Faltando três dias para o Grande Prêmio de Mônaco, por que não homenagear um dos inúmeros personagens da história da Fórmula 1 que se eternizaram nos registros automobilísticos do principado? Este personagem em questão é o francês Olivier Panis, piloto boa-praça cuja única vitória na carreira aconteceu em Montecarlo no já distante ano de 1996.

Panis era o primeiro piloto da Ligier, equipe tradicional francesa que não passava pelos seus melhores dias. Seu carro, o JS43 equipado com motor Mugen-Honda, não passava de um típico bólido do meio do pelotão e os resultados obtidos até então não eram exatamente animadores. Mas Mônaco é Mônaco, tudo pode acontecer. E o Ligier JS43 prometia funcionar bem por lá.

Tão bem que nos dois primeiros treinos livres de quinta-feira, Olivier ficou na sexta posição. O carro estava muito bom para conseguir alguns pontos. No entanto, a alegria do francês mudou para um semblante fechadíssimo na classificação de sábado, quando ele conseguiu dar apenas três voltas rápidas antes do carro ter problemas no motor. O resultado foi um distantíssimo 14º lugar no grid, algo que irritou Panis profundamente, pois ele sabia que dava, no mínimo, para largar entre os dez primeiros.

Porém, todas as pessoas tem o seu grande dia na vida, aquele em que dá tudo certo. O de Olivier Panis foi exatamente o dia seguinte ao do treino classificatório, 19 de Maio de 1996.

Para início de conversa, o francês mostrou que seu carro estava em excelente forma e foi o mais rápido no warm-up, ficando três décimos à frente de Mika Hakkinen, o segundo colocado. O carro era muito bom, mas era uma pena que Mônaco sempre foi um circuito onde as ultrapassagens tendiam à completa impossibilidade. Mas vem cá, estamos falando do dia 19 de Maio de 1996, o dia de Olivier Panis! Chovia um bocado em Mônaco, mas a expectativa era o secamento da pista no decorrer da corrida. A Ligier apostou em apenas uma parada de boxes.

Olivier não largou bem e perdeu uma posição para Martin Brundle. Porém, ainda na primeira volta, Michael Schumacher, Rubens Barrichello e Jos Verstappen sofriam acidentes e abandonavam a corrida. Décima segunda posição para Panis. E o show começa a partir daí.

Volta 7: Panis ultrapassa Brundle na Rascasse e sobe para a 11ª posição. Ele está a cerca de 40 segundos de Hill.

Volta 10: Gerhard Berger abandona com problemas no câmbio e Panis sobe para décimo.

Volta 16: Panis ultrapassa Hakkinen na Mirabeau e sobe para nono.

Volta 18: Irvine e Frentzen batem, e o alemão tem de ir aos pits para trocar o bico. Panis é oitavo.

Volta 25: Panis ultrapassa Johnny Herbert na Loews e sobe para sétimo. Já são três ultrapassagens em Mônaco.

Volta 28: Panis para e perde duas posições, para Herbert e Hakkinen.

Volta 29: Um monte de gente para nos pits e Panis sobe para sexto, ficando atrás de Herbert mas ganhando as posições de Jacques Villeneuve e Mika Salo.

Volta 30: Mais paradas de pits e Panis acaba subindo para quarto, ganhando as posições de Herbert e de David Coulthard.

Volta 36: Panis faz a melhor ultrapassagem da corrida, ao deixar a Ferrari de Eddie Irvine para trás na Loews. Uma ultrapassagem a cada nove voltas, uma das melhores atuações individuais da história do principado. Terceira posição para ele!

Volta 41: O motor do líder Damon Hill explode. Panis sobe para a segunda posição! Está bom? Ainda não.

Volta 60: Jean Alesi, da Benetton, tem problemas de suspensão e acaba saindo da corrida. E Olivier Panis, milagrosamente assume a liderança.

A partir daí, foi uma questão de se manter na pista e poupar combustível e pneus. Atrás dele, David Coulthard e seu McLaren vem se aproximando com rapidez. Mas Panis consegue se manter à frente e, após duas horas de corrida, vence o Grande Prêmio de Mônaco de 1996. Uma zebra com performance de campeão.

Panis só descobriu que havia vencido a corrida quando já estava na metade do circuito. Ele pegou uma bandeira francesa e saiu desfilando pelo restante do circuito monegasco. Uma das mais incríveis corridas da história da Fórmula 1.

O mais bizarro, porém, aconteceu no dia seguinte. A Ligier se recusou a pagar a conta de hotel de Olivier Panis e o francês ficou algumas horas preso no estabelecimento tentando resolver a situação. No final, contas pagas e Olivier seguia a vida como o mais novo vencedor de corridas da categoria.

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