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JENSON BUTTON9 – Uma vitória discreta, quase banal diante dos acontecimentos de Interlagos. Jenson foi, definitivamente, um coadjuvante num dia de nervosa decisão de título mundial. Mas foi ele, Jenson, que sobreviveu a tudo e venceu pela primeira vez um GP do Brasil. Nos treinos, embora tenha largado da segunda posição, o britânico nunca foi considerado um favorito ao sucesso. Na primeira curva, chegou a ser ultrapassado por Felipe Massa, mas recuperou logo em seguida. Virou candidato à vitória quando decidiu permanecer na pista com pneus slicks nas primeiras voltas, estratégia genial. Depois, ultrapassado por Lewis Hamilton e Nico Hülkenberg, parecia conformado com o terceiro lugar, mas o acidente entre os dois abriu espaço para sua liderança. Sem maiores tropeços, Button fechou o ano no degrau mais alto do pódio, morrendo de rir. No ano que vem, terá uma McLaren somente para ele.

FERNANDO ALONSO8 – Fazer o que dava, ele fez. A corrida foi louca do jeito que ele queria? Sim, foi. O que faltou, então? Absolutamente nada. Simplesmente não deu. Sebastian Vettel soube maximizar as condições favoráveis de maneira melhor, deu a volta por cima em mais de uma ocasião negativa e ganhou mais um título merecido. Resta a Alonso erguer a cabeça e seguir em frente. Nos treinos, o carro da Ferrari realmente não estava nas melhores condições, tanto que o espanhol não conseguiu nada além de um sétimo lugar no grid. Na corrida, Alonso escapou de todas as confusões e chegou a acreditar que seria campeão do mundo após o problema de Vettel na primeira volta, mas o alemão se recuperou de maneira fantástica. O acidente entre Lewis Hamilton e Nico Hülkenberg lhe arranjou um lugar no pódio, assim como o benevolente Felipe Massa, mas o segundo lugar não foi o suficiente para o tricampeonato.

FELIPE MASSA8,5 – O único ponto negativo foi o choro no pódio, algo que soou para este escrevente como a admissão de que “nos dias de hoje, um terceiro lugar é como uma vitória para mim”. O resto foi muito bom: Felipe voltou a ser mais efetivo que Fernando Alonso. Teve dificuldades nos treinos livres, mas se superou na qualificação e largou duas posições à frente do bicampeão espanhol. Na primeira curva, foi tão bem que chegou a estar em segundo lugar, atrás apenas de Lewis Hamilton. Com as nuances da corrida, ficou lá atrás durante algum tempo, mas se recuperou e reassumiu a segunda posição na volta 58. As famigeradas ordens de equipe ferraristas o obrigaram a cair para terceiro, mas o resultado estava muito longe de ser ruim para alguém que mal marcava pontos no início do ano.

MARK WEBBER7 – Embora tenha sido o melhor piloto da Red Bull no resultado final, não teve brilho algum. Ficou em terceiro nos três treinos livres e no treino oficial, sem muitas chances de sonhar com coisa melhor. Na corrida, passou por algumas boas dificuldades. Perdeu um monte de posições logo no início, quase bateu com Sebastian Vettel numa disputa com Kamui Kobayashi, rodou sozinho na Junção e só assumiu a quarta posição no final da corrida. Ninguém prestou atenção, principalmente o pessoal da festiva Red Bull.

NICO HÜLKENBERG9,5 – A atração da corrida. Uma pena que o resultado final não tenha feito jus à emoção proporcionada pelo alemão, que liderou 30 voltas deste GP do Brasil. O cara já vinha bem desde o treino oficial, quando ficou entre os sete primeiros nas três fases e conseguiu um ótimo sexto lugar no grid. Nas primeiras voltas, foi espertão e não colocou pneus intermediários acreditando que a chuvinha passaria rapidamente. Acertou na mosca e foi agraciado com a segunda posição. Muito veloz, ainda conseguiu tomar a liderança das mãos de Jenson Button e por lá ficou durante um tempão. Infelizmente, um erro no Laranjinha, o acidente com Lewis Hamilton no S do Senna e a punição que lhe aplicaram pelo ocorrido acabaram com as chances de vitória, mas Nico ainda finalizou a prova em quinto. Um dos melhores pilotos da temporada, sem dúvida.

SEBASTIAN VETTEL9,5 – Ele não liderou nenhum dos três treinos de sexta-feira. Não conseguiu nada melhor que um quarto lugar no grid. Não largou bem. Não teve sorte quando foi tocado por Bruno Senna ainda na primeira volta. Não teve sossego com as inúmeras mudanças meteorológicas. Mesmo assim, o bravo alemão não desistiu em momento algum. Muito conservador, procurou não se meter em confusões e não ofereceu resistência a ultrapassagens de gente como Felipe Massa e Kamui Kobayashi. Só apertava um pouco o ritmo quando caía para trás e tinha de recuperar posições. No fim das contas, a recompensa final. Sebastian Vettel, tricampeão mundial de Fórmula 1. Mas que sufoco, hein?

MICHAEL SCHUMACHER7 – Até que a segunda despedida não foi tão ruim assim. O heptacampeão de 43 anos fechou o último capítulo de sua carreira com uma corrida dura e difícil, mas muito melhor do que as anteriores. Sem grandes expectativas, Schumi apenas cumpriu tabela nos treinos e teve de largar lá do meio do pelotão, na sétima fila. Um pneu furado, o milésimo nesta temporada, quase acabou com as chances de um bom resultado, mas as circunstâncias foram tão bizarras que o cara, mesmo após quatro pit-stops, ainda ganhou um monte de posições e terminou na sétima posição. Fico triste por dar-lhe uma nota que, apesar do número místico, não condiz com a grandeza de sua carreira.

JEAN-ÉRIC VERGNE6 – Um bom resultado de um cara que teve mais a reclamar do que a celebrar nesta temporada de estreia. Nunca andou bem em treinos e não foi em Interlagos que as coisas ficaram diferentes, ainda que tenha escapado do Q1 novamente. Durante a corrida, teve alguns probleminhas bem desagradáveis. A estratégia de adiar ao máximo o pit-stop só serviu para enganá-lo, pois o quinto lugar virou 15º após a primeira parada. Após o safety-car, o destruidor dos sonhos das equipes pequenas voltou a estragar a corrida de um coitado. Se a vítima de Valência foi Heikki Kovalainen, a de Interlagos foi Timo Glock, que foi acertado por trás e perdeu a chance de sonhar com pontos. No fim, apesar dos pesares, deu pro francês pontuar.

KAMUI KOBAYASHI5,5 – A Fórmula 1 certamente ficará mais pobre se o folclórico japa não encontrar outro emprego que não o de sushiman na bodega do pai. O fim de semana de Interlagos, nesse sentido, não deve ter ajudado muito. Kamui teve as mesmas dificuldades do companheiro Sergio Pérez no treino oficial e largou apenas em 14º. Na corrida, teve altos e baixos. Os momentos ruins foram os quase-acidentes com os multicampeões nazistas Michael Schumacher e Sebastian Vettel. Os bons foram as ultrapassagens sobre o próprio Vettel e Fernando Alonso. Se não fosse a rodada no final do dia, poderia ter terminado em oitavo. Com quatro ou dois pontos a mais, precisará quebrar mais cofrinhos para continuar correndo.

KIMI RÄIKKÖNEN10 – Fórmula 1 não é só ser campeão, beber champanhe e comer uma grid girl. Ao menos para mim, muito mais importante do que vencer é fazer toda a plateia rir e aplaudir. Depois das tortadas na cara e da florzinha que esguicha água, a desajeitada saída: é assim que funciona um bom espetáculo. Entendi neste GP do Brasil o porquê de Kimi Räikkönen ser o cara mais popular da categoria atualmente. Durante um momento de chuva, o finlandês passou reto pela Junção e tentou, todo espertão, encontrar um atalho pela antiga pista do anel externo. O resultado? Relembre aqui. Esse cara é um mito e não pode ganhar nota menor. Só espero que tenha encontrado o caminho de volta para a Finlândia.

VITALY PETROV8 – A corrida foi tão legal que até o Petrov andou bem. Normalmente, um 11º é um resultado profundamente lamentado por qualquer equipe normal, mas a modesta Caterham não é normal. Graças a esta singela posição, os esverdeados ultrapassaram a Marussia no campeonato de construtores e garantiram uma bocada 25 milhões de dólares maior no rateio da grana das transmissões televisivas destinada às equipes. E verdade seja dita, o russo fez um trabalho muito bom neste final de temporada. No Brasil, deixou Heikki Kovalainen para trás tanto nos treinos como na corrida, onde largou bem, chegou a andar em sétimo e garantiu a posição redentora após ultrapassar Charles Pic nas últimas voltinhas. Será que o soviético fica na Fórmula 1 no próximo ano?

CHARLES PIC6,5 – Eu juro por qualquer coisa que esse cara deixou Vitaly Petrov ultrapassá-lo de propósito nas últimas voltas. Afinal de contas, quem saiu ganhando com isso foi a Caterham, que garantiu a décima posição no campeonato de construtores e que, ironicamente, será sua equipe em 2013. Portanto, nada como dar uma sapecada na corrida para ajudar os futuros patrões. Dito isso, a corrida do francês foi boa novamente. Embora o resultado no treino oficial não tenha sido genial, o desempenho na corrida foi forte o suficiente para ter se mantido à frente de carros mais rápidos. Para mim, sem dúvida nenhuma, Pic foi o estreante do ano.

DANIEL RICCIARDO2,5 – Não adianta: este cara realmente foi mais rápido que Jean-Éric Vergne tanto em treinos como em corridas nesta temporada, mas nunca conseguiu o mesmo nível de resultados quando a sorte favorecia sua equipe. Em Interlagos, o pobre Ricciardo voltou a superar o francês na qualificação, mas teve uma corrida muitíssimo mais problemática. Largou bem e apareceu nas primeiras voltas, mas não contava com o assombroso número de cinco pit-stops, que lhe permitiu andar com os quatro tipos de pneus disponíveis durante um fim de semana (prime, option, intermediário e de chuva forte). Terminou lá atrás, é claro.

HEIKKI KOVALAINEN2,5 – Em Interlagos, esteve com cara, cheiro e gosto de aposentadoria precoce. Para a Caterham ter colocado Giedo van der Garde em seu lugar no primeiro treino livre, é porque o finlandês já está com pé e meio para fora da escuderia. Desanimado, não conseguiu bater Vitaly Petrov em nenhum dos treinamentos de que tomou parte, inclusive o oficial. Durante a corrida, andou entre os dez primeiros durante algum tempo e até sonhou com um bom resultado, mas os cinco pit-stops não lhe foram de grande ajuda. Que tristeza…

NICO ROSBERG1 – Foi talvez o piloto menos produtivo de todo o grid de Cingapura para cá: mesmo pilotando para uma das equipes mais ricas do mundial, não conseguiu marcar um único ponto sequer nas últimas seis etapas da temporada. No Brasil, o alemão teve mais um fim de semana ordinário. Teve até mais dificuldades do que o aposentado Michael Schumacher em alguns treinos livres e pegou apenas um décimo lugar insosso no grid. Na corrida, só apareceu quando deu o azar de estourar um pneu traseiro (sina da Mercedes em 2012) na Descida do Lago, sendo obrigado a fazer um pit-stop extra. Sem ajuda da sorte e sem um carro bom, terminou o ano na seca.

TIMO GLOCK4 – Era ele o cara para assegurar o décimo lugar à Marussia no campeonato de construtores. Mas, infelizmente, não deu. Agradeçam a Jean-Éric Vergne, que não gosta das equipes pequenas e atropelou o pobre piloto alemão enquanto este estava andando em 11º. Se tudo tivesse dado certo, Glock poderia ter marcado o primeiro ponto da história de uma das três escuderias nanicas dos últimos anos. Foi o único momento de brilho do algoz de Felipe Massa em 2008: nos treinos e nos demais momentos, Timo ficou sempre na mesma situação lamentável de sempre.

PEDRO DE LA ROSA3 – O GP do Brasil foi, muito provavelmente, sua última corrida na Fórmula 1. Afinal de contas, quem irá querer um limitado piloto espanhol de 41 anos que teve uma carreira bastante irregular na categoria? Mas, puxa vida, não dá para negar que a motivação ainda permanece grande. Em um dos treinos livres, Pedro até conseguiu superar os dois carros na Marussia. Seu treino oficial foi bastante atrapalhado por mais uma barbeiragem de Romain Grosjean, mas o carro ainda permaneceu inteiro. Na corrida, De La Rosa parou quatro vezes, chegou a andar em nono e finalizou em 17º. Dias depois, estava desempregado. Mesmo não sendo fã, fico triste por ele.

NARAIN KARTHIKEYAN2,5 – Sua carreira na Fórmula 1 também parece estar próxima do fim. Em Interlagos, o indiano não passou da última posição em todos os treinos e só não fechou o grid porque o companheiro Pedro de la Rosa foi prejudicado na qualificação. Durante a corrida, Narain teve as mesmas dificuldades do espanhol, fez quatro pit-stops e cruzou a linha de chegada sem maiores problemas.

PAUL DI RESTA4,5 – Pelos bons resultados nos treinos de sexta-feira, o escocês até deu alguns indícios de que poderia bater o companheiro Nico Hülkenberg no restante do fim de semana, mas isso não aconteceu. Enquanto o alemão brilhou lá nas primeiras posições, restou a Di Resta brigar pelas migalhas. O décimo lugar no grid e a ótima largada foram descompensados pela errônea estratégia de colocar pneus intermediários nas primeiras voltas. Ainda assim, o piloto da Force India manteve-se sempre fustigando os pontos. Quando bateu forte na Curva do Café, estava andando entre os dez primeiros. Terá de pilotar de forma um pouco mais agressiva se quiser crescer na Fórmula 1.

LEWIS HAMILTON9 – Perdeu uma grande chance de vitória por fatores externos pela segunda vez em três corridas. Desta vez, a culpa foi de Nico Hülkenberg, que se descontrolou no S do Senna e acertou o futuro piloto da Mercedes sem cerimônia. Triste fim para Hamilton, que poderia, sim, ter sido campeão se tivesse tido mais sorte. O conjunto carro + piloto estava quase perfeito em Interlagos: liderança em dois treinos livres, no treino oficial e durante treze voltas da corrida. É verdade que Jenson Button e principalmente Hülkenberg lhe deram muito trabalho, mas Lewis certamente era um forte candidato à vitória. Uma pena que sua carreira na McLaren tenha terminado desta forma, mas assim é a vida.

PASTOR MALDONADO1 – Dizem que correu em Interlagos, mas não acredito muito nisso. Foi um fim de semana inútil e caracterizado por ocorrências de acidente e punição, bem típico do venezuelano. Seu ótimo desempenho no treino oficial, quando conseguiu o sexto tempo no Q2 e no Q3, foi totalmente comprometido por uma punição de perda de dez posições no grid por não ter parado para pesagem obrigatória – que coisa, não? Largando lá atrás, Pastor decidiu sentar o pé no acelerador para tentar se recuperar rapidamente. Lógico que não funcionou: na segunda volta, o carro rodou na entrada da Reta Oposta e se esborrachou nos pneus. A TV nem se deu ao trabalho de mostrar um replay.

ROMAIN GROSJEAN0 – Tudo o que ele não precisava era de um fim de semana como este. O sempre desastrado franco-suíço voltou a se comportar como uma ameba e acabou prejudicando não só a si mesmo como também a outrem. No treino oficial, tendo boas chances de conseguir um lugar legal no grid, atropelou a traseira de Pedro de la Rosa na reta dos boxes e quase causou um acidente perigosíssimo. Não foi punido sei lá o porquê. Na corrida, o tonto não demorou mais do que cinco voltas para bater forte após escorregar na Junção. É um cara tão bizarro que está ameaçado de desemprego mesmo após ter terminado o ano em oitavo.

BRUNO SENNA2 – Dou o braço a torcer: ele andou muito bem nos treinos. No Q1 da qualificação, surpreendeu a todos fazendo o segundo tempo. Poderia ter obtido um lugar melhor que o 11º no grid, mas perdoa-se pelo fato desse negócio de treino oficial não ser sua especialidade. O que matou sua nota foi a absurda barbeiragem que quase acabou com o sonho do título de Sebastian Vettel logo na primeira volta. Ignorando o tal do pedal do freio, Bruno enterrou seu Williams no carro de Vettel na Descida do Lago e quase tirou o alemão da prova. Sebastian permaneceu, mas o sobrinho ficou por ali, matutando sobre o desemprego e demais questões macroeconômicas.

SERGIO PÉREZ1 – Fim de temporada lixo. Em Interlagos, não esteve rápido e nem sortudo – o que será que Martin Whitmarsh está pensando nestas horas? Foi mal nos treinos livres e apenas mediano na qualificação, embora ainda tenha conseguido posição melhor que Kamui Kobayashi no grid. A corrida acabou na primeira volta após Pérez se envolver na meleca da Descida do Lago. Não teve culpa nenhuma, mas não era bem desta forma que ele queria se despedir da Sauber.

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