Não existe piloto nos Emirados Árabes Unidos, só areia!

GP DE ABU DHABI: O GP preferido dos coxinhas. Você sabe o que é um coxinha. Você certamente conhece algum. Em Campinas, quase todos são coxinhas. É aquele sujeito bem-sucedido aos 25 anos de idade. Esta descrição seria definitiva para alguns, mas vou me aprofundar um pouco. O coxinha é aquele cara que nasceu numa família de classe média de uma cidade grande, estudou em escola particular durante toda a vida, sempre foi o babaca metido a popular, entrou numa “facul” apenas para conseguir um diploma que o permita ficar rico e para beber Itaipava com mais um monte de futuros coxinhas, se formou, arranjou um emprego numa multinacional, começou a ganhar seis mil reais aos 24 anos, bajula o chefe, troca de celular a cada seis meses, sempre está com o último iPad, viaja para Miami, vive postando suas vitórias pessoais no Facebook, anda de EcoSport vermelho e nunca deixou de ser um completo imbecil. Num belo dia, o chefe deste desperdício de gente descolou duas entradas para o camarote do GP de Abu Dhabi. Foi a redenção do coxinha, que tirou trocentas fotos de toda a viagem e postou uma por uma no Facebook, para júbilo de seus 748 amigos falsos. Ficou naquele hotelzão envidraçado do autódromo, tomou vinho, comeu casquinha de siri, fez piadinhas do Felipe Massa para seu chefe rir e não deve ter visto umas dez voltas. É por ter total certeza de que as coisas são exatamente assim em Abu Dhabi que eu não tenho a menor vontade de assistir a uma corrida in loco em Yas Marina. Alguns podem achar que é inveja. Juro que só consigo ter inveja de gente como Paulo Francis. Nutrir alguma vontade de ser um boçal de classe média metido a rico é falta de caráter.

HÜLKENBERG: Se a Fórmula 1 ainda guarda algum resquício de justiça, é porque um piloto que foi campeão da GP2, da A1GP, da Fórmula 3 Euroseries, da Fórmula BMW ADAC, da Copa do Mundo e do The Voice não teve dificuldades para garantir sua vaga para a temporada de 2013. Nico Hülkenberg, 25, assinou contrato com a Sauber e será o substituto do mexicano Sergio Pérez na equipe suíça. O anúncio da contratação não surpreendeu ninguém porque a mídia suíça, que deve ser precisa como os relógios da região, já vinha comentando a respeito disso faz algum tempo. Curioso é ver que o jovem piloto alemão fará sua terceira temporada na Fórmula 1 pela terceira equipe diferente, uma vez que ele é piloto da Force India neste ano e já havia dado o ar da graça na Williams em 2010. O sempre atento Humberto Corradi acredita espertamente que Hülkenberg estará fazendo apenas um estágio muito bem remunerado lá na Sauber. Há uma segunda intenção por trás deste casamento. Em 2014, a Ferrari terá um carro livre. Talvez dois, dependendo dos humores sempre instáveis de Fernando Alonso. A Sauber usa motores Ferrari. Faça as contas. Pois é. Por fim, gostaria apenas de terminar com a declaração do seu atual companheiro Paul di Resta sobre a mudança: “não vejo a mudança como uma evolução”. Não que esta seja uma inverdade, mas há um traço de amargor no meio desta declaração, ainda mais quando sabemos que o escocês foi especulado em todas as equipes grandes possíveis para terminar procurando pelo caminho das Índias.

TORO ROSSO: No mesmo dia do anúncio de Nico Hülkenberg na Sauber, a Toro Rosso anunciou sua dupla de pilotos para a próxima temporada. Não houve surpresa. Os moleques Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne foram confirmados para mais um ano na equipe rubrotaurina. A justiça foi feita novamente. Muita gente precipitada, maldosa ou simplesmente ignorante vem criticando os dois pilotos, em especial o estreante Vergne. Vamos com muita calma aí. Poucos sabem, mas Jean-Éric é talvez o melhor piloto que a Red Bull já teve nas categorias de base. Melhor que Sebastian Vettel, eu diria. Foi campeão da Fórmula 3 britânica com 13 vitórias e vice-campeão das ultracompetitivas Fórmula Renault Eurocup e World Series by Renault. Nos testes que fez com a Fórmula 1 em 2010 e 2011, mandou muitíssimo bem. Sua temporada realmente não tem sido grandes coisas, principalmente por causa do péssimo desempenho em treinos classificatórios e por alguns acidentes toscos durante a corrida, mas é bom dizer que o STR7 também é uma lástima de carro. Um ano a mais fará bem a Vergne, assim como fará muito bem ao ótimo Ricciardo. O australiano também tem títulos nas categorias de base, embora sem o mesmo brilho que o colega francófono. Neste ano, vem fazendo corridas melhores que o companheiro, mas não costuma ser o cara mais sortudo do grid. Não sei dizer se os dois irão para a Red Bull um dia. A Toro Rosso existe exatamente para isso: formar um futuro Sebastian Vettel. Se o cara for tipo um Mark Webber da vida, já não é o suficiente, é melhor ficar com o original mesmo. Eu torço para que ao menos um deles dê certo, com preferência para Ricciardo, um cara que me impressionou bastante nos dias da Fórmula 3 britânica. E é bom que se diga: os dois são muito melhores do que a dupla anterior, Sébastien Buemi e Jaime Alguersuari.

AREIA: Correr no Oriente Médio dá nisso. Fico imaginando uma corrida de 1971 ou 1987 sendo cancelada por causa de… areia! Como assim? Vocês sabem bem, o circuito de Yas Marina é localizado no meio do deserto. Nesse tipo de lugar, tempestade não é de água, mas sim de areia. Muita areia. Quando o ar está calmo, não há nenhum problema. O negócio fica foda mesmo quando um choque de massas de ar de temperaturas diferentes provoca fortes rajadas de vento na região. E este vento carrega toneladas de areia mundo afora. Um amigo meu que foi para o Egito comentou que o negócio é realmente complicado e até dolorido, pois aquela areia fina raspando na pele em alta velocidade dói pra caramba. Nesta última segunda-feira, a região de Abu Dhabi foi atingida por uma fortíssima tempestade de vento. A visibilidade era nula e alguns danos foram causados na cidade, como a queda de algumas das poucas árvores que tiveram a infelicidade de nascer nas margens do Golfo Pérsico. Se a tempestade de areia continuasse, a realização do GP de Abu Dhabi certamente estaria sob ameaça, pois ninguém merece correr com areia na cara. A tempestade acabou ainda no início da semana, mas novas rajadas ainda não estão descartadas para esta próxima sexta-feira. Seria extremamente bizarro se alguma sessão fosse cancelada por causa disso. Se não me engano, houve um GP do Bahrein que também teve problemas com excesso de areia na pista, trazida por alguma tempestade manhosa. Sabe de uma coisa? Em Enna-Pergusa, esse tipo de coisa não acontece. Pode ter sapo e cobra vagando pelo paddock, mas tempestade de areia não tem espaço na Sicília.

TÍTULO: Há três pilotos na contenda pelo título desta temporada 2012, o Sorriso, o Sobrancelha e o Pinga. Sorriso tem 240 pontos e cinco vitórias. Sobrancelha tem 227 e três vitórias. Pinga, coitado, não tem nada além de 173 pontos, uma garrafa de destilado na mão e uma esperança remotíssima de se sagrar campeão. Sorriso é aquele cara sorridente, simpático e engraçado que pilota o carro azul, bebe energético e aponta o dedo indicador quando vence. Todo mundo gosta dele. Um verdadeiro Mr. Nice Guy. Por isso, sua liderança vem sendo tão celebrada. Seu maior adversário, assim como em 2010, é Sobrancelha, um cara de sobrancelha grande, sotaque forte, espírito de liderança, semblante seguro e cinismo latente. Devido ao amplo retrospecto de maracutaias, mutretas e cambalachos em que seu nome asturiano esteve envolvido, são poucos os que se simpatizam com Sobrancelha. Seu carro não é exatamente o melhor, embora seja talvez o mais desejado por todos. Pinga é o outsider da história. É branquelo, de aparência gelada, expressão inexistente e leve tendência ao alcoolismo. Pilota um reluzente carro preto e dourado e atrai a simpatia de muitos por supostamente agir como alguém desligado das coisas mundanas, das idiotices do planeta. Eu não consigo tirar da cabeça que Pinga é o maior marqueteiro de todos, mas não tem problema. Sorriso, Sobrancelha e Pinga são os três caras que disputarão a taça. Na verdade, somente Sorriso e Sobrancelha têm chances relevantes. Na verdade, somente Sorriso tem carro para ser campeão neste momento. Abu Dhabi e Interlagos são dois circuitos ótimos para ele. Austin também deverá ser.  E será assim, com um grande sorriso na cara, que Sebastian Vettel deverá ser o campeão de 2012.

BONUS STAGE: Não tem Top Cinq nesta sexta. Preguiça minha? Não. Estou atolado de coisas até o fim do mês. A sessão acabou para sempre ? Não. Eu estou escrevendo um Top Cinq há duas semanas, mas não consigo concluí-lo. Se as coisas ficarem mais fáceis na semana que vem, tentarei postá-lo. Mais uma vez, mil perdões. O ano tá difícil mesmo. Mas não vou deixar este site às moscas.

RED BULL10 – Só não ganha onze porque não pode. O que dizer da equipe que lidera os três treinos livres, o Q2 e o Q3 da classificação, a corrida de ponta a ponta e ainda bota seus dois pilotos no pódio? Que esta equipe é genial demais da conta e merece, sim, o título deste ano. Sebastian Vettel foi supremo durante todo o fim de semana e só não esteve na frente no Q1 da qualificação porque Pastor Maldonado pregou uma peça em todos. Mark Webber é o cara que poderia ter ido um pouco melhor, mas ao menos ele salvou um pódio mesmo sem ter o KERS funcionando. E não há como se esquecer dos mecânicos, que são tão rápidos nos pit-stops quando o próprio RB8.

FERRARI6,5 – Era claramente a terceira equipe do fim de semana, anos-luz atrás da Red Bull e também inferior à McLaren. Ninguém conseguiu acertar o carro corretamente, Felipe Massa rodopiou para lá e para cá graças à falta de estabilidade e até Fernando Alonso perdeu a paciência com sua equipe. No treino oficial, os dois colegas lotearam a terceira fila e não tinham muitas esperanças sequer de obter um pódio. Alonso ainda foi muito bem, peitou os dois pilotos da McLaren e ultrapassou Mark Webber quando este tinha problemas no carro, garantindo o segundo lugar. Massa teve problemas de consumo de combustível, mas ainda assegurou o sexto lugar. Ruma para perder mais um título, os ferraristas.

MCLAREN7,5 – Embora estivesse em melhor forma que a Ferrari, não tinha como brigar com a Red Bull. Na sexta-feira, a falta de estabilidade dos MP4-27 era visível, ainda que o carro não estivesse tão lento assim. Jenson Button e Lewis Hamilton asseguraram a segunda fila do grid de largada, mas passaram perto de um belo acidente na primeira volta, quando os dois se envolveram numa carambola com Fernando Alonso. Hamilton e Button acabaram sendo superados por Alonso e terminaram, respectivamente, em quarto e quinto. Destaque para o mecânico ninja que trocou o volante do carro de Hamilton em um punhado de segundos.

LOTUS5,5 – Está devendo até as calças, dizem. O carro refletiu o excesso de escorpiões no bolso e não colaborou, para desespero daqueles que sonham com a primeira vitória da equipe nesta temporada – vitória esta que não virá, que fique claro. Kimi Räikkönen e Romain Grosjean, principalmente este último, sofreram pra caramba nos treinamentos e só o cachaceiro passou para o Q3. Na corrida, os dois marcaram pontos, embora tenham sofrido com a falta de velocidade nas retas. Kimi ficou em sétimo após ter tentado superar Felipe Massa durante toda uma corrida. Grosjean se envolveu em algumas disputas e conseguiu um razoável nono lugar. A primeira curva deixou de ser um grande empecilho.

FORCE INDIA5,5 – Tinha um carro apenas correto, insuficiente nos treinos e competente nas mãos de Nico Hülkenberg durante a corrida. O alemão, novo contratado da Sauber, não foi brilhante nos treinos, mas largou com competência e terminou numa boa oitava posição. Quem não se deu tão bem assim foi Paul di Resta, que teve grandes dificuldades tanto nos treinos como na corrida e acabou terminando fora dos pontos. Em resumo, foi mais um típico fim de semana da Force India. Quem anda passando por maus bocados é o chefão Vijay Mallya, outro que terá de vender as calças para pagar os salários atrasados de seus funcionários.

WILLIAMS5 – Tinha um carro bom, melhor do que nas etapas anteriores. Pastor Maldonado pôde provar este fato sendo o piloto mais rápido do Q1 da classificação, única vez em que algum piloto cujo sobrenome não seja “Vettel” liderou algo na Índia. Até mesmo Bruno Senna, ameaçado pelo desemprego, foi bem. Infelizmente, somente Maldonado traduziu a qualidade de seu FW34 em uma boa posição no grid. Na corrida, os dois andaram próximos durante algum tempo e até se envolveram em boas brigas. Pastor conseguiu escapar das garras de Romain Grosjean, mas acabou tocado por Kamui Kobayashi e perdeu um pneu traseiro. O sobrinho não se envolveu em nenhum problema e conseguiu um pontinho redondinho.

MERCEDES2,5 – Não marca pontos há três corridas, para consternação de Lewis Hamilton. Em Buddh, os carrinhos prateados não eram dos piores e Nico Rosberg até conseguiu alguns bons resultados nos treinos livres. A realidade dura só começou a se manifestar quando realmente valeu, isto é, no treino oficial. Michael Schumacher ficou lá atrás no Q2 e nem Rosberg se deu ao trabalho de se esforçar demais no Q3. Na corrida, o azarado Schumacher teve um pneu furado na primeira volta e Rosberg ficou se arrastando o tempo todo. Um péssimo final de temporada para uma equipe que havia iniciado o ano tão bem.

TORO ROSSO2,5 – Pra variar, mais uma corrida ruim. OK, injustiça minha com uma equipe que havia marcado pontos nas três provas anteriores, mas também não seria justo dizer que o STR7 é bom. Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne continuaram andando lá atrás tanto nos treinos como na corrida. O australiano, como sempre, largou melhor e andou melhor. Vergne, um tantinho desastrado em alguns momentos pontuais nesta temporada, atropelou Michael Schumacher na primeira volta e prejudicou a corrida dos dois. A jovem dupla dinâmica prosseguirá na Toro em 2013. Talentosos, os dois. Que tenham um bom carro à disposição.

SAUBER2,5 – Outra das montanhas russas desta temporada, a Sauber não teve lá um grande carro na Índia. Na sexta-feira, a equipe decidiu dar uma chance a Esteban Gutiérrez, que participou do primeiro treino livre e ficou apenas em 20º. Mas nem mesmo Kamui Kobayashi e Sergio Pérez fizeram muito mais do que isso. O mexicano até foi mais rápido, mas não muito, embora tenha conseguido o milagre de se qualificar para o Q3. Na corrida, os dois não tiveram vida fácil. Kobayashi fez a segunda cagada consecutiva em corridas e acabou com a corrida de Pastor Maldonado. Pérez teve problemas de equilíbrio, se envolveu em um toque com Daniel Ricciardo e abandonou. Zero pontos para o exército de Hinwil.

CATERHAM2 – Já que não acontece nada de novo na equipe, que nem consegue mais desafiar a Toro Rosso, vamos fazer um breve comentário sobre sua situação de pilotos. Tony Fernandes quer gente com grana, tutu, gaita, verdinhas. Heikki Kovalainen não tem dinheiro e corre o risco de dançar. Vitaly Petrov tinha algumas moedas até uns dias atrás. Agora, está correndo atrás de verba soviética para tentar permanecer na Fórmula 1 no ano que vem. Giedo van der Garde e Charles Pic, dois pilotos com piscinas de dinheiro familiar, estão à espreita. A dupla só será definida quando o departamento financeiro fechar as contas para o ano que vem. Quanto ao GP da Índia, a mesma ladainha de sempre.

MARUSSIA3 – A equipe do pai de Max Chilton também está passando por dificuldades financeiras, mas ninguém se surpreende. Afinal, são russos e ninguém sabe de onde vem seu dinheiro. O carro, que até vinha melhorando a passos de tartaruga, estagnou e até levou pau da HRT em alguns momentos. Charles Pic largou em último, mas ganhou boas posições e até terminou à frente do companheiro Timo Glock, que teve problemas aqui e acolá. Os mecânicos continuam ruins de doer nos pit-stops.

HRT3 – Não achei o desempenho dela ruim, não. OK, não dá para elogiar demais uma equipe cujo melhor carro larga em 22º, mas a distância dela para a Marussia aqui foi bem menor do que nas etapas anteriores. Correndo em casa sob a bênção de Krishna, Narain Karthikeyan até foi melhor do que o esperado e conseguiu chegar ao fim da corrida mesmo sem freios, dinheiro, sorte e felicidade. Pedro de la Rosa também não andou tão mal: fez uma superlargada e poderia ter brigado mais com a Marussia, mas os freios brecaram sua corrida. Gostei da metáfora.

TRANSMISSÃOALGUÉM? – Eu até tinha uma ou outra coisa mais engraçadinha proferida na transmissão brasileira para postar aqui, mas minha memória de Alzheimer não me permitiu tal coisa. Então vamos cornetar um pouco o Sr. IMPRESSIONANTE, narrador da bagaça pela terceira vez consecutiva. O outro narrador, mais antigo, mais soberbo, mais petulante, mais irritante, é muito mais divertido. Como já está muito rico e mais perto da eternidade do que da vida, pode se dar ao luxo de falar a merda que quiser que não há nenhum problema. Já o outro narrador, um bom funcionário, correto, que veste a camisa da empresa e demonstra empolgação mesmo na mais filha da puta das horas, apenas fala coisas amenas, feitas para o netinho e a vovó escutarem. Lá vai o carro vermelhinho! Lá vai o piloto e sua plantação de coelhinhos! Não gosto deste estilo. Meu negócio é punk, é sujeito que chega com os dois pés no peito. Isso, sim, é impressionante.

CORRIDANINGUÉM – Ninguém. Ninguém gostou desta corrida. A verdade é que Sebastian Vettel é um vencedor irritante. Larga na frente, desaparece na primeira volta e ganha. No melhor estilo Michael Schumacher em 2004. Eu gostava quando era o Schumacher, piloto pra quem sempre torci. Ver alguém para quem você não torce ganhando tudo aborrece. Talvez seja isso, questão de torcida. Não importa. A corrida foi chata. Vettel ganhou fácil, Fernando Alonso ultrapassou Mark Webber sem grandes encrencas e as brigas lá atrás até aconteceram, mas não encheram tanto os olhos. Teve Felipe e Kimi numa eterna disputa pela sexta posição, os pilotos da Williams se metendo em duelos com os Grosjeans e Kobayashis da vida e até mesmo uma troca de volantes no carro de Lewis Hamilton. A pista é legal, uma das mais deste campeonato. Mas não sei, não gostei da corrida, e vários outros também não gostaram. Deve ser o Vettel. Ou deve ser eu, que estou ficando velho e ranzinza como um aposentado.

SEBASTIAN VETTEL10 – Deu até medo. Ou raiva. Ou sono. O cara só não esteve no comando das coisas no Q1 da classificação, pois ficou 0,3s atrás de Pastor Maldonado. De resto, a Índia foi engolida por Sebastian Vettel, que liderou os três treinos livres, fez a pole-position, não perdeu a ponta em momento algum e ganhou com absoluta tranquilidade. Foi sua segunda vitória em um circuito que é a sua cara. No pódio, nem comemorou tanto. Deveria. Do jeito que está, vai ganhar o título num sossego constrangedor. Constrangedor para a concorrência.

FERNANDO ALONSO8,5 – O resultado foi até excelente, considerando que seu carro parecia não ser páreo sequer para a McLaren. Sempre batalhador, o espanhol não esmoreceu e foi à luta. No treino oficial, teve dificuldades e ficou apenas na quinta posição no grid, ao lado do companheiro Felipe Massa. Seu melhor momento, definitivamente, foi a primeira volta. Bateu rodas com os dois carros da McLaren e chegou a engolir suas duas posições de uma vez, mas acabou ficando para trás logo em seguida. Porém, não precisou de muito mais tempo para ultrapassar Lewis Hamilton e Jenson Button para assumir a terceira posição. A segunda posição veio após Mark Webber começar a ter problemas com o KERS, o que permitiu a ultrapassagem do asturiano. Não deu para pegar Sebastian Vettel, obviamente. Após a corrida, estava puto da vida e mandou todo mundo na Ferrari comer merda. Alonso é tipo aquele chefão temperamental que quando as coisas dão errado, fica doido e quebra tudo.

MARK WEBBER7 – De certa forma, fez menos do que deveria, ainda que tenha sido prejudicado pelo problema com o KERS na segunda metade da corrida. Decepcionou um pouco por não ter acompanhado Sebastian Vettel no domínio avassalador dos treinos, embora tenha ficado a menos de 0,1s do alemão no treino oficial. Largou bem e quase ultrapassou Vettel na primeira curva, mas ficou só na vontade. Dali para frente, vinha rumando para terminar numa sólida segunda posição até o KERS quebrar. Sem ação, acabou sendo ultrapassado por Fernando Alonso e teve de se contentar com o suado terceiro lugar, mesmo.

LEWIS HAMILTON7,5 – Seu posto de direito era realmente o quarto lugar. Veja só: ele ficou em quarto em dois treinos livres, no Q1 e no Q2 da qualificação. Na bacia das almas, assegurou um terceiro lugar no grid. Meteu-se numa briga encardida com Fernando Alonso e Jenson Button na primeira volta e acabou superado por ambos. Na volta 5, passou Button e assumiu a quarta posição para nunca mais abandoná-la. Vale mencionar a boa briga que teve com Mark Webber até o finalzinho, ainda que Lewis não tenha conseguido a ultrapassagem. E, é óbvio, não dá para deixar de falar da inusitada troca de volantes em seu pit-stop. São ninjas, os mecânicos da McLaren.

JENSON BUTTON7 – Sendo justo, ele até merecia ter conseguido um resultado melhor. Em dois treinos livres, Jenson ficou em segundo, logo atrás apenas de Sebastian Vettel. Na classificação, ele também andou forte e pegou o quarto lugar no grid. Foi o grande destaque da largada ao sair vencedor de um pega-pra-capar com Lewis Hamilton e Fernando Alonso. Depois disso, apagou. Seus pneus macios não funcionaram bem e ele acabou ultrapassado por Hamilton e Alonso. Andou em quinto durante grande parte do tempo e em quinto terminou.

FELIPE MASSA6 – Rodou aqui, acolá e lá também, lembrando os bons tempos daquelas corridas molhadas em Silverstone. Só no segundo treino de sexta-feira, deu duas rodadas. Na qualificação do sábado, escapou de novo enquanto vinha em uma boa volta. Culpa da Ferrari, que delegou a tarefa de acertar seu carro a alguns chimpanzés. Mesmo assim, Felipe superou as agruras da sexta-feira e conseguiu um razoável sexto lugar no grid. O domingo foi menos monótono do que o resultado sugeriu. O brasileiro teve trabalho com Kimi Räikkönen durante quase todo o tempo e ainda foi obrigado a tirar o pé durante alguns momentos para poupar combustível. Deu tudo certo e ele conseguiu finalizar à frente do finlandês. Quanto à gasosa, ela acabou logo depois da linha de chegada.

KIMI RÄIKKÖNEN6 – Treinos convencionais, corrida sonolenta, sétimo lugar pouco empolgante, este foi o fim de semana indiano do Homem de Gelo. Kimi não mandou tão mal nos dois últimos treinos livres e conseguiu um bom sétimo lugar no grid, o primeiro daqueles que não pilotavam por Red Bull, McLaren ou Ferrari. Sua atuação no domingo foi discreta, até meio modorrenta, mas ao menos lhe rendeu mais seis pontos. O finlandês passou quase que a corrida inteira tentando ultrapassar Felipe Massa, até antecipou seu pit-stop para ganhar a posição nos boxes, mas não conseguiu. Está virtualmente fora da briga pelo título.

NICO HÜLKENBERG6,5 – O novo contratado da Sauber voltou a ter um bom desempenho, sempre melhor do que o do companheiro Paul di Resta. Mesmo tendo pisado pela primeira vez na Índia nesta última semana, adaptou-se rapidamente e finalizou em oitavo em dois treinos livres. Ficou no Q2, mas conseguiu largar quatro posições à frente de Di Resta. Ganhou boas posições na primeira volta e ainda ultrapassou Sergio Pérez na volta 14, subindo para oitavo. Na maior tranquilidade, seguiu nesta posição até o fim.

ROMAIN GROSJEAN5,5 – Para quem quase nunca sobrevive à primeira volta, terminar em nono pode ser considerado lucro. Num fim de semana em que o carro da Lotus esteve longe do brilhantismo, o franco-suíço voltou a fazer seu trabalho de maneira comedida e se livrou das confusões. Não foi bem nos treinos e ficou no Q2 pela segunda vez nesta temporada. O domingo foi bastante razoável. Envolveu-se numa explosiva disputa com Pastor Maldonado, se deu melhor e até saiu com o bólido inteiro. Também ganhou posições ultrapassando Nico Rosberg e herdando o posto de Sergio Pérez e garantiu dois pontinhos.

BRUNO SENNA6,5 – Para seus padrões, o mais novo desempregado do grid fez boa corrida. Na verdade, ele andou bem desde os treinos livres, quando conseguiu um décimo e um sexto lugar. Poderia ter ido bem também na qualificação, mas errou no Q2 e acabou ficando somente em 13º. A posição insuficiente acabou tirando a chance de uma corrida melhor, mas ainda deu para o sobrinho mostrar alguma coisa no pelotão do arranca-rabo. Fez uma ultrapassagem legal sobre Pastor Maldonado no início da corrida, meteu-se em outras boas brigas e ainda arrancou o ponto de Nico Rosberg no final da corrida. Boa atuação, mas não deu para salvar o emprego.

NICO ROSBERG5 – Ficou fora da zona de pontuação pela terceira corrida consecutiva. Sentiu a encrenca, seu Hamilton? E olha que até pareceu, durante certo momento, que o filho de Keke Rosberg teria um domingo para celebrar. Nos dois primeiros treinos livres, ficou em sexto e quarto. No Q1 do treino oficial, foi o terceiro mais veloz. Largar em décimo soou como uma brochada, mas o alemão não imaginava que a corrida seria tão fraquinha. Sem ter um carro veloz, foi ultrapassado por Romain Grosjean no primeiro terço da corrida e por Bruno Senna nas últimas voltas.

PAUL DI RESTA3,5 – Enquanto Nico Hülkenberg estava andando sempre na zona de pontuação, o escocês passou o fim de semana inteiro sem sequer sentir o cheiro dos pontos. Sem conseguir encontrar um acerto decente, não ficou entre os dez primeiros em treino nenhum e largou lá atrás. Na corrida, andou sempre na mesma, não se envolveu em maiores disputas e teve uma corrida típica de seus piores dias, chata pra cacete.

DANIEL RICCIARDO3 – A maldição se repete: toda vez que a Toro Rosso não marca pontos, Ricciardo anda bem melhor do que o companheiro Jean-Éric Vergne. Foi o caso na Índia. O australiano chegou a ficar em nono no primeiro treino livre e foi o único da equipe que passou para o Q2, embora não tenha conseguido muito mais do que o 15º lugar. Na primeira volta, perdeu uma posição para Di Resta e se enfiou em algumas brigas com outros pilotos, mas não deu o pulo que gostaria. Só começou a andar bem quando colocou pneus macios, mas terminou a corrida com Kamui Kobayashi fumegando no cangote.

KAMUI KOBAYASHI1 – Corrida horrível, bem cara de fim de festa. Nos treinos livres, passou enorme sufoco com um carro ruim e não saiu do meio do pelotão. Na qualificação, sobreviveu ao Q1 por muito pouco e foi o último colocado do Q2. Na corrida, ainda com um bólido terrível, esteve lento durante todo o tempo. Na única vez em que chamou a atenção, tocou no carro de Pastor Maldonado e estourou um pneu do venezuelano. Terminou a corrida colado em Daniel Ricciardo. Está praticamente fora da Sauber e só um milagre o manterá na Fórmula 1 em 2013.

JEAN-ÉRIC VERGNE0,5 – Garantiu o emprego para o ano que vem, mas não por causa deste GP. Estava com um carro tão ruim quanto o de Daniel Ricciardo, mas ficou sempre muito atrás do australiano. Mal em todos os treinamentos, largou apenas em 18º e afundou-se de vez ao bater em Michael Schumacher na primeira volta, estourando o bico de seu carro azulado. Recuperou-se, mas não o suficiente para sequer brigar com os pilotos do meio do pelotão.

PASTOR MALDONADO4 – Teve um fim de semana esquisito, difícil de definir. Uma verdadeira montanha russa, assim como a grande reta de Buddh. Foi mal demais nos treinos livres, mas o carro mudou da água para o vinho na qualificação e o chavista não só conseguiu um nono lugar no grid de largada como também foi o único, além de Sebastian Vettel, a liderar alguma coisa no fim de semana, o Q2. A corrida é que foi tumultuada. Largada ruim, disputa complicada com Romain Grosjean e Bruno Senna, furo de pneu causado pelo toque de Kamui Kobayashi e um final de corrida lá nas últimas posições. Bem que ele merecia ao menos um pontinho.

VITALY PETROV4,5 – Está dando trabalho a Heikki Kovalainen, motivado provavelmente pela possibilidade de ficar desempregado em 2013. Embora tenha ficado atrás do finlandês nos treinos livres, acabou sendo o melhor piloto das equipes nanicas tanto no treino oficial como na corrida. Tudo bem, ele largou mal pacas e chegou a ser ultrapassado por Charles Pic, mas recuperou-se e deixou o próprio Kovalainen para trás no final.

HEIKKI KOVALAINEN3,5 – Embora tenha largado e finalizado atrás de Vitaly Petrov, não dá para dizer que foi mal. OK, ninguém esperava que o finlandês rodasse sozinho no final do Q1 da qualificação, mas podemos dar um desconto por ele ter ficado sem participar do primeiro treino livre. Durante a corrida, teve problemas com o KERS e acabou sendo ultrapassado por Petrov na parte final. Está preocupado, pois seu emprego também corre risco.

CHARLES PIC3,5 – Teve um domingo inegavelmente melhor que a sexta e o sábado. Correndo pela primeira vez em Buddh, apanhou do carro e da pista e chegou a ficar atrás dos dois carros da HRT no segundo treino livre e, veja só, no grid de largada. Mas a tristeza acabou aí. Logo na primeira volta, ganhou cinco posições e pulou para 19º. Acabou sendo ultrapassado por Petrov não muito depois, mas ao menos deixou os carros da HRT e também o companheiro Timo Glock para trás sem dificuldades. Que consiga a tal vaga na Caterham em 2013.

TIMO GLOCK2,5 – Ao contrário do companheiro Charles Pic, seu melhor dia foi a sexta-feira e o pior foi o domingo. Nos treinos livres, tinha um carro razoável para seus baixos padrões e conseguiu fazer boas voltas, embora tenha ficado atrás de carros da HRT em duas das sessões. No grid de largada, sofreu com o carro, mas ainda conseguiu ficar a poucos milésimos de Heikki Kovalainen. Na corrida, largou mal, não conseguiu desafiar o companheiro Pic e até perdeu tempo com gente da HRT. Saiu da Índia sem grandes coisas para contar, como sempre.

NARAIN KARTHIKEYAN5 – O astro da casa fez um trabalho heroico e que merece consideração. Não ficou em último em nenhum dos treinos, embora tenha tido problemas hidráulicos na sexta-feira, e deixou a Marussia de Charles Pic para trás no treino oficial. Na corrida, perdeu um pedaço do bico após um toque na largada e ainda teve um superaquecimento prematuro nos freios que o obrigou a maneirar na condução de seu precário carro. Mesmo assim, ele resistiu a corrida inteira e chegou ao fim. É um cara que, definitivamente, se entendeu bem com o circuito de Buddh.

MICHAEL SCHUMACHER0 – Não foi nem por sua culpa. O homem tá realmente amarrado, completamente azarado neste ano de (des)graça que encerrará sua carreira. O melhor dia foi a sexta-feira, quando deu ao menos para andar um pouco e fazer alguns tempos razoáveis. No sábado, penou para passar do Q1 da classificação e nem sonhou em atravessar o Q2. A corrida acabou praticamente na primeira curva, quando Jean-Éric Vergne destruiu um pneu traseiro de sua Mercedes. Schumacher ficou tão para trás que não conseguiu sequer ultrapassar as duas Caterham durante a corrida. Nas últimas voltas, meio que na vergonha, recolheu o carro para os boxes e foi para casa.

SERGIO PÉREZ1,5 – Na sexta-feira, o chicano chegou a ficar de fora do primeiro treino livre por uma história muito mal explicada. Sergio estava gripado na quinta-feira e não tinha condição nenhum de ir para a pista, mas melhorou bastante no dia seguinte. Só que a Sauber preferiu colocar Esteban Gutiérrez para andar em seu carro no primeiro treino livre. Mas Pérez ainda conseguiu fazer um trabalho bem melhor que o de Kobayashi, incluindo a participação no Q3 da classificação. O domingo foi outra coisa esquisita. Seu carro estava muito ruim nas primeiras voltas e o cara decidiu antecipar a parada para ver se resolvia o problema. Isso não só não aconteceu como até piorou após uma colisão com Daniel Ricciardo. Após tanta dor de cabeça, o próprio mexicano decidiu abandonar a corrida.

PEDRO DE LA ROSA3,5 – Correu pela primeira vez em Buddh. Em dois treinos livres, ficou em último, ainda em período de adaptação. Mesmo assim, no outro treino livre, superou os dois carros da Marussia. No treino oficial, conseguiu escapar da última fila. A largada foi excepcional e o veterano conseguiu ultrapassar os dois carros da Caterham e a Marussia de Timo Glock. Infelizmente, seus freios acabaram muito cedo e ele teve de se retirar na volta 42.

GP DA ÍNDIA: Primeiramente, uma reclamação. Corrida às sete e meia da manhã dá não. Não mesmo. Sete e meia da manhã do domingo é horário de toque de recolher, ninguém está em nenhum outro lugar do planeta que não na cama. Sinto muito, Rede Globo: dependendo de como andar o clima e a cotação do rublo, assistirei apenas ao VT da SporTV. E ponto final. O horário é altamente ingrato para um circuito tão interessante como Buddh, que tem suas pitadas de Mugello e Brno. No ano passado, todo mundo gostou da pista, razoavelmente veloz e cheia dos encantos hindus. Aquela reta que sobe e desce, sobe e desce, sobe e desce, é uma tremenda gozação de Hermann Tilke, sempre tão apegado a terrenos dos mais planos. O país não tem nada a ver com a antiga novela da Glória Perez (a atual também tem seus tons de bizarrice, diga-se) e as mulheres indianas infelizmente não se parecem com a Juliana Paes. Tudo é sujo, pobre e fodido – não, não tirei isso da minha mente preconceituosa, já conheci gente que foi pra lá e a opinião é sempre esta, sem tirar nem por. Quem gosta de lá é Sebastian Vettel, o Tião, que ganhou a corrida do ano passado sem maiores problemas e tem carro, talento e a bênção de Krishna para repetir o sucesso neste ano da graça. A torcida local terá até um cara para torcer, o folclórico Narain Karthikeyan, que certamente terminará em último, mas ao menos andará lento o suficiente para poder dar tchau às castas baixas da arquibancada.

KOBAYASHI: Vamos de tradução livre: “Serão minhas últimas quatro corridas nesta temporada e eu farei o meu melhor. Infelizmente, meus planos para o próximo ano não estão claros, mas é óbvio que eu farei o meu melhor“. Mais tradução livre: “E tentarei conseguir o meu sonho. Parece um muro tão alto, mas está é uma chance para eu conseguir ser ainda mais forte”. Mais um pouco: “Um dia, se eu precisar de ajuda de um patrocinador, continue me apoiando, pois isso me ajudará muito”. Não sei se foi exatamente isso que ele quis dizer, até porque seu inglês escrito é bastante exótico, mas ninguém precisa ser um Shakespeare para entender que Kamui Kobayashi tá preocupado. Nervoso. Nem deve conseguir fechar os olhos na cama. OK, talvez fechar os olhos não seja um problema para ele, mas o fato é que sua vaga na Sauber está ameaçada. Todo mundo quer correr na equipe suíça comandada por uma indiana e financiada com dinheiro mexicano. Num mundo onde a grana tá curta para você e para mim, é claro que Seu Peter e Dona Monisha irão leiloar seus dois carros bicromáticos. Nico Hülkenberg e Esteban Gutiérrez deverão ser os dois escolhidos. Mas se der zebra, não tem problema, pois há uma lista enorme de outros pilotos que já foram mencionados. O pobre Kobayashi ainda não é carta descartada, ao menos não oficialmente, mas o tom utilizado nas palavras acima, postadas ontem no Twitter, indica claramente que seu nome não está exatamente no topo da lista. E a chance dele voltar para o Japão para ter de trabalhar enrolando sushis de enguia com seu pai é bem maior do que gostaríamos.

GUTIÉRREZ: Falando emSauber, enão éque o tal de Sergio Pérez, novo wunderkind da Fórmula 1, pegou uma gripe daquelas e corre risco de não participar do GP da Índia? Nesta quinta-feira, Pérez cancelou todos os seus compromissos comerciais e teve de ficar no hotel tomando sopinha de mandioca e antitérmico. Não que o mexicano realmente fizesse questão de sorrir para fotografias, almoçar com algum diretor obeso da filial indiana da NEC e visitar o Taj Mahal ao lado da trupe de RP da Sauber, mas qualquer coisa é melhor do que acordar podre de tudo, febril e enfraquecido. Longe de casa, a coisa fica ainda pior. Se sua saúde não melhorar nas próximas horas, há boas possibilidades da Sauber escalar outro piloto para correr em seu lugar. Esteban Gutiérrez, tão mexicano quanto Pérez, já está de sobreaviso e lambe os beiços pensando na possibilidade de fazer sua grande estreia na Fórmula 1. O piloto de 21 anos foi campeão da GP3 em 2010 e disputou as duas últimas temporadas da GP2, mas não conseguiu os resultados esperados, isto é, o título. Se ele realmente debutar no GP da Índia, valerão aqui duas curiosidades. Primeira: Sergio Pérez só conseguirá fazer sua primeira temporada completa na Fórmula 1 no ano que vem, pois ele não só teria perdido a corrida deste próximo fim de semana como também perdeu o GP de Mônaco do ano passado após um acidente no treino oficial. Segunda: seria a primeira vez na história da Fórmula 1 em que um piloto teria nascido no mesmo ano de estreia de outro piloto do mesmo grid. Neste caso, Gutiérrez nasceu em 5 de agosto de 1991, mesmo mês de estreia de Michael Schumacher na categoria. Infelizmente, o tabu de nunca ter havido um piloto que nasceu depois da estreia de outro piloto do mesmo grid não terá sido quebrado por apenas vinte dias.

AUSTIN: Enquanto todo o paddock da Fórmula 1 se encontra em terras brâmanes, um punhadinho de pessoas meio que inaugurou o superlativo Circuito das Américas, aquele que sediará o GP dos Estados Unidos daqui para frente. No último domingo, foi realizado no autódromo texano a “Cerimônia da Primeira Volta”, um evento que reuniu dois carros de Fórmula 1 para dar umas voltinhas na nova pista de 5,515 quilômetros construída em Austin. Um dos carros era o Renault R30 pintado de preto e dourado e pilotado por Jérôme D’Ambrosio, o belga mais sonolento do planeta. Dambrrosiô foi para a pista, sentou o pé no acelerador, voltou aos pits e deu suas opiniões genéricas e dispensáveis sobre o trabalho feito no COTA. “Foi um grande dia, foi fantástico ir à pista para mostrar o R30, é um traçado muito prazeroso, blablabla, ZZZZZZZZZZZ”. O outro carro que deu as caras foi simplesmente o Lotus 79 pilotado por ninguém menos que Mario Andretti, um croata que virou referência em automobilismo americano. O ex-astro da Fórmula 1, da Indy e das 500 Milhas de Indianápolis deu algumas voltinhas com seu velho carro e fez elogios empolgados à pista. “A pista é sensacional!”, proclamou o velho Andretti. Depois, ainda deu algumas voltas com o Renault R30 e saiu do carro todo pilhado. Como é bom ver um dos maiores pilotos de todos os tempos – chupa quem discorda – dentro de um cockpit.

NOVATOS: Sabe aquela semana de testes destinada a pilotos das categorias de base? As seis equipes que não participaram dos testes em Silverstone e Magny-Cours terão três dias após o GP de Abu Dhabi para testar alguns mancebos no circuito de Yas Marina. Por enquanto, a lista de pilotos está bastante interessante. A Red Bull terá os dois pilotos mais promissores da World Series by Renault nesta temporada, António Félix da Costa e Robin Frijns. A McLaren testará o veteraníssimo Gary Paffett, dará uma nova chance a Oliver Turvey e colocará o imberbe Kevin Magnussen na pista. A Lotus terá três perfis bem distintos em seu carro: Nicolas Prost, Edoardo Mortara e Davide Valsecchi. A Sauber não quis inovar demais: levará seu pupilo Esteban Gutiérrez e também dará uma chance a Robin Frijns. A Toro Rosso não vai colocar ninguém do programa de pilotos da Red Bull. Ao invés disso, dará uma chance a dois veteranos da GP2, Luiz Razia e Johnny Cecotto Jr. Por fim, a Caterham colocará no asfalto dois de seus protegidos, Giedo van der Garde e Alexander Rossi. É legal ver que não haverá nenhuma aberração do tipo Rodolfo Gonzalez pilotando os carros. Nesta Fórmula 1 estúpida que limita tanto os testes, esta semana é esperadíssima por todos os pilotos das categorias de base. Muitas vezes, os poucos quilômetros feitos já garantem o ganha-pão da próxima temporada. Que a garotada aproveite sua oportunidade. Para alguns, poderá ser a única. Ou a última.

RED BULL10 – Mais humilhante do que o fim de semana coreano, só batendo em aleijado. A equipe rubrotaurina só não conseguiu a ponta no primeiro treino livre, comandado por Lewis Hamilton. A liderança no segundo e no terceiro treino livre, a primeira posição nas três sessões da qualificação, a pole-position, a vitória, o segundo lugar e a volta mais rápida ficaram nas mãos de Sebastian Vettel ou Mark Webber. O RB8 de Adrian Newey achou em Yeongam um habitat ideal: pista cheia de trechos lentos, curvas desgraçadas e uma reta interminável. Deu tudo certo, até mesmo o salto daquele austríaco doidão em Roswell.

FERRARI9 – A Red Bull era a dona do melhor carro, tudo bem. Quem de certa forma surpreendeu foi a Ferrari, que superou a McLaren com folga neste fim de semana. Fernando Alonso e Felipe Massa tinham um carro para, ao menos, angariar uma das garrafas de champanhe do pódio. O espanhol obviamente foi o que se deu melhor, embora às custas de ordem de equipe, que obrigou Massa a ficar atrás de Alonso mesmo tendo um carro melhor. Coisas de Maranello. Mas os dois pilotos andaram muitíssimo bem e pegaram o terceiro e o quarto lugar sem maiores problemas. Tristeza maior para os ferraristas é ver a Red Bull dominando estas últimas corridas.

LOTUS7,5 – Se a Red Bull foi a melhor equipe e a Ferrari foi a segunda melhor, a medalha de bronze vai para a Lotus preta de guerra. Kimi Räikkönen e Romain Grosjean não brilharam nos treinos livres, mas conseguiram boas posições no grid de largada e terminaram bem no domingo. O finlandês pode não ter sido o mais agressivo dos moicanos, mas chegou em quinto e somou mais dez pontos para o portfólio. Grosjean escapou dos perigos, que não foram poucos, e finalizou em sétimo, marcando seis pontos bem úteis. E a primeira vitória da equipe, ninguém fala mais nisso?

FORCE INDIA6,5 – Teve corridas totalmente diferentes com seus dois pilotos. Nico Hülkenberg fez os indianos parecerem a quarta força do fim de semana coreano, mesmo com todos os inúmeros problemas financeiros que assolam o patrão Vijay Mallya. Andou bem no treino oficial e sentou a bota na corrida, com direito a ultrapassagem dupla sobre Lewis Hamilton e Romain Grosjean. Acabou o domingo na sexta posição. Paul di Resta, o escocês, não apareceu em momento algum e teve problemas tanto com os pneus macios como com os supermacios. Terminou mais perto do Quirguistão do que dos pontos. E acabou sendo superado novamente pelo colega na tabela de classificação de pilotos.

TORO ROSSO8,5 – Grande fim de semana. OK, para uma equipe que já chegou a vencer corrida, marcar seis pontos com os dois pilotos não é exatamente o resultado dos sonhos para ninguém. Devemos, contudo, nos lembrar da eterna falta de velocidade do STR7 que Daniel Ricciardo e Jean-Éric Vergne são obrigados a dirigir neste ano. Os dois tiveram performances parecidíssimas: largaram no meio do bolo, ganharam posições e terminaram em oitavo e nono, isso tudo com estratégias diferentes. Que a jovem dupla, muito melhor do que a anterior, continue progredindo.

MCLAREN0 – Ah, deu dó da equipe prateada neste fim de semana. Só faltou pegar fogo nos boxes da McLaren nestes dias. Nem posso dizer que o carro estava tão ruim, pois Lewis Hamilton foi o mais veloz do primeiro treino livre. O que acontece é que os astros se alinharam de modo que tudo desse errado tanto para Hamilton como para Button. O sósia de Chris Martin foi mal pacas no treino oficial e sequer passou da primeira volta, pois foi engolido pelo kamizake Kamui Kobayashi. Lewis estava nas primeiras posições no começo, mas os espíritos ruins atacaram seu carro e ele foi perdendo posições até o fim da corrida. Só finalizou em décimo pela sorte da mais pura. De bom, apenas o calor que ele deu em Kimi Räikkönen pouco antes de um de seus pit-stops.

SAUBER2 – É uma equipe acostumada com altos e baixos. De uma semana para a outra, deixou de ser uma das principais forças da categoria para ser apenas mais uma equipe apagada e modorrenta. Kamui Kobayashi fez todo mundo se esquecer do pódio de Suzuka com uma lambança daquelas na primeira volta coreana, tirando da corrida os pobres Jenson Button e Nico Rosberg. Para compensar o mau resultado no treino oficial, Sergio Pérez tentou driblar os outros largando com pneus macios, mas acabou sendo driblado e ultrapassado por muita gente, finalizando fora dos pontos. Ao que parece, o C31 é um carro mais adequado para pistas extremas, pecando um pouco nos traçados intermediários de Hermann Tilke.

MERCEDES1 – A futura equipe de Lewis Hamilton terminou o domingo com as mãos no bolso novamente. Não levou nem um pontinho para casa como recordação. Não há muito o que recordar, para dizer a verdade. O W03 continuou ruim e Nico Rosberg e Michael Schumacher não fizeram muito mais do que colocá-lo na quinta fila do grid de largada. Esta foi a melhor parte do GP coreano, por incrível que pareça. Na prova, Rosberg abandonou logo cedo e Schumacher teve uma atuação apática como poucas, aparecendo mais como um sujeito velho e cansado que não conseguia conter os ataques de moleques com quinze anos a menos de vida. Trágico, trágico.

WILLIAMS3 – Pode ao menos se dar ao luxo de comemorar zero carros quebrados ou batidos, uma proeza para quem tem Pastor Maldonado e Bruno Senna como pilotos. Os dois não bateram, não rodaram, não tiraram os outros da pista, mas também não andaram nada. Largaram lá no meio do pelotão e por lá ficaram. Maldonado, o chavista, ainda tentou algo diferente, uma corrida com apenas um pit-stop. Não funcionou. Já o sobrinho ficou naquela toada conservadora de sempre. Foi o último colocado entre os pilotos das equipes que contam. À equipe, o consolo de todos os carros terem terminados com as quatro rodas.

CATERHAM3 – Tarefa mais difícil é a de dar notas às equipes nanicas, pois elas quase nunca trazer algo de novo para análise. Desta vez, Vitaly Petrov superou Heikki Kovalainen no grid de largada e nos resultados finais da corrida, embora Kova tenha sido o cara dominante da equipe verde durante a prova. Não incomodaram ninguém à sua frente e também não tiveram trabalho com os de trás.

MARUSSIA2,5 – Charles Pic é o único piloto do grid que já estourou o limite de oito motores permitidos por temporada – teve problemas e utilizou o nono em Yeongam, sendo punido com a perda de dez posições no grid, nada que altere muito sua vida. Timo Glock, que havia sido até mais lento do que Pic no treino oficial, teve mais uma daquelas típicas procissões lentas e terminou em 18º, uma posição à frente do companheiro francês.

HRT2 – O carro quebrou com Narain Karthikeyan no treino oficial e com Pedro de la Rosa na corrida – é melhor a pequena equipe ficar de olho no controle de qualidade de sua produção, pois os abandonos estão ocorrendo com uma frequência incômoda. No mais, os dois pilotos continuaram se arrastando nas últimas posições e não apareceram em momento algum. Ufa, acabou este negócio de ficar dando nota pra equipe sem esperança.

TRANSMISSÃOCOELHO DA PÁSCOA – Como mal prestei atenção nas palavras de narrador e comentaristas neste fim de semana, confio no que li por aí. Em 2004, Michael Schumacher obteve no Canadá sua centésima vitória na temporada. Para enaltecer o mérito do heptacampeão, o narrador brasileiro soltou um “ele tem uma plantação de coelhos”. Depois, na maior esportiva, riu e corrigiu a informação, pois coelho não se planta, oras bolas. Neste último fim de semana, de volta ao microfone, o narrador IMPRESSIONANTE nos proporcionou um belo flashback daquele momento único da história das transmissões brasileiras. Durante o treino de classificação, provavelmente baqueado pelo sono, nosso querido amigo disse que Fernando Alonso, ele próprio, tem uma “plantação de coelhos”. A mesma horta de coelhos de Schumacher! Incrível! Impressionante!

CORRIDAMELHOR DE TODAZZZZZZZ – A corrida foi tão boa, mas tão boa, que dormi após vinte voltas. Estava cansado pra caramba, havia tido uma semana infernal e tudo o que eu não queria era um GP chato que me privasse de algumas boas horas na cama. Sebastian Vettel largou na pole-position, liderou todas as voltas e ganhou, sem nenhum tropeço. Mark Webber também não teve problema algum para terminar em segundo e o mesmo vale para Fernando Alonso, terceiro colocado. Lá atrás, podemos destacar a bela briga entre Lewis Hamilton e Kimi Räikkönen, abortada pelo pit-stop do inglês, e a excepcional ultrapassagem feita por Nico Hülkenberg sobre o mesmo Hamilton e Romain Grosjean. São aqueles parcos e preciosos instantes que garantiram que o GP da Coréia não representasse duas horas jogadas no lixo. Ainda bem que esta foi a última prova desta temporada transmitida de madrugada para nós, brasileiros de Buenos Aires. Misturar uma pista proibitiva para ultrapassagens com um piloto dominante e um horário desfavorável só pode resultar em bastantzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.

SEBASTIAN VETTEL9,5 – O dez não veio por estúpidos 74 milésimos de segundo, que representam o que lhe faltou para tomar a pole-position de Mark Webber. No mais, o alemão foi estupendo novamente – infelicidade enorme para mim, fã de Fernando Alonso. Líder nos dois últimos treinos livres, o bicampeão só perdeu a ponta no grid por mero detalhe, já que havia sido o primeiro colocado também nas duas primeiras sessões da qualificação. Na corrida, compensou tudo ultrapassando Webber sem dificuldades na primeira curva e despachando o resto do povo. Sem problema algum, ganhou pela 25ª vez na vida. Verde chora. E reverencia.

MARK WEBBER8 – Atuação de funcionário público no domingo. Não tem o direito de reclamar do carro, pois Adrian Newey é o verdadeiro mestre dos magos dos circuitos tilkeanos. Sem ser brilhante em momento algum, o ponto alto do australiano foi a pole-position conseguida de maneira até meio fortuita no sábado. Apático, deixou Sebastian Vettel fugir na liderança logo na primeira curva. Tentou dar o troco, mas não tinha gás para isso. Depois disso, ficou naquela de deixar um olho para tentar enxergar o companheiro no binóculo e outro olho para espiar no retrovisor se havia algum carro vermelho se aproximando. Terminou em segundo, chorou e também foi obrigado a reverenciar o vencedor.

FERNANDO ALONSO7,5 – Um progresso para quem não havia sequer completado a primeira curva em Suzuka e uma injúria para quem era líder do campeonato até sábado. Longe de ter o melhor carro do fim de semana, Alonso fez o que pôde: não muito. Não andou estritamente mal nos treinos livres, mas quase ficou no Q1 da classificação no sábado. Partindo da quarta posição no grid, Fernando passou Lewis Hamilton na primeira curva e até sonhou em ameaçar a dupla da Red Bull no retão coreano. Sonhos não necessariamente condizem com a realidade e ele teve de se contentar em ficar em terceiro. Na segunda metade da corrida, começou a render bem menos que Felipe Massa e só conseguiu o pódio devido à famigerada ordem de equipe. Está agora seis pontos atrás de Sebastian Vettel no campeonato.

FELIPE MASSA8,5 – Está em ótima fase, o que me deixa bastante feliz. Pela segunda corrida consecutiva, o brasileiro demonstrou um nível de competitividade à altura de um piloto da Ferrari. Continua apanhando um pouco nos treinos, mas pelo menos assegurou um sexto lugar no grid, um avanço em relação a Suzuka. No domingo, foi um dos melhores pilotos na pista. Ultrapassou Kimi Räikkönen logo no começo, largou Sergio Pérez e Lewis Hamilton para trás quando estes não estavam em boa forma e só não tomou o pódio das mãos de Fernando Alonso porque, bem, vocês sabem o porquê. Mas andou bem pra caramba e, como prêmio, assegurou um lugar na Ferrari em 2013. Prêmio? Dadas as circunstâncias, Felipe pode se considerar um sortudo por ter um emprego remunerado na Fórmula 1 no ano que vem.

KIMI RÄIKKÖNEN7 – Aqueles papos de “maior rival de Alonso” e  “a primeira vitória está próxima” já viraram coisa de museu. O finlandês segue fazendo seu trabalho discreto de formiguinha, conseguindo pontos aqui e acolá e se acotovelando nas primeiras posições da tabela de pilotos. Na terra do PSY, Kimi mineiramente fez o quinto tempo no Q3 do treino oficial. Logo no começo da corrida, Felipe Massa o deixou para trás, mas o nórdico não se abateu. Envolveu-se numa excelente briga com Lewis Hamilton, embora só tenha conseguido assumir sua posição após o inglês entrar nos pits. Terminou em quinto – não dava para fazer muito mais que isso, mesmo.

NICO HÜLKENBERG8,5 – Outro bom destaque da corrida. Foi muito mais rápido do que o companheiro Paul di Resta durante todo o tempo, terminou a corrida numa excelente sexta posição, ultrapassou Di Resta no campeonato de pilotos e ainda foi para casa sorrindo por ter feito uma das melhores ultrapassagens do ano. Competente no treino oficial, conseguiu um bom lugar na quarta fila do grid. Passou Romain Grosjean na largada e só foi superado pelo franco-suíço após a segunda rodada de pit-stops. Sem esmorecer, aproveitou-se do duelo homicida entre Grosjean e Lewis Hamilton e ganhou as posições dos dois num único movimento, coisa legal de se ver. Mesmo não sendo o perfil mais emocionante do grid, certamente merece um lugar numa equipe melhor. Mas não no lugar do Kobayashi, por favor.

ROMAIN GROSJEAN6,5 – Esteve irreconhecível na Coréia: ficou atrás de Kimi Räikkönen no treino oficial e não se envolveu em estultice alguma na corrida. Muito estranho. Não brilhou nos treinamentos e ficou apenas em sétimo no grid, sempre prometendo a todos que seria um bom garoto nas primeiras curvas. Bem que o destino tentou complicar sua vida novamente, com algumas confusões acontecendo perto dele na primeira curva, duelos com os igualmente perigosos Pastor Maldonado e Lewis Hamilton e até um quase-acidente com Nico Hülkenberg nos pits. Felizmente para ele, nada conseguiu barrá-lo e a recompensa foi o sétimo lugar.

JEAN-ÉRIC VERGNE8 – Sua melhor corrida no ano até agora. Não se enganem: foi boa, mesmo. Os treinos livres indicavam que a vida de JEV seria a mesma lamúria dos demais fins de semana, mas tudo mudou da água para o vinho no sábado. No Q1, sabe-se lá como, ficou em sexto. No Q2, garantiu um razoável 16º lugar no grid. O domingo é que foi realmente bacana. O francês fez ultrapassagens em gente como Bruno Senna e Lewis Hamilton e ainda deixou o companheiro Daniel Ricciardo para trás, provando que é ele o cara para liderar a Toro Rosso nos dias de carro bom. Nesse momento, está três pontos a frente do australiano.

DANIEL RICCIARDO7,5 – Esteve tão bem quanto Jean-Éric Vergne, mas terminou atrás dele novamente. Tristeza para ele, que sempre fica atrás do francês no dia em que o carro colabora. No mais, o desempenho dos dois foi bastante semelhante durante todo o fim de semana. No Q2 da qualificação, Ricciardo até conseguiu superar Vergne, mas precisou trocar o câmbio e teve de largar em 21º. Sem grandes apuros, recuperou boas posições durante a corrida e esteve à frente do companheiro até as últimas voltas, quando foi superado por ter pneus mais lentos. Mesmo assim, não pode reclamar do nono lugar.

LEWIS HAMILTON1 – Quem imaginaria, após o primeiro lugar no primeiro treino livre, que Lewis Hamilton teria seu fim de semana mais difícil na temporada? Pois é, mas tudo começou a ficar bastante ruim a partir do sábado, quando ele não sobrou no Q1 da classificação por muito pouco. No Q3, conseguiu o terceiro lugar no grid e esboçou um sorriso, mas o domingo foi um desastre de proporções épicas. O inglês não largou bem e foi superado por Fernando Alonso logo de cara. Seu ritmo não esteve tão ruim até a volta 20, quando Felipe Massa surgiu das trevas e o superou. Depois disso, o carro da McLaren piorou demais e Hamilton só foi perdendo posições. No fim da corrida, após ter feito uma terceira parada meio que no desespero, ainda passeou fora da pista e levou junto um pedaço de grama sintética no sidepod. Marcou um ponto, mas praticamente deu adeus à disputa pelo título.

SERGIO PÉREZ2 – O dia estava tão ruim para a McLaren que nem mesmo ele, contratado de Woking para 2013, conseguiu andar bem. O carro da Sauber não parecia tão competitivo para esta pista, mas o mexicano ainda conseguiu superar Kamui Kobayashi na qualificação. Sendo um dos poucos a largar com pneus macios, Checo esperava fazer o de sempre: surpreender a todos, ganhar dezenas de posições e terminar com o sorrisão latino no pódio. Não deu. Ele chegou a estar lá na frente, mas começou a perder desempenho rapidamente e a tal estratégia maluca não funcionou desta vez. No fim da corrida, ainda tinha um carro bom e conseguiu ultrapassar Paul di Resta e Michael Schumacher, mas lhe faltou apenas um teco para roubar o ponto de Lewis Hamilton.

PAUL DI RESTA2,5 – Fim de semana ruim. Mesmo tendo um treino livre a mais à disposição, não conseguiu superar Nico Hülkenberg em momento algum. Não passou para o Q3 da classificação e culpou o tráfego pelo infortúnio. Apostou em pneus macios para o primeiro stint e foi penalizado pela decisão, perdendo desempenho logo no começo. Com os supermacios, também não melhorou muito. Poderia até ter feito um pontinho, já que Lewis Hamilton estava muito lento, mas a ultrapassagem de Sergio Pérez na volta 53 acabou com qualquer possibilidade.

MICHAEL SCHUMACHER1,5 – Pois é, a carreira do heptacampeão está chegando ao fim e de maneira melancólica. Na Coréia, Michael Schumacher teve um desempenho simplesmente indigno de alguém que frequentemente é comparado a nomes como Ayrton Senna e Juan Manuel Fangio. A culpa nem foi tanto dele, pois o carro da Mercedes está fraquinho, tadinho. Mas o alemão, que nem foi tão horrivelmente mal assim nos treinos, apanhou de vara da molecada durante a corrida. Discreto, ele ainda tinha alguma chance de marcar um pontinho, mas foi ultrapassado por três na segunda parte da corrida e terminou lá atrás.

PASTOR MALDONADO2 – Um pit-stop só? Péssima ideia, cara. Já faz algum tempo que Pastor Maldonado não apronta alguma. Deve ter levado uma bela dura dos capos da Williams. Na Coréia, ele nunca teve um carro bom e também não quis levar o que tinha na mão ao limite. Largou apenas em 15º e decidiu dar uma de Sergio Pérez, apostando em apenas uma parada nos boxes. A estratégia não funcionou e Maldonado ficou se arrastando com o carro durante várias voltas. Mesmo assim, ainda foi o melhor piloto da Williams no fim de semana.

BRUNO SENNA1 – E ele, com estratégia normalzinha e tudo, ainda conseguiu terminar atrás do companheiro Pastor Maldonado. O brasileiro teve mais um fim de semana medonho, mas dessa vez não bateu em nada ou ninguém, nem mesmo na largada. Foi mal nos treinos e não passou sequer pelo Q1 na qualificação. Na largada, partiu bem e chegou a ganhar algumas posições, mas não conseguiu segurá-las durante muito tempo. Foi o pior das equipes normais.

VITALY PETROV4 – Bom grande prêmio, um dos raros em que ele conseguiu superar Heikki Kovalainen tanto no grid de largada como na chegada. Mesmo sem ter feito um dos treinos livres (Giedo van der Garde entrou em seu lugar), o russo foi o melhor das equipes pequenas no treino oficial. Na corrida, Kovalainen chegou a ficar à sua frente na maioria das voltas, mas Vitaly recuperou a posição no finalzinho. Interessante atuação para quem corre sério risco de ficar de fora da Fórmula 1 no ano que vem.

HEIKKI KOVALAINEN3 – Teve um único rival neste fim de semana, o companheiro Vitaly Petrov, e perdeu. Andou na mesma tocada de sempre e não teve grandes dificuldades ou emoções no fim de semana coreano. Passou a maior parte da corrida na frente de Petrov, embora não tenha conseguido desafiar ninguém à sua frente. Nas últimas voltas, perdeu a posição para o russo e ficou em 17º.

TIMO GLOCK2,5 – Segundo o próprio, teve um fim de semana difícil. O carro da Marussia não avançou muito e o alemão não conseguiu desafiar os caras da Caterham. Ainda fez um tempo pior do que o de Charles Pic na qualificação, mas largou mais à frente porque o francês foi punido com a perda de posições no grid. Numa corrida apenas normal, não dava para esperar muito. Ficou em 18º.

CHARLES PIC3 – Nos quatro treinos em que tomou parte, inclusive o oficial, ficou em 21º. Teria largado à frente do companheiro Timo Glock se não tivesse tido de trocar o motor Cosworth, o que lhe rendeu a perda de dez posições no grid – ele teria de largar lá na Coréia do Norte, portanto. Na corrida, sem grandes ambições, deixou o indiano Narain Karthikeyan para trás e finalizou atrás de Glock. Nada de novo no front.

NARAIN KARTHIKEYAN3 – É sempre melhor ter um problema no treino oficial do que na corrida, não acha? O indiano não conseguiu fazer muita quilometragem na sexta-feira, pois teve de ceder o carro a Dani Clos. No sábado, seu carro quebrou logo no comecinho da qualificação e ele não completou nenhuma voltinha, mas ainda lhe permitiram a participação na corrida. Chegou a ganhar algumas posições na largada, mas retornou ao seu lugar de direito, o último, pouco tempo depois. Pelo menos, viu a bandeira quadriculada.

PEDRO DE LA ROSA2 – Primeira corrida sua em Yeongam. Fez o máximo de quilometragem possível na sexta-feira e se qualificou em 22º no sábado graças aos infortúnios de Narain Karthikeyan e Charles Pic. Logo na quinta volta da corrida, começou a ter problemas com o acelerador. O carro, que já não é aquela delícia de se dirigir, começou a se comportar de maneira cada vez pior e a equipe achou melhor retirá-lo da corrida. Nada que mude a cotação do milho, porém.

KAMUI KOBAYASHI0,5 – O herói de Suzuka não demorou mais do que uma semana para virar o vilão coreano, o que faz todo o sentido em se tratando do eterno conflito entre japas e coreanos. O carro da Sauber não colaborou em momento algum, assim como o próprio Kamui. No treino oficial, diz ter perdido meio segundo por ter pegado bandeiras amarelas. Com isso, largou no meio do bolo. Na corrida, não demorou mais do que uma volta para atropelar alguém, o McLaren de seu freguês Jenson Button. Koba conseguiu permanecer na corrida, mas ficou tão para trás e com o carro tão torto que preferiu se retirar voluntariamente na volta 16.

NICO ROSBERG1 – Tá numa maré de azar danada. Pelo segundo fim de semana consecutivo, não conseguiu andar mais do que alguns metros. A Mercedes não consegue preparar um bólido legal e a loira alemã não está contando com a sorte. Seus resultados nos treinos não foram tão deprimentes, mas abandonar por causa da barbeiragem de outrem novamente é de sair por aí matando todo mundo com um AK47. Dessa vez, quem bateu em seu carro foi o desesperado Kamui Kobayashi. Rosberg tentou seguir em frente, mas abandonou na segunda volta e foi pra casa tomar sorvete de framboesa e chorar para as amigas.

JENSON BUTTON0,5 – Outro que foi esquecido pela sorte em Yeongam. Como sempre, o algoz foi Kamui Kobayashi, o mesmo que o impediu de subir ao pódio em Suzuka. Jenson não foi brilhante nos treinos livres, mas também não contava com a não-classificação para o Q3 do treino oficial. Na largada, enquanto planejava uma prova de recuperação, foi atropelado sem dó nem piedade por Kobayashi. Com a suspensão destruída, teve de abandonar a corrida no ato.

RED BULL9,5 – Não levou o dez apenas pelo seu segundo piloto ter sido azarado na primeira curva – e só. O RB8 foi o melhor carro do fim de semana com sobras: liderou dois dos três treinos livres, pegou a primeira fila, venceu e ainda conseguiu a volta mais rápida. Sebastian Vettel fez o que quis durante todo o tempo e nunca foi ameaçado. Era para Mark Webber ter se unido ao alemão na festança do pódio, mas o australiano acabou sendo atingido por Romain Grosjean na primeira curva e caiu para as últimas posições. Mesmo assim, terminou em nono. Se a equipe continuar nesta balada, engole os dois títulos sem grandes problemas.

FERRARI7,5 – Felipe Massa provou que a equipe italiana tinha boas chances de ter conseguido um pódio com Fernando Alonso. Mas quem acabou bebendo champanhe foi o brasileiro, que fez sua melhor corrida desde há muito tempo, subiu para quarto na primeira volta, ganhou a segunda posição de Kamui Kobayashi nos pits e terminou atrás apenas de Sebastian Vettel. Quanto a Alonso, este até poderia ter feito algo de bom, mas não foi bem no treino oficial e ainda acabou batendo em Kimi Räikkönen na primeira volta, abandonando a corrida. As atualizações que os ferraristas trouxeram não fizeram lá tanta diferença, mas o asturiano também não ajudou muito.

SAUBER9 – Com um carro muito bom e dois doidões no volante, como não ser uma das atrações do fim de semana? Em sua melhor temporada como equipe independente, a Sauber voltou a obter mais um pódio, desta vez com Kamui Kobayashi. Em casa, o caricatural piloto mandou ver desde o treino qualificatório, quando conseguiu o terceiro lugar no grid. No domingo, andou em segundo na primeira parte da prova e segurou bem os ataques de Jenson Button no final. Sergio Pérez poderia ter obtido um resultado tão bom quanto, pois havia largado em quinto e estava muito rápido no começo da corrida. Jogou tudo fora quando errou bisonhamente no Hairpin, abandonando a prova. Dá para entender o porquê da equipe ser a mais badalada desta silly season?

MCLAREN6,5 – Em alguns quesitos, poderia ter peitado tranquilamente a Red Bull. Em outros, esteve mal pacas. Com Jenson Button, a equipe chegou a liderar o primeiro treino livre, o único momento em que os rubrotaurinos não estiveram na ponta. O treino classificatório foi infeliz, pois Button tinha de pagar a punição de troca de câmbio e acabou largando apenas em oitavo. Lewis Hamilton foi pior ainda e ficou apenas em nono, sem conseguir acertar o carro. Durante a prova, os dois pilotos tiveram altos e baixos, mas acabaram obtendo bons pontos. Button teve problemas no câmbio e Lewis teve um relacionamento difícil com seus pneus na primeira parte da prova. Os mecânicos trabalharam muitíssimo bem.

LOTUS5,5 – Absolutamente nada de novo. Muitas promessas, expectativas frustradas, Romain Grosjean superando Kimi Räikkönen no treino oficial, Grosjean fazendo merda no começo da corrida, Räikkönen mineiramente marcando pontos, enfim, o de sempre. O carro não andou nada nos treinos livres, mas deu uma boa melhorada no treino oficial. Na prova, com o franco-suíço se matando na primeira curva, sobrou para o ébrio finlandês fazer alguma coisa. Bem que Fernando Alonso, Lewis Hamilton e Sergio Pérez tentaram tirá-lo da disputa, mas o sempre persistente Räikkönen foi em frente apenas com o objetivo de beber champanhe geladinha no pódio. Não deu, mas beleza.

FORCE INDIA4,5 – Como se já não bastasse a crônica falta de dinheiro do patrão Vijay Mallya, que nem paga seus funcionários em dia, os dois pilotos ainda deram suas contribuições para aumentar o rombo indiano. Paul di Resta e Nico Hülkenberg bateram seus respectivos carros nos treinos livres e deram muita dor de cabeça para os mecânicos, que não puderam ir para o puteiro no sábado à noite porque tiveram de consertar as cacas. Os dois largaram do meio do pelotão, mas Hülkenberg se recuperou bem na corrida e terminou em uma interessante sétima posição. Di Resta não fez nada. E meus parabéns aos mecânicos, que conseguiram fazer pit-stops dos dois pilotos na mesma volta 16 sem tropeçar.

WILLIAMS4 – Não tem o mesmo carro veloz de outrora, mas não pode reclamar do oitavo lugar conseguido por Pastor Maldonado, seus primeiros pontos desde o GP da Espanha de 1745. Os dois pilotos tiveram dificuldades nos treinamentos, mas não bateram em nenhum deles, um milagre em Grove. Mesmo assim, Maldonado não passou para o Q2 e Bruno Senna ficou ainda mais atrás, atrapalhado por Jean-Éric Vergne que foi. Na corrida, Senna acabou com as esperanças de um fim de semana 100% limpo da Williams acertando Nico Rosberg na primeira curva. Caiu lá para trás e ficou longe dos pontos. Em compensação, o venezuelano chegou ao final e ainda em oitavo. Estava precisando muito deste resultado.

TORO ROSSO3,5 – Marcou um ponto, sim, mas muito mais graças ao seu piloto e às circunstâncias externas do que pela competência da equipe e do carro. Daniel Ricciardo voltou a ser o melhor piloto da equipe tanto nos treinos como na corrida. Os bons duelos com Jenson Button, Kamui Kobayashi e Michael Schumacher provaram que o australiano não foge da briga. Ponto suado e merecido. Jean-Éric Vergne só apareceu quando atrapalhou Bruno Senna no treino classificatório. Largou lá atrás e lá atrás permaneceu até o fim. O carro, que parecia estar melhorando, estagnou.

MERCEDES0 – Se bobear, até devem ter servido sushi podre na hora do almoço. Tudo deu errado. Tudo. Na sexta-feira, Michael Schumacher destruiu um carro e Nico Rosberg teve problemas no carro. No dia seguinte, nenhum dos dois andou bem no treino oficial e o alemão mais velho ainda perdeu mais dez posições no grid por conta de uma punição referente à Cingapura. No domingo, Rosberg abandonou na primeira volta e Schumacher ficou fora da zona de pontuação. Esta é a equipe que Lewis Hamilton escolheu, em detrimento da McLaren. Se deu mal.

CATERHAM3 – Analisar as equipes pequenas sempre é mais difícil, ainda mais uma que não deslancha e nem incomoda como a Caterham. Heikki Kovalainen voltou a ser o agente dominante aqui, chegando a andar em 11º no início da corrida. Terminou lá atrás, mas foi novamente o melhor dos humildes. Vitaly Petrov teve um fim de semana horrível, com direito a asa quebrada e HRT largando à frente. Pelo menos, sobreviveu a tudo e chegou ao fim. Não deixa de ser preocupante, aliás, o quanto a Marussia se aproximou.

MARUSSIA4 – Destaque especial para a equipe de mecânicos, que conseguiu fazer um dos pit-stops mais rápidos da corrida, com Timo Glock na volta 21. O alemão andou razoavelmente bem novamente, brigou com as Caterham, não teve dificuldades com o companheiro Charles Pic e finalizou em 16º. O companheiro Charles Pic não esteve tão bem como em fins de semana anteriores, mas também participou da corrida com alguma dignidade e só não terminou por causa de problemas no motor. Se continuar desta forma, a equipe terá tudo para se manter à frente da Caterham no final do campeonato.

HRT3 – Mais um fim de semana sem grandes coisas para contar. Trouxe um assoalho novo para esta etapa, mas Narain Karthikeyan fez o favor de danificá-lo numa rodada durante um treino livre. Tanto ele como Pedro de la Rosa fizeram mais ou menos o de sempre, mas o espanhol conseguiu superar a Marussia de Charles Pic e a Caterham de Vitaly Petrov, um feito e tanto. Na corrida, só De la Rosa conseguiu terminar. Acho legal que a HRT esteja fazendo um trabalho sério, tentando melhorar seu carro de qualquer forma. A balbúrdia de 2010 já virou passado.

TRANSMISSÃOIMPRESSIONADA – Quando liguei a televisão para ver o treino oficial e ouvi a voz do Sr. IMPRESSIONANTE, fiquei logo irritado. Não consigo gostar dele, já falei isso um milhão de vezes e não me importo em falar pela milionésima primeira vez. A voz de bobalhão, o sorriso de “Mr. Nice Guy”, a empolgação barata, sei lá. O outro narrador, com toda a sua arrogância e seu diletantismo, é muito mais divertido e imprevisível. Não há muito o que comentar, até porque deixei baixo o volume da TV para não acordar ninguém e pouco pude ouvir. Vi que a animação pelo resultado de Felipe Massa foi bem maior do que por Kamui Kobayashi, um tremendo sacrilégio. Além do mais, a transmissão brasileira não se furtou em cortar a cena do piloto japonês descendo do carro duas vezes. Isso aí: nem conseguimos ver se Kobayashi chorou, deu cambalhota, mandou beijinho e gritou “vocês vão ter que me engolir” para a câmera. Não vimos nada. Impressionante, né?

CORRIDAUMA BOA MADRUGADA – Uma corrida de madrugada só vale a pena se for muito boa. Esta foi excepcional. É evidente que o principal motivo para isso foi o pódio com Felipe Massa e Kamui Kobayashi. Com estes dois personagens, ninguém prestou atenção no vencedor Sebastian Vettel. O terceiro lugar de Kamui animou toda a japonesada nas arquibancadas, que gritava KAMUI, KAMUI enquanto o piloto ficava perdidão no pódio. A prova em si não foi a mais espetacular de todos os tempos, mas já representou um grande avanço em relação às edições anteriores do GP do Japão. Vettel à parte, o circo pegou fogo na pista. Teve engarrafamento na largada, com Fernando Alonso saindo da prova e deixando milhões de fãs de Vettel mais felizes. Teve um monte de disputas no meio do pelotão. Teve piloto errando feio, como Sergio Pérez. Teve Kimi Räikkönen batendo rodas com a galera na primeira curva. Teve Kobayashi segurando Jenson Button nas últimas voltas. Teve Pastor Maldonado e Daniel Ricciardo pontuando. Teve até Marussia fazendo pit-stop rápido. Como achar ruim? Suzuka, nós te amamos.

SEBASTIAN VETTEL10 – Alemãozinho filho da mãe, estraga-prazeres. Num pódio onde havia um brasileiro que não subia lá fazia quase dois anos e um japonês deslumbrado sendo aplaudido pelos seus torcedores nas arquibancadas, Sebastian Vettel era a figura menos importante da festa. Injusto, até certo ponto. O bicampeão está em grande fase e fez mais uma ótima corrida, vencendo pela terceira vez no ano. Mas foi uma daquelas vitórias com V maiúsculo: liderança no terceiro treino livre, no Q2 e no Q3 da classificação, pole-position, liderança de ponta a ponta na corrida e volta mais rápida. Um Grand Chelem com direito a cereja no topo. Um assombro. O alemãozinho simpático e de sorriso estranho está de volta na contenda pelo título.

FELIPE MASSA9,5 – Como é bom dar uma nota alta a Felipe Massa. Pela primeira vez desde o polêmico GP da Alemanha de 2010, o brasileiro fez uma corrida digna de quem merecia vencer. Não venceu, mas tudo bem. Foi mal pra caramba nos treinos, não conseguiu sequer entrar no Q3 da classificação, mas compensou seus pecados no domingo. Teve enorme sorte ao sobreviver aos acidentes da primeira curva e ainda foi esperto o suficiente para ganhar seis posições na primeira volta. Antes de seu primeiro pit-stop, acelerou fundo e ganhou tempo o suficiente para tomar a segunda posição de Kamui Kobayashi. Depois, manteve um ritmo bom o suficiente para terminar numa excepcional segunda posição. Só não leva dez porque chutou o champanhe no pódio. OK, brincadeira.

KAMUI KOBAYASHI10 – É uma nota emocional, sim. A corrida não foi tão brilhante assim, para dizer a verdade. E o próprio Kamui Kobayashi não é o grande piloto que gostaríamos – seu companheiro mexicano é bem melhor, reconhecemos. Mas não há como não torcer por ele, sujeito engraçado e da mais alta simpatia. Correndo em casa, com a gritaria de seus compatriotas nas arquibancadas, o japa encarnou o demônio no cockpit. Brilhou especialmente no treino qualificatório, onde conseguiu um lugar valiosíssimo na segunda fila. Na largada, ultrapassou Mark Webber e se livrou das confusões que aconteceram logo atrás. Perdeu o segundo lugar para Felipe Massa após seu primeiro pit-stop e foi muito pressionado por Jenson Button nas últimas voltas, deixando todo mundo de cabelo em pé. Mas como bom guerreiro que é, aguentou legal a pressão e garantiu o pódio, o primeiro na carreira. Kamui! Kamui!

JENSON BUTTON8,5 – Justiça seja feita: ele mandou muito bem. Líder no primeiro treino livre, Mr. Michibata não tinha muito o que fazer contra uma Red Bull imperial em Suzuka. Na qualificação, ainda conseguiu um terceiro tempo muito bom, mas a troca de câmbio o relegou à oitava posição. Sobreviveu à tumultuada largada e ainda subiu para sua terceira posição de direito. Fez seu primeiro pit-stop com certa antecedência e pagou o preço da decisão ficando atrás de Daniel Ricciardo durante um tempão. No final da corrida, mesmo com problemas de câmbio, tentou tomar o pódio de Kamui Kobayashi de todo jeito e não conseguiu, finalizando numa ainda boa quarta posição. Na certa, deve ter sido impedido pela patroa, que é meio argentina e meio japa.

LEWIS HAMILTON6 – Em seu primeiro GP após ter sido contratado pela Mercedes para 2013, o rapper teve um fim de semana apenas discreto na pista, algo até positivo em se tratando dele. Não foi mal nos dois primeiros treinos livres, mas se complicou com o acerto do MP4-27 na qualificação e ficou apenas com o nono lugar do grid. Na corrida, destacou-se mais na primeira parte, quando teve alguns pegas legais com Sergio Pérez. Foi derrotado na pista, mas ganhou a posição do mexicano no pit-stop. Dali para frente, apenas levou o carro até o fim, terminando em quinto. O chilique dado por causa do Twitter foi das coisas mais ridículas que eu já vi na Fórmula 1.

KIMI RÄIKKÖNEN6 – É um mistério da natureza. Passou sufoco durante todo o tempo, mas ainda conseguiu terminar em sexto e se manteve vivo da Silva na disputa pelo título. Andou mal em todos os treinos livres, rodou sozinho no Q3 da classificação e perdeu novamente para Romain Grosjean na disputa direta em posições no grid de largada. Falando em largada, o pobre Kimi foi tocado por Fernando Alonso na primeira curva e deu sorte de não ter perdido o bico. Na relargada, quase bateu rodas com Sergio Pérez na mesmíssima primeira curva e sobreviveu. Mais adiante, teve problemas novamente na primeira curva, desta vez com Lewis Hamilton. Também saiu incólume. Fez sua corrida digna e terminou em sexto. Não se mete em confusões nem quando quer.

NICO HÜLKENBERG7 – Teve um fim de semana pouco chamativo, mas muito produtivo. OK, obviamente não estou me referindo ao belo acidente sofrido no terceiro treino livre. O alemão da Force India derrotou novamente seu companheiro Paul di Resta, a começar pelo razoável décimo lugar no grid de largada, que virou 15º por causa de uma troca de câmbio. Beneficiou-se do acidente da primeira volta, subindo para uma boa oitava posição. Manteve um ritmo forte durante todo o tempo e acabou premiado com o sétimo lugar na corrida.

PASTOR MALDONADO6,5 – Olha só quem apareceu! Depois de duzentos anos, voltou a marcar pontos na Fórmula 1. E talvez justamente no seu fim de semana mais discreto na temporada. Teve dificuldades nos treinamentos e não conseguiu passar para o Q3 da qualificação, mas pode até ter se dado bem com isso, pois não se envolveu nas melecas que aconteceram à sua frente. Subiu para nono logo de cara e ainda ganhou uma posição a mais com o abandono de Sergio Pérez. Numa boa, manteve-se em oitavo até o fim. Se continuar assim, ganhará o respeito que merece.

MARK WEBBER6 – Deu um azar tremendo, pois estava na corrida para peitar Sebastian Vettel. Foi muito bem nos treinos livres e chegou a liderar o segundo deles. No grid de largada, ficou apenas dois décimos atrás de Vettel. Tudo desmoronou na primeira curva, quando o australiano, que já havia sido ultrapassado por Kamui Kobayashi, foi abalroado por Romain Grosjean e acabou tendo de ir aos boxes para reparar o carro danificado. Voltou à pista e ainda fez uma boa corrida de recuperação, mas terminou numa brochante nona posição. Tem motivos bons para mandar matar Grosjean.

DANIEL RICCIARDO7 – Teria sido esta sua melhor corrida na carreira até aqui? Não duvidaria disso. O australiano não fez nada de mais com seu carro merda nos treinos oficiais, mas se sobressaiu na corrida. Ganhou boas posições com os acidentes da largada e subiu para décimo na primeira volta. Na primeira rodada de pit-stops, segurou Kamui Kobayashi e Jenson Button com alguma destreza. No fim da corrida, pegou o último pontinho após conter os ataques de ninguém menos que o heptacampeão Michael Schumacher. Está provando ser mais piloto do que o companheiro Jean-Éric Vergne.

MICHAEL SCHUMACHER2 – Seu último GP em Suzuka não foi exatamente aquilo que todo mundo espera de um multicampeão. O fim de semana do quarentão já começou todo errado com a punição de dez posições a menos no grid por ter atropelado Jean-Éric Vergne em Cingapura. Na sexta-feira, para se complicar um pouco mais, bateu forte e destruiu o carro. No sábado, foi mal na qualificação e acabou largando apenas na última fila. Na corrida, remou, remou, remou e tudo o que conseguiu foi terminar a uma posição dos pontos. Que fim de carreira mequetrefe, não?

PAUL DI RESTA1,5 – Fim de semana podríssimo, ainda mais sabendo que seu companheiro ficou em sétimo. Começou mal já na sexta-feira, quando bateu na Spoon no segundo treino livre. Na qualificação, até que não foi mal: ficou em 11º. Poderia ter pontuado tranquilamente, mas um problema na embreagem ainda no comecinho lhe atrapalhou bastante a vida. Não conseguiu desenvolver velocidade e acabou terminando confortavelmente longe dos pontos.

JEAN-ÉRIC VERGNE2 – Discretíssimo. Só chamou atenção quando fez bobagem. No treino qualificatório, atrapalhou uma volta de Bruno Senna e acabou perdendo cinco posições no grid como punição. Nem fez tanta diferença assim, para ser honesto. Na corrida, ficou atrás de Heikki Kovalainen durante um tempão e perdeu bastante terreno. Depois que se livrou do piloto da Caterham, já estava longe demais das dez primeiras posições. Terminou no meião, como sempre.

BRUNO SENNA2 – Para não dizer que não fez nada de bom, ultrapassou Romain Grosjean de maneira legal na volta 41 e ainda marcou a quarta volta mais rápida. E só. No treino qualificatório, teve as dificuldades de sempre e ainda foi atrapalhado por Jean-Éric Vergne em uma volta rápida. Na largada, para compensar, tirou Nico Rosberg da corrida num acidente bobo na primeira curva. Considerado culpado, acabou tomando um drive-through para aprender a lição. Com isso, suas chances de pontos caíram para zero. E, de fato, ele não marcou ponto algum.

HEIKKI KOVALAINEN4,5 – Novamente, o mais competente do final do pelotão. Da mesma forma, dá para dizer que deu algum trabalho a gente com um carro mais veloz que o seu. Não disputou o primeiro treino livre porque teve de ceder o carro a Giedo van der Garde. No grid de largada, ficou num interessante 17º lugar. Com as confusões da largada, subiu para 11º e segurou Jean-Éric Vergne durante várias voltas. Sem ter um bólido competitivo, perdeu as posições de costume e terminou à frente apenas dos colegas de penúria.

TIMO GLOCK5 – Repetiu o ótimo trabalho de Cingapura. OK, ótimo parece exagerado, mas não podemos negar que o ex-campeão da GP2 mandou bem novamente. Embora tenha tido problemas para acertar o carro nos treinos livres, ficou em 18º no grid de largada. Na primeira volta, deixou os acidentados para trás e chegou a estar em 11º. Como era de se esperar, perdeu quase todas as posições possíveis, mas ainda conseguiu finalizar à frente de Vitaly Petrov. Muito bom. Deveria estar dirigindo um carro melhor.

VITALY PETROV1 – Quem não costuma prestar atenção na cauda do pelotão não imaginou o quão ruim foi o fim de semana do piloto russo. Na segunda sessão livre, teve um problema na asa traseira e escapou perigosamente na primeira curva. No Q1 da classificação, a surpresa negativa: ficou atrás dos dois carros da Marussia e do HRT de Pedro de la Rosa! Chato, hein? Na corrida, teve problemas com o KERS e o rádio do carro. Ignorou algumas bandeiras azuis e tomou um drive-through pela contravenção. Só não esteve pior por falta de espaço.

PEDRO DE LA ROSA4 – Como não destacar o sujeito que conseguiu superar uma Marussia e uma Caterham na classificação com o carro da HRT? Este é o veterano De La Rosa, que realmente vem fazendo um trabalho excepcional com a minúscula equipe espanhola neste ano. O 20º lugar no grid era realmente um sonho para todos, mas é óbvio que não daria para mantê-lo durante muito tempo. Mesmo assim, Pedro chegou a ameaçar brigar com Charles Pic e Vitaly Petrov durante a corrida. Não conseguiu, mas ao menos terminou.

ROMAIN GROSJEAN0 – É o cabaço da vez. Assim como Pastor Maldonado, é um cara muito rápido, mas seu cérebro não funciona na mesma velocidade de seu Lotus. Novamente, jogou no lixo aquela que poderia ter sido uma corrida ótima, provavelmente melhor do que a de Kimi Räikkönen. Embora não tenha sido brilhante nos treinos livres, conseguiu um lugar na segunda fila no grid de largada. Será que, dessa vez, ele faria tudo certo? Não. Logo na primeira curva, em um erro que o próprio descreveu como “imbecil”, atropelou Mark Webber e acabou caindo para o final do grid. Pela burrada, foi punido com um stop-and-go. Voltou para a pista e ficou se arrastando. Devido ao mau estado dos pneus, abandonou por conta própria. E o estado do cérebro?

CHARLES PIC2,5 – Teve seu primeiro, e talvez último, fim de semana em Suzuka. O desempenho foi aquela coisa de sempre, apenas aceitável para quem penitencia na Marussia. Destacou-se por ter conseguido superar uma Caterham, a de Vitaly Petrov, no treino oficial. Na corrida, fez o que pôde enquanto o carro funcionou bem. Quando o motor Cosworth começou a falhar, Pic perdeu ainda mais performance e foi obrigado a abandonar.

NARAIN KARTHIKEYAN2 – Quase ficou de fora da corrida porque teve inúmeras dificuldades no treino oficial. Tudo graças à perda do assoalho atualizado que a HRT havia levado para Suzuka. No terceiro treino livre, o indiano rodou e danificou a peça, sendo obrigado a utilizar a versão anterior. Como “quase” não existe, Narain conseguiu estar presente na corrida. Até chegou a disputar posições com pilotos teoricamente mais velozes, mas se viu obrigado a abandonar quando perceberam um problema em seu carro.

SERGIO PÉREZ5 – Pelo excelente desempenho apresentado no início da corrida, parecia que seria ele, e não Kamui Kobayashi, que subiria ao pódio no final da corrida. O novo contratado da McLaren iniciou o fim de semana meio que na maciota, sem se esforçar demais. No treino qualificatório, começou a mostrar performance e pegou um ótimo quinto lugar no grid. No domingo, foi prejudicado pelo acidente na largada e perdeu algumas posições. Irritado, decidiu acelerar o máximo para recuperar terreno. Travava pneus como ninguém, mas conseguiu uma boa ultrapassagem sobre Lewis Hamilton. Após o pit-stop, voltou atrás do inglês e ainda cometeu um erro crasso no Hairpin, saindo da pista e abandonando a prova. O que será que Martin Whitmarsh achou?

FERNANDO ALONSO1,5 – Sempre sortudo, o Lamuriador das Astúrias teve talvez seu pior fim de semana do ano em Suzuka. A Ferrari havia trazido algumas pequenas atualizações para o carro, mas elas parecem não ter funcionado tanto. No Q3 da classificação, sua melhor volta acabou abortada pela bandeira amarela causada por Kimi Räikkönen. Foi obrigado a largar na sexta posição. Na corrida, voltou a ter problemas com Räikkönen. Total culpa sua, diga-se. Na primeira curva, o ferrarista tentou colocar seu lado na parte de fora e ignorou a presença do soturno finlandês. Os dois se tocaram e o pneu Pirelli do carro vermelho foi para a vala. Alonso rodou sozinho e acabou ali, patético, no meio da brita. Fim de corrida. Fim do sonho do tricampeonato?

NICO ROSBERG0 – Fim de semana horrível. Na sexta-feira, teve problemas de motor. No sábado, fez apenas o 15º tempo no Q2 e só largou em 13ª por causa das punições. No domingo, foi acertado por trás por Bruno Senna e abandonou ainda na primeira curva. Coitado. Torço contra ele, mas aí já é demais. Que tenha melhor sorte na Coréia do Sul.

Finda-se uma era. A era das corridas chatas, dos circuitos mutilados pela paranoia com a segurança, das ordens de equipe, dos pilotos insípidos, dos resultados definidos nas paradas dos boxes. Podemos enxergar desta forma. Ou de outra, que me soa menos rabugenta e mais justa. A era de um só piloto, um cara que era tão melhor que os demais dentro e fora do carro que ninguém teve vez durante um período de dez anos. Neste interregno, somente um homem pôde desafiá-lo: Adrian Newey, que nem piloto era. Outro homem, este daqui um mestre na condução de carros, também deu algum trabalho, mas apenas na parte final da história, Fernando Alonso. Nenhum dos dois conseguiu roubar de Michael Schumacher a alcunha de “um dos grandes pilotos da história da Fórmula 1”.

Schumacher, 43, está indo embora pela segunda vez. Nesta quinta-feira, ele confirmou em uma coletiva de imprensa que estava difícil encontrar motivação para continuar correndo e que após ser dispensado da Mercedes em favor de Lewis Hamilton, abandonaria definitivamente a Fórmula 1. O GP do Brasil, a ser realizado em novembro, será a última vez que os fãs poderão ver o heptacampeão mundial em ação. Depois, c’est tout fini. Michael terá de arranjar alguma coisa para fazer. Com suas centenas de milhões de dólares na carteira e alguma criatividade, certamente encontrará algo.

Michael Schumacher é sinônimo de vitória. E de polêmica. Quem detesta costuma suspirar por Ayrton Senna. Quem gosta costuma ter algum tipo de rejeição a Senna. Ou torcia por Piquet. Eu estou contente no segundo grupo, o dos antinacionalistas piquetistas que gostam de subversão. Mas não nego que Schumacher deu muita lenha para os detratores queimarem. Em 300 GPs e alguns quebrados, ele já aprontou de tudo: jogou o carro sobre o adversário, tentou bloquear a pista durante um treino oficial, desrespeitou bandeira preta, causou muito acidente e até teve a audácia de esboçar um constrangido sorriso no pódio do GP de San Marino de 1994. Só que poucos sabem que logo após o pódio, o desalmado Schumacher descobriu o que realmente havia acontecido com Ayrton Senna, abraçou-se à mulher e chorou copiosamente. Muito malvado.

Neste fim de semana, teremos GP do Japão. Eu até pensei em contar sobre as boas corridas que Schumacher fez em Suzuka, mas descobri que não teria nada de muito interessante para dizer. Como este blog sempre opta pela heterodoxia, decidi exibir no Top Cinq de hoje (que volta à carga após inúmeras sextas-feiras vazias) os maus fins de semana que Michael Schumacher teve no veloz circuito japonês. E se você quer saber, não foram poucos.

5- 1991

Michael Schumacher conheceu os encantos e os perigos do autódromo de Suzuka em sua quinta corrida na carreira. O alemão de apenas 22 anos foi a sensação da Fórmula 1 naquele fim de 1991, e não por acaso: arrepiou com a Jordan em Spa-Francorchamps, desempregou Roberto Moreno, assustou Nelson Piquet, peitou Ayrton Senna em Monza e em Barcelona, marcou pontos, maravilhou Bernie Ecclestone e foi objeto de renhida disputa entre Eddie Jordan, Flavio Briatore e a Mercedes. Tudo isso em um espaço de apenas dois meses.

No Japão, Schumacher estava com a moral tão alta na sua equipe, a Benetton, que o único motor Ford HB atualizado para a corrida havia sido instalado em seu carro e não no do tricampeão Piquet. Durante aqueles dias, muito se falava no provável surgimento da equipe Mercedes, que teria Michael ao lado do austríaco Karl Wendlinger, que por acaso fazia sua estreia na Fórmula 1 no fim de semana japonês com a Leyton House. De alguma maneira, mesmo em seu ano de estreia na categoria, Schumacher já estava sofrendo pressão. Se não correspondesse àquilo que todos esperavam, auf wiedersehen.

Schumacher iniciou o fim de semana com dificuldades. Seu novo motor não estava rendendo o esperado e o câmbio também não estava legal. Mesmo assim, ele fechou o primeiro treino classificatório de sexta oito posições à frente de Piquet. Para a segunda sessão oficial, Michael pegou emprestado o carro reserva do brasileiro, já que o câmbio do seu não funcionava. Ao ir para a pista, ele sentiu que o Benetton de Piquet era bem mais instável que o seu antigo carro. Mesmo assim, seguiu acelerando até onde dava. Não deu.

Na 130R, aquela, seu carro pisou um pouco além da zebra, rodou e bateu de traseira na mureta interna. Tudo isso a trezentos e tantos por hora. A pancada foi forte e Schumacher saiu do carro meio zonzo, mas não sofreu nada. Ainda garantiu a nona posição no grid, uma à frente de Piquet. Definitivamente, era ele o reizinho da Benetton naquele fim de semana.

Perto dos excepcionais fins de semana anteriores, a corrida de Suzuka foi apenas correta para Schumacher. O futuro heptacampeão largou bem e andou entre a quinta e a sexta posição durante a maior parte do tempo. Ao abrir a volta 34, Michael perseguia o italiano Pierluigi Martini visando o quinto lugar. De repente, o motor quebrou e a festa acabou. Schumacher teve de encostar o carro na grama e ir para casa mais cedo. De quebra, ainda tomou cornetada de Galvão Bueno: “Com o Schumacher e o (Martin) Brundle, eles (a Benetton) vão gastar dinheiro. Eles vão gastar dinheiro na próxima temporada. O que eles batem e estouram de motor não é fácil”. Um belo chute pra fora.

4- 1993

Depois da estreia avassaladora em 1991 e de uma excelente temporada em 1992, Schumacher teve seu apagão em 1993. Longe de querer apontar alguma falta de velocidade no alemão, a verdade é que foi neste ano que ele cometeu uma série de erros toscos e perdeu alguns ótimos resultados. Como bom exemplo, a própria corrida de Suzuka, penúltima da temporada.

Assim como em 1991, a Benetton trouxe novidades para o Japão no ano do tetra de Alain Prost. O carro teria um revolucionário sistema de quatro rodas direcionais, com as duas rodas traseiras virando num ângulo entre 2 e 4° de modo a melhorar a aderência traseira. Dizem que nem funcionava direito, mas os resultados não deixaram de vir. Schumacher não ficou abaixo do sexto lugar em nenhum dos treinos e conseguiu um lugar na segunda fila. Mesmo assim, a Benetton não utilizou as rodinhas traseiras direcionais na corrida.

Corrida esta que não foi grandes coisas. Schumacher largou mal e caiu de quarto para sexto, levando até mesmo uma ultrapassagem por fora do estreante Eddie Irvine. Não foi um grande desafio para Michael deixar o atrevido norte-irlandês da Jordan para trás, mas Gerhard Berger representou um problema ligeiramente maior. Mesmo com um carro bem melhor, o alemão da Benetton não conseguia ultrapassar Berger. Resultado: Damon Hill veio lá de trás, se aproximou rapidamente e superou o próprio Schumacher, que voltou para a sexta posição.

Nervoso da vida, Michael Schumacher decidiu reagir. O problema é que o cara estava num ano particularmente perturbado. E numa aproximação à chicane dos boxes, ele se atabalhoou com a freada ligeiramente antecipada de Damon Hill e espetou a traseira do carro do inglês. Hill seguiu em frente, mas o Benetton de Schumacher ficou com a suspensão dianteira esquerda estourada. Fim de corrida.

Foi um mau final de temporada, aquele. Como se não bastasse, o mesmo Galvão Bueno voltou a esculachar o pobre teutônico: “Aí é que eu digo que o Schumacher, por mais que fale o Flavio Briatore, por mais que as pessoas se encantem com a performance dele, está ainda muito longe do nível de um Ayrton Senna, de um Alain Prost, de um Nelson Piquet, de um Niki Lauda. O nível de erro dele é muito grande. (…) Falta um pouco de feeling para ele ser um craque da Fórmula 1”. Pois é, mas também não demorou muito para ele obter esse feeling.

3- 1998

Quase três anos de jejum para Michael Schumacher. Intermináveis dezenove anos de jejum para a Scuderia Ferrari. O piloto alemão chegou a Suzuka, palco da última etapa da temporada de 1998, carregado de pressão. Pressão dele mesmo, que precisava ganhar logo o terceiro título para afastar as desconfianças cada vez maiores sobre seu nome. Pressão dos italianos, que tinham apostado milhões nele para tentar ganhar o malfadado título. Pressão da Fórmula 1, que não é bacana com ninguém. Schumacher precisava ser campeão e ponto.

Não parecia ser a tarefa mais fácil do mundo. Ele desembarcou na Terra do Sol Nascente com 86 pontos na tabela. Seu principal rival, o finlandês Mika Häkkinen, tinha quatro pontos a mais. Para que Schumacher fosse campeão, Mika não poderia chegar em segundo. Sabendo que Häkkinen pilotava o melhor carro do ano, o McLaren MP4-13, a labuta parecia complicadíssima. Um tremendo desafio.

Mas Michael Schumacher, que nunca esmorece, não esmoreceu. Ponteou o primeiro treino livre da sexta-feira. Ponteou o segundo treino livre da sexta-feira. Fez a pole-position no sábado com quase dois décimos de vantagem sobre Häkkinen. Também ponteou o warm-up. Porra, assim o Schumacher ganha, mesmo! Não precisaria nem atirar o carro em ninguém. O ponto de interrogação saiu das mãos de Michael e desabou sobre o rival finlandês. Será que Mika aguentaria a pressão? Será que ele conseguiria terminar em segundo? E se o coringa Eddie Irvine aprontasse alguma?

No domingo da corrida, Luca di Montezemolo desembarcou no autódromo de Suzuka para assistir ao provável triunfo de seu pupilo. Mas todos sabemos que Montezemolo é um pé-frio da marca maior. A sorte de Schumacher acabou logo na volta de apresentação, quando a embreagem do carro não funcionou direito, a primeira marcha não entrou corretamente e o motor apagou. Começou ali o drama do alemão, que viu todos os 21 adversários passando pelo seu lado. Michael até conseguiu ligar o carro, mas acabou tendo de sair da última posição do grid. Quem acabou herdando a pole-position foi justamente Mika Häkkinen. É, o negócio miou.

Mesmo assim, Schumacher não desistiu. Logo na primeira volta, ultrapassou dez pilotos. Até o quinto giro, ganhou ao menos uma posição por volta. Empacou atrás do eterno rival Damon Hill durante algum tempo, mas conseguiu ganhar sua posição. Na volta 22, já estava na terceira posição. Como o companheiro Irvine era o segundo colocado, o alemão praticamente só tinha Häkkinen à sua frente. Havia ainda muita corrida pela frente e a esperança estava longe de ter acabado. Mas…

Mas não era dia de sorte de Michael Schumacher. Na abertura da volta 32, o pneu traseiro direito explodiu. O carro ficou totalmente descontrolado. Não deu para seguir. Michael Schumacher abandonou a corrida, deixou uma Itália inteira melancólica e acabou adiando o sonho da conquista do título de pilotos da Ferrari para mais um ano. Mais um.

2- 2005

Um verdadeiro annus horribilis da Ferrari. O F2005 era um carro problemático cujo calcanhar de aquiles estava nos insuficientes pneus Bridgestone, que mal aguentavam uma corrida inteira naquela estapafúrdia regra de proibir trocas de pneus. Nem mesmo Michael Schumacher, naquela altura um heptacampeão no auge de sua pilotagem, era capaz de encontrar alguma solução.

O campeonato de 2005 chegou a Suzuka com o campeão já definido, um tal de Fernando Alonso. Pela primeira vez desde 1999, Michael Schumacher ficava longe da taça maior. Ele iniciou o fim de semana do GP japonês com apenas 60 pontos, empatado com Juan Pablo Montoya. O campeão Alonso tinha 117 pontos, quase o dobro. Schumacher estava em terceiro e corria risco até mesmo de finalizar o ano em quinto. No Japão, o que dava para fazer? Tentar levar o carro na casa e pensar apenas em 2006.

Foi um fim de semana digno de equipe pequena. No primeiro treino livre de sexta, Schumacher ficou à frente apenas do Toyota de Jarno Trulli e dos carros miseráveis da Jordan e da Minardi. Tudo mudou no terceiro treino, disputado sob chuva, quando Michael foi o mais rápido – fogo de palha, é claro. O azar voltou a reinar na qualificação, realizada ainda naquele esquema de apenas uma volta rápida por piloto. Justamente na hora que o alemão iria abrir sua volta, a tempestade despencou sobre Suzuka. Sobrou apenas o 14º no grid para Schumacher.

Na corrida, até fiquei com dó de Schumacher, totalmente impotente com o F2005. Batalhador, ele fez uma superlargada, aproveitou-se de alguns problemas ocorridos na sua frente e subiu para sétimo na primeira volta. Foi seu melhor momento naquele domingo. Na volta 20, Michael sofreu talvez sua maior humilhação no ano. Ele fez de tudo e mais um pouco para sobreviver aos ataques ferozes de Fernando Alonso, mas não contava com a ultrapassagem por fora em plena 130R, talvez a mais bonita que o espanhol já fez na Fórmula 1.

Até desania. Schumacher até chegou a liderar a corrida, mas a verdade sempre voltava à tona nos pit-stops. No último deles, a Ferrari aproveitou para mexer na asa dianteira tentando uma última cartada. A operação só serviu para atrasá-lo ainda mais. Complicado foi tomar mais uma ultrapassagem de Alonso e outra de Kimi Räikkönen, o grande nome daquela corrida. Sétimo lugar altamente melancólico, mas bastante elucidativo a respeito da temporada de 2005.

1- 2006

Este daqui foi um dos momentos mais deprimentes que eu já tive como espectador de Fórmula 1. Naquela madrugada do dia 8 de outubro de 2006, estava completamente ansioso pelo então provável oitavo título mundial. Seria, afinal de contas, muito legal que um sujeito que ninguém gostava conseguisse tantos títulos quanto Juan Manuel Fangio e Ayrton Senna juntos. A verdadeira consagração do mal, pensaria algum bobo.

Michael Schumacher estava na sua última disputa de título na carreira. Já havia anunciado a aposentadoria no GP da Itália e a etapa japonesa seria sua penúltima pela Ferrari. As chances de título eram totais. Tanto Michael quanto seu rival Fernando Alonso tinham 116 pontos. O espanhol havia amealhado a grande maioria deles no primeiro semestre, quando sua Renault parecia imbatível. Schumacher começou a se aproximar bastante a partir a reação iniciada no GP dos Estados Unidos. Nas duas provas anteriores ao GP do Japão, ele havia sido o grande vencedor. Como não apostar no velho alemão?

Schumacher participou de apenas dois treinos livres, liderando um deles. No treino classificatório, não ficou na pole-position por estúpidos 112 milésimos. Em compensação, quem havia obtido a primeira posição era justamente o brother Felipe Massa. Um joguinho de equipe sutil já era o suficiente para por ordem na casa.

Logo na terceira volta da corrida, Michael ultrapassou Massa e assumiu a liderança. Alonso, coitado, estava se matando para conseguir um lugar no pódio. Bom piloto que é, o asturiano ainda subiu de quinto para segundo na volta 17. Mesmo assim, não era o suficiente. Schumacher estava rumando para mais uma vitória tranquila, que seria a oitava em 2006. Somente um desastre poderia acabar com sua corrida. Algo como um motor quebrado, por exemplo.

Diabos. Naquela altura, eu já estava lutando contra o sono para continuar assistindo. Na volta 37, quando tudo parecia definido, a porcaria do motor V8 da Ferrari nº 5 começou a soltar fumaça. Logo após a curva Dunlop, a fumaceira tinha tomado conta de todo o carro. Já era. Não daria mais para continuar. Schumacher teve de abandonar por causa de um propulsor ordinário, coisa que não lhe acontecia desde o GP da França de 2000.

Eu me lembro que após o ocorrido, fiquei tão puto da vida que virei pro canto e desisti de ver o resto da prova. Recuperei algum sono perdido, em compensação. Foi uma das pouquíssimas temporadas em que eu torci contra Fernando Alonso. Foi uma das duas que ele ganhou. Pobre Michael Schumacher.

GP DO JAPÃO: Depois de meio ano acordando às nove da manhã, voltamos aos domingos sem madrugada. Para quem sai da balada e vai direto para o boteco ver a corrida, excelente. Eu, que ando levando uma vida mais monástica, costumo usar o fim de semana para por o sono atrasado em dia. Ainda assim, acharia esse negócio de corridas às três da manhã algo divertido se elas ocorressem apenas duas ou três vezes por ano. Só que não é isso o que acontece na Fórmula 1 asiática, de fusos horários impiedosos com o pessoal das Américas. A diversão proporcionada por corridas em lugares legais (sim, legais) como Suzuka, Sepang, Yeongam e Buddh acaba sendo descompensada pela luta contra o sono e o eterno medo de algum fantasma da noite irromper o recinto e sugar minha alma. Falemos de Suzuka, pista que gosto muito desde sempre. Os japoneses foram sábios o suficiente para construir um circuito variado e perigoso, onde dá para bater forte e quebrar os dentes em qualquer curva. A velocíssima 130R foi estuprada pela Fórmula 1 em 2003, mas ainda segue sendo um dos trechos mais arrepiantes do calendário. Outros trechos legais são o Hairpin, a Spoon, a chicane, a primeira curva, os esses, enfim, tudo é legal no circuito japa. O problema é que a Fórmula 1 de carros vagarosos em retas e ultravelozes em curvas, pilotos conservadores e organizadores avessos à diversão desaprendeu a proporcionar boas corridas por lá. Nos últimos três anos, nenhuma das edições esteve à altura de Suzuka. Mas tudo bem, a categoria-maior dos almofadinhas europeus não gosta mais de velocidade. Para ela, é mais conveniente acelerar um pouquinho e frear logo depois sucessivamente. Vamos de Yas Marina.

SCHUMACHER: Aposentou de novo. Hoje, 4 de outubro de 2012, Michael Schumacher da Silva anunciou que não voltará a fazer parte do esporte que se convencionou chamar de Fórmula 1 a partir do ano que vem. Em entrevista coletiva realizada em Suzuka, o alemão de avançados 43 anos demonstrou certo alívio pela decisão. Como todos os senhores sabem, Schumacher perdeu o emprego após o anúncio da contratação de Lewis Hamilton pela Mercedes. Depois disso, algumas equipes correram até ele e ofereceram contratos para ele permanecer por mais algum tempo. Fica, vai ter bolo. Schumacher, que não gosta de bolo, não quis saber. Embora tenha dito que não se arrependeu do retorno em momento algum, o heptacampeão afirmou que já estava difícil manter a motivação e que é natural que coisas como aposentadoria, asilo e morte venham à cabeça quando você tem cabelos brancos. Agradeceu a todos pela oportunidade que lhe foi dada em 2010 e disse que se sentia orgulhoso por competir contra os melhores pilotos do planeta, um arroubo de modéstia diante de pilotos que cagavam nos cueiros enquanto ele estreava na Jordan verde. Dessa forma, Michael Schumacher terá mais alguns fins de semana para tentar mais alguns resultados que apenas reforcem o fato de que ele é um dos melhores do mundo, e o melhor de todos na minha visão. Só lhe falta alguns quilos de sorte e um óculos. Jean-Éric Vergne em Cingapura lhe agradeceria muito.

BARULHO: Sabem da última? O onipotente semita Bernie Ecclestone está querendo acabar com esse negócio de trazer os motores turbinados de volta para a temporada de 2014. O jornal Hindustan Times, o preferido de Raj, Apu Nahasapeemapetilon e Narain Karthikeyan, publicou uma entrevista com Ecclestone na qual o dirigente afirmava que a FIA deveria suspender o retorno do turbo, talvez a mais esperada das novidades previstas para 2014. O mais curioso da história é como o baixinho chegou a esta conclusão. Dia desses, ele apareceu em Maranello para tomar um espresso com Luca di Montezemolo, amigo de fé e irmão camarada. Depois de fofocarem sobre o mau gosto de Vijay Mallya para roupas, os dois deram um pulo até a unidade de motores e Montezemolo colocou um na bancada de testes para apreciação sonora. Ecclestone ouviu o ronco do V6 turbinado e achou uma merda, barulhinho de furadeira velha. Montezemolo concordou, mas comentou algo como “é verdade, mas são você é o narigudo do Todt que querem isso”. A história não foi exatamente assim, mas passou perto. O fato é que a voz ferrarista é a voz de Deus para a Fórmula 1 e Ecclestone está pressionando a FIA para que acabem de uma vez por todas com esta patifaria. Para que a justificativa ficasse um pouco mais razoável, Bernie também argumentou que os custos ficariam muito altos. É óbvio que, lá no fundo da alma, ele não está nem um pouco preocupado com isso. A razão principal está clara como água mineral para todos: a Ferrari não quer. Afinal de contas, o que é um motor ferrarista sem barulho?

WILLIAMS: Mesmo apósquase um ano longe da Fórmula 1, o paulista Rubens Barrichello continua dando suas polêmicas e absolutamente desnecessárias opiniões sobre os destinos de sua antiga equipe, a Williams. O desatino da vez foi mais ou menos o seguinte: “É uma pena, pois eu acho que eles (a Williams) deveriam ter, pelo menos, o dobro de pontos que, de fato, têm. Isso acontece por causa da inexperiência de seus pilotos, que são rápidos, mas não souberam aproveitar as chances com o equipamento que têm em mãos”. Novamente, Barrichello deixa no ar que Pastor Maldonado e Bruno Senna são duas bestas e que ele mesmo, sozinho e com um pé nas costas, teria feito muito mais com um carro considerado tão bom. Se ele está errado? Irrelevante. O importante nesta história é que Rubens ainda não se tocou de que sua postura de criticismo com a Williams, desgosto com a Indy e saudade da Fórmula 1 é infantil e digna de dó. Doutor Barrichello, a verdade é que a Williams não está interessada no que você acha, a Fórmula 1 não faz a menor questão de tê-lo de volta e a Indy teria todos os motivos para desprezá-lo, pois investiu muito em sua chegada e não teve quase nada de retorno. E bem que as réplicas dos dois pilotos das Williams poderiam ter sido evitadas. “Acho que, para ele, sem estar na pista, é fácil de falar. É só uma opinião que não tem muita importância”, disse Bruno Senna. “Ele pode falar o que quiser. Só que ele esteve na equipe durante dois anos e ela foi ainda pior”, afirmou Pastor Maldonado. Depois dessa, eu só saía de casa com uma sacola de pão na cabeça.

BANDEIRA VERDE: Olha eu aqui outra vez! Primeiramente, peço desculpas aos leitores, que certamente abrem este site logo na hora que acordam e ficam apertando o botão F5 freneticamente até que alguma atualização apareça. Tive um mês de setembro terrível (agosto e setembro são dois meses de bosta, ninguém gosta) com direito a duas provas e duas apresentações de trabalho em um espaço de cinco dias. Felizmente, o inferno astral acabou ontem. Neste mês de outubro, pretendo postar o máximo possível. Se não der para escrever diariamente, pelo menos vocês não ficarão tanto tempo sem o que ler. Colocarei todos os assuntos em dia – Lewis Hamilton, Sergio Pérez, Ryan Hunter-Reay, Davide Valsecchi e o que mais vier. Também tentarei postar as atrasadíssimas notas de Cingapura, que ficaram faltando, e também vou dar notas para o pessoal em Suzuka. Eu sei que ficar justificando o tempo todo enche o saco e realmente afasta os leitores, mas não tive muita escolha neste momento. Que os bons ventos que faltaram a mim (e a quase todos os pilotos para quem torci neste ano) venham com força em outubro – e que eu consiga escrever mais aqui.