KIMI RÄIKKÖNEN9,5 – Finlandês desgraçado. Na outra semana, vaticinei aqui que a Lotus não ganharia uma corrida neste ano. Jamais. Never. Pois Kimi Räikkönen, o Cacacheiro de Gelo, precisou de apenas um fim de semana para calar meus dedos. Não que seu desempenho nos treinos tivesse sido espetacular, longe disso. O finlandês foi apenas correto nos dois primeiros dias de atividades e até surpreendeu ao lograr o quinto lugar no grid. A vitória começou a ser construída na largada, quando ele pulou para a segunda posição após excelente saída. A liderança veio após o problema do desafortunado Lewis Hamilton, mas não há como negar o excelente ritmo que Kimi impôs durante todo o tempo. Não foi realmente ameaçado em momento algum, nem mesmo quando Fernando Alonso se aproximou. Venceu pela primeira vez desde o GP da Bélgica de 2009 e encheu a barriga de champanhe.

FERNANDO ALONSO8,5 – Em tese, conquistou um ótimo resultado numa pista que nunca lhe trouxe momentos felizes. No entanto, estava visivelmente chateado no pódio, incomodado com a felicidade ébria de um e com o grandessíssimo sorriso rubrotaurino do outro. De fato, Alonso tinha motivos para não ter gostado do domingo, pois sabia que sua grande chance de retomar a liderança do campeonato havia evaporado. Razoável nos treinamentos, o asturiano decepcionou muito no Q3 da classificação e garantiu apenas o sexto lugar no grid. Largou bem, fez uma boa ultrapassagem sobre Mark Webber e andou em quarto nas primeiras voltas. Depois, ainda ganhou as posições de Pastor Maldonado e Lewis Hamilton. Não venceu a corrida porque Kimi Räikkönen estava impossível e ainda borrou-se de medo da recuperação fantástica de Sebastian Vettel. Segundo lugar suado – e amargo.

SEBASTIAN VETTEL10 – Que me perdoem os fãs de Kimi Räikkönen, mas o homem do domingo se chama Sebastian Vettel da Silva. Ele liderou seu primeiro treino livre na Fórmula 1,  ganhou corrida de Toro Rosso e já era bicampeão do mundo aos 24 anos, mas ainda lhe faltava algo: largar lá de trás e terminar lá na frente. Pois ele, Vettel, conseguiu. OK, alguém poderia argumentar que qualquer um consegue tendo um Red Bull RB8 e KERS, mas não é qualquer um que faz a corrida que o alemão sorridente fez naquele domingo. Ele não foi mal nos treinos, embora tenha decepcionado um pouco ao não conseguir lugar na primeira fila. O negócio pegou quando o carro ficou sem combustível no retorno aos pits, o que lhe obrigou a largar lá no fim do pelotão como punição. Destemido, Sebastian não desanimou e passou quase todo mundo sem problemas. Mesmo tendo feito dois pit-stops, um adiantado por um bico quebrado e outro feito por temor de problemas nos pneus, ele conseguiu subir de último para terceiro. E poderia ter vencido a corrida. Se tivesse ganhado, eu não teria ficado surpreso. O cara é um monstro.

JENSON BUTTON7,5 – Boa corrida. Não excepcional, mas competente o suficiente para permitir uma aproximação do companheiro Lewis Hamilton no campeonato. Muito veloz nos treinos livres, Button teve seu pior momento na qualificação, quando ficou apenas em quinto no grid. Não largou bem, mas recuperou-se, ultrapassou Pastor Maldonado e herdou a posição de Hamilton. No final da corrida, estava em terceiro, mas teve a inglória missão de segurar um fulminante Sebastian Vettel. Com carro e pneus inferiores, não deu. Mas o quarto lugar foi um resultado bastante interessante.

PASTOR MALDONADO7 – Fez sua melhor corrida desde Valência, mas o resultado final acabou sendo inferior ao que era previsto. A Williams acertou a mão em Abu Dhabi e o venezuelano tinha um carro muito bom, como todo mundo viu nos treinos. Na qualificação, surpreendeu a todos cavando um lugar na segunda fila. Esteve em terceiro nas primeiras voltas, mas o carro começou a apresentar alto desgaste de pneus e problemas no KERS. Com isso, Pastor não conseguiu segurar vários pilotos que vinham atrás e ainda foi atingido por Mark Webber, que tentou ultrapassá-lo por fora. Mesmo assim, sobreviveu, não teve outros problemas, não matou ninguém e finalizou em quinto, marcando bons dez pontos.

KAMUI KOBAYASHI6,5 – Prestes a ficar desempregado, o japa voltou a caprichar e fez uma corrida muito legal. Não leva nota maior porque foi mal pra caramba nos treinos, mas o que vale são os pontos, não é? Kamui quase ficou no Q1 da qualificação e só conseguiu um mísero 15º lugar no grid. A depressão mudou logo na primeira volta, quando ele conseguiu subir para oitavo após sobreviver ao típico caos dos primeiros metros. Mesmo com problemas no KERS, o piloto da Sauber conseguiu manter um bom desempenho durante a prova, andou entre os dez primeiros durante quase todo o tempo e finalizou em sexto.

FELIPE MASSA6 – Numa corrida com tantas alternativas, tanta gente se destacando pelo lado positivo e pelo negativo, Felipe Massa foi um que não encheu os olhos de ninguém, embora tenha terminado numa posição razoável. Só apareceu mesmo em um único momento, na disputa com Mark Webber. Os dois quase se tocaram, o australiano escapou pela chicane, retornou sem olhar para o retrovisor e acabou assustando o pai de Felipinho, que rodou e tostou os pneus. Fora isso, não há muito para dizer. Seu carro não tinha as atualizações que a Ferrari havia preparado para Abu Dhabi e também não se comportou maravilhosamente bem durante o fim de semana. Massa largou em oitavo e finalizou em sétimo. Fez a lição de casa sem exceder.

BRUNO SENNA7 – Justiça seja feita, o cara fez uma corrida persistente e pra lá de competente. OK, seu carro era bom e tal, mas são poucos aqueles que levam um empurrão daqueles na largada, caem para último, se recuperam e terminam em oitavo. Discreto nos treinos como sempre, Bruno largou em 14º e foi miseravelmente acertado por Nico Hülkenberg na primeira curva. Deu sorte, não deixou o carro morrer e seguiu em frente. Também foi favorecido pelo destino quando Sebastian Vettel bateu na sua roda traseira, que permaneceu inteira. Beneficiado pelas muitas mudanças e também pelo seu próprio desempenho, levou quatro pontos para casa. Resta saber se isso lhe ajudará a conseguir um emprego.

PAUL DI RESTA6 – Corrida estranha, mas premiada com dois pontos no final. O sóbrio escocês não foi bem novamente nos treinos e ficou duas posições atrás de Nico Hülkenberg no grid. Na largada, foi acertado pelo próprio companheiro e teve de ir aos boxes para colocar borracha redonda nova. As duas entradas do safety-car permitiram que Di Resta se recuperasse e voltasse à briga. Ele ainda fez mais duas paradas e a última o permitiu a andar forte nas voltas derradeiras. Terminou grudado em Bruno Senna.

DANIEL RICCIARDO5 – Terminou entre os dez primeiros pela sexta vez na temporada, uma proeza em se tratando de um piloto da Toro Rosso. Nos treinos, os aborrecimentos de sempre. O fim de semana começou a ficar bom logo na primeira volta do GP, quando o australiano conseguiu ganhar boas posições após as confusões da primeira curva. Durante o primeiro safety-car, assustou a toda a nação rubrotaurina quando fez um movimento estranho e quase acabou com a participação de Sebastian Vettel. Andou bem enquanto teve pneus macios, no início e no fim da corrida. Seu décimo lugar veio na piedade, com Michael Schumacher fungando no pescoço.

MICHAEL SCHUMACHER1 – Fim de carreira sombrio para o heptacampeão. O que dizer de alguém que fica em 14º em dois treinos livres, no Q1 e no Q2 da qualificação? No Q3, melhorou e, veja só, até conseguiu um 13º lugar no grid. E além de lento, o cara está azarado como nunca. Escapou das carambolas da primeira curva, que sempre costumam envolvê-lo, e andou entre os dez primeiros durante um bom tempo, mas teve um furo de pneu e foi obrigado a parar nos boxes para trocá-lo. Com isso, acabou ficando a uma posição dos pontos. Terá mais dois fins de semana para tentar fazer alguma coisa. Ou seja, perda de tempo.

JEAN-ÉRIC VERGNE2,5 – Sem novidades. Enquanto o companheiro Daniel Ricciardo celebrou o solitário pontinho, o francês terminou na seca novamente. Não mostrou grandes coisas nos treinos, ficou no Q1 da qualificação e largou apenas em 17º. No início do GP, ganhou boas posições, mas fez um pit-stop logo nas primeiras voltas para aproveitar o período de bandeira amarela. Daí para frente, apareceu muito pouco. No fim da corrida, ficou sem pneus e não teve como sonhar com pontos.

HEIKKI KOVALAINEN4,5 – O 13º lugar até parece sugerir que o finlandês teve uma ótima corrida, mas não foi o caso. A Caterham já não ameaça mais a Toro Rosso e Kovalainen sofreu muito para ficar a menos de um segundo de Jean-Éric Vergne no treino oficial. O GP foi bom por causa das inúmeras encrencas que estragaram a vida de muita gente. Poderia ter sido melhor se não fosse um problema no KERS. Por pouco, não ajudou a Caterham a ultrapassar a Marussia no campeonato.

TIMO GLOCK5,5 – Este, sim, fez uma corrida interessante. Só isso mesmo para compensar o mau desempenho no treino oficial, onde ele ficou duas posições atrás do companheiro Charles Pic. O alemão mandou muito bem na largada, quando passou toda a galera das equipes nanicas e subiu para 14º. De forma competente, conseguiu segurar a Caterham de Vitaly Petrov durante todo o tempo. No fim da corrida, fez talvez seu maior milagre desde que entrou na equipe: conteve os ataques de Sergio Pérez e finalizou à sua frente. Disse e repito: é bom piloto e merece lugar bem melhor na Fórmula 1.

SERGIO PÉREZ3,5 – Tinha tudo para ter obtido um grande resultado nesta corrida, mas fez uma cagada daquelas e acabou o dia chorando atrás de Timo Glock. Foi bem melhor que Kamui Kobayashi no treino oficial e obteve uma razoável 11ª posição no grid, o máximo que o carro da Sauber parecia capaz de fazer. No GP, foi um dos últimos a fazer seu primeiro pit-stop e parecia vir rumo ao pódio, mas causou um acidente bizarríssimo na volta 38. Graças a ele, Romain Grosjean e Mark Webber abandonaram a prova. Pela besteira, o mexicano foi punido e despencou para o fim do pelotão. Aí, não havia estratégia extravagante que ajudasse.

VITALY PETROV2 – Desta vez, foi claramente batido por Heikki Kovalainen, coisa que não vinha acontecendo nos outros fins de semana. Foram dias em que poucas coisas deram certo. Logo na sexta-feira, quase não andou porque seu carro teve problemas nas mãos de Giedo van der Garde no primeiro treino. Na qualificação, foi batido pela Marussia de Charles Pic e terminou o dia com a imagem arranhada. Durante a corrida, ficou quase todo o tempo atrás da outra Marussia, de Timo Glock. Fim de semana fraquinho de alguém que não parece estar tão confiante a respeito de uma quarta temporada na Fórmula 1.

PEDRO DE LA ROSA3 – Coitado. A HRT está quase falida, procurando desesperadamente um comprador. Aquela sensação de avanço que a gente tinha com a equipe já era. Desta vez, o veterano espanhol quase não largou por causa de, creia, um fio do cobertor elétrico que ficou embaraçado e não permitiu que o carro largasse com os demais carros. Durante as primeiras voltas, após largar dos pits, De la Rosa teve de se virar com pneus gelados. Mesmo assim, andou numa boa e finalizou a corrida.

CHARLES PIC5 – Vai ganhar um post quando este blog voltar à normalidade. É um cabra bom demais, o melhor companheiro de Timo Glock desde Jarno Trulli. No treino oficial, deixou para trás o colega alemão e também a Caterham de Vitaly Petrov. Chegou a sair da pista na primeira volta, o que lhe custou algumas posições, mas não perdeu a competitividade e tentou ultrapassar Petrov em várias ocasiões. Não conseguiu porque seu carro não tem KERS, veja só. No final da corrida, o precário motor Cosworth quebrou e não deu pra fazer mais nada.

ROMAIN GROSJEAN3,5 – Teoricamente, todo acidente que acontece na Fórmula 1 é culpa dele ou de Pastor Maldonado, mas o GP de Abu Dhabi foi tão sui generis que o franco-suíço não teve culpa alguma nos três incidentes em que esteve envolvido. Após largar em nono, Romain foi tocado por Nico Rosberg na primeira volta e teve de ir aos pits colocar um pneu novo. Na volta 16, durante a disputa renhida com Sebastian Vettel, o alemão chegou a ultrapassá-lo com as quatro rodas fora da pista, manobra proibida. Só não rolou punição a Vettel porque ele devolveu a posição logo depois. Por fim, o acidente besta causado por Sergio Pérez tirou Grosjean da prova na volta 38. Dessa vez, a Lotus não pode reclamar do seu pupilo.

MARK WEBBER0 – Bom, vamos lá. Não fez nada de novo nos treinos e só assegurou lugar na primeira fila porque o companheiro Sebastian Vettel foi punido ainda no sábado. Na primeira volta, o australiano repetiu as péssimas largadas do ano passado e perdeu um turbilhão de posições antes da primeira curva. Logo depois, não aguentou a pressão de Fernando Alonso e foi ultrapassado, o que deve ter deixado a Red Bull muito feliz. Mais adiante, causou acidentes idiotas com Pastor Maldonado e Felipe Massa, complicando a vida de ambos. A cereja do bolo foi o acidente com Sergio Pérez, Paul di Resta e Romain Grosjean na fatídica volta 38. Enfim, não preciso dizer mais nada, né?

LEWIS HAMILTON10 – Foi o primeiro colocado em dois treinos livres, nas três partes do treino classificatório e liderou todas as voltas da corrida enquanto esteve na pista. O problema é que ele já não estava mais lá no 19º giro, quando a bomba de gasolina falhou e deixou o britânico na mão. Uma tremenda injustiça, é óbvio. Hamilton foi o dominador do fim de semana e merecia a vitória mais do que qualquer outro no grid. Não é a primeira vez que problemas deste tipo o afetam nesta temporada. Pensando bem, sua enorme insatisfação com a McLaren até faz algum sentido. Como compensação, a nota máxima deste blog.

NARAIN KARTHIKEYAN1 – O fim de semana durou pouco e não foi bom para ele. Nos dois treinos livres que fez, ficou em último. No treino oficial, para variar, voltou a ficar em último. Só não largou em último graças à punição de Sebastian Vettel. A corrida acabou de maneira perigosa na volta oito: seu carro começou a ter problemas hidráulicos e ficou ainda mais lento do que o normal. Nico Rosberg, que vinha logo atrás, não conseguiu desviar e atropelou o pobre indiano da HRT. Um acidente feio, que não resultou em mortos e feridos por pouco.

NICO ROSBERG1,5 – Pela terceira vez em quatro corridas, abandonou logo no começo. Está mais azarado até mesmo do que seu companheiro Michael Schumacher. No entanto, nem dá para criticar seu desempenho, bastante interessante para o nível de carro que ele tem. O que posso comentar é a barbeiragem da primeira volta, que estragou não sou sua corrida como a de Romain Grosjean. Relegado às últimas posições, Nico tentou iniciar uma prova de recuperação. O sonho acabou no acidente da oitava volta, no qual ele voou sobre o carro de Narain Karthikeyan e acabou na barreira de pneus. Deu sorte de não sair ferido, mas também só deu sorte nisso.

NICO HÜLKENBERG3 – Prometia uma boa corrida, provavelmente melhor que a de Paul di Resta, mas pôs tudo a perder numa barbeiragem besta na primeira curva. Tentou dividir posição com o próprio companheiro e tudo o que conseguiu foi levar uma penca de gente para fora da pista. O toque em Bruno Senna foi forte, mas só o seu carro ficou danificado. Abandono infeliz para alguém que acabou de ser contratado pela Sauber – haveria uma maldição dos pilotos que trocam de equipe?

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