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KIMI RÄIKKÖNEN9,5 – O finlandês mais mineiro do grid mineiramente venceu a primeira do ano. Pelo que mostrou nos treinos livres, não era exatamente um favorito franco à vitória, mas o show dominical se deu no campo da estratégia. Saindo da sétima posição, ele apostou numa tática de apenas dois pit-stops e um único stint de oito voltas com pneus supermacios. Com isso, economizou uma parada e saltou lá para a liderança definitiva na volta 43. Tinha um carro muito bom em mãos e ainda meteu uma ultrapassagem por fora sobre Lewis Hamilton lá no começo da prova. Vitória cerebral, “uma das mais fáceis da minha vida”. Além de tudo, esnoba.

FERNANDO ALONSO8 – Ganhou e perdeu na estratégia. Segundo colocado na corrida, o Corneteiro das Astúrias vociferou muito neste fim de semana, mas não pegou o caneco. Reclamou do carro, desdenhou da vitória de Räikkönen, comemorou o fracasso de Sebastian Vettel e, se bobear, deve até ter dito que o bigodinho de Hitler não era tão feio assim. Nos treinos, de fato, não teve a mais fácil das vidas. A corrida foi boa, mas sem estardalhaço. Uma boa largada, uma rasteira dada em Felipe Massa e Sebastian Vettel no segundo pit-stop e uma rasteira tomada de Kimi Räikkönen na parte final da prova. Destaco também o belo duelo com seu ex-parça Lewis Hamilton. Terminou a corrida no pódio, mas não estava feliz. Como sempre.

SEBASTIAN VETTEL8 – Era a aposta de 37 em cada dez pessoas para a vitória, mas acabou derrotado pela inesperada gula por pneus de seu carro. Liderou dois treinos livres, marcou uma pole-position tranquila e aparentava ser o cara que Roberto Carlos cantava naquela medonha canção. De forma surpreendente, a corrida foi difícil. Sofreu com a pressão de Felipe Massa no início da prova e ainda foi ultrapassado por Fernando Alonso (e Kimi Räikkönen) no pit-stop. Sem conseguir lidar bem com os compostos médios, o tricampeão ficou longe da vitória e teve de se contentar com o terceiro lugar. Mas ele estava contente. Como sempre.

FELIPE MASSA8,5 – Finalmente, uma boa atuação em Melbourne. Para ser honesto, o quarto lugar não fez jus ao seu excelente fim de semana, no qual esteve competitivo desde a sexta-feira. No treino oficial, dividido em dois dias, Felipe bateu forte no Q1 e deu muita sorte de não ter ficado com nada além de uma dorzinha no pescoço e do seu carro não ter ido para o ferro velho. De volta à ação, conseguiu um bom quarto lugar no grid, logo à frente de Fernando Alonso. No GP, a boa fase continuou. Felipe fez ótima largada, pulou para segundo e pressionou Sebastian Vettel durante um bom tempo. Poderia ter chegado ao pódio, mas foi vítima de uma estratégia para lá de duvidosa por parte da Ferrari e acabou ultrapassado por Alonso no pit-stop. Depois, ainda perdeu um tempinho atrás de Adrian Sutil. Mas os pontos vieram. Como é bom ver o língua-presa confiante e sentando a bota.

LEWIS HAMILTON7,5 – Seu primeiro fim de semana na nova casa foi tão atribulado que o quinto lugar foi até uma surpresa positiva. Ainda conhecendo o carro, Lewis sapateou para lá e para cá durante os treinos. Na classificação, bateu na primeira curva durante o Q1 e deu sorte de ter continuado, obtendo um ótimo terceiro lugar no grid. Difícil mesmo foi a corrida. Lewis teve problemas com os pneus médios e tomou ultrapassagens de um monte de gente, com destaque para as manobras de Kimi Räikkönen e Fernando Alonso. Bom piloto que é, ainda conseguiu terminar em quinto. O trabalho só está começando.

MARK WEBBER5,5 – Não dá sorte mesmo em casa. Enquanto Sebastian Vettel lidera os treinos e sempre dá algum jeito de obter um bom resultado, Mark Webber se fode com sua própria falta de ritmo e com os gremlins que costumam atacar seu carro. A corrida foi uma desgraça total. Segundo colocado no grid, Mark fez sua rotineira largada horrorosa e desapareceu da disputa pelas primeiras posições. Problemas no KERS, na telemetria e nos pneus (!) também não lhe ajudaram muito. Terminar em sexto não foi de todo ruim, mas cá entre nós: é mais prazeroso ficar em quinto andando de Minardi, não é?

ADRIAN SUTIL8 – Destaque dos treinos e sensação da corrida. Deu pau em Paul di Resta durante todo o tempo e só não foi melhor na qualificação porque bobeou com os pneus no Q2. Por não ter largado entre os dez primeiros, pôde mudar sua estratégia e decidiu ser um dos poucos a largar com pneus médios com a intenção de fazer apenas dois pit-stops. A tática funcionou parcialmente. Sutil conseguiu postergar ao máximo suas duas paradas, liderou onze voltas e esteve durante a maior parte do tempo entre os ponteiros. Surpreendentemente, andou rápido enquanto esteve com pneus médios. Com os supermacios, perdeu terreno e acabou terminando apenas em sétimo. De qualquer jeito, excelente reestreia.

PAUL DI RESTA6 – Se o resultado de Adrian Sutil parece ter sido pouco, o de Paul di Resta parece ter sido muito para sua atuação neste fim de semana. O escocês sentiu o baque e ficou atrás do colega alemão durante todo o tempo, conseguindo algo melhor apenas no Q3 da classificação, onde foi o nono. Praticamente não consegui acompanhá-lo durante a corrida. Sei que ele fez três pit-stops e que esteve misturado no meio do bolo durante todo o tempo. Que o cidadão agradeça pelo resultado que teve. E que dê uma melhorada de ânimo para as próximas etapas.

JENSON BUTTON2,5 – Para alguém que venceu três das últimas quatro corridas em Melbourne, um nono lugar nessa pista não pode ser considerado um resultado bom. Nem razoável. Fulo da vida com o carro durante todo o fim de semana, Jenson sofreu como um porco à beira do abate nos treinos e na corrida. Largou em décimo, não saiu do pelotão intermediário e só não ficou de fora da zona de pontos por detalhe. Quando estava de bom humor, disse que teria um bocado de trabalho para fazer. De mau humor, afirmou que a McLaren não ganhará nenhuma corrida nesse ano. Para a esposa, deve ter falado que até seu antigo Fórmula Ford era mais veloz.

ROMAIN GROSJEAN2 – Enquanto o companheiro vence a corrida, o suíço termina apenas em décimo. Uma tristeza, mas o cara admitiu que havia algo de errado no carro e que precisaria discutir com seus mecânicos, com o Papa e com o demônio para resolvê-los. Pelo menos, ele não bateu, o que é um avanço. E os resultados nos treinos, como a primeira posição no terceiro treino livre e a oitava no grid de largada, não foram de todo decepcionantes. Mas repito: com o mesmo carro, Kimi Räikkönen ganhou a corrida.

SERGIO PÉREZ1 – Estou aqui, torrando a cabeça, tentando me lembrar se algum piloto teve uma estreia tão ruim pela McLaren quanto o mexicano Pérez. Talvez Philippe Alliot em 1994? Isso pouco importa. O ex-piloto da Sauber mostrou que anda numa fase infernal e seu carro também não vem ajudando. Nos treinos, foi mal durante todo o tempo e não conseguiu nada melhor que um vergonhoso 15º lugar no grid. Na corrida, fez uma boa largada e só. Nem mesmo o fato de ter sido um dos poucos a largar com compostos médios lhe ajudou. Afundado com os problemas de desgaste de pneus, ficou fora da zona de pontuação pela sétima corrida seguida. Ay, caramba!

JEAN-ÉRIC VERGNE4 – Esteve anônimo durante quase todo o tempo, mas não dá para dizer que foi mal. Nos treinos, esteve pau a pau com Daniel Ricciardo e conseguiu superar o australiano quando realmente importava, a sessão classificatória. Durante a prova, chamou a atenção ao sair da pista na largada e ao conseguir marcar a segunda volta mais rápida da prova no final da corrida. Se tivesse um carro melhor, certamente teria marcado um ou outro pontinho.

ESTEBAN GUTIÉRREZ3 – Não será um ano fácil para os estreantes. Em Melbourne, o melhor deles foi o mexicano Gutiérrez, que é o que pilota o melhor carro. Mesmo assim, nem mesmo ele escapou das dificuldades. No Q1 da classificação, bateu sozinho e ficou um bom tempo sentado no carro, pensando na morte da bezerra. Largando lá de trás e apostando em três pit-stops, não tinha como esperar por muita coisa. Pelo menos, não cometeu nenhuma barbaridade durante a corrida e foi o único piloto da Sauber a chegar ao fim.

VALTTERI BOTTAS3 – Com um carro horrível como parece ser o da Williams, até que o finlandês fez bastante. Apanhou em todos os treinos e não ficou de fora do Q2 por muito pouco, mas ao menos fez uma corrida honesta e conseguiu ser o único de sua equipe a chegar ao fim. Erros aconteceram, mas nada de escandaloso. Pelo visto, não tem equipamento para tentar brigar com Esteban Gutiérrez pelo título informal de melhor estreante do ano.

JULES BIANCHI8 – Este, sim, foi um estreante que teve bons motivos para sorrir. Contratado de última hora para substituir Luiz Razia na Marussia, o francês teve apenas dois dias de pré-temporada para conhecer seu MR02. Mas foi o suficiente. Durante o fim de semana australiano, Jules não só meteu um chocolate no companheiro Max Chilton como também derrotou a dupla da Caterham com alguma facilidade. Na corrida, foi constantemente o melhor piloto das equipes nanicas. Se continuar assim nesse ano, vai roubar o emprego de Felipe Massa em 2014.

CHARLES PIC2,5 – Que encrenca, hein? Trocou a Marussia, que era uma merda total em 2012, pela Caterham, que parece ter virado uma merda total nesse ano. De forma inesperada, Pic teve problemas para enfrentar os pilotos da Marussia e perdeu até mesmo para o companheiro Giedo van der Garde no treino oficial. O acidente bobo no Q1 da classificação não lhe foi de grande ajuda. Durante a corrida, o francês se recuperou e deixou Van der Garde e Max Chilton para trás, mas não conseguiu superar Jules Bianchi. Prenúncio de um ano difícil.

MAX CHILTON3 – É realmente foda quando um cara desses, que nunca fez absolutamente nada no automobilismo de base, chega à Fórmula 1. O mais triste é ver que seu carro não parece ser tão ruim e poderia estar sendo ocupado por alguém bem melhor. Em todos os treinos, Chilton tomou quase um segundo do companheiro Jules Bianchi. Durante a corrida, teve um duelo com Giedo van der Garde e só. Não ficou em último em nenhuma das sessões unicamente porque seu MR02 não foi o pior carro do grid em Melbourne. Não dá para torcer por um cara desses.

GIEDO VAN DER GARDE2 – Quando você junta um piloto ruim e um carro pior ainda, o resultado não pode ser muito positivo. O holandês, contemporâneo de Lewis Hamilton e Nico Rosberg na Fórmula 3, ficou em último nos dois primeiros treinos livres e só não largou na última posição porque o companheiro Charles Pic bateu, ainda que ele mesmo também tivesse esbarrado os pneus no Q1. Na corrida, foi derrotado no deprimente duelo com Max Chilton e acabou fechando a lista dos 18 pilotos que chegaram até o fim. Também não dá para torcer por um cara desses.

DANIEL RICCIARDO2 – Os pilotos australianos só podem estar eternamente amaldiçoados no GP de seu país, não é possível. Em Melbourne, Daniel Ricciardo teve um fim de semana bem difícil. Normalmente muito mais veloz que o colega Jean-Éric Vergne nos treinos, o cara penou pra caramba e acabou ficando atrás do francês no grid de largada. A corrida foi outra merda. Daniel caiu para último na primeira volta graças a uma saída de pista e abandonou devido a uma falha no escapamento. Enquanto esteve na contenda, não fez nada de notável.

NICO ROSBERG5 – Como menção positiva, o fato de não ter levado aquela surra de Lewis Hamilton que muitos esperavam. O alemão manteve-se digno e foi a sensação tanto do Q1 como do Q2 da classificação. No Q3, ficou apenas em sexto, mas não desanimou. Durante a corrida, esteve sempre na cola de Lewis Hamilton e chegou a liderar uma voltinha. Poderia ter terminado tranquilamente entre os seis primeiros, mas um problema elétrico encerrou sua corrida prematuramente.

PASTOR MALDONADO0,5 – Em 2012, ele compensava sua absoluta falta de sensatez com velocidade, já que o carro permitia. Nesse ano, com a Williams cagando no desenvolvimento do FW35, o venezuelano deverá ter uma temporada complicada. Em Melbourne, absolutamente nada deu certo para ele. No treino oficial, teve de fazer companhia ao estreante Esteban Gutiérrez e às equipes nanicas na degola do Q1. Durante a prova, até se recuperou e ganhou algumas posições, mas colocou tudo a perder numa rodada tosca na volta 24.

NICO HÜLKENBERG1,5 – Outro que nunca dá sorte em Melbourne – ô lugar ingrato, heinhô? Nos dois últimos anos, ele não conseguiu completar uma volta. Nesse ano, ele se superou e sequer alinhou no grid graças a um problema no sistema de alimentação do seu carro. É bom que se diga que seu fim de semana não vinha sendo genial até ali. O C32 não é um grande bólido e Nico ficou entalado nas posições intermediárias durante todo o tempo. Pode não ser um bom sinal.

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