JENSON BUTTON9,5 – De internado em estado grave no hospital AEK a grande vencedor da etapa húngara. Este foi o domingo de Jenson Button, que não teve um dia tranquilo. De manhã, alguns hackers engraçadinhos postaram em seu site a falsa notícia que deixou todos assustados. Verdade revelada, Button saiu da terceira posição do grid para uma de suas melhores corridas na vida. Ainda na primeira metade da prova, passou Vettel e tomou a segunda posição. Depois, na terceira parada, deu o grande pulo do gato ao optar por permanecer na pista com pneus macios e, portanto, economizar uma parada. Lá pela volta 50, protagonizou um dos grandes duelos do ano com o companheiro Hamilton. 27 voltas depois, cruzou a linha de chegada em primeiro. Neste momento, é o grande piloto das corridas malucas.

SEBASTIAN VETTEL7,5 – Silencioso segundo lugar, o que não preocupa muito, já que o jovem germânico ainda tem uma enorme vantagem para o resto. Sofreu para fazer a pole-position, mas a fez, 23ª de sua carreira. Na corrida, resistiu na liderança por apenas algumas voltas até ser ultrapassado por um inspiradíssimo Hamilton. Após sua primeira parada, foi ultrapassado também por Button. Só terminou em segundo porque Lewis teve lá sua série de contratempos. Ainda assim, obteve mais um resultado importantíssimo para o campeonato.

FERNANDO ALONSO7 – Fim de semana movimentadíssimo para alguém que pilota um carro que não se dá bem em um clima mais frio e chuvoso. No treino oficial, o espanhol perdeu para o companheiro Massa pela primeira vez no ano. Na corrida, passou por tudo quanto é tipo de perrengue. Disputou posição com Nico Rosberg e com Massa, saiu da pista duas vezes no momento em que os pneus Pirelli não estavam aquecidos e até chegou a rodar no fim. Mesmo assim, entre mortos e feridos, chegou em terceiro.

LEWIS HAMILTON8,5 – Foi talvez o nome mais expressivo de uma corrida que é a sua cara. Brigou pela pole-position com raça, mas perdeu para a latente superioridade do Red Bull de Vettel. Na corrida, largou pressionando de maneira fulminante o alemão. Em poucas voltas, fez a ultrapassagem e abriu boa distância rapidamente. Se a corrida fosse normal e comum, o inglês fatalmente teria se sagrado o vencedor. Como não foi, Lewis e sua equipe erraram em três momentos fundamentais. Em primeiro lugar, optou por utilizar pneus supermacios na terceira parada e fazer uma nova parada para colocar pneus macios no final, estratégia que se mostrou falha. Depois, rodopiou quando a chuva recomeçou e, kamikaze, fez um cavalo de pau à frente de vários carros que vinham atrás. Pela proeza, tomou merecida punição. Por fim, ainda chegou a apostar em pneus intermediários quando a pista já estava seca. Até que não foi tão ruim terminar em quarto, mas seu início de corrida foi bom o suficiente para uma vitória.

MARK WEBBER6,5 – Fez mais uma corrida bobinha. Ao contrário das duas etapas anteriores, passou longe da pole-position e largou apenas em sexto, sendo o pior das equipes grandes. Na primeira volta da corrida, como sempre, perdeu posições e caiu para oitavo. Depois, em dois momentos distintos, foi beneficiado e prejudicado pela estratégia. No início, foi um dos primeiros pilotos que apostaram na troca dos pneus intermediários pelos slick, o que o ajudou a subir algumas posições. No fim, no entanto, apostou nos pneus intermediários quando houve leve chuva e perdeu tempo. Quinto lugar magro para a Red Bull, mas normal para ele.

FELIPE MASSA6,5 – Seu melhor momento foi ter batido Fernando Alonso na classificação do sábado. No dia seguinte, Felipe teve uma corrida agitada com um resultado aquém do esperado. Não largou bem, mas estava agressivo e chegou a ganhar as posições de Schumacher e Alonso, que havia escapado da pista. Sua prova azedou de vez na volta oito, quando seu carro rodopiou e encostou o aerofólio na barreira de pneus. Mesmo com o bólido danificado, o brasileiro seguiu em frente e até fez razoável corrida de recuperação, finalizando em sexto. Mesmo assim, esperava-se mais. Largar à frente de Alonso e terminar quase um minuto atrás é quase inaceitável.

PAUL DI RESTA8,5 – Corridaça que serviu para afugentar a má fase. Mesmo tendo sobrado no Q2 da classificação, o primo de Dario Franchitti largou bem, apostou de maneira certeira no uso de pneus supermacios no começo e pneus macios no final, ganhou posições na pista e terminou em uma excelente sétima posição. Dessa vez, foi muito melhor que o companheiro.

SÉBASTIEN BUEMI9 – Atuação sensacional, certamente uma das melhores de sua carreira. No sábado, tudo indicava que sua corrida seria uma merda, já que ele não havia passado para o Q2 da classificação e ainda perderia mais cinco posições no grid como punição pelo acidente com Heidfeld em Nürburgring. No entanto, a sorte virou de vez no domingo. O suíço fez uma largada espetacular e ganhou onze posições na primeira volta. Depois, apostou na estratégia correta de três paradas e ainda foi beneficiado pelo bom trabalho dos mecânicos da Toro Rosso. De quebra, ainda fez algumas boas ultrapassagens. Oitavo lugar excepcional para alguém que largou da última fila. Só por hoje, não mereceria perder seu lugar na equipe.

NICO ROSBERG5 – Nem mesmo em uma corrida atípica ele é capaz de entregar algo diferente. Na classificação, um sétimo lugar apenas normal. Seu melhor momento na corrida foi a largada, na qual ele subiu para quarto. A partir daí, brigou para se manter à frente de carros mais velozes e não se deu bem. Mais à frente, quando a chuva voltou por alguns instantes, apostou no uso de pneus intermediários e se deu mal com isso, perdendo várias posições. Ficar atrás de uma Toro Rosso e uma Force India não estava nos planos.

JAIME ALGUERSUARI6,5 – Não andou mal e marcou um ponto, mas não impressionou como seu companheiro. No sábado, Jaime até conseguiu superar Buemi, e a diferença entre os dois foi amplificada por uma punição a este último. Na corrida, o espanhol ganhou algumas posições na pista e na estratégia, mas quase perdeu tudo quando se envolveu em um toque com Kobayashi. Poderia ter terminado um pouco mais à frente.

KAMUI KOBAYASHI4 – Fim de semana discreto. Não foi bem no treino oficial e também não brilhou na corrida. Embora tenha andado na zona de pontuação na maior parte do tempo, chegando a estar em sétimo durante algumas voltas, o japonês foi prejudicado pela estratégia de ficar muito tempo na pista com pneus desgastados e acabou ficando de fora dos dez primeiros. Ainda se envolveu em um toque com Alguersuari.

VITALY PETROV3,5 – A excelente corrida do ano passado havia enchido todos os seus fãs (e isso me inclui) de esperanças, mas o saldo da etapa deste ano foi diametralmente oposto. Acompanhando a decadência da sua equipe, Vitaly não conseguiu passar para o Q3 no treino oficial e largou apenas em 12º. Na corrida, ficou entre o nono e o 12º durante quase todo o tempo e ainda foi prejudicado pela decisão de utilizar pneus intermediários no final.

RUBENS BARRICHELLO4 – Perto de alguns outros fins de semana seus neste ano, até que não foi tão mal na Hungria. Largou à frente do companheiro Maldonado e esteve sempre próximo da zona de pontuação, sempre aparecendo próximo de algum piloto da Toro Rosso. Sucumbiu à má opção pelos pneus intermediários, que lhe custaram a chance de embolsar alguns pontos.

ADRIAN SUTIL4 – Pelo que fez no treino oficial, quando conseguiu a oitava posição no grid, o alemão mais uruguaio do grid certamente merecia resultado melhor. O domingo foi todo errado. Para começar, sua primeira volta foi totalmente desastrosa e ele acabou caindo para as últimas posições. Depois, assim como todo mundo que se deu mal, apostou nos pneus intermediários e perdeu mais um tempão. Ainda assim, ainda está muito à frente do companheiro nas tabelas. Por enquanto.

SERGIO PÉREZ3 – Começou bem o fim de semana ao ser o único piloto de sua equipe a passar para o Q3 do treino classificatório. Sua boa sorte acabou aí. Já na largada, Pérez errou e perdeu um monte de posições. Com sérias dificuldades, não conseguiu recuperar muitas posições. E quando conseguiu ganhar uma, a de Kovalainen, ainda foi punido por ter feito a ultrapassagem em bandeira amarela.

PASTOR MALDONADO2 – Mais um fim de semana terrível. Para começar, largou atrás de Barrichello, o que não estava sendo a regra nas últimas corridas. No domingo, fez uma boa largada e só. Apostou nos pneus intermediários e, assim como todo mundo que fez o mesmo, se deu mal. De quebra, contrariando sua lerdeza na pista, andou rápido demais nos pits e foi punido. Para variar, foi o último colocado entre os pilotos das equipes normais.

TIMO GLOCK6 – Sem os dois carros da Lotus na pista, o alemão da Virgin foi o melhor piloto das equipes nanicas. Não foi bem no treino oficial, ficando a quase dois segundos da Lotus, mas recuperou-se na corrida. Largou bem, manteve um bom ritmo de prova e apostou em não utilizar pneus intermediários, decisão corretíssima. Bom 17º.

DANIEL RICCIARDO6 – Continua aparecendo muitíssimo bem. No treino oficial, perdeu para Liuzzi por pouco mais de um décimo e bateu o Virgin de D’Ambrosio. Na corrida, aproveitou-se do infortúnio do companheiro italiano para ser o melhor piloto de sua equipe. E ainda manteve-se à frente do Virgin. Até aqui, ótimo início do australiano.

JERÔME D’AMBROSIO0 – Embora ter perdido para os dois carros da HRT no treino oficial não tenha sido algo exatamente agradável, o papelão protagonizado na corrida merece lugar cativo na história underground da Fórmula 1. Eu já vi de tudo nos pits, de atropelamentos a incêndios, mas um piloto rodando sozinho em baixa velocidade em frente aos seus mecânicos é uma novidade interessante. Como não matou ninguém, só fez todo mundo rir.

VITANTONIO LIUZZI3 – Ainda superou Daniel Ricciardo na classificação, mas já está tendo cada vez mais dificuldades. Na corrida, foi tocado por alguém na largada, rodou e perdeu ainda mais tempo do que já faria com seu precário carro. Depois, só levou o carro até o fim.

HEIKKI KOVALAINEN6,5 – Foi um dos destaques lá do fundão. Nenhuma novidade no treino oficial, no qual foi o melhor piloto das equipes nanicas. O domingo, sim, foi interessante. Kova largou muitíssimo bem e andou quase vinte voltas à frente de carros mais velozes. Mesmo após ter sido deixado para trás por estes carros, ainda manteve-se muito à frente dos demais pilotos das equipes pequenas. Infelizmente, um vazamento de água acabou abortando sua boa participação.

MICHAEL SCHUMACHER3,5 – Desta vez, nem ele levantou a moral da Mercedes. Não foi bem no treino oficial e ainda abandonou a corrida com problemas no câmbio. Sua participação no domingo, aliás, teve altos e baixos. A largada foi boa e Schumi conseguiu brigar com os carros da Ferrari por algumas voltas. A torta começou a desandar quando ele rodou para evitar um contato com Massa. Além disso, seu carro apresentava problemas com os pneus e praticamente não tinha  aderência nas curvas mais lentas. Enfim, uma desgraça de dia.

NICK HEIDFELD1,5 – Como se não bastasse estar sendo fritado pela equipe, seu carro também quase o fritou neste domingo. Após largar no meio do bolo e perder uma baciada de posições na primeira volta, Nick vinha se arrastando lá no fundão até a volta 23, quando entrou nos pits para fazer sua segunda parada. Ao sair, seu carro começou a soltar uma fumaça espessa e abundante. Metros depois, o Renault preto e dourado começou a ser consumido pelo fogo que saía lá da parte de trás. Em cena dramática, Nick estacionou seu carro logo na saída dos boxes e quase foi chamuscado pelas chamas que fizeram um belo estrago. Para piorar, o chefe Eric Boullier ainda o responsabilizou pelo incidente. Um verdadeiro dia de Hades.

JARNO TRULLI3 – Retorno pouco auspicioso à Fórmula 1. O italiano largou novamente atrás do companheiro Kovalainen, não chamou a atenção enquanto esteve na pista e, assim como o finlandês, teve de se retirar por problemas de vazamento de água.

Deu duro? Tome uma Dreher

GP DA HUNGRIA: Há tempos, tornou-se sinônimo de corrida chata. Pudera, pois ultrapassagem é cometa Halley por lá e somente abandonos ou erros podem alterar as posições até o final. Eu recomendo que vocês mudem sua visão negativa com relação à prova húngara. O circuito é diferente de todo o resto, inclusive os tilkeanos, pois é totalmente travado e sinuoso, sem os retões e os cotovelos típicos destes suntuosos autódromos do novo século. É um palco legal para acompanhar o desempenho individual de cada piloto, o traçado que cada um deles toma, a capacidade de resistência do bólido e outros detalhes mais técnicos e menos lúdicos. Além disso, a beleza do cenário e das grid girls locais é uma história à parte. Por fim, a resistência húngara é um alento para quem está cansado da recente invasão asiática no calendário da Fórmula 1. Enfim, não é difícil encontrar motivos que ajudem a esquecer o fato de que Hungaroring sempre entrega corridas absurdamente entediantes.

GP DA HUNGRIA COM CHUVA: Em algum lugar obscuro da internet, li que havia possibilidade séria de chuva durante todo o fim de semana. O comentarista Martin Brundle e o piloto de testes da Lotus Luiz Razia andaram dizendo que não para de chover lá dos lados do Danúbio e as chances da situação permanecer assim até o fim de semana são enormes. Aos mortais, a felicidade! As características de Hungaroring, sinuoso como uma estradinha mineira, são altamente propícias para uma corrida de chuva daquelas inesquecíveis. Vale lembrar que a edição de 2006, única da história do circuito a ser realizada sob toró, foi uma das melhores corridas de Fórmula 1 da última década. Você não se lembra? Alonso errou, Räikkönen bateu em Liuzzi, Schumacher bateu em Heidfeld, Button ganhou sua primeira corrida, De la Rosa obteve seu primeiro pódio, Heidfeld completou a festa e Galvão Bueno tirou onda do engenheiro fleumático da Honda que comemorou a vitória de Jenson da maneira mais polida e seca possível. Cinco anos depois, a chance de ter uma corrida tão boa tanto. Preparem seus tambores!

SENNA: Não é do Ayrton que eu falo e nem do filme homônimo. Bruno Senna terá a melhor chance de sua curta carreira até aqui ao participar do primeiro treino livre da etapa húngara pela Renault. Ele substitui Nick Heidfeld, que andou sofrendo críticas ferozes do patrão Eric Boullier. O gordinho com cara de homossexual paulistano afirmou que Nick não estava liderando a equipe franco-luxemburguesa do jeito que se esperava. O oitavo lugar do alemão até aqui obviamente é brochante, pois o Renault R31 é um carro digno de título mundial e Robert Kubica certamente teria vencido todas as corridas até aqui com duas voltas de vantagem, não é? O caso é que o sobrinho mais celebrado da categoria terá sua chance. Vocês sabem que eu não sou parcial. Torço contra, menos por ser ele e mais pela sobrevivência da carreira de Heidfeld.

BUTTON: Como o tempo voa. Há onze anos, li em um jornal que a Williams havia contratado um garoto de 20 anos recém-completados para correr ao lado de Ralf Schumacher. O tal garoto era ruivo, branquelo e tinha cara de inglês tonto, mas havia enfiado uns dois segundos goela abaixo do brasileiro Bruno Junqueira, que também estava concorrendo pela vaga. De lá para cá, o garoto cresceu, deixou a barba crescer, namorou gente famosa, ficou rico, arranjou fãs ao redor do mundo e até ganhou um título. Hoje, pilota um McLaren, namora a mocinha mais desejada do paddock da Fórmula 1 e é um dos pilotos mais admirados do grid, ao menos segundo o censo feito neste sítio. Com apenas 31 anos de idade, Jenson Button completará 200 largadas na Hungria. Apenas dez pilotos registram números maiores que o dele. Como ultimamente a galera anda insistindo em correr até o falo apodrecer, imagino que Jenson poderá ter boas chances de ampliar este número drasticamente. A não ser que se canse de tudo e prefira passar o resto da vida aproveitando a grana com a amada nipo-argentina.

TRULLI: Em Nürburgring, o piloto mais niilista do grid deu lugar ao indiano Karun Chandhok, que está sendo preparado para correr no Grande Prêmio de seu país. Neste fim de semana, Jarno estará de volta. Ainda bem. Chandhok passou vergonha com o carro verde e amarelo, chegando a ficar atrás dos carros da Virgin e da Hispania, o que é notável para alguém que deixou imagem razoável no primeiro semestre do ano passado. Trulli, por outro lado, consegue ao menos andar no nível do companheiro Heikki Kovalainen. Falta apenas um pouco mais de alegria na alma. Como alguém que pilota carros de corrida, possui uma vinícola própria, fala quatro línguas, é milionário e nem precisou ter feito grandes coisas na carreira para seguir na Fórmula 1 pode ser tão infeliz? Diante disso, só resta a nós, pobres mortais, enfiarmos uma corda no pescoço e pular.

MCLAREN – 9 – O retorno do difusor aquecido foi o grande acontecimento neste fim de semana para a equipe de Martin Whitmarsh. Lewis Hamilton pôde largar em segundo, brigar com a Ferrari de Alonso e com a Red Bull de Webber e vencer de maneira brilhante. O carro, que estava bem ruim em Silverstone, voltou a colocar sorrisos nas bocas de todos, com exceção de Jenson Button. O campeão de 2009 não andou bem nos treinos e ainda teve um problema eletrônico. A felicidade não é igualitária, mas é abundante lá pelos lados de Woking.

FERRARI – 8 – Se aproximar da Red Bull, ela se aproximou. O 150TH Italia realmente melhorou nas últimas corridas e os bons resultados de Fernando Alonso deixam isso bem claro. O trabalho nos pits também melhorou. Falta, no entanto, juntar tudo no pacote. O espanhol andou bem e chegou a assumir a liderança após um ótimo trabalho da equipe no segundo pit-stop, mas faltou carro para seguir na frente. Já Felipe Massa até fez uma boa corrida para seus novos padrões, mas perdeu uma posição na última volta pelo precário pit-stop realizado pelos mecânicos ferraristas. Na era Schumacher, tudo funcionava perfeitamente bem. Esta é a diferença fundamental para a era Domenicali.

RED BULL – 5 – Um dia, haveria dela fracassar. Em Nürburgring, a equipe ainda tinha o melhor carro, mas não foi páreo para Hamilton e Alonso. Mark Webber fez a pole, mas largou mal e não conseguiu conter os dois campeões. Sebastian Vettel esteve apático, chegou a rodar e passou boa parte do tempo brigando com Felipe Massa. Pelo menos, Webber e Vettel pontuaram e a equipe segue distante nas tabelas.

FORCE INDIA – 6,5 – Tinha um carro honesto para esta corrida alemã. Adrian Sutil largou em oitavo e terminou em um ótimo sexto lugar. Paul di Resta também tinha chances de pontuar, mas bateu com Nick Heidfeld na largada e caiu lá para o final do grid. Dessa vez, os estrategistas da equipe não se embananaram com erros primários. E a ordem, aos poucos, se reestabelece, com Adrian ensinando o caminho das pedras a Di Resta.

MERCEDES – 5 – Mais um fim de semana convencional. Na verdade, ficar atrás da Force India é algo até mesmo aquém do convencional, mas tudo bem. Nico Rosberg largou em sexto e terminou em sétimo. Bah. Michael Schumacher rodou, perdeu um monte de posições e recuperou quase todas estas posições, mas terminou atrás de Rosberg. Bah. Notável era a velocidade dos carros cinzentos nas retas.

SAUBER – 4 – Sem velocidade, os suíços apostaram na estratégia e na confiabilidade. De certa forma, funcionou. Kamui Kobayashi saiu lá do inferno do fim do grid para terminar em nono após parar apenas duas vezes e andar o mais depressa possível. Sergio Pérez também tinha boas chances de fazer algo parecido, mas errou logo no começo e teve de antecipar sua primeira parada. O resultado final foi normal para a equipe, mas um pouco mais de desempenho e caldo de galinha não fazem mal a ninguém – exceto às penáceas.

RENAULT – 3,5 – Definitivamente, estacionou no meio do caminho. O carro até anda bem nos treinos e larga bem, mas parece não funcionar legal durante uma corrida inteira. Vitaly Petrov, como vem acontecendo, liderou a equipe nos treinos e teve um desempenho inferior no domingo, mas pontuou. Nick Heidfeld sobrou no Q2 e sofreu dois acidentes em apenas dez voltas. Precisa urgentemente reencontrar o caminho do sucesso. Sem dinheiro e afundada em crise institucional, fica difícil.

TORO ROSSO – 3 – É algo como a Mercedes do meio do pelotão. Não tem apelo, não tem carisma e nunca consegue sair do mesmo patamar, tanto o carro como os pilotos. Sébastien Buemi, em fase claudicante, teve seus azares rotineiros e ainda foi considerado o culpado no acidente com Heidfeld. Jaime Alguersuari foi um pouco melhor, mas não marcou pontos. E só.

WILLIAMS – 2 – Tá ruço. O carro segue ruim, mesmo com aquelas alterações que andam sendo anunciadas a cada fim de semana de corrida, e nada indica que as coisas mudarão. Em Nürburgring, Pastor Maldonado ditou o ritmo no treino oficial e foi o único da equipe a terminar, mas passou muito longe dos pontos. Rubens Barrichello largou atrás do venezuelano e ainda se viu obrigado a abandonar, vítima de um vazamento no óleo. O brasileiro não queria e insistiu em permanecer na pista, mas foi obrigado a aceitar. Indisciplina é a última coisa da qual a Williams precisa agora.

LOTUS – 4 – Estranho. Na quinta-feira, Karun Chandhok foi anunciado como o substituto de Jarno Trulli na corrida alemã, mas Tony Fernandes afirmou que negocia a permanência do italiano para 2012. Coisas da Fórmula 1… Quanto ao resto, o indiano só fez besteira, sofreu para andar com os carros da Virgin e da Hispania e terminou em último. O companheiro Heikki Kovalainen, por outro lado, andou direitinho e foi um dos destaques lá atrás.

VIRGIN – 3,5 – Sabe-se lá como, convenceu Timo Glock a permanecer na equipe até 2014. Quanto ao presente, a mesma tristeza de sempre. O alemão apanhou de Kovalainen no treino oficial, mas fez um trabalho decente na corrida. Já Jerôme D’Ambrosio, embora tenha se aproximado de Glock na classificação, sofreu um bocado na corrida e chegou a andar atrás dos dois pilotos da Hispania. Nada de novo.

HISPANIA – 5 – A nova gestão, comandada pela tal de Thesan Capital, está arregaçando as manguinhas para transformar a várzea espanhola em algo digno de orgulho ibérico. Daniel Ricciardo andou bem perto de Vitantonio Liuzzi, mas o italiano ainda comandou as coisas. Os dois terminaram a corrida à frente de um Lotus, de Chandhok, uma agradável novidade para a ex-equipe de José Ramón Carabante.

CORRIDA QUEM PRECISA DE CHUVA? – Em 2011, os fãs da Fórmula 1 aprenderam que corridas com chuva são do mal e legais mesmo são as disputas no seco, pois não tem safety-car, bandeira vermelha e discípulos de Alain Prost. Em Nürburgring, não choveu na Fórmula 1 e a corrida foi bem bacana. Mark Webber largou pessimamente mal como sempre e permitiu que um monótono GP da Alemanha fosse bastante divertido. Lewis Hamilton e Fernando Alonso comprovaram o porquê de serem talvez os dois melhores pilotos do grid atualmente e deram um baile na favorita Red Bull. E Felipe Massa fez seus torcedores alternarem entre a felicidade e a depressão. Vale notar que a asa móvel não serviu para muita coisa.

TRANSMISSÃO ALTISSÍSSIMO – Gostei dessa palavra. É neologismo? Pelo o que diz o Professor Google, é. Em uma corrida na qual o trio brasiliano da transmissão se comportou, não há muita coisa para registrar, salvo a boa lembrança dos três anos em que Felipe Massa correu ao lado de Mika Häkkinen. Porque todo finlandês é loiro, seco e cachaceiro. Gostei mesmo é da bronca dada pelo narrador aos chatos que implicam com as expressões “pneu quadrado” e “reta curva”. Endosso: “reta curva” é a coisa mais genial do mundo para designar, por exemplo, aquela “coisa” dos boxes de Mônaco. E o jogo de câmeras estava ruim demais. Aquele superslowmotion do acidente do Heidfeld com o Buemi repetido várias vezes encheu o saco. E os alemães conseguiram perder o acidente da largada, com o mesmo Heidfeld e Di Resta. Se eu fosse um nacionalista chato, contestaria. Se fosse no Brasil…

GP2 – FILIIIIPIIIIIIIIII – Se Cléber Machado narrasse a GP2, você já sabe qual seria o bordão utilizado na primeira corrida de Nürburgring. O pole-position Charles Pic fez uma superlargada e vinha com tudo para vencer a primeira corrida alemã, mas a Addax tem o mau costume de importar mecânicos da Ferrari e estragou novamente a corrida de seu piloto com um trabalho porco nos pits. Com isso, quem se deu bem foi Luca Filippi, que fazia sua centésima corrida na categoria. O italiano tomou a ponta e venceu pela terceira vez, número magro para alguém tão experiente. No dia seguinte, Romain Grosjean venceu pela quarta vez no ano após Jules Bianchi fazer mais uma bianchisse e jogar a vitória fora no finalzinho da prova. Com isso, Grosjean abre 18 pontos de vantagem para Giedo van der Garde. O título da GP2, aos poucos, vai ganhando um dono.

LEWIS HAMILTON 10 – Mandou abraços a quem achava que vencer seria um feito inimaginável. Largou em um segundo lugar excepcional para seu carro e começou a ganhar a corrida quando Webber cagou novamente na largada e lhe deu a ponta de bandeja. Resistiu bem aos ataques do australiano e só perdeu a ponta na primeira rodada de pits, quando a McLaren fez um trabalho inferior ao da Red Bull. Na segunda rodada, voltou à ficar à frente de Webber, mas chegou a perder a ponta para Alonso. Demonstrando garra, o inglês não demorou muito para ultrapassar por fora seu antigo desafeto. E venceu com maestria. Foda-se quem discorda: é um puta piloto.

FERNANDO ALONSO 9 – De novo, foda-se quem discorda: é outro puta piloto, o melhor de todos. Saindo da quarta posição do grid, o asturiano se meteu em uma briga encardida com Vettel na primeira volta e se deu bem. Durante a prova, sempre se manteve próximo dos líderes Hamilton e Webber. Após um trabalho impecável de sua equipe na segunda rodada de pits, chegou a tomar a liderança, mas a perdeu pouco depois após ser ultrapassado por Hamilton. Mesmo assim, ótima corrida. Está em grande fase.

MARK WEBBER – 7,5 – Dessa vez, até foi um pouco combativo, o que não deveria servir de consolo para alguém que voou nos treinos e marcou a pole-position. Para variar, largou mal e perdeu a ponta para Hamilton. Tentou ultrapassá-lo e até chegou a conseguir o feito lá na volta 12, mas tomou o troco rapidamente. Na primeira rodada de pits, assumiu a ponta graças à competência dos mecânicos rubrotaurinos. Na segunda, foi driblado por Hamilton e Alonso e caiu para terceiro. Em um dia no qual teve todo o apoio da equipe para ganhar, terminou no degrau mais baixo do pódio. É por isso que não merece ser campeão do mundo.

SEBASTIAN VETTEL – 6,5 – Com louvores, fez seu pior fim de semana do ano. Sistematicamente inferior a Webber nos treinos, fracassou no Q3 e largou apenas em terceiro. Na largada, caiu para quarto. Sem conseguir se aproximar dos líderes, passou boa parte da corrida peleando com Massa. Antes da primeira rodada de pits, foi ultrapassado pelo brasileiro na chicane e permaneceu atrás dele até a última volta, quando os dois foram para os pits e a Ferrari aprontou mais uma das suas. Ainda assim, um quarto lugar importante no campeonato. E o fato dele ter terminado uma péssima corrida em quarto enquanto seu companheiro termina sua melhor corrida em terceiro mostra o porquê de um estar a caminho do bicampeonato e o outro não ser nada.

FELIPE MASSA – 7 – Boa corrida, a do brasileiro. Apesar de ter largado e de ter terminado em quinto, Felipe demonstrou garra durante quase toda a prova. Na largada, peitou Vettel e só perdeu uma posição para Rosberg. Onze voltas depois, após muito sufoco, conseguiu passar o andrógino e começou a tirar diferença para Vettel. Pouco antes de parar, passou também o atual campeão e subiu para quarto. Daí para frente, manteve-se nesta posição, embora sempre atacado pelo piloto da Red Bull. Na última volta, para sua infelicidade, a Ferrari perdeu um segundo fundamental que lhe custou a quarta posição. O quinto lugar não é o resultado dos sonhos, mas a corrida em si foi digna.

ADRIAN SUTIL – 8 – Recuperou-se da traumática corrida nesta pista há dois anos, quando jogou fora os primeiros pontos da Force India em um toque com Kimi Räikkönen. Fez um bom oitavo lugar no treino de classificação, largou bem e protagonizou um bom duelo com Nico Rosberg em alguns momentos. Apostou em apenas duas paradas e consolidou-se na sexta posição após a última delas. Ótima corrida, ainda mais para alguém que, segundo alguns, estaria levando uma surra do (ainda superestimado) Paul di Resta.

NICO ROSBERG – 6 – Nem em casa ele consegue fazer mais do que um simples arroz e feijão sem sal. No treino oficial, fez o sexto tempo. Na corrida, começou razoavelmente bem, conseguindo segurar Felipe Massa por doze voltas. Depois, só apareceu quando foi desafiado pelo companheiro Schumacher e quando conseguiu ultrapassar Kobayashi. No fim, ainda perdeu uma posição para Adrian Sutil nos pits. Fico sem entender como consideram esse daí um futuro campeão do mundo.

MICHAEL SCHUMACHER – 5,5 – Se há alguém na Mercedes que consegue animar as coisas com um pouco de arrojo, este alguém é o heptacampeão. Mal nos treinos oficiais, foi o último colocado do Q3. Na corrida, largou bem e chegou a subir para sétimo, mas rodou ao tocar a roda em uma faixa branca úmida e perdeu cinco posições. A partir daí, começou a dirigir como se não tivesse filhos e chegou a se aproximar perigosamente de Rosberg. Terminou próximo, mas terminou atrás – e é por isso que sua nota não pode ser maior que essa.

KAMUI KOBAYASHI 6 – Poderia ter obtido nota maior, mas foi mal demais no treino oficial, sobrando no Q1. O domingo, embora não tenha sido brilhante, foi bem melhor. O ex-sushiman largou bem e ganhou várias posições na primeira curva. Sua estratégia de duas paradas o permitiu entrar definitivamente na turma dos dez que pontuam. Sem um grande carro, foi presa fácil para os dois pilotos da Mercedes, mas também não teve problemas com o pessoal mais atrás. Mais discreto que eficiente, levou dois pontos para casa.

VITALY PETROV – 5 – Pontinho bem meia-boca de alguém que não apareceu em momento algum. Com alguma dificuldade, conseguiu deixar Heidfeld para trás no treino classificatório e largou em nono. Na corrida, até fez uma boa largada, mas acabou se mantendo na mesma posição em que largou. Apostou em duas paradas e, por alguma razão, sua estratégia não funcionou tão bem. Terminou a prova insatisfeito com o carro e com a equipe, no que não estava de todo errado.

SERGIO PÉREZ – 3,5 – Fim de semana fraco. Embora tenha batido Kobayashi no treino oficial, largou apenas da 15ª posição. No início da corrida, escapou para fora da pista e teve de antecipar sua primeira parada. Tendo de fazer um longo stint com pneus macios, acabou perdendo bastante tempo pouco antes de seu segundo pit-stop. No fim, até que não foi tão ruim terminar em 11º.

JAIME ALGUERSUARI – 3,5 – Na briga interna da Toro Rosso, o espanhol se saiu melhor novamente. Isso, no entanto, não vale lá muita coisa. Na verdade, ele até foi pior do que o companheiro Buemi no treino oficial, mas largou à frente devido à desclassificação do suíço. Na corrida, apostou em duas paradas e até conseguiu ganhar algumas posições. Mas não pontuou.

PAUL DI RESTA – 3 – Já está mais do que na hora de transformar sua velocidade em pontos. Ao contrário do que vinha acontecendo na maioria dos fins de semana, ficou atrás de Sutil no treino oficial. Sua corrida foi arruinada por um toque com Heidfeld na primeira volta, que mandou os dois lá para o fim do grid. Parando duas vezes, o escocês deixou carros mais lentos para trás, mas estacionou na 13ª posição. Só marcou dois dos vinte pontos da equipe até aqui.

PASTOR MALDONADO – 2,5 – É curioso acompanhá-lo durante o fim de semana. No sábado, ele se destaca com a mais pura velocidade chavista e consegue bater Rubens Barrichello sem grandes dificuldades. No domingo, perde terreno igualmente sem grandes dificuldades. Foi o único piloto da Williams a terminar, mas esteve tão longe dos pontos como nas demais corridas.

SÉBASTIEN BUEMI – 2,5 – De umas corridas para cá, sua estrela apagou. E sua costumeira má sorte voltou a se manifestar. Mesmo tendo superado Alguersuari no treino classificatório, foi punido por irregularidades na gasolina utilizada e teve de largar em último. Ainda no início da corrida, fechou Nick Heidfeld, tirou o alemão da pista e ainda furou um pneu, tendo de antecipar a primeira parada. Mesmo assim, ganhou algumas posições e terminou lá no meio do bolo.

HEIKKI KOVALAINEN – 6 – De companheiro novo, teve um de seus melhores fins de semana no ano. Sem a ameaça de Jarno Trulli, ausente nesta etapa, enfiou quase um segundo no rival imediatamente atrás no treino classificatório e quase foi para o Q2. Na corrida, largou bem e tentou se misturar com a turma do meio, mas seu carro não lhe permitiu tamanha proeza. Mesmo assim, não teve trabalho com seus adversários diretos. Fez o trabalho direitinho.

TIMO GLOCK – 5 – Tendo renovado contrato com sua equipe por mais alguns anos, Timo também teve um fim de semana digno. Embora tenha tomado quase um segundo de Kovalainen no treino oficial, conseguiu ao menos largar à frente do Lotus de Chandhok. Na corrida, fez trabalho digno e não foi ameaçado por quem vinha atrás, mesmo tendo problemas com os freios. É um bom piloto e merece melhor sorte agora que decidiu seguir amarrado às agruras da Virgin.

JERÔME D’AMBROSIO – 3,5 – No treino oficial, ficou a apenas dois décimos do Lotus de Chandhok e do Virgin de Glock. Na corrida, alternou momentos bons e ruins, chegando a andar à frente de Glock em alguns instantes e atrás dos dois carros da Hispania em outros. Terminou naquela posição de sempre, atrás do companheiro e à frente dos espanhóis.

DANIEL RICCIARDO – 6 – Para a Hispania, sem dúvida alguma, um enorme avanço em relação ao indiano Narain Karthikeyan. Em seu segundo fim de semana como piloto titular, o australiano ficou a poucos milésimos de Liuzzi e largou à sua frente por conta da punição do italiano. Na corrida, fez um bom trabalho e chegou a andar à frente de D’Ambrosio por um bom tempo, além de quase sempre ter estado à frente do Lotus de Chandhok. Ótimo 19º lugar para um piloto que tem tudo para se tornar um astro da Fórmula 1.

KARUN CHANDHOK – 1 – Retorno difícil à Fórmula 1. O indiano, que substitui Jarno Trulli, nunca conseguiu andar perto de Kovalainen e teve problemas para disputar com os carros da Virgin e da Hispania. No treino oficial, até que não foi tão mal com o 20º tempo. Na corrida, deu uma bela rodada e andou em último durante quase todo o tempo. Para alguém que errou horrores no fim de semana, chegar ao final foi algo positivo.

VITANTONIO LIUZZI – 1,5 – Fim de semana complicado. No sábado, teve de trocar o câmbio e acabou punido com a perda de cinco posições do grid – o que não significa muito para alguém que fatalmente largaria na última fila. Na corrida, até conseguiu largar bem e empreender um ritmo forte, mas teve problemas eletrônicos e abandonou na volta 38. Ainda está rendendo mais que Daniel Ricciardo, mas já vê a imagem do novato em seu retrovisor.

JENSON BUTTON – 2 – Segunda corrida consecutiva na qual o britânico não consegue chegar ao fim. Desta vez, um problema eletrônico foi a causa mortis. Até ali, o fim de semana estava longe de ser brilhante. Jenson fez apenas o sétimo tempo na classificação, largou muito mal, ficou preso atrás de Petrov durante um bom tempo e seu abandono aconteceu justamente em seu melhor momento na prova, quando ele tinha acabado de deixar Rosberg para trás. Em uma Fórmula 1 na qual ninguém abandona, registrar dois DNF seguidos é algo bem ruim.

RUBENS BARRICHELLO – 2 – Mais um fim de semana de merda, infelizmente. Seus sábados se transformaram em dias de sofrimento tão logo Pastor Maldonado aprendeu a superá-lo, como aconteceu em Nürburgring. No domingo, ao menos, ele contrariou a lógica e fez uma ótima largada. Ainda na primeira metade da corrida, silenciosamente, o brasileiro encostou os carros nos pits e abandonou. Sua equipe havia pedido, já que foi detectado um manhoso vazamento de óleo.

NICK HEIDFELD – 1 – Deu tudo errado, e em apenas dez voltas. Batido por Petrov novamente no treino classificatório, o alemão, que estreava capacete novo, se envolveu em um toque com Di Resta na largada e caiu para a última posição. Ao tentar se recuperar, acabou se envolvendo em outro acidente com Buemi, voou para fora e ficou atolado na caixa de brita. Péssima corrida em casa.

Para ler a primeira parte, clique aqui. Para ler a segunda, clique aqui.

HEIKKI KOVALAINEN

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 5 (12º)

O FAVORITO: 0 (-)

PONTOS: 8 (13º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 3 (16º)

O MAIS REJEITADO: 1 (13º)

PONTOS: 6 (16º)

O finlandês ficou no meio das tabelas em todos os quesitos. Esteve longe de ser o mais admirado, mas também está bem longe de ser um dos mais odiados. Na verdade, só um realmente o odeia mais do que os outros. Reflete bem a personalidade mediana do piloto.

“Assim como a Lotus, busca renascimento do seu nome, e vem conseguindo com otimo desempenho (se basear no seu limite). Que ambos subam juntos (muitos dizem que a Lotus não é mais a mesma, mas ao menos tem um espirito e uma motivação muito maior do que em 94, ultimo ano do time original, mas já com outros donos e uma zona como equipe)” – Thiago

NARAIN KARTHIKEYAN

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 0 (-)

O FAVORITO: 0 (-)

PONTOS: 0 (-)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 5 (11º)

O MAIS REJEITADO: 3 (7º)

PONTOS: 12 (12º)

Difícil esperar outro resultado. Provável pior piloto do grid, Narain só poderia angariar fãs lá no Caminho das Índias e olhe lá. Cinco pessoas não gostam dele, sendo que três não gostam mesmo. Ninguém se lembra dele positivamente. Só o Colin Kolles.

“Uma pessoa apagada na F1. Parece um piloto pagante que está ali apenas por causa dos milagrosos dólares que pode trazer” – Átila

VITANTONIO LIUZZI

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 2 (16º)

O FAVORITO: 0 (-)

PONTOS: 3 (16º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 2 (19º)

O MAIS REJEITADO: 1 (13º)

PONTOS: 4 (20º)

Outro que quase foi esquecido. Dois se lembraram positivamente e outros dois se lembraram negativamente, sendo que um expressou ódio mortal pelo italiano. Equilíbrio quase óbvio.

“Foi bem nas categorias de base, mas na F1 só fez cagada. Usa roupas ridiculas” – Antonio

TIMO GLOCK

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 1 (20º)

O FAVORITO: 1 (10º)

PONTOS: 3 (16º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 11 (4º)

O MAIS REJEITADO: 2 (12º)

PONTOS: 20 (4º)

Resultado engraçado. A única pessoa que se lembrou dele como um dos favoritos realmente adora o cara, o considerando como alguém mais legal que os outros. Por outro lado, onze pessoas não gostam dele e duas não o querem nem pintado de ouro. Sujeito discreto, sem grandes ambições e que corre por uma Virgin sem-graça. A rejeição é compreensível.

“Em geral, eu detesto pilotos que não correm para ganhar, correm apenas por correr. Temos vários deles no grid atual, mas o Glock eu detesto um pouco mais por causa dos últimos momentos em Interlagos 2008, porque aquele Felipe Massa merecia o título, e esse asno do Timo não conseguiu segurar o Lewis nem por 1 curva…” – Társio

JERÔME D’AMBROSIO

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 1 (20º)

O FAVORITO: 0 (-)

PONTOS: 1 (21º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 4 (14º)

O MAIS REJEITADO: 0 (-)

PONTOS: 6 (16º)

Um gosta dele, quatro não gostam, nenhum deles nutre amores ou ódios intensos. Ainda mais discreto e esquecível que Glock é seu companheiro de nome legal.

“Nada provou até agora, e acho que não vai provar com aquela ‘carroça’ desenhada por computador. E de resto, é batido pelo Glock” – Speeder76

ROMAIN GROSJEAN

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 1 (20º)

O FAVORITO: 0 (-)

PONTOS: 1 (21º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 0 (-)

O MAIS REJEITADO: 0 (-)

PONTOS: 0 (-)

O que uma temporada boa na GP2 e umas vitórias em várias categorias não fazem. Grosjean, aquele que passou vexame em 2009, apareceu aqui com uma menção positiva. Legal isso, mas fico pensando se esse censo tivesse sido feito no ano em que se arrastou com o carro da Renault. Certamente, estaria entre os cinco mais odiados.

“Pela trajetória de recuperação ascendente que vem tendo desde 2010” – Malmedy

BRUNO SENNA

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 0 (-)

O FAVORITO: 0 (-)

PONTOS: 0 (-)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 1 (21º)

O MAIS REJEITADO: 0 (-)

PONTOS: 2 (22º)

Test-driver da Renault, Bruno Senna foi lembrado como o segundo piloto mais odiado pelo Thiago Medeiros (seria o piloto?). Muitos provavelmente devem ter imaginado que os pilotos de testes não valiam, mas alguns subverteram a ordem e se lembraram deles para descer o cacete. E aí está.

“Mesmo não sendo ruim, é subestimado demais pela imprensa brasileira e por grande parte do público leigo, não merece a vaga que tem, nem as que ocupou ao longo da carreira” – Thiago Medeiros

LUCAS DI GRASSI

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 0 (-)

O FAVORITO: 0 (-)

PONTOS: 0 (-)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 1 (21º)

O MAIS REJEITADO: 0 (-)

PONTOS: 1 (25º)

Nem eu me lembrava mais desse daqui, que acabou de ser chamado para ser piloto de testes da Pirelli. Mas o Adriano se lembrou dele como seu terceiro piloto mais odiado.

“Este é o maior enganador. Todo mundo enche a bola deste cabra, mas pra mim é muito devagar. Na GP2 nunca fez nada, mesmo correndo em equipe de ponta” – Adriano Oliveira

GIANCARLO FISICHELLA

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 0 (-)

O FAVORITO: 0 (-)

PONTOS: 0 (-)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 1 (21º)

O MAIS REJEITADO: 0 (-)

PONTOS: 1 (25º)

Até ele foi citado. O ex-Jordan, Benetton, Force India e mais um monte de equipes foi lembrado por alguém como o terceiro piloto mais odiado. Já está longe faz um tempo, mas o fato de não ter cumprido boa parte das expectativas depositadas em sua carreira ainda pesa.

“Poxa, não conseguir fazer boas atuações com um Ferrari e sim com um Renault… Não é a toa que está de reserva” – blogformulamonu

FERRARI 9 – Dessa vez, fizeram um trabalho excelente. Os dois carros renderam bem e dominaram a segunda fila. Na corrida. Fernando Alonso andou muito rápido, deu bastante sorte e conseguiu deixar os dois Red Bull para trás. Felipe Massa terminou em quinto, nada ruim para ele. Ao contrário das demais etapas, os mecânicos fizeram o trabalho direitinho. Fazia tempo que os italianos não tinham um fim de semana tão próspero. Algo a ver com o negócio do escapamento?

RED BULL6,5 – Para uma equipe que vinha ganhando tudo até aqui, o fim de semana britânico foi bem pior do que se esperava. Os taurinos desembarcaram na Inglaterra desanimados com a proibição do uso dos tais difusores aquecidos, que ajudavam a equipe a construir a vantagem que tinham. Mesmo assim, os dois pilotos dominaram a primeira fila, com Mark Webber largando à frente de Sebastian Vettel pela primeira vez. Na corrida, Webber não correspondeu e ficou em terceiro. Vettel até vinha para vencer, mas um erro crasso no segundo pit-stop custou um tempão e a vitória do alemão. Rimou. Enfim, não é o tipo de fim de semana que pode se repetir para quem quer bisar os títulos.

MCLAREN6 – Outra que fez besteira nos pits e estragou a corrida de um de seus pilotos. No caso, Jenson Button acabou tendo de abandonar a corrida após uma das rodas de seu carro quase escapar em decorrência de má colocação. Lewis Hamilton não foi bem nos treinos, mas se recuperou e terminou em quarto. Ainda assim, ele teve de lidar com problemas de consumo, algo que não foi visto (pelo menos aparentemente) em outros carros. Assim como foi dito para a Red Bull, não é o tipo de fim de semana que pode se repetir para os ingleses.

MERCEDES7 – Teve mais uma corrida típica. Nico Rosberg esteve discreto e eficiente e conseguiu um bom sexto lugar, embora não tenha feito nada além de segurar Sergio Pérez.  Michael Schumacher, como sempre, esteve agressivo, quebrou o bico tentando ultrapassar Kobayashi e terminou em nono.

SAUBER6,5 – A capacidade de poupar pneus do carro suíço é impressionante. Sergio Pérez conseguiu seu melhor resultado do ano ao fazer apenas duas paradas e andar muito rápido, pressionando Nico Rosberg durante boa parte do tempo. Kamui Kobayashi foi tocado por dois pilotos, teve problemas nos pits e abandonou com o motor quebrado. E a Sauber segue como a equipe mais empolgante do meio do pelotão.

RENAULT5,5 – Essa daqui cai em queda livre, afundada em problemas financeiros. Nenhum dos dois pilotos andou bem nos treinos oficiais, mas Vitaly Petrov enfiou mais de um segundo em Nick Heidfeld. Na corrida, o alemão subiu algumas posições e terminou em oitavo. Petrov continuou lá no meio do grid. O carro preto e dourado, que não está sendo desenvolvido, vai ficando para trás.

TORO ROSSO5 – O clima na equipe é ruim, como sempre costuma acontecer, e os pilotos se odeiam como Tom e Jerry. Jaime Alguersuari conseguiu mais um ponto e passou Sebastien Buemi na briga interna que vale a sobrevivência na equipe. O suíço, que vem em fase ruim, teve de abandonar após bater em Paul di Resta e furar um pneu. É por isso que eu não gosto da Toro Rosso: enquanto a equipe e o carro seguem a mesma merda, toda a responsabilidade pelos maus resultados é depositada sobre os ombros dos pilotos. E a pressão acaba sendo imensa.

FORCE INDIA4 – Mais uma equipe que jogou no lixo o bom trabalho de um de seus pilotos. No caso, Paul di Resta perdeu a chance de obter seu melhor resultado na temporada depois que a equipe se embananou na troca dos pneus. Além disso, fica claro que a estratégia de três paradas, adotada tanto pelo escocês como por Adrian Sutil, não era a mais adequada. No fim, nenhum dos dois marcou pontos. É engraçado ver que, às vezes, os indianos fazem um fim de semana completamente desastroso. O que salvou a nota aí foi a boa atuação de seus pilotos.

WILLIAMS 2 – Nos treinos, até que Pastor Maldonado conseguiu se sair bem, colocando o precário carro azul e branco no Q3 pela terceira vez no ano. Na corrida, o venezuelano ficou lá atrás e conseguiu a proeza de terminar atrás do companheiro Rubens Barrichello, que havia ido mal no treino classificatório e pior ainda na largada. Se seguir assim, não há motor Renault que ajude.

VIRGIN5 – Pode se gabar de ter colocado seus carros nas duas primeiras posições entre a turma das nanicas, uma vez que nenhum carro da Lotus chegou ao fim. Só isso poderá ser motivo de orgulho, já que o desempenho permaneceu a mesma coisa triste. Timo Glock e Jerôme D’Ambrosio só largaram e terminaram.

HISPANIA4 – Muito lentamente, vem deixando de lado aquela cara amadorística. A substituição de Narain Karthikeyan por Daniel Ricciardo veio bem a calhar e o australiano com sobrenome de italiano já chegou apertando o ritmo sobre Vitantonio Liuzzi. Os dois passaram sem problemas pela barreira dos 107% e terminaram a prova. Enfim, nada de novo. O que não é ruim, mas também não é bom.

LOTUS1,5 – Heikki Kovalainen trouxe o único momento feliz para a equipe ao passar para o Q2 da classificação e conseguir um tempo melhor que os dois pilotos da Toro Rosso. Na corrida, ele teve problemas de câmbio e abandonou após apenas três voltas. Jarno Trulli não andou bem e abandonou logo depois, com problemas de motor. É estranho dizer isso, mas foi a nanica que teve mais motivos para sair de Silverstone chorando.

CORRIDABOA PARA SILVERSTONE – Como já disse antes, nunca esperei a corrida inglesa com água na boca. A reforma que empurrou os boxes lá para o meio do traçado era vista por mim com muitas dúvidas. De fato, quando os carros largaram, as primeiras curvas davam a desagradável impressão de que estávamos vendo uma corrida em um circuito novíssimo no Cazaquistão ou no Vietnã. Paciência. Os erros nos boxes, o comportamento errático de alguns carros enquanto a pista secava e os pequenos incidentes fizeram com que a prova fosse legal, embora nada muito além disso. Fernando Alonso venceu após Sebastian Vettel perder um tempão nos pits, algo que deixou os ferraristas malucos de felicidade e aqueles que gostam de ver equilíbrio no automobilismo ligeiramente aliviados. As brigas no final, entre Mark Webber e Sebastian Vettel e entre Felipe Massa e Lewis Hamilton, foram os acontecimentos mais legais da corrida. A asa móvel não representou lá um grande diferencial nesta pista. Pelo visto, ela só funciona melhor nas pistas tilkeanas.

TRANSMISSÃOTIRA O OVO DA BOCA, MENINO! – O narrador “impressionante” voltou. Não estou entre as quatro bilhões de pessoas que mais o admiram, para dizer a verdade. É chato, enfadonho e tem cara de almofadinha que anda de SUV e repassa correntes. Essa frase aí do título foi dita por ele quando comentava sobre a impossibilidade de se entender o que Jenson Button diz no rádio. Houve outros momentos, com destaque para a narração emocionante e empolgada da saída para a volta de apresentação, como se os carros estivessem largando de verdade. Impressionante! E o Sergio Pérez não é venezuelano, sabe? São todos uns cucarachas com cara de coadjuvante do Chaves, mas Venezuela e México ainda não tem nada a ver.

GP2FINALMENTE, BIANCHI – Normalmente, eu dou sorte contrária aos pilotos. Duas semanas atrás, escrevi um texto criticando Jules Bianchi. Um dos argumentos dizia respeito ao fato dele nunca ter vencido na GP2 europeia. Nesse fim de semana, o garoto prodígio da Ferrari calou a minha boca com uma bela vitória em Silverstone. Ele largou na pole-position, segurou Christian Vietoris de maneira notável e ganhou pela primeira vez na categoria. No dia seguinte, Romain Grosjean foi o vencedor. Ainda não vi esta última corrida, tentarei fazê-lo hoje à noite. Luiz Razia, infelizmente, não fez nada novamente. E o campeonato segue embolado. Grosjean chegou a 40 pontos, mas Giedo van der Garde vem com 34. E há mais um bocado de gente por perto.

FERNANDO ALONSO9,5 – Ganhou com o contratempo do Vettel, é verdade. Mas ganhou e sem ter o melhor carro do grid, o que é algo sempre notável. Fez o terceiro tempo, andou forte, tomou a posição de Webber na segunda parada por ter voado nas voltas anteriores e pegou também a de Vettel em um lapso de extrema sorte. Depois, administrou e venceu a prova com 16,5 segundos de vantagem. Agora, está com o mesmo número de vitórias de Jackie Stewart.  Desculpem quem critica, mas este daí é o melhor piloto do grid atualmente.

SEBASTIAN VETTEL8 – Fazer a pole e vencer o tempo todo enche um pouco o saco. Variar um pouco sempre é bom. O alemão perdeu a pole-position para um inspirado Webber, mas recuperou a ponta na largada. Sempre andou muito rápido e tinha tudo para vencer, mas sua equipe fez besteira nos boxes pela primeira vez no ano e comeu sete segundos a mais no segundo pit-stop. Depois disso, só restou segurar os ataques de Webber no final e levar o carro até o fim. Se não dá para vencer, que venha o segundo lugar.

MARK WEBBER7,5 – É um piloto irregular e de postura estranhíssima. Velocíssimo desde sexta-feira, o australiano fez sua primeira pole no ano em um circuito no qual sempre andou bem e tinha bons prognósticos. Na corrida, largou pessimamente como de costume e perdeu a ponta para Vettel. Depois, seu ritmo insuficiente o fez perder também a segunda posição para Alonso. No final, ainda tentou atacar o alemão, mas não conseguiu tomar o segundo lugar. Após a prova, disse que havia recebido ordens de equipe e optou por desobedecê-las. Porque não basta perder feio para o companheiro: tem de ser burro e desagregador também.

LEWIS HAMILTON8 – Como de costume, foi uma das atrações da corrida. Nos treinos, andou mal o tempo todo e foi o último colocado no Q3 do treino classificatório. A recuperação veio no domingo. Largou bem pra caramba, ganhou uma enxurrada de posições nas primeiras voltas e, com os pit-stops, chegou a ocupar a segunda posição por algum tempo. Não foi possível mantê-la, até mesmo pela possibilidade de pane seca no final, mas o britânico conseguiu terminar em um bom quarto lugar.

FELIPE MASSA7,5– Longe de ter sido um fim de semana ruim, tinha chances – e talvez a obrigação – de fazer melhor. Seu melhor momento foi a liderança em um treino de sexta, quando ele conseguiu fazer o melhor tempo sob condições de pista que o favoreciam. No treino oficial, ainda andou bem e fez o quarto tempo. Na corrida, fez o feijão-com-arroz, perdeu uma posição para o fulminante Lewis Hamilton e, demonstrando arrojo, tentou tudo e mais um pouco para recuperar a posição do inglês até a bandeirada. Final bacana, mas o restante da corrida foi morno.

NICO ROSBERG7,5 – Fez aquilo que se espera dele: terminou na melhor posição possível da maneira mais burocrática possível. Largou da nona posição, fechou a primeira volta em 12° e ganhou um monte de posições com a estratégia de apenas duas paradas. Como destaque positivo, segurou Pérez durante muitas voltas. Foi bem, mas não brilhou em momento algum. Como sempre.

SERGIO PÉREZ9 – Um dos grandes nomes da corrida. Apesar de não ter ido bem no treino classificatório, o mexicano optou pela estratégia de duas paradas, confiando na boa capacidade de poupar pneus de seu carro, e partiu para a luta. Ganhou várias posições, mas ficou preso atrás de Rosberg na maior parte do tempo. A nota maior de Pérez em relação ao alemão tem uma razão óbvia: tratava-se de um Sauber atacando um Mercedes.

NICK HEIDFELD6,5 – Outro que andou bem, mas não brilhou. Como sempre, não fez porcaria nenhuma nos treinos e tomou 1,1 segundo de Petrov no treino oficial. Na corrida, se recuperou apostando em parar mais cedo que os outros para trocar os pneus intermediários por pneus de pista seca. Andou direito, não se envolveu em confusões e conseguiu um razoável oitavo lugar. A Renault não vai bem, mas ele também não está ajudando muito.

MICHAEL SCHUMACHER7,5 – Esse, sim, merecia ter obtido um melhor resultado. Apesar de ter ido muito mal no treino classificatório, o heptacampeão largou muitíssimo bem e ainda apostou corretamente em parar para colocar pneus slick antes de todo mundo. Infelizmente, pouco depois, esbarrou no carro de Kobayashi e perdeu o bico. De quebra, teve de fazer um stop-and-go como punição pela batida. Depois, veio como um maluco e tentou recuperar o máximo de posições possível. Chegou em nono. Se parar de quebrar bicos que nem seu companheiro fazia alguns anos atrás, poderá sair da incômoda décima posição no campeonato.

JAIME ALGUERSUARI7 – Está em ótima fase e deixou a batata quente da Toro Rosso nas mãos do companheiro Buemi. Foi mal no treino oficial, mas o companheiro suíço foi ainda pior. Na prova, apostou em duas paradas e conseguiu ganhar várias posições com a estratégia. Tinha carro para ultrapassar Heidfeld e Schumacher, mas não o fez. O ponto o deixou à frente de Buemi pela primeira vez no campeonato.

ADRIAN SUTIL5,5 – Não foi mal no treino classificatório, mas ver seu companheiro largando cinco posições à frente não deve ser bacana. Na corrida, fez as mesmas três paradas dos pilotos lá da frente e acabou ficando fora dos pontos por isso.

VITALY PETROV 4 – Ao contrário do companheiro de equipe, vai melhor nos treinos do que em corridas. Na classificação, enfiou mais de um segundo goela abaixo de seu companheiro. Na corrida, sofreu muito quando teve de correr com os pneus intermediários e perdeu terreno. Pelo menos, marcou a sexta melhor volta da corrida.

RUBENS BARRICHELLO3,5 – Levou uma surra medonha de Maldonado no treino oficial e ainda largou pessimamente mal, algo nem tão incomum em sua carreira. Em compensação, conseguiu recuperar algumas posições durante a prova e conseguiu o notável feito de terminar à frente do companheiro. O que não coloca o leite na mesa.

PASTOR MALDONADO5 – A nota maior só vale pelo excelente desempenho apresentado no treino oficial. O domingo, em compensação, foi catastrófico. O chavista largou mal, teve problemas com um carro acertado para pista seca e a estratégia de três paradas também não ajudou. No fim, deve ter sido doloroso terminar atrás do companheiro que largou em 15º.

PAUL DI RESTA7,5 – Tinha tudo para obter seu primeiro grande resultado no ano, mas foi vítima de inúmeros azares. No treino classificatório, surpreendeu a todos marcando um excepcional sexto tempo. Na corrida, em uma de suas paradas, os mecânicos se embananaram e fizeram o escocês perder uns 25 segundos. De quebra, levou uma bordoada do Toro Rosso de Sebá Buemi. Saiu no lucro por ter sobrevivido.

TIMO GLOCK4,5 – Sem os carros da Lotus na pista, não teve vida muito difícil. Na verdade, ele até chegou a superar Jarno Trulli na classificação. Fez apenas para levar o carro até o fim e conseguiu.

JERÔME D’AMBROSIO3,5 – Também não tinha muito mais o que fazer além de levar o carro até o fim. Largou e terminou atrás do companheiro Glock, mas ficou à frente dos dois carros da Hispania. Precisa aprender a largar um pouco melhor.

VITANTONIO LIUZZI4 – Passou certo sufoco com o novo companheiro nos treinos de sexta-feira, mas conseguiu manter-se à frente dele tanto no treino oficial como na corrida. Como vem acontecendo neste ano, chegou a ganhar algumas posições na primeira volta, mas seu carro não permitiu que estas posições fossem mantidas.

DANIEL RICCIARDO5 – Voto de confiança. O australiano sorridente andou bem mais próximo de Liuzzi do que Narain Karthikeyan jamais fez neste ano até aqui. Ficou a apenas seis décimos do italiano no treino classificatório, não prejudicou ninguém na corrida e levou o combalido carro espanhol até o fim. Levando em conta que não eram muitos os que esperavam que ele chegasse arrepiando, aprovado em sua estreia.

JENSON BUTTON6 – Vinha em um fim de semana razoável, mas suficiente para fazê-lo terminar entre os cinco primeiros. No entanto, um pneu mal fixado no terceiro pit-stop o obrigou a estacionar metros depois da saída dos pits. Não fosse isso e ele poderia até mesmo ter terminado à frente do companheiro. O fracasso o fez cair para a quinta posição na tabela do campeonato.

SEBASTIEN BUEMI3,5 – Ao contrário de Alguersuari, não está em boa fase. Largou atrás do companheiro e permaneceu atrás dele o tempo todo.  Na volta 26, bateu em Di Resta e teve um pneu furado que o alijou da corrida. Nesse momento, a desvantagem na briga interna da Toro Rosso é dele.

KAMUI KOBAYASHI4 – Foi bem no treino oficial ao marcar o oitavo tempo e tinha boas chances na corrida. Mas o domingo foi negro para o japonês: foi tocado por Di Resta e por Schumacher, foi liberado antes da hora em seu primeiro pit-stop, quase batendo em Maldonado e destruindo um equipamento da Force India, tomou um stop-and-go e ainda abandonou com o motor quebrado. Foi o joão-bobo do dia.

JARNO TRULLI2 – Mesmo para os padrões da Lotus, não foi um bom fim de semana. Trulli da Depressão largou quatro posições atrás do companheiro, chegou a perder uma posição para um Hispania na largada e abandonou após apenas nove voltas com vazamento de óleo.

HEIKKI KOVALAINEN4,5 – Foi o grande destaque da turma do fundão ao marcar um ótimo 17º lugar no grid, deixando os dois carros da Toro Rosso para trás. Sua corrida, apesar da boa largada, durou apenas três voltas: o câmbio estava quebrado como arroz de terceira.

Para ler a primeira parte, clicar aqui.

VITALY PETROV

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 7 (9º)

O FAVORITO: 1 (10º)

PONTOS: 12 (9º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 2 (19º)

O MAIS REJEITADO: 1 (13º)

PONTOS: 4 (20º)

Esse me surpreendeu, de certa maneira. Ao contrário de Heidfeld, achei que receberia mais votos tanto dos admiradores como dos detratores. No mais, é visível que há mais gente que gosta dele do que gente que não gosta. Mesmo assim, fica claro que Petrov é mais lembrado como o segundo ou o terceiro piloto favorito.

“Como não simpatizar com um piloto que é considerado pela imprensa russa ‘maior que os maiores campeões mundiais e campeões olímpicos russos'” – Leandro A. Guimarães

ROBERT KUBICA

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 5 (12º)

O FAVORITO: 0 (-)

PONTOS: 5 (15º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 0 (-)

O MAIS REJEITADO: 0 (-)

PONTOS: 0 (-)

Lembrança bacana. Cinco pessoas o consideraram como um de seus pilotos preferidos. Todas, curiosamente, o consideraram como o terceiro piloto favorito. A ausência da atual temporada certamente refletiu no resultado. Se esse censo tivesse sido feito em 2010, Kubica dificilmente estaria fora da turma dos cinco mais admirados.

“Mesmo fora do grid esse ano devido ao acidente, é um piloto excepcional. Espero que quando ele voltar, volte com a mesma forma de pilotagem” – Fernando

RUBENS BARRICHELLO

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 38 (2º)

O FAVORITO: 20 (1º)

PONTOS: 82 (2º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 3 (16º)

O MAIS REJEITADO: 1 (13º)

PONTOS: 6 (16º)

Outro resultado muito bacana. Eu achei que Barrichello seria escrachado por aqui, mas nada menos que 38 pessoas o lembraram como um de seus pilotos preferidos. Rubens, aliás, é o favorito de 20 pessoas, ultrapassando até mesmo o Mito. E o índice de rejeição me surpreendeu positivamente: apenas três pessoas não gostam dele.

“Se fosse europeu seria um dos caras mais respeitados, mas como é brasileiro, avacalham com o sujeito, que deve estar se lixando pra essa gentinha boba que deve ser frustrados no que fazem e querem descontar em alguém. Fazer pole e podio de Jordan e Stewart e fazer corridaças com as cadeiras elétricas da Honda e Williams não é qualquer um” – Juliano

PASTOR MALDONADO

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 0 (-)

O FAVORITO: 0 (-)

PONTOS: 0 (-)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 4 (14º)

O MAIS REJEITADO: 0 (-)

PONTOS: 7 (15º)

Se Hugo Chavez ler estes resultados, estou ferrado. Maldonado foi um dos três únicos pilotos do atual grid que não foram lembrados entre os favoritos, refletindo a total discrição de sua participação na temporada. Quatro não gostam dele. Se ele fosse um pouco menos afoito e se tivesse um apoio mais nobre do que o da PDVSA, sua imagem poderia até estar um pouco melhor.

“Nada contra o piloto em si, mas é apoiado indiretamente pelo Hugo Chávez e, como sou antichavista, sobrou pro pobre coitado do Pastor (Que tem suas qualidades)” – Gustavo Lovatto

ADRIAN SUTIL

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 3 (15º)

O FAVORITO: 3 (6º)

PONTOS: 9 (12º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 6 (9º)

O MAIS REJEITADO: 1 (13º)

PONTOS: 10 (13º)

O que me chamou mais a atenção é que três pessoas o consideram como seu piloto preferido. Curiosamente, foram as únicas pessoas a mencionarem seu nome entre os favoritos. Seis não gostam dele e um o odeia mais do que tudo. Adrian não chama a atenção em nenhum quesito, mas a maior rejeição é um sinal de que ele já não é mais considerado a grande promessa da próxima década.

“Piloto fraquíssimo que está fazendo hora extra na Fórmula 1. Apanhava do Fisico na FI, e agora apanha do estreante Paul di Resta. Se dependesse só de mim, estava a pé desde o fim de 2008” – Pedro Henrique Fonseca

PAUL DI RESTA

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 7 (9º)

O FAVORITO: 0 (-)

PONTOS: 10 (11º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 0 (-)

O MAIS REJEITADO: 0 (-)

PONTOS: 0 (-)

Nada como ter um bom currículo e bater o companheiro em algumas corridas deste ano. De fato, não há o que reclamar sobre Di Resta. Isso explica sua rejeição nula. Por outro lado, sete pessoas gostam dele, ainda que ninguém o considere seu favorito. Dá pra dizer que, por enquanto, o povo o acha legal e simpático e só.

“O moleque guia muito, embora venha cometendo alguns erros (tudo bem, o cara é cabaço). Acredito que tem tudo para se firmar e fazer belo papel” – Pedro

KAMUI KOBAYASHI

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 44 (1º)

O FAVORITO: 19 (2º)

PONTOS: 97 (1º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 1 (21º)

O MAIS REJEITADO: 0 (-)

PONTOS: 1 (22º)

O Mito. 44 pessoas, mais da metade dos votantes, disseram considerá-lo ao menos um de seus três pilotos preferidos. 19 o consideram seu favorito, perdendo apenas para um surpreendente Barrichello. Apenas um herege, que até já disse aceitar as pedras e a cruz, não gosta muito dele. O cara pode não ser unânime, mas faz por merecer.

“Pra mim o melhor piloto japonês de todos, sabe aproveitar bem o equipamento que tem e sabe controlar o sangue kamikaze nas veias. Com algum tempo pra amadurecer e um carro de ponta tem capacidade de conquistar vitórias mais cedo do que o esperado” – Walmor Carvalho

SERGIO PÉREZ

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 6 (11º)

O FAVORITO: 1 (10º)

PONTOS: 12 (9º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 0 (-)

O MAIS REJEITADO: 0 (-)

PONTOS: 0 (-)

Caso parecido com o de Di Resta. Não dá para sonhar em acompanhar a popularidade de seu companheiro, mas o mexicano ao menos pode se gabar de não ter sido rejeitado por absolutamente ninguém. Seis pessoas gostam dele, sendo que um o considera seu piloto favorito. Para um estreante, um resultado bastante aceitável, mas não impressionante.

“Agressivo, do jeito que eu gosto. Corridas com ele em uma equipe melhor são certeza de um bom espetáculo” – Jorge Alain

PEDRO DE LA ROSA

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 0 (-)

O FAVORITO: 0 (-)

PONTOS: 0 (-)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 5 (11º)

O MAIS REJEITADO: 0 (-)

PONTOS: 9 (14º)

Ninguém gosta dele, o que não me surpreende, embora ele seja gente boa. Na verdade, achava que ninguém se lembraria de sua existência. Surpreendeu-me o fato de cinco pessoas terem se lembrado que não gostavam dele. A corrida de Montreal, na qual ele substituiu Sergio Pérez, deve ter ajudado a refrescar a cuca.

“Não fede nem cheira. Absolutamente desprezível” – Vitor Fazio

SÉBASTIEN BUEMI

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 2 (16º)

O FAVORITO: 0 (-)

PONTOS: 3 (16º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 11 (4º)

O MAIS REJEITADO: 3 (7º)

PONTOS: 20 (4º)

A Toro Rosso é a equipe campeã da rejeição. Seus dois pilotos não agradam a ninguém. Buemi ainda foi melhorzinho, com dois admiradores. Onze pessoas discordam, sendo que três realmente o detestam. Seu resultado só é melhor que o de Alguersuari porque este vem andando mal e ainda é um moleque chato pra caramba.

“Cara completamente insosso e que nada fazia na GP2” – José Eduardo Francisco Morais

JAIME ALGUERSUARI

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 1 (20º)

O FAVORITO: 0 (-)

PONTOS: 1 (21º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 15 (3º)

O MAIS REJEITADO: 5 (2º)

PONTOS: 30 (3º)

É talvez o piloto mais rejeitado do grid atual. Além de só ter um único admirador, que não o considera seu piloto favorito, Alguersuari é o segundo entre aqueles que o consideram o piloto mais detestável, tendo sido mencionado cinco vezes. Só perde de lavada para Alonso. Em popularidade, os espanhóis vão mal pacas.

“Catalão metidinho a DJ que consegue ser pior que o Buemi. Por mim, não teria nem entrado na F-1” – Carlos Pressinatte

JARNO TRULLI

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 2 (16º)

O FAVORITO: 0 (-)

PONTOS: 2 (19º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 20 (1º)

O MAIS REJEITADO: 4 (3º)

PONTOS: 34 (2º)

Isso que dá ser um quase quarentão que nunca obteve lá muita coisa na carreira e que passa os últimos momentos reclamando e se arrastando no fundão. Jarno até tem dois admiradores, mas põe tudo a perder liderando a lista de rejeição, sendo lembrado 20 vezes. Quatro não suportam seu pessimismo contagiante e o consideram mais odiável do que os outros.

“Teve um começo arrasador na Minardi e na Prost, prometia muito, bateu Alonso em um ano na Renault e depois foi se apequenando na Toyota. Agora, já bastante experiente, está lutando com a Lotus. Eu até curto a equipe, só que já está na hora do Trulli deixar de lado a F1 e seguir a carreira em outro lugar. Como ele disse, tentar correr em protótipos seria uma boa para o italiano, até torceria para ele se dar bem por lá” – Caio d’Amato

Depois de longos meses de análise de dados, acusações infundadas de manipulação de resultados, estatísticos passando noites em claro, recontagens e milhares de reais e bits gastos, finalmente exibimos aqui os números finais do censo e alguns pitacos sobre isso.

No total, 79 pessoas se dispuseram a comentar sobre seus três pilotos favoritos e 54 dissertaram sobre os três pilotos mais odiados. Não é a amostra mais abundante da cidade, mas dá para chegar a algumas conclusões bem interessantes.

Primeiramente, falemos sobre a metodologia dos resultados. Contabilizei três tipos de coisa: número de pessoas que citaram cada piloto, número de vezes em que o piloto foi citado como o mais admirado ou o mais rejeitado e número de pontos. Este último é simples de entender: considerando as três escolhas de cada pessoa, a primeira vale três pontos, a segunda vale dois e a terceira vale um. Por que isso? Se você coloca entre seus favoritos Kobayashi, Button e Pérez nesta ordem, devo supor que você torce mais para o japa do que para o mexicano. Os pontos contabilizam melhor esse tipo de coisa.

Por fim, não considerei meus votos. Depois de contabilizar os resultados, me arrependi. Fizeram falta.

Piloto por piloto, apresento os resultados. Os números se referem ao número de pessoas que votaram. Em parênteses, a “posição” na lista:

SEBASTIAN VETTEL:

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 8 (7º)

O FAVORITO: 2 (9º)

PONTOS: 17 (7º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 3 (16º)

O MAIS REJEITADO: 1 (13º)

PONTOS: 5 (19º)

Nenhum dos números aí impressiona. À primeira vista, Vettel é um cara mais admirado do que rejeitado, mas não há nada de muito gritante aqui. Devo concluir que, no geral, o povo não cai na balela ferrarista de odiá-lo e nem na balela rubrotaurina de elevá-lo aos céus. Para um campeão do mundo e atual líder do campeonato, os resultados aí beiram a indiferença.

“Desde 2007 torço pra ele, por ser naturalmente veloz, bom de chuva e ter uma alegria de viver e encarar o automobilismo de uma forma como não é mais encarada ultimamente, com genuíno prazer. Além do que, um cara que tem a coleção inteira dos Beatles em vinil, e tem vontade de conhecer Neil Armstrong, só pode ser gente fina “ – Lucas Carioli

MARK WEBBER

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 0 (-)

O FAVORITO: 0 (-)

PONTOS: 0 (-)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 8 (7º)

O MAIS REJEITADO: 3 (7º)

PONTOS: 15 (9º)

Fiquei assustado aqui. Não que Mark Webber seja o cara mais legal do grid, mas me impressiona o fato de absolutamente ninguém elegê-lo ao menos como um de seus três pilotos preferidos. Por outro lado, oito não gostam dele. Sua temporada ruim deve estar fazendo a diferença. No ano passado, creio que o resultado seria bem mais favorável.

“Era para se aposentar ano passado. Tem um carro de ponta, mas pensa como piloto mediano. Não gosto dele” – José Carlos

LEWIS HAMILTON

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 23 (4º)

O FAVORITO: 8 (4º)

PONTOS: 46 (4º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 6 (9º)

O MAIS REJEITADO: 4 (3º)

PONTOS: 15 (9º)

Polêmico e equilibrado. Lewis é o quarto mais admirado entre todos e oito pessoas o têm como piloto favorito. Por outro lado, seis não gostam dele e quatro o consideram mais insuportável do que qualquer outro. Resultados equilibrados, mas Hamilton é assim mesmo: você o ama ou o odeia, mas não consegue ficar indiferente.

“Na minha opinião, é o melhor piloto dos últimos tempos, desde o fim da chamada “era Schumacher”. É um piloto que tem um estilo de pilotagem espetacular, que sempre busca tirar algo além do limite do carro em que pilota, além de nunca desistir. Batalha até o fim em uma disputa, mesmo que as vezes pague um preço alto, como no Canadá” – Pedro Fonseca

JENSON BUTTON

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 37 (3º)

O FAVORITO: 12 (3º)

PONTOS: 76 (3º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 1 (21º)

O MAIS REJEITADO: 0 (-)

PONTOS: 2 (22º)

Jenson é aquele cara alto, boa pinta, bem-humorado, rico e campeão do mundo, o sujeito que você deveria odiar pelo fato da sua namorada não parar de olhá-lo. Por outro lado, você também gosta dele. Doze pessoas o têm como favorito e um único cara não gosta dele. É uma quase unanimidade. Como a pesquisa foi feita após a avassaladora vitória em Montreal, creio que o resultado tenha ajudado. Mas não creio as coisas fossem muito diferentes em outros momentos.

“Gente boa, boa pilotagem e namorada boa” – Silvio Siqueira

FERNANDO ALONSO

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 15 (5º)

O FAVORITO: 4 (5º)

PONTOS: 30 (5º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 19 (2º)

O MAIS REJEITADO: 10 (1º)

PONTOS: 45 (1º)

Essa eu estava esperando para ver. Muita gente gosta de Alonso, mas essa turma não é páreo para os que odeiam. Alonso é o segundo piloto mais rejeitado e dez pessoas o odiavam mais do que qualquer outro, nada menos que o dobro do segundo colocado. Resumindo: há quem goste, mas quem odeia o faz com muito mais força.

“Fui fã do espanhol até 2006, porque quando se mudou para a McLaren ficou óbvio que não sabia lidar com um companheiro ao seu nível. Desde então envolveu-se em quase todas as polémicas da F1 (normalmente sendo beneficiado), e tem uma mentalidade de “ganhar, mesmo que seja com batota, é que importa” que eu odeio solenemente” – formulapt

FELIPE MASSA

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 4 (14º)

O FAVORITO: 1 (10º)

PONTOS: 8 (13º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 7 (8º)

O MAIS REJEITADO: 4 (3º)

PONTOS: 18 (8º)

Confesso ter ficado um pouco incomodado. Apenas quatro pessoas disseram gostar bastante dele, sendo que apenas um o tem como favorito. Chato para alguém que, provavelmente, lideraria essa lista tranquilamente em 2008. São sete os que o rejeitam, sendo que quatro o fazem mais do que com qualquer outro. Teria Hockenheim/2010 afetado drasticamente o resultado?

“Guerreiro, lutador, rápido, agressivo em suas ultrapassagens, e assim como eu e Rubens, um piloto emotivo. Inesquecível o gesto, batendo com o punho fechado no peito após a derrota em Interlagos 2008. Um grande exemplo de competidor, como disse Sir Jack Stewart”– Lucas Rodrigues

MICHAEL SCHUMACHER

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 12 (6º)

O FAVORITO: 3 (6º)

PONTOS: 25 (6º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 10 (5º)

O MAIS REJEITADO: 3 (7º)

PONTOS: 19 (6º)

Esse daqui é outro rei da polêmica. O heptacampeão mundial não é bem-visto por uma grande parcela dos antigos fãs de Ayrton Senna e também por fãs de Barrichello, Hill, Villeneuve, Montoya, Coulthard e por aí vai. Por outro lado, há aqueles que o consideram inegavelmente o melhor de todos os tempos. A balança com os que gostam e os que repudiam está equilibradíssima.

“É o cara. O Maior de Todos (exceto Fangio). Continuo torcendo por ele – em vão, é verdade, mas torço. Assim como torceria pelo Piquet se voltasse a correr pela Hispania, e pelo Villeneuve se ressuscitasse e corresse na Virgin. (PIquet e Villeneuve pais, bem entendido)” – Pandini

NICO ROSBERG

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 2 (16º)

O FAVORITO: 0 (-)

PONTOS: 2 (19º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 5 (11º)

O MAIS REJEITADO: 3 (7º)

PONTOS: 13 (11º)

Gostei muito desse resultado. Sempre achei que só eu não gostava dele, mas vi que o número de pessoas que não gostam dele é maior do que eu pensava (com destaque para três que o detestam mais do que qualquer outro). E folgo em saber que ele foi pouco citado em ambos os lados. Valeu mais a indiferença do que qualquer outra coisa.

“Ele não tem nenhuma característica detestável, mas nenhuma característica admirável, é tão neutro que chega a ser irritante. Podia ao menos deixar um bigodão ESTILOSO como o pai” – Zé D’Agostini

NICK HEIDFELD

UM DOS TRÊS FAVORITOS: 8 (7º)

O FAVORITO: 3 (6º)

PONTOS: 15 (8º)

UM DOS TRÊS MAIS REJEITADOS: 10 (5º)

O MAIS REJEITADO: 4 (3º)

PONTOS: 19 (6º)

Vocês me decepcionaram. Os dez que não gostam dele já foram reportados para a KGB. Os quatro que realmente o odeiam receberão em até 24 horas telegramas os convocando para o próximo trem com destino a Auschwitz. Pelo menos, oito gostam dele e três o consideram seu piloto preferido. Falando sério, eu realmente acreditava que Nick seria ignorado pela esmagadora maioria de vocês. É o embate da idolatria cult contra aqueles que o acham um conservador chato.

“Peca por não ter aquela “discrição agressiva” ou “agressivdade discreta” do Button. Aparenta se contentar com o fato de ser (um pouqinho) melhor do que outros pilotos de testes, como o de la Rosa. Acho que a F1 não é pra ele, mas sim o mundo dos protótipos” – Victor Ferreira

Amanhã, a segunda e a terceira parte. Os dois pilotos mais admirados ainda não apareceram.

GP DA INGLATERRA: Já comecei falando coisa errada. O nome oficial é Grande Prêmio da Grã-Bretanha, assim como a FIA é Federação Internacional do Automóvel. Mas como eu fui devidamente educado e adestrado pela Rede Globo, acabo falando deste jeito e sou feliz assim. Ao contrário de vocês, reles mortais, Silverstone está longe de ser a pista mais esperada por mim na temporada. Depois da reforma do ano passado, o negócio piorou mais. Achei que aquele trecho construído a partir da Abbey seria veloz, divertido e sensual, mas não passou de uma sequência safada de curvas lentas e burocráticas. O que salva é o ambiente, muito legal. Britânicos amam corrida de carros e fazem de tudo para lotar o autódromo. Além disso, os gramados intermináveis e aquela sensação de roça que caracteriza os circuitos britânicos também são algumas das atrações. Para mim, pelo menos.

RETA DOS BOXES: A partir desse ano, a Fórmula 1 deixará de largar da antiga reta dos boxes, que se iniciava na Woodcote, para largar naquela reta localizada após a Club, curva que ficava no meio do circuito até o ano passado. Faz parte daquela grande reforma de 43 milhões de dólares que visava modernizar todo o autódromo. O trabalho, de fato, ficou bem digno: toda a infraestrutura lembra aquela vista nos exagerados autódromos asiáticos pós-modernos. E há quem diga que largar antes daquelas novas curvas do ano passado será bem mais divertido. Eu não acredito nos “há quem diga”: a largada será chata, assim como o resto da prova. E os números da próxima Mega Sena serão 08, 14, 19, 26, 33 e 39.

BARULHO: A Fórmula 1 é fascinante. Como todas as equipes estão em ótimas condições financeiras, as novas medidas para ultrapassagens estão sendo aprovadas unanimemente, FIA, FOM e FOTA estão se entendendo em todos os aspectos relevantes e os organizadores das corridas não estão tendo problemas para manter suas provas no campeonato, todos consideram que o maior problema da categoria atualmente é o barulho dos motores. A introdução dos motores V6 1.6 para 2014 deixou muita gente incomodada, já que o sacro ruído de 150 decibéis seria consideravelmente diminuído e parte da graça iria embora. Eu, que tenho problemas mentais e de caráter, considero este assunto de importância secundária. Será que é loucura minha? Vale lembra que, nos anos 90, um piloto aí desenvolveu considerável problema auditivo após alguns anos de carreira. Tenho certeza que ele não era tão entusiasta assim da barulheira. Seu nome? Ayrton Senna.

VILLENEUVE: De vez em quando, algum ex-campeão aparece para meter a boca no trombone e comentar sobre todos os assuntos de maneira ácida como se fosse um Felipe Neto quarentão da vida. O problema é quando este ex-campeão é Jacques Villeneuve, canadense gordo, barbudo, meio grunge, um tanto quanto chato e totalmente perdido. Nessa semana, alguém teve a duvidosa ideia de lhe perguntar algumas coisas sobre o céu, a terra, a água e o mar. Empolgado, Villeneuve falou bastante coisa: disse que Vettel só perderá o título se fizer algo estúpido, disse que Hamilton não tem o menor direito de abandonar a equipe que simplesmente construiu sua carreira, disse que os comissários não deveriam punir tanto e disse que simplesmente não estava mais vendo as corridas de Fórmula 1, principalmente por causa da artificialidade das ultrapassagens. Sabe o que é pior? Mesmo sendo o Villeneuve, ele falou coisas que fazem algum sentido.

MOTORES: Muito lentamente, as coisas para a próxima temporada começam a ser decididas. Nessa semana, a Williams anunciou que utilizará motores Renault a partir do ano que vem. Cansada da Cosworth, a equipe do Sir Frank reeditará a parceria que papou quatro títulos de pilotos e cinco de construtores. Todos imaginávamos, portanto, que a Renault acabaria fornecendo propulsores para quatro equipes no ano que vem, mas o jornalista Fábio Seixas apurou que uma das equipes atuais ficará sem os motores franceses: a própria Renault! O nonsense pode ser explicado pelo interesse da fábrica em apenas fornecer propulsores. Se não me engano, ela ainda possui 25% das ações da equipe Lotus Renault GP. A partir do ano que vem, acredito que estes 25% seriam repassados para a Genii. E os motores a serem utilizados seriam os Cosworth rejeitados pela Williams. Sou eu ou essa equipezinha preta e dourada do Vitaly Petrov e do Nick Heidfeld será uma tremenda zica no ano que vem?