P.S.: Hoje, eu não escrevo sozinho. Tenho a companhia do leitor Enzo Maeda, que mandou as notas dos dez primeiros colocados e me poupou um puta tempo. Agradecimentos ao Enzo. Mando um cheque de 250 mil cruzados novos para qual endereço?

P.S.2: Querem contribuir nas próximas etapas? Basta mandar seus pitacos para leandro_kojima@yahoo.com.br

P.S.3: Imperdoável. O Marcelo Druck me mandou um texto excepcional sobre sua visita ao circuito de Yeongam há alguns meses e eu, idiota, ainda não o postei. Também sairá.

china

FERNANDO ALONSO (Enzo Maeda) – 10 – Voltou a mostrar porque é o melhor piloto em atividade. Com um carro no máximo em igualdade de condições com os melhores, que por sinal apresentaram equilíbrio nesta corrida, andou o máximo que podia com ambos os pneus. Fez ultrapassagens no braço, destaque para as sobre Lewis Hamilton, Sebastian Vettel e os dois pilotos da McLaren e no final administrou com folga a vantagem. Detesto sua personalidade, assim como suas atitudes, mas fez por merecer essa vitória e praticamente aniquilou o seu erro na prova anterior – já está na cola dos líderes na tabela do campeonato.

KIMI RÄIKKÖNEN (Enzo Maeda) – 8 – Fez também uma corrida muito interessante, mas sua atuação ficou um pouco apagada diante da excepcional corrida de Fernando Alonso. Excelente segundo no grid de largada, pôs tudo a perder com a má largada, caindo para quarta colocação logo de cara – se isso não acontecesse, poderia ter segurado Alonso e até vencido a prova. Também se precipitou na tentativa de ultrapassagem sobre Sergio Pérez por fora e, por sorte, ninguém se prejudicou. Do outro lado da moeda, também teve um ritmo constante e forte, segurando Lewis Hamilton no final, com um carro já se acabando na borracha.

LEWIS HAMILTON (Enzo Maeda) – 7,5 – Esperava-se um pouco mais do pole-position, pois aparentava ter o carro mais rápido (embora não necessariamente o melhor), mas o consumo de pneus não correu às mil maravilhas. Sofreu algumas ultrapassagens, como as da dupla da Ferrari, de Kimi Räikkönen nos boxes e, com mais uma volta, já com os pneus padecendo, também tomaria uma do veloz Sebastian Vettel. Passou legal por Jenson Button e por mais alguns carros que estavam à frente antes de suas paradas. Sua regularidade o fez se aproximar dos líderes.

SEBASTIAN VETTEL (Enzo Maeda) – 9 – Desta vez estava claro que não tinha o melhor carro, tanto é que não foi nenhum destaque nos treinos e amargurou a nona colocação no grid. Mas foi mostrando ao longo da corrida por que é tricampeão: ao largar com os compostos médios, foi realizando ultrapassagens, seja na pista, seja no momento dos boxes de outros carros. No final, usando pneus macios e com carro leve, descontou dez segundos em três voltas e na última curva encostou de vez no britânico, mas foi uma pena ter freado tarde e tracionado mal na última curva, onde poderia ter conquistado o pódio.

JENSON BUTTON (Enzo Maeda) – 9 – Longe de dispor do melhor carro, sua pilotagem técnica e inteligente (estilo “professor” Alain Prost) o fez poupar uma parada extra nos boxes e ainda lhe permitiu tempos quase iguais ao da concorrência. Não apareceu muito em ultrapassagens, tomando umas inclusive. Mas fez uma corrida ascendente e suas esperanças de dias melhores voltaram, sendo visível a evolução da McLaren frente a outras corridas, que foram um fiasco perante sua tradição.

FELIPE MASSA (Enzo Maeda) – 5  – Teve muita oscilação de desempenho, de forma descendente: liderança no treino de sexta, quinta colocação no grid e no início da corrida, com boa largada, estava no mesmo ritmo que Fernando Alonso e pressionando-o até a parada nos boxes, quando estava com pneus macios. A Ferrari teve a preferência pelo espanhol somente na primeira parada, fazendo-o parar uma volta depois, o que o levou a perder duas posições para Lewis Hamilton e Kimi Räikkönen devido ao desgaste dos compostos. Até aí, tudo bem. Mas após o retorno, com os compostos duros, além de perder muito tempo nas ultrapassagens, não se adaptou nessas condições. Isso é provado com a crescente vantagem de Alonso, que provavelmente com o mesmo carro, venceu a corrida. Outras paradas foram adiantadas para o brasileiro não ficar preso atrás de carros mais lentos, como de Paul di Resta e Nico Hülkenberg e foi seu tempo nos boxes o mais rápido de todos. Assim, é impossível atribuir culpa alguma à Scuderia.

DANIEL RICCIARDO (Enzo Maeda) – 8,5 – Fantástico nos treinos e na corrida. Largou bem, segurou alguns carros mais rápidos como os de Lewis Hamilton e Jenson Button e no final foi se aproximando perigosamente de Massa com pneus na casca. Com um carro no máximo mediano, ficou à frente de muitos carros superiores ao seu, como os de Romain Grosjean e Sergio Pérez. Fazia tempo que não pontuava, sendo que quando acontece, vem de baciada, ao contrário de seu companheiro francês Jean-Éric Vergne.

PAUL DI RESTA (Enzo Maeda) – 7 – Não foi um grande destaque, pois seu companheiro Sutil, zicado por batida causada por Gutierrez, estava à sua frente quando foi abalroado. Tomou ultrapassagem também do mesmo no início, mas compensou sua corrida como sendo uma pedra no sapato de Felipe Massa por muitas voltas, mesmo este tendo carro muito mais rápido. No final, com as paradas, acabou se contentando com o oitavo lugar.

ROMAIN GROSJEAN (Enzo Maeda) – 3,5 – Outro que teve uma diferença abissal de desempenho em relação ao companheiro desde a classificação, onde ficou na sexta colocação contra a segunda do Kimi Räikkönen. Na corrida, permaneceu sempre no pelotão intermediário, e se não fosse algumas ultrapassagens depois da metade da corrida em carros inferiores como o Sauber de Nico Hülkenberg e o McLaren de Sergio Perez, teria ficado de fora dos pontos enquanto seu companheiro fica em segundo. Parece que seu comportamento mais civilizado na corrida o fez ficar mais lento em relação ao ano passado.

NICO HÜLKENBERG (Enzo Maeda) – 8 – Com um carro no máximo mediano, conseguiu a façanha de liderar por algumas voltas, ajudado pela opção de largar com pneus mais rígidos, postergando sua primeira parada. Porém, com o passar das voltas, tomou algumas esperadas ultrapassagens e no final, sendo obrigado a usar pneus macios, acabou decaindo para a posição de lascar um pontinho. Mas, analisando o carro, inferior ao do ano passado e também seu companheiro trapalhão, fez corrida muito boa.

SERGIO PÉREZ (Verde)2,5 – Está perdidinho da Silva. Na sexta-feira, escapou da pista duas vezes. No sábado, apanhou do carro novamente e ficou apenas em 12º no grid. No domingo, nada deu certo. Tentou a mesma estratégia de dois pit-stops de Jenson Button, mas tudo o que conseguiu foi um carro lento que só servia para incomodar os pilotos que vinham atrás. Em determinado momento, Kimi Räikkönen lhe deu uma bela estampada na traseira. “O que diabos esse chicano lazarento está fazendo?”, indagou o lacônico finlandês. Nada. Sergio não fez nada. O fim de semana inteiro.

JEAN-ÉRIC VERGNE (Verde)3,5 – Não que ele tenha tido um fim de semana horroroso, mas a avaliação se torna bem cruel quando se compara sua atuação com a do colega Daniel Ricciardo. Largando oito posições atrás do companheiro, JEV não tinha muito o que fazer durante a corrida. Ainda foi bastante prejudicado quando Mark Webber atropelou seu carro, danificando o assoalho. Mesmo assim, terminou à frente dos dois caras da Williams.

VALTTERI BOTTAS (Verde)4 – No descalabro em que todos os pilotos estreantes dessa temporada se encontram, até que o finlandês da Williams conseguiu ter um razoável GP chinês. OK, ele largou lá atrás e terminou longe dos pontos, mas fez o que tinha de fazer. Escapou do Q1 na qualificação, não cometeu erros e conseguiu ultrapassar Pastor Maldonado nas últimas voltas. Jules Bianchi à parte, vem sendo o mais interessante dos novatos até aqui.

PASTOR MALDONADO (Verde)2,5 – De bom, apenas o fato de ter terminado sua primeira corrida na temporada. Durante os treinos, só pedreira. 14º no grid de largada, sem um carro ultraveloz e sem aquele ímpeto assassino característico de seus dois primeiros anos, o ex-chavista esteve sumido na corrida. Sofreu com os pneus durante todo o tempo e ainda foi ultrapassado por Valtteri Bottas no final da prova.

JULES BIANCHI (Verde)5 – Já deixou de ser uma surpresa. Em Shanghai, foi durante todo o tempo o mais veloz dos pilotos das equipes pequenas. Meteu oito décimos no companheiro Max Chilton no treino classificatório e se não fosse por um erro na volta mais rápida, poderia ter ficado mais perto da Sauber de Esteban Gutiérrez. Na corrida, penou com os pneus e passou um tempão atrás da Caterham de Charles Pic. Recuperou-se no final, mas teve de cuidar dos pneus, que se desgastaram rapidamente. Dia difícil, mas o resultado foi bom.

CHARLES PIC (Verde)4 – Teve uma sexta-feira pouco movimentada: entregou o carro ao lamentável Qing Hua Ma no primeiro treino livre e teve um problema hidráulico no segundo. Sem tanta quilometragem, ficou atrás até mesmo de Max Chilton no grid de largada. Até que o domingo foi aceitável. Largou bem e ultrapassou Jules Bianchi logo no começo. Poderia ter terminado à frente do compatriota, mas foi superado no último pit-stop.

MAX CHILTON (Verde)3 – Num fim de semana no qual a Caterham parecia não ter chance alguma contra a Marussia, o inglês tinha obrigação de ter andado ao menos na rabeira do companheiro Jules Bianchi. Pois isso não aconteceu. Na sexta-feira, praticamente não pilotou no segundo treino devido a um problema de motor. No sábado, graças ao carro, escapou da última fila. No domingo, foi superado por Charles Pic, mas ainda permaneceu à frente de Giedo van der Garde

GIEDO VAN DER GARDE (Verde)2,5 – Lanterninha desse início de temporada, o holandês sofreu com os pneus durante todo o tempo. Na sexta-feira, sambou para lá e para cá com o precário carro da Caterham e ainda teve problemas com o KERS. Só não ficou em último no grid porque Mark Webber foi penalizado. No domingo, fez uma ótima largada e só. Sempre pagando pecados com os pneus, não conseguiu sequer ameaçar Max Chilton.

NICO ROSBERG (Verde)4 – O vencedor do GP da China do ano passado foi feliz apenas no primeiro treino livre, onde foi o mais rápido. No terceiro treino livre de sábado, andou pouco devido a um problema hidráulico. No treino oficial, poderia ter conseguido um lugar na primeira fila ao lado do companheiro Lewis Hamilton, mas errou na volta rápida e ficou apenas em quarto. A corrida foi uma lástima. Nico largou mal, teve muitos problemas de pneus e a suspensão foi para o saco logo após o segundo pit-stop. O resultado foi o abandono, o segundo em três corridas.

MARK WEBBER (Verde)1 – Parece que o novo corte de cabelo só lhe trouxe problemas. Pelo visto, o australiano segue imerso em seu inferno astral. A Red Bull cometeu um erro primário no Q2 da classificação, deixando o carro nº 2 sem gasolina o suficiente para conseguir sequer retornar aos boxes. Penalizado, Webber foi obrigado a largar dos boxes. A corrida, que já não prometia muito, acabou na volta 15 após uma bobagem espúria do piloto australiano, que atropelou o carro de Jean-Éric Vergne na volta anterior. Com o bólido em frangalhos, só lhe restou a retirada compulsória.

ADRIAN SUTIL (Verde)2,5 – A partir do Q2 da classificação, tudo começou a dar errado para o piloto alemão. Sempre entre os dez primeiros nos treinos livres, Adrian só conseguiu um mirrado 13º lugar no grid. A corrida foi marcada por dois incidentes ainda nas primeiras voltas. Na primeira delas, Sutil e o companheiro Paul di Resta se tocaram e quase fizeram o chefe Vijay Mallya enfartar. Cinco giros depois, seu carro foi atropelado pelo Sauber de Esteban Gutiérrez. Com a asa traseira estourada, não deu para continuar.

ESTEBAN GUTIÉRREZ (Verde)0 – E o garoto que costumava tirar seus rivais da pista nos tempos da GP2 está de volta! Não sei qual será a melhor atuação de um estreante nesse ano, mas posso dizer que a de Esteban Gutiérrez na China é uma boa candidata à pior. O mexicano nunca conseguiu se encontrar, ficou sempre lá atrás nas tabelas e ainda teve um vazamento de óleo em um dos treinos livres. Sua corrida acabou na quinta volta após o moleque atropelar a traseira do carro de Adrian Sutil. Um erro crasso típico de alguém que ainda está com a cabeça nas categorias de base.

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