Gerson Gouveia? Quem é este?, pergunta alguém não tão informado.

Gerson é um dos melhores pilotos da atual temporada da Stock Car V8. Não é difícil reconhecê-lo. Seu carro, pintado de azul e preto, carrega o número 53 e é patrocinado pela Goodyear e pela Gouveia Metalúrgica, empresa de sua abastada família. Na vida pessoal, ele é casado com a estudante de jornalismo Diana Rodrigues, embora já tenha apresentado alguns claros pendores pedófilos. À primeira vista, a descrição parece indicar a vida de um personagem de novela. E é mesmo. Representado por Marcello Antony, Gerson é um dos principais personagens de Passione, novela da TV Globo.

Como em toda novela global, o enredo é previsível, forçado, superficial e até mesmo errático. Apesar de todo o background de corridas, as atenções estão voltadas para o computador de Gerson. O que será que o aflige tanto quando alguém se aproxima da máquina? As evidências indicam que ele guarda um bom número de fotos de criancinhas para seu deleite sexual. Como em toda novela global, previsível, forçada, superficial e até mesmo errática, deve ser isso mesmo: Gerson é pedófilo. E é isso que importa, no fim das contas. A Stock apenas empresta sua grife e toda sua estrutura para servir como cenário de uma historinha boba.

Já andei falando um tempo atrás sobre a subserviência da Stock Car perante a Globo. A categoria move montanhas para agradar a emissora e recebe, em troca, alguns minutos compartilhados com esportes praianos e reportagens sobre a cor da cueca do Neymar na programação dominical global. Uma das concessões foi exatamente ceder espaço para as gravações da tal novela. Para isso, após uma sessão de treinos da última corrida realizada em Interlagos, alguns pilotos (14, mais precisamente; o restante do grid foi completado com edição computadorizada) foram colocados na pista para fazer algumas voltas simulando uma corrida com Gerson Gouveia. Eles gostaram, é claro. Alguns deles, como Norberto Gresse e Lico Kaesemodel, tiveram seus quinze minutos de fama, que não conseguem obter nas corridas de verdade, e puderam expor seus patrocinadores. No fim das contas, o único que se incomodou um pouco com esse negócio foi Thiago Camilo. O incômodo, aliás, se deu pelo motivo errado: ele estaria incomodado com a possibilidade de Gerson Gouveia ser gay. E, no fim das contas, em Interlagos, ele deixou que alguns artistas entrassem no seu carro. E tudo ficou por isso mesmo, como sempre ocorre na Stock.

Não estou dizendo que a Stock Car deve chutar a bunda da turma de Passione e criar um clima ruim com a Globo. Se Carlos Col e companhia sentem que a novela trará uma atenção maior para a categoria, que venha. O problema é efetuar um enorme esforço por tão pouco espaço, e de baixa qualidade. A Stock teve de adequar um horário de seu cronograma em Interlagos e simular uma corrida completa desde o burburinho anterior à largada. Em troca, a categoria quase não é citada. E quando aparece na telinha, ganha contornos irreais. Para a novela, pouco muda, já que não é intenção dela expor os pormenores da Stock. Mas e para o automobilismo? Qual é o ganho em ter aquilo que foi exibido no capítulo do dia 5 de julho? O capítulo em questão é esse daí do vídeo. Não costumo ver novelas, mas dei a sorte (ou não) de ter assistido a esta pérola na TV.

O vídeo fala por si só, mas sigo com os comentários. Na corrida em questão, Gerson Gouveia larga em segundo. Dou um doce pra quem acertar o pole-position escolhido pelo pessoal da novela. Após a largada, Gouveia ultrapassa o darling global na curva que identifiquei como sendo o Laranjinha e assume a liderança. Um indivíduo reclamão e perfeccionista até o fio de cabelo como eu não deixaria de perceber que a edição de imagens é completamente aleatória, criando uma sequência completamente errada da ação. O piloto sai da Ferradura, entra na Junção, desce no S do Senna, segue pela reta dos boxes, completa o Pinheirinho e segue em diante, confundindo a cabeça deste pobre infeliz.

As imagens misturam a movimentação dos carros com closes de Gerson Gouveia, que faz a corrida pensando no pé na bunda que tomou de Diana alguns momentos antes. Nisso, eu reconheço: apesar de novelístico, acontece do piloto ir pra corrida pensando nessas coisas. Diz a lenda que Ivan Capelli passou vergonha na Ferrari e na Jordan porque havia tomado um belíssimo chifre de sua esposa. E o próprio Senna teria descoberto, alguns dias antes da fatídica corrida de Imola, algumas histórias bem desagradáveis envolvendo Adriane Galisteu. Mas ressalto: são lendas. Não provo nada. Voltando ao Gerson, era visível que ele não tinha condições psicológicas para a corrida. Mais cedo ou mais tarde, o erro aconteceria.

E aconteceu. Gerson e o darling global se tocam na entrada do S do Senna, e o carro de Gouveia segue reto na curva. Contrariando as leis da física promulgadas por Galvão Bueno, o carro rodopiou e deu um belíssimo duplo twist carpado do nada. O que se seguiu foi uma série de capotagens de fazer Gualter Salles corar de inveja. Após algumas piruetas, o carro de Gerson Gouveia parou de cabeça para baixo, e lá estava o piloto inconsciente e com sangramento no nariz. E terminou aí o show. Sylvester Stallone, criador do horrendo Driven, se sentiria orgulhoso do filme que fez. Apenas um post scriptum: Driven é de 2001, época em que os efeitos especiais ainda não eram tão avançados.

Tempestade em copo d’água? Pode até ser. Afinal de contas, não é intenção da novela se aprofundar no tema automobilismo. A dona de casa que mora na Seropédica, com certeza, não está ligando se o carro capotou de maneira bizarra ou se o jogo de câmeras é irreal. O que importa é saber se o tal do Gerson Gouveia é pedófilo ou não. No fim das contas, todos sabemos. Sabemos que Gerson Gouveia é pedófilo. Sabemos que a Stock Car se prestou a algo risível. Sabemos que o pior de tudo é que a categoria gostou.

Porque não dá pra escrever algo grande no dia de hoje.

– Sou muito foda. No post anterior, disse que não fazia a menor idéia de quem substituiria Josef Kral na Supernova. Chutei alguns nomes inocentemente. Um deles era o de Luca Filippi, italiano que já havia feito duas temporadas completas pela equipe. E não é que o Italiaracing anunciou que será exatamente ele o substituto de Kral? Minha bola de cristal comprada na Santa Ifigênia é muito boa.

– Lembram-se da Cypher, aquela aspirante obscura à vaga de 13ª equipe da Fórmula 1? No Twitter, ela anunciou orgulhosamente que está conversando com Jonathan Summerton para tê-lo como um dos pilotos da equipe para a temporada 2011. Summerton já teve boas passagens pela Fórmula Atlantic e A1GP. Confiante, o próprio confirmou a conversa em seu Twitter. Só espero que os cypherianos não o façam de tonto.

– A A1GP deve voltar em 2011. Alguns investidores se uniram e arremataram alguns Ferrari (e até mesmo alguns Lola das primeiras temporadas) para tentar reviver aquele que foi um dos mais criativos e curiosos campeonatos da década passada. Dez dos dezoito países confirmados para o que viria a ser a atual temporada estariam comprometidos em competir em 2011. O calendário do ano que vem utilizaria boa parte das pistas que receberiam a temporada 2010. A conferir. Espero que dê certo.

Os sempre intrépidos espiões do Autosport flagraram, na semana passada, o novo Dallara-Renault da GP2. Este horrendo carro será utilizado nas próximas três temporadas nos campeonatos europeu e asiático da categoria. Pela foto, é possível perceber que a GP2 se aproxima a passos largos da Fórmula 1 ao seguir as tendências aerodinâmicas da categoria-mãe, com a asa traseira reduzida e a asa dianteira ampliada. Não por acaso, os pneus, que serão feitos pela Pirelli, serão compartilhados pelas duas categorias.

A foto foi tirada em uma versão alternativa do circuito de Magnycours. O piloto que faz o teste é o inglês Ben Hanley, que já competiu na categoria em 2008.

Feio. Espero que, ao menos, possibilite mais ultrapassagens. Vale lembrar que a GP2 vem sofrendo uma drástica diminuição nas disputas devido à configuração aerodinâmica do atual carro.

Aliás, falando em GP2, o tcheco Josef Kral deverá ficar de fora da temporada por, no mínimo, dois meses. Foram diagnosticadas fraturas em duas vértebras e o cara vai ter de passar um bom tempo tomando sopinha no hospital. Não faço a menor idéia de quem irá substitui-lo. Luca Filippi? Javier Villa? James Jakes? Qualquer outro nome?

Gostou dos acidentes sofridos no circuito de rua de Valência pelo australiano Mark Webber na Fórmula 1 e pelo checo Josef Kral na GP2? Pois é, eu também. Acidentes do gênero, quando ninguém sai quebrado, são dos mais divertidos que existem pela sua plasticidade visual e pelo estrago causado nos carros. O Bandeira Verde irá relembrar de cinco bons vôos que ficaram na memória dos fãs. Nenhum piloto ou animal saiu ferido nas gravações.

5- BUDDY RICE, IRL EM CHICAGO, 2004

O primeiro da lista ocorreu com um piloto que foi ultraestimado em sua época devido a uma vitória obtida nas 500 Milhas de Indianápolis há seis anos. O americano Buddy Rice, um típico yankee branquelo e rechonchudo que competia na Indy Racing League, se aproveitava do bom G-Force equipado com motor Honda e preparado pela equipe Rahal-Letterman para fazer de 2004 o melhor ano de sua vida. No entanto, o destino sempre deve estar pronto para pregar uma peça. Buddy Rice quase morreu do coração na corrida de Chicago.

Na volta 185, o americano vinha segurando a quarta posição contra Darren Manning, da Chip Ganassi. Em uma manobra errônea, Manning acabou tocando a traseira do carro de Rice, que perdeu o controle e, com a passagem de ar por baixo do assoalho, acabou levantando vôo, deu uma pirueta no ar e caiu de cabeça para baixo, se arrastando logo ao lado do muro. Fenomenal!

Buddy saiu inteiro do carro. E o acidente serviu para os urubus da Indy Racing League cobrirem de críticas os carros da categoria, alegando que eles seriam extremamente sensíveis a qualquer mudança na passagem de ar pelo carro, o que poderia ocasionar mais voos. Estes críticos não deixavam de ter alguma razão, e esse Top Cinq ainda vai mostrar o porquê.

4- CHRISTIAN FITTIPALDI, GP DE MONZA, 1993

Ah, eu não me canso de ver esse acidente. Chega a ser teatral ver dois companheiros de equipe causando um acidente tão impressionante na reta final de um Grande Prêmio em Monza.

Já falei deste acidente em outro Top Cinq, então serei breve: na última volta do GP da Itália de 1993, o brasileiro Christian Fittipaldi atacava o italiano Pierluigi Martini visando a sétima posição. Ambos eram pilotos da Minardi e já estavam brigando havia algumas voltas. Na reta final, Christian pega o vácuo do carro de Martini e tenta uma ultrapassagem pelo lado direito.

O italiano dá uma leve fechada, os dois carros tocam rodas e Christian faz uma pirueta de dar inveja a muito ginasta por aí. Fittipaldi ainda consegue aterrissar com as quatro rodas no chão e ainda completa a corrida com o carro todo torto. Um gran finale, sem dúvida.

3- PETER DUMBRECK, 24 HORAS DE LE MANS, 1999

Em 1999, a Mercedes-Benz tinha um carro tão veloz quanto perigoso na disputa pela almejadíssima vitória nas 24 Horas de Le Mans: o CLK-LM. Ele era belíssimo, todo cinzento e de perfil baixo, mas tinha um gravíssimo problema aerodinâmico no qual qualquer entrada de ar por baixo suprimiria o downforce, mandando o bólido para o espaço. Nos treinos, um dos pilotos da equipe, o australiano Mark Webber (HÁ!), sofreu nada menos do que dois vôos com seu carro nº 4. No último deles, no warm-up, o carro desceu a Mulsanne de cabeça para baixo por vários metros. O fotógrafo brasileiro Miguel Costa Jr. quase foi atingido pelo CLK-LM voador de Webber.

No entanto, o absurdo maior ficou reservado para a corrida. Peter Dumbreck, um dos pilotos do carro nº 5, estava fazendo as primeiras horas da corrida quando, de súbito, o CLK-LM passou por cima de uma ondulação localizada alguns metros depois da curva Mulsanne e o ar que passou por debaixo do assoalho fez o bólido levantar vôo. Como a velocidade era alta, o Mercedes começou a dar uma sequência de piruetas no ar até cair para fora do autódromo, no meio das árvores.

Milagrosamente, Peter saiu do carro com apenas algumas escoriações. A Mercedes, porém, aprendeu a lição. Após três vôos, a equipe retirou o carro nº 6, último remanescente da marca de três pontas, da corrida.

2- MANFRED WINKELHOCK, F2 EM NÜRBURGRING, 1980

Sensacional, este aqui.

O alemão Manfred Winkelhock conduzia seu March amarelado pelo longuíssimo e sinuoso circuito de Nürburgring em uma corrida de Fórmula 2 no ano de 1980. Em determinado momento da corrida, ele danificou seu bico no toque com um adversário. Como o dinheiro de sua equipe era escasso, o pai de Markus acreditou ser melhor continuar daquele jeito até onde desse.

Não deu. O carro perdeu considerável downforce e só mesmo a perícia de Manfred poderia mantê-lo na pista. No entanto, a descida Flugplatz acabou pondo um ponto final nessa insistência. Ao iniciar esta descida, um enorme fluxo de ar passou pelo bico do carro. Como o bico estava danificado, o ar conseguiu empurrar o carro para cima e o resultado foi esse daí: uma pirueta seguida de uma sequência de capotagens.

No primeiro instante, todos pensaram “já era”. Mas Manfred saiu ileso do carro. Um milagre, considerando a falta de segurança dos carros de Fórmula 2 naquele período. Infelizmente, o alemão faleceria em um acidente bem menos plástico com um Porsche no circuito de Mosport em 1985.

1- DARIO FRANCHITTI, DOIS EM UMA SEMANA, 2007 

O primeiro lugar só poderia ficar com um cara que consegue a proeza de sofrer duas piruetas em apenas seis dias!

5 de agosto de 2007, Grande Prêmio de Michigan, Indy Racing League. Franchitti, da Andretti Green, disputava a liderança com o inglês Dan Wheldon, da Chip Ganassi. Na volta 143, os dois vinham juntos pela reta quando Dario acabou esterçando demais à esquerda. Os dois carros se engancharam e Franchitti fez um revival de Buddy Rice ao levantar vôo e cair de cabeça para baixo. No entanto, o escocês fez um trabalho ainda melhor ao levar um monte de gente embora com ele: Scott Dixon (que chegou a ser atingido pelo Dallara voador), Tomas Scheckter e Ed Carpenter. No fim das contas, cinco carros destruídos e nenhuma unha quebrada. O mais impressionante, no entanto, é que Franchitti repetiu a dose na corrida seguinte, apenas seis dias depois! E o pior é que o acidente aconteceu logo depois da bandeirada!

11 de agosto de 2007, Grande Prêmio de Kentucky, Indy Racing League. Após terminar em sétimo, Dario Franchitti tirou o pé do acelerador para fazer a volta de retorno aos pits. No entanto, à sua frente, havia um japonês que desacelerou demais de maneira irresponsável. E aí começa o pandemônio: sem saída e em velocidade ainda elevada, Franchitti bate na traseira de Kosuke Matsuura, levanta vôo, dá uma pirueta no ar e aterrissa batendo de traseira no muro.

Mais uma vez, Dario Franchitti sai ileso. E até ganha um apelido bastante simpático, outrora pertencente a um tricampeão de Fórmula 1: o escocês voador.

 

Semana passada, eu deixei uma foto para vocês descobrirem qual que é. Três caras (o Felipe Portela, o indefectível Rianov e o Arthur Simões) responderam corretamente: era o espanhol Luis-Perez Sala andando em um Minardi M188 modificado para o campeonato internacional de Fórmula 3000. Os três receberão pôsteres com Sebastien Buemi, Karun Chandhok e Robert Kubica fazendo caretas.

Um Minardi modificado? Como assim?

Quando a Fórmula 3000 foi anunciada, em meados de 1984, uma das idéias da categoria era receber antigos carros de Fórmula 1 que já não tivessem mais qualquer utilidade na categoria maior. Equipando estes carros com motores Cosworth DFV aspirados, a FISA resolvia um problema de estoque, uma vez que tanto os carros como os motores aspirados não serviam para mais nada em uma categoria aonde as equipes desenvolviam chassis válidos para uma única temporada, ou até menos, e os propulsores eram todos turbocomprimidos. E, de quebra, surgia aí uma categoria barata que poderia substituir a Fórmula 2. Dois coelhos com uma cajadada só.

O problema é que algumas construtoras de chassis, como a Ralt, a March e a Lola, desenvolveram monocoques específicos para o regulamento da Fórmula 3000. Esses modelos eram bem mais modernos e adequados para os motores Cosworth do que os carros de Fórmula 1. Mesmo assim, algumas equipes insistiram em reutilizar carros da Williams, da Tyrrell e até mesmo um Dywa que deveria ter corrido na Fórmula 1 em 1980. Sobre esse último, escrevo sobre ele qualquer dia.

O caso é que os carros de Fórmula 1 perderam feio na disputa com os carros feitos exclusivamente para a Fórmula 3000. Em 1987, todas as equipes já usavam carros específicos e a idéia de reutilizar carros de Fórmula 1 foi engavetada. No entanto, dois anos depois, um grupo de zé-ruelas quiseram trazer a idéia de volta.

Luciano Pavesi era um dos chefes de equipe mais tradicionais da Fórmula 3000. Sua equipe, a Pavesi Corse, teve ótimos momentos em 1986 e 1987, quando utilizou chassis Ralt e colocou Pierluigi Martini e Luis Perez-Sala para correr. No entanto, os bons tempos foram embora e a Pavesi se transformou em mais uma das muitas equipes coadjuvantes da categoria. 1988 foi o descalabro. Era necessário voltar aos bons tempos e Luciano achava que tinha uma carta na manga para isso.

Ele decidiu competir na Fórmula 3000 em 1989 com um Minardi M188, o carro utilizado pela simpática equipe italiana na Fórmula 1 no ano anterior. O motor utilizado seria o Cosworth DFV de 3000cc, ao invés da unidade de 3500cc utilizada na Fórmula 1, e os pneus seriam Avon. De resto, tudo como dantes no quartel de Abrantes.

No início de 1989, Luciano quis colocar seu brinquedinho para testar no circuito de Vallelunga, quintal da Minardi e conhecido rincão das equipes de Fórmula 3000. Motivado por um misto de amizade e experiência, assume o volante o espanhol Perez-Sala, que já havia corrido na Pavesi e que tinha competido na Fórmula 1 com este carro. O carro andou muito bem e ele marcou 1m05s6 como melhor tempo. Com esse tempo, o M188 teria largado em sexto na corrida realizada naquela pista alguns meses depois. A intenção da Pavesi era ter o italiano Rinaldo Capello, aquele que viria a ser vencedor das 24 Horas de Le Mans, como piloto.

Infelizmente, Capello não conseguiu encontrar patrocínio e a idéia da Pavesi competir com este carro foi por água abaixo. Foi a última tentativa de inscrição de um carro de Fórmula 1 na Fórmula 3000.

Se tem alguém que errou, é Webber. Mas sempre há canhões apontando para a Lotus

Sou um defensor dos fracos e oprimidos. Não, não vou abrir uma ONG para dar sopa aos mendigos da Sé. Meu nobre sentimento de caridade e meu bom coração se restringem ao importantíssimo mundo do automobilismo. Torço para as equipes pobres e para os pilotos do fundão. Desejo dias melhores aos mecânicos da Lotus, aos cozinheiros da Virgin e às faxineiras da Hispania. E não me furto em defendê-los aqui, mesmo que isso canse os leitores.

Neste domingo, os inimigos das equipes novatas ficaram em polvorosa. Afinal de contas, aquilo que todos temiam aconteceu: um carro de uma equipe novata esteve envolvido em um enorme acidente com um carro de uma equipe de ponta. Na volta de número 9 do Grande Prêmio da Europa, o australiano Mark Webber, segundo piloto da poderosa Red Bull, se aproximava rapidamente do finlandês Heikki Kovalainen, segundo piloto da fraca Lotus. Como a diferença de velocidade entre os dois carros é óbvia, Webber não tardaria em ultrapassar Kovalainen, que fez o seu papel e manteve-se na sua linha. Por um erro grotesco de cálculo, Mark demorou demais para tomar a linha de ultrapassagem e o resultado foi aquele: um RB6 dando uma belíssima pirueta, caindo de cabeça para baixo e se deslocando em altíssima velocidade até a barreira de pneus.

Enquanto todos se preocupavam com o estado do australiano, eu, defensor dos fracos e oprimidos, só pensava em “agora é que vão encher o saco com reclamações sobre a novatas”. Embora as reações não tenham sido tão contundentes como eu esperava, sempre tem alguém pronto para dizer merda. Na transmissão global, Galvão Bueno reclamou mais uma vez que a FIA não deveria permitir que carros tão lentos participassem da Fórmula 1, que estas equipes precisam de um longo período de testes antes de irem para a pista e que deveriam dar passagem aos carros mais rápidos sempre que estes estivessem atrás. Em seu site, o próprio Mark Webber disse que o piloto que tem um carro cinco segundos mais lento não deve ficar lutando por posição com um carro muito mais rápido.

Ridículas, todas estas opiniões. O próprio Webber tem como seu primeiro cartão de visitas uma bela briga contra um carro muito mais rápido ocorrida logo em sua primeira corrida, em Mélbourne/2002. Naquela ocasião, Webber e seu Minardi seguravam como podiam a quinta posição contra o Toyota de Mika Salo, que vinha como um maluco atrás. Será que Mark acha que o que ele fez é muito diferente do que queria fazer Kovalainen? Ah, mas era uma quinta posição. Ah, mas o Minardi não era tão mais lento que o Toyota. Ah, mas eu era inexperiente. Fala sério. A obrigação de um piloto, não importando se ele corre pela McLaren ou pela Hispania, é ser combativo sempre. Se Heikki Kovalainen não fizesse o que fez, não mereceria sequer estar na Fórmula 1.

Estes pilotos desta atual década se mostram completamente desacostumados com carros mais lentos. É um misto de desinformação com prepotência. Me soa lamentável que um cidadão como Webber, que teve de ralar um bocado antes de chegar aonde chegou, ache que um piloto deve abrir passagem a ele unicamente por guiar em um carro mais lento. O problema é que ele não é o único. Fernando Alonso, ex-Minardi, terminou o Grande Prêmio de Mônaco irritadíssimo com Lucas di Grassi pelo fato do brasileiro ter segurado sua posição por algumas voltas no início da corrida. Voltando a alguns anos, tivemos David Coulthard e Ron Dennis ralhando com Enrique Bernoldi por este ter feito o mesmo com o escocês por mais de 30 voltas no mesmo circuito monegasco. Os caras simplesmente apagam da cabeça que um dia já foram pilotos novatos ou do fundão, que um dia já tiveram de rolar muita bosta lá no final dos grids da vida antes de chegar aonde chegaram.

Por fim, bato na mesma tecla pela milésima vez: o Lotus não é um carro abismalmente lento. Vamos à matemática para fazer a prova. Mais ainda: vamos comparar as performances de Webber e Kovalainen nos treinos de classificação. Peguei os tempos de ambos os pilotos no Q1 de todos os nove treinos de classificação até agora. O tempo médio feito por Webber é de 1m31s930. O de Kovalainen é de 1m34s776. A diferença entre os dois é de 2s846. Peguei também o melhor tempo do Q1 feito nos nove treinos, fiz a média e cheguei ao tempo de 1m30s952, 3s825 mais rápido que Kovalainen. Me responda, Mark Webber: aonde estão esses cinco segundos? E mesmo que fossem, qual é o problema? Uma coisa é ter um Life andando a 25 segundos do tempo da pole. Outra coisa, totalmente diferente, é ter carros pouco testados de equipes muito mais pobres do que Ferrari ou Red Bull andando a quatro ou cinco segundos dos carros de ponta.

O diabo da história é que uma pessoa como Mark Webber, que já foi diretor da GPDA, e um narrador como Galvão Bueno, que tem um enorme poder de influência sobre milhões, conseguem mobilizar um enorme número de detratores destas equipes. Rejeitadas, elas acabam apresentando dificuldades para negociar com fornecedores de motores, para contratar pilotos e principalmente para arranjar patrocinadores. E não crescem. E continuam culpadas por tudo. Webber bateu, culpa da Lotus. Hamilton espirrou, culpa da Virgin. Button brochou, culpa da Hispania.

RED BULL 8 – Quando não é um, é outro. Dessa vez, Sebastian Vettel venceu a corrida de maneira impecável. Webber? Largou mal, arriscou uma estratégia duvidosa e causou um dos mais espetaculares acidentes da história da Fórmula 1. Ao menos, provou que o RB6 é bastante seguro. A equipe não consegue fazer uma única corrida boa com seus dois carros.

MCLAREN 8,5 – É uma equipe bem mais coesa que a Red Bull. Não venceu, mas colocou seus dois pilotos no pódio. Ambos lideram um campeonato que deveria estar fácil para sua concorrente rubrotaurina. Hamilton, como sempre, espertão. Button, como sempre, oportunista.

WILLIAMS 8 – Até agora, a melhor apresentação da equipe no ano. Rubens e Nico largaram entre os dez primeiros e se manteriam entre eles até o final, mas o alemão teve um pequeno incêndio no carro. Barrichello terminou em um ótimo quarto lugar. Pela primeira vez, uma melhora visível no FW32 foi percebida.

RENAULT 7 – Tinha um carro bom para Valência, algo que deu pra perceber no treino de classificação. Kubica, mais uma vez, levou o carro até o limite e terminou em quinto. Petrov, mais uma vez, não fez nada. A equipe francesa vem se aproximando da Mercedes a largas braçadas.

FORCE INDIA 7,5 – Resultados parecidos no treino de classificação e diferentes na corrida: Sutil largou imediatamente à frente de Liuzzi, mas fez uma ótima corrida, ganhou posições e terminou em sexto. Liuzzi desapareceu. O alemão vem trazendo a equipe nas costas.

SAUBER9 – A equipe que mais me chamou a atenção em Valência. Apesar de terem ido muito mal na classificação, se recuperaram de maneira notável na corrida. Kobayashi e sua equipe inteligentemente escolheram permanecer na pista com pneus duros até o final. Ambos os pilotos deveriam ter pontuado, mas De La Rosa tomou uma punição e perdeu duas posições. O melhor de tudo, no entanto, é que nenhum carro terminou quebrado ou esborrachado no muro.

FERRARI 5 – Fez um bom treino de classificação e, dependendo do tarô e do i-ching, poderia subir no pódio com facilidade. Mas o azar falou mais alto e tanto Alonso como Massa perderam um turbilhão de posições ao ficarem atrás do safety-car. No fim, o espanhol ainda salvou alguns pontinhos. O carro, ao menos, dá sinais de que está melhorando.

TORO ROSSO 5,5 – Típica corrida de equipe média. Buemi andou muito bem e marcou alguns pontos. Alguersuari não apareceu. No fim das contas, os pontos do helvético configuraram um fim de semana bastante razoável.

MERCEDES 1 – Atuação vergonhosa, hein? Tanto Rosberg quanto Schumacher tiveram enormes dificuldades nos treinos e não se recuperaram na corrida. Michael até tentou e chegou a ocupar a terceira posição, mas teve de esperar o sinal abrir quando parou nos pits. Marcou apenas um pontinho com Nico. Na verdade, merecia ter saído zerada.

VIRGIN 6 – Terminou com os dois carros e foi a melhor das equipes novatas. A novidade, nesse caso, foi ver Lucas di Grassi terminando à frente de Timo Glock.

HISPANIA 5 – Sem qualquer outra pretensão, a equipe segue terminando suas corridinhas. Chandhok e Senna conseguiram levar seus carros ao final nesta ordem.

LOTUS 2 – Na pseudocomemoração do Grande Prêmio de número nove quinhentos, a equipe só teve motivos para lamentar. Trulli teve muitos problemas e terminou em último, muito atrás dos outros pilotos. Já Kovalainen serviu como rampa de lançamento de Mark Webber.

CORRIDAGIVES YOU WINGS – Eu gosto do circuito de Valência, mas não estava esperando nada além de uma corrida medíocre. No entanto, até que ela não foi tão ruim assim. Tudo bem, houve a necessidade de um megaacidente entre Mark Webber e Heikki Kovalainen para animar as coisas. No entanto, tivemos alguns bons momentos, como as duas ultrapassagens de Kamui Kobayashi nas duas últimas voltas. O japonês, por sinal, deu vida à corrida ao fazer o máximo de voltas possível sem ir aos pits. Não houve grandes mudanças com relação aos dois primeiros, mas creio que esta corrida foi bem melhor do que as duas primeiras edições.

TRANSMISSÃO FUTURA BOLD? – A transmissão foi marcada por algumas peculiaridades. No sábado, Cléber Machado narrou os treinos. Na corrida, Galvão Bueno assumiu o microfone. Não me lembro disso ter ocorrido em alguma transmissão global, ao menos nos últimos 20 anos. O narrador-mor, que preferiu a corrida ao jogo entre Alemanha e Argentina, reclamou um bocado sobre o circuito, sobre a pseudocomemoração da Lotus e sobre os carros mais lentos. Em determinado instante, a geração da imagens ficou ajustando o tamanho da tela. E ainda estou tentando entender o que aquele Futura Bold estava fazendo na tela por alguns segundos.

GP2 GÉRSON GOUVÊA?? – Pobre Josef Kral. Na primeira corrida valenciana, o jovem checo se envolveu em um acidente com mais três carros na primeira volta. Na segunda corrida, em uma prévia do vôo rubrotaurino na corrida de Fórmula 1, ele subiu na traseira do carro de Rodolfo Gonzalez, deu uma pirueta, caiu no chão com força e seguiu como um míssil descontrolado até a barreira de pneus. No fim das contas, apenas um braço quebrado e dor nas costas. Pastor Maldonado ganhou a primeira corrida e segue rumo ao título. A segunda corrida foi vencida pelo companheiro de Kral na Supernova, o sueco Marcus Ericsson. Alberto Valério errou tanto no sábado como no domingo, e ainda cavou uma punição para Silverstone por ter batido em Sergio Perez na última corrida. E, não, Lito Cavalcanti, o Jerôme D’Ambrosio não se parece com o pedófilo da novela das oito…

SEBASTIAN VETTEL9,5 – Vitória fácil, construída a partir da pole-position obtida no sábado. No domingo, conseguiu segurar o ímpeto de Hamilton e não perdeu a liderança em momento nenhum. O dez só não veio por causa daquela escapada ocorrida logo após a saída do safety-car. Quase que a vitória escapa por entre os dedos.

LEWIS HAMILTON 9 – É tão bom piloto quanto malandro. Fez uma boa largada, tocou em Vettel e nunca deixou o rubrotaurino se distanciar muito. Acabou ultrapassando o safety-car quando este entrou na pista, foi punido com uma passagem nos pits, acelerou o máximo possível e conseguiu voltar à frente de Kobayashi. Quase ultrapassou Vettel quando o alemão cometeu um erro na relargada. Diante disso, o segundo lugar está de bom tamanho.

JENSON BUTTON 8 – Mal nos treinos, aproveitou-se de seu costumeiro oportunismo para ganhar algumas posições na corrida com a entrada do safety-car. Ficou um bom tempo preso atrás de Kobayashi, mas acabou subindo para terceiro com a parada do japonês e pegou mais um bom pódio. Foi o primeiro dos punidos.

RUBENS BARRICHELLO 8,5 – Fez sua melhor apresentação desde a vitória em Monza, no ano passado. Andou bem nos treinos, ganhou algumas posições com o safety-car na pista e conseguiu manter sempre um bom ritmo de corrida. Quarto lugar merecidíssimo.

ROBERT KUBICA 8 – À francesa, fez um corridão. Largou muito bem e tinha tudo para obter um pódio. No entanto, acabou perdendo tempo no pit-stop durante o safety-car.

ADRIAN SUTIL 8,5 – Começou mal o fim de semana ao ficar longe do Q3 na classificação. Na corrida, no entanto, ganhou várias posições no momento do safety-car e ainda executou uma boa ultrapassagem sobre Buemi na segunda metade. Uma bela recuperação.

KAMUI KOBAYASHI 9,5 – O nome da corrida. Rememorando suas duas belíssimas corridas de estréia pela Toyota, Kamui demonstrou esperteza e coragem. Muito mal nos treinos, escolheu largar com pneus duros para fazer o máximo de quilometragem possível antes de parar. Com o safety-car, pulou para terceiro e ficou por lá até poucas voltas para o fim, quando teve de parar e colocar pneus macios. Ao voltar para a pista, ultrapassou Alonso e Buemi nas duas últimas voltas. Uma das melhores apresentações individuais do ano.

FERNANDO ALONSO 7,5 – Tinha tudo para fazer um ótimo fim de semana, a começar por um bom quarto lugar no grid, mas acabou perdendo tudo com um lance de extrema falta de sorte. Com a entrada do safety-car na pista, Alonso fez o certo e ficou atrás dele, andando devagar por uma volta completa antes de parar nos pits. Caiu de terceiro para décimo primeiro e não conseguiu se recuperar muito depois. Terminou a corrida irritadíssimo com a direção de prova.

SEBASTIEN BUEMI 7,5 – Ótima atuação de um piloto que evolui rapidamente. Andou bem nos treinos e conseguiu ganhar algumas posições com o safety-car na pista. No final da corrida, sem ter um carro 100%, cometeu alguns erros e perdeu algumas posições. Após a prova, ainda perdeu mais uma posição com uma punição. Ainda assim, uma boa corrida.

NICO ROSBERG 2,5 – Um fim de semana horrível que só o premiou com um ponto porque o alemão está longe de ser o cara mais azarado do grid. Não conseguiu passar para o Q3 no treino de classificação, largou mal, perdeu posições no pit-stop e só obteve um ponto porque De La Rosa foi punido.

FELIPE MASSA 6 – Não foi mal nos treinos e até que vinha andando razoavelmente bem na corrida. No entanto, acabou perdendo muito tempo com o safety-car e teve até mais prejuízos que Alonso. Depois, sumiu. Ficou a apenas uma posição de marcar pontos. Não que ele esteja em uma grande fase, mas o caso valenciano só pode ser explicado por um enorme azar.

PEDRO DE LA ROSA 7 – Coitado dele. Foi mal nos treinos, mas conseguiu se manter à frente de Kobayashi na primeira parte da prova. Com o safety-car, até ganhou algumas posições e se aproximou dos pontos. O abandono de Hülkenberg o colocou em posição de marcar um ponto. Infelizmente, após a corrida, ele também estava entre a turma dos punidos e acabou voltando à estaca zero. O azar kobayashiano, definitivamente, o pegou de jeito.

JAIME ALGUERSUARI 3,5 – Já está definitivamente atrás de Buemi. Superado pelo suíço nos treinos, perdeu algumas posições com o safety-car e nunca esteve próximo de pontuar. Teve dificuldades com o arro.

VITALY PETROV 4 – Em uma pista na qual venceu por duas vezes na GP2, teve uma chance de ouro ao largar em décimo. No entanto, largou mal e não conseguiu ganhar posições com o safety-car. Terminou próximo dos pontos, mas foi punido e perdeu mais algumas posições.

MICHAEL SCHUMACHER 5 – Em mais um fim de semana péssimo, largou lá atrás e terminou lá atrás. No entanto, conseguiu andar na frente de Rosberg no início da corrida e ganharia algumas posições de fato, mas acabou tendo de ficar parado esperando o sinal verde abrir, em uma cena absolutamente patética. Com isso, caiu lá pro fim do pelotão. Ainda assim, marcou várias voltas mais rápidas e provou que tinha tudo para ter obtido um resultado muito melhor que o de seu companheiro.

VITANTONIO LIUZZI 3 – Largou imediatamente atrás de Sutil e poderia ter obtido um resultado parecido. No entanto, envolveu -se em um entrevero com Petrov dentro dos pits e acabou perdendo um bocado de tempo. Depois disso, desapareceu e terminou como o último entre as equipes estabelecidas.

LUCAS DI GRASSI 7 – Melhor fim de semana do ano. Largou pela primeira vez à frente do companheiro de equipe e sempre conseguiu manter um bom ritmo em comparação aos outros pilotos das equipes novatas. Terminou em um razoável décimo sétimo, algo que serve como uma vitória para sua equipe.

KARUN CHANDHOK 6 – Largou à frente de Bruno Senna e terminou à frente dele com uma certa folga. Dessa vez, dá pra dizer que o indiano claramente bateu o brasileiro.

TIMO GLOCK 3 – Nesta temporada, está passando a impressão de ser um piloto que, sem um carro decente, se desespera ao tentar levá-lo ao limite e acaba cometendo erros. Em Valência, o alemão foi superado por Di Grassi pela primeira vez no ano. Ao tentar recuperar terreno, causou um acidente estúpido com Bruno Senna, teve o pneu furado e quase bateu no muro. Ao menos, terminou.

BRUNO SENNA 3,5 – Largando em último, sua única expectativa era superar o companheiro de equipe. Infelizmente, não deu. De quebra, quebrou ao bico ao ser tocado por Glock em uma tentativa frustrada de ultrapassagem deste. No fim das contas, saiu no lucro por ter terminado a prova.

JARNO TRULLI 3,5 – Foi o melhor entre as equipes estreantes no treino de classificação, mas arruinou sua corrida ao destruir o bico de seu carro em um toque no Sauber de De La Rosa. Depois, teve de trocar o sistema de transmissão e ficou definitivamente para trás. No fim das contas, terminar foi algo positivo.

NICO HÜLKENBERG – 6,5 – Um ótimo fim de semana destruído por um pequeno incêndio em seu Williams. Largou à frente de Barrichello e manteve-se o tempo todo nos pontos. Merecia ter marcado pontos.

HEIKKI KOVALAINEN 4 – Não teve culpa nenhuma no acidente com Webber. O finlandês mantinha-se em sua linha e simplesmente foi atingido por trás pelo velocíssimo Red Bull. Uma pena, já que vinha sendo o melhor dos pilotos das equipes estreantes na corrida.

MARK WEBBER 1 – O que foi aquilo?! Conseguiu protagonizar um dos maiores acidentes dos últimos anos, digno daqueles da série Havoc. E não adianta culpar Kovalainen, já que o australiano insistiu em se manter atrás de um Lotus muito mais lento que o seu Red Bull. Deve agradecer a Alá e a Buda por ter saído inteiro. Este episódio foi a cereja do bolo de uma corrida que começou com uma péssima largada e uma estratégia que o jogou para o fundo do pelotão.

VALÊNCIA: Uma das minhas pistas preferidas. Não, agradeço pelo Gardenal mas não preciso, obrigado. Eu realmente gosto deste circuito. Eu concordo que as corridas de Fórmula 1 ocorridas por lá foram terríveis. Eu concordo que o visual é feio. Eu concordo que pista de rua costuma significar excesso de acidentes e ausência de ultrapassagens. Mas gosto não se discute, só se lamenta. Eu olho para Valência e me lembro de Long Beach e seus trechos de alta velocidade misturados com curvas lentíssimas e estreitas. E as corridas de GP2 por lá são muito boas.

BURGER KING: E o emblema da simpática rede de lanchonestes estará no carro da Sauber novamente. Eu gosto da Sauber, e gosto do Burger King. O Whooper deles dá de dez a zero no insosso Big Mac.

FIA: Pneus Pirelli, bacana. Retorno dos 107%, uma merda. Asa dianteira regulável, não entendi direito. Possível retorno do KERS, inútil. Tomo um Engov e espero pra ver o que vai acontecer.

FALTA DE ASSUNTO: Total. Eu nem ia postar nada hoje, mas encontrei algo que achei por bem colocar aqui.

STEFAN: Deixo uma lembrancinha para vocês, já que não vou aparecer até semana que vem. Foto tirada em Köln em fevereiro. Não por mim, é claro.

 

Piloto, carro, motor e ano. Dispenso a pista, até porque nem eu faço idéia de onde seja. Fácil?

Nem tanto. Pergunto: de que categoria é esse carro? Hehe.

Não sei quando posto a resposta. Aliás, vou dar férias ao Bandeira Verde. Volto na semana que vem.