Qualquer pretexto para se colocar uma foto da Hispania é um bom pretexto

SEBASTIAN VETTEL9,5 – Só pra dar um pouco de emoção à vida, o alemão teve algumas de dificuldades. Na sexta-feira, perdeu constantemente para Mark Webber nos treinos livres. No sábado, ficou dois décimos atrás na briga pela pole. No domingo, sucumbiu à excepcional largada de Fernando Alonso. Mas nada isso foi páreo para impedir sua quarta vitória. Dessa vez, o segredo foi antecipar suas duas primeiras paradas, o que o permitiu ter caminho livre para deixar os adversários para trás após suas paradas. E segurar Lewis Hamilton no final foi fundamental. Vitória construída, talvez a melhor do ano até aqui. Yabadabadoo!

LEWIS HAMILTON9,5 – Grande corrida. Largou em um terceiro lugar absolutamente esperado para seu carro, mas também deu o que falar na corrida. Tentou fazer uma parada a menos, mas não conseguiu. No entanto, tinha pneus em relativo bom estado no final e conseguiu ameaçar a vitória de Vettel. Não conseguiu vencer, mas não deixou de ser um dos astros da corrida.

JENSON BUTTON8,5 – De onde ele veio? Fez o quinto tempo no treino oficial, largou pessimamente mal e fechou a primeira volta em décimo. Depois, apostou em uma estratégia de apenas três paradas e conseguiu se dar bem, poupando tempo e galgando posições. Destacou-se por ter ultrapassado Alonso e Webber em uma única volta, tendo pneus em melhor estado. No fim, terminou em terceiro lugar. É o rei desse tipo de atuação misteriosa.

MARK WEBBER5,5 – Muito bem em todos os treinos, fez sua primeira pole-position no ano, mas seu bom fim de semana acabou aí. Largou mal, perdeu duas posições na primeira curva e nunca mais conseguiu brigar pela vitória. Passou boa parte da corrida engalfinhado com Fernando Alonso, com direito a confusão nos pits. Terminou fora do pódio e jogou mais uma boa oportunidade no lixo.

FERNANDO ALONSO9,5 – Se tivesse vencido a corrida, ganharia um onze. Fernando iniciou sua série de milagres ao fazer uma volta incrível no Q3 da classificação, tomando o quarto lugar de Button. Largou muitíssimo bem e tomou a liderança na primeira volta, ficando por lá durante as primeiras voltas. Depois, sucumbiu ao mau trabalho da Ferrari nos pits e perdeu a ponta para Vettel. Com pneus duros, seu carro passou a se comportar mal e até mesmo o pódio se tornou impossível. Ainda assim, não há como não ter admirado seu início de corrida.

MICHAEL SCHUMACHER8 – Trabalho digníssimo na corrida. No treino oficial, sequer marcou volta no Q3 e ficou em décimo. Seu bom resultado começou com a costumeira ótima largada, que lhe deu quatro posições. Depois, andou com prudência e conseguiu se manter à frente de Rosberg durante todo o tempo, mesmo tendo de poupar pneus para manter a estratégia de três paradas. Melhor resultado do ano até aqui.

NICO ROSBERG6,5 – O que mais me irrita nele é sua extrema previsibilidade. Ele largou em sétimo e terminou em sétimo, sem ameaçar Schumacher a qualquer momento. Alegou ter problemas no rádio e na asa traseira, o que é compreensível, mas não ajuda a melhorar sua imagem de piloto pouco criativo e improvisador. Numa prova com tantos destaques, não há muito o que falar dele.

NICK HEIDFELD8,5 – É outro especialista em recuperações fulminantes e misteriosas. No último treino livre, seu carro virou uma fogueira de São João e impediu que ele participasse do treino oficial, sendo obrigado a largar em último. A partir daí, só alegria. Largou com pneus duros, conseguiu atrasar sua primeira parada, fez uma troca de pneus a menos e utilizou seus bons pneus macios para passar um por um na parte final. Conseguiu terminar em oitavo, a poucos metros das duas Mercedes.

SERGIO PÉREZ8 – Fez seus primeiros pontos do ano em uma corrida competentíssima. Foi melhor que Kobayashi no treino oficial, adiantou sua primeira parada e fez dois stints longuíssimos durante a prova. No fim, tinha pneus macios em bom estado e estava competitivo no final, tendo terminado à frente do badalado companheiro japonês. E o Galvão deveria falar menos merda sobre ele.

KAMUI KOBAYASHI7 – Largou atrás do companheiro e ainda foi tocado na primeira volta, tendo de parar nos pits para trocar um pneu furado. Depois, assim como o companheiro, insistiu em períodos longos com seus jogos de pneus e conseguiu fazer apenas três paradas. Ficou atrás de Pérez, mas fez uma competente corrida de recuperação e marcou o último ponto.

VITALY PETROV6 – Fez um bom início de corrida, mas só se complicou depois. Bom sexto colocado no treino oficial, o russo largou bem e chegou a andar em quarto no começo. Seu maior problema foi ter escolhido andar com pneus macios logo no começo. No fim, teve de se arrastar com pneus duros e acabou terminando fora dos pontos.

PAUL DI RESTA5,5 – Não foi mal, mas esteve longe de brilhar como nas etapas anteriores. Sua equipe decidiu sacrificar o treino oficial para poupar um jogo de pneus, mas o escocês ainda conseguiu superar com folga seu companheiro Adrian Sutil no Q2. Na corrida, Paul largou bem e conseguiu manter um ritmo aceitável. Assim como Petrov, errou ao deixar os pneus duros para o final. Mas terminou à frente de Sutil novamente.

ADRIAN SUTIL4 – Vive um inferno astral na vida, tendo de responder a um processo criminal por agressão e ainda levando surra do companheiro novato. Largou atrás dele e sempre andou bem atrás durante toda a prova, só se aproximando no final por ter pneus em condições bem melhores. E os pontos ficaram nos sonhos, é claro.

SÉBASTIEN BUEMI5 – Corrida honesta, o que não necessariamente põe mesa. Sébastien andou bem no treino oficial e fez uma ótima largada, chegando a fechar a primeira volta em nono. Depois, só se aproximou dos pontos quando pilotos mais à frente faziam suas paradas. Perdeu tempo com a estratégia equivocada de deixar os pneus duros para o final. Ainda assim, ficou bem à frente de Alguersuari mais uma vez.

PASTOR MALDONADO5 – É até estranho dizer isso para um piloto da Williams, mas fez uma corrida boa, até. Destaque do treino oficial, conseguiu colocar um carro de sua equipe pela primeira vez no Q3 neste ano e saiu em um bom nono lugar. Foi seu último bom momento. Na corrida, largou mal, fez quatro paradas e teve de usar pneus duros após as duas últimas. Por isso, a grande perda de posições. Só que a fase da Williams é tão ruim que este 15º é simplesmente a melhor posição obtida pela equipe até aqui.

JAIME ALGUERSUARI3 – Nos dias de hoje, não vejo algo bom em um piloto que termina atrás de um Williams dirigindo um Toro Rosso. Jaime ficou bem atrás do companheiro Buemi no treino oficial e ainda optou pela pior estratégia possível na corrida, a de quatro paradas com colocação de pneus duros nas duas últimas. Por isso, a má posição.

RUBENS BARRICHELLO1 – Sofreu com os recorrentes problemas de câmbio  durante os treinos e acabou conseguindo a proeza de ficar atrás das duas Lotus no treino oficial. Na corrida, chegou a perder uma posição para um Hispania na largada, parou quatro vezes e nunca esteve sequer entre os quinze primeiros. Uma de suas piores corridas na vida. Para alguém que já largou mais de 300 vezes, algo bem ruim.

JARNO TRULLI7 – Não me lembro de corrida tão boa do piloto italiano na Lotus. No treino oficial, fez um bom 18º tempo, à frente do Williams de Barrichello. Na corrida, largou muitíssimo bem e chegou a ocupar a oitava posição durante a primeira rodada de paradas. Depois, esteve sempre misturado com o meio do pelotão. Terminou atrás somente porque seu carro ainda é bem fraco. Mas os avanços são inegáveis.

TIMO GLOCK3 – Dessa vez, teve um fim de semana um pouco melhor. Largou à frente de D’Ambrosio e terminou à sua frente. Ainda assim, andou atrás do Hispania de Liuzzi durante um bom tempo. Depois da depressão, a resignação, um sentimento perigosíssimo para um jovem piloto de Fórmula 1.

JERÔME D’AMBROSIO3 – Fez a lição de casa, mas nada além disso. No treino oficial, conseguiu ficar atrás dos dois carros da Hispania. Na corrida, ficou à frente de Karthikeyan e teve de se virar com pneus ruins no final. Pelo menos, terminou.

NARAIN KARTHIKEYAN4 – Honestamente, acho que vem fazendo um trabalho acima das minhas expectativas, que não eram muitas. Nos treinos livres, chegou a ficar à frente de Liuzzi. No treino oficial, ficou a apenas um décimo dele. Na corrida, largou mal, mas foi o único piloto da Hispania a conseguir levar o inguiável F111 até a bandeirada.

FELIPE MASSA2,5 – Estranhamente, foi o piloto que mais sofreu com os pneus nesta corrida. No final, pouco antes de abandonar com o câmbio quebrado, chegou a rodar após uma freada. Foi a cereja do bolo de um fim de semana discreto, marcado pelo oitavo lugar no grid e por um início sem brilho. De quebra, a estratégia de quatro paradas e o uso dos pneus macios no início se mostraram ineficientes.

HEIKKI KOVALAINEN6,5 – O finlandês foi a grande atração do início do treino oficial, já que conseguiu superar a dupla da Force India e um Williams. Na corrida, largou muitíssimo bem e chegou a andar nos pontos em algumas poucas voltas. Depois, na parte final, começou a ter problemas com pneus, escapou na curva 4 e bateu. É seu segundo acidente neste circuito.

VITANTONIO LIUZZI5 – Apareceu bem no começo, quando largou muitíssimo bem e andou durante um bom tempo à frente dos dois carros da Virgin. Depois, começou a ter problemas de câmbio e foi o primeiro piloto a abandonar. Levando em conta a desgraça do comportamento de seu carro, fez um bom fim de semana. Vem mostrando bem mais talento aqui do que na Force India.

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