Como já dizia a propaganda, os nossos japoneses são melhores que os outros. Quando pensamos neles, vêm imediatamente às nossas mentes engenheiros ou agricultores, como o plantador de tomates do filme Ilha das Flores, o senhor Suzuki. E é de um Suzuki que vou falar hoje. Não, não me refiro aos consagrados Aguri ou Toshio e também não vou falar dos carros da montadora homônima. O Suzuki em questão, apesar da fisionomia típica da Terra do Sol Nascente, é tão brasileiro quanto uma arara ou um barraco no morro. Ele corre de Fórmula 3 na terra de seus antepassados e corre muito bem. Este é Rafael Suzuki.

Nascido em São Paulo em agosto de 1987, Rafael é o único representante brasileiro na Fórmula 3 japonesa. Até este momento, ele é o vice-líder da competição, com três vitórias, uma pole-position, nove pódios e 78 pontos. Faltando apenas a rodada dupla de Autopolis, a ser realizada nos dias 16 e 17 de outubro, Suzuki não tem mais como reduzir a diferença de 59 pontos entre ele e o líder Yuji Kunimoto. Mas não há muito do que reclamar. Kunimoto está em seu segundo ano na categoria e aparenta ser um dos pilotos mais promissores de seu país. Suzuki, por outro lado, faz seu ano de estréia e entrou como segundo piloto de sua equipe, a Tom’s. O primeiro piloto, por sinal, é exatamente o experiente Kunimoto.

Suzuki tem nove pontos de vantagem para Yuhi Sekiguchi, que já tem experiência prévia na GP2 Asia Series. É uma vantagem muito boa, considerando que estão em disputa 24 pontos (o sistema de pontos premia os seis primeiros com 10-7-5-3-2-1 e tanto o pole-position como o dono da volta mais rápida marcam um ponto cada) e Sekiguchi não venceu nenhuma corrida ainda. O nipo-brasileiro, por outro lado, está em ótima fase: quebrou uma sequência de dez vitórias de Kunimoto ao vencer as últimas três consecutivas, duas em Okayama e uma em Sugo.

A vice-liderança no campeonato japonês de Fórmula 3 é, até aqui, o ápice de uma carreira que começou nos karts em 1998. Aos nove anos, Rafael Suzuki estreou no Campeonato Paulista e, logo de cara, ganhou um título. Até 2007, ele conquistou mais dois títulos paulistas, um título sul-brasileiro, um vice-campeonato brasileiro, um vice-campeonato nas 500 Milhas de Kart e o título, bem como o polpudo prêmio, da Seletiva Petrobras de 2007. Neste mesmo ano, ele fez sua estréia nos monopostos. Na Fórmula São Paulo, Rafael participou de duas corridas e conseguiu uma pole-position e quatro pontos. Ele também fez seis corridas pela Cesário Fórmula na Fórmula 3 sul-americana e conseguiu apenas quinze pontos. Ainda assim, nada mal para um primeiro ano.

No entanto, com a grana recebida do prêmio da Seletiva Petrobras, Suzuki quis dar um salto mais alto e foi lá para o Extremo Oriente disputar a Fórmula 3 asiática, categoria não tão conhecida por nós mas bastante valorizada lá na região. Contra uma curiosa maioria de adversários europeus mais experientes, Suzuki conseguiu uma vitória, quatro poles-positions e o terceiro lugar no campeonato, a apenas oito pontos do vice Matt Howson. Findado o campeonato asiático, cujo calendário contemplava o fim de 2007 e o início de 2008, Suzuki rumou à Alemanha para fazer a temporada 2008 da Fórmula 3 local pela Performance Racing.

Visando apenas aprender, Rafael conseguiu fazer boas apresentações e chegou a fazer uma pole-position em Hockenheim, além de liderar a sessão coletiva de testes em Valência. No fim das contas, Suzuki terminou o ano em sétimo, com 55 pontos e dois pódios. Para 2009, Suzuki renovou com a Performance, que seria a equipe oficial da Volkswagen na categoria. Havia muitas esperanças de vitórias e, quem sabe, o título.

Infelizmente, o ano foi bastante complicado e Suzuki, tendo de romper com a Performance, chegou a correr por três equipes diferentes. Ele repetiu a pole-positon em Hockenheim, mas um outro piloto queimou a largada, tomando ilegalmente a ponta, e outro fez o favor de bater no carro do brasileiro, impedindo-o de vencer. Em um ano abaixo do esperado, Suzuki conseguiu quatro pódios e 65 pontos, apenas dez mais que o ano anterior. Definitivamente, era hora de mudar de ares.

E assim ele foi para o Japão, decisão acertadíssima. Agora, é esperar pra ver o que vai acontecer em 2011. Eu gostaria de vê-lo de volta à Europa, mas imagino a dificuldade enorme para conseguir patrocinadores para tal. De qualquer jeito, o cara merece voar mais alto. O último descendente de japoneses a ter conseguido chegar a patamares mais altos na Europa foi Norio Matsubara, que fez uma prova na Fórmula 3000 em 1994. Rafael Suzuki tem tudo para provar que, sim, os nossos japoneses são melhores.

RAFAEL SUZUKI

Nascido em 13 de agosto de 1987 em São Paulo

Terceiro colocado no campeonato asiático de Fórmula 3 em 2007/2008

Vice-líder no atual campeonato japonês de Fórmula 3

Site: http://www.rafaelsuzuki.y2s.com.br/formula3/home/

Twitter: http://twitter.com/RafaelSuzuki

Patrocinadores: SVLabs, empresa especializada em Verificação e Validação de Softwares em áreas industriais, financeiras, comerciais e de telecomunicações.

http://www.svlabs.com.br/

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