Coala Lumpur?

Coala Lumpur?

RED BULL9,5 – O desempenho na pista foi ótimo: liderança em dois treinos livres, pole-position fácil, pit-stops velocíssimos e dobradinha. Sebastian Vettel ganhou a corrida, Mark Webber chegou em segundo e todos os rubrotaurinos tinham a obrigação de estar felizes com um GP perfeito. Mas não estavam. Na verdade, o clima pesou no melhor estilo GP de San Marino de 1989. Após a última rodada de pit-stops, a equipe pediu pelo amor de Deus para que Webber e Vettel, então nessa ordem, mantivessem as posições até o fim, procedimento normal para qualquer equipe nessa situação. Mark obedeceu, mas o companheiro alemão preferiu quebrar o protocolo e partiu para o ataque, tomando para si a liderança e a vitória. Minha opinião sobre o assunto não é nem um pouco unânime, mas já está cristalizada. Ordens de equipes não deveriam existir, mas já que existem, que os dois pilotos cumpram seus papeis.

MERCEDES9 – O que eu escrevi para a Red Bull vale para a Mercedes. Na pista, o fim de semana foi ótimo. A equipe prateada conseguiu encontrar o caminho das pedras e o W04 esteve muito melhor em Sepang do que em Melbourne. Lewis Hamilton e Nico Rosberg sempre estiveram entre os primeiros nos treinos e só perderam para a Red Bull durante a corrida. O fim de semana só não foi perfeito por causa da palavra mágica “negativo”, proferida por Ross Brawn a um Rosberg curioso que queria saber se poderia atacar seu colega afrodescendente. Fiquei com tremenda pena do filho do Keke, um bom cidadão que paga todos os seus impostos e já contabiliza três temporadas de bons serviços prestados à Mercedes. Imagino que o cara deve estar se sentindo um lixo nesse momento, como se alguém criticasse seu penteado loiro. Pelo menos, ele cumpriu a ordem à risca. Ganhou tapinhas nas costas, garantiu o emprego e assegurou sua posição de segundo piloto. Duro, mas é melhor isso do que uma equipe pequena ou o desemprego.

FERRARI5,5 – Chega a ser curioso que numa corrida onde duas equipes de ponta se envolvem em polêmicas com ordens de equipe, a Ferrari, que é especialista no assunto, termine o GP na tranquilidade. É bom dizer que Felipe Massa só correu com mais liberdade porque Fernando Alonso abandonou ainda na segunda volta. O espanhol, sempre bocudo e totalmente incapaz de assumir seus erros, vaticinou que a equipe é a culpada, pois o obrigou a permanecer na pista com o bico quebrado quando não havia nenhuma condição para isso. Seria interessante se ele se lembrasse que quem bateu em Sebastian Vettel não foi a equipe… Massa, que conseguiu uma ótima segunda posição no grid, teve uma corrida difícil e terminou em quinto. O mais importante: não culpou ninguém pelo resultado decepcionante.

LOTUS4 – A equipe que venceu o GP da Austrália apareceu em Sepang meio tristinha, pálida, deprimida. Não que o carro fosse de todo mal – Kimi Räikkönen não liderou um dos treinos livres à toa. O caso é que todos nós queríamos vê-la brigando pela vitória com Red Bull e Mercedes, e isso não aconteceu. Kimi e Romain Grosjean tiveram problemas no Q2 da classificação, quando começou a chover, e nenhum deles conseguiu lá aquela posição genial do grid. O franco-suíço ainda apareceu melhor na corrida, tendo andado à frente do campeão de 2007 durante quase todo o tempo. Os dois terminaram em sexto e sétimo, respectivamente. Garanto que Kimi preferia ter encostado o carro na garagem e assistido o restante da corrida na companhia de uma garrafa gelada de Coca-Cola e um Magnum trufado.

SAUBER4 – A vida não tá fácil pra ninguém, especialmente pra equipe suíça. O C32, embora bonito, ainda não rende aquilo que todos estavam esperando. Além de não ser muito rápido, o bólido tritura seus pneus de forma assustadora. Nico Hülkenberg e Esteban Gutiérrez ficaram entalados no meio do pelotão durante todo o tempo, mas o alemão ainda conseguiu se recuperar razoavelmente bem no início do GP e terminou na oitava posição após alguns bons duelos. O mexicano só levou o carro ao fim, sem conseguir sequer ficar à frente de Valtteri Bottas.

MCLAREN2 – A vida não tá fácil pra ninguém, está muito difícil para a Sauber e quase insuportável para a outrora dominante McLaren. O GP da Austrália foi tão negativo que a escuderia teve de trazer, às pressas, algumas atualizações para o MP4-28 não passar vergonha também em Sepang. Os resultados melhoraram um pouquinho só, para ser bem franco. Jenson Button ainda conseguiu extrair o máximo do carro ao obter o sétimo lugar no grid e andar em quinto durante algum tempo no domingo. Infelizmente, um mecânico infeliz não conseguiu colocar uma das rodas corretamente, o que comprometeu definitivamente a corrida do piloto inglês. Sergio Pérez ficou no meio do bolo durante um bom tempo, conseguindo marcar dois humildes pontinhos. Tá foda, McLaren, tá foda.

TORO ROSSO3 – Não ficou livre de problemas, mas ainda conseguiu um pontinho, sempre com o oportunista Jean-Éric Vergne. O francês repetiu a mesma toada de 2012: largou bem atrás do companheiro Daniel Ricciardo, mas se deu melhor na corrida. O mérito é ainda maior se pensarmos que sua participação quase acabou após uma colisão com Charles Pic nos boxes, fruto da desastrada atuação do mecânico que cuida do pirulito. Ricciardo não fez muita coisa até abandonar com o escapamento quebrado.

WILLIAMS1,5 – A vida não tá fácil pra ninguém, está muito difícil para a Sauber, quase insuportável para a McLaren e simplesmente inviável para a Williams. O carro é tão ruim que o estreante Valtteri Bottas chegou a ficar um treino livre atrás do igualmente estreante Jules Bianchi, da Marussia. O finlandês ficou para trás no Q1 da classificação, mas compensou com uma corrida razoável e terminou a uma posição dos pontos. Pastor Maldonado fez o de sempre: errou um bocado e abandonou a corrida, dessa vez por problemas no KERS.

MARUSSIA6 – Mas nem todo mundo está tão ferrado assim. A Marussia, por exemplo, vive uma fase rósea, considerando seus padrões não muito altos. Jules Bianchi voltou a brilhar e novamente liderou a turma das equipes nanicas, sempre andando muito mais rápido que seus três rivais diretos. Vez por outra, ameaçava algum piloto das equipes médias. O francês não brilhou na GP2 e não conseguiu o título da World Series by Renault, mas parece ter se encontrado na Fórmula 1. Max Chilton tinha a obrigação de terminar à frente de Giedo van der Garde. Não terminou. O que o dinheiro não faz…

CATERHAM3 – Difícil avaliar. Os dois pilotos tiveram seus pequenos problemas durante a corrida – Charles Pic teve um bico quebrado após o acidente com Jean-Éric Vergne nos pits e Giedo van der Garde sofreu com um furo de pneu nas primeiras voltas. Os dois não conseguiram andar no mesmo ritmo de Jules Bianchi, mas também não tiveram muita dificuldade para superar a Marussia de Max Chilton. Andaram falando que a equipe só terá atualizações no Bahrein. Enquanto isso, o negócio é carregar a lanterninha.

FORCE INDIA0 – A equipe gasta centenas de milhões de dólares na contratação dos melhores profissionais disponíveis do mercado, no desenvolvimento dos monopostos mais sofisticados do planeta e na produção de milhares de pecinhas complexas e importantes, mas não sabe desenvolver um cubo de roda que preste. Paul di Resta e Adrian Sutil tinham bons carros e totais chances de marcar pontos, principalmente o piloto alemão. Mas ambos não terminaram a corrida porque o retardado responsável pela criação de pecinhas miseráveis estava cagando e fez um cubo de roda com o formato do rabo dele. O resultado foi uma série de pit-stops fracassados no último GP da Malásia: absolutamente nenhuma das paradas deu certo. E graças a isso, a chance de um ótimo resultado foi para o ralo.

Coala?

Coala?

TRANSMISSÃOBOA NOITE – Não tenho muito o que comentar a respeito da transmissão oficial por uma razão muito nobre: decidi dormir. Acho inaceitável desperdiçar uma madrugada de sábado para domingo onde eu poderia estar dormindo, transando, bebendo, roubando ou matando com uma corrida idiota. Preferi acompanhar o VT que sempre é exibido num canal pago por aí. Fiquei moderadamente satisfeito com o que eu vi. Senti saudade do histrionismo do narrador oficial, que estava cobrindo um outro esporte, mas a equipe do canal pago é bem competente. E um dos convidados foi o baiano Luiz Razia, ausência desagradável do grid da Fórmula 1 nesse ano. É isso aí: corrida de madrugada, nunca mais.

CORRIDACHUVA, CADÊ VOCÊ? – Sim, ela faz falta. Nos dias hidrofóbicos de hoje, nos quais qualquer cusparada no chão é motivo de desespero por parte de Charles Whiting, talvez não muito. Ainda assim, uma das grandes graças do GP malaio é a tradicional tempestade meio amazônica e meio monsônica que torna a prova um verdadeiro baile de aleijados. Infelizmente, a água desabou apenas entre as corridas de GP2 e Fórmula 1, sendo que os pilotos da categoria maior puderam largar tranquilamente com pneus intermediários. Em pista seca, a prova foi sonolenta até a parte final, quando as equipes Red Bull e Mercedes se viram obrigadas a resolver as picuinhas entre seus pilotos. Os rubrotaurinos impediram que o pau comesse, mas Sebastian Vettel ignorou as ordens e ganhou a corrida. Na Mercedes, o obediente Nico Rosberg não ultrapassou Lewis Hamilton após a ordem austera de Ross Brawn. Sendo bem honesto, foram esses probleminhas domésticos que salvaram a graça da prova.

GP2COMEÇÔÔÔ! – Calma que ainda vou dar um jeito de postar um especial sobre a temporada 2013 da GP2, que promete uma barbaridade. O nível dos pilotos melhorou drasticamente em relação ao ano passado e a disputa pelo título deverá envolver uns cinco ou seis nomes. Dois veteranos ganharam as corridas malaias. No sábado, o vencedor foi Fabio Leimer, que andou muito durante todo o tempo e fez uma ultrapassagem covarde sobre o pole-position Stefano Coletti. No dia seguinte, o monegasco Coletti largou espantosamente bem e saiu da sexta para a primeira posição num piscar de olhos. Ele venceu e foi acompanhado no pódio por Felipe Nasr e Mitch Evans. Aliás, fique de olho nos dois. O brasiliense Nasr, pilotando pela competente Carlin, é um dos bons candidatos ao título. Na Malásia, ele conseguiu somar 24 pontos e ocupa atualmente a terceira posição do campeonato, atrás apenas de Coletti e Leimer. Já o neozelandês Evans, campeão da GP3 no ano passado, foi o melhor dos estreantes com folga e somou logo de cara 11 pontos, deixando o seu companheiro, o veterano Johnny Cecotto Jr., mordendo o lábio de raiva. É uma pena que Mitch ainda não tenha o dinheiro para toda a temporada. Esperamos que os maoris consigam juntar alguma grana para apoiá-lo.

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