FERNANDO ALONSO10 – Qualquer elogio para este cara é pouco. El Fodón das Astúrias. O melhor piloto do grid atualmente. O cara. A corrida inteligente, agressiva e esperta que fez em Valência, um circuito onde seu retrospecto era risível, foi digna de um desses grandes campeões que todos idolatramos. O mais incrível de tudo é que Fernando havia largado lá da 11ª posição, pois não tinha conseguido sequer vaga no Q3 da classificação. Mas sendo o grande piloto que é, conseguiu superar as adversidades e fez uma de suas melhores corridas na vida. Largou bem, fez ultrapassagens a rodo, foi beneficiado por um trabalho de boxes excepcional da Ferrari e ainda contou com a sorte quando Sebastian Vettel e Romain Grosjean abandonaram. Vitória excepcional, comemoração fantástica, choro tocante. Para mim, e graças a ele, foi uma das melhores corridas que já vi na vida.

KIMI RÄIKKÖNEN8,5 – Fez uma excelente corrida, mas não chamou tanto a atenção como seus outros dois colegas de pódio e ainda saiu insatisfeito, pois achava que poderia ter vencido. Não há como discordar, já que seu carro era realmente muito bom. O ébrio finlandês voltou a largar atrás de Romain Grosjean e também se viu preso atrás de carros mais lentos, como o de Pastor Maldonado, no início da corrida. No fim da corrida, tinha pneus em ótimo estado e conseguiu ultrapassar Lewis Hamilton, assumindo a segunda posição. Em termos de mérito, não merecia tanto este resultado como seu companheiro. Mas o esporte é assim mesmo. Estar na hora certa, às vezes, vale mais a pena que o simples esforço.

MICHAEL SCHUMACHER9 – Foram necessários dois anos e meio e 46 corridas de espera até que este dia chegasse. Após um início de ano tenebroso, repleto de azares, o heptacampeão mundial finalmente obteve um resultado à altura de seu talento. É verdade que o desenrolar foi meio fortuito e o próprio piloto não esperava obter um resultado tão genial, mas ele veio. Michael andou bem nos treinos livres, mas empacou no Q2 da classificação e saiu apenas em 12º. No início da corrida, chegou a ser tocado por outro piloto e se viu preso no meio do pelotão. O que o salvou foi a estratégia de largar com pneus médios e utilizar os macios lá na frente. Nas últimas voltas, tinha um carro bom o suficiente para pular de 11º para terceiro em apenas 16 voltas. Dessa vez, a sorte colaborou e Schumacher pode celebrar seu primeiro pódio desde o GP da China de 2006.

MARK WEBBER8 – Não deixou de fazer uma corrida muito boa, embora a posição no grid de largada tenha sido horrível. Devemos, neste caso, responsabilizar a porcaria da asa móvel, que ficou travada durante o Q1 da classificação. Para tentar contornar o desastre do sábado, o australiano decidiu largar com pneus médios e ver no que dava. Durante a corrida, recuperou-se bastante e andou sempre próximo de Michael Schumacher, que utilizava tática semelhante. No final da corrida, também tinha pneus em ótimo estado e conseguiu ganhar uma baciada de posições, finalizando na quarta posição. Assumiu uma inesperada vice-liderança do campeonato e parece estar recuperando, pelas beiradas, parte do ânimo de 2010.

NICO HÜLKENBERG8,5 – Melhor corrida no ano e melhor resultado na vida. O campeão da GP2 em 2009 vinha devendo um resultado destes, especialmente após as sucessivas boas atuações de Paul di Resta. Em Valência, Nico andou surpreendentemente bem nos dois treinos livres em que participou e qualificou-se numa ótima oitava posição. Deu trabalho para Fernando Alonso nas dez primeiras voltas e apostou numa interessante estratégia de dois stints com pneus médios. No final da corrida, após ter herdado várias posições, chegou a sonhar em ocupar a terceira posição por instantes, mas foi ultrapassado por Schumacher e Webber por não ter mais pneus. Mesmo assim, não tem do que reclamar.

NICO ROSBERG7,5 – Ninguém viu, mas diz a lenda que ele participou da corrida, terminou numa boa sexta posição e ainda fez a melhor volta da prova. O alemão obteve uma interessante sexta posição no grid e prometia uma corrida competitiva, mas ameaçou colocar tudo a perder numa péssima largada. Ele imaginava poder fazer apenas uma parada, mas se viu obrigado a parar pela segunda vez para colocar pneus macios. Não foi uma estratégia ruim assim, já que ele pulou de 11º para sexto nas duas últimas voltas da prova. Mesmo assim, foi, sem a menor sombra dúvida, o mais discreto entre os seis primeiros colocados.

PAUL DI RESTA7,5 – Assim como o companheiro de equipe, também esteve competitivo durante os três dias de grande prêmio, embora não tenha sido tão chamativo. No grid, foi o último colocado do Q3 e largou de uma razoável décima posição. Para o domingo, decidiu apostar em uma ensandecida estratégia de apenas uma parada, com um primeiro stint de mais de 20 voltas com pneus macios, uma doideira só. Deu certo em partes, já que ele perdeu algum tempo antes do pit-stop. No fim da corrida, assim como Nico Hülkenberg, tinha pneus em boas condições até as voltas finais, quando foi ultrapassado por alguns pilotos. Ainda assim, terminou em sétimo e somou mais seis pontos.

JENSON BUTTON4,5 – Sua má fase é um mistério. Nos treinos livres, andou bem mais próximo de Lewis Hamilton do que vinha acontecendo nas corridas anteriores e até ponteou a terceira sessão. Tinha bons prognósticos para o treino classificatório, mas só obteve um discreto nono lugar no grid. Para piorar tudo, largou muito mal e caiu para 13º. Foi o primeiro piloto a fazer seu pit-stop e ficou com pneus médios entre a volta 10 e a bandeirada. Graças a isso, conseguiu ganhar algumas boas posições do nada nas últimas voltas e foi o único piloto da McLaren a pontuar.

SERGIO PÉREZ5,5 – Corrida discreta, mas muito mais eficiente do que a do companheiro de equipe. Voltou a andar mal no treino oficial e só conseguiu a 15ª posição no grid. No domingo, optou por uma estratégia esquisita, como é a regra na Sauber: largar com pneus médios e dar o mínimo de voltas possível para depois fazer dois stints com pneus macios. Não foi a melhor das decisões, mas ele ao menos conseguiu chegar ao fim e marcar dois pontos, coisa que Kamui Kobayashi não fez.

BRUNO SENNA3 – É aquele caso que você não entende muito bem como é que o piloto conseguiu marcar algum ponto. O único grande momento de Bruno Senna no fim de semana foi o quinto lugar no segundo treino livre. Na qualificação, tomou quase sete décimos de Pastor Maldonado no Q2 e teve de largar em 14º. Com uma estratégia de apenas um pit-stop, poderia ter se dado muitíssimo bem, mas causou um acidente estúpido e perigoso com Kamui Kobayashi na volta 20, o que resultou em um pneu traseiro furado e uma posterior punição aplicada pelo comissário Mika Salo, seu nêmesis. Depois disso, o brasileiro apenas tentou se aproveitar dos pneus médios para tentar ganhar algumas posições no finalzinho. Terminou em 11º, mas herdou uma posição a mais com a desclassificação de Pastor Maldonado. Um resultado até bom para um fim de semana magérrimo.

DANIEL RICCIARDO3 – Não consegue marcar pontos nem mesmo em uma corrida onde tudo vira de ponta-cabeça em questão de segundos. Mal nos treinos, o australiano da Toro Rosso apostou tudo em um segundo stint bem longo. Em determinado momento, quando o safety-car estava na pista, chegou a ocupar a quarta posição. Prejudicado pela entrada do carro de segurança, acabou perdendo um monte de posições no segundo pit-stop. Com isso, a chance de pontos evaporou. Fase muito ruim.

PASTOR MALDONADO3,5 – É um especialista em jogar pontos no lixo e estragar corridas perfeitas. Nesse caso, nem adianta muito ser o piloto veloz que é. E olha que ele caprichou aqui: líder no primeiro treino livre de sexta-feira e piloto mais rápido do Q1 da classificação. No Q3, chegou perto da pole-position, mas teve de se contentar com a ainda ótima terceira posição. O domingo foi bem típico de um cara desequilibrado como o venezuelano. Logo na largada, quase se pegou com os dois pilotos da Lotus. Nas voltas seguintes, se complicou com os pneus e foi ultrapassado facilmente por alguns adversários. Só se recuperou no final da corrida, quando tinha pneus em bom estado e era mais rápido que Lewis Hamilton. Só que o cara, cabeçudo como ele só, tentou uma ultrapassagem arriscadíssima sobre Lewis numa curva estreita. Resultado: toque, bico arrebentado e uma bela corrida evaporada. Pastor ainda cruzou em décimo, mas tomou vinte segundos de punição e ficou chupando o dedo. Como seu torcedor, digo o seguinte: bem feito!

VITALY PETROV5 – Não foi mal, mas fez tanto pit-stop nesta corrida que nem deveria precisar parar mais nas corridas restantes deste ano. Uma das quatro paradas foi feita para troca de bico e somente a última delas serviu para o russo colocar pneus médios. Se formos considerar o desempenho individual de Petrov, não há muito o que reclamar. Não foi para o Q2 por pouco e fez uma corrida honesta, sem se envolver em problemas maiores. Em determinado momento, chegou a andar em décimo. É justo que se ressalte, no entanto, que ele só terminou à frente de Heikki Kovalainen por causa da encrenca que o finlandês se envolveu.

HEIKKI KOVALAINEN5,5 – Foi bem pra caramba no sábado, quando conseguiu uma milagrosa 16ª posição no grid. Poderá contar aos netos que deixou nada menos que três carros Red Bull (Webber, Ricciardo e Vergne) para trás na classificação. Na corrida, deu o maior trabalho a Jean-Eric Vergne, mas este lhe deu ainda mais trabalho ao bater na asa dianteira de seu Caterham e estragar sua corrida. Heikki voltou lá no fim do pelotão, mas aproveitou-se dos azares alheios e terminou em 14º. Com o bico inteiro, felizmente.

CHARLES PIC4 – Nunca vou entender a Marussia, que comete erros babacas no pit-stop e ainda faz seu bom piloto francês andar apenas 11 voltas com um set de pneus médios. Charles Pic anda sofrendo pra caramba com a lerdeza ainda pior do que o normal de sua Marussia e voltou a largar atrás dos dois carros da HRT. Na corrida, pelo menos chegou ao fim e ainda deixou as duas diligências espanhóis para trás correndo na casa do adversário. E, olha só, finalizou à frente de uma Ferrari!

FELIPE MASSA1,5 – Fernando Alonso anda bem e é sortudo, Felipe Massa anda mal e é azarado. Esta frase aí é mais do que o suficiente para explicar como um vence a corrida e o outro chega em 16º. O paulista não foi bem nos treinos, mas Alonso também não foi e muita gente passou a enxergar isso como uma positiva aproximação entre os dois. Na classificação, ficou em 13º, a apenas duas posições do espanhol. A corrida começou muitíssimo bem, com uma ótima largada e uma sequência de ataques a Paul di Resta. De repente, a Ferrari perdeu bastante desempenho e Massa se distanciou de Alonso. Como se não bastasse, quando já não tinha chances de pelejar pelas primeiras posições, tomou uma pancada dolorosa de Kamui Kobayashi e teve de ir aos pits trocar o pneu furado. Pelo menos, não morreu e nem cruzou com um gato preto ou uma mola perdida no meio do caminho.

PEDRO DE LA ROSA4,5 – Equipe pequena é uma merda, mesmo. O espanhol quarentão tinha boas chances de ter terminado a corrida à frente de Charles Pic (e, quem sabe, até mesmo à frente de Felipe Massa), mas algum energúmeno na HRT decidiu fazê-lo andar com um único set de pneus macios durante 29 intermináveis voltas. Assim não dá, né? O chato é que Pedro fez um trabalho muito bom, tendo largado novamente à frente da Marussia de Charles Pic e se esforçado ao máximo para fazer os pneus funcionarem. Mas não dá para fazer milagres, mesmo em casa. A propósito, que pancada dolorida aquela da sexta-feira, hein?

NARAIN KARTHIKEYAN3,5 – O indiano estava bem rápido neste fim de semana. Tão rápido que deixou Charles Pic para trás no treino oficial, escapando da última fila. Tão rápido que até punição por excesso de velocidade nos pits ele tomou. Seu Narain, rapidez não é tudo, ainda mais quando não se tem um carro veloz. Exatamente por isso, ele só tentou levar o carro até o fim sem problemas. Fez seu serviço.

LEWIS HAMILTON8 – Esse cara, definitivamente, nunca terá tranquilidade em sua carreira na Fórmula 1. Neste fim de semana, ele trabalhou direito, não fez bobagens e seu único crime foi não ter cedido espaço ao perigoso Pastor Maldonado nas últimas voltas. Chega a ser, sei lá, meio revoltante. No treino classificatório, Lewis obteve uma boa primeira fila ao lado de Sebastian Vettel. Partiu bem e manteve a segunda posição, mas tomou uma boa ultrapassagem de Romain Grosjean ainda no começo e teve de parar nos pits para colocar pneus médios. Após o safety-car e o abandono de Vettel, voltou à segunda posição e parecia destinado a terminar por lá. Só que ele não contava com o desgaste de pneus, que possibilitou a ultrapassagem de Kimi Räikkönen e as investidas de Maldonado, uma das quais resultou no acidente. Com isso, Hamilton ficou bem longe da liderança do campeonato. Sem culpa no cartório, diga-se de passagem.

ROMAIN GROSJEAN9 – Se Fernando Alonso não existisse, eu diria que o franco-suíço foi o piloto mais impressionante da corrida. Sua evolução é notável. Fica provado que quando ele sobrevive aos primeiros metros, é capaz de fazer maravilhas com a Lotus. Neste domingo, quase que isso não aconteceu: ele chegou a se bicar com Kimi Räikkönen nos primeiros metros e poderia ter causado um belo e custoso acidente doméstico. Nas primeiras voltas, Romain atacou Lewis Hamilton e chegou a ultrapassá-lo na volta 10. Após o safety-car retornar aos boxes, ele ganhou a posição de Sebastian Vettel e perdeu uma para Fernando Alonso, mantendo-se em segundo. Infelizmente, a merda do alternador quebrou e a corrida acabou para ele na volta 40.

SEBASTIAN VETTEL9,5 – Se os deuses da velocidade não fossem asturianos, a vitória neste GP da Europa seria a 23ª da carreira do bicampeão alemão. Sua pole-position, com três décimos de vantagem sobre o segundo numa pista onde todo mundo estava andando embolado, foi humilhante. A largada foi limpa e tranquila, assim como o decorrer da corrida. Antes do safety-car, ele já tinha aberto quase 20s para Romain Grosjean. Vettel entrou nos boxes, fez sua parada e voltou para a pista pronto para prosseguir com o desfile até a bandeirada. Mas o alternador não deixou. E Vettel, sempre cirúrgico, teve de deixar o caminho livre para a vitória de Alonso.

KAMUI KOBAYASHI4 – Se dependesse somente da velocidade mostrada em pista, mereceria uma nota até acima de oito. Como a Fórmula 1 também envolve variáveis como cérebro, prudência e até mesmo sorte, fui obrigado a rebaixar a avaliação. O japa mandou bem no treino oficial e obteve um ótimo sétimo lugar no grid. Na largada da corrida, foi melhor ainda e subiu para quarto. Mas as coisas começaram a dar errado a partir do primeiro pit-stop, quando um mecânico teve problema com uma das rodas e perdeu um bocado de tempo. Kobayashi voltou à pista no meio do pelotão e teve de remar para tentar recuperar posições. Em uma dessas brigas, bateu em alta velocidade com Bruno Senna e teve de ir aos boxes fazer reparos. Não demorou muito e ele se envolveu em outro acidente, dessa vez com Felipe Massa. Dessa vez, os danos foram extensos e Kamui teve de abandonar. Pô, cara, se não gosta de brasileiro, é só não chegar perto!

JEAN ERIC-VERGNE1 – Treinos horrorosos, corrida pior ainda. O francês definitivamente não se dá bem com esse negócio de andar o mais rápido possível contra o cronômetro. No treino oficial, apanhou de uma Caterham novamente e não perdeu para Vitaly Petrov por pouco. Na corrida, irritado com aqueles carros esverdeados, perpetrou um acidente bobo com Heikki Kovalainen e destruiu um dos pneus traseiros de seu carro, causando o safety-car que mudaria a vida de muita gente. Esta foi a única coisa de bom que o francês fez durante o fim de semana.

TIMO GLOCKS/N – É injusto dar uma nota a alguém que não teve sequer condições físicas de participar do treino oficial e da corrida. Diagnosticado com uma infecção estomacal, o alemão só participou dos três treinos livres e terminou dois deles em último, mostrando que não tinha condições sequer de jogar peteca. Arregou no treino oficial e preferiu nem dar as caras no autódromo no domingo. Diante da assombrosa possibilidade de caganeira no cockpit, fez bem.

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