MCLAREN9 – Pelo que mostrou na pista, tinha de ganhar um dez. Mas para isso, deveria ter feito toda a tarefa de casa, e isso certamente incluía conseguir chegar ao final da corrida com dois carros. Infelizmente, isso só foi possível para um dos pilotos. Lewis Hamilton largou na pole-position, liderou quase que de ponta a ponta e ganhou pela terceira vez seguida neste ano. Jenson Button, que largou na segunda posição, tinha tudo para ter completado a dobradinha. Infelizmente para ele, seu carro prateado começou a pedir arrego e o motor desligou. E sem motor, não dá. Abandono para um cara que vem em fase de recuperação, assim como a própria McLaren.

SAUBER7,5 – Sua sorte é a de contar com um piloto do calibre de Sergio Pérez, que finalizou em segundo e obteve seu terceiro pódio nesta temporada. Pérez e seus asseclas optaram por uma estratégia bastante espertinha, a de adiar ao máximo seu único pit-stop e utilizar compostos médios no segundo stint. Para quem largou lá no meio do pelotão, um domingo daqueles. Kamui Kobayashi teve sorte distinta: foi bem no treino oficial, mas não tirou nenhum coelho da cartola no domingo e teve de se contentar com alguns pontinhos. Engraçado é que a Sauber andou bem pacas em Spa-Francorchamps, mas não mostrou a mesma velocidade pura em Monza. Coisas de equipe média.

FERRARI8,5 – Tinha um carro talvez tão bom quanto o da McLaren, mas faltou uma pitada de sorte a Fernando Alonso, que teve problemas na suspensão justamente no momento mais crítico dos treinamentos, o Q3 da classificação. Não fosse isso e ele teria brigado pela pole-position, como o próprio afirmou. As coisas pareciam tão bem para a Ferrari na pista de casa que até Felipe Massa, veja só, conseguiu andar bem. Na corrida, os dois apareceram muito bem e o brasileiro chegou a andar na segunda posição durante bastante tempo. Uma ordem de equipe acolá inverteu as posições e Fernando pôde pegar um lugar no pódio. Para ser honesto, não esperava que os italianos viessem tão bem em Monza. Como sou calhorda e torço por Alonso, fico feliz com a evolução.

LOTUS3,5 – Decepção da corrida. Já estamos acostumados com as promessas furadas da equipe preta e dourada, que sempre promete a vitória e termina celebrando os pontos de Kimi Räikkönen e os pontos no prontuário de Romain Grosjean. Só que desta vez, não teve Grosjean na história: punido pela barbeiragem de Spa, ele foi substituído pelo reserva Jérôme D’Ambrosio, que se preocupou apenas em chegar ao fim da corrida, não fez muita coisa e ainda foi prejudicado por um KERS falho. Kimi Räikkönen até teve um duelo animado com Michael Schumacher, mas também não apareceu muito. Só que ele é campeão do mundo e sabe fazer pontos até mesmo quando não tem o melhor dos bólidos.

MERCEDES5 – Equipe meia-boca, que só se salva porque seus pilotos fazem o que podem e mais um pouco. O antigo Michael Schumacher voltou a ser o piloto de melhor resultado na esquadra. Sentou a bota na classificação, qualificou-se em quarto e alimentou a esperança dos fãs. Infelizmente, os pneus voltaram a complicar sua vida e ele terminou apenas em sexto. Nico Rosberg também andou bem tanto nos treinos como na corrida, mas isso não significou muito mais do que um sétimo lugar. O problema da equipe definitivamente não está nos treinos, mas sim na total incapacidade do carro conservar pneus durante a corrida. Assim, fica difícil, né?

FORCE INDIA3,5 – Se não tivesse tido tantos problemas, poderia ter obtido um resultado belíssimo com seus dois pilotos, já que o carro estava bom. No caso de Paul di Resta, o câmbio quebrou e isso lhe custou uma excelente quarta posição no grid. Na corrida, fechada criminosa em Bruno Senna à parte, o escocês fez uma corrida sensata e marcou alguns pontos. Nico Hülkenberg, por outro lado, teve um fim de semana triste como poucos. Teve problemas de motor na qualificação e de freios na corrida, não conseguindo sequer chegar ao fim. Graças a isso, o alemão voltou a ser superado por Di Resta na tabela de pontos. E a Force India desperdiçou uma grande chance numa pista onde costuma andar muito bem.

WILLIAMS3 – Com essa dupla aí, está difícil sorrir. Como o carro também não esteve bem em Monza, as coisas ficaram pretas para a equipe criada por Frank Williams. Como sempre, o único ponto da equipe foi marcado por Bruno Senna, que teve um fim de semana típico: devagar, sempre e aos trancos e barrancos. Sobreviveu à fechada de Paul di Resta e assumiu o décimo lugar de Daniel Ricciardo na última curva. E quanto a Pastor Maldonado? Monza é realmente um lugar de milagres. O venezuelano teve um fim de semana limpo, sem cometer nenhuma atrocidade. Sua tabela de pontos também anda meio limpa já faz tempo.

TORO ROSSO1,5 – Há quatro anos, a equipe venceu pela única vez exatamente em Monza com Sebastian Vettel. Dessa vez, nem mesmo o pontinho de consolação do décimo lugar ficou com a trupe de Faenza. Daniel Ricciardo, bom piloto com algumas boas doses de azar nesta temporada, perdeu a chance de pontuar novamente na última curva, quando o motor Ferrari de seu carro parou de funcionar. Pelo menos, deu para atravessar a linha de chegada. O companheiro Jean-Éric Vergne abandonou ainda antes. A suspensão de seu carro estourou em plena reta dos boxes e o francês deu sorte de não ter saído voando até Marte. O carro continuou lento como sempre.

CATERHAM3,5 – Tinha um carro bem mais competitivo do que em Spa-Francorchamps, mas isso não significava exatamente muita coisa. Heikki Kovalainen e Vitaly Petrov largaram em posições mais à frente que o normal por causa dos infortúnios de Pastor Maldonado e Nico Hülkenberg, mas também sabiam que não marcariam pontos nunca. Durante a corrida, a equipe verde optou por dois pit-stops para os dos pilotos, mas a ordem dos fatores não mudou muito. Pelo menos, ambos chegaram ao fim da corrida e o finlandês até teve alguns atritos com Jérôme D’Ambrosio, que pilotou um carro bem melhor. Sonha, Heikki, sonha.

MARUSSIA3 – Também não apresentou nada de novo, excluindo o fato de Charles Pic ter superado o experiente Timo Glock novamente. O francês foi mais rápido nos treinos livres e também se sobressaiu na corrida. É bom que se diga, no entanto, que Glock teve muitos problemas no fim de semana e ainda perdeu um bico nas primeiras voltas da corrida. Não fosse isso e ele teria feito uma corrida bem melhor. Talvez até teria terminado a menos de uma Transamazônica de diferença das Caterham.

HRT3 – Tédio. Sem apresentar qualquer coisa nova, a equipe espanhola seguiu sua rotina de peregrinar nas duas últimas posições. Narain Karthikeyan ao menos conseguiu a proeza de superar Pedro de la Rosa, que fazia seu 100º GP em Monza, no treino oficial. No domingo, o indiano ainda andou um tempo na frente mesmo tendo de trocar o bico após um toque na largada. Os dois chegaram ao fim, coisa que pilotos de equipes bem mais polpudas não conseguiram.

RED BULL0 – Que fim de semana tétrico. Não há absolutamente nada de bom para falar. Como uma equipe que gasta quase meio bilhão de dólares anuais não chega ao fim da corrida por problemas mecânicos? Esta foi apenas a cereja do bolo do pior fim de semana do ano para os rubrotaurinos até aqui. Lento, o carro não colaborou em momento algum e apenas a maestria de Sebastian Vettel o permitiu largar da quinta posição. Na corrida, Vettel tomou uma punição pelo crime de ter fechado Fernando Alonso diante da torcida italiana e acabou comprometendo sua corrida. No final, o alternador foi para o raio que o parta e nem a bandeirada final Seu Tião conseguiu ver. Mark Webber teve um fim de semana tão ruim quanto. Largou no meio do pelotão, não se recuperou muito e ainda deu uma rodada perigosa no final da corrida. Também optou pelo abandono voluntário para poupar corpo, alma e carro.

TRANSMISSÃOTUDO NOS CONFORMES – É sempre bom ter alguma normalidade quando assistimos a uma transmissão de Fórmula 1. Irrita demais quando alguma declaração idiota ou bizarra demais é proferida pela boca de alguém que é muito melhor pago do que qualquer um de nós pelo glorioso ofício de comentar as corridas. Por isso, não tenho do que reclamar com relação à transmissão brasileira em Monza. Eles realmente melhoraram bastante: ao invés serem a terceira melhor transmissão da esquina, sou generoso e digo que eles foram a quarta melhor, seguindo a matemática do comentarista que analisou corretamente que “a Ferrari subiu da terceira para a quarta posição no campeonato”. Tudo dentro dos conformes, até mesmo a ordem de equipe que garantiu a ultrapassagem de Fernando Alonso sobre Felipe Massa, interpretada como “parte do esporte”. Deu para sentir daqui o trio engolindo a seco a realidade. Por fim, nada mais corriqueiro do que ver Bruno Senna terminando em décimo após alguma coisa acontecer na última volta. O narrador já está acostumado. Bruuuuuno Senna em décimo! Como sempre.

CORRIDAFELICE – Para mim, ver Sebastian Vettel, Mark Webber e Jenson Button fora da corrida não deixou de ser um enorme prazer. Mas mesmo os torcedores destes três aí não têm muito do que reclamar. A corrida foi boa, sim. Não foi espetacular, mas entregou aquilo que nós gostamos de ver: disputas, um carro voando, toques de rodas, fechadas, ultrapassagens e um piloto da Sauber, a Ponte Preta da Fórmula 1, quase vencendo uma corrida. Lewis Hamilton largou na pole e ganhou sem problemas. Como é bom ver este cara, um babaca e um grande piloto, ganhando mais uma corrida. Se fosse um pouco mais esperto, estaria liderando o campeonato sem dificuldades. Sergio Pérez fez mais uma daquelas corridas espetaculares dignas de alguém que só consegue se apoiar na estratégia e terminou novamente na segunda posição. Fernando Alonso também mandou bem, mas a ultrapassagem artificial sobre Felipe Massa e a punição que Sebastian Vettel não merecia mancharam o pódio do espanhol com um pouco de tinta preta. Porém, os italianos não reclamaram, muito pelo contrário. Estando os anfitriões felizes, Bernie Ecclestone e a FIA dormem em paz.

GP2TRA LE DITA – Esta frase aí significa “entre os dedos”. Será que o baiano Luiz Razia deixou o título escapar por entre eles? Infelizmente, a resposta está muito próxima de um rotundo “sim”. Razia não marcou ponto algum nas duas corridas da GP2 em Monza e ainda viu o rival Davide Valsecchi abrir 25 pontos de vantagem com um sexto lugar na primeira corrida e uma vitória na segunda. Verdade seja dita, o brasileiro não pode reclamar da falta de sorte. Na etapa do sábado, ele tentou fazer uma estúpida ultrapassagem por fora sobre Fabio Leimer na Variante dela Roggia e acabou saindo da pista, abandonando a prova. O vencedor da corrida foi o mítico Luca Filippi, que voltou à GP2 após não encontrar nenhum emprego numa categoria de ponta. É muito bacana vê-lo vencer, mas ao mesmo tempo se trata de uma situação triste para um piloto talentosíssimo. Que Filippi consiga arranjar um carro à altura de sua capacidade. Felipe Nasr fez exatamente a mesma cagada de Razia na primeira corrida, bateu em Leimer e também acabou abandonando. Enquanto isso, alheio às infelicidades alheias, Valsecchi parte para a última rodada dupla com uma mão e meia na taça de campeão.

GP3CHIPRE – Foi um fim de semana dos mais legais que a categoria já teve. Em Monza, a GP3 realizou sua última rodada dupla no ano esperando conhecer seu mais novo campeão. Quatro pilotos tinham chance de título: Mitch Evans, António Félix da Costa, Aaro Vainio e Daniel Abt. Evans foi o pole-position, mas se afobou, fez besteiras nas duas corridas e não marcou nenhum ponto. Para sua sorte, os três rivais também se deram mal. Félix da Costa parecia estar em posição ideal para ser campeão, mas acabou tendo problemas na primeira corrida do fim de semana e saiu da briga. Pelo menos, a melhor cena do fim de semana foi protagonizada por ele: na reta dos boxes, o lusitano grudou na traseira de Aaro Vainio e o pressionou como se estivesse pilotando na NASCAR. Muito divertido. Quem parecia que iria surpreender a todos com o título era o alemão Abt, que iniciou o fim de semana como o azarão e quase terminou como campeão. Mas para sua enorme infelicidade, uma ultrapassagem na penúltima volta da última corrida o fez perder a vitória que lhe daria o título. Quem ganhou foi o cipriota Tio Ellinas, talvez o nome mais legal da GP3 neste ano. Foi, sem dúvida, o melhor dia da história de Chipre no automobilismo mundial. E o talentoso Evans acabou se sagrando o terceiro campeão da história da GP3. Que tanto Ellinas quanto Evans subam para a Fórmula 1 um dia.

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