco. Na segunda corrida, sobreviveu bem à pressão do mesmo Coletti no início da corrida (coitado do monegasco) e rumou a um excelente terceiro lugar. Não me lembro de um fim de semana tão positivo assim para os brasileiros. Que continue assim, pois. Destaque também para o inglês James Calado, que foi bem pra caramba na primeira corrida e venceu a segunda, para deleite da Lotus GP e desespero do companheiro Esteban Gutierrez, de quem se esperava mais. Grande fim de semana de uma categoria que, apesar da presença de muito piloto picareta, promete.

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