FERRARI9 – Quando você vê um piloto chegando em primeiro e o outro em 16º, fica quase impossível avaliar se o F2012 e a equipe italiana são bons de verdade. Ninguém nega que o desempenho no treino oficial, com Fernando Alonso e Felipe Massa largando em 11º e 13º, foi uma tristeza só. No domingo, os dois tiveram sortes diferentes: Alonso fez uma das melhores corridas de sua vida e venceu na frente de 38 mil fãs. Felipe Massa se deu mal com os pneus novamente e ainda tomou uma paulada daquelas de Kamui Kobayashi. É bom destacar o excelente trabalho de boxes que a equipe fez, em especial o 2s9 que permitiu que Alonso ganhasse boas posições ainda na primeira parte da prova.

LOTUS8 – É incrível o que uma merda de alternador pode fazer com um ser humano. Eu já fiquei parado no meio de uma estradinha sem acostamento por causa desta porcaria. Romain Grosjean teve prejuízos um pouco mais desagradáveis: abandonou na volta 40 quando estava em segundo e perdeu talvez sua melhor chance de vitória até aqui. Uma pena, já que ele vinha fazendo um fim de semana impecável. Quem herdou a segunda posição foi exatamente Kimi Räikkönen, que segue nessa de não ir tão bem nos treinos oficiais, aparecer pouco nas primeiras voltas e ganhar posições no final. O carro estava muito bom e, não se enganem, a vitória virá logo.

MERCEDES7,5 – O resultado do domingo pouco refletiu o sábado meia-boca que a equipe de três pontas teve. Michael Schumacher obteve seu primeiro pódio desde 2006 após um final de corrida espetacular, no qual ultrapassou vários carros e ainda se aproveitou das maldonadices alheias. Foi um pódio que o próprio piloto disse não acreditar que viria, pois o fim de semana vinha sendo bem discreto até então. Menos surpreendente, Nico Rosberg largou em sexto e terminou na mesma posição após se enrolar um pouco com os pneus. A grande sacada da Mercedes, que sempre se complica com os compostos, foi deixar seus dois pilotos em ótimas condições na última volta. Funcionou legal.

RED BULL5,5 – Para este fim de semana, trouxe uma modificação nos sidepods que teria aumentado drasticamente a pressão aerodinâmica na parte traseira. Graças à novidade, Sebastian Vettel conseguiu uma pole sossegada no treino classificatório de sábado. No dia seguinte, liderou com autoridade até a volta 33, quando a mesma porcaria de alternador que fodeu com Romain Grosjean acabou com sua festa. Quem teve de compensar o dia foi Mark Webber, que largou numa indecorosa 19ª posição e conseguiu o quarto lugar nas últimas voltas. Alternador à parte, a equipe ainda é a melhor da Fórmula 1, ao menos nesta fase intermediária do campeonato.

FORCE INDIA9 – Vem se recuperando de maneira notável e foi premiada com 16 pontos somente na etapa valenciana. Os dois pilotos andaram muitíssimo bem nos treinos livres e se classificaram em oitavo e décimo no grid. No domingo, Nico Hülkenberg e Paul di Resta adotaram estratégias diferentes e até meio estrambólicas, como a tática de uma única parada no caso do escocês. Ambos se deram bem e foram vistos andando lá na frente no final da corrida, com Hülkenberg quase pegando seu primeiro pódio. Infelizmente, os pneus dos dois carros apodreceram nas últimas voltas, mas tanto Paul como Nico terminaram muito bem.

MCLAREN2,5 – Um dos pilotos é uma anta e o outro apagou desde as brumas chinesas. Os mecânicos parecem sofrer de esclerose múltipla e o carro, sem aquele degrau medonho, definitivamente perdeu aquela vantagem confortável das primeiras etapas. Em Valência, a equipe de Woking foi para casa com apenas quatro pontos no bolso e uma baita enxaqueca. Jenson Button foi mal de novo e só marcou pontos no final porque foi um dos poucos que não se envolveram em besteiras. Infelizmente, isso não aconteceu com Lewis Hamilton. Ele fez seu trabalho direito, largou na segunda fila e estava em segundo até poucas voltas para o fim. Pastor Maldonado, sempre ele, acabou com sua corrida e seu dia. Antes disso, no segundo pit-stop, um mecânico também fez alguma burrada e atrasou um pouco mais a vida do piloto inglês. Tudo errado.

SAUBER5 – Seus dois pilotos faziam corridas tão opostas que era improvável apontar um destino em comum para eles no fim da corrida. Kamui Kobayashi mandou bem pacas nos treinos, obteve o sétimo lugar no grid de largada e ainda ganhou algumas boas posições no início da corrida. Enquanto isso, Sergio Pérez se complicou no treino oficial e ficou travado no meio do pelotão da merda nas primeiras voltas. Conforme o tempo passava, a fortuna dos dois pilotos se invertia. O japa bateu nos dois pilotos brasileiros, perdeu o bico na primeira porrada e o rumo na segunda. Já Pérez fez a lição de casa direito e conseguiu salvar a honra suíça com dois pontos. O trabalho de pits foi um dos pontos negativos dos sauberianos.

WILLIAMS4 – Você olha para aquele belo carro azul escuro e pensa que ele está sendo subaproveitado por causa de seus pilotos. O venezuelano é rápido e esquizofrênico. O sobrinho apenas faz seu trabalho honesto, e às vezes nem isso. Pastor Maldonado andou muito bem nos treinos e tinha totais chances de chegar ao pódio, mas atirou tudo pela janela ao surrar a lateral da McLaren de Lewis Hamilton numa manobra digna de um buscapé aceso. Bruno também se envolveu em um acidente com Kamui Kobayashi e foi punido por isso. Na minha irrelevante opinião, merecidamente. Marcou um ponto, mas na mais pura cagada. Nesse horário, Frank Williams até suspira de saudade pelos doentios Juan Pablo Montoya e Ralf Schumacher.

TORO ROSSO0,5 – Nunca antes na história deste touro vermelho ele esteve em uma fase tão apagada. Nesta altura, a equipe azulada parece estar mais próxima das agruras da Caterham do que das concorrentes estabelecidas. Daniel Ricciardo e Jean-Eric Vergne foram superados por Heikki Kovalainen no treino classificatório e deixaram o sempre agradável Helmut Marko com apenas um olho aberto de reprovação. Na corrida, as coisas não melhoram. Ricciardo não fez nada e Vergne ainda causou um acidente babaca com Kovalainen, o que resultou em um pneu furado e uma merecida multa. A Red Bull já anunciou que o francês, que ganha 400 mil euros por ano, arcará sozinho com os 25 mil euros da multa. Coitado.

CATERHAM7 – Será que ela, após dois anos e meio, finalmente chegou lá? Pelo segundo grande prêmio consecutivo, a equipe verde conseguiu deixar ao menos um Toro Rosso para trás. Neste fim de semana valenciano, foi até melhor: Heikki Kovalainen deixou os dois carros da equipe italiana para trás e ainda enrabou Mark Webber, da poderosa Red Bull Racing. Só que o carma de 2010 se repetiu para ele: um carro rubrotaurino voltou a lhe atingir durante a prova. Dessa vez, Heikki conseguiu seguir em frente e chegou ao final. Menos espetacular, Vitaly Petrov também foi bem e até andou em décimo. Finalizou em 13º, seu melhor resultado até aqui. Numa corrida tão amalucada quanto esta, já dá para apontar a Caterham como uma possível pontuadora.

MARUSSIA2 – Assim como a Caterham, a Marussia também está mudando. Só que para pior. Sem Timo Glock, que comeu dobradinha e foi internado com um nó no estômago, a equipe russa teve de depender unicamente dos esforços do novato Charles Pic. Ele ficou atrás dos dois carros da HRT no treino oficial e ainda foi prejudicado pelo trabalho porco dos mecânicos da Marussia, talvez os piores da categoria. Pelo menos, chegou ao fim e à frente de Felipe Massa. Se muitas coisas não mudarem, não seria de todo descabido pensar que o time soviético poderá ser rebaixado para o honroso papel de lanterninha da Fórmula 1.

HRT5 – Esta daqui também não é nem um pouco genial em se tratando de estratégias de corrida e trabalho nos pit-stops, mas ao menos vem melhorando a cavalgadas. Na sexta-feira, Pedro de la Rosa estampou uma barreira de pneus com força e deu o maior trabalho aos mecânicos, que tiveram de se matar para consertá-lo a tempo para o sábado. Na qualificação, De la Rosa e Narain Karthikeyan deixaram Charles Pic para trás e escaparam da última fila. Os dois terminaram a corrida sem grandes dores de cabeça, embora o indiano tenha sido punido por ser ligeiro demais nos boxes – e só lá.

TRANSMISSÃOAS MALDADES – A transmissão brasileira, que anda iniciando com vinte minutos de antecedência e incomodando aqueles que preferiam assistir às novas técnicas de cultivo de jenipapo, acertou em cheio ao mostrar trechos da corrida de GP2 antes da largada. Pronto: Luiz Razia se transformou no mais novo ídolo instantâneo do automobilismo brasileiro, mas tudo bem. Uma corrida como a desse domingo teve vários momentos de destaque, mas minha memória falha me impede de lembrar deles. A revolta do narrador sobre o acidente entre Bruno Senna e Kamui Kobayashi foi particularmente interessante. É incrível como um cara pode se tornar o maior energúmeno do planeta se bater em um sujeito nascido por aqui. O mais engraçado é que o nacionalismo tacanho extrapola fronteiras. Na Finlândia, há um ex-piloto que faz o trabalho de lobbista de seus compatriotas na Fórmula 1. Por desejar ver Bruno Senna empalado, frito, assado ou morto para abrir uma vaga na Williams para seu protegido, ele angariou a antipatia de um Brasil inteiro. O narrador aqui não deixou barato: “Não há Mika Salo no mundo que me faça acreditar que o acidente foi culpa do Bruno. Vou fazer uma maldade: o reserva da Williams é finlandês e o Mika Salo também é finlandês. Pronto, fiz a maldade”. Não, não foi maldade. Foi apenas uma constatação certeira. Nacionalismo besta versus nacionalista besta. Quem perde somos nós, é claro.

CORRIDAQUEM DIRIA, VALÊNCIA – Alguém poderia imaginar que uma das pistas mais odiadas do calendário atual poderia render uma das corridas mais emocionantes da temporada? Estamos falando da Fórmula 1 2012, onde qualquer bizarrice pode acontecer. Após as divertidíssimas corridas da GP2, todo mundo imaginou que haveria uma chance ínfima de diversão para a prova principal. Mas ninguém esperava tanto. Até antes do acidente entre Jean-Eric Vergne e Heikki Kovalainen, que trouxe o safety-car à pista, o GP da Europa vinha morno como chuveiro vagabundo em dia frio. De repente, os dois líderes, Sebastian Vettel e Romain Grosjean, abandonaram com o alternador alternado e tudo ficou mais legal. Diante de uma torcida alucinada, Fernando Alonso assumiu a ponta e de lá não saiu mais. Atrás dele, as brigas foram inúmeras e intensas. Nomes como Pastor Maldonado e Kamui Kobayashi serviram para deixar as coisas ainda mais picantes. E o pódio foi o máximo. Em suma, somente uma pessoa de caráter duvidoso e inteligência limitada não pôde ver graça neste que foi um dos melhores GPs dos últimos anos.

GP2BORA BAHÊA – No ano passado, Luiz Razia era só mais um participante discreto e sem futuro que servia apenas para encher linguiça na GP2. Neste ano, algum espírito maligno se apoderou de seu corpo e fez do piloto baiano um sério candidato ao título. Em Valência, ele começou mal e só fez o 11º lugar no grid de largada. Numa pista de rua sem grandes possibilidades de ultrapassagem, o fim de semana parecia acabado logo de cara, mas ainda bem que as coisas mudaram logo no sábado. O pole-position James Calado vinha para uma vitória fácil, mas foi prejudicado pela infinita sequência de interrupções com safety-car e acabou ficando para trás. Ganhou Esteban Gutiérrez, que precisou atropelar Giedo van der Garde e foder com Fabio Leimer para se dar bem. Enquanto isso, Razia ganhava posições e terminava em terceiro. No domingo, o piloto de Barreiras passou um monte de gente nas três últimas voltas e saiu da sexta para a primeira posição meio que do nada. Com o resultado, Luiz ficou a apenas um ponto do líder Davide Valsecchi. Nunca um piloto brasileiro esteve tão próximo do título da GP2, essa é a verdade.

GP3OS MAIS PROFISSIONAIS – Por incrível que pareça, a criançadinha da GP3 demonstrou mais profissionalismo e sensatez do que os adolescentes da GP2, que fizeram bobagem atrás de bobagem em Valência. Na corrida de sábado, m verdadeiro sonífero, os pilotos foram econômicos em barbeiragens e as emoções praticamente inexistiram. Quem venceu foi o neozelandês Mitch Evans, que largou na pole e liderou de ponta a ponta. É bom ficar de olho no cara, que fez 18 anos no fim de semana. A corrida de domingo foi um pouquinho mais movimentada. A vitória ficou com o suíço Patrick Niederhauser, mas o destaque fica para a bela briga pelo terceiro lugar, que envolveu uns duzentos pilotos. O cipriota (!!) Tio Ellinas levou a melhor, mas ele foi desclassificado por ter batido no carro de Kevin Ceccon. Com isso, perdeu o troféu do pódio e voltou para Chipre chifrado. O grid de 24 carros não animou ninguém. A GP3 não seduz já faz um bom tempo.

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