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RED BULL9 – Tinha um carro bacana, um piloto bacana e outro nem tão bacana assim. Sebastian Vettel compensou a discrição dos treinos com uma atuação segura, austera e humilhante na corrida. Enquanto todos sambavam sobre pneus de borracha escolar, o tricampeão desfilava como se os problemas com os compostos da Pirelli não existissem. Mas ao passo que ele celebrava uma vitória fácil com suquinho no pódio, o companheiro Mark Webber se ferrava com as mesmas dores de cabeça dos mortais. Apesar da boa estratégia de sua equipe e de ter sido agraciado com o pit-stop mais rápido da prova (total de 21s0), o australiano não se deu bem com os pneus e finalizou apenas em sétimo. E ele ainda reclama…

LOTUS9 – A prova maior de que um carro que consome pouco pneu chega a ser mais importante do que um bólido veloz na Fórmula 1 de hoje em dia. Apesar de ter liderado um treino livre, o E21 estava muito longe de qualquer tipo de brilhantismo, tanto que Kimi Räikkönen e Romain Grosjean se deram mal na sessão classificatória. Os dois compensaram com uma corrida excelente, mesmo que as estratégias de ambos tenham sido totalmente opostas. Kimi, com dois pit-stops, terminou em segundo. Romain, tendo parado três vezes, chegou logo atrás. Seus dois carros andaram com muito menos dificuldades que os demais.

FORCE INDIA8,5 – Houve um momento, mais precisamente após o treino classificatório, que muita gente passou a acreditar que a equipe indiana era uma das candidatas a vitória, tão bons haviam sido os resultados na sexta-feira e no sábado. Sempre entre os dez primeiros, Paul di Resta e Adrian Sutil conseguiram a quinta e a sexta posições no grid. Nada mal. No domingo, porém, apenas um ficou mais ou menos feliz. O escocês esteve sempre nas primeiras posições, liderou algumas voltas e só não terminou no pódio por pouco. Sutil, que vira e mexe está metido em alguma enrascada, bateu com Felipe Massa na primeira volta e arruinou suas chances aí. Nesse momento, a Force India parece ter um carro pior apenas que os de Red Bull, Ferrari, Lotus e Mercedes.

MERCEDES7 – Nos treinos, é a equipe que manda no negócio.  Pelo segundo GP consecutivo, um de seus pilotos largou na pole-position. Dessa vez, o privilegiado foi Nico Rosberg, que foi melhor que Lewis Hamilton em quase todas as sessões. Curiosamente, a sorte se inverteu no domingo. Hamilton, que teve de largar em nono por causa de uma troca de câmbio, superou seus problemas com os pneus médios e ainda terminou em sexto meio que por acaso. Nico andou devagar e perdeu posições como uma mocinha indefesa – a cara dele, em seu início de carreira. Mais uma vez, o ritmo de corrida foi o ponto fraco da Mercedes. Quando as coisas irão mudar?

MCLAREN3,5 – A McLaren de 2013 é isso aí. O MP4-28 é realmente uma desgraça e somente um milagre poderá salvar a situação da equipe nesse ano. No Bahrein, mais uma vez, os carros cromados não ofereceram ameaça a ninguém. Sergio Pérez e Jenson Button, no entanto, chamaram a atenção do mundo com um duelo foda pra cacete durante várias voltas, com direito a toque de rodas e bico esbarrado. Pérez se deu melhor e ainda terminou em sexto. Button, com os pneus em estado de petição, ficou apenas em décimo. E reclamou. Pelo visto, é mais uma equipe que vai ter de lidar com piti de piloto, como se os outros problemas já não bastassem.

FERRARI4 – Tinha um carro quase tão bom quanto o da Red Bull. O que lhe faltou foi um domingo sem problemas. Fernando Alonso e Felipe Massa lideraram um treino livre cada e monopolizaram a segunda fila do grid, nada mal. Os dois, com histórico altamente positivo no Bahrein, esperam muito do GP. Mas quase nada deu certo para eles na corrida. Alonso teve um prosaico problema no DRS, foi obrigado a ir aos boxes duas vezes e arruinou suas chances de vitória. Pelo menos, marcou uns pontinhos. Felipe Massa passou por um perrengue ainda pior: teve dois pneus traseiros direitos estourados e não conseguiu sequer pontuar.

WILLIAMS3,5 – A impressão que dá é que Pastor Maldonado e Valtteri Bottas tiraram o máximo do carro. O venezuelano finalizou a corrida a apenas uma posição da zona de pontos, o que parecia uma impossibilidade até uns dias atrás. Bottas teve seu melhor momento no treino classificatório, onde conseguiu se qualificar à frente do próprio Maldonado e de Jean-Éric Vergne. Aparentemente, o FW35 teve menos problemas de pneus que os concorrentes. Se ele fosse veloz, a equipe certamente poderia ter sonhado com coisa melhor.

SAUBER2 – Teve um fim de semana até mais negativo do que o da Williams. O carro pode até ser razoavelmente bonito, mas é um amontoado de estrume quando tem de entregar resultados. Nico Hülkenberg até se esforçou para conseguir extrair alguma coisa dele, mas o máximo que conseguiu foi um 12º lugar. O estreante Esteban Gutiérrez anda numa fase infernal: obteve resultados inacreditavelmente ruins nos treinos e passou quase que a corrida toda atrás da Caterham de Charles Pic. A Sauber está preocupada com o garoto. E com a equipe inteira.

TORO ROSSO2 – Esteve tão competitiva quanto Sauber e Williams. Embora não tenha passado vexame nos treinos – Daniel Ricciardo, em fase razoavelmente inspirada, marcou o 13º tempo na classificação -, apanhou dos pneus na corrida. Ricciardo se arrastou como uma tartaruga velha e terminou apenas dez segundos à frente da Caterham de Charles Pic. Jean-Éric Vergne se envolveu num acidente na primeira volta e ficou com o carro tão danificado que preferiu encostar nos boxes pouco depois. Se tivesse ficado na pista, também não conseguiria muita coisa.

CATERHAM5 – A presença de Heikki Kovalainen no primeiro treino de sexta-feira parece ter ajudado bastante a equipe verde, que teve um montão de dificuldades nos três primeiros GPs. O carro melhorou e Charles Pic conseguiu vencer o compatriota Jules Bianchi pela primeira vez no ano. Pic largou em um razoável 18º lugar e andou muito bem na prova, ficando quase sempre à frente de Esteban Gutiérrez e terminando perto da Toro Rosso de Daniel Ricciardo. Giedo van der Garde não é um cara de quem podemos esperar muito, mas seu desempenho em Sakhir foi bastante prejudicado pelo acidente na largada.

MARUSSIA2,5 – Tomou um caminho diferente do da Caterham e se deu mal com isso. Ao invés de buscar desenvolver o carro no primeiro treino livre de sexta, a Marussia decidiu deixar o confiável Jules Bianchi de lado para colocar o caricato Rodolfo Gonzalez em seu lugar. Resultado: a equipe acabou não desenvolvendo porcaria nenhuma e ficou para trás no restante do fim de semana. Até mesmo Bianchi teve dificuldades, ficando atrás de Charles Pic e pouco à frente de Max Chilton e Giedo van der Garde. Na corrida, tanto ele quanto Chilton tiveram lá suas dificuldades, mas ao menos chegaram ao fim, ainda que isso não signifique muito num GP com apenas um abandono.

Riot police officers stand near an anti-Formula One graffiti during an anti-government protest in the village of Diraz

TRANSMISSÃOPGA – Numa fase mais comedida, o locutor oficial das corridas de Fórmula 1 no Brasil ainda comete seus pequenos deslizes. Graças à idade avançada e ao calor mortificante do Bahrein, não dá para exigir que o cérebro funcione perfeitamente durante todo o tempo. No treino classificatório, o cara voltou a 1991 e enxergou Mika Häkkinen no carro da Lotus. É bom que alguém informe a ele que Häkkinen não corre mais na Fórmula 1, a Lotus dele era branca e não preta, o finlandês que corre atualmente é o Kimi Räikkönen e o piloto que ele viu sequer era o Räikkönen, mas o Romain Grosjean. Enfim, não se salva nada aí. Mas a grande novidade é a venda da Force India ao golfista Vijay Amritraj, anunciada pelo digno locutor a poucos instantes da largada. Curiosamente, o antigo dono também se chamava Vijay. É a Fórmula 1 atraindo gente de outros esportes, como o próprio Amritraj, Sébastien Grosjean e até mesmo o ex-flamenguista Petkovic (http://www.youtube.com/watch?v=48P32JZMThQ).

CORRIDAFÓRMULA PNEUS – E o litígio entre Fórmula 1 e Pirelli continua. Em Sakhir, somente Kimi Räikkönen e Paul di Resta conseguiram fazer dois pit-stops. A maioria dos pilotos parou três vezes e alguns pilotos tiveram de realizar uma quarta troca, tamanha era a dificuldade para fazer os compostos durarem mais do que um punhado de voltas. Muita gente está achando um saco, pois isso impede os pilotos de acelerarem mais, transformando todos em bundões que só se preocupam em conservar ao máximo seus redondinhos. Eu, sinceramente, gosto. Para mim, automobilismo é ação, imprevisibilidade, movimentação, dinâmica. Acho uma merda quando as posições se definem logo após a primeira curva. O GP do Bahrein só foi razoavelmente divertido por causa dessa dificuldade. Fosse como nos tempos dos pneus duríssimos da Bridgestone, não seria somente Sebastian Vettel que teria uma corrida monótona. Na verdade, a monotonia se impregnaria em todos nós.

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