MCLAREN8,5 – De Hockenheim para cá, parece ter o melhor carro do grid. E agora que os mecânicos aprenderam a trabalhar, vencer não se tornou algo tão difícil assim. O cavalheiro Jenson Button, que vinha numa fase de vacas magérrimas, teve um fim de semana perfeito como poucos e ganhou a corrida quase que de ponta a ponta, afastando a má fortuna que sempre o rondou na Bélgica. Quem não anda sendo favorecido pela sorte é Lewis Hamilton, discreto em todos os treinamentos e destruído na largada da corrida. Após o sustão, o Sr. Scherzinger desceu do carro e foi tirar satisfações com Romain Grosjean. Um puta aborrecimento para alguém que sabe que pode brigar pelo título, tem carro para isso e não consegue os resultados por causa de externalidades.

RED BULL7 – Aparenta não ter avançado tanto quando deveria nestas últimas etapas. Mesmo assim, assegurou um pódio tão competente quanto improvável com ele, o queridinho da família, Sebastian Vettel. O alemão não foi bem nos treinos e só largou da décima posição, mas aproveitou-se da excelente estratégia da sua equipe, de parar apenas uma vez e adiantar ao máximo o pit-stop, para subir para a segunda posição. A nota só ficou prejudicada por conta de Mark Webber, que foi obrigado a trocar de câmbio e perdeu cinco posições no grid. Além disso, sua estratégia foi bastante distinta da de Vettel. E se a do colega deu muito certo, é óbvio que a sua deu errado. Acabou terminando apenas em sexto.

LOTUS7 – O marketing sobre seu difusor ligado ao DRS foi tamanho que podemos até dizer que o resultado final foi deveras decepcionante. Tudo bem, um pódio nunca é ruim, mas depois de tudo o que foi falado, nós estávamos todos imaginando que Kimi Räikkönen e Romain Grosjean meteriam umas quinze voltas de vantagem sobre o resto. Nada disso. O difusor não foi utilizado na corrida e Kimi não conseguiu mais do que um terceiro lugar. A ultrapassagem sobre Michael Schumacher na Eau Rouge foi uma verdadeira pintura. Quanto a Romain Grosjean, tudo o que precisava ser dito sobre ele já foi dito. Que o tal difusor vire realidade em Monza.

FORCE INDIA7,5 – Poucos imaginavam que isso aconteceria, mas Nico Hülkenberg definitivamente superou Paul di Resta no seio da equipe indiana. O escocês até largou mais à frente, mas acabou sucumbindo a mais uma daquelas esquisitices que sempre acometem algum piloto da Force India durante as corridas. E pensar que, antes do primeiro pit-stop, ele tinha grandes chances de terminar entre os cinco primeiros. Paciência. Já o alemão esteve combativo durante todo o tempo, peitou caras mais experientes e finalizou a prova na quarta posição. É bom que se ressalte, no entanto, que Hülkenberg dificilmente conseguiria uma posição tão boa se Romain Grosjean não existisse.

FERRARI5 – Sem Fernando Alonso, a equipe não se sobressai muito mais do que uma Sauber. Sei que estou sendo cuzão com Felipe Massa, que terminou numa honestíssima quinta posição, mas nós sabemos que o carro da Ferrari só está conseguindo posições melhores com o espanhol. O fato é que a corrida ferrarista praticamente acabou na primeira curva, quando Alonso foi atropelado por Romain Grosjean. Sortudo, ele só saiu meio mareado do carro. Único representante da esquadra tinta, Massa fez e tomou ultrapassagens, não cometeu erros e obteve dez pontos importantes para justificar uma provável permanência em 2013. O carro parece não ter avançado muito de uns tempos para cá.

MERCEDES3 – Há três anos, dizia-se que a Mercedes era uma das candidatas ao posto de escuderia mais forte do grid. Com o passar do tempo, a esquadra prateada aceitou a pecha de “sólida quarta equipe da Fórmula 1”. Hoje, ela mal consegue aguentar uma disputa contra um carro da Force India ou da Sauber com alguma dignidade. Nico Rosberg teve um fim de semana dolorosamente ruim, com direito à última fila e ultrapassagens de carros da Toro Rosso. O tricentenário Michael Schumacher teve um pouco mais de motivos para sorrir, pois se envolveu em algumas disputas muito boas contra pilotos com quase a metade de sua idade e levou alguns pontos para casa. Se o carro não melhorar, não dá para ver futuro algum na equipe.

TORO ROSSO7,5 – Teve seu melhor fim de semana no ano até aqui, mas não devemos creditar um pingo do sucesso ao carro, que continua uma meleca. Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne só escaparam do Q1 porque Nico Rosberg realmente estava perdido em Spa-Francorchamps. Os dois ganharam um mundo de posições com o acidente da primeira curva. Ambos me surpreenderam por terem conseguido permanecer entre os dez primeiros sem grandes problemas, até conseguindo disputar posições com pilotos de equipes melhores. No final, Vergne ficou em oitavo e Ricciardo terminou logo atrás. Bom fim de semana que provavelmente não se repetirá mais neste ano.

WILLIAMS – 4,5 – Chega a ser um crime o carro da Williams, tão bom e bonito, estar nas mãos de um alucinado que consegue a proeza de tomar três punições num mesmo fim de semana e de um sujeito apenas politicamente correto e burocrático. O pior é quando este tal politicamente correto é o piloto mais eficiente da equipe. Bruno Senna largou lá atrás de novo, mas não fez besteiras e só não marcou pontos porque a estratégia escolhida para ele foi muito ruim. Pastor Maldonado fez o terceiro tempo na qualificação, perdeu três posições no grid após fechar Nico Hülkenberg, queimou a largada, envolveu-se no acidente da primeira curva e ainda bateu em Timo Glock na relargada. Este, sim, merecia tomar suspensão. Para aprender que talento não combina com burrice.

SAUBER9 – Se tem uma equipe que tem todos os motivos para querer a cabeça de Romain Grosjean, esta é a Sauber velha de guerra. A equipe esteve brilhante durante todo o fim de semana, com Kamui Kobayashi fazendo o melhor tempo da encharcada sexta-feira e conseguindo o segundo lugar no grid. Sergio Pérez também mandou bem e partiu da quarta posição. Os freios fumegantes e a largada horrorosa de Kobayashi não precisavam ter acontecido, mas quem imaginaria que os dois companheiros se ferrariam de verde e amarelo naquela apertada primeira curva? Pérez abandonou no ato e Kobayashi seguiu em frente, aos trancos e barrancos, até o fim. Saldo final: zero ponto. Injustiça total com uma equipe que poderia perfeitamente ter ocupado dois lugares no pódio.

CATERHAM2 – Se Tony Fernandes e Heikki Kovalainen demonstraram publicamente sua insatisfação com os rumos da equipe, quem sou eu para dizer o contrário? Ninguém esperava por isso, mas a Marussia avançou de tal forma que os esverdeados terão de trabalhar para não serem superados. Kovalainen e Vitaly Petrov ainda não foram batidos pelos pilotos das duas equipes piores, mas a distância para a Toro Rosso parece ter aumentado um pouco. E na corrida, o finlandês ainda causou involuntariamente um acidente nos boxes, quando o responsável pelo pirulito o liberou mais cedo do que deveria e Narain Karthikeyan acabou acertando seu carro. Erro grotesco e perigoso. Seria uma pena se a Caterham, que avança a passos de formiga, estacionasse em sua evolução.

MARUSSIA6 – Sempre inexpressiva e esquecida, a equipe anglo-russa chamou a atenção em alguns momentos pontuais em Spa-Francorchamps. No segundo treino da sexta-feira, aquele em que havia mais água do que asfalto no circuito, Charles Pic conseguiu uma improvável liderança. Nunca mais a Marussia conseguira repetir tal resultado, anotem. No treino oficial, embora Pic tenha ficado atrás de Pedro de la Rosa, é visível que o carro vermelho e preto melhorou um pouco. E na corrida, Pic e Timo Glock fizeram talvez uma das batalhas mais memoráveis no ano. Pena que poucos prestaram atenção.

HRT3 – Pouco a dizer. Na verdade, devo criticar apenas a suspensão de gelatina que instalaram no carro de Narain Karthikeyan. Ela se rompeu em plena Stavelot e causou o acidente do piloto indiano, que saiu tranquilamente do carro. A batida só não foi forte porque o carro da HRT é diabolicamente lento. Pedro de la Rosa não fez muita coisa de novo. Superou Charles Pic na qualificação, passou por cima de alguns destroços na largada, trocou o bico, voltou lá no fim do grid, fez o que tinha de fazer e terminou a corrida. Se a Marussia realmente melhorou, é bom os espanhóis também trabalharem um pouco mais.

TRANSMISSÃOREPLAY! – Só eu reparo nestas coisas? Durante a corrida, por duas vezes, o tiozinho barrigudo responsável pelos GCs da transmissão esqueceu o marcador “Replay” ligado. Não sei se estava bêbado ou puto da vida por causa do abandono do Kamui Kobayashi. Durante alguns segundos, assistimos a replays em tempo real, uma coisa de outro mundo, que só a vanguardista Fórmula 1 pode oferecer a você. A transmissão brasileira também cometeu seus pequenos deslizes de sempre, nada de muito absurdo. Pneu Mercedes e Mika Räikkönen ultrapassando Schumacher na Kemmel fizeram parte do cardápio. Legal foi a lembrança da história do Eliseo Salazar com o Nelson Piquet. É uma pena que o narrador se preocupe tanto em contar o passado e se esquece do presente, perdendo a belíssima briga entre os dois carros da Marussia. Mas de equipe pobre, ele só presta atenção em replay. Replay! Replay!

CORRIDAMERCI, ROMAIN – Se Romain Grosjean foi apedrejado por tirar da prova o líder do campeonato e o namorido da Pussycat Doll, além de acabar com os sonhos do piloto mais legal do grid, é bom que se diga que a corrida ficou muito legal a partir do acidente causado por ele. O grid ficou totalmente bagunçado e pilotos como Sebastian Vettel, Michael Schumacher, Kimi Räikkönen e Nico Hülkenberg puderam dar seus pequenos espetáculos pessoais, para deleite de todos. A vitória de Jenson Button nunca esteve ameaçada, mas as disputas da segunda posição para baixo ficaram muito divertidas. Fazia tempo que uma corrida em Spa-Francorchamps não ficava tão movimentada. E para quem gosta de acidentes, o que Romain Grosjean fez foi uma verdadeira pintura abstrata. Para mim, a única coisa chata foi ver a grande maioria dos pilotos para quem torço se envolvendo na carambola da largada. Alonso, Hamilton, Maldonado e Kobayashi acabaram com seus fins de semana ali.

GP2OCEANO DE BARBARIDADES – O líder Luiz Razia chegou a Spa-Francorchamps sete pontos à frente do italiano Davide Valsecchi. Ambos saíram de lá empatados, com 204 pontos. O título só será definido na última rodada, em Marina Bay. Mas o que aconteceu em Spa-Francorchamps? Para variar, uma série de acidentes absurdos e barbeiragens bizarras que apenas comprovam o baixíssimo nível da GP2 neste ano. A primeira corrida foi vencida pelo sueco Marcus Ericsson, que vinha devendo esta vitória há dois anos. Ele assumiu a ponta após ultrapassar o pole Rio Haryanto sob bandeira amarela – mas ninguém viu. O que mais chamou a atenção foi o acidente violentíssimo do holandês Nigel Melker, da Ocean. Ele bateu de frente nos pneus da curva Raidillon e não sofreu ferimentos sérios por sorte. Na segunda corrida, marcada por uma fechada criminosa que James Calado deu no baiano Razia na primeira volta, o vencedor foi Josef Kral. Felipe Nasr terminou no segundo lugar após ultrapassar o mesmo Calado na última curva da corrida. Eu costumo ser contra punições, mas o que fazer com estes doidos?

GP3OCEANO DE BARBARIDADES – A GP3 só não tem ainda mais barbaridades que a GP2 porque suas corridas não duram nada. A primeira, marcada por um sério acidente do irlandês Robert Cregan, teve somente quatro voltas em bandeira verde e consagrou como vencedor o alemão Daniel Abt. O acidentado Cregan é irlandês e corre pela Ocean, assim como Nigel Melker. Coitado do patrão Tiago Monteiro, que terá de gastar uma fortuna para consertar seus carros de GP2 e GP3. O piloto, em compensação, não sofreu nada de muito grave. Na corrida de domingo, quem venceu foi o finlandês Matias Laine, que saiu da quinta posição para liderança em poucos instantes. O segundo colocado, o luso António Félix da Costa, também foi bem pra caramba: largou em sétimo e terminou em segundo. O líder do campeonato é o neozelandês Mitch Evans, um dos poucos caras que realmente andam valendo a pena prestar atenção no automobilismo de base. Ele tem 17 pontos de vantagem para o finlandês Aaro Vainio e resta apenas uma rodada dupla para o fim do campeonato. Só perde se for amaldiçoado por alguma magia maori.

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