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MCLAREN9,5 – Um final de campeonato espetacular para uma equipe que, convenhamos, se esforçou para perder o título. Se pararmos para pensar alguns milissegundos, concluímos que era ela, e não Red Bull ou Ferrari, que teve o melhor carro da temporada durante mais tempo. Graças ao trabalho conjunto entre pilotos, mecânicos, engenheiros e o acaso, os saltimbancos de Woking ficaram bem longe do título. Mesmo assim, o fim de semana de Interlagos foi ótimo. Lewis Hamilton e Jenson Button foram sempre os dois cabras mais velozes, monopolizaram a primeira fila e, Nico Hülkenberg à parte, poderiam ter feito uma bela dobradinha. Hamilton acabou tocado por Hülkenberg e saiu da prova, mas Button salvou as honras mclarenescas. Incógnita em 2013.

FERRARI8,5 – Se não fosse pela real importância dessa corrida, eu diria que a Ferrari tinha todos os motivos do mundo para deixar Interlagos extremamente satisfeita. O carro, embora não muito veloz nos treinos, correspondeu razoavelmente bem na corrida, os mecânicos trabalharam direito, Felipe Massa foi de grande ajuda e Fernando Alonso fez tudo certinho e redondinho para terminar na melhor posição possível. O que faltou foi apenas o sonhadíssimo título de pilotos, conquistado novamente pela Red Bull. Mas é isso aí, não dá para conseguir tudo o que se deseja. Alonso e Massa, já acostumado com ordens de equipe, foram boas engrenagens do colosso ferrarista no Brasil. Agora, é voltar para Maranello e se embebedar com vinho tinto ao som das lamúrias de Luca di Montezemolo.

RED BULL9 – Os parabéns a quem merece. Meus parabéns a Sebastian Vettel, candidato a lenda do esporte mundial, tricampeão mundial, dono de números simplesmente incompatíveis com um moleque de apenas 25 anos de idade e cara de bobo. Meus parabéns a Adrian Newey, que embolsou mais um caneco. Meus parabéns à equipe de engenharia, que construiu um carro forte o suficiente para aguentar pancadas dos sobrinhos que aparecem na vida. Meus parabéns aos mecânicos, que fizeram com Vettel o pit-stop mais rápido da corrida na décima volta. Meus parabéns à Red Bull, que somou mais uma conquista para seu grande currículo. E meus pêsames a Mark Webber, que está aquém disso tudo.

FORCE INDIA8,5 – Talvez sua melhor corrida do ano, embora minha memória não me permita lembrar-me das outras. O cara que liderou a turba indiana foi Nico Hülkenberg, de malas prontas para a Sauber. O alemão provou que é especialista em Interlagos e fez miséria tanto no treino oficial como na corrida, onde liderou muitas voltas e se portou como grande favorito a vitória até cometer um erro besta e bater em Lewis Hamilton no S do Senna. Mesmo assim, terminou em quinto. Paul di Resta, mesmo andando mais atrás, também não foi mal e poderia ter marcado pontos, mas se acidentou no finalzinho da prova. Sem tantos incidentes, dava para ter levado uns bons pontos para casa.

MERCEDES3 – Os anjos do automobilismo decidiram que o único piloto da equipe alemã que marcaria pontos seria o aposentado Michael Schumacher, que encerrou sua razoavelmente produtiva carreira de 21 anos nesse GP do Brasil. Mesmo apanhando de um carro apenas mediano, largando do meio do pelotão e tendo problemas com um furo de pneu, Schumacher se recuperou bem, escapou das confusões e terminou em sétimo. O outro piloto, o poste Nico Rosberg, não fez nada de mais a não ser passar por cima de um destroço, estourar um pneu e dar mais trabalho aos seus mecânicos. Melhor sorte em 2013.

TORO ROSSO4,5 – Na loteria do GP do Brasil, a equipe italiana conseguiu marcar quatro ótimos pontos, ainda que eles não tivessem servido para nada no campeonato de construtores. Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne sofreram como sempre nos treinamentos, mas o clima imprevisível deu aos dois a chance de andar entre os dez primeiros. Ricciardo fez cinco pit-stops e acabou terminando entre os últimos. Mais afortunado, Vergne completou a prova na oitava posição e finalizou a temporada à frente do companheiro na tabela de pontuação. Os mecânicos, coitados, trabalharam mal na maioria dos pit-stops.

SAUBER3,5 – Já teve fins de semana bem melhores. Na cidade de São Paulo, os suíços praticamente só ficaram à frente da Toro Rosso entre as equipes que contam. Kamui Kobayashi e Sergio Pérez tiveram as dificuldades de sempre no treino oficial e largaram lá no meio do bolo. O mexicano abandonou logo, vítima das peripécias de Bruno Senna. Kobayashi seguiu em frente e aproveitou-se do bom ritmo de corrida de seu carro para andar na frente durante algum tempo, mas não conseguiu ficar por lá até o fim, rodou no finalzinho e terminou apenas em nono. Fim de semana sonolento.

LOTUS2,5 – Não me lembro se isso já aconteceu por aqui, mas Kimi Räikkönen levou nota dez e Romain Grosjean tomou um redondo zero no mesmo GP. Logo, a Lotus ganha um cinco, certo? Errado. A equipe não se acertou em Interlagos e teve dificuldades durante os três dias. Kimi teve problemas de motor no terceiro treino livre, andou pouco, não conseguiu acertar o carro e só largou em oitavo por obra divina. Na corrida, tirando o magnífico passeio pelo anel externo, não fez mais nada e terminou sambando na décima posição. Grosjean, estúpido, poderia ter ido bem melhor que o companheiro, mas bateu no treino oficial e na corrida. Mais uma vez, a Lotus não consegue fechar seu bom pacote.

CATERHAM8,5 – Dar oito e meio para uma equipe que pôs um carro em 11º e outro em 14º é estranho, mas estes resultados, em que se pese serem irrelevantes à primeira vista, garantiram no último instante a valiosíssima décima posição para a escuderia verde no campeonato de construtores, o que significou alguns bons milhões de dólares a mais no cofre. Tudo graças a Vitaly Petrov, que teve um desempenho muito bom durante o fim de semana, claramente melhor que o do experiente Heikki Kovalainen. O finlandês, aliás, está pilotando como um funcionário público à beira da aposentadoria. É isso mesmo?

MARUSSIA3 – A Marussia não fez muito menos que a Caterham em Interlagos, mas a nota baixa se deve às consequências de Charles Pic ter perdido a 11ª posição para Vitaly Petrov nas últimas voltas. Graças a isso, a equipe russa perdeu a décima posição no campeonato de equipes e, portanto, deixou de ganhar 25 milhões de dólares a mais. Triste, mas também não dá para dizer que ela merecia mais do que a Caterham de Petrov. Pic e Timo Glock chegaram a andar atrás da HRT em um dos treinos livres e só ocupou posições melhores durante a corrida por causa das inúmeras alternativas. Que a equipe consiga disputar posições de verdade no ano que vem.

HRT2 – É triste comentar sobre o GP do Brasil da HRT sabendo que ela não estará mais na Fórmula 1 em 2013. Essa última corrida foi bastante melancólica para seus mecânicos, que encheram a cara e arranjaram altas confusões dentro do avião de volta para a Europa. Pelo menos, o trabalho derradeiro foi feito de maneira profissional, coisa que não aconteceu nos casos da Forti-Corse, da Arrows e da Onyx, por exemplo. Pedro de la Rosa e Narain Karthikeyan largaram e terminaram a corrida sem se envolver em problemas. O espanhol foi atingido por trás por Romain Grosjean no treino oficial, mas deu sorte em não sofrer nenhum acidente mais perigoso. E assim terminou a história da HRT, que fez três temporadas completas e não fez muito mais do que preencher a última fila dos grids da vida.

WILLIAMS3,5 – É complicado quando você tem um carro bom e dois jumentos no volante. Nossa, peguei pesado. Mas é isso aí: Pastor Maldonado e Bruno Senna jamais deveriam ter abandonado a corrida tão cedo, ainda mais pilotando o eficiente FW34. Os dois andaram direitinho no treino oficial, mas nenhum deles conseguiu boas posições no grid: Maldonado foi punido por não ter se pesado e o sobrinho é meio lento, mesmo. Na corrida, um bateu em Sebastian Vettel logo na primeira volta e o outro bateu sozinho na segunda volta. Graças aos sul-americanos, a Williams não conseguiu chegar nem perto de Sauber e Force India no campeonato de construtores de 2012.

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TRANSMISSÃORUBINHO PRA PRESIDENTE – Analisar transmissão de GP do Brasil é um grande desafio porque é a única vez no ano que a emissora oficial nos bombardeia exaustivamente com horas de reportagens manjadas sobre o atendimento prestado pela equipe de socorro de Interlagos e matérias oportunistas sobre frivolidades da Fórmula 1. Neste ano, a transmissão oficial foi enriquecida com a presença de Rubens Barrichello, piloto da Indy e fanfarrão profissional. Rubinho pegou um microfone e fez uns frilas de repórter de grid, conversando com gente como Jenson Button na maior cara de pau. Depois, tentou falar com Michael Schumacher, mas chegou atrasado demais porque a vida é assim com Barrichello. No mais, sua participação foi bastante interessante, muito mais do que a do outro ex-piloto de Fórmula 1 que faz parte das transmissões desde 2004. Se não continuar correndo no futuro, bem que Rubinho poderia arranjar um emprego de David Coulthard da transmissão brazuca. Que foi uma merda, diga-se. Como ela não conseguiu mostrar um único replay decente dos acidentes de Romain Grosjean, Pastor Maldonado e Paul di Resta? Deixaram a operação de imagens a cargo de macacos, só pode ser. Por isso que todo mundo acha que o Brasil é comandado por símios.

CORRIDASALVE INTERLAGOS – O GP do Brasil de 2012 foi um desses que a gente guarda com carinho no HD, para ver, rever e mostrar aos netos num domingo chuvoso à tarde. Poucas decisões de título foram tão tensas como essa. Nos últimos anos, lembro-me apenas de 2003 e 2008, também inesquecíveis. A chuva à moda de Donington Park, que dava as caras de forma totalmente aleatória, serviu para deixar os pilotos ensandecidos. Alguns, como os desastrados Pastor Maldonado e Romain Grosjean, não sobreviveram a algumas voltas. Outros, como o emergente Nico Hülkenberg, aproveitaram a ocasião para mostrar seus dotes, liderar várias voltas e provar a todos que merece um lugar nas equipes de ponta. E a briga pelo título, obviamente, foi espetacular. Quase que Sebastian Senna deixou o tricampeonato escapar pelas mãos na primeira volta devido ao toque de Bruno Sobrinho. Fernando Prost fez a lição de casa, mas não levou porque o rival alemão ainda se recuperou de maneira formidável. Vettel e Alonso são dois caras fora-de-série e a Fórmula 1 deve agradecer por tê-los competindo juntos. Outros dois que merecem menção positiva são o vencedor Jenson Button e o espetacular Lewis Hamilton, praticamente um “campeão moral” de 2012 e outro fora-de-série. E como não mencionar Kimi Räikkönen? Depois da patuscada de Interlagos, ganhou o coração e a torcida deste blog. Que a diversão desta temporada se repita em 2013.

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