Se assustou com as imagens dos dois suportes de suspensão do carro do Sebastien Buemi explodindo no meio da reta? Eu também. Aproveitei a oportunidade para xingar a Toro Rosso e o circuito de Shanghai, duas coisas que definitivamente não me aprazem. Mas a situação do Buemi não é inédita. A Fórmula 1 já viu um monte de gente ficando na mão por alguma parte de seu carro ter voado para bem longe. Cinco histórias conhecidas (ou não).

5- RALPH FIRMAN, INTERLAGOS, 2003

O Jordan EJ13 não era lá um grande carro em termos de velocidade e resistência. Porém, seu maior problema era outro: a má qualidade das peças. Um de seus pilotos, o irlandês Ralph Firman, sentiu na pele por duas vezes o que era dirigir um carro que poderia sair soltando pedaço por aí em um piscar de olhos.

Em Interlagos, Firman vinha fazendo sua corridinha discreta quando, pouco antes do S do Senna, a suspensão dianteira direita não suportou as ondulações do circuito e explodiu. Sem controle, Ralph rodou e ainda acertou o Toyota de Olivier Panis para terminar na barreira de pneus. Foi só um susto, mas foi apenas o primeiro.

4- RALPH FIRMAN, HUNGARORING, 2003

O pobre Firman, alguns meses depois do acidente de Interlagos, passaria o maior susto de sua vida nos arredores de Mogyorod, no circuito de Hungaroring.

Nos treinos livres de sábado, Firman vinha acelerando no trecho 3 quando o aerofólio traseiro simplesmente se desmanchou. Sem perceber, Ralph seguiiu acelerando até chegar na curva 4. E quando ele foi frear, cadê o downforce? O carro saiu rodopiando em altíssima velocidade até se estatelar nos pneus, em um dos acidentes mais assustadores da década. Depois de apagar por alguns instantes, Ralph Firman foi levado ao hospital com um tornozelo quebrado e dores no pescoço. Acabou sendo substituído pelo piloto local Zsolt Baumgartner.

3- ROLF STOMMELEN, MONTJUICH, 1975

Pobre Stommelen… sempre muito azarado, o alemão. E o azar maior da sua carreira na Fórmula 1 acontecia justamente no seu melhor momento.

Rolf era piloto da Embassy-Hill, equipe mediana chefiada pelo bicampeão Graham Hill que terceirizava chassis da Lola. O carro não era uma maravilha, mas no circuito citadino de Montjuich talvez desse para fazer algo. Além do mais, revoltados com a falta de segurança da pista, alguns pilotos como os irmãos Fittipaldi acabaram desistindo da corrida. Mesmo que fosse pedir pra se machucar, correr em Montjuich poderia ser bom para Stommelen.

E, de fato, vinha sendo. Em determinado instante, Rolf Stommelen assumiu a liderança da corrida, algo inédito na sua carreira! Porém, na volta 23, o aerofólio traseiro do seu GH1 foi para o espaço e Stommelen saiu voando em direção às arquibancadas. A seguir, a tragédia maior: quatro mortos e vários ossos quebrados para o piloto alemão.

Os revoltados com o circuito estavam certos. Mas a Lola também leva parte da responsabilidade.

2- KIMI RAIKKONEN, NURBURGRING, 2005

2005 foi um ano atípico na Fórmula 1, no qual os pilotos tinham de utilizar o mesmo jogo de pneus durante uma corrida inteira. É evidente que uma coisa dessas não daria certo. O melhor exemplo disso é o acidente de Raikkonen em Nurburgring.

Kimi Raikkonen fazia uma corrida limpa e absolutamente tranquila. Porém, faltando oito voltas para o final da corrida, o pneu dianteiro direito começou a apresentar problemas. O uso excessivo do freios em Nurburgring faz com que os pneus se deteriorem, e o Michelin de Raikkonen chegou a um ponto de deterioração que acabou perdendo o formato circular. Com isso, o carro sofreria violentas vibrações no conjunto da suspensão. A cada freada, a situação piorava ainda mais, o pneu ficava ainda mais “quadrado” e as vibrações se tornavam mais fortes.

Era uma questão de saber quando aquilo lá ia para o espaço. Acabou indo justamente no pior momento, no começo da última volta. No início da freada para a primeira curva, o esforço sobre a suspensão foi tamanho que ela acabou explodindo e o carro de Raikkonen, descontrolado, acabou rodando em alta velocidade. Quase atingiu a BAR de Jenson Button e terminou tocando a barreira de pneus. Fim de corrida.

A partir daí, os gênios da FIA acabaram percebendo que a regra de não trocar pneus era completamente descabida.

1- RUBENS BARRICHELLO, HUNGARORING, 2003

Essa foi impressionante em todos os sentidos. A quebra, o acidente, a circunstância, a forma como sua equipe reagiu.

Na volta 20, Rubens Barrichello vinha se aproximando da freada da primeira curva quando a suspensão traseira esquerda simplesmente se desmanchou na freada, ejetando pneus e tudo o mais. Sem qualquer controle no volante ou nos freios, Barrichello simplesmente seguiu reto em direção à barreira de pneus. O acidente foi brutal e Rubens deu muita sorte em só ter mordido a língua.

A explicação da Ferrari, porém, não foi a melhor. Segundo os italianos, Rubens teria se excedido por duas vezes na chicane que compreende as curvas 6 e 7. O carro não teria suportado o “sobreesforço” e o resultado foi a explosão da suspensão. Um argumento insuficiente, já que o ataque agressivo às chicanes é uma necessidade não só no circuito húngaro mas em vários outros.

(ignore a música e o vídeo e vá direto para 1:45)

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