JOSEF KRAL, O ECONOMISTA

A única coisa de relevante que tenho para falar sobre Josef Kral é a nossa semelhança acadêmica. Nós dois estamos estudando Economia, mas o piloto tcheco já está em um patamar mais avançado: enquanto não corre, faz seu mestrado em Praga. Ou fazia, não sei direito. Só sei que tenho de escrever algo sobre ele. Nas pistas, é difícil encontrar alguma coisa de interessante para falar deste sujeito de 21 anos que está na GP2 desde 2010.

Kral não tem grandes feitos em seu currículo. Foi vice-campeão da Fórmula BMW britânica em 2007 e terceiro colocado na Fórmula Master em 2009. Na GP2, chamou a atenção por um incrível acidente na segunda corrida da rodada de Valência em 2010, quando pilotava pela Super Nova. Após recuperar-se das fraturas em duas vértebras, ele voltou incrivelmente melhor. No ano passado, obteve dois pódios e terminou em 15º. Neste ano, Josef terá sua grande chance na boa equipe Addax. Mas não aposte muito nele. Não será dessa vez que a República Tcheca terá um campeão.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Baixas. Só conseguiria entrar porque é rico e bem patrocinado por empresas como a Ricoh. Fez um teste na HRT em 2010 pagando meio milhão de dólares.

FABIO ONIDI, JON LANCASTER E FABRIZIO CRESTANI, OS OUTSIDERS

Triste é quando você é um piloto jovem e com algum talento que não consegue engrenar uma carreira sólida e acaba pulando para lá e para cá tentando uma boa oportunidade. Os três cidadãos acima são mais velhos do que a média e estão fazendo sua primeira temporada completa na GP2 num momento um tanto tardio de suas vidas. Fabio Onidi é um italiano de 24 anos que passou um bom tempo no automobilismo italiano enquanto tentava subir para a GP2. Seu melhor resultado foi um vice-campeonato na Euroseries 3000 em 2008, uma espécie de Fórmula 3000 transalpina. Neste ano, finalmente conseguiu seu objetivo: corre na Coloni e espera progredir de vez. Não ganhará corridas, mas poderá marcar pontos sem grandes dificuldades se conseguir se adaptar.

Jon Lancaster é um inglês de 23 anos com alguns resultados bem interessantes na carreira. Foi vice-campeão da Fórmula Renault européia em 2007 e terceiro colocado no Masters de Fórmula 3 em Zandvoort no ano seguinte. Mesmo assim, nunca teve muito dinheiro e teve de pular de categoria a outra para não ficar parado. Apareceu um pouco por causa de alguns acidentes feios, como numa corrida de Fórmula 3 Euroseries em Hockenheim há quatro anos e na largada da etapa de Silverstone da World Series em 2010, quando fez Daniel Ricciardo capotar logo nos primeiros metros. Estréia na GP2 pela Ocean após ter assinado um contrato às pressas e não fará muita coisa nestes primeiros momentos.

Fabrizio Crestani é mais velho do que eles, mas ao menos já teve o gostinho de disputar algumas corridas de GP2 pela DPR em 2010. O italiano corre de monopostos desde 2005 e acumulou alguns resultados razoáveis, como o quinto lugar na Fórmula 3 italiana em 2007 e o quarto na Euroseries 3000 em 2009. Não é um gênio, mas pode fazer corridas honestas. Falta-lhe dinheiro também, verdade seja dita. Neste ano, compete pela Venezuela Lazarus e carrega a responsabilidade de desenvolver o carro, já que o companheiro de equipe…

CHANCES NA FÓRMULA 1: Baixíssimas. Na boa, esses três aí devem é agradecer por terem conseguido chegar à GP2.

RODOLFO GONZALEZ E GIANCARLO SERENELLI, OS REVOLUCIONÁRIOS

Mal comparando, os pilotos venezuelanos de hoje são os japoneses de vinte anos atrás: despreparados e cheios da grana. Só que ao contrário dos orientais, muito bem patrocinados por grandes empresas do país, pilotos como Rodolfo Gonzalez e Giancarlo Serenelli são financiados pelo histriônico Hugo Chávez, que utiliza o interminável dinheiro do petróleo da PDVSA para propósitos políticos. Ter pilotos competindo em alto nível é certamente um deles, até mesmo para mostrar aos imperialistas que o bolivarianismo funciona. Será?

Rodolfo Gonzalez, por incrível que pareça, é o melhor deles. O que não quer dizer nada: trata-se de um piloto lento, desastrado e sem futuro. Seu melhor resultado foi um título na National Class da Fórmula 3 britânica em 2006, algo como ser o campeão do interior num campeonato estadual. Está na GP2 desde 2009 torrando dinheiro público e causando acidentes e prejuízos às suas equipes. Neste ano, corre pela Caterham. Tenho medo desse cara conseguir resultados: seria um péssimo sinal de como as coisas estão indo na GP2.

Giancarlo Serenelli consegue ser ainda pior. Único piloto do grid com mais de trinta anos de idade, ele ganhou um bocado de títulos na sua carreira: dois de Fórmula Ford na Venezuela e três na LATAM Challenge Series, uma espécie de Fórmula Renault que corre em pistas assassinas na América do Sul. Se somar todas estas conquistas, não dá uma de Fórmula 3, mas isso não vem ao caso. Serenelli teve algumas passagens discretíssimas pelo automobilismo europeu há alguns anos e decidiu voltar ao continente para ver se ainda consegue algo de bom. Em Sepang, esteve simplesmente abaixo de qualquer nível de competitividade e ainda atrapalhou muita gente na primeira corrida. O cara que liberou uma superlicença para ele tem de ser empalado.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Baixas para Gonzalez, nulas para Serenelli. O dinheiro da PDVSA pode até encobrir a ruindade do primeiro, mas o tiozão aí não tem solução.

JULIAN LEAL, O BARBEIRO

Davide Rigon ama este cara, mas ao contrário. Colombiano que descolou uma cidadania italiana há alguns anos, Omar Julián Leal é um dos piores pilotos que eu já vi competir por aí. Velocidade não é exatamente sua maior deficiência, embora também não seja correto achar que se trata de um Takuma Sato piorado. O grande problema de Leal, 21, é a pura e simples inabilidade de manter um carro numa trajetória normal durante todo o tempo. O cara erra freadas, escorrega, roda e bate com uma freqüência alarmante. Se não prejudicasse ninguém, tudo bem, mas não foi o caso: um acidente causado por ele em Istambul no ano passado causou ferimentos sérios ao supracitado Rigon, que praticamente teve de interromper sua carreira.

Julián Leal está entrando em sua segunda temporada completa na GP2. Sua carreira, até aqui, tem sido lamentável. Seu único título, o da Fórmula 3000 italiana em 2008, foi obtido sem uma única vitória durante a temporada. Ele só conseguiu vencer sua primeira corrida na vida na AutoGP em 2010, e mesmo assim só conseguiu terminar a temporada em nono. Na GP2, fora destruir a perna de Davide Rigon, não fez nada de notável. Neste ano, competindo pela Trident, provavelmente ficará na mesma. Que nunca chegue perto de um carro de Fórmula 1. E que nunca esteja dividindo a mesma rua que eu.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Baixíssimas. Assim espero.

RICARDO TEIXEIRA, O CARA-DE-PAU

O que você acha de um esportista que nunca teve nada a ver com seu país, mas que se aproxima e mendiga dinheiro para a estatal sustentada pelos seus impostos? Foi o que fez o nosso querido português metido a angolano Ricardo Teixeira. Nascido em Lisboa, ele nunca havia sequer sonhado em pisar num país tão distante de sua realidade como era Angola. Até que, num belo dia, Ricardo percebeu que precisava de dinheiro para correr na Fórmula 3 britânica. Então, ele resolveu viajar ao país africano e pediu uma grana para a estatal petrolífera Sonangol alegando representar Angola no automobilismo. Como assim? Teixeira é filho de mãe angolana e tem a cidadania. Só por causa disso, a Sonangol liberou a grana e passou a vender a idéia do país estar sendo representado no automobilismo.

Mal representado, diga-se. Ricardo Teixeira nunca conseguiu nada além de um único pódio na categoria B da Fórmula 3 britânica em 2003. Por onde passou, nunca demonstrou ser nada além de mais um playboy barbeiro e vagaroso. Fez uma temporada completa na GP2 em 2009 e ficou famoso por sempre ficar distante do penúltimo colocado. Numa corrida em Hungaroring, rodou e jogou brita na pista ao tentar retornar, sujando toda a pista e atrapalhando todo mundo. Neste ano, volta à categoria pela Rapax e promete permanecer nas últimas posições. Ah, não me esqueci de dizer: sua idade real é incerta. Embora tenha nascido oficialmente em 1984, muitos dizem que ele é de 1982 e mente a data de nascimento para não parecer velho demais e comprometer sua carreira. Será que não existe um Ricardo Teixeira minimamente admirável?

CHANCES NA FÓRMULA 1: Baixas. É um cara que tem muito dinheiro angolano, mas não tem condição nenhuma para correr.

TOM DILLMANN, O MÉDICO

Vocês me perdoem, mas quando vi uma foto deste Tom Dillmann pela primeira vez, instantaneamente me veio à cabeça “caramba, é o Dr. James Wilson”. Para quem não assiste ao seriado House, trata-se do oncologista que é o melhor amigo do protagonista. Fora isso e a sonoridade de seu sobrenome, que lembra algo como “Dilmão”, não há muito mais o que dizer sobre este piloto francês de 22 anos. Então, vamos de metáforas bobas.

Dillmann parece finalmente ter remediado a irregularidade de sua carreira. Ele corre de monopostos desde 2004 e já passou por várias categorias diferentes. Em algumas delas, foi muito bem e até ganhou um título na Fórmula 3 alemã em 2010. Em outras, como a GP3, sofreu e ficou distante dos bons resultados. Há alguns anos, foi um dos integrantes do programa de pilotos da Red Bull, mas como bom médico que é, percebeu que taurina em excesso faz mal para os rins e acabou caindo fora do programa após um tempo. Neste ano, Dillmann testou por várias equipes da GP2 e até fez uma rodada em Abu Dhabi pela iSport, mas só conseguiu arranjar uma vaga na Rapax na prorrogação. É um bom piloto e merece atenção, mas já está um pouco passado, quase precisando de um geriatra.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Baixas. Não tem tanto dinheiro assim e também não está na crista da onda dos pilotos mais talentosos das categorias de base.

RIO HARYANTO, O ASIÁTICO

O continente asiático não tem lá muitas opções para torcer nesta temporada de GP2. Na verdade, apenas um único piloto do grid veio de lá. Pelo menos, ele é muito bom. O indonésio Rio Haryanto fará sua primeira temporada na GP2 após uma carreira meteórica e muito interessante. Ele debutou nos monopostos em 2008 e começou bem, terminando a temporada da Fórmula Asia em terceiro lugar. No ano seguinte, venceu nada menos que onze corridas e sagrou-se campeão da Fórmula BMW Pacífico. Impressionante.

Nos dois anos seguintes, Haryanto competiu na GP3. Mesmo em um continente estranho e sem conhecer as pistas, ele terminou 2010 em quinto e 2011 em sétimo, tendo vencido um total de três corridas. Ainda em 2010, Rio testou o carro de Fórmula 1 da Virgin em Abu Dhabi aos dezessete anos de idade. Nesta temporada, ele correrá pela Carlin e terá de se impor numa equipe que pertence ao pai de seu companheiro de equipe. Pelo menos, tempo para se adaptar Haryanto tem de sobra: nascido em 1993, o indonésio é o piloto mais jovem do grid. Aposto cegamente nele no futuro.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Médias. Apareceu muito bem na GP3, mas a vida na GP2 é bem mais difícil. Tem talento e só precisa de tempo e talvez um pouco mais de experiência.

NATHANAËL BERTHON, O POSTE

Outro piloto sobre o qual não há muito o que falar é o francês Nathanaël Berthon. Um fulano mais maldoso poderia supor que a alcunha de poste foi colocada porque o cara seria simplesmente inútil, uma analogia aos comentários infelizes feitos por Sebastian Vettel sobre Narain Karthikeyan no último fim de semana. Pode até ser, mas não o chamo de poste somente por isso. Berthon é um dos pilotos mais altos atualmente em atividade. Com 1m87, fica realmente difícil pensar em gente maior do que ele. Justin Wilson e Átila Abreu são os dois únicos casos que me vêm à mente.

Como acontece com todo sujeito alto, e isso certamente me inclui, a cara de tonto está presente. Nas pistas, Nathanaël (maldita trema!) não é dos sujeitos mais talentosos da França, embora também não seja um péssimo piloto. Nos dois últimos anos, competiu na World Series by Renault e venceu uma corrida, tendo ido bem melhor na temporada de estréia. No fim do ano passado, participou do teste de jovens pilotos da Fórmula 1 em HRT. Neste ano, fará sua primeira temporada completa na GP2 pela Racing Engineering. É piloto pra começar andando no meio do pelotão.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Baixíssimas. Não é extraordinariamente rico e não é o último talento do pedaço. É somente mais um no meio da multidão.

NIGEL MELKER, O EMERGENTE

Nigel Mansell? Quase. De fato, se houvesse um adesivo “Nigel M.” na lateral do carro da Ocean, muita gente ficaria erroneamente eufórica. Caramba, o Leão voltou. Ah, pena, não é ele, embora o cabelo se pareça com uma juba. Vindo da Holanda, Nigel Melker é mais um dos estreantes que subiram da GP3 para a GP2 nesta temporada. Faz sua estréia pela equipe de Tiago Monteiro, uma das mais humildes do campeonato. Por causa disso, não espere muito dele.

É difícil saber se Melker é realmente um piloto de talento. Até 2010, ele nunca tinha vencido uma única corrida na vida. O mais assustador é que ele era o único, dentre todos os trinta pilotos que iniciaram a temporada de GP3 daquele ano, a estar zerado em vitórias. Em 2011, a sorte finalmente sorriu para o holandês. Ele disputou simultaneamente uma segunda temporada na GP3 e também a temporada da Fórmula 3 Euroseries. Na primeira, ganhou uma corrida em Istambul e terminou o ano em terceiro. Na Fórmula 3, venceu quatro provas e finalizou a temporada em quarto. Do nada, Nigel virou um piloto de capacidade. Que ele continue assim, não é?

CHANCES NA FÓRMULA 1: Baixíssimas. Embora tenha melhorado demais de 2010 para cá, não consigo imaginá-lo na Fórmula 1.

MAX CHILTON, O FILHINHO DE PAPAI

A cara de moleque que comeu e não gostou é essa daí mesmo e quem acompanha o automobilismo é obrigado a engolir. Pelo visto, por muito mais tempo. Max Chilton, 20, é um dos pilotos mais ricos do automobilismo europeu atualmente. Na GP2, poucos tem a mesma capacidade financeira. O pai é Grahame Chilton, um dos grandes diretores da AON, a maior seguradora do planeta e patrocinadora do Manchester United. Desnecessário dizer que a carreira do filho é movida a combustível da AON.

Graças a isso, Chilton está conseguindo avançar lentamente no automobilismo de base. Estreou na Fórmula 3 britânica em 2007 aos 16 anos de idade, sendo um dos mais jovens pilotos da modalidade na história mundial. Ficou no mesmo certame até 2009 e ganhou apenas uma corrida em Brands Hatch, mesmo pilotando por boas equipes. Em 2010, subiu para a GP2 pela Ocean. Marcou três pontos. No ano passado, correu pela Carlin, que foi comprada pelo papai, e melhorou bastante: fez quatro pontos. Permanece na mesma Carlin neste ano e começou bem, subindo ao pódio na primeira corrida de Sepang. Até acho que Chilton possa virar um piloto de respeito, sabe? Daqui a vinte anos.

CHANCES NA FÓRMULA 1: Médias. Não dá para desprezar a grana da AON.

Na última parte, as equipes.

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