Ontem, a organização da minha querida GP2 Series anunciou a lista das 13 equipes que participarão das próximas três temporadas dos campeonatos europeu e asiático da categoria. Permanecem a ART, a Rapax, a Addax, a iSport, a Racing Engineering, a Supernova, a Arden, a DAMS, a Coloni, a Ocean e a Trident e sai a DPR, pobrezinha. Além delas, entrarão também a tradicional Carlin e a novata Air Asia, equipe malaia pertencente a Tony Fernandes, o mesmo da Lotus na Fórmula 1. Em primeiro lugar, bateu certo incômodo. 26 carros é pouco para uma categoria de base tão importante. Não vejo um porquê da categoria não expandir seu grid para 28 ou 30 carros, nada muito absurdo. Mas tudo bem, eu sempre reclamo do tamanho dos grids e sigo assim até o dia em que alguém crie uma categoria com uns 100 carros. Ainda assim, vou perguntar algo como “por que não 110?”.

A segunda nota que me chamou a atenção foi a criação da equipe Team Air Asia. Como dito acima, o criador da idéia é Tony Fernandes, empresário malaio dos mais endinheirados. No final do ano passado, Fernandes liderou um consórcio que envolvia inúmeras empresas públicas e privadas de seu país na criação da Lotus Racing, equipe de Fórmula 1 que visava trazer de volta o lendário nome da equipe de Colin Chapman ao mesmo tempo em que sonha ser a primeira equipe totalmente asiática da história da categoria. Em um primeiro momento, houve um misto de riso, descrença e escárnio. Muitos até se sentiram ofendidos pelo fato do nome Lotus ser utilizado em uma empreitada que soava absolutamente arrivista e até caricatural. Lá vem mais um asiático maluco e perdulário!

Passado um ano, uma agradável surpresa. O tal do Fernandes é um sujeito ambicioso, compromissado e sério. A equipe ainda não tem um carro competitivo, mas busca juntar todos os ingredientes para isso. Tem o experiente Mike Gascoyne como chefe de equipe e os calejados Jarno Trulli e Heikki Kovalainen como pilotos. A belíssima pintura, verde com alguns detalhes em amarelo, remete à Lotus dos anos 60. Para 2011, a equipe trará da Renault um pacote que inclui motor e câmbio. Além disso, o nome oficial da equipe será modificado: sai o Lotus Racing e entra o Team Lotus F1, que é exatamente o nome da equipe original. Além disso, a equipe tem seu braço na World Series by Renault, a Junior Lotus, e terá um na GP2 com a Team Air Asia. Em suma, os caras querem dominar o planeta. Ou, ao menos, o automobilismo.

Heikki Kovalainen, representante da Lotus Racing

O projeto de Tony Fernandes é bom e o pessoal da Lotus Cars, a empresa de carros comandada pela família Chapman, o louva e o considera como extensão oficial da antiga equipe de Fórmula 1. Mas as coisas estão um pouco confusas para o amante de automobilismo. Ontem mesmo, a ART Grand Prix, uma das potências da GP2, anunciou que teria o apoio oficial da Lotus Cars em 2011 para as equipes da GP2 e da GP3. E todos ficaram com um enorme ponto de interrogação na cabeça. Duas equipes Lotus?

Expliquemos as coisas desde o começo. A Lotus Cars é uma pequena empresa de carros artesanais criada por Colin Chapman. Com a morte de Chapman, a companhia passou pelas mãos da GM e de uma holding luxemburguesa até ser adquirida definitivamente pela Proton, uma montadora estatal malaia, em 1996. Desde então, quem manda no negócio é a turma malaia, ainda que a sede da empresa esteja localizada na pequena vila de Hethel. Tony Fernandes tem tanto a ver com a Lotus Cars e a Proton quanto eu, você ou a Mulher Pêra: absolutamente nada.

Tony Fernandes é um Eike Batista malaio, sem a aparência de playboy e a Luma de Oliveira no currículo. Com apenas 46 anos, conseguiu juntar uma fortuna de 230 milhões de dólares ao criar o Tune Group, conglomerado de empresas aéreas, de finanças, de turismo e do entretenimento. Uma destas empresas é a Air Asia, companhia aérea de baixo custo. A idéia da equipe surgiu quando um representante da Litespeed, equipe inglesa da Fórmula 3 que havia tentado, sem sucesso, se inscrever para a temporada 2010 da Fórmula 1, foi à Malásia para conversar com Tony Fernandes sobre a criação de uma parceria para uma equipe de Fórmula 1 no caso de uma das 13 já confirmadas não puder competir. Fernandes, empresário de trânsito entre os grandões de seu país, gostou da idéia e recorreu a outros empresários e ao governo. Todos acharam tudo muito lindo e fofo e, muito rapidamente, sentaram e definiram as coisas. Só repetindo: Tony Fernandes e a Lotus Cars não tem nada a ver.

No início do segundo semestre de 2009, a BMW Sauber anunciou que cairia fora. A FIA não tardou muito em anunciar a tal equipe malaia como sua substituta. Formada pela união entre um conluio de empresários e burocratas do governo da Malásia, seu nome seria Lotus Racing devido à participação bastante oportuna da Proton, que é justamente a empresa dona da Lotus Cars. Tony Fernandes seria o chefe da equipe.  Nasce, assim, a união entre Tony Fernandes e a Lotus.

A César o que é de César. A Lotus Racing, equipe de Tony Fernandes, é uma coisa completamente distinta da Lotus Cars. Esta faz parte do grupo que criou a escuderia e emprestou seu valoroso nome ao projeto, e só. A equipe de Fórmula 1 não responde à montadora e ambos os lados podem agir do jeito que quiserem com relação ao automobilismo. Dito isso, vamos identificar quem é quem.

Takuma Sato, representante da Lotus Cars

A Lotus Racing de Tony Fernandes aparece na Fórmula 1 e na World Series by Renault. Na World Series, ela comprou o espólio da também malaia Mofaz Racing e criou a Junior Lotus Racing, equipe que utiliza a mesma pintura da Fórmula 1 e emprega Nelson Panciatici e Daniil Move. O objetivo de Fernandes é óbvio: revelar novos talentos para sua equipe de Fórmula 1. Se bem que com Panciatici e Move, sei não…

Com esse mesmo objetivo, Fernandes criou a Team Air Asia, que é exatamente uma das duas equipes novatas da GP2 em 2011. E o apoio da Lotus à ART Grand Prix? Aí entra a turma da Lotus Cars, que apenas empresta seu nome e algum apoio técnico e financeiro às suas parceiras no automobilismo. Isso ocorre na KV, equipe da Indy que utiliza as cores da empresa no carro de Takuma Sato, e acontecerá agora na ART, que também pintará o carro de verde e amarelo. Nem a ART e nem a KV tem qualquer vínculo com a Lotus Racing, a Junior Lotus Racing ou a Team Air Asia. Alguns boatos na Europa ventilavam a possibilidade da Air Asia ser apenas uma filial camuflada da ART Grand Prix, o que é uma besteira total.

No fim, nada disso importa. O importante é que o nome Lotus está de volta, com suas cores e sua disposição para o automobilismo. Os falsos puristas podem até chiar que esta não é a verdadeira Lotus, e ela não é mesmo. Mas e daí? Viva a Lotus Car! Viva a Lotus Racing! Viva a Lotus! E viva a confusão!

FERRARI 10 – Depois de tanta dor de cabeça, nada como um bom fim de semana para trazer a felicidade de volta aos carcamanos vermelhos. Fernando Alonso fez uma pole-position histórica e venceu impiedosamente. Felipe Massa também não foi mal e subiu ao pódio. Os fãs italianos não se importam com ataques ao espírito esportivo ou à ética. Para eles, o que importa é o trunfo da equipe. Portanto, estão felizes.

MCLAREN 8 – Era a única equipe que poderia peitar a Ferrari, mas acabou não conseguindo nada além de um segundo lugar com Jenson Button. O atual campeão, por sinal, fez uma excelente corrida e liderou antes de sua parada nos pits. Lewis Hamilton bateu na primeira volta e jogou fora o que poderia ter sido uma ótima corrida.

RED BULL 8,5 – Levando em consideração que não tinha o melhor carro para esta pista, fez até mais do que o esperado. Sebastian Vettel terminou em quarto após apostar tudo em uma estratégia ousada e Mark Webber foi o sexto. Terminar com os dois carros intactos é o ponto alto do fim de semana dos rubrotaurinos.

MERCEDES 7 – Fim de semana típico. Rosberg terminou em quinto após boa largada e Schumacher só fez dois pontinhos com o nono lugar. Não brilhou e nem passou vergonha.

WILLIAMS 7,5 – Vem sofrendo uma mudança de tendência nas últimas corridas, com Nico Hülkenberg marcando mais pontos que Rubens Barrichello. Ambos pontuaram em Monza, mas apenas o alemão brilhou. De qualquer jeito, a equipe melhora a passos largos.

RENAULT 5,5 – Precisa melhorar urgentemente a qualidade do trabalho de pit-stops. Pela segunda vez seguida, Robert Kubica perdeu a chance de terminar em uma posição melhor devido a problemas nas paradas. Vitaly Petrov fez outra corrida ordinária e sua permanência na equipe em 2011 corre risco. Quanto ao carro, o mesmo de sempre, o que não é ruim.

TORO ROSSO 4,5 – Passou perto dos pontos com Sebastien Buemi, mas terminou zerada novamente. Nem ele e nem Jaime Alguersuari vêm chamando a atenção, e o carro também não ajuda. É triste constatar que foi nessa pista que a equipe obteve sua primeira e única vitória na Fórmula 1 há dois anos.

FORCE INDIA 2 – Fim de semana péssimo. Vitantonio Liuzzi teve problemas no motor e Adrian Sutil escapou da pista na primeira volta. Quando todos se deram conta, os carros indianos estavam lá no final do grid. Ambos terminaram, mas o sonho dos pontos era apenas utopia.

SAUBER 3 – Depois de alguns fins de semana de prestígio, volta à realidade nua e crua. Os problemas retornaram, como pôde ser visto com Kamui Kobayashi. Pedro de La Rosa, ao menos, levou o carro até o fim, mas não chamou a atenção em momento algum.

VIRGIN 5 – Com Timo Glock, tem motivos para comemorar. Andou razoavelmente bem e terminou à frente das outras duas equipes novatas. No entanto, tanto Glock quanto Lucas di Grassi tiveram problemas durante a corrida. Respectivamente, com os freios e com a suspensão. Mas já teve fins de semana piores.

LOTUS 3,5 – Heikki Kovalainen e Jarno Trulli dividiram a nona fila, algo bastante positivo. No entanto, o finlandês esteve discreto e o italiano teve problemas com o câmbio no final da prova. A equipe aproveitou o momento para anunciar o divórcio com a Cosworth. No ano que vem, Lotus-Renault. Diante disso, não há razões para deixar a Itália chateado.

HISPANIA 0 – Putz… Bruno Senna só apareceu quando tentou ligar seu problemático carro por três vezes em um dos treinos da sexta-feira. Sakon Yamamoto, por outro lado, só apareceu quando atropelou um engenheiro da equipe. O engenheiro estava errado ao entrar perigosamente em um espaço que não era seu. E o homem responsável pelo pirulito errou também. Gosto da equipe, mas reconheço que sua participação italiana foi uma piada.

TRANSMISSÃO GALVÃO NO BANHEIRO – Coitado do Lucas “desgraça”. Pô, Galvão, desgraça é o carro dele. Além disso, informo que Kamui Kobayashi, embora não esteja na melhor equipe do mundo, não está em uma situação tão ruim assim. Não é ele quem corre na Hispania, e sim seu compatriota Sakon Yamamoto. Japoneses não são todos iguais. Por fim, aquele áudio vazado na transmissão da internet é peça rara. Luciano Burti avisando ao produtor que Galvão Bueno foi ao banheiro beira o lisérgico.

CORRIDA MONÓTONA – Uma corrida em Monza nunca é mais ou menos. Ela pode ser inesquecível e sensacional ou absolutamente insípida. A de ontem se encaixa perfeitamente bem na segunda definição. As brigas e as ultrapassagens foram poucas e ficou latente o quão é difícil ultrapassar na Fórmula 1 atual. Apenas as atuações individuais, como as de Alonso e Button, salvaram a prova. Ao menos, ver os carros acelerando o tempo todo é bem melhor do que aquele esquema retão-cotovelo-sequência de curvas de primeira e segunda marcha, algo típico nas pistas asiáticas.

GP2 E DEU MALDONADO – Não foi bem do jeito que a gente esperava, mas o venezuelano Pastor Maldonado se sagrou campeão da temporada 2010 da GP2 neste final de semana. Após seis vitórias consecutivas em corridas de sábado, todo mundo esperava mais um domínio acachapante dele. No entanto, o que vimos foram dois acidentes do piloto da Rapax e zero pontos. Para sua sorte, o mexicano Sergio Perez, principal adversário, também não teve um fim de semana fácil e se envolveu em um forte acidente com o DPR de Michael Herck. Na corrida de sábado, venceu o inglês Sam Bird, uma das gratas surpresas deste ano. Virei fã do cara, que sempre anima as corridas com muitas ultrapassagens. No domingo, venceu Christian Vietoris, uma das decepções deste ano. Agora, só teremos GP2 em Abu Dhabi. Prevejo milhares de mudanças nas equipes até lá.

Automobilismo é, definitivamente, um negócio cruel. O cara investe sua vida, seu tempo, o dinheiro e a paciência dos pais para realizar o sonho de ser um piloto de Fórmula 1. Se ele dá errado logo no kart, tudo bem, o sonho acaba, a realidade volta à tona e resta fazer uma faculdade ou cuidar da quitanda da mãe. O problema é quando a carreira engrena e o jovem piloto começa a perceber que possui talento o suficiente para brilhar no topo. Ele chega à World Series ou à GP2, anda muito bem e descobre que… a Fórmula 1 continua tão inacessível como sempre. Este é o caso do português Álvaro Parente.

Álvaro Parente é um dos melhores pilotos do mundo fora da Fórmula 1. Exagero meu? Deve ser, sou apegado a hipérboles. Mas o caso é que o cara tem um currículo muito melhor do que o de muito piloto da Fórmula 1 e da Indy. Álvaro já foi campeão da Fórmula 3 inglesa em 2005 e da World Series by Renault em 2007. Além disso, contabiliza vitórias na Fórmula 3 espanhola, na Superleague e na GP2. Na pista, é veloz e muito raramente comete erros. Pela lógica, deveria estar na Fórmula 1 e, no mínimo, em uma equipe média. Mas quem disse que há lógica na Fórmula 1?

Parente é um dos casos mais lamentáveis de pilotos talentosos sem dinheiro. Em seu país, as empresas demonstram pouco interesse em patrocinar seus pilotos. Nem sempre foi assim. No início dos anos 90, empresas como a petroleira Galp patrocinavam maciçamente pilotos como Pedro Chaves, Diogo Castro Santos, Pedro Lamy, Manuel Gião e Pedro Couceiro.  Lamy fez a Fórmula 3000 em 1993 com um batalhão de patrocinadores que incluía até mesmo a gigante japonesa dos videogames Nintendo. Com o passar do tempo , o Grande Prêmio de Portugal saiu do calendário, as categorias portuguesas se enfraqueceram e sobraram apenas iniciativas individuais de gente como o próprio Parente e Antônio Félix da Costa, da Fórmula 3 européia.

Em várias ocasiões, a carreira de Parente quase foi interrompida por falta de fundos. No fim de 2007, mesmo com o título da World Series, ele cogitou abandonar tudo. Sua carreira foi salva pela Unicer, uma grande empresa lusitana que produz vários tipos de bebida. Dizem que a recomendação de Parente saiu do astro do futebol Cristiano Ronaldo, um dos patrocinados pela empresa. Com o apoio, Álvaro encontrou uma vaga na razoável Supernova para correr na GP2 em 2008. E assim ele levou o emblema da Soccerade, um dos produtos da Unicer, em seu carro.

Nesse ano, tudo indicava que a sorte dele mudaria. A Virgin o chamou para ser um dos dois pilotos reserva da equipe, ao lado do baiano Luiz Razia. Por pior que a Virgin fosse e por menos testes que houvesse, a oportunidade de se vincular a uma equipe de Fórmula 1 era um sonho para Álvaro Parente.  Logo, porém, o sonho desmoronou e se transformou em uma desagradável situação. Seu principal patrocinador na empreitada, o Instituto de Turismo de Portugal, o deixou na mão faltando apenas alguns dias para a apresentação oficial da equipe. E olha que foi o Instituto que o obrigou a assinar com a Virgin em detrimento de outras duas equipes. Enfim, Álvaro deu o azar de se envolver com gente que não valia a pena.

Neste último fim de semana, a Coloni o chamou às pressas para correr na etapa de Spa-Francorchamps da GP2 no lugar do dispensável Alberto Valério. Parente entrou no carro vestindo apenas um macacão branco sem qualquer sinal de patrocínio. É visível que Paolo Coloni o convidou apenas por camaradagem e por uma questão de emergência. Mesmo assim, Álvaro fez uma grande apresentação. Apesar de ter feito apenas o 16º tempo na classificação, ele ganhou cinco posições na primeira volta e tentou uma muitíssimo bem sucedida estratégia de permanecer na pista pelo maior tempo possível. No final da corrida, o português se encontrava na liderança com mais de 23 segundos de vantagem sobre o segundo colocado. Fez a parada e voltou com tudo, quase tomando a vitória de Pastor Maldonado. Terminou em segundo. No dia seguinte, Álvaro também fez uma corrida agressiva e se envolveu em uma das melhores manobras de ultrapassagem dos últimos anos, mostrava no vídeo aí embaixo. Terminou em terceiro.

Como um cara desses está fora da Fórmula 1?

MCLAREN 8,5 – Na semana passada, todo mundo estava dizendo que era um carro a se temer em Spa. Os primeiros treinos chegaram e ficou provado que ao menos a Ferrari estava no mesmo nível. Veio a corrida e a equipe de Hamilton e Button deixou todo mundo para trás nas primeiras voltas. Jenson foi tirado da pista pelo aloprado Vettel. Lewis venceu de maneira austera. É a equipe mais confiável do grid.

RED BULL 6 – Com a pole-position de Webber e o quarto lugar de Vettel, a corrida poderia ter sido legal para os taurinos. Mas o australiano perdeu uma miríade de posições na largada devido a um problema na embreagem e o alemão acabou com sua corrida ao bater em Button e ao tocar em Liuzzi. Corrida feita para nós nos lembramos que a equipe continua incapaz de fazer na corrida o que faz nos treinos.

RENAULT 7,5 – O carro é bom e o primeiro piloto é ótimo. Kubica andou bem o tempo todo e poderia ter terminado em segundo se a equipe não tivesse se complicado na sua última parada dos pits. Mesmo assim, um bom pódio. Por outro lado, Petrov poderia ter ido bem melhor se não tivesse batido no sábado. Como de costume, rápido e muito inconsistente.

FERRARI 7 – A promessa de um bom desempenho ficou na sexta-feira, quando Alonso liderou os dois treinos livres. Sofreu na classificação de sábado e só salvou sua corrida porque Felipe Massa foi discreto e eficiente. O espanhol pintou e bordou e terminou com o carro quebrado em um canto qualquer. Sempre espalhafatoso, o tal de Alonso.

FORCE INDIA 8 – Equipe marcada por um imenso desnível entre seus pilotos. Enquanto Adrian Sutil anda sempre entre os ponteiros e leva dez pontos para casa, Vitantonio Liuzzi só se arrasta no meio do pelotão. Quanto à equipe, a competência de sempre em uma pista veloz.

MERCEDES8,5 – Após a classificação de sábado, tudo parecia perdido para a equipe de três pontas. Um dos pilotos havia sofrido uma punição e o outro teve de trocar o câmbio. Ainda assim, ambos vieram para a corrida como dois franco-atiradores e se deram muito bem. Leva 14 pontos para casa.

SAUBER6 – Menos espetacular do que em outras ocasiões, era outra equipe que tinha muito a lamentar após os dois pilotos terem saído da pista no Q1 da classificação. Na corrida, Kobayashi se recuperou e chegou em um bom oitavo lugar. De La Rosa bateu na trave, mas não teve os problemas costumazes. Para uma equipe que vem marcando pontos com frequência, um fim de semana apenas normal em termos de resultados.

TORO ROSSO 3 – Desempenho normal, nada além ou aquém do esperado. A novidade foi ver Jaime Alguersuari andando na frente de Sebastien Buemi. O espanhol terminou em décimo, mas foi punido e perdeu três posições. Buemi também não pontuou. Se estabeleceu definitivamente como a típica equipe do meião do grid.

WILLIAMS 2 – Com os dois pilotos largando entre os dez primeiros, esperava um grande resultado. Mas Barrichello abandonou seu seu tricentésimo grande prêmio na primeira volta após bater em Alonso e Hülkenberg teve problemas no acelerador.

LOTUS 7 – Com o 13º de Kovalainen e o 15º de Trulli no grid, tinha todos os motivos do mundo para comemorar no sábado. A corrida aconteceu, a realidade reapareceu e os dois pilotos perderam as posições que tinham de perder. Ainda assim, Kovalainen foi o melhor entre a turma do fundão e Trulli, apesar da rodada perigosa no final, também terminou.

VIRGIN 5 – Lucas di Grassi andou bem novamente e por pouco não foi o melhor entre os pilotos das equipes novatas. Por outro lado, Timo Glock teve uma prova recheada de problemas. Os dois carros terminaram, algo muito raro no reino de sir Richard Branson.

HISPANIA 4,5 – Sábado dos sonhos com Bruno Senna largando em 18º e Sakon Yamamoto saindo em 19º. O carro, razoável em retas, não era suficiente para mantê-los nessa forma na corrida. A suspensão do carro de Senna foi pro saco e Yamamoto só terminou. Em termos de posições na pista, foi o melhor fim de semana do ano. Sakon chegou a andar em 13º no comecinho, um milagre digno de Nossa Senhora da Aparecida.

TRANSMISSÃOÉ O PET, É O PET!Sem comentários. E Gary Paffett não é engenheiro, querido Galvão Bueno.

CORRIDA TRIFÁSICA – Para quem estava esperando uma corrida de powerboats no melhor estilo 1998, a prova de ontem pode não ter sido a melhor do mundo. Choveu apenas nas primeiras e nas últimas voltas, e mesmo assim não foi o suficiente para transformar o grande prêmio em uma competição de patinação no gelo. Mesmo assim, Spa-Francorchamps é Spa-Francorchamps e a corrida raramente decepciona. Com Lewis Hamilton tendo dominado desde o início, as disputas aconteciam da segunda posição para trás. Em uma delas, o saltimbanco Sebastian Vettel atropelou Jenson Button e os dois foram alijados do pódio. Mais atrás, pilotos como Nico Rosberg, Michael Schumacher, Kamui Kobayashi e Vitaly Petrov se envolviam em inúmeras brigas, garantindo a diversão na prova. Para quem esperava por acidentes, apenas Rubens Barrichello e Fernando Alonso, este por duas ocasiões, deram o ar da graça. Jarno Trulli quase causou uma pancada monstruosa, mas ficou no quase. No fim, sem ser inesquecível, a corrida já garantiu mais diversão do que a maioria das outras corridas desse campeonato.

GP2 PANAMERICANISMO BOLIVARIANO – O jovem revolucionário Simón Bolívar não poderia ficar mais feliz. Seu sonho de uma América Latina que pudesse peitar os imperialistas europeus está se realizando… na GP2. Pastor Maldonado, o piloto preferido de Hugo Chavez, venceu pela sexta vez consecutiva uma corrida de sábado e disparou na liderança do campeonato. Dessa vez, sua vitória foi extremamente sortuda. Álvaro Parente, o líder durante a maior parte do tempo, fez uma parada e voltou em terceiro. À sua frente, Jerome D’Ambrosio e Maldonado, que havia tomado uma bela ultrapassagem do belga. Porém, o sempre azarado D’Ambrosio teve problemas no motor e abandonou a prova, deixando o caminho livre para Maldonado vencer. Na corrida do domingo, o mexicano Sergio Perez fez a festa pela quarta vez no ano. Destaco o segundo pódio seguido de Parente, substituto de Alberto Valério na Coloni. Pelo visto, Pastor Maldonado só perderá o título se houver uma conspiração estadunidente e primeiro-mundista capitaneada pelos yankees.

A seção mais filantrópica e boa-praça do Bandeira Verde está de volta com o piloto brasileiro de maior expressão do automobilismo de base europeu atualmente. Ao meu ver, é um dos poucos nomes do país com chances reais de subir para a Fórmula 1 a médio prazo, até mesmo por ser o único a ter uma ligação concreta com uma equipe da categoria. Este é Luiz Tadeu Razia Filho, ou simplesmente Luiz Razia.

Ouvi falar dele pela primeira vez no fim de 2006. Como a Fórmula 3 sul-americana tem um esquema exemplar de divulgação de pilotos e resultados, só fiquei sabendo que ele tinha sido o campeão da categoria muito depois do fim do campeonato. Razia faria uma sessão de dois dias de testes na GP2 com a espanhola Racing Engineering no circuito de Jerez. No primeiro deles, em pista seca, superou o badalado companheiro Sérgio Jimenez e ficou em 13º entre 26 carros. No segundo, em pista molhada, Luiz deu show e ficou em terceiro. Passei a prestar atenção no cara a partir daí, sempre torcendo para ele arranjar essa vaga na GP2.

A vaga não veio, mas Razia não precisava ter pressa. 2006 tinha sido seu segundo ano como piloto de monopostos. Na verdade, a carreira inteira dele foi curta e meteórica. Seu início no esporte a motor se deu em 2002, com as corridas de velocidade na terra realizadas na região da pequena cidade baiana de Barreiras, seu local de nascimento. Em 2004, ele fez seu único ano no kart e, de cara, foi campeão de kart brasiliense, do Centro-Oeste e brasileiro. O título na Copa Brasil não veio por uma desclassificação por míseros 800g.

2005 foi seu primeiro ano correndo de monopostos. E o sempre apressado piloto baiano decidiu disputar, ao mesmo tempo, a Fórmula 3 sul-americana e a Fórmula Renault, duas categorias que estavam realizando seus campeonatos em conjunto. Na Fórmula 3, Razia chegou a vencer duas corridas. No entanto, ele ficou em 6º neste campeonato e em 10º na F-Renault. Era um ano de aprendizado e, para ele, estava bom demais.

Razia na Fórmula 3 em 2006

2006 foi o ano da consagração. Razia focou suas atenções apenas na Fórmula 3, que tinha um plantel de vários pilotos que também subiriam a patamares mais altos do automobilismo, como Mário Moraes, Diego Nunes, Bia Figueiredo e Nelson Merlo. Mesmo com uma concorrência forte, ele fez seis pole-positions, sete vitórias e ganhou o campeonato sem grandes problemas. No final daquele ano, vieram os convites para testar na GP2, na Fórmula 3 espanhola e na Euro3000. Nesta última, ele chegou a fazer três etapas como convidado no circuito de Estoril. Venceu todas.

Faltava dinheiro para ele ir para a GP2 e a Fórmula 3 espanhola, com um motor cerca de 40cv mais fraco que o Berta sul-americano, não lhe interessava. Restou a Razia fazer um ano completo na Euro3000. Ele terminou o campeonato de 2007 em terceiro, sem vencer mas obtendo vários pódios. No ano seguinte, ele permaneceu na mesma categoria e terminou em quarto, a apenas oito pontos do campeão Nicolas Prost. Vale notar o seguinte: Luiz deixou de fazer um fim de semana, em Jerez, para testar na GP2. Este fim de semana a menos lhe custou um campeonato que ele havia liderado até então.

Com tantos bons resultados, a ascensão para a GP2 era apenas uma questão de saber qual seria sua equipe. Inicialmente, ele fez a temporada 2008/2009 da GP2 Asia, versão oriental do certame, pela Arden. O início foi bem difícil e Razia chegou a ficar atrás de seus companheiros Renger van der Zande e Edoardo Mortara. No entanto, ele reagiu e chegou a vencer a última etapa do campeonato, em Sakhir. Nessa altura, ele já estava contratado pela FMSI para ser companheiro de Andreas Zuber na competição principal em 2009.

A FMSI, equipe de Giancarlo Fisichella, era talvez a equipe mais bagunçada do grid. Em um campeonato no qual participaram vários pilotos com até quatro temporadas de experiência, Luiz Razia teve seu ano mais difícil no automobilismo. Alguns problemas e acidentes complicaram sua vida no início do campeonato. Em Monza, no entanto, ele teve seu primeiro grande fim de semana na categoria. Razia largou em 16º na corrida de sábado, mostrou agressividade e terminou em oitavo, o que lhe daria a pole-position na corrida domenical. E nesta corrida ele liderou de ponta a ponta e venceu com autoridade, dando à equipe sua única vitória no ano.

Razia e seu carro atual na GP2

Embora os resultados não tenham sido abundantes em 2009, a boa performance de Razia chamou a atenção dos chefes das grandes equipes da GP2… e também de alguns barões da Fórmula 1. No final do ano, Luiz foi anunciado como um dos pilotos-reserva da novata Virgin. Mesmo sem ter testado até aqui, ele está pronto para largar em uma corrida de Fórmula 1 no caso de Timo Glock ou Lucas di Grassi terem uma crise de diarréia. Ao mesmo tempo, a Rapax, antiga Piquet GP, o chamou para competir em um de seus carros para a temporada européia. A Addax, que não tem nada a ver com a Rapax, o convidou para correr na versão asiática. O final de 2009 de Luiz Razia foi bem movimentado.

Sua participação na GP2 Asia 2009/2010 só durou dois fins de semana e não foi tão boa. No entanto, sua temporada européia vem sendo bastante convincente. Razia marcou pontos nas seis primeiras corridas do ano e saiu de Istambul como o terceiro colocado do campeonato, apenas sete pontos atrás do líder Pastor Maldonado. A partir daí, no entanto, Luiz passou a ter uma impressionante série de azares e problemas. Abandonou cinco das últimas oito corridas e se envolveu em colisões com gente como Alberto Valério (Hungaroring) e Davide Valsecchi (Hockenheim). Ainda assim, faltam seis provas até o final do campeonato e não é impossível vislumbrar uma possibilidade de recuperação até lá.

Razia tem algumas chances de subir para a Fórmula 1 em 2011. Estas chances, no entanto, não são muito grandes e subexistem basicamente fora da Virgin. Falta o dinheiro que, por exemplo, sobra para o seu companheiro Pastor Maldonado. Torço para que dê certo, mesmo assim. Se o Brasil quiser ter um futuro a longo prazo no automobilismo de ponta, apoiar Luiz Razia é um dever quase cívico.

LUIZ RAZIA
Nascido em 4 de abril de 1989 em Barreiras
Campeão da Fórmula 3 sul-americana em 2006
Décimo colocado na temporada atual da GP2 Series

SITE: www.luizrazia.com

PATROCINADORES

Grupo Cyber 1, empresa de tecnologia brasileira especializada no desenvolvimento de sites, aplicações web e em serviços de suporte – www.cyber1group.com

Porta Verde, spa italiano – www.portaverde.com

Isaac Bike Store, loja de bicicletas italiana – www.isaacbikestore.it

Em um mundo que está de cabeça para baixo, a geografia de pilotos do automobilismo não poderia deixar de completamente bagunçada. Países outrora fornecedores viscerais de uma miríade de pilotos bons sofrem com um período de entressafra que parece nunca terminar. Por outro lado, alguns países que nunca tiveram lá grande tradição em lançar pilotos ao automobilismo de ponta decidiram por as manguinhas de fora para mostrar que não estão relegados ao eterno segundo plano. Enquanto França, Itália, Finlândia e Brasil parecem não ter lá grandes expectativas a médio prazo, dois países fazem a festa no automobilismo mundial. Um deles é a Austrália de Mark Webber, Will Power, Ryan Briscoe e Daniel Riccardo. Falo da ilha outro dia. O outro é, ¡caramba!, o México!

Pedro Rodriguez, o último mexicano a fazer algo de relevante na F1

No dia 11 de julho de 1971, um acidente com uma Ferrari 512M em uma etapa da Interseries realizada em Paul Ricard ceifava a vida daquele que foi o último mexicano a trazer alguma esperança para o país na Fórmula 1. Pedro Rodriguez, duas vitórias na Fórmula 1 e uma vitória indiscutível nas 24 Heures du Mans de 1968, era um dos pilotos mais aguerridos e versáteis de seu período. Nove anos antes, seu irmão Ricardo também havia falecido nos treinos para o GP do México. Após a ascensão e o sumiço dos hermanos Rodriguez, o país dos Astecas só conseguiu ser representado na categoria-máxima pelo saltimbanco Hector Rebaque, 10º colocado na temporada de 1981 a bordo de um Brabham-Ford.

Não que o país não tivesse pilotos. A Indy, por exemplo, recebeu vários deles: o pródigo Josele Garza, o combativo Adrian Fernandez, o injustiçado Michel Jourdain Jr, o picareta Mario Dominguez e alguns domingueiros como Jorge Goeters, Roberto Gonzalez e David Martinez. No Velho Continente, me lembro de Fernando Plata e Giovanni Aloi chegando a competir na Fórmula 3000 internacional em 1990. Restou a Plata prosseguir sua carreira no México e Aloi mudou de esporte, se tornando um conhecido toureiro. O mais próximo da Fórmula 1 que o país chegou foram alguns testes esparsos. Josele Garza pilotou um Minardi em 1988 e Mario Dominguez dirigiu um Jordan no fim de 2005. Além disso, Adrian Fernandez foi bastante sondado para correr na Tyrrell em 1998. Em todos esses casos, faltou um apoio de peso. Mas esse problema acabou, ao menos para alguns pilotos.

Todos que acompanham o automobilismo com alguma frequência já ouviram falar da Telmex, a maior empresa de telecomunicações do México. O CEO dessa empresa é Carlos Slim, dono de uma fortuna de 60 bilhões de dólares e, portanto, homem mais rico do mundo. Nos últimos anos, a Telmex vem empreendendo um plano de expansão internacional agressiva. Andou comprando operações da AT&T e Verizon em vários países latinos por aí e, no Brasil, comanda a Claro, a Embratel e a NET. Megalomaníaco, Slim quer fazer do nome da sua empresa algo conhecido e identificável por todos. Nada melhor, portanto, do que patrocinar alguns jovens talentos do automobilismo em suas empreitadas européias.

Dois nomes estão dando o que falar na Europa. O primeiro deles é Sergio Perez, um baixinho nascido em Guadalajara que está chamando a atenção de todo mundo na GP2. Quando ele estreou, no ano passado, confesso que não apostava um vintém nele. Afinal, além de correr na insuficiente Arden, Perez havia sido o quarto colocado na Fórmula 3 inglesa em 2008 e, na minha visão estreita, achava que os três primeiros obviamente tinham mais potencial. O que presenciei, no entanto, foi um garoto com cara tipicamente mexicana e exuberância incontida. A partir da corrida de Silverstone, na qual o filho da puta largou em último, passou quase todo mundo e terminou em quarto e colado na caixa de câmbio do terceiro colocado, virei torcedor.

Nesse ano, ele conseguiu pegar uma boa vaga na Barwa Addax e, com três vitórias, é o vice-líder da categoria. Sergio está 26 pontos atrás do líder Pastor Maldonado e dificilmente conseguirá alcançá-lo. No entanto, o que mais chama a atenção é a maneira na qual ele conseguiu as vitórias. Em Mônaco, sem muita cerimônia, tomou a ponta de Dani Clos na primeira curva. Em Silverstone, sem muita cerimônia, passou três pilotos nas cinco primeiras voltas e assumiu a liderança até o fim. Em Hockenheim, ele foi ainda mais impressionante e, saindo da sétima posição no grid, passou todo mundo e venceu também. O mexicano é o cara.

Sergio Perez. Seria ele o cara pra repetir o sucesso de Rodriguez?

Além de muito bom piloto, Sergio Perez é bastante endinheirado. Seu carro é coberto de patrocinadores importantes: além da Telmex, há também decalques da Lenovo e da Ericsson, duas multinacionais que apostam muito nele. A Virgin já demonstrou interesse em seu talento e em sua carteira. No entanto, o destino mais provável de Perez é a Sauber, equipe que precisa desesperadamente de dinheiro e que enxerga na Telmex uma possível parceria dessas de pintar o carro inteiro com as cores da empresa. Sem maiores incidentes, a ascensão de Sergio Perez à Fórmula 1 parece ser apenas uma questão de tempo.

O México pode até acabar batendo na trave da GP2, mas tudo indica que o país não perderá o título da GP3, aquela nova categoria do Bernie Ecclestone. Nascido em Monterrey e com 19 anos recém-completados, Esteban Gutierrez lidera o campeonato com 30 pontos de vantagem sobre o vice-líder Robert Wickens. Faltam apenas quatro corridas para o fim do campeonato e estão em disputa 40 pontos. Gutierrez só perde o título se decidir virar bailarino do Balé Bolshoi. Ele corre pela muito bem estruturada ART Grand Prix e já venceu quatro corridas. O provável título da GP3 será o segundo de sua carreira: em 2007, ele foi campeão da Fórmula BMW Européia com sete vitórias. Nunca o vi correr, mas pelo seu extenso histórico de vitórias, parece levar jeito para coisa.

Gutierrez ainda é um moleque e tem uma longa estrada pela frente. Ele já fez alguns testes pela BMW Sauber no final do ano passado e acabou assinando para ser terceiro piloto da Sauber, emprego mais inútil do que cabeleireiro para carecas. A equipe demonstrou muito interesse nele também, mas é muito improvável que Esteban suba diretamente para a Fórmula 1 em 2011. Eu consigo imaginar outro ano como enfeite da Sauber e como piloto da ART Grand Prix na GP2. Se o cara der certo por lá, a Fórmula 1 viria em 2012. Com o gordo patrocínio da Telmex, ele pode fazer o que quiser com bastante calma.

Com Perez e Gutierrez, o México pode vir a ser um dos países da velocidade em um futuro próximo. E, com certeza, não por causa do Ligeirinho.

RED BULL 9 – Com uma primeira fila em um circuito aonde ultrapassar é quase tão possível quanto ganhar na Tele Sena, a equipe esperava sair de Mogyoród com uma bela dobradinha. O trabalho foi feito pela metade: apenas a vitória foi obtida, já que a Ferrari conseguiu colocar um em segundo lugar. Além do mais, quem venceu foi Webber, que atuou de maneira brilhante. Para variar, Vettel fez a pole e colocou tudo a perder na corrida. Começo a achar que é mais negócio para a equipe apoiar o australiano.

FERRARI 8,5 – De algumas corridas para cá, tomou da McLaren o posto de segunda melhor equipe. Como costuma ocorrer em Hungaroring, Alonso fez uma ótima corrida e obteve um bom segundo lugar. Felipe Massa, que costuma ter maus momentos na Hungria, não andou tão mal e terminou em quarto. Dessa vez, o resultado de ambos os pilotos foi merecido.

RENAULT 6,5 – Foi salva por Petrov, que fez um corridão e terminou em quinto. Kubica, ao contrário, teve um fim de semana ruim e se envolveu em um acidente ridículo com Sutil dentro dos pits. A culpa foi do mecânico da equipe, que liberou o polonês dos pits antes da hora. Incrível como um mero assalariado consegue estragar um fim de semana inteiro.

WILLIAMS 6,5 – Deu uma bobeira danada com Barrichello, que foi obrigado a permanecer na pista com pneus duros para trocá-los apenas no final, o que custou ao brasileiro várias posições. Assim como a Renault, foi salva pela boa atuação de seu segundo piloto, Hülkenberg. De qualquer jeito, a evolução é notória.

SAUBER 8 – Primeiro fim de semana no ano em que os dois pilotos saíram de Budapeste com sorrisos no rosto. De La Rosa marcou pontos pela primeira vez e Kobayashi saiu do 23º para o 9º lugar em uma performance impressionante. O carro não quebra mais e está se comportando bem na corrida. Só falta melhorar um pouco na classificação.

MCLAREN 2 – Que fim de semana ruim, hein? Os dois pilotos não brilharam nos treinos e não conseguiram se recuperar na corrida. Hamilton, aliás, fez o que pôde e chegou a andar na frente de Massa até o câmbio quebrar. Button, que não fez nada durante todo o fim de semana, levou apenas quatro pontos pra casa. Em uma Fórmula 1 que não perdoa duas corridas ruins seguidas, a equipe precisa reagir.

MERCEDES 1,5 – A outra prateada deixou a Hungria com um saldo ainda mais negativo. Rosberg vinha marcando pontos até o momento em que um mecânico não parafusou direito uma das rodas de seu carro. Ao reacelerar para sair dos pits, o pneu voou em direção aos mecânicos de outras equipes, o que rendeu uma boa multa à equipe de três pontas. Schumacher não fez nada além de empurrar Barrichello ao muro da reta dos boxes, quase causando um acidente.

TORO ROSSO 3 – Com um motor Ferrari arrebentado, Alguersuari abandonou a prova na segunda volta. Buemi não conseguiu nem sonhar com pontos. A equipe, que até aparentava estar crescendo algumas corridas atrás, acabou estagnando e pode ser facilmente rotulada como a pior entre as estabelecidas.

FORCE INDIA 2,5 – Não foi bem outra vez. Nem Sutil e nem Liuzzi andaram bem na classificação e a corrida conseguiu ser pior. O alemão foi atingido por Kubica dentro dos pits. O carro do italiano perdeu um pedaço da asa dianteira. É a segunda corrida consecutiva que a equipe não pontua. O que falei para a McLaren vale para ela: em uma Fórmula 1 que não perdoa duas atuações ruins consecutivas, é melhor começar a trabalhar mais.

LOTUS 5 – Apesar dos dois pilotos terem largado atrás de Glock, ambos conseguiram se recuperar na corrida e terminaram em razoáveis 14º e 15º lugares. Ainda assim, ficaram muito atrás do último colocado entre as equipes normais, Liuzzi.

VIRGIN 3,5 – Os dois carros terminaram, o que é bastante positivo. Ainda assim, a equipe quase acabou com a corrida de Lucas di Grassi ao se embananar toda na troca de pneus do piloto brasileiro. Se ela quiser peitar a Lotus, terá de resolver esses detalhezinhos que sempre a atrapalham.

HISPANIA 3 – Sua lentidão em Hungaroring era desesperadora. A equipe dependia do trabalho dos pilotos para conseguir algo melhor. Bruno Senna até conseguiu se sobressair e terminou na frente do Virgin de Di Grassi. Sakon Yamamoto não fez porra nenhuma, o que era esperado. A impressão que me dá é que a equipe tende a decair ainda mais até o fim do ano.

CORRIDA GRAZIE, LIUZZI! – Se não fosse o bico safado do carro do italiano, a corrida teria sido uma deliciosa procissão de Aparecida do Norte da primeira até a última volta. Até a volta 15, era exatamente isso que estava acontecendo. A partir do momento em que o safety-car veio à pista, para que os fiscais retirassem os pedaços do tal bico, a bagunça se estabeleceu na corrida. Houve até batida dentro dos pits. Alguns pilotos se beneficiaram bastante, como foi o caso de Kamui Kobayashi. Após a balbúrdia, a estratégia ousada de Mark Webber e a punição aplicada a Sebastian Vettel mudaram a dinâmica da prova lá na frente também. No fim, o australiano venceu e muita gente saiu satisfeita. Eu, inclusive.

TRANSMISSÃO TOMEM MUITO CUIDADO! – De volta às transmissões, Galvão Bueno não conseguiu me convencer de que é extremamente perigoso colocar fotos das minhas viagens à Dubai ou da minha mansão em Saint Tropez nas minhas contas do Flickr ou do Facebook. Por duas vezes, o mais novo sessentista da Globo insistiu nessa idéia, que seria explicada com mais detalhes no Fantástico. Fora isso, só me senti um pouco contrariado ao ver o narrador dizendo que um piloto genial como Senna conseguiria ultrapassar em uma pista como Hungaroring, mesmo com carros ultrassensíveis aerodinamicamente e freios de carbono-carbono. Quando Vettel tentava, ele perdia a frente do carro, saía da pista e lá vinha o cara dizer que ele não fazia parte dos “cinco pilotos”. Pura bobagem. GB está há quase 40 anos na Fórmula 1 e ainda não aprendeu que o piloto não pode fazer nada além do que o carro e a categoria permitem.

GP2 ENTRE MORTOS E FERIDOS – O venezuelano Pastor Maldonado disparou na liderança do campeonato. Após vencer uma Feature Race pela quinta vez consecutiva, ele chegou a abrir 26 pontos de vantagem para Sergio Perez, o vice-líder. O piloto da Rapax só perderá esse título se o ditador Hugo Chavez quiser. Na corrida dominical, fiquei bastante feliz com a vitória da DPR, a primeira desde 2005. O subestimadíssimo Giacomo Ricci foi o responsável pelo feito. Campeão da Fórmula 3000 européia em 2006, Ricci é um desses que merecem um carro melhor. O destaque no fim de semana, no entanto, fica para o acidente que mandou Jules Bianchi e Ho-Pin Tung para o hospital. À primeira vista banal, o choque entre os dois na primeira volta da corrida de sábado quebrou vértebras dos dois pilotos, que deverão ficar de molho por um tempo. Bianchi, por sinal, vem fazendo um ano infelicíssimo. Deve ser zica minha. Falei que ele era o favorito para o título dessa temporada.

FERRARI ? – Não sei que nota dar. Estou entre zero e dez. Dez porque, ao contrário da Red Bull, a equipe mostrou bastante profissionalismo ao estabelecer uma sólida hierarquia e ao controlar o comportamento dos dois pilotos na pista com precisão. Dez porque, ao fazer a dobradinha, ela teve seu melhor desempenho desde a vitória barenita. Vamos aos zeros. Zero por cuspir no aspecto esportivo da Fórmula 1. Zero por desrespeitar a dignidade de seus dois pilotos. Zero por afirmar à mídia e aos torcedores que não há ordens de equipe. Zero por conseguir transformar a felicidade de um bom resultado na vergonha da manipulação. Entre o dez do pragmatismo e da eficiência e o zero do completo desrespeito, eu me abstenho de dar uma nota.

RED BULL 5,5 – Não sei como uma equipe que larga em 1º e 4º para terminar em 3º e 6º quer ser campeã. Vettel colocou tudo a perder na largada, enquanto que Webber não foi bem em momento nenhum. Se com o melhor carro a equipe já tem sérias dificuldades, o que dizer sobre um fim de semana como esses, em que há alguém para competir contra os RB6?

MCLAREN 7,5 – Eu começo a entender o motivo da minha torcida inconsciente pela McLaren. Ela não atenta contra a meritocracia esportiva como algumas equipes e também não perde corridas com o melhor carro como outras. Já teve os dois tipos de momento, mas não é o caso deste ano. Longe de terem um carro que permitia brigar pela vitória, Hamilton e Button apenas se preocuparam em marcar o maior número de pontos possível. Conseguiram.

RENAULT 6,5 – Vamos dizer que Kubica fez uma corrida normal e Petrov superou as expectativas. O polonês não teve muito o que fazer com um carro apenas razoável e o russo marcou um ponto suado e, até certo ponto, sortudo. Assim como a McLaren, é uma equipe que tenta obter seus resultados com tranquilidade e discrição.

MERCEDES 6 – Nem Rosberg e nem Schumacher fizeram muito mais do que costumam fazer. Nico, por sinal, esteve em um de seus fins de semana mais discretos no ano até aqui. Esta é a Mercedes: razão de uma corrida muito boa para três discretas.

SAUBER 4 – Ficaram no quase com Kobayashi, enquanto que De La Rosa quebrou um bico pela centésima vez nesse ano. O carro não estava bom na corrida e os dois pilotos tiveram dificuldades principalmente nas retas, embora o espanhol tenha feito a sexta volta mais rápida da corrida. Ao menos, os dois carros terminaram. A equipe avança lentamente.

WILLIAMS 4 – Em um dia típico de Red Bull, os dois pilotos andaram bem nos treinos e colocaram tudo a perder na corrida. Tanto Rubens quanto Nico largaram mal e não tiveram como se recuperar no decorrer da prova. Ainda assim, o avanço é evidente.

TORO ROSSO 1,5 – Grande fim de semana. Buemi e Alguersuari não andaram bem nos treinos e tentaram dar um jeito logo na primeira volta. Resultado: Jaime atingiu a traseira de Sebastian e os dois tiveram de ir aos pits ao mesmo tempo, para desespero de Franz Tost. O suíço abandonou, mas o espanhol voltou e só fez para terminar. Muito bom.

FORCE INDIA 0,5 – Se a Toro se deu bem, a Force India se deu melhor ainda. O bom fim de semana começou com o acidente de Liuzzi no Q1 da classificação, o que obrigou o italiano a largar lá no fundão. Sutil também não andou bem e, ao ter de trocar o câmbio, também largou lá atrás. Na largada, os dois se chocaram e ainda pegaram destroços dos carros da equipe B da Red Bull. Como Sutil e Liuzzi foram aos pits ao mesmo tempo, os mecânicos se embananaram e acabaram colocando os pneus de um no carro do outro, o que é ilegal. Desse modo, ambos tiveram de voltar aos pits, o que acabou com qualquer chance de recuperação. Só não toma zero porque ainda estou pensando em mudar a não-nota da Ferrari.

VIRGIN 4 – Um de seus belos porém frágeis carros chegou ao fim. E como não poderia deixar de ser, nas mãos de Glock. Ainda assim, Di Grassi não andou mal e fez uma bela ultrapassagem sobre seu companheiro na largada. A equipe se aproximou bastante da Lotus neste fim de semana.

HISPANIA 3,5 – Bruno Senna e Sakon Yamamoto escaparam da última fila, algo inédito para os espanhóis. O brasileiro até conseguiu segurar o Virgin de Glock por algum tempo. Ainda assim, os carros mantiveram-se muito lentos e Yamamoto teve problemas no câmbio.

LOTUS 3,5 – Fez seu melhor treino classificatório e sua pior corrida do ano. Trulli e Kovalainen dividiram a nona fila, mas nenhum deles terminou. O italiano quebrou seu câmbio na largada. O finlandês abandonou após um toque em De La Rosa.

TRANSMISSÃO NEM UM POUCO IMPRESSIONANTE – Luis Roberto, com seu tom de voz forçado e seu estilo meio alienado de narrar, é um porre. A corrida foi uma merda e ele não conseguiu compensar com sua narração. Por um lado, pode até ter sido bom, já que uma transmissão mais emotiva sobre o acontecido com os pilotos da Ferrari poderia ser insuportável. Por outro, o narrador não conseguiu ambientar toda a tensão que pairava sobre a Fórmula 1 naquele momento. E Reginaldo Leme e Luciano Burti não fizeram nada de memorável. Aliás, nem levem em consideração o que estou escrevendo. Se vi umas 30 voltas, foi muito.

CORRIDA PIOR AINDA – Existem corridas excepcionais, boas, medianas, ruins e péssimas. O que digo é qie esta fica abaixo de todos esses níveis, conseguindo a proeza de me aborrecer em todos os sentidos. Ultrapassagens? Pouquíssimas. Dinâmica de corrida? As posições pouco mudaram lá na frente. Incidentes? Só aquele toque mixuruca entre Kovalainen e De La Rosa merece alguma atenção. As ordens de corrida só representaram a cereja do bolo de um fim de semana que poderia ter passado em branco.

GP2 NEM ELA SALVOU – Duas corridas apenas medianas, este foi o saldo da categoria-escola neste fim de semana. O que a salvou do tédio foram as atuações individuais e os incidentes isolados. Luiz Razia, por exemplo, foi atingido de maneira patética pelo limitado Davide Valsecchi, o que irritou profundamente o baiano da Rapax. Seu companheiro de equipe, por outro lado, só tinha motivos pra sorrir. Pastor Maldonado venceu tranquilamente a corrida de sábado e disparou na liderança do campeonato. No domingo, o excelente Sergio Perez saiu da sétima posição para vencer de modo brilhante. O mexicano é o melhor piloto do ano até aqui, ao lado de Maldonado. Os hispanohablantes seguem arrepiando na GP2.

RED BULL8 – Do que adianta ter o melhor carro se os dois pilotos se encontram em rota de colisão? Além do mais, como de costume, apenas um carro da equipe chegou ao pódio, o de Webber. Existem sérias dificuldades de expertise em administrar o ego de seus dois pupilos, e isso pôde ser visto na choradeira do australiano ao não receber uma nova asa dianteira como seu companheiro e na briga interna antes da primeira curva. Só dou uma nota alta pela vitória.

MCLAREN 8,5 – Ao contrário da Red Bull, a equipe parece viver em uma longa lua de mel. Tendo aprendido com os erros de 2007, Hamilton e Button mantêm um aparente bom relacionamento e buscam não atrapalhar um ao outro. Com isso, mesmo tendo um carro inferior ao da Red Bull, conseguiu um segundo e um quarto lugares que a mantiveram na frente tanto no campeonato de pilotos como no de construtores.

MERCEDES8 – Fazia um bom tempo que não obtinha um bom resultado. Rosberg fez uma boa corrida e levou a estrela de três pontas ao pódio pela primeira vez desde Shanghai. Já Schumacher teve mais um fim de semana infeliz. As alterações no carro parecem ter surtido efeito.

WILLIAMS 8,5 – Colocou dois carros na zona de pontos pela primeira vez desde há dois séculos. Rubens andou lá na frente o tempo todo e até Hülkenberg mostrou competitividade. Ótima fase.

SAUBER 8,5 – Outra equipe que está em excelente fase. No entanto, apenas Kobayashi conseguiu fazer uma ótima corrida e marcar pontos. De La Rosa vinha razoavelmente bem, mas foi atingido por Sutil e teve de abandonar. De qualquer maneira, os tempos de abandonos sucessivos e turbilhões de má sorte estão, ao menos, dando uma trégua.

FORCE INDIA 6,5 – Fez mais uma corrida típica, com Sutil terminando nas posições pontuáveis mais baixas e Liuzzi sequer aparecendo. O momento da equipe é tão bom que marcar quatro pontos já não é mais considerado algo notável.

TORO ROSSO 4 – Nem Buemi e nem Alguersuari marcaram pontos. O espanhol ainda abandonou no final da corrida. Fim de semana típico, sem graça.

RENAULT 3,5 – Os dois pilotos tinham carro para marcar pontos. Os dois pilotos acabaram tendo problemas. O polonês narigudo, que vinha para brigar pelo pódio, teve um problema em um eixo traseiro. O russo, que vinha para marcar pontos, teve um pneu furado. Um fim de semana bem ruim dos amarelados.

FERRARI 2 – Fim de semana vermelho, mas de vergonha. Alonso e Massa, que tinham ido razoavelmente bem nos treinos, se tocaram na primeira curva, o que comprometeu a corrida do brasileiro. O asturiano ainda tomaria uma punição por fazer uma ultrapassagem irregular sobre Kubica. No fim, terminaram em 14º e 15º, algo terrível para uma equipe com tamanha história e a prepotência.

LOTUS 5 – Distorcendo a matemática, a equipe ficou logo atrás da Ferrari dispondo de um orçamento seis ou sete vezes menor. Trulli e Kovalainen fizeram aquela corrida isolada, sem poder ameaçar as equipes estabelecidas e sem ser ameaçada pelas equipes menores. Dessa vez, a Virgin até que tentou, mas não conseguiu.

VIRGIN 4 – Avançou um bocado em Silverstone, mas ainda precisa comer mais arroz e feijão para chegar de vez na Lotus. De qualquer jeito, Glock largou à frente de Trulli e andou um bom tempo à frente de Kovalainen. Di Grassi abandonou logo.

HISPANIA 2 – Colin Kolles afastou Bruno Senna por este descer o cacete no seu carro por e-mail enviado por engano ao chefe. No lugar, os ienes de Sakon Yamamoto, que não comprometeu. Chandhok também não fez nada de muito feio e os dois carros terminaram a corrida. Mas a equipe se mostra bastante frágil quando se trata de resolver assuntos internos.

TRANSMISSÃOIMPRESSIONANTE! – E o Sr. Impressionante voltou às transmissões globais de Fórmula 1. O mais impressionante é que eu só ouvi o dito cujo falando esta palavra apenas uma vez, lá no final da corrida. Reginaldo Leme, ao ver Sebastian Vettel entrando nos pits com o pneu furado, disse que tinha certeza de que o alemão encostaria o carro e iria para casa. Segundos depois, lá estava Vettel deixando os pits com quatro pneus novinhos em folha. Luciano Burti não falou nada de muito memorável, ou é a minha memória que é falha. De qualquer jeito, provavelmente teremos de nos acostumar com o Sr. Impressionante, já que Galvão Bueno anunciou que a aposentadoria está próxima.

CORRIDA NÃO TÃO IMPRESSIONANTE! – Todos, incluindo eu, diziam que a pista ficaria bem mais veloz e mais propícia para ultrapassagens. Nada disso aconteceu. A pista ficou cerca de 3km/h mais veloz, o que não quer dizer nada na prática. E aquele novo trecho permite qualquer coisa a não ser ultrapassagens. Enfim, não foi a melhor das corridas. Webber e Hamilton sumiram na liderança enquanto Kubica segurava um enorme pelotão atrás. No final da corrida, como vem acontecendo nas últimas etapas, houve algumas ultrapassagens, mas nada que salvasse a corrida. O leitor pode argumentar que a corrida não foi tão ruim assim e que sou eu que pego no pé de Silverstone. Pode até ser, mas o fato é que a corrida esteve longe de ser sensacional.

GP2 DOMÍNIO HISPANOHABLANTE – Pastor Maldonado, do jeito que vai, será o campeão da GP2 neste ano. Em Silverstone, o venezuelano venceu a terceira corrida Feature consecutiva, e disparou na liderança do campeonato. A vitória veio de maneira absolutamente fácil, o que mostra que o cara está em ponto de bala para ganhar o título. A corrida dominical, bem mais interessante, assistiu à vitória do mexicano Sergio Perez, que ultrapassou os dois pilotos da iSport, Oliver Turvey e Davide Valsecchi, para vencer pela segunda vez nessa temporada. O piloto da Addax, com isso, pulou para a quarta posição do campeonato. Entre os quatro primeiros colocados, três pilotos que falam espanhol (Maldonado, Dani Clos e Perez). Pelo visto, falar espanhol anda compensando um bocado no esporte.

Os sempre intrépidos espiões do Autosport flagraram, na semana passada, o novo Dallara-Renault da GP2. Este horrendo carro será utilizado nas próximas três temporadas nos campeonatos europeu e asiático da categoria. Pela foto, é possível perceber que a GP2 se aproxima a passos largos da Fórmula 1 ao seguir as tendências aerodinâmicas da categoria-mãe, com a asa traseira reduzida e a asa dianteira ampliada. Não por acaso, os pneus, que serão feitos pela Pirelli, serão compartilhados pelas duas categorias.

A foto foi tirada em uma versão alternativa do circuito de Magnycours. O piloto que faz o teste é o inglês Ben Hanley, que já competiu na categoria em 2008.

Feio. Espero que, ao menos, possibilite mais ultrapassagens. Vale lembrar que a GP2 vem sofrendo uma drástica diminuição nas disputas devido à configuração aerodinâmica do atual carro.

Aliás, falando em GP2, o tcheco Josef Kral deverá ficar de fora da temporada por, no mínimo, dois meses. Foram diagnosticadas fraturas em duas vértebras e o cara vai ter de passar um bom tempo tomando sopinha no hospital. Não faço a menor idéia de quem irá substitui-lo. Luca Filippi? Javier Villa? James Jakes? Qualquer outro nome?