O futuro já começou


Se você pronunciar rapidamente, o nome até lembra um pouco o do atual segundo piloto da Ferrari. O sobrenome, no automobilismo brasileiro, é representativo. De origem libanesa, os Nasr, por meio dos irmãos Amir e Samir, comandam uma das equipes de maior sucesso no país, a Amir Nasr Racing. Atual participante da Stock Car, a AMR se consagrou na Fórmula 3 sul-americana vencendo os títulos de 1997 (Bruno Junqueira), 1999 (Hoover Orsi), 2000 (Vitor Meira) e 2001 (Juliano Moro). A rivalidade com outra lendária equipe do automobilismo nacional, a Cesário, se tornou célebre no meio automobilístico.  

Os irmãos Nasr são craques em administração e engenharia de corridas, mas nunca se aventuraram como pilotos. Porém, isso não quer dizer que a família não se faz presente dentro dos carros. Um dos pilotos brasileiros de maior sucesso no automobilismo de base atualmente é exatamente o filho de Samir, Luis Felipe de Oliveira Nasr, ou simplesmente Felipe Nasr.

Em 2010, Felipe foi um dos representantes do Brasil na Fórmula 3 britânica. Competiu pela Raikkonen Robertson, comandada pelo “Iceman” e por Steve Robertson, seu empresário. Era o único estreante da equipe, que também colocou na pista os experientes e competentes Carlos Huertas e Daisuke Nakajima. Com companheiros como estes, a parada seria dura para Nasr. Mas ele superou todas as expectativas e conseguiu a quinta posição na tabela geral do campeonato, salvando a honra de sua equipe (seus companheiros ficaram, respectivamente, em 10º e 11º). Para o ano que vem, Felipe Nasr continuará na Fórmula 3, dessa vez pela Carlin, a equipe campeã nos últimos três anos. Favorito ao título? Cedo pra dizer, mas… se eu tivesse de arriscar um nome, arriscaria o dele, é claro.

Se considerarmos que existe uma espécie de caminho padrão que o piloto deve fazer em direção à Fórmula 1, começando pela Fórmula BMW, passando para a Fórmula 3, subindo para a GP2 e finalmente alcançando a categoria principal, podemos dizer que Felipe Nasr é o brasileiro mais bem-sucedido neste caminho. Ele foi o campeão da Fórmula BMW europeia no ano passado, tendo vencido cinco corridas e feito quase 100 pontos a mais que o segundo colocado. Se tivesse dado sorte, poderia até ter onseguido um teste na BMW Sauber, mas a equipe fechou as portas no fim de 2009 e só deu um teste ao campeão de 2008, Esteban Gutierrez. E Nasr ficou chupando o dedo, mas tudo bem.

O título na Fórmula BMW e o ótimo desempenho na Fórmula 3 britânica só comprovam que o cara nasceu para o estrelato no automobilismo. Aos 18 anos, sua carreira é longa e bastante relevante. Tudo começou quando seu pai o levou para dar umas voltas em um kart na pista de Brasília, praticamente quintal da equipe Amir Nasr. Felipe andou tão rápido que todos ficaram assustados, e Samir, velho caçador de talentos, percebeu que seu rebento ia longe. Comprou um kart e entregou ao garoto, que iniciou a carreira nos campeonatos brasilienses em 2000.

Felipe Nasr na Fórmula 3 britânica

Por incrível que pareça, Felipe Nasr venceu pelo menos um campeonato de kart durante todos os anos em que competiu na modalidade. Em 2000, campeão brasiliense. Em 2001, bicampeão brasiliense e vice-campeão brasileiro. Em 2002, tricampeão brasiliense e vice-campeão brasileiro novamente. Em 2003, tetracampeão brasiliense. Em 2004, pentacampeão brasiliense e campeão da Copa Brasil. Em 2005, campeão do Centro-Oeste. Em 2006, campeão brasileiro. Em 2007, bicampeão da Copa Brasil e campeão do Sudam. Tá bom, né?

No ano seguinte, cansado de ganhar tanto no kartismo, Felipe Nasr foi fazer uns testes com monopostos visando subir de patamar. Testou carros de Fórmula 3 e Fórmula Renault e, satisfeito com os resultados, planejava fazer uma temporada completa na Fórmula 3 sul-americana em 2009. Mas eis que surge um convite da Euromotorsport, equipe de Antonio Ferrari que chegou até a competir na antiga Indy, para disputar a rodada dupla da Fórmula BMW das Américas em Interlagos. Nasr aceitou, entrou em um carro que não conhecia e conseguiu, logo de cara, um terceiro e um quinto lugares. Belíssima maneira de terminar 2008. E de estrear no automobilismo.

Entusiasmada com o desempenho do jovem, a Euromotorsport acenou com um contrato para disputar a Fórmula BMW europeia, categoria que realizava corridas como preliminares das etapas europeias da Fórmula 1! Sem dúvida, uma excelente oportunidade para chamar a atenção dos chefões da categoria. O problema maior era o companheiro de equipe, o experiente Daniel Juncadella. Ambos os pilotos seriam patrocinados pela Red Bull, mas as atenções estavam concentradas no espanhol, que iniciou o ano como favorito ao título.

Mas as coisas mudaram logo na pré-temporada, quando Nasr surpreendeu a todos e ponteou várias das sessões. E logo na primeira rodada do campeonato, em Barcelona, o brasileiro conseguiu fazer as duas poles e vencer a segunda corrida. Ele venceu também em Zandvoort (única etapa standalone do campeonato), em Nürburgring, em Hungaroring e em Monza. Poderia até ter vencido mais, mas acabou perdendo suas duas poles em Silverstone como punição por não conseguir engatar a prosaica marcha a ré! Mas não tem problema. Com cinco vitórias, 14 pódios, seis poles e 392 pontos, Nasr levou o título para casa com uma corrida de antecipação. Recebeu o troféu de campeão das mãos de Mario Theissen, o chefão da BMW Motorsport. A moral estava lá no alto.

Nasr em Monza, no fim de semana que o coroou campeão da F-BMW europeia em 2009

Com o título, choveram convites de várias categorias. Os empresários ficaram impressionados com o piloto brasileiro e muitos se ofereceram para cuidar de sua carreira: o ex-piloto Helmut Marko e sua Red Bull, a Gravity Sports Management e até mesmo Nicolas Todt, filho do todo-poderoso da FIA. Mas Felipe Nasr escolheu ser tutelado pelos irmãos Robertson, que cuidaram das carreiras de Kimi Raikkonen e Jenson Button. Levando em conta que ambos conseguiram o título na Fórmula 1, estar com eles não é nada mal.

E Nasr acabou parando na Raikkonen Robertson para correr na Fórmula 3 britânica em 2010. A equipe não é fraca, mas já teve dias melhores, como quando foi campeã com Mike Conway em 2006. Felipe era um dos estreantes mais badalados, mas ninguém acreditava muito em um grande desempenho. Os caras da Carlin e da Fortec, por exemplo, estavam melhor equipados e muito provavelmente estraçalhariam a patota da Double R.

Não foi bem isso o que aconteceu. É verdade que o início foi complicado e os abandonos representaram a tônica das primeiras corridas, mas a adaptação é sempre difícil. Seu primeiro pódio aconteceu na sexta corrida, a terceira da segunda rodada tripla, realizada em Silverstone. Aos poucos, Nasr saiu do meio do pelotão e se transformou em presença constante no Top 10. E a vitória veio na terceira prova da rodada de Rockingham, na qual ele largou em quarto e assumiu a liderança logo na primeira volta. Na última rodada, em Brands Hatch, Felipe fez sua primeira pole-position verdadeira (ele já havia conseguido largar na frente em Thruxton e em Spa-Francorchamps, mas devido ao sistema de grid invertido), mas foi punido por ter andado em bandeira amarela e acabou saindo apenas em oitavo.

Nasr terminou o ano na quinta posição. À sua frente, o campeão Jean-Eric Vergne, James Calado, Oil Webb e Adriano Buzaid. Levando em conta que apenas Webb não competia pela Carlin, é um resultado indiscutivelmente notável para o brasiliense. Alguns podem fazer muxoxo pelo fato dele ter sido apenas o quarto melhor estreante, já que apenas Buzaid tinha experiência prévia na categoria, mas vale lembrar que 2010 foi um ano de altíssimo nível técnico e os pilotos experientes tiveram problemas para acompanhar o ritmo dos novatos. E algumas estruturas, como a de Vergne, patrocinado maciçamente pela Red Bull, e a de Calado, uma das estrelas do Racing Steps Foundation, eram destoantes do restante do grid. Logo, não há como negar que foi um grande 2010 para Felipe Nasr.

Em 2011, como dito acima, ele competirá pela Carlin visando o título. A equipe de Trevor Carlin tem a tradição de lotar os grids com cinco ou seis carros. Até agora, foram confirmados, além de Nasr, o dinamarquês Kevin Magnussen (sim, o filho do Jan), os ingleses Rupert Svendsen-Cook e Jack Harvey e o colombiano Carlos Huertas, que também vem da Raikkonen Robertson. Um sexto piloto será anunciado em breve. Quer dizer, com toda essa turma disputando as atenções da equipe, quem sair na frente logo no começo já ganha os amores e os afagos dos mecânicos e de Mr. Trevor. E Nasr tem todas as condições para isso.

FELIPE NASR

Nascido em 21 de agosto de 1992 em Brasília

Campeão da Fórmula BMW europeia em 2009

Quinto colocado no campeonato 2010 da Fórmula 3 britânica

SITE: http://www.felipenasr.com/

TWITTER: http://twitter.com/felipenasr

PATROCINADORES

Stilo, empresa italiana de capaceteshttp://www.stilo.it/

Drugovich, empresa brasileira de autopeças para caminhões Scania e Volvo – http://www.drugovich.com.br/

Noma, empresa brasileira de semi-reboques – http://www.noma.com.br/

YELMER BUURMAN (FORCE INDIA)

É holandês e nasceu em 19 de fevereiro de 1987.

Sujeito de nome esquisito (pronuncia-se o sobrenome como “Birman”), Buurman é um desses pilotos esquecidos pela mídia, pelos torcedores e pelo destino. Experiente, já passou pela Fórmula 3 Inglesa, pela GP2, pela GP2 Asia e pela Fórmula 3 Européia. Em todos esses campeonatos, ficou conhecido pela extrema perspicácia na chuva e pela irregularidade nos resultados. Nos últimos anos, competiu por Anderlecht e Milan na Superleague e se destacou como um dos melhores pilotos do campeonato. Ainda assim, não quer ser deixado de lado pela Fórmula 1 e, por isso, foi a Abu Dhabi testar pela equipe indiana.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Baixíssimas. Longe de ser o mais endinheirado dos holandeses, se estabeleceu na Superleague porque é a melhor opção, fora da Fórmula 1, para viver das corridas. Além disso, não tem amizades ou parcerias com empresas. E não é nenhum gênio. Assim, fica difícil.

ANTÔNIO FÉLIX DA COSTA (FORCE INDIA)

É português e nasceu em 31 de agosto de 1991.

Quando o piloto português nasceu, Michael Schumacher já era um piloto de Fórmula 1. Mesmo que o velho alemão esteja fazendo hora extra, o fato acima é um bom indicativo da pouca idade de Félix da Costa, que completou 19 anos há poucos meses. Sua carreira é curta, mas marcante. Logo em seu ano de estreia nos monopostos, 2008, o lusitano conseguiu o vice-campeonato na Fórmula Renault norte-europeia. No ano seguinte, ganhou este campeonato e ainda terminou em terceiro no europeu da categoria. Nesse ano, fez sua estreia na Fórmula 3 Europeia e, mesmo dirigindo o pior carro do grid, ganhou três corridas. É muito arrojado, mas ainda meio imaturo e trapalhão. Já tem contrato assinado com a Ocean para correr na GP2.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Médias. Antônio Félix da Costa ainda é bastante novo e pode perder mais uns três anos em categorias de base. Seu talento é dos maiores. Ainda assim, as coisas podem ficar dificultadas se ele não arranjar muito dinheiro ou uma parceria com uma empresa. Seu ano de estreia na GP2 será decisivo.

SERGIO PEREZ (SAUBER)

É mexicano e nasceu em 26 de dezembro de 1989.

De todos os pilotos que testaram, Perez é o único com contrato assinado para correr na Fórmula 1 em 2011. O mexicano, vice-campeão da GP2 com impressionantes cinco vitórias, será o segundo piloto da Sauber. É o primeiro piloto do país a correr na Fórmula 1 desde Hector Rebaque há quase 30 anos. E quem viu “Checo” correndo na GP2 nos últimos dois anos concorda com a contratação. O baixinho é extremamente veloz e arrojado, além de errar muito pouco. Além do vice-campeonato da GP2, ele foi campeão do National Cup da Fórmula 3 Inglesa em 2007 e quarto colocado do campeonato principal em 2008.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Contratado pela Sauber para correr em 2011. Sobre seu futuro na categoria, só o tempo dirá. Mas o cara é bom o suficiente para crescer muito.

ESTEBAN GUTIERREZ (SAUBER)

É mexicano e nasceu em 5 de agosto de 1991.

O México vive grande fase no automobilismo. Além do vice-campeonato de Sergio Perez na GP2, o país celebrou o título de Esteban Gutierrez na GP3, a nova categoria de Bernie Ecclestone. Quando você olha para o cara, magrelo e de aparência até meio sofrida, fica com pena, mas pena é exatamente o que ele não sente pelos seus adversários. Além do título da GP3, Gutierrez foi campeão da Fórmula BMW Européia em 2008 e vice-campeão da Fórmula BMW americana no ano anterior. Em 2011, será o primeiro piloto da poderosa ART na GP2. Ao meu ver, é até mais promissor do que o próprio Perez.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Altíssimas. Esteban Gutierrez é o atual piloto de testes da Sauber e a equipe o adora. Além de extremamente talentoso, o cara é um dos astros da Escudería Telmex, um projeto liderado pela empresa de Carlos Slim que congrega várias outras visando apoiar jovens talentos do México. Com muito dinheiro, talento e amigos nos lugares certos, é impossível não enxerga-lo na Fórmula 1 até mesmo em 2012.

JEAN-ERIC VERGNE (TORO ROSSO)

É francês e nasceu em 25 de abril de 1990.

Depois de várias decepções, a França deposita a maior parte das suas fichas em Jean-Eric Vergne, o atual campeão da Fórmula 3 Inglesa. Campeão, na verdade, é um eufemismo para a temporada massacrante que ele fez neste ano: ganhou 19 das 30 corridas disputadas e fez quase 100 pontos a mais que o vice-campeão. De quebra, fez algumas poucas corridas na World Series by Renault, ganhou uma etapa e conseguiu terminar em 8º. Além disso, foi campeão de Fórmula Campus em 2007 e vice-campeão europeu de Fórmula Renault no ano passado. Sua maior desvantagem: o fato de ter aparecido depois de Daniel Ricciardo, que está à sua frente na lista de prioridades da Red Bull.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Altíssimas. Afinal de contas, todo mundo quer ver um francês na Fórmula 1. E Jean-Eric Vergne parece ser o cara. Ficará mais um ano na World Series e, se tudo der certo, a Toro Rosso o espera para 2012.

VLADIMIR ARABADZHIEV (LOTUS)

É búlgaro e nasceu em 26 de março de 1984.

Não há muito o que se dizer sobre Arabadzhiev, tirando talvez o fato de ser o primeiro piloto de seu país a andar em um Fórmula 1 (confere, Rianov?). Piloto medíocre, fez uma temporada quase completa na GP2 pela Coloni nesse ano e terminou zerado, além de ter mandado uma série de carros ao ferro-velho. Seus maiores feitos foram algumas vitórias na Fórmula Master Italiana, uma única vitória na Fórmula Master principal e outra na AutoGP. Só chegou ao patamar que chegou porque tem muita grana, é óbvio.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Baixas. Vladimir Arabadzhiev, definitivamente, não é do ramo e todos sabem disso. Mas tem o dinheiro que falta a muita gente. Numa dessas, quem sabe…

RODOLFO GONZALEZ (LOTUS)

É venezuelano e nasceu em 14 de maio de 1986.

Assim como seu companheiro, é outro zé-ruela. Com o sempre polpudo apoio da PDVSA, pagou 500 mil dólares para se divertir no carro da Lotus por alguns dias. E é só por esse motivo que Rodolfo Gonzalez conseguiu chegar perto de um carro de Fórmula 1, já que sua carreira é pífia. Seu único título foi o duvidoso National Cup da Fórmula 3 Inglesa em 2006, disputado pelos quatro ou cinco pilotos que correm com carros defasados. Fora isso, ele só conseguiu vencer uma única corrida de verdade na vida, uma prova da Euro 3000 com cerca de dez carros no grid. O dinheiro manda.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Baixas. E o mesmo dito sobre Arabadzhiev vale para ele.

DAVIDE VALSECCHI (HISPANIA)

É italiano e nasceu em 24 de janeiro de 1987.

A Itália anda em uma fase tão ruim no automobilismo que até mesmo um sujeito de capacidades limitadas como Davide Valsecchi acaba sendo considerado promissor. Posso estar sendo muito maledicente com ele, que venceu a GP2 asiática no início do ano, mas a verdade é que Davide nunca conseguiu fazer muito mais do que isso na carreira. Em três temporadas de GP2, uma e meia em equipes grandes, apenas duas vitórias. Antes da GP2, o retrospecto é ainda mais nebuloso: muita experiência em vários campeonatos e poucos resultados concretos. Mas reconheço que há uma curva de crescimento lenta e ascendente. Quem sabe daqui a uns 10 anos…

CHANCES NA FÓRMULA 1: Médias. Na verdade, eu diria que elas são baixíssimas. Mas Davide Valsecchi tem dinheiro. E como o dinheiro compra tudo na Fórmula 1…

JOSEF KRAL (HISPANIA)

É checo e nasceu em 15 de junho de 1990.

Até o final do ano passado, nunca tinha ouvido falar desse cidadão, que tem como pontos altos na carreira um 3º lugar na Fórmula Master em 2009 e um vice-campeonato na Fórmula BMW inglesa em 2007. Quando a Supernova anunciou sua contratação para os campeonatos europeu e asiático da GP2 em 2010, muitos que o conheciam minimamente torceram o nariz. Afinal, Josef Kral é o típico filhinho de papai. Nesse ano, só chamou a atenção quando se envolveu nesse violento acidente em Valência. O teste na Hispania só ocorreu porque Kral e seus patrocinadores pagaram 300 mil dólares pela brincadeira. Ponto positivo? Ele é estudante de Economia na Universidade de Praga. Logo, é dos meus.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Baixíssimas. Tem dinheiro para um teste, mas não tenho muita certeza sobre algo além disso. No mais, não tem experiência, não tem apoio importante e, ao que parece, também não tem muito talento natural.

LUIZ RAZIA (VIRGIN)

É brasileiro e nasceu em 4 de janeiro de 1989.

Único representante do Brasil varonil nos testes em Abu Dhabi, Luiz Razia periga ser, igualmente, o único piloto apto a subir para a Fórmula 1 a curto prazo. Para nossa sorte, Razia é um piloto talentoso e promissor. Em seu currículo, constam um título fácil na Fórmula 3 sul-americana em 2006 e ótimas passagens na Euro 3000. Está na GP2 há duas temporadas e penou com uma equipe ruim na primeira delas e com o desempenho avassalador de seu companheiro na segunda. Ainda assim, a Virgin acredita em seu potencial e o manteve como terceiro piloto durante boa parte do ano. Sua especialidade é correr na chuva.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Baixas. Infelizmente, parece faltar um apoio realmente forte a Luiz Razia. A Virgin está conversando com vários pilotos para 2011 e Razia não parece estar sendo considerado. O negócio seria tentar a GP2 por mais um ano e ver no que dá.

RIO HARYANTO (VIRGIN)

É indonésio e nasceu em 22 de janeiro de 1993.

Aos 17 anos, é o piloto mais novo a testar em Abu Dhabi. Você pode até olhar torto para o pivete por ele ser indonésio. Pois recomendo que engula seu preconceito. Rio Haryanto é considerado atualmente o piloto mais promissor da Ásia. Logo em seu ano de estréia, 2008, ele conseguiu um notável 6º lugar no campeonato asiático de Fórmula Renault. No ano seguinte, pintou e bordou na Fórmula BMW do Pacífico. Como prêmio, acabou ganhando uma vaga na Manor para correr na GP3. Muitos acreditavam em seu fracasso, mas não é que o infante consegue bater seus dois companheiros e terminar em um surpreendente 5º lugar? Alô, Lotus e companhia. Se querem investir em um cara bom do sudeste asiático, é nele que vocês devem mirar, e não em Fairuz Fauzy.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Médias. Por ser do sudeste asiático, pode acabar despertando a simpatia da Fórmula 1. Mas como tem apenas 17 anos, ainda precisa comer muito arroz e feijão nas categorias de base. É piloto para daqui a três ou quatro anos.

Nesta semana, o pessoal da Fórmula 1 está fazendo testes com pilotos novatos no quente porém gelado circuito de Abu Dhabi. Deixando de lado a tensão sempre vivida em um campeonato, as 12 equipes usufruem o direito de testar tranquilamente pela primeira vez desde o fim da pré-temporada (no caso da Hispania, pela primeira vez na sua história!). A única exigência é o emprego de pilotos com, no máximo, duas corridas de experiência na Fórmula 1. A regra não foi necessária, já que nenhum dos garotos que estão testando fez uma corridinha sequer na categoria.

Mas quem são eles? Aqueles que só acompanham a Fórmula 1 estranharão seus nomes, e alguns são meio estranhos mesmo: Bird, Arabadzhiev, D’Ambrosio, Kral e por aí vai. Meu dever cívico é iluminar a cabeça dos leitores e comentar um pouco sobre todos os moleques. De onde vieram. Quantos anos têm. O que fazem da vida. Quais são as chances para o futuro. Para que times torcem e quais são seus signos.

DANIEL RICCIARDO (RED BULL)

É australiano e nasceu em 1 de Julho de 1989.

Este australiano sorridente, de cabelo ruim e nome italianizado é simplesmente a maior aposta da Red Bull a médio prazo. Com apenas 21 anos, Daniel Ricciardo já pode exibir para seus colegas um currículo com os títulos da Fórmula Renault da Europa Ocidental em 2008 e da tradicionalíssima Fórmula 3 Inglesa em 2009, além do vice-campeonato na World Series by Renault neste ano. O que mais impressiona, no entanto, é sua pilotagem: demonstrando velocidade no melhor estilo Jim Clark, é bom de chuva e de ultrapassagens e domina os adversários com facilidade monstruosa.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Altíssimas. Ricciardo deverá correr na GP2 em 2011 apenas como parte do protocolo. A Toro Rosso o quer e a Red Bull pensa nele como um substituto para Mark Webber. De todos os pilotos que testam aqui, é o que tem mais chances de subir para a categoria e se dar bem.

GARY PAFFETT (MCLAREN)

É inglês e nasceu em 24 de março de 1981.

Piloto mais velho a testar em Abu Dhabi, Gary Paffett é um velho conhecido da equipe McLaren. Seus vínculos com a Mercedes e com a equipe de Martin Whitmarsh existem há cerca de 10 anos e ele sempre competiu sob a tutela da manufatureira de três pontas. No currículo, exibe os títulos na Fórmula 3 Alemã em 2002 e na DTM em 2005. Cabaço, portanto, Paffett não é. Apesar disso, nunca conseguiu chegar perto de uma vaga de titular na Fórmula 1. Bem que tentou, vide as conversas com a Jaguar para substituir Antonio Pizzonia em 2003 e com a própria McLaren para entrar como companheiro de Fernando Alonso em 2007.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Baixas. Rondando a casa dos 30 anos de idade, Paffett já se estabilizou como um respeitado piloto da Mercedes-Benz no DTM. Na Fórmula 1, não teria muito o que fazer, até porque nem McLaren e nem Mercedes sinalizam uma oportunidadezinha sequer.

OLIVER TURVEY (MCLAREN)

É inglês e nasceu em 1 de abril de 1987.

O inglês com cara de moleque que apronta em filmes de criança é uma das atuais esperanças da Terra da Rainha. Veloz sem ser espalhafatoso e muito regular, Oliver Turvey é um desses sujeitos que têm talento, mas que por não terem lobby de empresa alguma, são sumariamente esquecidos por equipes, mídia e torcedores. O currículo pode não ser genial, mas está muito longe de ser ruim: sexto colocado na GP2 em 2010, quarto na World Series by Renault em 2009, vice-campeão da Fórmula 3 Inglesa em 2008 e vice-campeão da Fórmula BMW inglesa em 2006. Um título não cairia mal para alguém como ele. Curiosidade: quer identificar o carro de Turvey nas categorias de base? É aquele branco com quadriculados vermelhos e azuis, no melhor estilo Arrows em 1994, referência à empresa de gestão esportiva que o apoia.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Médias. Pode dar a sorte grande e encontrar uma empresa grande ou montadora que o apoie ou pode simplesmente comprar uma vaga em uma Hispania na vida. Se correr bem na GP2 em 2011, poderá ter mais facilidades. Mas não espere muito. É um desses caras que, por falta de dinheiro, acabam sobrando em uma DTM ou WTCC da vida.

JULES BIANCHI (FERRARI)

É francês e nasceu em 3 de agosto de 1989.

Se a Red Bull aposta suas fichas em Ricciardo, a Ferrari rebate com Jules Bianchi. O jovem francês tem a velocidade no sangue: seu tio-avô era Lucien Bianchi, piloto belga de grande sucesso nos protótipos que chegou a competir na Fórmula 1 no fim dos anos 60. Mas isso não quer dizer que Jules não tenha brilho próprio: campeão da Fórmula Renault francesa em 2007, vencedor do Masters de Fórmula 3 em 2008 e campeão da Fórmula 3 Européia em 2009. Em 2010, competiu na GP2 pela ART e decepcionou, tendo muitos problemas e erros. Ainda assim, é uma ótima aposta e deverá ter uma segunda chance em 2011.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Altas. Protegido da Ferrari, Bianchi não deverá ter muitas dores de cabeça, já que sempre pode acabar sobrando em uma Sauber ou Toro Rosso. Sua ascensão só dependerá dele. Em 2011, terá uma segunda chance de mostrar seu talento e seu arrojo. Se decepcionar novamente, poderá ter problemas.

SAM BIRD (MERCEDES)

É inglês e nasceu em 9 de janeiro de 1987.

Mistura de Dr. House com o vocalista do Kaiser Chiefs, Sam Bird é da mesma turma de Oliver Turvey: piloto inglês extremamente talentoso porém esquecido por não ter lobby ou apoio de alguma empresa. Segundo piloto da ART na GP2 nesse ano, Bird surpreendeu a muitos com seu arrojo e sua absoluta falta de pudor na hora de ultrapassar (na segunda corrida de Barcelona, fez duas atrevidas ultrapassagens e chamou a atenção de todos), além de ter peitado Jules Bianchi, o queridinho da equipe. Deverá permanecer na GP2 em 2011 e merece algo melhor do que ser simplesmente o coadjuvante do francês. Vice-campeão da Fórmula BMW inglesa em 2005, terceiro na Fórmula Renault inglesa em 2006 e quarto na Fórmula 3 Inglesa em 2007.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Baixas. Precisa de uma reviravolta muito grande na vida e na sorte (ô sujeito azarado na GP2) para conseguir algo. E seria uma pena deixar a carreira de Bird voar, com o perdão do péssimo trocadilho.

JERÔME D’AMBROSIO (RENAULT E VIRGIN)

É belga e nasceu em 27 de dezembro de 1985.

Diante de muitos que nunca tinham sequer sonhado em entrar em um Fórmula 1, Jerôme D’Ambrosio é um veterano. O belga, campeão da Fórmula Masters em 2007, fez quatro treinos de sexta-feira pela Virgin no final dessa temporada e conseguiu impressionar a equipe, que o considera bastante para a vaga de companheiro de Timo Glock em 2011. Está há três anos na GP2, sempre fiel à mediana DAMS. Notabilizou-se pelo estilo Nick Heidfeld: muito veloz, muito competente e muito discreto. Infelizmente, é muito azarado, tanto que só conseguiu vencer na categoria neste ano. Poucos se lembram disso, mas bateu Kamui Kobayashi com folga nos dois anos em que foram companheiros de equipe.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Altas. Ao contrário do que muitos pensam, não tem tanto dinheiro assim. Mas a “Russa Virgem” já estaria satisfeita com a quantia que ele tem e pensa em colocá-lo pra correr em 2011. É bom Lucas di Grassi se preocupar. Mas, por outro lado, se a chance na Marussia não vier, provavelmente não haverá outra.

MIKHAIL ALESHIN (RENAULT)

É russo e nasceu em 22 de maio de 1987.

E a onda russa na Fórmula 1 se faz presente com Marussia, Vitaly Petrov e também com Mikhail Aleshin. Aos 23 anos, o piloto moscovita já é considerado experiente. Antes de vencer a World Series by Renault neste ano, Aleshin fez outras três temporadas completas na categoria. Além disso, passou pela Fórmula 2, pela A1GP e até fez alguns fins de semana pela ART na GP2 nos tempos em que era apoiado pela Red Bull. Não é gênio, longe disso até, mas não é tão tonto também.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Médias. Aleshin é endinheirado, talvez até mais que Petrov, e já busca uma vaga como titular na Fórmula 1 para 2011. Se não der certo, tentará correr na GP2. É do tipo que pode acabar comprando uma vaguinha em um timeco por aí.

PASTOR MALDONADO (WILLIAMS E HISPANIA)

É venezuelano e nasceu em 9 de março de 1985.

Esse já ganhou até post especial no Bandeira Verde. Pupilo do mambembe Hugo Chavez, Maldonado é o atual campeão da GP2 Series, tendo conseguido a impressionante sequência de seis vitórias seguidas em corridas de sábado. Além da GP2, Maldonado conseguiu ser campeão nos pontos na World Series by Renault em 2006, mas acabou perdendo o título no tapetão. É conhecido por ser muito veloz, muito arrojado e completamente burro em diversas situações, especialmente no início de carreira. Nos últimos dois anos, no entanto, aprendeu a dosar sua selvageria e se tornou um piloto quase completo, pronto para subir para a Fórmula 1.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Altíssimas. É agora ou nunca. Em sua melhor forma, com um título de GP2 nas mãos e cheio da grana venezuelana, Maldonado já é dado como garantido na Williams em 2011 por algumas fontes. Há quem fale também em Hispania, mas essa é uma possibilidade remota.

DEAN STONEMAN (WILLIAMS)

É inglês e nasceu em 24 de julho de 1990.

É possível que, dentre todos os novatos, Dean Stoneman seja o de carreira mais meteórica. Campeão da fraca Fórmula 2 em 2010, o jovem britânico só começou a competir em monopostos em 2006, quando fez algumas corridas em campeonatos menores de Fórmula Renault. Em 2008, ganhou a irrelevante Graduate Cup do inglês de Fórmula Renault. Nesse mesmo ano e no ano seguinte, terminou em quarto no campeonato principal. Apesar do histórico não impressionar, é alguém a se observar mais à frente.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Baixas. Por enquanto, é difícil falar em Dean Stoneman na Fórmula 1 até mesmo por sua inexperiência. É melhor esperar mais um ou dois anos.

PAUL DI RESTA (FORCE INDIA)

É escocês e nasceu em 16 de abril de 1986.

Primo de Dario Franchitti, Paul di Resta é um dos nomes mais badalados entre os novatos de Abu Dhabi. A Force India o corteja desde 2008 e para o ano que vem, é bem provável que uma das vagas da equipe indiana seja sua. Seu currículo chama a atenção: piloto da DTM desde 2007, Di Resta obteve dois vice-campeonatos, em 2008 e 2010. Em 2006, ele foi campeão da Fórmula 3 Europeia batendo ninguém menos do que Sebastian Vettel. Apoiado pela Mercedes, é um dos maiores talentos do automobilismo europeu que não se encontram na Fórmula 1.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Altíssimas. A Force India o quer para o ano que vem e se Vijay Mallya estiver disposto a dar uma chance para um novato, será ele o agraciado. Mas se não acontecer, tudo bem. Di Resta ainda é jovem e uma oportunidade pode aparecer em outro ano.

Mais tarde, a segunda parte: os outros onze pilotos que também estão nos testes.

Como já dizia a propaganda, os nossos japoneses são melhores que os outros. Quando pensamos neles, vêm imediatamente às nossas mentes engenheiros ou agricultores, como o plantador de tomates do filme Ilha das Flores, o senhor Suzuki. E é de um Suzuki que vou falar hoje. Não, não me refiro aos consagrados Aguri ou Toshio e também não vou falar dos carros da montadora homônima. O Suzuki em questão, apesar da fisionomia típica da Terra do Sol Nascente, é tão brasileiro quanto uma arara ou um barraco no morro. Ele corre de Fórmula 3 na terra de seus antepassados e corre muito bem. Este é Rafael Suzuki.

Nascido em São Paulo em agosto de 1987, Rafael é o único representante brasileiro na Fórmula 3 japonesa. Até este momento, ele é o vice-líder da competição, com três vitórias, uma pole-position, nove pódios e 78 pontos. Faltando apenas a rodada dupla de Autopolis, a ser realizada nos dias 16 e 17 de outubro, Suzuki não tem mais como reduzir a diferença de 59 pontos entre ele e o líder Yuji Kunimoto. Mas não há muito do que reclamar. Kunimoto está em seu segundo ano na categoria e aparenta ser um dos pilotos mais promissores de seu país. Suzuki, por outro lado, faz seu ano de estréia e entrou como segundo piloto de sua equipe, a Tom’s. O primeiro piloto, por sinal, é exatamente o experiente Kunimoto.

Suzuki tem nove pontos de vantagem para Yuhi Sekiguchi, que já tem experiência prévia na GP2 Asia Series. É uma vantagem muito boa, considerando que estão em disputa 24 pontos (o sistema de pontos premia os seis primeiros com 10-7-5-3-2-1 e tanto o pole-position como o dono da volta mais rápida marcam um ponto cada) e Sekiguchi não venceu nenhuma corrida ainda. O nipo-brasileiro, por outro lado, está em ótima fase: quebrou uma sequência de dez vitórias de Kunimoto ao vencer as últimas três consecutivas, duas em Okayama e uma em Sugo.

A vice-liderança no campeonato japonês de Fórmula 3 é, até aqui, o ápice de uma carreira que começou nos karts em 1998. Aos nove anos, Rafael Suzuki estreou no Campeonato Paulista e, logo de cara, ganhou um título. Até 2007, ele conquistou mais dois títulos paulistas, um título sul-brasileiro, um vice-campeonato brasileiro, um vice-campeonato nas 500 Milhas de Kart e o título, bem como o polpudo prêmio, da Seletiva Petrobras de 2007. Neste mesmo ano, ele fez sua estréia nos monopostos. Na Fórmula São Paulo, Rafael participou de duas corridas e conseguiu uma pole-position e quatro pontos. Ele também fez seis corridas pela Cesário Fórmula na Fórmula 3 sul-americana e conseguiu apenas quinze pontos. Ainda assim, nada mal para um primeiro ano.

No entanto, com a grana recebida do prêmio da Seletiva Petrobras, Suzuki quis dar um salto mais alto e foi lá para o Extremo Oriente disputar a Fórmula 3 asiática, categoria não tão conhecida por nós mas bastante valorizada lá na região. Contra uma curiosa maioria de adversários europeus mais experientes, Suzuki conseguiu uma vitória, quatro poles-positions e o terceiro lugar no campeonato, a apenas oito pontos do vice Matt Howson. Findado o campeonato asiático, cujo calendário contemplava o fim de 2007 e o início de 2008, Suzuki rumou à Alemanha para fazer a temporada 2008 da Fórmula 3 local pela Performance Racing.

Visando apenas aprender, Rafael conseguiu fazer boas apresentações e chegou a fazer uma pole-position em Hockenheim, além de liderar a sessão coletiva de testes em Valência. No fim das contas, Suzuki terminou o ano em sétimo, com 55 pontos e dois pódios. Para 2009, Suzuki renovou com a Performance, que seria a equipe oficial da Volkswagen na categoria. Havia muitas esperanças de vitórias e, quem sabe, o título.

Infelizmente, o ano foi bastante complicado e Suzuki, tendo de romper com a Performance, chegou a correr por três equipes diferentes. Ele repetiu a pole-positon em Hockenheim, mas um outro piloto queimou a largada, tomando ilegalmente a ponta, e outro fez o favor de bater no carro do brasileiro, impedindo-o de vencer. Em um ano abaixo do esperado, Suzuki conseguiu quatro pódios e 65 pontos, apenas dez mais que o ano anterior. Definitivamente, era hora de mudar de ares.

E assim ele foi para o Japão, decisão acertadíssima. Agora, é esperar pra ver o que vai acontecer em 2011. Eu gostaria de vê-lo de volta à Europa, mas imagino a dificuldade enorme para conseguir patrocinadores para tal. De qualquer jeito, o cara merece voar mais alto. O último descendente de japoneses a ter conseguido chegar a patamares mais altos na Europa foi Norio Matsubara, que fez uma prova na Fórmula 3000 em 1994. Rafael Suzuki tem tudo para provar que, sim, os nossos japoneses são melhores.

RAFAEL SUZUKI

Nascido em 13 de agosto de 1987 em São Paulo

Terceiro colocado no campeonato asiático de Fórmula 3 em 2007/2008

Vice-líder no atual campeonato japonês de Fórmula 3

Site: http://www.rafaelsuzuki.y2s.com.br/formula3/home/

Twitter: http://twitter.com/RafaelSuzuki

Patrocinadores: SVLabs, empresa especializada em Verificação e Validação de Softwares em áreas industriais, financeiras, comerciais e de telecomunicações.

http://www.svlabs.com.br/

A seção mais filantrópica e boa-praça do Bandeira Verde está de volta com o piloto brasileiro de maior expressão do automobilismo de base europeu atualmente. Ao meu ver, é um dos poucos nomes do país com chances reais de subir para a Fórmula 1 a médio prazo, até mesmo por ser o único a ter uma ligação concreta com uma equipe da categoria. Este é Luiz Tadeu Razia Filho, ou simplesmente Luiz Razia.

Ouvi falar dele pela primeira vez no fim de 2006. Como a Fórmula 3 sul-americana tem um esquema exemplar de divulgação de pilotos e resultados, só fiquei sabendo que ele tinha sido o campeão da categoria muito depois do fim do campeonato. Razia faria uma sessão de dois dias de testes na GP2 com a espanhola Racing Engineering no circuito de Jerez. No primeiro deles, em pista seca, superou o badalado companheiro Sérgio Jimenez e ficou em 13º entre 26 carros. No segundo, em pista molhada, Luiz deu show e ficou em terceiro. Passei a prestar atenção no cara a partir daí, sempre torcendo para ele arranjar essa vaga na GP2.

A vaga não veio, mas Razia não precisava ter pressa. 2006 tinha sido seu segundo ano como piloto de monopostos. Na verdade, a carreira inteira dele foi curta e meteórica. Seu início no esporte a motor se deu em 2002, com as corridas de velocidade na terra realizadas na região da pequena cidade baiana de Barreiras, seu local de nascimento. Em 2004, ele fez seu único ano no kart e, de cara, foi campeão de kart brasiliense, do Centro-Oeste e brasileiro. O título na Copa Brasil não veio por uma desclassificação por míseros 800g.

2005 foi seu primeiro ano correndo de monopostos. E o sempre apressado piloto baiano decidiu disputar, ao mesmo tempo, a Fórmula 3 sul-americana e a Fórmula Renault, duas categorias que estavam realizando seus campeonatos em conjunto. Na Fórmula 3, Razia chegou a vencer duas corridas. No entanto, ele ficou em 6º neste campeonato e em 10º na F-Renault. Era um ano de aprendizado e, para ele, estava bom demais.

Razia na Fórmula 3 em 2006

2006 foi o ano da consagração. Razia focou suas atenções apenas na Fórmula 3, que tinha um plantel de vários pilotos que também subiriam a patamares mais altos do automobilismo, como Mário Moraes, Diego Nunes, Bia Figueiredo e Nelson Merlo. Mesmo com uma concorrência forte, ele fez seis pole-positions, sete vitórias e ganhou o campeonato sem grandes problemas. No final daquele ano, vieram os convites para testar na GP2, na Fórmula 3 espanhola e na Euro3000. Nesta última, ele chegou a fazer três etapas como convidado no circuito de Estoril. Venceu todas.

Faltava dinheiro para ele ir para a GP2 e a Fórmula 3 espanhola, com um motor cerca de 40cv mais fraco que o Berta sul-americano, não lhe interessava. Restou a Razia fazer um ano completo na Euro3000. Ele terminou o campeonato de 2007 em terceiro, sem vencer mas obtendo vários pódios. No ano seguinte, ele permaneceu na mesma categoria e terminou em quarto, a apenas oito pontos do campeão Nicolas Prost. Vale notar o seguinte: Luiz deixou de fazer um fim de semana, em Jerez, para testar na GP2. Este fim de semana a menos lhe custou um campeonato que ele havia liderado até então.

Com tantos bons resultados, a ascensão para a GP2 era apenas uma questão de saber qual seria sua equipe. Inicialmente, ele fez a temporada 2008/2009 da GP2 Asia, versão oriental do certame, pela Arden. O início foi bem difícil e Razia chegou a ficar atrás de seus companheiros Renger van der Zande e Edoardo Mortara. No entanto, ele reagiu e chegou a vencer a última etapa do campeonato, em Sakhir. Nessa altura, ele já estava contratado pela FMSI para ser companheiro de Andreas Zuber na competição principal em 2009.

A FMSI, equipe de Giancarlo Fisichella, era talvez a equipe mais bagunçada do grid. Em um campeonato no qual participaram vários pilotos com até quatro temporadas de experiência, Luiz Razia teve seu ano mais difícil no automobilismo. Alguns problemas e acidentes complicaram sua vida no início do campeonato. Em Monza, no entanto, ele teve seu primeiro grande fim de semana na categoria. Razia largou em 16º na corrida de sábado, mostrou agressividade e terminou em oitavo, o que lhe daria a pole-position na corrida domenical. E nesta corrida ele liderou de ponta a ponta e venceu com autoridade, dando à equipe sua única vitória no ano.

Razia e seu carro atual na GP2

Embora os resultados não tenham sido abundantes em 2009, a boa performance de Razia chamou a atenção dos chefes das grandes equipes da GP2… e também de alguns barões da Fórmula 1. No final do ano, Luiz foi anunciado como um dos pilotos-reserva da novata Virgin. Mesmo sem ter testado até aqui, ele está pronto para largar em uma corrida de Fórmula 1 no caso de Timo Glock ou Lucas di Grassi terem uma crise de diarréia. Ao mesmo tempo, a Rapax, antiga Piquet GP, o chamou para competir em um de seus carros para a temporada européia. A Addax, que não tem nada a ver com a Rapax, o convidou para correr na versão asiática. O final de 2009 de Luiz Razia foi bem movimentado.

Sua participação na GP2 Asia 2009/2010 só durou dois fins de semana e não foi tão boa. No entanto, sua temporada européia vem sendo bastante convincente. Razia marcou pontos nas seis primeiras corridas do ano e saiu de Istambul como o terceiro colocado do campeonato, apenas sete pontos atrás do líder Pastor Maldonado. A partir daí, no entanto, Luiz passou a ter uma impressionante série de azares e problemas. Abandonou cinco das últimas oito corridas e se envolveu em colisões com gente como Alberto Valério (Hungaroring) e Davide Valsecchi (Hockenheim). Ainda assim, faltam seis provas até o final do campeonato e não é impossível vislumbrar uma possibilidade de recuperação até lá.

Razia tem algumas chances de subir para a Fórmula 1 em 2011. Estas chances, no entanto, não são muito grandes e subexistem basicamente fora da Virgin. Falta o dinheiro que, por exemplo, sobra para o seu companheiro Pastor Maldonado. Torço para que dê certo, mesmo assim. Se o Brasil quiser ter um futuro a longo prazo no automobilismo de ponta, apoiar Luiz Razia é um dever quase cívico.

LUIZ RAZIA
Nascido em 4 de abril de 1989 em Barreiras
Campeão da Fórmula 3 sul-americana em 2006
Décimo colocado na temporada atual da GP2 Series

SITE: www.luizrazia.com

PATROCINADORES

Grupo Cyber 1, empresa de tecnologia brasileira especializada no desenvolvimento de sites, aplicações web e em serviços de suporte – www.cyber1group.com

Porta Verde, spa italiano – www.portaverde.com

Isaac Bike Store, loja de bicicletas italiana – www.isaacbikestore.it

Sou muito bonzinho. Depois de abrir esta nova seção no Bandeira Verde, mereço incontestavelmente ir para o céu. Como este importantíssimo sítio eletrônico funciona também como um órgão de utilidade pública, farei algo que não costumo ver nos outros sites: ceder espaço aos pilotos brasileiros de potencial. Falarei um pouco de suas carreiras e darei espaço até mesmo para seus patrocinadores.

Verde jabazeiro? Nada disso, embora eu não reclamasse caso alguém quisesse pagar por isso. Quero, sim, dar espaço aos pilotos que se aventuram na Europa contra tudo e contra todos. Sem a menor divulgação no Brasil, sofrem para encontrar patrocinadores. No exterior, padecem também das dificuldades típicas dos jovens que deixam a pátria-mãe em busca do sonho: a barreira da língua, as diferenças culturais, o altíssimo nível técnico dos rivais e a inexperiência. Não por acaso, boa parte dos poucos brasileiros que tentaram a vida na Europa ou nos EUA acabaram tendo de desistir, ou tiveram de se contentar com uma vaga na Stock Car.

É um panorama bastante desagradável para os fãs brasileiros de Fórmula 1, que correm o risco real de não ter ninguém para representar o país a médio prazo. E, todos sabemos, se não houver ao menos um piloto brasileiro de destaque, ninguém garante que a Globo se interessará em manter as transmissões. Portanto, se quisermos manter nossa religiosa e irritante mania de ver corridas aos domingos de manhã, devemos apoiar os caras lá embaixo. E é o que farei. Deixo claro: nem todos os brasileiros no exterior receberão atenção por aqui. O cara deve ter algum talento, coisa que não acontece com alguns nomes da GP3 e até mesmo da GP2, por exemplo. Começo com o gaúcho César Ramos.

Nascido em Novo Hamburgo em um dia qualquer de 1989, Ramos foi um dos poucos destaques no combalido kart brasileiro desta atual década. Em 2007, ele fez sua estréia nos monopostos ao disputar a Fórmula Renault italiana. Ele teve algumas dificuldades no campeonato principal, mas obteve um pódio em Monza. O melhor veio, no entanto, no Campeonato de Inverno da categoria, mais curto que o principal. Ramos venceu as quatro corridas do calendário e foi campeão com sobras. Parece pouco? Para um piloto em seu primeiro ano, é sempre bom começar com um título.

Em 2008, Ramos competiu nos campeonatos europeu e italiano da Fórmula Renault. No italiano, ele fez uma pole-position e obteve cinco pódios e a sexta posição final. No competitivo europeu, ele fez um pódio e terminou em sétimo. No ano seguinte, ele estreou na Fórmula 3 européia pela Manor. Infelizmente, César teve enormes dificuldades e abandonou o campeonato após a rodada dupla de Barcelona.

Para este ano, Ramos aceitou dar um passo atrás e assinou com a BVM, a sua equipe nos tempos de Fórmula Renault, para competir na Fórmula 3 Italiana. E a decisão se mostrou acertadíssima: com quatro etapas realizadas até aqui, o brasileiro é o terceiro colocado, com 35 pontos, apenas três a menos que o líder. O melhor, no entanto, veio na última corrida, realizada em Hockenheim: largando em terceiro, Ramos se aproveitou do toque dos dois primeiros, segurou um agressivo Daniel Mancinelli e venceu sua primeira corrida no automobilismo internacional.

Faltando doze corridas para o fim do campeonato, César Ramos entrou definitivamente na briga pelo título. Nada mal para um campeonato aonde se inscrevem, em média, 30 pilotos.

CÉSAR RAMOS
Nascido em 25 de Julho de 1989 em Novo Hamburgo
Campeão do campeonato de inverno da Fórmula Renault italiana em 2007
Terceiro colocado no atual campeonato italiano de Fórmula 3

Site: http://www.ramoscesar.com

Patrocinadores: BMP Proar, empresa de equipamentos pneumáticos para automação industrial
http://www.bmpproar.com.br