Juro que não queria ficar dando audiência para a tal da Cypher, aquele projeto de equipe americana de Fórmula 1 para 2011. Mas não é que os caras surgem do nada e me mandam um e-mail com algumas perguntas e respostas? Não é nada que irá mudar o mundo, os jornalistas da grande mídia já devem ter recebido este comunicado há séculos, mas irei reproduzir o que eu recebi de qualquer jeito. As perguntas não foram feitas por mim: é um questionário pronto.

COMO VOCÊ AVALIA O RETORNO DA FÓRMULA 1 AOS ESTADOS UNIDOS?

Nós acreditamos que o retorno da Fórmula 1 aos EUA é bastante positivo. E não é algo bom apenas para o país e para os fãs americanos da categoria, mas também para o continente como um todo. É uma oportunidade perfeita para as Américas apresentarem seus talentos automobilísticos e culturais por meio das corridas no Brasil, nos Estados Unidos e no Canadá.

O FATO DE TER SIDO ANUNCIADA UMA CORRIDA DE FÓRMULA 1 EM SOLO AMERICANO AUMENTA AS CHANCES DA CYPHER SER A EQUIPE ESCOLHIDA?

É algo que certamente atrairá a atenção e o interesse de todos em nosso favor. Nós acreditamos que a 13ª vaga é a oportunidade perfeita para uma equipe americana e isso também beneficiará todo o continente americano. Será ótimo para os pilotos do continente americano, pois eles não necessariamente terão de viajar para a Europa se quiserem pleitear uma vaga na Fórmula 1.

Se quer um exemplo, temos o Brasil, país que já produziu campeões mundiais como Ayrton Senna e Nelson Piquet. Nós consideramos que um piloto como Nelson Piquet Jr. competindo ao lado de um jovem piloto americano em uma equipe americana seria algo excelente tanto para os EUA como para o Brasil, não acha?

QUANDO VOCÊS ANUNCIARÃO MAIS DETALHES SOBRE O PROJETO?

Como nós dissemos anteriormente, nós só faremos uma inscrição definitiva quando tivermos o orçamento necessário para construir uma equipe minimamente competitiva. Nós queremos entrar na Fórmula 1 com uma estrutura respeitável e sólida. Assim que nós conseguirmos completar este orçamento, nós informaremos a mídia e os torcedores sobre nossa inscrição definitiva. A partir daí, só nos restará esperar pela decisão da FIA.

POR QUE VOCÊS DECIDIRAM SE INSTALAR NO ESTADO DA CAROLINA DO NORTE?

Nós acreditamos que a Carolina do Norte possui inúmeras qualidades que são necessárias para o desenvolvimento de uma equipe de Fórmula 1. A questão da logística é vital para qualquer projeto do gênero, mas não é nossa única preocupação. Nós precisamos de um corpo de funcionários que tenha uma mentalidade dinâmica e pensamos que, para isso, precisaríamos estar no maior celeiro de talentos do automobilismo americano, que é exatamente este estado. A Carolina do Norte concentra a maior parte das estruturas participantes da NASCAR e acreditamos que uma equipe desta categoria e uma equipe de Fórmula 1 podem trabalhar em conjunto, algo que o presidente da FIA, Jean Todt, parece ter percebido ao comparecer a algumas corridas em Daytona.

ESTÁ MUITO DIFÍCIL OBTER PATROCÍNIO?

A Cypher continua trabalhando duro visando cumprir seus objetivos e espera que os EUA e os países vizinhos ajudem a ampliar nosso projeto. Nós podemos dizer que estamos fazendo de tudo: já entramos em contato com várias multinacionais e estamos em negociações avançadas com algumas empresas que fazem parte da lista das 500 maiores empresas do mundo segundo a revista Fortune. Estamos buscando aumentar o número de colaboradores em nosso projeto.

.

Enrolaram muito e não disseram muita coisa, como é esperado. Na verdade, se há uma novidade maior, seria uma possível ligação da Cypher com uma equipe da NASCAR, o que não me pareceria uma idéia tão horrível assim. Mas apesar da equipe aparentar estar avançando lentamente, tudo ainda é muito vago.

A propósito, como revelado pela edição 4 revista Grande Prêmio, uma das cabeças da equipe é um tal de Steve Brown. Tentarei apurar depois quem é o cabra.

A propósito 2, nem consegui falar que mais uma equipe pode ter desistido da 13ª vaga na Fórmula 1. Fica pra amanhã.

Porque não dá pra escrever algo grande no dia de hoje.

– Sou muito foda. No post anterior, disse que não fazia a menor idéia de quem substituiria Josef Kral na Supernova. Chutei alguns nomes inocentemente. Um deles era o de Luca Filippi, italiano que já havia feito duas temporadas completas pela equipe. E não é que o Italiaracing anunciou que será exatamente ele o substituto de Kral? Minha bola de cristal comprada na Santa Ifigênia é muito boa.

– Lembram-se da Cypher, aquela aspirante obscura à vaga de 13ª equipe da Fórmula 1? No Twitter, ela anunciou orgulhosamente que está conversando com Jonathan Summerton para tê-lo como um dos pilotos da equipe para a temporada 2011. Summerton já teve boas passagens pela Fórmula Atlantic e A1GP. Confiante, o próprio confirmou a conversa em seu Twitter. Só espero que os cypherianos não o façam de tonto.

– A A1GP deve voltar em 2011. Alguns investidores se uniram e arremataram alguns Ferrari (e até mesmo alguns Lola das primeiras temporadas) para tentar reviver aquele que foi um dos mais criativos e curiosos campeonatos da década passada. Dez dos dezoito países confirmados para o que viria a ser a atual temporada estariam comprometidos em competir em 2011. O calendário do ano que vem utilizaria boa parte das pistas que receberiam a temporada 2010. A conferir. Espero que dê certo.

Mandei um e-mail à Cypher semana passada. Lembram-se dela? É aquele grupo americano que criou conta no Facebook e no Twitter para anunciar sua inscrição à temporada 2011. Bastante curioso, insisti em uma entrevista com a equipe. Disse baboseiras como “estou muito interessado no projeto de vocês” e “tenho certeza que os brasileiros passarão a apoiar esta iniciativa assim que a descobrirem”. Como os caras são meio obscuros, não achei que estariam dispostos a responder o e-mail de alguém do baixo clero como eu.

Mas eles responderam.

Olá Leandro,

Agradecemos pelo e-mail e pedimos desculpas pela demora em responder. Como você pode perceber, a questão da Fórmula 1 na América é bastante complicada. E como nós respeitamos nossos fãs e parceiros, esperamos que você entenda nossa posição.

Nesse momento, nós não estamos prontos para divulgar informações a respeito de nossa empreitada. Nós evitamos fazer isso para evitar que qualquer coisa nos distraia ou atrapalhe o rumo que pretendemos tomar. Portanto, evitamos comentar sobre quem está envolvido de fato e espero que você compreenda.

Tudo o que posso dizer é que a idéia da equipe gira em torno da intenção da Fórmula 1 em ter uma equipe americana. No entanto, garantimos que Ken Anderson e Peter Windsor não estão envolvidos nessa história. E nós pretendemos nos estabelecer no estado da Carolina do Norte, algo que faz sentido por inúmeras razões.

Com relação à presença de antigos membros da USF1, nós temos conhecimento sobre o que falado por aí sobre isso e digo que as pessoas frequentemente ouvem apenas o que elas querem ouvir. Mesmo que nós tenhamos alguns ex-funcionários da USF1 em nosso staff, a Cypher não surgiu a partir de um grupo de membros desta equipe. O Grupo Cypher e seus membros internacionais simplesmente perceberam um enorme potencial em ter uma equipe americana e o sonho, alimentado por muitos engenheiros americanos, de estarem em uma equipe nacional. Nós queremos dar à América o que ela merece.

Nós reconhecemos que o momento não é o ideal para se fundar uma equipe. No entanto, sabendo que há uma vaga disponível no grid, a Cypher acredita que a oportunidade deverá ser aproveitada. Porém, nós deixamos bem claro: não faremos uma inscrição definitiva antes de conseguirmos completar o orçamento necessário.

Saudações,

Grupo Cypher 

Novidades até aí? Pra dizer a verdade, nenhuma que tenha chamado a minha atenção. Apenas algumas confirmações: a equipe quer se instalar na Carolina do Norte, alguns de seus funcionários são da USF1 e Ken Anderson e Peter Windsor não estão entre eles. A inscrição foi feita, mas não há dinheiro para levar tudo isso a sério ainda.

Duas coisas me chamaram a atenção. Uma delas é que, ao contrário do que andaram dizendo, a equipe não é uma iniciativa de ex-funcionários da USF1. Os caras da Cypher, a princípio, são neófitos com relação à Fórmula 1.

Outra coisa: nós pretendemos nos estabelecer no estado da Carolina do Norte, algo que faz sentido por inúmeras razões. Que razões seriam essas? Sabe-se que o estado, e sua maior cidade Charlotte (correção by Samuel), concentra a maioria das sedes das equipes da NASCAR. Teria alguém da categoria envolvido nisso? Outra coisa: Charlotte é onde fica a sede da USF1. Sabe-se, porém, que os poucos bens da equipe foram leiloados para pagamento de dívidas. Será que algo teria sobrado para os cypherianos?

Enfim, um e-mail que me trouxe mais perguntas do que respostas.

Tenho, porém, duas peças de quebra-cabeça em minhas mãos.

– No Twitter, a Cypher soltou hoje algo como Cypher – Ferrari, has a ring to it!, o que significaria algo como “Cypher-Ferrari, muito interessante”. Sabe-se que a montadora italiana quer apoiar uma equipe americana. E aí?

– O Youtube quer se envolver, de fato, com uma equipe de Fórmula 1. No entanto, os caras aprenderam com a USF1 e, dessa vez, pretendem patrocinar, investir ou até comprar uma equipe pronta. Se o projeto for minimamente mais confiável, não seria o caso de pensar em uma parceria?

Pouco se fala sobre esse assunto. Nas últimas semanas, venho buscando de maneira doentia notícias a respeito. E não venho obtendo muito sucesso. As informações são vagas e pouco confiáveis. O Bandeira Verde, órgão de prestação de serviços ao público brasileiro, fará o relevantíssimo favor à nação de juntar tudo o que se sabe até aqui.

Nos Estados Unidos, o canal Speed noticiou o número de equipes que se inscreveram até o dia 15 de Abril de 2010: quinze. Dessas quinze equipes, uma será escolhida como a décima terceira equipe da Fórmula 1 e uma ficará como equipe-reserva para o caso de haver desistência de uma das 13.

É evidente que há projetos mais e menos sérios. Na verdade, vamos demorar para saber a respeito de todas as inscritas, se é que ficaremos sabendo de todas. Abaixo, os projetos conhecidos até aqui:

EPSILON EUSKADI – A intenção de Joan Villadelprat subir com sua equipe basca para a Fórmula 1 é conhecida por todos há algum tempo. E, aparentemente, é o que há de mais sólido entre os projetos. A Epsilon disputa com relativo sucesso corridas de protótipos, a Eurocup Renault 2.0 e a World Series by Renault. Seu cartão de visitas é uma gigantesca fábrica localizada no Parque Tecnológico de Álava pronta para a construção dos carros. Se a infraestrutura é o fator decisivo para a escolha da equipe, a Epsilon deve ganhar de goleada.

O Bandeira Verde informa que, nesse exato instante, Jean Todt está no País Basco fazendo uma visita às instalações da Epsilon Euskadi ao lado de Carlos Gracia, presidente da Federação Espanhola de Automobilismo, e Jaime Lissavetzky, secretário dos esportes. O objetivo é claro: vistoriar as condições técnicas e financeiras da equipe. Dizem que é a favorita de Todt.

STEFAN – E os sérvios estão de volta! Depois de tentarem, sem sucesso, uma inscrição-relâmpago para a temporada 2010, a equipe se divorciou da Toyota e decidiu encarar o desafio de competir na Fórmula 1 por conta própria. Para isso, lançou um site mostrando seus planos e também alguns bonés e canecas para vender. O plano mais ambicioso é a construção do Stefan Technology Park, um complexo localizado a 25km de Belgrado que sediará a fábrica da equipe e um circuito para testes. Ambição é o que não falta. Um pouco de credibilidade ajudaria.

DURANGO – A escuderia de Ivone Pinton possui larga experiência no automobilismo de base, tendo competido durante anos na Fórmula 3000 Internacional e na GP2. O sucesso, porém, nunca foi uma constante na equipe. Mesmo assim, Pinton anunciou que tentará a 13ª vaga. Para isso, diz já contar com patrocinadores. Honestamente? Me parece blefe. A Durango nunca foi nada. Na GP2, era uma equipe precária lotada de minúsculos patrocinadores italianos. Se vier, vai fazer o papel da Osella.

SHOTOVER JET – É aquela empresa neozelandesa que fabrica jet skis há mais de 40 anos. Seu maior trunfo é o domínio da dinâmica de fluidos computacional, embora um carro de Fórmula 1 seja ligeiramente mais complexo que um jet ski. Além do mais, a equipe diz que está em fase de negociação com patrocinadores e fornecedores de pneus. E já teria até mesmo uma pista para testes na Nova Zelândia. Diante da qualidade duvidosa de alguns concorrentes e da possibilidade de poder representar a Oceania, eu não descartaria a Shotover Jet. A empresa divulgou até mesmo um possível layout para o carro. Se depender dele, por mim, tá dentro.

CYPHER – É o projeto mais fanfarrão até aqui. Anunciado no Twitter e no Facebook, a equipe seria composta por ex-funcionários da USF1 que visam trabalhar sem as incômodas presenças de Ken Anderson e Peter Windsor. A equipe alega já ter infraestrutura pronta no estado da Carolina do Norte. Tudo indica que utilizará boa parte do esquema da USF1.

ANDERSON – Eu falei que a Cypher era a mais fanfarrona? Então estou sendo injusto com ela. O projeto mais bizarro é esse daqui. Reconheceu o sobrenome? Pois é. Ken Anderson está de volta! Depois do fracasso da USF1, ele tentará mais uma vez coordenar uma equipe de F1. Nada mais se sabe sobre a equipe.

E aí? O que acham desses projetos?

Os Estados Unidos voltarão a ter uma equipe brigando por uma vaga na Fórmula 1.

Depois do fracasso da USF1 de Peter Windsor e Ken Anderson, um grupo sediado no estado da Carolina do Norte chamado Cypher anunciou, via Twitter e Facebook, sua inscrição para a próxima temporada. À americana, a Cypher faz estardalhaço, diz que já possui uma estrutura pronta para abrigar uma equipe e é pretensiosa a ponto de colocar uma frase de Henry Ford no Twitter: reunir-se é um começo, permanecer unidos é um progresso e trabalhar unidos é o sucesso

Mais informações? Só com o tempo. Os boatos que eu consegui unir são que a equipe será liderada por um certo Louis Cypher e os funcionários são aqueles remanescentes da USF1. E mais nada.

Ah, eles perguntaram no Facebook que pilotos americanos que gostaríamos de ver no grid.

Enfim, mantenham-se céticos. Mas a Cypher está aí. E não duvidem se a FIA insistir na idéia de ter uma equipe americana para acabar abraçando outro engodo.