SEBASTIAN VETTEL10 – Parecia ser ele contra um restante de Fuscas. O atual campeão fez o que quis nos treinos livres, marcou uma pole-position humilhante e disparou na corrida. Não cometeu erros e não teve o menor trabalho para se manter à frente de Hamilton, que vinha inspirado. Vitória estupidamente fácil.

LEWIS HAMILTON9 – Quem diria que a McLaren, que estava sofrendo para acertar o MP4-26 emplacaria um piloto na segunda posição? Hamilton apareceu bem em todos os treinos, tomou a primeira fila de Mark Webber e também seguiu isolado na corrida, atrás de Vettel e à frente do resto. Chegou a se aproximar do alemão em determinados momentos, mas não brigou pela ponta. De qualquer jeito, ótimo segundo lugar.

VITALY PETROV10 – Não tive como dar outra nota a um piloto que teve fim de semana de gênio. Bateu Nick Heidfeld na maioria dos treinos, fez um excelente sexto lugar no grid de largada e partiu como uma bala logo após as luzes vermelhas, ganhando duas posições na primeira curva. Depois, soube ficar à frente de adversários com um carro melhor, parou nas horas certas e ainda teve cabeça fria para se manter à frente de um Alonso que se aproximava perigosamente nas últimas voltas. Pódio merecidíssimo, o primeiro obtido por um “comunista” na Fórmula 1.

FERNANDO ALONSO8 – Quando não ganha, faz para chamar a atenção. Em Melbourne, ele nunca esteve próximo da vitória, mas fez das tripas coração para brigar ao máximo por uma boa posição. Largou mal, ultrapassou, torrou os pneus, fez três paradas, segurou Mark Webber por alguns instantes e ainda ameaçou tomar o pódio de Petrov no finalzinho. Corrida animada, como vem sendo o costume.

MARK WEBBER3,5 – Inexplicável. Nos treinos, ele até fazia um tempo que deixava o povo boquiaberto. Instantes depois, no entanto, vinha o tal do Vettel e solapava o tempo do australiano. Perder a primeira fila, com o carro que tinha, foi um desastre. A corrida, então, foi pior ainda. Webber estragava os pneus mais rapidamente do que seus adversários e era obrigado a parar antes deles, sendo um dos poucos a fazer três paradas. Quando teve a chance de ultrapassar, como aconteceu quando teve Alonso imediatamente à frente, não o fez. Quinto lugar mixuruca. E em casa, ainda por cima. Pegou mal.

JENSON BUTTON6,5 – Poderia ter obtido um resultado bem melhor se não tivesse sido punido (corretamente, aliás) por ter ultrapassado Felipe Massa de maneira ilegal no início da prova. Posteriormente, Button conseguiu ultrapassar o brasileiro novamente, dessa vez sem cortar qualquer curva. No mais, esteve correto nos treinos e fez uma prova tipicamente sua, sem erros ou surpresas.

FELIPE MASSA 4 – Não esteve bem em momento algum, algo rotineiro para ele na Austrália. Discreto e errático nos treinos, Felipe obteve uma medíocre nona posição no grid. Na corrida, largou bem (como de costume) e chegou a andar em quinto nas primeiras voltas, mas estava com um carro lento e com problemas nos pneus e tomou ultrapassagens de Button (ilegal) e Alonso. Depois, não apareceu mais, padecendo com os tais pneus e com a falta de um ritmo mais constante do carro. Tomou mais uma do Button, mas passou Buemi no final. E ainda fez a volta mais rápida. Seu nono lugar evoluiu para sétimo com a desclassificação dos dois carros da Sauber. Resultado até positivo para seu desempenho.

SÉBASTIEN BUEMI7 – Apesar do carro não ter andado tão bem quanto se esperava, esteve bem durante todo o fim de semana.  Conseguiu passar para o Q3 no treino classificatório, andou razoavelmente bem e só não esteve mais à frente devido a um toque com o companheiro Alguersuari na primeira volta. Ainda assim, apareceu mais quando foi ultrapassado por Massa no final da corrida.  

ADRIAN SUTIL5,5 – Começou mal ao largar duas posições atrás de seu companheiro estreante, mas se recuperou, se saiu bem em algumas boas disputas e terminou em 11º. Com a exclusão dos carros da Sauber, subiu para nono e levou dois pontos para casa. Ainda assim, já teve fins de semanas melhores.

PAUL DI RESTA6 – Entre os novatos, chamou a atenção no treino oficial por ter sido o único a bater o companheiro de equipe na pista (Maldonado não conta). Na corrida, não chamou a atenção, mas também esteve longe de passar vergonha e fez seu trabalho direitinho. Premiado com um ponto, torna-se o 59º piloto a marcar pontos em sua estreia.

JAIME ALGUERSUARI3 – Mau início para o jovem espanhol. Ao contrário do que vinha acontecendo no segundo semestre do ano passado, perdeu para o companheiro Buemi na maior parte do tempo. Largando em 12º, causou enorme confusão na primeira volta ao se envolver em toques com vários pilotos. Após isso, precisou trocar o bico e ficou lá no fim do grid durante a maior parte do tempo. Com o passar do tempo, subiu de posições, mas não conseguiu pontuar.

NICK HEIDFELD1,5 – Uma lástima. Não que andar bem em treinos livres seja tão necessário, mas precisava ir tão mal? No treino que valia de verdade, demorou demais para ir à pista, pegou tráfego e acabou sobrando no Q1, algo patético para um piloto da Renault. Na corrida, até largou bem, mas foi atingido por alguém na primeira volta e teve um dos sidepods destruído. Depois, só se arrastou. Não teve muita sorte, mas esteve longe de merecê-la. Se fizer mais umas duas ou três corridas tão ruins quanto, perde a vaga.

JARNO TRULLI3,5 – Já saiu no lucro por ter terminado a corrida, algo que não era tão comum no ano passado. Em termos de desempenho, esteve bem atrás do companheiro Kovalainen na maior parte do tempo. Ainda está devendo uma corrida minimamente aceitável na Lotus.

JERÔME D’AMBROSIO5 – Como avaliá-lo? Na sexta-feira não eram muitos os que acreditavam que ele conseguiria superar a barreira dos 107%. No sábado, conseguiu a classificação. Na corrida, chegou a andar na frente de Timo Glock durante algum tempo. No fim, foi o único piloto da equipe a terminar. Estreia minimamente notável.

TIMO GLOCK2,5 – Pouco apareceu no fim de semana, assim como sua equipe. No início, temeu-se a possibilidade dele também não conseguir se classificar para a corrida. Após obter êxito, Timo foi para uma corrida cheia de problemas. No fim, abandonou com o carro vibrando como um liquidificador.

RUBENS BARRICHELLO3 – Seu melhor momento foi ter terminado entre os seis primeiros no primeiro treino de sexta. Na classificação, rodou sozinho no Q2 e teve de largar em 17º. Na corrida, aprontou de tudo: tocado por Perez na primeira volta, escapou e caiu para último. Depois, como um moleque esfomeado, ultrapassou vários e vinha até fazendo razoável corrida de recuperação. Mas colocou tudo a perder com uma estúpida tentativa de ultrapassagem sobre Nico Rosberg, que resultou em um toque entre os dois. Depois, andou mais um pouco até abandonar com o câmbio quebrado.

NICO ROSBERG 5,5 – Não vinha fazendo a melhor corrida do mundo, mas não merecia ter sido atingido por um desastrado Barrichello, acidente este que destruiu o radiador de seu carro e causou seu abandono. Até ali, Rosberg havia tido desempenho apenas normal e estava correndo apenas para pontuar.

HEIKKI KOVALAINEN5 – Naquele campeonato particular das equipes novatas do ano passado, o finlandês ainda ponteia. Em Melbourne, Heikki largou à frente dos adversários mais próximos, largou bem e andou à frente deles enquanto esteve na pista. Para sua infelicidade, o Lotus começou a verter água e aí, já era.

MICHAEL SCHUMACHER3,5 – Do ano passado para cá, as coisas parecem não ter mudado muito para o heptacampeão. Schumacher ficou no Q2 do treino classificatório e foi atingido por Alguersuari na primeira volta, o que fez arrebentar uma de suas rodas e o assoalho de seu Mercedes. Após parar para os devidos reparos, ele voltou à pista para se arrastar e abandonar algum tempo depois.

PASTOR MALDONADO3,5 – Dos estreantes, o mais discreto em Melbourne. Nos treinos, nunca andou próximo de Barrichello. Só largou à frente do brasileiro devido à rodada no Q2. Na corrida, ficou lá no meio do pelotão e chegou a ser ultrapassado pelo companheiro, que tinha uma boa desvantagem após a primeira volta. Depois, só fez quilometragem até abandonar por problema desconhecido.

SERGIO PEREZ 9 – Olha, fazia tempo que eu não via uma estreia tão boa de um piloto do meio do pelotão. “Checo” foi apenas razoável nos treinos e nem esteve tão bem no início da corrida, mas começou a recuperar posições e fez apenas uma única parada. No fim da corrida, havia ganho um monte de posições e terminou em sétimo, fruto de uma pilotagem sensata e de uma arriscada estratégia de apenas uma parada. Mas, infelizmente, a Sauber pôs tudo a perder ao errar na medida de flexão da asa traseira ou algo assim.

KAMUI KOBAYASHI8 – Nos treinos, era o que acionava a tal asa móvel mais cedo, e um dos que mais arriscavam na tomada das curvas. Como recompensa, um nono lugar no grid. Na corrida, o ritmo não foi tão agressivo e ele chegou a ser ultrapassado facilmente por Alonso, Barrichello e Button, o que contrasta com sua imagem de rei das ultrapassagens. Ainda assim, terminou em um bom oitavo lugar. Mas eis que seu carro, assim como o de Perez, também está irregular, e aí…

VITANTONIO LIUZZI 4 – Difícil dar nota a alguém que não consegue se classificar para a corrida devido à falta absoluta de competitividade do carro. Ainda assim, dou uma canja pelo esforço de ter tentado correr mesmo sem quilometragem e sem conhecer o novo carro. E por ter ficado a 1s7 da classificação, o que é notável levando em conta as condições que o cercavam.

NARAIN KARTHIKEYAN1– Chega a ser cruel ter de dar uma nota a ele. Mas é a vida, fazer o quê? Narain estava completamente distante de qualquer possibilidade de classificação e não conseguiu sequer andar próximo de Liuzzi. Sua participação só aconteceria por piedade da organização. E como os cabeças da Fórmula 1 não costumam prezar pelo altruísmo, o indiano ficou de fora.

Porque a temporada de pitacos está de volta. Nesse ano, um tour pelas cervejas de cada país. Prepare-se pra tomar Itaipava no Brasil e Stella Artois em Spa.

GP DA AUSTRÁLIA: Primeira prova do ano desde 1996, a corrida da ilha é uma das mais esperadas. Pelos pilotos, que amam a badalada cidade de Melbourne e a traiçoeira pista do Albert Park. Pelos torcedores, que saciam a vontade de ver os carrinhos coloridos na pista. Por Bernie Ecclestone, que sempre enche as burras. Por quem escreve sobre o esporte, porque é finito o marasmo. Os nativos, por outro lado, consideram a prova altamente dispendiosa e barulhenta e querem ver a Fórmula 1 o mais longe possível da Oceania. Enquanto isso não ocorre, curtamos.

107%: Só vejo dois destinos para essa regra: ou ela cai após muita pressão das equipes nanicas ou a Fórmula 1 raramente terá mais do que 21 ou 22 carros nas corridas desse ano. A Hispania, que ainda nem conseguiu montar o segundo carro, é presa fácil nesse limite. A Virgin conseguiu a proeza de construir um carro ainda pior do que o do ano passado. Jerôme D’Ambrosio ficou a quase três segundos do limite nos treinos livres e nem Timo Glock está conseguindo salvar a honra alvinegra. Eu acho a regra dos 107% deveras idiota, mas a situação das duas pequeninas é altamente preocupante. E acho que a Lotus deveria se preocupar também.

PNEUS: Nem KERS, nem asa móvel: o que vai trazer graça às corridas neste ano serão os pneus Pirelli, cujo comportamento é absolutamente imprevisível. Após a primeira sessão, correu pelo mundo uma fotografia do deplorável estado de um dos pneus do Red Bull de Sebastian Vettel. Ainda assim, Fernando Alonso disse que os pneus poderão até apresentar maior resistência, já que Melbourne é uma pista que não consome muita borracha. Em 2011, você já entendeu qual será a grande dor de cabeça de pilotos, engenheiros e mecânicos.

PANORAMA: A Red Bull mandou e desmandou no primeiro treino e a McLaren conseguiu surpreendente dobradinha na segunda sessão. A Ferrari esteve sempre ali, a Williams surpreendeu positivamente com Barrichello, a Mercedes ficou no mesmo patamar, a Renault começou mal, a Force India está até pior, a Sauber tá lá no meio, a Toro Rosso não manteve a forma da pré-temporada e as novatas de 2010 continuam na merda. Este é o panorama dos primeiros quilômetros de Melbourne. No entanto, tudo isso pode mudar, já que treino livre é menos conclusivo do que amistoso contra time de cidade pequena. Ou não.

LITO CAVALCANTI: Além de realizar a primeira transmissão em alta definição, a SporTV agora está permitindo que os comentaristas leiam mensagens de telespectadores no Twitter. E logo na primeira sessão, o velho Lito Cavalcanti deu uma verdadeira bordoada em um sujeito que, descrente de seu comentário sobre o aspecto ecológico do KERS, soltou um “COMO ASSIM???” em caixa alta para o comentarista. Revoltado, Lito respondeu ironicamente ao espectador, repetindo a informação em voz sarcástica. Em casa, ri pra caramba. O Lito é o dono da verdade de sempre. E os internautas brasileiros seguem como ótimos fornecedores de risadas.

Grande Prêmio da Austrália: a Qantas financia um pouquinho. O resto fica por conta do cidadão local

Os sinais são bem claros.

Na quinta-feira passada, Bernie Ecclestone ligou para Gianni Alemanno, alcaide de Roma, para dizer que não haveria mais uma corrida de Fórmula 1 a ser realizada na capital italiana. A mídia repercutiu a ligação com força. No dia seguinte, o promotor da futura corrida, Maurizio Flammini, anunciou que não era bem assim e que Ecclestone, na verdade, propôs uma alternância entre Monza e Roma como sedes do GP da Itália. O jornalista inglês James Allen, macaco velho do meio, interpretou a sugestão como uma simpática maneira de Bernie sugerir que não queria mais saber de Roma.

Bernie Ecclestone foi a última pessoa importante a se manifestar contra a corrida de Roma. Antes dele, muita gente importante e até mesmo insuspeita nesse assunto já havia se pronunciado a respeito. Luca di Montezemolo, um dos sujeitos mais poderosos de seu país, disse que era contra haver mais de uma corrida em um mesmo país e que a preferência deveria recair sobre novos mercados. Em pesquisa recente, 80% dos moradores da cidade dizem discordar da realização da corrida. E o próprio prefeito de Roma declarou que o circuito de Monza é historicamente mais importante.

Com exceção de Flammini, que parece não passar de mais um italiano picareta, ninguém quer essa corrida em Roma. A princípio, é estranho ver tanta gente que seria beneficiada pela Fórmula 1 rechaçando a categoria. Na verdade, não é. Ao contrário do que a expansão do calendário do campeonato nos últimos anos sugere, cada vez menos gente está interessada em receber a Fórmula 1. E cada vez mais países estão interessados em pular fora.

Os australianos, por exemplo, estão cansados de perder dinheiro com a Fórmula 1. Em 2010, a organização do Grande Prêmio da Austrália registrou prejuízos de 49 milhões de dólares. Em 2009, as perdas foram de 40 milhões de dólares. Para não dizer que a culpa é da crise econômica de 2008, as perdas de 2006 ultrapassaram os 20 milhões de dólares. Somando todas as perdas, o GP já sumiu com nada menos que 200 milhões de dólares! Alguns políticos locais de mentalidade mais austera consideram que a Fórmula 1 é um gigantesco ralo onde se escoa uma considerável parcela de recursos públicos. E estão certos.

Grande Prêmio da Bélgica: ameaçado por questões financeiras e sonoras

O GP da Austrália é patrocinado pela Qantas, maior companhia aérea do país. Pelo que pude apurar, a empresa paga cerca de 3 milhões de dólares para estampar seu nome na denominação oficial do Grande Prêmio (Qantas Grand Prix of Australia) e para espalhar seu logotipo por várias partes do circuito. 3 milhões de dólares é quirera perto dos custos necessários para a realização da corrida. O restante da grana vem do governo. Assim como acontece com praticamente todas as corridas do calendário.

Os defensores da corrida australiana alegam que a corrida em Melbourne é uma das medidas de revitalização do local, que não era lá aquelas coisas até meados dos anos 90, e também um poderoso propulsor do turismo no país. Tudo besteira. Em 1995, muitos habitantes de Melbourne reclamaram um monte sobre a transferência da corrida australiana de Adelaide para seu parque municipal. Há três anos, um auditor independente concluiu que a corrida não só não turbinou o turismo em Victoria, estado onde se localiza Melbourne, como também não rendeu os dividendos esperados. O GP da Austrália pode ser muito divertido, mas representa um fardo pesadíssimo e despropositado para o contribuinte australiano.

O caso australiano não é único. Para desespero dos seus muitos fãs, o Grande Prêmio da Bélgica é outro enorme problema. Entra ano, sai ano, e a corrida de Spa-Francorchamps segue ameaçada para os anos seguintes. Nós podemos reclamar muito, mas não temos como discordar 100% dos motivos. Muitos habitantes das pacatas cidadezinhas locais reclamam muito do barulho dos motores. E eles não estão errados, já que devem escutá-lo em boa parte dos fins de semana do ano (lembrando que não existe só a Fórmula 1). Além do mais, até onde eu sei, não foi a região de Spa-Francorchamps que se desenvolveu após o surgimento do circuito, mas exatamente o contrário. Logo, os nativos têm todo o direito de reclamar.

Mas o pior dos motivos é financeiro, é claro. A corrida belga, assim como a australiana, é uma enorme privada de recursos públicos. Ela é 100% financiada com o dinheiro dos contribuintes e só traz como contrapartida prejuízos. Em 2009, a organização da corrida reportou perdas de 6,6 milhões de dólares. E 2010 deve ter sido ainda pior, já que as vendas de ingressos foram bem inferiores às do ano anterior. Mergulhados em profunda crise, os europeus estão cansados de perder dinheiro para o Estado. Uma corrida de Fórmula 1, nesse contexto, não passa de um capricho estúpido.

Australianos e belgas são os exemplos mais extremos de uma dura realidade edulcorada pelo glamour do esporte. Há outros exemplos. A China, país de mais de 1,5 bilhão de habitantes, é incapaz de lotar suas arquibancadas. Os chineses não se interessam pela Fórmula 1 e a categoria já não sabe mais o que fazer para conquistar este poderosíssimo mercado. Outros países asiáticos, como a Malásia e a Turquia, também lamentam arquibancadas vazias, desinteresse generalizado e perspectivas cada vez mais sombrias. O que salva todas essas “novas corridas” é o dinheiro público de governantes oportunistas e irresponsáveis. E se a torneira fechar um dia?

Grande Prêmio da China: aquele CHINA ali é uma maneira de preencher as arquibancadas vazias

Isso está para acontecer com o Grande Prêmio da Europa, realizado no circuito de rua de Valência. Seu organizador, Francisco Camps, praticamente implorou a Ecclestone para que seja liberado do contrato leonino que garante a corrida até 2012. Os números são absurdamente negativos. Foram gastos 120 milhões de dólares apenas na construção do circuito. Anualmente, 40 milhões de dólares são gastos com a realização da corrida, sendo que 24 milhões são depositados diretamente em contas de Bernie Ecclestone localizadas em paraísos fiscais. E quanto a organização consegue recuperar? Em 2010, por volta de míseros 13 milhões de dólares, o que não paga nem a comissão de Ecclestone. O buraco é financiado, mais uma vez, pelo governo.

Segundo o que andei lendo, de todas as 19 etapas realizadas em 2010, apenas o Grande Prêmio da Inglaterra é lucrativo. Os ingleses são doidos por corridas e, faça chuva ou faça sol, lotam as arquibancadas de Silverstone. Os patrocinadores, como o banco Abbey, são bastante generosos e o resultado é positivo. As demais corridas, no entanto, apresentam apenas abstrações como “retornos institucionais” ou, na melhor das hipóteses, vantagens absolutamente indiretas. O GP do Brasil, por exemplo, é o evento internacional que mais traz grana para São Paulo. Mas devemos considerar que Sampa é uma cidade de excelente infra-estrutura que não tem nenhum outro grande atrativo turístico natural. Nesse caso, uma corrida de Fórmula 1 só faz bem para ambos os lados: os gringos se divertem com cerveja, putas e churrasco e os paulistanos conseguem turbinar os setores de turismo e de serviços. Eu diria que uma corrida de Fórmula 1 só funciona verdadeiramente nesse caso.

Prejuízos, desinteresse, reclamações dos habitantes locais… É sintomático ver tantos argumentos contra uma corrida de Fórmula 1. A verdade é que Bernie Ecclestone impõe um estilo de grande prêmio que se mostra financeiramente insustentável, urbanisticamente inútil e esportivamente desinteressante. As corridas acabam trazendo benefícios reais para apenas uma pessoa: ele mesmo.

Com isso, a tendência, a médio prazo, é haver cada vez menos países “responsáveis” no calendário. Bernie Ecclestone será obrigado a negociar com políticos extravagantes ou simplesmente irresponsáveis que se disponham a cumprir todas as miseráveis cláusulas de realização de uma corrida, o que inclui enormes quantias de recursos públicos destinadas à Fórmula 1. Você acha ruim ter corrida em locais antidemocráticos como a China ou Abu Dhabi? Prepare-se, porque a coisa tende a piorar.

Quem quer a Fórmula 1? Os políticos responsáveis não querem. Os contribuintes não querem. Os torcedores estão querendo cada vez menos. Ela vai acabar ficando nas mãos de Hassanal Bolkiah, Hugo Chavez, Robert Mugabe e Nursultan Nazarbayev.

Este carro, de pintura bastante interessante e aparência um tanto quanto robusta, é o ancestral do atual carro campeão, o Red Bull RB6. Explica-se: a Red Bull Racing é a equipe que foi criada no fim de 2005 a partir do espólio da Jaguar Racing, que por sua vez havia comprado a Stewart Grand Prix no fim de 1999. E a simpática Stewart, que chamava a atenção pela pintura branca coberta com aquele tartan que identifica o clã escocês a que pertencia a família Stewart e pelo enorme patrocínio do banco HSBC, surgiu como equipe de Fórmula 1 em 1997. Ela já participava, com enorme sucesso, da Fórmula 3 inglesa e da Fórmula 3000 Internacional desde o início dos anos 90, mas sua empreitada na Fórmula 1 só se deu no final da década. E o primeiro carro que surgiu daquela pequena fabriqueta de Milton Keynes foi o SF1.

O sonho da dupla Jackie e Paul Stewart de abrir uma equipe de Fórmula 1 surgiu ainda em 1995, quando se comentava muito sobre um possível fim da Fórmula 3000 e muitas equipes da categoria, como a DAMS, a Supernova e a Durango, apareceram com projetos para a ascensão para a categoria principal. No entanto, apenas a turma dos escoceses tinha bala na agulha para isso. Em fevereiro de 1996, Jackie Stewart anunciou que, no ano seguinte, estrearia sua própria equipe na Fórmula 1. O mais legal é que tudo seria feito do zero, algo positivo para uma Fórmula 1 que só perdia carros a cada ano que passava.

Os Stewart eram pobres, mas limpinhos e organizadinhos. Em um primeiro momento, enquanto a novíssima fábrica em Milton Keynes não ficava pronta, o pessoal se reunia na pequena oficina que sediava as estruturas de F3 e F3000. Aos poucos, mecânicos e engenheiros, muitos deles egressos de outras equipes, eram contratados.  No final de 1996, já eram 100 os funcionários da Stewart Grand Prix. Entre eles, gente de gabarito como o diretor técnico Alan Jenkins, roubado da Footwork e o aerodinamicista Eghbal Hamidy, saído da Williams. Se o staff crescia a passos largos, os acordos comerciais e tecnológicos impressionavam ainda mais.

A Stewart não teve dificuldades para roubar a parceria da gigante de automóveis Ford das mãos da Sauber. Com esse apoio, a equipe passou a ter acesso ao Centro de Engenharia Avançada da Ford, localizado no estado americano de Michigan. Este centro tinha como chamariz maior o uso de supercomputadores que faziam detalhadas análises a respeito do comportamento aerodinâmico de carros e partes. Em outras palavras, a Stewart passou a ter acesso ao moderníssimo sistema CFD (dinâmica de fluido computacional), aquele que a Virgin tanto se orgulha de ter utilizado para desenvolver seu carro. O SF1, primeiro carro da equipe, foi também o primeiro carro da história da Fórmula 1 a ter parte de seu desenvolvimento aerodinâmico feito em computador, dispensando algumas boas horas de túnel de vento. Mas ao contrário da combalida equipe de Richard Branson, a Stewart não dispensou o tradicional ventiladorzão, aproveitando o equipamento da Swift, localizado na Califórnia. O mais interessante é que esse é o mesmo túnel de vento que a campeã Williams utilizava. Logo, as coisas estavam bem encaminhadas.

E ao contrário dos tempos atuais, não era tão difícil assim arranjar patrocinadores em 1996. A Stewart conseguiu um contrato com a HSBC que previa 8 milhões de dólares anuais durante cinco anos, um outro com o governo malaio que renderia 8,2 milhões de dólares anuais em 1997 e 1998 e mais alguns bons apoios da Texaco, da Sanyo e da Hertz. Estima-se que o orçamento da equipe para o ano de estreia girava em torno dos 30 milhões de dólares. Este valor, na verdade, não era muito maior do que o que a ridiculamente falida Mastercard Lola conseguiu juntar para sua estreia, mas vale considerar que o fato da Ford fornecer motores gratuitos e todo o suporte técnico oficial já representava uma enorme economia para os cofres de Jackie e Paul Stewart.

Os pilotos seriam o brasileiro Rubens Barrichello, ex-Jordan, e o dinamarquês Jan Magnussen, a sensação da Fórmula 3 inglesa em 1994. Para um ano de estreia, a estrutura da equipe era exemplar.

O SF1 foi lançado em dezembro de 1996, sendo o primeiro da temporada de 1997 a ser mostrado aos curiosos olhos do mundo. De aparência bastante conservadora, ele tinha laterais altas, bico alto mas curvado para baixo, asa traseira reduzida e tampa do motor curvada. Embora não tivesse arrancado suspiros de ninguém, também não era um carro para fazer passar vergonha. Além do mais, os pneus Bridgestone poderiam representar um ótimo diferencial.

Quando o carro entrou na pista, ele realmente se mostrou muito rápido. Mas também era muito problemático. Ainda na pré-temporada, Magnussen sofreu um violento acidente e acabou machucando uma das pernas. A causa do acidente foi o ponto fraco do SF1, as falhas estruturais na suspensão, que tornavam o bólido até meio perigoso. Com o início da temporada, outro grave problema foi descoberto: o sistema de óleo simplesmente não conseguia lubrificar os componentes do motor de maneira correta. E o resultado foi uma série de motores estourados, principalmente em pistas velozes. Além disso, o câmbio e o sistema hidráulico também renderam várias dores de cabeça.

No fim, os dois pilotos conseguiram terminar, juntos, apenas oito das 34 corridas (um altíssimo índice de 76% de abandonos) e Barrichello conseguiu um milagroso segundo lugar em Mônaco, corrida chuvosa que exigiu muito menos do Stewart do que faria uma prova normal. A conclusão era de que SF1 era um carro veloz que poderia perfeitamente colocar o brasileiro entre os dez primeiros em um grid (Magnussen simplesmente não conseguia andar nada), mas que não conseguia concretizar as coisas em resultados finais. Rubens andou muitíssimo bem nos treinos em Buenos Aires, em Montreal e em A1-Ring e chegou até a sonhar com a vitória em Nürburgring, mas problemas ocorridos em todas estas corridas acabaram deixando o belo carrinho branco parado em algum ponto da pista.

No fim, a Stewart terminou o ano com seis pontos e o nono lugar entre as equipes. Rubens Barrichello, o único piloto a pontuar, ficou em 13°. Ainda houve uma pequena polêmica sobre o fato do nome da equipe não constar na primeira lista de inscritos para 1998 devido a uma dúvida suscitada pela FIA a respeito da real saúde financeira da equipe. Mas tudo deu certo e a equipe seguiu existindo pelos dois anos seguintes até se tornar Jaguar e, posteriormente, a Red Bull que ganhou tudo nesse ano e que quase todos aprenderam a gostar.

Não são muitos os felizardos que podem dizer que morrerão sem deixar de ter visto um carro da Mastercard Lola em movimento. Nesse momento, você será um deles.

É um vídeo de apenas quinze segundos. Nele, Ricardo Rosset perde a traseira de seu Lola T97/30 na curva 4 e dá uma leve rodada em direção ao muro. O contato foi fraco, e provavelmente Rosset voltou aos pits para os devidos reparos, não tenho certeza. Atrás dele, Eddie Irvine e sua Ferrari.

A rodada é uma interessante amostra da total falta de equilíbrio do Lola. Expliquemos o trecho da pista onde tudo aconteceu: a curva 4 é uma curva de progressiva reaceleração feita à esquerda em segunda marcha a pouco menos de 140km/h. Ela sucede a curva 3, uma curva de forte freada feita à direita e em terceira marcha a uma velocidade ligeiramente acima dos 140km/h. Note, portanto, que mesmo que a velocidade entre a curva 3 e a curva 4 não mude muito, o piloto precisará reduzir uma marcha, o que implicará uma força de tração maior sobre os pneus. Lembremos que Melbourne é um circuito que é raramente utilizado e a aderência da pista nos treinos é mínima, o que torna a curva 4 ainda mais desafiadora.

No entanto, um carro equilibrado lidaria com este trecho com desenvoltura. Obviamente, não era o caso do Lola T97/30, um bólido que foi desenvolvido em apenas cinco meses sem a ajuda de túneis de vento e que chegou à Austrália com apenas um shakedown feito na Inglaterra. Ao iniciar a reaceleração em uma marcha menor na curva 4, o carro tracionou mais do que seu aparato aerodinâmico permitiria e o resultado foi a escapada de traseira que levou à rodada.

Erro de Rosset? Pode-se argumentar que ele acelerou muito mais do que o que seu carro aguentaria e que um pouco mais de cautela não seria ruim. Mas o que ele poderia fazer? Acelerar menos e perder ainda mais tempo? A velocidade não era alta, ainda mais em se tratando do Lola, e um carro só rodaria em um trecho como a curva 4 daquele jeito se fosse completamente desequilibrado.

Pobre Rosset. Não que ele fosse lá um grande piloto, mas ele pegou três dos carros mais inguiáveis do final da década de 90: o Footwork FA17, o Tyrrell 026 e o Mastercard Lola.

MCLAREN 9 – Com Button, venceu uma corrida em que não era a favorita. Hamilton acelerou muito, se envolveu em várias ultrapassagens e confusões e desgastou demais os pneus, o que o teria obrigado a fazer uma parada extra. Lewis reclamou e houve um pequeno mal-estar chez Woking. Mas saiu lucrando.

RENAULT 8,5 – Mais uma vez, o carro não estava tão desastroso nas mãos de Kubica, que andou muito e ainda foi ajudado por uma bom trabalho nos pits e por problemas dos adversários. Petrov abandonou cedo. Ótimo fim de semana.

FERRARI 7 – O carro não funcionou direito com Massa em momento algum. Nas mãos de Alonso, estava melhor, mas o espanhol, ao fechar Button, foi o causador do acidente que o prejudicou muito na largada. Diante disso, também não pode reclamar do resultado.

MERCEDES 6,5 – Rosberg foi quinto de modo discreto e eficiente, enquanto Schumacher se embananou o tempo todo. De fato, entre as equipes de ponta, é a que tem o pior carro. Espera-se coisa melhor para as próximas etapas.

FORCE INDIA7,5 – Saiu pontuando com Liuzzi mais uma vez. O carro estava ótimo com o italiano, mas quebrou com Sutil. Está em situação infinitamente melhor do que no ano passado.

WILLIAMS6,5 – Melhorou um bocado de Sakhir para Mélbourne, mas Hülkenberg ainda vem no difícil período de aprendizado. Barrichello fez, e com bastante competência, aquilo que é esperado dele, marcar pontos. O carro, porém, ainda tem muito a ser aprimorado.

RED BULL3 – De favoritíssima no sábado a grande fracassada do domingo. Tinha o carro com melhor performance, mas Vettel mais uma vez teve problemas, dessa vez com os freios. Webber teve uma corrida atribulada e até saiu no lucro marcando dois pontos. Não adianta ter o carro mais rápido se ele não é confiável.

TORO ROSSO3,5 – Não há muito o que se falar de Buemi, que abandonou na primeira volta. Alguersuari andou muito bem. Na classificação, os dois carros passaram para o Q2. Está em um momento bastante razoável, mas precisa de pontos.

SAUBER 2 – Nunca que um bico poderia escapar daquele jeito como escapou do carro de Kobayashi, o que resultou em um acidente bastante perigoso. De La Rosa andou sempre lá no meio do pelotão. Equipe com cara de mediana e, sem patrocínios, dificilmente melhorará de patamar.

LOTUS3,5 – Mais uma vez, foi a melhor entre as novatas. O carro termina inteiro e razoavelmente bem nas mãos de Kovalainen, mas sequer saiu do lugar com Trulli. Se bem que, se for ver, é até um problema menor perto dos de outras equipes.

HRT4,5 – O fato de ter conseguido terminar com Chandhok deve ser comemorado com festa em iate e tudo. Bruno Senna abandonou com problemas hidráulicos que parecem recorrentes ao carro. Mas a equipe conseguiu terminar e isso é o que importa.

VIRGIN 1,5 – Me arriscaria a dizer que seu carro é o pior do campeonato. Está mais lento que o Lotus e o HRT, sem teste de pré-temporada, vem se aproximando. Além de tudo, não tem resistência. Novamente, os dois pilotos não conseguiram terminar.


CORRIDAUMA CORRIDA DE VERDADE – Há muito tempo que não víamos uma corrida tão boa. Muitas ultrapassagens, acidentes, diferentes estratégias, muitos pilotos atuando bem e por aí vai. Melbourne é sensacional, não deveriam tirar esta pista do calendário nunca.

TRANSMISSÃOPASSA RASPANDO – É estranho, mas nunca vi uma geração de imagens decente em corrida australiana. Nesse caso, concordo com as reclamações do Galvão. Sobre o duo global (nada de Burti, estava no sétimo sono descansando para a corrida da Estoque), o locutor teve lá seus momentos de chatice, como nas 485 vezes em que reclamou da falta de ritmo das equipes pequenas, mas nada que nós já não estejamos acostumados.

JENSON BUTTON8,5 – Vitória com estratégia e dose de sorte. Razoável nos treinos, foi tocado por Alonso na largada e após o safety-car ainda foi ultrapassado pelo diabólico Hamilton. Foi aos boxes trocar os pneus antes de todo mundo, no que tomou a decisão mais inteligente da história da Oceania, e acabou ganhando um monte de posições. Com o abandono de Vettel, foi para a liderança e não a abandonou mais.

ROBERT KUBICA9 – Anda mais que o carro. Fez uma superlargada e ainda foi beneficiado pelos acidente da primeira curva e pelo ótimo trabalho de pits da Renault. Mereceu nota maior por segurar bravamente Hamilton na segunda metade da corrida.

FELIPE MASSA 9 – Teve um carro problemático durante todo o fim de semana, e o pódio foi um ótimo prêmio de consolação. Esteve discreto mas eficiente, fez uma largada incrível e conseguiu segurar Alonso com sucesso. Excelente.

FERNANDO ALONSO6,5 – Tinha tudo para ter saído com um grande resultado, mas pôs tudo a perder em um acidente patético na primeira curva. Caiu lá para trás, mas com as nuances da corrida conseguiu voltar lá para frente e empreender forte ataque sobre Massa sem conseguir ultrapassá-lo.

NICO ROSBERG7 – Com tantos destaques e tantas atuações pirotécnicas, o alemão acabou ficando um pouco apagado. Mas foi um sobrevivente e terminou em um bom quinto lugar, considerando que não tem carro melhor que o das outras três equipes de ponta.

LEWIS HAMILTON6,5 – Ao lado de Webber, o grande animador da corrida. Esteve quase sempre envolvido com ultrapassagens e manobras estranhas. Teve dois entreveros com o australiano, e acabou levando uma pancada por trás no último deles. Poderia ter terminado melhor.

VITANTONIO LIUZZI7,5 – Mais uma vez, foi pior que Sutil na classificação e, mais uma vez, conseguiu marcar pontos para Force India ao contrário de seu companheiro. Não se envolveu em confusões, parou apenas uma vez e, mineiramente, foi o melhor entre as equipes médias.

RUBENS BARRICHELLO7 – O carro não é genial, mas o brasileiro se desdobra para conseguir o melhor resultado possível. Na Austrália, ficou sempre ali entre os dez, mas teve de ultrapassar De La Rosa no final por este não ter feito a segunda parada.

MARK WEBBER5,5 – Ele tinha o melhor carro nas mãos, mas se envolveu em tantas coisas que não teria marcado pontos pela pontuação do ano passado. Foi colocado para fora por Hamilton em uma confusão e, no final da corrida, deu o troco batendo na traseira dele e perdendo o bico. O trabalho de sua equipe nos pits não ajudou, mas ficar lá no meio da maciota não estava nos planos.

MICHAEL SCHUMACHER 3 – Discreto durante todo o fim de semana. Na corrida, quebrou o bico quando foi tocado por Alonso na largada. Depois, tomou um X do Virgin de Glock e perdeu um quintilhão de voltas atrás de Alguersuari e só o ultrapassou no finalzinho. É a readaptação.

JAIME ALGUERSUARI7 – Talvez sua melhor atuação na Fórmula 1 até aqui. Foi combativo e segurou Schumacher durante muitas voltas. No fim, merecia ter marcado um pontinho. E está se dando melhor em corrida do que Buemi.

PEDRO DE LA ROSA 4 – Largou novamente à frente de Kobayashi. Tentou não fazer uma segunda parada, mas acabou sendo ultrapassado por vários no final. No fim, terminou ali onde seu Sauber permite.

HEIKKI KOVALAINEN4,5 – Outra vez, o melhor dos novatos. Não se envolveu em problemas e levou seu Lotus até o fim, embora duas voltas atrás. Está fazendo o que se espera dele, que é terminar corridas.

KARUN CHANDHOK7,5 – Terminar uma corrida complicada e longa em um circuito até então desconhecido para ele e em um carro precário e mal-testado como o HRT é quase como uma vitória para ele. Disse dias antes que terminar seria um milagre. Milagre feito, pois.

TIMO GLOCK 3,5 – Só se destacou pelo X sobre Schumacher no começo da corrida e por ter andado em quinto no momento das paradas. No mais, o carro continua quebrador e, dessa vez, a suspensão o deixou nas mãos faltando apenas 15 voltas para o fim.

SEBASTIAN VETTEL 9,5 – Dessa vez, serei justo e darei a maior nota a ele. Marcou uma pole-position sensacional e tinha tudo para ter dominado a corrida. E até vinha fazendo isso, mesmo tendo parado depois de todo mundo, até que os freios o deixaram na mão e o alemão saiu da pista, abandonando a corrida.

LUCAS DI GRASSI2,5 – Não há muito o que se dizer. Como no Bahrein, largou atrás de Glock. E como no Bahrein, abandonou por problemas hidráulicos.

ADRIAN SUTIL3,5 – Largou entre os dez primeiros e poderia ter ido bem. Mas o motor não funcionou desde o começo e o resultado foi o abandono.

VITALY PETROV 2,5 – Menos brilhante que no Bahrein, só apareceu na boa largada. Depois de dez voltas, porém, sofreu com uma pista que ainda secava e rodou sozinho.

BRUNO SENNA3 – Chegou a estar em 14º após a bagunça da primeira volta. Mas o carro apresentou problemas hidráulicos e o abandono veio ainda no começo.

SEBASTIEN BUEMI3 – Estava razoável nos treinos, mas foi abalroado por Kobayashi na primeira volta.

NICO HÜLKENBERG2 – Sofreu um bocado durante todo o fim de semana e também foi atingido por Kobayashi. Deu sorte de não ter se machucado.

KAMUI KOBAYASHI 2 – Não foi bem nos treinos e ainda deu um tremendo e perigoso azar ao ter a asa quebrada do nada ainda na primeira volta. Sem controle, bateu na mureta e ainda levou Hülkenberg e Buemi embora em um acidente assustador.

JARNO TRULLI0 – Sequer largou por problemas hidráulicos e nem fez falta.

Dizem que esse coala morreu pouco tempo depois de tomar a água. RIP.

MELBOURNE: Cidade bonita, grande, recheada de prédios, gente bonita e e qualidade de vida. Eu não sou exatamente fã da Austrália, mas reconheço uma enorme vantagem sobre o “fake” desértico financiado com petrodólares que é o Bahrein. O circuito é dos mais bacanas, sinuoso e ao mesmo tempo rápido, tudo isso com muros ali do lado. As corridas são sempre estranhas e lotadas de acidentes e ultrapassagens. A única coisa ruim é o horário. Ver corrida à meia-noite é muito legal. Às três da manhã, um estorvo. Eu sempre acabo dormindo.

RED BULL: Pois é, o carro é realmente bom. O chassi, made by Adrian Newey, é impecável e o motor Renault garante potência e economia. Só a confiabilidade do conjunto é que anda deixando a desejar. Mas a partir do momento em que isso estiver resolvido, é só partir para o abraço. E contrariando Lewis Hamilton, duvido muito que Mark Webber esteja pensando em se aposentar.

EMOÇÃO: E aí, anda faltando ou não? Mark Webber reclamou um bocado nesses dias. Hoje, Fernando Alonso, Robert Kubica e Michael Schumacher rebateram dizendo que não estava tão pior do que sempre foi. Bernie Ecclestone disse que não dá pra fazer nada nesse ano e que a primeira corrida não pode ser o único parâmetro. Ele está certo. Sakhir, apesar de eu gostar do traçado, nunca rendeu uma corrida espetacular. Mas Melbourne provavelmente não deverá ser considerada também, já que tudo lá é louco.

CHANDHOK: Vamos acompanhar sua estréia na Fórmula 1 nesse fim de semana (ou alguém aí considera aquelas cinco míseras voltas barenitas?). O monocelha-man já disse que se terminar, será um milagre. Modestíssimo como um dalit. Ele mesmo sabe que a possibilidade de se esborrachar em um muro australiano por aí é grande.

RENAULT: Virá com patrocínio novo, de uma financeira monegasca pertencente ao Grupo Renault. Me parece mais uma transferência de poupança para conta-corrente, mas tudo bem, é válido. O diabo da situação é colocar aquele horrível “DIAC” na lateral do carro. A pintura na pré-temporada era tão bonita, mas esse monte de marca acabou com ela.

DIAC? Puta que o pariu, hein...