Se você pronunciar rapidamente, o nome até lembra um pouco o do atual segundo piloto da Ferrari. O sobrenome, no automobilismo brasileiro, é representativo. De origem libanesa, os Nasr, por meio dos irmãos Amir e Samir, comandam uma das equipes de maior sucesso no país, a Amir Nasr Racing. Atual participante da Stock Car, a AMR se consagrou na Fórmula 3 sul-americana vencendo os títulos de 1997 (Bruno Junqueira), 1999 (Hoover Orsi), 2000 (Vitor Meira) e 2001 (Juliano Moro). A rivalidade com outra lendária equipe do automobilismo nacional, a Cesário, se tornou célebre no meio automobilístico.  

Os irmãos Nasr são craques em administração e engenharia de corridas, mas nunca se aventuraram como pilotos. Porém, isso não quer dizer que a família não se faz presente dentro dos carros. Um dos pilotos brasileiros de maior sucesso no automobilismo de base atualmente é exatamente o filho de Samir, Luis Felipe de Oliveira Nasr, ou simplesmente Felipe Nasr.

Em 2010, Felipe foi um dos representantes do Brasil na Fórmula 3 britânica. Competiu pela Raikkonen Robertson, comandada pelo “Iceman” e por Steve Robertson, seu empresário. Era o único estreante da equipe, que também colocou na pista os experientes e competentes Carlos Huertas e Daisuke Nakajima. Com companheiros como estes, a parada seria dura para Nasr. Mas ele superou todas as expectativas e conseguiu a quinta posição na tabela geral do campeonato, salvando a honra de sua equipe (seus companheiros ficaram, respectivamente, em 10º e 11º). Para o ano que vem, Felipe Nasr continuará na Fórmula 3, dessa vez pela Carlin, a equipe campeã nos últimos três anos. Favorito ao título? Cedo pra dizer, mas… se eu tivesse de arriscar um nome, arriscaria o dele, é claro.

Se considerarmos que existe uma espécie de caminho padrão que o piloto deve fazer em direção à Fórmula 1, começando pela Fórmula BMW, passando para a Fórmula 3, subindo para a GP2 e finalmente alcançando a categoria principal, podemos dizer que Felipe Nasr é o brasileiro mais bem-sucedido neste caminho. Ele foi o campeão da Fórmula BMW europeia no ano passado, tendo vencido cinco corridas e feito quase 100 pontos a mais que o segundo colocado. Se tivesse dado sorte, poderia até ter onseguido um teste na BMW Sauber, mas a equipe fechou as portas no fim de 2009 e só deu um teste ao campeão de 2008, Esteban Gutierrez. E Nasr ficou chupando o dedo, mas tudo bem.

O título na Fórmula BMW e o ótimo desempenho na Fórmula 3 britânica só comprovam que o cara nasceu para o estrelato no automobilismo. Aos 18 anos, sua carreira é longa e bastante relevante. Tudo começou quando seu pai o levou para dar umas voltas em um kart na pista de Brasília, praticamente quintal da equipe Amir Nasr. Felipe andou tão rápido que todos ficaram assustados, e Samir, velho caçador de talentos, percebeu que seu rebento ia longe. Comprou um kart e entregou ao garoto, que iniciou a carreira nos campeonatos brasilienses em 2000.

Felipe Nasr na Fórmula 3 britânica

Por incrível que pareça, Felipe Nasr venceu pelo menos um campeonato de kart durante todos os anos em que competiu na modalidade. Em 2000, campeão brasiliense. Em 2001, bicampeão brasiliense e vice-campeão brasileiro. Em 2002, tricampeão brasiliense e vice-campeão brasileiro novamente. Em 2003, tetracampeão brasiliense. Em 2004, pentacampeão brasiliense e campeão da Copa Brasil. Em 2005, campeão do Centro-Oeste. Em 2006, campeão brasileiro. Em 2007, bicampeão da Copa Brasil e campeão do Sudam. Tá bom, né?

No ano seguinte, cansado de ganhar tanto no kartismo, Felipe Nasr foi fazer uns testes com monopostos visando subir de patamar. Testou carros de Fórmula 3 e Fórmula Renault e, satisfeito com os resultados, planejava fazer uma temporada completa na Fórmula 3 sul-americana em 2009. Mas eis que surge um convite da Euromotorsport, equipe de Antonio Ferrari que chegou até a competir na antiga Indy, para disputar a rodada dupla da Fórmula BMW das Américas em Interlagos. Nasr aceitou, entrou em um carro que não conhecia e conseguiu, logo de cara, um terceiro e um quinto lugares. Belíssima maneira de terminar 2008. E de estrear no automobilismo.

Entusiasmada com o desempenho do jovem, a Euromotorsport acenou com um contrato para disputar a Fórmula BMW europeia, categoria que realizava corridas como preliminares das etapas europeias da Fórmula 1! Sem dúvida, uma excelente oportunidade para chamar a atenção dos chefões da categoria. O problema maior era o companheiro de equipe, o experiente Daniel Juncadella. Ambos os pilotos seriam patrocinados pela Red Bull, mas as atenções estavam concentradas no espanhol, que iniciou o ano como favorito ao título.

Mas as coisas mudaram logo na pré-temporada, quando Nasr surpreendeu a todos e ponteou várias das sessões. E logo na primeira rodada do campeonato, em Barcelona, o brasileiro conseguiu fazer as duas poles e vencer a segunda corrida. Ele venceu também em Zandvoort (única etapa standalone do campeonato), em Nürburgring, em Hungaroring e em Monza. Poderia até ter vencido mais, mas acabou perdendo suas duas poles em Silverstone como punição por não conseguir engatar a prosaica marcha a ré! Mas não tem problema. Com cinco vitórias, 14 pódios, seis poles e 392 pontos, Nasr levou o título para casa com uma corrida de antecipação. Recebeu o troféu de campeão das mãos de Mario Theissen, o chefão da BMW Motorsport. A moral estava lá no alto.

Nasr em Monza, no fim de semana que o coroou campeão da F-BMW europeia em 2009

Com o título, choveram convites de várias categorias. Os empresários ficaram impressionados com o piloto brasileiro e muitos se ofereceram para cuidar de sua carreira: o ex-piloto Helmut Marko e sua Red Bull, a Gravity Sports Management e até mesmo Nicolas Todt, filho do todo-poderoso da FIA. Mas Felipe Nasr escolheu ser tutelado pelos irmãos Robertson, que cuidaram das carreiras de Kimi Raikkonen e Jenson Button. Levando em conta que ambos conseguiram o título na Fórmula 1, estar com eles não é nada mal.

E Nasr acabou parando na Raikkonen Robertson para correr na Fórmula 3 britânica em 2010. A equipe não é fraca, mas já teve dias melhores, como quando foi campeã com Mike Conway em 2006. Felipe era um dos estreantes mais badalados, mas ninguém acreditava muito em um grande desempenho. Os caras da Carlin e da Fortec, por exemplo, estavam melhor equipados e muito provavelmente estraçalhariam a patota da Double R.

Não foi bem isso o que aconteceu. É verdade que o início foi complicado e os abandonos representaram a tônica das primeiras corridas, mas a adaptação é sempre difícil. Seu primeiro pódio aconteceu na sexta corrida, a terceira da segunda rodada tripla, realizada em Silverstone. Aos poucos, Nasr saiu do meio do pelotão e se transformou em presença constante no Top 10. E a vitória veio na terceira prova da rodada de Rockingham, na qual ele largou em quarto e assumiu a liderança logo na primeira volta. Na última rodada, em Brands Hatch, Felipe fez sua primeira pole-position verdadeira (ele já havia conseguido largar na frente em Thruxton e em Spa-Francorchamps, mas devido ao sistema de grid invertido), mas foi punido por ter andado em bandeira amarela e acabou saindo apenas em oitavo.

Nasr terminou o ano na quinta posição. À sua frente, o campeão Jean-Eric Vergne, James Calado, Oil Webb e Adriano Buzaid. Levando em conta que apenas Webb não competia pela Carlin, é um resultado indiscutivelmente notável para o brasiliense. Alguns podem fazer muxoxo pelo fato dele ter sido apenas o quarto melhor estreante, já que apenas Buzaid tinha experiência prévia na categoria, mas vale lembrar que 2010 foi um ano de altíssimo nível técnico e os pilotos experientes tiveram problemas para acompanhar o ritmo dos novatos. E algumas estruturas, como a de Vergne, patrocinado maciçamente pela Red Bull, e a de Calado, uma das estrelas do Racing Steps Foundation, eram destoantes do restante do grid. Logo, não há como negar que foi um grande 2010 para Felipe Nasr.

Em 2011, como dito acima, ele competirá pela Carlin visando o título. A equipe de Trevor Carlin tem a tradição de lotar os grids com cinco ou seis carros. Até agora, foram confirmados, além de Nasr, o dinamarquês Kevin Magnussen (sim, o filho do Jan), os ingleses Rupert Svendsen-Cook e Jack Harvey e o colombiano Carlos Huertas, que também vem da Raikkonen Robertson. Um sexto piloto será anunciado em breve. Quer dizer, com toda essa turma disputando as atenções da equipe, quem sair na frente logo no começo já ganha os amores e os afagos dos mecânicos e de Mr. Trevor. E Nasr tem todas as condições para isso.

FELIPE NASR

Nascido em 21 de agosto de 1992 em Brasília

Campeão da Fórmula BMW europeia em 2009

Quinto colocado no campeonato 2010 da Fórmula 3 britânica

SITE: http://www.felipenasr.com/

TWITTER: http://twitter.com/felipenasr

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