demoniodatasmania

LOTUS8,5 – A equipe favorita de todos não tinha o melhor carro, mas deu um baile em estratégia para Red Bull nenhuma botar defeito. Os belos carros rubro-negros não deram aquele salto de competitividade que todos esperavam e o próprio Kimi Räikkönen, vencedor da corrida, foi o primeiro a admitir que a escuderia não tem todo esse gás para continuar na frente por muito mais tempo. Então, que aproveite enquanto os ventos sopram a favor. Kimi não esteve entre os favoritos em momento algum, inclusive no treino oficial, mas virou o jogo com uma boa estratégia de dois pit-stops. Como resultado, venceu pela segunda vez em Melbourne. Romain Grosjean foi coadjuvante durante todo o tempo e reclamou bastante do carro. Que, ao menos, chegou inteiro ao fim.

FERRARI3 – O que foi aquilo que fizeram com Felipe Massa? Na mais branda das hipóteses, que é a que eu gostaria de acreditar, Rob Smedley e asseclas cometeram um erro primário de julgamento e deixaram o brasileiro ficar na pista por mais tempo do que deveria antes de seu segundo pit-stop. Na pior das hipóteses, que é a mais provável, a Scuderia fez o que fez apenas para colocar Fernando Alonso à frente. Felipe, graças ao absurdo, acabou perdendo também uma posição para Sebastian Vettel. Muito legal a Ferrari, de histórico esportivo impecável, só que não. Pelo menos, o resultado final não foi tão ruim. Alonso terminou em segundo e Massa ficou em quarto. O Angustiado das Astúrias, aliás, andou reclamando bastante de seu bólido, que seria ruim como beterraba podre. Palavras, diria Shakespeare…

RED BULL7 – Para quem não é torcedor de carteirinha da trupe dos energéticos e sonha com uma Fórmula 1 mais democrática, o fracasso dos rubrotaurinos na corrida foi um grande alívio. Sebastian Vettel mandou e desmandou nos treinos e fez a pole-position, mas não ganhou porque seu carro gastou pneu demais e também devido aos golpes estratégicos de Kimi Räikkönen e Fernando Alonso. Pelo menos, bebeu champanhe ao lado deles. Mark Webber fez o de sempre: cumpriu tabela nos treinos, largou mal pra caramba e terminou lá atrás devido a um monte de problemas, principalmente na centralina eletrônica e no KERS.

MERCEDES6 – Fim de semana de aprendizado. Para Lewis Hamilton, que ainda precisa se aclimatar melhor, e para a equipe técnica, que ainda funde a cachola tentando resolver os problemas de confiabilidade do carro. Ruim, ele não é. Ainda que não seja uma Brastemp, o W04 deve se garantir ao menos entre os quatro melhores bólidos do ano. Hamilton errou um monte nos treinos, mas largou em terceiro e suou a camisa para terminar em quinto, mesmo com os problemas nos pneus. Nico Rosberg não se abalou com a presença do inglês e foi bem, ainda que não tenha terminado a corrida por causa de um problema elétrico. Fique atento na dupla em Sepang.

FORCE INDIA7,5 – Foi, basicamente, a quinta melhor equipe do GP da Austrália, atrás apenas de Red Bull, Ferrari, Lotus e Mercedes. Os indianos, sempre afundados em problemas financeiros, parecem ter acertado a mão e construíram um carro que foi capaz de ficar sempre entre os dez primeiros em Melbourne. Adrian Sutil foi um dos bons destaques: andou bem nos treinos e compensou uma posição meia-boca no grid de largada com uma ótima estratégia de dois pit-stops. Terminou em sétimo, logo à frente do companheiro Paul di Resta, que teve atuação apenas morna. O escocês reclamou que não ficou em sétimo apenas por causa de ordens de equipe. Que tal caprichar um pouco mais na estratégia da próxima, Paul?

MCLAREN1,5 – Jenson Button já vinha advertindo desde a pré-temporada: o carro é podre, muita coisa precisa ser modificada, é melhor começar com o bólido de 1979 e por aí vai. O inglês, sempre muito educado e cordial, tinha razão. O MP4-28 é um troço de qualidade duvidosa que precisa urgentemente de atualizações. Button, de excelente histórico em Melbourne, teve um fim de semana discretíssimo e conseguiu levar apenas dois pontos para casa. Pior ainda foi o desempenho de Sergio Pérez, às raias do vexame. Em sua primeira corrida na casa de Woking, o mexicano ficou sempre no pelotão intermediário e terminou fora da zona de pontos. Enfim, tudo deu errado para a McLaren. Até mesmo a centralina eletrônica que ela vende à Red Bull falhou com Mark Webber…

TORO ROSSO3,5 – Entra ano, sai ano, fulana melhora, beltrana piora e a Toro Rosso está sempre na mesma. O STR8 é uma evolução apenas milimétrica em relação ao STR7 do ano passado. Jean-Éric Vergne e Daniel Ricciardo permaneceram no meio do pelotão durante todo o tempo e devem muitos agradecimentos aos desastres pessoais da Williams e de Esteban Gutiérrez. O francês ainda se deu um pouco melhor: largou à frente de Ricciardo e terminou a corrida tendo feito a segunda volta mais rápida da prova. O australiano abandonou com o escapamento quebrado.

SAUBER2,5 – Uma célula de gasolina perfurada foi a causa que impediu Nico Hülkenberg de participar do GP da Austrália. O piloto alemão, que fazia sua estreia na equipe suíça, largaria da 11ª posição, mas acabou sendo limado por “razões de segurança”. Seu companheiro, o novato Esteban Gutiérrez, foi o representante solitário da bandeira helvética na corrida. Não fez nada de mais e terminou apenas em 13º, o melhor resultado de um estreante na prova. O carro parece ser apenas mediano. Não é nenhum desastre da engenharia, mas também não fará a Sauber subir muitos patamares.

WILLIAMS1 – O que foi aquilo? A equipe que já venceu nove campeonatos de construtores teve, talvez, seu pior início de temporada desde que Frank Williams e Patrick Head estabeleceram uma sociedade. Pastor Maldonado e o novato Valtteri Bottas passaram a maior parte do tempo nas últimas posições, em muitos casos à frente apenas das paupérrimas Caterham e Marussia. O venezuelano sobrou no Q1 da qualificação e abandonou após rodar sozinho na curva 1. Bottas fez seu trabalho com alguma dignidade e chegou ao fim. Os dois não pareciam exatamente contentes com o FW35.

MARUSSIA6,5 – Seria esta a décima equipe da temporada 2013? Se depender dos resultados da pré-temporada e do GP da Austrália, a resposta é afirmativa. A equipe liderada por Nikolai Fomenko parece ter dado um notável salto de qualidade com seu bonito MR02. Podemos creditar parte do sucesso ao estreante Jules Bianchi, que foi um dos destaques da etapa de Melbourne. Protegido da Ferrari, Bianchi foi quase sempre o melhor piloto das equipes nanicas e terminou a prova em 15º. É uma pena que o outro carro seja ocupado por um bração como Max Chilton, que passou a maior parte do tempo trocando farpas com a sofredora dupla da Caterham. Mas o pai é um dos sócios, fazer o quê?

CATERHAM1 – É engraçado, mas parece que quanto mais experiência a equipe ganha, mais incompetente ela fica. Até aqui, foram pouquíssimas as vezes em que seus carros esverdeados superaram os rivais da Marussia. Em Melbourne, Charles Pic e Giedo van der Garde passaram a maior parte do tempo na lanterninha. Pic ainda conseguiu dar algum combate a Max Chilton, mas sua vida esteve longe de ser fácil. Van der Garde ficou em último durante quase todo o tempo. No Q1 da classificação, cada um dos pilotos arrebentou o bico no muro, para desespero do departamento financeiro da escuderia. Se nada mudar, até mesmo o futuro da Caterham poderá ficar ameaçado.

equidna

CORRIDARINGUE DE COMADRES – Corrida na Austrália, para mim, tem de ter lágrimas, suor e muito sangue. Geralmente, é a prova que tem mais acidentes, bizarrices e confusões. Via de regra, quando o GP é ruim, o restante da temporada acaba sendo uma tremenda chatice. Por isso, fiquei com um grande ponto de interrogação na cabeça. Não sei dizer se gostei da corrida. Ela teve um vencedor diferente, o tal do Kimi Räikkönen, boas disputas na pista e uma verdadeira guerra de estratégias nos boxes. Mas faltou aquele algo mais que nos faz pensar “puxa, essa vai ficar para a história”. Ao menos para mim, o Grande Prêmio da Austrália de 2013 não ficará na minha memória por muito mais tempo. No fundo, o que eu queria ter visto após tanto tempo de espera era um daqueles acidentes colossais típicos de Melbourne. Sim, sou um carniceiro.

TRANSMISSÃOPARA QUE ESTUDAR? – O ponto alto da transmissão oficial brasileira, sem dúvida alguma, foi a citação a Antoine Lavoisier, um daqueles caras que a gente ouvia falar à exaustão nas aulas de química do ensino médio. O comentarista, que completou o ensino médio já faz algum tempo, quis ilustrar uma de suas explicações com a referência ao químico. “Porque, parafraseando Lavoisier, nada se cria, tudo se repete”. Repete? “Não. Nada se cria, tudo se copia”. Também não é isso. Depois de alguns segundos confusos, alguém certamente apita no ponto algo como “caceta, é ‘nada se cria, tudo se TRANSFORMA’, porra!”. Mas compreendo a confusão, pois eu também não dava a mínima para as aulas de química. Da mesma forma, o narrador também deve ter matado algumas aulas. Ao perceber que ventava demais no circuito de Melbourne, ele tentou recorrer aos seus conhecimentos matemáticos e meteorológicos para explicar aos telespectadores o quão furioso estava o clima: “a velocidade do vento é de seis metros por segundo. Isso daí você multiplica por 60 e depois multiplica por 60 para saber qual é a velocidade em quilômetros por hora”. Então o vento era de 21.600km/h? Agora eu entendo o porquê de terem interrompido o treino oficial. Entendo também que jornalistas escolhem ser jornalistas pela dificuldade incorrigível com as ciências exatas.

Anúncios