FERRARI ? – Não sei que nota dar. Estou entre zero e dez. Dez porque, ao contrário da Red Bull, a equipe mostrou bastante profissionalismo ao estabelecer uma sólida hierarquia e ao controlar o comportamento dos dois pilotos na pista com precisão. Dez porque, ao fazer a dobradinha, ela teve seu melhor desempenho desde a vitória barenita. Vamos aos zeros. Zero por cuspir no aspecto esportivo da Fórmula 1. Zero por desrespeitar a dignidade de seus dois pilotos. Zero por afirmar à mídia e aos torcedores que não há ordens de equipe. Zero por conseguir transformar a felicidade de um bom resultado na vergonha da manipulação. Entre o dez do pragmatismo e da eficiência e o zero do completo desrespeito, eu me abstenho de dar uma nota.

RED BULL 5,5 – Não sei como uma equipe que larga em 1º e 4º para terminar em 3º e 6º quer ser campeã. Vettel colocou tudo a perder na largada, enquanto que Webber não foi bem em momento nenhum. Se com o melhor carro a equipe já tem sérias dificuldades, o que dizer sobre um fim de semana como esses, em que há alguém para competir contra os RB6?

MCLAREN 7,5 – Eu começo a entender o motivo da minha torcida inconsciente pela McLaren. Ela não atenta contra a meritocracia esportiva como algumas equipes e também não perde corridas com o melhor carro como outras. Já teve os dois tipos de momento, mas não é o caso deste ano. Longe de terem um carro que permitia brigar pela vitória, Hamilton e Button apenas se preocuparam em marcar o maior número de pontos possível. Conseguiram.

RENAULT 6,5 – Vamos dizer que Kubica fez uma corrida normal e Petrov superou as expectativas. O polonês não teve muito o que fazer com um carro apenas razoável e o russo marcou um ponto suado e, até certo ponto, sortudo. Assim como a McLaren, é uma equipe que tenta obter seus resultados com tranquilidade e discrição.

MERCEDES 6 – Nem Rosberg e nem Schumacher fizeram muito mais do que costumam fazer. Nico, por sinal, esteve em um de seus fins de semana mais discretos no ano até aqui. Esta é a Mercedes: razão de uma corrida muito boa para três discretas.

SAUBER 4 – Ficaram no quase com Kobayashi, enquanto que De La Rosa quebrou um bico pela centésima vez nesse ano. O carro não estava bom na corrida e os dois pilotos tiveram dificuldades principalmente nas retas, embora o espanhol tenha feito a sexta volta mais rápida da corrida. Ao menos, os dois carros terminaram. A equipe avança lentamente.

WILLIAMS 4 – Em um dia típico de Red Bull, os dois pilotos andaram bem nos treinos e colocaram tudo a perder na corrida. Tanto Rubens quanto Nico largaram mal e não tiveram como se recuperar no decorrer da prova. Ainda assim, o avanço é evidente.

TORO ROSSO 1,5 – Grande fim de semana. Buemi e Alguersuari não andaram bem nos treinos e tentaram dar um jeito logo na primeira volta. Resultado: Jaime atingiu a traseira de Sebastian e os dois tiveram de ir aos pits ao mesmo tempo, para desespero de Franz Tost. O suíço abandonou, mas o espanhol voltou e só fez para terminar. Muito bom.

FORCE INDIA 0,5 – Se a Toro se deu bem, a Force India se deu melhor ainda. O bom fim de semana começou com o acidente de Liuzzi no Q1 da classificação, o que obrigou o italiano a largar lá no fundão. Sutil também não andou bem e, ao ter de trocar o câmbio, também largou lá atrás. Na largada, os dois se chocaram e ainda pegaram destroços dos carros da equipe B da Red Bull. Como Sutil e Liuzzi foram aos pits ao mesmo tempo, os mecânicos se embananaram e acabaram colocando os pneus de um no carro do outro, o que é ilegal. Desse modo, ambos tiveram de voltar aos pits, o que acabou com qualquer chance de recuperação. Só não toma zero porque ainda estou pensando em mudar a não-nota da Ferrari.

VIRGIN 4 – Um de seus belos porém frágeis carros chegou ao fim. E como não poderia deixar de ser, nas mãos de Glock. Ainda assim, Di Grassi não andou mal e fez uma bela ultrapassagem sobre seu companheiro na largada. A equipe se aproximou bastante da Lotus neste fim de semana.

HISPANIA 3,5 – Bruno Senna e Sakon Yamamoto escaparam da última fila, algo inédito para os espanhóis. O brasileiro até conseguiu segurar o Virgin de Glock por algum tempo. Ainda assim, os carros mantiveram-se muito lentos e Yamamoto teve problemas no câmbio.

LOTUS 3,5 – Fez seu melhor treino classificatório e sua pior corrida do ano. Trulli e Kovalainen dividiram a nona fila, mas nenhum deles terminou. O italiano quebrou seu câmbio na largada. O finlandês abandonou após um toque em De La Rosa.

TRANSMISSÃO NEM UM POUCO IMPRESSIONANTE – Luis Roberto, com seu tom de voz forçado e seu estilo meio alienado de narrar, é um porre. A corrida foi uma merda e ele não conseguiu compensar com sua narração. Por um lado, pode até ter sido bom, já que uma transmissão mais emotiva sobre o acontecido com os pilotos da Ferrari poderia ser insuportável. Por outro, o narrador não conseguiu ambientar toda a tensão que pairava sobre a Fórmula 1 naquele momento. E Reginaldo Leme e Luciano Burti não fizeram nada de memorável. Aliás, nem levem em consideração o que estou escrevendo. Se vi umas 30 voltas, foi muito.

CORRIDA PIOR AINDA – Existem corridas excepcionais, boas, medianas, ruins e péssimas. O que digo é qie esta fica abaixo de todos esses níveis, conseguindo a proeza de me aborrecer em todos os sentidos. Ultrapassagens? Pouquíssimas. Dinâmica de corrida? As posições pouco mudaram lá na frente. Incidentes? Só aquele toque mixuruca entre Kovalainen e De La Rosa merece alguma atenção. As ordens de corrida só representaram a cereja do bolo de um fim de semana que poderia ter passado em branco.

GP2 NEM ELA SALVOU – Duas corridas apenas medianas, este foi o saldo da categoria-escola neste fim de semana. O que a salvou do tédio foram as atuações individuais e os incidentes isolados. Luiz Razia, por exemplo, foi atingido de maneira patética pelo limitado Davide Valsecchi, o que irritou profundamente o baiano da Rapax. Seu companheiro de equipe, por outro lado, só tinha motivos pra sorrir. Pastor Maldonado venceu tranquilamente a corrida de sábado e disparou na liderança do campeonato. No domingo, o excelente Sergio Perez saiu da sétima posição para vencer de modo brilhante. O mexicano é o melhor piloto do ano até aqui, ao lado de Maldonado. Os hispanohablantes seguem arrepiando na GP2.

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