Inuktitut: uma família linguística existente entre os esquimós do norte do Canadá. Acho eu que é isso

MONTREAL: É a única cidade canadense que me desperta alguma curiosidade, apesar da minha enorme simpatia pelos estados de Saskatchewan, Yukon e Nunavut. O circuito insular utiliza o espaço criado para as Olimpíadas de 1972 e a Expo 67. Eu gosto pra caramba. Algumas pessoas visivelmente tomadas pelos efeitos maléficos dos narcóticos criticam-na, dizendo que se trata de um punhado de retas separadas por dois retornos. É óbvio que é uma opinião de quem não entende porra nenhuma de nada. A pista demanda uma condução bastante agressiva e um trabalho hercúleo dos freios. Sempre há alguém no melhor estilo Jos Verstappen que coloca menos asa para dar uns shows de pilotagem. A proximidade dos muros costuma significar um alto índice de acidentes. Se chover, o negócio fica melhor ainda.

CHUVA: Com exceção do Bahrein, todas as etapas da Fórmula 1 neste ano tiveram previsão de chuva em algum momento. E em Montreal, não podia ser diferente. No caso da pista canadense, no entanto, podemos esperar por algo mais real. A primavera costuma trazer muitas chuvas para a América do Norte e Montreal já teve várias corridas com muita chuva, como em 1989. Dança da chuva já!

EMERSON: O piloto-comissãrio da vez é Emerson Fittipaldi, campeão de 1972 e 1974. Me arriscaria a dizer que sua fama na América do Norte, aonde fez uma carreira longa e vitoriosa correndo na Indy, foi um fator determinante. Ou não. De qualquer forma, esse negócio de colocar pilotos para trabalharem como comissários está sendo uma atração à parte nesse ano.

RENOVAÇÕES: Dois nomes que corriam à boca solta acabaram se garantindo para o ano que vem. Mark Webber seguirá na Red Bull em 2011 e Felipe Massa, alvo preferido da mídia ávida por reviravoltas, renovou seu contrato com a Ferrari por mais dois anos. Que as pessoas sosseguem um pouco após isso.

COPA DO MUNDO: Corrida de Fórmula 1 em período de Copa do Mundo é algo altamente estranho. Com o perdão do trocadilho involuntário, ninguém dá muita bola, o que é algo bem natural. O pessoal vai comentar mais sobre Sérvia x Gana, jogo que acontecerá duas horas antes. Podem anotar.

ISTAMBUL: Cidade sensacional, pista sensacional. Porém, paradoxalmente, nunca rendeu uma corrida que preste. E olha que até Shanghai conseguiu essa façanha neste ano. Curvas de alta velocidade, largura o suficiente para fazer dois carros andarem lado a lado, uma primeira curva digna de bons acidentes e a curva 8, a mais desafiadora de todo o calendário atual da Fórmuka 1 (sorry, Eau Rouge). Não consigo entender o que se passa com este circuito. Devo confessar até que, mesmo reconhecendo sua qualidade, nunca esperei essa corrida com muita ansiedade. No entanto, após Mônaco e Barcelona, qualquer pista é um alento.

HISPANIA: Mudou tudo. Os espanhóis rasgaram o contrato com a Dallara e, a partir de agora, vão tocar o desenvolvimento do carro sozinhos. Desenvolvimento? Carro? Hahaha. Bruno Senna e Karun Chandhok, muito provavelmente, terão de aturar suas diligências do jeito que estão até o final da temporada. De quebra, a equipe anunciou total reestruturação lá no topo: um bocado de espanhóis ricaços, como o ex-ministro da economia Miguel Boyer, ocuparão cargos de gerência da equipe. Um monte de chefes sem a menor ligação com o automobilismo para uma equipe pobre e ridícula.

MASSA: No café da manhã, é Vettel. No almoço, Webber. No jantar, Kubica. A cada momento, aparece alguém querendo ocupar seu lugar. Tudo bobagem. A equipe gosta dele e Stefano Domenicali deverá renovar seu contrato logo. Os brasileiros não aguentam ver um esportista em má fase (se é que Massa está em má fase) e já cavam a cova para ele.

DE LA ROSA: Andei lendo que o GP da Turquia é a sua corrida de despedida. Em seu lugar, entrará alguém com muita grana para salvar a Sauber. Os italianos juram que é Luca Filippi o dono da vaga. A conferir depois.

PIRELLI: Período tão fraco de notícias que o negócio é encher linguiça e anunciar que a Pirelli já pode ser considerada como a virtual fornecedora de pneus para a próxima temporada. Dizem que, das 12 equipes desta temporada, apenas três ainda não assinaram nada com os italianos.

 

MÔNACO: É uma quase unanimidade. Quase porque eu não gosto, mas tudo bem. O circuito é datado de 1929 e realiza corridas de Fórmula 1 desde o primeiro ano da categoria. Já consagrou nomes como Senna, Graham Hill e Schumacher, além de outros menos cotados como Panis, Trulli e Beltoise. Alguns trechos, como a Saint Devote, o túnel e a Loews, são dos mais famosos do automobilismo mundial. Além disso, a elite européia costuma dar um pulo por lá no verão para exibir seus Mercedes e suas roupas Armani. Mal comparando, é a Ilha de Caras da Fórmula 1. Minha repulsa por Montecarlo deve existir por causa dessa breguice. É, deve ser.

Q1: A cruzada contra as equipes novatas continua em Mônaco. A idéia de Bruno Senna fez coro e, se não fosse o veto da Lotus, teríamos um bizarríssimo sistema no qual apenas ela, Virgin e HRT andariam na primeira parte do treino de classificação. Seriam café-com-leite, em suma. Uma idéia completamente tétrica que só poderia surgir em uma época no qual todo mundo se estarrece com qualquer aumento no número de carros.

WILLIAMS: Não seria no principado que a equipe estrearia um novo pacote de mudanças em seu carro? A conferir. Rubens Barrichello carregou seu carro nas costas em Barcelona. Como o brasileiro costuma andar bem em Mônaco, espero algo melhor dele, assim como espero sentado a primeira boa corrida de Nico Hülkenberg na Fórmula 1.

MASSA: O povo enche demais o saco. Agora, andam falando que ele irá para a Red Bull no próximo ano. Duvido. Assim como duvido que haja algo errado com o pai do Felipinho. O F10 é um carro mediano e Fernando Alonso, que é bicampeão do mundo, não está fazendo tanto a mais do que Massa. Teve, sim, bastante sorte e prudência em Barcelona. Felipe não tem um grande retrospecto de resultados em Montecarlo. Conseguiu ir muito bem em 2004 devido aos problemas dos carros da frente e liderou a corrida de 2008, mas não me lembro de nada muito além disso. Se a sequência ruim dos resultados por lá continuar na edição desse ano, a encheção de saco na segunda-feira vai ficar pior.

CHUVA: 40% de chances no dia da corrida em Mônaco. Espero que venha, embora não confie nem um pouco nos 40%. Mônaco sem chuva é chatíssimo. Aliás, durmam com essa: existe uma sequência de corridas a cada 12 anos em que chove uma barbaridade desde 1972. Tivemos pista encharcada em 1972, 1984, 1996 e 2008. Se não me engano, 1982 e 1997 foram exceções. Se a sequência seguir, só daqui a dez anos.

SCUDERIA FERRARI MARLBORO


Amor sem beijinho, Buchecha sem Claudinho: é assim que os fãs da Fórmula 1 tratam a relação da Ferrari com a Fórmula 1. Costuma-se dizer que a mística equipe italiana só fabrica carros em série para financiar suas operações na Fórmula 1, uma hipérbole típica dos tifosi. Não se imagina a categoria sem a equipe italiana, única equipe presente na categoria desde 1950, e vice-versa. É bacana que uma equipe tenha fãs tão fiéis, até porque sabemos que a equipe, vira e mexe, vira uma bagunça italiana típica e os resultados podem desaparecer de uma temporada para outra. Apesar disso e da arrogância costumeira de seus líderes, a equipe não tem do que reclamar: dominou a última década, com 6 títulos de pilotos.

Sediada em Maranello, Itália
16 títulos de construtores
793 corridas
210 vitórias
203 poles-positions
4093,5 pontos

7- FELIPE MASSA

Felipe, fale sobre Timo Glock e Lewis Hamilton

Felipe Massa é o maior ídolo brasileiro da Fórmula 1 atualmente. Simpático, agrada à mídia e à torcida com suas declarações sensatas e com sua performance na pista. Performance essa que nem sempre foi a de um piloto de ponta. Estreou na F1 em 2002 e mostrou velocidade, falta de cérebro e absoluta falta de controle na chuva. Peter Sauber o mandou para um período “rehab” como test driver na Ferrari, onde aprendeu muito e voltou um pouco evoluído para a equipe suíça em 2004. Em 2006, foi para a Ferrari e começou cambaleante. Porém, ganhou massa cerebral, aprendeu a liderar uma equipe e chegou ao ápice ao brigar pelo título com Hamilton até a última etapa de 2008. É um piloto de ponta com cara de moleque e língua presa.

Brasileiro, de São Paulo, nascido em 25 de Abril de 1981
Vice-campeão de F1 em 2008
114 GPs disputados
11 vitórias
15 poles-positions
320 pontos
Campeão da F3000 Européia em 2001, da F-Renault européia e da F-Renault italiana em 2000 e da F-Chevrolet em 1999

8- FERNANDO ALONSO

Essa foto não está insinuando que Alonso é chorão, é apenas ilustrativa

Único bicampeão de Fórmula 1 em atividade, Fernando Alonso só perde para Schumacher. Completo, entende tudo de acerto, liderança de equipe, corridas no seco e no molhado, ultrapassagens, treinos e corridas. Versátil, já venceu em mais de 15 pistas diferentes na categoria. Porém, como bom espanhol, é linguarudo pra caralho. A aparência de moleque cool cultivada no seu começo de carreira sumiu tão logo ele obteve seu primeiro título, dando lugar a uma insuportável imagem de estrelinha. Venceu os títulos de 2005 e 2006. Nos últimos anos, pegou uma McLaren voltada contra ele e carros ruins na Renault.

Espanhol, de Oviedo, nascido em 29 de Julho de 1981
Campeão de F1 em 2005 e 2006
138 GPs disputados
21 vitórias
18 poles-positions
577 pontos
Campeão da F-Nissan espanhola em 1999