MCLAREN10 – Vixe, será que a McLaren fez o certo? Muita gente ficou intrigada com a opção da equipe inglesa pelo bico sem degrau, contrariando a tendência que assolou o grid deste ano. Ao menos em Melbourne, a decisão parece ter sido a mais correta. Lewis Hamilton e Jenson Button estiveram constantemente entre os mais rápidos e monopolizaram a primeira fila, confirmando o enorme favoritismo. Infelizmente para Hamilton, sua largada não foi tão boa e o safety-car ainda entregou o segundo lugar a Sebastian Vettel. Button, por outro lado, venceu no maior estilo. Foi a melhor equipe do fim de semana e certamente dará um trabalho daqueles à Red Bull.

RED BULL8 – Começou o fim de semana sem seu “Enzo Ferrari”, o tailandês Chaleo Yoovidhya, falecido no sábado aos 89 anos. O camarada aí havia criado o tal energético que virou febre em todo o planeta a partir dos anos 90. Pelo visto, a morte trouxe ares pesados à equipe, que não conseguiu ser a protagonista em momento nenhum. No último treino livre, viu Sebastian Vettel rodar sozinho na curva 6. Na classificação, colocou seus dois carros apenas na terceira fila. No domingo, até foi bem e celebrou o segundo lugar de Vettel, mas o resultado final foi bastante insuficiente para uma equipe que fez o que quis em 2011.

FERRARI3 – Existe clichê mais antigo, e melhor, do que rossa, ma di vergogna? Esta frase comumente utilizada nos semanários italianos nos maus dias da Ferrari do jejum de 21 anos sem título pode ser perfeitamente aplicada neste início de 2012. O F2012 é um carro tão veloz quanto bonito, o que é um evidente mau sinal. Pelo menos, Fernando Alonso está lá. O espanhol rodou sozinho no sábado e comprometeu sua posição no grid, mas fez uma ótima corrida de recuperação e terminou em quinto. Felipe Massa rodou na sexta, estacionou no Q2 do treino oficial e não fez muita coisa além de muitas paradas de pit-stop e um acidente desnecessário com Bruno Senna no final. A indignada Autosprint pediu Jarno Trulli em seu lugar. Os italianos não são campeões de paciência.

SAUBER7,5 – Parece ter um carro eficiente e certamente tem uma dupla do barulho. Falta apenas resolver os pequenos problemas que sempre a atrapalham. Não fosse por um problema no câmbio no sábado e pelo acidente com Nico Rosberg na última volta da corrida, Sergio Pérez poderia ter se dado muitíssimo bem. O mexicano parou apenas uma vez, comprovando o baixíssimo consumo de pneus proporcionado pelo C31, e marcou pontos após ter largado da última posição. O companheiro Kamui Kobayashi bateu em um ali e aprontou outra acolá, mas deu uma sorte tremenda na última volta e ficou em sexto. Um início de temporada muito animador para a turma de Peter Sauber.

LOTUS8 – Tem um carrão e poderia ter saído de Melbourne com muitos pontos no bolso, mas seus dois pilotos tiveram aborrecimentos em momentos distintos do fim de semana. O campeão Kimi Räikkönen se embolou todo no Q1 e sequer conseguiu passar para a próxima fase. No dia seguinte, andou direitinho, sobreviveu a Kobayashi e terminou em oitavo. Romain Grosjean foi a sensação do treino oficial ao marcar o terceiro tempo, mas abandonou na segunda prova após Pastor Maldonado ter lhe dado uma porrada em uma das rodas. Mas o carro é bom e a dupla é ótima. Fiquemos de olho.

TORO ROSSO6,5 – O STR7 é um carro bastante correto e seus dois pilotos são da turma dos bons. O resultado no treino oficial, com Daniel Ricciardo em décimo e Jean-Eric Vergne logo atrás, foi mais promissor que o da corrida, mas ninguém ficou muito chateado. O australiano bateu em Bruno Senna na largada e teve de trocar o bico, mas não desanimou e fez uma excelente corrida de recuperação, abocanhando o nono lugar. Vergne fez uma corrida de aprendizado, conservadora e cautelosa. Não pegou um pontinho por alguns malditos metros. É outra equipe para ficarmos de olho – a contenda lá dentro vai ser pesada.

FORCE INDIA4 – Esta, de certa forma, decepcionou. O bom desempenho da pré-temporada não se repetiu em terras oceânicas, mas Paul di Resta ainda anotou um pontinho graças às loucuras das últimas curvas. O escocês é tipo o Nico Rosberg tocando gaita de foles, eficiente e muito, mas muito discreto. Já Nico Hülkenberg andou melhor no treino oficial, mas sua corrida acabou ainda na primeira volta. O carro não começou bem, mas o mesmo aconteceu no ano passado e a equipe acabou melhorando muito. Talvez seja a Force India que não goste tanto assim do reino dos coalas.

MERCEDES8 – Poderia e merecia ter ganhado nota bem maior, mas não dá para ser muito benevolente com uma equipe grande que termina o fim de semana sem pontos. O W03 é um carro promissor e Michael Schumacher demonstrou suas qualidades com o primeiro tempo no segundo treino livre e o quarto lugar no grid de largada. Ele vinha andando num confortável terceiro lugar quando o câmbio quebrou, um problema duro de engolir numa Fórmula 1 de peças inquebráveis. Nico Rosberg, menos exuberante, apareceu bem com uma ótima largada e uma corrida que se desenvolveu bem até o safety-car. No fim, nem deu para ficar entre os dez primeiros. Vamos considerar que o GP australiano foi um ponto fora da reta de uma equipe que tem tudo para ganhar a primeira neste ano.

WILLIAMS5 – É foda, rapaz. No fim de semana em que a equipe parecia estar pronta para marcar mais pontos do que em 2011 inteiro, seus dois pilotos decidiram não colaborar. Muita gente pode achar que estou sendo duro demais com Pastor Maldonado, que fez um ótimo treino oficial e uma corrida melhor ainda, mas temos de ser pragmáticos: ele jogou um sexto lugar no lixo por culpa inteiramente sua. Para uma Williams que precisa de cada ponto, foi uma tremenda duma cagada. Bruno Senna pode ao menos alegar que foi atingido por Daniel Ricciardo e Felipe Massa, mas seu confesso conservadorismo não pegou bem. Esperamos mais colaboração por parte da dupla, pois o carro se comportou muito bem em Melbourne e promete estar num nível acima ao lamentável FW33 do ano passado.

MARUSSIA6 – Única equipe das nanicas que conseguiu terminar a corrida, e ainda por cima com seus dois carros. Mesmo sem ter feito uma pré-temporada completa com seu carro novo, Timo Glock e Charles Pic conseguiram andar razoavelmente bem durante todo o fim de semana, não tiveram problemas e o alemão ainda andou à frente de carros melhores na primeira volta da corrida. Os dois chegaram ao fim e demonstraram que, sim, dá para ter uma participação digna sem ter feito um teste decente anteriormente. Não é, HRT?

CATERHAM2,5 – Cadê aquele avanço que tanto foi prometido? Pelo visto, a esquadra de Tony Fernandes permanecerá monopolizando a 10ª fila dos grids de largada pelo terceiro ano consecutivo. Heikki Kovalainen e Vitaly Petrov ainda tiveram a desagradável experiência de andar atrás de uma Marussia durante algumas voltas. Os dois abandonaram mais ou menos no mesmo momento, um por problemas na suspensão e o outro por contingências soviéticas. Ser a única equipe das que largaram a não completar a corrida não foi das coisas mais agradáveis.

HRT0 – Dessa vez, fica difícil defender. Não digo nem por causa dos atrasos, já que a novela é a mesma desde 2010. O problema é ter feito, no treino oficial, um tempo ainda pior do que na edição de 2011, na qual a equipe também não conseguiu se dar bem. Pedro de la Rosa e Narain Karthikeyan nem sonharam em repetir o 1m32s9 marcado por Vitantonio Liuzzi no ano passado. O espanhol só conheceu o novo carro no fim de semana e penou um bocado. Dono da grana, Narain andou um pouco mais, mas foi triste vê-lo parar na sua primeira volta no primeiro treino de sexta-feira. Pressinto que as dificuldades serão ainda maiores do que nas duas primeiras temporadas. Espero estar errado.

TRANSMISSÃOVICK VAPORUB – Cof, cof! O que foi aquilo? O narrador oficial da transmissão brasileira estava com catarro ou cimento na garganta? Nas últimas dez voltas, sua dificuldade para pronunciar seis ou sete palavras consecutivas era dramática – talvez ele já tenha chegado ao limite extremo de suas cordas vocais, certamente afetadas por antigos hábitos tabagistas. Fora isso, seu companheiro não precisava estragar a surpresa do primeiro carro de corrida no Brasil, que seria apresentado num programa qualquer. “Um Alfa Romeo”. Puxa vida, e eu esperando assistir ao programa e dar de cara com um Hyundai ou um EFFA. Não prestei muita atenção em outras bobagens, pois acompanhar minúcias as três da manhã é coisa de zumbi.

CORRIDAZICAS – Sabe, eu torço para alguns pilotos. Pastor Maldonado, Romain Grosjean, Michael Schumacher, Kamui Kobayashi, Lewis Hamilton e Fernando Alonso. Pode perceber que, sim, me aborreci um pouco. Quem foi bem no sábado se deu mal no domingo e vice-versa. Dei um soco no colchão onde estava deitado quando vi aquela anta do venezuelano batendo na última volta. Para quem torce pra Jenson Button, por outro lado, foi uma madrugada divertida. Não houve tantos acidentes ou horrores que sempre acontecem em Melbourne, mas também não bocejamos tanto. Foi uma corrida honesta para quem se dispôs a ficar acordado até altas horas da madrugada.

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