Nessa semana, a Codemasters fez a festa de muitos fãs de Fórmula 1 ao lançar o F1 2010, talvez o jogo relacionado à categoria mais aguardado de todos os tempos. Depois de muitos anos sem jogos oficiais de Fórmula 1 e muito trabalho de desenvolvimento da empresa inglesa, todos poderão se passar por Lewis Hamilton ou Karun Chandhok em seu Playstation 3, XBox 360 ou computador. E o jogo é sensacional. Mesclando simulador com arcade, ele simula com perfeição detalhes como a dirigibilidade de uma carroça como a Hispania, as mudanças climáticas e até mesmo o relacionamento do piloto com sua equipe e com a imprensa.

Tudo isso é muito bom, muito bonito, muito legal, mas será que paramos para pensar como foi que conseguimos chegar ao nível de perfeição do F1 2010? Até chegar a ele, os fanáticos por Fórmula 1 puderam pilotar seus carrinhos virtuais em muitos outros jogos desde o jurássico Atari. Alguns marcaram época e representam influência até os dias atuais. Não vou comentar sobre medalhões que eu infelizmente nunca joguei, como Virtua Racing ou Super Monaco GP, e nem sobre jogos mais recentes, como o rFactor. Falo apenas do que conheço. Alguns são quase desconhecidos, mas valem a pena ser relembrados.

5- HUMAN GRAND PRIX IV

Até o advento dos jogos em 3D, o Super Nintendo era o videogame ideal para quem gostava de reproduzir as emoções da Fórmula 1. Mesmo que não suportasse o jogo mais célebre de seu período, o Super Monaco GP, o console da Nintendo oferecia uma razoável gama de títulos. Eram jogos muito bons, e alguns deles tinham pequenos detalhes que não existem nem nos jogos mais modernos. Um deles era o Human Grand Prix IV, o último jogo da série Human Grand Prix, lançado em 1995.

Apesar da Human Entertainment estar longe de ser a empresa de games mais badalada de seu período, a série Human Grand Prix era muito bacana porque detinha os direitos oficiais da FOCA. Logo, pistas, equipes e pilotos eram os mesmos da realidade. Esta quarta versão é pioneira em reproduzir quatro temporadas completas, entre 1992 e 1995. Além disso, tudo é customizável. Se você quiser ver Hideki Noda na Ferrari, Michael Schumacher na Pacific e Thierry Boutsen na Forti-Corse, vá em frente.

No mais, os gráficos e a jogabilidade são adequados para sua época: você controla o carro com a câmera posicionada imediatamente atrás dele, como acontecia em todos os jogos de corrida de seu tempo. Havia, porém, alguns detalhes engraçadinhos, como a aparição de patrocinadores em carros, algo muito difícil de se reproduzir em um jogo 16 bits, e de algumas das famosas características de certas pistas que só aumentavam o charme do jogo, como as pontes que atravessam a pista de Montreal. Não é um jogo sensacional, mas vale a pena perder um tempinho com ele.

4- F1 CIRCUS

Este foi o primeiro jogo de Fórmula 1 com o qual eu tive qualquer contato. Foi lançado também para o Super Nintendo no já distante ano de 1992, apesar de ser baseado na temporada anterior. À primeira vista, você olha e acha o troço um tanto quanto ordinário, até porque ninguém se deu ao trabalho de sequer traduzir o jogo para o inglês. Portanto, enfrente o kanji e tente se localizar em um jogo voltado para a patota japonesa.

E não se assuste, pois o jogo é divertido. Para começar, você vai ter de ralar com o setup do seu bólido. O jogo permite a você fazer acertos na asa, na suspensão, nos pneus e onde mais você quiser. É óbvio que o sistema de acertos não passa nem perto da sofisticação de um jogo atual, mas não dá para exigir muito. Você também poderá escolher um dos 34 pilotos daquela temporada. Porém, como a Nichibutsu, fabricante do jogo, não tinha os direitos oficiais da FOCA, restou aos programadores utilizar nomes parecidos com o real. Não se incomode em correr na “Blabham”, por exemplo. Para nosso alívio, as cores são as mesmas. E, no fundo, esse negócio de nomes nem faz diferença, já que quase tudo está em japonês.

Jogar F1 Circus é algo um tanto quanto complicado, já que a câmera é aérea e o carro, na verdade, não sai do lugar: é a pista que se move e você basicamente controla o posicionamento do bólido nela. Não é algo fácil, mas dá pra se acostumar com um pouco de treino. Você deve tomar cuidado também para não bater ou para não desgastar os freios, a suspensão ou a transmissão. Há uma tabelinha com o status dos componentes do carro, algo utilizado por muito tempo em jogos mais sofisticados. O vídeo acima é do Super F1 Circus, uma pequena atualização do F1 Circus.

3-GRAND PRIX 2

Foi o primeiro jogo de Fórmula 1 em que eu mergulhei de cabeça, lá pelos idos de 1999. Eu tinha um humilde 486 que o fazia rodar a cerca de 10 frames por segundo, uma lentidão hispaniesca comparada aos 60 frames por segundo feitos pelo F1 2010. Ainda assim, me divertia por horas na frente da tela. O GP2, como também era chamado, foi por muito tempo o jogo de Fórmula 1 de maior sucesso em todo o mundo. Até mesmo pilotos como Jacques Villeneuve e Ricardo Zonta o utilizavam como simulador para as corridas. Também, pudera.

Totalmente em 3D, o jogo representou um enorme avanço em busca da perfeição. Lançado em 1996, ele era a continuação do igualmente célebre F1 Grand Prix e reproduzia a temporada de 1994. Moderno, ele permitia a você fazer dezenas de modificações no seu carro (dava para modificar a altura de uma asa minunciosamente, por exemplo), reproduzia acidentes de maneira notável para a época e permitia escolher um nível de dificuldade que podia ocupar um bom tempo seu.

Eram 17 pistas, 14 equipes e 28 pilotos. No entanto, o mais legal do GP2 é que ele foi o pioneiro em permitir ao jogador instalar pistas e trocar temporadas inteiras, os chamados carsets. Logo, se você quisesse, poderia competir na temporada 2002 da Fórmula 1 ou na temporada 1996 da Indy em pistas como Talladega, Oschersleben ou Sugo. Uma comunidade imensa na internet produzia vários pacotes de modificação, o que só ampliou o sucesso do jogo.

2- F1 WORLD GRAND PRIX

No meu tempo, quando se falava em jogos de corrida, ninguém dava bola para o pobre do Nintendo 64. Todos só tinham olhos para o Playstation, aquele original. Muitos críticos diziam que o formato de cartucho do 64 era muito caro e criava limitações na hora de desenvolver um jogo mais pesado. Não por acaso, o console da Nintendo não teve muitos jogos, e os de corrida foram ainda mais esparsos. No entanto, ele teve um jogo de Fórmula 1 que, ao meu ver, batia facilmente qualquer jogo do concorrente da Sony, o F1 World Grand Prix.

Lançado no segundo semestre de 1998, o título surpreendeu a todos e é considerado, por vários, um dos melhores jogos já lançados para o console. Ele reproduz a temporada 1997, aquela do Schumacher batendo no Villeneuve, com uma riqueza de detalhes que me faz perguntar como os programadores conseguiram colocar um jogo tão bom dentro de um cartucho limitado. Os gráficos eram muito bons para o período, a jogabilidade era excelente e todos os pilotos e equipes da temporada estavam lá, com exceção da estelinha canadense, que se recusou a ceder suas imagens para o jogo. Em seu lugar, Driver Williams. Bah.

O jogo tinha alguns extras bem interessantes. Um deles era uma pista havaiana que tinha de ser desbloqueada. O outro, talvez o maior chamariz do jogo, era o modo Challenge: você passa por situações que, de fato, aconteceram na temporada 1997 e deve se safar delas. Assim, em uma tarefa, você é Giancarlo Fisichella em Hockenheim, tem um pneu estourado, deve levar o carro para os pits, voltar e recuperar posições. Em outra, você é Ukyo Katayama e deve levar seu carro sem freios até o final em Spa-Francorchamps. E assim por diante. Um clássico.

1- GRAND PRIX LEGENDS

Call of Duty é o caramba. ISSO é jogo de homem. E me arrisco a dizer que é o jogo de corrida com melhor custo/benefício de todos os tempos. Ninguém conseguiu fazer, até hoje, um simulador tão leve e ao mesmo tempo tão detalhado e perfeito.

Grand Prix Legends foi lançado para PC meio que à surdina em 1998 com a interessante proposta de reproduzir as emoções da Fórmula 1 de exatos 31 anos antes, a célebre temporada de 1967. Você poderia dirigir aqueles belíssimos charutinhos da Lotus ou da Ferrari por circuitos como o antigo Spa-Francorchamps, Nürburgring Nordschleife e Mosport. Sem dúvida, uma experiência legal. Mas muito, muito difícil.

Como dito, o jogo foi feito para homens. Se você quiser tentar jogar com o teclado, vá em frente. Em um primeiro instante, não conseguirá sequer fazer a primeira curva. Com o tempo, conseguirá completar uma volta em Monza. Mais tempo e você até conseguirá terminar uma corrida em Rouen. Apenas pessoas muito perseverantes conseguem jogar dispensando um bom volante. Para os domingueiros, ele é absolutamente indispensável.

Mas não fiquemos só falando da extrema dificuldade. Os gráficos, de uma leveza incrível e de uma beleza marcante, permanecem atuais até hoje. O nível de detalhamento dos carros é notável: você sente a diferença entre dirigir um Brabham e um Eagle e até mesmo os sons dos motores são diferentes. A gama de acertos é milimétrica e qualquer detalhe representa a diferença entre a vitória e a derrota. E os acidentes são ótimos. Tirando o fato do carro só perder as rodas, o realismo é extremo. Ninguém conseguiu fazer um sistema de capotagens como os programadores de GPL. Para um jogo cult, ignorado pela grande turma de consumidores, nada mais justo do que o primeiro lugar.

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