Notas


tazmania

KIMI RÄIKKÖNEN9,5 – O finlandês mais mineiro do grid mineiramente venceu a primeira do ano. Pelo que mostrou nos treinos livres, não era exatamente um favorito franco à vitória, mas o show dominical se deu no campo da estratégia. Saindo da sétima posição, ele apostou numa tática de apenas dois pit-stops e um único stint de oito voltas com pneus supermacios. Com isso, economizou uma parada e saltou lá para a liderança definitiva na volta 43. Tinha um carro muito bom em mãos e ainda meteu uma ultrapassagem por fora sobre Lewis Hamilton lá no começo da prova. Vitória cerebral, “uma das mais fáceis da minha vida”. Além de tudo, esnoba.

FERNANDO ALONSO8 – Ganhou e perdeu na estratégia. Segundo colocado na corrida, o Corneteiro das Astúrias vociferou muito neste fim de semana, mas não pegou o caneco. Reclamou do carro, desdenhou da vitória de Räikkönen, comemorou o fracasso de Sebastian Vettel e, se bobear, deve até ter dito que o bigodinho de Hitler não era tão feio assim. Nos treinos, de fato, não teve a mais fácil das vidas. A corrida foi boa, mas sem estardalhaço. Uma boa largada, uma rasteira dada em Felipe Massa e Sebastian Vettel no segundo pit-stop e uma rasteira tomada de Kimi Räikkönen na parte final da prova. Destaco também o belo duelo com seu ex-parça Lewis Hamilton. Terminou a corrida no pódio, mas não estava feliz. Como sempre.

SEBASTIAN VETTEL8 – Era a aposta de 37 em cada dez pessoas para a vitória, mas acabou derrotado pela inesperada gula por pneus de seu carro. Liderou dois treinos livres, marcou uma pole-position tranquila e aparentava ser o cara que Roberto Carlos cantava naquela medonha canção. De forma surpreendente, a corrida foi difícil. Sofreu com a pressão de Felipe Massa no início da prova e ainda foi ultrapassado por Fernando Alonso (e Kimi Räikkönen) no pit-stop. Sem conseguir lidar bem com os compostos médios, o tricampeão ficou longe da vitória e teve de se contentar com o terceiro lugar. Mas ele estava contente. Como sempre.

FELIPE MASSA8,5 – Finalmente, uma boa atuação em Melbourne. Para ser honesto, o quarto lugar não fez jus ao seu excelente fim de semana, no qual esteve competitivo desde a sexta-feira. No treino oficial, dividido em dois dias, Felipe bateu forte no Q1 e deu muita sorte de não ter ficado com nada além de uma dorzinha no pescoço e do seu carro não ter ido para o ferro velho. De volta à ação, conseguiu um bom quarto lugar no grid, logo à frente de Fernando Alonso. No GP, a boa fase continuou. Felipe fez ótima largada, pulou para segundo e pressionou Sebastian Vettel durante um bom tempo. Poderia ter chegado ao pódio, mas foi vítima de uma estratégia para lá de duvidosa por parte da Ferrari e acabou ultrapassado por Alonso no pit-stop. Depois, ainda perdeu um tempinho atrás de Adrian Sutil. Mas os pontos vieram. Como é bom ver o língua-presa confiante e sentando a bota.

LEWIS HAMILTON7,5 – Seu primeiro fim de semana na nova casa foi tão atribulado que o quinto lugar foi até uma surpresa positiva. Ainda conhecendo o carro, Lewis sapateou para lá e para cá durante os treinos. Na classificação, bateu na primeira curva durante o Q1 e deu sorte de ter continuado, obtendo um ótimo terceiro lugar no grid. Difícil mesmo foi a corrida. Lewis teve problemas com os pneus médios e tomou ultrapassagens de um monte de gente, com destaque para as manobras de Kimi Räikkönen e Fernando Alonso. Bom piloto que é, ainda conseguiu terminar em quinto. O trabalho só está começando.

MARK WEBBER5,5 – Não dá sorte mesmo em casa. Enquanto Sebastian Vettel lidera os treinos e sempre dá algum jeito de obter um bom resultado, Mark Webber se fode com sua própria falta de ritmo e com os gremlins que costumam atacar seu carro. A corrida foi uma desgraça total. Segundo colocado no grid, Mark fez sua rotineira largada horrorosa e desapareceu da disputa pelas primeiras posições. Problemas no KERS, na telemetria e nos pneus (!) também não lhe ajudaram muito. Terminar em sexto não foi de todo ruim, mas cá entre nós: é mais prazeroso ficar em quinto andando de Minardi, não é?

ADRIAN SUTIL8 – Destaque dos treinos e sensação da corrida. Deu pau em Paul di Resta durante todo o tempo e só não foi melhor na qualificação porque bobeou com os pneus no Q2. Por não ter largado entre os dez primeiros, pôde mudar sua estratégia e decidiu ser um dos poucos a largar com pneus médios com a intenção de fazer apenas dois pit-stops. A tática funcionou parcialmente. Sutil conseguiu postergar ao máximo suas duas paradas, liderou onze voltas e esteve durante a maior parte do tempo entre os ponteiros. Surpreendentemente, andou rápido enquanto esteve com pneus médios. Com os supermacios, perdeu terreno e acabou terminando apenas em sétimo. De qualquer jeito, excelente reestreia.

PAUL DI RESTA6 – Se o resultado de Adrian Sutil parece ter sido pouco, o de Paul di Resta parece ter sido muito para sua atuação neste fim de semana. O escocês sentiu o baque e ficou atrás do colega alemão durante todo o tempo, conseguindo algo melhor apenas no Q3 da classificação, onde foi o nono. Praticamente não consegui acompanhá-lo durante a corrida. Sei que ele fez três pit-stops e que esteve misturado no meio do bolo durante todo o tempo. Que o cidadão agradeça pelo resultado que teve. E que dê uma melhorada de ânimo para as próximas etapas.

JENSON BUTTON2,5 – Para alguém que venceu três das últimas quatro corridas em Melbourne, um nono lugar nessa pista não pode ser considerado um resultado bom. Nem razoável. Fulo da vida com o carro durante todo o fim de semana, Jenson sofreu como um porco à beira do abate nos treinos e na corrida. Largou em décimo, não saiu do pelotão intermediário e só não ficou de fora da zona de pontos por detalhe. Quando estava de bom humor, disse que teria um bocado de trabalho para fazer. De mau humor, afirmou que a McLaren não ganhará nenhuma corrida nesse ano. Para a esposa, deve ter falado que até seu antigo Fórmula Ford era mais veloz.

ROMAIN GROSJEAN2 – Enquanto o companheiro vence a corrida, o suíço termina apenas em décimo. Uma tristeza, mas o cara admitiu que havia algo de errado no carro e que precisaria discutir com seus mecânicos, com o Papa e com o demônio para resolvê-los. Pelo menos, ele não bateu, o que é um avanço. E os resultados nos treinos, como a primeira posição no terceiro treino livre e a oitava no grid de largada, não foram de todo decepcionantes. Mas repito: com o mesmo carro, Kimi Räikkönen ganhou a corrida.

SERGIO PÉREZ1 – Estou aqui, torrando a cabeça, tentando me lembrar se algum piloto teve uma estreia tão ruim pela McLaren quanto o mexicano Pérez. Talvez Philippe Alliot em 1994? Isso pouco importa. O ex-piloto da Sauber mostrou que anda numa fase infernal e seu carro também não vem ajudando. Nos treinos, foi mal durante todo o tempo e não conseguiu nada melhor que um vergonhoso 15º lugar no grid. Na corrida, fez uma boa largada e só. Nem mesmo o fato de ter sido um dos poucos a largar com compostos médios lhe ajudou. Afundado com os problemas de desgaste de pneus, ficou fora da zona de pontuação pela sétima corrida seguida. Ay, caramba!

JEAN-ÉRIC VERGNE4 – Esteve anônimo durante quase todo o tempo, mas não dá para dizer que foi mal. Nos treinos, esteve pau a pau com Daniel Ricciardo e conseguiu superar o australiano quando realmente importava, a sessão classificatória. Durante a prova, chamou a atenção ao sair da pista na largada e ao conseguir marcar a segunda volta mais rápida da prova no final da corrida. Se tivesse um carro melhor, certamente teria marcado um ou outro pontinho.

ESTEBAN GUTIÉRREZ3 – Não será um ano fácil para os estreantes. Em Melbourne, o melhor deles foi o mexicano Gutiérrez, que é o que pilota o melhor carro. Mesmo assim, nem mesmo ele escapou das dificuldades. No Q1 da classificação, bateu sozinho e ficou um bom tempo sentado no carro, pensando na morte da bezerra. Largando lá de trás e apostando em três pit-stops, não tinha como esperar por muita coisa. Pelo menos, não cometeu nenhuma barbaridade durante a corrida e foi o único piloto da Sauber a chegar ao fim.

VALTTERI BOTTAS3 – Com um carro horrível como parece ser o da Williams, até que o finlandês fez bastante. Apanhou em todos os treinos e não ficou de fora do Q2 por muito pouco, mas ao menos fez uma corrida honesta e conseguiu ser o único de sua equipe a chegar ao fim. Erros aconteceram, mas nada de escandaloso. Pelo visto, não tem equipamento para tentar brigar com Esteban Gutiérrez pelo título informal de melhor estreante do ano.

JULES BIANCHI8 – Este, sim, foi um estreante que teve bons motivos para sorrir. Contratado de última hora para substituir Luiz Razia na Marussia, o francês teve apenas dois dias de pré-temporada para conhecer seu MR02. Mas foi o suficiente. Durante o fim de semana australiano, Jules não só meteu um chocolate no companheiro Max Chilton como também derrotou a dupla da Caterham com alguma facilidade. Na corrida, foi constantemente o melhor piloto das equipes nanicas. Se continuar assim nesse ano, vai roubar o emprego de Felipe Massa em 2014.

CHARLES PIC2,5 – Que encrenca, hein? Trocou a Marussia, que era uma merda total em 2012, pela Caterham, que parece ter virado uma merda total nesse ano. De forma inesperada, Pic teve problemas para enfrentar os pilotos da Marussia e perdeu até mesmo para o companheiro Giedo van der Garde no treino oficial. O acidente bobo no Q1 da classificação não lhe foi de grande ajuda. Durante a corrida, o francês se recuperou e deixou Van der Garde e Max Chilton para trás, mas não conseguiu superar Jules Bianchi. Prenúncio de um ano difícil.

MAX CHILTON3 – É realmente foda quando um cara desses, que nunca fez absolutamente nada no automobilismo de base, chega à Fórmula 1. O mais triste é ver que seu carro não parece ser tão ruim e poderia estar sendo ocupado por alguém bem melhor. Em todos os treinos, Chilton tomou quase um segundo do companheiro Jules Bianchi. Durante a corrida, teve um duelo com Giedo van der Garde e só. Não ficou em último em nenhuma das sessões unicamente porque seu MR02 não foi o pior carro do grid em Melbourne. Não dá para torcer por um cara desses.

GIEDO VAN DER GARDE2 – Quando você junta um piloto ruim e um carro pior ainda, o resultado não pode ser muito positivo. O holandês, contemporâneo de Lewis Hamilton e Nico Rosberg na Fórmula 3, ficou em último nos dois primeiros treinos livres e só não largou na última posição porque o companheiro Charles Pic bateu, ainda que ele mesmo também tivesse esbarrado os pneus no Q1. Na corrida, foi derrotado no deprimente duelo com Max Chilton e acabou fechando a lista dos 18 pilotos que chegaram até o fim. Também não dá para torcer por um cara desses.

DANIEL RICCIARDO2 – Os pilotos australianos só podem estar eternamente amaldiçoados no GP de seu país, não é possível. Em Melbourne, Daniel Ricciardo teve um fim de semana bem difícil. Normalmente muito mais veloz que o colega Jean-Éric Vergne nos treinos, o cara penou pra caramba e acabou ficando atrás do francês no grid de largada. A corrida foi outra merda. Daniel caiu para último na primeira volta graças a uma saída de pista e abandonou devido a uma falha no escapamento. Enquanto esteve na contenda, não fez nada de notável.

NICO ROSBERG5 – Como menção positiva, o fato de não ter levado aquela surra de Lewis Hamilton que muitos esperavam. O alemão manteve-se digno e foi a sensação tanto do Q1 como do Q2 da classificação. No Q3, ficou apenas em sexto, mas não desanimou. Durante a corrida, esteve sempre na cola de Lewis Hamilton e chegou a liderar uma voltinha. Poderia ter terminado tranquilamente entre os seis primeiros, mas um problema elétrico encerrou sua corrida prematuramente.

PASTOR MALDONADO0,5 – Em 2012, ele compensava sua absoluta falta de sensatez com velocidade, já que o carro permitia. Nesse ano, com a Williams cagando no desenvolvimento do FW35, o venezuelano deverá ter uma temporada complicada. Em Melbourne, absolutamente nada deu certo para ele. No treino oficial, teve de fazer companhia ao estreante Esteban Gutiérrez e às equipes nanicas na degola do Q1. Durante a prova, até se recuperou e ganhou algumas posições, mas colocou tudo a perder numa rodada tosca na volta 24.

NICO HÜLKENBERG1,5 – Outro que nunca dá sorte em Melbourne – ô lugar ingrato, heinhô? Nos dois últimos anos, ele não conseguiu completar uma volta. Nesse ano, ele se superou e sequer alinhou no grid graças a um problema no sistema de alimentação do seu carro. É bom que se diga que seu fim de semana não vinha sendo genial até ali. O C32 não é um grande bólido e Nico ficou entalado nas posições intermediárias durante todo o tempo. Pode não ser um bom sinal.

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MCLAREN9,5 – Um final de campeonato espetacular para uma equipe que, convenhamos, se esforçou para perder o título. Se pararmos para pensar alguns milissegundos, concluímos que era ela, e não Red Bull ou Ferrari, que teve o melhor carro da temporada durante mais tempo. Graças ao trabalho conjunto entre pilotos, mecânicos, engenheiros e o acaso, os saltimbancos de Woking ficaram bem longe do título. Mesmo assim, o fim de semana de Interlagos foi ótimo. Lewis Hamilton e Jenson Button foram sempre os dois cabras mais velozes, monopolizaram a primeira fila e, Nico Hülkenberg à parte, poderiam ter feito uma bela dobradinha. Hamilton acabou tocado por Hülkenberg e saiu da prova, mas Button salvou as honras mclarenescas. Incógnita em 2013.

FERRARI8,5 – Se não fosse pela real importância dessa corrida, eu diria que a Ferrari tinha todos os motivos do mundo para deixar Interlagos extremamente satisfeita. O carro, embora não muito veloz nos treinos, correspondeu razoavelmente bem na corrida, os mecânicos trabalharam direito, Felipe Massa foi de grande ajuda e Fernando Alonso fez tudo certinho e redondinho para terminar na melhor posição possível. O que faltou foi apenas o sonhadíssimo título de pilotos, conquistado novamente pela Red Bull. Mas é isso aí, não dá para conseguir tudo o que se deseja. Alonso e Massa, já acostumado com ordens de equipe, foram boas engrenagens do colosso ferrarista no Brasil. Agora, é voltar para Maranello e se embebedar com vinho tinto ao som das lamúrias de Luca di Montezemolo.

RED BULL9 – Os parabéns a quem merece. Meus parabéns a Sebastian Vettel, candidato a lenda do esporte mundial, tricampeão mundial, dono de números simplesmente incompatíveis com um moleque de apenas 25 anos de idade e cara de bobo. Meus parabéns a Adrian Newey, que embolsou mais um caneco. Meus parabéns à equipe de engenharia, que construiu um carro forte o suficiente para aguentar pancadas dos sobrinhos que aparecem na vida. Meus parabéns aos mecânicos, que fizeram com Vettel o pit-stop mais rápido da corrida na décima volta. Meus parabéns à Red Bull, que somou mais uma conquista para seu grande currículo. E meus pêsames a Mark Webber, que está aquém disso tudo.

FORCE INDIA8,5 – Talvez sua melhor corrida do ano, embora minha memória não me permita lembrar-me das outras. O cara que liderou a turba indiana foi Nico Hülkenberg, de malas prontas para a Sauber. O alemão provou que é especialista em Interlagos e fez miséria tanto no treino oficial como na corrida, onde liderou muitas voltas e se portou como grande favorito a vitória até cometer um erro besta e bater em Lewis Hamilton no S do Senna. Mesmo assim, terminou em quinto. Paul di Resta, mesmo andando mais atrás, também não foi mal e poderia ter marcado pontos, mas se acidentou no finalzinho da prova. Sem tantos incidentes, dava para ter levado uns bons pontos para casa.

MERCEDES3 – Os anjos do automobilismo decidiram que o único piloto da equipe alemã que marcaria pontos seria o aposentado Michael Schumacher, que encerrou sua razoavelmente produtiva carreira de 21 anos nesse GP do Brasil. Mesmo apanhando de um carro apenas mediano, largando do meio do pelotão e tendo problemas com um furo de pneu, Schumacher se recuperou bem, escapou das confusões e terminou em sétimo. O outro piloto, o poste Nico Rosberg, não fez nada de mais a não ser passar por cima de um destroço, estourar um pneu e dar mais trabalho aos seus mecânicos. Melhor sorte em 2013.

TORO ROSSO4,5 – Na loteria do GP do Brasil, a equipe italiana conseguiu marcar quatro ótimos pontos, ainda que eles não tivessem servido para nada no campeonato de construtores. Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne sofreram como sempre nos treinamentos, mas o clima imprevisível deu aos dois a chance de andar entre os dez primeiros. Ricciardo fez cinco pit-stops e acabou terminando entre os últimos. Mais afortunado, Vergne completou a prova na oitava posição e finalizou a temporada à frente do companheiro na tabela de pontuação. Os mecânicos, coitados, trabalharam mal na maioria dos pit-stops.

SAUBER3,5 – Já teve fins de semana bem melhores. Na cidade de São Paulo, os suíços praticamente só ficaram à frente da Toro Rosso entre as equipes que contam. Kamui Kobayashi e Sergio Pérez tiveram as dificuldades de sempre no treino oficial e largaram lá no meio do bolo. O mexicano abandonou logo, vítima das peripécias de Bruno Senna. Kobayashi seguiu em frente e aproveitou-se do bom ritmo de corrida de seu carro para andar na frente durante algum tempo, mas não conseguiu ficar por lá até o fim, rodou no finalzinho e terminou apenas em nono. Fim de semana sonolento.

LOTUS2,5 – Não me lembro se isso já aconteceu por aqui, mas Kimi Räikkönen levou nota dez e Romain Grosjean tomou um redondo zero no mesmo GP. Logo, a Lotus ganha um cinco, certo? Errado. A equipe não se acertou em Interlagos e teve dificuldades durante os três dias. Kimi teve problemas de motor no terceiro treino livre, andou pouco, não conseguiu acertar o carro e só largou em oitavo por obra divina. Na corrida, tirando o magnífico passeio pelo anel externo, não fez mais nada e terminou sambando na décima posição. Grosjean, estúpido, poderia ter ido bem melhor que o companheiro, mas bateu no treino oficial e na corrida. Mais uma vez, a Lotus não consegue fechar seu bom pacote.

CATERHAM8,5 – Dar oito e meio para uma equipe que pôs um carro em 11º e outro em 14º é estranho, mas estes resultados, em que se pese serem irrelevantes à primeira vista, garantiram no último instante a valiosíssima décima posição para a escuderia verde no campeonato de construtores, o que significou alguns bons milhões de dólares a mais no cofre. Tudo graças a Vitaly Petrov, que teve um desempenho muito bom durante o fim de semana, claramente melhor que o do experiente Heikki Kovalainen. O finlandês, aliás, está pilotando como um funcionário público à beira da aposentadoria. É isso mesmo?

MARUSSIA3 – A Marussia não fez muito menos que a Caterham em Interlagos, mas a nota baixa se deve às consequências de Charles Pic ter perdido a 11ª posição para Vitaly Petrov nas últimas voltas. Graças a isso, a equipe russa perdeu a décima posição no campeonato de equipes e, portanto, deixou de ganhar 25 milhões de dólares a mais. Triste, mas também não dá para dizer que ela merecia mais do que a Caterham de Petrov. Pic e Timo Glock chegaram a andar atrás da HRT em um dos treinos livres e só ocupou posições melhores durante a corrida por causa das inúmeras alternativas. Que a equipe consiga disputar posições de verdade no ano que vem.

HRT2 – É triste comentar sobre o GP do Brasil da HRT sabendo que ela não estará mais na Fórmula 1 em 2013. Essa última corrida foi bastante melancólica para seus mecânicos, que encheram a cara e arranjaram altas confusões dentro do avião de volta para a Europa. Pelo menos, o trabalho derradeiro foi feito de maneira profissional, coisa que não aconteceu nos casos da Forti-Corse, da Arrows e da Onyx, por exemplo. Pedro de la Rosa e Narain Karthikeyan largaram e terminaram a corrida sem se envolver em problemas. O espanhol foi atingido por trás por Romain Grosjean no treino oficial, mas deu sorte em não sofrer nenhum acidente mais perigoso. E assim terminou a história da HRT, que fez três temporadas completas e não fez muito mais do que preencher a última fila dos grids da vida.

WILLIAMS3,5 – É complicado quando você tem um carro bom e dois jumentos no volante. Nossa, peguei pesado. Mas é isso aí: Pastor Maldonado e Bruno Senna jamais deveriam ter abandonado a corrida tão cedo, ainda mais pilotando o eficiente FW34. Os dois andaram direitinho no treino oficial, mas nenhum deles conseguiu boas posições no grid: Maldonado foi punido por não ter se pesado e o sobrinho é meio lento, mesmo. Na corrida, um bateu em Sebastian Vettel logo na primeira volta e o outro bateu sozinho na segunda volta. Graças aos sul-americanos, a Williams não conseguiu chegar nem perto de Sauber e Force India no campeonato de construtores de 2012.

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TRANSMISSÃORUBINHO PRA PRESIDENTE – Analisar transmissão de GP do Brasil é um grande desafio porque é a única vez no ano que a emissora oficial nos bombardeia exaustivamente com horas de reportagens manjadas sobre o atendimento prestado pela equipe de socorro de Interlagos e matérias oportunistas sobre frivolidades da Fórmula 1. Neste ano, a transmissão oficial foi enriquecida com a presença de Rubens Barrichello, piloto da Indy e fanfarrão profissional. Rubinho pegou um microfone e fez uns frilas de repórter de grid, conversando com gente como Jenson Button na maior cara de pau. Depois, tentou falar com Michael Schumacher, mas chegou atrasado demais porque a vida é assim com Barrichello. No mais, sua participação foi bastante interessante, muito mais do que a do outro ex-piloto de Fórmula 1 que faz parte das transmissões desde 2004. Se não continuar correndo no futuro, bem que Rubinho poderia arranjar um emprego de David Coulthard da transmissão brazuca. Que foi uma merda, diga-se. Como ela não conseguiu mostrar um único replay decente dos acidentes de Romain Grosjean, Pastor Maldonado e Paul di Resta? Deixaram a operação de imagens a cargo de macacos, só pode ser. Por isso que todo mundo acha que o Brasil é comandado por símios.

CORRIDASALVE INTERLAGOS – O GP do Brasil de 2012 foi um desses que a gente guarda com carinho no HD, para ver, rever e mostrar aos netos num domingo chuvoso à tarde. Poucas decisões de título foram tão tensas como essa. Nos últimos anos, lembro-me apenas de 2003 e 2008, também inesquecíveis. A chuva à moda de Donington Park, que dava as caras de forma totalmente aleatória, serviu para deixar os pilotos ensandecidos. Alguns, como os desastrados Pastor Maldonado e Romain Grosjean, não sobreviveram a algumas voltas. Outros, como o emergente Nico Hülkenberg, aproveitaram a ocasião para mostrar seus dotes, liderar várias voltas e provar a todos que merece um lugar nas equipes de ponta. E a briga pelo título, obviamente, foi espetacular. Quase que Sebastian Senna deixou o tricampeonato escapar pelas mãos na primeira volta devido ao toque de Bruno Sobrinho. Fernando Prost fez a lição de casa, mas não levou porque o rival alemão ainda se recuperou de maneira formidável. Vettel e Alonso são dois caras fora-de-série e a Fórmula 1 deve agradecer por tê-los competindo juntos. Outros dois que merecem menção positiva são o vencedor Jenson Button e o espetacular Lewis Hamilton, praticamente um “campeão moral” de 2012 e outro fora-de-série. E como não mencionar Kimi Räikkönen? Depois da patuscada de Interlagos, ganhou o coração e a torcida deste blog. Que a diversão desta temporada se repita em 2013.

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JENSON BUTTON9 – Uma vitória discreta, quase banal diante dos acontecimentos de Interlagos. Jenson foi, definitivamente, um coadjuvante num dia de nervosa decisão de título mundial. Mas foi ele, Jenson, que sobreviveu a tudo e venceu pela primeira vez um GP do Brasil. Nos treinos, embora tenha largado da segunda posição, o britânico nunca foi considerado um favorito ao sucesso. Na primeira curva, chegou a ser ultrapassado por Felipe Massa, mas recuperou logo em seguida. Virou candidato à vitória quando decidiu permanecer na pista com pneus slicks nas primeiras voltas, estratégia genial. Depois, ultrapassado por Lewis Hamilton e Nico Hülkenberg, parecia conformado com o terceiro lugar, mas o acidente entre os dois abriu espaço para sua liderança. Sem maiores tropeços, Button fechou o ano no degrau mais alto do pódio, morrendo de rir. No ano que vem, terá uma McLaren somente para ele.

FERNANDO ALONSO8 – Fazer o que dava, ele fez. A corrida foi louca do jeito que ele queria? Sim, foi. O que faltou, então? Absolutamente nada. Simplesmente não deu. Sebastian Vettel soube maximizar as condições favoráveis de maneira melhor, deu a volta por cima em mais de uma ocasião negativa e ganhou mais um título merecido. Resta a Alonso erguer a cabeça e seguir em frente. Nos treinos, o carro da Ferrari realmente não estava nas melhores condições, tanto que o espanhol não conseguiu nada além de um sétimo lugar no grid. Na corrida, Alonso escapou de todas as confusões e chegou a acreditar que seria campeão do mundo após o problema de Vettel na primeira volta, mas o alemão se recuperou de maneira fantástica. O acidente entre Lewis Hamilton e Nico Hülkenberg lhe arranjou um lugar no pódio, assim como o benevolente Felipe Massa, mas o segundo lugar não foi o suficiente para o tricampeonato.

FELIPE MASSA8,5 – O único ponto negativo foi o choro no pódio, algo que soou para este escrevente como a admissão de que “nos dias de hoje, um terceiro lugar é como uma vitória para mim”. O resto foi muito bom: Felipe voltou a ser mais efetivo que Fernando Alonso. Teve dificuldades nos treinos livres, mas se superou na qualificação e largou duas posições à frente do bicampeão espanhol. Na primeira curva, foi tão bem que chegou a estar em segundo lugar, atrás apenas de Lewis Hamilton. Com as nuances da corrida, ficou lá atrás durante algum tempo, mas se recuperou e reassumiu a segunda posição na volta 58. As famigeradas ordens de equipe ferraristas o obrigaram a cair para terceiro, mas o resultado estava muito longe de ser ruim para alguém que mal marcava pontos no início do ano.

MARK WEBBER7 – Embora tenha sido o melhor piloto da Red Bull no resultado final, não teve brilho algum. Ficou em terceiro nos três treinos livres e no treino oficial, sem muitas chances de sonhar com coisa melhor. Na corrida, passou por algumas boas dificuldades. Perdeu um monte de posições logo no início, quase bateu com Sebastian Vettel numa disputa com Kamui Kobayashi, rodou sozinho na Junção e só assumiu a quarta posição no final da corrida. Ninguém prestou atenção, principalmente o pessoal da festiva Red Bull.

NICO HÜLKENBERG9,5 – A atração da corrida. Uma pena que o resultado final não tenha feito jus à emoção proporcionada pelo alemão, que liderou 30 voltas deste GP do Brasil. O cara já vinha bem desde o treino oficial, quando ficou entre os sete primeiros nas três fases e conseguiu um ótimo sexto lugar no grid. Nas primeiras voltas, foi espertão e não colocou pneus intermediários acreditando que a chuvinha passaria rapidamente. Acertou na mosca e foi agraciado com a segunda posição. Muito veloz, ainda conseguiu tomar a liderança das mãos de Jenson Button e por lá ficou durante um tempão. Infelizmente, um erro no Laranjinha, o acidente com Lewis Hamilton no S do Senna e a punição que lhe aplicaram pelo ocorrido acabaram com as chances de vitória, mas Nico ainda finalizou a prova em quinto. Um dos melhores pilotos da temporada, sem dúvida.

SEBASTIAN VETTEL9,5 – Ele não liderou nenhum dos três treinos de sexta-feira. Não conseguiu nada melhor que um quarto lugar no grid. Não largou bem. Não teve sorte quando foi tocado por Bruno Senna ainda na primeira volta. Não teve sossego com as inúmeras mudanças meteorológicas. Mesmo assim, o bravo alemão não desistiu em momento algum. Muito conservador, procurou não se meter em confusões e não ofereceu resistência a ultrapassagens de gente como Felipe Massa e Kamui Kobayashi. Só apertava um pouco o ritmo quando caía para trás e tinha de recuperar posições. No fim das contas, a recompensa final. Sebastian Vettel, tricampeão mundial de Fórmula 1. Mas que sufoco, hein?

MICHAEL SCHUMACHER7 – Até que a segunda despedida não foi tão ruim assim. O heptacampeão de 43 anos fechou o último capítulo de sua carreira com uma corrida dura e difícil, mas muito melhor do que as anteriores. Sem grandes expectativas, Schumi apenas cumpriu tabela nos treinos e teve de largar lá do meio do pelotão, na sétima fila. Um pneu furado, o milésimo nesta temporada, quase acabou com as chances de um bom resultado, mas as circunstâncias foram tão bizarras que o cara, mesmo após quatro pit-stops, ainda ganhou um monte de posições e terminou na sétima posição. Fico triste por dar-lhe uma nota que, apesar do número místico, não condiz com a grandeza de sua carreira.

JEAN-ÉRIC VERGNE6 – Um bom resultado de um cara que teve mais a reclamar do que a celebrar nesta temporada de estreia. Nunca andou bem em treinos e não foi em Interlagos que as coisas ficaram diferentes, ainda que tenha escapado do Q1 novamente. Durante a corrida, teve alguns probleminhas bem desagradáveis. A estratégia de adiar ao máximo o pit-stop só serviu para enganá-lo, pois o quinto lugar virou 15º após a primeira parada. Após o safety-car, o destruidor dos sonhos das equipes pequenas voltou a estragar a corrida de um coitado. Se a vítima de Valência foi Heikki Kovalainen, a de Interlagos foi Timo Glock, que foi acertado por trás e perdeu a chance de sonhar com pontos. No fim, apesar dos pesares, deu pro francês pontuar.

KAMUI KOBAYASHI5,5 – A Fórmula 1 certamente ficará mais pobre se o folclórico japa não encontrar outro emprego que não o de sushiman na bodega do pai. O fim de semana de Interlagos, nesse sentido, não deve ter ajudado muito. Kamui teve as mesmas dificuldades do companheiro Sergio Pérez no treino oficial e largou apenas em 14º. Na corrida, teve altos e baixos. Os momentos ruins foram os quase-acidentes com os multicampeões nazistas Michael Schumacher e Sebastian Vettel. Os bons foram as ultrapassagens sobre o próprio Vettel e Fernando Alonso. Se não fosse a rodada no final do dia, poderia ter terminado em oitavo. Com quatro ou dois pontos a mais, precisará quebrar mais cofrinhos para continuar correndo.

KIMI RÄIKKÖNEN10 – Fórmula 1 não é só ser campeão, beber champanhe e comer uma grid girl. Ao menos para mim, muito mais importante do que vencer é fazer toda a plateia rir e aplaudir. Depois das tortadas na cara e da florzinha que esguicha água, a desajeitada saída: é assim que funciona um bom espetáculo. Entendi neste GP do Brasil o porquê de Kimi Räikkönen ser o cara mais popular da categoria atualmente. Durante um momento de chuva, o finlandês passou reto pela Junção e tentou, todo espertão, encontrar um atalho pela antiga pista do anel externo. O resultado? Relembre aqui. Esse cara é um mito e não pode ganhar nota menor. Só espero que tenha encontrado o caminho de volta para a Finlândia.

VITALY PETROV8 – A corrida foi tão legal que até o Petrov andou bem. Normalmente, um 11º é um resultado profundamente lamentado por qualquer equipe normal, mas a modesta Caterham não é normal. Graças a esta singela posição, os esverdeados ultrapassaram a Marussia no campeonato de construtores e garantiram uma bocada 25 milhões de dólares maior no rateio da grana das transmissões televisivas destinada às equipes. E verdade seja dita, o russo fez um trabalho muito bom neste final de temporada. No Brasil, deixou Heikki Kovalainen para trás tanto nos treinos como na corrida, onde largou bem, chegou a andar em sétimo e garantiu a posição redentora após ultrapassar Charles Pic nas últimas voltinhas. Será que o soviético fica na Fórmula 1 no próximo ano?

CHARLES PIC6,5 – Eu juro por qualquer coisa que esse cara deixou Vitaly Petrov ultrapassá-lo de propósito nas últimas voltas. Afinal de contas, quem saiu ganhando com isso foi a Caterham, que garantiu a décima posição no campeonato de construtores e que, ironicamente, será sua equipe em 2013. Portanto, nada como dar uma sapecada na corrida para ajudar os futuros patrões. Dito isso, a corrida do francês foi boa novamente. Embora o resultado no treino oficial não tenha sido genial, o desempenho na corrida foi forte o suficiente para ter se mantido à frente de carros mais rápidos. Para mim, sem dúvida nenhuma, Pic foi o estreante do ano.

DANIEL RICCIARDO2,5 – Não adianta: este cara realmente foi mais rápido que Jean-Éric Vergne tanto em treinos como em corridas nesta temporada, mas nunca conseguiu o mesmo nível de resultados quando a sorte favorecia sua equipe. Em Interlagos, o pobre Ricciardo voltou a superar o francês na qualificação, mas teve uma corrida muitíssimo mais problemática. Largou bem e apareceu nas primeiras voltas, mas não contava com o assombroso número de cinco pit-stops, que lhe permitiu andar com os quatro tipos de pneus disponíveis durante um fim de semana (prime, option, intermediário e de chuva forte). Terminou lá atrás, é claro.

HEIKKI KOVALAINEN2,5 – Em Interlagos, esteve com cara, cheiro e gosto de aposentadoria precoce. Para a Caterham ter colocado Giedo van der Garde em seu lugar no primeiro treino livre, é porque o finlandês já está com pé e meio para fora da escuderia. Desanimado, não conseguiu bater Vitaly Petrov em nenhum dos treinamentos de que tomou parte, inclusive o oficial. Durante a corrida, andou entre os dez primeiros durante algum tempo e até sonhou com um bom resultado, mas os cinco pit-stops não lhe foram de grande ajuda. Que tristeza…

NICO ROSBERG1 – Foi talvez o piloto menos produtivo de todo o grid de Cingapura para cá: mesmo pilotando para uma das equipes mais ricas do mundial, não conseguiu marcar um único ponto sequer nas últimas seis etapas da temporada. No Brasil, o alemão teve mais um fim de semana ordinário. Teve até mais dificuldades do que o aposentado Michael Schumacher em alguns treinos livres e pegou apenas um décimo lugar insosso no grid. Na corrida, só apareceu quando deu o azar de estourar um pneu traseiro (sina da Mercedes em 2012) na Descida do Lago, sendo obrigado a fazer um pit-stop extra. Sem ajuda da sorte e sem um carro bom, terminou o ano na seca.

TIMO GLOCK4 – Era ele o cara para assegurar o décimo lugar à Marussia no campeonato de construtores. Mas, infelizmente, não deu. Agradeçam a Jean-Éric Vergne, que não gosta das equipes pequenas e atropelou o pobre piloto alemão enquanto este estava andando em 11º. Se tudo tivesse dado certo, Glock poderia ter marcado o primeiro ponto da história de uma das três escuderias nanicas dos últimos anos. Foi o único momento de brilho do algoz de Felipe Massa em 2008: nos treinos e nos demais momentos, Timo ficou sempre na mesma situação lamentável de sempre.

PEDRO DE LA ROSA3 – O GP do Brasil foi, muito provavelmente, sua última corrida na Fórmula 1. Afinal de contas, quem irá querer um limitado piloto espanhol de 41 anos que teve uma carreira bastante irregular na categoria? Mas, puxa vida, não dá para negar que a motivação ainda permanece grande. Em um dos treinos livres, Pedro até conseguiu superar os dois carros na Marussia. Seu treino oficial foi bastante atrapalhado por mais uma barbeiragem de Romain Grosjean, mas o carro ainda permaneceu inteiro. Na corrida, De La Rosa parou quatro vezes, chegou a andar em nono e finalizou em 17º. Dias depois, estava desempregado. Mesmo não sendo fã, fico triste por ele.

NARAIN KARTHIKEYAN2,5 – Sua carreira na Fórmula 1 também parece estar próxima do fim. Em Interlagos, o indiano não passou da última posição em todos os treinos e só não fechou o grid porque o companheiro Pedro de la Rosa foi prejudicado na qualificação. Durante a corrida, Narain teve as mesmas dificuldades do espanhol, fez quatro pit-stops e cruzou a linha de chegada sem maiores problemas.

PAUL DI RESTA4,5 – Pelos bons resultados nos treinos de sexta-feira, o escocês até deu alguns indícios de que poderia bater o companheiro Nico Hülkenberg no restante do fim de semana, mas isso não aconteceu. Enquanto o alemão brilhou lá nas primeiras posições, restou a Di Resta brigar pelas migalhas. O décimo lugar no grid e a ótima largada foram descompensados pela errônea estratégia de colocar pneus intermediários nas primeiras voltas. Ainda assim, o piloto da Force India manteve-se sempre fustigando os pontos. Quando bateu forte na Curva do Café, estava andando entre os dez primeiros. Terá de pilotar de forma um pouco mais agressiva se quiser crescer na Fórmula 1.

LEWIS HAMILTON9 – Perdeu uma grande chance de vitória por fatores externos pela segunda vez em três corridas. Desta vez, a culpa foi de Nico Hülkenberg, que se descontrolou no S do Senna e acertou o futuro piloto da Mercedes sem cerimônia. Triste fim para Hamilton, que poderia, sim, ter sido campeão se tivesse tido mais sorte. O conjunto carro + piloto estava quase perfeito em Interlagos: liderança em dois treinos livres, no treino oficial e durante treze voltas da corrida. É verdade que Jenson Button e principalmente Hülkenberg lhe deram muito trabalho, mas Lewis certamente era um forte candidato à vitória. Uma pena que sua carreira na McLaren tenha terminado desta forma, mas assim é a vida.

PASTOR MALDONADO1 – Dizem que correu em Interlagos, mas não acredito muito nisso. Foi um fim de semana inútil e caracterizado por ocorrências de acidente e punição, bem típico do venezuelano. Seu ótimo desempenho no treino oficial, quando conseguiu o sexto tempo no Q2 e no Q3, foi totalmente comprometido por uma punição de perda de dez posições no grid por não ter parado para pesagem obrigatória – que coisa, não? Largando lá atrás, Pastor decidiu sentar o pé no acelerador para tentar se recuperar rapidamente. Lógico que não funcionou: na segunda volta, o carro rodou na entrada da Reta Oposta e se esborrachou nos pneus. A TV nem se deu ao trabalho de mostrar um replay.

ROMAIN GROSJEAN0 – Tudo o que ele não precisava era de um fim de semana como este. O sempre desastrado franco-suíço voltou a se comportar como uma ameba e acabou prejudicando não só a si mesmo como também a outrem. No treino oficial, tendo boas chances de conseguir um lugar legal no grid, atropelou a traseira de Pedro de la Rosa na reta dos boxes e quase causou um acidente perigosíssimo. Não foi punido sei lá o porquê. Na corrida, o tonto não demorou mais do que cinco voltas para bater forte após escorregar na Junção. É um cara tão bizarro que está ameaçado de desemprego mesmo após ter terminado o ano em oitavo.

BRUNO SENNA2 – Dou o braço a torcer: ele andou muito bem nos treinos. No Q1 da qualificação, surpreendeu a todos fazendo o segundo tempo. Poderia ter obtido um lugar melhor que o 11º no grid, mas perdoa-se pelo fato desse negócio de treino oficial não ser sua especialidade. O que matou sua nota foi a absurda barbeiragem que quase acabou com o sonho do título de Sebastian Vettel logo na primeira volta. Ignorando o tal do pedal do freio, Bruno enterrou seu Williams no carro de Vettel na Descida do Lago e quase tirou o alemão da prova. Sebastian permaneceu, mas o sobrinho ficou por ali, matutando sobre o desemprego e demais questões macroeconômicas.

SERGIO PÉREZ1 – Fim de temporada lixo. Em Interlagos, não esteve rápido e nem sortudo – o que será que Martin Whitmarsh está pensando nestas horas? Foi mal nos treinos livres e apenas mediano na qualificação, embora ainda tenha conseguido posição melhor que Kamui Kobayashi no grid. A corrida acabou na primeira volta após Pérez se envolver na meleca da Descida do Lago. Não teve culpa nenhuma, mas não era bem desta forma que ele queria se despedir da Sauber.

MCLAREN9 – Ah, McLaren… Se ela fizesse tudo direito em dois fins de semana consecutivos, Lewis Hamilton e Jenson Button teriam levado este título com a antecedência de um Fluminense. Mas como as coisas nem sempre saem da maneira que a gente gostaria, a equipe acabou vivendo de brilharecos durante o ano. Hamilton foi o grande vencedor do GP americano após deixar para trás Mark Webber e Sebastian Vettel na pista. É realmente uma pena que o cara esteja indo para a Mercedes meia-boca. Button teve problemas no acelerador no treino oficial e uma má largada, mas recuperou-se e ficou em quinto. O pit-stop de Hamilton também foi o mais rápido do fim de semana. Alternando altos e baixos, a McLaren termina o ano como coadjuvante de luxo da Fórmula 1.

RED BULL7 – Bem que já poderia ter fechado o campeonato em Austin, não é? Mas não fechou. Aliás, pode-se dizer que ela se esforçou bastante para ajudar o rival Fernando Alonso. Sebastian Vettel dominou os treinamentos e tinha tudo para vencer, mas o carro não correspondeu e ele foi ultrapassado de maneira fácil por Lewis Hamilton, terminando em segundo. Mark Webber, coitado, nem chegou ao fim: teve problemas no alternador e abandonou a prova ainda no começo. Se o RB8 tivesse funcionado a contento para os dois, Vettel teria vencido, Webber teria tirado Alonso do pódio, Milton Keynes estaria em festa e Maranello decretaria luto oficial de um mês.

FERRARI0 – Tudo bem, seu primeiro piloto está disputando o título. Tudo bem, o segundo piloto é o Felipe Massa. Tudo bem, a Ferrari não costuma ser muito ortodoxa com esse negócio de jogo de equipe. Mas sabotar o carro do cara, arranjar uma punição para ele e mandar ele lá para o meio do grid só para presentear o Patrão das Astúrias é um pouco demais para meu gosto. Feio. Para mim, até mais feio do que fazer o segundo piloto entregar a liderança para o primeiro. A Fórmula 1 perdeu mais alguns pontos no quesito “espírito esportivo” neste último fim de semana. Eu daria nota um para os ferraristas, mas como o pit-stop de Fernando Alonso foi horrível, me vi obrigado a meter um zerão para os mafiosos.

LOTUS6,5 – Fim de semana morno para os aurirrubros. Depois de ter finalmente vencido uma corrida nesta temporada, a Lotus não conseguiu preparar dois carros tão velozes para o circuito americano. Mesmo assim, Kimi Räikkönen e Romain Grosjean fizeram bons tempos no treino oficial, embora o franco-suíço tenha sido punido por trocar o câmbio. Na corrida, olha só, os dois carros chegaram ao fim e marcando pontos. Sempre à frente, Kimi andou direitinho e terminou em sexto. Grosjean rodou, tomou um monte de ultrapassagens no início da prova e se recuperou de maneira notável após o pit-stop. Equipe extremamente competente e simpática.

FORCE INDIA5,5 – Seus pilotos normalmente têm problemas de desgaste de pneus durante as corridas e o GP estadunidense não foi uma exceção. Nico Hülkenberg foi muito mais rápido que Paul di Resta novamente, mas ambos tiveram momentos de apagão nas quase duas horas de prova graças aos compostos Pirelli. O alemão ainda se deu bem por ter largado lá na frente e terminou em oitavo. Di Resta teve de fazer uma parada extra por causa de uma rodada e não fez a menor falta.

WILLIAMS6,5 – Não achei que viveria para ver isso, mas os dois pilotos da equipe marcaram pontos pela segunda corrida consecutiva. É até emocionante ter presenciado tal feito. Pastor Maldonado e Bruno Senna terminaram respectivamente em nono e décimo após terem tido atuações seguras e consistentes. O venezuelano foi o único que participou do Q3, mas até mesmo o sobrinho andou bem no treino oficial e acabou herdando o décimo lugar no grid. Na prova, Bruno chegou a ser dono da volta mais rápida durante algum tempo e Pastor quase ultrapassou Nico Hülkenberg, mas a dupla teve de se contentar com o total de três pontos. De qualquer jeito, está bom demais. Só falta melhorar o trabalho nos boxes, muito picareta neste fim de semana.

SAUBER3 – Muito discreta, não conseguiu por fogo na taverna nem mesmo com os peraltas Sergio Pérez e Kamui Kobayashi. O carro branco e preto não foi páreo sequer para Williams ou Force India no fim de semana e tanto Pérez quanto Kobayashi tiveram de largar lá do meio do bolo. Sempre mais rápido, o mexicano até paquerou os pontos, mas terminou batendo na trave. Kobayashi, tadinho, não conseguiu sair da piscina da mediocridade em momento algum. Com doze pontos a menos que a Mercedes, a Sauber quer roubar dos alemães a quinta posição no campeonato. Do jeito que a equipe de Michael Schumacher e Nico Rosberg está, nem duvidaria, mas é bom o C31 funcionar bem em Interlagos.

TORO ROSSO3,5 – Para os baixos padrões da equipe, Jean-Éric Vergne apareceu bem no treino classificatório e Daniel Ricciardo teve um início de corrida excelente em Austin. Porém, nenhum deles marcou pontos, evidenciando a persistente falta de velocidade do STR7. Vergne ainda teve um problema de suspensão e foi obrigado a abandonar a prova. Em resumo, nada de novo no front.

MERCEDES0 – Para mim, é caso de mandar todo mundo embora, interromper as atividades e só reabrir a quitanda lá pelo Quinto Reich, com um staff renovado. O carro tá muito ruim, os dois pilotos não marcam pontos há um tempão, nada dá certo e até mesmo o pobrezinho do Adolf Hitler se matou. Nico Rosberg largou lá no fundão e terminou lá atrás. Michael Schumacher largou lá na frente e, bem, terminou lá atrás também. Os dois sofreram demais com os pneus e Michael até teve de fazer um pit-stop extra. Zero pontos. Nota zero.

CATERHAM2,5 – Tomou um sustão no treino oficial quando viu os dois carros da Marussia ocupando a décima fila no grid de largada. Será que a Caterham deixaria de ser a melhor das nanicas? Não desta vez. Vitaly Petrov foi o cara que ditou o ritmo dos esverdeados: foi o melhor tanto no treino oficial como na corrida. Heikki Kovalainen largou atrás do russo e também terminou atrás, embora tenha superado a Marussia durante a prova. O desespero na escuderia é grande por causa dessa briga pelo 10º lugar no campeonato de construtores.

MARUSSIA5 – Parece estar numa situação bem melhor que a Caterham. O carro melhorou pra caramba, Timo Glock recuperou parte de seu ânimo, Charles Pic está provando seu talento, Max Chilton está chegando com um carreirão de grana e o melhor de tudo é a décima posição no campeonato de construtores. Em Austin, os dois pilotos largaram à frente da dupla da Caterham, fato inédito desde que ambas entraram na Fórmula 1. Glock e Pic acabaram superados durante a prova, mas a impressão deixada foi ótima. Que continue crescendo.

HRT2 – Está quase que literalmente falida. O dinheiro acabou de vez, as instalações estão quase todas vazias, a maior parte dos funcionários já foi mandada embora e as últimas corridas do ano são mero cumprimento de formalidade. Pelo menos, o provável fim ainda está sendo mais digno do que o da Forti-Corse, da Arrows ou da Super Aguri. Pedro de la Rosa e Narain Karthikeyan estão fazendo seu trabalho corretamente, sem excessos. Ambos largaram e chegaram ao fim da corrida, algo que não acontecia desde Monza. Fico realmente triste com sua situação. Que um milagre aconteça e ela continue na Fórmula 1 em 2013.

TRANSMISSÃONO CAPRICHO? – Vocês sabem, a última semana esportiva foi marcada pela sublime, magnânima, grandiloquente, excepcional, brilhante, auspiciosa, grandiosa, perfeita, inigualável, avassaladora, maravilhosa retorno do Palmeiras à segunda divisão do Campeonato Brasileiro, onde fará partidas memoráveis contra Chapecoense, Oeste e principalmente ASA de Arapiraca, no clássico do Coaracy Fonseca. Exatamente por isso, o GP dos EUA ficou em segundo plano. Absolutamente justificável. A emissora que normalmente faz as transmissões da Fórmula 1 preferiu mostrar o futebol e a corrida em Austin acabou reservada para seu canal esportivo da TV paga. Como não estava com vontade de assistir a um “VT ao vivo”, sintonizei no tal “Canal Campeão”. Não fiquei chateado. O narrador é gente boa, tem um sotaque engraçado e deixou a transmissão mais leve, embora tenha cometido alguns erros. O comentarista fala muita groselha, mas também aguentou bem o tranco. Eu não fiquei acompanhando o VT ao vivo, mas ouvi dizer que o narrador titular estava puto da vida por ter de fingir emoção por algo que havia acontecido algumas horas antes. Muito capricho dele, minha opinião.

CORRIDASONHO AMERICANO – Todos gostaram de Austin, até mesmo o amigo Matt LeBlanc e o ex-presidenciável Rick Perry. A pista é bonita e tem curvas sacanas, as arquibancadas estavam lotadas, todo mundo elogiou, nunca vi um trabalho de Hermann Tilke tão próximo da unanimidade. Pois o COTA mereceu. E a corrida, embora não espetacular, foi muito boa, de altíssimo nível. Lewis Hamilton e Sebastian Vettel duelaram durante toda a prova, um sempre perseguindo o rabo do outro. No fim, deu o inglês, que teve de superar os dois Red Bull para vencer novamente nos States – lembrando que ele venceu o último GP de Indianápolis, em 2007. No meio do pelotão, as brigas também foram divertidas. Faltou talvez um acidente para ornamentar a corrida, mas tudo bem. O primeiro GP dos EUA no Texas foi um sucesso. God bless it!

LEWIS HAMILTON9,5 – O cara está invicto nos Estados Unidos: duas corridas, duas vitórias. A deste último domingo veio de forma inesperada, até. Lewis mandou muito bem no primeiro e no terceiro treino livre, mas parecia não ter cancha para ameaçar Sebastian Vettel, o rei da sexta e do sábado. No treino oficial, ainda saiu no lucro conseguindo um lugar na primeira fila. Perdeu uma posição logo na largada, para o dundee Mark Webber. Depois disso, as coisas melhoraram muito. Lewis não demorou muito para deixar Webber para trás, perseguiu Sebastian Vettel durante um bom tempo e conseguiu roubar a liderança na volta 42. Não disparou, mas seguiu na frente até a bandeirada de chegada. Este é o Lewis Hamilton que a gente gosta de ver.

SEBASTIAN VETTEL9,5 – O cara, que chega a Interlagos como favorito, foi brilhante. Só lhe faltou a vitória. Desde a sexta-feira, Sebastian foi muito mais rápido do que qualquer outro na Fórmula 1: liderou os três treinos livres e as três sessões da qualificação, garantindo mais uma pole-position na temporada. Na corrida, largou bem e abriu razoável vantagem logo nas primeiras voltas. Então, o que faltou? Consistência aos pneus Pirelli, que parecem não ter funcionado tão bem em seu carro como no de Lewis Hamilton. Vettel batalhou, brigou e até reagiu em alguns momentos, mas não conseguiu conter a ultrapassagem do piloto da McLaren e perdeu a liderança pela primeira vez no fim de semana. Terminou em segundo e adiou a decisão do título para o GP do Brasil. Dificilmente não será campeão.

FERNANDO ALONSO7,5 – Olha, se não fosse pela cara-de-pau da Ferrari em infringir uma regra de maneira proposital para beneficiar seu pupilo… O asturiano não tinha carro para brigar por nada em Austin e se realmente tivesse largado da oitava posição, teria sido ultrapassado por uma caravana de carros antes da primeira curva devido à sujeira do lado par do grid. Mas os ferraristas deram um jeitinho, retiraram o lacre da caixa de câmbio de Felipe Massa, cavaram uma punição de perda de cinco posições no grid para o brasileiro e entregaram a sétima posição de presente a Alonso, que pôde largar na linha limpa da pista. E Fernando fez sua parte. Largou muitíssimo bem, subiu para a quarta posição logo na primeira curva, herdou o terceiro lugar com o abandono de Mark Webber e não foi ameaçado de verdade por ninguém. Com o resultado, empurrou a decisão do título para Interlagos. Que seja tricampeão. E sem as ajudas esdrúxulas da Ferrari.

FELIPE MASSA8,5 – Fez uma ótima corrida e tinha grandes chances de terminar à frente de Fernando Alonso, mas é óbvio que a Ferrari não deixou… O brasileiro andou razoavelmente bem nos treinos livres (três sextos lugares, coisa do demônio) e arranjou uma boa sexta posição no grid. Mas como Alonso acabou ficando duas posições abaixo, a brilhante Ferrari decidiu sabotar o câmbio de Massa e arranjou uma punição para o brasileiro, que teve de largar em 11º. Esportividade pra quê, né? Mesmo assim, Felipe não se abateu e pilotou como em poucas ocasiões. Largou bem, ganhou várias posições durante a prova, teve um bom ritmo durante todo o tempo e finalizou em quarto andando mais rápido que o próprio Alonso. Uma pena que Massa não tenha espaço para mostrar o que pode fazer.

JENSON BUTTON7 – Passou por boas, mas conseguiu finalizar bem o GP dos EUA. Tinha carro para disputar as cinco primeiras posições tranquilamente, mas um problema no acelerador durante o Q2 o fez largar em 12º, no lado sujo da pista. Quando as luzes vermelhas se apagaram, Jenson perdeu ainda mais posições e terminou a primeira volta em 15º. O que o salvou da pasmaceira foi a estratégia de largar com pneus duros. Graças a isso, ele pôde atrasar ao máximo seu pit-stop e ganhar várias posições no interregno. Ao parar na volta 35, Button conseguiu voltar em sétimo e ainda ultrapassou mais dois caras nos giros seguintes, terminando na quinta posição.

KIMI RÄIKKÖNEN6,5 – Fim de semana OK para ele, longe de qualquer brilhantismo. Faltou um pouco de velocidade em seu Lotus, como foi provado no desempenho abaixo da média nos três treinos livres. Na qualificação, foi o quinto mais rápido e ganhou uma posição a mais no grid com a punição de Romain Grosjean. Na primeira volta, largou mal e ainda teve um toque com Nico Hülkenberg, mas seguiu adiante. Daí para frente, Kimi teve algumas boas disputas, chegou a andar em segundo durante a rodada de pit-stops e só não finalizou em quarto porque os pneus não deixaram. É o verdadeiro Senhor Consistência.

ROMAIN GROSJEAN6 – Seu desempenho mudava da água para o vinho a cada instante, mas o resultado final não foi ruim. Muito mal nos treinos livres, Romain conseguiu um milagroso quarto lugar no grid, mas a troca de câmbio após a terceira sessão o fez largar em oitavo. Com os pneus macios, estava como uma tartaruga na pista, atrapalhando a todos, e até rodou sozinho na sétima volta. Aí a Lotus decidiu antecipar a troca de pneus e Grosjean voltou à pista com pneus duros. A partir daí, seu único trabalho foi não tostar os pneus e aproveitar o bom desempenho do seu carro. Ele ganhou posições aos montes e terminou a apenas seis segundos de Kimi Räikkönen.

NICO HÜLKENBERG6,5 – Mais uma boa corrida do futuro piloto da Sauber. Competitivo desde os treinos livres, o alemão superou novamente o companheiro Paul di Resta na qualificação e amealhou um ótimo sexto lugar no grid. Nas primeiras voltas, com pneus macios, andou em quinto durante um bom tempo. O pit-stop que colocou compostos duros em seu carro não trouxe resultados positivos e Nico teve de ralar bastante para conseguir andar entre os dez primeiros. Nas últimas voltas, sofreu grande pressão dos dois carros da Williams. Contra tudo e contra todos, o oitavo lugar.

PASTOR MALDONADO6 – Está numa nova fase, menos esquentada. Em Austin, pela primeira vez na Fórmula 1, conseguiu pontuar pelo segundo fim de semana consecutivo. O seu carro, que estava bem veloz em Abu Dhabi, não encontrou tanta velocidade em solo americano e Maldonado só conseguiu andar bem de verdade no terceiro treino livre, quando ficou em terceiro. Na sessão oficial, conseguiu um lugar na quinta fila, nada de muito impressionante. Saiu muito mal na largada e passou a maior parte do tempo andando fora da zona de pontuação. No final da corrida, com pneus duros, tinha um bom desempenho e chegou a ameaçar Nico Hülkenberg, mas não passou do nono lugar. De qualquer jeito, um avanço para quem vivia batendo até há pouco tempo.

BRUNO SENNA6 – Será que a participação nos três treinos livres fez diferença? Não acredito nisso, pois o sobrinho já vem andando melhor em treinamentos há algum tempo. Nos EUA, ele esteve sempre veloz e não passou para o Q3 por causa de um erro besta em sua volta rápida, mas ainda conseguiu um ótimo décimo lugar no grid. Na corrida, teve um desempenho até mais constante do que o de Pastor Maldonado, chegou a ser o dono da volta mais rápida durante algum tempo e não cometeu erros. Assim como o venezuelano, também está aprendendo. E marcou mais um pontinho. Resta ver se essa evolução será o suficiente para convencer a Williams a ficar com ele em 2013.

SERGIO PÉREZ3 – Sem ter um carro bom nas mãos e sem apostar em uma estratégia diferenciada, foi apenas mais um na corrida. O novo contratado da McLaren, que não tem uma atuação realmente digna de sua futura equipe há um bom tempo, não passou vergonha nos treinos livres, mas sofreu como um porco à beira do abate na classificação e ficou apenas em 15º no grid de largada. Largou bem e até andou entre os dez primeiros durante um tempo, mas o fato de utilizar a mesma estratégia dos demais e um problema nos pneus o impediram de ir além do 11º lugar.

DANIEL RICCIARDO5,5 – Foi muito melhor do que Jean-Éric Vergne novamente – o que se passa com o francês? Longe de ser brilhante, o australiano levou seu Toro Rosso a posições melhores do que a média nos treinos livres, mas foi o infelizardo do sábado ao fazer companhia às equipes pequenas na clausura do Q1. Boa mesmo foi a prova. Ricciardo largou muito bem e sentou o pé no acelerador nas primeiras voltas, ultrapassando vários pilotos com carros mais velozes nas primeiras voltas. Ao fazer seu pit-stop, estava em quinto. Infelizmente, não tinha carro para ter marcado pontos. Uma boa atuação que chamou a atenção de poucos.

NICO ROSBERG1 – Esse daí só está cumprindo tabela esperando pelas férias. Nos três treinos livres, ficou entre os dez primeiros e alimentou suas esperanças para uma boa corrida. Mas a felicidade acabou aí. No treino oficial, deu tudo errado: quase ficou no Q1 e não passou da última posição do Q2, ficando apenas com o 17º lugar no grid. Para o domingo, foi um dos únicos que apostaram num primeiro stint com pneus duros. Mesmo atrasando ao máximo seu pit-stop, não conseguiu ficar entre os dez primeiros. Está há cinco GPs sem marcar pontos, algo que não ocorre desde 2008.

KAMUI KOBAYASHI2 – Triste situação. O GP dos EUA foi, provavelmente, sua penúltima corrida na Fórmula 1. E ela não foi boa, longe disso. Nos dois treinos de sexta-feira, ficou entre os dez primeiros, mas não conseguiu mais nada nos dias seguintes. Foi mal na qualificação e garantiu apenas o 16º posto no grid. Na corrida, antecipou seu pit-stop e ficou umas trezentas voltas com pneus duros. Nunca esteve perto da zona de pontuação.

PAUL DI RESTA3 – Mais um fim de semana discreto e improdutivo. Ficou atrás de Nico Hülkenberg nos três treinos livres e na qualificação, sendo o único da Force India a não passar para o Q3. Mandou bem na largada, onde ganhou quatro posições, e passou todo o primeiro stint andando entre os dez primeiros. A situação piorou quando Paul teve de usar compostos duros. Em determinado momento, o escocês rodou e danificou seus pneus, sendo obrigado a fazer uma segunda parada extra. Aí, as chances de pontos evaporaram de vez.

MICHAEL SCHUMACHER1 – Parece aquele jogador que foi campeão de Copa do Mundo, mas não soube parar na hora certa e terminou a carreira disputando a terceira divisão do Campeonato Paulista. O heptacampeão teve mais um fim de semana completamente dispensável para seu currículo. De positivo, só o surpreendente quarto lugar no grid de largada. A corrida foi exaustiva e deprimente. Michael largou mal e foi perdendo posições volta após volta. O negócio estava tão feio que o alemão foi o único piloto da pista que precisou fazer duas trocas obrigatórias de pneus, já que tanto os compostos médios como os duros não ofereciam nenhuma aderência. Foi o último colocado das equipes normais. Esta é a vida no XV de Piracicaba.

VITALY PETROV4 – O tovarich da Caterham teve um fim de semana muito melhor do que o do desanimado companheiro Heikki Kovalainen, o que representa uma grande vitória moral. O resultado no treino oficial foi bastante curioso: embora tenha superado Kovalainen, Vitaly ficou atrás dos dois carros da Marussia, situação inédita. Na corrida, o russo largou bem e ponteou a turma do fundão durante todo o tempo. Embora não seja um gênio, também não merece o desemprego.

HEIKKI KOVALAINEN2,5 – Está de mal da vida, deprimido, praticamente desempregado e é óbvio que tal estado de espírito se refletiu nos resultados na pista. Quem é que imaginaria que o finlandês, que deu muito trabalho aos caras da Toro Rosso na metade do ano, estaria apanhando de Vitaly Petrov e dos dois carros da Marussia no treino oficial? Na corrida, Heikki não fez muito mais do que superar os marússicos, mas ainda finalizou atrás do colega soviético. Pelo tom de suas palavras, está à beira da aposentadoria.

TIMO GLOCK4,5 – Curiosamente, o alemão é o único piloto do grid que já disputou uma categoria americana de monopostos: correu na falida ChampCar em 2005. Sete anos depois, ele retornou aos States para tentar ao menos impedir que a Caterham superasse a Marussia no mundial de construtores. O trabalho foi relativamente bom. No treino oficial, Glock surpreendeu a todos sendo o melhor das equipes nanicas no grid de largada. A corrida não foi tão magnífica assim, embora Timo tenha tido uma boa batalha com Heikki Kovalainen. Pelo menos, chegou ao fim e a Marussia continua na décima posição entre as equipes.

CHARLES PIC4 – Também foi razoavelmente bem. No primeiro treino de sexta-feira, foi o melhor dos pilotos das equipes pequenas. No sábado, embora tenha sido superado por Timo Glock, ainda conseguiu se qualificar à frente dos dois carros da Caterham, novidade neste ano. A corrida ficou prejudicada devido a um toque na primeira volta que danificou sua asa dianteira. Mesmo assim, o competente francês seguiu até o fim.

PEDRO DE LA ROSA3 – Está naufragando junto à sua equipe, que deverá fechar as portas logo após o GP do Brasil. Nos EUA, mesmo pilotando um carro todo remendado com fita crepe, o veterano espanhol manteve a dignidade. Foi penúltimo colocado nos três treinos livres, no grid de largada, na corrida e até mesmo na lista de voltas mais rápidas. Pelo menos, chegou ao fim. Fica até difícil dar uma nota.

NARAIN KARTHIKEYAN2,5 – O que dizer de alguém que ficou em último em todos os treinos livres, a classificação e a corrida? A título de curiosidade, Narain foi um dos poucos pilotos do grid a ter feito parte de sua carreira na América: fez algumas corridas marotas na NASCAR Truck Series em 2010 e até foi eleito o “Piloto Mais Popular” da categoria. Em Austin, o indiano não fez nada de novo. Ainda assim, também completou a corrida. Que deverá ser sua penúltima na Fórmula 1.

MARK WEBBER5 – Justiça seja feita: ele tinha lugar garantido no pódio. Tudo bem, o pódio é uma obrigação para quem pilota o RB8, mas sair dos Estados Unidos não tendo marcado ponto nenhum é bastante desagradável. O australiano não foi genial em momento nenhum nos treinos livres e sequer conseguiu um lugar na primeira fila, mas tentou dar a volta por cima largando bem e roubando a segunda posição de Lewis Hamilton na primeira curva. Três voltas depois, Hamilton recuperou o segundo lugar e Webber parecia contente com o terceiro posto. Infelizmente, o alternador de seu carro virou pó e o australiano teve de abandonar a corrida na volta 16. Chega a Interlagos morrendo de medo de terminar o ano em sexto.

JEAN-ÉRIC VERGNE3,5 – Teve como maior feito o fato de ter sido o único piloto da Toro Rosso a ter passado para o Q2 do treino oficial, ficando num razoável 14º lugar no grid. Largou mal devido ao fato de ter partido da linha suja da pista, andou no meio do pelotão durante todo o tempo e abandonou a prova com a suspensão arrebentada. No entanto, não foi o pior de seus fins de semana na temporada – o que é um mau sinal.

LOTUS9 – Até que enfim, hein? Depois de 17 corridas esperando sentada, a equipe preta e dourada finalmente obteve sua primeira vitória na Fórmula 1 – é até engraçado falar em “primeira vitória da Lotus”, uma marca que cansou de ganhar nos dias de Colin Chapman. Mas é isso aí, amigos, ela conseguiu. Pois se querem saber, nem foi o fim de semana mais competitivo da Lotus nesta temporada. O que acontece é que Kimi Räikkönen combinou sorte danada com talento danado e o resultado danado só poderia ter sido aquele, o lugar mais alto no pódio. É uma pena que Romain Grosjean, envolvido em tudo quanto é tipo de coisa, não finalizou a corrida. Agora, é hora de pensar em 2013. Isto se, obviamente, a grana não escassear de vez.

FERRARI8 – Não dá para negar que os ferraristas se esforçam. Em Abu Dhabi, a equipe trouxe algumas atualizações, cogumelos e cascas de tartaruga para tentar ajudar Fernando Alonso na disputa pelo título. E só para ele, diga-se de passagem: Felipe Massa teve de correr com um velho Fiat 500 pintado de vermelho. Mas tudo bem, o resultado final não foi tão desastroso. Fernando das Astúrias fez uma boa corrida, ultrapassou Mark Webber e herdou as posições de alguns desafortunados à sua frente, terminando em segundo. Massa sobreviveu a Webber e terminou em sexto mesmo reclamando do carro. Os mecânicos estiveram impecáveis no trabalho de boxes.

RED BULL5 – Ela está de brincadeira com a gente. Que negócio foi aquele de deixar Sebastian Vettel na seca na volta de retorno aos boxes no treino oficial? Isso daí é erro de equipes como Andrea Moda, HRT ou McLaren, jamais deveria ser cometido em um carro que está brigando pelo título de pilotos. Graças a isso, Sebastian Vettel teve de largar da última fila. Para felicidade de todos, o cara fez uma corrida de presidente da República, ultrapassando todo mundo e se colocando na disputa direta pela vitória. Mesmo parando duas vezes, terminou em terceiro e minimizou a perda de vantagem para Fernando Alonso. Mark Webber foi o bobo da corte do GP: bateu em todo mundo e terminou com o carro estropiado. Não ajudou em nada o companheiro.

MCLAREN7 – Para quem tinha o melhor carro do fim de semana, ter de se contentar com um quarto lugar de Jenson Button é de um dissabor impressionante. Lewis Hamilton, que liderou até mesmo lista de receptor de órgãos, liderava de ponta a ponta e vinha tranquilamente para a vitória, mas teve problemas de pressão de gasolina e abandonou a prova, numa situação muito parecida com a de 2009. Quem teve de salvar o dia foi Button, que nem andou tão mal assim. O problema é que sua posição no grid não ajudava e Jenson não é o cara que taca fogo no mundo em situações adversas. É por essas e outras que a equipe, mesmo tendo um carro muito bom, está longe do título deste ano.

WILLIAMS7 – Aleluia! Os dois pilotos marcaram pontos, situação tão improvável quanto o cometa Halley. A dinâmica das coisas nem foi tão diferente assim dos outros fins de semana: Pastor Maldonado muito mais rápido que Bruno Senna nos treinos, o brasileiro andando até melhor que o venezuelano na corrida e os dois se envolvendo em acidentes. Por incrível que pareça, nenhum deles teve culpa alguma no cartório: Maldonado foi atingido por Mark Webber e Bruno foi atropelado por Nico Hülkenberg na primeira curva. Entretanto, o carro da Williams estava veloz como um coelho e resistente como uma tartaruga neste fim de semana. Graças a tudo isso, os pontos. Só falta melhorar nos pit-stops.

SAUBER6 – Marcou pontos com Kamui Kobayashi novamente. O fim de semana foi uma espécie de repeteco dos últimos GPs para a equipe suíça: dificuldades nos treinos, Sergio Pérez andando bem mais rápido no treino oficial, uma estratégia doidona para o piloto mexicano, o japonês subindo posições sem grande estardalhaço, Pérez abandonando a corrida após um erro idiota e Kamui terminando numa posição razoável. Enfim, não houve grandes novidades para a Sauber. Seria bom se o novo contratado da McLaren parasse de fazer besteiras. Quanto a Kobayashi, que arranje grana para seguir na Fórmula 1 no ano que vem.

FORCE INDIA4,5 – Tinha um carro melhor que a Sauber, por exemplo. Devido a isso, ter terminado o fim de semana com apenas dois pontos não foi a melhor das situações. Pelo menos, um dos carros chegou ao fim, coisa que não parecia ser possível após Nico Hülkenberg se destrambelhar e quase atropelar o companheiro Paul di Resta na primeira curva. Hülkenberg abandonou, mas Di Resta seguiu em frente, fez três pit-stops, recuperou-se bem e finalizou em nono.

TORO ROSSO3,5 – Marcou um ponto, sim, mas muito graças ao abandono de vários carros mais velozes. Não fosse por isso, Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne teriam terminado na rabiola das equipes médias. Os dois não andaram bem nos treinos livres, largaram lá atrás e não melhoraram muito na corrida em termos de performance. Ricciardo assustou a Red Bull principal quando fez um movimento estranho durante o primeiro safety-car e quase fechou involuntariamente o caminho de Sebastian Vettel. Vergne, ao contrário, abriu passagem a Vettel tranquilamente, mas teve sua corrida prejudicada com a antecipação de seu primeiro pit-stop. Sem chances de alcançar a Williams, está apenas contando as horas para o fim do campeonato.

MERCEDES0,5 – Sem marcar pontos desde Cingapura, está numa fase nigérrima. Carro lento, pilotos azarados, furos no pneu, acidentes fortes, clima ruim, a Mercedes precisa do que mais? Nico Rosberg ainda andou melhorzinho nos treinos e largou em sétimo, mas furou o pneu num toque com Romain Grosjean e depois se arrebentou num forte acidente com Narain Karthikeyan. Michael Schumacher largou no meio do pelotão e até vinha numa corrida para marcar pontos, mas também teve um furo de pneu e foi obrigado a fazer um segundo pit-stop. Com isso, terminou fora da zona de pontuação. Está sob efeito de macumba muito forte, a equipe germânica.

CATERHAM2,5 – Está com ainda menos brilho do que na metade da temporada, quando chegava a brigar com a Toro Rosso. Heikki Kovalainen andou bem mais rápido que Vitaly Petrov, mas ambos chegaram a ter problemas com os carros da Marussia, que se aproximaram bastante. Mesmo assim, Heikki conseguiu levar o carro até o fim e ficou numa boa 14ª posição, ainda insuficiente para garantir à Caterham o 10º lugar no campeonato. Petrov largou atrás de Charles Pic e terminou atrás de Timo Glock. Pelo menos, foi a única equipe pequena a conseguir fazer seus dois carros chegarem ao fim.

MARUSSIA3,5 – Esta, ultimamente, anda empolgando até mais que a Caterham. Embora às vezes tenha problemas com a HRT, a equipe vermelha e preta conseguiu se aproximar bastante da rival verde em Abu Dhabi. Charles Pic andou muitíssimo bem no treino classificatório, mas não terminou a corrida devido a um motor Cosworth bichado. Timo Glock não foi bem no treino oficial, mas fez uma superlargada e conseguiu segurar os ataques de Sergio Pérez no final da corrida.

HRT2 – Dizem as más línguas que não tem nem peças sobressalentes para terminar o campeonato. O esforçado Narain Karthikeyan bem que tenta permanecer na pista, mas o carro não colaborou e um problema hidráulico acabou ocasionando um acidente perigosíssimo com Nico Rosberg. Nada pior para uma equipe que nem deve ter aerofólios guardados no almoxarifado, se é que ela tem um almoxarifado. Pedro de la Rosa, aos trancos e barrancos, largou e chegou ao fim da corrida. Que encontre um comprador logo.

TRANSMISSÃOELE VOLTOU – Já estava até ficando com medo. A narração brasileira não poderia ficar sem ELE, o único cara que consegue botar Derek Warwick num carro da Red Bull. ELE, que quando vê um acidente envolvendo Pastor Maldonado e Romain Grosjean, respira por um ou dois segundos se preparando para proferir a próxima frase bombástica sacaneando suas participações na Fórmula 1. ELE, que acha que Nico Hülkenberg não é um piloto pronto e muito menos um grande piloto. ELE, que dispara contra os jornalistas que já sabem que Bruno Senna não continuará na categoria em 2013. ELE, que sempre repara na Gabi Maldonado. ELE, que deixa seus dois colegas de bancada amedrontados pela possibilidade sempre iminente de tomar uma patada. ELE, que sempre deixa os acidentes mais dramáticos do que eles são. Vocês me perdoem, mas uma corrida sem ELE perde muito da graça. Abu Dhabi teve graça. Isso, sim, é impressionante.

CORRIDAQUEM TE VIU, QUEM TE VÊ, ABU – A corrida de 2009 foi uma merda com cara de velório. A de 2010 foi tensa pra caramba. A de 2011 foi um amistoso Brasil x Ilhas Canárias. Eu nunca achei que Abu Dhabi e seu portentoso, glorioso e seboso autódromo-hotel conseguiriam proporcionar aos fãs da velocidade um GP tão legal, tão divertido, tão cheio de vilões, mocinhos e histórias. Nem mesmo as áreas de escape latifundiárias impediram a ocorrência de dois grandes acidentes, aquele que mandou Nico Rosberg para o muro e aquele que envolveu um monte de gente e tirou Mark Webber e Romain Grosjean da corrida. Sebastian Vettel foi um espetáculo à parte: mesmo largando da última posição, ultrapassou um por um como se estivesse pilotando no modo fácil do Grand Prix 3, terminou no pódio e poderia muito bem ter vencido. Fernando Alonso também fez uma corrida boa, mas não tanto quanto Vettel. E o vencedor Kimi Räikkönen, aquele que sabe o que faz, deixou todo mundo feliz. Foi uma corrida de Fórmula 1 completa, destas que podem fazer alguém começar a gostar de automobilismo. Num ano louco como este, as melhores provas desta temporada ocorreram nos piores circuitos, vai entender…

KIMI RÄIKKÖNEN9,5 – Finlandês desgraçado. Na outra semana, vaticinei aqui que a Lotus não ganharia uma corrida neste ano. Jamais. Never. Pois Kimi Räikkönen, o Cacacheiro de Gelo, precisou de apenas um fim de semana para calar meus dedos. Não que seu desempenho nos treinos tivesse sido espetacular, longe disso. O finlandês foi apenas correto nos dois primeiros dias de atividades e até surpreendeu ao lograr o quinto lugar no grid. A vitória começou a ser construída na largada, quando ele pulou para a segunda posição após excelente saída. A liderança veio após o problema do desafortunado Lewis Hamilton, mas não há como negar o excelente ritmo que Kimi impôs durante todo o tempo. Não foi realmente ameaçado em momento algum, nem mesmo quando Fernando Alonso se aproximou. Venceu pela primeira vez desde o GP da Bélgica de 2009 e encheu a barriga de champanhe.

FERNANDO ALONSO8,5 – Em tese, conquistou um ótimo resultado numa pista que nunca lhe trouxe momentos felizes. No entanto, estava visivelmente chateado no pódio, incomodado com a felicidade ébria de um e com o grandessíssimo sorriso rubrotaurino do outro. De fato, Alonso tinha motivos para não ter gostado do domingo, pois sabia que sua grande chance de retomar a liderança do campeonato havia evaporado. Razoável nos treinamentos, o asturiano decepcionou muito no Q3 da classificação e garantiu apenas o sexto lugar no grid. Largou bem, fez uma boa ultrapassagem sobre Mark Webber e andou em quarto nas primeiras voltas. Depois, ainda ganhou as posições de Pastor Maldonado e Lewis Hamilton. Não venceu a corrida porque Kimi Räikkönen estava impossível e ainda borrou-se de medo da recuperação fantástica de Sebastian Vettel. Segundo lugar suado – e amargo.

SEBASTIAN VETTEL10 – Que me perdoem os fãs de Kimi Räikkönen, mas o homem do domingo se chama Sebastian Vettel da Silva. Ele liderou seu primeiro treino livre na Fórmula 1,  ganhou corrida de Toro Rosso e já era bicampeão do mundo aos 24 anos, mas ainda lhe faltava algo: largar lá de trás e terminar lá na frente. Pois ele, Vettel, conseguiu. OK, alguém poderia argumentar que qualquer um consegue tendo um Red Bull RB8 e KERS, mas não é qualquer um que faz a corrida que o alemão sorridente fez naquele domingo. Ele não foi mal nos treinos, embora tenha decepcionado um pouco ao não conseguir lugar na primeira fila. O negócio pegou quando o carro ficou sem combustível no retorno aos pits, o que lhe obrigou a largar lá no fim do pelotão como punição. Destemido, Sebastian não desanimou e passou quase todo mundo sem problemas. Mesmo tendo feito dois pit-stops, um adiantado por um bico quebrado e outro feito por temor de problemas nos pneus, ele conseguiu subir de último para terceiro. E poderia ter vencido a corrida. Se tivesse ganhado, eu não teria ficado surpreso. O cara é um monstro.

JENSON BUTTON7,5 – Boa corrida. Não excepcional, mas competente o suficiente para permitir uma aproximação do companheiro Lewis Hamilton no campeonato. Muito veloz nos treinos livres, Button teve seu pior momento na qualificação, quando ficou apenas em quinto no grid. Não largou bem, mas recuperou-se, ultrapassou Pastor Maldonado e herdou a posição de Hamilton. No final da corrida, estava em terceiro, mas teve a inglória missão de segurar um fulminante Sebastian Vettel. Com carro e pneus inferiores, não deu. Mas o quarto lugar foi um resultado bastante interessante.

PASTOR MALDONADO7 – Fez sua melhor corrida desde Valência, mas o resultado final acabou sendo inferior ao que era previsto. A Williams acertou a mão em Abu Dhabi e o venezuelano tinha um carro muito bom, como todo mundo viu nos treinos. Na qualificação, surpreendeu a todos cavando um lugar na segunda fila. Esteve em terceiro nas primeiras voltas, mas o carro começou a apresentar alto desgaste de pneus e problemas no KERS. Com isso, Pastor não conseguiu segurar vários pilotos que vinham atrás e ainda foi atingido por Mark Webber, que tentou ultrapassá-lo por fora. Mesmo assim, sobreviveu, não teve outros problemas, não matou ninguém e finalizou em quinto, marcando bons dez pontos.

KAMUI KOBAYASHI6,5 – Prestes a ficar desempregado, o japa voltou a caprichar e fez uma corrida muito legal. Não leva nota maior porque foi mal pra caramba nos treinos, mas o que vale são os pontos, não é? Kamui quase ficou no Q1 da qualificação e só conseguiu um mísero 15º lugar no grid. A depressão mudou logo na primeira volta, quando ele conseguiu subir para oitavo após sobreviver ao típico caos dos primeiros metros. Mesmo com problemas no KERS, o piloto da Sauber conseguiu manter um bom desempenho durante a prova, andou entre os dez primeiros durante quase todo o tempo e finalizou em sexto.

FELIPE MASSA6 – Numa corrida com tantas alternativas, tanta gente se destacando pelo lado positivo e pelo negativo, Felipe Massa foi um que não encheu os olhos de ninguém, embora tenha terminado numa posição razoável. Só apareceu mesmo em um único momento, na disputa com Mark Webber. Os dois quase se tocaram, o australiano escapou pela chicane, retornou sem olhar para o retrovisor e acabou assustando o pai de Felipinho, que rodou e tostou os pneus. Fora isso, não há muito para dizer. Seu carro não tinha as atualizações que a Ferrari havia preparado para Abu Dhabi e também não se comportou maravilhosamente bem durante o fim de semana. Massa largou em oitavo e finalizou em sétimo. Fez a lição de casa sem exceder.

BRUNO SENNA7 – Justiça seja feita, o cara fez uma corrida persistente e pra lá de competente. OK, seu carro era bom e tal, mas são poucos aqueles que levam um empurrão daqueles na largada, caem para último, se recuperam e terminam em oitavo. Discreto nos treinos como sempre, Bruno largou em 14º e foi miseravelmente acertado por Nico Hülkenberg na primeira curva. Deu sorte, não deixou o carro morrer e seguiu em frente. Também foi favorecido pelo destino quando Sebastian Vettel bateu na sua roda traseira, que permaneceu inteira. Beneficiado pelas muitas mudanças e também pelo seu próprio desempenho, levou quatro pontos para casa. Resta saber se isso lhe ajudará a conseguir um emprego.

PAUL DI RESTA6 – Corrida estranha, mas premiada com dois pontos no final. O sóbrio escocês não foi bem novamente nos treinos e ficou duas posições atrás de Nico Hülkenberg no grid. Na largada, foi acertado pelo próprio companheiro e teve de ir aos boxes para colocar borracha redonda nova. As duas entradas do safety-car permitiram que Di Resta se recuperasse e voltasse à briga. Ele ainda fez mais duas paradas e a última o permitiu a andar forte nas voltas derradeiras. Terminou grudado em Bruno Senna.

DANIEL RICCIARDO5 – Terminou entre os dez primeiros pela sexta vez na temporada, uma proeza em se tratando de um piloto da Toro Rosso. Nos treinos, os aborrecimentos de sempre. O fim de semana começou a ficar bom logo na primeira volta do GP, quando o australiano conseguiu ganhar boas posições após as confusões da primeira curva. Durante o primeiro safety-car, assustou a toda a nação rubrotaurina quando fez um movimento estranho e quase acabou com a participação de Sebastian Vettel. Andou bem enquanto teve pneus macios, no início e no fim da corrida. Seu décimo lugar veio na piedade, com Michael Schumacher fungando no pescoço.

MICHAEL SCHUMACHER1 – Fim de carreira sombrio para o heptacampeão. O que dizer de alguém que fica em 14º em dois treinos livres, no Q1 e no Q2 da qualificação? No Q3, melhorou e, veja só, até conseguiu um 13º lugar no grid. E além de lento, o cara está azarado como nunca. Escapou das carambolas da primeira curva, que sempre costumam envolvê-lo, e andou entre os dez primeiros durante um bom tempo, mas teve um furo de pneu e foi obrigado a parar nos boxes para trocá-lo. Com isso, acabou ficando a uma posição dos pontos. Terá mais dois fins de semana para tentar fazer alguma coisa. Ou seja, perda de tempo.

JEAN-ÉRIC VERGNE2,5 – Sem novidades. Enquanto o companheiro Daniel Ricciardo celebrou o solitário pontinho, o francês terminou na seca novamente. Não mostrou grandes coisas nos treinos, ficou no Q1 da qualificação e largou apenas em 17º. No início do GP, ganhou boas posições, mas fez um pit-stop logo nas primeiras voltas para aproveitar o período de bandeira amarela. Daí para frente, apareceu muito pouco. No fim da corrida, ficou sem pneus e não teve como sonhar com pontos.

HEIKKI KOVALAINEN4,5 – O 13º lugar até parece sugerir que o finlandês teve uma ótima corrida, mas não foi o caso. A Caterham já não ameaça mais a Toro Rosso e Kovalainen sofreu muito para ficar a menos de um segundo de Jean-Éric Vergne no treino oficial. O GP foi bom por causa das inúmeras encrencas que estragaram a vida de muita gente. Poderia ter sido melhor se não fosse um problema no KERS. Por pouco, não ajudou a Caterham a ultrapassar a Marussia no campeonato.

TIMO GLOCK5,5 – Este, sim, fez uma corrida interessante. Só isso mesmo para compensar o mau desempenho no treino oficial, onde ele ficou duas posições atrás do companheiro Charles Pic. O alemão mandou muito bem na largada, quando passou toda a galera das equipes nanicas e subiu para 14º. De forma competente, conseguiu segurar a Caterham de Vitaly Petrov durante todo o tempo. No fim da corrida, fez talvez seu maior milagre desde que entrou na equipe: conteve os ataques de Sergio Pérez e finalizou à sua frente. Disse e repito: é bom piloto e merece lugar bem melhor na Fórmula 1.

SERGIO PÉREZ3,5 – Tinha tudo para ter obtido um grande resultado nesta corrida, mas fez uma cagada daquelas e acabou o dia chorando atrás de Timo Glock. Foi bem melhor que Kamui Kobayashi no treino oficial e obteve uma razoável 11ª posição no grid, o máximo que o carro da Sauber parecia capaz de fazer. No GP, foi um dos últimos a fazer seu primeiro pit-stop e parecia vir rumo ao pódio, mas causou um acidente bizarríssimo na volta 38. Graças a ele, Romain Grosjean e Mark Webber abandonaram a prova. Pela besteira, o mexicano foi punido e despencou para o fim do pelotão. Aí, não havia estratégia extravagante que ajudasse.

VITALY PETROV2 – Desta vez, foi claramente batido por Heikki Kovalainen, coisa que não vinha acontecendo nos outros fins de semana. Foram dias em que poucas coisas deram certo. Logo na sexta-feira, quase não andou porque seu carro teve problemas nas mãos de Giedo van der Garde no primeiro treino. Na qualificação, foi batido pela Marussia de Charles Pic e terminou o dia com a imagem arranhada. Durante a corrida, ficou quase todo o tempo atrás da outra Marussia, de Timo Glock. Fim de semana fraquinho de alguém que não parece estar tão confiante a respeito de uma quarta temporada na Fórmula 1.

PEDRO DE LA ROSA3 – Coitado. A HRT está quase falida, procurando desesperadamente um comprador. Aquela sensação de avanço que a gente tinha com a equipe já era. Desta vez, o veterano espanhol quase não largou por causa de, creia, um fio do cobertor elétrico que ficou embaraçado e não permitiu que o carro largasse com os demais carros. Durante as primeiras voltas, após largar dos pits, De la Rosa teve de se virar com pneus gelados. Mesmo assim, andou numa boa e finalizou a corrida.

CHARLES PIC5 – Vai ganhar um post quando este blog voltar à normalidade. É um cabra bom demais, o melhor companheiro de Timo Glock desde Jarno Trulli. No treino oficial, deixou para trás o colega alemão e também a Caterham de Vitaly Petrov. Chegou a sair da pista na primeira volta, o que lhe custou algumas posições, mas não perdeu a competitividade e tentou ultrapassar Petrov em várias ocasiões. Não conseguiu porque seu carro não tem KERS, veja só. No final da corrida, o precário motor Cosworth quebrou e não deu pra fazer mais nada.

ROMAIN GROSJEAN3,5 – Teoricamente, todo acidente que acontece na Fórmula 1 é culpa dele ou de Pastor Maldonado, mas o GP de Abu Dhabi foi tão sui generis que o franco-suíço não teve culpa alguma nos três incidentes em que esteve envolvido. Após largar em nono, Romain foi tocado por Nico Rosberg na primeira volta e teve de ir aos pits colocar um pneu novo. Na volta 16, durante a disputa renhida com Sebastian Vettel, o alemão chegou a ultrapassá-lo com as quatro rodas fora da pista, manobra proibida. Só não rolou punição a Vettel porque ele devolveu a posição logo depois. Por fim, o acidente besta causado por Sergio Pérez tirou Grosjean da prova na volta 38. Dessa vez, a Lotus não pode reclamar do seu pupilo.

MARK WEBBER0 – Bom, vamos lá. Não fez nada de novo nos treinos e só assegurou lugar na primeira fila porque o companheiro Sebastian Vettel foi punido ainda no sábado. Na primeira volta, o australiano repetiu as péssimas largadas do ano passado e perdeu um turbilhão de posições antes da primeira curva. Logo depois, não aguentou a pressão de Fernando Alonso e foi ultrapassado, o que deve ter deixado a Red Bull muito feliz. Mais adiante, causou acidentes idiotas com Pastor Maldonado e Felipe Massa, complicando a vida de ambos. A cereja do bolo foi o acidente com Sergio Pérez, Paul di Resta e Romain Grosjean na fatídica volta 38. Enfim, não preciso dizer mais nada, né?

LEWIS HAMILTON10 – Foi o primeiro colocado em dois treinos livres, nas três partes do treino classificatório e liderou todas as voltas da corrida enquanto esteve na pista. O problema é que ele já não estava mais lá no 19º giro, quando a bomba de gasolina falhou e deixou o britânico na mão. Uma tremenda injustiça, é óbvio. Hamilton foi o dominador do fim de semana e merecia a vitória mais do que qualquer outro no grid. Não é a primeira vez que problemas deste tipo o afetam nesta temporada. Pensando bem, sua enorme insatisfação com a McLaren até faz algum sentido. Como compensação, a nota máxima deste blog.

NARAIN KARTHIKEYAN1 – O fim de semana durou pouco e não foi bom para ele. Nos dois treinos livres que fez, ficou em último. No treino oficial, para variar, voltou a ficar em último. Só não largou em último graças à punição de Sebastian Vettel. A corrida acabou de maneira perigosa na volta oito: seu carro começou a ter problemas hidráulicos e ficou ainda mais lento do que o normal. Nico Rosberg, que vinha logo atrás, não conseguiu desviar e atropelou o pobre indiano da HRT. Um acidente feio, que não resultou em mortos e feridos por pouco.

NICO ROSBERG1,5 – Pela terceira vez em quatro corridas, abandonou logo no começo. Está mais azarado até mesmo do que seu companheiro Michael Schumacher. No entanto, nem dá para criticar seu desempenho, bastante interessante para o nível de carro que ele tem. O que posso comentar é a barbeiragem da primeira volta, que estragou não sou sua corrida como a de Romain Grosjean. Relegado às últimas posições, Nico tentou iniciar uma prova de recuperação. O sonho acabou no acidente da oitava volta, no qual ele voou sobre o carro de Narain Karthikeyan e acabou na barreira de pneus. Deu sorte de não sair ferido, mas também só deu sorte nisso.

NICO HÜLKENBERG3 – Prometia uma boa corrida, provavelmente melhor que a de Paul di Resta, mas pôs tudo a perder numa barbeiragem besta na primeira curva. Tentou dividir posição com o próprio companheiro e tudo o que conseguiu foi levar uma penca de gente para fora da pista. O toque em Bruno Senna foi forte, mas só o seu carro ficou danificado. Abandono infeliz para alguém que acabou de ser contratado pela Sauber – haveria uma maldição dos pilotos que trocam de equipe?

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