Imagine você, dono de equipe da Indy que certamente não me lê, que sua fornecedora de motores anuncia que basicamente todas as unidades produzidas estão com um problema sério e precisam de recall. Todas, tanto as suas como as do vizinho. Vai fazer o quê? Reclamar no PROCON? Não existe isso nos Estados Unidos. Processar o fabricante? Se você é americano, provavelmente será sua escolha, mas isso não vai ajudar sua vida na próxima corrida. Então, meu amigo, senta e chora.

Neste ano, a IndyCar Series voltou a ter mais de uma fornecedora de motores. Três, mais precisamente. Além da Honda velha de guerra, a Chevrolet e a Lotus também decidiram produzir o coração dos novos carros da categoria. Muita conversa, muita festa, muito otimismo e muita dor de cabeça. Até aqui, a Lotus não fez nada certo: atrasou o cronograma, conseguiu produzir apenas meia dúzia de motores, nenhum deles funciona a contento e as equipes também não estão contentes. No teste feito em Indianápolis, nenhuma equipe da Lotus foi para a pista somente porque não puderam receber seus motores. Surgiu um boato de que a fabricante se retiraria da Indy e suas clientes teriam de se virar para conseguir parcerias com Honda ou Chevrolet. O sinal amarelo está aceso.

Mas nem mesmo a Chevrolet está sorrindo a toa. O motor deles, sim, é bom pra caramba. Se não fosse, Hélio Castroneves e Will Power não teriam vencido as duas primeiras corridas com a insígnia da gravatinha. Só que, por incrível que pareça, ele tem um problema estrutural que aparenta ser sério. Em testes no Alabama, este problema, ainda não revelado, foi detectado pelos próprios técnicos da Chevrolet e a obrigou a levar todos os seus propulsores para averiguação na fábrica. Resultado: as equipes terão de utilizar novos motores em Long Beach, local da etapa deste fim de semana. Como a quilometragem mínima permitida para troca ainda não foi alcançada, todos os onze carros Chevrolet terão de perder dez posições no grid em Long Beach. Todos! É mole?

O fato é que os clientes da Chevrolet e da Lotus têm todos os motivos do mundo para mandarem todo mundo para o inferno. É um saco quando alguma coisa dá errado por causa de um fornecedor. O Top Cinq conta cinco histórias de equipes prejudicadas de alguma forma pelos seus parceiros. Só consegui me lembrar de casos da Fórmula 1, mas tudo bem.

5- GOODYEAR E TYRRELL EM 1976 e 1977

Vocês se lembram do Tyrrell P34, não é? O famoso carro de seis rodas de Ken Tyrrell, utilizado nas temporadas de 1976 e 1977. Esta aí uma ideia absolutamente genial no papel, mas que acabou enfrentando alguns problemas na prática e terminou engavetada após apenas duas temporadas.

A ideia de colocar um par de rodas a mais veio do projetista Derek Gardner, que havia pensado nisso ainda nos tempos em que trabalhava na USAC. Em 1974, já na Tyrrell, Gardner apresentou ao madeireiro Ken a ideia de criar um carro com seis rodas para revolucionar a Fórmula 1. Como a Tyrrell utilizava o mesmo motor Cosworth V8 e o mesmo chassi Hewland da maioria dos concorrentes, era necessário dar o pulo do gato de alguma maneira.

Gardner teorizava que os pneus dianteiros tradicionais, de 13 polegadas, geravam enorme arrasto aerodinâmico na parte dianteira, o que reduzia a capacidade de aderência. As demais equipes tomavam como solução o uso de grandes asas dianteiras, mas elas acabavam diminuindo a velocidade final em reta. O projetista da Tyrrell concluiu que uma outra coisa que poderia ser feita seria a substituição da roda de 13 polegadas por duas pequenas rodinhas de 10 polegadas. Com isso, daria para reduzir a influência do pneu dianteiro no arrasto aerodinâmico sem precisar usar asas grandes e sem perder área de contato com o solo. Excelente!

Tão logo o Tyrrell P34 foi apresentado, no fim de 1975, ele foi considerado um dos grandes favoritos ao título do ano seguinte. Sua estreia se deu apenas na quarta corrida da temporada, em Jarama: Patrick Depailler largou em terceiro e andou durante um bom tempo nesta posição, mas bateu e abandonou a prova. Ken Tyrrell sorriu. O carro era bom, principalmente de tração e em curvas lentas. Em Anderstorp, uma pista que não era assim tão veloz, Jody Scheckter e Patrick Depailler fizeram uma bela dobradinha e mostraram que o bichão estranho andava direitinho. Não ganhou mais naquele 1976, mas fez vários pódios.

Só que o desenvolvimento do carro estacionou. A Goodyear, fornecedora de pneus, não estava nem um pouco interessada em gastar dinheiro e recursos humanos e tecnológicos para desenvolver compostos específicos para uma única equipe. Enquanto os pneus convencionais evoluíam normalmente, os pneus de 10 polegadas da Tyrrell ficaram até seis meses atrás em desenvolvimento. Como comprovação do “descaso”, a Goodyear havia disponibilizado apenas uma máquina de testes destes pneus menores na Bélgica. E ela podia ser utilizada durante apenas algumas noites por semana, veja só.

A Goodyear continuou levando este desenvolvimento pelas coxas em 1977. Infelizmente, a versão atualizada do P34, com um novo bico dianteiro, era inferior ao do ano anterior e os resultados ficaram muito aquém do esperado. Além de não ter pneus decentes, o carro apresentava muitos problemas de superaquecimento. Sem o menor apoio da fabricante americana de pneus e sem ter os resultados a favor, a Tyrrell decidiu abandonar a ideia de um carro de seis rodas no fim daquele ano.

4- HONDA, LOTUS, WILLIAMS E TYRRELL

Pouco tempo após retornar à Fórmula 1, em meados de 1983, a Honda já estava dando o que falar na categoria. No fim de 1985, os motores japoneses tinham encontrado no Williams FW10 um ótimo hospedeiro que formaria o melhor pacote para as últimas corridas. O casamento entre Honda e Williams foi bastante frutífero e permitiu que Nigel Mansell e Nelson Piquet perdessem o título de 1986 em grande estilo.

Fora da Fórmula 1, os japoneses da Honda se esforçavam para manter seus diminutos olhos abertos para um piloto em especial. Ele já havia ultrapassado a casa dos trinta anos de idade fazia tempo, mas ainda era visto como a grande esperança dos nipônicos no automobilismo internacional. Seu currículo justificava tamanha babação: nada menos que cinco títulos na Fórmula 2 japonesa. Cinco! Desafio alguém a achar um sujeito com mais títulos em uma categoria de base deste porte na história do automobilismo. Seu nome: Satoru Nakajima.

Nakajima era o verdadeiro homem da Honda dentro das pistas. Em 1985, ele conciliou sua vida de estrela da Fórmula 2 japa com a de piloto de testes da marca em Suzuka. Andava horas a fio com um carro da Williams equipado com o motor Honda e, com a destreza de um engenheiro, fornecia um detalhado feedback sobre o seu funcionamento. Graças à devoção, à perseverança e à enorme capacidade técnica, ele conseguiu um lugar na Fórmula 1 em 1987 na Lotus. Mas como? Uma das grandes exigências feitas pelos japoneses à Lotus: se quiserem nossos motores, terão de receber nosso piloto. Valia a pena, pensavam os capos da equipe que ficaria amarelada.

Satoru fazia o humilde trabalho de acertar o motor e até tentava andar bem de vez em quando. Montado num razoável 99T, ele conseguia marcar um ponto aqui e acolá, mas nem sonhava em andar no mesmo segundo do companheiro Ayrton Senna. Ainda em 1987, meio de saco cheio de fornecer motores à Williams, a Honda estipulou que Frank Williams contratasse Nakajima para substituir Nelson Piquet se quisesse continuar recebendo os motores. Frank obviamente recusou, o que já era esperado. Com isso, acabou perdendo os motores para a McLaren – que não foi exigida desta forma.

Nakajima permaneceu na Lotus por mais dois anos. Em 1990, ele quase foi parar na Arrows, mas a Honda estipulou que a Tyrrell o contratasse. Como Ken Tyrrell passaria a receber o motor V10 dos japoneses em 1991, ele seria obrigado a engolir o simpático piloto de Okazaki como contrapartida. Assim foi feito e Nakajima fez duas temporadas discretas, sempre andando bem atrás dos competentes companheiros Jean Alesi e Stefano Modena.

Uma pena. O cara era bom piloto, mas só conseguia suas vagas porque a Honda praticamente forçava suas parceiras a contratá-lo. A contragosto, elas simplesmente lhe entregavam um carro meia-boca e apenas umas sobras de atenção. Por sua vez, Nakajima não conseguia extrair o máximo de seu bólido e os resultados acabaram sendo fracos. A equipe ganhava no motor e perdia no segundo piloto.

3- ELF, WILLIAMS E BENETTON NO GP DO BRASIL DE 1995

Em 1995, a francesa Elf, ainda uma empresa estatal, era a fornecedora de combustíveis e óleos das duas melhores equipes daqueles dias, a Williams e a Benetton. Uma tremenda responsabilidade, mas os técnicos da marca eram competentes e tinham experiência. Eles nunca cometeriam um erro estúpido do tipo fornecer uma amostra de gasolina para ser aprovada pela FIA na pré-temporada e outra totalmente diferente após um treino do GP do Brasil, já que isso é totalmente ilegal. Claro que nunca fariam isso. Só que fizeram.

Pouco antes da largada da esperada etapa brasileira, a FIA emitiu um comunicado dizendo que as amostras da gasolina utilizada pela Benetton de Michael Schumacher e pela Williams de David Coulthard nos treinos eram totalmente diferentes daquelas que a Elf foi obrigada a entregar à federação na pré-temporada. Pela mal-criação, as duas equipes foram multadas em 30 mil dólares e desclassificadas da prova. Benetton e Williams fizeram um apelo às pressas e conseguiram reverter a desclassificação, já que pegaria mal realizar uma corrida sem as duas melhores equipes. Só que o assunto não morreu aí.

No decorrer da corrida, os computadores exibiram um aviso feito pela organização. Os resultados de Schumacher e Coulthard, quaisquer que fossem, estavam sob júdice. Se os comissários estivessem de mau-humor ou não gostassem dos queixos esquisitos de Michael e David, retirariam o resultado de ambos sem qualquer traço de piedade. Foi o que aconteceu. Os dois terminaram a prova em primeiro e segundo, mas foram desqualificados cinco horas e meia após a bandeirada. O vencedor passava a ser o ferrarista Gerhard Berger, que havia cruzado a linha de chegada em terceiro.

Berger, cara-de-pau, fez questão de espocar uma garrafa de champanhe ainda no domingo e ainda disparou na cara dos adversários. “Meu carro esta regular e a gasolina destes caras, não. É bom para moralizar um pouco a Fórmula 1”, afirmou. Benetton e Williams, possessas, entraram com recursos exigindo seus resultados de volta e a Elf até mesmo ameaçou entrar na justiça comum. No fim das contas, meio arrependido, o presidente da FIA Max Mosley devolveu os resultados brasileiros a Schumacher e Coulthard após o GP da Argentina. Os dois ficaram com seus pontos, troféus e estrelinhas na testa.

Quem se deu mal foram as equipes. Benetton e Williams tiveram de pagar multas de 200 mil dólares cada e ainda não recuperaram os pontos de construtores. Quanto à Elf, somente sua reputação ficou meio arranhada.

2- MUGEN-HONDA E MINARDI

1995 foi um ano bom para encrencas. Esta daqui só serviu para mostrar que não se brinca com Flavio Briatore, aquele. O chato é que a vítima aqui, a coitadinha da Minardi, acabou indo parar no banco dos réus. Conto a história, que é complicada e embananou minha cabeça.

No fim de 1992, Giancarlo Minardi, Flavio Briatore e um gardenal da Cosworth negociaram o fornecimento de 15 motores Ford HB utilizados por Tom Walkinshaw no Mundial de Protótipos à Minardi nos anos de 1993 e 1994. O contrato valia quase 5 milhões de dólares, sendo que 2,4 seriam pagos em 1993 e o restante no ano seguinte. Até aí, tudo certo.

Só que os motores Ford HB eram ruins de doer e a Minardi tratou de correr atrás de qualquer outra coisa para 1994. Giancarlo Minardi e seu novo sócio Beppe Lucchini negociaram diretamente com a Ford e arranjaram um contrato de motores mais vantajoso. Para resolver a questão da quebra do antigo contrato com Flavio Briatore, foi decidido que a Minardi lhe pagaria uma multa de 1,05 milhão de dólares em parcelas durante o ano de 1994. Até aí, tudo certo novamente.

Para 1995, a Minardi negociava seriamente com a Mugen-Honda. Um contrato chegou a ser assinado e a equipe começou a desenvolver o M195 pensando que iria receber os motores japoneses. Só que Flavio Briatore, ainda bastante contrariado pela quebra de contrato, decidiu pagar uma graninha extra por fora para a Mugen-Honda quebrar o contrato com a Minardi e pular direto para a Ligier. De quebra, garantiu que ajudaria os japoneses se a Minardi decidisse entrar na justiça. Vale notar que, naqueles dias, Briatore acumulava as funções de diretor geral da Benetton e dono da Ligier. Esperto, nem um pouco. Ao perceber esta manobra, Giancarlo Minardi simplesmente parou de pagar a tal multa ao Briatore. Cerca de 600 mil dólares ficaram para trás.

A Mugen-Honda aceitou a proposta de Briatore e largou a Minardi falando sozinha no início de 1995, transferindo sua graça e beleza à Ligier. A equipe italiana teve de refazer todo o cronograma às pressas e desenvolveu um novo carro para receber os velhos motores Ford em poucas semanas. Obviamente prejudicada, ela entrou na justiça contra a Mugen-Honda. Ganhou. Mas tomou uma bela rasteira logo depois.

Simultaneamente, Flavio Briatore havia entrado na justiça contra a própria Minardi exigindo os 600 mil dólares que restavam de multa. Na sexta-feira anterior ao GP da França, os boxes e os caminhões da equipe foram lacrados pela justiça francesa e Giancarlo Minardi teve de correr com seus advogados para garantir que a estrutura estivesse disponível para o sábado. Deu certo e a Minardi conseguiu participar da corrida.

No fim, Briatore e Minardi entraram em acordo, a antiga multa de 600 mil foi perdoada e Flavio ainda pagou um milhão de indenização por ter forjado a quebra de contrato da Mugen-Honda. No fim, tudo ficou sossegado. Mas fica claro aí quem foi o vencedor. O carcamano é uma raposa.

1- MICHELIN NO GP DOS EUA DE 2005

Bibendum ficou inchado de vergonha. Fornecedora nenhuma passou mais vergonha na história do automobilismo do que a fabricante francesa de pneus Michelin naquele tragicômico 19 de junho de 2005, data do Grande Prêmio dos Estados Unidos mais polêmico de todos os tempos.

Tudo começou quando a besta do Ralf Schumacher cumpriu seu ritual anual de se arrebentar na curva 13 do circuito misto de Indianápolis. Para quem não sabe, aquela era a curva 1 do circuito oval percorrida no sentido inverso, uma das melhores ideias que a Fórmula 1 já teve. Só que o Schumacher menor, piloto da Toyota, tinha uma séria dificuldade cognitiva para atravessar corretamente aquele trecho. Bastava apenas um pneu mais ou menos para que o alemão de simpatia pouco contagiante terminasse no muro.

Após o acidente do Ralf, ocorrido num treino livre de sexta, a Michelin parou para investigar o que havia acontecido. A conclusão foi estarrecedora: o pneu francês, por alguma razão provavelmente relacionada à construção, era incapaz de aguentar as altas forças aplicadas sobre ele na curva 13. Mais cedo ou mais tarde, ele explodiria. E isso aconteceria com mais pilotos. Se nada fosse feito, bastante gente que utilizasse os compostos franceses terminaria o domingo no hospital.

A Michelin tornou seu drama público. Seus representantes, capitaneados pelo esquálido Pierre Dupasquier, tentaram algumas soluções perante a FIA e Bernie Ecclestone, como a implantação de uma chicane na curva 13 e a importação emergencial de novos pneus. A organização deu risada da cara dos franceses, alegando que seria injusto com a Bridgestone, que havia feito tudo certo até então, tomar alguma medida drástica tão rapidamente.

Então, a Michelin decidiu não participar da corrida. Ela orientou todas as suas equipes – nada menos do que sete das dez inscritas na temporada – para que completassem apenas a volta de apresentação e retornassem aos boxes antes mesmo da largada. Muito se discutiu quem faria isso ou não e alguns pilotos, como David Coulthard, expressaram que queriam largar normalmente. Mas o temor do pneu explodindo na curva 13 falou mais alto. Todos os carros equipados com pneus Michelin entraram nos boxes e recolheram para a garagem.

O resto foi aquilo lá que todo mundo viu. Apenas a Ferrari e as miseráveis Jordan e Minardi largaram e protagonizaram um desfile tão deprimente quanto bizarro. 80 mil pessoas presenciaram uma corrida farsesca, onde não houve briga, mas apenas uma burocrática quilometragem que deveria ser completada para garantir os pontos, valiosíssimos para as duas equipes pobres. Alguns espectadores enfurecidos arremessavam pedras, garrafas, latas Coors ou hambúrgueres na pista. Merecido.

Tudo graças à Michelin. Não só as sete equipes tinham muito para reclamar, mas uma Fórmula 1 inteira.

RED BULL10 – Liderou até partida de truco desde o primeiro dia dos treinos. Todos se perguntavam quem, entre Vettel e Webber, largaria na pole e venceria a corrida. Deu Vettel, que fez a pole-position e venceu de ponta a ponta. Webber largou em segundo e em segundo terminou. Domínio completo, portanto. Um raro fim de semana perfeito para a equipe que dispõe do melhor carro disparado.

FERRARI6,5 – Esteve em Suzuka apenas para catar os cacos das possíveis desventuras da Red Bull. Como elas não aconteceram, restou a Fernando Alonso terminar em terceiro. Felipe Massa sofreu com vários problemas no fim de semana e ainda se acidentou na primeira curva. Quanto à equipe carcamana, precisa reagir se quiser dar o tricampeonato ao piloto espanhol.

MCLAREN6 – Assim como a Ferrari, também estava esperando pelos restos da Red Bull. Como eles não vieram, restou tentar pegar o melhor resultado possível. Jenson Button tentou uma estratégia de andar com os pneus duros no começo da corrida, mas não ficou muito satisfeito. Já Lewis Hamilton teve uma série de problemas e só conseguiu ser o quinto.

MERCEDES6 – Dessa vez, quem salvou o mundo das cáries foi Michael Schumacher, sexto após uma boa atuação e uma condução agressiva. Nico Rosberg até teve chances de terminar em uma posição melhor, mas o pneu voou longe e o jovem piloto abandonou. No mais, o mesmo de sempre.

SAUBER9 – Há quem diga que foi o melhor fim de semana da equipe no ano até aqui. Os dois pilotos marcaram pontos, e Kamui Kobayashi fez um corridão, ultrapassando vários adversários e terminando em sétimo. Nick Heidfeld, o oitavo, também merece menção positiva. Um fim de semana ótimo para uma equipe que alterna entre o céu e o purgatório.

WILLIAMS5 – Fim de semana meia-boca. Rubens Barrichello teve problemas com a dirigibilidade do carro e terminou apenas em nono. Nico Hülkenberg não completou sequer a primeira volta. O desempenho no treino oficial, com os dois pilotos no Q3, foi melhor.

TORO ROSSO4,5 – O desempenho discreto de sempre. Sebastien Buemi sobrou no Q1, Jaime Alguersuari não foi muito melhor e os dois pilotos sofreram as desventuras rotineiras na corrida. O suíço, ao menos, marcou um pontinho. O espanhol só conseguiu quebrar um bico em um toque com Kobayashi.

LOTUS7,5 – Praticamente garantiu o décimo lugar no campeonato com a corrida japonesa. Os dois pilotos conseguiram sobreviver aos acidentes e às quebras e conseguiram terminar em 12º (Heikki Kovalainen) e 13º (Jarno Trulli). O italiano chegou a estar à frente de Kamui Kobayashi na primeira volta. Muito bom.

VIRGIN4,5 – Nos treinos de sexta-feira, até dava a impressão de que poderia brigar com a Lotus. A impressão foi apenas uma miragem e a equipe continuou naquele desempenho morto de sempre, à frente da Hispania e atrás da equipe malaia. Lucas di Grassi, devido a um problema desconhecido, sofreu um violento acidente na volta de apresentação. Timo Glock conseguiu terminar, mas não brilhou.

HISPANIA4 – O medo maior era a possibilidade de um grande acidente para o instável e perigoso carro da paupérrima equipe espanhola. Mas esta possibilidade não se tornou realidade e os dois pilotos conseguiram levar o carro até o final.

FORCE INDIA3 – Aquela forma apresentada em pistas velozes virou coisa do passado. Tanto Adrian Sutil quanto Vitantonio Liuzzi sofreram na classificação e nenhum dos dois terminou a corrida. Liuzzi foi tirado da prova por Felipe Massa e Sutil teve um vazamento de óleo que encharcou a pista.

RENAULT4 – E a corrida da equipe francesa durou apenas três voltas, já que Vitaly Petrov quase se matou na largada e Robert Kubica ficou sem um pneu. Uma pena para a equipe, que tinha no polonês um candidato sério ao pódio.

TRANSMISSÃOKOBAYASHI DANADO – Como estava sonolento e indignado por ter perdido as primeiras quinze voltas para um despertador mal configurado, não consegui prestar muita atenção na narração. Fico com essa declaração de Galvão Bueno, que precisava encontrar algo para deixar a corrida mais interessante.

CORRIDASONÍFERA ILHA – O Japão foi a verdadeira “sonífera ilha” para todos aqueles que se dispuseram a ficar acordados para a prova. Quando Lucas di Grassi jogou seu carro nos pneus ainda na volta de apresentação, Vitaly Petrov beijou o guard-rail da reta dos boxes e Felipe Massa e Vitantonio Liuzzi dançaram uma bela lambada na primeira curva, todos pensaram que seria uma corrida daquelas bem absurdas. As coisas, no entanto, se normalizaram após o safety-car e apenas Kamui Kobayashi poderia animar a corrida com suas ultrapassagens e sua falta de amor próprio e responsabilidade. No fim, mais uma modorrenta vitória de ponta a ponta de Sebastian Vettel.

SEBASTIAN VETTEL10 – Ou ele ou Webber venceriam. Venceu ele, que conseguiu uma pole-position apertada com relação ao segundo colocado, largou bem e liderou de ponta a ponta até a bandeirada final. Com sua terceira vitória no ano, mostrou que, sim, ainda está vivo na briga pelo título.

MARK WEBBER9 – Mas o “Canberra Milk kid” também não foi mal. Largou em segundo, perdeu uma posição para Kubica na primeira curva, recuperou após o abandono do polonês e manteve-se nesta posição até o fim. Está 14 pontos à frente do vice-líder e só depende de si mesmo para ser campeão. Para mim, é o sujeito que merece mais este título.

FERNANDO ALONSO8 – Corrida boa sem estardalhaço, uma vez que seu F10 não permitia muito mais do que isso. Largou em quarto, ganhou uma posição de Kubica ainda no começo e manteve-se atrás dos carros da Red Bull o tempo todo. Está empatado com Vettel na vice-liderança do campeonato e precisará reagir.

JENSON BUTTON7,5 – Se deu melhor que Hamilton tanto no grid de largada como na corrida. Tentou uma estratégia diferenciada ao ficar a maior parte do tempo com pneus duros. Com isso, teve dificuldades na primeira parte da corrida mas recuperou o ritmo após colocar pneus macios no final. Bom quarto lugar, mas o título está praticamente fora de questão.

LEWIS HAMILTON6 – Deu quase tudo errado nesse fim de semana. Bateu na sexta-feira, teve de trocar o câmbio no sábado, perdeu cinco posições no grid, saiu apenas em oitavo, ficou preso atrás de Button por um tempo e quando conseguiu ficar à frente dele, perdeu a terceira marcha e teve de se contentar com o quinto lugar. Um sobrevivente.

MICHAEL SCHUMACHER 7 – Estava devendo uma atuação boa e a conseguiu na pista em que venceu seis vezes.Apesar de ter largado apenas em décimo, andou com vontade, passou Barrichello por fora na chicane, pressionou Rosberg por um tempo e conseguiu terminar em sexto.

KAMUI KOBAYASHI 8,5 – Um dos astros do fim de semana, o pequeno nipônico fez uma de suas melhores atuações no ano. Apesar de não ter ido bem na classificação e de ter largado três posições atrás de Heidfeld, Kamui se superou na corrida, ultrapassou vários pilotos e ainda se deu bem com a estratégia de usar pneus duros na maior parte do tempo. No final, com pneus macios, era um dos pilotos mais rápidos na pista. Excepcional sétimo lugar. A japonesada deixou o circuito de Suzuka feliz.

NICK HEIDFELD7,5 – Ótima atuação de alguém que me surpreendeu. Muito bem nos treinos, largou em um excelente 11º lugar e esteve quase sempre entre os dez primeiros. Não foi páreo para segurar seu fulminante companheiro de equipe no final da corrida, mas conseguiu marcar seus primeiros pontos no ano. Fez Peter Sauber se esquecer completamente de De La Rosa.

RUBENS BARRICHELLO5,5 – Foi muito bem no treino classificatório, mas sofreu com sérios problemas de aderência na corrida. Tomou uma ultrapassagem até certo ponto humilhante de Schumacher na chicane. No fim das contas, seus dois pontos não foram tão ruins assim.

SEBASTIEN BUEMI6,5 – Apesar de ter aparecido pouco, não foi tão mal. Teve problemas com o assoalho no Q1 da classificação, o que o obrigou a largar apenas em 18º. Na corrida, se recuperou e, aproveitando-se dos abandonos à sua frente, conseguiu terminar em décimo. Disse, no entanto, que estava andando mais rápido que Barrichello e poderia ter terminado em nono.

JAIME ALGUERSUARI6 – Não anda sendo o sujeito mais sortudo do grid. Conseguiu largar bem à frente de Buemi, mas não manteve lá um grande ritmo durante a corrida e tomou duas ultrapassagens com direito a toque de Kobayashi. Na segunda ultrapassagem, quebrou o bico e teve de ir aos pits colocar um novo. Com isso, terminou atrás do companheiro novamente.

HEIKKI KOVALAINEN7 – Aproveitou o grande número de abandonos e deu à Lotus sua melhor posição de chegada no ano. Liderou a turma das equipes novatas durante quase todo o tempo e passou perto de marcar o primeiro ponto da história de sua equipe. Uma vitória pessoal.

JARNO TRULLI6 – O italiano da Lotus também foi bem e terminou em sua melhor posição no ano até aqui. Largou à frente de Kovalainen e ganhou algumas posições na largada, mas escolheu arriscar uma troca de pneus macios por duros durante o safety-car. Com isso, teve de recuperar algumas posições e ficou atrás de seu companheiro. Mas teve sua melhor atuação no ano.

TIMO GLOCK3 – Apesar de ter terminado em 14º, não foi bem. Largando atrás de Di Grassi, o alemão arriscou parar para trocar pneus durante o safety-car. A estratégia foi por água abaixo devido ao longo período em que ele ficou preso atrás de Yamamoto. Com isso, não conseguiu chegar perto dos carros da Lotus.

BRUNO SENNA5 – Estava feliz com o resultado, que foi o seu melhor neste ano. Ainda assim, poderia ter ido melhor. Arriscou fazer sua parada logo nas primeiras voltas e acabou ficando em último durante um bom tempo. Recuperou a posição de Yamamoto após o japonês fazer sua parada. E por lá ficou até o fim.

SAKON YAMAMOTO5,5 – Diante da torcida japonesa e dentro de suas limitadas possibilidades, até que não foi mal. Ficou a apenas um décimo do tempo de Senna na classificação e andou à frente do brasileiro e de Timo Glock durante boa parte da corrida. Após sua parada, voltou a andar em último, mas o saldo final é positivo.

NICO ROSBERG7 – Não merecia ter abandonado após uma roda voar e seu carro bater nos pneus de proteção.  Largou em um bom sexto lugar e foi o único piloto das equipes maiores a fazer a troca de pneus com o safety-car na pista. Com isso, apesar de ter problemas de aderência, recuperou várias posições e segurou um faminto Schumacher até o momento do acidente.

ADRIAN SUTIL4 – Mal no treino classificatório, o alemão se deu bem com os vários acidentes que aconteceram à sua frente. Com isso, conseguiu andar entre os dez primeiros por um tempo e acreditava poder marcar pontos. No entanto, um vazamento de óleo empapou a pista e acabou com qualquer chance.

ROBERT KUBICA7,5 – Uma pena o que aconteceu com ele. Fez um excepcional terceiro tempo no treino oficial e passou Webber na largada, subindo para segundo. Infelizmente, uma a roda traseira direita foi para os ares e o polonês teve de abandonar após apenas três voltas.

NICO HÜLKENBERG4,5 – Fez um bom nono tempo no treino oficial e indicava poder brigar por pontos novamente, mas sua corrida acabou ainda antes da primeira curva, quando Petrov abalroou sua roda dianteira direita.

FELIPE MASSA1,5 – Péssima fase, a do brasileiro. Teve problemas na classificação e largou apenas em 12º, o que já seria o suficiente para acabar com o humor de muitos. Na largada, tentou passar Rosberg na primeira curva, não conseguiu, jogou o carro para grama e acabou acertando Vitantonio Liuzzi. Fim de uma corrida que já não prometia muito.

VITALY PETROV1 – Depois dessa, é até melhor procurar outro canto para ficar. Não foi bem novamente nos treinos e causou uma enorme confusão na largada ao tocar em Hülkenberg, rodar na frente de todo mundo e bater com tudo no guard-rail paralelo à pista. De bom, só o fato de não ter se machucado.

VITANTONIO LIUZZI2 – No treino oficial, a mediocridade de sempre. Na largada, foi atingido, sem a menor parcela de culpa, pela Ferrari desgovernada de Massa. Acabou atingindo com força a barreira de pneus e destruiu seu carro, mas não sofreu nada. É outro que não anda justificando seu emprego.

LUCAS DI GRASSI1 – Fez um bom trabalho no treino oficial ao superar Glock, mas sofreu um acidente tão incomum quanto perigoso ao escapar na curva 130R durante a volta de apresentação e bater violentamente nos pneus. Dizem que foi o carro, que teve alguma parte quebrada. É a sina das equipes de Nick Wirth, ex-Simtek.