LOTUS9 – Até que enfim, hein? Depois de 17 corridas esperando sentada, a equipe preta e dourada finalmente obteve sua primeira vitória na Fórmula 1 – é até engraçado falar em “primeira vitória da Lotus”, uma marca que cansou de ganhar nos dias de Colin Chapman. Mas é isso aí, amigos, ela conseguiu. Pois se querem saber, nem foi o fim de semana mais competitivo da Lotus nesta temporada. O que acontece é que Kimi Räikkönen combinou sorte danada com talento danado e o resultado danado só poderia ter sido aquele, o lugar mais alto no pódio. É uma pena que Romain Grosjean, envolvido em tudo quanto é tipo de coisa, não finalizou a corrida. Agora, é hora de pensar em 2013. Isto se, obviamente, a grana não escassear de vez.

FERRARI8 – Não dá para negar que os ferraristas se esforçam. Em Abu Dhabi, a equipe trouxe algumas atualizações, cogumelos e cascas de tartaruga para tentar ajudar Fernando Alonso na disputa pelo título. E só para ele, diga-se de passagem: Felipe Massa teve de correr com um velho Fiat 500 pintado de vermelho. Mas tudo bem, o resultado final não foi tão desastroso. Fernando das Astúrias fez uma boa corrida, ultrapassou Mark Webber e herdou as posições de alguns desafortunados à sua frente, terminando em segundo. Massa sobreviveu a Webber e terminou em sexto mesmo reclamando do carro. Os mecânicos estiveram impecáveis no trabalho de boxes.

RED BULL5 – Ela está de brincadeira com a gente. Que negócio foi aquele de deixar Sebastian Vettel na seca na volta de retorno aos boxes no treino oficial? Isso daí é erro de equipes como Andrea Moda, HRT ou McLaren, jamais deveria ser cometido em um carro que está brigando pelo título de pilotos. Graças a isso, Sebastian Vettel teve de largar da última fila. Para felicidade de todos, o cara fez uma corrida de presidente da República, ultrapassando todo mundo e se colocando na disputa direta pela vitória. Mesmo parando duas vezes, terminou em terceiro e minimizou a perda de vantagem para Fernando Alonso. Mark Webber foi o bobo da corte do GP: bateu em todo mundo e terminou com o carro estropiado. Não ajudou em nada o companheiro.

MCLAREN7 – Para quem tinha o melhor carro do fim de semana, ter de se contentar com um quarto lugar de Jenson Button é de um dissabor impressionante. Lewis Hamilton, que liderou até mesmo lista de receptor de órgãos, liderava de ponta a ponta e vinha tranquilamente para a vitória, mas teve problemas de pressão de gasolina e abandonou a prova, numa situação muito parecida com a de 2009. Quem teve de salvar o dia foi Button, que nem andou tão mal assim. O problema é que sua posição no grid não ajudava e Jenson não é o cara que taca fogo no mundo em situações adversas. É por essas e outras que a equipe, mesmo tendo um carro muito bom, está longe do título deste ano.

WILLIAMS7 – Aleluia! Os dois pilotos marcaram pontos, situação tão improvável quanto o cometa Halley. A dinâmica das coisas nem foi tão diferente assim dos outros fins de semana: Pastor Maldonado muito mais rápido que Bruno Senna nos treinos, o brasileiro andando até melhor que o venezuelano na corrida e os dois se envolvendo em acidentes. Por incrível que pareça, nenhum deles teve culpa alguma no cartório: Maldonado foi atingido por Mark Webber e Bruno foi atropelado por Nico Hülkenberg na primeira curva. Entretanto, o carro da Williams estava veloz como um coelho e resistente como uma tartaruga neste fim de semana. Graças a tudo isso, os pontos. Só falta melhorar nos pit-stops.

SAUBER6 – Marcou pontos com Kamui Kobayashi novamente. O fim de semana foi uma espécie de repeteco dos últimos GPs para a equipe suíça: dificuldades nos treinos, Sergio Pérez andando bem mais rápido no treino oficial, uma estratégia doidona para o piloto mexicano, o japonês subindo posições sem grande estardalhaço, Pérez abandonando a corrida após um erro idiota e Kamui terminando numa posição razoável. Enfim, não houve grandes novidades para a Sauber. Seria bom se o novo contratado da McLaren parasse de fazer besteiras. Quanto a Kobayashi, que arranje grana para seguir na Fórmula 1 no ano que vem.

FORCE INDIA4,5 – Tinha um carro melhor que a Sauber, por exemplo. Devido a isso, ter terminado o fim de semana com apenas dois pontos não foi a melhor das situações. Pelo menos, um dos carros chegou ao fim, coisa que não parecia ser possível após Nico Hülkenberg se destrambelhar e quase atropelar o companheiro Paul di Resta na primeira curva. Hülkenberg abandonou, mas Di Resta seguiu em frente, fez três pit-stops, recuperou-se bem e finalizou em nono.

TORO ROSSO3,5 – Marcou um ponto, sim, mas muito graças ao abandono de vários carros mais velozes. Não fosse por isso, Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne teriam terminado na rabiola das equipes médias. Os dois não andaram bem nos treinos livres, largaram lá atrás e não melhoraram muito na corrida em termos de performance. Ricciardo assustou a Red Bull principal quando fez um movimento estranho durante o primeiro safety-car e quase fechou involuntariamente o caminho de Sebastian Vettel. Vergne, ao contrário, abriu passagem a Vettel tranquilamente, mas teve sua corrida prejudicada com a antecipação de seu primeiro pit-stop. Sem chances de alcançar a Williams, está apenas contando as horas para o fim do campeonato.

MERCEDES0,5 – Sem marcar pontos desde Cingapura, está numa fase nigérrima. Carro lento, pilotos azarados, furos no pneu, acidentes fortes, clima ruim, a Mercedes precisa do que mais? Nico Rosberg ainda andou melhorzinho nos treinos e largou em sétimo, mas furou o pneu num toque com Romain Grosjean e depois se arrebentou num forte acidente com Narain Karthikeyan. Michael Schumacher largou no meio do pelotão e até vinha numa corrida para marcar pontos, mas também teve um furo de pneu e foi obrigado a fazer um segundo pit-stop. Com isso, terminou fora da zona de pontuação. Está sob efeito de macumba muito forte, a equipe germânica.

CATERHAM2,5 – Está com ainda menos brilho do que na metade da temporada, quando chegava a brigar com a Toro Rosso. Heikki Kovalainen andou bem mais rápido que Vitaly Petrov, mas ambos chegaram a ter problemas com os carros da Marussia, que se aproximaram bastante. Mesmo assim, Heikki conseguiu levar o carro até o fim e ficou numa boa 14ª posição, ainda insuficiente para garantir à Caterham o 10º lugar no campeonato. Petrov largou atrás de Charles Pic e terminou atrás de Timo Glock. Pelo menos, foi a única equipe pequena a conseguir fazer seus dois carros chegarem ao fim.

MARUSSIA3,5 – Esta, ultimamente, anda empolgando até mais que a Caterham. Embora às vezes tenha problemas com a HRT, a equipe vermelha e preta conseguiu se aproximar bastante da rival verde em Abu Dhabi. Charles Pic andou muitíssimo bem no treino classificatório, mas não terminou a corrida devido a um motor Cosworth bichado. Timo Glock não foi bem no treino oficial, mas fez uma superlargada e conseguiu segurar os ataques de Sergio Pérez no final da corrida.

HRT2 – Dizem as más línguas que não tem nem peças sobressalentes para terminar o campeonato. O esforçado Narain Karthikeyan bem que tenta permanecer na pista, mas o carro não colaborou e um problema hidráulico acabou ocasionando um acidente perigosíssimo com Nico Rosberg. Nada pior para uma equipe que nem deve ter aerofólios guardados no almoxarifado, se é que ela tem um almoxarifado. Pedro de la Rosa, aos trancos e barrancos, largou e chegou ao fim da corrida. Que encontre um comprador logo.

TRANSMISSÃOELE VOLTOU – Já estava até ficando com medo. A narração brasileira não poderia ficar sem ELE, o único cara que consegue botar Derek Warwick num carro da Red Bull. ELE, que quando vê um acidente envolvendo Pastor Maldonado e Romain Grosjean, respira por um ou dois segundos se preparando para proferir a próxima frase bombástica sacaneando suas participações na Fórmula 1. ELE, que acha que Nico Hülkenberg não é um piloto pronto e muito menos um grande piloto. ELE, que dispara contra os jornalistas que já sabem que Bruno Senna não continuará na categoria em 2013. ELE, que sempre repara na Gabi Maldonado. ELE, que deixa seus dois colegas de bancada amedrontados pela possibilidade sempre iminente de tomar uma patada. ELE, que sempre deixa os acidentes mais dramáticos do que eles são. Vocês me perdoem, mas uma corrida sem ELE perde muito da graça. Abu Dhabi teve graça. Isso, sim, é impressionante.

CORRIDAQUEM TE VIU, QUEM TE VÊ, ABU – A corrida de 2009 foi uma merda com cara de velório. A de 2010 foi tensa pra caramba. A de 2011 foi um amistoso Brasil x Ilhas Canárias. Eu nunca achei que Abu Dhabi e seu portentoso, glorioso e seboso autódromo-hotel conseguiriam proporcionar aos fãs da velocidade um GP tão legal, tão divertido, tão cheio de vilões, mocinhos e histórias. Nem mesmo as áreas de escape latifundiárias impediram a ocorrência de dois grandes acidentes, aquele que mandou Nico Rosberg para o muro e aquele que envolveu um monte de gente e tirou Mark Webber e Romain Grosjean da corrida. Sebastian Vettel foi um espetáculo à parte: mesmo largando da última posição, ultrapassou um por um como se estivesse pilotando no modo fácil do Grand Prix 3, terminou no pódio e poderia muito bem ter vencido. Fernando Alonso também fez uma corrida boa, mas não tanto quanto Vettel. E o vencedor Kimi Räikkönen, aquele que sabe o que faz, deixou todo mundo feliz. Foi uma corrida de Fórmula 1 completa, destas que podem fazer alguém começar a gostar de automobilismo. Num ano louco como este, as melhores provas desta temporada ocorreram nos piores circuitos, vai entender…

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