Gregor Foitek: o Sergio Canamasas dos anos 80

Gregor Foitek: o Sergio Canamasas dos anos 80

Em 1988, a Fórmula 3000 Internacional, categoria de base criada apenas três anos antes, enfrentou seu primeiro grande teste de credibilidade. Até então, ela jamais tinha passado por alguma turbulência técnica, financeira, esportiva ou organizacional. Elogiada pela mídia e pelos bichos-papões da Fórmula 1, a F-3000 precisou de apenas três anos para se consolidar como uma excelente escola para jovens talentos do automobilismo internacional. O sapato apertou exatamente em sua quarta temporada.

O pivô dessa crise foi o piloto suíço Gregor Foitek. Vocês todos sabem quem é ele. No meu interminável especial sobre a história da Onyx, Foitek apareceu em vários capítulos por ter sido um dos pilotos da inesquecível equipe azulada na temporada de 1990. Naquele caldeirão de pilotos desconhecidos e sem perspectivas que era a Fórmula 1 daquela época, o jovem helvético se destacava pelo cabelão de Cauby Peixoto, pela cara de maluco e pelo assombroso histórico de acidentes e confusões.

Foitek desembarcou na Fórmula 3000 no fim de 1986 após ter se sagrado vencedor do inexpressivo campeonato suíço de Fórmula 3. Logo em sua primeira corrida, causou um acidente que tirou três carros da pista ainda na primeira volta. Em 1987, maneirou na agressividade e passou a temporada toda sem ter ocasionado nenhum grande problema. Foi em 1988 que o leite derramou de vez.

Em Vallelunga, Foitek e o britânico Johnny Herbert disputavam a vitória naquela fogosidade típica das categorias de base. O suíço era o líder e vinha sendo fortemente pressionado por Herbert, que pilotava um Reynard-Cosworth patrocinado pela Camel, ajustado pelos mecânicos de Eddie Jordan e empurrado por toda a opinião pública inglesa, ávida por novos talentos nacionais. O duelo perdurou até a volta 45.

Johnny saiu da curva Tornantino colocando o bico de seu Reynard à esquerda do Lola-Cosworth de Gregor Foitek. Tracionando melhor, ele certamente concretizaria a ultrapassagem no trecho seguinte. Sem ter muito que fazer dentro dos limites legais, Foitek simplesmente jogou seu carro sobre a roda dianteira direita do carro do adversário. Herbert acabou perdendo o controle sobre seu bólido e acertou uma quina de guard-rail desgraçadamente posicionada do lado esquerdo. Bateu a cabeça e desmaiou. No hospital, os médicos descobriram uma pequena hemorragia cerebral e deixaram Herbert de cama durante alguns bons dias. Essa foi apenas a primeira cachorrada perpetrada por Gregor Foitek.

Após ter sossegado o facho, o suíço voltou a aprontar das suas em Enna-Pergusa. Tentando passar o brasileiro Roberto Pupo Moreno de todo jeito na largada, Gregor Foitek ignorou o pedal do freio, rodopiou, saiu da pista e levou junto seu adversário. A batida assustou todo mundo que vinha atrás e o resultado foi um mundaréu de gente passando reto e escorregando na complicada primeira curva. Foitek ficou preso na caixa de brita e Moreno até tentou continuar na prova, mas teve de se retirar por conta de um acelerador travado.

Veja o resultado da obra-prima de Gregor Foitek

Veja o resultado da obra-prima de Gregor Foitek

Até aí, tudo bem. O negócio ficou feio, mesmo, na etapa seguinte, realizada em Brands Hatch.

Gregor Foitek largou em quarto e logo de cara se viu metido em disputas ferozes pelas primeiras posições. O mesmo Roberto Moreno de Enna-Pergusa estava atrás dele e queria de todo jeito tomar sua posição. Na volta 22, ao descerem rumo à Paddock Hill, Moreno tentou uma linha mais à esquerda visando sair mais forte no trecho seguinte. Ignorando seus retrovisores, Foitek enfiou seu carro também à esquerda e acabou esbarrando no adversário brasileiro. Roberto perdeu o rumo e se estatelou na barreira de pneus, destruindo seu Reynard amarelado. A direção de prova acionou a bandeira vermelha e o carequinha retornou aos pits possesso, louco de vontade de trucidar uns suíços por aí.

Na relargada, houve aquele famoso rebu que quase acabou com a carreira do pobre do Johnny Herbert. Ele e Gregor Foitek estavam disputando a terceira posição quando o desastrado helvético bateu na traseira do carro do inglês. O carro de Herbert escapou da trajetória e se enganchou com o de Foitek, ambos seguindo rumo à mureta de proteção. Depois, cada um foi para seu lado: Johnny ainda bateu do outro lado da pista e arrebentou as duas pernas; Foitek deu umas cambalhotas e quase saiu para fora do autódromo. Outros carros acabaram se envolvendo naquele que se tornou, talvez, o mais célebre acidente da história da Fórmula 3000.

O desastre mandou os dois pilotos para o hospital. Herbert arrebentou os dois tornozelos e por pouco não perdeu o pé esquerdo. Foitek bateu a cabeça no chão durante a capotagem e chegou a perder os sentidos durante alguns minutos, mas se recuperou e não contabilizou mais do que um pulso direito quebrado e um enorme olho roxo. No hospital, as famílias de Gregor e Johnny trocaram acusações e até alguns tabefes. Normal, pois o comportamento do piloto suíço havia passado dos limites.

Naquela altura, enquanto Foitek tomava sopinha de batatas e bolinava as enfermeiras, a FISA e os mandachuvas da Fórmula 3000 discutiam sobre o que poderia ser feito para diminuir o número de acidentes. Além do próprio Johnny Herbert, pilotos como Steve Kempton, Fabien Giroix e Michel Trollé também se feriram em graves acidentes ocorridos naquela temporada. Por trás de tantos incidentes, um dos fatores observados foi a total falta de noção por parte de alguns pilotos do grid. Todos os olhos acabaram se voltando a Gregor Foitek.

A mídia inglesa, enfurecida com o que havia acontecido com sua maior esperança no automobilismo, despejou inúmeras críticas sobre o piloto suíço. No paddock, houve quem se manifestasse contra seu retorno às corridas. O mais complicado é que, aparentemente, Gregor Foitek era uma das figuras das mais frágeis no paddock. Seu pai, Karl, costumava acompanha-lo nas corridas e comentava-se que a pressão e as cobranças que ele exercia em seu filho eram insuportáveis. Gregor também não falava um inglês muito bom e ainda não era dos mais sociáveis no grid. Seus antigos adversários, na adjetivação mais branda, diziam se tratar de uma figura estranha, solitária e reclusa. Um causador de acidentes com um perfil desses é um perfeito saco de pancadas dos maledicentes em geral.

Foitek foi para a Fórmula 1 e pagou todos os seus pecados correndo por dragas como a pré-falimentar Monteverdi e a natimorta Eurobrun. Para não perder o costume, arrebentou-se em alguns acidentes violentos e deixou seus chefes de cabelos em pé. Saiu da categoria com a reputação no chão, fez um par de corridas na Indy em 1992 e se aposentou antes das 500 Milhas de Indianápolis daquele ano porque sensatamente percebeu que poderia morrer ou matar alguém a bordo de um brinquedinho que chegava a 370km/h.

Sergio Canamasas, o Gregor Foitek do século XXI

Sergio Canamasas, o Gregor Foitek do século XXI

Gregor Foitek foi certamente um dos pilotos mais vilipendiados que eu já vi. Até hoje, seu nome remete a confusões, acidentes e verdadeiras baixarias em pista. Curiosamente, nos dias atuais, há quem, movido por um súbito sentimento de piedade, faça o papel de advogado do diabo e defenda o judiado piloto cabeludo. Alguns se indagam se Foitek realmente foi o real causador do acidente de Brands Hatch e se a campanha de difamação apoiada inclusive pelo próprio Johnny Herbert (que não perdoa o piloto suíço até hoje) não foi longe demais.

Opinião minha: exageros existiram, mas não injustiças. Dentro da pista, Gregor Foitek representava um perigo desnecessário aos demais concorrentes e as críticas foram necessárias. Taca pedra nele!

Vinte e seis anos depois, a GP2 Series passa por uma situação parecida.

Horas depois da segunda corrida da rodada dupla de Monza, realizada no último domingo, começou a correr pelo paddock da categoria um abaixo-assinado que visa a expulsão do piloto espanhol Sergio Canamasas, da Trident. Em atitude inédita no automobilismo recente, vários pilotos do certame, inclusive o próprio companheiro de equipe, o teuto-venezuelano Johnny Cecotto Jr., rabiscaram sua assinatura no papel com o intuito de tirar o desastrado hispânico da competição. A ameaça vai longe: caso Canamasas esteja na pista na próxima corrida, a ser realizada em Sochi (se a União Europeia deixar), os demais pilotos fariam uma greve no melhor estilo USP e não sentariam suas bundas nos seus respectivos cockpits. Ou ele ou nós.

Quando um grupo relativamente grande de pilotos chega ao ponto extremo de se juntar para eliminar alguém da competição, é porque esse alguém deve ter dado motivos pra lá de razoáveis para atrair tanto ódio. Na Fórmula 1, esse tipo de bullying corporativo já aconteceu no passado em mais de uma ocasião. Herdeiro da Opel, o liechtensteinense (!) Rikky von Opel também foi vítima de uma petição que alguns pilotos assinaram com a intenção de mandá-lo para o chuveiro. Apesar dos clamores populares, Von Opel não foi defenestrado e até chegou a melhorar seus resultados, obtendo dois nonos lugares em 1974. Alguns anos depois, o italiano Riccardo Patrese foi considerado o responsável pelo acidente que ceifou a vida do sueco Ronnie Peterson e passou a ser perseguido pelos seus colegas. Chegou a ser banido de uma corrida em Watkins Glen e não foi poupado de críticas e desaforos, sobretudo do sempre bocudo James Hunt.

Mas qual foi o grande pecado de Sergio Canamasas? Correndo na GP2 desde o segundo semestre de 2012, o espanhol ficou famoso pela absoluta falta de habilidade, pela enorme propensão a causar acidentes, pelo desrespeito à integridade física dos adversários e até pelo tom arrogante e irreal de suas declarações. O ocorrido no fim de semana em Monza foi apenas a cereja desse bolo que vinha fermentando há muito.

Na primeira corrida, até que Canamasas não fez tantas besteiras assim. Ao se aproximar de sua posição de largada, parou um pouco além da conta e posteriormente foi punido por isso. Ainda na primeira volta, passou reto pela Variante dela Roggia, não meteu o pé no freio e retornou para a pista de qualquer jeito, quase acertando quem vinha atrás. Mais para o final da prova, ainda tocou seu carro no do francês Pierre Gasly enquanto tentava conter uma tentativa de ultrapassagem na Parabolica. Não foi, logicamente, uma corrida 100% limpa, mas ainda foi tranquila perto de outros momentos de sua carreira.

Foi na segunda prova do fim de semana que o diabo encarnou em Canamasas. Também na primeira volta, passou como um foguete pela chicane da variante Ascari e nem fez questão de olhar para o espelho ao voltar para a pista. Meteu seu bólido na linha normal e acertou o carro de Adrian Quaife-Hobbs, quase causando um acidente de seríssimas proporções. Quem veio atrás teve de frear com tudo para não atingir Canamasas e um bolo de pilotos acabou se formando no fim do pelotão. Nesse agrupado, Gasly e Artem Markelov se tocaram na reta, bateram no guard-rail e abandonaram a prova.

Uma das várias pinturas de Canamasas em Monza

Uma das várias pinturas de Canamasas em Monza

Nas voltas seguintes, Sergio Canamasas voltou a aprontar. Em uma de suas passagens pela Variante dela Roggia, ignorou o pedal do freio novamente e passou reto pela chicane, ganhando um bocado de tempo pela malandragem. A sequência de horrores maior foi cometida na nona volta: ao tentar ultrapassar René Binder na mesma Variante della Roggia de sempre, Canamasas não conseguiu frear a tempo e acabou acertando o piloto austríaco, que rodou e teve de abandonar a prova. Não satisfeito com a cagada, Sergio ainda voltou para a pista, tentou evitar a ultrapassagem de Raffaele Marciello na Lesmo, resolveu dividir a curva com o italiano, fechou seu espaço e causou mais um acidente, com ambos saindo da pista.

Pela sequência absurda de incidentes, a organização de pista decidiu excluir Sergio Canamasas da corrida, dando-lhe bandeira preta na 15ª volta. Tal punição foi até bem leve diante da saraivada de críticas e insultos que o piloto espanhol merecidamente receberia nas horas seguintes.

“Uma sugestão ao meu amigo Canamasas: vá jogar golfe. Ou pare de acertar os outros pilotos”, postou de forma irônica Raffaele Marciello em sua conta no Twitter. “Bravo, Canamasas”, twittou o ex-GP2 James Calado. Os mais irritados na rede social eram justamente os integrantes da família Cecotto. O filhinho Johnny Amadeus lamuriou por Sergio ter “arruinado suas duas corridas em Monza” – ele considera que o espanhol foi o responsável indireto por seu acidente com Nathanael Berthon na Parabolica naquele momento em que o bolo de pilotos se formou, durante a primeira volta da segunda corrida. Não sei sinceramente o que Canamasas fez para Cecotto na primeira corrida, mas dou o benefício da dúvida ao venezuelano.

O post mais bizarro, no entanto, foi o do papai Johnny Cecotto, campeão de motovelocidade e ex-companheiro de Ayrton Senna na Toleman. Num inesperado acesso de fúria, o antigo motociclista venezuelano saiu em defesa de seu filho, que teria sido ameaçado por Canamasas antes mesmo da fatídica corrida do domingo. “Tenha cuidado. Na próxima vez, jogarão sua superlicença no lixo. Não se atreva a ameaçar novamente meu filho ou pagará caro por isso”, bradou Johnny pai em sua conta no Twitter. Posteriormente, o tweet foi apagado, mas o registro para a posteridade está aí.

Se até mesmo o endiabrado Cecotto e seu pai ficaram putos da vida com as atitudes de Canamasas, é porque o cara realmente passou dos limites. E para quem acha que suas atrocidades se resumiram apenas ao fim de semana italiano, segue abaixo um pequeno resumo de alguns dos feitos do piloto espanhol na GP2:

BÉLGICA/2012: Espremeu Nathanael Berthon contra o muro, quase causando um acidente entre os dois. Detalhe: ambos estavam descendo o ladeirão rumo à Eau Rouge a mais de 200km/h.

CINGAPURA/2012: Tomou um drive-through por ter recebido assistência dos seus mecânicos a menos de trinta segundos da volta de apresentação. Porém, não só não pagou a punição nas três voltas seguintes como também ignorou solenemente a bandeira preta de desclassificação que lhe foi apresentada. Só parou nos boxes por causa de um problema no carro. Tomou uma bronca inesquecível do chefe de equipe.

BAHREIN/2013: Julgando ter sido atrapalhado por Kevin Ceccon em uma volta rápida no treino classificatório, deu o troco fechando o caminho do piloto italiano. Não satisfeito, ainda esperou Ceccon passar novamente apenas para jogar seu carro sobre o dele pela segunda vez. Pela sequência de gracinhas, foi desclassificado da sessão e obrigado a largar do fim do grid.

INGLATERRA/2013: Em disputa de posição com Jolyon Palmer, jogou seu carro sobre o do piloto britânico para evitar a ultrapassagem. Danificando seu carro, Canamasas foi aos boxes para trocar o bico e acabou perdendo uma volta. Retornou à pista e, momentos depois, se viu logo à frente de Palmer novamente, dessa vez na condição de retardatário. Ao invés de facilitar a ultrapassagem, jogou seu carro novamente sobre o de Jolyon, causando seu abandono. Nos boxes, Palmer chamou Canamasas de “imbecil de merda” e acabou penalizado com uma multa de 12 mil euros e uma corrida de suspensão, com sursis. Sergio não foi punido.

ABU DHABI/2013: Fechou a porta de Mitch Evans na entrada dos boxes e causou um acidente que acabou tirando o neozelandês da corrida.

ALEMANHA/2014: Tentou uma improvável ultrapassagem sobre o coitado do René Binder e acabou batendo em sua lateral. Os dois rodaram, mas voltaram à pista.

Até quando ele continuará fazendo das suas?

Até quando ele continuará fazendo das suas?

Esses são apenas alguns exemplos de sua absoluta falta de habilidade e respeito ao próximo na pista. O pior é que, ao contrário do tímido Gregor Foitek, Sergio Canamasas é do tipo que não fica quieto e nem admite uma culpa. Ao contrário, ele realmente pensa que é um piloto bom, promissor e injustiçado sobre quem choveriam episódios de azar e acusações infundadas. Em suas declarações, é possível enxergar um misto de alienação, prepotência e indiferença ao adversário.

No ano passado, em entrevista ao jornal Marca, Canamasas teve a pachorra de dizer que “tem algo de Alonso, mas também de Hamilton“. Depois, ainda afirmou que “é agressivo com aquela pitada de inteligência que é necessária para fazer as coisas”. E completou dizendo que “é muito conciso, muito limpo em relação ao que faz na pista e bastante metódico”. Nem parece que os elogios se referem a Sergio Canamasas.

Quando criticado ou colocado na parede, ao invés de assumir a culpa, Sergio prefere fingir que não é com ele ou simplesmente se faz de vítima. Na presepada de Cingapura, disse que o rádio estava quebrado. No acidente com Palmer na Inglaterra, afirmou que não viu as bandeiras azuis. Por outro lado, após a sequência de burradas no último fim de semana, Canamasas desabafou no Twitter, bradando que ignoraria as críticas e insultos e confessando que estava triste porque seu pai havia ido assistir à sua corrida pessoalmente. O discurso meloso não colou.

Por outro lado, quando fazem algo contra ele, Sergio Canamasas ruge como leão. No treino classificatório da etapa de Monza, lamentou no Twitter que “para variar um pouco, me atrapalharam”. Em Spa-Francorchamps, reclamou que “Rio Haryanto me bateu pela terceira vez”. Em Hungaroring, perguntou ironicamente na rede social se “não era engraçado que o cara que te tirou da pista (Berthon) seja o pole-position para a corrida de domingo“. O mais bizarro, no entanto, foi ter feito uma campanha para tirar Johnny Cecotto da GP2 pelo empurrão que este lhe deu na etapa de Barcelona no ano passado. Quando dói no próprio pé, aí o negócio complica, né, Serginho?

Esse é exatamente o tipo de piloto que não pode chegar à Fórmula 1. Sergio Canamasas realmente é uma mistura de Alonso com Hamilton: é falastrão e egocêntrico como o primeiro e desastrado e irresponsável como o segundo foi em 2011. Sua presença na GP2 é uma mancha para a categoria, que há algum tempo tenta se livrar da imagem de pré-escola para moleques riquinhos e sem talento. Equipes como a Trident precisam de caras assim para sobreviver. O mais triste é saber que gente como ele tem o dinheiro que falta a caras como Conor Daly, Tom Dillmann e Jon Lancaster, três caras bons que não podem pagar por uma temporada completa. O automobilismo apenas lamenta.

Gregor Foitek foi bombardeado pela mídia e não durou muito tempo na Fórmula 1. Hoje, Sergio Canamasas é um sujeito desprestigiado até mesmo por Will Buxton, o sempre otimista jornalista inglês que virou meio que o porta-voz oficial da GP2. Em artigo publicado nessa semana, Buxton defendeu abertamente a saída de Canamasas da categoria. Por ser voz influente, é possível que consiga algo. Além dele, outros jornalistas também não poupam nas críticas. Os espectadores também estão vociferando contra o espanhol. No Twitter, as reclamações foram tantas que Sergio Canamasas chegou a estar nos Trending Topics do Reino Unido durante a corrida dominical da GP2. A vantagem de viver nos tempos de Foitek é que não havia Twitter para o povo te xingar.

Vez por outra, o automobilismo de base é presenteado com alguns caras desse naipe de Foitek e Canamasas. Por isso que torço por um automobilismo mais barato e menos sofisticado. No dia em que alguém como Roberto Moreno puder fazer uma boa carreira na GP2 e posteriormente na Fórmula 1 sem gastar muito ou até ganhando grana, será bem mais fácil se livrar de filhinhos de papai que tornam as corridas verdadeiras sessões de demolição.

P.S.: Agora, vamos à justiça, que sempre deve ser feita. Sergio Canamasas é um barbeiro dos infernos, mas não é o único de sua categoria. Seu companheiro Johnny Cecotto é tão pirado e irresponsável quanto. Apesar de ter sossegado um pouco nesse ano, o histórico de Cecotto é vergonhoso. No ano passado, ficou com a fama de mau caráter por ter jogado Sam Bird para fora em Sepang e repetido a manobra contra o próprio Sergio Canamasas na Espanha. Este também terá seu post qualquer dia. Outro que merece menção é Nathanael Berthon, frequente causador de manobras estúpidas e acidentes perigosos. No ano passado, tirou um piloto da prova em um acidente ridículo na Espanha. Nesse ano, voltou a tirar o mesmo piloto da pista em uma manobra igualmente ridícula na Hungria. E quem é o pobre coitado tão maltratado por Berthon? Ele mesmo, Sergio Canamasas. Aqui se faz, aqui se paga, mermão.

MCLAREN9 – Pelo que mostrou na pista, tinha de ganhar um dez. Mas para isso, deveria ter feito toda a tarefa de casa, e isso certamente incluía conseguir chegar ao final da corrida com dois carros. Infelizmente, isso só foi possível para um dos pilotos. Lewis Hamilton largou na pole-position, liderou quase que de ponta a ponta e ganhou pela terceira vez seguida neste ano. Jenson Button, que largou na segunda posição, tinha tudo para ter completado a dobradinha. Infelizmente para ele, seu carro prateado começou a pedir arrego e o motor desligou. E sem motor, não dá. Abandono para um cara que vem em fase de recuperação, assim como a própria McLaren.

SAUBER7,5 – Sua sorte é a de contar com um piloto do calibre de Sergio Pérez, que finalizou em segundo e obteve seu terceiro pódio nesta temporada. Pérez e seus asseclas optaram por uma estratégia bastante espertinha, a de adiar ao máximo seu único pit-stop e utilizar compostos médios no segundo stint. Para quem largou lá no meio do pelotão, um domingo daqueles. Kamui Kobayashi teve sorte distinta: foi bem no treino oficial, mas não tirou nenhum coelho da cartola no domingo e teve de se contentar com alguns pontinhos. Engraçado é que a Sauber andou bem pacas em Spa-Francorchamps, mas não mostrou a mesma velocidade pura em Monza. Coisas de equipe média.

FERRARI8,5 – Tinha um carro talvez tão bom quanto o da McLaren, mas faltou uma pitada de sorte a Fernando Alonso, que teve problemas na suspensão justamente no momento mais crítico dos treinamentos, o Q3 da classificação. Não fosse isso e ele teria brigado pela pole-position, como o próprio afirmou. As coisas pareciam tão bem para a Ferrari na pista de casa que até Felipe Massa, veja só, conseguiu andar bem. Na corrida, os dois apareceram muito bem e o brasileiro chegou a andar na segunda posição durante bastante tempo. Uma ordem de equipe acolá inverteu as posições e Fernando pôde pegar um lugar no pódio. Para ser honesto, não esperava que os italianos viessem tão bem em Monza. Como sou calhorda e torço por Alonso, fico feliz com a evolução.

LOTUS3,5 – Decepção da corrida. Já estamos acostumados com as promessas furadas da equipe preta e dourada, que sempre promete a vitória e termina celebrando os pontos de Kimi Räikkönen e os pontos no prontuário de Romain Grosjean. Só que desta vez, não teve Grosjean na história: punido pela barbeiragem de Spa, ele foi substituído pelo reserva Jérôme D’Ambrosio, que se preocupou apenas em chegar ao fim da corrida, não fez muita coisa e ainda foi prejudicado por um KERS falho. Kimi Räikkönen até teve um duelo animado com Michael Schumacher, mas também não apareceu muito. Só que ele é campeão do mundo e sabe fazer pontos até mesmo quando não tem o melhor dos bólidos.

MERCEDES5 – Equipe meia-boca, que só se salva porque seus pilotos fazem o que podem e mais um pouco. O antigo Michael Schumacher voltou a ser o piloto de melhor resultado na esquadra. Sentou a bota na classificação, qualificou-se em quarto e alimentou a esperança dos fãs. Infelizmente, os pneus voltaram a complicar sua vida e ele terminou apenas em sexto. Nico Rosberg também andou bem tanto nos treinos como na corrida, mas isso não significou muito mais do que um sétimo lugar. O problema da equipe definitivamente não está nos treinos, mas sim na total incapacidade do carro conservar pneus durante a corrida. Assim, fica difícil, né?

FORCE INDIA3,5 – Se não tivesse tido tantos problemas, poderia ter obtido um resultado belíssimo com seus dois pilotos, já que o carro estava bom. No caso de Paul di Resta, o câmbio quebrou e isso lhe custou uma excelente quarta posição no grid. Na corrida, fechada criminosa em Bruno Senna à parte, o escocês fez uma corrida sensata e marcou alguns pontos. Nico Hülkenberg, por outro lado, teve um fim de semana triste como poucos. Teve problemas de motor na qualificação e de freios na corrida, não conseguindo sequer chegar ao fim. Graças a isso, o alemão voltou a ser superado por Di Resta na tabela de pontos. E a Force India desperdiçou uma grande chance numa pista onde costuma andar muito bem.

WILLIAMS3 – Com essa dupla aí, está difícil sorrir. Como o carro também não esteve bem em Monza, as coisas ficaram pretas para a equipe criada por Frank Williams. Como sempre, o único ponto da equipe foi marcado por Bruno Senna, que teve um fim de semana típico: devagar, sempre e aos trancos e barrancos. Sobreviveu à fechada de Paul di Resta e assumiu o décimo lugar de Daniel Ricciardo na última curva. E quanto a Pastor Maldonado? Monza é realmente um lugar de milagres. O venezuelano teve um fim de semana limpo, sem cometer nenhuma atrocidade. Sua tabela de pontos também anda meio limpa já faz tempo.

TORO ROSSO1,5 – Há quatro anos, a equipe venceu pela única vez exatamente em Monza com Sebastian Vettel. Dessa vez, nem mesmo o pontinho de consolação do décimo lugar ficou com a trupe de Faenza. Daniel Ricciardo, bom piloto com algumas boas doses de azar nesta temporada, perdeu a chance de pontuar novamente na última curva, quando o motor Ferrari de seu carro parou de funcionar. Pelo menos, deu para atravessar a linha de chegada. O companheiro Jean-Éric Vergne abandonou ainda antes. A suspensão de seu carro estourou em plena reta dos boxes e o francês deu sorte de não ter saído voando até Marte. O carro continuou lento como sempre.

CATERHAM3,5 – Tinha um carro bem mais competitivo do que em Spa-Francorchamps, mas isso não significava exatamente muita coisa. Heikki Kovalainen e Vitaly Petrov largaram em posições mais à frente que o normal por causa dos infortúnios de Pastor Maldonado e Nico Hülkenberg, mas também sabiam que não marcariam pontos nunca. Durante a corrida, a equipe verde optou por dois pit-stops para os dos pilotos, mas a ordem dos fatores não mudou muito. Pelo menos, ambos chegaram ao fim da corrida e o finlandês até teve alguns atritos com Jérôme D’Ambrosio, que pilotou um carro bem melhor. Sonha, Heikki, sonha.

MARUSSIA3 – Também não apresentou nada de novo, excluindo o fato de Charles Pic ter superado o experiente Timo Glock novamente. O francês foi mais rápido nos treinos livres e também se sobressaiu na corrida. É bom que se diga, no entanto, que Glock teve muitos problemas no fim de semana e ainda perdeu um bico nas primeiras voltas da corrida. Não fosse isso e ele teria feito uma corrida bem melhor. Talvez até teria terminado a menos de uma Transamazônica de diferença das Caterham.

HRT3 – Tédio. Sem apresentar qualquer coisa nova, a equipe espanhola seguiu sua rotina de peregrinar nas duas últimas posições. Narain Karthikeyan ao menos conseguiu a proeza de superar Pedro de la Rosa, que fazia seu 100º GP em Monza, no treino oficial. No domingo, o indiano ainda andou um tempo na frente mesmo tendo de trocar o bico após um toque na largada. Os dois chegaram ao fim, coisa que pilotos de equipes bem mais polpudas não conseguiram.

RED BULL0 – Que fim de semana tétrico. Não há absolutamente nada de bom para falar. Como uma equipe que gasta quase meio bilhão de dólares anuais não chega ao fim da corrida por problemas mecânicos? Esta foi apenas a cereja do bolo do pior fim de semana do ano para os rubrotaurinos até aqui. Lento, o carro não colaborou em momento algum e apenas a maestria de Sebastian Vettel o permitiu largar da quinta posição. Na corrida, Vettel tomou uma punição pelo crime de ter fechado Fernando Alonso diante da torcida italiana e acabou comprometendo sua corrida. No final, o alternador foi para o raio que o parta e nem a bandeirada final Seu Tião conseguiu ver. Mark Webber teve um fim de semana tão ruim quanto. Largou no meio do pelotão, não se recuperou muito e ainda deu uma rodada perigosa no final da corrida. Também optou pelo abandono voluntário para poupar corpo, alma e carro.

TRANSMISSÃOTUDO NOS CONFORMES – É sempre bom ter alguma normalidade quando assistimos a uma transmissão de Fórmula 1. Irrita demais quando alguma declaração idiota ou bizarra demais é proferida pela boca de alguém que é muito melhor pago do que qualquer um de nós pelo glorioso ofício de comentar as corridas. Por isso, não tenho do que reclamar com relação à transmissão brasileira em Monza. Eles realmente melhoraram bastante: ao invés serem a terceira melhor transmissão da esquina, sou generoso e digo que eles foram a quarta melhor, seguindo a matemática do comentarista que analisou corretamente que “a Ferrari subiu da terceira para a quarta posição no campeonato”. Tudo dentro dos conformes, até mesmo a ordem de equipe que garantiu a ultrapassagem de Fernando Alonso sobre Felipe Massa, interpretada como “parte do esporte”. Deu para sentir daqui o trio engolindo a seco a realidade. Por fim, nada mais corriqueiro do que ver Bruno Senna terminando em décimo após alguma coisa acontecer na última volta. O narrador já está acostumado. Bruuuuuno Senna em décimo! Como sempre.

CORRIDAFELICE – Para mim, ver Sebastian Vettel, Mark Webber e Jenson Button fora da corrida não deixou de ser um enorme prazer. Mas mesmo os torcedores destes três aí não têm muito do que reclamar. A corrida foi boa, sim. Não foi espetacular, mas entregou aquilo que nós gostamos de ver: disputas, um carro voando, toques de rodas, fechadas, ultrapassagens e um piloto da Sauber, a Ponte Preta da Fórmula 1, quase vencendo uma corrida. Lewis Hamilton largou na pole e ganhou sem problemas. Como é bom ver este cara, um babaca e um grande piloto, ganhando mais uma corrida. Se fosse um pouco mais esperto, estaria liderando o campeonato sem dificuldades. Sergio Pérez fez mais uma daquelas corridas espetaculares dignas de alguém que só consegue se apoiar na estratégia e terminou novamente na segunda posição. Fernando Alonso também mandou bem, mas a ultrapassagem artificial sobre Felipe Massa e a punição que Sebastian Vettel não merecia mancharam o pódio do espanhol com um pouco de tinta preta. Porém, os italianos não reclamaram, muito pelo contrário. Estando os anfitriões felizes, Bernie Ecclestone e a FIA dormem em paz.

GP2TRA LE DITA – Esta frase aí significa “entre os dedos”. Será que o baiano Luiz Razia deixou o título escapar por entre eles? Infelizmente, a resposta está muito próxima de um rotundo “sim”. Razia não marcou ponto algum nas duas corridas da GP2 em Monza e ainda viu o rival Davide Valsecchi abrir 25 pontos de vantagem com um sexto lugar na primeira corrida e uma vitória na segunda. Verdade seja dita, o brasileiro não pode reclamar da falta de sorte. Na etapa do sábado, ele tentou fazer uma estúpida ultrapassagem por fora sobre Fabio Leimer na Variante dela Roggia e acabou saindo da pista, abandonando a prova. O vencedor da corrida foi o mítico Luca Filippi, que voltou à GP2 após não encontrar nenhum emprego numa categoria de ponta. É muito bacana vê-lo vencer, mas ao mesmo tempo se trata de uma situação triste para um piloto talentosíssimo. Que Filippi consiga arranjar um carro à altura de sua capacidade. Felipe Nasr fez exatamente a mesma cagada de Razia na primeira corrida, bateu em Leimer e também acabou abandonando. Enquanto isso, alheio às infelicidades alheias, Valsecchi parte para a última rodada dupla com uma mão e meia na taça de campeão.

GP3CHIPRE – Foi um fim de semana dos mais legais que a categoria já teve. Em Monza, a GP3 realizou sua última rodada dupla no ano esperando conhecer seu mais novo campeão. Quatro pilotos tinham chance de título: Mitch Evans, António Félix da Costa, Aaro Vainio e Daniel Abt. Evans foi o pole-position, mas se afobou, fez besteiras nas duas corridas e não marcou nenhum ponto. Para sua sorte, os três rivais também se deram mal. Félix da Costa parecia estar em posição ideal para ser campeão, mas acabou tendo problemas na primeira corrida do fim de semana e saiu da briga. Pelo menos, a melhor cena do fim de semana foi protagonizada por ele: na reta dos boxes, o lusitano grudou na traseira de Aaro Vainio e o pressionou como se estivesse pilotando na NASCAR. Muito divertido. Quem parecia que iria surpreender a todos com o título era o alemão Abt, que iniciou o fim de semana como o azarão e quase terminou como campeão. Mas para sua enorme infelicidade, uma ultrapassagem na penúltima volta da última corrida o fez perder a vitória que lhe daria o título. Quem ganhou foi o cipriota Tio Ellinas, talvez o nome mais legal da GP3 neste ano. Foi, sem dúvida, o melhor dia da história de Chipre no automobilismo mundial. E o talentoso Evans acabou se sagrando o terceiro campeão da história da GP3. Que tanto Ellinas quanto Evans subam para a Fórmula 1 um dia.

MCLAREN8,5 – De Hockenheim para cá, parece ter o melhor carro do grid. E agora que os mecânicos aprenderam a trabalhar, vencer não se tornou algo tão difícil assim. O cavalheiro Jenson Button, que vinha numa fase de vacas magérrimas, teve um fim de semana perfeito como poucos e ganhou a corrida quase que de ponta a ponta, afastando a má fortuna que sempre o rondou na Bélgica. Quem não anda sendo favorecido pela sorte é Lewis Hamilton, discreto em todos os treinamentos e destruído na largada da corrida. Após o sustão, o Sr. Scherzinger desceu do carro e foi tirar satisfações com Romain Grosjean. Um puta aborrecimento para alguém que sabe que pode brigar pelo título, tem carro para isso e não consegue os resultados por causa de externalidades.

RED BULL7 – Aparenta não ter avançado tanto quando deveria nestas últimas etapas. Mesmo assim, assegurou um pódio tão competente quanto improvável com ele, o queridinho da família, Sebastian Vettel. O alemão não foi bem nos treinos e só largou da décima posição, mas aproveitou-se da excelente estratégia da sua equipe, de parar apenas uma vez e adiantar ao máximo o pit-stop, para subir para a segunda posição. A nota só ficou prejudicada por conta de Mark Webber, que foi obrigado a trocar de câmbio e perdeu cinco posições no grid. Além disso, sua estratégia foi bastante distinta da de Vettel. E se a do colega deu muito certo, é óbvio que a sua deu errado. Acabou terminando apenas em sexto.

LOTUS7 – O marketing sobre seu difusor ligado ao DRS foi tamanho que podemos até dizer que o resultado final foi deveras decepcionante. Tudo bem, um pódio nunca é ruim, mas depois de tudo o que foi falado, nós estávamos todos imaginando que Kimi Räikkönen e Romain Grosjean meteriam umas quinze voltas de vantagem sobre o resto. Nada disso. O difusor não foi utilizado na corrida e Kimi não conseguiu mais do que um terceiro lugar. A ultrapassagem sobre Michael Schumacher na Eau Rouge foi uma verdadeira pintura. Quanto a Romain Grosjean, tudo o que precisava ser dito sobre ele já foi dito. Que o tal difusor vire realidade em Monza.

FORCE INDIA7,5 – Poucos imaginavam que isso aconteceria, mas Nico Hülkenberg definitivamente superou Paul di Resta no seio da equipe indiana. O escocês até largou mais à frente, mas acabou sucumbindo a mais uma daquelas esquisitices que sempre acometem algum piloto da Force India durante as corridas. E pensar que, antes do primeiro pit-stop, ele tinha grandes chances de terminar entre os cinco primeiros. Paciência. Já o alemão esteve combativo durante todo o tempo, peitou caras mais experientes e finalizou a prova na quarta posição. É bom que se ressalte, no entanto, que Hülkenberg dificilmente conseguiria uma posição tão boa se Romain Grosjean não existisse.

FERRARI5 – Sem Fernando Alonso, a equipe não se sobressai muito mais do que uma Sauber. Sei que estou sendo cuzão com Felipe Massa, que terminou numa honestíssima quinta posição, mas nós sabemos que o carro da Ferrari só está conseguindo posições melhores com o espanhol. O fato é que a corrida ferrarista praticamente acabou na primeira curva, quando Alonso foi atropelado por Romain Grosjean. Sortudo, ele só saiu meio mareado do carro. Único representante da esquadra tinta, Massa fez e tomou ultrapassagens, não cometeu erros e obteve dez pontos importantes para justificar uma provável permanência em 2013. O carro parece não ter avançado muito de uns tempos para cá.

MERCEDES3 – Há três anos, dizia-se que a Mercedes era uma das candidatas ao posto de escuderia mais forte do grid. Com o passar do tempo, a esquadra prateada aceitou a pecha de “sólida quarta equipe da Fórmula 1”. Hoje, ela mal consegue aguentar uma disputa contra um carro da Force India ou da Sauber com alguma dignidade. Nico Rosberg teve um fim de semana dolorosamente ruim, com direito à última fila e ultrapassagens de carros da Toro Rosso. O tricentenário Michael Schumacher teve um pouco mais de motivos para sorrir, pois se envolveu em algumas disputas muito boas contra pilotos com quase a metade de sua idade e levou alguns pontos para casa. Se o carro não melhorar, não dá para ver futuro algum na equipe.

TORO ROSSO7,5 – Teve seu melhor fim de semana no ano até aqui, mas não devemos creditar um pingo do sucesso ao carro, que continua uma meleca. Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne só escaparam do Q1 porque Nico Rosberg realmente estava perdido em Spa-Francorchamps. Os dois ganharam um mundo de posições com o acidente da primeira curva. Ambos me surpreenderam por terem conseguido permanecer entre os dez primeiros sem grandes problemas, até conseguindo disputar posições com pilotos de equipes melhores. No final, Vergne ficou em oitavo e Ricciardo terminou logo atrás. Bom fim de semana que provavelmente não se repetirá mais neste ano.

WILLIAMS – 4,5 – Chega a ser um crime o carro da Williams, tão bom e bonito, estar nas mãos de um alucinado que consegue a proeza de tomar três punições num mesmo fim de semana e de um sujeito apenas politicamente correto e burocrático. O pior é quando este tal politicamente correto é o piloto mais eficiente da equipe. Bruno Senna largou lá atrás de novo, mas não fez besteiras e só não marcou pontos porque a estratégia escolhida para ele foi muito ruim. Pastor Maldonado fez o terceiro tempo na qualificação, perdeu três posições no grid após fechar Nico Hülkenberg, queimou a largada, envolveu-se no acidente da primeira curva e ainda bateu em Timo Glock na relargada. Este, sim, merecia tomar suspensão. Para aprender que talento não combina com burrice.

SAUBER9 – Se tem uma equipe que tem todos os motivos para querer a cabeça de Romain Grosjean, esta é a Sauber velha de guerra. A equipe esteve brilhante durante todo o fim de semana, com Kamui Kobayashi fazendo o melhor tempo da encharcada sexta-feira e conseguindo o segundo lugar no grid. Sergio Pérez também mandou bem e partiu da quarta posição. Os freios fumegantes e a largada horrorosa de Kobayashi não precisavam ter acontecido, mas quem imaginaria que os dois companheiros se ferrariam de verde e amarelo naquela apertada primeira curva? Pérez abandonou no ato e Kobayashi seguiu em frente, aos trancos e barrancos, até o fim. Saldo final: zero ponto. Injustiça total com uma equipe que poderia perfeitamente ter ocupado dois lugares no pódio.

CATERHAM2 – Se Tony Fernandes e Heikki Kovalainen demonstraram publicamente sua insatisfação com os rumos da equipe, quem sou eu para dizer o contrário? Ninguém esperava por isso, mas a Marussia avançou de tal forma que os esverdeados terão de trabalhar para não serem superados. Kovalainen e Vitaly Petrov ainda não foram batidos pelos pilotos das duas equipes piores, mas a distância para a Toro Rosso parece ter aumentado um pouco. E na corrida, o finlandês ainda causou involuntariamente um acidente nos boxes, quando o responsável pelo pirulito o liberou mais cedo do que deveria e Narain Karthikeyan acabou acertando seu carro. Erro grotesco e perigoso. Seria uma pena se a Caterham, que avança a passos de formiga, estacionasse em sua evolução.

MARUSSIA6 – Sempre inexpressiva e esquecida, a equipe anglo-russa chamou a atenção em alguns momentos pontuais em Spa-Francorchamps. No segundo treino da sexta-feira, aquele em que havia mais água do que asfalto no circuito, Charles Pic conseguiu uma improvável liderança. Nunca mais a Marussia conseguira repetir tal resultado, anotem. No treino oficial, embora Pic tenha ficado atrás de Pedro de la Rosa, é visível que o carro vermelho e preto melhorou um pouco. E na corrida, Pic e Timo Glock fizeram talvez uma das batalhas mais memoráveis no ano. Pena que poucos prestaram atenção.

HRT3 – Pouco a dizer. Na verdade, devo criticar apenas a suspensão de gelatina que instalaram no carro de Narain Karthikeyan. Ela se rompeu em plena Stavelot e causou o acidente do piloto indiano, que saiu tranquilamente do carro. A batida só não foi forte porque o carro da HRT é diabolicamente lento. Pedro de la Rosa não fez muita coisa de novo. Superou Charles Pic na qualificação, passou por cima de alguns destroços na largada, trocou o bico, voltou lá no fim do grid, fez o que tinha de fazer e terminou a corrida. Se a Marussia realmente melhorou, é bom os espanhóis também trabalharem um pouco mais.

TRANSMISSÃOREPLAY! – Só eu reparo nestas coisas? Durante a corrida, por duas vezes, o tiozinho barrigudo responsável pelos GCs da transmissão esqueceu o marcador “Replay” ligado. Não sei se estava bêbado ou puto da vida por causa do abandono do Kamui Kobayashi. Durante alguns segundos, assistimos a replays em tempo real, uma coisa de outro mundo, que só a vanguardista Fórmula 1 pode oferecer a você. A transmissão brasileira também cometeu seus pequenos deslizes de sempre, nada de muito absurdo. Pneu Mercedes e Mika Räikkönen ultrapassando Schumacher na Kemmel fizeram parte do cardápio. Legal foi a lembrança da história do Eliseo Salazar com o Nelson Piquet. É uma pena que o narrador se preocupe tanto em contar o passado e se esquece do presente, perdendo a belíssima briga entre os dois carros da Marussia. Mas de equipe pobre, ele só presta atenção em replay. Replay! Replay!

CORRIDAMERCI, ROMAIN – Se Romain Grosjean foi apedrejado por tirar da prova o líder do campeonato e o namorido da Pussycat Doll, além de acabar com os sonhos do piloto mais legal do grid, é bom que se diga que a corrida ficou muito legal a partir do acidente causado por ele. O grid ficou totalmente bagunçado e pilotos como Sebastian Vettel, Michael Schumacher, Kimi Räikkönen e Nico Hülkenberg puderam dar seus pequenos espetáculos pessoais, para deleite de todos. A vitória de Jenson Button nunca esteve ameaçada, mas as disputas da segunda posição para baixo ficaram muito divertidas. Fazia tempo que uma corrida em Spa-Francorchamps não ficava tão movimentada. E para quem gosta de acidentes, o que Romain Grosjean fez foi uma verdadeira pintura abstrata. Para mim, a única coisa chata foi ver a grande maioria dos pilotos para quem torço se envolvendo na carambola da largada. Alonso, Hamilton, Maldonado e Kobayashi acabaram com seus fins de semana ali.

GP2OCEANO DE BARBARIDADES – O líder Luiz Razia chegou a Spa-Francorchamps sete pontos à frente do italiano Davide Valsecchi. Ambos saíram de lá empatados, com 204 pontos. O título só será definido na última rodada, em Marina Bay. Mas o que aconteceu em Spa-Francorchamps? Para variar, uma série de acidentes absurdos e barbeiragens bizarras que apenas comprovam o baixíssimo nível da GP2 neste ano. A primeira corrida foi vencida pelo sueco Marcus Ericsson, que vinha devendo esta vitória há dois anos. Ele assumiu a ponta após ultrapassar o pole Rio Haryanto sob bandeira amarela – mas ninguém viu. O que mais chamou a atenção foi o acidente violentíssimo do holandês Nigel Melker, da Ocean. Ele bateu de frente nos pneus da curva Raidillon e não sofreu ferimentos sérios por sorte. Na segunda corrida, marcada por uma fechada criminosa que James Calado deu no baiano Razia na primeira volta, o vencedor foi Josef Kral. Felipe Nasr terminou no segundo lugar após ultrapassar o mesmo Calado na última curva da corrida. Eu costumo ser contra punições, mas o que fazer com estes doidos?

GP3OCEANO DE BARBARIDADES – A GP3 só não tem ainda mais barbaridades que a GP2 porque suas corridas não duram nada. A primeira, marcada por um sério acidente do irlandês Robert Cregan, teve somente quatro voltas em bandeira verde e consagrou como vencedor o alemão Daniel Abt. O acidentado Cregan é irlandês e corre pela Ocean, assim como Nigel Melker. Coitado do patrão Tiago Monteiro, que terá de gastar uma fortuna para consertar seus carros de GP2 e GP3. O piloto, em compensação, não sofreu nada de muito grave. Na corrida de domingo, quem venceu foi o finlandês Matias Laine, que saiu da quinta posição para liderança em poucos instantes. O segundo colocado, o luso António Félix da Costa, também foi bem pra caramba: largou em sétimo e terminou em segundo. O líder do campeonato é o neozelandês Mitch Evans, um dos poucos caras que realmente andam valendo a pena prestar atenção no automobilismo de base. Ele tem 17 pontos de vantagem para o finlandês Aaro Vainio e resta apenas uma rodada dupla para o fim do campeonato. Só perde se for amaldiçoado por alguma magia maori.

MCLAREN9,5 – Não levou seu primeiro dez porque Jenson Button, oh, terminou apenas em sexto. Não que a culpa tenha sido totalmente dele, mas não é o resultado que esperamos de alguém que larga na quarta posição em Hungaroring. De qualquer jeito, o piloto que mais importava foi o que se deu melhor. Lewis Hamilton estraçalhou a concorrência desde a sexta-feira, marcou uma pole-position facílima e liderou quase que de ponta a ponta, sem dar chance a piloto da Lotus algum. As atualizações implantadas a partir de Hockenheim parecem ter surtido efeito. E o trabalho nos pit-stops, tão ordinário no primeiro semestre, foi muito bom em terras húngaras.

LOTUS9 – Os dois pilotos quase bateram um no outro na volta 46, quando Kimi Räikkönen retornou do seu segundo pit-stop e assumiu a segunda posição. Foi o único momento de tensão lá pelos lados pretos e dourados do paddock. Fora isso, o fim de semana foi muito bom e tanto Kimi como Romain Grosjean terminaram no pódio. O suíço voltou a ser o melhor nome da equipe no sábado com o segundo lugar no grid, mas o finlandês foi mais esperto e ganhou várias posições na estratégia e no ritmo alucinante no segundo stint. O carro esteve muito bom, mas a pergunta fatal persiste: cadê a porra da primeira vitória?!

RED BULL7,5 – Fim de semana bom, mas muito longe do desejável, pois nenhum dos seus homens subiu ao pódio magiar. Sempre mais rápido, Sebastian Vettel largou em terceiro e esteve lá nas cabeças o tempo todo, mas não conseguiu ser páreo para os três primeiros colocados e nem mesmo a estratégia de três paradas ajudou. Mark Webber também parou três vezes, tendo sido um dos poucos a largarem com pneus médios, mas não conseguiu se recuperar muito do mau desempenho no treino oficial e terminou preso atrás de Bruno Senna. Quem realmente merece os aplausos são os mecânicos, que fizeram ótimos pit-stops e chegaram a devolver Vettel à pista após 18,9 segundos, a menor marca do fim de semana.

FERRARI6,5 – Dessa vez, confirmou aquilo que os fãs menos sensatos de Fernando Alonso sempre pregaram: o carro esteve muito abaixo de McLaren, Red Bull e Lotus. O espanhol não teve muito o que fazer sem um brinquedinho legal, largou em sexto e terminou em quinto, fugindo de encrencas e pensando apenas no campeonato. Num dia desses, é óbvio que Felipe Massa desapareceria na mediocridade. Ele largou em sétimo, mas caiu para nono logo no começo e terminou na mesma. Também fugiu de encrencas, se bem que a Ferrari não se importaria em ver um piloto mais ousado no carro nº 6. Esse mau fim de semana pode ter sacramentado o fim da era Massa na Ferrari.

WILLIAMS7 – Em Hungaroring, teve um carro bom e os dois pilotos provaram isso. A diferença é que, por incrível que pareça, Sir Frank Williams só está podendo confiar em Bruno Senna, que terminou o GP numa ótima sétima posição. O brasileiro teve um fim de semana formidável, foi rápido durante todo o tempo, passou para o Q3 pela primeira vez no ano, efetuou uma grande corrida e foi premiado com os pontinhos. Ainda bem que Senna gerou alguns dividendos, pois se dependêssemos de Pastor Maldonado… O cara conseguiu largar em oitavo, mas desperdiçou qualquer chance ao partir muito mal e bateu o último prego no caixão com o toque em Paul di Resta. É o verdadeiro Pastor Maldotado.

MERCEDES2 – Fim de semana bizarríssimo da equipe com o desempenho mais incerto na temporada. Os carros prateados podem brigar pela vitória em um fim de semana e amargar uma oitava fila tranquilamente no GP seguinte. Nico Rosberg foi o responsável pelo único ponto da equipe na corrida. O cara largou em 13º e ficou naquela boiada quase que o tempo inteiro. Pelo menos, ele não cometeu os mesmos vexames do famoso companheiro. Michael Schumacher fez tantas bobagens neste fim de semana que eu prefiro acreditar que era o Ralf Schumacher que decidiu enganar todo mundo assumindo o carro do irmão. Enfim, deu quase tudo errado. É uma escuderia que não evolui de jeito nenhum, uma Jaguar menos constrangedora.

FORCE INDIA4,5 – Um pouco de sorte e uma pitada de caldo de galinha talvez ajudassem. Os carros indianos não andaram exatamente mal, mas num fim de semana onde três equipes (Red Bull, Lotus e McLaren) dominaram e uma (Ferrari) ficou sempre à espreita, seria muito difícil pensar em pontos. Nico Hülkenberg até tentou. Novamente superior ao seu companheiro Paul di Resta no treino oficial, o alemão largou em 10º e terminou em 11º, ficando fora da zona de pontuação por meros detalhes. Di Resta fez outra corrida apagada e a ainda levou porrada de Pastor Maldonado. Pit-stops apenas razoáveis.

SAUBER1,5 – A Sauber competente e contente de Hockenheim ficou lá na Alemanha, mesmo. Na Hungria, a equipe suíça se complicou com o traçado sinuoso de Hungaroring e ficou lá trocando tapas com Toro Rosso. Sergio Pérez ainda foi melhorzinho, largou à frente e finalizou em 14º após ter tentado adiar ao máximo suas paradas. Kamui Kobayashi foi ainda pior, chegou a andar atrás da Caterham e abandonou a prova com problemas hidráulicos. Não há nada de bom para falar aqui.

TORO ROSSO2 – O que há para dizer de novidade? As rosas são vermelhas, o céu é azul e a Toro Rosso fede a cadáver de urubu. Os talentosos Daniel Ricciardo e Jean-Eric Vergne largaram lá atrás, andaram lá atrás, terminaram lá atrás e, se bobear, voltaram para casa lá no fundo do avião. Sem carro, nenhum deles sequer sentiu o cheiro dos pontos. Enquanto nada mudar, continuo sem muito o que dizer dos rubrotaurinos italianos.

CATERHAM3 – Heikki Kovalainen e Vitaly Petrov fizeram o que se esperava deles: ambos chegaram ao fim da corrida com o carro inteiro e as quatro rodas grudadas nele. O finlandês foi o líder da equipe novamente, embora isso não signifique muita coisa. Ambos os pilotos tentaram três pit-stops, mas o efeito prático foi praticamente nulo. O que poderia ser bastante melhorado é o trabalho dos mecânicos nos pits, que continua terrível.

MARUSSIA2,5 – Como se já não bastassem os problemas financeiros, a equipe ainda teme a possibilidade de uma esdrúxula guerra aberta entre seus dois pilotos. O experiente Timo Glock voltou a perder para o companheiro Charles Pic, calouro, e está revoltado com tudo. Explica-se: Glock foi atrapalhado pelo próprio Pic na qualificação e não conseguiu algo melhor do que o 22º lugar no grid. Na corrida, ainda rodou sozinho e chegou a ficar atrás da HRT durante algum tempo. Pic foi bem melhor e terminou em 20º. Que a maré fique mais tranquila lá nos boxes russos.

HRT2 – A lanterninha do grid teve um dia normal para seus padrões. Apenas Pedro de la Rosa chegou ao fim, pois Narain Karthikeyan teve um problema à la Ayrton Senna em Imola e acabou batendo de leve no guard-rail, já que não anda rápido o suficiente para bater forte. Quanto a De La Rosa, ele teve um fim de semana tranquilo e sem problemas. Foda é que os mecânicos perdem muito tempo em seus pit-stops e as estratégias são ridículas. Assim, nunca chegará sequer aos pés da Marussia.

TRANSMISSÃOTCHÓÓÓAR! – Sem o locutor titular, que estava fazendo um frila num canal pago qualquer, restou à emissora brasileira colocar para narrar o Sr. IMPRESSIONANTE, aquele a quem o orvalho da madrugada ou o caminhar da joaninha, digamos assim, o impressiona bastante. Devo dizer, não obstante, que ele até narrou muito bem, sem grandes tropeços e sem exageros. Teria sido o desânimo da corrida? Ou seriam meus padrões, consideravelmente rebaixados neste fim de semana? Não importa. O highlight do GP foi o nome da namorada de Bruno Senna, Tchóóóóóar. Como é, querida repórter? Tchóóóóar. Mais uma vez: Tchóóóóar, uma gracinha de pronúncia.

CORRIDAO VELHO SONÍFERO HÚNGARO – Diz a piada que o homem foi ao médico e descobriu que tinha apenas um dia de vida. “O que faço agora que só me resta um dia, doutor?”. O sábio médico responde: “Vá assistir ao GP da Hungria. As duas horas de corrida parecerão dois anos”. OK, não teve graça na minha versão, foda-se. Eu gosto de Hungaroring, mas não por causa das provas de Fórmula 1, que historicamente são um porre. Nos últimos anos, principalmente em 2011, houve um pouco mais de emoção, mas este ano foi completamente desértico em termos de diversão. Lewis Hamilton largou na pole-position e ganhou principalmente porque a pista não permitia ultrapassagens, o que arruinou qualquer chance de vitória de Romain Grosjean ou Kimi Räikkönen. Lá no meio do pelotão, as disputas foram poucas, algumas deram certo (Senna x Pérez) e outras resultaram em desastre (Maldonado x Di Resta). E o heptacampeão Michael Schumacher aprontou um monte nos primeiros instantes. Para mim, duas horas de luta para manter os olhos abertos.

GP2ORGULHO DO PAPI – A tradição diz que Max Chilton, filho de um dos homens mais ricos da Inglaterra, sempre ganha sua primeira corrida em uma determinada categoria na terceira temporada – o que denota uma baixa capacidade cognitiva do britânico. Em 2009, ele venceu pela primeira vez na Fórmula 3 britânica após quase três anos na categoria. O mesmo se repete agora na GP2. Chilton fez o fim de semana da sua vida em Hungaroring: largou na pole-position, aguentou a pressão dos pilotos que vinham atrás no momento em que o tráfego atrapalhou e levou o troféu para casa. Davide Valsecchi e Luiz Razia, os líderes do campeonato, completaram o pódio após uma briga bastante encarniçada durante a prova. No domingo, o vitorioso foi Esteban Gutiérrez, que não teve dificuldade alguma para deixar Nathanaël Berthon para trás e ganhar. Razia foi novamente terceiro colocado e Felipe Nasr teve uma atuação de gente grande, saindo de 25º para terminar em oitavo. Lembre-se: estamos em Hungaroring, onde as ultrapassagens são quase impossíveis. Vai longe, o cara.

GP3O MUNDO GIRA, O LUSO GANHA – Que alguma boa alma endinheirada preste atenção em António Félix da Costa. O piloto português de 20 anos ganhou as duas corridas da rodada dupla de Hungaroring da GP3 Series e se aproximou perigosamente dos dois líderes da temporada, Mitch Evans e Aaro Vainio. O finlandês até largou na pole-position na primeira prova, mas se deu mal com uma largada ruim e permitiu que Da Costa assumisse a ponta. Na segunda corrida, toda encharcada, António só entrou na briga porque fez o pit-stop para colocar pneus slick na hora certa e, com um carrpo muito mais rápido, simplesmente engoliu os adversários nas últimas voltas. A Red Bull o apóia desde há algumas semanas. Que ele consiga chegar à Fórmula 1 no futuro.

FERRARI9 – Como sempre, resultados destoantes. Fernando Alonso ganhou mais uma, a terceira no ano. Marcou a pole-position, fez o que quis na corrida, controlou o ritmo, conteve os ímpetos de Sebastian Vettel e Jenson Button e venceu. Felipe Massa largou lá atrás, bateu na largada e terminou lá no pelotão do Deus-me-livre. Bom trabalho nos boxes, carro acertadinho e consumo baixo de pneus permitiram que os ferraristas celebrassem mais um fim de semana impecável. Mas com apenas um piloto.

MCLAREN8 – Trouxe para Hockenheim um carro todo novo, com pecinhas especiais, combustível de nave espacial e motor de urânio enriquecido. Faltou apenas pedir encarecidamente a Lewis Hamilton para que não saísse por aí atropelando pedaços de carro. Graças a isso, o polêmico piloto britânico estourou um pneu e perdeu uma boa chance de conseguir alguns pontos. Pelo menos, Jenson Button conseguiu sair da sexta para a segunda posição após uma excelente atuação. É bom destacar também o trabalho supersônico dos mecânicos no segundo pit-stop de Button, que teve os quatro pneus trocados em inacreditáveis dois segundos e 31 centésimos.

LOTUS6,5 – Aquela coisa de sempre. Na quinta-feira, alimenta as esperanças de todos. Na sexta-feira, anda razoavelmente bem nos treinos livres. No sábado, se complica com pelo menos um de seus pilotos na qualificação. Na corrida, lamenta mais uma corrida ruim de Romain Grosjean e celebra algum resultado inesperado de Kimi Räikkönen. Este script foi seguido à risca em Hockenheim. O franco-suíço se envolveu num acidente na largada e não conseguiu nem sequer sentir o cheiro dos pontos. Räikkönen, sempre discreto, andou forte sem exceder e foi premiado com um pódio no tapetão. Quando virá a tal primeira vitória?

SAUBER9 – Grande domingo. Para uma equipe média numa corrida onde 23 pilotos chegaram ao fim, ter seus dois pilotos terminando em quarto e sexto foi um feito e tanto para Peter Sauber. Os destemidos Kamui Kobayashi e Sergio Pérez não fizeram nada no treino oficial, mas compensaram com uma atuação fenomenal na corrida. O mexicano até começou melhor, mas o japonês reagiu na metade da prova e foi premiado com uma ótima quarta posição. Injusto, no entanto, desprezar a ótima atuação de Pérez, que foi devidamente atrapalhado por um problema no câmbio durante os treinos e um pneu quadrado na corrida. Não demita o Koba, seu Peter!

RED BULL7 – Era a única equipe com um carro bom o suficiente para derrotar a Ferrari, mas não conseguiu sequer o pódio. Só não se meta a dizer que os pilotos tiveram culpa. O pobre do Mark Webber conseguiu um terceiro lugar na classificação, mas uma troca de câmbio o fez largar em oitavo. Infelizmente, ele terminou na mesma posição no domingo. Sebastian Vettel largou da primeira fila, tentou dar alguma dor de cabeça a Fernando Alonso e conseguiu garantir a segunda posição na penúltima volta. No entanto, a ultrapassagem sobre Button foi considerada ilegal e Vettel foi rebaixado para o quinto lugar. Punição exageradíssima.

MERCEDES3,5 – Não merecia nem ter pontuado. Os dois pilotos se esforçaram ao máximo, mas foram amplamente atrapalhados pelo seu cinzento objeto de trabalho. Não que Nico Rosberg tenha feito miséria no treino classificatório, mas a punição por troca de câmbio não o deve ter animado muito. Largando lá de trás, ele foi talvez o único piloto que se deu mais ou menos bem com a estratégia de três paradas. Michael Schumacher não precisou trocar de câmbio, largou em terceiro, foi ultrapassado por um monte de gente e terminou em sétimo sem pneus. Quando terão um fim de semana bom para os dois pilotos?

FORCE INDIA5 – Sem muitos abandonos ou acontecimentos nonsense na corrida, a Force India não podia esperar mais do que um bocadinho de pontos. Eles, dois, vieram com Nico Hülkenberg, que andou muito bem no treino oficial e decaiu durante a prova graças ao alto consumo de pneus de seu VJM05. O alemão voltou a render mais do que Paul di Resta, que largou em nono e terminou em 11º. Ele até sofreu mais com os pneus, pois parou apenas duas vezes. Mesmo assim, ainda terminou à frente de bastante gente.

TORO ROSSO2 – Em fase muito ruim, a equipe italiana passou mais um fim de semana zerada. Como sempre, Daniel Ricciardo foi o melhor no treino classificatório e Jean-Eric Vergne se recuperou bastante na corrida. Mesmo assim, nenhum dos dois consegue sequer beliscar um ou dois pontinhos. O australiano largou em 11º e perdeu posições por causa da falta de estabilidade de seu carro. Vergne teve um pneu furado e passou a maior parte do tempo disputando posições inúteis com as equipes minúsculas. A humanidade caminha e a Toro Rosso fica para trás.

WILLIAMS1 – Pior fim de semana no ano com sobras. Não ganhou nota zero apenas porque Pastor Maldonado andou muitíssimo bem nos treinos livres e conseguiu o quinto lugar no grid. A felicidade acabou aí. O venezuelano perdeu todas as posições que conseguiu e só não passou mais vergonha porque não bateu em ninguém. Foi uma compensação ao acidente de Valtteri Bottas na sexta-feira, que atrasou o cronograma do pobre do Bruno Senna. O sobrinho, aliás, não fez nada a não ser se envolver num problema com Romain Grosjean na primeira volta. Chegou ao fim, mas atrás de Vitaly Petrov. Pois é.

CATERHAM4 – Ninguém contava com isso, mas Vitaly Petrov foi o cara deste fim de semana. O russo fez uma corrida muito boa e terminou à frente de gente com carro bem melhor. Um bom trabalho para um cara que está pagando seus pecados após dois anos correndo para Eric Boullier. O companheiro Heikki Kovalainen não foi mal, mas acabou sumindo graças aos quatro pit-stops. É uma pena que uma corrida boa da equipe signifique tão somente terminar em 15º, 16º, coisa assim.

MARUSSIA3 – Assim como a Caterham, viu a ordem das coisas ser invertida em Hockenheim. O novato Charles Pic foi o melhor piloto da equipe: largou em 20º e terminou na mesma posição, à frente dos dois carros da HRT e do companheiro Timo Glock. O alemão, por sinal, foi uma das decepções ocultas do fim de semana: esteve lento durante todo o tempo e apanhou de Pedro de la Rosa no final da corrida. Quanto aos mecânicos, continuam incompetentes.

HRT3,5 – Os dois pilotos pareciam muito satisfeitos após a corrida, mesmo após terem terminado em 21º e 23º. Pedro de la Rosa ultrapassou Timo Glock no final da corrida e ficou muito orgulhoso por isso. E a volta mais rápida de Narain Karthikeyan foi melhor que a de Timo Glock, algo notável em se tratando do indiano. Mas bem que os mecânicos poderiam caprichar um pouco mais nos pit-stops.

TRANSMISSÃOLEVAR A SÉRIO – “Grande Prêmio da Alemanha, aqui no circuito de Nürburgring… Circuito de Hockenheim. Eu errei, errar é humano, mas tem gente que leva tudo a sério, né?”. Estas sábias palavras foram proferidas pelo locutor oficial da transmissão brasileira, que não teve de narrar rinha de galo neste fim de semana. Pouco antes da largada, ele confundiu Hockenheim com Nürburgring, mas corrigiu logo em seguida e ainda soltou a frase de protesto citada logo acima. Calma, amigo. Não levamos tudo a sério. Gostamos apenas de rir um pouco dos pequenos deslizes humanos que acontecem na televisão, uma instituição humana, afinal. Para mim e para muitos, você continuará sendo o melhor narrador que o Brasil já teve. Então, um pequeno e singelo recado: seu Luciano do Valle, não leve tudo a sério.

CORRIDAOS ASTURIANO PIRA – Mais uma vitória de Fernando Alonso, não é? Os opositores suspiram e reclamam. Chega. Alonso é mau-caráter, cabeçudo e sobrancelhudo demais para ganhar tanto assim. Ele pode até ser isso tudo, mas também é bom pra caramba. Sua pole-position não foi obra do acaso, assim como a liderança fácil e totalmente controlada. O F2012, ademais, evoluiu muito do início do ano para cá. Hoje, é carro para ganhar título, sim, senhor. Bem que Sebastian Vettel e Jenson Button, a dupla dinâmica de 2011, tentaram impedir, mas tiveram de se contentar com pódio – ou nem isso, no caso do alemão. A propósito, que punição mequetrefe, hein? Eu não torço pro Vettel, mas reconheço que foi uma puta falta de sacanagem o que fizeram com ele. E que ninguém venha com legalismo aqui. Eu sei que as regras foram decididas no briefing, mas elas não deixam de ser inaceitáveis. Se o mundo fosse um lugar perfeito, apenas cortes de chicanes seriam passíveis de punição. Agora, até mesmo a embarrigada não é permitida. Automobilismo chato.

GP2CORAGEM – Você precisa ter dois colhões e meio para largar de pneus slick quando 24 pilotos optam por pneus mais adequados para pista molhada. Então, aplaudam o meio colhão a mais que Johnny Amadeus Cecotto tem em relação aos demais. O venezuelano largou da 17ª posição e se aproveitou de uma pista que secava rapidamente para ultrapassar todo mundo e assumir a liderança com a rapidez de um meteoro. Deu até para fazer o pit-stop tranquilamente e manter a liderança até o fim. Luiz Razia terminou em sétimo e pôde largar em segundo na corrida de domingo. Infelizmente, uma rodada logo no começo o impediu de abrir uma distância maior na liderança do campeonato. Quem venceu foi o rapidíssimo e confiável James Calado, que comandou a prova de ponta a ponta. O terceiro colocado foi exatamente o brasiliense Felipe Nasr, que fez um excelente fim de semana e pulou para a nona posição no campeonato.

GP3VOO LIVRE – Essas corridas curtas da GP3 ficam patéticas quando há intervenção do safety-car e bandeira vermelha. Na primeira prova de Hockenheim, um temporal assassino fez com que houvesse não mais do que seis voltas de corrida em bandeira verde. Um abraço aos que são a favor dessas interrupções monstruosas quando chove. Patric Niederhauser ganhou após superar Conor Daly por apenas seis décimos. A segunda corrida foi um pouco mais interessante. Na primeira volta, a pobrezinha da Vicky Piria causou um reboliço que envolveu vários carros, levantou voo duas vezes e destruiu seu carro azul e branco. A mocinha passou a noite no hospital, mas ficou bem. Outro que voou longe foi o brasileiro Fabiano Machado, que pegou uma ondulação na grama e decolou por alguns metros, mas não se machucou. Venceu Mitch Evans, o talentoso neozelandês que merece atenção lá no futuro. Esse deverá voar alto de verdade.

RED BULL9,5 – Voltou a ser a melhor equipe da Fórmula 1. Perdeu a pole-position para o iluminado Fernando Alonso, mas loteou o pódio com seus dois carros azulados e lotados de fotografias. E nada como um bom trabalho em equipe para fazer tudo funcionar. Mark Webber ganhou a corrida porque andou rápido e também porque foi beneficiado por uma estratégia que lhe permitiu ter pneus bons o suficiente para ultrapassar Alonso no final. Sebastian Vettel não foi tão bem no treino oficial, mas pisou fundo e foi amplamente ajudado pelos mecânicos nos pit-stops. Graças a tudo isso, um bom terceiro lugar. Alain Prost disse que a equipe rubrotaurina será campeã de novo. Se Alonso não tomar cuidado e a McLaren não reagir, o narigudo não estará errado.

FERRARI8,5 – Aquele negócio do F2012 ser um tanque de guerra equipado com motor de mobilete definitivamente virou lenda. O carro está funcionando bem e, desta vez, os dois pilotos andaram muito. A grande novidade foi ver Felipe Massa fazendo um fim de semana bastante satisfatório. Ele largou em quinto, esteve sempre combativo e só não terminou no pódio porque a Red Bull foi mais esperta no pit-stop de Sebastian Vettel. Já Fernando Alonso das Astúrias marcou uma pole-position inesquecível, mas perdeu a vitória porque estava com pneus remold nas últimas voltas. Enfim, dava para ter sido melhor, mas não foi ruim, não.

LOTUS8 – Começo a acreditar que, por incrível que pareça, o problema da equipe é a dupla de pilotos. Romain Grosjean é muito veloz e está altamente motivado, mas não acerta duas seguidas. E Kimi Räikkönen é o personagem preguiçoso e indolente de sempre. O carro estava muito bom no seco e poderia ter facilmente obtido um pódio, mas os pilotos não fizeram sua parte. Grosjean rodou sozinho no sábado e bateu na largada, mas recuperou-se e terminou em sexto. Räikkönen esteve sempre ali, entre os primeiros, e terminou grudado atrás de Felipe Massa, mas me deu a incômoda impressão de não ter feito tudo aquilo que poderia. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas cadê a porra da primeira vitória?

MERCEDES5 – Só não passou o fim de semana em branco porque Michael Schumacher teve um fim de semana digno. O velho largou lá da terceira posição e permaneceu por lá até ser ultrapassado por Felipe Massa. Sem pneus, despencou e terminou apenas em sétimo. Pelo menos, pontuou, algo que não aconteceu com seu companheiro Nico Rosberg. O infeliz largou lá atrás, perdeu posições na largada, teve problemas em um dos pit-stops e terminou numa posição completamente miserável. E o carro segue totalmente imprevisível.

MCLAREN4 – É verdade, seus mecânicos não cometeram nenhum erro absurdamente bisonho no grande prêmio. Bem que tal feito poderia ter sido alcançado num fim de semana melhorzinho. Lewis Hamilton e Jenson Button até pontuaram, mas suas participações foram quase constrangedoras. Lewis ainda foi mais feliz e andou sempre entre os dez primeiros, mas uma estratégia estranha pra caramba acabou com seu dia. Jenson Button teve um bom revival de seus tristes dias de Honda em 2008 e andou do meio para trás durante quase todo o tempo. Marcou um ponto na pura boa vontade do destino.

WILLIAMS3 – Com esses dois pilotos aí, não há FW34 que ajude. Bruno Senna e Pastor Maldonado, em momentos distintos, deram bons prejuízos à equipe de Grove em Silverstone. O brasileiro bateu feio na sexta-feira, mas ao menos se redimiu e marcou dois pontinhos no domingo após duelar com Nico Hülkenberg. Sempre mais alucinado, Maldonado tinha totais chances de pontos após obter um sétimo lugar no grid. O sonho acabou após ele bater de maneira beócia no carro de Sergio Pérez. Se não fosse a estupidez do venezuelano e o conservadorismo do sobrinho, a Williams estaria nadando em pontos neste momento.

SAUBER4,5 – Saiu da Inglaterra sem um pontinho sequer, o que me soa injusto. Tanto Sergio Pérez quanto Kamui Kobayashi poderiam ter pontuado normalmente, mas as vicissitudes da vida não deixaram. O mexicano vinha muitíssimo bem, mas foi atropelado por Pastor Maldonado e teve de sair da corrida. Kobayashi poderia ter salvado o dia, mas atropelar seus mecânicos em um dos pit-stops não é o caminho mais seguro para o sucesso. O resultado final foi uma pena, já que o carro estava bom e os dois pilotos fizeram um trabalho bacana nos treinos livres. Mas como treino não conta nada, só resta o choro.

FORCE INDIA3,5 – Esperava muito de Paul di Resta, que corria diante de seus conterrâneos de saia, mas o cara pouco produziu. Esteve discreto nos treinamentos e acabou atingido por Romain Grosjean na largada, abandonando logo de cara. Quem apareceu melhor foi Nico Hülkenberg, que voou baixo no treino oficial. Infelizmente, a sorte não esteve ao seu lado. A punição causada pela troca de câmbio e a má estratégia fizeram com que ele não marcasse pontos. O carro vinha melhorando nas últimas etapas, mas Silverstone veio apenas para cumprir tabela.

TORO ROSSO3 – Deus que me perdoe, hein? Tenho dó de Daniel Ricciardo e Jean-Eric Vergne, dois jovens talentosos que estão apenas manchando sua imagem com um carro tão ruim. O australiano até que fez um trabalho razoável no treino oficial, mas voltou a se embananar na largada e terminou em posição pior do que largou. Vergne largou lá da última fila e só ganhou boas posições na largada. Os dois, mesmo tendo tomado caminhos diferentes durante o fim de semana, terminaram mais ou menos próximos. Ambos chafurdados na lama.

CATERHAM3 – Dessa vez, não fez nenhum brilhareco, não ameaçou a Toro Rosso e ficou ali, sendo aborrecida por Marussia e HRT em momentos pontuais. Vitaly Petrov não largou por causa de um problema no motor Renault, que engripou antes mesmo da largada – a montadora francesa está de sacanagem, pois esse tipo de coisa nunca acontece na Red Bull. Quanto a Heikki Kovalainen, este aqui largou mal, caiu para a lanterna, recuperou algumas posições e chegou ao fim, naquele mesmo patamar de sempre.

MARUSSIA3 – Não trouxe grandes novidades. Timo Glock e Charles Pic terminaram a corrida sem grandes encrencas. O alemão fez o seu trabalho de sempre, mas o francês teve inúmeros problemas nos treinos e não conseguiu sequer largar à frente dos carros da HRT. Na corrida, contudo, a ordem natural das coisas foi restabelecida. Em se tratando de uma equipe que não chorou a morte de Maria de Villota por pouco, não deixa de ser algo bom.

HRT3 – Como estou com preguiça para ficar inventando notas para as equipes pequenas, emplaco mais um 3 para uma equipe que não brilhou e também não comprometeu. Pedro de la Rosa merece uma medalha Pierre de Coubertin pela inglória tarefa de pilotar o F112 tendo feito apenas uma troca de pneus. Não é das coisas mais fáceis dirigir um troço daqueles com pneus extremamente desgastados. Narain Karthikeyan não teve de passar por um sufoco tão grande. Largou, se divertiu um pouco e chegou ao fim.

TRANSMISSÃOLIMITE DAS LIMITAÇÕES – Eu fiquei, como posso dizer, IMPRESSIONADO. O narrador principal da transmissão brasileira foi sacado para narrar rinha de galo e, em seu lugar, foi escalado ninguém menos que seu empolgado e IMPRESSIONANTE substituto. Como já faz mais de uma semana que a corrida foi realizada, meu precário sistema nervoso não me permite lembrar de muita coisa. Mas não poderia deixar de me esquecer desta bela tautologia proferida em um mágico momento filosófico, quando era debatida a fascinação gerada pelo automobilismo, que “desafia o limite imposto por certas limitações a mais de 300km/h”. Devem ser limitações impressionantes, estas. Menção honrosa para a presença do ex-tenista Sebastien Grosjean, que o narrador enxergou no carro preto da Lotus. É muito Sebastien e muito Grosjean para uma única e limitada cabeça.

CORRIDAO SALTO DE WEBBER – Eu o vejo pular no pódio como uma rã assanhada desde os tempos da Fórmula 3000. Em Silverstone, os saltos são mais comuns do que em outras pistas. Pelo visto, Mark Webber adora o veloz circuito inglês, conhecido seu desde os remotos tempos de Fórmula Ford. O australiano largou na segunda posição e tomou a vitória de Fernando Alonso no final, obtendo sua segunda vitória no ano. Aliás, Don Alonso das Astúrias também merece menção. Aquela pole-position em uma pista que secava foi sensacional. E sua corrida, até a ultrapassagem de Webber, foi impecável. Pena que Silverstone não proporcionou tanta diversão assim lá atrás. Infelizmente, a nova Fórmula 1 conseguiu a proeza de transformar os circuitos mais velozes do ano nos menos emocionantes. Quem poderia imaginar que Silverstone, Spa-Francorchamps e Suzuka renderiam corridas piores do que Barcelona?

GP2VITÓRIA DA BAHIA – Falar em Vitória e Bahia na mesma frase soa engraçado. Luiz Razia ganhou mais uma, sua quarta vitória no ano. Foi no domingo, mas e daí? Sentou a bota no acelerador, peitou Davide Valsecchi no início da corrida, assumiu a liderança logo na segunda volta, conteve os ataques do italiano e de Felipe Nasr e ganhou. Nesse momento, ocupa a liderança da temporada e alimenta a esperança de muita gente aqui no Brasil. Nasr, aliás, também mandou bem pra caramba e terminou numa ótima terceira posição. Que beleza. A corrida do dia anterior foi vencida por Esteban Gutiérrez, que herdou a vitória após o pobre Fabio Leimer não ter entrado nos boxes para fazer seu pit-stop durante o safety-car. Bobeou, dançou. E Gutiérrez, que vem crescendo na temporada, levou.

GP3BULLYING – A desinteressante GP3 teve um fim de semana bom, até. As corridas não foram estritamente divertidas, mas os poucos bons pilotos que competem por lá deram um belo show. O vencedor da primeira corrida de sábado foi Antônio Félix da Costa, que não tem nada a ver com o peixe Gomes da Costa. O luso ultrapassou Mitch Evans e Aaro Vainio e sumiu na liderança, finalizando a prova sete segundos à frente do neozelandês. Mas inacreditável mesmo foi a atuação de Will Buller na corrida do domingo. O inglês foi um dos poucos que largaram com pneus slicks, tomou cuidado nas primeiras voltas e sentou o pé quando a pista começou a secar. Graças a isso, ele conseguiu sair da 25ª para a primeira posição em apenas dez voltas. Sim, é isso mesmo que você leu: 24 posições ganhas em dez voltas, caralho! Chupa, “Jô” Watson. O bullying do Will não será repetido por ninguém tão cedo.

FERRARI9 – Quando você vê um piloto chegando em primeiro e o outro em 16º, fica quase impossível avaliar se o F2012 e a equipe italiana são bons de verdade. Ninguém nega que o desempenho no treino oficial, com Fernando Alonso e Felipe Massa largando em 11º e 13º, foi uma tristeza só. No domingo, os dois tiveram sortes diferentes: Alonso fez uma das melhores corridas de sua vida e venceu na frente de 38 mil fãs. Felipe Massa se deu mal com os pneus novamente e ainda tomou uma paulada daquelas de Kamui Kobayashi. É bom destacar o excelente trabalho de boxes que a equipe fez, em especial o 2s9 que permitiu que Alonso ganhasse boas posições ainda na primeira parte da prova.

LOTUS8 – É incrível o que uma merda de alternador pode fazer com um ser humano. Eu já fiquei parado no meio de uma estradinha sem acostamento por causa desta porcaria. Romain Grosjean teve prejuízos um pouco mais desagradáveis: abandonou na volta 40 quando estava em segundo e perdeu talvez sua melhor chance de vitória até aqui. Uma pena, já que ele vinha fazendo um fim de semana impecável. Quem herdou a segunda posição foi exatamente Kimi Räikkönen, que segue nessa de não ir tão bem nos treinos oficiais, aparecer pouco nas primeiras voltas e ganhar posições no final. O carro estava muito bom e, não se enganem, a vitória virá logo.

MERCEDES7,5 – O resultado do domingo pouco refletiu o sábado meia-boca que a equipe de três pontas teve. Michael Schumacher obteve seu primeiro pódio desde 2006 após um final de corrida espetacular, no qual ultrapassou vários carros e ainda se aproveitou das maldonadices alheias. Foi um pódio que o próprio piloto disse não acreditar que viria, pois o fim de semana vinha sendo bem discreto até então. Menos surpreendente, Nico Rosberg largou em sexto e terminou na mesma posição após se enrolar um pouco com os pneus. A grande sacada da Mercedes, que sempre se complica com os compostos, foi deixar seus dois pilotos em ótimas condições na última volta. Funcionou legal.

RED BULL5,5 – Para este fim de semana, trouxe uma modificação nos sidepods que teria aumentado drasticamente a pressão aerodinâmica na parte traseira. Graças à novidade, Sebastian Vettel conseguiu uma pole sossegada no treino classificatório de sábado. No dia seguinte, liderou com autoridade até a volta 33, quando a mesma porcaria de alternador que fodeu com Romain Grosjean acabou com sua festa. Quem teve de compensar o dia foi Mark Webber, que largou numa indecorosa 19ª posição e conseguiu o quarto lugar nas últimas voltas. Alternador à parte, a equipe ainda é a melhor da Fórmula 1, ao menos nesta fase intermediária do campeonato.

FORCE INDIA9 – Vem se recuperando de maneira notável e foi premiada com 16 pontos somente na etapa valenciana. Os dois pilotos andaram muitíssimo bem nos treinos livres e se classificaram em oitavo e décimo no grid. No domingo, Nico Hülkenberg e Paul di Resta adotaram estratégias diferentes e até meio estrambólicas, como a tática de uma única parada no caso do escocês. Ambos se deram bem e foram vistos andando lá na frente no final da corrida, com Hülkenberg quase pegando seu primeiro pódio. Infelizmente, os pneus dos dois carros apodreceram nas últimas voltas, mas tanto Paul como Nico terminaram muito bem.

MCLAREN2,5 – Um dos pilotos é uma anta e o outro apagou desde as brumas chinesas. Os mecânicos parecem sofrer de esclerose múltipla e o carro, sem aquele degrau medonho, definitivamente perdeu aquela vantagem confortável das primeiras etapas. Em Valência, a equipe de Woking foi para casa com apenas quatro pontos no bolso e uma baita enxaqueca. Jenson Button foi mal de novo e só marcou pontos no final porque foi um dos poucos que não se envolveram em besteiras. Infelizmente, isso não aconteceu com Lewis Hamilton. Ele fez seu trabalho direito, largou na segunda fila e estava em segundo até poucas voltas para o fim. Pastor Maldonado, sempre ele, acabou com sua corrida e seu dia. Antes disso, no segundo pit-stop, um mecânico também fez alguma burrada e atrasou um pouco mais a vida do piloto inglês. Tudo errado.

SAUBER5 – Seus dois pilotos faziam corridas tão opostas que era improvável apontar um destino em comum para eles no fim da corrida. Kamui Kobayashi mandou bem pacas nos treinos, obteve o sétimo lugar no grid de largada e ainda ganhou algumas boas posições no início da corrida. Enquanto isso, Sergio Pérez se complicou no treino oficial e ficou travado no meio do pelotão da merda nas primeiras voltas. Conforme o tempo passava, a fortuna dos dois pilotos se invertia. O japa bateu nos dois pilotos brasileiros, perdeu o bico na primeira porrada e o rumo na segunda. Já Pérez fez a lição de casa direito e conseguiu salvar a honra suíça com dois pontos. O trabalho de pits foi um dos pontos negativos dos sauberianos.

WILLIAMS4 – Você olha para aquele belo carro azul escuro e pensa que ele está sendo subaproveitado por causa de seus pilotos. O venezuelano é rápido e esquizofrênico. O sobrinho apenas faz seu trabalho honesto, e às vezes nem isso. Pastor Maldonado andou muito bem nos treinos e tinha totais chances de chegar ao pódio, mas atirou tudo pela janela ao surrar a lateral da McLaren de Lewis Hamilton numa manobra digna de um buscapé aceso. Bruno também se envolveu em um acidente com Kamui Kobayashi e foi punido por isso. Na minha irrelevante opinião, merecidamente. Marcou um ponto, mas na mais pura cagada. Nesse horário, Frank Williams até suspira de saudade pelos doentios Juan Pablo Montoya e Ralf Schumacher.

TORO ROSSO0,5 – Nunca antes na história deste touro vermelho ele esteve em uma fase tão apagada. Nesta altura, a equipe azulada parece estar mais próxima das agruras da Caterham do que das concorrentes estabelecidas. Daniel Ricciardo e Jean-Eric Vergne foram superados por Heikki Kovalainen no treino classificatório e deixaram o sempre agradável Helmut Marko com apenas um olho aberto de reprovação. Na corrida, as coisas não melhoram. Ricciardo não fez nada e Vergne ainda causou um acidente babaca com Kovalainen, o que resultou em um pneu furado e uma merecida multa. A Red Bull já anunciou que o francês, que ganha 400 mil euros por ano, arcará sozinho com os 25 mil euros da multa. Coitado.

CATERHAM7 – Será que ela, após dois anos e meio, finalmente chegou lá? Pelo segundo grande prêmio consecutivo, a equipe verde conseguiu deixar ao menos um Toro Rosso para trás. Neste fim de semana valenciano, foi até melhor: Heikki Kovalainen deixou os dois carros da equipe italiana para trás e ainda enrabou Mark Webber, da poderosa Red Bull Racing. Só que o carma de 2010 se repetiu para ele: um carro rubrotaurino voltou a lhe atingir durante a prova. Dessa vez, Heikki conseguiu seguir em frente e chegou ao final. Menos espetacular, Vitaly Petrov também foi bem e até andou em décimo. Finalizou em 13º, seu melhor resultado até aqui. Numa corrida tão amalucada quanto esta, já dá para apontar a Caterham como uma possível pontuadora.

MARUSSIA2 – Assim como a Caterham, a Marussia também está mudando. Só que para pior. Sem Timo Glock, que comeu dobradinha e foi internado com um nó no estômago, a equipe russa teve de depender unicamente dos esforços do novato Charles Pic. Ele ficou atrás dos dois carros da HRT no treino oficial e ainda foi prejudicado pelo trabalho porco dos mecânicos da Marussia, talvez os piores da categoria. Pelo menos, chegou ao fim e à frente de Felipe Massa. Se muitas coisas não mudarem, não seria de todo descabido pensar que o time soviético poderá ser rebaixado para o honroso papel de lanterninha da Fórmula 1.

HRT5 – Esta daqui também não é nem um pouco genial em se tratando de estratégias de corrida e trabalho nos pit-stops, mas ao menos vem melhorando a cavalgadas. Na sexta-feira, Pedro de la Rosa estampou uma barreira de pneus com força e deu o maior trabalho aos mecânicos, que tiveram de se matar para consertá-lo a tempo para o sábado. Na qualificação, De la Rosa e Narain Karthikeyan deixaram Charles Pic para trás e escaparam da última fila. Os dois terminaram a corrida sem grandes dores de cabeça, embora o indiano tenha sido punido por ser ligeiro demais nos boxes – e só lá.

TRANSMISSÃOAS MALDADES – A transmissão brasileira, que anda iniciando com vinte minutos de antecedência e incomodando aqueles que preferiam assistir às novas técnicas de cultivo de jenipapo, acertou em cheio ao mostrar trechos da corrida de GP2 antes da largada. Pronto: Luiz Razia se transformou no mais novo ídolo instantâneo do automobilismo brasileiro, mas tudo bem. Uma corrida como a desse domingo teve vários momentos de destaque, mas minha memória falha me impede de lembrar deles. A revolta do narrador sobre o acidente entre Bruno Senna e Kamui Kobayashi foi particularmente interessante. É incrível como um cara pode se tornar o maior energúmeno do planeta se bater em um sujeito nascido por aqui. O mais engraçado é que o nacionalismo tacanho extrapola fronteiras. Na Finlândia, há um ex-piloto que faz o trabalho de lobbista de seus compatriotas na Fórmula 1. Por desejar ver Bruno Senna empalado, frito, assado ou morto para abrir uma vaga na Williams para seu protegido, ele angariou a antipatia de um Brasil inteiro. O narrador aqui não deixou barato: “Não há Mika Salo no mundo que me faça acreditar que o acidente foi culpa do Bruno. Vou fazer uma maldade: o reserva da Williams é finlandês e o Mika Salo também é finlandês. Pronto, fiz a maldade”. Não, não foi maldade. Foi apenas uma constatação certeira. Nacionalismo besta versus nacionalista besta. Quem perde somos nós, é claro.

CORRIDAQUEM DIRIA, VALÊNCIA – Alguém poderia imaginar que uma das pistas mais odiadas do calendário atual poderia render uma das corridas mais emocionantes da temporada? Estamos falando da Fórmula 1 2012, onde qualquer bizarrice pode acontecer. Após as divertidíssimas corridas da GP2, todo mundo imaginou que haveria uma chance ínfima de diversão para a prova principal. Mas ninguém esperava tanto. Até antes do acidente entre Jean-Eric Vergne e Heikki Kovalainen, que trouxe o safety-car à pista, o GP da Europa vinha morno como chuveiro vagabundo em dia frio. De repente, os dois líderes, Sebastian Vettel e Romain Grosjean, abandonaram com o alternador alternado e tudo ficou mais legal. Diante de uma torcida alucinada, Fernando Alonso assumiu a ponta e de lá não saiu mais. Atrás dele, as brigas foram inúmeras e intensas. Nomes como Pastor Maldonado e Kamui Kobayashi serviram para deixar as coisas ainda mais picantes. E o pódio foi o máximo. Em suma, somente uma pessoa de caráter duvidoso e inteligência limitada não pôde ver graça neste que foi um dos melhores GPs dos últimos anos.

GP2BORA BAHÊA – No ano passado, Luiz Razia era só mais um participante discreto e sem futuro que servia apenas para encher linguiça na GP2. Neste ano, algum espírito maligno se apoderou de seu corpo e fez do piloto baiano um sério candidato ao título. Em Valência, ele começou mal e só fez o 11º lugar no grid de largada. Numa pista de rua sem grandes possibilidades de ultrapassagem, o fim de semana parecia acabado logo de cara, mas ainda bem que as coisas mudaram logo no sábado. O pole-position James Calado vinha para uma vitória fácil, mas foi prejudicado pela infinita sequência de interrupções com safety-car e acabou ficando para trás. Ganhou Esteban Gutiérrez, que precisou atropelar Giedo van der Garde e foder com Fabio Leimer para se dar bem. Enquanto isso, Razia ganhava posições e terminava em terceiro. No domingo, o piloto de Barreiras passou um monte de gente nas três últimas voltas e saiu da sexta para a primeira posição meio que do nada. Com o resultado, Luiz ficou a apenas um ponto do líder Davide Valsecchi. Nunca um piloto brasileiro esteve tão próximo do título da GP2, essa é a verdade.

GP3OS MAIS PROFISSIONAIS – Por incrível que pareça, a criançadinha da GP3 demonstrou mais profissionalismo e sensatez do que os adolescentes da GP2, que fizeram bobagem atrás de bobagem em Valência. Na corrida de sábado, m verdadeiro sonífero, os pilotos foram econômicos em barbeiragens e as emoções praticamente inexistiram. Quem venceu foi o neozelandês Mitch Evans, que largou na pole e liderou de ponta a ponta. É bom ficar de olho no cara, que fez 18 anos no fim de semana. A corrida de domingo foi um pouquinho mais movimentada. A vitória ficou com o suíço Patrick Niederhauser, mas o destaque fica para a bela briga pelo terceiro lugar, que envolveu uns duzentos pilotos. O cipriota (!!) Tio Ellinas levou a melhor, mas ele foi desclassificado por ter batido no carro de Kevin Ceccon. Com isso, perdeu o troféu do pódio e voltou para Chipre chifrado. O grid de 24 carros não animou ninguém. A GP3 não seduz já faz um bom tempo.