Deu duro? Tome uma Dreher

GP DA HUNGRIA: Há tempos, tornou-se sinônimo de corrida chata. Pudera, pois ultrapassagem é cometa Halley por lá e somente abandonos ou erros podem alterar as posições até o final. Eu recomendo que vocês mudem sua visão negativa com relação à prova húngara. O circuito é diferente de todo o resto, inclusive os tilkeanos, pois é totalmente travado e sinuoso, sem os retões e os cotovelos típicos destes suntuosos autódromos do novo século. É um palco legal para acompanhar o desempenho individual de cada piloto, o traçado que cada um deles toma, a capacidade de resistência do bólido e outros detalhes mais técnicos e menos lúdicos. Além disso, a beleza do cenário e das grid girls locais é uma história à parte. Por fim, a resistência húngara é um alento para quem está cansado da recente invasão asiática no calendário da Fórmula 1. Enfim, não é difícil encontrar motivos que ajudem a esquecer o fato de que Hungaroring sempre entrega corridas absurdamente entediantes.

GP DA HUNGRIA COM CHUVA: Em algum lugar obscuro da internet, li que havia possibilidade séria de chuva durante todo o fim de semana. O comentarista Martin Brundle e o piloto de testes da Lotus Luiz Razia andaram dizendo que não para de chover lá dos lados do Danúbio e as chances da situação permanecer assim até o fim de semana são enormes. Aos mortais, a felicidade! As características de Hungaroring, sinuoso como uma estradinha mineira, são altamente propícias para uma corrida de chuva daquelas inesquecíveis. Vale lembrar que a edição de 2006, única da história do circuito a ser realizada sob toró, foi uma das melhores corridas de Fórmula 1 da última década. Você não se lembra? Alonso errou, Räikkönen bateu em Liuzzi, Schumacher bateu em Heidfeld, Button ganhou sua primeira corrida, De la Rosa obteve seu primeiro pódio, Heidfeld completou a festa e Galvão Bueno tirou onda do engenheiro fleumático da Honda que comemorou a vitória de Jenson da maneira mais polida e seca possível. Cinco anos depois, a chance de ter uma corrida tão boa tanto. Preparem seus tambores!

SENNA: Não é do Ayrton que eu falo e nem do filme homônimo. Bruno Senna terá a melhor chance de sua curta carreira até aqui ao participar do primeiro treino livre da etapa húngara pela Renault. Ele substitui Nick Heidfeld, que andou sofrendo críticas ferozes do patrão Eric Boullier. O gordinho com cara de homossexual paulistano afirmou que Nick não estava liderando a equipe franco-luxemburguesa do jeito que se esperava. O oitavo lugar do alemão até aqui obviamente é brochante, pois o Renault R31 é um carro digno de título mundial e Robert Kubica certamente teria vencido todas as corridas até aqui com duas voltas de vantagem, não é? O caso é que o sobrinho mais celebrado da categoria terá sua chance. Vocês sabem que eu não sou parcial. Torço contra, menos por ser ele e mais pela sobrevivência da carreira de Heidfeld.

BUTTON: Como o tempo voa. Há onze anos, li em um jornal que a Williams havia contratado um garoto de 20 anos recém-completados para correr ao lado de Ralf Schumacher. O tal garoto era ruivo, branquelo e tinha cara de inglês tonto, mas havia enfiado uns dois segundos goela abaixo do brasileiro Bruno Junqueira, que também estava concorrendo pela vaga. De lá para cá, o garoto cresceu, deixou a barba crescer, namorou gente famosa, ficou rico, arranjou fãs ao redor do mundo e até ganhou um título. Hoje, pilota um McLaren, namora a mocinha mais desejada do paddock da Fórmula 1 e é um dos pilotos mais admirados do grid, ao menos segundo o censo feito neste sítio. Com apenas 31 anos de idade, Jenson Button completará 200 largadas na Hungria. Apenas dez pilotos registram números maiores que o dele. Como ultimamente a galera anda insistindo em correr até o falo apodrecer, imagino que Jenson poderá ter boas chances de ampliar este número drasticamente. A não ser que se canse de tudo e prefira passar o resto da vida aproveitando a grana com a amada nipo-argentina.

TRULLI: Em Nürburgring, o piloto mais niilista do grid deu lugar ao indiano Karun Chandhok, que está sendo preparado para correr no Grande Prêmio de seu país. Neste fim de semana, Jarno estará de volta. Ainda bem. Chandhok passou vergonha com o carro verde e amarelo, chegando a ficar atrás dos carros da Virgin e da Hispania, o que é notável para alguém que deixou imagem razoável no primeiro semestre do ano passado. Trulli, por outro lado, consegue ao menos andar no nível do companheiro Heikki Kovalainen. Falta apenas um pouco mais de alegria na alma. Como alguém que pilota carros de corrida, possui uma vinícola própria, fala quatro línguas, é milionário e nem precisou ter feito grandes coisas na carreira para seguir na Fórmula 1 pode ser tão infeliz? Diante disso, só resta a nós, pobres mortais, enfiarmos uma corda no pescoço e pular.

Narain Karthikeyan: ao contrário de muitos, ele aceitou a Hispania

Oi. Voltei. Com um título bastante polido. Polido como, aliás, será este site em 2011.

O primeiro texto do ano, como não poderia deixar de ser, é uma dessas constatações mau humoradas típicas de quem não foi à praia ou a Paris nestes dias de folga. Como todos sabem, a Hispania anunciou seu primeiro piloto na semana passada. E chutou o balde. Trouxe lá das profundezas da memória não tão remota o indiano Narain Karthikeyan, ex-piloto da Jordan em 2005. Uma contratação tão surpreendente quanto arriscada. Segundo minhas fontes, Karthikeyan não pilota um carro de Fórmula 1 há exatos 1421 dias. E enquanto pilotou um, não encheu os olhos de ninguém.

Karthikeyan fez apenas um ano na categoria, exatamente o de 2005. Dirigiu um prosaico Jordan cuja concepção datava de 2002. Eram tempos difíceis, aqueles. Os carros amarelados de Eddie Jordan não eram patrocinados por ninguém, nem mesmo pelo Boteco do Tiziu. Os motores eram da Toyota, nada muito empolgante. Seu companheiro era Tiago Vagaroso Monteiro, sujeito que se notabilizou pela confiabilidade de relógio suíço e pela velocidade de Gurgel BR800. E enquanto o português apenas terminava as corridas, o indiano esbanjava agressividade. Às vezes, dava certo. Me lembro de uma belíssima disputa de posição em Spa-Francorchamps, na reta Kemmel, com o Sauber de Villeneuve. Karthikeyan ganhou a disputa e o meu respeito. Só naquele momento, mas ganhou.

Mas não vou falar do indiano, que considero um piloto apenas razoável, mesmo com suas pirotecnias na Bélgica. Falo, sim, de um dos fatores que levou à sua contratação. Narain Karthikeyan só foi desenterrado das catacumbas porque a Hispania não tinha opção. Mas como assim?, perguntam todos. Respondo aquilo que soa mais óbvio: ninguém quer correr lá. O que é absurdo.

Karun Chandhok. Como ELE dispensou a Hispania?

Absurdo? Pensemos. Neste exato momento, há um número considerável de pilotos que são perfeitamente aptos a competirem na Fórmula 1 mas que ainda não estão lá, ou não estarão por lá, pelos mais diversos motivos. Só de gente que competiu no GP de Abu Dhabi do ano passado, há Nick Heidfeld, Nico Hülkenberg, Vitantonio Liuzzi, Lucas di Grassi, Bruno Senna e Christian Klien. E podemos colocar mais nomes: Fairuz Fauzy, Karun Chandhok, Sakon Yamamoto. E vamos inventar mais, gente! Kazuki Nakajima, Romain Grosjean, Jacques Villeneuve, Luca Filippi. E a lista segue.

É muita gente. E a grande maioria aí é bem competente. Muitos são donos de currículos impecáveis, inegavelmente melhores do que os da maioria do grid já confirmado para esta temporada. Como diz a lei da oferta e da procura, se há mais pilotos do que vagas disponíveis, é normal que as equipes estejam todas pimponas escolhendo com total liberdade enquanto os pilotos se digladiam por um empreguinho aqui ou acolá. Era pra ser assim. Porém, o que vemos é uma sequência de pilotos frescurentos recusando correr pela Hispania como se estivessem em posição de escolha.

No mesmo dia em que Karthikeyan foi anunciado pela Hispania, seu compatriota Karun Chandhok revelou que recusou uma oferta da equipe espanhola para correr em 2011. Para ele, correr por ela “não faria sentido em relação aos seus objetivos de longo prazo”. Afinal de contas, ele diz procurar uma equipe que lhe dê condições de correr por pontos. O discurso do cara, de fato, mostra que ele é um sujeito obstinado e que não se contenta por pouco. E mostra também que ele é prepotente e que não tem a menor noção da realidade.

Quem, afinal, é Karun Chandhok? Qual é sua moral, nesse exato momento, pra recusar dessa maneira uma vaga em uma equipe de Fórmula 1? Será que ele está sendo disputado a tapa por equipes “que lhe dão condições de correr por pontos”? Se estiver, eu largo esse site e vou cuidar de cabras no Butão. Mas confio em mim e digo peremptoriamente: não está. E vai acabar sobrando.

Nick Heidfeld: esse também não está em posição muito melhor pra escolher

Além da Hispania, há ainda uma vaga disponível na Force India, se considerarmos que Adrian Sutil não deixará a equipe. O dono da equipe, Vijay Mallya, já deu declarações bastante críticas a respeito dos pilotos indianos em mais de uma ocasião. Ele deve anunciar o escocês Paul di Resta como companheiro de Sutil nas próximas semanas. E se der alguma zebra, será Nico Hülkenberg o contratado. Karun Chandhok só entra na equipe se todos os pilotos admirados por Mallya morrerem de infecção estomacal em Guarujá, o que não é muito provável.

Chandhok não é aquele piloto dos sonhos de ninguém. Fez alguns fins de semana pela mesma Hispania em 2010. Notabilizou-se por andar razoavelmente bem nas corridas, conseguindo um bom 14º lugar em Melbourne. De fato, ele não passou vergonha. Mas daí a achar que seu retrospecto o permite dispensar a Hispania desse jeito e esperar sentado por uma vaga em uma equipe maior são outros quinhentos mil.

Vamos, agora, aos possíveis argumentos contrários. Muitos dirão que correr na Hispania é um despropósito que não ajuda em nada a carreira do piloto. Eu concordo que é muito melhor correr em qualquer outra equipe de Fórmula 1 do que na equipe de José Ramón Carabante. Mas é melhor ficar parado? Será que o indiano terá maiores chances de mostrar seu talento se ficar deitadão no sofá de casa? Impossível. Por pior que seja a equipe, a melhor maneira de demonstrar o talento é competindo.

Alguns dizem que é melhor para ele fazer um ano de GP2 do que correr em um carro de GP2 na Fórmula 1. Esses que dizem isso sabem pouco sobre a categoria-base. Karun já fez três anos completos por lá e não obteve nada além de duas parcas vitórias dominicais e um histórico de erros e acidentes. Se ele não conseguiu nada correndo ao menos um ano em uma equipe de ponta (iSport em 2008), o que leva a crer que um quarto ano irá ajudar? E quem disse que é fácil assim arranjar uma equipe boa na GP2? As duas melhores, ART e Addax, já fecharam suas vagas. Se o indiano voltar, é pra correr em equipe média. E isso, sim, não acrescentaria em nada na sua carreira.

Andrea de Cesaris na Rial: caso de piloto que aceitava correr em qualquer lugar. O que importava era correr

E há quem diz que ser o reserva de uma equipe melhor é um negócio mais interessante. Eu respondo apontando o dedo para Nick Heidfeld, que assinou como o terceiro piloto da Mercedes esperando pela saída de Michael Schumacher. Não só a retirada não aconteceu como Nick não fez um mísero quilômetro de testes com o carro de três pontas. E não foi lembrado por nenhuma equipe boa para uma vaga de titular em 2011. Sua carreira, portanto, está próxima de um fim. Sem qualquer oportunidade de testes, não há como um piloto justificar o pleito por uma vaga de titular. Paul di Resta é um caso excepcional, mas vale lembrar que o escocês tem boas relações com a Force India desde 2008.

Eu sei que estou bombardeando demais o pobre do Chandhok, que é o caso mais explícito dessa frescura no rabo. Outros, como os teutônicos Heidfeld e Hülkenberg, também fecharam as portas para a Hispania. Os casos deles até são mais justificáveis, já que tratam-se de pilotos com currículos melhores. Mas do que adianta ter um currículo bom se as equipes maiores não lhes ofereceram as oportunidades? Repito a pergunta: é melhor ficar parado ou trabalhando como aspone em outra equipe? Acho que não.

Não consigo me lembrar de uma outra equipe sendo negada de maneira tão escandalosa. Há, é claro, histórias do tipo com aberrações como a Andrea Moda e a Life. Eram, porém, outros tempos, tempos nos quais havia mais de 30 carros no grid e não era absurdo renegar uma equipe esperando outra, ainda mais se essa equipe era uma completa porcaria. Mas fazer isso com apenas 24 carros e apenas duas ou três vagas disponíveis beira as raias da burrice. E a Hispania, definitivamente, não é a Andrea Moda ou a Life.

Quando olho para todos esses pilotos achando que correr em equipe pequena é retrocesso, penso em Andrea de Cesaris. O italiano passou boa parte de sua carreira investindo em equipes minúsculas ou novatas. E olha que ele fazia isso em tempos nos quais já não era mais um novato. Em 1986, aceitou dirigir o miserável carro da então incipiente Minardi. Em 1988, após competir pela poderosa Brabham, bandeou-se para novata Rial. No ano seguinte, assinou com a pequena Dallara. Em 1991, mergulhou de cabeça no projeto da Jordan. E nos casos da Rial, da Dallara e da Jordan, conseguiu ter em mãos carros minimamente razoáveis, que permitiram a ele mostrar sua velocidade e sua agressividade. Sua carreira durou quase 14 anos e correr pelas equipes pequenas não complicou sua vida. O que realmente o prejudicou foi sua estadia de dois anos na estabelecida Tyrrell. Irônico, né?

Seria engraçado se a Hispania desse certo em 2011. Eu sei que isso é quase impossível, mas fico aqui pensando se aquele carro espanhol mostrasse um mínimo de potencial. Mas é claro que os Chandhoks e Heidfelds da vida não concordam. Segundo sua cartilha, para ter uma boa carreira na Fórmula 1, nem sempre é bom correr na Fórmula 1. Frescurentas, é o que são.

HOCKENHEIM: Nada mais legal do que uma pista socada no meio da Schwarzwald, a famosa Floresta Negra alemã. Por mais que esquilos e sequóias não gostem, Hockenheimring é um dos templos europeus do automobilismo. Infelizmente, alguns pseudodefensores da causa ecológica choramingaram um monte pelo fato da pista cortar a tal floresta e perturbar o sono dos bichinhos. Deste modo, o quase-oval teve de dar lugar, em 2002, a um traçado remodelado que aproveita apenas a parte mista da versão antiga. Apesar de muitos fãs, e essa turma me inclui, terem reclamado à beça, essa nova versão permite bons pegas e carros andando lado a lado por mais da metade da volta, algo raríssimo no calendário atual. O Hockenheim atual é um circuito honestíssimo para o que propõe, e espero uma corrida movimentada. Quanto ao antigo trecho de alta velocidade, ele está abandonado e não cresce nada no lugar aonde havia asfalto. A turma verde, às vezes, é ridícula.

CHANDHOK: Na dança das cadeiras da Hispania, quem sobrou dessa vez foi o indiano. Sakon Yamamoto ocupará seu lugar, já que Bruno Senna foi trazido de volta para o lugar que o japonês ocupou em Silverstone. Fico triste pelo indiano, que faz uma temporada bastante razoável considerando que, até o primeiro dia de treinos do GP do Bahrein, ele nunca tinha sentado sua bunda no banco do carro. Com o dinheiro de Yamamoto, a Hispania está tentando sobreviver e seguir na Fórmula 1 no ano que vem. Gosto dela, mas lembro também que todas as equipes que tiveram trajetórias parecidas faliram rapidamente.

VETTEL: Em um dia, está tudo bem e os taurinos cantam no karaokê. No outro, ele desce o pau em seu companheiro de equipe. Neste momento, o clima aparente é de trégua lá pelos lados de Milton Keynes. Apesar do pirralho teutônico andar um tanto quanto pernóstico nestes últimos tempos, não o culpo pela cizânia. E também não culpo Webber. O responsável é Christian Horner, que parece ter dificuldades em gerenciar conflitos em uma Red Bull que sempre considerou a equipe cool e descolada da Fórmula 1 par excellence.

CHUVA: Chuva na Floresta Alemã no mês de julho nunca foi algo absurdo. Em Hockenheim, a Fórmula 1 já teve carros, pneus e tênis encharcados pela água pluvial em várias ocasiões. Me lembro que, no ano 2000, a Fórmula 3000 chegou a cancelar um treino oficial porque o circuito estava literalmente alagado e os equipamentos boiavam nos boxes. Naquele mesmo ano, Rubens Barrichello obteve sua primeira vitória na carreira ao arriscar correr com pneus para pista seca debaixo de tempestade nas últimas voltas da corrida. Dez anos depois, os serviços de meteorologia dizem que ela estará presente no fim de semana. Esperemos pra ver.

DANNY SULLIVAN: E um dos comissários do GP da Alemanha será um ex-ator! Como é? Danny Sullivan, ex-piloto da Tyrrell em 1983 e campeão da Indy em 1988, fez uma pontinha no seriado Miami Vice como um piloto de corridas acusado de assassinar uma prostituta. Além disso, o cara também já foi militar de baixa patente e taxista. Um cidadão versátil, sem dúvida. No automobilismo, sempre foi um piloto veloz sem ser pirotécnico. Na Fórmula 1, apesar dos resultados terem destoado bastante, era comum vê-lo andar tão rápido quanto seu companheiro Michele Alboreto. Na Indy, brilhou na segunda metade dos anos 80, mas os acidentes do início dos anos 90 apagaram um pouco seu ímpeto.

Dizem que esse coala morreu pouco tempo depois de tomar a água. RIP.

MELBOURNE: Cidade bonita, grande, recheada de prédios, gente bonita e e qualidade de vida. Eu não sou exatamente fã da Austrália, mas reconheço uma enorme vantagem sobre o “fake” desértico financiado com petrodólares que é o Bahrein. O circuito é dos mais bacanas, sinuoso e ao mesmo tempo rápido, tudo isso com muros ali do lado. As corridas são sempre estranhas e lotadas de acidentes e ultrapassagens. A única coisa ruim é o horário. Ver corrida à meia-noite é muito legal. Às três da manhã, um estorvo. Eu sempre acabo dormindo.

RED BULL: Pois é, o carro é realmente bom. O chassi, made by Adrian Newey, é impecável e o motor Renault garante potência e economia. Só a confiabilidade do conjunto é que anda deixando a desejar. Mas a partir do momento em que isso estiver resolvido, é só partir para o abraço. E contrariando Lewis Hamilton, duvido muito que Mark Webber esteja pensando em se aposentar.

EMOÇÃO: E aí, anda faltando ou não? Mark Webber reclamou um bocado nesses dias. Hoje, Fernando Alonso, Robert Kubica e Michael Schumacher rebateram dizendo que não estava tão pior do que sempre foi. Bernie Ecclestone disse que não dá pra fazer nada nesse ano e que a primeira corrida não pode ser o único parâmetro. Ele está certo. Sakhir, apesar de eu gostar do traçado, nunca rendeu uma corrida espetacular. Mas Melbourne provavelmente não deverá ser considerada também, já que tudo lá é louco.

CHANDHOK: Vamos acompanhar sua estréia na Fórmula 1 nesse fim de semana (ou alguém aí considera aquelas cinco míseras voltas barenitas?). O monocelha-man já disse que se terminar, será um milagre. Modestíssimo como um dalit. Ele mesmo sabe que a possibilidade de se esborrachar em um muro australiano por aí é grande.

RENAULT: Virá com patrocínio novo, de uma financeira monegasca pertencente ao Grupo Renault. Me parece mais uma transferência de poupança para conta-corrente, mas tudo bem, é válido. O diabo da situação é colocar aquele horrível “DIAC” na lateral do carro. A pintura na pré-temporada era tão bonita, mas esse monte de marca acabou com ela.

DIAC? Puta que o pariu, hein...

HISPANIA RACING TEAM

Uma nada simpática sigla é o nome oficial, para a FIA, da última equipe confirmada para essa temporada. Remanescente dos restos da Campos, a Hispania Racing Team é talvez a equipe mais despreparada para o mundial. Seu ponto forte parece ser o chassi, desenvolvido pela tradicional Dallara. O problema maior da equipe é a falta de um patrocinador importante e de testes. Sua confirmação se deu há duas semanas, e o lançamento da equipe ocorreu na quinta-feira. O objetivo para essa temporada é simplesmente terminar o campeonato, e as corridas também.

Sediada em Murcia, Espanha
Estreante

 

20- KARUN CHANDHOK

Aquilo entre os olhos mais parece uma tatuagem

Ele é a monocelha mais rápida do mundo. Ou melhor, duas retificações: para a apresentação oficial da HRT, ele arrancou fora a taturana. Além disso, o fato de ser a monocelha mais rápida do mundo não quer dizer absolutamente nada. Karun entrou na Fórmula 1 porque tem muito dinheiro, porque seu pai é nada menos que o presidente da confederação de automobilismo indiano e porque Bernie Ecclestone quis. Chandhok foi o último dos moicanos a ser confirmado para a temporada. Seu currículo não traz lágrimas de emoção: campeão da World Series asiática em 2006, três anos discretos na GP2 e alguns testes pela Red Bull na Fórmula 1. Por mais 2009 que seja essa expressão, diante das circunstâncias, só posso dizer “hare baba”…

Indiano, de Chennai, nascido em 19 de Janeiro de 1984
Estreante
Campeão
da World Series by Renault asiática em 2006

 

21- BRUNO SENNA

A Honda o deixou sem um volante em 2009. E quase acontece de novo

Sejamos impressionistas: por enquanto, ele só é o sobrinho do Ayrton. Muitos nostálgicos o querem no grid unicamente pelo seu valiosíssimo sobrenome, o que acaba até sendo uma injustiça com o piloto Bruno. Que se não é gênio, pelo menos é esforçado, humilde e vem melhorando aos poucos. Sua primeira experiência com monopostos foi uma rodada vexatória no Lotus do tio enquanto fazia algumas voltas de demonstração em Interlagos/2004. Depois passou pela F-BMW, F3 e GP2, sempre correndo por equipes fortes e obtendo resultados bons sem furor. Chega à F1 por uma equipe que confirmou sua existência há pouco. Um verdadeiro ponto de interrogação.

Brasileiro, de São Paulo, nascido em 15 de Outubro de 1983
Estreante
Vice-campeão
da GP2 em 2008

Um é campeão de Fórmula 1, já ganhou as 500 Milhas de Indianápolis e já comeu a irmã da Kylie Minogue. O outro só tem uma enorme monocelha e um título na desconhecida Fórmula Renault V6 asiática. Ambos completarão (ou deverão completar) o grid de 26 (ou 24; nesse caso, um deles não viria) carros da Fórmula 1 em 2010.

À minha maneira, vou ser breve sobre eles, escrevendo verdadeiros memorandos pretensamente resumidos. Mesmo com a expansão de 6 carros no grid para 2010, eu não acreditava ver Jacques Villeneuve e Karun Chandhok entre os 26 felizardos. Há gente mais interessante do que os dois: Nick Heidfeld, Pastor Maldonado, Álvaro Parente, Giancarlo Fisichella e por aí vai. Nada contra Villeneuve, seu maior problema é a idade. Já Chandhok, que começou na GP2 como um piloto promissor de um país sem tradição, estagnou e deixou o bonde passar. Mas ambos estão aí e o blogueiro não pode reclamar, apenas noticiar e comentar.

Jacuqes Villeneuve em seu ano de estréia. Tempos já distantes...

Jacques Villeneuve é aquele cara que faz o avesso do arquétipo de um piloto de ponta da Fórmula 1: desleixado, não liga para nada nem para ninguém, ouve música alternativa, canta, pinta o cabelo e dá uma de resenhista literário em seu site. Se eu tivesse de escolher um piloto de F1 para ser amigo, seria ele. Na pista, anda como um piloto de ponta, embora tenha conseguido a proeza de ficar 8 anos da carreira em carros não tão bons. O problema é que por mais que ele apanhe dos seus bólidos, por mais que ele fique lá atrás e por mais ridicularizado e subestimado que ele seja, o canadense ainda insiste em ser um participante da Fórmula 1. Nesse caso, a situação é ainda mais dramática: correrá o risco de ser o segundo piloto de um Kazuki Nakajima em uma equipe que sequer existe oficialmente, a Stefan.

Muito ruim, ainda mais em se tratando de quem é. Jacques é o filho mais velho de Gilles Villeneuve, ídolo dos tifosi da Ferrari. Foi vice da Fórmula Atlantic em 1993, rookie do ano da Indy em 1994, campeão da Indy em 1995, vencedor das 500 Milhas de Indianápolis no mesmo ano, vice-campeão de F1 em 1996 e campeão em 1997. Só Lewis Hamilton, 11 anos depois, estrearia de maneira melhor. Depois, pegou uma Williams capenga, uma BAR desorganizada, um bico de três corridas na Renault e uma Sauber, que viraria BMW Sauber, que não decolava. Sua última corrida na F1, Hockenheim/2006, terminou com um acidente forte e patético. Terminou demitido e dando lugar a um polonês muito do promissor, Kubica. E hoje está por aí, fazendo uma corridinha na Nascar, outra na Speedcar, ouvindo Blur e torrando seu dinheiro.

Chandhok em sua vitória mais importante na vida: uma vitória dominical em Spa/2007 na GP2...

Já Karun Chandhok, estreante pela Hispania, é o contrário: é um piloto apenas razoável mas que está ascendendo muito rapidamente no automobilismo. Seu pai, Vicky, é só o presidente do Automóvel Clube da Índia, e muito amigo de Bernie Ecclestone. Está há três anos na GP2 e sempre se notabilizou pela capacidade de sofrer acidentes e de ser rápido mas errático. Uma curiosidade: em entrevista ao GP2 Insider, ele disse que sua agenda telefônica no celular possui 1551 números! Deve ter algo a ver com a enorme população indiana, sei lá…

Ainda não há muito a dizer sobre eles, especialmente sobre o dalit. Ambos não deverão passar do Q1 nas corridas e sofrerão muito com carros que nem serão testados antes do Bahrein. Mas é curioso ver um campeão do mundo e um estreante indiano em situações tão próximas. E tão ruins.