Jerôme D'Ambrosio, o sujeito mais esquecido da atual temporada

Quando abri este blog, determinei que uma das coisas que eu não faria seria deixar de lado um piloto que não tivesse lá muito espaço em outros veículos. Isso vale ainda mais para um piloto de Fórmula 1, aquela categoria que despeja luzes de milhões de holofotes sobre as cabeças de seus astros. Por isso, eu nunca poderia deixar de mencionar aquele que é, com certa folga para os demais, o piloto mais deixado de lado no grid atual.

Jerôme D’Ambrosio, o belga de 25 anos que compete ao lado do discreto Timo Glock na discreta Marussia Virgin, é um sujeito que consegue superar seus pares com louvor em se tratando de não chamar a atenção. Até aqui, não consigo pensar em nenhum outro nome mais esquecido. Narain Karthikeyan foi lembrado por ter sido o único representante dravídico no Grande Prêmio da Índia. Daniel Ricciardo é a nova cria da Red Bull, está andando direitinho na HRT e recebendo elogios de todas as partes. Timo Glock é macaco velho, não tem como ser totalmente esquecido. Vitantonio Liuzzi, com sua cara de maloqueiro, não passa despercebido em lugar nenhum.

Ao contrário deles, Jerôme não tem nenhuma característica especial. Nenhuma. O nome, talvez. Pelo lado negativo. Jerôme D’Ambrosio não é nome de campeão. Não é simples como Jim Clark. Não é forte como Michael Schumacher. Não é sonoro como Nigel Mansell. É apenas uma combinação longa, desconfortável e de pronúncia incerta. Jerrôme Dambrrosiô? É a pronúncia que eu uso, embora eu nunca tenha precisado pronunciar seu nome. Jerrôme Dambrósio? É a pronúncia da Globo e, imagino eu, da maioria das pessoas. Não considero esta maneira errada porque D’Ambrosio é um sobrenome italiano como Barrichello ou di Resta. Enfim, o que importa é a mensagem passada. E o nome Jerôme D’Ambrosio não sugere nada. Talvez o nome de um cineasta, um estilista ou um chef de cozinha.

D’Ambrosio também não se destaca nos demais aspectos. Ele tem 1m72 de altura e 62 quilos. Seu Índice de Massa Corpórea é de 21, absolutamente dentro da normalidade. Sua altura é completamente comum para um piloto de Fórmula 1, nem pouca como em Felipe Massa (1m66) e nem muita (1m85) como em Mark Webber. Sua aparência também não se destaca por um nariz de Prost, um bigode de Mansell, uma sobrancelha de Alonso ou um queixo de Schumacher. Ele tem olhos grandes, bizarramente grandes, mas e daí? Não é por isso que você irá reconhecê-lo na rua, gritar “Jerôme, meu querido!” e correr atrás de um autógrafo.

O belga também não se destaca em termos comportamentais. Este é um padrão na soturna equipe Virgin, que se notabilizou pela sua enorme discrição – algo que, diga-se de passagem, não deixa de ser curioso em se tratando de uma ideia criada pelo ególatra e marqueteiro Sir Richard Branson. O companheiro Timo Glock também é um cidadão normal e tal, mas é também um sujeito de carreira consolidada que não precisa se expor muito. Além disso, ele mesmo já teve seus 15 minutos de fama, como aquela fatídica corrida de Interlagos. D’Ambrosio, ao contrário, ainda precisa de um momento realmente chamativo na Fórmula 1.

D'Ambrosio no ano passado, quando fez alguns treinos de sexta-feira pela Virgin. Alguém deu bola?

Peguei uma entrevista do cara, concedida à Autosport há alguns meses. Cara entediada, voz de adolescente, inglês relutante, comentários genéricos. Até o clichê for sure, expressão detestada pelos britânicos, esteve presente logo na primeira pergunta. Vamos dizer que a personalidade do piloto Jerôme mistura o corporativismo dos garotos criados a leite condensado com achocolatado que estão surgindo no automobilismo com a timidez de um sujeito sem brilho e sem grandes coisas para dizer.

Imagino eu que vários de vocês devem estar indignados com este texto até aqui. Quem é você, blogueiro medíocre, para apontar como um piloto deve se comportar ou não? D’Ambrosio não está em seu direito de ser tímido, entediante e discreto? Por acaso, um piloto de corrida é pago para pilotar bem ou para agradar a um povo ridículo, ignorante e sedento pelas manchetes de um noticiário de fofocas? Todo piloto é obrigado a ser midiático como Jacques Villeneuve?

Eu concordo com o teor de todas estas perguntas. Na verdade, sou daqueles que defendem a naturalidade no comportamento de uma pessoa pública. Se a cantora gospel quer ir a uma festa para beber absinto e abrir as pernas para um rapper paulistano, não podemos criticá-la. Se o ator global quer participar de um bacanal com doze garotos de programa, qual é o problema? Ninguém tem a obrigação de fazer o papel de norte moral ou messiânico do povo. Ninguém deve, ou ao menos deveria, agir de modo a agradar aos outros. Exposta minha opinião, encaremos a realidade.

Como alguém que provavelmente gostaria de ser um piloto de Fórmula 1 de sucesso, Jerôme D’Ambrosio deveria aparecer mais nas manchetes por aí por uma única razão: um piloto bom precisa ser, além de tudo, midiático. Ele precisa agir como um Fernando Collor em época de eleição, demonstrando todo o seu heroísmo, o seu destemor e a sua genialidade. Deve se aproximar do repórter e proferir alguma frase bombástica, chocante ou filosófica. Deve também buscar algum diferencial, seja pela aparência, por algum gestual ou até mesmo pela sua indumentária. Por quê?

Porque o automobilismo exige este tipo de coisa, e não é de hoje. Nos anos 80, cada um dos quatro grandes pilotos tinha lá seu papel. Ayrton Senna era o jovem emergente que se mostrava absolutamente obcecado pela Fórmula 1 e que não se contentava com qualquer outra coisa além da vitória. Alain Prost era o macaco velho que entendia de política, que sabia se livrar das más situações como ninguém, que conservava o carro na pista como poucos e que manipulava as pessoas ao seu redor como um bom discípulo de Maquiavel. Nelson Piquet era o playboy que fazia as coisas naturalmente, que não gostava do mundo hipócrita da Fórmula 1 e que só queria se divertir um pouco. Finalmente, Nigel Mansell era apenas o mortal ingênuo e desprovido de jogo de cintura que pilotava um carro de corridas como poucos e que foi alçado à condição de estrela de maneira meteórica. Os quatro tinham personalidades completamente distintas e cabia ao fã escolher seu piloto preferido.

Jerôme na GP2, categoria na qual ficou durante três anos. Ele bateu Kamui Kobayashi nos dois anos em que correram juntos, mas ninguém viu

Pensem agora em uma situação contrária. Imagine se Prost fosse um afável colega de todos os seus adversários, se Piquet trocasse as festas por noites de sono bem dormidas e visitas à igreja, se Senna fosse um sujeito resignado que gostasse de tomar uma cervejinha com os amigos após uma derrota e se Mansell fosse um piloto de corridas de carreira normal e sem sofrimento. Estaríamos nós, após duas décadas, discutindo seus feitos ou suas rivalidades? Teriam eles sobrevivido a uma Fórmula 1 de pilotos extremamente profissionalizados que precisavam possuir um mínimo diferencial que fosse? Não, porque pilotos de corrida não são pessoas comuns. Se fossem, ninguém perderia tempo com automobilismo.

Não que eu ligue muito para estas coisas, mas muita gente liga, este grande público que só assiste às corridas se tiver alguém para torcer – a favor ou contra. Sebastian Vettel é o mocinho, o cara simpático e sorridente que ganha todas as corridas, Fernando Alonso é o vilão que está metido em todas as canalhices, Jenson Button é o playboy gente boa, Michael Schumacher é o velho campeão que ainda dá o ar da graça e cada um vai assumindo uma posição. Com isso, Jerôme D’Ambrosio acaba sendo tão importante quanto aquela criança vestida de arbusto na peça da escola.

Se o piloto não se destaca, fica difícil obter patrocínio, utilizar a mídia para reclamar um melhor lugar na categoria, reunir fãs ou mesmo ser lembrado por alguém importante. Sem destaque, não há dinheiro, não há carro e não há carreira na Fórmula 1. Por isso que, infelizmente, um piloto profissional de corridas precisa, sim, ser tão competente quanto chamativo.

É um processo longo e muito difícil para alguém como D’Ambrosio. No seu caso, até mesmo uma ou outra cena mais inusitada de sua carreira não serve para mudar sua imagem de sujeito apagado. Imagine se, por outro lado, tivesse sido Sebastian Vettel o infeliz piloto a mergulhar seu carro na poça. Ou se Lewis Hamilton tivesse sido o desastrado que tivesse rodado nos boxes de Hungaroring. Os dois incidentes estariam sendo discutidos até agora e os dois astros estariam crucificados com muitos pregos.

O chato é que Jerôme D’Ambrosio é um bom piloto, sim. Não consigo dizer se ele é melhor que Lucas di Grassi, que ocupou seu carro no ano passado e que conseguiu um bom vice-campeonato na GP2 em 2007. Na pista, os dois se assemelham bastante: nenhum deles faz o estilo agressivo. A grande vantagem de Di Grassi é o seu marketing pessoal. O brasileiro sempre ressaltou suas qualidades de sujeito de inteligência acima da média e um dos poucos pilotos do país que são aptos para pilotar decentemente um carro de Fórmula 1. Mesmo que tudo isso seja verdade, Di Grassi não conseguiu traduzir sua genialidade em resultados. Pilotando o VR01, ele ficou muito atrás de Timo Glock, sofreu para superar os carros da Hispania em algumas ocasiões e não obteve nada melhor do que um 14º lugar.

Lucas di Grassi, que fez um papel muito parecido com o de D'Ambrosio no ano passado. Resultado: está a pé

A descrição da temporada 2010 de Lucas cabe perfeitamente à temporada 2011 de D’Ambrosio: o belga não consegue andar próximo de Glock, sofre para superar os carros da HRT e nunca terminou em uma posição melhor que a 14ª. Se há diferenças técnicas entre os dois, são pontuais e insuficientes para apontar quem foi o melhor segundo piloto da Virgin. Para infelicidade do belga, seu destino também deverá ser semelhante ao do brasileiro: no ano que vem, ele deverá dar lugar a Robert Wickens, Charles Pic ou Giedo van der Garde. D’Ambrosio seria, desta maneira, o segundo piloto a ser jogado no lixo pela Virgin.

Desde sempre, o piloto de Etterbeek nunca foi uma das últimas bolachas do pacote. Ele obteve até hoje dois títulos, um na Fórmula Renault belga e outro na Fórmula Master, tendo sido o único piloto da curta história desta categoria a ter chegado à Fórmula 1. Ele teve também algumas passagens curtas pela World Series by Renault e pela Fórmula Renault europeia, mas não obteve sucesso.

Quieto, D’Ambrosio conseguiu subir para a GP2 no fim de 2007, pouco após ganhar o título da Fórmula Master. Sempre pilotando pela DAMS, ele disputou duas temporadas da série asiática e três da série europeia. Na Ásia, conseguiu um vice-campeonato em 2008/2009, tendo perdido para seu companheiro Kamui Kobayashi. Este relacionamento entre ambos, aliás, é bastante curioso. Nos dois anos em que correram juntos na GP2 europeia, D’Ambrosio bateu Kobayashi com enorme folga. Hoje em dia, na Fórmula 1, quem se atreveria a dizer que o belga é superior ao japonês?

D’Ambrosio venceu apenas uma corrida na GP2, a etapa de sábado da rodada dupla de Mônaco em 2010. Foi uma vitória magra e discreta, na qual ele herdou a pole-position após ter terminado em oitavo no sábado, se aproveitou da enorme dificuldade de quem largava da segunda posição para trás e liderou de ponta a ponta. Fora isso, ele obteve seis pódios em três temporadas. Os números pouco brilhantes podem ser justificados pela incompetência da DAMS em lhe fornecer um carro competitivo. Mesmo assim, a impressão que Jerôme deixou na categoria de base é a de um piloto excessivamente conservador e discreto. Na GP2, sabemos que o sujeito não pode ter este perfil. Na Fórmula 1, pior ainda.

Hoje, ele está aí, esperando para ver o que acontece. Sem grandes ambições, ele não é mencionado por nenhuma outra equipe da Fórmula 1 quando se fala em 2012. Talvez não se lembrem dele nem na Indy, no DTM ou na Stock Car Brasil. E D’Ambrosio não se esforçará para ser muito mais do que ele é hoje, um bom piloto escondido atrás de um perfil completamente inexpressivo. Infelizmente, gente como ele não encontra lugar na performática Fórmula 1.

Hamilton, Webber e Massa: sintam-se aliviados. É melhor serem mal falados do que simplesmente esquecidos.

Para ler a primeira parte, clique aqui. Para ler a segunda, clique aqui.

HEIKKI KOVALAINEN

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 5 (12º)

O FAVORITO: 0 (-)

PONTOS: 8 (13º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 3 (16º)

O MAIS REJEITADO: 1 (13º)

PONTOS: 6 (16º)

O finlandês ficou no meio das tabelas em todos os quesitos. Esteve longe de ser o mais admirado, mas também está bem longe de ser um dos mais odiados. Na verdade, só um realmente o odeia mais do que os outros. Reflete bem a personalidade mediana do piloto.

“Assim como a Lotus, busca renascimento do seu nome, e vem conseguindo com otimo desempenho (se basear no seu limite). Que ambos subam juntos (muitos dizem que a Lotus não é mais a mesma, mas ao menos tem um espirito e uma motivação muito maior do que em 94, ultimo ano do time original, mas já com outros donos e uma zona como equipe)” – Thiago

NARAIN KARTHIKEYAN

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 0 (-)

O FAVORITO: 0 (-)

PONTOS: 0 (-)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 5 (11º)

O MAIS REJEITADO: 3 (7º)

PONTOS: 12 (12º)

Difícil esperar outro resultado. Provável pior piloto do grid, Narain só poderia angariar fãs lá no Caminho das Índias e olhe lá. Cinco pessoas não gostam dele, sendo que três não gostam mesmo. Ninguém se lembra dele positivamente. Só o Colin Kolles.

“Uma pessoa apagada na F1. Parece um piloto pagante que está ali apenas por causa dos milagrosos dólares que pode trazer” – Átila

VITANTONIO LIUZZI

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 2 (16º)

O FAVORITO: 0 (-)

PONTOS: 3 (16º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 2 (19º)

O MAIS REJEITADO: 1 (13º)

PONTOS: 4 (20º)

Outro que quase foi esquecido. Dois se lembraram positivamente e outros dois se lembraram negativamente, sendo que um expressou ódio mortal pelo italiano. Equilíbrio quase óbvio.

“Foi bem nas categorias de base, mas na F1 só fez cagada. Usa roupas ridiculas” – Antonio

TIMO GLOCK

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 1 (20º)

O FAVORITO: 1 (10º)

PONTOS: 3 (16º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 11 (4º)

O MAIS REJEITADO: 2 (12º)

PONTOS: 20 (4º)

Resultado engraçado. A única pessoa que se lembrou dele como um dos favoritos realmente adora o cara, o considerando como alguém mais legal que os outros. Por outro lado, onze pessoas não gostam dele e duas não o querem nem pintado de ouro. Sujeito discreto, sem grandes ambições e que corre por uma Virgin sem-graça. A rejeição é compreensível.

“Em geral, eu detesto pilotos que não correm para ganhar, correm apenas por correr. Temos vários deles no grid atual, mas o Glock eu detesto um pouco mais por causa dos últimos momentos em Interlagos 2008, porque aquele Felipe Massa merecia o título, e esse asno do Timo não conseguiu segurar o Lewis nem por 1 curva…” – Társio

JERÔME D’AMBROSIO

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 1 (20º)

O FAVORITO: 0 (-)

PONTOS: 1 (21º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 4 (14º)

O MAIS REJEITADO: 0 (-)

PONTOS: 6 (16º)

Um gosta dele, quatro não gostam, nenhum deles nutre amores ou ódios intensos. Ainda mais discreto e esquecível que Glock é seu companheiro de nome legal.

“Nada provou até agora, e acho que não vai provar com aquela ‘carroça’ desenhada por computador. E de resto, é batido pelo Glock” – Speeder76

ROMAIN GROSJEAN

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 1 (20º)

O FAVORITO: 0 (-)

PONTOS: 1 (21º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 0 (-)

O MAIS REJEITADO: 0 (-)

PONTOS: 0 (-)

O que uma temporada boa na GP2 e umas vitórias em várias categorias não fazem. Grosjean, aquele que passou vexame em 2009, apareceu aqui com uma menção positiva. Legal isso, mas fico pensando se esse censo tivesse sido feito no ano em que se arrastou com o carro da Renault. Certamente, estaria entre os cinco mais odiados.

“Pela trajetória de recuperação ascendente que vem tendo desde 2010” – Malmedy

BRUNO SENNA

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 0 (-)

O FAVORITO: 0 (-)

PONTOS: 0 (-)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 1 (21º)

O MAIS REJEITADO: 0 (-)

PONTOS: 2 (22º)

Test-driver da Renault, Bruno Senna foi lembrado como o segundo piloto mais odiado pelo Thiago Medeiros (seria o piloto?). Muitos provavelmente devem ter imaginado que os pilotos de testes não valiam, mas alguns subverteram a ordem e se lembraram deles para descer o cacete. E aí está.

“Mesmo não sendo ruim, é subestimado demais pela imprensa brasileira e por grande parte do público leigo, não merece a vaga que tem, nem as que ocupou ao longo da carreira” – Thiago Medeiros

LUCAS DI GRASSI

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 0 (-)

O FAVORITO: 0 (-)

PONTOS: 0 (-)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 1 (21º)

O MAIS REJEITADO: 0 (-)

PONTOS: 1 (25º)

Nem eu me lembrava mais desse daqui, que acabou de ser chamado para ser piloto de testes da Pirelli. Mas o Adriano se lembrou dele como seu terceiro piloto mais odiado.

“Este é o maior enganador. Todo mundo enche a bola deste cabra, mas pra mim é muito devagar. Na GP2 nunca fez nada, mesmo correndo em equipe de ponta” – Adriano Oliveira

GIANCARLO FISICHELLA

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 0 (-)

O FAVORITO: 0 (-)

PONTOS: 0 (-)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 1 (21º)

O MAIS REJEITADO: 0 (-)

PONTOS: 1 (25º)

Até ele foi citado. O ex-Jordan, Benetton, Force India e mais um monte de equipes foi lembrado por alguém como o terceiro piloto mais odiado. Já está longe faz um tempo, mas o fato de não ter cumprido boa parte das expectativas depositadas em sua carreira ainda pesa.

“Poxa, não conseguir fazer boas atuações com um Ferrari e sim com um Renault… Não é a toa que está de reserva” – blogformulamonu

Carl Jung, o pai da psicologia analítica

Primeiramente, sou completamente leigo em Psicologia. Confesso que gostaria de me aprofundar mais no assunto, mas o que me sobra de preguiça me falta de tempo. Mas é sempre bom saber o que se passa na cabeça das pessoas, até mesmo para você conviver melhor com elas ou para utilizá-las a seu favor no caso de você ser um maquiavélico filho da puta e desalmado. Portanto, se seu interesse no assunto é nulo, até amanhã. Vou falar um pouco sobre isso, misturar o assunto com automobilismo e ver no que dá.

O fato de nunca ter estudado Psicologia não me impede de falar um pouco sobre tipos psicológicos junguianos. Vamos à Wikipedia para falar sobre Carl Jung, o criador da bagaça. Pai da psicologia analítica, o suíço Jung gostava de analisar sonhos e de identificar comportamentos e características pessoais, bem como algumas de suas peculiaridades, como os complexos e a oposição entre introversão e extroversão. Resumindo: Jung é o típico sujeito que tomaria um chope com você e, em três horas, faria uma radiografia da sua personalidade, colocando-te em determinada categoria. Ele é dos meus.

A coisa mais legal que Jung criou foi a Teoria dos Tipos Psicológicos. Em 1921, após duas décadas de intensa pesquisa, ele desenvolveu a obra “Tipos Psicológicos”, espécie de bíblia do assunto. Serei breve e simplificarei o que for necessário, ou seja, quase tudo. Segundo esta obra, os seres humanos são divididos entre os extrovertidos e os introvertidos. Os primeiros são ligados à externalidade das coisas: dão importância à estética, são comunicativos e abertos, gostam de interação. Os introvertidos, por outro lado, são ligados ao aspecto mais interno das coisas: tendem a prestar mais atenção nos detalhes e nas minúcias, preocupam-se mais consigo do que com outras pessoas ou coisas, são mais fechados e menos comunicativos.

Mas há diferenças fundamentais dentro de um mesmo grupo, seja ele o dos extrovertidos ou o dos introvertidos. Estas diferenças são definidas pelas chamadas funções psíquicas, conjuntos de habilidades e atributos que determinam o relacionamento do indivíduo com o mundo.  Estas funções psíquicas podem ser categorizadas em três categorias de oposição: sensação/intuição, pensamento/sentimento e julgamento/percepção.

Em suma, o indivíduo pode ser extrovertido (E) ou introvertido (I), sensorial (S) ou intuitivo (N), pensador (T, de thinking) ou sentimental (F, de feeling) e julgador (J) ou perceptivo (P). Conforme você define, para cada categoria, qual dos comportamentos é o seu, você vai unindo as letras e acaba formando um tipo psicológico completo composto pelas quatro letras que te caracterizam: ESTJ, INFP ou ISTP, por exemplo. São 16 possibilidades.

Explico cada letra:

EXTROVERTIDO (E): Pessoa que gosta do contato com o mundo externo. Tende a ser sociável, “simpática” e empática aos problemas dos outros. Simplificando, é aquela que gosta de música alta, festa no apê e telefone. Exemplo: Ivete Sangalo.

INTROVERTIDO (I): Pessoa que prefere a reclusão e o autoconhecimento, deixando de lado o contato excessivo com outras pessoas e coisas. Tende a ser mais tímida, solitária e tranquila. É aquela que gosta de ouvir música no fone de ouvido, ler e andar sozinha. Exemplo: Thom Yorke.

SENSAÇÃO (S): Pessoa que se dá melhor no contato com coisas concretas, que utiliza os cinco sentidos para receber informações do meio e agir. Tende a ter boa coordenação motora e a ser boa com trabalhos manuais e corporais. Exemplos: engenheiros, marceneiros e agricultores.

INTUIÇÃO (N): Pessoa que tende a pegar as coisas por meio do pensamento, da abstração e da imaginação, buscando observar algo além do que os cinco sentidos permite. Tende a ter coordenação motora terrível, mas é boa para chegar a conclusões estrambólicas sobre os mais variados assuntos. Exemplos: intelectuais em geral, críticos de arte, compositores.

PENSADOR (T): Pessoa que acredita na razão. Todas as suas ideias e atitudes são baseadas em conceitos racionais, sem a intervenção da emoção. Exemplo: físicos e matemáticos.

SENTIMENTAL (F): Pessoa que acredita na emoção. Para ela, não há como não agir sem a emoção, pois a razão é muito fria para ser levada a cabo pelos seres humanos. Exemplo: aquela menina chata de 15 anos que gosta de filmes de vampiros.

JULGADORES (J): Pessoa metódica que acredita na ordem. Um julgador acredita que as coisas devem ser feitas de maneira organizada e estritamente ortodoxa, sem abrir espaços para contratempos e arestas. Exemplos: militares, religiosos e positivistas.

PERCEPTIVOS (P): Pessoa que acredita na liberdade, no improviso e na relatividade. Para ela, não há uma única maneira de fazer as coisas, um sistema que deva ser consensual, um cronograma. O perceptivo, teoricamente, tem um leque maior de opções. Exemplos: hippies, liberais clássicos e anarquistas.

Quer fazer o teste para saber qual você é? Tenta este, em inglês.

Kimi Räikkönen, representante dos ISTP

Tá, mas e daí?

E daí que, sem muitos assuntos, decidi aplicar estes tipos junguianos a alguns personagens do automobilismo. Não sou psicólogo e nem conheço ninguém pessoalmente, ou seja, posso estar falando um monte de besteira e sendo injusto com os caras. Em alguns casos, a conclusão pode até soar forçada, mas tive de fazer isso para citar o maior número possível de exemplos. Enfim, não ligo para nada disso, escrevo e sigo em frente.

KIMI RÄIKKÖNEN – Um típico ISTP. Sujeito recluso e estranho que tende à misantropia. Não faz o tipo intelectualizado, mas é bom pra caramba na arte de pilotar. É tão emotivo quanto um boneco de neve. E definitivamente não é organizado e nem seguidor de consensos.

AYRTON SENNA: O tricampeão brasileiro é um bom ISFJ. Sempre muito tímido, Senna era um mestre em perceber problemas em seu carro e sentir as condições da pista, além de extremamente hábil ao pilotar. Emotivo, costumava chorar em suas maiores vitórias. E era um sujeito absolutamente organizado e compenetrado. Creio que Felipe Massa seja outro ISFJ.

NELSON PIQUET: O outro tricampeão brasileiro era INTP. Apesar de não ser propriamente tímido, certamente era alguém que não gostava muito de ser incomodado em alguns momentos. Mesmo sendo um ótimo acertador de carros, Piquet era um cara com boa capacidade de abstração e imaginação, algo que podíamos ver pelas suas declarações. Ele também não era um padrão Räikkönen de falta de emoção, mas parecia ser bem mais racional que a média. E improviso e contrassenso são com ele.

RON DENNIS: Um ISTJ dos bravos. Ron Dennis, definitivamente, não era o cara mais simpático e sociável de todos. Como a maioria das pessoas ligadas ao automobilismo, era um bom tipo sensorial. É também totalmente racional e completamente metódico. Fernando Alonso e Michael Schumacher poderiam ser outros ISTJ.

JAMES HUNT: Fiquei um pouco em dúvida, mas o classifiquei como ESFP. Um cara que comeu o tanto de mulheres que comeu e que fez um monte de amigos não pode ser introvertido. Bon vivant, exercia os cinco sentidos da melhor maneira possível. Não fazia o tipo racional, já que se acabava em drogas e bebida. E organização e obrigações não eram com ele. Juan Pablo Montoya, mesmo com outro perfil, é outro ESFP.

RUBENS BARRICHELLO: ESFJ. Esse daqui é absolutamente extrovertido, completamente sensorial (o que dizer de alguém precisa ler autoajuda?), totalmente emotivo e, convenhamos, não é um irresponsável heterodoxo. O oposto de Piquet. Explica muita coisa.

NICK HEIDFELD: INTJ.  Como a maioria dos alemães, não é exatamente extrovertido. Por gostar de arte, gastronomia e umas coisas bizarras, o considerei como intuitivo. É racional e não é do tipo que costuma fazer coisas bizarras demais ou sair da linha.

JACQUES VILLENEUVE: ENTP. Bocudo, não é tão introvertido quanto poderia se imaginar. Parece gostar mais de música e livros do que de carros, é um sujeito racional e costuma ser meio transgressor.

GERHARD BERGER: Seria ele um ESTP? Vejamos: era bastante extrovertido, um exímio sensorial no trato com os carros, racional especialmente em termos políticos e, pelas brincadeiras com Senna e por algumas manobras no início da carreira, um doido avesso a padrões.

KAMUI KOBAYASHI: Talvez um INFP. Claramente introvertido, sujeito relativamente avoado em seus pensamentos (quem mais diria que gostaria de ter sido comediante ou que, se não corresse, acabaria fazendo sushis?), bastante emotivo para um japonês e mais inventivo do que metódico.

LUCAS DI GRASSI: Fico em dúvidas, mas vou de ENTJ. Não é introvertido, é alguém que, ex-estudante de Economia e participante do Mensa, tem um lado intuitivo forte, é racional e é metódico e organizado, meio avesso a loucuras.

GILLES VILLENEUVE: Penso que era um ISTP. Bastante introvertido, especialista em controle do carro, não muito emotivo (só assim para conseguir sobreviver às disputas nas quais ele se metia) e totalmente doido.

JENSON BUTTON: Um ESTJ? Vejamos: extrovertido, bastante sensorial, relativamente racional e, como visto várias vezes em sua carreira, bastante cauteloso e conservador na pilotagem.

Confesso que não consegui exemplos para os outros três tipos (ENFP,ENFJ,  INFJ). Se quiserem mandar sugestões, aceito.

Aliás, eu sou INTP. Assim como Einstein, Darwin e o próprio Jung. Sabia que era um gênio.

É época de vestibulares… na Fórmula 1, é claro. Enquanto jovens de classe média comemoram suas aprovações nos principais vestibulares brasileiros enchendo a cara com pinga vagabunda e pintando até o rabo, dois pilotos serão colocados à prova amanhã, no árido circuito de Jerez de la Frontera, na briga pela vaga de substituto de Robert Kubica na Renault. De um lado, o soturno Nick Heidfeld, apoiado por mim, pelos seus outros 18 fãs e talvez pela sua família. Do outro, o boa-praça Bruno Senna, apoiado por milhares de fãs e saudosos dos feitos de seu tio. O favorito é Heidfeld, mas esse assunto já deu o que tinha que dar. Vamos à história.

Decidir uma vaga por meio de uma sessão de testes é a coisa mais normal do mundo. Na Fórmula 1, quem não consegue completar sua dupla de pilotos com muitos meses de antecedência acaba tendo de recorrer a esse tipo de medida. Para quem escreve sobre o esporte é bom, pois há assunto para um período tão pobre de notícias. Em tempos não tão remotos, alguns pilotos derrotaram outros na briga direta por única vaga. Lembro de cinco histórias:

5- BRUNO SENNA VS LUCAS DI GRASSI

Bruno Senna

Os dois contendores do teste da Renault já participaram de outros vestibulares antes. No fim de 2008, dois brasileiros, Bruno Senna e Lucas di Grassi, se enfrentaram no circuito de Barcelona visando tomar a vaga de um terceiro brasileiro, Rubens Barrichello. Naquele momento, Rubinho estava com um pé e meio na aposentadoria e a Honda, equipe que estava em péssima fase, precisava mudar alguma coisa. Apostar em um piloto jovem que representasse um mercado em expansão poderia ser um primeiro passo.

Cada um teve direito a dois dias de testes: Bruno andaria nos dias 17 e 19 de novembro, enquanto que Lucas pilotaria nos dias 17 e 18. Ambos utilizariam o RA108, um carro ruim em todos os sentidos. Não se sabe até quando havia isonomia nas condições do teste, embora alguns técnicos da Honda tenham apontado que o fato de poder utilizar a pista no último dia, quando ela está bem mais emborrachada e aderente, poderia representar uma vantagem a Bruno Senna.

Mas não vou encontrar empecilhos aqui. Bruno entrou na pista e deu uma surra daquelas em Di Grassi. No primeiro dia, Di Grassi andou de manhã e fez 1m25s512. Senna entrou na pista à tarde e fez 1m24s343, quase 1s2 mais rápido. Se por um lado a pista estava em melhores condições para Bruno, por outro era necessário considerar que era seu primeiro contato com um Fórmula 1, enquanto que Di Grassi já havia feito oito sessões de testes.

No segundo dia, Di Grassi andou sozinho, deu 110 voltas e fez 1m22s283. Bruno Senna teve a pista para si no último dia, deu 107 voltas e fez 1m21s676. Não dá pra negar: vitória inconteste de Bruno Senna. No entanto, nenhum dos dois acabou levando a vaga, já que a Honda anunciou sua retirada da Fórmula 1 poucas semanas depois. E a equipe que a substituiu manteve Rubens Barrichello.

4- CHRISTIAN KLIEN VS VITANTONIO LIUZZI

Vitantonio Liuzzi utilizando um layout provisório

Esse vestibular aqui extrapolou os testes de pré-temporada e vigorou até as primeiras etapas da temporada de 2005. A Red Bull, equipe que estreava na Fórmula 1 após comprar o espólio da Jaguar, queria um companheiro jovem, promissor, descolado e cheio de piercings para correr ao lado de David Coulthard. E quem teria mais piercings do que Christian Klien e Vitantonio Liuzzi? Os dois foram escalados para uma bateria de testes para ver quem ficaria com a vaga. O sueco Bjorn Wirdheim também foi convocado, mas acabou recusando devido à possibilidade de acabar ficando sem a vaga de titular.

Klien e Liuzzi fizeram um monte de testes e os resultados eram absolutamente alternados, não havendo um padrão. Ou seja, um par ou ímpar seria mais justo para definir quem pegaria a vaga. Então, Christian Horner decidiu pelo seguinte: já que não soava justo ficar com apenas um e manter o outro apenas como piloto de testes, que se coloquem os dois para correr! Klien faz algumas corridas, Liuzzi faz outras e quem se sair melhor fica com a vaga até o fim do ano.

Christian fez as corridas da Austrália, da Malásia e do Bahrein. Largou entre os sete primeiros nas três, batendo o companheiro Coulthard em duas ocasiões. Marcou pontos nas duas primeiras etapas e deixou excelente impressão, algo que não havia conseguido em 2004. Nas quatro corridas seguintes, Liuzzi entrou em seu lugar. Fez uma boa apresentação em Imola, saiu da prova por erro nas duas corridas seguintes e terminou em nono em Nürburgring. Não foi tão bem nos treinos e marcou apenas um ponto. A partir daí, Horner não precisou pensar muito e declarou que Klien seria o piloto da equipe até o final da temporada.

3- JOS VERSTAPPEN VS GIL DE FERRAN

Gil de Ferran

No final de 1993, dois jovens e promissores pilotos do automobilismo base se encontraram no circuito luso do Estoril para um duelo que poderia valer uma vaga na Footwork. Um deles era brasileiro, Gil de Ferran, um dos líderes da Fórmula 3000 naquele ano. O outro era um moleque holandês que havia arrepiado na Fórmula 3 e na Fórmula Opel, Jos Verstappen.  Cada um tinha lá seu trunfo. Gil era mais experiente e tinha a boa experiência de haver testado pela Williams. Verstappen era orientado pelo ex-piloto Huub Rothengatter, de bom trânsito na Fórmula 1.

O teste seria realizado na semana seguinte ao do GP de Portugal. Os dois dividiriam um carro, que também seria pilotado por Christian Fittipaldi, e teriam um único dia para mostrar serviço. O melhor largava na frente na briga por pelo menos uma das vagas.

Verstappen, como de costume, não demonstrou qualquer medo e sentou a bota, marcando um excepcional 1m14s5. Para se ter uma ideia, nos treinos oficiais da corrida da semana anterior, o inglês Derek Warwick, primeiro piloto da Footwork, havia feito 1m14s3. Seu companheiro Aguri Suzuki fez 1m15s5, um segundo mais lento do que o holandês, cujo tempo o colocaria na décima posição do grid!

E o Gil? Bem, ele entrou na pista, deu 20 voltas e fez exatamente 1m16s0. O brasileiro se sentia mal em um cockpit que não o comportava direito, já que seu corpo era mais largo do que os outros pilotos que andaram no carro. Então, ele deixou o carro e pediu que os mecânicos fizessem alguns ajustes para aumentar o espaço. E enquanto isso, ele foi dar uma volta por aí.

Foi quando, ao passar por um dos caminhões da equipe, Gil deu aquela cabeçada em uma porta, o que lhe rendeu quatro pontos na cabeça. Zonzo e dolorido, ele teve de abandonar o restante do teste e o projeto de correr na Footwork. No fim, ele ficou mais um ano na Fórmula 3000, enquanto que Verstappen assinou com a Benetton e se deu mal.

2- JENSON BUTTON VS BRUNO JUNQUEIRA

Bruno e Jenson

No fim de 1999, a Williams estava baqueada. A equipe, então acostumada com vitórias, teve uma temporada horrorosa e só se salvou graças às boas performances de Ralf Schumacher. O outro piloto, o italiano Alessandro Zanardi, nem fazia lembrar aquele que foi bicampeão da CART e terminou o ano zerado. O que, para um time como a Williams, era inaceitável. Segundo seu contrato, Zanardi tinha mais um ano na equipe, mas Frank Williams deu um jeito e chutou os fundilhos do italiano. Havia um carro livre, portanto.

Como uma vaga na Williams nunca é ruim, um batalhão de pilotos foi bater às portas de Grove visando um emprego na equipe: Olivier Panis, JJ Lehto, Jörg Müller… Frank Williams não levou nada disso a sério. Ele mesmo resolveria quem iria correr no lugar de Zanardi. E haveria apenas dois candidatos: o brasileiro Bruno Junqueira e o inglês Jenson Button. Favorito, Bruno havia sido um dos destaques da Fórmula 3000 e já havia feito vários testes com a equipe. E Jenson?

Button era um moleque sardento com 20 anos recém-completados. Em 1999, havia feito duas curtas sessões de testes com a McLaren (prêmio dado em conjunto com a Autosport por ter sido o melhor piloto inglês em 1998) e com a Prost. Além disso, havia terminado a temporada da Fórmula 3 britânica em terceiro, deixando impressão até melhor do que a dos dois primeiros colocados. Para o ano 2000, ele pretendia correr um segundo ano na Fórmula 3. Ou pular para a Fórmula 3000. Fórmula 1, definitivamente, era coisa para o futuro.

Mas eis que, em um belo dia, enquanto estava em um pub com alguns amigos, Jenson Button recebe uma ligação de Frank Williams. Incrédulo, ele quase desligou o celular, pensando se tratar de um trote. Quando viu que não era, pegou suas coisas e viajou imediatamente para a Espanha. Lá, ele enfrentaria Bruno Junqueira pela segunda vaga. O brasileiro tinha o apoio da Petrobras, fornecedora de combustíveis da Williams. E o inglês teria todo o apoio de sua equipe e da poderosa mídia de seu país.

Button e Junqueira fizeram algumas voltas em Jerez, mas o tempo estava muito ruim e todo mundo decidiu ir para Barcelona. Por lá, os dois pilotos andaram nos dias 19 e 23 de janeiro. E Button surpreendeu a todos batendo Junqueira com facilidade: no primeiro dia, o inglês foi 1s1 mais veloz. Quatro dias depois, ele foi dois décimos mais veloz.

A decisão já estava tomada, mas não podia ser revelada. No dia 31, os dois pilotos foram chamados. Nenhum deles sabia o que iria acontecer. Frank Williams lhes informou quem venceu a disputa. Minutos depois, ele informou à mídia seu novo contratado. Aos 20, Jenson Button era o mais novo piloto do grid.

1- NICK HEIDFELD VS ANTONIO PIZZONIA

Nick Heidfeld no teste de Barcelona

Assim como Bruno Senna, Nick Heidfeld também já enfrentou uma espécie de vestibular. Foi em 2005, quando ele e o manauara Antonio Pizzonia disputaram a vaga de segundo piloto da Williams.

Foi uma novela. Tudo começou quando Ralf Schumacher e Juan Pablo Montoya, entregando muito mais dores de cabeça do que resultados, desertaram para outras praças. Com duas vagas disponíveis em sua equipe para 2005, Frank Williams começou a ir atrás de gente boa o suficiente para merecê-las. Primeiramente, tirou Mark Webber da Jaguar. Em seguida, anunciou Jenson Button, que vinha sendo a sensação de 2004 na BAR. Que dupla, hein?

É, mas o problema é que Button já tinha contrato com a BAR para 2005 e não conseguiu anulá-lo. Bem que o inglês tentou ao máximo retornar para sua primeira casa, mas o negócio foi parar nos tribunais e a BAR ganhou. Bom, paciência, né? Frank Williams, então, decidiu testar dois pilotos. Um deles era o alemão Heidfeld, que vinha pagando pecados na Jordan e que era do agrado da BMW. O outro era o brasileiro Pizzonia, que já estava trabalhando como test-driver e que agradava muito os químicos da Petrobras. Não era um simples vestibular, mas uma verdadeira guerra de influências. O vencedor seria aquele que conseguisse colocar no segundo carro seu piloto predileto.

Na pista, o negócio estava tão tenso como fora dela. Heidfeld e Pizzonia participaram de nada menos que três sessões diferentes de testes em três pistas espanholas (Jerez, Barcelona e Valência), totalizando oito dias para cada piloto. Os dois pilotos andaram com o FW26C nas mais diversas situações e puderam ser testados em todos os quesitos. No geral, Pizzonia foi o mais veloz em Barcelona e em Valência, perdendo apenas em Jerez. Nas sessões em que testaram juntos, Heidfeld foi o mais veloz em três e Pizzonia venceu em duas. Duelo equilibrado, mas o brasileiro aparentava ter alguma vantagem.

Só que a voz da BMW falou mais alto. Some seu poderio com o desempenho de Heidfeld, que esteve longe de ser ruim, e o veredito, que demorou uma eternidade para ser concluído, saiu no dia 31 de janeiro, dia da apresentação oficial dos pilotos da Williams. Minutos antes da apresentação, Frank Williams repetiu o que fez em 2000: chamou os dois pilotos no canto e os informou quem havia sido o escolhido. Deu Heidfeld. E Pizzonia seguiu como o piloto de testes.

Seguinte, personas. Um jornal belga, o La Libre, andou falando que a Virgin deverá ter, de fato, um novo companheiro de equipe para o alemão Timo Glock. Lucas di Grassi, portanto, estaria realmente fora. A novidade é que quem ocuparia essa vaga não será mais o belga Jerôme D’Ambrosio. O agraciado é o holandês Giedo Van Der Garde, sexto colocado na atual temporada da GP2 Series.

Segundo o jornal, o próprio D’Ambrosio teria desistido da vaga, uma vez que não tem dinheiro o suficiente. Van Der Garde, por outro lado, é MUITO rico. Por meio de seus patrocinadores, como a grife McGregor, ele teria conseguido oferecer o dobro da quantia oferecida pelo belga. Além disso, seu padrasto seria um dos homens mais ricos da Holanda.

O contrato seria assinado em Interlagos. É uma pena que isso venha a acontecer. Tanto Di Grassi quanto D’Ambrosio são bem mais talentosos do que Van Der Garde, que é bastante experiente e só conseguiu o título da World Series by Renault em 2008 devido a isso.

Vale lembrar que o jornal é belga e não seria normal da parte deles anunciar o infortúnio do único piloto de seu país com chances concretas de chegar à Fórmula 1. A conferir.

Aqueles que, como eu, tiveram o auge de suas infâncias nos anos 80 e 90 reconhecem a referência deste título. Os mais infantes ou anciãos que dêem uma olhada no Google, até porque é muito chato explicar esse tipo de coisa. Antes que pensem que vou falar sobre pilotos com a finesse de um maremoto, o post é sobre um assunto bem menos automobilístico e mais intelectual. Comento sobre cinco pilotos do atual grid que falam fluentemente várias línguas.

Pô, não tinha um assunto melhor para hoje? Não, não tinha. Além do mais, não deixa de ser curioso o fato dos pilotos atuais serem versados em três ou mais idiomas. A Fórmula 1, apesar de passar por lugares tão pouco ortodoxos como a China, o Bahrein e a Hungria, ainda tem como língua geral o inglês. Portanto, se o cabra sabe dizer Hello, Goodbye, I wanna dry tyres! ou Felipe, Fernando is faster than you, já é o suficiente.  Mas sabe como é, falar francês ajuda a negociar com a Renault, falar italiano é um desejável complemento para quem quer ir pra Ferrari e saber espanhol é bom para mandar o Alonso a la mierda. Por isso, quase todos os pilotos do grid atual falam, pelo menos, uns três idiomas. No geral, a exceção é reservada aos ingleses, egocêntricos que acreditam precisar apenas de sua língua e os outros que se virem para entendê-los. Aliás, eu me arrisco a dizer que Jenson Button nem sabe falar inglês direito…

É evidente que os pilotos não são naturalmente ávidos pelo estudo de novas línguas. A necessidade acaba os obrigando a isso e, no geral, ela surge desde cedo, mais precisamente nas categorias de base. Felipe Massa, por exemplo, desembarcou na Europa sem saber falar nada mais do que aquele português de língua presa. A princípio, aprendeu italiano e sobreviveu bem nos tempos de Fórmula Renault e Fórmula 3000 européia. Pouco após ser contratado pela Sauber, o paulista se matriculou em um curso de algumas semanas em Londres para aprender um inglês básico. Hoje, ele se comunica muito bem em inglês, italiano e espanhol. Português, ainda não.

Foi uma lista razoavelmente complicada de fazer e acredito que haja pilotos que falem até mais línguas. De qualquer jeito, confira quem são os cinco da lista de hoje:

5- LUCAS DI GRASSI


Lucas di Grassi é talvez o piloto mais nerd que o Brasil já teve na Fórmula 1. Não chega ao nível de um Sebastien Bourdais, mas ainda assim é um sujeito que se destaca pelo intelecto. Membro do Mensa, organização que visa reunir os 2% mais inteligentes na população mundial, Di Grassi chegou a cursar Economia por algum tempo antes de viajar para a Europa. Não por acaso, é um piloto consciente e mentalmente preparado.

O brasileiro consegue falar cinco línguas, quatro delas com desenvoltura (português, inglês, espanhol e italiano) e um pouco de francês. O português dispensa comentários, o inglês e o italiano são as línguas mais utilizadas no automobilismo e o espanhol lhe foi bastante útil quando ele correu pela Racing Engineering e pela Campos na GP2. O francês  caiu como uma luva nos seus dias na ART Grand Prix.

4- MICHAEL SCHUMACHER


Sim, o velho Schumi, além de bilionário e heptacampeão, é poliglota. Ele fala três línguas fluentemente, os previsíveis alemão, inglês, italiano, e bica também o francês e o norueguês. Norueguês? Sim! Schumacher adora passar férias lá nas montanhas e fiordes do gélido país e acabou aprendendo alguma coisa da língua. Apesar de poder se comunicar em todas estas línguas, seu sotaque é perceptível em todas elas. E, dizem os italianos, seu italiano, apesar de fluente, não é exatamente o melhor possível. Michael teve de aprendê-lo por livre e espontânea obrigação, uma vez que a Ferrari exigia que seus pilotos aprendessem a língua para se comunicar com a mídia e os tifosi.

3- SEBASTIAN VETTEL


Na Fórmula 1 atual, Sebastian não se destaca exatamente pelo número de línguas que fala. Ele fala fluentemente alemão e inglês (ooh!) e fala razoavelmente italiano (resquício dos tempos da Toro Rosso) e francês (provavelmente, resquício da Fórmula 3 européia). Até aí, tudo bem, vários pilotos estão na mesma situação. O mais legal, no entanto, é seu domínio básico do finlandês. Finlandês? Por que uma pessoa como ele precisaria aprender finlandês?

A resposta é ainda mais impressionante. Vettel aprendeu finlandês com um de seus melhores amigos, o soturno e completamente calado Kimi Raikkonen. Ninguém poderia imaginar que Kimi pudesse ensinar uma língua (!) a um amigo da Fórmula 1 (!!). Mas o caso é que ele ensinou e Sebastian sempre arrisca alguma coisa quando é entrevistado pela rede de TV finlandesa MTV3. Nesse vídeo, ele cantarola uma música esquisitinha. Interessante.

2- JARNO TRULLI


Quem vê Jarno Trulli falando em inglês não lhe dá o menor crédito. Seu sotaque italiano, carregadíssimo, faz dele uma das pessoas mais curiosas de se ouvir no paddock da Fórmula 1. É a conseqüência de ter de aprender a língua à força quando já se está na categoria, algo que acontece frequentemente com pilotos italianos. Mas quem acha que o piloto italiano é um demente lingüístico se engana: Jarno fala fluentemente cinco línguas.

Tudo bem que não há nada de impressionante em saber inglês, espanhol, francês, alemão e italiano. O caso é que Trulli, aquele cujo sotaque é medonho, consegue se expressar muitíssimo bem em todos esses idiomas, algo que surpreende a muitos. O inglês e o italiano dispensam comentários. O alemão teve de ser aprendido quando ele competiu na Fórmula 3 alemã, em meados dos anos 90. O francês foi largamente utilizado na Prost e na Renault. E eu não faço a menor idéia sobre o porquê do espanhol. Mas deve ter ajudado um bocado em sua velha e boa amizade com Fernando Alonso.

1- NICO ROSBERG


Digo uma coisa a vocês. Quando se fala em Nico Rosberg, a primeira coisa que me vem à cabeça é sua enorme e impressionante capacidade de aprender uma língua nova. Com um estilo discreto de pilotagem, o que ele tem de mais expressivo é esse seu lado intelectualizado.

Rosberg fala inglês, francês, italiano e alemão fluentemente, fala um ótimo espanhol e também arranha o finlandês. De todos os idiomas vistos até aqui na lista, Nico só não entende o norueguês de Schumacher. O mais incrível é que, com exceção do espanhol e do finlandês, ele já dominava com fluência todas aquelas línguas desde a adolescência, quando ele competia simultaneamente em campeonatos franceses, italianos e alemães de kart. Em 2004, uma curiosidade: após uma corrida na Fórmula 3 européia, um jornalista finlandês apareceu perguntando em sua língua, supondo que Nico a entenda como fazia Keke. Curto e grosso, Rosberg respondeu algo como “desculpe, não falo sua língua”. Em inglês. Hoje em dia, no entanto, ele consegue dominar o básico.

Pelo que já ouvi, o inglês e o italiano dele são impecáveis. Dizem que seu francês é excelente também. O espanhol é a última língua que ele aprendeu. Ainda sem a mesma fluência das outras línguas, Rosberg dá entrevistas na língua de Cervantes perfeitamente bem. Ainda sofre um pouco para entender as palavras, mas nada que um pouco de prática não resolva.

O que faz de Nico um indivíduo tão interessado em suas línguas é sua educação. Oriundo de família endinheirada, ele sempre estudou em excelentes colégios. No sistema de ensino alemão, a partir da equivalente à quarta série brasileira, o aluno deve escolher se quer fazer no futuro um curso técnico ou a faculdade, e o ensino será direcionado ao seu objetivo a partir daí. Rosberg, garoto abastado e inteligente, pôde escolher estudar para tentar a faculdade. Ótimo aluno, conseguiu uma vaga no curso de aerodinâmica do Imperial College of London, uma das mais prestigiadas da Europa. Ainda assim, ele preferiu correr na GP2 em 2005. Decisão acertada.

Jerôme D'Ambrosio, um dos nomes da vez na Fórmula 1

Texto não muito longo. Aliás, alerto: esta semana não vai ser a mais movimentada. Coisas pra fazer a granel. Em um período no qual as notícias são poucas e não muito animadoras, falo de alguns personagens que andaram chamando a atenção de toda a patota da Fórmula 1 em tempos recentes.

Começo pelo fim, ou melhor, pelo menos badalado de todos. E o seu nome é Jerôme D’Ambrosio. Guardem esse nome, pois ele tem boas chances de correr na Fórmula 1 em 2011. Jerôme é belga e tem 25 anos. No seu currículo, constam um título obtido de maneira indiscutível na Fórmula Master em 2007 e três temporadas apenas razoáveis na GP2 entre 2008 e 2010. Não o culpemos, no entanto. D’Ambrosio é um piloto rápido, muito sensato e pouco propenso a erros. Nestes últimos três anos, sofreu com o pouco confiável carro da DAMS. Ainda assim, superou seus companheiros de equipes em todos estes anos. Nos dois primeiros anos, bateu Kamui Kobayashi com folga, e o japonês está aí, fazendo um bocado de gente babar na Fórmula 1.

D’Ambrosio (aprendam, infantes: JERROM DAMBRROSIÔ) aparecerá em quatro dos últimos cinco fins de semana da atual temporada de Fórmula 1 como piloto de testes da Virgin. Andará na sexta-feira nos circuitos de Marina Bay, Suzuka, South Jeolla e Abu Dhabi. A chance de brilhar é remotíssima, mas não deixa de ser boa para alguém que não tem patrocinadores grandes e que é obrigado a abraçar qualquer oportunidade dada pelos homens da Fórmula 1. Se o belga convencer nestas quatro oportunidades e se carregar consigo uma renca de patrocinadores, há uma boa chance da Virgin efetivá-lo para correr ao lado de Timo Glock em 2011. Lucas di Grassi, portanto, termina chupando o dedo.

Kimi Raikkonen: será que volta?

Lucas é um dos quatro brasileiros e um dos cinco estreantes desta temporada. Na comparação direta com seu companheiro Timo Glock, não está tão mal. Apesar de ter largado apenas duas vezes à frente do alemão, Di Grassi terminou apenas uma corrida a menos que Glock (sete a oito) e conseguiu o melhor resultado da Virgin até aqui, um 14º lugar em Sepang. Longe de ser um retrospecto genial, o caso é que o brasileiro merece, no mínimo, uma segunda oportunidade. Uma oportunidade realmente decente. Mas tudo parece nebuloso para ele. Sem dinheiro, restará a ele esperar que algo aconteça. Mas as coisas na Fórmula 1 não acontecem do nada.

Não muito distante da realidade de Di Grassi, Bruno Senna é outro brasileiro que padece no paraíso. Primeiro piloto da simpática porém lamentável Hispania, ele vem sofrendo com um carro que simplesmente é o mesmo da etapa barenita e com uma equipe completamente bagunçada e que remete aos bons tempos das nanicas da pré-classificação oitentista. Até aqui, ele terminou apenas cinco corridas. Já teve tudo quanto é tipo de problema, passou até pelo sufoco de não conseguir ligar o carro para a sessão de sexta-feira da etapa de Monza e chegou a dar seu lugar a Sakon Yamamoto na etapa de Silverstone. E ao contrário do que se imagina, Bruno não é o típico piloto-pagante. Apoiado apenas pelo Embratel e pelo Banco Cruzeiro do Sul (propriedade da família do candidato a vice-presidente Índio da Costa), não há dinheiro o suficiente em sua conta-corrente. Dinheiro esse que, por sinal, a Hispania precisa muito. Bruno Senna sabe que, dificilmente, seu futuro seguirá o mesmo rumo do de sua equipe. Assim como Di Grassi, restará a ele buscar um jardim mais fértil.

Mas não é só a dupla de brasileiros que padece. Pedro de la Rosa, o vovô espanhol, é outro que perde seus cabelos grisalhos buscando uma vaga para 2011. Dispensado pela Sauber, de la Rosa sabe que não tem muito mais a fazer. Está com quase 40 anos de idade e nunca demonstrou qualquer lapso de genialidade. Na atual temporada, fez menos de 1/3 dos pontos de seu companheiro Kamui Kobayashi. Como Pedro também não tem dinheiro, não há como comprar uma vaguinha por aí. Restará a ele esperar que alguém apareça desejando sua experiência. A Hispania já acenou com uma possibilidade. Mas será que é um bom negócio para alguém em sua situação?

Romain Grosjean, a ave fênix

Por outro lado, a vida é bem rósea para alguns. E o possível retorno de Kimi Raikkonen à Fórmula 1 é o principal assunto do momento. Piloto do WRC nesta temporada, Kimi recebe o segundo maior salário da Fórmula 1 devido à enorme rescisão paga pela Ferrari por sua dispensa no ano passado. Na atual temporada do WRC, o desempenho do ex-campeão vem sendo bastante razoável, mas o que mais chama a atenção é o número de acidentes sofridos na temporada de estréia. A mídia, sempre oportunista, não perde tempo para criticá-lo, ignorando que faz parte da adaptação. E a mesma mídia ventila a possibilidade de Kimi estar querendo voltar à Fórmula 1 devido ao fim da mamata ferrarista. Sem dinheiro, ele teria de abandonar a diversão e voltar ao batente. Raikkonen já teria consultado a Renault visando a vaga de companheiro de Robert Kubica em 2011. Quanto a Vitaly Petrov, este migraria por livre e espontânea vontade alheia à Lotus, que irá receber motores Renault. A conferir, a conferir, a conferir.

Outro que está nos ares é Pastor Maldonado, o venezuelano que ganhou o título da GP2 neste ano. Novo herói nacional, o jovem piloto chegou a ser convidado a fazer um discurso para um número enorme de pessoas em um estádio de seu país. No meio da multidão, o caudilho Hugo Chavez, que financia a carreira do pupilo por meio de suas empresas estatais, como é o caso da petrolífera PDVSA. Maldonado, que chegou até a aparecer nas Trending Topics mundiais do Twitter quando obteve uma de suas seis vitórias neste ano, está negociando com algumas equipes médias. Além de experiente e muito rápido, ele carrega muito dinheiro. É, sem dúvida, um dos pilotos mais valiosos que estão de fora nos dias atuais.

Por fim, uma humilde menção da Romain Grosjean, o suíço-francês primo do Sideshow Bob. Após fazer algumas corridas deploráveis pela Renault no final do ano passado, muitos davam sua carreira como acabada. Restaria a ele voltar a trabalhar no banco, pois. E não é que Grosjean deu a volta por cima e tentou correr no máximo de categorias possível visando um retorno à Fórmula 1? O mais legal é que ele andou bem em todas as categorias pelas quais passou nesse ano. Romain começou no FIA GT, venceu duas corridas e chegou a liderar a competição. Depois, pulou para a AutoGP, fez apenas três corridas e inacreditavelmente assumiu a liderança do campeonato tendo feito quatro corridas a menos que a concorrência. Por fim, foi chamado para correr na GP2 pela DAMS. Em um carro fraco, mostrou agressividade e conseguiu um pódio. Renascido das cinzas, foi chamado pela Pirelli para substituir Nick Heidfeld nos testes em Mugello. E seu nome volta a ser cogitado pelos chefes da categoria. E Romain pode, assim, dar risada de quem colocou sua capacidade em cheque no ano passado.

E estes são os personagens mais proeminentes da silly season 2010 – 2011. Silly season é um negócio sempre chato, cheio de sangue, suor e lágrimas. Todos dão seu sangue e suor para continuar competindo, mas alguns sempre terminam em lágrimas.