Gostou dos acidentes sofridos no circuito de rua de Valência pelo australiano Mark Webber na Fórmula 1 e pelo checo Josef Kral na GP2? Pois é, eu também. Acidentes do gênero, quando ninguém sai quebrado, são dos mais divertidos que existem pela sua plasticidade visual e pelo estrago causado nos carros. O Bandeira Verde irá relembrar de cinco bons vôos que ficaram na memória dos fãs. Nenhum piloto ou animal saiu ferido nas gravações.

5- BUDDY RICE, IRL EM CHICAGO, 2004

O primeiro da lista ocorreu com um piloto que foi ultraestimado em sua época devido a uma vitória obtida nas 500 Milhas de Indianápolis há seis anos. O americano Buddy Rice, um típico yankee branquelo e rechonchudo que competia na Indy Racing League, se aproveitava do bom G-Force equipado com motor Honda e preparado pela equipe Rahal-Letterman para fazer de 2004 o melhor ano de sua vida. No entanto, o destino sempre deve estar pronto para pregar uma peça. Buddy Rice quase morreu do coração na corrida de Chicago.

Na volta 185, o americano vinha segurando a quarta posição contra Darren Manning, da Chip Ganassi. Em uma manobra errônea, Manning acabou tocando a traseira do carro de Rice, que perdeu o controle e, com a passagem de ar por baixo do assoalho, acabou levantando vôo, deu uma pirueta no ar e caiu de cabeça para baixo, se arrastando logo ao lado do muro. Fenomenal!

Buddy saiu inteiro do carro. E o acidente serviu para os urubus da Indy Racing League cobrirem de críticas os carros da categoria, alegando que eles seriam extremamente sensíveis a qualquer mudança na passagem de ar pelo carro, o que poderia ocasionar mais voos. Estes críticos não deixavam de ter alguma razão, e esse Top Cinq ainda vai mostrar o porquê.

4- CHRISTIAN FITTIPALDI, GP DE MONZA, 1993

Ah, eu não me canso de ver esse acidente. Chega a ser teatral ver dois companheiros de equipe causando um acidente tão impressionante na reta final de um Grande Prêmio em Monza.

Já falei deste acidente em outro Top Cinq, então serei breve: na última volta do GP da Itália de 1993, o brasileiro Christian Fittipaldi atacava o italiano Pierluigi Martini visando a sétima posição. Ambos eram pilotos da Minardi e já estavam brigando havia algumas voltas. Na reta final, Christian pega o vácuo do carro de Martini e tenta uma ultrapassagem pelo lado direito.

O italiano dá uma leve fechada, os dois carros tocam rodas e Christian faz uma pirueta de dar inveja a muito ginasta por aí. Fittipaldi ainda consegue aterrissar com as quatro rodas no chão e ainda completa a corrida com o carro todo torto. Um gran finale, sem dúvida.

3- PETER DUMBRECK, 24 HORAS DE LE MANS, 1999

Em 1999, a Mercedes-Benz tinha um carro tão veloz quanto perigoso na disputa pela almejadíssima vitória nas 24 Horas de Le Mans: o CLK-LM. Ele era belíssimo, todo cinzento e de perfil baixo, mas tinha um gravíssimo problema aerodinâmico no qual qualquer entrada de ar por baixo suprimiria o downforce, mandando o bólido para o espaço. Nos treinos, um dos pilotos da equipe, o australiano Mark Webber (HÁ!), sofreu nada menos do que dois vôos com seu carro nº 4. No último deles, no warm-up, o carro desceu a Mulsanne de cabeça para baixo por vários metros. O fotógrafo brasileiro Miguel Costa Jr. quase foi atingido pelo CLK-LM voador de Webber.

No entanto, o absurdo maior ficou reservado para a corrida. Peter Dumbreck, um dos pilotos do carro nº 5, estava fazendo as primeiras horas da corrida quando, de súbito, o CLK-LM passou por cima de uma ondulação localizada alguns metros depois da curva Mulsanne e o ar que passou por debaixo do assoalho fez o bólido levantar vôo. Como a velocidade era alta, o Mercedes começou a dar uma sequência de piruetas no ar até cair para fora do autódromo, no meio das árvores.

Milagrosamente, Peter saiu do carro com apenas algumas escoriações. A Mercedes, porém, aprendeu a lição. Após três vôos, a equipe retirou o carro nº 6, último remanescente da marca de três pontas, da corrida.

2- MANFRED WINKELHOCK, F2 EM NÜRBURGRING, 1980

Sensacional, este aqui.

O alemão Manfred Winkelhock conduzia seu March amarelado pelo longuíssimo e sinuoso circuito de Nürburgring em uma corrida de Fórmula 2 no ano de 1980. Em determinado momento da corrida, ele danificou seu bico no toque com um adversário. Como o dinheiro de sua equipe era escasso, o pai de Markus acreditou ser melhor continuar daquele jeito até onde desse.

Não deu. O carro perdeu considerável downforce e só mesmo a perícia de Manfred poderia mantê-lo na pista. No entanto, a descida Flugplatz acabou pondo um ponto final nessa insistência. Ao iniciar esta descida, um enorme fluxo de ar passou pelo bico do carro. Como o bico estava danificado, o ar conseguiu empurrar o carro para cima e o resultado foi esse daí: uma pirueta seguida de uma sequência de capotagens.

No primeiro instante, todos pensaram “já era”. Mas Manfred saiu ileso do carro. Um milagre, considerando a falta de segurança dos carros de Fórmula 2 naquele período. Infelizmente, o alemão faleceria em um acidente bem menos plástico com um Porsche no circuito de Mosport em 1985.

1- DARIO FRANCHITTI, DOIS EM UMA SEMANA, 2007 

O primeiro lugar só poderia ficar com um cara que consegue a proeza de sofrer duas piruetas em apenas seis dias!

5 de agosto de 2007, Grande Prêmio de Michigan, Indy Racing League. Franchitti, da Andretti Green, disputava a liderança com o inglês Dan Wheldon, da Chip Ganassi. Na volta 143, os dois vinham juntos pela reta quando Dario acabou esterçando demais à esquerda. Os dois carros se engancharam e Franchitti fez um revival de Buddy Rice ao levantar vôo e cair de cabeça para baixo. No entanto, o escocês fez um trabalho ainda melhor ao levar um monte de gente embora com ele: Scott Dixon (que chegou a ser atingido pelo Dallara voador), Tomas Scheckter e Ed Carpenter. No fim das contas, cinco carros destruídos e nenhuma unha quebrada. O mais impressionante, no entanto, é que Franchitti repetiu a dose na corrida seguinte, apenas seis dias depois! E o pior é que o acidente aconteceu logo depois da bandeirada!

11 de agosto de 2007, Grande Prêmio de Kentucky, Indy Racing League. Após terminar em sétimo, Dario Franchitti tirou o pé do acelerador para fazer a volta de retorno aos pits. No entanto, à sua frente, havia um japonês que desacelerou demais de maneira irresponsável. E aí começa o pandemônio: sem saída e em velocidade ainda elevada, Franchitti bate na traseira de Kosuke Matsuura, levanta vôo, dá uma pirueta no ar e aterrissa batendo de traseira no muro.

Mais uma vez, Dario Franchitti sai ileso. E até ganha um apelido bastante simpático, outrora pertencente a um tricampeão de Fórmula 1: o escocês voador.

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