Notas


MCLAREN9 – Ah, McLaren… Se ela fizesse tudo direito em dois fins de semana consecutivos, Lewis Hamilton e Jenson Button teriam levado este título com a antecedência de um Fluminense. Mas como as coisas nem sempre saem da maneira que a gente gostaria, a equipe acabou vivendo de brilharecos durante o ano. Hamilton foi o grande vencedor do GP americano após deixar para trás Mark Webber e Sebastian Vettel na pista. É realmente uma pena que o cara esteja indo para a Mercedes meia-boca. Button teve problemas no acelerador no treino oficial e uma má largada, mas recuperou-se e ficou em quinto. O pit-stop de Hamilton também foi o mais rápido do fim de semana. Alternando altos e baixos, a McLaren termina o ano como coadjuvante de luxo da Fórmula 1.

RED BULL7 – Bem que já poderia ter fechado o campeonato em Austin, não é? Mas não fechou. Aliás, pode-se dizer que ela se esforçou bastante para ajudar o rival Fernando Alonso. Sebastian Vettel dominou os treinamentos e tinha tudo para vencer, mas o carro não correspondeu e ele foi ultrapassado de maneira fácil por Lewis Hamilton, terminando em segundo. Mark Webber, coitado, nem chegou ao fim: teve problemas no alternador e abandonou a prova ainda no começo. Se o RB8 tivesse funcionado a contento para os dois, Vettel teria vencido, Webber teria tirado Alonso do pódio, Milton Keynes estaria em festa e Maranello decretaria luto oficial de um mês.

FERRARI0 – Tudo bem, seu primeiro piloto está disputando o título. Tudo bem, o segundo piloto é o Felipe Massa. Tudo bem, a Ferrari não costuma ser muito ortodoxa com esse negócio de jogo de equipe. Mas sabotar o carro do cara, arranjar uma punição para ele e mandar ele lá para o meio do grid só para presentear o Patrão das Astúrias é um pouco demais para meu gosto. Feio. Para mim, até mais feio do que fazer o segundo piloto entregar a liderança para o primeiro. A Fórmula 1 perdeu mais alguns pontos no quesito “espírito esportivo” neste último fim de semana. Eu daria nota um para os ferraristas, mas como o pit-stop de Fernando Alonso foi horrível, me vi obrigado a meter um zerão para os mafiosos.

LOTUS6,5 – Fim de semana morno para os aurirrubros. Depois de ter finalmente vencido uma corrida nesta temporada, a Lotus não conseguiu preparar dois carros tão velozes para o circuito americano. Mesmo assim, Kimi Räikkönen e Romain Grosjean fizeram bons tempos no treino oficial, embora o franco-suíço tenha sido punido por trocar o câmbio. Na corrida, olha só, os dois carros chegaram ao fim e marcando pontos. Sempre à frente, Kimi andou direitinho e terminou em sexto. Grosjean rodou, tomou um monte de ultrapassagens no início da prova e se recuperou de maneira notável após o pit-stop. Equipe extremamente competente e simpática.

FORCE INDIA5,5 – Seus pilotos normalmente têm problemas de desgaste de pneus durante as corridas e o GP estadunidense não foi uma exceção. Nico Hülkenberg foi muito mais rápido que Paul di Resta novamente, mas ambos tiveram momentos de apagão nas quase duas horas de prova graças aos compostos Pirelli. O alemão ainda se deu bem por ter largado lá na frente e terminou em oitavo. Di Resta teve de fazer uma parada extra por causa de uma rodada e não fez a menor falta.

WILLIAMS6,5 – Não achei que viveria para ver isso, mas os dois pilotos da equipe marcaram pontos pela segunda corrida consecutiva. É até emocionante ter presenciado tal feito. Pastor Maldonado e Bruno Senna terminaram respectivamente em nono e décimo após terem tido atuações seguras e consistentes. O venezuelano foi o único que participou do Q3, mas até mesmo o sobrinho andou bem no treino oficial e acabou herdando o décimo lugar no grid. Na prova, Bruno chegou a ser dono da volta mais rápida durante algum tempo e Pastor quase ultrapassou Nico Hülkenberg, mas a dupla teve de se contentar com o total de três pontos. De qualquer jeito, está bom demais. Só falta melhorar o trabalho nos boxes, muito picareta neste fim de semana.

SAUBER3 – Muito discreta, não conseguiu por fogo na taverna nem mesmo com os peraltas Sergio Pérez e Kamui Kobayashi. O carro branco e preto não foi páreo sequer para Williams ou Force India no fim de semana e tanto Pérez quanto Kobayashi tiveram de largar lá do meio do bolo. Sempre mais rápido, o mexicano até paquerou os pontos, mas terminou batendo na trave. Kobayashi, tadinho, não conseguiu sair da piscina da mediocridade em momento algum. Com doze pontos a menos que a Mercedes, a Sauber quer roubar dos alemães a quinta posição no campeonato. Do jeito que a equipe de Michael Schumacher e Nico Rosberg está, nem duvidaria, mas é bom o C31 funcionar bem em Interlagos.

TORO ROSSO3,5 – Para os baixos padrões da equipe, Jean-Éric Vergne apareceu bem no treino classificatório e Daniel Ricciardo teve um início de corrida excelente em Austin. Porém, nenhum deles marcou pontos, evidenciando a persistente falta de velocidade do STR7. Vergne ainda teve um problema de suspensão e foi obrigado a abandonar a prova. Em resumo, nada de novo no front.

MERCEDES0 – Para mim, é caso de mandar todo mundo embora, interromper as atividades e só reabrir a quitanda lá pelo Quinto Reich, com um staff renovado. O carro tá muito ruim, os dois pilotos não marcam pontos há um tempão, nada dá certo e até mesmo o pobrezinho do Adolf Hitler se matou. Nico Rosberg largou lá no fundão e terminou lá atrás. Michael Schumacher largou lá na frente e, bem, terminou lá atrás também. Os dois sofreram demais com os pneus e Michael até teve de fazer um pit-stop extra. Zero pontos. Nota zero.

CATERHAM2,5 – Tomou um sustão no treino oficial quando viu os dois carros da Marussia ocupando a décima fila no grid de largada. Será que a Caterham deixaria de ser a melhor das nanicas? Não desta vez. Vitaly Petrov foi o cara que ditou o ritmo dos esverdeados: foi o melhor tanto no treino oficial como na corrida. Heikki Kovalainen largou atrás do russo e também terminou atrás, embora tenha superado a Marussia durante a prova. O desespero na escuderia é grande por causa dessa briga pelo 10º lugar no campeonato de construtores.

MARUSSIA5 – Parece estar numa situação bem melhor que a Caterham. O carro melhorou pra caramba, Timo Glock recuperou parte de seu ânimo, Charles Pic está provando seu talento, Max Chilton está chegando com um carreirão de grana e o melhor de tudo é a décima posição no campeonato de construtores. Em Austin, os dois pilotos largaram à frente da dupla da Caterham, fato inédito desde que ambas entraram na Fórmula 1. Glock e Pic acabaram superados durante a prova, mas a impressão deixada foi ótima. Que continue crescendo.

HRT2 – Está quase que literalmente falida. O dinheiro acabou de vez, as instalações estão quase todas vazias, a maior parte dos funcionários já foi mandada embora e as últimas corridas do ano são mero cumprimento de formalidade. Pelo menos, o provável fim ainda está sendo mais digno do que o da Forti-Corse, da Arrows ou da Super Aguri. Pedro de la Rosa e Narain Karthikeyan estão fazendo seu trabalho corretamente, sem excessos. Ambos largaram e chegaram ao fim da corrida, algo que não acontecia desde Monza. Fico realmente triste com sua situação. Que um milagre aconteça e ela continue na Fórmula 1 em 2013.

TRANSMISSÃONO CAPRICHO? – Vocês sabem, a última semana esportiva foi marcada pela sublime, magnânima, grandiloquente, excepcional, brilhante, auspiciosa, grandiosa, perfeita, inigualável, avassaladora, maravilhosa retorno do Palmeiras à segunda divisão do Campeonato Brasileiro, onde fará partidas memoráveis contra Chapecoense, Oeste e principalmente ASA de Arapiraca, no clássico do Coaracy Fonseca. Exatamente por isso, o GP dos EUA ficou em segundo plano. Absolutamente justificável. A emissora que normalmente faz as transmissões da Fórmula 1 preferiu mostrar o futebol e a corrida em Austin acabou reservada para seu canal esportivo da TV paga. Como não estava com vontade de assistir a um “VT ao vivo”, sintonizei no tal “Canal Campeão”. Não fiquei chateado. O narrador é gente boa, tem um sotaque engraçado e deixou a transmissão mais leve, embora tenha cometido alguns erros. O comentarista fala muita groselha, mas também aguentou bem o tranco. Eu não fiquei acompanhando o VT ao vivo, mas ouvi dizer que o narrador titular estava puto da vida por ter de fingir emoção por algo que havia acontecido algumas horas antes. Muito capricho dele, minha opinião.

CORRIDASONHO AMERICANO – Todos gostaram de Austin, até mesmo o amigo Matt LeBlanc e o ex-presidenciável Rick Perry. A pista é bonita e tem curvas sacanas, as arquibancadas estavam lotadas, todo mundo elogiou, nunca vi um trabalho de Hermann Tilke tão próximo da unanimidade. Pois o COTA mereceu. E a corrida, embora não espetacular, foi muito boa, de altíssimo nível. Lewis Hamilton e Sebastian Vettel duelaram durante toda a prova, um sempre perseguindo o rabo do outro. No fim, deu o inglês, que teve de superar os dois Red Bull para vencer novamente nos States – lembrando que ele venceu o último GP de Indianápolis, em 2007. No meio do pelotão, as brigas também foram divertidas. Faltou talvez um acidente para ornamentar a corrida, mas tudo bem. O primeiro GP dos EUA no Texas foi um sucesso. God bless it!

LEWIS HAMILTON9,5 – O cara está invicto nos Estados Unidos: duas corridas, duas vitórias. A deste último domingo veio de forma inesperada, até. Lewis mandou muito bem no primeiro e no terceiro treino livre, mas parecia não ter cancha para ameaçar Sebastian Vettel, o rei da sexta e do sábado. No treino oficial, ainda saiu no lucro conseguindo um lugar na primeira fila. Perdeu uma posição logo na largada, para o dundee Mark Webber. Depois disso, as coisas melhoraram muito. Lewis não demorou muito para deixar Webber para trás, perseguiu Sebastian Vettel durante um bom tempo e conseguiu roubar a liderança na volta 42. Não disparou, mas seguiu na frente até a bandeirada de chegada. Este é o Lewis Hamilton que a gente gosta de ver.

SEBASTIAN VETTEL9,5 – O cara, que chega a Interlagos como favorito, foi brilhante. Só lhe faltou a vitória. Desde a sexta-feira, Sebastian foi muito mais rápido do que qualquer outro na Fórmula 1: liderou os três treinos livres e as três sessões da qualificação, garantindo mais uma pole-position na temporada. Na corrida, largou bem e abriu razoável vantagem logo nas primeiras voltas. Então, o que faltou? Consistência aos pneus Pirelli, que parecem não ter funcionado tão bem em seu carro como no de Lewis Hamilton. Vettel batalhou, brigou e até reagiu em alguns momentos, mas não conseguiu conter a ultrapassagem do piloto da McLaren e perdeu a liderança pela primeira vez no fim de semana. Terminou em segundo e adiou a decisão do título para o GP do Brasil. Dificilmente não será campeão.

FERNANDO ALONSO7,5 – Olha, se não fosse pela cara-de-pau da Ferrari em infringir uma regra de maneira proposital para beneficiar seu pupilo… O asturiano não tinha carro para brigar por nada em Austin e se realmente tivesse largado da oitava posição, teria sido ultrapassado por uma caravana de carros antes da primeira curva devido à sujeira do lado par do grid. Mas os ferraristas deram um jeitinho, retiraram o lacre da caixa de câmbio de Felipe Massa, cavaram uma punição de perda de cinco posições no grid para o brasileiro e entregaram a sétima posição de presente a Alonso, que pôde largar na linha limpa da pista. E Fernando fez sua parte. Largou muitíssimo bem, subiu para a quarta posição logo na primeira curva, herdou o terceiro lugar com o abandono de Mark Webber e não foi ameaçado de verdade por ninguém. Com o resultado, empurrou a decisão do título para Interlagos. Que seja tricampeão. E sem as ajudas esdrúxulas da Ferrari.

FELIPE MASSA8,5 – Fez uma ótima corrida e tinha grandes chances de terminar à frente de Fernando Alonso, mas é óbvio que a Ferrari não deixou… O brasileiro andou razoavelmente bem nos treinos livres (três sextos lugares, coisa do demônio) e arranjou uma boa sexta posição no grid. Mas como Alonso acabou ficando duas posições abaixo, a brilhante Ferrari decidiu sabotar o câmbio de Massa e arranjou uma punição para o brasileiro, que teve de largar em 11º. Esportividade pra quê, né? Mesmo assim, Felipe não se abateu e pilotou como em poucas ocasiões. Largou bem, ganhou várias posições durante a prova, teve um bom ritmo durante todo o tempo e finalizou em quarto andando mais rápido que o próprio Alonso. Uma pena que Massa não tenha espaço para mostrar o que pode fazer.

JENSON BUTTON7 – Passou por boas, mas conseguiu finalizar bem o GP dos EUA. Tinha carro para disputar as cinco primeiras posições tranquilamente, mas um problema no acelerador durante o Q2 o fez largar em 12º, no lado sujo da pista. Quando as luzes vermelhas se apagaram, Jenson perdeu ainda mais posições e terminou a primeira volta em 15º. O que o salvou da pasmaceira foi a estratégia de largar com pneus duros. Graças a isso, ele pôde atrasar ao máximo seu pit-stop e ganhar várias posições no interregno. Ao parar na volta 35, Button conseguiu voltar em sétimo e ainda ultrapassou mais dois caras nos giros seguintes, terminando na quinta posição.

KIMI RÄIKKÖNEN6,5 – Fim de semana OK para ele, longe de qualquer brilhantismo. Faltou um pouco de velocidade em seu Lotus, como foi provado no desempenho abaixo da média nos três treinos livres. Na qualificação, foi o quinto mais rápido e ganhou uma posição a mais no grid com a punição de Romain Grosjean. Na primeira volta, largou mal e ainda teve um toque com Nico Hülkenberg, mas seguiu adiante. Daí para frente, Kimi teve algumas boas disputas, chegou a andar em segundo durante a rodada de pit-stops e só não finalizou em quarto porque os pneus não deixaram. É o verdadeiro Senhor Consistência.

ROMAIN GROSJEAN6 – Seu desempenho mudava da água para o vinho a cada instante, mas o resultado final não foi ruim. Muito mal nos treinos livres, Romain conseguiu um milagroso quarto lugar no grid, mas a troca de câmbio após a terceira sessão o fez largar em oitavo. Com os pneus macios, estava como uma tartaruga na pista, atrapalhando a todos, e até rodou sozinho na sétima volta. Aí a Lotus decidiu antecipar a troca de pneus e Grosjean voltou à pista com pneus duros. A partir daí, seu único trabalho foi não tostar os pneus e aproveitar o bom desempenho do seu carro. Ele ganhou posições aos montes e terminou a apenas seis segundos de Kimi Räikkönen.

NICO HÜLKENBERG6,5 – Mais uma boa corrida do futuro piloto da Sauber. Competitivo desde os treinos livres, o alemão superou novamente o companheiro Paul di Resta na qualificação e amealhou um ótimo sexto lugar no grid. Nas primeiras voltas, com pneus macios, andou em quinto durante um bom tempo. O pit-stop que colocou compostos duros em seu carro não trouxe resultados positivos e Nico teve de ralar bastante para conseguir andar entre os dez primeiros. Nas últimas voltas, sofreu grande pressão dos dois carros da Williams. Contra tudo e contra todos, o oitavo lugar.

PASTOR MALDONADO6 – Está numa nova fase, menos esquentada. Em Austin, pela primeira vez na Fórmula 1, conseguiu pontuar pelo segundo fim de semana consecutivo. O seu carro, que estava bem veloz em Abu Dhabi, não encontrou tanta velocidade em solo americano e Maldonado só conseguiu andar bem de verdade no terceiro treino livre, quando ficou em terceiro. Na sessão oficial, conseguiu um lugar na quinta fila, nada de muito impressionante. Saiu muito mal na largada e passou a maior parte do tempo andando fora da zona de pontuação. No final da corrida, com pneus duros, tinha um bom desempenho e chegou a ameaçar Nico Hülkenberg, mas não passou do nono lugar. De qualquer jeito, um avanço para quem vivia batendo até há pouco tempo.

BRUNO SENNA6 – Será que a participação nos três treinos livres fez diferença? Não acredito nisso, pois o sobrinho já vem andando melhor em treinamentos há algum tempo. Nos EUA, ele esteve sempre veloz e não passou para o Q3 por causa de um erro besta em sua volta rápida, mas ainda conseguiu um ótimo décimo lugar no grid. Na corrida, teve um desempenho até mais constante do que o de Pastor Maldonado, chegou a ser o dono da volta mais rápida durante algum tempo e não cometeu erros. Assim como o venezuelano, também está aprendendo. E marcou mais um pontinho. Resta ver se essa evolução será o suficiente para convencer a Williams a ficar com ele em 2013.

SERGIO PÉREZ3 – Sem ter um carro bom nas mãos e sem apostar em uma estratégia diferenciada, foi apenas mais um na corrida. O novo contratado da McLaren, que não tem uma atuação realmente digna de sua futura equipe há um bom tempo, não passou vergonha nos treinos livres, mas sofreu como um porco à beira do abate na classificação e ficou apenas em 15º no grid de largada. Largou bem e até andou entre os dez primeiros durante um tempo, mas o fato de utilizar a mesma estratégia dos demais e um problema nos pneus o impediram de ir além do 11º lugar.

DANIEL RICCIARDO5,5 – Foi muito melhor do que Jean-Éric Vergne novamente – o que se passa com o francês? Longe de ser brilhante, o australiano levou seu Toro Rosso a posições melhores do que a média nos treinos livres, mas foi o infelizardo do sábado ao fazer companhia às equipes pequenas na clausura do Q1. Boa mesmo foi a prova. Ricciardo largou muito bem e sentou o pé no acelerador nas primeiras voltas, ultrapassando vários pilotos com carros mais velozes nas primeiras voltas. Ao fazer seu pit-stop, estava em quinto. Infelizmente, não tinha carro para ter marcado pontos. Uma boa atuação que chamou a atenção de poucos.

NICO ROSBERG1 – Esse daí só está cumprindo tabela esperando pelas férias. Nos três treinos livres, ficou entre os dez primeiros e alimentou suas esperanças para uma boa corrida. Mas a felicidade acabou aí. No treino oficial, deu tudo errado: quase ficou no Q1 e não passou da última posição do Q2, ficando apenas com o 17º lugar no grid. Para o domingo, foi um dos únicos que apostaram num primeiro stint com pneus duros. Mesmo atrasando ao máximo seu pit-stop, não conseguiu ficar entre os dez primeiros. Está há cinco GPs sem marcar pontos, algo que não ocorre desde 2008.

KAMUI KOBAYASHI2 – Triste situação. O GP dos EUA foi, provavelmente, sua penúltima corrida na Fórmula 1. E ela não foi boa, longe disso. Nos dois treinos de sexta-feira, ficou entre os dez primeiros, mas não conseguiu mais nada nos dias seguintes. Foi mal na qualificação e garantiu apenas o 16º posto no grid. Na corrida, antecipou seu pit-stop e ficou umas trezentas voltas com pneus duros. Nunca esteve perto da zona de pontuação.

PAUL DI RESTA3 – Mais um fim de semana discreto e improdutivo. Ficou atrás de Nico Hülkenberg nos três treinos livres e na qualificação, sendo o único da Force India a não passar para o Q3. Mandou bem na largada, onde ganhou quatro posições, e passou todo o primeiro stint andando entre os dez primeiros. A situação piorou quando Paul teve de usar compostos duros. Em determinado momento, o escocês rodou e danificou seus pneus, sendo obrigado a fazer uma segunda parada extra. Aí, as chances de pontos evaporaram de vez.

MICHAEL SCHUMACHER1 – Parece aquele jogador que foi campeão de Copa do Mundo, mas não soube parar na hora certa e terminou a carreira disputando a terceira divisão do Campeonato Paulista. O heptacampeão teve mais um fim de semana completamente dispensável para seu currículo. De positivo, só o surpreendente quarto lugar no grid de largada. A corrida foi exaustiva e deprimente. Michael largou mal e foi perdendo posições volta após volta. O negócio estava tão feio que o alemão foi o único piloto da pista que precisou fazer duas trocas obrigatórias de pneus, já que tanto os compostos médios como os duros não ofereciam nenhuma aderência. Foi o último colocado das equipes normais. Esta é a vida no XV de Piracicaba.

VITALY PETROV4 – O tovarich da Caterham teve um fim de semana muito melhor do que o do desanimado companheiro Heikki Kovalainen, o que representa uma grande vitória moral. O resultado no treino oficial foi bastante curioso: embora tenha superado Kovalainen, Vitaly ficou atrás dos dois carros da Marussia, situação inédita. Na corrida, o russo largou bem e ponteou a turma do fundão durante todo o tempo. Embora não seja um gênio, também não merece o desemprego.

HEIKKI KOVALAINEN2,5 – Está de mal da vida, deprimido, praticamente desempregado e é óbvio que tal estado de espírito se refletiu nos resultados na pista. Quem é que imaginaria que o finlandês, que deu muito trabalho aos caras da Toro Rosso na metade do ano, estaria apanhando de Vitaly Petrov e dos dois carros da Marussia no treino oficial? Na corrida, Heikki não fez muito mais do que superar os marússicos, mas ainda finalizou atrás do colega soviético. Pelo tom de suas palavras, está à beira da aposentadoria.

TIMO GLOCK4,5 – Curiosamente, o alemão é o único piloto do grid que já disputou uma categoria americana de monopostos: correu na falida ChampCar em 2005. Sete anos depois, ele retornou aos States para tentar ao menos impedir que a Caterham superasse a Marussia no mundial de construtores. O trabalho foi relativamente bom. No treino oficial, Glock surpreendeu a todos sendo o melhor das equipes nanicas no grid de largada. A corrida não foi tão magnífica assim, embora Timo tenha tido uma boa batalha com Heikki Kovalainen. Pelo menos, chegou ao fim e a Marussia continua na décima posição entre as equipes.

CHARLES PIC4 – Também foi razoavelmente bem. No primeiro treino de sexta-feira, foi o melhor dos pilotos das equipes pequenas. No sábado, embora tenha sido superado por Timo Glock, ainda conseguiu se qualificar à frente dos dois carros da Caterham, novidade neste ano. A corrida ficou prejudicada devido a um toque na primeira volta que danificou sua asa dianteira. Mesmo assim, o competente francês seguiu até o fim.

PEDRO DE LA ROSA3 – Está naufragando junto à sua equipe, que deverá fechar as portas logo após o GP do Brasil. Nos EUA, mesmo pilotando um carro todo remendado com fita crepe, o veterano espanhol manteve a dignidade. Foi penúltimo colocado nos três treinos livres, no grid de largada, na corrida e até mesmo na lista de voltas mais rápidas. Pelo menos, chegou ao fim. Fica até difícil dar uma nota.

NARAIN KARTHIKEYAN2,5 – O que dizer de alguém que ficou em último em todos os treinos livres, a classificação e a corrida? A título de curiosidade, Narain foi um dos poucos pilotos do grid a ter feito parte de sua carreira na América: fez algumas corridas marotas na NASCAR Truck Series em 2010 e até foi eleito o “Piloto Mais Popular” da categoria. Em Austin, o indiano não fez nada de novo. Ainda assim, também completou a corrida. Que deverá ser sua penúltima na Fórmula 1.

MARK WEBBER5 – Justiça seja feita: ele tinha lugar garantido no pódio. Tudo bem, o pódio é uma obrigação para quem pilota o RB8, mas sair dos Estados Unidos não tendo marcado ponto nenhum é bastante desagradável. O australiano não foi genial em momento nenhum nos treinos livres e sequer conseguiu um lugar na primeira fila, mas tentou dar a volta por cima largando bem e roubando a segunda posição de Lewis Hamilton na primeira curva. Três voltas depois, Hamilton recuperou o segundo lugar e Webber parecia contente com o terceiro posto. Infelizmente, o alternador de seu carro virou pó e o australiano teve de abandonar a corrida na volta 16. Chega a Interlagos morrendo de medo de terminar o ano em sexto.

JEAN-ÉRIC VERGNE3,5 – Teve como maior feito o fato de ter sido o único piloto da Toro Rosso a ter passado para o Q2 do treino oficial, ficando num razoável 14º lugar no grid. Largou mal devido ao fato de ter partido da linha suja da pista, andou no meio do pelotão durante todo o tempo e abandonou a prova com a suspensão arrebentada. No entanto, não foi o pior de seus fins de semana na temporada – o que é um mau sinal.

LOTUS9 – Até que enfim, hein? Depois de 17 corridas esperando sentada, a equipe preta e dourada finalmente obteve sua primeira vitória na Fórmula 1 – é até engraçado falar em “primeira vitória da Lotus”, uma marca que cansou de ganhar nos dias de Colin Chapman. Mas é isso aí, amigos, ela conseguiu. Pois se querem saber, nem foi o fim de semana mais competitivo da Lotus nesta temporada. O que acontece é que Kimi Räikkönen combinou sorte danada com talento danado e o resultado danado só poderia ter sido aquele, o lugar mais alto no pódio. É uma pena que Romain Grosjean, envolvido em tudo quanto é tipo de coisa, não finalizou a corrida. Agora, é hora de pensar em 2013. Isto se, obviamente, a grana não escassear de vez.

FERRARI8 – Não dá para negar que os ferraristas se esforçam. Em Abu Dhabi, a equipe trouxe algumas atualizações, cogumelos e cascas de tartaruga para tentar ajudar Fernando Alonso na disputa pelo título. E só para ele, diga-se de passagem: Felipe Massa teve de correr com um velho Fiat 500 pintado de vermelho. Mas tudo bem, o resultado final não foi tão desastroso. Fernando das Astúrias fez uma boa corrida, ultrapassou Mark Webber e herdou as posições de alguns desafortunados à sua frente, terminando em segundo. Massa sobreviveu a Webber e terminou em sexto mesmo reclamando do carro. Os mecânicos estiveram impecáveis no trabalho de boxes.

RED BULL5 – Ela está de brincadeira com a gente. Que negócio foi aquele de deixar Sebastian Vettel na seca na volta de retorno aos boxes no treino oficial? Isso daí é erro de equipes como Andrea Moda, HRT ou McLaren, jamais deveria ser cometido em um carro que está brigando pelo título de pilotos. Graças a isso, Sebastian Vettel teve de largar da última fila. Para felicidade de todos, o cara fez uma corrida de presidente da República, ultrapassando todo mundo e se colocando na disputa direta pela vitória. Mesmo parando duas vezes, terminou em terceiro e minimizou a perda de vantagem para Fernando Alonso. Mark Webber foi o bobo da corte do GP: bateu em todo mundo e terminou com o carro estropiado. Não ajudou em nada o companheiro.

MCLAREN7 – Para quem tinha o melhor carro do fim de semana, ter de se contentar com um quarto lugar de Jenson Button é de um dissabor impressionante. Lewis Hamilton, que liderou até mesmo lista de receptor de órgãos, liderava de ponta a ponta e vinha tranquilamente para a vitória, mas teve problemas de pressão de gasolina e abandonou a prova, numa situação muito parecida com a de 2009. Quem teve de salvar o dia foi Button, que nem andou tão mal assim. O problema é que sua posição no grid não ajudava e Jenson não é o cara que taca fogo no mundo em situações adversas. É por essas e outras que a equipe, mesmo tendo um carro muito bom, está longe do título deste ano.

WILLIAMS7 – Aleluia! Os dois pilotos marcaram pontos, situação tão improvável quanto o cometa Halley. A dinâmica das coisas nem foi tão diferente assim dos outros fins de semana: Pastor Maldonado muito mais rápido que Bruno Senna nos treinos, o brasileiro andando até melhor que o venezuelano na corrida e os dois se envolvendo em acidentes. Por incrível que pareça, nenhum deles teve culpa alguma no cartório: Maldonado foi atingido por Mark Webber e Bruno foi atropelado por Nico Hülkenberg na primeira curva. Entretanto, o carro da Williams estava veloz como um coelho e resistente como uma tartaruga neste fim de semana. Graças a tudo isso, os pontos. Só falta melhorar nos pit-stops.

SAUBER6 – Marcou pontos com Kamui Kobayashi novamente. O fim de semana foi uma espécie de repeteco dos últimos GPs para a equipe suíça: dificuldades nos treinos, Sergio Pérez andando bem mais rápido no treino oficial, uma estratégia doidona para o piloto mexicano, o japonês subindo posições sem grande estardalhaço, Pérez abandonando a corrida após um erro idiota e Kamui terminando numa posição razoável. Enfim, não houve grandes novidades para a Sauber. Seria bom se o novo contratado da McLaren parasse de fazer besteiras. Quanto a Kobayashi, que arranje grana para seguir na Fórmula 1 no ano que vem.

FORCE INDIA4,5 – Tinha um carro melhor que a Sauber, por exemplo. Devido a isso, ter terminado o fim de semana com apenas dois pontos não foi a melhor das situações. Pelo menos, um dos carros chegou ao fim, coisa que não parecia ser possível após Nico Hülkenberg se destrambelhar e quase atropelar o companheiro Paul di Resta na primeira curva. Hülkenberg abandonou, mas Di Resta seguiu em frente, fez três pit-stops, recuperou-se bem e finalizou em nono.

TORO ROSSO3,5 – Marcou um ponto, sim, mas muito graças ao abandono de vários carros mais velozes. Não fosse por isso, Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne teriam terminado na rabiola das equipes médias. Os dois não andaram bem nos treinos livres, largaram lá atrás e não melhoraram muito na corrida em termos de performance. Ricciardo assustou a Red Bull principal quando fez um movimento estranho durante o primeiro safety-car e quase fechou involuntariamente o caminho de Sebastian Vettel. Vergne, ao contrário, abriu passagem a Vettel tranquilamente, mas teve sua corrida prejudicada com a antecipação de seu primeiro pit-stop. Sem chances de alcançar a Williams, está apenas contando as horas para o fim do campeonato.

MERCEDES0,5 – Sem marcar pontos desde Cingapura, está numa fase nigérrima. Carro lento, pilotos azarados, furos no pneu, acidentes fortes, clima ruim, a Mercedes precisa do que mais? Nico Rosberg ainda andou melhorzinho nos treinos e largou em sétimo, mas furou o pneu num toque com Romain Grosjean e depois se arrebentou num forte acidente com Narain Karthikeyan. Michael Schumacher largou no meio do pelotão e até vinha numa corrida para marcar pontos, mas também teve um furo de pneu e foi obrigado a fazer um segundo pit-stop. Com isso, terminou fora da zona de pontuação. Está sob efeito de macumba muito forte, a equipe germânica.

CATERHAM2,5 – Está com ainda menos brilho do que na metade da temporada, quando chegava a brigar com a Toro Rosso. Heikki Kovalainen andou bem mais rápido que Vitaly Petrov, mas ambos chegaram a ter problemas com os carros da Marussia, que se aproximaram bastante. Mesmo assim, Heikki conseguiu levar o carro até o fim e ficou numa boa 14ª posição, ainda insuficiente para garantir à Caterham o 10º lugar no campeonato. Petrov largou atrás de Charles Pic e terminou atrás de Timo Glock. Pelo menos, foi a única equipe pequena a conseguir fazer seus dois carros chegarem ao fim.

MARUSSIA3,5 – Esta, ultimamente, anda empolgando até mais que a Caterham. Embora às vezes tenha problemas com a HRT, a equipe vermelha e preta conseguiu se aproximar bastante da rival verde em Abu Dhabi. Charles Pic andou muitíssimo bem no treino classificatório, mas não terminou a corrida devido a um motor Cosworth bichado. Timo Glock não foi bem no treino oficial, mas fez uma superlargada e conseguiu segurar os ataques de Sergio Pérez no final da corrida.

HRT2 – Dizem as más línguas que não tem nem peças sobressalentes para terminar o campeonato. O esforçado Narain Karthikeyan bem que tenta permanecer na pista, mas o carro não colaborou e um problema hidráulico acabou ocasionando um acidente perigosíssimo com Nico Rosberg. Nada pior para uma equipe que nem deve ter aerofólios guardados no almoxarifado, se é que ela tem um almoxarifado. Pedro de la Rosa, aos trancos e barrancos, largou e chegou ao fim da corrida. Que encontre um comprador logo.

TRANSMISSÃOELE VOLTOU – Já estava até ficando com medo. A narração brasileira não poderia ficar sem ELE, o único cara que consegue botar Derek Warwick num carro da Red Bull. ELE, que quando vê um acidente envolvendo Pastor Maldonado e Romain Grosjean, respira por um ou dois segundos se preparando para proferir a próxima frase bombástica sacaneando suas participações na Fórmula 1. ELE, que acha que Nico Hülkenberg não é um piloto pronto e muito menos um grande piloto. ELE, que dispara contra os jornalistas que já sabem que Bruno Senna não continuará na categoria em 2013. ELE, que sempre repara na Gabi Maldonado. ELE, que deixa seus dois colegas de bancada amedrontados pela possibilidade sempre iminente de tomar uma patada. ELE, que sempre deixa os acidentes mais dramáticos do que eles são. Vocês me perdoem, mas uma corrida sem ELE perde muito da graça. Abu Dhabi teve graça. Isso, sim, é impressionante.

CORRIDAQUEM TE VIU, QUEM TE VÊ, ABU – A corrida de 2009 foi uma merda com cara de velório. A de 2010 foi tensa pra caramba. A de 2011 foi um amistoso Brasil x Ilhas Canárias. Eu nunca achei que Abu Dhabi e seu portentoso, glorioso e seboso autódromo-hotel conseguiriam proporcionar aos fãs da velocidade um GP tão legal, tão divertido, tão cheio de vilões, mocinhos e histórias. Nem mesmo as áreas de escape latifundiárias impediram a ocorrência de dois grandes acidentes, aquele que mandou Nico Rosberg para o muro e aquele que envolveu um monte de gente e tirou Mark Webber e Romain Grosjean da corrida. Sebastian Vettel foi um espetáculo à parte: mesmo largando da última posição, ultrapassou um por um como se estivesse pilotando no modo fácil do Grand Prix 3, terminou no pódio e poderia muito bem ter vencido. Fernando Alonso também fez uma corrida boa, mas não tanto quanto Vettel. E o vencedor Kimi Räikkönen, aquele que sabe o que faz, deixou todo mundo feliz. Foi uma corrida de Fórmula 1 completa, destas que podem fazer alguém começar a gostar de automobilismo. Num ano louco como este, as melhores provas desta temporada ocorreram nos piores circuitos, vai entender…

KIMI RÄIKKÖNEN9,5 – Finlandês desgraçado. Na outra semana, vaticinei aqui que a Lotus não ganharia uma corrida neste ano. Jamais. Never. Pois Kimi Räikkönen, o Cacacheiro de Gelo, precisou de apenas um fim de semana para calar meus dedos. Não que seu desempenho nos treinos tivesse sido espetacular, longe disso. O finlandês foi apenas correto nos dois primeiros dias de atividades e até surpreendeu ao lograr o quinto lugar no grid. A vitória começou a ser construída na largada, quando ele pulou para a segunda posição após excelente saída. A liderança veio após o problema do desafortunado Lewis Hamilton, mas não há como negar o excelente ritmo que Kimi impôs durante todo o tempo. Não foi realmente ameaçado em momento algum, nem mesmo quando Fernando Alonso se aproximou. Venceu pela primeira vez desde o GP da Bélgica de 2009 e encheu a barriga de champanhe.

FERNANDO ALONSO8,5 – Em tese, conquistou um ótimo resultado numa pista que nunca lhe trouxe momentos felizes. No entanto, estava visivelmente chateado no pódio, incomodado com a felicidade ébria de um e com o grandessíssimo sorriso rubrotaurino do outro. De fato, Alonso tinha motivos para não ter gostado do domingo, pois sabia que sua grande chance de retomar a liderança do campeonato havia evaporado. Razoável nos treinamentos, o asturiano decepcionou muito no Q3 da classificação e garantiu apenas o sexto lugar no grid. Largou bem, fez uma boa ultrapassagem sobre Mark Webber e andou em quarto nas primeiras voltas. Depois, ainda ganhou as posições de Pastor Maldonado e Lewis Hamilton. Não venceu a corrida porque Kimi Räikkönen estava impossível e ainda borrou-se de medo da recuperação fantástica de Sebastian Vettel. Segundo lugar suado – e amargo.

SEBASTIAN VETTEL10 – Que me perdoem os fãs de Kimi Räikkönen, mas o homem do domingo se chama Sebastian Vettel da Silva. Ele liderou seu primeiro treino livre na Fórmula 1,  ganhou corrida de Toro Rosso e já era bicampeão do mundo aos 24 anos, mas ainda lhe faltava algo: largar lá de trás e terminar lá na frente. Pois ele, Vettel, conseguiu. OK, alguém poderia argumentar que qualquer um consegue tendo um Red Bull RB8 e KERS, mas não é qualquer um que faz a corrida que o alemão sorridente fez naquele domingo. Ele não foi mal nos treinos, embora tenha decepcionado um pouco ao não conseguir lugar na primeira fila. O negócio pegou quando o carro ficou sem combustível no retorno aos pits, o que lhe obrigou a largar lá no fim do pelotão como punição. Destemido, Sebastian não desanimou e passou quase todo mundo sem problemas. Mesmo tendo feito dois pit-stops, um adiantado por um bico quebrado e outro feito por temor de problemas nos pneus, ele conseguiu subir de último para terceiro. E poderia ter vencido a corrida. Se tivesse ganhado, eu não teria ficado surpreso. O cara é um monstro.

JENSON BUTTON7,5 – Boa corrida. Não excepcional, mas competente o suficiente para permitir uma aproximação do companheiro Lewis Hamilton no campeonato. Muito veloz nos treinos livres, Button teve seu pior momento na qualificação, quando ficou apenas em quinto no grid. Não largou bem, mas recuperou-se, ultrapassou Pastor Maldonado e herdou a posição de Hamilton. No final da corrida, estava em terceiro, mas teve a inglória missão de segurar um fulminante Sebastian Vettel. Com carro e pneus inferiores, não deu. Mas o quarto lugar foi um resultado bastante interessante.

PASTOR MALDONADO7 – Fez sua melhor corrida desde Valência, mas o resultado final acabou sendo inferior ao que era previsto. A Williams acertou a mão em Abu Dhabi e o venezuelano tinha um carro muito bom, como todo mundo viu nos treinos. Na qualificação, surpreendeu a todos cavando um lugar na segunda fila. Esteve em terceiro nas primeiras voltas, mas o carro começou a apresentar alto desgaste de pneus e problemas no KERS. Com isso, Pastor não conseguiu segurar vários pilotos que vinham atrás e ainda foi atingido por Mark Webber, que tentou ultrapassá-lo por fora. Mesmo assim, sobreviveu, não teve outros problemas, não matou ninguém e finalizou em quinto, marcando bons dez pontos.

KAMUI KOBAYASHI6,5 – Prestes a ficar desempregado, o japa voltou a caprichar e fez uma corrida muito legal. Não leva nota maior porque foi mal pra caramba nos treinos, mas o que vale são os pontos, não é? Kamui quase ficou no Q1 da qualificação e só conseguiu um mísero 15º lugar no grid. A depressão mudou logo na primeira volta, quando ele conseguiu subir para oitavo após sobreviver ao típico caos dos primeiros metros. Mesmo com problemas no KERS, o piloto da Sauber conseguiu manter um bom desempenho durante a prova, andou entre os dez primeiros durante quase todo o tempo e finalizou em sexto.

FELIPE MASSA6 – Numa corrida com tantas alternativas, tanta gente se destacando pelo lado positivo e pelo negativo, Felipe Massa foi um que não encheu os olhos de ninguém, embora tenha terminado numa posição razoável. Só apareceu mesmo em um único momento, na disputa com Mark Webber. Os dois quase se tocaram, o australiano escapou pela chicane, retornou sem olhar para o retrovisor e acabou assustando o pai de Felipinho, que rodou e tostou os pneus. Fora isso, não há muito para dizer. Seu carro não tinha as atualizações que a Ferrari havia preparado para Abu Dhabi e também não se comportou maravilhosamente bem durante o fim de semana. Massa largou em oitavo e finalizou em sétimo. Fez a lição de casa sem exceder.

BRUNO SENNA7 – Justiça seja feita, o cara fez uma corrida persistente e pra lá de competente. OK, seu carro era bom e tal, mas são poucos aqueles que levam um empurrão daqueles na largada, caem para último, se recuperam e terminam em oitavo. Discreto nos treinos como sempre, Bruno largou em 14º e foi miseravelmente acertado por Nico Hülkenberg na primeira curva. Deu sorte, não deixou o carro morrer e seguiu em frente. Também foi favorecido pelo destino quando Sebastian Vettel bateu na sua roda traseira, que permaneceu inteira. Beneficiado pelas muitas mudanças e também pelo seu próprio desempenho, levou quatro pontos para casa. Resta saber se isso lhe ajudará a conseguir um emprego.

PAUL DI RESTA6 – Corrida estranha, mas premiada com dois pontos no final. O sóbrio escocês não foi bem novamente nos treinos e ficou duas posições atrás de Nico Hülkenberg no grid. Na largada, foi acertado pelo próprio companheiro e teve de ir aos boxes para colocar borracha redonda nova. As duas entradas do safety-car permitiram que Di Resta se recuperasse e voltasse à briga. Ele ainda fez mais duas paradas e a última o permitiu a andar forte nas voltas derradeiras. Terminou grudado em Bruno Senna.

DANIEL RICCIARDO5 – Terminou entre os dez primeiros pela sexta vez na temporada, uma proeza em se tratando de um piloto da Toro Rosso. Nos treinos, os aborrecimentos de sempre. O fim de semana começou a ficar bom logo na primeira volta do GP, quando o australiano conseguiu ganhar boas posições após as confusões da primeira curva. Durante o primeiro safety-car, assustou a toda a nação rubrotaurina quando fez um movimento estranho e quase acabou com a participação de Sebastian Vettel. Andou bem enquanto teve pneus macios, no início e no fim da corrida. Seu décimo lugar veio na piedade, com Michael Schumacher fungando no pescoço.

MICHAEL SCHUMACHER1 – Fim de carreira sombrio para o heptacampeão. O que dizer de alguém que fica em 14º em dois treinos livres, no Q1 e no Q2 da qualificação? No Q3, melhorou e, veja só, até conseguiu um 13º lugar no grid. E além de lento, o cara está azarado como nunca. Escapou das carambolas da primeira curva, que sempre costumam envolvê-lo, e andou entre os dez primeiros durante um bom tempo, mas teve um furo de pneu e foi obrigado a parar nos boxes para trocá-lo. Com isso, acabou ficando a uma posição dos pontos. Terá mais dois fins de semana para tentar fazer alguma coisa. Ou seja, perda de tempo.

JEAN-ÉRIC VERGNE2,5 – Sem novidades. Enquanto o companheiro Daniel Ricciardo celebrou o solitário pontinho, o francês terminou na seca novamente. Não mostrou grandes coisas nos treinos, ficou no Q1 da qualificação e largou apenas em 17º. No início do GP, ganhou boas posições, mas fez um pit-stop logo nas primeiras voltas para aproveitar o período de bandeira amarela. Daí para frente, apareceu muito pouco. No fim da corrida, ficou sem pneus e não teve como sonhar com pontos.

HEIKKI KOVALAINEN4,5 – O 13º lugar até parece sugerir que o finlandês teve uma ótima corrida, mas não foi o caso. A Caterham já não ameaça mais a Toro Rosso e Kovalainen sofreu muito para ficar a menos de um segundo de Jean-Éric Vergne no treino oficial. O GP foi bom por causa das inúmeras encrencas que estragaram a vida de muita gente. Poderia ter sido melhor se não fosse um problema no KERS. Por pouco, não ajudou a Caterham a ultrapassar a Marussia no campeonato.

TIMO GLOCK5,5 – Este, sim, fez uma corrida interessante. Só isso mesmo para compensar o mau desempenho no treino oficial, onde ele ficou duas posições atrás do companheiro Charles Pic. O alemão mandou muito bem na largada, quando passou toda a galera das equipes nanicas e subiu para 14º. De forma competente, conseguiu segurar a Caterham de Vitaly Petrov durante todo o tempo. No fim da corrida, fez talvez seu maior milagre desde que entrou na equipe: conteve os ataques de Sergio Pérez e finalizou à sua frente. Disse e repito: é bom piloto e merece lugar bem melhor na Fórmula 1.

SERGIO PÉREZ3,5 – Tinha tudo para ter obtido um grande resultado nesta corrida, mas fez uma cagada daquelas e acabou o dia chorando atrás de Timo Glock. Foi bem melhor que Kamui Kobayashi no treino oficial e obteve uma razoável 11ª posição no grid, o máximo que o carro da Sauber parecia capaz de fazer. No GP, foi um dos últimos a fazer seu primeiro pit-stop e parecia vir rumo ao pódio, mas causou um acidente bizarríssimo na volta 38. Graças a ele, Romain Grosjean e Mark Webber abandonaram a prova. Pela besteira, o mexicano foi punido e despencou para o fim do pelotão. Aí, não havia estratégia extravagante que ajudasse.

VITALY PETROV2 – Desta vez, foi claramente batido por Heikki Kovalainen, coisa que não vinha acontecendo nos outros fins de semana. Foram dias em que poucas coisas deram certo. Logo na sexta-feira, quase não andou porque seu carro teve problemas nas mãos de Giedo van der Garde no primeiro treino. Na qualificação, foi batido pela Marussia de Charles Pic e terminou o dia com a imagem arranhada. Durante a corrida, ficou quase todo o tempo atrás da outra Marussia, de Timo Glock. Fim de semana fraquinho de alguém que não parece estar tão confiante a respeito de uma quarta temporada na Fórmula 1.

PEDRO DE LA ROSA3 – Coitado. A HRT está quase falida, procurando desesperadamente um comprador. Aquela sensação de avanço que a gente tinha com a equipe já era. Desta vez, o veterano espanhol quase não largou por causa de, creia, um fio do cobertor elétrico que ficou embaraçado e não permitiu que o carro largasse com os demais carros. Durante as primeiras voltas, após largar dos pits, De la Rosa teve de se virar com pneus gelados. Mesmo assim, andou numa boa e finalizou a corrida.

CHARLES PIC5 – Vai ganhar um post quando este blog voltar à normalidade. É um cabra bom demais, o melhor companheiro de Timo Glock desde Jarno Trulli. No treino oficial, deixou para trás o colega alemão e também a Caterham de Vitaly Petrov. Chegou a sair da pista na primeira volta, o que lhe custou algumas posições, mas não perdeu a competitividade e tentou ultrapassar Petrov em várias ocasiões. Não conseguiu porque seu carro não tem KERS, veja só. No final da corrida, o precário motor Cosworth quebrou e não deu pra fazer mais nada.

ROMAIN GROSJEAN3,5 – Teoricamente, todo acidente que acontece na Fórmula 1 é culpa dele ou de Pastor Maldonado, mas o GP de Abu Dhabi foi tão sui generis que o franco-suíço não teve culpa alguma nos três incidentes em que esteve envolvido. Após largar em nono, Romain foi tocado por Nico Rosberg na primeira volta e teve de ir aos pits colocar um pneu novo. Na volta 16, durante a disputa renhida com Sebastian Vettel, o alemão chegou a ultrapassá-lo com as quatro rodas fora da pista, manobra proibida. Só não rolou punição a Vettel porque ele devolveu a posição logo depois. Por fim, o acidente besta causado por Sergio Pérez tirou Grosjean da prova na volta 38. Dessa vez, a Lotus não pode reclamar do seu pupilo.

MARK WEBBER0 – Bom, vamos lá. Não fez nada de novo nos treinos e só assegurou lugar na primeira fila porque o companheiro Sebastian Vettel foi punido ainda no sábado. Na primeira volta, o australiano repetiu as péssimas largadas do ano passado e perdeu um turbilhão de posições antes da primeira curva. Logo depois, não aguentou a pressão de Fernando Alonso e foi ultrapassado, o que deve ter deixado a Red Bull muito feliz. Mais adiante, causou acidentes idiotas com Pastor Maldonado e Felipe Massa, complicando a vida de ambos. A cereja do bolo foi o acidente com Sergio Pérez, Paul di Resta e Romain Grosjean na fatídica volta 38. Enfim, não preciso dizer mais nada, né?

LEWIS HAMILTON10 – Foi o primeiro colocado em dois treinos livres, nas três partes do treino classificatório e liderou todas as voltas da corrida enquanto esteve na pista. O problema é que ele já não estava mais lá no 19º giro, quando a bomba de gasolina falhou e deixou o britânico na mão. Uma tremenda injustiça, é óbvio. Hamilton foi o dominador do fim de semana e merecia a vitória mais do que qualquer outro no grid. Não é a primeira vez que problemas deste tipo o afetam nesta temporada. Pensando bem, sua enorme insatisfação com a McLaren até faz algum sentido. Como compensação, a nota máxima deste blog.

NARAIN KARTHIKEYAN1 – O fim de semana durou pouco e não foi bom para ele. Nos dois treinos livres que fez, ficou em último. No treino oficial, para variar, voltou a ficar em último. Só não largou em último graças à punição de Sebastian Vettel. A corrida acabou de maneira perigosa na volta oito: seu carro começou a ter problemas hidráulicos e ficou ainda mais lento do que o normal. Nico Rosberg, que vinha logo atrás, não conseguiu desviar e atropelou o pobre indiano da HRT. Um acidente feio, que não resultou em mortos e feridos por pouco.

NICO ROSBERG1,5 – Pela terceira vez em quatro corridas, abandonou logo no começo. Está mais azarado até mesmo do que seu companheiro Michael Schumacher. No entanto, nem dá para criticar seu desempenho, bastante interessante para o nível de carro que ele tem. O que posso comentar é a barbeiragem da primeira volta, que estragou não sou sua corrida como a de Romain Grosjean. Relegado às últimas posições, Nico tentou iniciar uma prova de recuperação. O sonho acabou no acidente da oitava volta, no qual ele voou sobre o carro de Narain Karthikeyan e acabou na barreira de pneus. Deu sorte de não sair ferido, mas também só deu sorte nisso.

NICO HÜLKENBERG3 – Prometia uma boa corrida, provavelmente melhor que a de Paul di Resta, mas pôs tudo a perder numa barbeiragem besta na primeira curva. Tentou dividir posição com o próprio companheiro e tudo o que conseguiu foi levar uma penca de gente para fora da pista. O toque em Bruno Senna foi forte, mas só o seu carro ficou danificado. Abandono infeliz para alguém que acabou de ser contratado pela Sauber – haveria uma maldição dos pilotos que trocam de equipe?

RED BULL10 – Só não ganha onze porque não pode. O que dizer da equipe que lidera os três treinos livres, o Q2 e o Q3 da classificação, a corrida de ponta a ponta e ainda bota seus dois pilotos no pódio? Que esta equipe é genial demais da conta e merece, sim, o título deste ano. Sebastian Vettel foi supremo durante todo o fim de semana e só não esteve na frente no Q1 da qualificação porque Pastor Maldonado pregou uma peça em todos. Mark Webber é o cara que poderia ter ido um pouco melhor, mas ao menos ele salvou um pódio mesmo sem ter o KERS funcionando. E não há como se esquecer dos mecânicos, que são tão rápidos nos pit-stops quando o próprio RB8.

FERRARI6,5 – Era claramente a terceira equipe do fim de semana, anos-luz atrás da Red Bull e também inferior à McLaren. Ninguém conseguiu acertar o carro corretamente, Felipe Massa rodopiou para lá e para cá graças à falta de estabilidade e até Fernando Alonso perdeu a paciência com sua equipe. No treino oficial, os dois colegas lotearam a terceira fila e não tinham muitas esperanças sequer de obter um pódio. Alonso ainda foi muito bem, peitou os dois pilotos da McLaren e ultrapassou Mark Webber quando este tinha problemas no carro, garantindo o segundo lugar. Massa teve problemas de consumo de combustível, mas ainda assegurou o sexto lugar. Ruma para perder mais um título, os ferraristas.

MCLAREN7,5 – Embora estivesse em melhor forma que a Ferrari, não tinha como brigar com a Red Bull. Na sexta-feira, a falta de estabilidade dos MP4-27 era visível, ainda que o carro não estivesse tão lento assim. Jenson Button e Lewis Hamilton asseguraram a segunda fila do grid de largada, mas passaram perto de um belo acidente na primeira volta, quando os dois se envolveram numa carambola com Fernando Alonso. Hamilton e Button acabaram sendo superados por Alonso e terminaram, respectivamente, em quarto e quinto. Destaque para o mecânico ninja que trocou o volante do carro de Hamilton em um punhado de segundos.

LOTUS5,5 – Está devendo até as calças, dizem. O carro refletiu o excesso de escorpiões no bolso e não colaborou, para desespero daqueles que sonham com a primeira vitória da equipe nesta temporada – vitória esta que não virá, que fique claro. Kimi Räikkönen e Romain Grosjean, principalmente este último, sofreram pra caramba nos treinamentos e só o cachaceiro passou para o Q3. Na corrida, os dois marcaram pontos, embora tenham sofrido com a falta de velocidade nas retas. Kimi ficou em sétimo após ter tentado superar Felipe Massa durante toda uma corrida. Grosjean se envolveu em algumas disputas e conseguiu um razoável nono lugar. A primeira curva deixou de ser um grande empecilho.

FORCE INDIA5,5 – Tinha um carro apenas correto, insuficiente nos treinos e competente nas mãos de Nico Hülkenberg durante a corrida. O alemão, novo contratado da Sauber, não foi brilhante nos treinos, mas largou com competência e terminou numa boa oitava posição. Quem não se deu tão bem assim foi Paul di Resta, que teve grandes dificuldades tanto nos treinos como na corrida e acabou terminando fora dos pontos. Em resumo, foi mais um típico fim de semana da Force India. Quem anda passando por maus bocados é o chefão Vijay Mallya, outro que terá de vender as calças para pagar os salários atrasados de seus funcionários.

WILLIAMS5 – Tinha um carro bom, melhor do que nas etapas anteriores. Pastor Maldonado pôde provar este fato sendo o piloto mais rápido do Q1 da classificação, única vez em que algum piloto cujo sobrenome não seja “Vettel” liderou algo na Índia. Até mesmo Bruno Senna, ameaçado pelo desemprego, foi bem. Infelizmente, somente Maldonado traduziu a qualidade de seu FW34 em uma boa posição no grid. Na corrida, os dois andaram próximos durante algum tempo e até se envolveram em boas brigas. Pastor conseguiu escapar das garras de Romain Grosjean, mas acabou tocado por Kamui Kobayashi e perdeu um pneu traseiro. O sobrinho não se envolveu em nenhum problema e conseguiu um pontinho redondinho.

MERCEDES2,5 – Não marca pontos há três corridas, para consternação de Lewis Hamilton. Em Buddh, os carrinhos prateados não eram dos piores e Nico Rosberg até conseguiu alguns bons resultados nos treinos livres. A realidade dura só começou a se manifestar quando realmente valeu, isto é, no treino oficial. Michael Schumacher ficou lá atrás no Q2 e nem Rosberg se deu ao trabalho de se esforçar demais no Q3. Na corrida, o azarado Schumacher teve um pneu furado na primeira volta e Rosberg ficou se arrastando o tempo todo. Um péssimo final de temporada para uma equipe que havia iniciado o ano tão bem.

TORO ROSSO2,5 – Pra variar, mais uma corrida ruim. OK, injustiça minha com uma equipe que havia marcado pontos nas três provas anteriores, mas também não seria justo dizer que o STR7 é bom. Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne continuaram andando lá atrás tanto nos treinos como na corrida. O australiano, como sempre, largou melhor e andou melhor. Vergne, um tantinho desastrado em alguns momentos pontuais nesta temporada, atropelou Michael Schumacher na primeira volta e prejudicou a corrida dos dois. A jovem dupla dinâmica prosseguirá na Toro em 2013. Talentosos, os dois. Que tenham um bom carro à disposição.

SAUBER2,5 – Outra das montanhas russas desta temporada, a Sauber não teve lá um grande carro na Índia. Na sexta-feira, a equipe decidiu dar uma chance a Esteban Gutiérrez, que participou do primeiro treino livre e ficou apenas em 20º. Mas nem mesmo Kamui Kobayashi e Sergio Pérez fizeram muito mais do que isso. O mexicano até foi mais rápido, mas não muito, embora tenha conseguido o milagre de se qualificar para o Q3. Na corrida, os dois não tiveram vida fácil. Kobayashi fez a segunda cagada consecutiva em corridas e acabou com a corrida de Pastor Maldonado. Pérez teve problemas de equilíbrio, se envolveu em um toque com Daniel Ricciardo e abandonou. Zero pontos para o exército de Hinwil.

CATERHAM2 – Já que não acontece nada de novo na equipe, que nem consegue mais desafiar a Toro Rosso, vamos fazer um breve comentário sobre sua situação de pilotos. Tony Fernandes quer gente com grana, tutu, gaita, verdinhas. Heikki Kovalainen não tem dinheiro e corre o risco de dançar. Vitaly Petrov tinha algumas moedas até uns dias atrás. Agora, está correndo atrás de verba soviética para tentar permanecer na Fórmula 1 no ano que vem. Giedo van der Garde e Charles Pic, dois pilotos com piscinas de dinheiro familiar, estão à espreita. A dupla só será definida quando o departamento financeiro fechar as contas para o ano que vem. Quanto ao GP da Índia, a mesma ladainha de sempre.

MARUSSIA3 – A equipe do pai de Max Chilton também está passando por dificuldades financeiras, mas ninguém se surpreende. Afinal, são russos e ninguém sabe de onde vem seu dinheiro. O carro, que até vinha melhorando a passos de tartaruga, estagnou e até levou pau da HRT em alguns momentos. Charles Pic largou em último, mas ganhou boas posições e até terminou à frente do companheiro Timo Glock, que teve problemas aqui e acolá. Os mecânicos continuam ruins de doer nos pit-stops.

HRT3 – Não achei o desempenho dela ruim, não. OK, não dá para elogiar demais uma equipe cujo melhor carro larga em 22º, mas a distância dela para a Marussia aqui foi bem menor do que nas etapas anteriores. Correndo em casa sob a bênção de Krishna, Narain Karthikeyan até foi melhor do que o esperado e conseguiu chegar ao fim da corrida mesmo sem freios, dinheiro, sorte e felicidade. Pedro de la Rosa também não andou tão mal: fez uma superlargada e poderia ter brigado mais com a Marussia, mas os freios brecaram sua corrida. Gostei da metáfora.

TRANSMISSÃOALGUÉM? – Eu até tinha uma ou outra coisa mais engraçadinha proferida na transmissão brasileira para postar aqui, mas minha memória de Alzheimer não me permitiu tal coisa. Então vamos cornetar um pouco o Sr. IMPRESSIONANTE, narrador da bagaça pela terceira vez consecutiva. O outro narrador, mais antigo, mais soberbo, mais petulante, mais irritante, é muito mais divertido. Como já está muito rico e mais perto da eternidade do que da vida, pode se dar ao luxo de falar a merda que quiser que não há nenhum problema. Já o outro narrador, um bom funcionário, correto, que veste a camisa da empresa e demonstra empolgação mesmo na mais filha da puta das horas, apenas fala coisas amenas, feitas para o netinho e a vovó escutarem. Lá vai o carro vermelhinho! Lá vai o piloto e sua plantação de coelhinhos! Não gosto deste estilo. Meu negócio é punk, é sujeito que chega com os dois pés no peito. Isso, sim, é impressionante.

CORRIDANINGUÉM – Ninguém. Ninguém gostou desta corrida. A verdade é que Sebastian Vettel é um vencedor irritante. Larga na frente, desaparece na primeira volta e ganha. No melhor estilo Michael Schumacher em 2004. Eu gostava quando era o Schumacher, piloto pra quem sempre torci. Ver alguém para quem você não torce ganhando tudo aborrece. Talvez seja isso, questão de torcida. Não importa. A corrida foi chata. Vettel ganhou fácil, Fernando Alonso ultrapassou Mark Webber sem grandes encrencas e as brigas lá atrás até aconteceram, mas não encheram tanto os olhos. Teve Felipe e Kimi numa eterna disputa pela sexta posição, os pilotos da Williams se metendo em duelos com os Grosjeans e Kobayashis da vida e até mesmo uma troca de volantes no carro de Lewis Hamilton. A pista é legal, uma das mais deste campeonato. Mas não sei, não gostei da corrida, e vários outros também não gostaram. Deve ser o Vettel. Ou deve ser eu, que estou ficando velho e ranzinza como um aposentado.

SEBASTIAN VETTEL10 – Deu até medo. Ou raiva. Ou sono. O cara só não esteve no comando das coisas no Q1 da classificação, pois ficou 0,3s atrás de Pastor Maldonado. De resto, a Índia foi engolida por Sebastian Vettel, que liderou os três treinos livres, fez a pole-position, não perdeu a ponta em momento algum e ganhou com absoluta tranquilidade. Foi sua segunda vitória em um circuito que é a sua cara. No pódio, nem comemorou tanto. Deveria. Do jeito que está, vai ganhar o título num sossego constrangedor. Constrangedor para a concorrência.

FERNANDO ALONSO8,5 – O resultado foi até excelente, considerando que seu carro parecia não ser páreo sequer para a McLaren. Sempre batalhador, o espanhol não esmoreceu e foi à luta. No treino oficial, teve dificuldades e ficou apenas na quinta posição no grid, ao lado do companheiro Felipe Massa. Seu melhor momento, definitivamente, foi a primeira volta. Bateu rodas com os dois carros da McLaren e chegou a engolir suas duas posições de uma vez, mas acabou ficando para trás logo em seguida. Porém, não precisou de muito mais tempo para ultrapassar Lewis Hamilton e Jenson Button para assumir a terceira posição. A segunda posição veio após Mark Webber começar a ter problemas com o KERS, o que permitiu a ultrapassagem do asturiano. Não deu para pegar Sebastian Vettel, obviamente. Após a corrida, estava puto da vida e mandou todo mundo na Ferrari comer merda. Alonso é tipo aquele chefão temperamental que quando as coisas dão errado, fica doido e quebra tudo.

MARK WEBBER7 – De certa forma, fez menos do que deveria, ainda que tenha sido prejudicado pelo problema com o KERS na segunda metade da corrida. Decepcionou um pouco por não ter acompanhado Sebastian Vettel no domínio avassalador dos treinos, embora tenha ficado a menos de 0,1s do alemão no treino oficial. Largou bem e quase ultrapassou Vettel na primeira curva, mas ficou só na vontade. Dali para frente, vinha rumando para terminar numa sólida segunda posição até o KERS quebrar. Sem ação, acabou sendo ultrapassado por Fernando Alonso e teve de se contentar com o suado terceiro lugar, mesmo.

LEWIS HAMILTON7,5 – Seu posto de direito era realmente o quarto lugar. Veja só: ele ficou em quarto em dois treinos livres, no Q1 e no Q2 da qualificação. Na bacia das almas, assegurou um terceiro lugar no grid. Meteu-se numa briga encardida com Fernando Alonso e Jenson Button na primeira volta e acabou superado por ambos. Na volta 5, passou Button e assumiu a quarta posição para nunca mais abandoná-la. Vale mencionar a boa briga que teve com Mark Webber até o finalzinho, ainda que Lewis não tenha conseguido a ultrapassagem. E, é óbvio, não dá para deixar de falar da inusitada troca de volantes em seu pit-stop. São ninjas, os mecânicos da McLaren.

JENSON BUTTON7 – Sendo justo, ele até merecia ter conseguido um resultado melhor. Em dois treinos livres, Jenson ficou em segundo, logo atrás apenas de Sebastian Vettel. Na classificação, ele também andou forte e pegou o quarto lugar no grid. Foi o grande destaque da largada ao sair vencedor de um pega-pra-capar com Lewis Hamilton e Fernando Alonso. Depois disso, apagou. Seus pneus macios não funcionaram bem e ele acabou ultrapassado por Hamilton e Alonso. Andou em quinto durante grande parte do tempo e em quinto terminou.

FELIPE MASSA6 – Rodou aqui, acolá e lá também, lembrando os bons tempos daquelas corridas molhadas em Silverstone. Só no segundo treino de sexta-feira, deu duas rodadas. Na qualificação do sábado, escapou de novo enquanto vinha em uma boa volta. Culpa da Ferrari, que delegou a tarefa de acertar seu carro a alguns chimpanzés. Mesmo assim, Felipe superou as agruras da sexta-feira e conseguiu um razoável sexto lugar no grid. O domingo foi menos monótono do que o resultado sugeriu. O brasileiro teve trabalho com Kimi Räikkönen durante quase todo o tempo e ainda foi obrigado a tirar o pé durante alguns momentos para poupar combustível. Deu tudo certo e ele conseguiu finalizar à frente do finlandês. Quanto à gasosa, ela acabou logo depois da linha de chegada.

KIMI RÄIKKÖNEN6 – Treinos convencionais, corrida sonolenta, sétimo lugar pouco empolgante, este foi o fim de semana indiano do Homem de Gelo. Kimi não mandou tão mal nos dois últimos treinos livres e conseguiu um bom sétimo lugar no grid, o primeiro daqueles que não pilotavam por Red Bull, McLaren ou Ferrari. Sua atuação no domingo foi discreta, até meio modorrenta, mas ao menos lhe rendeu mais seis pontos. O finlandês passou quase que a corrida inteira tentando ultrapassar Felipe Massa, até antecipou seu pit-stop para ganhar a posição nos boxes, mas não conseguiu. Está virtualmente fora da briga pelo título.

NICO HÜLKENBERG6,5 – O novo contratado da Sauber voltou a ter um bom desempenho, sempre melhor do que o do companheiro Paul di Resta. Mesmo tendo pisado pela primeira vez na Índia nesta última semana, adaptou-se rapidamente e finalizou em oitavo em dois treinos livres. Ficou no Q2, mas conseguiu largar quatro posições à frente de Di Resta. Ganhou boas posições na primeira volta e ainda ultrapassou Sergio Pérez na volta 14, subindo para oitavo. Na maior tranquilidade, seguiu nesta posição até o fim.

ROMAIN GROSJEAN5,5 – Para quem quase nunca sobrevive à primeira volta, terminar em nono pode ser considerado lucro. Num fim de semana em que o carro da Lotus esteve longe do brilhantismo, o franco-suíço voltou a fazer seu trabalho de maneira comedida e se livrou das confusões. Não foi bem nos treinos e ficou no Q2 pela segunda vez nesta temporada. O domingo foi bastante razoável. Envolveu-se numa explosiva disputa com Pastor Maldonado, se deu melhor e até saiu com o bólido inteiro. Também ganhou posições ultrapassando Nico Rosberg e herdando o posto de Sergio Pérez e garantiu dois pontinhos.

BRUNO SENNA6,5 – Para seus padrões, o mais novo desempregado do grid fez boa corrida. Na verdade, ele andou bem desde os treinos livres, quando conseguiu um décimo e um sexto lugar. Poderia ter ido bem também na qualificação, mas errou no Q2 e acabou ficando somente em 13º. A posição insuficiente acabou tirando a chance de uma corrida melhor, mas ainda deu para o sobrinho mostrar alguma coisa no pelotão do arranca-rabo. Fez uma ultrapassagem legal sobre Pastor Maldonado no início da corrida, meteu-se em outras boas brigas e ainda arrancou o ponto de Nico Rosberg no final da corrida. Boa atuação, mas não deu para salvar o emprego.

NICO ROSBERG5 – Ficou fora da zona de pontuação pela terceira corrida consecutiva. Sentiu a encrenca, seu Hamilton? E olha que até pareceu, durante certo momento, que o filho de Keke Rosberg teria um domingo para celebrar. Nos dois primeiros treinos livres, ficou em sexto e quarto. No Q1 do treino oficial, foi o terceiro mais veloz. Largar em décimo soou como uma brochada, mas o alemão não imaginava que a corrida seria tão fraquinha. Sem ter um carro veloz, foi ultrapassado por Romain Grosjean no primeiro terço da corrida e por Bruno Senna nas últimas voltas.

PAUL DI RESTA3,5 – Enquanto Nico Hülkenberg estava andando sempre na zona de pontuação, o escocês passou o fim de semana inteiro sem sequer sentir o cheiro dos pontos. Sem conseguir encontrar um acerto decente, não ficou entre os dez primeiros em treino nenhum e largou lá atrás. Na corrida, andou sempre na mesma, não se envolveu em maiores disputas e teve uma corrida típica de seus piores dias, chata pra cacete.

DANIEL RICCIARDO3 – A maldição se repete: toda vez que a Toro Rosso não marca pontos, Ricciardo anda bem melhor do que o companheiro Jean-Éric Vergne. Foi o caso na Índia. O australiano chegou a ficar em nono no primeiro treino livre e foi o único da equipe que passou para o Q2, embora não tenha conseguido muito mais do que o 15º lugar. Na primeira volta, perdeu uma posição para Di Resta e se enfiou em algumas brigas com outros pilotos, mas não deu o pulo que gostaria. Só começou a andar bem quando colocou pneus macios, mas terminou a corrida com Kamui Kobayashi fumegando no cangote.

KAMUI KOBAYASHI1 – Corrida horrível, bem cara de fim de festa. Nos treinos livres, passou enorme sufoco com um carro ruim e não saiu do meio do pelotão. Na qualificação, sobreviveu ao Q1 por muito pouco e foi o último colocado do Q2. Na corrida, ainda com um bólido terrível, esteve lento durante todo o tempo. Na única vez em que chamou a atenção, tocou no carro de Pastor Maldonado e estourou um pneu do venezuelano. Terminou a corrida colado em Daniel Ricciardo. Está praticamente fora da Sauber e só um milagre o manterá na Fórmula 1 em 2013.

JEAN-ÉRIC VERGNE0,5 – Garantiu o emprego para o ano que vem, mas não por causa deste GP. Estava com um carro tão ruim quanto o de Daniel Ricciardo, mas ficou sempre muito atrás do australiano. Mal em todos os treinamentos, largou apenas em 18º e afundou-se de vez ao bater em Michael Schumacher na primeira volta, estourando o bico de seu carro azulado. Recuperou-se, mas não o suficiente para sequer brigar com os pilotos do meio do pelotão.

PASTOR MALDONADO4 – Teve um fim de semana esquisito, difícil de definir. Uma verdadeira montanha russa, assim como a grande reta de Buddh. Foi mal demais nos treinos livres, mas o carro mudou da água para o vinho na qualificação e o chavista não só conseguiu um nono lugar no grid de largada como também foi o único, além de Sebastian Vettel, a liderar alguma coisa no fim de semana, o Q2. A corrida é que foi tumultuada. Largada ruim, disputa complicada com Romain Grosjean e Bruno Senna, furo de pneu causado pelo toque de Kamui Kobayashi e um final de corrida lá nas últimas posições. Bem que ele merecia ao menos um pontinho.

VITALY PETROV4,5 – Está dando trabalho a Heikki Kovalainen, motivado provavelmente pela possibilidade de ficar desempregado em 2013. Embora tenha ficado atrás do finlandês nos treinos livres, acabou sendo o melhor piloto das equipes nanicas tanto no treino oficial como na corrida. Tudo bem, ele largou mal pacas e chegou a ser ultrapassado por Charles Pic, mas recuperou-se e deixou o próprio Kovalainen para trás no final.

HEIKKI KOVALAINEN3,5 – Embora tenha largado e finalizado atrás de Vitaly Petrov, não dá para dizer que foi mal. OK, ninguém esperava que o finlandês rodasse sozinho no final do Q1 da qualificação, mas podemos dar um desconto por ele ter ficado sem participar do primeiro treino livre. Durante a corrida, teve problemas com o KERS e acabou sendo ultrapassado por Petrov na parte final. Está preocupado, pois seu emprego também corre risco.

CHARLES PIC3,5 – Teve um domingo inegavelmente melhor que a sexta e o sábado. Correndo pela primeira vez em Buddh, apanhou do carro e da pista e chegou a ficar atrás dos dois carros da HRT no segundo treino livre e, veja só, no grid de largada. Mas a tristeza acabou aí. Logo na primeira volta, ganhou cinco posições e pulou para 19º. Acabou sendo ultrapassado por Petrov não muito depois, mas ao menos deixou os carros da HRT e também o companheiro Timo Glock para trás sem dificuldades. Que consiga a tal vaga na Caterham em 2013.

TIMO GLOCK2,5 – Ao contrário do companheiro Charles Pic, seu melhor dia foi a sexta-feira e o pior foi o domingo. Nos treinos livres, tinha um carro razoável para seus baixos padrões e conseguiu fazer boas voltas, embora tenha ficado atrás de carros da HRT em duas das sessões. No grid de largada, sofreu com o carro, mas ainda conseguiu ficar a poucos milésimos de Heikki Kovalainen. Na corrida, largou mal, não conseguiu desafiar o companheiro Pic e até perdeu tempo com gente da HRT. Saiu da Índia sem grandes coisas para contar, como sempre.

NARAIN KARTHIKEYAN5 – O astro da casa fez um trabalho heroico e que merece consideração. Não ficou em último em nenhum dos treinos, embora tenha tido problemas hidráulicos na sexta-feira, e deixou a Marussia de Charles Pic para trás no treino oficial. Na corrida, perdeu um pedaço do bico após um toque na largada e ainda teve um superaquecimento prematuro nos freios que o obrigou a maneirar na condução de seu precário carro. Mesmo assim, ele resistiu a corrida inteira e chegou ao fim. É um cara que, definitivamente, se entendeu bem com o circuito de Buddh.

MICHAEL SCHUMACHER0 – Não foi nem por sua culpa. O homem tá realmente amarrado, completamente azarado neste ano de (des)graça que encerrará sua carreira. O melhor dia foi a sexta-feira, quando deu ao menos para andar um pouco e fazer alguns tempos razoáveis. No sábado, penou para passar do Q1 da classificação e nem sonhou em atravessar o Q2. A corrida acabou praticamente na primeira curva, quando Jean-Éric Vergne destruiu um pneu traseiro de sua Mercedes. Schumacher ficou tão para trás que não conseguiu sequer ultrapassar as duas Caterham durante a corrida. Nas últimas voltas, meio que na vergonha, recolheu o carro para os boxes e foi para casa.

SERGIO PÉREZ1,5 – Na sexta-feira, o chicano chegou a ficar de fora do primeiro treino livre por uma história muito mal explicada. Sergio estava gripado na quinta-feira e não tinha condição nenhum de ir para a pista, mas melhorou bastante no dia seguinte. Só que a Sauber preferiu colocar Esteban Gutiérrez para andar em seu carro no primeiro treino livre. Mas Pérez ainda conseguiu fazer um trabalho bem melhor que o de Kobayashi, incluindo a participação no Q3 da classificação. O domingo foi outra coisa esquisita. Seu carro estava muito ruim nas primeiras voltas e o cara decidiu antecipar a parada para ver se resolvia o problema. Isso não só não aconteceu como até piorou após uma colisão com Daniel Ricciardo. Após tanta dor de cabeça, o próprio mexicano decidiu abandonar a corrida.

PEDRO DE LA ROSA3,5 – Correu pela primeira vez em Buddh. Em dois treinos livres, ficou em último, ainda em período de adaptação. Mesmo assim, no outro treino livre, superou os dois carros da Marussia. No treino oficial, conseguiu escapar da última fila. A largada foi excepcional e o veterano conseguiu ultrapassar os dois carros da Caterham e a Marussia de Timo Glock. Infelizmente, seus freios acabaram muito cedo e ele teve de se retirar na volta 42.

RED BULL10 – Mais humilhante do que o fim de semana coreano, só batendo em aleijado. A equipe rubrotaurina só não conseguiu a ponta no primeiro treino livre, comandado por Lewis Hamilton. A liderança no segundo e no terceiro treino livre, a primeira posição nas três sessões da qualificação, a pole-position, a vitória, o segundo lugar e a volta mais rápida ficaram nas mãos de Sebastian Vettel ou Mark Webber. O RB8 de Adrian Newey achou em Yeongam um habitat ideal: pista cheia de trechos lentos, curvas desgraçadas e uma reta interminável. Deu tudo certo, até mesmo o salto daquele austríaco doidão em Roswell.

FERRARI9 – A Red Bull era a dona do melhor carro, tudo bem. Quem de certa forma surpreendeu foi a Ferrari, que superou a McLaren com folga neste fim de semana. Fernando Alonso e Felipe Massa tinham um carro para, ao menos, angariar uma das garrafas de champanhe do pódio. O espanhol obviamente foi o que se deu melhor, embora às custas de ordem de equipe, que obrigou Massa a ficar atrás de Alonso mesmo tendo um carro melhor. Coisas de Maranello. Mas os dois pilotos andaram muitíssimo bem e pegaram o terceiro e o quarto lugar sem maiores problemas. Tristeza maior para os ferraristas é ver a Red Bull dominando estas últimas corridas.

LOTUS7,5 – Se a Red Bull foi a melhor equipe e a Ferrari foi a segunda melhor, a medalha de bronze vai para a Lotus preta de guerra. Kimi Räikkönen e Romain Grosjean não brilharam nos treinos livres, mas conseguiram boas posições no grid de largada e terminaram bem no domingo. O finlandês pode não ter sido o mais agressivo dos moicanos, mas chegou em quinto e somou mais dez pontos para o portfólio. Grosjean escapou dos perigos, que não foram poucos, e finalizou em sétimo, marcando seis pontos bem úteis. E a primeira vitória da equipe, ninguém fala mais nisso?

FORCE INDIA6,5 – Teve corridas totalmente diferentes com seus dois pilotos. Nico Hülkenberg fez os indianos parecerem a quarta força do fim de semana coreano, mesmo com todos os inúmeros problemas financeiros que assolam o patrão Vijay Mallya. Andou bem no treino oficial e sentou a bota na corrida, com direito a ultrapassagem dupla sobre Lewis Hamilton e Romain Grosjean. Acabou o domingo na sexta posição. Paul di Resta, o escocês, não apareceu em momento algum e teve problemas tanto com os pneus macios como com os supermacios. Terminou mais perto do Quirguistão do que dos pontos. E acabou sendo superado novamente pelo colega na tabela de classificação de pilotos.

TORO ROSSO8,5 – Grande fim de semana. OK, para uma equipe que já chegou a vencer corrida, marcar seis pontos com os dois pilotos não é exatamente o resultado dos sonhos para ninguém. Devemos, contudo, nos lembrar da eterna falta de velocidade do STR7 que Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne são obrigados a dirigir neste ano. Os dois tiveram performances parecidíssimas: largaram no meio do bolo, ganharam posições e terminaram em oitavo e nono, isso tudo com estratégias diferentes. Que a jovem dupla, muito melhor do que a anterior, continue progredindo.

MCLAREN0 – Ah, deu dó da equipe prateada neste fim de semana. Só faltou pegar fogo nos boxes da McLaren nestes dias. Nem posso dizer que o carro estava tão ruim, pois Lewis Hamilton foi o mais veloz do primeiro treino livre. O que acontece é que os astros se alinharam de modo que tudo desse errado tanto para Hamilton como para Button. O sósia de Chris Martin foi mal pacas no treino oficial e sequer passou da primeira volta, pois foi engolido pelo kamizake Kamui Kobayashi. Lewis estava nas primeiras posições no começo, mas os espíritos ruins atacaram seu carro e ele foi perdendo posições até o fim da corrida. Só finalizou em décimo pela sorte da mais pura. De bom, apenas o calor que ele deu em Kimi Räikkönen pouco antes de um de seus pit-stops.

SAUBER2 – É uma equipe acostumada com altos e baixos. De uma semana para a outra, deixou de ser uma das principais forças da categoria para ser apenas mais uma equipe apagada e modorrenta. Kamui Kobayashi fez todo mundo se esquecer do pódio de Suzuka com uma lambança daquelas na primeira volta coreana, tirando da corrida os pobres Jenson Button e Nico Rosberg. Para compensar o mau resultado no treino oficial, Sergio Pérez tentou driblar os outros largando com pneus macios, mas acabou sendo driblado e ultrapassado por muita gente, finalizando fora dos pontos. Ao que parece, o C31 é um carro mais adequado para pistas extremas, pecando um pouco nos traçados intermediários de Hermann Tilke.

MERCEDES1 – A futura equipe de Lewis Hamilton terminou o domingo com as mãos no bolso novamente. Não levou nem um pontinho para casa como recordação. Não há muito o que recordar, para dizer a verdade. O W03 continuou ruim e Nico Rosberg e Michael Schumacher não fizeram muito mais do que colocá-lo na quinta fila do grid de largada. Esta foi a melhor parte do GP coreano, por incrível que pareça. Na prova, Rosberg abandonou logo cedo e Schumacher teve uma atuação apática como poucas, aparecendo mais como um sujeito velho e cansado que não conseguia conter os ataques de moleques com quinze anos a menos de vida. Trágico, trágico.

WILLIAMS3 – Pode ao menos se dar ao luxo de comemorar zero carros quebrados ou batidos, uma proeza para quem tem Pastor Maldonado e Bruno Senna como pilotos. Os dois não bateram, não rodaram, não tiraram os outros da pista, mas também não andaram nada. Largaram lá no meio do pelotão e por lá ficaram. Maldonado, o chavista, ainda tentou algo diferente, uma corrida com apenas um pit-stop. Não funcionou. Já o sobrinho ficou naquela toada conservadora de sempre. Foi o último colocado entre os pilotos das equipes que contam. À equipe, o consolo de todos os carros terem terminados com as quatro rodas.

CATERHAM3 – Tarefa mais difícil é a de dar notas às equipes nanicas, pois elas quase nunca trazer algo de novo para análise. Desta vez, Vitaly Petrov superou Heikki Kovalainen no grid de largada e nos resultados finais da corrida, embora Kova tenha sido o cara dominante da equipe verde durante a prova. Não incomodaram ninguém à sua frente e também não tiveram trabalho com os de trás.

MARUSSIA2,5 – Charles Pic é o único piloto do grid que já estourou o limite de oito motores permitidos por temporada – teve problemas e utilizou o nono em Yeongam, sendo punido com a perda de dez posições no grid, nada que altere muito sua vida. Timo Glock, que havia sido até mais lento do que Pic no treino oficial, teve mais uma daquelas típicas procissões lentas e terminou em 18º, uma posição à frente do companheiro francês.

HRT2 – O carro quebrou com Narain Karthikeyan no treino oficial e com Pedro de la Rosa na corrida – é melhor a pequena equipe ficar de olho no controle de qualidade de sua produção, pois os abandonos estão ocorrendo com uma frequência incômoda. No mais, os dois pilotos continuaram se arrastando nas últimas posições e não apareceram em momento algum. Ufa, acabou este negócio de ficar dando nota pra equipe sem esperança.

TRANSMISSÃOCOELHO DA PÁSCOA – Como mal prestei atenção nas palavras de narrador e comentaristas neste fim de semana, confio no que li por aí. Em 2004, Michael Schumacher obteve no Canadá sua centésima vitória na temporada. Para enaltecer o mérito do heptacampeão, o narrador brasileiro soltou um “ele tem uma plantação de coelhos”. Depois, na maior esportiva, riu e corrigiu a informação, pois coelho não se planta, oras bolas. Neste último fim de semana, de volta ao microfone, o narrador IMPRESSIONANTE nos proporcionou um belo flashback daquele momento único da história das transmissões brasileiras. Durante o treino de classificação, provavelmente baqueado pelo sono, nosso querido amigo disse que Fernando Alonso, ele próprio, tem uma “plantação de coelhos”. A mesma horta de coelhos de Schumacher! Incrível! Impressionante!

CORRIDAMELHOR DE TODAZZZZZZZ – A corrida foi tão boa, mas tão boa, que dormi após vinte voltas. Estava cansado pra caramba, havia tido uma semana infernal e tudo o que eu não queria era um GP chato que me privasse de algumas boas horas na cama. Sebastian Vettel largou na pole-position, liderou todas as voltas e ganhou, sem nenhum tropeço. Mark Webber também não teve problema algum para terminar em segundo e o mesmo vale para Fernando Alonso, terceiro colocado. Lá atrás, podemos destacar a bela briga entre Lewis Hamilton e Kimi Räikkönen, abortada pelo pit-stop do inglês, e a excepcional ultrapassagem feita por Nico Hülkenberg sobre o mesmo Hamilton e Romain Grosjean. São aqueles parcos e preciosos instantes que garantiram que o GP da Coréia não representasse duas horas jogadas no lixo. Ainda bem que esta foi a última prova desta temporada transmitida de madrugada para nós, brasileiros de Buenos Aires. Misturar uma pista proibitiva para ultrapassagens com um piloto dominante e um horário desfavorável só pode resultar em bastantzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.

SEBASTIAN VETTEL9,5 – O dez não veio por estúpidos 74 milésimos de segundo, que representam o que lhe faltou para tomar a pole-position de Mark Webber. No mais, o alemão foi estupendo novamente – infelicidade enorme para mim, fã de Fernando Alonso. Líder nos dois últimos treinos livres, o bicampeão só perdeu a ponta no grid por mero detalhe, já que havia sido o primeiro colocado também nas duas primeiras sessões da qualificação. Na corrida, compensou tudo ultrapassando Webber sem dificuldades na primeira curva e despachando o resto do povo. Sem problema algum, ganhou pela 25ª vez na vida. Verde chora. E reverencia.

MARK WEBBER8 – Atuação de funcionário público no domingo. Não tem o direito de reclamar do carro, pois Adrian Newey é o verdadeiro mestre dos magos dos circuitos tilkeanos. Sem ser brilhante em momento algum, o ponto alto do australiano foi a pole-position conseguida de maneira até meio fortuita no sábado. Apático, deixou Sebastian Vettel fugir na liderança logo na primeira curva. Tentou dar o troco, mas não tinha gás para isso. Depois disso, ficou naquela de deixar um olho para tentar enxergar o companheiro no binóculo e outro olho para espiar no retrovisor se havia algum carro vermelho se aproximando. Terminou em segundo, chorou e também foi obrigado a reverenciar o vencedor.

FERNANDO ALONSO7,5 – Um progresso para quem não havia sequer completado a primeira curva em Suzuka e uma injúria para quem era líder do campeonato até sábado. Longe de ter o melhor carro do fim de semana, Alonso fez o que pôde: não muito. Não andou estritamente mal nos treinos livres, mas quase ficou no Q1 da classificação no sábado. Partindo da quarta posição no grid, Fernando passou Lewis Hamilton na primeira curva e até sonhou em ameaçar a dupla da Red Bull no retão coreano. Sonhos não necessariamente condizem com a realidade e ele teve de se contentar em ficar em terceiro. Na segunda metade da corrida, começou a render bem menos que Felipe Massa e só conseguiu o pódio devido à famigerada ordem de equipe. Está agora seis pontos atrás de Sebastian Vettel no campeonato.

FELIPE MASSA8,5 – Está em ótima fase, o que me deixa bastante feliz. Pela segunda corrida consecutiva, o brasileiro demonstrou um nível de competitividade à altura de um piloto da Ferrari. Continua apanhando um pouco nos treinos, mas pelo menos assegurou um sexto lugar no grid, um avanço em relação a Suzuka. No domingo, foi um dos melhores pilotos na pista. Ultrapassou Kimi Räikkönen logo no começo, largou Sergio Pérez e Lewis Hamilton para trás quando estes não estavam em boa forma e só não tomou o pódio das mãos de Fernando Alonso porque, bem, vocês sabem o porquê. Mas andou bem pra caramba e, como prêmio, assegurou um lugar na Ferrari em 2013. Prêmio? Dadas as circunstâncias, Felipe pode se considerar um sortudo por ter um emprego remunerado na Fórmula 1 no ano que vem.

KIMI RÄIKKÖNEN7 – Aqueles papos de “maior rival de Alonso” e  “a primeira vitória está próxima” já viraram coisa de museu. O finlandês segue fazendo seu trabalho discreto de formiguinha, conseguindo pontos aqui e acolá e se acotovelando nas primeiras posições da tabela de pilotos. Na terra do PSY, Kimi mineiramente fez o quinto tempo no Q3 do treino oficial. Logo no começo da corrida, Felipe Massa o deixou para trás, mas o nórdico não se abateu. Envolveu-se numa excelente briga com Lewis Hamilton, embora só tenha conseguido assumir sua posição após o inglês entrar nos pits. Terminou em quinto – não dava para fazer muito mais que isso, mesmo.

NICO HÜLKENBERG8,5 – Outro bom destaque da corrida. Foi muito mais rápido do que o companheiro Paul di Resta durante todo o tempo, terminou a corrida numa excelente sexta posição, ultrapassou Di Resta no campeonato de pilotos e ainda foi para casa sorrindo por ter feito uma das melhores ultrapassagens do ano. Competente no treino oficial, conseguiu um bom lugar na quarta fila do grid. Passou Romain Grosjean na largada e só foi superado pelo franco-suíço após a segunda rodada de pit-stops. Sem esmorecer, aproveitou-se do duelo homicida entre Grosjean e Lewis Hamilton e ganhou as posições dos dois num único movimento, coisa legal de se ver. Mesmo não sendo o perfil mais emocionante do grid, certamente merece um lugar numa equipe melhor. Mas não no lugar do Kobayashi, por favor.

ROMAIN GROSJEAN6,5 – Esteve irreconhecível na Coréia: ficou atrás de Kimi Räikkönen no treino oficial e não se envolveu em estultice alguma na corrida. Muito estranho. Não brilhou nos treinamentos e ficou apenas em sétimo no grid, sempre prometendo a todos que seria um bom garoto nas primeiras curvas. Bem que o destino tentou complicar sua vida novamente, com algumas confusões acontecendo perto dele na primeira curva, duelos com os igualmente perigosos Pastor Maldonado e Lewis Hamilton e até um quase-acidente com Nico Hülkenberg nos pits. Felizmente para ele, nada conseguiu barrá-lo e a recompensa foi o sétimo lugar.

JEAN-ÉRIC VERGNE8 – Sua melhor corrida no ano até agora. Não se enganem: foi boa, mesmo. Os treinos livres indicavam que a vida de JEV seria a mesma lamúria dos demais fins de semana, mas tudo mudou da água para o vinho no sábado. No Q1, sabe-se lá como, ficou em sexto. No Q2, garantiu um razoável 16º lugar no grid. O domingo é que foi realmente bacana. O francês fez ultrapassagens em gente como Bruno Senna e Lewis Hamilton e ainda deixou o companheiro Daniel Ricciardo para trás, provando que é ele o cara para liderar a Toro Rosso nos dias de carro bom. Nesse momento, está três pontos a frente do australiano.

DANIEL RICCIARDO7,5 – Esteve tão bem quanto Jean-Éric Vergne, mas terminou atrás dele novamente. Tristeza para ele, que sempre fica atrás do francês no dia em que o carro colabora. No mais, o desempenho dos dois foi bastante semelhante durante todo o fim de semana. No Q2 da qualificação, Ricciardo até conseguiu superar Vergne, mas precisou trocar o câmbio e teve de largar em 21º. Sem grandes apuros, recuperou boas posições durante a corrida e esteve à frente do companheiro até as últimas voltas, quando foi superado por ter pneus mais lentos. Mesmo assim, não pode reclamar do nono lugar.

LEWIS HAMILTON1 – Quem imaginaria, após o primeiro lugar no primeiro treino livre, que Lewis Hamilton teria seu fim de semana mais difícil na temporada? Pois é, mas tudo começou a ficar bastante ruim a partir do sábado, quando ele não sobrou no Q1 da classificação por muito pouco. No Q3, conseguiu o terceiro lugar no grid e esboçou um sorriso, mas o domingo foi um desastre de proporções épicas. O inglês não largou bem e foi superado por Fernando Alonso logo de cara. Seu ritmo não esteve tão ruim até a volta 20, quando Felipe Massa surgiu das trevas e o superou. Depois disso, o carro da McLaren piorou demais e Hamilton só foi perdendo posições. No fim da corrida, após ter feito uma terceira parada meio que no desespero, ainda passeou fora da pista e levou junto um pedaço de grama sintética no sidepod. Marcou um ponto, mas praticamente deu adeus à disputa pelo título.

SERGIO PÉREZ2 – O dia estava tão ruim para a McLaren que nem mesmo ele, contratado de Woking para 2013, conseguiu andar bem. O carro da Sauber não parecia tão competitivo para esta pista, mas o mexicano ainda conseguiu superar Kamui Kobayashi na qualificação. Sendo um dos poucos a largar com pneus macios, Checo esperava fazer o de sempre: surpreender a todos, ganhar dezenas de posições e terminar com o sorrisão latino no pódio. Não deu. Ele chegou a estar lá na frente, mas começou a perder desempenho rapidamente e a tal estratégia maluca não funcionou desta vez. No fim da corrida, ainda tinha um carro bom e conseguiu ultrapassar Paul di Resta e Michael Schumacher, mas lhe faltou apenas um teco para roubar o ponto de Lewis Hamilton.

PAUL DI RESTA2,5 – Fim de semana ruim. Mesmo tendo um treino livre a mais à disposição, não conseguiu superar Nico Hülkenberg em momento algum. Não passou para o Q3 da classificação e culpou o tráfego pelo infortúnio. Apostou em pneus macios para o primeiro stint e foi penalizado pela decisão, perdendo desempenho logo no começo. Com os supermacios, também não melhorou muito. Poderia até ter feito um pontinho, já que Lewis Hamilton estava muito lento, mas a ultrapassagem de Sergio Pérez na volta 53 acabou com qualquer possibilidade.

MICHAEL SCHUMACHER1,5 – Pois é, a carreira do heptacampeão está chegando ao fim e de maneira melancólica. Na Coréia, Michael Schumacher teve um desempenho simplesmente indigno de alguém que frequentemente é comparado a nomes como Ayrton Senna e Juan Manuel Fangio. A culpa nem foi tanto dele, pois o carro da Mercedes está fraquinho, tadinho. Mas o alemão, que nem foi tão horrivelmente mal assim nos treinos, apanhou de vara da molecada durante a corrida. Discreto, ele ainda tinha alguma chance de marcar um pontinho, mas foi ultrapassado por três na segunda parte da corrida e terminou lá atrás.

PASTOR MALDONADO2 – Um pit-stop só? Péssima ideia, cara. Já faz algum tempo que Pastor Maldonado não apronta alguma. Deve ter levado uma bela dura dos capos da Williams. Na Coréia, ele nunca teve um carro bom e também não quis levar o que tinha na mão ao limite. Largou apenas em 15º e decidiu dar uma de Sergio Pérez, apostando em apenas uma parada nos boxes. A estratégia não funcionou e Maldonado ficou se arrastando com o carro durante várias voltas. Mesmo assim, ainda foi o melhor piloto da Williams no fim de semana.

BRUNO SENNA1 – E ele, com estratégia normalzinha e tudo, ainda conseguiu terminar atrás do companheiro Pastor Maldonado. O brasileiro teve mais um fim de semana medonho, mas dessa vez não bateu em nada ou ninguém, nem mesmo na largada. Foi mal nos treinos e não passou sequer pelo Q1 na qualificação. Na largada, partiu bem e chegou a ganhar algumas posições, mas não conseguiu segurá-las durante muito tempo. Foi o pior das equipes normais.

VITALY PETROV4 – Bom grande prêmio, um dos raros em que ele conseguiu superar Heikki Kovalainen tanto no grid de largada como na chegada. Mesmo sem ter feito um dos treinos livres (Giedo van der Garde entrou em seu lugar), o russo foi o melhor das equipes pequenas no treino oficial. Na corrida, Kovalainen chegou a ficar à sua frente na maioria das voltas, mas Vitaly recuperou a posição no finalzinho. Interessante atuação para quem corre sério risco de ficar de fora da Fórmula 1 no ano que vem.

HEIKKI KOVALAINEN3 – Teve um único rival neste fim de semana, o companheiro Vitaly Petrov, e perdeu. Andou na mesma tocada de sempre e não teve grandes dificuldades ou emoções no fim de semana coreano. Passou a maior parte da corrida na frente de Petrov, embora não tenha conseguido desafiar ninguém à sua frente. Nas últimas voltas, perdeu a posição para o russo e ficou em 17º.

TIMO GLOCK2,5 – Segundo o próprio, teve um fim de semana difícil. O carro da Marussia não avançou muito e o alemão não conseguiu desafiar os caras da Caterham. Ainda fez um tempo pior do que o de Charles Pic na qualificação, mas largou mais à frente porque o francês foi punido com a perda de posições no grid. Numa corrida apenas normal, não dava para esperar muito. Ficou em 18º.

CHARLES PIC3 – Nos quatro treinos em que tomou parte, inclusive o oficial, ficou em 21º. Teria largado à frente do companheiro Timo Glock se não tivesse tido de trocar o motor Cosworth, o que lhe rendeu a perda de dez posições no grid – ele teria de largar lá na Coréia do Norte, portanto. Na corrida, sem grandes ambições, deixou o indiano Narain Karthikeyan para trás e finalizou atrás de Glock. Nada de novo no front.

NARAIN KARTHIKEYAN3 – É sempre melhor ter um problema no treino oficial do que na corrida, não acha? O indiano não conseguiu fazer muita quilometragem na sexta-feira, pois teve de ceder o carro a Dani Clos. No sábado, seu carro quebrou logo no comecinho da qualificação e ele não completou nenhuma voltinha, mas ainda lhe permitiram a participação na corrida. Chegou a ganhar algumas posições na largada, mas retornou ao seu lugar de direito, o último, pouco tempo depois. Pelo menos, viu a bandeira quadriculada.

PEDRO DE LA ROSA2 – Primeira corrida sua em Yeongam. Fez o máximo de quilometragem possível na sexta-feira e se qualificou em 22º no sábado graças aos infortúnios de Narain Karthikeyan e Charles Pic. Logo na quinta volta da corrida, começou a ter problemas com o acelerador. O carro, que já não é aquela delícia de se dirigir, começou a se comportar de maneira cada vez pior e a equipe achou melhor retirá-lo da corrida. Nada que mude a cotação do milho, porém.

KAMUI KOBAYASHI0,5 – O herói de Suzuka não demorou mais do que uma semana para virar o vilão coreano, o que faz todo o sentido em se tratando do eterno conflito entre japas e coreanos. O carro da Sauber não colaborou em momento algum, assim como o próprio Kamui. No treino oficial, diz ter perdido meio segundo por ter pegado bandeiras amarelas. Com isso, largou no meio do bolo. Na corrida, não demorou mais do que uma volta para atropelar alguém, o McLaren de seu freguês Jenson Button. Koba conseguiu permanecer na corrida, mas ficou tão para trás e com o carro tão torto que preferiu se retirar voluntariamente na volta 16.

NICO ROSBERG1 – Tá numa maré de azar danada. Pelo segundo fim de semana consecutivo, não conseguiu andar mais do que alguns metros. A Mercedes não consegue preparar um bólido legal e a loira alemã não está contando com a sorte. Seus resultados nos treinos não foram tão deprimentes, mas abandonar por causa da barbeiragem de outrem novamente é de sair por aí matando todo mundo com um AK47. Dessa vez, quem bateu em seu carro foi o desesperado Kamui Kobayashi. Rosberg tentou seguir em frente, mas abandonou na segunda volta e foi pra casa tomar sorvete de framboesa e chorar para as amigas.

JENSON BUTTON0,5 – Outro que foi esquecido pela sorte em Yeongam. Como sempre, o algoz foi Kamui Kobayashi, o mesmo que o impediu de subir ao pódio em Suzuka. Jenson não foi brilhante nos treinos livres, mas também não contava com a não-classificação para o Q3 do treino oficial. Na largada, enquanto planejava uma prova de recuperação, foi atropelado sem dó nem piedade por Kobayashi. Com a suspensão destruída, teve de abandonar a corrida no ato.

RED BULL9,5 – Não levou o dez apenas pelo seu segundo piloto ter sido azarado na primeira curva – e só. O RB8 foi o melhor carro do fim de semana com sobras: liderou dois dos três treinos livres, pegou a primeira fila, venceu e ainda conseguiu a volta mais rápida. Sebastian Vettel fez o que quis durante todo o tempo e nunca foi ameaçado. Era para Mark Webber ter se unido ao alemão na festança do pódio, mas o australiano acabou sendo atingido por Romain Grosjean na primeira curva e caiu para as últimas posições. Mesmo assim, terminou em nono. Se a equipe continuar nesta balada, engole os dois títulos sem grandes problemas.

FERRARI7,5 – Felipe Massa provou que a equipe italiana tinha boas chances de ter conseguido um pódio com Fernando Alonso. Mas quem acabou bebendo champanhe foi o brasileiro, que fez sua melhor corrida desde há muito tempo, subiu para quarto na primeira volta, ganhou a segunda posição de Kamui Kobayashi nos pits e terminou atrás apenas de Sebastian Vettel. Quanto a Alonso, este até poderia ter feito algo de bom, mas não foi bem no treino oficial e ainda acabou batendo em Kimi Räikkönen na primeira volta, abandonando a corrida. As atualizações que os ferraristas trouxeram não fizeram lá tanta diferença, mas o asturiano também não ajudou muito.

SAUBER9 – Com um carro muito bom e dois doidões no volante, como não ser uma das atrações do fim de semana? Em sua melhor temporada como equipe independente, a Sauber voltou a obter mais um pódio, desta vez com Kamui Kobayashi. Em casa, o caricatural piloto mandou ver desde o treino qualificatório, quando conseguiu o terceiro lugar no grid. No domingo, andou em segundo na primeira parte da prova e segurou bem os ataques de Jenson Button no final. Sergio Pérez poderia ter obtido um resultado tão bom quanto, pois havia largado em quinto e estava muito rápido no começo da corrida. Jogou tudo fora quando errou bisonhamente no Hairpin, abandonando a prova. Dá para entender o porquê da equipe ser a mais badalada desta silly season?

MCLAREN6,5 – Em alguns quesitos, poderia ter peitado tranquilamente a Red Bull. Em outros, esteve mal pacas. Com Jenson Button, a equipe chegou a liderar o primeiro treino livre, o único momento em que os rubrotaurinos não estiveram na ponta. O treino classificatório foi infeliz, pois Button tinha de pagar a punição de troca de câmbio e acabou largando apenas em oitavo. Lewis Hamilton foi pior ainda e ficou apenas em nono, sem conseguir acertar o carro. Durante a prova, os dois pilotos tiveram altos e baixos, mas acabaram obtendo bons pontos. Button teve problemas no câmbio e Lewis teve um relacionamento difícil com seus pneus na primeira parte da prova. Os mecânicos trabalharam muitíssimo bem.

LOTUS5,5 – Absolutamente nada de novo. Muitas promessas, expectativas frustradas, Romain Grosjean superando Kimi Räikkönen no treino oficial, Grosjean fazendo merda no começo da corrida, Räikkönen mineiramente marcando pontos, enfim, o de sempre. O carro não andou nada nos treinos livres, mas deu uma boa melhorada no treino oficial. Na prova, com o franco-suíço se matando na primeira curva, sobrou para o ébrio finlandês fazer alguma coisa. Bem que Fernando Alonso, Lewis Hamilton e Sergio Pérez tentaram tirá-lo da disputa, mas o sempre persistente Räikkönen foi em frente apenas com o objetivo de beber champanhe geladinha no pódio. Não deu, mas beleza.

FORCE INDIA4,5 – Como se já não bastasse a crônica falta de dinheiro do patrão Vijay Mallya, que nem paga seus funcionários em dia, os dois pilotos ainda deram suas contribuições para aumentar o rombo indiano. Paul di Resta e Nico Hülkenberg bateram seus respectivos carros nos treinos livres e deram muita dor de cabeça para os mecânicos, que não puderam ir para o puteiro no sábado à noite porque tiveram de consertar as cacas. Os dois largaram do meio do pelotão, mas Hülkenberg se recuperou bem na corrida e terminou em uma interessante sétima posição. Di Resta não fez nada. E meus parabéns aos mecânicos, que conseguiram fazer pit-stops dos dois pilotos na mesma volta 16 sem tropeçar.

WILLIAMS4 – Não tem o mesmo carro veloz de outrora, mas não pode reclamar do oitavo lugar conseguido por Pastor Maldonado, seus primeiros pontos desde o GP da Espanha de 1745. Os dois pilotos tiveram dificuldades nos treinamentos, mas não bateram em nenhum deles, um milagre em Grove. Mesmo assim, Maldonado não passou para o Q2 e Bruno Senna ficou ainda mais atrás, atrapalhado por Jean-Éric Vergne que foi. Na corrida, Senna acabou com as esperanças de um fim de semana 100% limpo da Williams acertando Nico Rosberg na primeira curva. Caiu lá para trás e ficou longe dos pontos. Em compensação, o venezuelano chegou ao final e ainda em oitavo. Estava precisando muito deste resultado.

TORO ROSSO3,5 – Marcou um ponto, sim, mas muito mais graças ao seu piloto e às circunstâncias externas do que pela competência da equipe e do carro. Daniel Ricciardo voltou a ser o melhor piloto da equipe tanto nos treinos como na corrida. Os bons duelos com Jenson Button, Kamui Kobayashi e Michael Schumacher provaram que o australiano não foge da briga. Ponto suado e merecido. Jean-Éric Vergne só apareceu quando atrapalhou Bruno Senna no treino classificatório. Largou lá atrás e lá atrás permaneceu até o fim. O carro, que parecia estar melhorando, estagnou.

MERCEDES0 – Se bobear, até devem ter servido sushi podre na hora do almoço. Tudo deu errado. Tudo. Na sexta-feira, Michael Schumacher destruiu um carro e Nico Rosberg teve problemas no carro. No dia seguinte, nenhum dos dois andou bem no treino oficial e o alemão mais velho ainda perdeu mais dez posições no grid por conta de uma punição referente à Cingapura. No domingo, Rosberg abandonou na primeira volta e Schumacher ficou fora da zona de pontuação. Esta é a equipe que Lewis Hamilton escolheu, em detrimento da McLaren. Se deu mal.

CATERHAM3 – Analisar as equipes pequenas sempre é mais difícil, ainda mais uma que não deslancha e nem incomoda como a Caterham. Heikki Kovalainen voltou a ser o agente dominante aqui, chegando a andar em 11º no início da corrida. Terminou lá atrás, mas foi novamente o melhor dos humildes. Vitaly Petrov teve um fim de semana horrível, com direito a asa quebrada e HRT largando à frente. Pelo menos, sobreviveu a tudo e chegou ao fim. Não deixa de ser preocupante, aliás, o quanto a Marussia se aproximou.

MARUSSIA4 – Destaque especial para a equipe de mecânicos, que conseguiu fazer um dos pit-stops mais rápidos da corrida, com Timo Glock na volta 21. O alemão andou razoavelmente bem novamente, brigou com as Caterham, não teve dificuldades com o companheiro Charles Pic e finalizou em 16º. O companheiro Charles Pic não esteve tão bem como em fins de semana anteriores, mas também participou da corrida com alguma dignidade e só não terminou por causa de problemas no motor. Se continuar desta forma, a equipe terá tudo para se manter à frente da Caterham no final do campeonato.

HRT3 – Mais um fim de semana sem grandes coisas para contar. Trouxe um assoalho novo para esta etapa, mas Narain Karthikeyan fez o favor de danificá-lo numa rodada durante um treino livre. Tanto ele como Pedro de la Rosa fizeram mais ou menos o de sempre, mas o espanhol conseguiu superar a Marussia de Charles Pic e a Caterham de Vitaly Petrov, um feito e tanto. Na corrida, só De la Rosa conseguiu terminar. Acho legal que a HRT esteja fazendo um trabalho sério, tentando melhorar seu carro de qualquer forma. A balbúrdia de 2010 já virou passado.

TRANSMISSÃOIMPRESSIONADA – Quando liguei a televisão para ver o treino oficial e ouvi a voz do Sr. IMPRESSIONANTE, fiquei logo irritado. Não consigo gostar dele, já falei isso um milhão de vezes e não me importo em falar pela milionésima primeira vez. A voz de bobalhão, o sorriso de “Mr. Nice Guy”, a empolgação barata, sei lá. O outro narrador, com toda a sua arrogância e seu diletantismo, é muito mais divertido e imprevisível. Não há muito o que comentar, até porque deixei baixo o volume da TV para não acordar ninguém e pouco pude ouvir. Vi que a animação pelo resultado de Felipe Massa foi bem maior do que por Kamui Kobayashi, um tremendo sacrilégio. Além do mais, a transmissão brasileira não se furtou em cortar a cena do piloto japonês descendo do carro duas vezes. Isso aí: nem conseguimos ver se Kobayashi chorou, deu cambalhota, mandou beijinho e gritou “vocês vão ter que me engolir” para a câmera. Não vimos nada. Impressionante, né?

CORRIDAUMA BOA MADRUGADA – Uma corrida de madrugada só vale a pena se for muito boa. Esta foi excepcional. É evidente que o principal motivo para isso foi o pódio com Felipe Massa e Kamui Kobayashi. Com estes dois personagens, ninguém prestou atenção no vencedor Sebastian Vettel. O terceiro lugar de Kamui animou toda a japonesada nas arquibancadas, que gritava KAMUI, KAMUI enquanto o piloto ficava perdidão no pódio. A prova em si não foi a mais espetacular de todos os tempos, mas já representou um grande avanço em relação às edições anteriores do GP do Japão. Vettel à parte, o circo pegou fogo na pista. Teve engarrafamento na largada, com Fernando Alonso saindo da prova e deixando milhões de fãs de Vettel mais felizes. Teve um monte de disputas no meio do pelotão. Teve piloto errando feio, como Sergio Pérez. Teve Kimi Räikkönen batendo rodas com a galera na primeira curva. Teve Kobayashi segurando Jenson Button nas últimas voltas. Teve Pastor Maldonado e Daniel Ricciardo pontuando. Teve até Marussia fazendo pit-stop rápido. Como achar ruim? Suzuka, nós te amamos.

SEBASTIAN VETTEL10 – Alemãozinho filho da mãe, estraga-prazeres. Num pódio onde havia um brasileiro que não subia lá fazia quase dois anos e um japonês deslumbrado sendo aplaudido pelos seus torcedores nas arquibancadas, Sebastian Vettel era a figura menos importante da festa. Injusto, até certo ponto. O bicampeão está em grande fase e fez mais uma ótima corrida, vencendo pela terceira vez no ano. Mas foi uma daquelas vitórias com V maiúsculo: liderança no terceiro treino livre, no Q2 e no Q3 da classificação, pole-position, liderança de ponta a ponta na corrida e volta mais rápida. Um Grand Chelem com direito a cereja no topo. Um assombro. O alemãozinho simpático e de sorriso estranho está de volta na contenda pelo título.

FELIPE MASSA9,5 – Como é bom dar uma nota alta a Felipe Massa. Pela primeira vez desde o polêmico GP da Alemanha de 2010, o brasileiro fez uma corrida digna de quem merecia vencer. Não venceu, mas tudo bem. Foi mal pra caramba nos treinos, não conseguiu sequer entrar no Q3 da classificação, mas compensou seus pecados no domingo. Teve enorme sorte ao sobreviver aos acidentes da primeira curva e ainda foi esperto o suficiente para ganhar seis posições na primeira volta. Antes de seu primeiro pit-stop, acelerou fundo e ganhou tempo o suficiente para tomar a segunda posição de Kamui Kobayashi. Depois, manteve um ritmo bom o suficiente para terminar numa excepcional segunda posição. Só não leva dez porque chutou o champanhe no pódio. OK, brincadeira.

KAMUI KOBAYASHI10 – É uma nota emocional, sim. A corrida não foi tão brilhante assim, para dizer a verdade. E o próprio Kamui Kobayashi não é o grande piloto que gostaríamos – seu companheiro mexicano é bem melhor, reconhecemos. Mas não há como não torcer por ele, sujeito engraçado e da mais alta simpatia. Correndo em casa, com a gritaria de seus compatriotas nas arquibancadas, o japa encarnou o demônio no cockpit. Brilhou especialmente no treino qualificatório, onde conseguiu um lugar valiosíssimo na segunda fila. Na largada, ultrapassou Mark Webber e se livrou das confusões que aconteceram logo atrás. Perdeu o segundo lugar para Felipe Massa após seu primeiro pit-stop e foi muito pressionado por Jenson Button nas últimas voltas, deixando todo mundo de cabelo em pé. Mas como bom guerreiro que é, aguentou legal a pressão e garantiu o pódio, o primeiro na carreira. Kamui! Kamui!

JENSON BUTTON8,5 – Justiça seja feita: ele mandou muito bem. Líder no primeiro treino livre, Mr. Michibata não tinha muito o que fazer contra uma Red Bull imperial em Suzuka. Na qualificação, ainda conseguiu um terceiro tempo muito bom, mas a troca de câmbio o relegou à oitava posição. Sobreviveu à tumultuada largada e ainda subiu para sua terceira posição de direito. Fez seu primeiro pit-stop com certa antecedência e pagou o preço da decisão ficando atrás de Daniel Ricciardo durante um tempão. No final da corrida, mesmo com problemas de câmbio, tentou tomar o pódio de Kamui Kobayashi de todo jeito e não conseguiu, finalizando numa ainda boa quarta posição. Na certa, deve ter sido impedido pela patroa, que é meio argentina e meio japa.

LEWIS HAMILTON6 – Em seu primeiro GP após ter sido contratado pela Mercedes para 2013, o rapper teve um fim de semana apenas discreto na pista, algo até positivo em se tratando dele. Não foi mal nos dois primeiros treinos livres, mas se complicou com o acerto do MP4-27 na qualificação e ficou apenas com o nono lugar do grid. Na corrida, destacou-se mais na primeira parte, quando teve alguns pegas legais com Sergio Pérez. Foi derrotado na pista, mas ganhou a posição do mexicano no pit-stop. Dali para frente, apenas levou o carro até o fim, terminando em quinto. O chilique dado por causa do Twitter foi das coisas mais ridículas que eu já vi na Fórmula 1.

KIMI RÄIKKÖNEN6 – É um mistério da natureza. Passou sufoco durante todo o tempo, mas ainda conseguiu terminar em sexto e se manteve vivo da Silva na disputa pelo título. Andou mal em todos os treinos livres, rodou sozinho no Q3 da classificação e perdeu novamente para Romain Grosjean na disputa direta em posições no grid de largada. Falando em largada, o pobre Kimi foi tocado por Fernando Alonso na primeira curva e deu sorte de não ter perdido o bico. Na relargada, quase bateu rodas com Sergio Pérez na mesmíssima primeira curva e sobreviveu. Mais adiante, teve problemas novamente na primeira curva, desta vez com Lewis Hamilton. Também saiu incólume. Fez sua corrida digna e terminou em sexto. Não se mete em confusões nem quando quer.

NICO HÜLKENBERG7 – Teve um fim de semana pouco chamativo, mas muito produtivo. OK, obviamente não estou me referindo ao belo acidente sofrido no terceiro treino livre. O alemão da Force India derrotou novamente seu companheiro Paul di Resta, a começar pelo razoável décimo lugar no grid de largada, que virou 15º por causa de uma troca de câmbio. Beneficiou-se do acidente da primeira volta, subindo para uma boa oitava posição. Manteve um ritmo forte durante todo o tempo e acabou premiado com o sétimo lugar na corrida.

PASTOR MALDONADO6,5 – Olha só quem apareceu! Depois de duzentos anos, voltou a marcar pontos na Fórmula 1. E talvez justamente no seu fim de semana mais discreto na temporada. Teve dificuldades nos treinamentos e não conseguiu passar para o Q3 da qualificação, mas pode até ter se dado bem com isso, pois não se envolveu nas melecas que aconteceram à sua frente. Subiu para nono logo de cara e ainda ganhou uma posição a mais com o abandono de Sergio Pérez. Numa boa, manteve-se em oitavo até o fim. Se continuar assim, ganhará o respeito que merece.

MARK WEBBER6 – Deu um azar tremendo, pois estava na corrida para peitar Sebastian Vettel. Foi muito bem nos treinos livres e chegou a liderar o segundo deles. No grid de largada, ficou apenas dois décimos atrás de Vettel. Tudo desmoronou na primeira curva, quando o australiano, que já havia sido ultrapassado por Kamui Kobayashi, foi abalroado por Romain Grosjean e acabou tendo de ir aos boxes para reparar o carro danificado. Voltou à pista e ainda fez uma boa corrida de recuperação, mas terminou numa brochante nona posição. Tem motivos bons para mandar matar Grosjean.

DANIEL RICCIARDO7 – Teria sido esta sua melhor corrida na carreira até aqui? Não duvidaria disso. O australiano não fez nada de mais com seu carro merda nos treinos oficiais, mas se sobressaiu na corrida. Ganhou boas posições com os acidentes da largada e subiu para décimo na primeira volta. Na primeira rodada de pit-stops, segurou Kamui Kobayashi e Jenson Button com alguma destreza. No fim da corrida, pegou o último pontinho após conter os ataques de ninguém menos que o heptacampeão Michael Schumacher. Está provando ser mais piloto do que o companheiro Jean-Éric Vergne.

MICHAEL SCHUMACHER2 – Seu último GP em Suzuka não foi exatamente aquilo que todo mundo espera de um multicampeão. O fim de semana do quarentão já começou todo errado com a punição de dez posições a menos no grid por ter atropelado Jean-Éric Vergne em Cingapura. Na sexta-feira, para se complicar um pouco mais, bateu forte e destruiu o carro. No sábado, foi mal na qualificação e acabou largando apenas na última fila. Na corrida, remou, remou, remou e tudo o que conseguiu foi terminar a uma posição dos pontos. Que fim de carreira mequetrefe, não?

PAUL DI RESTA1,5 – Fim de semana podríssimo, ainda mais sabendo que seu companheiro ficou em sétimo. Começou mal já na sexta-feira, quando bateu na Spoon no segundo treino livre. Na qualificação, até que não foi mal: ficou em 11º. Poderia ter pontuado tranquilamente, mas um problema na embreagem ainda no comecinho lhe atrapalhou bastante a vida. Não conseguiu desenvolver velocidade e acabou terminando confortavelmente longe dos pontos.

JEAN-ÉRIC VERGNE2 – Discretíssimo. Só chamou atenção quando fez bobagem. No treino qualificatório, atrapalhou uma volta de Bruno Senna e acabou perdendo cinco posições no grid como punição. Nem fez tanta diferença assim, para ser honesto. Na corrida, ficou atrás de Heikki Kovalainen durante um tempão e perdeu bastante terreno. Depois que se livrou do piloto da Caterham, já estava longe demais das dez primeiras posições. Terminou no meião, como sempre.

BRUNO SENNA2 – Para não dizer que não fez nada de bom, ultrapassou Romain Grosjean de maneira legal na volta 41 e ainda marcou a quarta volta mais rápida. E só. No treino qualificatório, teve as dificuldades de sempre e ainda foi atrapalhado por Jean-Éric Vergne em uma volta rápida. Na largada, para compensar, tirou Nico Rosberg da corrida num acidente bobo na primeira curva. Considerado culpado, acabou tomando um drive-through para aprender a lição. Com isso, suas chances de pontos caíram para zero. E, de fato, ele não marcou ponto algum.

HEIKKI KOVALAINEN4,5 – Novamente, o mais competente do final do pelotão. Da mesma forma, dá para dizer que deu algum trabalho a gente com um carro mais veloz que o seu. Não disputou o primeiro treino livre porque teve de ceder o carro a Giedo van der Garde. No grid de largada, ficou num interessante 17º lugar. Com as confusões da largada, subiu para 11º e segurou Jean-Éric Vergne durante várias voltas. Sem ter um bólido competitivo, perdeu as posições de costume e terminou à frente apenas dos colegas de penúria.

TIMO GLOCK5 – Repetiu o ótimo trabalho de Cingapura. OK, ótimo parece exagerado, mas não podemos negar que o ex-campeão da GP2 mandou bem novamente. Embora tenha tido problemas para acertar o carro nos treinos livres, ficou em 18º no grid de largada. Na primeira volta, deixou os acidentados para trás e chegou a estar em 11º. Como era de se esperar, perdeu quase todas as posições possíveis, mas ainda conseguiu finalizar à frente de Vitaly Petrov. Muito bom. Deveria estar dirigindo um carro melhor.

VITALY PETROV1 – Quem não costuma prestar atenção na cauda do pelotão não imaginou o quão ruim foi o fim de semana do piloto russo. Na segunda sessão livre, teve um problema na asa traseira e escapou perigosamente na primeira curva. No Q1 da classificação, a surpresa negativa: ficou atrás dos dois carros da Marussia e do HRT de Pedro de la Rosa! Chato, hein? Na corrida, teve problemas com o KERS e o rádio do carro. Ignorou algumas bandeiras azuis e tomou um drive-through pela contravenção. Só não esteve pior por falta de espaço.

PEDRO DE LA ROSA4 – Como não destacar o sujeito que conseguiu superar uma Marussia e uma Caterham na classificação com o carro da HRT? Este é o veterano De La Rosa, que realmente vem fazendo um trabalho excepcional com a minúscula equipe espanhola neste ano. O 20º lugar no grid era realmente um sonho para todos, mas é óbvio que não daria para mantê-lo durante muito tempo. Mesmo assim, Pedro chegou a ameaçar brigar com Charles Pic e Vitaly Petrov durante a corrida. Não conseguiu, mas ao menos terminou.

ROMAIN GROSJEAN0 – É o cabaço da vez. Assim como Pastor Maldonado, é um cara muito rápido, mas seu cérebro não funciona na mesma velocidade de seu Lotus. Novamente, jogou no lixo aquela que poderia ter sido uma corrida ótima, provavelmente melhor do que a de Kimi Räikkönen. Embora não tenha sido brilhante nos treinos livres, conseguiu um lugar na segunda fila no grid de largada. Será que, dessa vez, ele faria tudo certo? Não. Logo na primeira curva, em um erro que o próprio descreveu como “imbecil”, atropelou Mark Webber e acabou caindo para o final do grid. Pela burrada, foi punido com um stop-and-go. Voltou para a pista e ficou se arrastando. Devido ao mau estado dos pneus, abandonou por conta própria. E o estado do cérebro?

CHARLES PIC2,5 – Teve seu primeiro, e talvez último, fim de semana em Suzuka. O desempenho foi aquela coisa de sempre, apenas aceitável para quem penitencia na Marussia. Destacou-se por ter conseguido superar uma Caterham, a de Vitaly Petrov, no treino oficial. Na corrida, fez o que pôde enquanto o carro funcionou bem. Quando o motor Cosworth começou a falhar, Pic perdeu ainda mais performance e foi obrigado a abandonar.

NARAIN KARTHIKEYAN2 – Quase ficou de fora da corrida porque teve inúmeras dificuldades no treino oficial. Tudo graças à perda do assoalho atualizado que a HRT havia levado para Suzuka. No terceiro treino livre, o indiano rodou e danificou a peça, sendo obrigado a utilizar a versão anterior. Como “quase” não existe, Narain conseguiu estar presente na corrida. Até chegou a disputar posições com pilotos teoricamente mais velozes, mas se viu obrigado a abandonar quando perceberam um problema em seu carro.

SERGIO PÉREZ5 – Pelo excelente desempenho apresentado no início da corrida, parecia que seria ele, e não Kamui Kobayashi, que subiria ao pódio no final da corrida. O novo contratado da McLaren iniciou o fim de semana meio que na maciota, sem se esforçar demais. No treino qualificatório, começou a mostrar performance e pegou um ótimo quinto lugar no grid. No domingo, foi prejudicado pelo acidente na largada e perdeu algumas posições. Irritado, decidiu acelerar o máximo para recuperar terreno. Travava pneus como ninguém, mas conseguiu uma boa ultrapassagem sobre Lewis Hamilton. Após o pit-stop, voltou atrás do inglês e ainda cometeu um erro crasso no Hairpin, saindo da pista e abandonando a prova. O que será que Martin Whitmarsh achou?

FERNANDO ALONSO1,5 – Sempre sortudo, o Lamuriador das Astúrias teve talvez seu pior fim de semana do ano em Suzuka. A Ferrari havia trazido algumas pequenas atualizações para o carro, mas elas parecem não ter funcionado tanto. No Q3 da classificação, sua melhor volta acabou abortada pela bandeira amarela causada por Kimi Räikkönen. Foi obrigado a largar na sexta posição. Na corrida, voltou a ter problemas com Räikkönen. Total culpa sua, diga-se. Na primeira curva, o ferrarista tentou colocar seu lado na parte de fora e ignorou a presença do soturno finlandês. Os dois se tocaram e o pneu Pirelli do carro vermelho foi para a vala. Alonso rodou sozinho e acabou ali, patético, no meio da brita. Fim de corrida. Fim do sonho do tricampeonato?

NICO ROSBERG0 – Fim de semana horrível. Na sexta-feira, teve problemas de motor. No sábado, fez apenas o 15º tempo no Q2 e só largou em 13ª por causa das punições. No domingo, foi acertado por trás por Bruno Senna e abandonou ainda na primeira curva. Coitado. Torço contra ele, mas aí já é demais. Que tenha melhor sorte na Coréia do Sul.

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